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Organização de Serviços Extrajudiciais 
Estudo Dirigido 
 
Referência: ROCHA JUNIOR, Cid; KAMEL, Antoine 
Youssef. Noções elementares da atividade notarial e 
registral. Curitiba: InterSaberes, 2017. 
 
Olá, prezado aluno. O estudo dirigido é um 
pequeno resumo de alguns dos temas que podem ser 
cobrados nas avaliações da disciplina. Por se tratar de 
um resumo, ele é apenas um complemento. Estude 
pelas videoaulas, textos e demais materiais 
disponibilizados a você, de acordo com a Rotina de 
Estudos entregue na fase. 
Sumário 
Introdução ............................................................................................................... 2 
( 1 ) Requisitos para ser agente delegado ............................................................. 2 
( 2 ) História ......................................................................................................... 3 
( 3 ) Acesso à justiça ............................................................................................ 3 
( 4 ) Presunção de veracidade dos atos praticados ............................................... 4 
( 5 ) Responsabilidade tributária .......................................................................... 4 
( 6 ) Prática da Função ......................................................................................... 5 
( 7 ) Natureza jurídica dos serviços notariais e registrais .................................... 5 
( 8 ) Fé Pública ..................................................................................................... 6 
( 9 ) Cobrança de emolumentos – Restrição ........................................................ 7 
( 10 ) Fiscalização ............................................................................................... 8 
( 11 ) Registro de Imóveis .................................................................................. 9 
( 12 ) Registro civil de pessoas naturais ........................................................... 10 
( 13 ) Tabelionato de Notas .............................................................................. 11 
Reconhecimento de firma ........................................................................ 12 
Testamento .............................................................................................. 12 
Autenticação ............................................................................................ 12 
Procuração ............................................................................................... 13 
Reconhecimento de firma ........................................................................ 14 
Escritura Pública ...................................................................................... 14 
 
2 
Introdução 
“Não tem jeito: todo mundo vai passar por um cartório na vida, seja para 
registrar nascimentos ou mortes, autenticar um documento e até em casamentos e 
compras de imóveis. Há uma estimativa de que uma pessoa física recorra aos 
serviços cartorários pelo menos dez vezes em sua vida.” (GAZETA DO POVO, 
<http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/conheca-os-servicos-oferecidos-
em-cada-tipo-de-cartorio-bcc1nyc56j5m4l5fazuocd7im>, 5 set. 2013. Acesso em: 25 abr. 
2018.) 
A população entende, com o uso do nome cartório, diversas coisas 
diferentes. No estudo da organização e serviços extrajudiciais, utilizamos uma 
definição mais técnica, mas, em termos amplos e gerais, cartório é o nome genérico 
que se dá a uma repartição pública ou privada, que tem como objetivo a guarda de 
documentos e que lhes dá fé pública. Podem realizar atos judiciais (no caso dos 
cartórios judiciais) e extrajudiciais (no caso dos cartórios extrajudiciais). 
( 1 ) Requisitos para ser agente delegado 
Até a promulgação da Constituição de 1988, os cartórios eram transferidos 
de geração em geração, como por herança. Atualmente, é necessário o ingresso na 
função por meio das competências exigidas, comprovadas pelo candidato por meio 
de concurso público. 
O agente delegado deve ser aprovado em concurso e precisa ser: 
1) brasileiro, 
2) civilmente capaz e 
3) habilitado em concurso público. 
Além disso, deve: 
4) estar quite com as obrigações eleitorais e militares, 
5) possuir diploma de bacharel em direito ou possuir dez anos de exercício 
em serviço notarial ou de registro, e 
6) ter conduta condigna para o exercício da profissão. 
A subsistência do agente delegado, seu alimento de cada dia, é percebido 
diretamente pelo exercício de sua atividade. Os serviços extrajudiciais são pagos 
pelo interessado (aquele que procura o serviço) por meio de emolumentos. 
3 
( 2 ) História 
Na maioria das vezes em que estudamos um determinado assunto, em 
qualquer lugar que seja, estudamos também a história pertinente a ele. Um trecho 
da história desses serviços, que lemos na obra-base: 
Com o fim do Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563 
pela Igreja Católica, foi ampliada a necessidade dos 
registros, incluindo os matrimoniais, à totalidade do mundo 
católico. Podemos imaginar o impacto que tal medida 
efetuara para o desenvolvimento dos serviços notariais e 
registrais. 
E logo adiante, aconteceria um dos maiores movimentos até 
hoje registrados na história da humanidade: a Revolução 
Francesa. E é de suma importância que nos lembremos dos 
ideais defendidos por seus revolucionários: liberdade, 
igualdade e fraternidade. Conquistas que só poderiam ser 
alcançadas pela via da mediação à paz. Não é mera 
coincidência, portanto, que a Revolução Francesa tenha 
trazido grandes mudanças para as atividades notariais e 
registrais, que continuavam a se desenvolver. ‘Somente com 
a Revolução Francesa que o notariado veio, paulatinamente, 
adquirir as feições conhecidas na atualidade. 
Revolução francesa, quanto tempo atrás (1789)! Qual é a importância de 
se estudar a história? O objetivo é aprender e, assim, evitar incorrer nos mesmos 
erros do passado. (O conceito de estudar o passado para modificar o futuro.) 
( 3 ) Acesso à justiça 
Acesso à justiça é sinônimo de acesso ao poder judiciário? Não! 
Os agentes delegados (tabeliães e oficiais de registro) são cada vez mais 
procurados por um fator muito importante, que vem sendo reforçado: a 
“desjudicialização”; por exemplo, ao se permitir o inventário e a partilha 
extrajudiciais em algumas hipóteses, mais recentemente o usucapião extrajudicial, 
no novo CPC. 
Pela desjudicialização, retira-se do Poder Judiciário as tarefas que não 
precisam ser resolvidas pelos juízes. A desjudicialização é benéfica para dar 
celeridade ao Poder Judiciário, porque os juízes podem se ater a processos que 
realmente precisam de sua intervenção. Portanto, o cidadão pode obter justiça por 
outros modos, por exemplo, pelos tabelionatos e ofícios de registro! Acesso à 
4 
justiça é diferente de acesso ao poder judiciário: podemos ter justiça sem poder 
judiciário. 
Aliás, o Poder Judiciário tem a fama (por vezes, correta) de ser moroso, o 
que ocorre em especial devido à grande quantidade de processos que lhe chega 
diariamente. O que o Poder Judiciário tem feito para reduzir a morosidade e 
aumentar a celeridade? Diversas providências vêm sendo adotadas nesse sentido, 
como a implantação do processo eletrônico, contratação de novos juízes mediante 
concurso público, melhorias da estrutura. 
( 4 ) Presunção de veracidade dos atos praticados 
Os atos praticados pelos notários e registradores têm presunção de 
veracidade. Mas essa veracidade é iuris tantum. 
Presunção iuris tantum significa que os atos praticados pelos notários e 
registradores (nessa condição) são tidos por verdadeiros, a menos que se prove ocontrário. 
( 5 ) Responsabilidade tributária 
O agente delegado tem responsabilidade tributária subsidiária nos atos que 
pratica. 
A responsabilidade tributária de terceiros é a hipótese em que, segundo 
previsão legal, a uma pessoa estranha a relação tributária originária é atribuído o 
dever de adimplemento de determinado tributo, quando este não foi pago pelo real 
devedor. O que significa o fato de a responsabilidade tributária ser subsidiária? 
Significa que o agente delegado só responde se for impossível o cumprimento 
pelo contribuinte e ter o não pagamento ocorrido pela omissão da serventia. 
Isso está no CTN – Código Tributário Nacional, no art. 134: 
Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento 
da obrigação principal pelo contribuinte, respondem 
solidariamente com este nos atos em que intervierem ou 
pelas omissões de que forem responsáveis: 
[...] 
VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, 
pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou 
perante eles, em razão do seu ofício; 
5 
( 6 ) Prática da Função 
Os serventuários e seus auxiliares devem estar sempre atentos, pois 
novidades surgem a todo momento, de várias fontes. 
Sobre a união homoafetiva, por exemplo, sabemos que, na prática, ela já 
existe desde muito tempo atrás. Independentemente de qualquer regulamentação, 
é fato que homens se uniam a homens em uma união familiar, e também é fato que 
mulheres se uniam a mulheres antes que houvesse qualquer norma a respeito. Por 
isso, pensemos na união estável entre pessoas do mesmo sexo. Ela é permitida, isto 
é, é permitida a união estável homoafetiva. Não foi uma questão legislada, mas 
ficou esquecida pela lei! Os senadores e deputados federais não votaram o assunto 
por longo tempo. O que aconteceu foi que a união estável homoafetiva foi 
permitida judicialmente, pelo Supremo Tribunal Federal, posteriormente sendo 
admitido o casamento pelo CNJ. 
Desta maneira, a um bom tabelião, registradores e seus prepostos não basta 
conhecer a legislação, mas acompanhar também a movimentação do Executivo e 
do Judiciário sobre temas que lhe digam respeito. 
( 7 ) Natureza jurídica dos serviços notariais e registrais 
Quando falamos da natureza jurídica de 
algo, queremos saber aquilo que é seu núcleo, seu 
cerne, seu fundamento. Quando tratamos da 
natureza jurídica dos serviços extrajudiciais, 
pensamos em duas questões: o prestador do serviço 
e a atividade desempenhada. Quanto ao prestador 
do serviço, é de natureza privada. Quanto à 
atividade desempenhada, é de natureza pública. 
Assim, para conceituar os serviços 
extrajudiciais, é só fazer a ligação desses dois 
conhecimentos: serviços notariais e registrais são 
serviços públicos, típicos do Estado, executados em 
caráter privado, por delegação, na forma da lei. 
Você sabe quando uma norma é federal e quando é 
estadual? Normalmente é federal quando não 
dizemos nada. Por exemplo, se falo “Lei 8.935/94”, 
é uma norma federal. Quando é estadual, 
costumamos especificar, ou dizer o que ela faz, 
sendo uma competência do estado, por exemplo: 
“norma que especifica os emolumentos devidos”. 
Legislação 
Três leis compõem o cerne 
das atividades notariais e 
registrais: 
1) Lei nº 8.935, de 1994: 
Veio a regulamentar o que 
previu a Constituição em 
termos de serviços notariais e 
registrais. 
2) Constituição da República, 
de 1988: Norma maior do 
país, é um marco na 
regulamentação dos serviços 
extrajudiciais. 
3) Lei de Registros Públicos, 
de 1973: Mesmo sendo 
anterior à Constituição, 
continua vigente. 
6 
Enfim, vamos ver alguns exemplos, para distinguir entre estadual e federal. 
A Organização dos Serviços Extrajudiciais é complexa. Uma parte da 
legislação é federal: diz respeito a todo o Brasil e dá normas gerais sobre como 
funcionam os serviços extrajudiciais; no entanto, cada estado cria normas 
específicas, estaduais, para regular as particularidades das serventias no seu 
território. 
Questão resolvida 
Classifique cada norma a seguir em (E)stadual ou (F)ederal: 
( ) Constituição Estadual. 
( ) Código de Organização e Divisão Judiciária do Estado. 
( ) Constituição da República. 
( ) Código de Normas (ou Normas de Serviço) da 
Corregedoria-Geral de Justiça do Estado. 
( ) Lei 8.935/94. 
 
Resposta: 
( E ) Constituição Estadual. 
( E ) Código de Organização e Divisão Judiciária do Estado. 
( F ) Constituição da República. 
( E ) Código de Normas (ou Normas de Serviço) da Corregedoria-Geral 
de Justiça do Estado. 
( F ) Lei 8.935/94. 
( 8 ) Fé Pública 
Em alguns atos e negócios, por determinação da lei ou por vontade dos 
interessados, procura-se obter uma maior segurança por meio de certeza jurídica, 
registrando-se tais atos de maneira peculiar perante um agente público. Essa 
segurança é obtida porque os agentes públicos detêm fé pública. Fé pública é a 
presunção de veracidade de documentos e registros efetivados por agente público 
no exercício de suas funções. 
Sobre a fé pública de que são titulares os agentes delegados, há distinções 
(pela própria atividade) entre a fé pública notarial e registral. Você deve saber a 
respeito que o registrador conhece e inscreve títulos, não tem relação direta com 
os fatos que inscreve. Só pode dar fé ao que registrou ou arquivou em seu ofício. 
A natureza pública e a natureza 
privada estão juntamente presentes 
no trabalho dos serventuários. 
7 
O notário conhece e autentica fatos — testemunha, pelos sentidos, 
realidades que presencia, expressa fé no que colheu pelos sentidos. 
Leiamos este pequeno trecho de uma matéria sobre o assunto: 
“TABELIÃO É RESPONSÁVEL PELOS ATOS PRATICADOS 
POR SEUS PREPOSTOS NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO 
por AF — publicado em 24/01/2014 19:25 
A 1ª Turma Cível do TJDFT manteve sentença da juíza da 1ª Vara Cível 
de Taguatinga, que condenou um tabelião a pagar indenização por danos morais a 
homem que teve assinatura falsa reconhecida por um dos escreventes do cartório. 
De acordo com a decisão, o tabelião é responsável pelos atos praticados por seus 
prepostos no exercício da função.” 
Conforme a notícia, os titulares das serventias respondem pelos atos 
praticados por seus funcionários. 
Os escreventes, prepostos do titular, podem praticar todos os atos que o 
notário ou o oficial de registro lhe houver autorizado. E somente eles! 
Os escreventes substitutos eventualmente contratados pelo tabelionato 
podem praticar todos os atos que lhe sejam próprios, simultaneamente com o 
notário ou o oficial de registro. Sobre os testamentos, é diferente: o escrevente 
pode lavrar testamento somente nos casos de impedimento ou de ausência do 
tabelião. 
( 9 ) Cobrança de emolumentos – Restrição 
Considere um caso: João Mário mora em Fernando de Noronha e foi ao 
tabelionato de notas para realizar a cópia autenticada de alguns de seus documentos 
pessoais. Ele já havia visto a lei do seu estado (Pernambuco) e descoberto o custo 
de cada ato, portanto, levou o dinheiro contado. Porém, ao realizar os atos no 
tabelionato, o valor era superior. Ao perguntar, o homem que o cobrava, de 65 
anos, disse que o preço maior do que a tabela era devido a algumas diligências 
adicionais que foram necessárias para copiar e autenticar todos esses documentos. 
Essa situação está correta ou errada? 
Está errada! 
Conforme a lei, os tabeliães devem realizar todas as gestões e diligências 
necessárias ou convenientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o que 
couber, sem ônus maiores que os emolumentos devidos pelo ato. Nada pode ser 
cobrado que não esteja expressamenteprevisto na tabela de emolumentos do 
estado! 
8 
( 10 ) Fiscalização 
As fiscalizações funcionam como forma de padronizar a atividade nos 
cartórios. 
O gerente de Fiscalização Extrajudicial na Paraíba, Sebastião Alves 
Cordeiro Júnior, diz em uma entrevista: “Existe a padronização de entendimento e 
das formas de trabalho, ofícios circulares são expedidos instruindo os notários 
registradores quanto alguma matéria de relevância, ou que ele faça ou deixe de 
fazer algo diante de determinada posição legal. Trabalhamos também para manter 
o cadastro das serventias sempre atualizado”. 
Esse trabalho relatado pelo próprio gerente de fiscalização é realizado pelo 
Tribunal de Justiça de cada Estado. A fiscalização é feita pelo Tribunal de 
Justiça do estado através de Juiz Corregedor do Foro Local, Corregedor Geral de 
Justiça do Estado ou Conselho Nacional de Justiça”. 
Nessas fiscalizações, e em outros momentos, podem ser constatadas 
irregularidades. Os notários e os oficiais de registro estão sujeitos a penalidade 
pelas infrações que praticarem, assegurado amplo direito de defesa. As quatro 
penas possíveis, dependendo da gravidade e da recorrência das infrações, são: 
 Repreensão (ou advertência). 
 Multa. 
 Suspensão por noventa dias, prorrogável por mais trinta. 
 Perda da delegação. 
Questão resolvida 
Quando falamos nas competências abaixo, de qual serventia estamos 
falando? 
1) Registrar contratos que têm por objeto bens móveis (carros, motos, 
caminhões, barcos, mercadorias, ações de companhias, etc.). Por 
exemplo: contratos de compra e venda, penhor, alienação fiduciária; 
2) Registrar documentos e contratos pessoais e profissionais, tais como 
contratos de locação, notas promissórias, registro de microfilmes, 
código de softwares, contrato de prestação de serviços, contrato de 
parceria agrícola ou pecuária, arrendamento, etc., além de todos os 
documentos estrangeiros com as respectivas traduções juramentadas; 
3) Registrar notificações extrajudiciais. 
Qual é o ofício com essas atribuições? 
Resposta: 
9 
É o ofício de Registro de títulos e documentos (ou Ofício de Registro de títulos e 
documentos e civis das pessoas jurídicas, pois são combinados pela lei). 
( 11 ) Registro de Imóveis 
Sobre os tempos do antigo Egito: “Há uma espécie de processo judicial da 
época, datado de 185 a.C., em que uma pessoa de nome Hermias reivindica a posse 
de uma casa. No documento, ele alega a existência de uma lei segundo a qual os 
contratos de compra e venda de imóveis não registrados não teriam valor. No 
Antigo Egito se dizia, como hoje se diz — de forma não totalmente verdadeira, 
que “quem não registra, não é dono”. 
Nos tempos atuais, no Brasil, podemos dizer sobre os imóveis que “quem 
não registra não é dono”? 
Apesar de o registro ser obrigatório, mesmo sem registrar a pessoa tem 
direito sobre o imóvel. Logo, é falso dizer que “quem não registra não é dono”. As 
pessoas registram para cumprir a lei e, também, porque dá segurança jurídica 
(proteção contra terceiros mesmo que de boa-fé). 
Vamos fazer um exercício: 
Questão resolvida 
No cartório de registro de imóveis, o oficial executa essencialmente duas 
espécies de atos: registro e averbação. Identifique qual é o ato nas duas situações 
abaixo. 
a) Quando se transfere a propriedade de um imóvel, é registro ou averbação? 
b) E se, em relação a um imóvel, o proprietário precisa alterar o nome por ter 
casado, de qual desses atos se trata? 
 
Respostas: 
a) Registro. 
b) Averbação. 
 
E a locação de imóvel? Precisa ser registrada no ofício de registro de 
imóveis? Não, não precisa ser registrada no ofício de registro de imóveis, porque 
é um negócio realizado entre as partes, que não onera diretamente o imóvel, 
embora tenha relação com ele. Por outro lado, se as partes pretendem garantir a 
segurança jurídica da locação, elas podem realizar a averbação. 
Outro exercício sobre as atividades notariais e registrais: 
 
10 
0 
Questão resolvida 
Sabemos que existem dois tipos de concurso público para exercício da 
função de agente público de serventia extrajudicial. Um para aquele que quer 
entrar na atividade e o de outro para quem já é titular e deseja a titularidade de 
outra serventia. 
a) Que nome se dá ao concurso prestado para iniciar na carreira de agente 
delegado? 
b) Qual é o concurso para quem já é titular e deseja a titularidade de outra 
serventia? 
 
Respostas: 
a) Concurso de ingresso. 
b) Concurso de remoção. 
 
Dúvidas sobre esses concursos? Recorra à sua obra e à aula 3 da disciplina, 
do Prof. Fernando Abreu. 
As vagas das serventias são determinadas por lei. Serão preenchidas de 
forma alternada: 2/3 por concurso público de provas e títulos, para ingresso na 
atividade, e 1/3 por meio de remoção, mediante concurso apenas de títulos. Os 
concursos de remoção se destinam aos agentes delegados que estejam dispostos a 
assumir outro ofício ou tabelionato. Ao concurso de remoção somente serão 
admitidos titulares que exerçam a atividade por mais de dois anos. 
Um fato no registro de imóveis que me chama a atenção é o quanto as 
pessoas reclamam do custo no Brasil. 
Atualmente, o preço do procedimento de registro de imóveis no país é de 
aproximadamente 2,6% do custo total do imóvel, incluindo, claro, os tributos. O 
número é a metade do valor cobrado pelos países da Organização para a 
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), incluindo França, Estados 
Unidos e Alemanha, que é de 4,2%! 
Na obra-base, aprendemos que o registro de imóveis no Brasil é mais 
barato do que o cobrado no antigo Egito e metade dos países da OCDE, por isso, 
não é muito alto o custo. 
( 12 ) Registro civil de pessoas naturais 
A Lei dos Cartórios (Lei nº 8.935, de 1994) dispõe que haverá no mínimo 
um registrador civil das pessoas naturais por município. (Art. 44, § 2º da lei). Na 
prática, essa exigência é difícil de ser cumprida, porque não há interesse de se 
estabelecer um ofício de registro em alguns municípios pequenos. As razões do 
11 
1 
desinteresse ou da inexistência de candidatos são a pequena população e, portanto, 
baixa procura pelos serviços. 
Quando não há possibilidade de se inaugurar um ofício de registro civil, 
delega-se a função a outro ofício registral da região, independentemente de 
concurso, por meio de ato do Poder Público. 
O registro civil das pessoas naturais é responsável pelo registro de 
nascimentos, de casamentos, de óbitos, das emancipações, das interdições, das 
sentenças declaratórias de ausência, de adoção e também das opções de 
nacionalidade. 
Quando ocorrem alterações, elas são averbadas no ofício de registro civil 
de pessoas naturais. Quando falamos da interdição (uma das atribuições da 
serventia de pessoas naturais), há obrigatoriedade de que seja imediatamente 
publicada. Segundo o Código de Processo Civil, art. 755, § 3º, a “sentença de 
interdição será inscrita no registro de pessoas naturais e imediatamente publicada 
na rede mundial de computadores, no site do tribunal a que estiver vinculado o 
juízo e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça.” 
De todas as serventias notariais e registrais, o atendimento ao público será, 
no mínimo, de seis horas diárias. Por determinação legal, o serviço de registro civil 
das pessoas naturais será prestado todos os dias, também nos sábados, domingos e 
feriados (pelo sistema de plantão). 
( 13 ) Tabelionato de Notas 
Agora, os tabelionatos. Observe esta interessante proposta de lei, sobre 
reconhecimento de firma em atestados médicos: 
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço 
Público da Câmara dos Deputadosaprovou proposta 
que estabelece a exigência de reconhecimento de firma 
para que atestados e laudos médicos sejam validados. 
O projeto estabelece essa exigência para os atestados 
por doença acima de cinco dias; repouso à gestante; 
acidente de trabalho; de aptidão física; sanidade física 
e mental; amamentação; interdição; e de internação 
hospitalar. Nesses casos, os hospitais e demais 
estabelecimentos de saúde deverão dispor de setor 
próprio para validar gratuitamente os atestados e 
laudos médicos fornecidos em suas dependências. 
12 
2 
A proposta isenta do reconhecimento de firma os 
atestados fornecidos pelos profissionais de saúde que 
atuam no próprio local de trabalho do paciente. 
(Fonte: Infonet, adaptado.) 
 
É apenas um projeto de lei, não uma norma vigente. No entanto, é bom 
que se saiba: o que é o reconhecimento de firma? Quem o realiza? 
Reconhecimento de firma 
Muitas pessoas já fizeram reconhecimento de firma. Ele é o ato pelo qual 
o tabelião confirma a assinatura apresentada em um documento. Ele só pode ser 
feito quando o documento está totalmente preenchido, datado e sem nenhum 
espaço em branco, para evitar adulterações posteriores. A atribuição é do tabelião 
de notas. 
Testamento 
Uma palavra sobre o testamento. Sabemos que, em regra, os escreventes 
podem praticar todos os atos que o notário ou o oficial de registro lhe houver 
autorizado. No entanto, quando falamos das disposições de última vontade, temos 
de considerar a legislação específica, tendo em vista o grau de zelo sobre esse 
documento. O escrevente pode lavrar testamento? ... Sim. O escrevente pode lavrar 
testamento, mas somente nos casos de impedimento ou de ausência do titular da 
serventia, o tabelião. 
Autenticação 
Autenticação, também de atribuição do tabelionato de notas é o ato pelo 
qual o tabelião confirma que a cópia está igual ao documento original que lhe foi 
apresentado, ou seja, declara que é autêntica. Por essa razão, o documento original 
deve ser levado à serventia, visto que sem ele não é possível fazer a autenticação. 
Autenticação Física ou tradicional: autenticação de cópia extraída de um 
documento original apresentado fisicamente na serventia, sendo a cópia realizada 
na própria serventia ou em outro local — neste último caso, o tabelião precisará 
conferir minuciosamente se a cópia realizada fora corresponde fielmente ao 
original; 
Autenticação Eletrônica: autenticação de reprodução extraída de um 
documento original eletrônico. Qualquer página da internet pode ser impressa e 
autenticada, mas se não houver garantia da procedência, o ato da autenticação não 
13 
3 
garante a origem do conteúdo. O ato de autenticação autentica também a fonte 
quando a origem dos documentos é confiável: por exemplo, certidões ou arquivos 
disponíveis em sites de órgãos públicos ou documentos assinados digitalmente, 
por assinatura digital na forma da lei. 
Autenticar é o ato do Cartório que confirma que uma cópia é reprodução 
do original, mesmo que reduzida ou ampliada. Não basta a cópia ser reprodução 
do original para ser possível autenticar. O documento reproduzido não pode estar 
rasurado, danificado, montado, ilegível, parcial, escrito a lápis ou preenchido com 
uso de carbono, devendo as assinaturas ser originais. É facultativo ao Cartório 
autenticar documentos reproduzidos com os problemas ora apontados. Assim, a 
autenticação poderá conter as ressalvas necessárias acerca dos problemas. 
Logo, não se deve fazer cópia autenticada de documento rasurado, mas é 
faculdade (opção) do tabelionato autenticar, fazendo constar os problemas. 
Procuração 
Por uma procuração (também chamado instrumento de mandato), uma 
parte (dita outorgada) recebe poderes para realizar atos em nome de outra (dita 
outorgante). 
A procuração, seja ela pública ou privada, pode ser revogada a qualquer 
tempo, por vontade de ambas as partes ou de apenas uma delas. Pergunta: como 
se dá a revogação de uma procuração privada? 
Pode-se fazer um simples distrato (documento assinado por ambos dando 
conta da revogação). Ou, se o ato de revogar a procuração for unilateral, aquele 
que a revoga deve cientificar a outra parte. Para isso, deve realizar uma 
notificação extrajudicial ou enviar carta com aviso de recebimento. O próprio 
outorgante prepara o documento que deseja entregar ao procurador, comunicando-
lhe a revogação. 
Retomemos, pois o tema é importante: procuração é o instrumento em que 
uma pessoa (outorgante ou mandante) outorga poderes específicos ou gerais para 
outra (outorgada ou mandatária). O outorgado pode agir em nome do outorgante, 
no limite dos poderes outorgados, para a prática de todos os atos necessários aos 
interesses da procuração. 
Quando uma parte não mais deseja a relação de mandato, a procuração 
pode ser revogada. Sabe como se revoga uma procuração pública? 
Ela precisa ser revogada pelo mesmo modo como foi feita, isto é, perante 
o tabelião (em cartório). É necessário também que a outra parte tenha ciência da 
revogação, estando ela presente ao ato ou, logo após, por meio de notificação 
extrajudicial ou carta com aviso de recebimento. 
14 
4 
Reconhecimento de firma 
Suponha que duas pessoas residentes em Xambrê/PR lá assinam um 
contrato de compra e venda de uma vara de pescar, numa viagem ocasional a 
Ibaiti/PR, conversam e decidem reconhecer as assinaturas desse contrato. 
Em que local podem realizar esse reconhecimento? 
Ora, podem realizar o reconhecimento de firma ali em Ibaiti, ou em outro 
lugar qualquer, porque os interessados podem escolher qualquer tabelionato do 
país para utilizar os serviços do tabelionato de notas, independentemente do local 
de domicílio ou do lugar em que se encontram os bens que serão objeto de nota. 
Escritura Pública 
“A Escritura Pública é qualquer tipo de documento elaborado por um 
Tabelião cuja finalidade seja formalizar juridicamente a vontade das partes. Essa 
é a principal atribuição do Tabelião, cujo instrumento é considerado autêntico e 
verdadeiro para todos os efeitos.” (Fonte: 
<http://www.tabelionato.com/index.php/nossos-servicos/escrituras-publicas>. 
Acesso em: 25 abr. 2010.) 
Atos comumente feitos por escritura pública são: 
 Escritura pública de compra e venda de imóvel; 
 testamento; 
 inventário; 
 partilha; 
 divórcio consensual; 
 ata notarial. 
 
Esta, a ata notarial, é um instrumento público, escrito pelo tabelião de 
notas a rogo do interessado, cujo objetivo é constatar a realidade ou verdade de um 
fato que o tabelião vê, ouve e percebe por quaisquer sentidos. 
 
Eis aqui o FIM de nosso pequeno estudo complementar, um resumo de 
pontos importantes da matéria. 
Uma dica para você fazer seu próprio estudo complementar, com matérias 
que não relembramos aqui: saiba as atribuições de cada serventia — o que faz o 
tabelionato de notas, o tabelionato de protesto, o ofício de registro de pessoas 
naturais... 
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Conheça também os princípios, tanto os gerais quanto aqueles específicos 
do registro de imóveis, e o que cada um diz. 
A propósito: você se lembra de qual é a serventia que detém funções tanto 
notariais quanto registrais? 
Sim! A serventia de contratos marítimos tem competência tanto notarial 
quanto registral. Sua existência é restrita a alguns estados, exclusivamente para 
atos relativos a transações de embarcações marítimas. 
 
Desejo sucesso! 
Antoine Youssef Kamel 
Coordenador adjunto do curso superior de 
Gestão de Serviços Jurídicos e Notariais

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