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Organização de Serviços Extrajudiciais Estudo Dirigido Referência: ROCHA JUNIOR, Cid; KAMEL, Antoine Youssef. Noções elementares da atividade notarial e registral. Curitiba: InterSaberes, 2017. Olá, prezado aluno. O estudo dirigido é um pequeno resumo de alguns dos temas que podem ser cobrados nas avaliações da disciplina. Por se tratar de um resumo, ele é apenas um complemento. Estude pelas videoaulas, textos e demais materiais disponibilizados a você, de acordo com a Rotina de Estudos entregue na fase. Sumário Introdução ............................................................................................................... 2 ( 1 ) Requisitos para ser agente delegado ............................................................. 2 ( 2 ) História ......................................................................................................... 3 ( 3 ) Acesso à justiça ............................................................................................ 3 ( 4 ) Presunção de veracidade dos atos praticados ............................................... 4 ( 5 ) Responsabilidade tributária .......................................................................... 4 ( 6 ) Prática da Função ......................................................................................... 5 ( 7 ) Natureza jurídica dos serviços notariais e registrais .................................... 5 ( 8 ) Fé Pública ..................................................................................................... 6 ( 9 ) Cobrança de emolumentos – Restrição ........................................................ 7 ( 10 ) Fiscalização ............................................................................................... 8 ( 11 ) Registro de Imóveis .................................................................................. 9 ( 12 ) Registro civil de pessoas naturais ........................................................... 10 ( 13 ) Tabelionato de Notas .............................................................................. 11 Reconhecimento de firma ........................................................................ 12 Testamento .............................................................................................. 12 Autenticação ............................................................................................ 12 Procuração ............................................................................................... 13 Reconhecimento de firma ........................................................................ 14 Escritura Pública ...................................................................................... 14 2 Introdução “Não tem jeito: todo mundo vai passar por um cartório na vida, seja para registrar nascimentos ou mortes, autenticar um documento e até em casamentos e compras de imóveis. Há uma estimativa de que uma pessoa física recorra aos serviços cartorários pelo menos dez vezes em sua vida.” (GAZETA DO POVO, <http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/conheca-os-servicos-oferecidos- em-cada-tipo-de-cartorio-bcc1nyc56j5m4l5fazuocd7im>, 5 set. 2013. Acesso em: 25 abr. 2018.) A população entende, com o uso do nome cartório, diversas coisas diferentes. No estudo da organização e serviços extrajudiciais, utilizamos uma definição mais técnica, mas, em termos amplos e gerais, cartório é o nome genérico que se dá a uma repartição pública ou privada, que tem como objetivo a guarda de documentos e que lhes dá fé pública. Podem realizar atos judiciais (no caso dos cartórios judiciais) e extrajudiciais (no caso dos cartórios extrajudiciais). ( 1 ) Requisitos para ser agente delegado Até a promulgação da Constituição de 1988, os cartórios eram transferidos de geração em geração, como por herança. Atualmente, é necessário o ingresso na função por meio das competências exigidas, comprovadas pelo candidato por meio de concurso público. O agente delegado deve ser aprovado em concurso e precisa ser: 1) brasileiro, 2) civilmente capaz e 3) habilitado em concurso público. Além disso, deve: 4) estar quite com as obrigações eleitorais e militares, 5) possuir diploma de bacharel em direito ou possuir dez anos de exercício em serviço notarial ou de registro, e 6) ter conduta condigna para o exercício da profissão. A subsistência do agente delegado, seu alimento de cada dia, é percebido diretamente pelo exercício de sua atividade. Os serviços extrajudiciais são pagos pelo interessado (aquele que procura o serviço) por meio de emolumentos. 3 ( 2 ) História Na maioria das vezes em que estudamos um determinado assunto, em qualquer lugar que seja, estudamos também a história pertinente a ele. Um trecho da história desses serviços, que lemos na obra-base: Com o fim do Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563 pela Igreja Católica, foi ampliada a necessidade dos registros, incluindo os matrimoniais, à totalidade do mundo católico. Podemos imaginar o impacto que tal medida efetuara para o desenvolvimento dos serviços notariais e registrais. E logo adiante, aconteceria um dos maiores movimentos até hoje registrados na história da humanidade: a Revolução Francesa. E é de suma importância que nos lembremos dos ideais defendidos por seus revolucionários: liberdade, igualdade e fraternidade. Conquistas que só poderiam ser alcançadas pela via da mediação à paz. Não é mera coincidência, portanto, que a Revolução Francesa tenha trazido grandes mudanças para as atividades notariais e registrais, que continuavam a se desenvolver. ‘Somente com a Revolução Francesa que o notariado veio, paulatinamente, adquirir as feições conhecidas na atualidade. Revolução francesa, quanto tempo atrás (1789)! Qual é a importância de se estudar a história? O objetivo é aprender e, assim, evitar incorrer nos mesmos erros do passado. (O conceito de estudar o passado para modificar o futuro.) ( 3 ) Acesso à justiça Acesso à justiça é sinônimo de acesso ao poder judiciário? Não! Os agentes delegados (tabeliães e oficiais de registro) são cada vez mais procurados por um fator muito importante, que vem sendo reforçado: a “desjudicialização”; por exemplo, ao se permitir o inventário e a partilha extrajudiciais em algumas hipóteses, mais recentemente o usucapião extrajudicial, no novo CPC. Pela desjudicialização, retira-se do Poder Judiciário as tarefas que não precisam ser resolvidas pelos juízes. A desjudicialização é benéfica para dar celeridade ao Poder Judiciário, porque os juízes podem se ater a processos que realmente precisam de sua intervenção. Portanto, o cidadão pode obter justiça por outros modos, por exemplo, pelos tabelionatos e ofícios de registro! Acesso à 4 justiça é diferente de acesso ao poder judiciário: podemos ter justiça sem poder judiciário. Aliás, o Poder Judiciário tem a fama (por vezes, correta) de ser moroso, o que ocorre em especial devido à grande quantidade de processos que lhe chega diariamente. O que o Poder Judiciário tem feito para reduzir a morosidade e aumentar a celeridade? Diversas providências vêm sendo adotadas nesse sentido, como a implantação do processo eletrônico, contratação de novos juízes mediante concurso público, melhorias da estrutura. ( 4 ) Presunção de veracidade dos atos praticados Os atos praticados pelos notários e registradores têm presunção de veracidade. Mas essa veracidade é iuris tantum. Presunção iuris tantum significa que os atos praticados pelos notários e registradores (nessa condição) são tidos por verdadeiros, a menos que se prove ocontrário. ( 5 ) Responsabilidade tributária O agente delegado tem responsabilidade tributária subsidiária nos atos que pratica. A responsabilidade tributária de terceiros é a hipótese em que, segundo previsão legal, a uma pessoa estranha a relação tributária originária é atribuído o dever de adimplemento de determinado tributo, quando este não foi pago pelo real devedor. O que significa o fato de a responsabilidade tributária ser subsidiária? Significa que o agente delegado só responde se for impossível o cumprimento pelo contribuinte e ter o não pagamento ocorrido pela omissão da serventia. Isso está no CTN – Código Tributário Nacional, no art. 134: Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: [...] VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; 5 ( 6 ) Prática da Função Os serventuários e seus auxiliares devem estar sempre atentos, pois novidades surgem a todo momento, de várias fontes. Sobre a união homoafetiva, por exemplo, sabemos que, na prática, ela já existe desde muito tempo atrás. Independentemente de qualquer regulamentação, é fato que homens se uniam a homens em uma união familiar, e também é fato que mulheres se uniam a mulheres antes que houvesse qualquer norma a respeito. Por isso, pensemos na união estável entre pessoas do mesmo sexo. Ela é permitida, isto é, é permitida a união estável homoafetiva. Não foi uma questão legislada, mas ficou esquecida pela lei! Os senadores e deputados federais não votaram o assunto por longo tempo. O que aconteceu foi que a união estável homoafetiva foi permitida judicialmente, pelo Supremo Tribunal Federal, posteriormente sendo admitido o casamento pelo CNJ. Desta maneira, a um bom tabelião, registradores e seus prepostos não basta conhecer a legislação, mas acompanhar também a movimentação do Executivo e do Judiciário sobre temas que lhe digam respeito. ( 7 ) Natureza jurídica dos serviços notariais e registrais Quando falamos da natureza jurídica de algo, queremos saber aquilo que é seu núcleo, seu cerne, seu fundamento. Quando tratamos da natureza jurídica dos serviços extrajudiciais, pensamos em duas questões: o prestador do serviço e a atividade desempenhada. Quanto ao prestador do serviço, é de natureza privada. Quanto à atividade desempenhada, é de natureza pública. Assim, para conceituar os serviços extrajudiciais, é só fazer a ligação desses dois conhecimentos: serviços notariais e registrais são serviços públicos, típicos do Estado, executados em caráter privado, por delegação, na forma da lei. Você sabe quando uma norma é federal e quando é estadual? Normalmente é federal quando não dizemos nada. Por exemplo, se falo “Lei 8.935/94”, é uma norma federal. Quando é estadual, costumamos especificar, ou dizer o que ela faz, sendo uma competência do estado, por exemplo: “norma que especifica os emolumentos devidos”. Legislação Três leis compõem o cerne das atividades notariais e registrais: 1) Lei nº 8.935, de 1994: Veio a regulamentar o que previu a Constituição em termos de serviços notariais e registrais. 2) Constituição da República, de 1988: Norma maior do país, é um marco na regulamentação dos serviços extrajudiciais. 3) Lei de Registros Públicos, de 1973: Mesmo sendo anterior à Constituição, continua vigente. 6 Enfim, vamos ver alguns exemplos, para distinguir entre estadual e federal. A Organização dos Serviços Extrajudiciais é complexa. Uma parte da legislação é federal: diz respeito a todo o Brasil e dá normas gerais sobre como funcionam os serviços extrajudiciais; no entanto, cada estado cria normas específicas, estaduais, para regular as particularidades das serventias no seu território. Questão resolvida Classifique cada norma a seguir em (E)stadual ou (F)ederal: ( ) Constituição Estadual. ( ) Código de Organização e Divisão Judiciária do Estado. ( ) Constituição da República. ( ) Código de Normas (ou Normas de Serviço) da Corregedoria-Geral de Justiça do Estado. ( ) Lei 8.935/94. Resposta: ( E ) Constituição Estadual. ( E ) Código de Organização e Divisão Judiciária do Estado. ( F ) Constituição da República. ( E ) Código de Normas (ou Normas de Serviço) da Corregedoria-Geral de Justiça do Estado. ( F ) Lei 8.935/94. ( 8 ) Fé Pública Em alguns atos e negócios, por determinação da lei ou por vontade dos interessados, procura-se obter uma maior segurança por meio de certeza jurídica, registrando-se tais atos de maneira peculiar perante um agente público. Essa segurança é obtida porque os agentes públicos detêm fé pública. Fé pública é a presunção de veracidade de documentos e registros efetivados por agente público no exercício de suas funções. Sobre a fé pública de que são titulares os agentes delegados, há distinções (pela própria atividade) entre a fé pública notarial e registral. Você deve saber a respeito que o registrador conhece e inscreve títulos, não tem relação direta com os fatos que inscreve. Só pode dar fé ao que registrou ou arquivou em seu ofício. A natureza pública e a natureza privada estão juntamente presentes no trabalho dos serventuários. 7 O notário conhece e autentica fatos — testemunha, pelos sentidos, realidades que presencia, expressa fé no que colheu pelos sentidos. Leiamos este pequeno trecho de uma matéria sobre o assunto: “TABELIÃO É RESPONSÁVEL PELOS ATOS PRATICADOS POR SEUS PREPOSTOS NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO por AF — publicado em 24/01/2014 19:25 A 1ª Turma Cível do TJDFT manteve sentença da juíza da 1ª Vara Cível de Taguatinga, que condenou um tabelião a pagar indenização por danos morais a homem que teve assinatura falsa reconhecida por um dos escreventes do cartório. De acordo com a decisão, o tabelião é responsável pelos atos praticados por seus prepostos no exercício da função.” Conforme a notícia, os titulares das serventias respondem pelos atos praticados por seus funcionários. Os escreventes, prepostos do titular, podem praticar todos os atos que o notário ou o oficial de registro lhe houver autorizado. E somente eles! Os escreventes substitutos eventualmente contratados pelo tabelionato podem praticar todos os atos que lhe sejam próprios, simultaneamente com o notário ou o oficial de registro. Sobre os testamentos, é diferente: o escrevente pode lavrar testamento somente nos casos de impedimento ou de ausência do tabelião. ( 9 ) Cobrança de emolumentos – Restrição Considere um caso: João Mário mora em Fernando de Noronha e foi ao tabelionato de notas para realizar a cópia autenticada de alguns de seus documentos pessoais. Ele já havia visto a lei do seu estado (Pernambuco) e descoberto o custo de cada ato, portanto, levou o dinheiro contado. Porém, ao realizar os atos no tabelionato, o valor era superior. Ao perguntar, o homem que o cobrava, de 65 anos, disse que o preço maior do que a tabela era devido a algumas diligências adicionais que foram necessárias para copiar e autenticar todos esses documentos. Essa situação está correta ou errada? Está errada! Conforme a lei, os tabeliães devem realizar todas as gestões e diligências necessárias ou convenientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o que couber, sem ônus maiores que os emolumentos devidos pelo ato. Nada pode ser cobrado que não esteja expressamenteprevisto na tabela de emolumentos do estado! 8 ( 10 ) Fiscalização As fiscalizações funcionam como forma de padronizar a atividade nos cartórios. O gerente de Fiscalização Extrajudicial na Paraíba, Sebastião Alves Cordeiro Júnior, diz em uma entrevista: “Existe a padronização de entendimento e das formas de trabalho, ofícios circulares são expedidos instruindo os notários registradores quanto alguma matéria de relevância, ou que ele faça ou deixe de fazer algo diante de determinada posição legal. Trabalhamos também para manter o cadastro das serventias sempre atualizado”. Esse trabalho relatado pelo próprio gerente de fiscalização é realizado pelo Tribunal de Justiça de cada Estado. A fiscalização é feita pelo Tribunal de Justiça do estado através de Juiz Corregedor do Foro Local, Corregedor Geral de Justiça do Estado ou Conselho Nacional de Justiça”. Nessas fiscalizações, e em outros momentos, podem ser constatadas irregularidades. Os notários e os oficiais de registro estão sujeitos a penalidade pelas infrações que praticarem, assegurado amplo direito de defesa. As quatro penas possíveis, dependendo da gravidade e da recorrência das infrações, são: Repreensão (ou advertência). Multa. Suspensão por noventa dias, prorrogável por mais trinta. Perda da delegação. Questão resolvida Quando falamos nas competências abaixo, de qual serventia estamos falando? 1) Registrar contratos que têm por objeto bens móveis (carros, motos, caminhões, barcos, mercadorias, ações de companhias, etc.). Por exemplo: contratos de compra e venda, penhor, alienação fiduciária; 2) Registrar documentos e contratos pessoais e profissionais, tais como contratos de locação, notas promissórias, registro de microfilmes, código de softwares, contrato de prestação de serviços, contrato de parceria agrícola ou pecuária, arrendamento, etc., além de todos os documentos estrangeiros com as respectivas traduções juramentadas; 3) Registrar notificações extrajudiciais. Qual é o ofício com essas atribuições? Resposta: 9 É o ofício de Registro de títulos e documentos (ou Ofício de Registro de títulos e documentos e civis das pessoas jurídicas, pois são combinados pela lei). ( 11 ) Registro de Imóveis Sobre os tempos do antigo Egito: “Há uma espécie de processo judicial da época, datado de 185 a.C., em que uma pessoa de nome Hermias reivindica a posse de uma casa. No documento, ele alega a existência de uma lei segundo a qual os contratos de compra e venda de imóveis não registrados não teriam valor. No Antigo Egito se dizia, como hoje se diz — de forma não totalmente verdadeira, que “quem não registra, não é dono”. Nos tempos atuais, no Brasil, podemos dizer sobre os imóveis que “quem não registra não é dono”? Apesar de o registro ser obrigatório, mesmo sem registrar a pessoa tem direito sobre o imóvel. Logo, é falso dizer que “quem não registra não é dono”. As pessoas registram para cumprir a lei e, também, porque dá segurança jurídica (proteção contra terceiros mesmo que de boa-fé). Vamos fazer um exercício: Questão resolvida No cartório de registro de imóveis, o oficial executa essencialmente duas espécies de atos: registro e averbação. Identifique qual é o ato nas duas situações abaixo. a) Quando se transfere a propriedade de um imóvel, é registro ou averbação? b) E se, em relação a um imóvel, o proprietário precisa alterar o nome por ter casado, de qual desses atos se trata? Respostas: a) Registro. b) Averbação. E a locação de imóvel? Precisa ser registrada no ofício de registro de imóveis? Não, não precisa ser registrada no ofício de registro de imóveis, porque é um negócio realizado entre as partes, que não onera diretamente o imóvel, embora tenha relação com ele. Por outro lado, se as partes pretendem garantir a segurança jurídica da locação, elas podem realizar a averbação. Outro exercício sobre as atividades notariais e registrais: 10 0 Questão resolvida Sabemos que existem dois tipos de concurso público para exercício da função de agente público de serventia extrajudicial. Um para aquele que quer entrar na atividade e o de outro para quem já é titular e deseja a titularidade de outra serventia. a) Que nome se dá ao concurso prestado para iniciar na carreira de agente delegado? b) Qual é o concurso para quem já é titular e deseja a titularidade de outra serventia? Respostas: a) Concurso de ingresso. b) Concurso de remoção. Dúvidas sobre esses concursos? Recorra à sua obra e à aula 3 da disciplina, do Prof. Fernando Abreu. As vagas das serventias são determinadas por lei. Serão preenchidas de forma alternada: 2/3 por concurso público de provas e títulos, para ingresso na atividade, e 1/3 por meio de remoção, mediante concurso apenas de títulos. Os concursos de remoção se destinam aos agentes delegados que estejam dispostos a assumir outro ofício ou tabelionato. Ao concurso de remoção somente serão admitidos titulares que exerçam a atividade por mais de dois anos. Um fato no registro de imóveis que me chama a atenção é o quanto as pessoas reclamam do custo no Brasil. Atualmente, o preço do procedimento de registro de imóveis no país é de aproximadamente 2,6% do custo total do imóvel, incluindo, claro, os tributos. O número é a metade do valor cobrado pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), incluindo França, Estados Unidos e Alemanha, que é de 4,2%! Na obra-base, aprendemos que o registro de imóveis no Brasil é mais barato do que o cobrado no antigo Egito e metade dos países da OCDE, por isso, não é muito alto o custo. ( 12 ) Registro civil de pessoas naturais A Lei dos Cartórios (Lei nº 8.935, de 1994) dispõe que haverá no mínimo um registrador civil das pessoas naturais por município. (Art. 44, § 2º da lei). Na prática, essa exigência é difícil de ser cumprida, porque não há interesse de se estabelecer um ofício de registro em alguns municípios pequenos. As razões do 11 1 desinteresse ou da inexistência de candidatos são a pequena população e, portanto, baixa procura pelos serviços. Quando não há possibilidade de se inaugurar um ofício de registro civil, delega-se a função a outro ofício registral da região, independentemente de concurso, por meio de ato do Poder Público. O registro civil das pessoas naturais é responsável pelo registro de nascimentos, de casamentos, de óbitos, das emancipações, das interdições, das sentenças declaratórias de ausência, de adoção e também das opções de nacionalidade. Quando ocorrem alterações, elas são averbadas no ofício de registro civil de pessoas naturais. Quando falamos da interdição (uma das atribuições da serventia de pessoas naturais), há obrigatoriedade de que seja imediatamente publicada. Segundo o Código de Processo Civil, art. 755, § 3º, a “sentença de interdição será inscrita no registro de pessoas naturais e imediatamente publicada na rede mundial de computadores, no site do tribunal a que estiver vinculado o juízo e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça.” De todas as serventias notariais e registrais, o atendimento ao público será, no mínimo, de seis horas diárias. Por determinação legal, o serviço de registro civil das pessoas naturais será prestado todos os dias, também nos sábados, domingos e feriados (pelo sistema de plantão). ( 13 ) Tabelionato de Notas Agora, os tabelionatos. Observe esta interessante proposta de lei, sobre reconhecimento de firma em atestados médicos: A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputadosaprovou proposta que estabelece a exigência de reconhecimento de firma para que atestados e laudos médicos sejam validados. O projeto estabelece essa exigência para os atestados por doença acima de cinco dias; repouso à gestante; acidente de trabalho; de aptidão física; sanidade física e mental; amamentação; interdição; e de internação hospitalar. Nesses casos, os hospitais e demais estabelecimentos de saúde deverão dispor de setor próprio para validar gratuitamente os atestados e laudos médicos fornecidos em suas dependências. 12 2 A proposta isenta do reconhecimento de firma os atestados fornecidos pelos profissionais de saúde que atuam no próprio local de trabalho do paciente. (Fonte: Infonet, adaptado.) É apenas um projeto de lei, não uma norma vigente. No entanto, é bom que se saiba: o que é o reconhecimento de firma? Quem o realiza? Reconhecimento de firma Muitas pessoas já fizeram reconhecimento de firma. Ele é o ato pelo qual o tabelião confirma a assinatura apresentada em um documento. Ele só pode ser feito quando o documento está totalmente preenchido, datado e sem nenhum espaço em branco, para evitar adulterações posteriores. A atribuição é do tabelião de notas. Testamento Uma palavra sobre o testamento. Sabemos que, em regra, os escreventes podem praticar todos os atos que o notário ou o oficial de registro lhe houver autorizado. No entanto, quando falamos das disposições de última vontade, temos de considerar a legislação específica, tendo em vista o grau de zelo sobre esse documento. O escrevente pode lavrar testamento? ... Sim. O escrevente pode lavrar testamento, mas somente nos casos de impedimento ou de ausência do titular da serventia, o tabelião. Autenticação Autenticação, também de atribuição do tabelionato de notas é o ato pelo qual o tabelião confirma que a cópia está igual ao documento original que lhe foi apresentado, ou seja, declara que é autêntica. Por essa razão, o documento original deve ser levado à serventia, visto que sem ele não é possível fazer a autenticação. Autenticação Física ou tradicional: autenticação de cópia extraída de um documento original apresentado fisicamente na serventia, sendo a cópia realizada na própria serventia ou em outro local — neste último caso, o tabelião precisará conferir minuciosamente se a cópia realizada fora corresponde fielmente ao original; Autenticação Eletrônica: autenticação de reprodução extraída de um documento original eletrônico. Qualquer página da internet pode ser impressa e autenticada, mas se não houver garantia da procedência, o ato da autenticação não 13 3 garante a origem do conteúdo. O ato de autenticação autentica também a fonte quando a origem dos documentos é confiável: por exemplo, certidões ou arquivos disponíveis em sites de órgãos públicos ou documentos assinados digitalmente, por assinatura digital na forma da lei. Autenticar é o ato do Cartório que confirma que uma cópia é reprodução do original, mesmo que reduzida ou ampliada. Não basta a cópia ser reprodução do original para ser possível autenticar. O documento reproduzido não pode estar rasurado, danificado, montado, ilegível, parcial, escrito a lápis ou preenchido com uso de carbono, devendo as assinaturas ser originais. É facultativo ao Cartório autenticar documentos reproduzidos com os problemas ora apontados. Assim, a autenticação poderá conter as ressalvas necessárias acerca dos problemas. Logo, não se deve fazer cópia autenticada de documento rasurado, mas é faculdade (opção) do tabelionato autenticar, fazendo constar os problemas. Procuração Por uma procuração (também chamado instrumento de mandato), uma parte (dita outorgada) recebe poderes para realizar atos em nome de outra (dita outorgante). A procuração, seja ela pública ou privada, pode ser revogada a qualquer tempo, por vontade de ambas as partes ou de apenas uma delas. Pergunta: como se dá a revogação de uma procuração privada? Pode-se fazer um simples distrato (documento assinado por ambos dando conta da revogação). Ou, se o ato de revogar a procuração for unilateral, aquele que a revoga deve cientificar a outra parte. Para isso, deve realizar uma notificação extrajudicial ou enviar carta com aviso de recebimento. O próprio outorgante prepara o documento que deseja entregar ao procurador, comunicando- lhe a revogação. Retomemos, pois o tema é importante: procuração é o instrumento em que uma pessoa (outorgante ou mandante) outorga poderes específicos ou gerais para outra (outorgada ou mandatária). O outorgado pode agir em nome do outorgante, no limite dos poderes outorgados, para a prática de todos os atos necessários aos interesses da procuração. Quando uma parte não mais deseja a relação de mandato, a procuração pode ser revogada. Sabe como se revoga uma procuração pública? Ela precisa ser revogada pelo mesmo modo como foi feita, isto é, perante o tabelião (em cartório). É necessário também que a outra parte tenha ciência da revogação, estando ela presente ao ato ou, logo após, por meio de notificação extrajudicial ou carta com aviso de recebimento. 14 4 Reconhecimento de firma Suponha que duas pessoas residentes em Xambrê/PR lá assinam um contrato de compra e venda de uma vara de pescar, numa viagem ocasional a Ibaiti/PR, conversam e decidem reconhecer as assinaturas desse contrato. Em que local podem realizar esse reconhecimento? Ora, podem realizar o reconhecimento de firma ali em Ibaiti, ou em outro lugar qualquer, porque os interessados podem escolher qualquer tabelionato do país para utilizar os serviços do tabelionato de notas, independentemente do local de domicílio ou do lugar em que se encontram os bens que serão objeto de nota. Escritura Pública “A Escritura Pública é qualquer tipo de documento elaborado por um Tabelião cuja finalidade seja formalizar juridicamente a vontade das partes. Essa é a principal atribuição do Tabelião, cujo instrumento é considerado autêntico e verdadeiro para todos os efeitos.” (Fonte: <http://www.tabelionato.com/index.php/nossos-servicos/escrituras-publicas>. Acesso em: 25 abr. 2010.) Atos comumente feitos por escritura pública são: Escritura pública de compra e venda de imóvel; testamento; inventário; partilha; divórcio consensual; ata notarial. Esta, a ata notarial, é um instrumento público, escrito pelo tabelião de notas a rogo do interessado, cujo objetivo é constatar a realidade ou verdade de um fato que o tabelião vê, ouve e percebe por quaisquer sentidos. Eis aqui o FIM de nosso pequeno estudo complementar, um resumo de pontos importantes da matéria. Uma dica para você fazer seu próprio estudo complementar, com matérias que não relembramos aqui: saiba as atribuições de cada serventia — o que faz o tabelionato de notas, o tabelionato de protesto, o ofício de registro de pessoas naturais... 15 5 Conheça também os princípios, tanto os gerais quanto aqueles específicos do registro de imóveis, e o que cada um diz. A propósito: você se lembra de qual é a serventia que detém funções tanto notariais quanto registrais? Sim! A serventia de contratos marítimos tem competência tanto notarial quanto registral. Sua existência é restrita a alguns estados, exclusivamente para atos relativos a transações de embarcações marítimas. Desejo sucesso! Antoine Youssef Kamel Coordenador adjunto do curso superior de Gestão de Serviços Jurídicos e Notariais