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Alcaloides Farmacognosia – Ninho Senna Acadêmico de Ciênc. Farmacêuticas – UFPE Os alcaloides constituem um grupo heterogêneo de substâncias nitrogenadas, geralmente de origem vegetal, de caráter básico e que apresentam acentuada ação farmacológica em animais. Ademais, nem todos os alcaloides apresentam características básicas, sendo que alguns podem ser neutros ou até ácidos (alcaloides quarternários). A definição mais aceita, diz que um alcaloide é uma substância orgânica cíclica contendo nitrogênio em um estado de oxidação negativo que possui uma distribuição limitada entre os organismos vivos. Segundo Pelletier (1983), um alcaloide seria uma substância orgânica, de origem natural, cíclica contendo um nitrogênio em estado de oxidação negativo e cuja distribuição é limitada entre os organismos vivos, geralmente de ação biológica marcante, como morfina, a cafeína, a nicotina. Distribuem-se por toda planta, acumulando-se nos tecidos vivos de crescimento ativo, nas células epidérmicas e hipodérmicas, bainhas vasculares e vasos lactíferos, raramente em tecidos mortos, como cascas. Em uma planta existem vários alcaloides com estrutura química semelhante e, geralmente, observa-se predomínio de um deles (alcaloides principais). Possui localização intracelular, no retículo endoplasmático > vacúolos. O local de estoque é diferente de onde é sintetizado, por exemplo, a nicotina é formada nas raízes e armazenadas nas folhas. Possuem gosto amargo, o grupo compreende mais de 10.000 representantes, dos quais 75% são oriundos de plantas superiores. É de rara ocorrência em bactérias, algas, fungos e líquens, exceção a Claviceps purpurea (fungos), existem representantes no reino animal, como sapos da américa central e peixes japoneses. A distribuição é irregular, raramente servindo de padrão quimiotaxonômico. Certos alcaloides são característicos de um único gênero (caso do Cinchona – quinina, quinidina, cinchonina, cinchonidina). Outras vezes, em algumas famílias, repartem-se largamente pelos seus táxons, caso das Solanaceae (atropina e hiosciamina), Liliaceae (colchicina) e Papaveraceae (papaverina). Muitos alcaloides são definidos como sólidos cristalinos, que formam sais com ácidos, embora alguns sejam amorfos, nas plantas ocorrem bases livres, sais, N-óxidos, além de carbonos, hidrogênio e nitrogênio (nicotina, coniina e esparteina). Alguns que não possuem oxigênio são líquidos (nicotina, coniina e esparteina) e alguns podem ser coloridos, como a berberina que é amarelo e a sanguinarina que é vermelho. Suas funções são proteção para os vegetais, por serem tóxicos, reserva de nitrogênio, hormônios reguladores do crescimento (inibidores de germinação), do metabolismo interno e da reprodução, produtos de detoxicação das reação finais de biossíntese, ou seja, são resultado do bloqueio metabólico de compostos que se tornariam nocivos à planta, manutenção do equilíbrio iônico (bases), proteção para raios UV. ✓ Rota Metabólica Via Mista ✓ Classificação ▪ Alcaloides verdadeiros – tem anel heterocíclico com um átomo de nitrogênio e sua biossíntese se dá através de um aminoácido. ▪ Protoalcaloides – átomo de nitrogênio não pertence ao anel heterocíclico e se originam de um aminoácido (ex: cocaína, atropina) ▪ Pseudoalcaloides – não são derivados de aminoácidos e sim de terpenos ou esteroides ✓ Atividade Biológica ▪ Morfina – hipoanalgésicos; ▪ Quinina – antimaláricos; ▪ Atropina – anticolinérgicos; ▪ Cocaína – anestésicos locais; ▪ Reserpina – neurolépticos; ▪ Vimblastina, vincristina – antitumoral ✓ Extração, identificação, quantificação ▪ Identificação RGA – Iodo bismutato de potássio Dragendorff – Iodo mercurato de potássio Bertrand – Ácido sílico-túngstico Bouchardar/Wagner – Iodo-iodeto de potássio Sonnenschein – Ácido Fosfomolíbico e ácido tânico Hager – Ácido pícrico ▪ Doseamento De alcaloides totais - Métodos gravimétricos: pesagem do resíduo alcalóidico, na sequência direta da extração, na sequência da ppt dos alcaloides por RG (com decomposição ulterior dos sais); - Métodos volumétricos: fundamentandos na basicidade dos alcaloides, titulações diretas ou por retorno. De alcaloides específicos - Métodos colorimétricos (emetina na Ipecacuanha [iodo, tiossulfato, 432 nm]); - Métodos espectrofotométricos (quinina e cinchonina na Quina); - Métodos fluorimétricos; - Métodos cromatográficos ✓ Alcaloides purínicos ou metilxantinas Conhecidos por bases não alcaloídicas ou bases xânticas, com origem biossintética de bases púricas e não de AA, possui cárater anfótero (ácido e base). Sua solubilidade é peculiar em água quente e solventes clorados, são pseudoalcaloides, com distribuição restrita, há presença de nitrogênio heterocíclico e atividade biológica marcante. Agem sobre sobre: SNC – estimulante, inibem o sono, diminuem a sensação de fadiga; Cardiovascular – aumentam a frequência cardíaca e os débitos cardíacos e coronarianos; Musculatura lisa – relaxamento não específico da musculatura brônquica, das vias biliares e dos ureteres; Renal – ação diurética ▪ Metilxantinas – cafeína – Coffea arábica Composição de inúmeras especialidades analgésicas, antipiréticas e antigripais, associadas com AAS, paracetamol, codeína. Sonolítico, antienxaqueco, hipotensão, pós- pandrial. Bebidas como estimulantes, tônicos e revigorantes. ▪ Metilxantinas – teofilina – Camellia sinesis Broncodilatador – tratamento para asma, enfisemas e bronquite. ▪ Metilxantinas – teobromina – Theobroma cacao Pouco uso na indústria farmacêutica, muito uso na indústria alimentícia Os alcaloides purínicos e metilxantinas são extraídas por solventes clorados em meio amoniacal ou solventes clorados em meio aquoso ácido, por métodos de sublimação ou fluído supercrítico. A principal reação de caracterização é o teste de MUREXIDA. Microssublimação – cristais em forma de agulhas; Doseamento: gravimetria, iodometria, espectofotometria e CLAE. Reagentes clássicos para alcaloides não é recomendado.