Aneurisma de Aorta abdominal
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Aneurisma de Aorta abdominal


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Ana Carolina Andrade
Ana Carolina Giansante
Ana Claudia Viel
Carolina Telles
Enrico Fadul
Gabriela Gasparin
Isabella Bessegatto
Sofia Braile
2018
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Paciente masculino, 57 anos, com queixa de dor lombar de leve intensidade há 2 anos, sem fatores de melhora ou piora. Nega náuseas, vômitos, febre ou qualquer sintoma associado.
Antecedentes pessoais: Tabagista meio maço/dia há 40 anos
Antecedente familiar: irmã com aneurisma de aorta abdominal
Ao exame físico BEG, corado, hidratado, acianótico, anictérico e afebril
AP: MV presente bilateralmente sem RA
AC: BRNF 2T sem sopros audíveis
Abdome: RHA presente, massa pulsátil palpável acima da cicatriz umbilical 
Membros: Simétricos, sem edemas, pulsos palpáveis bilateralmente
Exames complementares 
Raio X de Tórax
AngioTC de aorta abdominal e artérias ilíacas		
TC de abdome total
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HD: Aneurisma de aorta abdominal
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definição
Aneurisma arterial é definido como uma dilatação vascular, localizada ou difusa, com diâmetro transverso maior que 50% do diâmetro original do vaso. Ectasia também é uma dilatação vascular, porém com medidas inferiores às do aneurisma.
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anatomia
A aorta é a maior artéria do corpo. É uma artéria elástica composta por 3 camadas: íntima, média e adventícia.  As metaloproteinases fazem parte de sua estrutura abdominal, estando localizadas na camada média dessa. Ela se inicia no ventrículo esquerdo, sendo as artérias coronárias seus primeiros ramos.
anatomia
Divide-se em aorta ascendente, arco aórtico e aorta descendente. Em seu trajeto apresenta orientação oblíqua, em direção cranial e para a esquerda da linha mediana em uma extensão de 5 cm aproximadamente (ascendente).
Em seguida apresenta flexão em forma de cajado (arco aórtico), mudando a posição posteriormente e para a esquerda, assumindo então trajeto vertical (aorta descendente). É dividida em 2 porçoes: Torácica e abdominal.
 
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aneurisma verdadeiro 
x 
pseudoaneurisma
Um aneurisma verdadeiro é aquele que contém todas as camadas da parede arterial (íntima, média e adventícia).
Um pseudoaneurisma é definido como um hematoma pulsátil não contido por todas as camadas da parede arterial, que se encontra confinado por uma cápsula fibrosa. Ex: pseudoaneurisma de a. femoral por cateterização para realização de procedimentos angiográficos e intervencionistas
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aneurisma degenerativo
Os aneurismas degenerativos representam a imensa maioria dos aneurismas da aorta torácica descendente e abdominal. 
Esta condição tem como achados histopatológicos e imunobiológicos degradação da ELASTINA e do COLÁGENO da parede vascular por metaloproteinases, inflamação mediada por citocinas e infiltração de linfócitos T e B, além de macrófagos. Com esta degradação do colágeno e da elastina há alteração da força tênsil, diminuindo a habilidade da aorta em acomodar distensão pulsátil. 
A condição mais comumente associada a aneurismas degenerativos é a ATEROSCLEROSE.
Assim, é comum um paciente ter lesões em outros sítios vasculares como carótidas, coronárias e artérias dos MMII.
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A AORTA é o vaso mais frequentemente acometido pelos aneurismas degenerativos. Em seguida, em odem descrescente de frequência, temos as aa. Ilíacas, aa. poplíteas, as femorais, a. esplênica, a. hepática, a. mesentérica superior e a. pulmonar.
Na aorta, os segmentos mais afetados são:
INFRARRENAL (80%)
TORÁCICO ASCENDENTE (5.5%)
TORÁCICO DESCENDENTE (12%)
Aproximadamente 2.5% dos aneurismassão tóraco-abdominais.
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Os aneurismas degenerativos da aorta localizam-se com maior frequência na aorta abdominal. 
Podem ser classificados em quatro tipos:
Tipo I É aquele mais comum. Tem origem na aorta abdominal infrarrenal, com um diminuto segmento da aorta, após as emergências das renais, livre da doença. São chamados de infrarrenais. 
Tipo II São considerados justarrenais, pois se originam em um segmento da aorta imediatamente após a emergência das artérias renais.
I
II
Tipo III São aqueles que englobam a origem das artérias renais, sendo chamados de pararrenais. 
Tipo IV Envolvem a aorta abdominal em um segmento tanto abaixo quanto acima da origem das artérias renais. São conhecidos como aneurismas toracoabdominais. Requerem abordagem toracoabdominal para sua correção cirúrgica.
III
IV
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O diâmetro médio da aorta infrarrenal é de 1,4 a 2,4 cm em homens e 1,2 a 2,1 cm em mulheres.
As principais condições relacionadas ao surgimento dos aneurismas degenerativos e, mais precisamente, os AAA, incluem:
Sexo masculino (4:1)
Tabagismo (8:1 em relação a não fumantes)
Idade avançada
 Hipercolesterolemia
História familiar de aneurisma
Raça branca
Hipertensão arterial sistêmica (40% dos pacientes) 
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)
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De acordo com estudo ADAM, o tabagismo foi a condição mais fortemente associada aos AAA, sendo encontrado em 78% dos casos. 
De forma intrigante, o diabetes mellitus tem sido considerado um FATOR PROTETOR contra o desenvolvimento de AAA. 
Existe também uma associação estatística entre hérnia inguinal e AAA. (ambas relacionadas ao tabagismo) 
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risco de expansão e ruptura
Os principais fatores relacionados a um maior risco de expansão e ruptura do AAA incluem tabagismo, VEF1 reduzido, hipertensão, história de transplante renal ou cardíaco, diâmetro de base aumentado, rápido crescimento e, curiosamente, sexo feminino. 
Sendo assim, o consumo de tabaco está relacionado não só com a origem do AAA, mas também com sua taxa de expansão e seu risco de ruptura.
Os AAA de configuração sacular (lembrando que a grande maioria é fusiforme) parecem estar em maior risco de romper também, porém este fenômeno ainda não foi quantificado na literatura. 
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sintomas e achados do exame físico
Geralmente, OS PACIENTES SÃO ASSINTOMÁTICOS e o aneurisma é descoberto acidentalmente durante a realização de exame físico. 
O achado mais comum à palpação abdominal é a presença de uma massa pulsátil e fusiforme notada acima da cicatriz umbilical (aneurismas pequenos) ou uma dilatação difusa ou tortuosa que se estende do abdome superior até abaixo da cicatriz umbilical (grandes aneurismas).
Quando presente, os sintomas podem incluir isquemia de membros inferiores (consequência de embolização a partir de trombo mural dos AAA), embolização de microcristais de colesterol com isquemia e cianose de pododáctilos (síndrome do dedo azul), dor abdominal vaga ou dor lombar.
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manobra de DeBakey
Utilizada para delimitar a posição de um aneurisma de aorta abdominal em relação às artérias renais (suprarrenal ou infrarrenal).  Deve ser feita com o paciente deitado, bem relaxado e com os joelhos fletidos.
Tenta-se inserir a mão entre o rebordo costal e a margem
superior do aneurisma. Não sendo possível inserir a mão, trata-se de um aneurisma suprarrenal. 
Do contrário, quando é possível inserir a mão,
conclui-se que o aneurisma é infrarrenal.
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sinal de DeBakey
Na palpação, quando o limite superior do AAA é bem definido, isso aponta para o não envolvimento dos ramos viscerais. Quando esse limite superior não é palpável ou esta pulsação seja percebida na região epigástrica ou abaixo do gradil costal, é indicativo de acometimento de ramos viscerais e isso é chamado de
sinal de DeBakey.
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exames complementares
Os AAA podem ser diagnosticados com a Ultrassonografia (USG) ou uma radiografia simples de abdome (cerca de 60-70% das vezes encontramos depósitos de cálcio na parede do aneurisma).
A USG de abdome revela os diâmetros do vaso e pode detectar trombo mural, possuindo sensibilidade de 95% e especificidade de 100% na detecção dos AAA.
Permite o acompanhamento do aneurisma ao longo do tempo, estimando seu ritmo de crescimento. Com isso, o cirurgião vascular pode determinar o momento ideal para uma intervenção