Prévia do material em texto
1.1.5. Resistência à penetração - SPT Ainda que o exame da mostra possa fornecer uma indicação da consistência ou compacidade do solo, geralmente a informação referente ao estado do solo é considerada com base na resistência que ele oferece à penetração do amostrador. Durante a amostragem, são anotados os números de golpes do martelo necessários para cravar cada trecho de 15 cm do amostrador. Desprezam-se os dados referentes ao primeiro trecho de 15 cm e define-se resistência à penetração como sendo o número de golpes necessários para cravar 30 cm do amostrador, após aqueles primeiros 15 cm. A resistência à penetração é também referida como o número N do SPT ou, simplesmente, como SPT do solo, sendo o SPT as iniciais de “Standard Penetration Test”. Quando o solo é tão fraco que a aplicação do primeiro golpe do martelo leva a uma penetração superior a 45 cm, o resultado da cravação deve ser expresso pela relação deste golpe com a respectiva penetração. Por exemplo, 1/58. Em função da resistência à penetração, o estado do solo é classificado pela compacidade, quando areia ou silte arenoso, ou pela consistência, quando argila ou silte argiloso. Estas classificações são apresentadas na Tabela 1.1, de acordo com a norma NBR 6484/2001 e com a proposta original de Terzaghi. As diferenças decorrem do fato da energia de cravação do amostrador ser diferente no Brasil e nos Estados Unidos, em virtude, principalmente, da maneira diferente como o martelo é acionado. 1.1.8. Principais Vantagens da Sondagem SPT a) Custo relativamente baixo; b) Facilidade de execução e possibilidade de trabalho em locais de difícil acesso; c) Permite descrever o subsolo em profundidade e a coleta de amostras; d) Fornece um índice de resistência à penetração correlacionável com a compacidade ou a consistência dos solos; e) Possibilita determinação do nível freático (com ressalvas). 2.0. TIPOS DE FUNDAÇÕES Tem-se que a fundação é o elemento estrutural que transfere ao terreno as cargas que são aplicadas à estrutura, ou seja, é o elemento de transição entre a estrutura e o solo. Dessa forma, há dois grupos definidos segundo a forma de transmissão das cargas ao solo que são as fundações superficiais, também denominadas de rasas ou diretas, e as profundas. Dentro desses dois grandes grupos, têm-se as subdivisões, conforme mostra a Figura 2.1. 2.1. FUNDAÇÃO SUPERFICIAL (RASA OU DIRETA) É o elemento de fundação em que a carga é transmitida ao terreno pelas tensões distribuídas sob a base da fundação, e a profundidade de assentamento em relação ao terreno adjacente à fundação é inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação. A carga é transmitida ao solo por pressões na base da fundação. Costuma-se utilizar esse tipo de fundação quando o solo, nas primeiras camadas, tenha resistência suficiente para suportar as cargas atuantes. 2.1.1. Sapata É o elemento de fundação superficial, de concreto armado, dimensionado de modo que as tensões de tração nele resultantes sejam resistidas pelo emprego de armadura especialmente disposta para esse fim. As Fotos 2.1 a 2.10 mostram a execução de sapatas. 2.1.1.1. Sapata isolada Transmite para o terreno cargas pontuais ou concentradas, como as cargas de pilares e as reações de vigas na fundação (vigas baldrames). As Figuras 2.2 e 2.3 mostram sapatas isoladas. 2.1.1.2. Sapata associada É a sapata comum a mais de um pilar. 2.1.1.3. Sapata corrida É a sapata sujeita à ação de uma carga distribuída linearmente ou de pilares ao longo de um mesmo alinhamento. As Figuras 2.5 e 2.6 mostram vistas de sapatas corridas. 2.1.1.4. Sapata em divisa (Sapata excêntrica) / Sapata alavancada Bastante utilizada quando o pilar se encontra faceando a divisa da construção, seja com terreno vizinho ou com área pública, pois, tem-se que não se pode avançar com a fundação além da divisa. Dessa forma, pode-se utilizar, em fundação direta, a sapata excêntrica ou a viga alavancada. Quando a carga do pilar se encontra fora do centro de gravidade da sapata, esta é denominada sapata excêntrica. Essa situação provoca uma distribuição não uniforme de tensões no solo e também a ocorrência de momento fletor no pilar, ocasionando alterações no seu comportamento. 2.1.2. Bloco É o elemento de fundação superficial de concreto, dimensionado de modo que as tensões de tração nele resultantes sejam resistias pelo concreto, sem necessidade de armadura. 2.1.3. Radier É o elemento de fundação superficial que abrange parte ou todos os pilares de uma estrutura, distribuindo os carregamentos. Comumente a utilização de sapatas corridas é adequada economicamente enquanto sua área em relação à da edificação não ultrapasse 50%. Caso contrário, é mais vantajoso reunir todas as sapatas num só elemento de fundação denominado radier. Este é executado em concreto armado, uma vez que, além de esforços de compressão, devem resistir a momentos provenientes dos pilares diferencialmente carregados, e ocasionalmente a pressões do lençol freático (necessidade de armadura negativa). O fato de o radier ser uma peça inteiriça pode lhe conferir uma alta rigidez, o que muitas vezes evita grandes recalques diferenciais. Outra vantagem é que a sua execução cria uma plataforma de trabalho para os serviços posteriores; porém, em contrapartida, impõe a execução precoce de todos os serviços enterrados na área do radier (instalações sanitárias, etc.). 2.2. FUNDAÇÃO PROFUNDA É o elemento de fundação que transmite a carga ao terreno ou pela base (resistência de ponta) ou por sua superfície lateral (resistência de fuste) ou por uma combinação das duas, devendo sua ponta ou base estar assente em profundidade superior ao dobro de sua menor dimensão em planta, e no mínimo 3,0 m. Neste tipo de fundação incluem-se as estacas e os tubulões. 2.2.1. Estaca É o elemento de fundação profunda executado linearmente por equipamentos ou ferramentas, sem que, em qualquer fase de sua execução, haja descida de pessoas. Os materiais empregados poder ser: madeira, aço, concreto pré-moldado, concreto moldado in loco ou pela combinação dos anteriores. 2.2.1.1. Estaca pré-moldada ou pré-fabricada de concreto Estaca constituída de segmentos de concreto pré-moldado ou pré-fabricado e introduzida no terreno por golpes de martelo de gravidade, de explosão, hidráulico ou martelo vibratório. Para fins exclusivamente geotécnicos não há distinção entre estacas pré-moldadas e pré-fabricadas, sendo, comumente, denominadas de pré-moldadas. 2.2.1.3. Estaca de concreto moldada “in loco” Estaca executada preenchendo-se, com concreto ou argamassa, perfurações previamente executadas no terreno. 2.2.1.3.1. Estaca raiz Estaca armada e preenchida com argamassa de cimento e areia, moldada in loco executada através de perfuração rotativa ou rotopercussiva, revestida integralmente, no trecho em solo, por um conjunto de tubos metálicos recuperáveis. Principais aplicações a) Reforço de fundações; b) Fundação de difícil execução pelos métodos tradicionais quer pela ocorrência de matacões no subsolo, quer pela exigüidade de espaço em superfície e pé direito reduzido; c) Reforço de cais de atracação; d) Fundação de bases de equipamentos em unidades industriais em operação; e) Fundações em pontes; f) Paredes de contenção para proteção de escavações nas imediatas vizinhanças de construções existentes (estacas justapostas); g) Contenção de taludes; h) Proteção para escavação de galerias de metrôs em centros habitados; i) Fundações de máquinas sujeitas à vibração; j) Ancoragem de muros de arrimo e paredes diafragma; k) Tirante-raiz; l) Fundações de cambotas de túneis em fases construtivas. Principais características a) Alta capacidade de carga comrecalques bastante reduzidos; b) Possibilidade de execução em áreas restritas e alturas limitadas com perturbação mínima do ambiente circundante; c) Executável em diversos tipos de terrenos e em direções especiais, com utilização quer a compressão, quer a tração. 2.2.1.3.2. Estaca escavada com injeção ou microestaca Estaca moldada in loco, armada, executada através de perfuração rotativa ou roto-percussiva e injetada com calda de cimento por meio de um tubo com válvulas (manchete). 2.2.1.3.3. Estaca escavada mecanicamente (broca mecanizada) Estaca executada por perfuração do solo através de trado mecânico, sem emprego de revestimento ou fluido estabilizante. Um caso particular da estaca escavada mecanicamente é a estaca broca executada, usualmente, por perfuração com trado manual. 2.2.1.3.4. Estaca Strauss Estaca executada por perfuração do solo com uma sonda ou piteira e revestimento total com camisa metálica, realizando-se o lançamento do concreto e retirada gradativa do revestimento com simultâneo apiloamento do concreto. Principais características a) A estaca Strauss é um equipamento leve e econômico; b) Baixas trepidações e vibrações em prédios vizinhos; c) Facilidade de locomoção dentro da obra; d) Possibilidade de verificar, durante a perfuração, a presença de corpos estranhos ou matações no solo, permitindo a mudança de locação da concretagem. Após a conclusão da perfuração, é feita a completa remoção de resíduos através de uma sonda. Em seguida, lança-se água no interior da tubulação para a limpeza dos tubos e do soquete, que é posicionado acima do tubo. Em seguida, o concreto, previamente preparado, é lançado no interior dos tubos através do funil, em quantidade suficiente para a produção de uma coluna com, aproximadamente, 1,00 m de diâmetro. Sem sacar a tubulação, apiloa-se o concreto com o soquete, formando uma espécie de bulbo, pela expulsão do concreto. Para execução do fuste, o concreto é lançado dentro do tubo. À medida que é apiloado, o tubo vai sendo retirado com o uso do guincho. 2.2.1.3.6. Estaca Franki Estaca moldada in loco executada pela cravação, por meio de sucessivos golpes de um pilão, de um tubo de ponta fechada por uma bucha seca constituída de pedra e areia, previamente firmada na extremidade inferior do tubo por atrito. Esta estaca possui base alargada e é integralmente armada. A cravação do tubo Franki no solo provoca um deslocamento das partículas. Com isto diminui o índice de vazios do solo, aumentando sua resistência e absorção de cargas. A elevada energia proporcionada pelo processo FRANKI ao injetar o material de compactação (pedra + areia), provoca uma forte compactação no solo aumentando ainda mais a resistência do mesmo. A compactação é realizada em profundidade e visa melhorar as condições existentes no solo. Conferindo à estaca um acréscimo na resistência da base e na resistência do fuste, por conseguinte, aumentando a capacidade de carga da estaca e diminuindo o seu comprimento. Principais características As estacas Franki são executadas pela cravação de um tubo por meio de sucessivos golpes de um pilão em uma bucha seca de pedra e areia aderida ao tubo. Atingida a cota de apoio, procede-se à expulsão da bucha, execução de base alargada, instalação da armadura e execução do fuste de concreto apiloado com a simultânea retirada do revestimento. A execução da estaca pode apresentar alternativas executivas em relação aos procedimentos da estaca padrão como, por exemplo: perfuração interna (denominado “cravação à tração”), fuste pré-moldado; fuste encamisado com tubo metálico perdido; fuste executado com concreto plástico vibrado ou sem execução de base alargada. 2.2.1.3.7. Estaca hélice contínua monitorada Estaca de concreto moldada in loco, executada mediante a introdução, por rotação, de um trado helicoidal contínuo no terreno e injeção de concreto pela própria haste central do trado simultaneamente com a sua retirada, sendo que a armadura é introduzida após a concretagem da estaca. 2.2.1.3.8. Estaca hélice de deslocamento monitorada (estaca ômega) Estaca de concreto moldada in loco que consiste na introdução de um trado apropriado no terreno, por rotação, sem que haja retirada de material, o que ocasiona um deslocamento do solo junto ao fuste e à ponta. A injeção de concreto é feita pelo interior do tubo central em torno do qual estão colocadas as aletas do trado simultaneamente à sua retirada por rotação. Processo executivo a) Perfuração A perfuração é feita por rotação, da haste penetrando no terreno através de deslocamento lateral do solo. O trado é constituído de tal maneira que a parte inferior do trado promove o corte do terreno e a parte superior empurra o solo lateralmente. Em camadas mais resistentes pode ser necessária a utilização de “pull down” para auxilio na perfuração. b) Concretagem Atingida a profundidade do projeto, que sempre é calculada previamente por processos estáticos, inicia-se a concretagem. A concretagem é iniciada com a subida simultânea da haste com o trado girando e o bombeamento do concreto. À medida que a ferramenta de perfuração sobe; o concreto é bombeado através da tubulação interna da haste. O processo de giro lento faz com que o trado pressione o terreno contra o solo sem ocorrência de transporte de solo. A concretagem pode ser levada até a cota de arrasamento ou até o nível do terreno, dependendo se a armadura é colocada antes da concretagem ou à posteriori. Os controles de concretagem são monitorados eletronicamente semelhantes às estacas hélice contínua. c) Instalação da Armação A armação nas estacas hélice com deslocamento pode ser feita antes da concretagem através da colocação de um feixe de armação no tubo central. A armação também pode ser colocada após o término da concretagem, como normalmente executada nas estacas hélice contínua tradicionais. Este tipo de estacas tem vantagens de comprimir o solo melhorando o atrito lateral, elimina retirada de terra, permite colocação de armação em praticamente toda extensão de estaca, embora com diâmetro reduzido. 2.2.1.3.9. Estaca trado vazado segmentado Estaca moldada in loco executada mediante a introdução no terreno, por rotação, de um trado helicoidal constituído por segmentos de pequeno comprimento (aproximadamente 10 m) rosqueados e injeção de concreto pela própria haste central do trado simultaneamente à sua retirada. 2.2.1.4. Estaca mista Estaca constituída por dois segmente de materiais diferentes (madeira, aço, concreto pré-moldado, concreto moldado in loco etc.). 2.2.1.5. Estaca metálica ou de aço Estaca cravada, constituída de elemento estrutural produzido industrialmente, podendo ser de perfis laminados ou soldados, simples ou múltiplos, tubos de chapa dobrada ou calandrada, tubos com ou sem costura e trilhos. 2.2.2. Tubulão É o elemento de fundação profunda, escavado no terreno em que, pelo menos na sua etapa final, há descida de pessoas, que se faz necessária para executar o alargamento de base ou pelo menos a limpeza do fundo da escavação, uma vez que neste tipo de fundação as cargas são transmitidas preponderantemente pela ponta. 2.2.2.1. Tubulão a céu aberto Este tipo de fundação é empregado acima do lençol freático, ou mesmo abaixo dele, nos casos em que o solo se mantenha estável sem risco de desmoronamento e seja possível controlar a água do interior do tubulão, respeitando-se as Normas de segurança, em particular conforme a Portaria 3.214 do Ministério do Trabalho e Emprego – NR 18. 2.2.2.2. Tubulão a ar comprimido Este tipo de solução é empregado sempre que se pretende executar tubulões abaixo do nível d’água em solos que não atendam à condições J. 2. A escavação do fuste destes tubulõesé sempre realizada com auxílio de revestimento que pode ser de concreto ou de aço (perdido ou recuperado). 3.0. CRITÉRIOS BÁSICOS PARA A ESCOLHA DO TIPO DE FUNDAÇÕES A escolha de uma fundação para uma determinada construção só deve ser feita após constatar que a mesma satisfaz as condições técnicas e econômicas da obra em apreço. Para tanto, devem ser conhecidos, ao mínimo, os seguintes elementos: a) sondagem da área em que vai se construir (tipo do solo, nível d’água, etc.); b) grandeza das cargas a serem transmitidas à fundação; c) topografia da área (levantamento topográfico planialtimétrico; dados sobre taludes e encostas no terreno ou que possam atingir o terreno); d) arquitetura da edificação com vistas a verificar cotas, subsolos, etc.; e) proximidade dos edifícios limítrofes, bem como o tipo de fundação e estado desses edifícios limítrofes; f) limitação dos tipos de fundação existentes no mercado (disponibilidade de equipamentos, mão de obra etc.); A escolha é por eliminação dentre os tipos de fundações existentes e também que satisfaçam técnica e economicamente ao caso em questão. O ponto de partida é o conhecimento da sondagem, geralmente SPT, em que se pode optar pela fundação direta ou profunda. É importante lembrar que, de forma geral, a fundação direta é mais econômica para N maior ou igual a 8 e profundidade não superior a 2,0 metros. Caso contrário, é mais indicado o uso de fundação profunda.