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Fisiologia
O sistema reprodutor9
Iniciando a conversa
A capacidade de se reproduzir é o processo que garante a continuidade da vida. Existem 
várias estratégias reprodutivas nos diferentes grupos de seres vivos, mas neste capítulo 
serão descritos os processos e estruturas básicas importantes para a integração sistêmica 
da reprodução sexuada. Esses são os tópicos da presente semana. Bom estudo!
Reprodução
Um mecanismo essencial
Organismos que se reproduzem sexuadamente têm um ciclo de vida que se inicia com a 
fusão dos gametas haploides (células que possuem apenas um conjunto de cromossomos) 
masculinos (espermatozoides) e femininos (óvulos), produzidos pelas gônadas, formando 
uma célula única diploide (denominada ovo ou zigoto), que se divide em estágios suces-
sivos (mórula, blástula, gástrula), levando às diferenciações teciduais do organismo.
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Fisiologia118
Em mamíferos, o sistema reprodutor é composto pelas gônadas, pelos aparelhos repro-
dutores de onde os gametas são liberados e por tecidos acessórios que produzem molé-
culas reguladoras. Durante o desenvolvimento embrionário, ocorre o desenvolvimento 
das características sexuais primárias, ou seja, o desenvolvimento das gônadas, que são 
formadas por células produtoras de gametas e tecidos somáticos que dão suporte a esta 
produção. A maturação sexual, obtida ao longo do desenvolvimento dos indivíduos, é 
controlada por hormônios específicos que, como será mais bem abordado adiante, tam-
bém são responsáveis pela gametogênese (produção de gametas), acasalamento e pelos 
cuidados paternos.
Sistemas reprodutores
Os componentes masculinos e femininos
O sistema reprodutor masculino é composto pelos testículos, epidídimo, ductos defe-
rentes, vesícula seminal, próstata e pênis (animação 1). Já o sistema reprodutor feminino 
é formado por dois ovários, duas tubas uterinas, útero, vagina e vulva (animação 2). Os 
testículos e os ovários são os órgãos produtores de gametas (gônadas), sendo o processo 
de formação de espermatozoides denominado espermatogênese e o de óvulos, oogênese.
Figura 9.1: Sistema reprodutor feminino. (Animação 2). / Fonte: Cepa
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119Semana 9 O sistema reprodutor
Figura 9.2: Sistema 
reprodutor masculino. 
(Animação 1). / Fonte: Cepa
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Fisiologia120
Gametogênese
A produção de células reprodutoras
No processo de reprodução sexuada, a prole é gerada a partir da junção, em igual quan-
tidade, de material genético proveniente dos gametas dos pais. A gametogênese ocorre 
por meio de meioses sucessivas de células germinativas (oogônia e espermatogônia). 
Vale ressaltar que, na reprodução sexuada, a mistura dos materiais genéticos parentais é 
importante para o sucesso dos animais na exploração de diversos nichos ecológicos, por 
gerar variabilidade genômica. Esta variabilidade é garantida pelo fato de um indivíduo ser 
capaz de produzir milhões de gametas geneticamente diferentes, da criação de cromos-
somos híbridos de material genético paterno e materno produzidos durante a meiose, e 
pelo grande número de combinações possíveis dos gametas femininos e masculinos na 
hora da formação da prole diploide.
A seguir, veremos como ocorre a formação de gametas femininos, a oogênese, e a 
formação dos gametas masculinos, a espermatogênese.
Na maioria das espécies, a produção dos gametas femininos ocorre durante o desenvol-
vimento, sendo que os óvulos gerados são armazenados até serem necessários. É possível 
classificar a utilização destes gametas em três estratégias reprodutivas, a partir do destino 
dos óvulos antes e após a fertilização: ovíparos, vivíparos e ovovivíparos.
Como vimos, o aparelho reprodutor feminino é composto basicamente de ovário, oviduto, 
útero e gonóporo. Na vida intrauterina, células germinativas primordiais migram para o ovário 
em desenvolvimento e diferenciam-se em oogônias. Na maioria das espécies, a oogênese 
inicia-se a partir do oócito primário derivado das mitoses sucessivas das oogônias. Ainda na 
fase intrauterina, os oócitos iniciam o processo de meiose, que é interrompido na fase de 
prófase 1. Os oócitos formados são circundados por células somáticas, que formam um 
folículo e secretam componentes de matriz extracelular, constituindo uma camada acelular 
entre o oócito e o folículo, denominada zona pelúcida (figura a seguir). As células foliculares 
(ou granulosas) coordenam a oogênese, retardando a maturação e a liberação do óvulo.
No decorrer do desenvolvimento extrauterino do 
indivíduo, quando os oócitos primários são ativados 
(por exemplo, na puberdade), a meiose continua de 
forma assimétrica, levando à formação do oócito 
secundário (com a maior parte do citoplasma) e do 
corpúsculo celular primário que, geralmente, é degra-
dado. O oócito secundário sofre então outra divisão 
meiótica, resultando no óvulo maduro (maior parte 
do citoplasma) e no segundo corpúsculo celular (que 
também é degradado) (figura 9.4).
A fisiologia reprodutora dos machos garante que 
os espermatozoides estejam prontos para fertilizar 
o óvulo, assim que o macho estiver empenhado na 
produção de gametas reprodutivos pelos testículos. 
Os testículos são formados por células de Leydig e de Sertoli e por espermatozoides em 
várias fases de desenvolvimento. As células de Leydig produzem a testosterona, enquanto 
as células de Sertoli estão localizadas entre as células espermatogênicas. A testosterona e 
Figura 9.3: Folículo ovariano. / Fonte: Cepa
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121Semana 9 O sistema reprodutor
os fatores produzidos pelas células de Sertoli 
controlam a espermatogênese. As células de 
Sertoli produzem moléculas reguladoras, que 
controlam, por exemplo, a produção de proteí-
nas ligadoras de andrógenos, além de controlar 
e regular a sensibilidade das células testiculares 
ao hormônio FSH, secretando outros fatores 
espermatogênicos. Assim como na oogênese, a 
espermatogênese também é caracterizada por 
duas divisões meióticas celulares sucessivas. 
Nesse contexto, a divisão das espermatogônias 
começa com a formação dos espermatócitos 
primários, que se dividem em espermatócitos 
secundários. A partir daí, a meiose continua e 
os espermatócitos secundários formam os esper-
mátides haploides, que sofrem uma série de 
mudanças estruturais e então são liberados para 
o lúmen dos testículos. Uma dessas mudanças 
estruturais é a formação do axonema, que é a 
base do flagelo. Neste momento, os esperma-
tozoides ainda não são capazes de fertilizar e 
passam para o epidídimo, onde são maturados 
e ganham a capacidade de nadar (figura 9.5).
Figura 9.5: Espermatogênese. / Fonte: Cepa
Figura 9.4: Oogênese. / Fonte: Cepa
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Fisiologia122
Regulação hormonal
Os hormônios envolvidos na reprodução
Os hormônios reprodutivos controlam o desenvolvimento, a maturação sexual, a game-
togênese, o acasalamento e os cuidados paternos. Este controle ocorre por vias complexas 
de retroalimentação positivas e negativas, sendo que os níveis e eficácias hormonais estão 
relacionados ao balanço entre sua produção e degradação e à expressão de seus receptores 
no tecido-alvo. Além disso, outros hormônios importantes em outros sistemas fisiológicos 
têm importante função na reprodução. Machos e fêmeas de uma mesma espécie utilizam 
o mesmo conjunto de hormônios sexuais, embora estes possam ter funções diferenciadas 
em cada um dos sexos.
Hormônios reprodutivos no desenvolvimento 
e na reprodução de machos
Em mamíferos, a produção de andrógenos (testosterona) pelo testículo é responsável 
pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias, promovendo, por exemplo, 
o crescimento de pelos, o engrossamento da voz e a libido. Além disso, agindo sobre as 
células de Sertoli, estimulam a espermatogênese.
Ainda com relação à espermatogênese, o hormônio liberador de gonadotropina(GnRH, 
do inglês Gonadotropin-Releasing Hormone) produzido pelo hipotálamo induz, na hipófi-
se anterior, a produção das gonadotropinas hormônio luteinizante (LH, do inglês luteinizing 
hormone), que estimula a síntese e a liberação de andrógenos pelas células de Leydig do 
testículo; e do hormônio folículo estimulante (FSH, do inglês follicle-stimulating hormone), 
que também estimula a espermatogênese, agindo sobre as células de Sertoli dos túbulos semi-
níferos. No momento da cópula, as prostaglandinas produzidas na vesícula seminal atuam no 
útero da fêmea, induzindo mudanças que afetam a motilidade do espermatozoide.
Hormônios reprodutivos no ciclo ovulatório de fêmeas
Durante a maturação sexual, os estrógenos produzidos pelo ovário auxiliam na formação 
das características sexuais, promovendo a deposição de gordura, a maturação dos ovários 
e das glândulas mamárias. De modo similar, os andrógenos produzidos pelo ovário e pelas 
glândulas adrenais também estão relacionados ao desenvolvimento de características 
sexuais secundárias como, por exemplo, o crescimento de pelo e a libido.
Durante a fase folicular do ciclo ovulatório de mamíferos (animação 3), o GnRH produzido 
pelo hipotálamo controla a liberação de LH e a síntese e liberação do FSH pela hipófise 
anterior. Nesta fase, o LH dispara a ovulação no folículo ovariano e o FSH, também agindo 
sobre o folículo, promove sua maturação e estimula a produção de estrógeno. Os estrógenos 
produzidos atuam sobre o próprio folículo, estimulando a proliferação de células granulosas 
e, atuando sobre o endométrio, induzem a proliferação celular, sensibilizando-o para a 
progesterona e promovendo a amiogênese.
Durante a fase lútea, os estrógenos produzidos pelo corpo lúteo reduzem, por meio da retro-
alimentação negativa, a produção de GnRH baixando os níveis de FSH e LH liberados pela 
hipófise anterior, evitando assim a foliculogênese. Já a progesterona, atuando sobre o útero, 
promove a maturação do endométrio e reduz a contratibilidade da musculatura lisa uterina.
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123Semana 9 O sistema reprodutor
Figura 9.6: Hormônios reprodutivos no ciclo ovulatório de fêmeas. (Animação 3). / Fonte: Cepa
Hormônios reprodutivos na gravidez e no parto
Durante a gravidez, a placenta produz gonadotropina coriônica, estrógenos e progeste-
rona, que apresentam diversas funções regulatórias. A gonadotropina coriônica estimula 
a produção de estrógeno pelo corpo lúteo. Os estrógenos, atuando sobre as glândulas 
mamárias e estimulando a proliferação de células secretoras (mas impedem a produção 
de leite) sobre a cérvice (colo do útero), reduzem a resistência mecânica e, sobre o útero, 
estimulam o músculo liso, a angiogênese (formação de vasos) e a divisão mitótica do 
endométrio. A progesterona atua sobre o útero, bloqueando a estimulação do estrógeno 
do músculo liso, e no ovário evita a ovulação. 
Acesse o ambiente virtual e realize a atividade proposta. Esta semana teremos:
Bom trabalho!
Atividades
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