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Aula 4 - Abertura de Amostras Prof. Julio C. J. Silva Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Instituto de Ciências Exatas Depto. de Química Juiz de For a, 2011 Metodologia Analítica Métodos de dissolução VIA SECA Fusão Cinzas Bico de gás Forno – mufla Forno – mufla de microondas Forno – mufla VIA ÚMIDA Sistema fechado - Frasco de combustão com O2 - Frasco de combustão de Schöniger - Frasco de Carius - Bomba de teflon - Placa Aquecedora - Banho Maria - Bloco Digestor - Estufa - Mufla - Chama (bico de Bunsen) PREPARO DA AMOSTRA Sistema aberto Energia Energia • Decomposição por fusão “É uma reação heterogênea, realizada em altas temperaturas, entre um fundente e o material da amostra. Como resultado deste procedimento, um mineral original ou fases refratárias são convertidas em formas sólidas diferentes que são facilmente dissolvidas em ácidos, bases ou em água” • Fundente reagente utilizado para reduzir a temperatura de fusão de uma amostra Métodos de dissolução (via seca) • Decomposição por fusão • Reagentes para dissolver uma amostra: • Deve fornecer uma solução final contendo todos os componentes a serem determinados • Os reagentes não devem interferir nas etapas seguintes da análise • O tempo de dissolução deve ser o mais rápido possível • Os reagentes devem ter a pureza adequada • As perdas do analito deverão ser desprezíveis • O procedimento de dissolução da amostra não deve atacar, de forma significativa, o recipiente • A execução das operações de laboratório necessárias não devem apresentar periculosidade ou instabilidade Métodos de dissolução (via seca) Ácidos: • Podem ser purificados com facilidade • Podem ser removidos por evaporação • A temperatura máxima de uso é limitada pelo ponto de ebulição do ácido • A temperatura de utilização pode ser mais elevada com o uso de Autoclaves Fundentes: • São usados em altas temperaturas • São de purificação difícil • Resultam em matrizes com teores elevados de eletrólitos • A dissolução final da massa fundida pode ser lenta ou difícil • Há riscos de contaminação ou perdas por volatilização • São mais eficientes que os ácidos na decomposição de materiais refratários Métodos de dissolução (via seca) • Decomposição por fusão (Ataque ácido x Fusão) • Fusão – vantagens • Ideal para materiais cerâmicas de difícil digestão, tais como, minérios refratários, aluminas, óxidos, etc. • Método rápido • Baixo custo • Produtos de reação isentos de gases tóxicos ou corrosivos • Fusão – Limitações • Inadequado para elementos voláteis • Solução da amostra com elevado conteúdo de sólidos dissolvidos • Interferências espectrais causadas pelo fundente Métodos de dissolução (via seca) Métodos de dissolução (via seca) → ↓ Procedimento (exemplo): Fusão com metaborato de lítio (LiBO2) Decomposição por via úmida-Sistemas abertos Aquecimento por condução A temperatura da superfície externa do frasco é maior que o ponto de ebulição da solução Métodos de dissolução (via úmida) Sistemas abertos – aquecimento condutivo Vantagens: • Baixo Custo • Simplicidade Operacional Desvantagens: • Aquecimento não-uniforme • Problemas de contaminação • Possibilidade de perda dos analitos por projeção e/ou volatilização Métodos de dissolução (via úmida) Sistemas abertos – aquecimento condutivo Métodos de dissolução (via úmida) Abertura em chapa usando HF e béqueres de TEFLON chapa de aquecimento • Sistemas fechados - Bomba de decomposição (PTFE) • HNO3 concentrado e programa de temperatura • Desvantagens: • Em PTFE: 170ºC – 180ºC; o material não é indicado para temperaturas mais altas • Decomposição incompleta • Perda de Hg nas paredes do frasco (PTFE) Métodos de dissolução (via úmida) Aquecimento assistido por energia microondas • Microondas são radiações do espectro eletromagnético (portadoras de energia) • Região de comprimentos de onda: 1mm a 1m e freqüências de 300 a 300000 MHz. • Freqüências para usos industrial, médico e cientifico: 915MHz, 2.450MHz (12,2cm), 5.800MHz and 22.125MHz. Estabelecidas pela Comissão Federal de Comunicações - FCC (USA) Microondas Métodos de dissolução (via úmida) Espectro Eletromagnético Tipo de radiação Freqüência típica (MHz) Quantum de energia (eV) Raios-X 3,0 x 1013 1,24 x 105 Ultravioleta 1,0 x 109 4,1 Visível 6,0 x 108 2,5 Infravermelho 3,0 x 106 0,012 Microonda 2450 0,0016 Energia de uma microonda vs energia de outras radiações eletromagnéticas Métodos de dissolução (via úmida) • Microondas não são radiações ionizantes • A energia das microondas é muito menor que a energia necessária para quebrar as ligações das moléculas orgânicas mais comuns Energia das microondas Métodos de dissolução (via úmida) Quantum de energia de microonda de 2450 MHz = 0,0016 eV Ligação química Energia da ligação química (eV) H-CH3 4,5 H-NHCH3 4,3 H3C-CH3 3,8 H-OH 5,2 Ligação de hidrogênio 0,21 Mecanismos de aquecimento provocado por microondas • Os líquidos absorvem energia de microondas por dois mecanismos que atuam simultaneamente: • Rotação de dipolo • Condução iônica Métodos de dissolução (via úmida) • Rotação Dipolo • Refere-se ao alinhamento de moléculas na amostra, que tenham momentos de dipolo induzido ou permanente, devido a aplicação de um campo elétrico. • Depende da temperatura e viscosidade da amostra Rotação de dipolo • Moléculas polarizadas são alinhadas com a aplcação do campo elétrico • Quando campo é removido ou reduzido, a desordem induzida termicamente é restaurada e energia térmica é liberada. • A 2450 MHz, o alinhamento das moléculas, seguido do seu retorno a desordem ocorre 4,9 x 109 vezes por segundo, e resulta em rápido aquecimento. Métodos de dissolução (via úmida) • Refere-se à migração dos íons dissolvidos no campo eletromagnético aplicado • A condução iônica depende da mobilidade, carga e concentração do íon Condução Iônica Rotação de dipolo Métodos de dissolução (via úmida) • A absorção da microonda depende da: • constante dieléctrica e’ (capacidade de uma molécula ser polarizada por radiação eletromagnética) • perda dielétrica e” (eficiência de conversão da energia da microonda em calor) • “loss tangent” ou tand = e”/e’ (habilidade do material em absorver energia da microonda, convertendo a energia da onda eletromagnética em calor) Absorção da microonda e aquecimento Métodos de dissolução (via úmida) Constantes Taxa de conversão de energia de microondas (tand) em diferentes materiais Água 25 1570 Quartzo fundido 25 0,6 Cerâmica F-66 25 5,5 Porcelana No 4462 25 11 Vidro fosfato 25 46 Vidro borossilicato 25 10,6 Vidro Corning No 0080 25 126 Acrílico (Plexiglass) 27 57 Nylon 6-6 25 128 Polietileno 25 3,1 Poliestireno 25 3,3 Teflon PFA 25 1,5 Material Temperatura (°C) tand (x10-4) Absorção da microonda e aquecimento Métodos de dissolução (via úmida) Interação de materiais com microondas Materiais podem refletir, absorver ou não absorver microondas Aquecimento assistido por energia microondas Métodos de dissolução (via úmida) • As paredes do frasco são transparentes à energia da microonda e apresentam temperatura menor que a temperatura da solução • Primeira aplicação • MW caseiro (600W) • 4:1 HNO3+HClO4 •0,5 g amostra + 10 mL mescla (erlenmeyer 125 mL) • t = 15 min • Fígado bovino (Zn e Cu) • Folhas de pomar (Zn, Cu e Pb) • AAS Aquecimento por microondas Métodos de dissolução (viaúmida) Abu-Samra, A. Morris, J. S.; Koirtyohann, S. R.; Anal. Chem., 47(1975)1475 Sistema de microondas não focalizadas (“cavity-type”) Tipo: -Milestone - CEM - Perkin Elmer - Provecto Sistema de microondas não focalizadas (“cavity-type”) Milestone – MLS 1200 Frascos de baixa pressão (vapor ácido) Não recomendado para As Sistema de microondas não focalizadas (“cavity-type”) Sistema Provecto Sistema com microondas focalizadas (“waveguide-type’’) Forno de microondas com radiação focalizada (sistema aberto) Forno de Microondas Focalizado • Trabalha a pressão atmosférica • Mais seguro, mas requer condições mais drásticas de reação (uso de H2SO4) • Permite uso de até 10 g de amostras • Permite adição automática de ácidos e/ou solventes orgânicos • Ideal para amostras com alta concentração de orgânico Vantagens em relação à chapa e bloco digestor • Permite melhor controle de temperatura e conseqüentemente melhor controle da reação • Sistema de refluxo reduz contaminação e perdas por volatilização Métodos de dissolução (via úmida) Forno de microondas com frascos fechados alta pressão Aquecimento por microondas em sistema fechado • 10ml de HNO3 em 6 frascos de Teflon TFM fechados, aplicando-se 600 watt por 15 min • A pressão de vapor gerada no interior dos frascos aumenta a temperatura de ebulição do HNO3 0 50 100 150 200 250 0 300 600 900 1200 0 5 10 15 20 25 30 Tempo (s) Métodos de dissolução (via úmida) Aquecimento por microondas em sistema fechado Vantagens da decomposição em frascos fechados • Reduz erros sistemáticos e obtêm-se menores limites de detecção •Não há perdas dos analitos • Reduz contaminação • Reduz valores de branco (menor consumo de ácido) • Maior pressão maior temperatura decomposição apenas com HNO3 • Reduz custos • Pequeno consumo de ácidos ultrapuros (caros) • Minimiza impactos ambientais limitações: • Alto custo do equipamento • Baixa freqüência analítica Métodos de dissolução (via úmida) Forno de microondas com frascos fechados baixa pressão (P < 15 bar) Melhor freqüência analítica: 36 amostras/rodada Extração líquida usando radiação microondas Síntese de Hidrotérmica Decomposição de Substâncias Orgânicas • Carbonização seca • Carbonização úmida • Microondas • Digestão Kjeldahl (H2SO4) nitrogênio • Método de Carius (HNO3) Elementos voláteis • Método de combustão de Schöniger halogênios, S, P, F, C, As, B. Decomposição de Substâncias Orgânicas FRASCO DE CARIUS 1860 Amostra Mistura de ácidos Frasco selado vidro borossilicato ou quartzo paredes grossas MÉTODO DE KJELDAHL MÉTODO DE SCHONIGER Métodos de Separação • Exemplo: Extração líquido-líquido Separação por Extração Separação em Fase Sólida • Limitações da extração líquido-líquido: 1 – Solventes devem ser imiscíveis com a água e não formar emulsões 2 – Grandes volumes de solventes 3 – Procedimento moroso • Extração em fase sólida (extração liquido sólido) boa alternativa • Membranas, pequenas colunas descartáveis (seringas ou cartuchos) • Funcionamento: Métodos de Separação Separação em Fase Sólida/Pré-Concentração • Funcionamento: Métodos de Separação Referências • Krug, F.J. I workshop on methods of sample decomposition. CENA, USP, Piracicaba, 1996. • Russel, J.B. Química Geral. Volume Único, Mcgraw-Hill, 1981. • Harris, D.C. Análise Química Quantitativa, Editora LTC, 5a Ed., 2001 • Skoog, West, Holler, Crouch. Fundamentos de Química Analítica, Editora Thomson, 8a Ed., 2006 • Stoeppler, M. Sampling and Sample Preparation, Editora Springer, 1997. • Filho, E.R.P. Notas de Aula. UFSCar. 2008. • Nascentes, C.C. Notas de Aula. UFMG. 2005. • Boaventura, G. Notas de Aula. UnB, 2003. • Orlando, R. M., Cordeiro, D. D., Mathias, A. E. B., Rezende, K. R., Gil, E. S. Pré-tratamento de amostras. Vita et Sanitas, Trindade-Go, n. 03, jan.-dez./2009