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Cuidados ao RN de baixa e alta complexidade Profª Suellen Moraes Mestre em Enfermagem Especialização em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal Definir neonatologia e os conceitos gerais; Caracterizar o neonato; Identificar o sistema de classificação de pacientes aplicado à neonatologia; Descrever os principais cuidados de enfermagem prestados aos recém-nascidos de alta e baixa complexidade. OBJETIVOS Ramo da pediatria que estuda o período neonatal. Neonatologia Nascimento aos 28 dias de vida “período neonatal é um período crítico, em que os pacientes apresentam uma condição clínica instável ou potencialmente instável, com alta propensão à ocorrência de sequelas, muitas vezes incapacitantes e de longa duração, além de altas taxas de morbimortalidade.” Neonatologia NEO NAT LOGIA Neonatologia Novo Nascimento Estudo Neonatologia Segunda metade do sec. XIX: elevado número de mortes e doenças neonatais – firmou a neonatologia como especialidade médica. Neonatologia O risco de que um bebê morra antes dos 28 dias, é 1,5 vezes maior que em qualquer outro momento do primeiro ano de vida. Assegurar ao RN atendimento com equipe treinada, equipamentos e procedimentos adequados. Neonatologia Equipe multiprofissional: Médicos Enfermeiros Tec. Enfermagem Psicólogos Nutricionistas Fisioterapeuta Fonoaudiólogo Neonatologia Definições: Nascido Vivo É o produto de um nascimento no qual existe evidência de vida ao nascer. Aborto É a expulsão ou extração de um embrião ou feto pesando menos de 500g (aproximadamente 20-22 semanas de gestação), independentemente ou não da presença de sinais vitais. Idade Gestacional: duração da gestação medida do primeiro dia do último período normal de menstruação até o nascimento; expressa em dias ou semanas completos Neonatologia Natimorto: produto do nascimento de um feto morto. Para fins de cálculos estatísticos de taxa de mortalidade perinatal para comparação internacional, somente se incluirão fetos mortos que pesam 1000g ou mais ao nascer. Morte Fetal • É a morte do produto da concepção, ocorrida antes da sua completa expulsão ou extração do organismo materno, independentemente do tempo de gestação. • Ausência de respiração, batimentos cardíacos, pulsações do cordão umbilical ou movimentos de músculos voluntários. • Precoce: abortos e está compreendida no período entre a concepção e a vigésima semana de gestação, no qual o feto tem um peso aproximado de 500g. • Intermediária: ocorre entre a 20ª e a 28ª semana de gestação (com pesos fetais entre 500 e 1000g).] • Tardia: entre a 28ª (1000 g) e o parto. Neonatologia Neonatologia Malformação congênita, deformidade e anomalias cromossômicas; Septicemia bacteriana do recém-nascido; Desconforto respiratório do recém-nascido; Feto/ ou recém-nascido afetados por fatores maternos e por complicações da gravidez do trabalho de parto e do parto; Outras afecções respiratórias do recém-nascido. Principais causas de morte neonatais Neonatologia Com a implantação do SUS foram criados: Programas de atenção integral a saúde da mulher e da criança que acompanham o crescimento e desenvolvimento da criança; O estímulo ao aleitamento materno e a orientação para o desmame; Assistência e controle das infecções respiratórias agudas; Controle de doenças diarreicas e imuno-preveníveis; Maior atenção a mulher no ciclo gravídico puerperal. Políticas Públicas de Saúde Neonatologia Ano 1990- Estatuto da Criança e do Adolescente Políticas Públicas de Saúde Art. 7º “a criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.” Neonatologia Ano 2000 - Programa de Humanização no pré- natal e nascimento Políticas Públicas de Saúde objetivo de reduzir as taxas de morbimortalidade materna, peri e neonatal e destinar recursos para treinamento e capacitação diretamente ligados a área de atenção a gestante RN e mãe. Neonatologia Ano 2004 - Agenda de Compromissos para Saúde Integral da criança e redução da Mortalidade Infantil Políticas Públicas de Saúde visando atenção humanizada e qualificada a gestante e RN. (Triagem neonatal, alimentação, doenças imunopreviníveis) Caracterização do recém-nascido quanto a idade gestacional (IG) Pré- termo (RNPT) Menos de 37 semanas completas de gestação Prematuro limítrofe 35 – 36 semanas de gestação Prematuro moderada 31 – 34 semanas de gestação Prematuro extremo Menos de 30 semanas A termo (RNT) 37- 41 semanas de gestação Pós termo (RN POT) Igual ou maior 42 semanas de gestação Caracterização do recém- nascido segundo o peso ao nascer Baixo peso ao nascer Menos de 2500g. Muito baixo peso ao nascer Menos de 1500g. Extremo baixo peso ao nascer Menos de 1000g. primeira medida após o nascimento, deve ser realizada durante a primeira hora de vida. Caracterização do recém nascido segundo peso e idade gestacional GIG: grandes para idade gestacional AIG: Adequados para idade gestacional PIG: Pequenos para idade gestacional Imagem adaptada de Battaglia e Lubchenco Possíveis classificações A termo PIG Pré- termo AIG Pré- termo PIG Restrição do crescimento intrauterino (RCIU) Os fatores de risco mais comumente associados ao RCIU são: Tabagismo e alcoolismo materno Infecções perinatais crônicas (Rubéola, Toxoplasmose, citomegalovírus) Anomalias congênitas Gestação múltipla HAS crônica ou gestacional Desnutrição materna Sangramento persistente no 2º trimestre de gestação Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência Termorregulação Peso Atividade Espontânea Reação a Estímulos Cor da pele Oxigenação Integridade Cutaneo-mucosa Cuidado corporal Eliminações Tonicidade Controle de cateteres venosos Controle de sondas e drenos Terapêutica medicamentosa Educação à saúdeControle do SSVV TERMORREGULAÇÃO - Capacidade de manutenção da temperatura corporal estável, com gasto calórico e consumo de oxigênio mínimos, para uma adaptação extrauterina bem sucedida. 1- RNs que estão em berço comum (BC) ou em berço aquecido (BA) 2- RNs que estão em BC, BA ou em incubadora (I) 3- RNs que estão em BA ou em I Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência PESO - necessidade de controle para comparar o peso diário com o peso ao nascer e com o do dia anterior, auxiliando na avaliação das condições nutricionais e riscos potenciais decorrentes do peso de nascimento. 1- Superior a 2500g 2- Superior a 1000g 3- Superior a 500g ou independente do peso Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência ATIVIDADE ESPONTÂNEA - habilidade em manter o estado de consciência, resposta comportamental aos estímulos sensoriais, bioquímicos, térmicos e mecânicos e parâmetros fisiológicos adequados para uma adaptação extrauterina bem sucedida. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência RNs ativos e/ou hipoativos e/ou hiperativos e/ou RNs submetidos à sedação REAÇÃO À ESTÍMULOS - capacidade de responder a estímulos sensoriais, bioquímicos, térmicos e mecânicos adequados para uma adaptação extrauterina bem sucedida. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência RNs reativos e/ou arreativos e/ou hiporeativos e/ou hiperreativos COR DA PELE - capacidade de manter pelee mucosas coradas adequadas para uma adaptação extrauterina bem sucedida. 1- RNs corados, acianóticos, quando mantidos em ambientes termonêutros e/ou com icterícia fisiológica 2- RNs com coloração cianótica e/ou palidez e/ou descorados e/ou com icterícia patológica. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência TONICIDADE - capacidade de manter–se com tônus muscular vigoroso adequado a uma adaptação extrauterina bem sucedida 1- Tônus muscular pronunciado, vigoroso, com movimentos espontâneos frequentes e regulares. 2- Tônus muscular reduzido e/ou com movimentos involuntários de tremores e/ou com movimentos espontâneos leves e diminuídos. 3- Tônus muscular flácido e/ou espástico com pouco ou nenhum movimento espontâneo e/ou com movimentos trêmulos, irregulares e assimétricos. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência ELIMINAÇÕES - habilidade em manter eliminações urinária e intestinal espontânea com auxílio de terceiros ou por drenos e estoma 1- Eliminações presentes e com características dentro da normalidade. 2- Eliminações presentes, com alterações dos padrões da normalidade (oligúria e/ou poliúria, aumento ou diminuição da frequência das fezes e alteração da consistência e/ou coloração), com ostomias, controle das eliminações por peso de fralda, saco coletor. 3- Apresenta alterações nos padrões das eliminações, com ostomias, controle das eliminações por peso de fralda e/ou presença de cateter vesical e/ou saco coletor. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência OXIGENAÇÃO -aptidão em manter a permeabilidade das vias aéreas e o equilíbrio nas trocas gasosas por si mesmo ou com auxílio da equipe de enfermagem e/ou de equipamentos 1- RNs não dependentes de oxigênio (O2). 2- RNs submetidos a oxigenoterapia na incubadora ou por cateter nasal ou nebulização contínua. 3- RNs submetidos nebulização contínua ou ventilação não invasiva ou ventilação pulmonar mecânica. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência INTEGRIDADE CUTÂNEO-MUCOSA- capacidade de manter pele e mucosas sem danificação ou destruição 1- Integridade preservadas da pele e mucosas. 2- Presença de incisões cirúrgicas e mucosas com alteração na integridade. 3- Presença de incisões cirúrgicas e soluções de continuidade da pele e mucosas. Classificação de RNs de acordo com o grau de dependência CUIDADO CORPORAL - capacidade de manter a higiene pessoal, vestuário 1- Banho de imersão, higiene perineal, oral e ocular e trocas de fralda e vestimenta realizadas pela mãe/família sob orientação e supervisão direta da equipe de enfermagem. 2- Banho no leito ou de imersão, higiene perineal, oral e ocular realizados pela equipe de enfermagem com acompanhamento da mãe e trocas de fralda e vestimenta realizadas pela mãe/família com supervisão direta da equipe de enfermagem. 3- Banho no leito, higiene perineal, oral e ocular e trocas de fralda e vestimenta realizadas pela equipe de enfermagem. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência CONTROLE DE SINAIS VITAIS (SSVV) - necessidade de observação e controles dos parâmetros vitais – temperatura (T), frequência respiratória (FR), frequência cardíaca (FC), pressão arterial (PA), saturação de O². 1- Controle T de 6 em 6 horas 2- Controle de T, FR, FC, PA, saturação de O² de 6 em 6 horas ou de 4 em 4 horas. 3- Controle de T, FR, FC, PA, saturação de O² inferior a 4 horas. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência CONTROLE DE SONDAS E DRENOS - necessidade de observação e controle dos equipamentos contendo fluidos de infusão e/ou drenagem. 1- RN’s que não dispõem de equipamentos contendo fluidos. 2- RN’s que são submetidos à SOG ou SNG e/ou SVD e/ou DVP (derivação ventricular peritoneal) ou DVE (derivação ventricular externa) e/ou bolsa de ostomia. 3- RN’s que necessitam de SOG ou SNG e/ou SVD e/ou DVP (derivação ventricular peritoneal) ou DVE (derivação ventricular externa) e/ou bolsa de ostomia e/ou dreno de tórax e/ou cânula endotraqueal . Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência CONTROLE DE CATETERES VENOSOS - necessidade de observação e controle dos cateteres de infusão e/ou coletas, monitorização hemodinâmica e nutrição parenteral 1- RN’s que não utilizam. 2- RN’s submetidos a cateteres periféricos intermitentes de curta duração e/ou cateterização de vasos umbilicais. 3- RN’s que necessitam de cateterização de vasos umbilicais e/ou cateteres percutâneos. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA - utilização dos diversos medicamentos terapêuticos - drogas, soluções, sangue e hemoderivados. 1- Medicação VO e/ou via nasal e/ou ocular e/ou otológica e/ou tópica e/ou retal e/ou IM e/ou SC. 2- Medicação VO e/ou SOG ou SNG e/ou via nasal e/ou ocular e/ou otológica e/ou tópica e/ou inalatória e/ou retal e/ou IM e/ou SC e/ou EV intermitente e/ou EV contínua. 3- Medicação VO e/ou SOG ou SNG e/ou nasal e/ou ocular e/ou otológica e/ou tópica e/ou inalatória e/ou retal e/ou IM e/ou SC e/ou EV contínua e/ou em uso de drogas vasoativas e/ou exsanguínotransfusão. Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência EDUCAÇÃO À SAÚDE - habilidade, confiança e segurança da mãe/família para dispensar cuidados adequados para a manutenção dos hábitos de saúde pessoais e/ou ambientais dos RN´s. 1- Orientações para prestar o cuidado com aceitação ou não das informações recebidas, mesmo com dificuldade de compreensão, apreensivos ou resistentes. 2- Com aceitação ou não das informações recebidas, mas com elevada apreensão e resistência e com fortes reações emocionais sobre os cuidados, as rotinas hospitalares e as atividades diárias. 4- Com compreensão ou não das informações recebidas, sem aceitá- las e com severas reações emocionais sobre os cuidados, os procedimentos diagnósticos, as rotinas hospitalares e as atividades diárias Classificação de RN’s de acordo com o grau de dependência SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE PACIENTES Cuidados mínimos Cuidados intermediários Cuidados intensivos Cuidados mínimos: Recém-nascidos estáveis sob ponto de vista clínico e de enfermagem, que permanecem em observação para a detecção de possíveis intercorrências ou de patologias que podem surgir nas primeiras horas ou dias de vida. Cuidados intermediários: Recém-nascidos estáveis sob ponto de vista clínico e de enfermagem, sem risco de vida, mas que apresentam algumas intercorrências ou patologias que necessitam de cuidados médicos e de enfermagem específicos e permanentes para minimizar ou corrigir distúrbios hemodinâmicos decorrentes de suas patologias. SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE PACIENTES (OPAS/OMS) Cuidados intensivos: Recém-nascidos instáveis sob ponto de vista clínico e de enfermagem, com distúrbios hemodinâmicos importantes, com risco iminente de vida, que necessitam de cuidados médicos e de enfermagem específicos e permanentes para sua estabilização. SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO DE PACIENTES (OPAS/OMS) Baixo Risco Após os cuidados na sala de parto, o RN em boas condições clínicas será encaminhado junto com a mãe para o alojamento conjunto. Este ato visa a promoção da interação e formação de vínculo mãe-filho, incentivo à amamentação, redução da ansiedade dos pais, treinamento para os cuidados de higiene e diminuição do risco de infecção hospitalar. RN de baixo risco Os cuidados no AC incluem: RN em decúbito horizontal e cabeça lateralizada no berço ao lado da mãe; Controle de SSVV (FC, FR e presença de cianose) e da temperatura corpóreanas primeiras horas de vida; Manipulação do RN com luvas até o primeiro banho o qual deve ser realizado com água morna e sabão neutro individual, sem retirar todo o vérnix caseoso; Exame físico minucioso; RN de baixo risco Os cuidados no AC incluem: Aleitamento materno sem restrição de horários e orientações à mãe sobre cuidados e aleitamento; Pesagem diária e inspeção do coto umbilical além de higiene do coto com álcool 70%; Controle da eliminação de mecônio, diurese e outras intercorrências; Garantir a segurança do RN, fornecendo ambiente seguro, reduzir o estresse provocado pelo frio, ruídos, queda, manipulação e remoção. RN de baixo risco A atenção ao recém nascido de alto risco deve ser estruturada e organizada no sentido de atender uma população sujeita a agravos. RN de alto risco Alto Risco Devem existir recursos materiais e humanos especializados e capazes de garantir observação rigorosa, além de tratamentos adequados a este neonato, que pode apresentar patologias capazes de ocasionar óbito ou sequelas que interferirão no seu crescimento e desenvolvimento. O cuidado a ser implementado em uma UTI Neonatal necessita ser exercido e vivenciado em sua totalidade, na tentativa de reduzir manuseios excessivos que possam comprometer o bem- estar do bebê, provocando nele manifestações de estresse, dor, alterações fisiológicas e comportamentais. RN de alto risco As estruturas fisiológicas e anatômicas de percepção sensorial e sensitiva estão presentes em todos os RN’s, inclusive nos pré-termos. Isto faz com que apresentem respostas aos estímulos externos semelhantes aos RN mais maduros, no entanto os pré-termos são mais sensíveis a estímulos dolorosos, e respondem de forma mais intensa a estas sensações. A ambiência do Recém-nascido Visando o conforto e adaptação a vida extra uterina, a ambiência deve ser elevada no atendimento ao RN, com a finalidade de evitar que influências externas, muitas vezes desnecessárias possam trazer incômodos ao paciente. A ambiência do Recém-nascido Sabe-se que a umidade e a temperatura andam juntas, e que devem ser rigorosamente controladas, de forma a proporcionar um ambiente em que o paciente encontre a sua zona de neutralidade térmica, ou seja, aquela temperatura na qual o metabolismo (refletido pelo consumo de O²) seja o menor possível. A ambiência do Recém-nascido Todos os esforços devem ser feitos, para um bom cuidado no sentido de se manter no ambiente a temperatura de neutralidade térmica. Importante manter incubadoras e berços de calor radiante (BCR) em perfeitas condições. (manter a temperatura corpórea do prematuro entre 36º C e 37,5º C.) TERMORREGULAÇÃO Existe uma zona termo neutra onde leva em consideração o peso e a idade do recém nascido. Durante a gestação, mecanismos maternos mantêm a temperatura intrauterina. Após o nascimento os RN’s precisam adaptar-se a seu meio ambiente relativamente frio pela produção metabólica de calor, pois são incapazes de gerar uma resposta adequada por meio de calafrios. TERMORREGULAÇÃO A termorregulação é uma função fisiológica intimamente relacionada com a transição e sobrevivência dos RNs. Estes têm a capacidade de controlar a temperatura corpórea, porém, em condições extremas de temperatura (muito baixas ou muito altas), esta condição é prejudicada pela incapacidade física de manter a homeostase. TERMORREGULAÇÃO Existem 4 mecanismos básicos de perda de calor: Condução: transmissão de energia térmica entre o corpo do RN e a superfície que está em contato direto com ele. Radiação: transmissão de calor através de ondas entre corpos que estão à distância (janela, ar condicionado). Convecção: perda da superfície da pele para o meio ambiente por ar, brisa, vento. Evaporação: processo que consome energia e leva a perda de calor no RN com a perda invisível de água pela pele. 1h de H²O evaporado produz um gasto de 0,58 cal de calor. TERMORREGULAÇÃO Para manter a temperatura corporal deve-se aquecer o RN com incubadora ou berços de calor radiante; mantê-lo sequinho; não abrir a incubadora para realizar procedimentos, somente quando necessário; manter o umidificador do respirador com água ligada a 37°C; pré aquecer o leite; controlar temperatura da incubadora ou Berço Calor Radiante (BCR), verificar a temperatura do RN de 3/3 horas e quando necessário. TERMORREGULAÇÃO A presença de hipotermia ou a hipertermia podem causar alterações graves nos sinais vitais (incluindo taquicardia ou bradicardia, taquipnéia e apnéia) e aumento do consumo de energia e oxigênio; Estas alterações de temperatura podem causar mudança postural (flexão), agitação, vasoconstricção periférica, com aumento do metabolismo celular e queima da gordura, a qual tem a finalidade de gerar calor em situação de estresse pelo frio; TERMORREGULAÇÃO O estresse, provocado por exposição ao frio, cria problemas metabólicos e fisiológicos a todos os RNs, independentemente da sua condição ou idade gestacional. Prematuros, em especial os extremos, necessitam de cuidados intensivos com manuseio excessivo, o que pode dificultar ainda mais a estabilidade da temperatura corporal. A hipotermia aumenta o consumo de oxigênio, predispondo o RN à hipóxia. HIPOTERMIA Cuidados com RN hipotérmico Propiciar aquecimento adicional (cobertores, luvas com água); Aquecer lentamente; Monitorar temperatura; Observar quadro respiratório e suas complicações (esforço, queda de saturação); Sinais clínicos: choro fraco, palidez, irritabilidade, apnéia, bradicardia. A hipertermia (acima de 37,5ºC) ocorre quando há uma temperatura ambiental elevada, infecção, desidratação ou alterações nos mecanismos centrais termorreguladores associados a um traumatismo cerebral, malformações ou a drogas. HIPERTERMIA Cuidados com o RN com hipertermia Monitorar Sinais vitais; Remover ou diminuir fonte de calor; Diminuir a temperatura de ajuste de berço ou incubadora; Realizar meios físicos, administrar medicamentos se prescrito; Monitorar sinais de desidratação; Monitorar crises convulsivas; Cuidados para a prevenção; Estar ciente da temperatura do RN; Quando o RN estiver em fototerapia monitorar de 2/2 h; Não agasalhar demais o RN; Não colocar compressas quentes diretamente sem proteção; Observar temperatura da oxigenoterapia; Diversos estudos demonstraram evidências suficientes para atingir menor mortalidade, menor permanência hospitalar de prematuros, redução do risco de infecções, melhor aderência à lactação, com benefícios fisiológicos, cognitivos e emocionais quando se utilizou a técnica conhecida como Canguru, na qual ocorre o contato precoce da pele da criança com a mãe. Técnica canguru Não aumenta o consumo de O²; Auxilia na regulação da temperatura; Menos apnéias; Níveis mais altos de oxigenação e menos insaturações; Melhor neurocomportamento; Não aumenta o risco de infecção; Aumenta a produção de leite materno; Ligação pais-filho. Técnica canguru Não há dúvida de que a maneira mais segura de se transportar uma criança de risco é, o útero materno. Transporte Inter Hospitalar: Aquele realizado entre hospitais, sendo indicado principalmente quando há necessidade de recursos de cuidados intensivos não disponíveis nos hospitais de origem, como: Abordagens diagnósticas e cirúrgicas mais sofisticadas e/ou de doenças menos frequentes; Medidas de suporte ventilatório; Nutrição parenteral; Monitorização vital complexa. TRANSPORTE Indicações: Prematuridade, menor que 32 a 34 semanas e/ou peso de nascimento inferior a 1.500 g. Problemas respiratórios, asfixia, VPP contínua em vias aéreas ou de ventilação mecânica. Recém-nascido com cianose ou hipoxemia persistente. Anomalias congênitas. Convulsões neonatais. Doenças que necessitam de intervenção cirúrgica. Hemorragias, sepse ou choque séptico. Hipoglicemia persistente. OBS.:O transporte inter-hospitalar também é utilizado para levar de volta à origem aquele recém-nascido que não mais necessita de cuidados intensivos. TRANSPORTE Transporte Intra Hospitalar: Quando os pacientes internados em Unidade Neonatal são transportados para a realização de alguma intervenção cirúrgica ou procedimento diagnóstico, dentro das dependências do hospital ou em locais anexos. Em qualquer das duas situações, os transportes podem se tornar um risco a mais para o paciente criticamente doente e, por isso, devem ser considerados como uma extensão dos cuidados realizados na Unidade de Tratamento Intensivo. A responsabilidade pela indicação desse tipo de transporte é da equipe que presta assistência ao paciente na Unidade. O transporte intra-hospitalar ocorre com grande frequência e para sua realização são necessários treinamentos e habilidades similares aos requisitados para a realização do transporte inter-hospitalar. TRANSPORTE Equipe de Transporte: no Brasil: médico pediatra ou neonatologista, acompanhado por um técnico de enfermagem ou por um enfermeiro que tenha conhecimento e prática no cuidado de recém-nascidos TRANSPORTE Equipamentos: Incubadora de transporte; Cilindros de oxigênio recarregáveis (pelo menos dois); Balão auto inflável com reservatório e máscaras ou respirador neonatal; Monitor cardíaco e/ou oxímetro de pulso com bateria; Material para intubação, venóclise e drenagem torácica; Termômetro, estetoscópio, fita, lanceta e aparelho para o controle da glicemia capilar, bomba infusora; O material necessário para o transporte deve ser portátil, durável, leve, de fácil manutenção e estar sempre pronto e disponível. Esses equipamentos devem possuir bateria própria e recarregável, com autonomia de funcionamento de, no mínimo, o dobro do tempo do transporte. Os equipamentos devem poder passar pelas portas de tamanho padrão dos hospitais. TRANSPORTE Cuidados Durante o Transporte: Evitar alterações da temperatura, controlar temperatura a cada 10 minutos. Verificar a permeabilidade de vias aéreas: observar a posição do pescoço do paciente, a presença de secreções em vias aéreas e, se intubado, a posição e a fixação da cânula traqueal durante o transporte. Monitorizar a oxigenação: a SPO² entre 90 a 95% ou mais durante o transporte. Monitorizar a frequência cardíaca, pressão arterial, perfusão periférica, débito urinário. Verificar a glicemia capilar do recém-nascido imediatamente antes do início do transporte e, depois, a cada 60 minutos. Observar o funcionamento da bomba de infusão. Orientar o motorista para um transporte calmo e seguro (verificar a qualidade do veículo, solicitar ao motorista uma condução regular, usar cinto de segurança) TRANSPORTE Intercorrências Durante o Transporte: Alterações fisiológicas ou clínicas e intercorrências relacionadas ao equipamento e/ou à equipe de transporte. Em relação à deterioração fisiológica ou clínica, destacam- se: as alterações significativas dos sinais vitais como frequência cardíaca e respiratória, pressão arterial, saturação de oxigênio. TRANSPORTE Intercorrências Durante o Transporte: Perda ou a obstrução da cânula traqueal, a perda ou o deslocamento de drenos torácicos, de sondas e cateteres, o pneumotórax por variação de fluxo ou volume das ventilações manuais ou do aparelho de ventilação, o não funcionamento adequado dos equipamentos e o término do oxigênio antes do tempo previsto, entre outros. Entretanto, mesmo com a adequada estabilização clínica do neonato, certas condições inerentes ao transporte, tais como barulho excessivo, vibrações e alterações de temperatura constituem-se em riscos adicionais, que podem comprometer a estabilidade do recém-nascido durante o transporte. TRANSPORTE A manipulação pode ser definida como as intervenções físicas realizadas no paciente com fins de monitoramento, terapêutica e cuidados. Alguns autores definem episódio de manipulação como qualquer cuidado que traz estresse clínico para o RN . Em um estudo realizado no Brasil, foi constatado que os ruídos ocasionados pela manipulação dos RN repercutiram em modificações comportamentais e estresse. MANIPULAÇÃO A manipulação mínima refere-se a um agrupamento de cuidados no qual o RN é visto como o centro da assistência, o que leva os cuidadores a agir em conjunto, priorizando a necessidade do RN. MANIPULAÇÃO Estima-se que os RN prematuros nas unidades de cuidados especiais sofram cerca de 130 a 234 manipulações nas 24 horas. Muitas destas manipulações são dolorosas. O manuseio excessivo pode provocar hipoxemia, apneia, bradicardia e comportamento de estresse, além de perturbar o ritmo do sono. MANIPULAÇÃO O Protocolo do manuseio mínimo do RN tem como objetivos: Minimizar o estresse e dor causados aos recém-nascidos devido a manuseios excessivos. Reduzir as taxas de hemorragia intracraniana e outras enfermidades que possam ser induzidas pelo manuseio excessivo. Melhorar a qualidade de vida e diminuir os riscos de sequelas e morte dos RN’s menores de 1000g. Indicado para Recém-nascidos pré-termos com peso de nascimento menor ou igual a 1000 gramas. Protocolo do manuseio mínimo Intervenções que mantenham e protejam o estado de sono; Sequenciar e agrupar os cuidados de rotina, de modo a promover períodos mais longos de sono ininterrupto; Posicionar de modo a facilitar a flexão, utilizando coxins de contenção (construir um ninho); Reduzir a incidência direta de luz na face do RN; Protocolo do manuseio mínimo Reduzir os ruídos e sons nocivos desnecessários na unidade; Manter o ambiente calmo, pouco iluminado e silencioso; Utilizar intervenções que reduzam o estresse, permitindo a recuperação durante o procedimento, promovendo contenção, sucção, fornecendo algo para ele sugar, para só então continuar o procedimento. Protocolo do manuseio mínimo Quais cuidados o técnico em enfermagem deve ter na UTI Neonatal? DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO JUSTIFICATIVA Realizar banho somente quando indicado O RNPT perde calor facilmente, portanto, o banho deve ser evitado para que a temperatura corporal seja mantida. Cuidados ao pesar o RN na primeira semana de vida . além de ser um procedimento estressante para o RN- é utilizado o peso de nascimento pela equipe médica para prescrição de soluções e medicamentos. Trocar fraldas a cada 6h nas primeiras 96h* A troca de fraldas é um procedimento que, comprovadamente, provoca dor e estresse. Verificar a temperatura corporal através do medidor cutâneo da incubadora. Reduz o manuseio e a necessidade de abertura das portinholas da incubadora. Realizar rodízio do sensor de oximetria de pulso a cada 2-3 horas, não o fixando com auxílio de fitas adesivas Evita queimaduras nos locais onde o sensor está fixada, lesões de pele e dor. Cuidados na UTI Neonatal DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO JUSTIFICATIVA Evitar manipular o RN desnecessariamente. Prevenindo extubação acidental, perda de temperatura e estresse. Não elevar as extremidades inferiores acima do nível da cabeça ao prestar cuidadoscomo a troca de fralda. Quando as extremidades são elevadas, ocorre um aumento brusco do fluxo sanguíneo cerebral, o que pode causar hemorragia intracraniana e suas consequências. Racionalizar o manuseio no período de 3 a 4 horas Evitar interromper o descanso, reduzir o estresse, promovendo o sono profundo. Esperar exame físico médico para manusear o bebê, para agrupar cuidados, evitando várias manipulações no mesmo período. Manter lençol extra dentro da incubadora Se houver necessidade de abrir a porta da incubadora, colocar o lençol sobre o RN para diminuir sua perda de calor Cuidados na UTI Neonatal DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO JUSTIFICATIVA Manter diafragma do estetoscópio dentro da incubadora Para que quando o RN for auscultado, o diafragma esteja aquecido Posicionar RN (protegendo com lençol ao abrir a incubadora) para colocação da placa de raio x pelo técnico de radiologia O posicionamento durante a realização de raio x é uma das principais causas de extubação não planejada em Neonatologia Respeitar a hora de descanso do RN O sono é necessário para que o RNPT tenha crescimento adequado. O sono profundo não dura mais que 50 minutos. Reduzir estímulos sonoros e luminosos. O alto nível de ruído pode tornar difícil a manutenção dos estados de sono, que são importantes para um adequado desenvolvimento do sistema nervoso central. A luz forte e contínua é um fator de stress para o RN, o qual apresenta menos defesas em relação à luz ambiente. Cuidados na UTI Neonatal DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO JUSTIFICATIVA Agrupar e ser breve na realização dos procedimentos, observando os sinais de estresse do RN , como choro, tremor de queixo, levantamento de sobrancelhas, músculos rígidos e inquietação. A interrupção dos procedimentos permite a recuperação do RN , diminuindo seu estresse e promovendo conforto. Manter RNPT confortável e aninhado no leito, utilizando mecanismos facilitadores (ninho, rede, rolinhos, coxins...) Proporciona conforto e favorecer a diminuição do estresse com menor consumo de oxigênio. Manter controle da temperatura da incubadora A estabilidade da temperatura corpórea é importante para a boa evolução da criança, evitando as consequências da hipotermia ou do superaquecimento. Confeccionar óculos de fototerapia com elástico do gorro, malha tubular ou atadura Evita a colocação de adesivos diretamente na pele do RN. Cuidados na UTI Neonatal DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO JUSTIFICATIVA Utilizar o mínimo de adesivos sobre a pele do RNPT Quando se removem as fitas adesivas, também se remove a parte externa da epiderme. Isso porque a derme e a epiderme não estão bem aderidas uma à outra. Assim, a pele é lesionada, causando dor e aumentando o risco de infecções Manter taxa de saturação de oxigênio (SpO2) entre 90 e 95%. Elevada taxa de saturação está associada ao maior índice de retinopatia da prematuridade. Baixa taxa de saturação está relacionada a maiores índices de enterocolite necrosante e mortalidade. Não tamborilar ou colocar objetos sobre a incubadora O ruído causa estresse, dificultando a estabilização fisiológica, bem como a comportamental. Abrir e fechar as portinholas da incubadora com cuidado e somente quando necessário Os ruídos fortes e bruscos provocam efeitos indesejáveis, como perturbação do sono, choro e taquicardia. Cuidados na UTI Neonatal DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO JUSTIFICATIVA Manipular RN carinhosamente e com as mãos higienizadas e aquecidas Manipulações repentinas e com as mãos frias podem causar dor e estresse Manter cabeceira da incubadora elevada a 30° graus Garantir manutenção de livre retorno venoso cerebral e evitar um aumento repentino do fluxo sanguíneo cerebral Manusear o paciente por meio das portinholas, evitando abertura da porta sempre que possível. Abertura da porta da incubadora causa perda de temperatura que será recuperada às custas de gasto de energia e oxigênio. Colocar placa de hidrocolóide ou fita hipoalergênica como segunda pele no local em que a necessidade de uso de adesivos não pode ser evitada. Placas de hidrocolóide e fita hipoalergênica, quando retirados, causam menos ou quase nenhuma dor e/ou lesão da pele Realizar procedimentos dolorosos e estressantes em dupla. Com 02 profissionais, é possível realizar o procedimento com segurança e promover conforto e contenção ao RN. Cuidados na UTI Neonatal A pele tem importantes funções: CUIDADOS COM A PELE termorregulação imunológica defesa contra toxinas e infecções manutenção da homeostase hidroeletrolítica secreção endócrina sensação tátil O estrato córneo do recém-nascido possui menos camadas em relação ao do adulto e, consequentemente, a função protetora da pele no recém-nascido é menos eficaz. No caso dos pré-termos, a pele é mais fina e mal formada, dependendo da idade gestacional ao nascimento. Isso torna a pele do recém-nascido a termo, e mais acentuadamente do prematuro, muito suscetível a danos com ruptura da barreira protetora e aumento do risco de infecções sistêmicas, irritações, perda de elementos e entrada de toxinas e micro-organismos. CUIDADOS COM A PELE Icterícia fisiológica Surge após 48 horas e tem como causa a imaturidade das células hepáticas (ocorre hemólise exagerada dos eritroblastos imaturos), comumente desaparece ao final do 7º dia, é tratada com fototerapia, aplicação de luz fluorescente sobre a pele exposta do recém-nascido. A luz favorece a excreção de bilirrubina através da fotoisomerização, que altera a estrutura da bilirrubina para uma forma solúvel, lumirrubina, para uma excreção mais fácil. Alterações fisiológicas da pele Fototerapia PELE Mancha mongólica etiologia congênita estando desde o momento do nascimento já presente na criança, mancha de forma irregular de coloração azul/acinzentada dá devido à localização dérmica dos melanócitos (região lombo- sacra ou sacro-glútea), tendo tamanho variável e uma textura geralmente como a da pele. É mais comum em recém-nascidos de origem africana e/ou asiática. A condição é benigna, possui regressão espontânea por volta dos 2 ou 3 anos de idade. Alterações fisiológicas da pele Mancha mongólica PELE Vérnix caseoso Substância branca e gordurosa, na superfície da pele, couro cabeludo e pregas, semelhante a sebo. Tem por função proteger e lubrificar a pele do feto na vida intrauterina. Alterações fisiológicas da pele Descamação fisiológica Surge nos primeiros dias, descamação em grandes retalhos, mais comuns no abdômen, mãos e pés e pode perdurar nas primeiras semanas de vida. Alterações fisiológicas da pele Lanugem Pelos longos, finos e ralos na face, orelhas, dorso, MMSS e MMII, desaparecendo por volta do 1º mês. Alterações fisiológicas da pele Os cuidados especiais com a pele dos prematuros incluem banho, limpeza, termorregulação, manipulação dos cateteres venosos, fitas adesivas; A maturação do estrato córneo inicia-se por volta da 14ª semana e se estende na epiderme até a 22ª-24ª semana. Ao nascer, o pH da pele do bebê é quase neutro. Em geral, com cerca de 30 dias, o pH da pele do recém-nascido é semelhante ao do adulto, entre 4,0 e 6,0. O banho do RN requer cuidados, pois pode alterar a primeira defesa do RN que é a sua pele (irritação, trauma, hipotermia, etc) CUIDADOS COM A PELE Durante o primeiro banho usar luvas de procedimento como precaução padrão. O banho do recém-nascido deve ser feito de forma breve. A temperatura da água deve ser semelhante à temperatura corpórea para não haver gradiente de temperatura. O banho de banheira é o mais indicado e seguro para bebê CUIDADOS COM A PELE Uso de sabonetes neutros, no máximo 1 x ao dia. CUIDADOS COM A PELE Cuidados com o coto umbilical: Higiene com álcool 70% após o banho e a cada troca de fralda; Não usar outras soluções ou produtos; Orientar a mãe a não cobrir o coto com ataduras ou afins. CUIDADOS COM A PELE Monitorização dos SSVV: T, FC, FR, PA, Oximetria; Monitorização da dor; Permeabilidade de acesso venoso; Funcionamento de BI; Glicemia capilar; MONITORIZAÇÃO Após o nascimento os RN a termo adaptam-se rapidamente à mudança de uma oferta intrauterina relativamente constante de nutrientes para refeições intermitentes de leite. Os neonatos correm risco mais alto de problemas nutricionais em potencial, principalmente os pré-termos, pois nascem com reservas limitadas de nutrientes, vias metabólicas imaturas e maiores demandas de nutrientes. Nutrição Nutrição enteral Nutrição parenteral. Nutrição – opções disponíveis Leite materno Fórmula láctea infantil Leite de banco de leite Vias de Administração: VO (seio, colher, copo); SOG por gavagem (simples, contínua). EV. Nutrição – opções disponíveis Alimentação enteral do RN prematuro Deve receber nutrientes em proporções adequadas para garantir crescimento e desenvolvimento adequados. A capacidade gástrica é reduzida, por isso deve-se iniciar a alimentação com pequenas quantidades e dependendo do peso, com intervalos mais frequentes. Ao nascer, esta capacidade é limitada (apenas 7 mL), e aumenta cerca de 10 vezes até a segunda semana de vida, chegando a cerca de 200 mL aos 12 meses. Nutrição Reflexos sucção e deglutição A coordenação entre sucção e deglutição é melhor a partir de 32 - 34 semanas de gestação. Por isso, normalmente se inicia alimentação por gavagem (SOG) em menores de 32 a 34 semanas especialmente nos menores de 32 semanas. ALEITAMENTO Reflexos sucção e deglutição O esfíncter esofágico inferior é ineficaz, há imaturidade no mecanismo de fechamento da cárdia e o tempo de esvaziamento gástrico são mais demorados predispondo ao refluxo gastresofágico, daí a importância de colocar o RN em decúbito elevado e lateral direito após a alimentação. O trânsito intestinal é mais lento, isso facilita a absorção de nutrientes, porém a administração de maiores quantidades de alimento predispõe a distensão abdominal. Os reflexos esfincterianos do reto são imaturos podendo levar ao retardo na eliminação do mecônio ou dificuldade na evacuação diária. ALEITAMENTO O leite materno é o alimento ideal para o RN; A alimentação trófica também chamada de nutrição enteral mínima pode ser descrita como refeições em volumes muito pequenos (10 a 20ml/kg/dia) com a finalidade de induzir a maturação intestinal em vez de fornecer nutrientes. Benefícios: elevação dos hormônios intestinais, menos intolerância alimentar, progressão para a alimentação enteral plena, ganho de peso mais rápido. As vias de administração de nutrição enteral incluem a VO, desde que compatível com a habilidade de deglutição e sucção ou por gavagem via SOG gravitacional ou em BI. Nutrição enteral vínculo mãe e filho; oferece nutrientes próprios para o crescimento normal; fornece substâncias não nutritivas como fatores de crescimento, imunes, hormônios e podem reduzir a incidência e a gravidade das doenças infecciosas; incentivar o neurodesenvolvimento reduz a incidência de obesidade infantil e enfermidades crônicas aumenta o metabolismo materno; reduz o risco de hemorragia pós parto; contribui para o retorno uterino ao tamanho normal; ALEITAMENTO PROMOVE: promove o bem estar da mãe e do bebê. É mais facilmente digerido. O ato de mamar ao peito melhora a formação da boca e o alinhamento dos dentes. O leite materno contém todas as proteínas, açúcar, gordura, vitaminas e água que o bebê necessita para ser saudável. Contém determinados elementos que o leite em pó não consegue incorporar, tais como anticorpos e glóbulos brancos. ALEITAMENTO PROMOVE: Administração de nutrientes necessários para a sobrevida por outras vias que não o TGI. Esta indicada para estados hipermetabólicos e na impossibilidade de uso do TGI de forma adequada e satisfatória para suprir as necessidades básicas. Nutrição parenteral EX: hipoxiado grave, desconforto respiratório severo, prematuridade extrema, intolerância a dieta enteral, malformações congênitas, sepse, erros inatos de metabolismo, etc. Vias de acesso: punção percutânea central ou periférica. Complicações: com relação ao cateter central podem ocorrer infecção relacionada ao cateter, obstruções, hemorragias, e no periférico flebite, infecção local e necrose tecidual. Nutrição parenteral Indicadores fisiológicos podem ser usados na quantificação e qualificação do estímulo doloroso no RN. Estes incluem: FC, FR, PA, Spo². Os indicadores comportamentais incluem: choro, atividade motora e a mimica facial de dor, a análise da expressão facial fornece informações válidas, sensíveis e especificas a respeito da natureza e intensidade da dor, permitindo uma comunicação eficaz durante o cuidado entre o neonato e as pessoas que prestam os cuidados. Conforto e controle da dor neonatal NIPS: Escala para avaliação da dor no RN Avaliação da dor no RN 0 =sem dor; 1-2 = dor fraca; 3-5 = dor moderada; 6-7 = dor forte . Avaliação da dor no RN PIPP- Perfil de dor do prematuro Para qualquer idade gestacional: Score = ou menor 6 indicam a ausência de dor ou presença de dor mínima. Score = ou maior que 12 indicam a presença de dor moderada ou intensa CRIES- Escore para avaliação da dor pós-operatório do RN Avaliação da dor no RN http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0034-70942007000500012&script=sci_arttext O uso de analgésicos deve ser considerado em todos os RNs portadores de doenças potencialmente dolorosas ou submetidos a procedimentos invasivos, cirúrgicos ou não. A indicação para o uso de sedativos é a realização de procedimentos diagnósticos ou cirúrgicos que requerem um grau de imobilidade do paciente, como tomografia, RM, ou em casos de patologias nas quais necessite ficar imobilizado por longos períodos de tempo e com suporte ventilatório agressivo. Analgesia e Sedação agrupar coletas de sangue a fim de evitar múltiplas punções, o uso de cateteres centrais deve ser estimulado de maneira a facilitar a coleta indolor de amostras, minimizar a quantidade de esparadrapo e fitas adesivas para a fixação de acessos venosos, arteriais, cânulas traqueais e drenos torácicos, entre outros. Uso da sucção não nutritiva e glicose 25% durante procedimentos dolorosos (atentar para dose); Fazer enrolamento do bebê antes de procedimentos dolorosos Medidas não farmacológicas Medidas não farmacológicas AMBIÊNCIA Umidade Calor Tº RN Luz individualizada Controle do barulho Contato com a família Posicionar o RN com conforto Manobras fisioterápicas, se necessárias Cobertura da incubadora O RN é particularmente dependente do cuidador, seja da equipe de saúde, seja dos familiares, para promover um ambiente térmico ideal para assegurar não só sua sobrevivência, como também um ótimo desenvolvimento físico e neurológico. CONSIDERAÇÕES FINAIS Dúvidas??????? CLOHERTY, J.P., EICHENWALD, E.C. & STARK, A.R. Manual de Neonatologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. KOPELMAN, B.I., et al. Diagnóstico e Tratamento em Neonatologia. São Paulo: Atheneu, 2004. SESHIA, M. K. et al. Avery neonatologia:fisiopatologia e tratamento do recém-nascido. 6ª.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. SIMÕES, A. Manual de Neonatologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. AVERY’S, T. Doenças do Recém-nascido. 7ª.ed. Belo Horizonte: MEDSI, 2003. COSTA, H.P.F. & MARBA, S.T. O Recém-nascido de muito baixo peso.São Paulo: Atheneu, 2003. Atualizações Pediátricas. KENNER, C. Enfermagem neonatal. 2.ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Afonso Editores, 2001. TAMEZ, R. N; SILVA, M.J.P. Enfermagem na UTI Neonatal. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. Referências