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A EXECUÇÃO INEFICAZ DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE DENTRO DO SISTEMA CARCERARIO BRASILEIRO

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a 
depender da personalidade do criminoso, se corrigível ou incorrigível. 
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2.4 A FINALIDADE RESSOCIALIZADORA, TEORIA MISTA OU UNIFICADORA DA 
PENA 
O fim ressocializador, vem descrito na teoria mista ou unificadora da pena, 
ou seja, a teoria mista tenta unificar em um só conceito, o fim retributivo e preventivo 
da pena. 
As teorias mistas ou unificadoras tentam agrupar em um concito 
único os fins da pena. Esta corrente tenta recolher os aspectos mais 
destacados das teorias absolutas e relativas. Merkel foi, no começo 
do século XX, o iniciador desta teoria eclética na Alemanha, e, desde 
então, é a opinião mais ou menos dominante. (BITENCOURT, 2013, 
p.153) 
A teoria unificadora, também conhecida como teoria eclética, busca justificar 
a aplicação da pena no aspecto moral, retribuindo o mal praticado, e no aspecto 
utilitário, ou seja, reeducando o apenado e prevenindo novos crimes. 
A pena guarda, inegavelmente, seu caráter retributivo: por mais 
branda que seja, continua sendo um castigo, uma reprimenda 
aplicada ao infrator da lei positiva. Ao mesmo tempo, busca-se com 
ela alcançar metas utilitaristas, como a de evitar nos crimes e a de 
recuperação social do condenado. (LEAL, 1998, p. 317) 
Importante destacar aqui, que com a reforma de 1984, o Código Penal 
Brasileiro passa a adotar a teoria mista para a aplicação da pena, ou seja, é 
retributiva e preventiva, conforme dispõe o art. 59, caput do Código Penal, senão 
vejamos: 
Art. 59. O juiz, atendendo a culpabilidade, aos antecedentes, à 
conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às 
circunstancias e consequências do crime, bem como ao 
comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e 
suficiente para reprovação e prevenção do crime: 
Como visto na parte final do caput do art. 59 do Código Penal, fica bem claro 
a intenção do legislador com a reforma de 1984 de adotar a teoria mista para aplicar 
a pena estabelecendo o necessário e suficiente para reprovação e prevenção do 
crime. 
 
 
 
 
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Capítulo 3. 
3 A EXECUÇÃO INEFICAZ DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE NO SISTEMA 
CARCERARIO BRASILEIRO 
Por fim, no terceiro e último capítulo abordar-se-á propriamente sobre os 
possíveis motivos que tornam a pena privativa de liberdade ineficaz, apresentando 
temas como o sistema progressivo para o cumprimento da pena de prisão adotado 
pelo Brasil, considerações acerca do regime disciplinar diferenciado aplicado aos 
criminosos de alta periculosidade envolvidos com o crime organizado. Traz também 
aspectos sobre as mazelas das penitenciarias brasileiras, tanto materiais, quanto o 
caráter ressocializador que é um dos principais fins da pena de prisão. Aborda-se 
ainda no terceiro capítulo o problema das facções criminosas juntamente com o 
tráfico de entorpecente, um dos principais motivos da superlotação das 
penitenciarias brasileiras. E por fim traz alguns dos principais responsáveis pela 
precariedade dos presídios brasileiros bem a atitude da sociedade diante da falta de 
interesse por parte das autoridades. 
3.1 DO SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO 
Em 1890, com o crescimento da população carcerária e a consequente falta 
de espaço para abrigar todos os detentos, e as reivindicações para a modernização 
de todo sistema penitenciário, tanto estabelecimento, quanto as leis, o Brasil adota o 
sistema progressivo para a aplicação da pena, incorporando-se ao ordenamento por 
meio do Código republicano, sendo finalmente abolida a pena de morte e a galés no 
Brasil. 
Proclamada a República em 1889, intensificou-se a necessidade de 
se promover reforma na legislação criminal, mesmo porque já haviam 
se passado 60 anos da promulgação do Código do Império, e as 
suas leis ficaram envelhecidas por não mais acompanhar a 
realidade. 
O Ministro da Justiça do governo provisório, Campos Sales, 
confirmou o trabalho que havia sido confiado a Batista Pereira na 
preparação do novo Código. Em pouco tempo o projeto foi 
estruturado e rapidamente entregue ao Governo, sendo submetido 
ao juízo de uma comissão presidida pelo próprio Ministro da Justiça. 
Por decreto de 11 de outubro de 1890 foi aprovado, transformando-
se em lei passando o Brasil a ter um novo código penal. 
(BATISTELA; AMARAL) 
Essa ideia de adoção do sistema progressivo que surgiu no final do século 
XIX, só começou de fato a ser utilizado após a 1ª Grande Guerra, pois como o novo 
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Código foi feito muito rapidamente, apresentou varias falhas prejudicando a sua 
entrada em vigor. 
Existia um grande abismo entre o que era previsto em lei com a 
realidade carcerária; por exemplo, no ano de 1906, foram 
condenados 976 presos, no estado de São Paulo, à prisão celular, 
existiam apenas 160 vagas para esse tipo de prisão no estado, 
portanto 816 presos (90,3%) cumpriam pena em condições diversas 
àquela prevista no Código Penal vigente. Essa disparidade entre 
pena e lei dava-se pela grande quantidade de crimes com previsão 
de pena celular, e uma absoluta falta de estabelecimentos próprios 
para o cumprimento dessa pena. (ENGBRUCH; DI SANTIS) 
Como visto, naquela época, não havia estrutura física para abrigar tantos 
condenados, que dificultava a implementação do sistema progressivo, o número de 
crimes cuja pena era a privação da liberdade era muito alto. 
Por esse sistema Progressivo, a condenação é dividida em quatro 
períodos: o primeiro é de recolhimento celular contínuo; o segundo é 
de isolamento noturno, com trabalho e ensino durante o dia; o 
terceiro é de semiliberdade, em que o condenado trabalha fora do 
presidio e recolhe-se a noite; e o quarto é o livramento condicional. 
(MIRABETE, 2002, p. 250) 
No nosso Ordenamento Jurídico atual, o sistema progressivo está previsto 
no artigo 112 da Lei de Execução Penal – Lei 7.210/84: 
Art. 112 A pena privativa de liberdade será executada em forma 
progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser 
determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos 1/6 
(um sexto) da pena no regime anterior e ostentar bom 
comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do 
estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. 
Com a criação da lei de crimes hediondos - Lei 8.072/90 está previa em seu 
parágrafo segundo do artigo segundo, a proibição da progressão de regime para os 
condenados pela prática de crime hediondo. Porém, recentemente em entendimento 
sumulado do Supremo Tribunal Federal, passou a considerar inconstitucional tal 
vedação, por violar o princípio da dignidade da pessoa humana e da individualização 
da pena. 
Súmula Vinculante 26 STF. Para efeito de progressão de regime no 
cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da 
execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei nº 
8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o 
condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do 
benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamentado, 
a realização de exame criminológico. 
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Ou seja, em se tratando de progressão de regime não deverá ser levado em 
conta a natureza do crime praticado, se hediondo ou não, pelo fato de violar o 
princípio da dignidade da pessoa humana e o princípio da individualização da pena. 
Na Verdade, o sistema progressivo no cumprimento da pena de 
prisão – que alias existe em todos os países que não adotam as 
penas cruéis (morte e perpétua) – tem o condão de oferecer ao 
condenado às mínimas condições básicas para que, aos poucos, vá 
ele se readaptando ao convívio social, daí o porquê é mister que 
mantenha novos relacionamentos sócias – inclusive familiar – 
imprescindíveis para a sua recuperação definitiva, um sonho que 
pode ser realidade, se houver vontade

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