Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

MARIANA SUCOLOTTI 
ATM 23 
[Título do documento] 
 
Histologia Teórica – Aula 3 
SISTEMA DIGESTÓRIO II – Continuação 
Estômago 
Anatomicamente divido em 4 regiões: 
 Cárdia 
 Fundo 
 Corpo 
 Piloro 
Mucosa Gástrica 
Histologicamente, a divisão se dá pelo aspecto das glândulas que existem no epitélio 
da mucosa. Então a subdivisão é feita em somente 3 áreas: 
 Região de cárdia: glândulas cárdicas; 
 Fundo e corpo: glândulas gástricas; 
 Região pilórica: glândulas pilóricas; 
O epitélio é bastante espesso, e apresenta dois constituintes: o epitélio de 
revestimento que forma a barreira gástrica (protege o estomago do baixo Ph), e abaixo 
começa o epitélio glandular. 
O que diferencia cárdia, fundo/corpo e piloro é o tipo de glândula encontrada. Toda 
a mucosa gástrica tem o mesmo epitélio de revestimento simples colunar (incluindo as 
fossetas), formado por células mucosas do colo que produzem muco espesso, alcalino, 
com glicocálice bastante espesso, com junções oclusivas bem estabelecidas, e juntas 
formam a barreira gástrica. 
As demais camadas, submucosa, musculas externa e serosa permanecem iguais em 
todas as partes do estômago. 
O epitélio simples colunar se dobra formando reentrâncias, que serão chamadas de 
fossetas, na base da fosseta inicia-se o epitélio glandular. 
O epitélio glandular contém uma unidade secretora tubular ramificada que 
desemboca nas fossetas gástricas. As fossetas da região da cárdia têm comprimento 
médio, praticamente proporcional ao tamanho do epitélio glandular. No corpo/fundo 
as fossetas tornam-se mais curtas, e o epitélio glandular mais extenso, e na região 
pilórica ocorre o contrário, as fossetas são muito profundas. 
 
MARIANA SUCOLOTTI 
ATM 23 
[Título do documento] 
 
 
Os tipos de epitélio glandular das regiões do estômago são bem diferentes entre si. 
Na região do piloro ocorre basicamente a produção de muco, então são glândulas bem 
brancas. Na região de fundo/corpo, onde estão as glândulas gástricas, o epitélio 
glandular é mais complexo, com vários tipos celulares que apresentam colorações 
diferentes. 
O epitélio de revestimento e o glandular ficam apoiados em uma lâmina própria, 
sempre conjuntiva frouxa rica em células linfóides, podendo conter células musculares 
lisas (dificilmente serão visualizadas), que é seguida pela muscular da mucosa, que se 
apresenta como uma linha bem corada, composta por musculo liso disposto em duas 
camadas, circular interna e longitudinal externa; alguns livros dizem que a muscular da 
mucosa pode ter até 3 camadas de músculo liso. 
O epitélio é bem amplo, com epitélio de revestimento apenas no topo; as células 
mucosas do colo que contornam a estrutura são muito pálidas, com citoplasma rico em 
mucinogênio, núcleo basal formando o epitélio colunar clássico, sem microvilosidades. 
O muco tem uma constituição alcalina, rico em bicarbonato e potássio. 
Epitélio da Cárdia 
 Epitélio de revestimento simples colunar apoiado em lâmina própria. 
Na base da fosseta inicia-se a glândula da cárdia, classificada como tubular simples 
ramificada, produz principalmente muco, apresentando-se muito pálida, poligonal ou 
colunar. Entre as células produtoras de muco podem haver células produtoras de 
hormônios necessários ao processo digestivo, agrupadas com o nome de 
enteroendócrinas. 
Epitélio do Fundo/Corpo 
 Glândulas gástricas, essenciais à promoção da digestão. 
Na base das fossetas do epitélio forma-se a glândula gástrica, de formato tubular. 
Essa glândula apresenta um comprimento significativo, usando-se dividi-la em 3 áreas 
distintas: o istmo (ponto onde se junta a fosseta com a glândula), o colo e a base. A 
glândula gástrica também pode ser chamada de glândula fúndica. 
5 tipos de células, distribuídas de maneira “organizada”: 
MARIANA SUCOLOTTI 
ATM 23 
[Título do documento] 
 
 Istmo: principalmente células regenerativas, que renovam tanto o epitélio de 
revestimento quanto o epitélio glandular. 
 Colo: 
 Principalmente células parietais (oxínticas): formato piramidal, grandes, 
eosinófilas, que produzem fator intrínseco do HCl; 
 Células mucosas do colo (citoplasma pálido); 
 Células enteroendócrinas; 
 Base: células principais ou zimogênicas, produtoras de pepsinogênio e outros 
componentes, citoplasma pálido com grânulos de zimogênio, geralmente 
basofílico; encontram-se agrupadas. 
 Glândula tubular simples ramificada; 
Características gerais: 
 Células tronco/regenerativas estarão distribuídas pelo epitélio, principalmente na 
região logo abaixo das fossetas, são difíceis de ser distinguidas em repouso, mas 
durante a mitose podem ser facilmente diferenciadas porque o envelope nuclear se 
desorganiza e a cromatina se condensa, deixando o núcleo com coloração escura. 
 O epitélio de revestimento é renovado a cada 4 ou 7 dias, favorecendo a 
manutenção da barreira gástrica. A parte glandular, contudo, é renovada a cada 90 
dias (aproximadamente), é um processo mais lento, mas são as mesmas células que 
fazem a renovação de ambas. 
 As mucosas do colo tem muco solúvel, menos espesso que o muco produzido pelas 
mucosas da superfície, também contribui com a proteção dos epitélios. 
 As parietais são as maiores, piramidais, eosinófilas, núcleo central. Durante a sua 
ativação, elas têm a capacidade de fazer dobramentos na membrana, que formam 
pequenos canalículos que aumentam a área da célula, favorecendo a síntese do HCl 
no seu interior; na microscopia é possível observar apenas o contorno delas. 
 As principais predominam no fundo da glândula (base), são produtoras de 
pepsinogênio, também chamadas de glândulas zimogênicas. 
 As enteroendócrinas, que produzem cerca de 20 tipos diferentes de hormônios, cada 
tipo de célula tem uma denominação própria; morfologicamente são chamadas de 
enteroendócrinas, e para serem visualizadas na microscopia requerem 
pigmentações metálicas; o nome é dado de acordo com o tipo de pigmentação que 
cora cada tipo de célula enteroendócrina; no comprimento da glândula elas passam 
a ser mais prevalentes na parte mais profunda do colo, em direção à base, nunca se 
localizam no istmo ou na parte superior do colo. 
Epitélio do Piloro 
 Mais simples que o fundo/corpo. Suas fossetas são as mais longas de todo o 
estômago 
 Glândulas tubulares simples, geralmente enoveladas/espiraladas, essencialmente 
produtoras de muco, podendo haver presença de algumas células parietais e 
enteroendócrinas remanescentes do epitélio gástrico propriamente. 
MARIANA SUCOLOTTI 
ATM 23 
[Título do documento] 
 
 O epitélio de revestimento forma grandes fossetas, e o epitélio glandular fica bem 
restrito à base. A lâmina própria é muito escassa. 
Lâmina Própria 
A lâmina própria do estômago é invariavelmente conjuntiva frouxa, muito 
escassa, apresenta algumas células musculares lisas em seu interior. 
 
Muscular da Mucosa 
 Formada por 2 camadas de músculo liso, podendo haver uma terceira de 
disposição circular. (Circular – Longitudinal – Circular) 
Submucosa 
 Não apresenta glândulas 
 TCPD denso não modelado + plexo submucoso/de Meissner + vasos + células de 
defesa + raramente tecido adiposo unilocular. 
Muscular Externa 
 É a única do sistema digestório com 3 camadas, bastante espessa. 
 Interna: oblíqua 
 Média: circular 
 Externa: longitudinal 
Serosa 
 Fecha o órgão em toda a sua extensão 
 Formada de TCPD frouxo, vasos, nervos, tecido adiposo unilocular e Mesotélio. 
 
Intestino Delgado 
 4 estratos na parede do órgão: mucosa (espessa), submucosa, muscular externa (2 
camadas) e serosa/adventícia delgada. 
Responsável principalmentepelo processo de absorção de agua e nutrientes, 
dividido anatomicamente em 3 partes: duodeno, jejuno e íleo, diferentes 
histologicamente. 
O intestino delgado a olho nu apresenta sua superfície interna pregueada. Essas 
pregas macroscópicas são chamadas de pregas circulares, são uma maneira de reduzir 
progressivamente a velocidade de passagem do quimo pelo órgão, além de 
proporcionar aumento da superfície de absorção (aumento de até 20 vezes). 
A prega circular representa um dobramento da mucosa e da submucosa. 
Mucosa 
MARIANA SUCOLOTTI 
ATM 23 
[Título do documento] 
 
A mucosa que forma a prega tem um epitélio simples colunar com vilosidades, e 
dentro vilosidades as células possuem microvilosidades (borda em escova), o que 
proporciona um aumento gradual da área de trabalho do órgão. Entre as células 
epiteliais observa-se células caliciformes. 
Vilosidades Intestinais: estão presentes nas 3 partes do intestino delgado, mas 
reduzem em “altura” do duodeno para o íleo. 
No jejuno as vilosidades vão encurtar e se tornar mais espessas, com células 
caliciformes bem visíveis. 
No íleo, as vilosidades são ainda mais curtas e esparsas, de modo que 
desaparecem no intestino grosso. 
Lâmina própria muito vascularizada por capilares sanguíneos e linfáticos. 
Entre a lâmina própria, observa-se feixes de células musculares lisas, que ficam 
muito evidentes; pequenas contrações dessa musculatura lisa favorecem o 
deslocamento do produto absorvido pela célula em direção aos vasos. 
O processo de absorção de água e nutrientes começa nos microvilos: do lúmen 
a água é transportada pela membrana apical, segue pela membrana basolateral em 
direção a lâmina própria e aos vasos sanguíneos. 
Os ácidos graxos são esterificados no retículo endoplasmático liso. 
Cada célula epitelial de revestimento é chamada de ENTERÓCITO. 
No fim de cada uma das vilosidades está o início do epitélio glandular. 
No intestino delgado existem 2 tipos de epitélio: 
absortivo e glandular. 
 O epitélio glandular é chamado de Cripta de 
Lieberkühn, que são glândulas tubulares retas simples, que possuem 5 tipos de células 
distintas, distribuídas de maneira mais ou menos organizada: 
 Regenerativas/Tronco: próximas à base; 
 Enterócitos: remanescentes nas partes superiores 
 Células Caliciformes: nas partes superiores, aumentam significativamente do 
duodeno para o íleo, secretam muco para a barreira epitelial; 
 Enteroendócrina: próximas à base; 1% das células desse epitélio; funções 
parácrinas e endócrinas; produzem secretina, polipeptídio inibidor gástrico 
(GIP), motilina e colecistocinina (CCK), atuam no próprio intestino aumentando 
a mobilidade, no epitélio estomacal, na secreção pancreática; 
 Células de Paneth (de defesa): na base, produzem agentes antimicrobianos, 
secretam lisozima e alfa-defensina, entre outras glicoproteínas 
 
Enterócitos = Absorção 
Criptas de Lieberkühn = Secreção 
 
As células de Paneth participam da regulação da flora bacteriana do intestino delgado: 
ação antibacteriana e capacidade de fagocitar certos microrganismos 
 Lisozima: digere as paredes celulares de certos grupos de bactérias. 
 Alfa-defensinas: homólogas aos peptídios mediadores dos linfócitos T-CD8 
 
MARIANA SUCOLOTTI 
ATM 23 
[Título do documento] 
 
 
 
 
O epitélio glandular é apoiado em lâmina própria conjuntiva frouxa bem 
vascularizada, com muscular da mucosa de 2 camadas. 
As criptas se mantém com o mesmo aspecto em todo o intestino delgado. 
*Correção: erro na 12ª edição do Guyton, as células de Paneth não fazem regeneração, 
apenas as regenerativas.* 
 
Submucosa 
O duodeno contém glândulas duodenais/submucosas/ de Brummer, produtoras 
principalmente de muco alcalino, além de urogastrona (fator de crescimento) e um fator 
inibitório das células parietais do estômago; são glândulas tubulares simples enoveladas 
(não são visualizadas nas lâminas da UCPEL). 
A submucosa do jejuno não apresenta peculiaridades, enquanto na submucosa 
do íleo existem agrupados de células de defesa: os linfócitos se organizam em estruturas 
foliculares arredondadas, os folículos linfoides. Juntos, os folículos linfóides formam a 
placa de Peyer, uma estrutura importante para a defesa da mucosa. 
Muscular Externa 
 Duas camadas de músculo liso, plexo mioentérico visível. 
Adventícia 
 Duodeno. 
Serosa 
 Jejuno e íleo. 
 
Intestino Grosso 
Anatomicamente existem diferentes segmentos no intestino grosso, porém, 
histologicamente todos os segmentos são iguais. Diferente do intestino delgado, não 
apresenta vilosidades. A submucosa não tem nenhuma particularidade ou glândula 
especial. 
Mucosa 
 Sem vilosidades, permanecem as criptas. 
MARIANA SUCOLOTTI 
ATM 23 
[Título do documento] 
 
A capacidade absortiva é mantida, mas não como função primordial, de modo 
que a cripta pode ter enterócitos. O que predomina são as células caliciformes. 
O material que passa pelo lúmen do intestino grosso já se encontra muito 
desidratado, então é cada vez mais importante a presença de muco para proteger a 
barreira e possibilitar a passagem. 
As criptas permanecem como glândulas tubulares simples, mas não contém 
células de Paneth (de defesa), o restante permanece: produtoras de hormônios 
(enteroendócrinas), as regenerativas, as caliciformes (em grande quantidade) e alguns 
Enterócitos. 
A lâmina própria é conjuntiva frouxa, não contém as células musculares lisas; 
A muscular interna tem duas camadas. 
Submucosa 
TCPD denso não modelado + plexo submucoso + vasos. 
Não apresenta peculiaridades. 
Muscular Externa 
 Composta por duas camadas, apresenta uma peculiaridade: se espessa em 3 
pontos, forma as austrações ou tênias cólicas. 
 Camada interna circular, externa longitudinal. 
Serosa 
 Características típicas. 
Região Retal 
 As camadas de mucosa, submucosa, muscular externa e adventícia/serosa se 
desorganizam, as criptas tornam-se cada vez mais rasas, acabando em epitélio simples 
colunar. 
Canal Anal 
 Na região do canal anal esse epitélio é substituído por epitélio estratificado 
pavimentoso não queratinizado. Essa transição de epitélios ocorre um pouco acima da 
linha pectínea. 
 Na região perianal, o epitélio se transforma em estratificado pavimentoso 
queratinizado, com folículos pilosos, glândulas sebáceas e sudoríparas (pele fina). 
 Ao final ocorre uma reorganização para alcançar o meio externo como barreira 
de proteção. A submucosa, a muscular externa e a serosa desaparecem, pois trata-se da 
região pélvica. Os epitélios se apoiam em TCPD frouxo, e abaixo encontra=se a 
musculatura dos esfíncteres anal interno e externo. 
MARIANA SUCOLOTTI 
ATM 23 
[Título do documento]