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Português
Curso Extensivo – A
REVISAO 1_A_GERAL_PORT_2018_Yonne 03/09/2018 14:21 Página I
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Leia o trecho do livro Bem-vindo ao deserto do real!, de Slavoj Žižek,
para responder às questões 1 e 2.
1. (UNESP-2018) – A “introdução da referência ao código, como um
de seus elementos, na própria mensagem codificada” constitui um
exemplo de
a) eufemismo. b) metalinguagem.
c) intertextualidade. d) hipérbole.
e) pleonasmo.
RESOLUÇÃO
O excerto refere-se constantemente ao próprio código, ao mencionar o uso
de tintas de cores diferentes para a interlocução dos amigos por meio de
cartas.
Resposta: B
2. (Unesp-2018) – “Um mês depois, os amigos recebem uma carta
escrita em tinta azul [...].”
Assinale a alternativa que expressa, na voz passiva, o conteúdo dessa
oração.
a) Um mês depois, uma carta escrita em tinta azul seria recebida pelos
amigos.
b) Os amigos deveriam ter recebido, um mês depois, uma carta escrita
em tinta azul.
c) Um mês depois, uma carta escrita em tinta azul foi recebida pelos
amigos.
d) Um mês depois, uma carta escrita em tinta azul é recebida pelos
amigos.
e) Os amigos receberiam, um mês depois, uma carta escrita em tinta
azul.
RESOLUÇÃO
No voz passiva analítica, o objeto direto da ativa “uma carta escrita em
tinta azul” passa a sujeito paciente; o sujeito da ativa passa a agente da
passiva; o verbo receber fica no particípio, antecedido pelo verbo auxiliar
ser no presente: Um mês depois, uma carta escrita em tinta azul é recebida
pelos amigos.
Resposta: D
Leia o trecho do conto “Pai contra mãe”, de Machado de Assis 
(1839-1908), para responder à questão de 3.
3. (Unesp-2018) – “Quem perdia um escravo por fuga dava algum
dinheiro a quem lho levasse.” (4.° parágrafo)
Na oração em que está inserido, o termo destacado é um verbo que
pede
a) apenas objeto direto, representado pelo vocábulo “lho”.
b) objeto direto e objeto indireto, ambos representados pelo vocábulo
“lho”.
c) objeto direto, representado pelo vocábulo “dinheiro”, e objeto
indireto, representado pelo vocábulo “lho”.
d) apenas objeto indireto, representado pelo vocábulo “quem”.
e) objeto direto, representado pelo vocábulo “dinheiro”, e objeto
indireto, representado pelo vocábulo “quem”.
RESOLUÇÃO
O verbo “levar” é transitivo direto e indireto. A contração “lho” é formada
pelos pronomes oblíquos “o”, que se refere a “escravo” e exerce função
sintática de objeto direto, e “lhe”, que se refere “a quem”, funcionando
com objeto indireto.
Resposta: B
Numa antiga anedota que circulava na hoje falecida República
Democrática Alemã, um operário alemão consegue um emprego
na Sibéria; sabendo que toda correspondência será lida pelos
censores, ele combina com os amigos: “Vamos combinar um
código: se uma carta estiver escrita em tinta azul, o que ela diz é
verdade; se estiver escrita em tinta vermelha, tudo é mentira.” Um
mês depois, os amigos recebem uma carta escrita em tinta azul:
“Tudo aqui é maravilhoso: as lojas vivem cheias, a comida é
abundante, os apartamentos são grandes e bem aquecidos, os
cinemas exibem filmes do Ocidente, há muitas garotas, sempre
prontas para um programa – o único senão é que não se consegue
encontrar tinta vermelha.” Neste caso, a estrutura é mais refinada
do que indicam as aparências: apesar de não ter como usar o
código combinado para indicar que tudo o que está dito é mentira,
mesmo assim ele consegue passar a mensagem. Como? Pela
introdução da referência ao código, como um de seus elementos,
na própria mensagem codificada.
(Bem-vindo ao deserto do real!, 2003.)
Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram
muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia
ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de
apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia
alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era
mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação,
porque dinheiro também dói. A fuga repetia-se, entretanto. Casos
houve, ainda que raros, em que o escravo de contrabando, apenas
comprado no Valongo, deitava a correr, sem conhecer as ruas da
cidade. Dos que seguiam para casa, não raro, apenas ladinos,
pediam ao senhor que lhes marcasse aluguel, e iam ganhá-lo fora,
quitandando.
Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a quem
lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os sinais do
fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o bairro por
onde andava e a quantia de gratificação. Quando não vinha a
quantia, vinha promessa: “gratificar-se-á generosamente” – ou
“receberá uma boa gratificação”. Muita vez o anúncio trazia em
cima ou ao lado uma vinheta, figura de preto, descalço, correndo,
vara ao ombro, e na ponta uma trouxa. Protestava-se com todo o
rigor da lei contra quem o acoitasse.
(Contos: uma antologia, 1998.)
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Revisão PORTUGUÊS
MÓDULO 11 Sintaxe (I)
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Para responder às questões de 4 a 10, leia a crônica “Anúncio de João
Alves”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada
originalmente em 1954.
4. (Unesp) – Na crônica, João Alves é descrito como
a) rústico e mesquinho.
b) calculista e interesseiro.
c) generoso e precipitado.
d) sensato e meticuloso.
e) ingênuo e conformado.
RESOLUÇÃO:
O personagem João Alves é caracterizado pelo narra dor da crônica como
um homem “sensato”, pois ape nas redigiu o anúncio no jornal sobre o desa -
pa recimento de sua “besta” após fazer indaga ções e concluir que o animal
poderia ter sido roubado. Segundo o narrador, a redação do anúncio de
João Alves também revela que este era um homem “meticuloso”, visto que
ele descreveu detalhadamente a “besta” desaparecida, inclusive “o pequeno
quisto na orelha”.
Resposta: D
5. (Unesp) – O humor presente na crônica decorre, entre outros
fatores, do fato de o cronista
a) debruçar-se sobre um antigo anúncio de besta desaparecida.
b) esforçar-se por ocultar a condição rural do autor do anúncio.
c) duvidar de que o autor do anúncio seja mesmo João Alves.
d) empregar o termo “besta” em sentido também metafórico.
e) acreditar na possibilidade de se recuperar a besta de João Alves.
RESOLUÇÃO:
O que promove o humor é o fato de o narrador dedicar-se à análise do
discurso de um anúncio antigo sobre o desaparecimento de uma “besta”.
Resposta: A
6. (Unesp) – “Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves
Junior, tua besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já e
pó no pó.” (2.º parágrafo)
Em relação ao período do qual faz parte, a oração destacada exprime
ideia de
a) comparação.
b) concessão.
c) consequência.
d) conclusão.
e) causa.
RESOLUÇÃO:
A oração “mesmo que tenha aparecido” é adverbial concessiva. A locução
“mesmo que” poderia ser substituída, sem alteração do sentido, por
embora, ainda que, posto que.
Resposta: B
7. (Unesp) – O cronista manifesta um juízo de valor sobre a sua
própria época em:
a) “Não escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de
tua condição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu
a 6 de outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de
Itabira.” (3.º parágrafo)
b) “Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua
besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó.”
(2.º parágrafo)
c) “Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está
assim redigido:” (1.º parágrafo)
Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está
assim redigido:
À procura de uma besta. – A partir de 6 de outubro do ano
cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os se -
guintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros
locomotores,um pequeno quisto na base da orelha direita e
crina dividida em duas seções em consequência de um golpe,
cuja extensão pode alcançar de quatro a seis centímetros,
produzido por jumento.
Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é
muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que
foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.
Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue
aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente
remunerado. Itambé do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899.
a) João Alves Júnior.
Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua
besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó.
E tu mesmo, se não estou enganado, repousas suavemente no
pequeno cemitério de Itambé. Mas teu anúncio continua um modelo
no gênero, se não para ser imitado, ao menos como objeto de
admiração literária.
Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não es -
creveste apressada e toscamente, como seria de esperar de tua con -
dição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de
outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de Itabira.
Antes, procedeste a indagações. Falharam. Formulaste depois um
raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste um
belo e nítido retrato da besta.
Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados;
preferiste dizê-lo “de todos os seus membros loco-motores”. Nem
esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa divisão da crina em
duas seções, que teu zelo naturalista e histórico atribuiu com
segurança a um jumento.
Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é,
do povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido,
mas antes foi roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório:
“tudo me induz a esse cálculo”. Revelas aí a prudência mineira, que
não avança (ou não avançava) aquilo que não seja a evidência
mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e desapaixonada
como qualquer outra, e não denúncia formal.
Finalmente – deixando de lado outras excelências de tua prosa
útil – e declaração final: quem a apreender ou pelo menos “notícia
exata ministrar”, será “razoavelmente remunerado”. Não prometes
recompensa tentadora; não fazes praça de generosidade ou largueza;
acenas com o razoável, com a justa medida das coisas, que deve
prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e entregues.
Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro
João Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque
soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e
o jornal aguardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são
informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de objetos e animais
perdidos, na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa precisão
de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa
atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que
se pode manifestar até mesmo num anúncio de besta sumida.
(Fala, amendoeira, 2012.)
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d) “Já não há essa precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa
moderação nem essa atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor
à tarefa bem-feita, que se pode manifestar até mesmo num anúncio
de besta sumida.” (7.º parágrafo)
e) “Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João
Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque
soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e
o jornal a guardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são
informados da ocorrência.” (7.º parágrafo)
RESOLUÇÃO:
O narrador expressa sua avaliação crítica ao comparar o anúncio antigo
com os anúncios de sua época. Isso se explicita nos três últimos períodos do
último parágrafo: “Se lesses os anúncios de objetos e animais perdidos, na
imprensa de hoje ficarias triste.”
Resposta: D
8. (Unesp) – Está empregado em sentido figurado o termo destacado
no seguinte trecho:
a) “Formulaste depois um raciocínio: houve roubo.” (3.º parágrafo)
b) “Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem.” 
(3.º parágrafo)
c) “Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem.” 
(3.º parágrafo)
d) “Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados;” 
(4.º parágrafo)
e) “Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados;” 
(4.º parágrafo)
RESOLUÇÃO:
Ocorre metáfora em “limpeza”, pois o termo, nesse contexto, significa que
a linguagem de João Alves prima por correção, clareza e objetividade.
Resposta: C
9. (Unesp) – Em “Contudo, não o afirmas em tom peremptório: ‘tudo
me induz a esse cálculo’?” (5.º parágrafo), o termo destacado pode ser
substituído, sem prejuízo de sentido para o texto, por:
a) incisivo. b) irônico. c) rancoroso.
d) constrangido. e) hesitante.
RESOLUÇÃO:
“Peremptório” significa “absoluto, categórico, decisivo, incisivo”. Dessa
forma, o narrador afirma que, de forma calculada, João Alves não afirma
ter sido a besta “roubada”.
Resposta: A
10.(Unesp) – Com base no último parágrafo, a principal qualidade
atribuída pelo cronista a João Alves é
a) a prudência. b) o discernimento. c) a concisão.
d) o humor. e) a dedicação.
RESOLUÇÃO:
O cronista atribui a João Alves a qualidade de ser cioso, em função do
“amor à tarefa bem-feita”.
Resposta: E
Leia o soneto “Alma minha gentil, que te partiste”, do poeta português
Luís de Camões (1525?-1580), para responder à questão 11.
11. (Unesp)
“Se lá no assento etéreo, onde subiste, 
memória desta vida se consente,” (2.a estrofe)
Os termos destacados constituem
a) pronomes.
b) conjunções.
c) uma conjunção e um advérbio, respectivamente.
d) um pronome e uma conjunção, respectivamente.
e) uma conjunção e um pronome, respectivamente.
RESOLUÇÃO:
No primeiro segmento, a palavra “se” é conjunção adverbial, condicional
e pode ser substituída por caso. O verbo consentir significa permitir,
aprovar, é transitivo direto e está na voz passiva sintética, sendo o se
pronome apassivador.
Resposta: E
Cartum as questões 12 e 13.
Robert Mankoff, New Yorker/Veja.
12.(Fuvest) – Para obter o efeito de humor presente no cartum, o autor
se vale, entre outros, do seguinte recurso: 
a) utilização paródica de um provérbio de uso corrente. 
b) emprego de linguagem formal em circunstâncias informais. 
c) representação inverossímil de um convívio pacífico de cães e gatos. 
d) uso do grotesco na caracterização de seres humanos e de animais. 
e) inversão do sentido de um pensamento bastante repetido. 
RESOLUÇÃO:
O discurso da personagem emite um juízo de valor contrário ao seguinte
pensamento contemporâneo: os bichos não passam de substitutos patéticos
para as pessoas que não podem ter crianças.
Resposta: E
13.(Fuvest) – No contexto do cartum, a presença de numerosos
animais de estimação permite que o juízo emitido pela persona gem
seja considerado 
a) incoerente. b) parcial. c.) anacrônico.
d) hipotético. e)enigmático. 
RESOLUÇÃO:
A personagem que profere a frase foi parcial ao manifestar uma opinião
que vai ao encontro da situação que ela vivencia, cercada de animais.
Resposta: B
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
(Sonetos, 2001.)
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Leia o trecho do livro Em casa, de Bill Bryson, para responder às
questões de 1 a 4.
1. (Unesp-maio-2018) – Em “Não havia praticamente nenhum gênero
que não pudesse ser melhorado ou tornado mais econômico para o
varejista por meio de um pouquinho de manipulação e engodo” 
(2.o parágrafo), o termo sublinhado está empregado em sentido similar
ao do termo sublinhado em:
a) “Smollett definiu o pão de Londres como um compostotóxico de
‘giz, alume e cinzas de ossos, insípido ao paladar e destrutivo para
a constituição’” (3.o parágrafo).
b) “A primeira acusação formal já encontrada sobre a adulteração
generalizada do pão está em um livro” (3.o parágrafo).
c) “os ossuários dos mortos são revolvidos para adicionar imundícies
ao alimento dos vivos” (3.o parágrafo).
d) “Smollett definiu o pão de Londres como um composto tóxico de
‘giz, alume e cinzas de ossos, insípido ao paladar e destrutivo para
a constituição’” (3.o parágrafo).
e) “A primeira acusação formal já encontrada sobre a adulteração
generalizada do pão está em um livro. (3.o parágrafo).
RESOLUÇÃO:
O substantivo “manipulação” refere-se à pratica comum, segundo o texto,
de adulterar os produtos alimentícios, acrescentando substâncias, muitas
vezes nocivas, a fim de aumentar o lucro. Nesse sentido, o substantivo
“adulteração” possui o valor semântico de “manipulação”, pois ambas as
palavras indicam a fraude praticada pelo comerciante.
Resposta: E
2. (Unesp-maio 2018) – “O acetato de chumbo era adicionado às
bebidas como adoçante” (1.o parágrafo).
Preservando-se a correção gramatical e o seu sentido original, essa
oração pode ser reescrita na forma:
a) Adicionava-se o acetato de chumbo às bebidas como adoçante.
b) Adiciona-se o acetato de chumbo às bebidas como adoçantes.
c) Eram adicionadas às bebidas como adoçante o acetato de chumbo.
d) Adicionam-se às bebidas como adoçante o acetato de chumbo.
e) Adicionavam-se às bebidas como adoçante o acetato de chumbo.
RESOLUÇÃO:
A frase do enunciado encontra-se na voz passiva analítica, cujo sujeito
paciente “acetato de chumbo” se mantém na voz passiva sintética. Por isso,
o verbo fica na terceira pessoa do singular com acréscimo do pronome
apassivador “se”.
Resposta: A
3. (Unesp-maio 2018) – Em “Quase nada, no século XVII, escapava
à astúcia dos que adulteravam alimentos” (1.o parágrafo), o termo
sublinhado é um verbo
a) transitivo direto.
b) intransitivo.
c) de ligação.
d) transitivo indireto.
e) transitivo direto e indireto.
RESOLUÇÃO
O verbo escapar em “escapava à astúcia” é transitivo indireto, pois rege a
preposição “a” (em “à”) presente no objeto indireto “à astúcia”.
Resposta: D
Quase nada, no século XVII, escapava à astúcia dos que
adulteravam alimentos. O açúcar e outros ingredientes caros muitas
vezes eram aumentados com gesso, areia e poeira. A manteiga tinha
o volume aumentado com sebo e banha. Quem tomasse chá,
segundo autoridades da época, poderia ingerir, sem querer, uma
série de coisas, desde serragem até esterco de carneiro pulverizado.
Um carregamento inspecionado, relata Judith Flanders, demonstrou
conter apenas a metade de chá; o resto era composto de areia e
sujeira. Acrescentava-se ácido sulfúrico ao vinagre para dar mais
acidez; giz ao leite; terebintina1 ao gim. O arsenito de cobre era
usado para tornar os vegetais mais verdes, ou para fazer a geleia
brilhar. O cromato de chumbo dava um brilho dourado aos pães e
também à mostarda. O acetato de chumbo era adicionado às bebidas
como adoçante, e o chumbo avermelhado deixava o queijo
Gloucester, se não mais seguro para comer, mais belo para olhar. 
Não havia praticamente nenhum gênero que não pudesse ser
melhorado ou tornado mais econômico para o varejista por meio
de um pouquinho de manipulação e engodo. Até as cerejas, como
relata Tobias Smollett, ganhavam novo brilho depois de roladas,
delicadamente, na boca do vendedor antes de serem colocadas em
exposição. Quantas damas inocentes, perguntava ele, tinham
saboreado um prato de deliciosas cerejas que haviam sido
“umedecidas e roladas entre os maxilares imundos e, talvez,
ulcerados de um mascate de Saint Giles”?
O pão era particularmente atingido. Em seu romance de 1771,
The expedition of Humphry Clinker, Smollett definiu o pão de
Londres como um composto tóxico de “giz, alume2 e cinzas de
ossos, insípido ao paladar e destrutivo para a constituição”; as
acusações assim já eram comuns na época. A primeira acusação
formal já encontrada sobre a adulteração generalizada do pão está
em um livro chamado Poison detected: or frightful truths, escrito
anonimamente em 1757, que revelou segundo “uma autoridade
altamente confiável” que “sacos de ossos velhos são usados por
alguns padeiros, não infre quen temente”, e que “os ossuários dos
mortos são revolvidos para adicionar imundícies ao alimento dos
vivos”.
(Em casa, 2011. Adaptado.)
1terebintina: resina extraída de uma planta e usada na fabricação de
vernizes, diluição de tintas etc.
2alume: designação dos sulfatos duplos de alumínio e metais
alcalinos, com propriedades adstringentes, usado na fabricação de
corantes, papel, porcelana, na purificação de água, na clarificação
de açúcar etc.
MÓDULO 22 Sintaxe (II)
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4. (Unesp-maio 2018) – É invariável quanto a gênero e a número o
termo sublinhado em:
a) “o resto era composto de areia e sujeira” (1o parágrafo).
b) “O pão era particularmente atingido” (3o parágrafo).
c) “O açúcar e outros ingredientes caros” (1o parágrafo).
d) “uma autoridade altamente confiável” (3o parágrafo).
e) “um pouquinho de manipulação e engodo” (2o parágrafo).
RESOLUÇÃO
O termo “altamente” é invariável quanto a gênero e a número, pois
funciona morfologicamente como advérbio. Em a, “composto” é adjetivo;
em b, “era” é verbo; em c, “açúcar” é substantivo; em e, “engodo” é
substantivo.
Resposta: D
5. (Unicamp-2018)
As alternativas abaixo reproduzem trechos de um fórum de discussão
na Internet sobre um jogo eletrônico. Nessa discussão, um jogador
queixa-se por não ter conseguido se conectar a uma partida e ter
perdido pontos. Escolha a alternativa que contém um exemplo do
processo de adaptação de verbos do inglês para o sistema verbal do
português, como descreve Sírio Possenti.
a) “Aconteceu logo na manhã deste domingo, quando iniciei uma
ranked.”
b) “Ela não deu load e pensei que era um bug no site.” 
c) “Entrei no lolking para ver se a partida estava sendo computada.”
d) “Nem upei meu personagem de tanto problema no server.” 
(Adaptado de http://forums.br.leagueoflegends.com/board/
showthread.php?t=187120. Acessado em 15/07/2017.)
RESOLUÇÃO
Os exemplos dados no texto de Sírio Possenti demonstram que os verbos
formados a partir de anglicismos pertencem à primeira conjugação
(atachar, estartar...). Assim, a palavra que exemplifica tal padrão é “upar”,
conjugada na terceira pessoa do singular no pretérito perfeito do
indicativo: upei, que no contexto significa aumentar as habilidades de um
personagem de jogo eletrônico.
Resposta: D
6. (Unicamp-2018) – Leia, a seguir, um excerto de “Terrorismo
Literário”, um manifesto do escritor Ferréz.
Ferréz defende sua proposta literária como uma
a) descoberta de que é preciso reagir com a palavra para que não haja
separação entre a grande cultura nacional e a literatura feita por
minorias.
b) comprovação de que, sendo as minorias de fato uma maioria, não
faz sentido distinguir duas literaturas, uma do centro e outra da
periferia.
c) manifestação de que a literatura marginal tem seu modo próprio de
falar e de contar histórias, já reconhecido pelos estudiosos.
d) constatação de que é preciso reagir com a palavra e mostrar-se nesse
lugar marginal como literatura feita por minorias que juntas formam
uma maioria.
RESOLUÇÃO
No início do excerto de “Terrorismo literário”, Ferréz declara que houve
uma mudança no instrumento de resistência utilizado pelos oprimidos
diante do dono de poder: a capoeira, embate que usa o corpo, foi
substituída pela literatura marginal, embate que usa a palavra. Por meio
desse novo instrumento, esses textos literários tornam-se uma maneira de
as minorias sociais, juntas, mostrarem sua voz, mostrarem a força de seu
universo cultural, que é o da maior parte da população.
Resposta:D
Estrangeirismos são palavras e expressões de outras línguas usadas
correntemente em nosso cotidiano. Sobre o emprego de palavras
estrangeiras no português, o linguista Sírio Possenti comenta:
Tomamos alguns verbos do inglês e os adaptamos a nosso sistema
verbal exclusivamente segundo regras do português. Se adotarmos
start, logo teremos estartar (e todas as suas flexões), pois nossa
língua não tem sílabas iniciais como st-, que imediatamente se
tornam est-. A forma nunca será startar, nem ostartar ou ustartar,
nem estarter ou estartir, nem printer ou printir, nem atacher ou
atachir etc., etc., etc.
(Adaptado de Sírio Possenti, “A questão dos estrangeirismos”, 
em Carlos Alberto Faraco, Estrangeirismos: guerras em 
torno da língua. São Paulo: Parábola, 2001, p. 173-174.)
Glossário:
Bug: falha devido ao mau funcionamento em um programa
de informática.
Computar: contar, incluir.
Dar load: carregar.
Lolking: site da Internet sobre o jogo
Ranked: partida que dá pontos ao jogador
Server: servidor; em informática, é um programa ou um com -
putador que fornece serviços a uma rede de computadores.
Upar: subir de nível, recarregar.
A capoeira não vem mais, agora reagimos com a palavra, porque
pouca coisa mudou, principalmente para nós. A literatura marginal
se faz presente para representar a cultura de um povo composto de
minorias, mas em seu todo uma maioria.
A Literatura Marginal, sempre é bom frisar, é uma literatura feita
por minorias, sejam elas raciais ou socioeconômicas. Literatura feita
à margem dos núcleos centrais do saber e da grande cultura
nacional, isto é, de grande poder aquisitivo. Mas alguns dizem que
sua principal característica é a linguagem, é o jeito que falamos,
que contamos a história, bom, isso fica para os estudiosos. 
Cansei de ouvir: — “Mas o que cês tão fazendo é separar a
literatura, a do gueto e a do centro”. E nunca cansarei de responder:
— “O barato já tá separado há muito tempo, foi feito todo um
mundo de teses e de estudos do lado de lá, e do de cá mal
terminamos o ensino dito básico.”
(Adaptado de Ferréz, “Terrorismo literário”, em Ferréz (Org.),
Literatura marginal: talentos da escrita periférica. 
Rio de Janeiro: Agir, 2005, p. 9,12,13.)
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7. (Unicamp-2018)
(Disponível em http://www.psyche.com.br/taxonomy/term/4.
Acessado em 02/06/2017.)
No contexto deste grafite, as frases “menos presos políticos” e “mais
políticos presos” expressam
a) uma relação de contradição, uma vez que indicam sentidos opostos.
b) uma relação de consequência, já que a diminuição de um grupo
conduz ao aumento de outro.
c) uma relação de contraste, pois reivindicam o aumento de um tipo de
presos e a redução de outro.
d) uma relação de complementaridade, porque remetem a subcon -
juntos de uma mesma categoria.
RESOLUÇÃO
A reivindicação é evidente na exigência de que haja “menos presos
políticos” e “mais políticos presos”.
Resposta: C
Leia o trecho extraído do artigo “Cosmologia, 100”, de Antonio
Augusto Passos Videira e Cássio Leite Vieira, para responder às
questões de 8 a 12. 8. (Unesp) – Ao escrever a seu colega dizendo que “o que produzira
o habilitaria a ser ‘internado em um hospício’” (3.° parágrafo), Einstein
reconhece, em relação ao artigo de 1917, seu caráter
a) irracional.
b) literário.
c) divertido.
d) confuso.
e) pioneiro.
RESOLUÇÃO:
Einstein reconhece, ao afirmar que poderia ser “internado em um
hospício”, que a teoria construída por ele seria de difícil aceitação na época
por apresentar um caráter inédito e distante da tradição científica. A
cosmologia de Einstein é, como afirma o texto, “um ponto fora da reta”.
Resposta: E
“Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu mesmo percorri,
árdua e sinuosa.” A frase – que tem algo da essência do hoje clássico
A estrada não percorrida (1916), do poeta norte-americano Robert
Frost (1874-1963) – está em um artigo científico publicado há cem
anos, cujo teor constitui um marco histórico da civilização.
Pela primeira vez, cerca de 50 mil anos depois de o Homo
sapiens deixar uma mão com tinta estampada em uma pedra, a
humanidade era capaz de descrever matematicamente a maior
estrutura conhecida: o Universo. A façanha intelectual levava as
digitais de Albert Einstein (1879-1955).
Ao terminar aquele artigo de 1917, o físico de origem alemã
escreveu a um colega dizendo que o que produzira o habilitaria a ser
“internado em um hospício”. Mais tarde, referiu-se ao arcabouço
teórico que havia construído como um “castelo alto no ar”.
O Universo que saltou dos cálculos de Einstein tinha três
características básicas: era finito, sem fronteiras e estático – o
derradeiro traço alimentaria debates e traria arrependimento a
Einstein nas décadas seguintes.
Em “Considerações Cosmológicas na Teoria da Relatividade
Geral”, publicado em fevereiro de 1917 nos Anais da Academia Real
Prussiana de Ciências, o cientista construiu (de modo muito visual)
seu castelo usando as ferramentas que ele havia forjado pouco antes:
a teoria da relatividade geral, finalizada em 1915, esquema teórico
já classificado como a maior contribuição intelectual de uma só
pessoa à cultura humana.
Esse bloco matemático impenetrável (mesmo para físicos) nada
mais é do que uma teoria que explica os fenômenos gravitacionais.
Por exemplo, por que a Terra gira em torno do Sol ou por que um
buraco negro devora avidamente luz e matéria.
Com a introdução da relatividade geral, a teoria da gravitação do
físico britânico Isaac Newton (1642-1727) passou a ser um caso
específico da primeira, para situações em que massas são bem
menores do que as das estrelas e em que a velocidade dos corpos é
muito inferior à da luz no vácuo (300 mil km/s).
Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de 1917),
impressiona o fato de Einstein ter achado tempo para escrever uma
pequena joia, “Teoria da Relatividade Especial e Geral”, na qual
populariza suas duas teorias, incluindo a de 1905 (especial), na qual
mostrara que, em certas condições, o espaço pode encurtar, e o
tempo, dilatar.
Tamanho esforço intelectual e total entrega ao raciocínio
cobraram seu pedágio: Einstein adoeceu, com problemas no fígado,
icterícia e úlcera. Seguiu debilitado até o final daquela década.
Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia podem
ser facilmente vistos como um ponto fora da reta. Porém, a
historiadora da ciência britânica Patricia Fara lembra que aqueles
eram tempos de “cosmologias”, de visões globais sobre temas
científicos. Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes,
do geólogo alemão Alfred Wegener (1880-1930), marcada por uma
visão cosmológica da Terra.
Fara dá a entender que várias áreas da ciência, naquele início de
século, passaram a olhar seus objetos de pesquisa por meio de um
prisma mais amplo, buscando dados e hipóteses em outros campos
do conhecimento.
(Folha de S.Paulo, 01.01.2017. Adaptado.)
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9. (Unesp) – Em “Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu
mesmo percorri, árdua e sinuosa.” (1.° parágrafo), o termo destacado
exerce a mesma função sintática do trecho destacado em:
a) “[...] o derradeiro traço alimentaria debates e traria
arrependimento a Einstein nas décadas seguintes.” (4.° parágrafo)
b) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes [...].”
(10.° parágrafo)
c) “[...] o cientista construiu (de modo muito visual) seu castelo
usando as ferramentas que ele havia forjado pouco antes [...].” 
(5.° parágrafo)
d) “Seguiu debilitado até o final daquela década.” (9.° parágrafo)
e) “Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia podem
ser facilmente vistos como um ponto fora da reta.” (10.° parágrafo)
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo que foi empregado como objeto direto do verbo
percorrer,mesma função sintática de “a teoria deriva dos continentes”, que
é objeto direto do verbo citar.
Resposta: B
10.(Unesp) – Em “A façanha intelectual levava as digitais de Albert
Einstein (1879-1955).” (2.° parágrafo), o termo destacado pode ser
substituído de modo mais adequado, tendo em vista o contexto, por:
a) proeza.
b) ousadia.
c) concretude.
d) debilidade.
e) petulância.
RESOLUÇÃO:
Façanha significa sucesso notável, feito heroico, ato de valor ou proeza.
Resposta: A
11. (Unesp)
Verifica-se a ocorrência de vírgula para indicar a elipse do verbo no
seguinte trecho:
a) “Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de 1917),
impressiona o fato de Einstein ter achado tempo para escrever uma
pequena joia [...]” (8.° parágrafo)
b) “[...] em certas condições, o espaço pode encurtar, e o tempo,
dilatar.” (8.° parágrafo)
c) “[...] a teoria da relatividade geral, finalizada em 1915, esquema
teórico já classificado como a maior contribuição intelectual de uma
só pessoa à cultura humana.” (5.° parágrafo)
d) “[...] Einstein adoeceu, com problemas no fígado, icterícia e úlcera.”
(9.° parágrafo)
e) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes, do
geólogo alemão Alfred Wegener [...]” (10.° parágrafo)
RESOLUÇÃO:
No enunciado, ocorre a elipse do verbo sair em “eu saio logo mais”. Trata-
se de zeugma, em que a omissão do verbo é marcada pela vírgula. O mesmo
ocorre com o verbo poder em “o tempo pode dilatar”.
Resposta: B
12.(Unesp) – Em “O Universo que saltou dos cálculos de Einstein
tinha três características básicas [...]” (4.° parágrafo), a oração
destacada encerra sentido de
a) consequência.
b) explicação.
c) causa.
d) restrição.
e) conclusão.
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva
restritiva, pois ela limita o sentido de “universo”.
Resposta: D
Emprega-se a vírgula para indicar, às vezes, a elipse do verbo:
“Ele sai agora: eu, logo mais.”
(Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa, 2009.
Adaptado.)
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1. (Fuvest-2018) – Examine o cartum.
Frank e Ernest – Bob Thaves. O Estado de S. Paulo. 22.08.2017.
O efeito de humor presente no cartum decorre, principalmente, da
a) semelhança entre a língua de origem e a local.
b) falha de comunicação causada pelo uso do aparelho eletrônico.
c) falta de habilidade da personagem em operar o localizador
geográfico.
d) discrepância entre situar-se geograficamente e dominar o idioma
local.
e) incerteza sobre o nome do ponto turístico onde as personagens se
encontram.
RESOLUÇÃO
Os personagens do cartum encontram-se em Paris, o que se comprova pela
presença da Torre Eiffel ao fundo. Ao usarem o GPS, percebem que essa
tecnologia não resolve a falta de domínio do idioma local.
Resposta: D
Texto para as questões 2 e 3.
2. (Fuvest-2018) – De acordo com o texto, a compreensão do
significado de uma obra de arte pressupõe
a) o reconhecimento de seu significado intrínseco.
b) a exclusividade do ponto de vista mais recente.
c) a consideração de seu caráter imutável.
d) o acúmulo de interpretações anteriores.
e) a explicação definitiva de seu sentido.
RESOLUÇÃO
Segundo Arnold Hauser, a compreensão de uma obra de arte, ainda que
permeada pelas especificações da recepção em determinado período, pauta-
se na tradição intepretativa acumulada pelas gerações anteriores: “porque
o significado que uma obra assume para uma geração posterior é o
resultado de uma série completa de interpretações anteriores”.
Resposta: D
3. (Fuvest-2018) – No trecho “Numa palavra, qualquer gênero de arte
que, de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte moderna” (L. 6-8), as
expressões sublinhadas podem ser substituídas, sem prejuízo do sentido
do texto, respectivamente, por
a) realmente; portanto.
b) invariavelmente; ainda.
c) com efeito; todavia.
d) com segurança; também.
e) possivelmente; até.
RESOLUÇÃO
A expressão “de fato” equivale ao advérbio de afirmação “realmente”;
“deste modo” tem sentido de conclusão.
Resposta: A
Uma obra de arte é um desafio; não a explicamos,
ajustamo-nos a ela. Ao interpretá-la, fazemos uso dos
nossos próprios objetivos e esforços, dotamo-la de um
significado que tem sua origem nos nossos próprios modos 
5 de viver e de pensar. Numa palavra, qualquer gênero de
arte que, de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte
moderna.
As obras de arte, porém, são como altitudes inacessíveis. 
10 Não nos dirigimos a elas diretamente, mas contornamo-las.
Cada geração as vê sob um ângulo diferente e sob uma
nova visão; nem se deve supor que um ponto de vista mais
recente é mais eficiente do que um anterior. Cada aspecto
surge na sua altura própria, que não pode ser antecipada 
15 nem prolongada; e, todavia, o seu significado não está
perdido porque o significado que uma obra assume para
uma geração posterior é o resultado de uma série
completa de interpretações anteriores.
Arnold Hauser, Teorias da arte. Adaptado
MÓDULO 33 Sintaxe (III)
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Texto para as questões 4 e 5.
(Equilíbrio, Folha de S.Paulo, 21 mai 2013.)
4. (Fuvest) – No texto, empregam-se, de modo mais evidente, dois
recursos de intextualidade: um, o próprio autor o torna explícito; o outro
encontra-se em um dos trechos citados abaixo. Indique-o.
a) “Você é um horror!”
b) “E você, bêbado.”
c) “Ilusão sua: amanhã, de ressaca, vai olhar no espelho e ver o
alcoólatra machista de sempre.”
d) “Vai repetir o porre até perder os amigos, o emprego, a família e o
autorrespeito.”
e) “Perco a piada, mas não perco a ferroada!”
RESOLUÇÃO:
Além da nota (“Piada velha”), que remete a uma anedota conhecida, a fala
da personagem reproduzida na alternativa e tem teor intertextual, pois se
refere a um dito tradicional (“perder um amigo, mas não perder a piada”),
de que constitui uma variante ou mesmo uma inversão.
Resposta: E
5. (Fuvest) – A tirinha tematiza questões de gênero (masculino e
feminino), com base na oposição entre
a) permanência e transitoriedade.
b) sinceridade e hipocrisia.
c) complacência e intolerância.
d) compromisso e omissão.
e) ousadia e recato.
RESOLUÇÃO:
O que a personagem masculina afirma é que seu estado (a bebedeira) é
transitório, enquanto o da figura feminina (a feiura) é permanente. O que
a personagem feminina retruca é que, na verdade, o alcoolismo e suas
mazelas constituem um estado permanente. 
Resposta: A
Leia um trecho do artigo de Lira Neto para responder às questões de 6
a 8.
)
6. (Famerp-2018) – Segundo o jornalista, o telespectador típico
a) tem dificuldade para entender a Era Vargas.
b) é imaturo.
c) é capaz de entender qualquer explicação.
d) evita mudar de canal.
e) busca informações históricas ao acaso.
Resolução
Segundo o jornalista, o telespectador típico deve ser imaginado como
“alguém com a idade mental de 14 anos”, ainda que seja adulto.
Resposta: B
7. (Farmerp-2018) – A leitura do trecho permite afirmar que Lira
Neto
a) não pôde dizer aquilo que realmente pensava.
b) pensou em citar uma personagem de desenho animado.
c) imaginou que o repórter se parecia com Homer Simpson.
d) utilizou os filhos como parâmetro para o conteúdo de sua fala.
e) criou uma distância necessária com o telespectador.
RESOLUÇÃO
Lira Neto, desconsiderando a orientação, imaginou os próprios filhos como
interlocutores, pois a pater ni dade lhe ensinou a diferença entre “didatismo
e o discurso toleirão”.
Resposta: D
8. (Famerp-2018) – Para orientar sua fala na entrevista, Lira Neto
estabeleceu uma relação de equivalência entre:
a) idade mental e limites / pai e crianças.
b) reportagem e canal por assinatura / Era Vargas e conversa.
c) repórter e operador / telespectadore sujeito.
d) lata de cerveja e controle remoto / intervalo e filme.
e) didatismo e clareza / discurso toleirão e parvoíce.
RESOLUÇÃO
Há equivalência de sentido entre “didatismo” e “clareza”, “discurso
toleirão” e “parvoíce”.
Resposta: E
O BLOG DA MURIEL Laerte
VOCÊ
É UM
HORROR!
E VOCÊ,
BÊBADO.
É, MAS
AMANHÃ
EU TOU
BOM...*
* - PIADA VELHA.
ILUSÃO SUA: AMANHÃ,
DE RESSACA, VAI OLHAR
NO ESPELHO E VER O
ALCOÓLATRA MACHISTA DE
SEMPRE. VAI REPETIR O
PORRE ATÉ PERDER OS
AMIGOS, O EMPREGO, A
FAMÍLIA E O AUTORRESPEITO.
PERCO A PIADA,
MAS NÃO PERCO
A FERROADA!
[...] dia desses, uma equipe de reportagem de um canal por
assinatura veio até minha casa para me entrevistar sobre a Era
Vargas. O repórter que conduziria a conversa advertiu-me, antes de
o operador ligar a câmera: “Pense que nosso telespectador típico é
aquele sujeito esparramado no sofá, com uma lata de cerveja numa
mão e o controle remoto na outra, que esbarrou na nossa
reportagem por acaso, durante o intervalo de um filme de ação”,
detalhou. “É para esse cara que você vai falar; pense nele como
alguém com a idade mental de 14 anos.”
Sou cortês, mas tenho meus limites. Quase enxotei o colega
porta afora, aos pontapés. Respirei fundo e procurei ser didático,
sem me esforçar para parecer que estava falando com o Homer
Simpson postado ali do outro lado da lente. Afinal, como pai de
duas crianças, acredito que há uma enorme distância entre o
didatismo e o discurso toleirão, entre a clareza e a parvoíce.
(“A TV virou um dinossauro”. Folha de S.Paulo, 09.07.2017.
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Leia o trecho inicial do livro Corações sujos, de Fernando Morais, para
responder às questões de 9 a 12.
9. (Famema-2018) – Segundo o texto,
a) o anúncio de que o imperador era humano, e não divino, era uma
consequência previsível, para os japoneses, da rendição do Japão na
Segunda Guerra Mundial, anunciada pouco tempo antes.
b) o anúncio de que o imperador era humano, e não divino, fez mais
intensa a dor provocada, pouco tempo antes, pelo anúncio da
rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.
c) o anúncio da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial
aumentou o mal-estar da população japonesa causado pelo anúncio
de que o imperador era humano, e não divino.
d) o anúncio de que o imperador era humano, e não divino, funcionou,
para os japoneses, como preparativo para o anúncio da rendição do
Japão na Segunda Guerra Mundial.
e) o anúncio da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial
produziu, para a população japonesa, a desconfiança de que pouco
depois aconteceria o anúncio de que o imperador era humano, e não
divino.
RESOLUÇÃO
No texto, há várias referências à desmitificação da majestade do Japão,
Hiroíto, que foi obrigado, após a derrota na Segunda Guerra Mundial, a
anunciar ao povo de seu país que era “apenas um mortal, como qualquer
um dos 100 milhões de cidadãos japoneses”, não era uma divindade. Isso
tornou mais dolorosa a derrota japonesa, pois além de perder a guerra,
perdeu-se a crença num mito.
Resposta: B
10.(Famema-2018) – A ideia de “suportar o insuportável” 
(1.º parágrafo) está presente também
a) na revolta da população japonesa ao receber a declaração da
condição humana do imperador.
b) na escolha do dialeto keigo para declarar a condição humana do
imperador.
c) na informação de que a voz do imperador era rouca e arrastada
durante sua declaração.
d) na improvável crença dos japoneses, durante tanto tempo, na
condição sobre-humana do imperador.
e) no modo resignado como o imperador cumpriu a imposição de
declarar sua condição humana.
RESOLUÇÃO
A ideia de aguentar algo que extrapola o limite da paciência e do
conformismo (“suportar o insuportável, isto é, a rendição do Japão)
encontra correspondência no “modo resignado” com que Hiroíto obedeceu
ao que lhe foi imposto pelas forças aliadas que venceram a guerra: declarar
radiofonicamente que “era somente um homem, mortal como todos”,
aniquilando para os japoneses a crença da origem divina do imperador.
Resposta: E
11. (Famema-2018) – “Era a mesma voz que quatro meses antes se
dirigira aos japoneses, pela primeira vez em 5 mil anos de história do
país, para anunciar que havia chegado o momento de ‘suportar o
insuportável’ ” (1º parágrafo) 
O verbo destacado foi utilizado no pretérito mais-que-perfeito a fim
de indicar
a) um fato no passado, anterior a outro fato, também no passado.
b) uma dúvida do enunciador sobre a veracidade do fato no passado.
c) um fato que ocorreu reiteradamente, no passado.
d) uma ação cujos efeitos se estendem do passado ao presente.
e) uma verdade universalmente aceita, no passado.
RESOLUÇÃO
A forma verbal “dirigida” está no pretérito mais-que-perfeito do Modo
Indicativo, tempo empregado para indicar ação no passado, anterior a
outra ação no passado (“Era”).
Resposta: A
12.(Famema-2018) – “O temido Exército Imperial do Japão, que em
inacreditáveis 2600 anos de guerras jamais sofrera uma única derrota,
tinha sido aniquilado pelos Aliados.” (3.o parágrafo)
A oração destacada é uma oração subordinada
a) adverbial comparativa. b) adjetiva restritiva.
c) adjetiva explicativa. d) adverbial temporal.
e) substantiva objetiva direta.
RESOLUÇÃO
A oração introduzida pelo pronome relativo “que” é subordinada adjetiva
explicativa, uma vez que explica a expressão anterior “Exército Imperial do
Japão”.
Resposta: C
A voz rouca e arrastada parecia vir de outro mundo. Eram
pontualmente nove horas da manhã do dia 1.o de janeiro de 1946
quando ela soou nos alto-falantes dos rádios de todo o Japão. A
pronúncia das primeiras sílabas foi suficiente para que 100 milhões
de pessoas identificassem quem falava. Era a mesma voz que
quatro meses antes se dirigira aos japoneses, pela primeira vez em
5 mil anos de história do país, para anunciar que havia chegado o
momento de “suportar o insuportável”: a rendição do Japão às
forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. Mas agora o dono da
voz, Sua Majestade o imperador Hiroíto, tinha revelações ainda
mais espantosas a fazer a seus súditos. Embora ele falasse em keigo
− uma forma arcaica do idioma, reservada aos Filhos dos Céus e
repleta de expressões chinesas que nem todos compreendiam bem
−, todos entenderam o que Hiroíto dizia: ao contrário do que os
japoneses acreditavam desde tempos imemoriais, ele não era uma
divindade. O imperador leu uma declaração de poucas linhas,
escrita de próprio punho. Aquela era mais uma imposição dos
vencedores da guerra. Entre as exigências feitas pelos Aliados para
que ele permanecesse no trono, estava a “Declaração da Condição
Humana”. Ou seja, a renúncia pública à divindade, que naquele
momento Hiroíto cumpria resignado:
“Os laços que nos unem a vós, nossos súditos, não são o
resultado da mitologia ou de lendas. Não se baseiam jamais no falso
conceito de que o imperador é deus ou qualquer outra divindade
viva.”
Petrificados, milhões de japoneses tomaram consciência da
verdade que ninguém jamais imaginara ouvir: diferentemente do
que lhes fora ensinado nas escolas e nos templos xintoístas, Hiroíto
reconhecia que era filho de dois seres humanos, o imperador Taisho
e a imperatriz Sadako, e não um descendente de Amaterasu
Omikami, a deusa do Sol. Foi como se tivessem jogado sal na ferida
que a rendição, ocorrida em agosto do ano anterior, havia aberto
na alma dos japoneses. O temido Exército Imperial do Japão, que
em inacreditáveis 2600 anos de guerras jamais sofrera uma única
derrota, tinha sido aniquilado pelos Aliados. O novo xogum, o
chefe supremo de todos os japoneses, agora era um gaijin, um
estrangeiro, o general americano Douglas MacArthur, a quem eram
obrigados a se referir, respeitosamente, como Maca-san, o “senhor
Mac”. Como se não bastasse tamanho padecimento, o Japão
descobria que o imperador Hiroíto era apenasum mortal, como
qualquer um dos demais 100 milhões de cidadãos japoneses.
(Corações sujos, 2000.)
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Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987), para responder às questões de 01 a 09.
1. (Unifesp-2018) – De acordo com a crônica, o filho recebeu o
telegrama do pai no dia
a) 28 de setembro.
b) 29 de setembro.
c) 2 de outubro.
d) 4 de outubro.
e) 3 de outubro.
RESOLUÇÃO
Segundo a crônica, ao ler o telegrama que lhe pedia para não sair de casa
no dia 3 de outubro, o filho deu-se conta de que deveria cancelar uma série
de com promissos marcados “para o dia seguinte”. Recebeu, portanto, o
telegrama no dia 2 de outubro.
Resposta: C
Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:
“Não saia casa 3 outubro abraços”.
O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho
avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de
setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco
dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma
revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã,
veja só; o pai nem tomara o mingau com broa, precipitara-se na
agência para expedir a mensagem.
Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia
seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir
em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha, mas a voz de d.
Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e
jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita,
durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não
era de empregado da casa; insistira: “como é?”, e a ligação foi
dificultosa, havia besouros na linha. Falou rapidamente a diversas
pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias,
teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1,
disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e
arrematou: “Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na
portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato
de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro
fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar
um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou
qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e
sapato bicolor, confabulando a pequena distância. Foi saindo de
mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com
o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma.
O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada
quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia
Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos cantos.
Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes
passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes
chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente
na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.
Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia
nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em
quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”, ou ficava
mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e
estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem
bichos. Deliberou deitar-se, embora a noite apenas começasse.
Releu o telegrama, apagou a luz. 
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã.
Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social.
“Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão
cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é
já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem
polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a
postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-
lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de
bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? 
E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?”
“Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que
anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em
código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja
logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a
epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os
cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de
penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E
os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu.
“Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no
bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É
cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem
coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso
que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país,
gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas
ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga
depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou
horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou:
“O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter
sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que
me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e
telegrafou prevenindo. Juro!”
Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se
confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.
(70 historinhas, 2016.)
1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras
iniciais da epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói
Eneias).
MÓDULO 44 Sintaxe (IV)
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2. (Unifesp-2018) – Em relação ao sonho do pai, a reação do filho é de
a) desconfiança.
b) apatia.
c) perplexidade.
d) desdém.
e) respeito.
RESOLUÇÃO
O filho respeitou o aviso paterno, uma vez que pensou “não havia tempo a
perder” e passou a cancelar seus compromissos.
Resposta: e
3. (Unifesp-2018) – Depreende-se da crônica que o telegrama
demorou a chegar
a) porque ficou retido na delegacia de polícia.
b) por conta de um sonho premonitório.
c) porque uma revolta popular estava em curso.
d) por conta da lentidão do serviço dos telégrafos.
e) porque um golpe militar estava em andamento.
RESOLUÇÃO
O telegrama demorou a ser recebido, pois ficara retido na delegacia de
polícia, uma vez que desconfiaram de que se tratava de uma ameaça à
segurança pública, não uma inocente mensagem de pai para filho. Isso fica
explícito em “‘Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de
Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah,
então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?’”
Resposta: A
4. (Unifesp-2018) – O chamado discurso indireto livre constitui uma
construção em que a voz do personagem se mescla à voz do narrador.
Verifica-se a ocorrência de discurso indireto livre em:
a) “Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir
o ‘pois não’ melodioso de d. Anita, durante o dia.” (3.° parágrafo)
b) “E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau
com broa, precipitara-se na agência para expedir a mensagem.”
(2.° parágrafo)
c) “Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor,
confabulando a pequena distância.” (3.° parágrafo) 
d) “Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone
chamava: ‘Desculpe, é engano’, ou ficava mudo, sem desligar.” 
(4.° parágrafo)
e) “‘O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do
que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar
que está alheio ao golpe?’” (5.° parágrafo)
RESOLUÇÃO
A crônica é narrada em 3.a pessoa por um narrador onisciente que, no meio
do seu discurso, insere o pensamento da personagem sem verbos de
locução, sem aspas nem dois-pontos.
Resposta: B
5. (Unifesp-2018) – Metonímia: figura de retórica que consiste no uso
de uma palavra forado seu contexto semântico normal, por ter uma
significação que tenha relação objetiva, de contiguidade [vizinhança,
proximidade], material ou conceitual, com o conteúdo ou o referente
ocasionalmente pensado.
(Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 2009.)
Verifica-se a ocorrência de metonímia no trecho:
a) “‘São unidades de penicilina que um colega tomou para uma
infecção no ouvido.’” (5.° parágrafo)
b) “Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: ‘Passe de
largo’;” (3.° parágrafo)
c) “Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa.” 
(3.° parágrafo)
d) “Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de
Garanhuns a Belo Horizonte!” (2.° parágrafo)
e) “Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a
camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos.” 
(4.° parágrafo)
RESOLUÇÃO
A expressão “baioneta em riste” é uma metonímia que se refere à parte
(“baioneta”) pelo todo (soldado).
Resposta: B
6. (Unifesp-2018) – Estão empregados em sentido figurado os termos
destacados nos trechos:
a) “As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua.” 
(3.° parágrafo) e “E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era
difícil?” (5.° parágrafo).
b) “As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua.” 
(3.° parágrafo) e “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar
hoje.” (5.° parágrafo).
c) “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” 
(5.° parágrafo) e “Acordou assustado, com golpes na porta.” 
(5.° parágrafo).
d) “E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” 
(5.° parágrafo) e “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar
hoje.” (5.° parágrafo).
e) “[...] a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.” 
(3.° parágrafo) e “E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era
difícil?” (5.° parágrafo).
RESOLUÇÃO
As palavras destacadas não estão empregadas em seu sentido literal, uma
vez que as manchetes não são de fato sombrias, mas pessimistas ou
alarmantes, e o “troço” (a ameaça de golpe) não estouraria, mas sim
aconteceria subitamente.
Resposta: B
7. (Unifesp-2018) –
• “A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. 
‘O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo’ – disse-lhe o
chefe.” (5.° parágrafo)
• “‘E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?’ Emudeceu.
‘Diga, vamos!’ ‘Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no
bolso.’” (5.° parágrafo)
No contexto em que se inserem, as palavras “bonitinho” e “versinhos”
exprimem, respectivamente,
a) afetividade e antipatia.
b) vulgaridade e sarcasmo.
c) desprezo e indiferença.
d) advertência e modéstia.
e) irritação e delicadeza.
RESOLUÇÃO
No primeiro segmento, o adjetivo no diminutivo (“bo nitinho”) foi
empregado pelo chefe da polícia e por isso soa ameaçador. No segundo
segmento, o substan tivo no diminutivo (“versinhos”) é empregado para
demonstrar “modéstia”, despretensão.
Resposta: D
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8. (Unifesp-2018) – “Deliberou deitar-se, embora a noite apenas
começasse.” (4.° parágrafo)
Em relação à oração anterior, a oração destacada exprime ideia de
a) causa.
b) condição.
c) concessão.
d) consequência.
e) conclusão.
RESOLUÇÃO
A oração iniciada pela conjunção subordinativa estabelece relação de
concessão ou ressalva com a oração que a antecede.
Resposta: C
9. (Unifesp-2018) – “Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a
uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de
escandir as sílabas de arma virumque cano” (3.° parágrafo)
Os termos em destaque constituem, respectivamente,
a) uma preposição, uma preposição e um artigo.
b) um pronome, uma preposição e um artigo.
c) um artigo, um artigo e um pronome.
d) uma preposição, um artigo, um artigo.
e) um pronome, uma preposição e um pronome.
RESOLUÇÃO
No trecho “fala rapidamente a diversas pessoas”, “a” é a preposição exigida
pelo verbo falar, similar a “aludir a uma ponte”, na qual o verbo aludir
também rege a preposição “a”. Já em “teve oportunidade de escandir as
sílabas”, “as” é artigo definido feminino plural, determinando o
substantivo “sílabas”.
Resposta: A
Leia o texto de Yuval Noah Harari para responder às questões de 10 a
12.
10.(Famema-2018) – Segundo os céticos, os ratos
a) respondem aleatoriamente aos estímulos externos, não havendo
correspondência entre seu comportamento e o comportamento
humano nas mesmas situações.
b) optam por um comportamento que evite problemas sociais em
eventuais relações futuras com outros indivíduos.
c) fazem suas escolhas motivados pelo interesse coletivo, ainda que
escolhas egoístas pudessem beneficiá-los individualmente.
d) agem por motivações egoístas, buscando aumentar as sensações
agradáveis e diminuir as desagradáveis.
e) preferem um comportamento que parece solidário, mas que na
verdade concretiza uma intenção de agredir outros indivíduos.
RESOLUÇÃO
Segundo o texto, os céticos acreditam que os ratos livres libertam os
prisioneiros, não porque sintam empatia pelo outro, mas porque querem se
livrar dos “incomodativos sinais de estresse” do companheiro preso.
Resposta: D
11. (Famema-2018) – “Os ratos seriam motivados pelas sensações
desa gra dá veis que sentem” (2.º parágrafo) Assinale a alternativa que
expressa, na voz ativa, o conteúdo dessa oração.
a) As sensações desagradáveis que sentem motivam os ratos.
b) As sensações desagradáveis que sentem motivariam os ratos.
c) As sensações desagradáveis que sentem motivaram aos ratos.
d) Os ratos são motivados pelas sensações desagradáveis que sentem.
e) Os ratos teriam sido motivados pelas sensações desagradáveis que
sentem.
RESOLUÇÃO
Os ratos querem livrar-se do incômodo que sentem com o estresse do
companheiro preso.
Resposta: B
12.(Famema-2018) – Assinale a alternativa em que a oração
subordinada indica uma finalidade.
a) Mesmo que tivesse dado dinheiro ao mendigo, não teria evitado as
sensações desagradáveis que sua presença me provocava.
b) Dei dinheiro ao mendigo porque isso evitaria as sensações
desagradáveis que sua presença me provocava.
c) Assim que dei dinheiro ao mendigo, evitei as sensações
desagradáveis que sua presença me provocava.
d) Caso tivesse dado dinheiro ao mendigo, teria evitado as sensações
desagradáveis que sua presença me provocava.
e) Dei dinheiro ao mendigo para evitar as sensações desagradáveis
que sua presença me provocava.
RESOLUÇÃO
A preposição “para” introduz uma oração adverbial que indica a finalidade
de se dar esmolas.
Resposta: E
Em 2010, cientistas realizaram um experimento especialmente
tocante com ratos. Eles trancaram um rato numa gaiola minúscula,
colocaram-na dentro de um compartimento maior e deixaram que
outro rato vagasse livremente por esse compartimento. O rato
engaiolado demonstrou sinais de estresse, o que fez com que o rato
solto também demonstrasse sinais de ansiedade e estresse. Na
maioria dos casos, o rato solto tentava ajudar seu companheiro
aprisionado e, depois de várias tentativas, conseguia abrir a gaiola
e libertar o prisioneiro. Os pesquisadores repetiram o experimento,
dessa vez pondo um chocolate no compartimento. O rato livre
tinha de escolher entre libertar o prisioneiro e ficar com o
chocolate só para ele. Muitos ratos preferiram primeiro soltar o
companheiro e dividir o chocolate (embora uns poucos tenham
mostrado mais egoísmo, provando com isso que alguns ratos são
mais maldosos que outros).
Os céticos descartaram essas conclusões, alegando que o rato
livre liberta o prisioneiro não por ser movido por empatia, mas
simplesmente para parar com os incomo da tivos sinais de estresse
apresentados pelo companheiro. Os ratos seriam motivados pelas
sensações desagradáveis que sentem e não buscam nada além de
exterminá-las. Pode ser. Mas poderíamos dizer o mesmo sobre nós,
humanos. Quando dou dinheiroa um mendigo, estou reagindo às
sensações desagradáveis que sua visão provoca em mim?
Realmente me importo com ele, ou só quero me sentir melhor?
Na essência, nós humanos não somos diferentes de ratos,
golfinhos ou chimpanzés. Como eles, tampouco temos alma.
Como nós, eles também têm consciência e um complexo mundo
de sensações e emoções. É claro que todo animal tem traços e
talentos exclusivos. Os humanos têm suas aptidões especiais. Não
deveríamos humanizar os animais desnecessariamente, imagi -
nando que são apenas uma versão mais peluda de nós mesmos.
Isso não só configura uma ciência ruim, como igualmente nos
impede de compreender e valorizar outros animais em seus
próprios termos.
(Homo Deus, 2016.)
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Leia o soneto “Aquela triste e leda madrugada”, do poeta português
Luís de Camões (1525?-1580), para responder aos testes 1 e 2. 
1. (UNIFESP-SP-2018) – O pronome “Ela”, que se repete no início
de três estrofes, refere-se a
a) “piedade”.
b) “mágoa”.
c) “saudade”.
d) “claridade”.
e) “madrugada”.
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2018] O pronome “ela” retoma o termo “madrugada”,
expresso no primeiro verso do soneto.
Resposta: E
2. (UNIFESP-SP-2018) – Observa-se a elipse (supressão) do termo
“vontade” no verso:
a) “viu apartar-se de uma outra vontade” (2.a estrofe)
b) “cheia toda de mágoa e de piedade” (1.a estrofe)
c) “quero que seja sempre celebrada” (1.a estrofe)
d) “Ela só viu as lágrimas em fio” (3.a estrofe)
e) “que puderam tornar o fogo frio” (4.a estrofe)
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2018] No verso apresentado na alternativa a, há elipse do
primeiro emprego da palavra “vontade”: “viu apartar-se de uma [vontade]
outra vontade”.
Resposta: A
Texto para os testes 3 e 4.
3. (UEA-AM) – Considerando o contexto, uma interpretação correta
para o trecho “Acalmou o vento, cai o pó, e onde o vento parou, ali
fica, ou dentro de casa, ou na rua, ou em cima de um telhado, ou no
mar; ou no rio, ou no monte, ou na campanha” é:
a) a hora justa de morrer é quando o indivíduo já produziu seus frutos
e descansa calmamente.
b) o homem não pode escapar à morte, pois ela o encontra onde quer
que ele esteja.
c) independentemente da classe social, os homens têm os mesmos
vícios e virtudes.
d) comportando-se de modo adequado, as pessoas poderão prever o
local de sua morte.
e) deve-se buscar uma vida calma e contemplativa, uma vez que o
trabalho é inútil.
RESOLUÇÃO:
Resposta: B
4. (UEA-AM) – Visando ampliar a adesão do interlocutor a seu dis -
curso, como estratégia argumentativa, Vieira recorre ao emprego de
a) vocábulos estrangeiros e expressões onomatopaicas.
b) inversões sintáticas e pronomes pessoais indefinidos.
c) advérbios de intensidade e verbos no modo imperativo.
d) perguntas retóricas e pronomes na primeira pessoa do plural.
e) expressões nominais com valor de vocativo e citações de filósofos.
RESOLUÇÃO:
Resposta: D
Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.
Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de uma outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.
Ela só viu as lágrimas em fio
que, de uns e de outros olhos derivadas,
se acrescentaram em grande e largo rio.
Ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas.
(Sonetos, 2001)
Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos
distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos os vivos dos
mortos, assim como se distingue o pó do pó. Os vivos são pó
levantado, os mortos são pó caído: os vivos são pó que anda, os
mortos são pó que jaz: Hic jacet [Aqui jaz]. Estão essas praças no
verão cobertas de pó; dá um pé de vento, levanta-se o pó no ar, e
que faz? O que fazem os vivos, e muitos vivos. Não aquieta o pó,
nem pode estar quedo: anda, corre, voa, entra por esta rua, sai
por aquela; já vai adiante, já torna atrás; tudo enche, tudo cobre,
tudo envolve, tudo perturba, tudo cega, tudo penetra, em tudo e
por tudo se mete, sem aquietar, nem sossegar um momento,
enquanto o vento dura. Acalmou o vento, cai o pó, e onde o vento
parou, ali fica, ou dentro de casa, ou na rua, ou em cima de um
telhado, ou no mar; ou no rio, ou no monte, ou na campanha. Não
é assim? Assim é. E que pó, e que vento é este? O pó somos nós:
Quia pulvis es [Que és pó]; o vento é a nossa vida: Quia ventus
es vita mea [Lembra-te que minha vida é sopro] (Jó 7,7). Deu o
vento, levantou-se o pó; parou o vento, caiu. Deu o vento, eis o pó
levantado: esses são os vivos. Parou o vento, eis o pó caído: esses
são os mortos. Os vivos pó, os mortos pó; os vivos pó levantado,
os mortos pó caído; os vivos pó com vento, e por isso vãos; os
mortos pó sem vento, e por isso sem vaidade. Esta é a distinção,
e não há outra.
(Padre Antônio Vieira,
Sermão de Quarta-Feira de Cinzas)
MÓDULO 55 Literatura e Análise de Textos Literários – I
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Leia o soneto “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”, do poeta
Gregório de Matos (1636-1696), para responder aos testes 5 e 6.
5. (UNESP-2018) – O soneto de Gregório de Matos aproxima-se
tematicamente da citação:
a) “Nada é duradouro como a mudança.” (Ludwig Börne, 1786-1837)
b) “Não se deve indagar sobre tudo: é melhor que muitas coisas
permaneçam ocultas.” (Sófocles, 496-406 a.C.)
c) “Nada é mais forte que o hábito.” (Ovídio, 43 a.C.-17 d.C.)
d) “A estrada do excesso conduz ao palácio da sabedoria.” (William
Blake, 1757-1827)
e) “Todos julgam segundo a aparência, ninguém segundo a essência.”
(Friedrich Schiller, 1759-1805)
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] O soneto de Gregório de Matos tem como tema a
inconstância como regra geral na natureza e na condição humana. Esse
mesmo tema aparece em “Nada é duradouro como a mudança”.
Resposta: A
6. (UNESP-2018) – A exemplo do verso “A firmeza somente na
inconstância” (4.a estrofe), verifica-se a quebra da lógica em:
a) “Mas no Sol e na Luz falte a firmeza” (3.a estrofe)
b) “Se é tão formosa a Luz, por que não dura?” (2.a estrofe)
c) “Depois da Luz se segue a noite escura” (1.a estrofe)
d) “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia” (1.a estrofe)
e) “E na alegria sinta-se tristeza.” (3.a estrofe)
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] Ocorre “quebra da lógica” em “E na alegria 
sinta-se tristeza”. Nota-se no verso a concomitância de ideias que se opõem,
isto é, de paradoxo, figura de pensamento recorrente na escola barroca, na
qual se insere a poesia de Gregório de Matos.
Resposta: E
Leia o soneto XLVI, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), para
responder aos testes 7 e 8.
7. (UNESP) – O tom predominante no soneto é de
a) resignação.
b) nostalgia.
c) apatia.
d) ingenuidade.
e) inquietude.
RESOLUÇÃO:
Embora o soneto seja de um autor árcade, não há no texto o equilíbrio
emocional da maioria dos poemas dessa escola. Nota-se a inquietude de
quem ama, como explicita a passagem no fecho do poema: “Mas fora
menos mal esta ânsia minha”. Esse desequilíbrio emocional mostra não só
a influência da poética camoniana, como também a da barroca nos textos
de Cláudio Manuel da Costa.
Resposta: E
8. (UNESP) – No soneto, o menino e a avezinha, mencionados na
primeira estrofe, são comparados, respectivamente,
a) ao eu lírico e a Lise.
b) a Lise e ao eu lírico.
c) ao desatino e ao eu lírico.
d) ao desatino e à liberdade.
e) a Lise e à liberdade.
RESOLUÇÃO:
[UNESP] O menino e a avezinha são, respectivamente, comparados a Lise,
a dominadora, e ao eu lírico, aprisionado amorosamente pela musa.
Resposta: B
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol,por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
(Poemas Escolhidos)
Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço
Deixa-a fugir, mas apertando o laço
A condena outra vez ao seu destino.
Nessa mesma figura, eu imagino
Tens minha liberdade, pois, ao passo
Que cuido que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.
Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.
Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.
(Domício Proença Filho (org),
A Poesia dos Inconfidentes, 1996)
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1. (UNICAMP-SP) – Sabe-se que Coração, Cabeça e Estômago é
uma obra atípica na produção ficcional de Camilo Castelo Branco. Em
relação a essa obra, assinale a alternativa em que todas as
características listadas são corretas.
a) Inclusão da edição do livro como parte do jogo narrativo; sátira da
poesia e das motivações espirituais; caracterização do herói como
alguém incapaz de amar.
b) Paródia da vida romântica e natural; espiritualização das
necessi dades do corpo; transformação do herói ao longo da
narrativa.
c) Descrição da formação do indivíduo; caricatura dos valores e
sentimentos românticos; impossibilidade de adaptação do herói à
vida social.
d) Caricatura das questões relacionadas ao espírito e à posição social;
elogio irônico das motivações fisiológicas; ridicularização do herói.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2017] Em Coração, Cabeça e Estômago, Camilo Castelo
Branco constrói uma narrativa que rompe com os padrões dos folhetins
românticos, por meio de forte crítica ao sentimentalismo, apresentando a
trajetória de Silvestre da Silva em sua busca por conquistas amorosas,
sociais, financeiras e intelectuais. A ironia, recurso frequentemente
empregado pelo autor, percorre o romance, rebaixando personagens,
instituições sociais e religiosas, comportamentos sentimentais, atividades
jornalísticas e políticas, culminando no interesse exclusivo da personagem
central de se dedicar aos prazeres do estômago, perpetuação única da
felicidade e paz de espírito de Silvestre da Silva.
Resposta: D
2. Obra contemporânea das novelas sentimentais do século XIX,
Coração, Cabeça e Estômago, de Camilo Castelo Branco, registra um
quadro da vida portuguesa dirigida pela sordidez, pela ambição e pelos
prazeres sexuais e ligados à comida, em que as personagens vivem na
ânsia de uma vida social rica e falsa, disfarçada por nobres intenções.
Sobre essa obra, é correto afirmar:
I. aborda ironicamente uma personagem pretensiosa.
II. apresenta o adultério e a sedução revestidos de tom galhofeiro.
III.traz a história de Silvestre da Silva, publicada por um amigo editor
para saldar as dívidas do genial Silvestre.
IV. inclui um editor que se abstém de tecer comentários sobre o texto
de Silvestre da Silva.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas I, II e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
RESOLUÇÃO:
O editor não vai pagar os credores do amigo falecido, nem se abstém de
tecer comentários sobre o texto de Silvestre da Silva (o editor não só
comenta o texto, como o faz de maneira depreciativa).
Resposta: A
3. Relacione as informações às personagens femininas do romance
Coração, Cabeça e Estômago e, depois, assinale a alternativa
correspondente:
1 – Leontina
2 – Margarida
3 – Dona Martinha
4 – Tupinoyoyo
5 – Mademoiselle Elise de La Salette
( ) Mulher que enganou Silvestre Silva numa rede de mentiras,
ocultando seu passado promíscuo.
( ) Viúva de 35 anos, proprietária do hotel.
( ) Mestiça que se envolveu fortuitamente com o personagem central.
( ) Órfã, viveu da caridade de um ourives, amigo de seu falecido pai.
( ) Vizinha que teve uma relação fugaz com Silvestre.
a) 1 – 2 – 3 – 4 – 5 b) 2 – 4 – 5 – 3 – 1
c) 3 – 1 – 2 – 5 – 4 d) 4 – 5 – 1 – 2 – 3
e) 5 – 3 – 4 – 1 – 2
RESOLUÇÃO: 
5 – 3 – 4 – 1 – 2
Resposta: E
Texto para os testes 4 e 5.
4. (FUVEST-SP) – Atente para as seguintes afirmações, extraídas e
adaptadas de um estudo do crítico Augusto Meyer sobre José de
Alencar:
I. “Nesta obra, assim como nos ‘poemas americanos’ dos nossos
poetas, palpita um sentimento sincero de distância poética e
exotismo, de coisa notável por estranha para nós, embora a
rotulemos como nativa.”
II. “Mais do que diante de um relato, estamos diante de um poema,
cujo conteúdo se concentra a cada passo na magia do ritmo e na
graça da imagem.”
III.“O tema do bom selvagem foi, neste caso, aproveitado para um
romance histórico, que reproduz o enredo típico das narrativas de
capa e espada, oriundas da novela de cavalaria.”
Nasceu o dia e expirou.
Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da
noite. Correm lentas e silenciosas, no azul do céu, as estrelas,
filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente. Martim se
embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade
oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos
castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes
amores.
Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos
negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e
lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí,
fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se
debruça enfim sobre o peito do guerreiro.
(José de Alencar, Iracema)
MÓDULO 66 Literatura e Análise de Textos Literários – II
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É compatível com o trecho de Iracema aqui reproduzido, considerado
no contexto dessa obra, o que se afirma em
a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2017] Iracema é integrante da literatura indianista brasileira,
que tem o indígena como elemento nativo e, portanto, símbolo de nossa
identidade nacional. No entanto, o selvagem é apresentado como
pertencente a um povo extinto e, pois, distante do contexto social a que
pertencia o leitor romântico. A consequência desse processo ficcional é a
construção de um texto no qual prevalece a “distância poética e exotismo”,
o que valida a afirmação I. Além disso, o projeto inicial de Alencar na
criação desse romance era apresentá-lo na forma de poesia. Ainda que
tenha desistido dessa empreitada, o autor manteve no livro marcas típicas
da linguagem poética, como ritmo, musicalidade e amplo emprego de
comparações e metáforas. Confirma-se, dessa forma, a afirmação II. Por
fim, deve-se lembrar que Iracema não apresenta um típico enredo de capa
e espada, pois não possui uma narrativa de valentia e peripécias. Na
verdade, é uma mistura de lenda com história de amor, o que desqualifica
a afirmação III.
Resposta: C
5. (FUVEST-SP) – No texto, corresponde a uma das convenções com
que o Indianismo construía suas representações do indígena
a) o emprego de sugestões de cunho mitológico compatíveis com o
contexto.
b) a caracterização da mulher como um ser dócil e desprovido de
vontade própria.
c) a ênfase na efemeridade da vida humana sob os trópicos.
d) o uso de vocabulário primitivo e singelo, de extração oral-popular.
e) a supressão de interdições morais relativas às práticas eróticas.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2017] No indianismo de José de Alencar e de Gonçalves Dias,
há sugestões míticas, revistas no contexto nacionalistado Romantismo,
escola que procurava exaltar o indígena e o colonizador, entendidos, na
óptica dessa vertente, como formadores do povo brasileiro.
Resposta: A
Leia o trecho de Machado de Assis sobre Iracema, de José de Alencar,
e responda ao que se pede.
6. (FUVEST-SP) – No trecho, os espaços pontilhados serão
corretamente preenchidos, respectivamente, pelos nomes das seguintes
personagens de Iracema:
a) Caubi, Jacaúna, Araquém, Araquém, Martim.
b) Martim, Irapuã, Poti, Caubi, Martim.
c) Poti, Araquém, Japi, Martim, Japi.
d) Araquém, Caubi, Irapuã, Irapuã, Poti.
e) Irapuã, Araquém, Poti, Poti, Martim.
RESOLUÇÃO:
As caracterizações do texto de Machado de Assis referem-se,
evidentemente, às personagens enumeradas na alternativa e, sendo Irapuã
o pretendente ciumento de Iracema, Araquém o velho e sábio pajé, e Poti
o amigo fiel de Martim.
Resposta: E
Texto para o teste 7.
7. (ALBERT EINSTEIN-SP-2018) – O trecho transcrito integra o
romance Iracema, de José de Alencar. Dele não se pode afirmar que 
a) revela o arrefecimento das emoções da personagem, acometida por
um sentimento que a distancia das ações cotidianas de seu grupo.
b) indicia a duração e a passagem do tempo, marcadas por fenômeno
da natureza.
c) revela mudança dos humores causada pelo sentimento de saudade
por um bem antigo e distante.
d) caracteriza um texto cuja linguagem se marca pela função emotiva,
já que trata dos sentimentos da personagem.
RESOLUÇÃO:
[ALBERT EINSTEIN-SP-2018] No excerto, em que o narrador capta as
sensações íntimas de Martim, há expressividade da linguagem, com recurso
à alegoria, a cronologia baseada nos elementos naturais, às comparações ou
símiles e à sonoridade. Esses recursos expressivos caracterizam a função
poética. A função emotiva da linguagem caracteriza-se pelo foco no emissor
da mensagem e nas emoções desse emissor.
Resposta: D
....... é o ciúme e o valor marcial; ....... a austera sabedoria dos
anos; Iracema o amor. No meio destes caracteres distintos e
animados, a amizade é simbolizada em ....... . Entre os indígenas
a amizade não era este sentimento que, à força de civilizar-se,
tornou-se raro; nascia da simpatia das almas, avivava-se com o
perigo, repousava na abnegação recíproca; ....... e ....... são os
dois amigos da lenda, votados à mútua estima e ao mútuo
sacrifício.
(Machado de Assis, Crítica)
A alegria ainda morou na cabana, todo o tempo que as espigas
de milho levaram para amarelecer.
Uma alvorada, caminhava o cristão pela borda do mar. Sua
alma estava cansada. O colibri sacia-se de mel e perfume; depois
adormece em seu branco ninho de cotão, até que volta no outro
ano a lua das flores. Como o colibri, a alma do guerreiro também
satura-se de felicidade, e carece de sono e repouso.
A caça e as excursões pelas montanhas em companhia do
amigo, as carícias da terna esposa que o esperavam na volta, e o
doce carbeto no copiar da cabana, já não acordavam nele as
emoções de outrora. Seu coração ressonava.
Quando Iracema brincava pela praia, os olhos do guerreiro
retiravam-se dela para se estenderem pela imensidade dos mares.
Viram umas asas brancas, que adejavam pelos campos azuis.
Conheceu o cristão que era uma grande igara de muitas velas,
como construíam seus irmãos; e a saudade da pátria apertou-lhe
no seio.
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Texto para os testes de 1 a 3. 1. Em A Relíquia, de Eça de Queirós, Teodorico Raposo vive como
sobrinho agregado à casa de sua Tia Patrocínio, católica fervorosa,
megera que não admite relaxações. Considerando-se as práticas
católicas, o “bacalhau das sextas-feiras”, citado pelo narrador,
corresponde, na passagem,
a) à obediência cristã, por parte de Teodorico, aos rituais de jejum
católicos sem os questionar, acompanhando sua tia.
b) a um sacrifício necessário, já que Teodorico não se considera
bastante purificado, alimentando-se então apenas de “um copo de
água e (...) uma côdea de pão” nas Sextas-Feiras Santas.
c) à ironia do narrador, uma vez que, logo depois de fingir sua beatice
para a Tia Patrocínio, regala-se com muita carne na casa da amante,
Adélia.
d) ao temor dos castigos divinos que poderiam decorrer de possíveis
desobediências ao jejum da Sexta-Feira Santa.
e) à necessidade do jejum por parte de Teodorico para purgar os
pecados que comete por ser amante de Adélia e omitir esse fato da
tia Patrocínio.
RESOLUÇÃO:
O cinismo e a hipocrisia são muito evidentes. Teodorico jejua, na 
Sexta-Feira Santa, na frente da tia, mas farta-se com muita comida, até
mesmo carne vermelha, quando vai à noite à casa da amante, Adélia.
Resposta: C
2. Considerando-se a passagem, bem como o romance A Relíquia
integralmente, assinale a alternativa que apresenta um comportamento
relatado por Teodorico Raposo que seria recriminado por sua tia
Patrocínio:
a) “No meu guarda-roupa, nesse duro inverno, houve apenas um
paletó velho.”
b) “Sobre a cômoda ardia uma lamparina perenal, diante da litografia
colorida de Nossa Senhora do Patrocínio.”
c) “Nas paredes dependurei as imagens dos santos mais excelsos,
como galeria de antepassados espirituais.”
d) “Havia dias em que, sem repousar, correndo pelas ruas, esbaforido,
eu ia à missa das sete a Santana, e à missa das nove da Igreja de São
José, e à missa do meio-dia na ermida da Oliveirinha.”
e) “À noite, em casa da Adélia, estava tão derreado, mono e mole ao
canto do sofá, que ela atirava-me murros pelos ombros.”
RESOLUÇÃO:
Adélia é amante de Teodorico e, na passagem, a irritação dela decorre do
fato de Raposo não ter disposição para atividades sexuais, pois encontra-se
cansado fisicamente por causa das peregrinações às diversas igrejas.
Resposta: E
Corrigi então a minha devoção e tornei-a perfeita. Pensando
que o bacalhau das sextas-feiras não fosse uma suficiente
mortificação, nesses dias, diante da Titi, bebia asceticamente um
copo de água e trincava uma côdea de pão; o bacalhau comia-o à
noite, de cebolada, com bifes à inglesa, em casa da minha Adélia.
No meu guarda-roupa, nesse duro inverno, houve apenas um
paletó velho, tão renunciado me quis mostrar aos culpados
regalos da carne; mas orgulhava-me de ter lá, purificando os
cheviotes profanos, a minha opa roxa de irmão do Senhor dos
Passos, e o devoto hábito cinzento da Ordem Terceira de São
Francisco. Sobre a cômoda ardia uma lamparina perenal, diante
da litografia colorida de Nossa Senhora do Patrocínio; eu punha
todos os dias rosas dentro de um copo, para lhe perfumar o ar
em redor; e a titi, quando vinha remexer nas minhas gavetas,
ficava a olhar a sua padroeira, desvanecida, sem saber se era à
Virgem, ou se era a ela, indiretamente, que eu dedicava aquele
preito da luz e o louvor dos aromas. Nas paredes dependurei as
imagens dos santos mais excelsos, como galeria de antepassados
espirituais, de quem tirava o constante exemplo nas difíceis
virtudes; mas não houve de resto no céu, santo, por mais obscuro,
a quem eu não ofertasse um cheiroso ramalhete de Padre-Nossos
em flor. Fui eu que fiz conhecer à titi São Telésforo, Santa
Secundina, o beato Antônio Estroncônio, Santa Restituta, Santa
Umbelina, irmã do grão São Bernardo, e a nossa dileta e
suavíssima patrícia Santa Basilissa, que é solenizada juntamente
com São Hipácio, nesse festivo dia de agosto em que embarcam
os círios para a Atalaia. 
(...)
Havia dias em que, sem repousar, correndo pelas ruas,
esbaforido, eu ia à missa das sete a Santana, e à missa das nove
da Igreja de São José, e à missa do meio-dia na ermida da
Oliveirinha. Descansava um instante a uma esquina, de ripanço
debaixo do braço, chupando à pressa o cigarro; depois voava ao
Santíssimo exposto na paroquial de Santa Engrácia, à devoção do
terço no convento de Santa Joana, à bênção do Sacramento na
capela de Nossa Senhora, às Picoas, à novena das Chagas de
Cristo, nasua igreja, com música. Tomava então a tipoia do
Pingalho, e ainda visitava, ao acaso, de fugida, os Mártires e São
Domingos, a igreja do convento do Desagravo e a Igreja da
Visitação das Salésias, a capela de Monserrate, as Amoreiras e a
Glória ao Cardal da Graça, as Flamengas e as Albertas, a Pena,
o Rato, a Sé!
À noite, em casa da Adélia, estava tão derreado, mono e mole
ao canto do sofá, que ela atirava-me murros pelos ombros, e
gritava, furiosa:
— Esperta, morcão!
(Eça de Queirós, A Relíquia)
MÓDULO 77 Literatura e Análise de Textos Literários – III
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3. No final do romance, quando Teodorico encontra Crispim, que
acaba empregando-o na firma da família e, mais à frente, convida-o
para a missa, pode-se dizer que o protagonista revela, em sua resposta,
a) hipocrisia.
b) sinceridade.
c) cinismo.
d) adulação.
e) agressividade.
RESOLUÇÃO:
Raposo redime-se da hipocrisia, rejeitando o convite do patrão para ir à
missa.
Resposta: B
4. (UNICAMP-SP-2018) – A fim de dar exemplos de sua teoria da
“alma exterior”, o narrador-personagem do conto “O Espelho”, de
Machado de Assis, refere-se a uma senhora conhecida sua “que muda
de alma exterior cinco, seis vezes por ano”. E, questionado sobre a
identidade dessa mulher, afirma: “Essa senhora é parenta do diabo, e
tem o mesmo nome: chama-se Legião...”. Considerando o contexto
dessa frase no conto, pode-se dizer que ela constitui
a) uma crítica à noção de alma exterior como resultante da influência
do mal.
b) uma consideração cômica que ressalta o nome inusitado da senhora.
c) uma condenação do comportamento moral da senhora em questão.
d) uma ironia com a inconstância dos valores sociais associados à alma
exterior.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] No conto “O Espelho”, de Machado de Assis, a
referência a uma mulher chamada “Legião” constitui uma ironia acerca
da mudança dos valores atribuídos à máscara social (“alma exterior”), já
que o indivíduo é pressionado a alterar seu modo de ser para corresponder
às exigências sociais. Essa modificação existencial pode fixar-se em uma
multiplicidade de objetos e valores de prestígio. A palavra “Legião” sugere
o caráter “demoníaco” da transformação da essência em aparência.
Resposta: D
Texto para o teste 5.
5. (FUVEST-SP) – Considerando-se este fragmento no contexto da
obra a que pertence, é correto afirmar que, nele,
a) o discurso argumentativo, de tipo racional e lógico, apresenta
afirmações que ultrapassam a razão e o senso comum.
b) a combinação de hesitações e autocrítica já caracteriza o tom de
arrependimento com que o defunto autor relatará sua vida
improdutiva.
c) as hesitações e dúvidas revelam a presença de um narrador
inseguro, que teme assumir a condução da narrativa e a autoridade
sobre os fatos narrados.
d) as preocupações com questões de método e as reflexões de ordem
moral mostram um narrador alheio às meras questões literárias.
e) as considerações sobre o método e sobre a lógica da narração
configuram o modo característico de se iniciar o romance no
Realismo.
RESOLUÇÃO:
Há uma dissonância no contexto aparentemente sensato e lógico do texto.
Trata-se das afirmações “não sou propriamente um autor defunto, mas um
defunto autor” e “[um autor] para quem a campa foi outro berço”. A essa
perspectiva de além-túmulo se deve o caráter fantástico de que se reveste
o narrador da obra.
Resposta: A
Texto para o teste 6.
6. (UNICAMP-SP-2018) – Levando em conta o excerto, bem como
o texto integral do romance, é correto afirmar que
a) o grosseiro rumor, a sexualidade desregrada e a exalação forte que
provinham do cortiço decorriam, segundo Miranda, do abandono
daquela população pelo governo.
b) os termos “grosseiro rumor”, “animais”, “bestas no coito”, que
fazem referência aos moradores do cortiço, funcionam como
metáforas da vida pulsante dos seus habitantes.
c) o nivelamento sociológico na obra O Cortiço se dá não somente
entre os moradores da habitação coletiva e o seu senhorio, mas
também entre eles e o vizinho Miranda.
d) a presença portuguesa, exemplificada nas personagens João Romão
e Miranda, não é relevante para o desenvolvimento da narrativa
nem para a compreensão do sentido da obra.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] O trecho extraído do romance O Cortiço destaca a
vida “pulsante” dos habitantes da estalagem, os quais têm o
comportamento aproximado ao dos animais (“exalação forte de animais
cansados”, “fartum de bestas no coito”) em intensa atividade sexual,
justamente o que irrita Miranda.
Resposta: B
ÓBITO DO AUTOR
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo
princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar
pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar
diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um
autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro
berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais
novo.
(Machado de Assis,
Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia,
ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado o Miranda
assustava-se, inquieto com aquela exuberância brutal de vida,
aterrado defronte daquela floresta implacável que lhe crescia
junto da casa (...).
À noite e aos domingos ainda mais recrudescia o seu azedume,
quando ele, recolhendo-se fatigado do serviço, deixava-se ficar
estendido numa preguiçosa, junto à mesa da sala de jantar e
ouvia, a contragosto, o grosseiro rumor que vinha da estalagem
numa exalação forte de animais cansados. Não podia chegar à
janela sem receber no rosto aquele bafo, quente e sensual, que o
embebedava com o seu fartum de bestas no coito.
(AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 
14. ed. São Paulo: Ática, 1983, p. 22.)
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Texto para o teste 7.
7. (UNESP) – A referida “atenuação da subjetividade e do senti -
mentalismo” está bem exemplificada na seguinte estrofe do poeta
parnasiano Alberto de Oliveira (1857-1937):
a) Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
b) Erguido em negro mármor luzidio,
Portas fechadas, num mistério enorme,
Numa terra de reis, mudo e sombrio,
Sono de lendas um palácio dorme.
c) Eu vi-a e minha alma antes de vê-la
Sonhara-a linda como agora a vi;
Nos puros olhos e na face bela,
Dos meus sonhos a virgem conheci.
d) Longe da pátria, sob um céu diverso
Onde o sol como aqui tanto não arde,
Chorei saudades do meu lar querido
— Ave sem ninho que suspira à tarde. —
e) Eu morro qual nas mãos da cozinheira
O marreco piando na agonia…
Como o cisne de outrora… que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2017] A “atenuação da subjetividade” ocorre nos versos do poema
“Fantástica” (alternativa b), do parnasiano Alberto de Oliveira. Nota-se,
nesses versos, a descrição com contenção emocional, uma das
características da estética parnasiana, que se opunha ao passionalismo
romântico. Nas demais alternativas, o eu lírico impõe a subjetividade tanto
pelo emprego do pronome de primeira pessoa (“eu”, “meus”, “mim” etc.),
como pela densidade emocional. [Nas alternativas a, c, d e e os versos não
são de Alberto de Oliveira, mas de Álvares de Azevedo (a e e) e de Casimiro
de Abreu (c e d).]
Resposta: B
Texto para o teste 8.
8. (UNESP-2018) – O comentário do crítico Afrânio Coutinho refere-
se ao movimento literário denominado
a) Parnasianismo. b) Romantismo.
c) Realismo. d) Simbolismo.
e) Arcadismo.
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] O comentário de Afrânio Coutinho evidencia as
características do Simbolismo, escola literária que funde sensações
buscando atingir o metafísico. A linguagem desses artistas é “imprecisa”,
“vaga”, “ilógica” e “ininteligível”, opondo-se ao primado da razão do
Realismo, do Naturalismo e à contenção do Parnasianismo. 
Resposta: D
Os parnasianos brasileiros se distinguem dos românticos pela
atenuação da subjetividade e do sentimentalismo, pela ausência
quase completa de interesse político no contexto da obra e pelo
cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico.
(Antônio Cândido,
Iniciação à Literatura Brasileira, 2010. Adaptado.)
Esse movimento descobriu algo que ainda não havia sido
conhecido ou enfatizado antes: a “poesia pura”, a poesia que
surge do espírito irracional, não conceitual da linguagem, oposto
a toda interpretação lógica. Assim, a poesia nada mais é do que
a expressão daquelas relações e correspondências que a
linguagem, abandonada a si mesma, cria entre o concreto e o
abstrato, o material e o ideal, e entre as diferentes esferas dos
sentidos. Sendo a vida misteriosa e inexplicável, como pensavam
os adeptos desse movimento, era natural que fosse representada
de maneira imprecisa, vaga, nebulosa, ilógica e ininteligível.
(Afrânio Coutinho, 
Introdução à Literatura no Brasil, 1976 – adaptado.)
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Leia a seguinte declaração sobre o Pré-Modernismo: 
1. (UFV-MG – modificado) – Atente agora para o que se afirma a
respeito de algumas obras e autores brasileiros e assinale a alternativa
cujo conteúdo não contempla a síntese crítica de Alfredo Bosi. 
a) Um dos grandes temas de Os Sertões é a denúncia que Euclides da
Cunha faz acerca do crime que a nação cometeu contra si própria
na Guerra de Canudos.
b) Monteiro Lobato imortalizou a personagem Jeca-Tatu, transfor -
mando-a no símbolo do caipira subdesenvolvido que vive na
indolência e se submete sempre à “lei do menor esforço”.
c) Lima Barreto expressou sempre o inconformismo perante as
injustiças sociais e, na obra Triste Fim de Policarpo Quaresma,
construiu uma imagem caricata do Brasil, com todas as suas
contradições.
d) “O indianismo está de novo a deitar copa, de nome mudado.
Crismou-se de ‘caboclismo’.” A frase é de Monteiro Lobato, autor
que idealizou a figura do caboclo, visto como genuíno representante
do homem brasileiro.
e) Em Os Sertões, Euclides da Cunha opõe o homem do sertão ao
homem do litoral, acentuando-lhes as diferenças econômicas e
socioculturais.
RESOLUÇÃO:
No artigo “Urupês”, do qual se extraiu a frase apresentada na alternativa
d, Monteiro Lobato apresenta uma caricatura do interiorano brasileiro,
sintetizada na figura do Jeca-Tatu, que entrou para a língua portuguesa
no adjetivo jeca. O autor denuncia a preguiça do caboclo brasileiro,
inconsciente em relação a si mesmo e alienado das transformações
históricas por que passava o país de então. Deve-se observar, porém, que
Lobato reviu essa opinião, para afirmar depois que o caboclo era, na
verdade, uma vítima das estruturas socioeconômicas.
Resposta: D
2. (UNIFESP-SP-2018) – O Surrealismo buscou a comunicação com
o irracional e o ilógico, deliberadamente desorientando e reorientando
a consciência por meio do inconsciente.
(Fiona Bradley, Surrealismo, 2001) 
Verifica-se a influência do Surrealismo nos seguintes versos:
a) Um gatinho faz pipi.
Com gestos de garçom de restaurant-Palace
Encobre cuidadosamente a mijadinha.
Sai vibrando com elegância a patinha direita:
— É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.
(Manuel Bandeira, “Pensão Familiar”)
b) A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.
Havia poucas flores. Eram flores de horta.
Sob a luz fraca, na sombra esculpida
(quais as imagens e quais os fiéis?)
ficávamos.
(Carlos Drummond de Andrade, 
“Evocação Mariana”)
c) Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade,
“No Meio do Caminho”)
d) E nas bicicletas que eram poemas
chegavam meus amigos alucinados.
Sentados em desordem aparente,
ei-los a engolir regularmente seus relógios
enquanto o hierofante armado cavaleiro
movia inutilmente seu único braço.
(João Cabral de Melo Neto,
“Dentro da Perda da Memória”)
e) — Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva;
só morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina.
(João Cabral de Melo Neto,
Morte e Vida Severina)
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2018] Nos versos de João Cabral de Melo Neto apresentados
na alternativa d, notam-se as associações ilógicas, a escrita do inconsciente,
elementos estilísticos da vanguarda surrealista, que procurou aplicar os
postulados da teoria psicanalítica à arte.
Resposta: D
Creio que se pode chamar pré-modernismo (no sentido forte
de premonição dos temas vistos em 22) tudo o que, nas primeiras
décadas do século [XX], problematiza a nossa realidade social e
cultural.
(BOSI, Alfredo.
História Concisa da Literatura Brasileira.
São Paulo: Cultrix, 1994, p. 306.)
MÓDULO 88 Literatura e Análise de Textos Literários – IV
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3. (UNESP-2018) – Expressionismo: Termo aplicado pela crítica e
pela história da arte a toda arte em que as ideias tradicionais de
naturalismo são abandonadas em favor de distorções ou exageros de
forma e cor que expressam, de modo premente, a emoção do artista.
Neste sentido mais geral, o termo pode ser aplicado à arte de qualquer
período ou lugar que conceda às reações subjetivas um lugar de maior
importância que à observação do mundo exterior.
(Ian Chilvers (org.),
Dicionário Oxford de Arte, 2007.)
De acordo com essa definição, pode ser considerada expressionista a
obra:
a) 
O Encontro (1854), 
de Gustave Courbet.
b) 
Retrato da Condessa d’Haussonville (1845),
de Jean-Auguste-Dominique Ingres.
c) 
O Farol em Duas Luzes (1929), 
de Edward Hopper.
d) 
Lata de Sopa Campell (1962), 
de Andy Warhol.
e) 
A Igreja de Auvers-Sur-Oise (1890), 
de Vincent Van Gogh.
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] As deformações ou exageros de traços e cores que indi -
cam a tensão interior do artista são flagrantes no quadro A Igreja de
Auvers-Sur-Oise.
Resposta: E 
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4. (UNESP-2018) – Ricardo Reis é, assim, o heterônimo clássico, ou
melhor, neoclássico: sua visão da realidade deriva da Antiguidade
greco-latina. Seus modelos de vida e de poesia, buscou-os na Grécia e
em Roma.
(Massaud Moisés,
Introdução. In: Fernando Pessoa,
O Guardador de Rebanhos e Outros Poemas, 1997.)
Levando-se em consideração esse comentário, pertencem a Ricardo
Reis, heterônimo de Fernando Pessoa (1888-1935), os versos:
a) Nada perdeu a poesia. E agora há a mais as máquinas 
Com a sua poesia também, e todo o novo gênero de vida 
Comercial, mundana, intelectual, sentimental,
Que a era das máquinas veio trazer para as almas.
b) Súbita mão de algum fantasma oculto 
Entre as dobras da noite e do meu sono 
Sacode-me e eu acordo, e no abandono 
Da noite não enxergo gesto ou vulto.
c) Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
d) À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica 
Tenho febre e escrevo. 
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, 
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
e) O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente.
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] Os versos apresentadosna alternativa c dialogam com a
tradição clássica, por meio da retomada de valores clássicos greco-latinos,
como a atitude estoica, imperturbável, do eu lírico, a consciência da
efemeridade da vida e a necessidade de gozá-la, o que caracteriza o topos
do carpe diem.
Resposta: C
Texto para o teste 5.
5. (INSPER-SP-2018) – No poema, o eu lírico retrata a infância pelo viés
a) da miséria e da ingênua visão do trabalho penoso, o que se pode
comprovar, por exemplo, com as expressões “crianças raquíticas”
e “carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis”.
b) da celebração da superação das condições aviltantes de vida, o que
se pode comprovar, por exemplo, com as expressões “tocando os
animais” e “madrugada ingênua”.
c) das recordações de experiências dolorosas, o que se pode
comprovar, por exemplo, com as expressões “uma velhinha” e
“ingênua miséria”.
d) de tênues ambiguidades, como sofrer e ser amigo, o que se pode
comprovar, por exemplo, com as expressões “com um relho
enorme” e “dançando, bamboleando”.
e) do bom humor, ainda que tematizando a pobreza, o que se pode
comprovar, por exemplo, com as expressões “burrinhos
descadeirados” e “espantalhos desamparados”.
RESOLUÇÃO:
[INSPER-SP-2018] O eu lírico destaca, além da miséria da situação dos
meninos carvoeiros, o fato de essas crianças, ingenuamente, divertirem-se
enquanto trabalham.
Resposta: A
MENINOS CARVOEIROS
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
— Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho1 enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem2 é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, 
[dobrando-se com um gemido.)
— Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
— Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados3 nas alimárias4,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como 
[espantalhos desamparados!
(Manuel Bandeira,
Estrela da Vida Inteira)
1 – Relho: chicote.
2 – Aniagem: tecido grosseiro usado na confecção de sacos e fardos.
3 – Encarapitados: postos no alto.
4 – Alimárias: bestas de carga.
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Texto para o teste 6.
6. (PUC-SP) – O poema transcrito, de Carlos Drummond de Andrade,
está em Claro Enigma. Dele se pode afirmar que
a) é um texto clássico cujo título remete ao sentido de um
conhecimento vivaz, de uma arte alegre retomada dos provençais e,
por isso, se estrutura em linguagem coloquial e de fácil
entendimento.
b) é um soneto que não pode ser enquadrado no Modernismo porque
retoma temas poéticos e procedimentos estéticos próprios do
Classicismo, em linguagem de elaboração sofisticada e
extremamente formal.
c) revela o vazio existencial do indivíduo, exacerbado pela maior
clareza que a vida traz, e se desenvolve em versos decassílabos,
organizados em rima cruzada tanto nos quartetos quanto nos
tercetos, com bom uso do enjambement como elemento de
continuidade semântica e rítmica do poema.
d) refere o tema da maturidade, enfocando-o como a experiência que
anula os sentidos na percepção do mundo, mas capaz de tornar o
homem feliz ao entender racionalmente a realidade.
RESOLUÇÃO:
[PUC-SP-2017] O poema “A Ingaia Ciência” (a palavra ingaia é um
neologismo cujo significado é “infeliz”) revela o ceticismo do eu lírico na
maturidade. O acúmulo da experiência existencial tira-lhe “todo sabor
gratuito de oferenda”, a vida torna-se, portanto, insípida — previsível. A
rima cruzada ou alternada (ABAB-ABAB-CDE-CDE) e a presença de
enjambement — o extravasamento sintático que se nota, por exemplo, entre
o quinto e o sexto versos — são, respectivamente, elementos de
continuidade rítmica e semântica do poema.
Resposta: C
Texto para os testes 7 e 8.
7. (ALBERT EINSTEIN-SP – modificado) – O texto transcrito é de
Claro Enigma, obra de Carlos Drummond de Andrade. De sua leitura
se pode depreender que
a) é um poema que segue rigorosamente os procedimentos de
construção do soneto clássico e tradicional, particularmente quanto
à disposição das rimas e ao uso da chave de ouro como fecho
conclusivo do texto.
b) é um metapoema e revela que o soneto que o autor deseja fazer é o
mesmo que o leitor está lendo, a evidenciar na prática a junção do
querer e do fazer.
c) se utiliza de expressões como “tiro no muro” e “cão mijando no
caos”, que, além de serem de mau gosto e provocar estranhamento
no leitor, rigorosamente nada têm a ver com a proposta de
elaboração do poema.
d) faz da repetição anafórica e do paralelismo dos versos recursos de
composição do poema, tornando o resultado enfadonho e antiesté -
tico.
RESOLUÇÃO:
[ALBERT EINSTEIN-SP-2017] “Oficina Irritada” é um metapoema, um
dos temas recorrentes na obra de Carlos Drummond de Andrade. Esses
versos foram elaborados para se obter um sentido antilírico. O léxico
(“sofrer”, “pungir”, “impuro”, “maligno”, “escuro”, “duro” etc.) e o som
fechado, na rima com a vogal escura /u/, são elementos estilísticos que
evidenciam a antipatia ou irritação do eu lírico ao compor o texto. Fez-se
um soneto irritado, cuja leitura não desperta prazer no leitor ávido de
lirismo. “Oficina Irritada” não obedece rigorosamente aos procedimentos
de construção do soneto clássico, quanto à disposição das rimas, pois nos
tercetos retoma-se a sonoridade presente nas rimas dos quartetos. Além
disso, não há chave de ouro, pois o último verso não resume o sentido dos
treze versos anteriores, tampouco construção paralelística ou,
marcadamente, anafórica.
Resposta: B
A INGAIA CIÊNCIA
A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,
a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte numa cela.
A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência
e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a mão, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.
OFICINA IRRITADA
Eu quero compor um soneto duro
como poeta algum ousara escrever.
Eu quero pintar um soneto escuro,
seco, abafado, difícil de ler.
Quero que meu soneto, no futuro,
não desperte em ninguém nenhum prazer.
E que, no seu maligno ar imaturo,
ao mesmo tempo saiba ser, não ser.
Esse meu verbo antipático e impuro
há de pungir, há de fazer sofrer,
tendão de Vênus sob o pedicuro.
Ninguém o lembrará: tiro no muro,
cão mijando no caos, enquanto Arcturo,
claro enigma, se deixa surpreender.
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8. (FGV-ADM-SP – modificado) – A procura de um texto “duro”,
“abafado” e avesso à sedução e ao encantamento do leitor, postulada no
poema, assemelha-se sobretudo à demanda estilística revelada na obra:
a) Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
b) “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, de João Guimarães Rosa.
c) Coração, Cabeça e Estômago, de Camilo Castelo Branco.
d) O Cortiço, de Aluísio Azevedo.
e) Iracema, de José de Alencar.
RESOLUÇÃO:
[FGV-ADM-SP-2017] A estilística buscada e adotada por Drummond em
“Oficina Irritada” é a mesma de Graciliano Ramos em Vidas Secas: um
estilo “duro”, conciso, que busca representar o essencial; não quer
despertar o aspecto emotivo.
Resposta: A
9. (UNICAMP-SP-2018) – Leia abaixo duas passagens do poema
“Olá! Negro”, de Jorge de Lima:
Considerando o livro Poemas Negros como um todo e a poética de
Jorge de Lima, é correto afirmar que o último verso citado
a) manifestao desprezo do negro pela situação decadente da cultura do
branco.
b) realiza a aproximação entre a alegria do negro e uma ideia de futuro.
c) remete à vingança do negro contra a violência a que foi submetido
pelo branco.
d) funciona como um lamento, já que o nascer do dia não traz justiça
social.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] É evidente a associação entre a “alegria do negro e
uma ideia de futuro” nos versos que encerram o poema “Olá! Negro”, do
livro Poemas Negros, de Jorge de Lima. Assim, a herança que os negros
ofereceriam ao porvir não se restringiria à enorme contribuição histórica
em termos de riqueza econômica e musical, mas também no que se refere
a um atributo de seu próprio modo de ser: a alegria, notável mesmo em
momentos mais cruéis da vida.
Resposta: B
Texto para o teste 10.
10. (UNICAMP-SP) – Estas duas cenas de ciúme concluem dois
textos diferentes de Jorge de Lima. A primeira pertence ao conhecido
poema modernista “Essa Negra Fulô”; a segunda, ao poema “História”,
de Poemas Negros (1947). Em relação a “Essa Negra Fulô”, o poema
“História”, especificamente, representa
a) a reiteração da denúncia das relações de poder, muito arraigadas no
sistema escravocrata, que colocam no mesmo plano violências
raciais e sexuais.
b) a passagem de uma caracterização da mulher negra como sedutora
para uma postura solidária em relação à escrava, que explicita as
estratégias compensatórias de que se vale para sobreviver.
c) a permanência de uma visão pitoresca sobre a situação da mulher
negra nos engenhos de açúcar, que oculta os mecanismos de poder
que garantiam sua exploração.
d) a superação da visão idílica da vida na senzala, graças a uma postura
realista e social, que revela a violência das relações entre senhores
e escravos.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2017] Em “Essa Negra Fulô”, o eu poemático associa
condições subumanas a que eram submetidos os negros a aspectos
sedutores de uma escrava. Fulô é caracterizada por seu grande poder de
atração. Em “História”, o enunciador explicita “as estratégias compensa -
tórias de que se vale para sobreviver”, ou seja, a escrava volta-se para a
magia e a proteção dos orixás, após sofrer toda sorte de violências. Essa
invocação mística é um recurso compensatório diante da condição
sexualizada e sofrida da mulher negra escrava.
Resposta: B
O Sinhô foi açoitar 
sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dele pulou
nuinha a negra Fulô.
Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê, cadê teu Sinhô
que Nosso Senhor me mandou?
Ah! Foi você que roubou,
foi você, negra Fulô?
Essa negra Fulô!
(LIMA, Jorge de. Poesias Completas. v. 1.
Rio de Janeiro / Brasília: J. Aguilar / INL, 1974, p. 121.)
A Sinhá mandou arrebentar-lhe os dentes:
Fute, Cafute, Pé-de-pato, Não-sei-que-diga,
avança na branca e me vinga.
Exu escangalha ela, amofina ela,
amuxila ela que eu não tenho defesa de homem,
sou só uma mulher perdida neste mundão.
Neste mundão.
Louvado seja Oxalá.
Para sempre seja louvado.
(Idem, p.164.)
A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro!
E és tu que a alegras ainda com os teus jazzes,
com os teus songs, com os teus lundus!
(...)
Não basta iluminares hoje as noites dos brancos com teus 
jazzes.
Olá, Negro! O dia está nascendo!
O dia está nascendo ou será a tua gargalhada que vem 
vindo?
(LIMA, Jorge de. Poesias Completas. v. I.
Rio de Janeiro / Brasília: 
J. Aguilar / INL, 1974, p.180-181.)
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1. (UNICAMP-SP-2018) – O título do romance Caminhos Cruzados,
de Érico Veríssimo,
a) alude às dificuldades vividas pelas personagens mais
representativas da elite urbana, além de sugerir que nenhum homem
é uma ilha.
b) sugere que a vida social das personagens é constituída pelo conjunto
de relações econômicas e psicológicas dos indivíduos.
c) remete à técnica narrativa do romance, no qual várias histórias são
relacionadas, sem o estabelecimento de um protagonista principal.
d) simboliza as relações de poder da classe burguesa emergente e o
seu desejo de controlar a conduta ética da sociedade.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] O adjetivo “cruzados”, presente no título do
romance publicado por Érico Veríssimo em 1935, anuncia uma das
características mais marcantes da obra: o fato de sua narrativa ser
construída por meio de um constante entrelaçamento de histórias e
vivências, o que acaba por impedir a presença de protagonistas.
Resposta: C 
2. Em Caminhos Cruzados, de Érico Veríssimo, João Benévolo
(marido de Laurentina e pai de Napoleão) e Noel (filho de Honorato e
Virgínia Madeira) têm a função de
a) exemplificar como o hábito de leitura pode desenvolver o
pensamento crítico do proletário.
b) demonstrar como as relações familiares fortalecem o indivíduo para
as dificuldades da existência.
c) mostrar como a literatura assume um caráter depreciado, ao servir
de ferramenta escapista.
d) provar como as experiências de vida são suficientes para alimentar
a combatividade do operário.
RESOLUÇÃO:
João Benévolo, ao invés de resolver a situação de falência em que se
encontra, perde-se no mundo de fantasia dos seus tão amados livros de
aventura, ora lendo-os, ora imaginando-se em uma dessas narrativas. Noel,
entupido na infância por contos de fada, acaba tendo extrema dificuldade
para lidar com o mundo real. Essas duas personagens, portanto, funcionam
como instrumentos narrativos para depreciar a literatura que se mostra
escapista, já que se torna prejudicial. 
Resposta: C
Texto para o teste 3.
3. (UNIFESP-SP-2018) – Tal comentário refere-se a
a) Jorge Amado.
b) José Lins do Rego.
c) Graciliano Ramos.
d) Guimarães Rosa.
e) Clarice Lispector.
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2018] O excerto de Alfredo Bosi faz claras referências ao
estilo de Clarice Lispector, que apresenta em seus contos e romances o
emprego da metáfora incomum, a ruptura em relação ao enredo baseado
em fatos e a intensificação do “momento interior”.
Resposta: E
O uso intensivo da metáfora insólita, a entrega ao fluxo da
consciência, a ruptura com o enredo factual foram constantes do
seu estilo de narrar. Os analistas à caça de estruturas não
deixarão tão cedo em paz seus textos complexos e abstratos. Há
na gênese dos seus contos e romances tal exacerbação do
momento interior que, a certa altura do seu itinerário, a própria
subjetividade entra em crise. O espírito, perdido no labirinto da
memória e da autoanálise, reclama um novo equilíbrio.
(Alfredo Bosi, 
História Concisa da Literatura
Brasileira, 1994 – adaptado.)
MÓDULO 99 Literatura e Análise de Textos Literários – V
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No conto “Amor”, de Clarice Lispector, após ver um cego mascando
chicletes, a personagem passa por uma situação que, segundo o
narrador, ela própria chama de “crise”: 
O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer
intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor
se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais
altas.
(LISPECTOR, Clarice. Laços de Família.
Rio de Janeiro: Rocco, 2009, p. 23.)
4. (UNICAMP-SP) – Essa crise, que transforma a relação da
personagem com o mundo e com a família,
a) nasce do colapso da vontade de viver da personagem, em razão do
doloroso prazer com que passou a ver as coisas.
b) revela o conflito vivido pela personagem entre o tipo de vida que
havia escolhido e as coisas que passou a desejar.
c) constitui, para a personagem, uma alteração no modo de vida que
antes a fazia sofrer e do qual agora havia se libertado.
d) remete à excitação da personagem por ter conseguido harmonizar
sua antiga vida com os novos desejos e sensações.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2017] A personagem presenteno conto “Amor” está
atrelada à vida rotineira de mantenedora das tarefas domésticas e do
cuidado da família. Entretanto, a protagonista, no bonde, passa por uma
situação epifânica, instauradora da crise, ao ver um homem cego mascando
chicletes. Essa revelação existencial, experimentada por Ana, não a leva
para uma atitude emancipadora frente à sua rotina maçante, nem a um
sentimento de desinteresse pela vida, mas nascem dentro da protagonista
novos desejos, alegorizados pelos ovos quebrados em seu colo e pela ida ao
Jardim Botânico. Essa nova percepção questiona a vida doméstica e aspira
a um universo existencial temerário.
Resposta: B
Texto para os testes de 5 a 7. 
5. A referência crítica que Carolina Maria de Jesus faz a Juscelino
Kubitschek permite perceber, em Quarto de Despejo,
a) uma oposição à corrupção e ineficiência da política paulista da
década de 1950.
b) um contraponto ao discurso desenvolvimentista do Brasil à época
do diário.
c) a adesão do povo brasileiro à política de Juscelino Kubitschek.
d) um reforço ao clima de esperança vivido pelos favelados da cidade
de São Paulo.
RESOLUÇÃO:
Juscelino Kubitschek tornou-se famoso por empreender, durante o
momento em que assumiu a presidência do Brasil (1956-1961), uma política
desenvolvimentista, representada pelo mote “50 anos em 5”. Carolina Maria
de Jesus descreveu no diário, que virou o livro Quarto de Despejo, seu
cotidiano, marcado por uma miséria tão grande, que a obrigava algumas
vezes a buscar alimento no lixo. A autora acabou compondo, portanto, um
contraponto ao discurso dos anos JK, conhecidos pelo espírito de progresso.
Resposta: B
20 de maio [de 1958]
Quando cheguei do palacio que é a cidade os meus filhos
vieram dizer-me que havia encontrado macarrão no lixo. E a
comida era pouca, eu fiz um pouco de macarrão com feijão. E o
meu filho João José disse-me:
— Pois é. A senhora disse-me que não ia comer as coisas do
lixo. 
Foi a primeira vez que via a minha palavra falhar. Eu disse:
— É que eu tinha fé no Kubstchek. 
— A senhora tinha fé e agora não tem mais?
— Não, meu filho. A democracia está perdendo os seus adeptos.
No nosso paiz tudo está enfraquecendo. O dinheiro é fraco. A
democracia é fraca e os politicos fraquissimos. E tudo que está
fraco, morre um dia. 
(JESUS, Carolina Maria de. 
Quarto de Despejo: diário de uma favelada. 10. ed.
São Paulo: Editora Ática, 2014, p. 39.)
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6. Quarto de Despejo apresenta o que o estudioso Carlos Vogt chamou
de “realismo etnográfico”. Essa característica pode ser percebida pela
capacidade de sua autora de elaborar uma
a) história que opõe o seu mundo interior ao seu contexto histórico.
b) linguagem que imita os chavões do padrão poético do século XIX.
c) crítica que retoma o tom irônico dos realistas da geração de 1870. 
d) narrativa que representa de maneira literária um universo social.
RESOLUÇÃO:
A autora de Quarto de Despejo apresenta um relato que funciona como um
documento do seu cotidiano de favelada. Dessa forma, acaba fazendo de
seu diário uma obra que exibe com realismo os problemas de seu grupo
social, a população urbana pobre que tem os direitos básicos de cidadania
negados, como moradia e alimentação.
Resposta: D
7. A respeito da maneira como Carolina Maria de Jesus relaciona
forma e conteúdo em Quarto de Despejo, nota-se que 
a) o conjunto de desvios da norma culta não impede que seu texto
tenha lógica de exposição, assim como qualidade literária. 
b) o posicionamento político da diarista compromete a visão crítica
da autora a respeito da situação do favelado. 
c) a perspectiva de primeira pessoa dá à obra um tom subjetivo que
dificulta a postura engajada da escritora. 
d) a literariedade da linguagem da enunciadora serve para idealizar a
realidade difícil a que é submetida. 
RESOLUÇÃO: 
A escrita de Carolina Maria de Jesus revela como o seu processo de
letramento foi precário, afinal ela só teve cerca de dois anos de educação
formal. Prova disso é o fato de ela não dominar o padrão culto, o que se
percebe pelos desvios em relação à norma gramatical no que se refere à
ortografia, concordância e regência. No entanto, isso não impede que seu
texto apresente características literárias, pois nele há o trabalho constante
com a elaboração estética da linguagem. Além disso, seu discurso é bastante
coerente, garantindo relações lógicas não só entre suas frases e orações,
mas também com o contexto social em que está inserido, que é analisado
criticamente. 
Resposta: A
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Texto para o teste 1.
1. (UNICAMP-SP-2018) – A peça de Dias Gomes é uma crítica a um
momento histórico e político da sociedade brasileira. Odorico
Paraguassu tornou-se um personagem emblemático desse período
porque por meio dele
a) simbolizou-se a defesa da democracia a qualquer custo. Essa defesa
resultou em uma sociedade cindida entre o respeito à lei e o seu uso
particular, temas políticos comuns aos países latino-ame ricanos nos
anos de 1970.
b) representaram-se o atropelo da lei constitucional, a relativização da
liberdade de imprensa e a construção de um inimigo interno que
justificasse o arbítrio das decisões do executivo, próprios aos Anos
de Chumbo.
c) explicitaram-se as leis que regiam a vida política e social de uma
nação subdesenvolvida da América Latina na década de 1970,
marcada pela inércia e pela cumplicidade dos cidadãos com a
corrupção sistêmica do país.
d) fez-se a defesa da democracia e do respeito irrestrito à lei constitu -
cional para um projeto de nação brasileira da década de 1970, que
enfrentava o espírito demagógico dos políticos latino-ame ricanos.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] Na peça O Bem-Amado, Odorico Paraguaçu elege-se
prefeito de Sucupira a partir da promessa da construção de um cemitério
na cidade. Para concretizar a sua plataforma política, desvia verbas da
Prefeitura, atropelando as leis e indispondo-se com o jornalista Neco
Pedreira. O prefeito busca impedir que “a gazeta marronzista” de Neco
continuasse publicando artigos contra o empreendimento de Odorico, por
isso o chefe do executivo contrata um “fazedor de defuntos”, Zeca Diabo,
nomeia-o delegado da cidade, autorizando-o a “sacudir a marreta” no
jornal A Trombeta, tentando inibir a atividade da imprensa e fazer de Neco
o primeiro defunto do cemitério. Odorico é também arbitrário, pois recusa-
se a cumprir a ordem judicial que exigia que ele entregasse o corpo de
Dulcinéa Cajazeira para que ela fosse enterrada em outra cidade, no jazigo
da família Cajazeira. Odorico acaba, a contragosto, cedendo o cadáver. O
conjunto das atitudes do protagonista corresponde às que houve nos Anos
de Chumbo, o período do governo militar. Observação: Na prova, o nome
do prefeito foi grafado em desacordo com o texto da peça. O examinador
escreveu com /ss/. Dias Gomes seguiu a convenção na grafia das palavras
de etimologia indígena: Paraguaçu, com cê-cedilha.
Resposta: B
Leia o fragmento de O Bem-Amado, de Dias Gomes, e responda ao
que se pede:
“ODORICO
Eu sei. É um movimento subversivo procurando me intrigar com
a opinião pública e criar problemas à minha administração. Sei,
sim. É uma conspiração. Eles não queriam o cemitério. Desde o
princípio foram contra. E agora que o cemitério está pronto caem
de pau em cima de mim, me chamam de demagogo, de tudo..”
(...)
“ODORICO
Pois eu quero que depois o senhor soletre esta gazeta de ponta a
ponta. Neco Pedreira o senhor conhece?
ZECA
Conheço não sinhô.
ODORICO
É o dono do jornal. Elemento perigoso. Sua primeira missão
como delegado é dar uma batida na redação dessa gazeta
subversiva e sacudir a marreta em nome da lei e da
democracia...”(GOMES, Dias. O Bem-Amado. 12. ed.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014, p. 40 e 68.)
Uma sala da prefeitura. O ambiente é modesto. Durante a
mutação, ouve-se um dobrado e vivas a Odorico, “viva o prefeito”
etc. Estão em cena Dorotéa, Juju, Dulcinéa, Vigário e Odorico.
Este último, à janela, discursa.
Odorico: Povo sucupirano! Agoramente já investido no cargo de
Prefeito, aqui estou para receber a confirmação, a ratificação, a
autenticação e por que não dizer a sagração do povo que me
elegeu.
Aplausos vêm de fora.
Odorico: Eu prometi que o meu primeiro ato como prefeito seria
ordenar a construção do cemitério.
Aplausos, aos quais se incorporam as personagens em cena.
Odorico: (continuando o discurso) Botando de lado os
entretantos e partindo pros finalmentes, é uma alegria poder
anunciar que prafrentemente vocês já poderão morrer
descansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de que
vão ser sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e cheirosa de
Sucupira. E quem votou em mim, basta dizer isso ao padre na
hora da extrema-unção, que tem enterro e cova de graça,
conforme o prometido.
Aplausos. Vivas. Foguetes. A banda volta a tocar. Odorico acena
para o povo sorridente, depois deixa a janela e é imediatamente
cercado pelos presentes, que o cumprimentam.
Dorotéa: Parabéns. Foi ótimo o seu discurso.
Juju: Disse o que precisava dizer.
Odorico: Obrigado, obrigado.
MÓDULO 11 00 Literatura e Análise de Textos Literários – VI
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2. (ESPM-SP) – Só não se pode afirmar sobre o fragmento:
a) Ao se fazer intérprete da vontade popular, na primeira fala, Odorico
utiliza um recurso comum nos discursos de políticos demagogos
quando tomam posse.
b) Há uma gradação de ideias na sequência “a confirmação, a ratifi -
cação, a autenticação e... a sagração”.
c) O termo sagração confere ao discurso — e ao prefeito — cono tação
místico-religiosa.
d) Visando impressionar a plateia, o discurso de Odorico contém uma
grande quantidade de neologismos, sobretudo representados por
adjuntos adverbiais de modo.
e) O grande respaldo popular do agora prefeito Odorico provém de
sua variada e consistente plataforma política.
RESOLUÇÃO:
Nada há no trecho que apoie o que se afirma na alternativa e, pois o prefeito
eleito dirige-se ao povo para ratificar sua “promessa” de mandar construir
um cemitério na cidade, único item, no trecho dado, de sua “plataforma”
política.
Resposta: E
Texto para o teste 3.
3. Os textos de Ana Cristina Cesar apresentam uma tendência para a
“cinematografização”. Esse poema sem título abre o livro A Teus Pés.
A tendência da poesia contemporânea nele exposta é 
a) a enunciação de uma história linear.
b) a elaboração de um conflito definido.
c) a apresentação de personagens tipificadas.
d) a justaposição de fragmentos, como uma montagem.
RESOLUÇÃO:
Conforme os críticos observaram, tal tendência à “cinema tografização
seria exatamente a justaposição de fragmentos, como se o texto sofresse
uma operação de corte e colagem de cenas, à maneira do cinema”.
(MALUFE, A. C. O Corte Cinematográfico em Ana Cristina Cesar, 2009,
p. 239)
Resposta: D
Trilha sonora ao fundo: piano no bordel, vozes barganhando
uma informação difícil. Agora silêncio; silêncio eletrônico,
produzido no sintetizador que antes construiu a ameaça das
asas batendo freneticamente.
Apuro técnico.
Os canais que só existem no mapa.
O aspecto moral da experiência.
Primeiro ato da imaginação.
Suborno no bordel.
Eu tenho uma ideia.
Eu não tenho a menor ideia.
Uma frase em cada linha. Um golpe de exercício.
Memórias de Copacabana. Santa Clara às três da tarde.
Autobiografia. Não, biografia.
Mulher.
Papai Noel e os marcianos.
Billy the Kid versus Drácula.
Drácula versus Billy the Kid.
Muito sentimental.
Agora pouco sentimental.
Pensa no seu amor de hoje que sempre dura menos que o seu
amor de ontem.
Gertrude: estas são ideias bem comuns.
Apresenta a jazz-band.
Não, toca blues com ela.
Esta é a minha vida.
Atravessa a ponte.
É sempre um pouco tarde.
Não presta atenção em mim.
Olha aqueles três barcos colados imóveis no meio do grande rio.
Estamos em cima da hora.
Daydream.
Quem caça mais o olho um do outro?
Sou eu que admito vitória.
Ela que mora conosco então nem se fala.
Caça, caça.
E faz passos pesados subindo a escada correndo.
Outra cena da minha vida.
Um amigo velho vive em táxis.
Dentro de um táxi é que ele me diz que quer chorar mas não chora.
Não esqueço mais.
E a última, eu já te contei?
É assim.
Estamos parados.
Você lê sem parar, eu ouço uma canção.
Agora estamos em movimento.
Atravessando a grande ponte olhando o grande rio e os três barcos
colados imóveis no meio.
Você anda um pouco na frente.
Penso que sou mais nova do que sou.
Bem nova.
Estamos deitados.
Você acorda correndo.
Sonhei outra vez com a mesma coisa.
Estamos pensando.
Na mesma ordem de coisas.
Não, não na mesma ordem de coisas.
É domingo de manhã (não é dia útil às três da tarde).
Quando a memória está útil.
Usa.
Agora é a sua vez.
Do you believe in love....?
Então está.
Não insisto mais. 
(Ana Cristina Cesar, A Teus Pés)
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Texto para o teste 4.
4. Esse fragmento pertence a Correspondência Completa, livro
reunido à obra A Teus Pés. No trecho acima, Ana Cristina Cesar faz
menção ao fato de sentir um “remorso de vampiro”. Essa expressão
faz referência a um aspecto relevante de sua poética, a saber: 
a) o exercício extenuante da escrita, que lhe obrigava a noites insones.
b) a apropriação sistemática, em seus poemas, de textos de outros
autores.
c) a escrita em que vida e ficção se encontravam em constante tensão.
d) a dificuldade dos “poetas marginais” em se enquadrarem na
sociedade.
RESOLUÇÃO:
Ana Cristina adota em sua escrita um procedimento que pode ser
designado como “vampiragem”, termo usado por Maria Lúcia de Barros
Camargo em Atrás dos Olhos Pardos (2003, p. 141). Trata-se da
incorporação sistemática do discurso literário em sua poesia. Assim, a
originalidade da poeta carioca resulta da apro priação de textos de outros
escritores, sejam canônicos, sejam de autoria de poetas menos conhecidos,
como seus amigos, os “poetas marginais”. 
Resposta: B
Texto para o teste 5.
5. Assinale a alternativa que contém uma afirmação incorreta sobre
o poema.
a) Impõe-se a visão subjetiva.
b) A assonância do /o/ sugere uma profusão de olhos.
c) As palavras “dentre” e “dentes” formam um jogo paronomástico.
d) A falta de pontuação corresponde à ausência de pausas nos versos.
RESOLUÇÃO:
Há evidentes pausas no poema, embora este não apresente pontuação. 
Resposta: D
Em História do Cerco de Lisboa, de José Saramago, Raimundo
Benvindo Silva revisa uma obra na qual se relata um fato histórico
ocorrido em 1147, a tomada de Lisboa pelos cristãos, expulsando os
mouros. Leia o excerto e responda aos testes 6 e 7.
6. Considerando a passagem, bem como a obra em sua totalidade,
podemos afirmar:
I. Raimundo afirma que a obra, a qual revisa, não apresenta
detalhes esclarecedores para o leitor.
II. Para Raimundo Silva, as circunstâncias que envolvem as ações
principais não seriam importantes, já que o que interessa às
narrativas bélicas e historiográficas são apenas os fatos
fundamentais.
III.Raimundo Silva declara suas opiniões, antipatiza com os mouros
e defende a mentalidade católica medieval. Isso encontra
paralelo na história oficial, que, de certo modo, vangloria o
exército católico, formado por iberos, por ter vencido os mouros
em Lisboa.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) I e II.
c) apenas II.
d) I e III.
e) apenas III.
RESOLUÇÃO: 
O erro no item III consiste na afirmação de que o narrador antipatiza com
os mouros e defende a mentalidade católica medieval.
Resposta: BPassei a tarde toda na gráfica. O coronel implicou outra vez
com as ideias mirabolantes da programação. Mas isso é que é
bom. Escrever é a parte que chateia, fico com dor nas costas e
remorso de vampiro. Vou fazer um curso secreto de artes gráficas.
Inventar o livro antes do texto. Inventar o texto para caber no
livro. O livro é anterior. O prazer é anterior, boboca.
(Ana Cristina Cesar, A Teus Pés)
olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas
(Ana Cristina Cesar, A Teus Pés)
(...) A cidade murmura as orações, o sol apontou e ilumina as
açoteias, não tarda que nos pátios apareçam os moradores. A
almádena está em plena luz. O almuadem é cego. 
Não o tem descrito assim o historiador no seu livro. Apenas
que o muezim subiu ao minarete e dali convocou os fiéis à oração
na mesquita, sem rigores de ocasião, se era manhã ou meio-
dia, ou se estava a pôr-se o sol, porque certamente, em sua
opinião, o miúdo pormenor não interessaria à história, somente
que ficasse o leitor sabendo que o autor conhecia das coisas
daquele tempo o suficiente para fazer delas responsável menção.
E isto lhe deveríamos agradecer porque o seu tema, sendo de
guerra e de cerco, portanto de virilidades superiores, dispensaria
bem as deliquescências da prece, que é de todas as situações a
mais sujeita, pois nela se prontifica o rezador sem luta, rendido
por uma vez.
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7. Raimundo Benvindo Silva, no fragmento,
a) desconsidera o fato de o almuadem ser cego e, assim, justifica a
ausência de descrições do momento em que são chamados os fiéis
para as orações.
b) emprega o termo “cego” apenas em sentido metafórico, indicando
a cegueira do fanatismo religioso.
c) considera-se superior ao autor do livro que revisa, uma vez que tem
maior conhecimento sobre o momento narrado.
d) opina sobre os fatos relatados na obra que revisa, expressando juízo
de valor.
RESOLUÇÃO:
O narrador opina sobre os fatos relatados no livro que revisa.
Resposta: D
Texto para o teste 8.
8. Conforme o fragmento, pode-se afirmar que o narrador
a) observa que o destino dos homens é preocupação de Cristo.
b) declara que Deus independe do homem para sobreviver.
c) considera Deus mais sábio do que o homem.
d) acredita que o sacrifício dos homens na guerra validou a fé da hu -
manidade. 
e) vale-se da intertextualidade para ratificar suas ideias.
RESOLUÇÃO: 
A frase “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” é,
tradicionalmente, atribuída a Lavoisier. No entanto, alguns estudiosos
afirmam que ele teria se apoiado no poeta e filósofo romano Tito Lucrécio
Caro (99-55 a.C.), o qual, por sua vez, teria se baseado no filósofo grego
Epicuro (341-270 a.C.) para chegar à célebre afirmação. Retomada por
José Saramago em “na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se
aproveita”, verifica-se, portanto, intertextualidade nessa passagem, como
também na referência ao milagre de Ourique, tematizado em Os Lusíadas,
de Luís de Camões.
Resposta: E
(...) Ainda que, para que não quede sem exame e consideração
o que esteja em contrário destas oposições entre oração e guerra,
aqui se pudesse recordar já, estando tão próximo o tempo e sendo
tantas e tão preclaras as testemunhas ainda vivas, aqui se pudesse
recordar, tornamos a dizer, aquele milagre de Ourique,
celebérrimo, quando Cristo apareceu ao rei português, e este lhe
gritou, enquanto o exército prostrado no chão orava, Aos infiéis,
Senhor, aos infiéis, e não a mim que creio o que podeis, mas Cristo
não quis aparecer aos mouros, e foi pena, que em vez da
crudelíssima batalha poderíamos, hoje, registrar nestes anais a
conversão maravilhosa dos cento e cinquenta mil bárbaros que
afinal ali perderam a vida, um desperdício de almas de bradar aos
céus. É assim, nem tudo se pode evitar, nunca a Deus faltamos
com os nossos bons conselhos, mas o destino tem lá as suas leis
inflexíveis, e quantas vezes com inesperados e artísticos efeitos,
como foi este de haver podido aproveitar-se Camões do inflamado
grito, distribuindo-o tal qual em dois versos imortais. É bem
verdade que na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se
aproveita.
(José Saramago, História do Cerco de Lisboa)
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Textos para os testes 1 e 2.
1. (FUVEST-SP-2018) – São características dos narradores Brás
Cubas e Helena, respectivamente,
a) malícia e ingenuidade.
b) solidariedade e egoísmo.
c) apatia e determinação.
d) rebeldia e conformismo.
e) otimismo e pessimismo.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] Brás Cubas apresenta em seu livro de memórias uma
existência marcada pelo tédio, ociosidade e hedonismo, o que traz como
resultado o balanço niilista apresentado no capítulo “Das Negativas”.
Helena, por sua vez, sente prazer em entregar-se às atividades domésticas,
o que a torna uma personagem cheia de determinação, inclusive em relação
à estrutura social.
Resposta: C
2. (FUVEST-SP-2018) – Nos dois textos, obtém-se ênfase por meio
do emprego de um mesmo recurso expressivo, como se pode verificar
nos seguintes trechos:
a) “Este último capítulo é todo de negativas” / “Eu não penso assim”.
b) “Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui
califa, não conheci o casamento” / “Não sei por que até hoje todo
o mundo diz que tinha pena dos escravos”.
c) “Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de
não comprar o pão com o suor do meu rosto” / “Ser obrigada a ficar
à toa é que seria castigo para mim”.
d) “qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra” /
“Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu fique preguiçosa”.
e) “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa
miséria” / “Acho que se fosse obrigada a trabalhar o dia inteiro não
seria infeliz”.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] Na alternativa c, os dois trechos transcritos
apresentam a expressão “é que”, chamada expressão denotativa de realce,
ou explícita, usada como recurso enfático.
Resposta: C
Texto para os testes 3 e 4.
Voltada para o encanto da vida livre do pequeno núcleo
aberto para o campo, a jovem Helena, familiar a todas as
classes sociais daquele âmbito, estava colocada num
invejável ponto de observação. (...)
Sem querer forçar um conflito que, a bem dizer, apenas
se esboça, podemos atribuir parte desta grande versatilidade
psicológica da protagonista aos ecos de uma formação
britânica, protestante, liberal, ressoando num ambiente de
corte ibérico e católico, mal saído do regime
de trabalho escravo. Colorindo a apaixonada esfera de
independência da juventude, reveste-se de acentuado sabor
sociológico este caso da menina ruiva que, embora
inteiramente identificada com o meio de gente
morena que é o seu, o único que conhece e ama, não vacila
em o criticar com precisão e finura notáveis, se essa lucidez
não traduzisse a coexistência íntima de dois mundos
culturais divergentes, que se contemplam e se julgam no
interior de um eu tornado harmonioso pelo equilíbrio mesmo
de suas contradições.
(Alexandre Eulálio, Livro que Nasceu Clássico.
In: Morley, Helena. Minha Vida de Menina)
5
10
15
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a
celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não
conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-
me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto.
Mais; não padeci a morte de dona Plácida, nem a semidemência
do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer
pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e,
conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal;
porque ao chegara este outro lado do mistério, achei-me com um
pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de
negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o
legado da nossa miséria.
(Machado de Assis, 
Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Não sei por que até hoje todo o mundo diz que tinha pena dos
escravos. Eu não penso assim. Acho que se fosse obrigada a
trabalhar o dia inteiro não seria infeliz. Ser obrigada a ficar à
toa é que seria castigo para mim. Mamãe às vezes diz que ela até
deseja que eu fique preguiçosa; a minha esperteza é que a
amofina. Eu então respondo: “Se eu fosse preguiçosa não sei o
que seria da senhora, meu pai e meus irmãos, sem uma
empregada em casa”.
(Helena Morley, 
Minha Vida de Menina)
MÓDULO 11 11 Literatura e Análise de Textos Literários – VII
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3. (FUVEST-SP-2018) – O trecho do romance Minha Vida de Menina
que ilustra de modo mais preciso o que, para o crítico Alexandre
Eulálio, representa “a coexistência íntima de dois mundos culturais
divergentes” é:
a) “Se há uma coisa que me faz muita tristeza é gostar muito de uma
pessoa, pensando que ela é boa e depois ver que é ruim”.
b) “Eu tinha muita inveja de ver meus irmãos montarem no cavalo em
pelo, mas agora estou curada e não montarei nunca mais na minha
vida”.
c) “Já refleti muito desde ontem e vi que o único meio de ter vestido
é vendendo o broche. Vou dormir ainda esta noite com isto na
cabeça e vou conversar com Nossa Senhora tudo direitinho”.
d) “Se eu não ouvir missa no domingo, como quando estou na Boa
Vista onde não há igreja e não posso ouvir no Bom Sucesso, fico o
dia todo com um prego na consciência me aferroando”.
e) “Este ano saiu à rua a procissão de Cinzas que há muitos anos não
havia. Dizem que não saía há muito tempo por falta de santos,
porque muitos já estavam quebrados”.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] O fato de Helena guardar dinheiro remete à “formação
britânica, protestante, liberal”. Já as preces a Nossa Senhora evidenciam
a formação “de corte ibérico e católico”. Destaca-se, assim, “a coexistência
íntima de dois mundos culturais divergentes”.
Resposta: C
4. (FUVEST-SP-2018) – De acordo com Alexandre Eulálio, a
protagonista do romance Minha Vida de Menina
a) vivencia um conflito — uma ideia fortalecida por “a bem dizer”
(l. 5).
b) apresenta certo vínculo com o protestantismo — uma ideia
sintetizada por “ecos de uma formação britânica” (l. 7-8).
c) formou-se num meio alheio ao trabalho escravo — um fato referido
por “num ambiente de corte ibérico e católico” (l. 8-9).
d) rejeita as influências do meio em que vive — uma característica
revelada por “precisão e finura notáveis” (l. 15).
e) tem a sua lucidez psicológica abalada pelas ambivalências de sua
educação — um traço reiterado por “equilíbrio mesmo de suas
contradições” (l. 18-19).
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] O texto de Alexandre Eulálio faz referência à
“formação britânica, protestante, liberal”, ideologia que é confirmada na
alternativa b.
Resposta: B
Textos para os testes 5 e 6.
5. (FUVEST-SP-2018) – As declarações de Graciliano Ramos na
Carta e o excerto do romance permitem afirmar que a personagem
Baleia, em Vidas Secas, representa
a) o conformismo dos sertanejos.
b) os anseios comunitários de justiça social.
c) os desejos incompatíveis com os de Fabiano.
d) a crença em uma vida sobrenatural.
e) o desdém por um mundo melhor.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] Quando Graciliano Ramos recupera — no trecho da
carta que envia à esposa — a passagem do romance em que Baleia deseja
acordar em um mundo repleto de preás e, na sequência da missiva, reitera
que é “exatamente o que todos nós desejamos”, é evidente o anseio pela
justiça social, que permeia toda a concepção do romance Vidas Secas. Tal
ideia ainda é corroborada pela afirmação de que ele, Graciliano Ramos,
deseja que todos os preás (símbolo de tal justiça no excerto) apareçam
“antes do sono”, ou seja, durante a vida, ao passo que o padre Zé Leite
considera isso utopicamente.
Resposta: B
(...) procurei adivinhar o que se passa na alma duma cachorra.
Será que há mesmo alma em cachorro? Não me importo. O meu
bicho morre desejando acordar num mundo cheio de preás.
Exatamente o que todos nós desejamos. A diferença é que eu
quero que eles apareçam antes do sono, e padre Zé Leite pretende
que eles nos venham em sonhos, mas no fundo todos somos como
a minha cachorra Baleia e esperamos preás. (...)
(Carta de Graciliano Ramos a sua esposa)
(...) Uma angústia apertou-lhe o pequeno coração. Precisava
vigiar as cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam andar
pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas.
Felizmente os meninos dormiam na esteira, por baixo do
caritó onde sinha Vitória guardava o cachimbo.
(...)
Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de
preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As
crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio
enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de
preás, gordos, enormes.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas)
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6. (FUVEST-SP-2018) – A comparação entre os fragmentos,
respectivamente, da Carta e de Vidas Secas, permite afirmar que
a) “será que há mesmo” e “acordaria feliz” sugerem dúvida.
b) “procurei adivinhar” e “precisava vigiar” significam necessidade.
c) “no fundo todos somos” e “andar pelas ribanceiras” indicam lugar.
d) “padre Zé Leite pretende” e “Baleia queria dormir” indicam
intencionalidade.
e) “todos nós desejamos” e “dormiam na esteira” indicam possibi -
lidade.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] No contexto, a forma verbal “pretende” e a locução
verbal “queria dormir” indicam a intenção de praticar uma ação. Em a, a
primeira expressão sugere dúvida e a segunda, possibilidade. Em b, apenas
a segunda indica necessidade; a primeira, intenção. Em c, a primeira
expressão é uma afirmação (significa “na realidade”); a segunda indica
lugar. Em e, a primeira indica certeza e a segunda, lugar.
Resposta: D
7. (FUVEST-SP) – Considere as seguintes comparações entre Vidas
Secas e Iracema:
I. Em ambos os livros, a parte final remete o leitor ao início da
narrativa: em Vidas Secas, essa recondução marca o retorno de um
fenômeno cíclico; em Iracema, a remissão ao início confirma que
a história fora contada em retrospectiva, reportando-se a uma época
anterior à da abertura da narrativa.
II. A necessidade de migrar é tema de que Vidas Secas trata
abertamente. O mesmo tema, entretanto, já era sugerido no capítulo
final de Iracema, quando, referindo-se à condição de migrante de
Moacir, “o primeiro cearense”, o narrador pergunta: “Havia aí a
predestinação de uma raça?”.
III.As duas narrativas elaboram suas tramas ficcionais a partir de
indivíduos reais, cuja existência histórica, e não meramente
ficcional, é documentada: é o caso de Martim e Moacir, em
Iracema, e de Fabiano e sinha Vitória, em Vidas Secas.
Está correto o que se afirma em
a) I, somente.
b) II, somente.
c) I e II, somente.
d) II e III, somente.
e) I, II e III.
RESOLUÇÃO:
Em I, identifica-se o caráter cíclico e/ou circular de Vidas Secas e Iracema.
No primeiro, os capítulos “Mudança” (1.o) e “Fuga” (13.o) são homólogos
e configuram retiradas, tangendo os homens e animais ao incerto
nomadismo imposto pelos ciclos da natureza. Em Iracema, o capítulo
inicial, belíssimo canto elegíaco à terra natal e à heroína já morta, está
cronologicamente deslocado da ação romanesca, a qual se inscreve entre
os capítulos 2 e 33. É a saudosa revisitação, após quatro anos, dos “Verdes
mares bravios de minha terra natal…”. Em II, estabelece-se, com correção,
uma semelhança entre Vidas Secas e Iracema: a presença do migrante
nordestino, condição que irmana Fabiano e Moacir, predestinados,por
razões diversas, a migrarem, a viver longe da terra natal. Em III, não há
nenhum fundamento na historicidade atribuída a Moacir, a Fabiano e a
sinha Vitória, personagens puramente ficcionais. Mesmo Martim Soares
Moreno, a quem o autor confere existência real, arrolando documentos no
“Argumento Histórico” que inclui após o final de seu romance, é convertido
em ser de ficção, mítico-lendário, mais próximo da fantasia do que da
verdade histórica.
Resposta: C
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Texto para o teste 1.
1. (UNESP-SP) – Esse comentário refere-se a
a) Guimarães Rosa. b) Clarice Lispector.
c) Euclides da Cunha. d) Machado de Assis.
e) Graciliano Ramos.
RESOLUÇÃO:
[UNESP-SP-2017] O comentário de Walnice Nogueira Galvão refere-se
claramente à prosa poética regionalista de João Guimarães Rosa. Esse
autor aborda a realidade do interior de Minas Gerais, partindo da
linguagem regional para elaborar código requintado, em que há temas
universais e transcendentes.
Resposta: A
Texto para o teste 2.
2. (ALBERT EINSTEIN-SP) – O trecho transcrito integra o conto
“O Burrinho Pedrês”, da obra Sagarana, escrita por João Guimarães
Rosa. Dele é correto afirmar que
a) descreve o movimento agitado dos bois por meio de uma linguagem
construída apenas pelo emprego abusivo de frases nominais e de
gerúndios.
b) apresenta um jogo entre a forma poética e a prosaica e, em ambos
os gêneros, é possível constatar a presença de ritmo marcado pelo
uso de redondilhos.
c) há presença significativa de figuras sonoras, como as aliterações,
que emprestam ao texto ritmo duro e pesado, impedindo a
musicalidade e o lirismo próprios da arte popular.
d) há uma mistura de textos narrativos e textos poéticos que quebra a
sequência do conto e oferece ao leitor um texto de duvidosa
qualidade estética.
RESOLUÇÃO:
[ALBERT EINSTEIN-SP-2017] Este trecho do conto “O Burrinho Pedrês”
é exemplo cabal do que a crítica literária denomina como “prosa poética”,
não apenas por apresentar o ritmo popular do verso redondilho, como
também por recriar a melopeia da fala sertaneja. Do início desse excerto até
a palavra “sertão”, é possível escandir o texto em versos redondilhos
menores (pentassílabos). A partir daí, é possível a escansão em versos
redondilhos maiores (heptassílabos).
Resposta: B
Quando este(a) autor(a) publicou seu primeiro livro, duas
vertentes assinalavam o panorama da ficção brasileira: o
regionalismo e a reação espiritualista. Sua obra vai representar
uma síntese feliz das duas vertentes. Como regionalista, volta-se
para os interiores do país, pondo em cena personagens plebeias
e “típicas”. Leva a sério a função da literatura como documento,
ao ponto de reproduzir a linguagem característica daquelas
paragens. Porém, como os autores da reação espiritualista,
descortina largo sopro metafísico, costeando o sobrenatural, em
demanda da transcendência. No que superou a ambas,
distanciando-se, foi no apuro formal, no caráter experimentalista
da linguagem, na erudição poliglótica, no trato com a literatura
universal de seu tempo, de que nenhuma das vertentes dispunha,
ou a que não atribuíam importância. E no fato de escrever prosa
como quem escreve poesia — ou seja, palavra por palavra, ou
até fonema por fonema.
(Walnice Nogueira Galvão)
As ancas balançam, e as vagas de dorsos, das vacas e touros,
batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada,
com atritos de couros, estralos de guampas, estrondos e baques,
e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com
muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do
sertão...
“Um boi preto, um boi pintado,
cada um tem sua cor.
Cada coração um jeito
de mostrar o seu amor.”
Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando... Dança
doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito... Vai, vem, volta, vem
na vara, vai não volta, vai varando...
“Todo passarinh’ do mato
tem seu pio diferente.
Cantiga de amor doído
não carece ter rompante...”
MÓDULO 11 22 Literatura e Análise de Textos Literários – VIII
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3. (PUC-SP) – Dos enunciados abaixo, indique aquele cujo conteúdo
não corresponde ao conto referido.
a) (...) era o homem mais afamado dos dois sertões do rio: célebre do
Jequitinhonha à Serra das Araras, (...), maior do que Antônio Dó
ou Indalécio; o arranca-toco, o treme-terra, o come-brasa, o pega-
à-unha, o fecha-treta, o tira-prosa, o parte-ferro, o rompe-racha, o
rompe-e-arrasa: Seu Joãozinho Bem-Bem. – “A Hora e Vez de
Augusto Matraga”.
b) Folgado, Sete-de-Ouros endireitou para a coberta. Farejou o
cocho. Achou milho. Comeu. Então, rebolcou-se, com as
espojadelas obrigatórias, dançando de patas no ar e esfregando as
costas no chão. Comeu mais. Depois procurou um lugar qualquer,
e se acomodou para dormir, entre a vaca mocha e a vaca malhada,
que ruminavam, quase sem bulha, na escuridão. – “Conversa de
Bois”.
c) E eu abusava, todos os domingos, porque, para ir domingar no
mato das Três Águas, o melhor atalho renteava o terreirinho de
frente da cafua do Mangolô, de quem eu zombava já por prática.
Com isso eu me crescia, mais mandando, e o preto até que se ria,
acho que achando mesmo graça em mim. – “São Marcos”.
d) O sol cresce, amadurece. Mas eles estão esperando é a febre, mais
o tremor. Primo Ribeiro parece um defunto — sarro de amarelo na
cara chupada, olhos sujos, desbrilhados, e as mãos pendulando,
compondo o equilíbrio, sempre a escorar dos lados a bambeza do
corpo. (...) e trouxe cá para fora a caixinha de remédio, a cornicha
de pó e mais o cobertor. – “Sarapalha”.
RESOLUÇÃO:
[PUC-SP-2017] Sete-de-Ouros é um dos nomes da personagem-título do
conto “O Burrinho Pedrês”, e não de “Conversa de Bois”.
Resposta: B
4. Leia os comentários sobre alguns contos de Sagarana, de
Guimarães Rosa:
I. Neste conto, narra-se a história de um homem mau que, depois de
mutilado para a prática da maldade, resolveu se tornar bom. Na
busca do bem, ele revela a mesma obstinação que aplicava no
exercício do mal.
II. Entre os contos de Sagarana, existe um em que o narrador sustenta
com outro poeta um desafio literário e no qual se fazem várias
considerações sobre a natureza da poesia. Numa metáfora do
condicionamento do homem, resistente à aceitação do novo, o
autor leva a personagem a passar por um período de perda de uma
das sensações.
III. A personagem central, neste conto, é um tanto malandra, picaresca
e possui um discurso convincente, sedutor. A personagem acaba
atingindo seu objetivo após armar e desarmar conchavos políticos
com o chefe político da região.
Os comentários acima referem-se, respectivamente, aos contos:
a) “A Hora e Vez de Augusto Matraga” – “Duelo” – “A Volta do
Marido Pródigo”.
b) “A Hora e Vez de Augusto Matraga” – “São Marcos” – “A Volta do
Marido Pródigo”.
c) “Minha Gente” – “Duelo” – “A Hora e Vez de Augusto Matraga”.
d) “São Marcos” – “Duelo” – “A Volta do Marido Pródigo”.
e) “A Hora e Vez de Augusto Matraga” – “Duelo” – “Minha Gente”.
RESOLUÇÃO:
[Este teste permite que o professor comente sucintamente o enredo de cinco
dos nove contos de Sagarana: “A Hora e Vez de Augusto Matraga”,
“Duelo”, “A Volta do Marido Pródigo”, “São Marcos” e “Minha Gente”.]
Resposta: B
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O poema abaixo é de autoria do poeta Augusto de Campos, integrante
do movimento concretista.
(CAMPOS, Augusto de. Viva Vaia. Poesia: 1949-1979.
São Paulo: Ateliê Editorial, 2000, p. 116-117.)
5. (UNICAMP-SP-2018) – Nesse poema, nota-se uma técnica de
composição que consiste
a) na disposição arbitrária de anagramas, sem produzir uma relaçãode sentido com o título do poema.
b) na disposição exaustiva de anagramas, sem produzir uma relação de
sentido com o título do poema.
c) na disposição arbitrária de anagramas, para produzir uma relação de
sentido com o título do poema.
d) na disposição exaustiva de anagramas, para produzir uma relação de
sentido com o título do poema.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] O poema de Augusto de Campos, poeta concretista
brasileiro, foi composto por 60 combinações das cinco letras que constituem
a palavra ACASO, divididas em grupos de 6 anagramas cada, que,
visualmente, remetem à imagem invertida da letra A, o que comprova a
exploração exaustiva do anagrama em todas as suas variantes, não havendo
arbitrariedade nessas repetições.
Resposta: D
Observe a imagem e leia o texto, para responder ao teste 6.
Amoreira africana.
http://www.google.com.br
6. (FUVEST-SP) – Considerando-se o excerto no contexto de
Mayombe, os paralelos que nele são estabelecidos entre aspectos da
natureza e da vida humana podem ser interpretados como uma
a) reflexão relacionada ao próprio Comandante Sem Medo e a seu
dilema característico entre a valorização do indivíduo e o
engajamento em um projeto eminentemente coletivo.
b) caracterização flagrante da dificuldade de aceder ao plano do
raciocínio abstrato, típica da atitude pragmática do militante
revolucionário.
1963
ACASO
s o c a a
o s c a a
s c o a a
c s o a a
o c s a a
c o s a a
s o a c a
o s a c a
s a o c a
a s o c a
o a s c a
a o s c a
s c a o a
c s a o a
s a c o a
a s c o a
c a s o a
a c s o a
o c a s a
c o a s a
o a c s a
a o c s a
c a o s a
a c o s a
s o a a c
o s a a c
s a o a c
a s o a c
o a s a c
a o s a c
s a a o c
a s a o c
a a s o c
o a a s c
a o a s c
a a o s c
s c a a o
c s a a o
s a c a o
a s c a o
c a s a o
a c s a o
s a a c o
a s a c o
a a s c o
c a a s o
a c a s o
a a c s o
o c a a s
c o a a s
o a c a s
a o c a s
c a o a s
a c o a s
o a a c s
a o a c s
a a o c s
c a a o s
a c a o s
a a c o s
O Comissário apertou-lhe mais a mão, querendo transmitir-lhe
o sopro de vida. Mas a vida de Sem Medo esvaía-se para o solo
do Mayombe, misturando-se às folhas em decomposição.
(...)
Mas o Comissário não ouviu o que o Comandante disse. Os
lábios já mal se moviam.
A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do
sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco
para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de
novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se individualiza. Tal
é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco,
o resto confunde-se na massa. Tal o homem. As impressões visuais
são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater
progressivamente a claridade do tronco da amoreira gigante. As
manchas verdes são cada vez mais sobrepostas, mas, num
sobressalto, o tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se.
Tal é a vida.
(...)
Os olhos de Sem Medo ficaram abertos, contemplando o
tronco já invisível do gigante que para sempre desaparecera no
seu elemento verde.
(Pepetela, Mayombe)
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c) figuração da harmonia que reina no mundo natural, em contraste
com as dissensões que caracterizam as relações humanas,
notadamente nas zonas urbanizadas.
d) representação do juízo do Comissário a respeito da manifesta
incapacidade que tem o Comandante Sem Medo de ultrapassar o
dogmatismo doutrinário.
e) crítica esclarecida à mentalidade animista que tende a personificar
os elementos da natureza e ao tribalismo, ainda muito difundidos
entre os guerrilheiros do Movimento Popular de Libertação de
Angola (MPLA).
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2017] Ao relacionar a vida humana à Natureza, o excerto
evidencia o martírio do Comandante Sem Medo e associa-o à trajetória
heroica da personagem, que vive o dilema entre sua missão individual de
superação de limites ontológicos, representada pelo tronco da amoreira, e
o projeto coletivo, confirmado pela luta dos demais guerrilheiros pela
libertação de Angola, metaforizada pela floresta Mayombe.
Resposta: A
Textos para o teste 7.
7. O narrador do Texto II não é o mesmo do Texto I. Nota-se, no
romance Mayombe, portanto, a 
a) polifonia, ou seja, a variedade de pontos de vista.
b) estrutura típica de um livro de contos, como ocorre em Sagarana.
c) uniformidade de ponto de vista nos vários relatos do livro.
d) estrutura de um romance desmontável, como Vidas Secas.
e) ruptura com a linearidade, como ocorre em Memórias Póstumas de
Brás Cubas.
RESOLUÇÃO:
Resposta: A
Texto I
Trago em mim o inconciliável e este é o meu motor. Num
Universo de sim e não, branco ou negro, eu represento o talvez.
Talvez é não para quem quer ouvir sim e significa sim para quem
espera ouvir não. A culpa será minha se os homens exigem a
pureza e recusam as combinações? Sou eu que devo tornar-me
em sim ou em não? Ou são os homens que devem aceitar o talvez?
Texto II
Sem Medo também o sabia. Mas insistia em que era um
caminho no deserto. Por isso se ria dos que diziam que era um
trilho cortando, nítido, o verde do Mayombe. Hoje sei que não há
trilhos amarelos no meio do verde.
Tal é o destino de Ogun, o Prometeu africano.
DOLISIE, 1971
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Texto para o teste 1.
1. (UNICAMP-SP-2018) – Um dos aspectos mais importantes da
lírica de Camões é a retomada renascentista de ideias do filósofo grego
Platão. Considerando o soneto transcrito, pode-se dizer que o chamado
“neoplatonismo” camoniano
a) é afirmado nos dois primeiros quartetos, uma vez que a união entre
amador e pessoa amada resulta em uma alma única e perfeita.
b) é confirmado nos dois últimos tercetos, uma vez que a beleza e a
pureza reúnem-se finalmente na matéria simples que deseja.
c) é negado nos dois primeiros quartetos, uma vez que a conse quên -
cia da união entre amador e coisa amada é a ausência de desejo.
d) é contrariado nos dois últimos tercetos, uma vez que a pureza e a
beleza mantêm-se em harmonia na sua condição de ideia.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] Nos dois quartetos, o neoplatonismo já se impõe nos
dois primeiros versos (Transforma-se o amador na coisa amada / por
virtude de muito imaginar). No decorrer dos quartetos, percebe-se a união
metafísica, ideal, entre o eu lírico e a amada.
Resposta: A
Leia o soneto “Alma minha gentil, que te partiste”, do poeta português
Luís de Camões (1525?-1580), para responder aos testes de 2 a 4.
2. (UNESP) – No soneto, o eu lírico
a) suplica a Deus que suas memórias afetivas lhe sejam subtraídas.
b) expressa o desejo de que sua amada seja em breve restituída à vida.
c) expressa o desejo de que sua própria vida também seja abreviada.
d) suplica a Deus que sua amada também se liberte dos sofrimentos
terrenos.
e) lamenta que sua própria conduta tenha antecipado a morte da
amada.
RESOLUÇÃO:
No último terceto, o eu lírico manifesta a vontade de morrer o mais cedo
possível, para reencontrar, num plano metafísico, a amada morta.
Resposta: C
3. (UNESP) – Embora predomine no soneto uma visão espiritualizada
da mulher (em conformidade com o chamado platonismo), verifica-se
certa sugestão erótica no seguinte verso:
a) “não te esqueças daquele amor ardente” (2.a estrofe)
b) “da mágoa, sem remédio, de perder-te” (3.a estrofe)
c) “memória desta vida se consente” (2.a estrofe)
d) “que tão cedo de cá me leve a ver-te” (4.a estrofe)
e) “e viva eu cá na terra sempre triste” (1.a estrofe)
RESOLUÇÃO:
Na expressão “amor ardente”, o adjetivo ardente, que pertence ao campo
semântico ligado à sensação tátil do fogo e do calor, sugere calor corporale, portanto, erotismo.
Resposta: A
4. (UNESP) – De modo indireto, o soneto camoniano acaba também
por explorar o tema da
a) falsidade humana.
b) indiferença divina.
c) desumanidade do mundo.
d) efemeridade da vida.
e) falibilidade da memória.
RESOLUÇÃO:
No soneto em análise, nota-se o tema da efemeridade da vida, porque há
não só a referência à morte da amada, como também a referência à vontade
do eu lírico de morrer o mais breve possível.
Resposta: D
Transforma-se o amador na coisa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada. com ele
Mas esta linda e pura semideia
que, como um acidente em seu sujeito,
assim com a alma minha se conforma,
está no pensamento como ideia;
o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples, busca a forma.
(Camões)
Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
alguma coisa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,
roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.
(Sonetos, 2001)
MÓDULO 11 33 Análise de Texto – I
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Texto para os testes 5 e 6.
5. (UNIFESP-SP) – Uma das principais figuras exploradas por Camões
em sua poesia é a antítese. Neste soneto, tal figura ocorre no verso:
a) “mas não servia ao pai, servia a ela”
b) “passava, contentando-se com vê-la”
c) “para tão longo amor tão curta a vida”
d) “porém o pai, usando de cautela”
e) “lhe fora assi negada a sua pastora”
RESOLUÇÃO:
Há antítese na oposição entre as palavras “longo” e “curta”,
enfatizando-se, respecti vamente, a persistência do amor do eu lírico por
sua amada Raquel e a brevidade da vida.
Resposta: C
6. (UNIFESP-SP) – Do ponto de vista formal, o tipo de verso e o
esquema de rimas que caracterizam este soneto camoniano são,
respectivamente,
a) dodecassílabo e ABAB ABAB ABC ABC.
b) decassílabo e ABAB ABAB CDC DCD.
c) heptassílabo e ABBA ABBA CDE CDE.
d) decassílabo e ABBA ABBA CDE CDE.
e) dodecassílabo e ABBA ABBA CDE CDE.
RESOLUÇÃO:
Os versos são decassílabos, conforme se confirma na escansão:
Se | tea | nos | de | pas | tor | ja | có | ser | vi | (a)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
La | bão, | pai | de | Ra | quel | se | rra | na | be | (la) 
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Trata-se da “medida nova”, que é carac terística da poesia clássica de
Camões.
A disposição das rimas é interpolada nos quartetos (ABBA, ABBA) e
intercalada nos tercetos (CDE, CDE).
Resposta: D
Texto para os testes 7 e 8.
7. Assinale a alternativa incorreta sobre o poema.
a) O uso de maiúscula alegorizante ao se escrever Amor, nos versos 5
e 9, indica tratar-se da divindade, e não do sentimento amoroso.
b) O eu lírico fala das forças que determinam o conteúdo dos seus
versos, o que confere ao poema um caráter metalinguístico.
c) No penúltimo verso, o eu lírico escreve amor com inicial minúscula
por se referir ao sentimento amoroso do receptor.
d) A Fortuna a que se refere o eu lírico consiste no mecenato que
patrocinava as artes à época de Camões.
e) Neste soneto, observa-se um procedimento compositivo chamado
enjambement ou cavalgamento, pois há versos que só se
completam, sintaticamente, no verso seguinte.
RESOLUÇÃO:
Fortuna, no contexto, também escrita com maiúscula alego rizante, refere-se
à entidade mitológica: a deusa do destino ou sorte (boa ou má).
Resposta: D
8. É possível afirmar que o eu lírico promove a ideia de que a arte não
é fingimento, pois(,)
a) a divindade Amor acaba por revelar a sua verdadeira vontade,
invariável e absoluta, através da poesia.
b) os seus versos resultam de uma experiência sentimental.
c) só há verdadeiros poetas quando a Fortuna assim o determina.
d) de tanto se repetir e propagar um mote, ele torna-se verdade.
e) a poesia só é compreendida por pessoas em busca da verdade
impessoal.
RESOLUÇÃO:
Neste soneto, Camões explora o tema da arte como imitação da vida, como
antes o fizera Petrarca. Os seus leitores, se experimentados no amor, serão
capazes de compreender a verdade dos seus versos.
Resposta: B
SETE ANOS DE PASTOR JACÓ SERVIA
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo — Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!
(Luís de Camões)
ENQUANTO QUIS FORTUNA QUE TIVESSE
Enquanto quis Fortuna que tivesse
esperança de algum contentamento,
o gosto de um suave pensamento
me fez que seus efeitos escrevesse.
Porém, temendo Amor que aviso desse
minha escritura a algum juízo isento,
escureceu-me o engenho co tormento,
para que seus enganos não dissesse.
Ó vós, que Amor obriga a ser sujeitos
a diversas vontades! Quando lerdes
num breve livro casos tão diversos,
verdades puras são, e não defeitos...
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
tereis o entendimento de meus versos!
(Camões)
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Texto para os testes 1 e 2.
1. (FUVEST-SP-2018) – Uma característica do Naturalismo presente
no texto é:
a) forte apelo aos sentidos.
b) idealização do espaço.
c) exaltação da natureza.
d) realce de aspectos raciais.
e) ênfase nas individualidades.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] Uma das principais características do Naturalismo é a
descrição minuciosa, que, no trecho, destaca reiteradamente os aspectos
sonoros do amanhecer no cortiço: “rumor”, “zunzum”, “vozes”, “ruído”,
“discussões”, “gargalhadas”, “não se falava”, “gritava-se”, “gritou” e
“ouviu”.
Resposta: A
2. (FUVEST-SP-2018) – Constitui marca do registro informal da
língua o trecho
a) “mas um só ruído compacto” (l. 3).
b) “ouviam-se gargalhadas” (l. 5).
c) “o prazer animal de existir” (l. 9).
d) “gritou ela para baixo” (l. 15).
e) “bata na porta” (l. 16-17).
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] A ocorrência de um termo que representa o registro
coloquial e que, por conseguinte, descumpre a norma culta da língua está
no trecho “bata na porta”, no qual a preposição em deveria ser substituída
pela preposição a, pois trata-se da ação de golpear a porta. No registro
formal seria “bata à porta”.
Resposta: E
Texto para os testes de 3 a 7.
3. (FUVEST-SP) – O conceito de hiperônimo (vocábulo de sentido
mais genérico em relação a outro) aplica-se à palavra planta em relação
a palmeira, trevos, baunilha etc., todas presentes no texto. Tendo em
vista a relação que estabelece com outras palavras do texto, constitui
também um hiperônimo a palavra
a) alma.
b) impressões.
c) fazenda.
d) cobra.
e) saudade.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2015] No texto, a palavra impressões tem sentido mais
genérico que luz, calor e aroma.
Resposta: B
4. (FUVEST-SP) – Em que pese a oposição programática do
Naturalismo ao Romantismo, verifica-se no excerto — e na obra a que
pertence — a presença de uma linha de continuidade entre o
movimento romântico e a corrente naturalista brasileira, a saber, a
a) exaltação patriótica da mistura de raças.
b) necessidadede autodefinição nacional.
c) aversão ao cientificismo.
d) recusa dos modelos literários estrangeiros.
e) idealização das relações amorosas.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2015] O Naturalismo, se considerado não como uma oposição
ao Romantismo, mas como um prolongamento e aprofunda mento de temas,
vale-se da proposta de apresentar o Brasil como uma nação com
características próprias, diferentes costumes, composição populacional e
valores resultantes da grande mescla que constitui o país.
Resposta: B
O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos
os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas,
mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço.
Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se1
discussões e rezingas2; ouviam-se gargalhadas e pragas; já
se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação
sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que
mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da
vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de
respirar sobre a terra.
Da porta da venda que dava para o cortiço iam e
vinham como formigas; fazendo compras.
Duas janelas do Miranda abriram-se. Apareceu numa
a Isaura, que se dispunha a começar a limpeza da casa.
— Nhá Dunga! gritou ela para baixo, a sacudir um
pano de mesa; se você tem cuscuz de milho hoje, bata na
porta, ouviu?
(Aluísio Azevedo, O Cortiço)
1 – Ensarilhar-se: emaranhar-se.
2 – Rezinga: resmungo.
5
10
15
E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma
pelos olhos enamorados.
Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das
impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente
do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era
o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas
matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não
torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar
gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do
caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra
verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que
esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele,
assanhando-lhe os desejos, acordando-lhes as fibras
embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias,
para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor
setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer,
uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno
de Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência
afrodisíaca.
(Aluísio Azevedo, O Cortiço)
MÓDULO 11 44 Análise de Texto – II
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5. (FUVEST-SP) – Entre as características atribuídas, no texto, à
natureza brasileira, sintetizada em Rita Baiana, aquela que
corresponde, de modo mais completo, ao teor das transformações que
o contato com essa mesma natureza provocará em Jerônimo é a que se
expressa em:
a) “era o calor vermelho das sestas da fazenda”.
b) “era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra
planta”.
c) “era o veneno e era o açúcar gostoso”.
d) “era a cobra verde e traiçoeira”.
e) “[era] a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno
do corpo dele”.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2015] A metáfora aplicada a Rita Baiana, “era o veneno e
era o açúcar”, pode ser associada ao comportamento de Jerônimo, no
sentido de que seu desejo por Rita tanto destrói quanto lhe adoça a vida.
Resposta: C
6. (FUVEST-SP) – O efeito expressivo do texto — bem como seu
pertencimento ao Naturalismo em literatura — baseiam-se amplamente
no procedimento de explorar de modo intensivo aspectos biológicos
da natureza. Entre esses procedimentos empregados no texto, só não
se encontra a 
a) representação do homem como ser vivo em interação constante com
o ambiente.
b) exploração exaustiva dos receptores sensoriais humanos (audição,
visão, olfação, gustação), bem como dos receptores mecânicos.
c) figuração variada tanto de plantas quanto de animais, inclusive
observados em sua interação.
d) ênfase em processos naturais ligados à reprodução humana e à
metamorfose em animais.
e) focalização dos processos de seleção natural como principal força
direcionadora do processo evolutivo.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2015] O fragmento de O Cortiço não apresenta a “focalização
dos processos de seleção natural” revelados pelo Evolucionismo.
Resposta: E
7. (FUVEST-SP) – Para entender as impressões de Jerônimo diante da
natureza brasileira, é preciso ter como pressuposto que há
a) um contraste entre a experiência prévia da personagem e sua vivên -
cia da diversidade biológica do país em que agora se encontra.
b) uma continuidade na experiência de vida da personagem, posto que
a diversidade biológica aqui e em seu local de origem são muito
semelhantes.
c) uma ampliação no universo de conhecimento da personagem, que
já tinha vivência de diversidade biológica semelhante, mas a
expande aqui.
d) um equívoco na forma como a personagem percebe e vivencia a
diversidade biológica local, que não comporta os organismos que
ele julga ver.
e) um estreitamento na experiência de vida da personagem, que vem
de um local com maior diversidade de ambientes e de organismos.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2015] Jerônimo, português recém-chegado ao Brasil,
encontra no país uma realidade totalmente diferente da que deixara em
Portugal e acaba deixando-se seduzir pelos encantos e sensualismo de Rita
Baiana. “Abrasileira-se”, trocando seus hábitos de aldeão português pelos
costumes locais, desde a alimentação até ao código moral.
Resposta: A
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Texto para os testes de 8 a 11.
8. (FUVEST-SP) – Considere as seguintes afirmações, rela cionadas
ao excerto de O Cortiço:
I. O Sol, que, no texto, se associa fortemente ao Brasil e à “pátria”,
é um símbolo que percorre o livro como manifestação da natureza
tropical e, em certas passagens, representa o princípio masculino da
fertilidade.
II. A visão do Brasil expressa no texto manifesta a ambiguidade do
intelectual brasileiro da época em que a obra foi escrita, o qual
acatava e rejeitava a sua terra, dela se orgulhava e envergonhava,
nela confiava e dela desesperava.
III. O narrador aceita a visão exótico-romântica de uma natureza
(brasileira) poderosa e transformadora, reinterpretando-a em chave
naturalista.
Aplica-se ao texto o que se afirma em
a) I, somente. 
b) II, somente.
c) II e III, somente. 
d) I e III, somente.
e) I, II e III.
RESOLUÇÃO:
Todas as afirmações são verdadeiras.
I) O Sol não só se associa fortemente ao Brasil, determinando o caráter
do brasileiro, como também representa o princípio de fertilidade,
principalmente na passagem do sonho de Pombinha.
II) Há referência à atitude ambígua do intelectual brasileiro, orgulhoso
do país, mas, ao mesmo tempo, com sentimento de inferioridade, não
só pela comparação com a Europa, como também pelo pessimismo
proveniente do determinismo então em moda.
III) O narrador retoma a caracterização romântica da natureza bra si lei ra,
adaptando-a à visão determinista característica do Naturalismo.
Resposta: E
9. (FUVEST-SP) – Ao comparar Jerônimo com uma crisálida, o
narrador alude, em linguagem literária, a fenômenos do desen -
volvimento da borboleta, por meio das seguintes expressões do texto:
I. “transformação, lenta e profunda” (l. 4);
II. “reviscerando” (l. 5);
III. “alando” (l. 5);
IV. “trabalho misterioso e surdo” (l. 6).
Tais fenômenos estão corretamente indicados em
a) I, apenas. 
b) I e II, apenas.
c) III e IV, apenas. 
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.
RESOLUÇÃO:
Todas as expressões podem referir-se, de forma direta ou translata, “a
fenômenos do desenvolvimento da borboleta” — ou, mais precisamente,à
transformação da crisálida em borboleta.
Resposta: E
Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as
manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e
tragava dois dedos de parati “pra cortar a friagem”.
Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, 
5 dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os
sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua
energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso.
A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora
aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos
10 seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar felicidades
novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e
franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos,
tomava gosto aos prazeres e volvia-se preguiçoso, resignando-se,
vencido, às imposições do Sol e do calor, muralha de fogo com 
15 que o espírito eternamente revoltado do último tamoio
entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros.
E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus
hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasi leirou-se.
(...)
20 E o curioso é que, quanto mais ia ele caindo nos usos e
costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam,
posto que em detrimento das suas forças físicas. Tinha agora o
ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as
intenções poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus 
25 amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança
de tornar à terra, agora, como os olhos de um marujo, que se
habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não
revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e
abriam-se amplamente defronte dos maravilhosos despenhadeiros 
30 ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço,
surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ricas
pedrarias refulgentes e as nuvens toucam de alvos turbantes de
cambraia, num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos.
(Aluísio Azevedo, O Cortiço)
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10. (FUVEST-SP) – Os costumes a que adere Jerônimo em sua
transformação, relatada no excerto, têm como referência, na época em
que se passa a história, o modo de vida
a) dos degredados portugueses enviados ao Brasil sem a companhia
da família.
b) dos escravos domésticos, na região urbana da Corte, durante o
Segundo Reinado.
c) das elites produtoras de café, nas fazendas opulentas do Vale do
Paraíba fluminense.
d) dos homens livres pobres, particularmente em região urbana.
e) dos negros quilombolas, homiziados em refúgios isolados e
anárquicos.
RESOLUÇÃO:
O fato de Jerônimo tomar, “todas as manhãs, uma xícara de café bem
grosso” remete ao modo de vida dos “homens pobres, particularmente em
região urbana”. Frise-se que, na época em que se passa a ação de O Cortiço,
fim do Segundo Império, já havia o plantio de café no Rio de Janeiro, mas
o modo de vida de Jerônimo não equivale ao das “elites produtoras de café
nas fazendas opulentas do Vale do Paraíba fluminense”.
Resposta: D
11. (FUVEST-SP) – Um traço cultural que decorre da presença da
escravidão no Brasil e que está implícito nas considerações do narrador
do excerto é a
a) desvalorização da mestiçagem brasileira.
b) promoção da música a emblema da nação.
c) desconsideração do valor do trabalho.
d) crença na existência de um caráter nacional brasileiro.
e) tendência ao antilusitanismo.
RESOLUÇÃO:
A desconsideração do valor do trabalho é herança cultural decorrente do
regime escravista que perdurou no Brasil do século XVI ao final do XIX.
Resposta: C
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Texto para os testes de 1 a 3.
1. (FUVEST-SP-2018) – A novela “Sarapalha” apresenta uma estória
dentro de outra, por meio da qual a personagem masculina da narrativa
principal (Primo Argemiro) alude a uma mulher da narrativa secundária
(a moça levada pelo capeta). O mesmo procedimento ocorre em
a) “Duelo”, com Cassiano e Silivana.
b) “Minha Gente”, com Ramiro e a filha de Emílio.
c) “A Volta do Marido Pródigo”, com Lalino e Maria Rita.
d) “O Burrinho Pedrês”, com Raymundão e a namorada de Silvino.
e) “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, com Ovídio e Dionóra.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] O uso de narrativas de encaixe é aspecto relevante em
Sagarana presente nos contos “Sarapalha” e “O Burrinho Pedrês”, em que
as personagens Argemiro e Raymundão assumem papel de narradores de
histórias secundárias. Em “O Burrinho Pedrês”, Raymundão relata o fato
de Silvino querer matar Badu, porque este roubara a namorada de Silvino.
Essa é uma narrativa secundária, tal qual é a história da moça que fugiu
com o capeta, contada pelo primo Argemiro em “Sarapalha”.
Resposta: D
2. (FUVEST-SP-2018) – No texto de Sarapalha, constitui exemplo
de personificação o seguinte trecho:
a) “No rio ninguém não anda” (l. 12).
b) “só a maleita é quem sobe e desce” (l. 12-13).
c) “O senhor já sabe as palavras todas de cabeça” (l. 19).
d) “e com a viola enfeitada de fitas” (l. 21).
e) “ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa” (l. 34).
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] No trecho “só a maleita é quem sobe e desce”, a doença
maleita está personificada, uma vez que é retomada pelo pronome relativo
quem, sujeito das formas verbais “sobe” e “desce”, ações que implicam
movimento praticado por seres animados.
Resposta: B
3. (FUVEST-SP-2018) – Tendo como base o trecho “só a maleita é
quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a
benção...”, o termo em destaque foi empregado ironicamente por aludir
ao inseto
a) causador da malária.
b) causador da febre amarela.
c) transmissor da doença de Chagas.
d) transmissor da malária.
e) transmissor da febre amarela.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] O diálogo entre as personagens faz referência ao
mosquito do gênero Anopheles, transmissor da malária.
Resposta: D
— Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça
excomungada!
— É um instantinho e passa... É só ter paciência...
— É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres
vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem
de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo
Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das
outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram
p’r’os infernos!...
— Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi trem
de ferro que levou...
— Não foi no rio, eu sei... No rio ninguém não anda... Só
a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e
pondo neles a benção... Mas, na estória... Como é mesmo a
estória, Primo? Como é?...
— O senhor bem que sabe, Primo... Tem paciência, que
não é bom variar...
— Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra vez...
— O senhor já sabe as palavras todas de cabeça... “Foi
o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de dia de
domingo e com a viola enfeitada de fitas... E chamou a moça
p’ra ir se fugir com ele”...
— Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas atrás
das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não quero,
nenhuma!... Quero só ela... Luísa...
— Prima Luísa...
— Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda,
Primo! Me ajuda a ver...
— Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso!
— Não é mesmo não...
— Pois então?!
— Conta o resto da estória!...
— ...“Então, a moça, que não sabia que o moço bonito era
o capeta, ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa, e
foi com ele na canoa, descendo o rio...”
(Guimarães Rosa, Sagarana)
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MÓDULO 11 55 Análise de Texto – III
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4. (UNICAMP-SP-2018) – “Sapo não pulapor boniteza, mas porém
por percisão.”
(Provérbio capiau citado em epígrafe no conto 
“A Hora e Vez de Augusto Matraga”, 
em ROSA, João Guimarães. Sagarana. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015, p. 287.)
Elementos textuais que antecedem a narrativa, como, por exemplo, o
provérbio citado, funcionam, em alguns autores, como pista para se
entender o sentido das ações ficcionais. No excerto acima, as ideias de
beleza e necessidade são contrapostas com vistas à produção de um
sentido de ordem moral. Considerando-se a jornada heroica de Augusto
Matraga, é correto afirmar que a narrativa
a) contradiz o sentido moral do provérbio, uma vez que o protagonista
não é fiel ao seu propósito de mudar os hábitos antigos.
b) confirma o sentido moral do provérbio, uma vez que o protagonista
realiza uma série de ações para corrigir seu caráter e reordenar
eticamente sua vida.
c) ratifica o sentido moral do provérbio, uma vez que o protagonista
é seduzido pelos encantos da natureza e pelos prazeres da bebida
e do fumo.
d) refuta o sentido moral do provérbio, uma vez que o protagonista
não consegue agir sem as motivações da beleza física e do afeto
femininos.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] A trajetória existencial de Augusto Matraga
confirma o sentido moral do provérbio, pois o protagonista, após a surra e
a decadência socioeconômica e moral, necessita redimir-se, encontrar “a
sua hora e vez”, nem que seja a porrete. Esse momento ocorre na luta
contra Joãozinho Bem-Bem, motivada por honra, fé e justiça.
Resposta: B
Texto para o teste 5.
5. (ITA-SP) – O conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga” faz parte
do livro Sagarana, de 1946. Nesse conto, a personagem central vive
aquilo que aparentemente é um processo de conversão cristã, que se
inicia quando ele
a) é socorrido por um casal pobre, após ter sido vítima de uma
emboscada, na qual quase morreu.
b) conversa com um padre, que lhe diz que o que aconteceu com ele
foi um sinal de Deus para que ele desse outra direção a sua vida.
c) vive cerca de sete anos no povoado do Tombador, levando uma
vida de trabalho e de oração.
d) resiste ao convite de Joãozinho Bem-Bem para entrar no bando de
cangaceiros, tentação essa a que não foi fácil resistir.
e) enfrenta, sozinho, o bando de Joãozinho Bem-Bem, que estava
prestes a cometer uma atrocidade contra uma família de inocentes.
RESOLUÇÃO:
O enunciado refere-se ao início do processo de conversão cristã de Augusto
Matraga. Impõe-se uma cronologia, o estabelecimento da sequência factual
do que levou o protagonista da danação à salvação. Entre os momentos
desse processo, que sugere, portanto, um continuum, um “crescendo”, o
que evidencia o início da conversão é o diálogo com o padre, que acena com
a possibilidade de remissão dos pecados e salvação, com a fala de sabor
sertanejo que se tornou antológica: “Deus mede a espora pela rédea, e não
tira o estribo do pé de arrependido nenhum...” É a partir desse diálogo que
Nhô Augusto firma o propósito de “ir p’ra o céu… nem que seja a
porrete!…”. As alternativas c, d e e referem-se a eventos posteriores à
conversão que situamos acima, e a alternativa a não contempla a conversão
em si, mas um evento anterior que inicia o ciclo da penitência de Matraga.
Sua “conversão” não se deu de imediato, após a emboscada.
Resposta: B
6. (PUC-SP) – Segundo Antônio Cândido, referindo-se à obra de
Guimarães Rosa, ser jagunço torna-se, além de uma condição normal
no mundo-sertão, uma opção de comportamento, definindo um certo
modo de ser naquele espaço. Daí a violência produzir resultados
diferentes dos que esperamos na dimensão documentária e sociológica,
tornando-se, por exemplo, instrumento de redenção. Assim sendo, o
ato de violência que em “A Hora e Vez de Augusto Matraga” justifica
tal afirmação é
a) seguir a personagem uma trajetória de vida desregrada, junto às
mulheres, ao jogo de truque e às caçadas.
b) ser ferido e marcado a ferro, após ter sido abandonado pela mulher
e por seus capangas.
c) cumprir penitência através da reza, do trabalho e do auxílio aos
outros para redenção de seus pecados.
d) integrar o bando de Joãozinho Bem-Bem e vingar-se dos inimigos,
principalmente do Major Consilva.
e) reencontrar-se, em suas andanças, com Joãozinho Bem-Bem, matá-
lo e ser morto por ele.
RESOLUÇÃO:
No segundo encontro com Joãozinho Bem-Bem, Matraga (agora Nhô
Augusto) mais uma vez recusa o convite para juntar-se ao bando de
Joãozinho e, em nome de um senso de justiça que, como personagem
amadurecida, já carrega introjetado, prefere ficar do lado dos
desprotegidos e desconhecidos a apoiar seu amigo poderoso. Matraga mata
Joãozinho Bem-Bem e é morto por ele.
Resposta: E
E desse modo ele se doeu no enxergão, muitos meses, porque
os ossos tomavam tempo para se ajuntar, e a fratura exposta
criara bicheira. Mas os pretos cuidavam muito dele, não
arrefecendo na dedicação.
— Se eu pudesse ao menos ter absolvição dos meus
pecados!...
Então eles trouxeram, uma noite, muito à escondida, o padre,
que o confessou e conversou com ele, muito tempo, dando-lhe
conselhos que o faziam chorar.
— Mas, será que Deus vai ter pena de mim, com tanta
ruindade que fiz, e tendo nas costas tanto pecado mortal?!
— Tem, meu filho. Deus mede a espora pela rédea, e não tira
o estribo do pé de arrependido nenhum...
E por aí a fora foi, com um sermão comprido, que acabou
depondo o doente num desvencido torpor.
(Guimarães Rosa, 
“A Hora e Vez de Augusto Matraga”)
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Texto para os testes 7 e 8.
7. (FUVEST-SP) – Em trecho anterior do mesmo conto, o narrador
chama Sete-de-Ouros de “sábio”. No excerto, a sabedoria do burrinho
consiste, principalmente, em
a) procurar adaptar-se o melhor possível às forças adversas, que busca
utilizar em benefício próprio.
b) firmar um pacto com as potências mágicas que se ocultam atrás das
aparências do mundo natural.
c) combater frontalmente e sem concessões as atitudes dos homens,
que considera confusas e desarrazoadas.
d) ignorar os perigos que o mundo apresenta, agindo como se eles não
existissem.
e) escolher a inação e a inércia, confiando inteiramente seu destino às
forças do puro acaso e da sorte.
RESOLUÇÃO:
A serenidade de Sete-de-Ouros, advinda da experiência acumulada pelos
anos, dá-lhe vantagem diante das adversidades a que foi exposto, pois
compreende que não deve lutar contra a correnteza, e sim utilizá-la em seu
favor para conseguir a travessia, salvando Badú, o vaqueiro bêbado que
levava em seu dorso, e Francolim.
Resposta: A
8. (FUVEST-SP) – Quando nos apresentam os homens vistos pelos
olhos dos animais, as narrativas em que aparecem o burrinho pedrês,
do conto homônimo (Sagarana), os bois de “Conversa de Bois”
(Sagarana) e a cachorra Baleia (Vidas Secas) produzem um efeito de
a) indignação, uma vez que cada um desses animais é morto por
algozes humanos.
b) infantilização, uma vez que esses animais pensantes são exclusivos
da literatura infantil.
c) maravilhamento, na medida em que os respectivos narradores se
servem de sortilégios e de magia para penetrar na mente desses
animais.
d) estranhamento, pois fazem-nos enxergar de um ponto de vista
inusitado o que antes parecia natural e familiar.
e) inverossimilhança, pois não conseguem dar credibilidade a esses
animais dotados de interioridade.
RESOLUÇÃO: 
Tanto a junta de bois quanto o burrinho pedrês (Guimarães Rosa), como
a cachorra Baleia (Graciliano Ramos) estranham a atitude dos homens,
uma vez que estes se comportam de forma arbitrária e “desarrazoada”. 
Resposta: D
Texto para o teste 9.
9. Considere as afirmações seguintes e assinale a alternativa correta.
I. A oposição entre médico e curandeiro pode servir como símbolo
do choque entre dois mundos: um, ligado à ciência, ao
pensamento racional, à linguagemescrita; o outro, ligado à
sabedoria popular, ao universo mágico, à tradição da cultura oral.
II. O trecho representa o sentimento de revolta que perpassa todo o
conto, por causa da invasão do mundo moderno — simbolizado
na figura do médico — no mundo da tradição oral, uma vez que
essa invasão acarreta o desaparecimento e morte de toda a riqueza
da cultura e sabedoria populares.
III. Embora Guimarães Rosa empregue nos contos de Sagarana o
registro do sertão, nota-se um trabalho estético que vai além da
transcrição ortodoxa da variante regional.
Está correto o que se afirma em
a) I e II, apenas. b) I e III, apenas. c) II e III, apenas.
d) I, apenas. e) I, II e III.
RESOLUÇÃO:
Resposta: B
Texto para o teste 10.
10. (ALBERT EINSTEIN-SP-2018) – O trecho acima faz parte do
conto “Duelo”, uma das narrativas de Sagarana, de João Guimarães
Rosa. Essa narrativa, como um todo, apresenta
a) duas histórias de vingança que se entrelaçam, ou seja, um marido
buscando o amante da esposa e um homem buscando o assassino
do irmão.
b) uma trama protagonizada por uma mulher de olhos bonitos, sempre
grandes, de cabra tonta, que se envolve com um pistoleiro que
acaba sendo morto por ela.
c) as peripécias vividas por um capiau que se torna o agente de um
crime contra seu compadre e amigo, Cassiano Gomes, por
desavenças de traição amorosa.
d) cenas de adultério praticadas por dona Silivânia, no mais doce,
dado e descuidoso dos idílios fraudulentos, com o amante Turíbio
Todo, o que provoca tragédia entre seus pretendentes.
RESOLUÇÃO:
Em “Duelo”, Turíbio Todo quer assassinar Cassiano Gomes — amante de
Silivana, esposa de Turíbio —, mas acaba matando o irmão de Cassiano,
Levindo Gomes. Isso faz com que Cassiano Gomes queira vingar a morte
do irmão. No conto, há, portanto, “duas histórias de vingança que se
entrelaçam”.
Resposta: A
— Não brinca, seu doutor! O senhor também devia mas é me
ajudar a ter ódio do cachorro do Toniquinho das Águas... Ele vive
desencaminhando o povo de ir se consultar com o senhor.
Dizendo que doutor-médico não cura nada, que ele sara os outros
muito mais em-conta, baratinho... (...) benze, trata de tudo, e
aconselha que a gente não deve de tomar remédio de botica, que
deve de tomar é só cordial...
(Guimarães Rosa,
“Corpo Fechado”, in Sagarana)
Vestindo água, só saído o cimo do pescoço, o burrinho tinha
de se enqueixar para o alto, a salvar também de fora o focinho.
Uma peitada. Outro tacar de patas. Chu-áa! Chu-áa... — ruge o
rio, como chuva deitada no chão. Nenhuma pressa! Outra
remada, vagarosa. No fim de tudo, tem o pátio, com os cochos,
muito milho, na Fazenda; e depois o pasto: sombra, capim e
sossego... Nenhuma pressa. Aqui, por ora, este poço doido, que
barulha como um fogo, e faz medo, não é novo: tudo é ruim e uma
só coisa, no caminho: como os homens e os seus modos,
costumeira confusão. É só fechar os olhos. Como sempre. Outra
passada, na massa fria. E ir sem afã, à voga surda, amigo da
água, bem com o escuro, filho do fundo, poupando forças para o
fim. Nada mais, nada de graça; nem um arranco, fora de hora.
Assim.
(João Guimarães Rosa,
“O Burrinho Pedrês”, in Sagarana)
Mas... Houve um pequeno engano, um contratempo de última
hora, que veio pôr dois bons sujeitos, pacatíssimos e pacíficos, num
jogo dos demônios, numa comprida complicação (...).
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Texto para o teste 1.
1. (FUVEST-SP-2018) – Considere as seguintes afirmações:
I. Os familiares, que falam no poema, ironizam a condição frágil do
poeta.
II. O passado é uma maldição da qual o poeta, como revela o título do
poema, não consegue se desvencilhar.
III. O trecho “o fim de tudo que foi grande” remete à ruína das
oligarquias, das quais Drummond é tributário.
IV. A imagem de uma “poesia que se furta e se expande / à maneira de
um lago de pez e resíduos letais...” sintetiza o pessimismo dos
poemas de Claro Enigma.
Estão corretas:
a) I e II, apenas. b) I, II e III, apenas.
c) II e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2018] Na parte VIII do poema “Os Bens e o Sangue”, do livro
Claro Enigma, há ironia quanto à condição frágil do poeta. Além disso, o
passado é tido como uma maldição, herança da qual o poeta não consegue
desvencilhar-se. Ocorre ainda referência à decadência das oligarquias da
qual o poeta é originário, bem como a síntese de uma poética pessimista
expressa no verso “uma poesia que se furta e se expande / à maneira de um
lago de pez e resíduos letais”.
Resposta: E
Considere as imagens e o texto, para responder aos testes 2 e 3.
Fachada da Igreja São Francisco de Assis,
em Ouro Preto (Minas Gerais).
Perspectiva da nave da mesma igreja.
OS BENS E O SANGUE
VIII
(...)
Ó filho pobre, e descorçoado1, e finito
ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais
com a faca, o formão, o couro... Ó tal como quiséramos
para tristeza nossa e consumação das eras,
para o fim de tudo que foi grande!
Ó desejado,
ó poeta de uma poesia que se furta e se expande
à maneira de um lago de pez2 e resíduos letais...
És nosso fim natural e somos teu adubo,
tua explicação e tua mais singela virtude...
Pois carecia que um de nós nos recusasse
para melhor servir-nos. Face a face
te contemplamos, e é teu esse primeiro
e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro.
(Carlos Drummond de Andrade, 
Claro Enigma)
1 – Descorçoado: assim como desacorçoado, é uma variante de uso
popular da palavra desacoroçoado, que significa “desanimado”.
2 – Pez: piche.
MÓDULO 11 66 Análise de Texto – IV
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2. (FUVEST-SP) – Analise as seguintes afirmações relativas à
arquitetura das igrejas sob a estética do Barroco:
I. Unem-se, no edifício, diferentes artes, para assaltar de uma vez os
sentidos, de modo que o público não possa escapar.
II. O arquiteto procurava surpreender o observador, suscitando nele
uma reação forte de maravilhamento.
III. A arquitetura e a ornamentação dos templos deviam encenar, entre
outras coisas, a preeminência da Igreja.
A experiência que se expressa no poema de Drummond registra, em
boa medida, as reações do eu lírico ao que se encontra registrado em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I e III, apenas.
e) I, II e III.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2017] As três proposições apresentadas retratam o
envolvimento e encantamento do visitante com o conjunto artístico presente
nas construções sacras do chamado barroco mineiro. Há ainda uma
referência ao predomínio da Igreja, no plano cultural e social, exercido
sobre a população de Minas Gerais no século XVIII.
Resposta: E
3. (FUVEST-SP) – Um aspecto do poema em que se manifesta a
persistência de um valor afirmado também no Modernismo da década
de 1920 é o
a) destaque dado às características regionais.
b) uso da variante oral-popular da linguagem.
c) elogio do sincretismo religioso.
d) interesse pelo passado da arte no Brasil.
e) delineamento do poema em feitio de oração.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2017] O interesse pela arte do passado do Brasil aparece na
pintura primitivista de Tarsila do Amaral, na Antropofagia e Pau-Brasil
de Oswald de Andrade e nos estudos do barroco mineiro feitos por Mário
de Andrade. Após a viagem de Oswald de Andrade e Mário de Andrade a
Minas Gerais, em 1924, há maior interesse em redescobrir o Brasil e a arte
do passado, o que ia ao encontro do projeto modernista.
Resposta: D
Para responder aos testes de 4 a 6, leia o poema “Dissolução”, de
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que integra o livro Claro
Enigma, publicado originalmente em 1951.
II / SÃO FRANCISCO DE ASSIS1
Senhor, não mereço isto.
Não creio em vós para vos amar.
Trouxestes-me a São Francisco
e me fazeisvosso escravo.
Não entrarei, Senhor, no templo,
seu frontispício me basta.
Vossas flores e querubins
são matéria de muito amar.
Dai-me, Senhor, a só beleza
destes ornatos. E não a alma.
Pressente-se dor de homem,
paralela à das cinco chagas.
Mas entro e, Senhor, me perco
na rósea nave triunfal.
Por que tanto baixar o céu?
por que esta nova cilada?
Senhor, os púlpitos mudos
entretanto me sorriem.
Mais que vossa igreja, esta
sabe a voz de me embalar.
Perdão, Senhor, por não amar-vos.
(Carlos Drummond de Andrade)
1 – O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”,
que integra a edição crítica de Claro Enigma (São Paulo: Cosac Naïfy,
2012).
Escurece, e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve1 ao dia findar,
aceito a noite.
E com ela aceito que brote
uma ordem outra de seres
e coisas não figuradas.
Braços cruzados.
Vazio de quanto amávamos,
mais vasto é o céu. Povoações
surgem do vácuo.
Habito alguma?
E nem destaco minha pele
da confluente escuridão.
Um fim unânime concentra-se
e pousa no ar. Hesitando.
E aquele agressivo espírito
que o dia carreia2 consigo
já não oprime. Assim a paz,
destroçada.
Vai durar mil anos, ou
extinguir-se na cor do galo?
Esta rosa é definitiva,
ainda que pobre.
Imaginação, falsa demente,
já te desprezo. E tu, palavra.
No mundo, perene trânsito,
calamo-nos.
E sem alma, corpo, és suave.
(Claro Enigma, 2012)
1 – Aprazer: causar ou sentir prazer; contentar(-se).
2 – Carrear: carregar.
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4. (UNIFESP-SP) – Constituem termos que reforçam o tom pessi -
mista do poema:
a) “noite”, “vazio” e “fim”.
b) “dia”, “pele” e “cor”.
c) “coisas”, “vácuo” e “imaginação”.
d) “lâmpada”, “céu” e “escuridão”.
e) “ordem”, “povoações” e “espírito”.
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2017] As palavras “noite”, “vazio” e “fim” pertencem ao
campo semântico de melancolia ou tristeza (e sugerem niilismo), o que
corrobora o tom pessimista do poema. Nas demais alternativas, aparece
uma ou mais palavras que destoam do sentido depressivo e noturno, como
“dia” e “cor”, em b; “imaginação”, em c; “lâmpada” e “céu”, em d;
“ordem” e “povoações”, em e.
Resposta: A
5. (UNIFESP-SP) – Personificação: recurso expressivo que consiste
em atribuir propriedades humanas a uma coisa, a um ser inanimado ou
abstrato.
(Dicionário Porto Editora da Língua Portuguesa.
Disponível em: www.infopedia.pt. Adaptado.)
Verifica-se a ocorrência desse recurso no seguinte verso:
a) “Vazio de quanto amávamos” (3.ª estrofe)
b) “E nem destaco minha pele” (4.ª estrofe)
c) “Esta rosa é definitiva” (6.ª estrofe)
d) “Pois que aprouve ao dia findar” (1.ª estrofe)
e) “No mundo, perene trânsito” (7.ª estrofe)
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2017] O verso “Pois que aprouve ao dia findar” tem o
sentido figurado da chegada da velhice do eu lírico, que é personificada
pela imagem do findar de um dia, que, como um ser humano, sente prazer
ou contentamento (o verbo aprazer, cuja 3.a pessoa do singular do pretérito
perfeito é “aprouve”, significa “causar ou sentir prazer, contentar(-se)”,
segundo o dicionário Houaiss).
Resposta: D
6. (UNIFESP-SP) – O pronome “te”, empregado no segundo verso da
última estrofe, refere-se a
a) “imaginação”. 
b) “palavra”.
c) “rosa”. 
d) “mundo”.
e) “corpo”.
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2017] O pronome pessoal do caso oblíquo “te” refere-se ao
substantivo “imaginação”.
Resposta: A
Texto para os testes 7 e 8.
7. (FGV-ADM-SP) – Considerando-se o poema no contexto estético
e ideológico de Claro Enigma, ao qual pertence, verifica-se que a
posição do eu lírico, em relação à Inconfidência Mineira, é a de
a) encará-la como modelo de rebeldia, a ser oferecido às novas
gerações de militantes políticos.
b) considerá-la exemplo privilegiado da violência com que as elites
reprimem as insurreições no Brasil.
c) tomá-la, distanciadamente, como ponto de partida para reflexões
de caráter generalizante e teor filosófico.
d) lamentar a precariedade da reconstituição histórica que lhe é
oferecida pela posterioridade.
e) enfatizar o sentimento de culpa das elites brasileiras,
contemporâneas do poeta, em face do martírio de Tiradentes.
RESOLUÇÃO:
[FGV-ADM-SP-2017] Na quarta parte de Claro Enigma, “Selo de Minas”,
Carlos Drummond de Andrade faz uma leitura de lugares e acontecimentos
mineiros, partindo deles para reflexões generalizantes, como a apresentada
na penúltima estrofe de “Museu da Inconfidência”, na qual o eu lírico
lamenta o “tempo ingovernável”, associando-o a outras épocas de tristezas
e injustiças, culminando na afirmação de que “Toda história é remorso”.
Resposta: C
8. (FGV-ADM-SP) – Dos seguintes procedimentos literários, o único
que não ocorre no poema é o emprego de
a) personificação na terceira estrofe.
b) termos que produzem paradoxo na terceira estrofe.
c) quebra de paralelismo semântico na enumeração de termos na
segunda estrofe.
d) zeugma (omissão, em uma dada oração, de termo já mencionado
na anterior) na primeira estrofe.
e) versos livres (não metrificados) em todas as estrofes.
RESOLUÇÃO:
[FGV-ADM-SP-2017] Os versos de “Museu da Inconfidência” são
hexassílabos, isto é, apresentam seis sílabas métricas, logo, o poema não se
compõe de versos livres.
Resposta: E
V / MUSEU DA INCONFIDÊNCIA1
São palavras no chão
e memória nos autos.
As casas inda restam,
os amores, mais não.
E restam poucas roupas,
sobrepeliz de pároco,
a vara de um juiz,
anjos, púrpuras, ecos.
Macia flor de olvido,
sem aroma governas
o tempo ingovernável.
Muros pranteiam. Só.
Toda história é remorso.
(Carlos Drummond de Andrade)
1 – Museu instalado em Ouro Preto (MG), antiga Vila Rica.
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1. (Unesp-2018) – Examine a tira Hagar, o Horrível do cartunista
americano Dik Browne (1917-1989).
(Hagar, o Horrível, vol 1, 2014.)
O ensinamento ministrado por Hagar a seu filho poderia ser expresso
do seguinte modo:
a) “A fome é a companheira do homem ocioso.”
b) “O estômago que raramente está vazio despreza alimentos
vulgares.”
c) “Nada é mais útil ao homem do que uma sábia desconfiança.”
d) “Muitos homens querem uma coisa, mas não suas consequências.”
e) “É impossível para um homem ser enganado por outra pessoa que
não seja ele mesmo.”
RESOLUÇÃO
A máxima que ilustra a tirinha indica a necessidade de que a desconfiança
guie os indiví duos, porque a ingenuidade pode levar a enganos.
Resposta: C
Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-
1697.), para responder às questões de 2 a 7. 
2. (Unesp-2018) – No primeiro parágrafo, Antônio Vieira caracteriza
a resposta do pirata a Alexandre Magno como
a) dissimulada.
b) ousada.
c) enigmática.
d) servil.
e) hesitante.
RESOLUÇÃO
Vieira informa que o pirata não era medroso ao retrucar a crítica de
Alexandre: “Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou
ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”. Além
disso, a pergunta do pirata era retórica, servindo para implicitamente
chamar o imperador macedônico de ladrão. Trata-se, portanto, de uma
atitude ousada.
Resposta: B
3. (Unesp-2018) – “Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer
o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o
mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.” (1.° parágrafo)
Em relação ao trecho que o sucede, o trecho destacado tem sentido de
a) condição.
b) proporção.
c) finalidade.
d) causa.
e) consequência.
RESOLUÇÃO
A oração destacada, introduzida pela conjunção “se”, é condicional em
relação à oração posterior. Assim, “todos têm o mesmo lugar, e merecem o
mesmo nome” caso façam “o que faz o ladrão e o pirata” (condição).
Resposta: A
Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armadapelo
Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença
um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o
muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era
medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque
roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma
armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar
muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar
com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as
qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros, definiu com
o mesmo nome: [...] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer
o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o
mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.
Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um
filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma,
reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase envergonhou,
foi que os nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes
católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a
mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem
os reis com o que calam que com o que disserem; porque a confiança
com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem
ofender; e a cautela com que se cala é argumento de que se
ofenderão, porque lhes pode tocar. [...]
Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não são
aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna
condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou
escusa ou alivia o seu pecado [...]. O ladrão que furta para comer
não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de
que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera
[...]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que
cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher
a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este
título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e
legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das
cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam
os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam
cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem
temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes
furtam e enforcam.
(Essencial, 2011.)
MÓDULO 11 77 Morfologia e Redação (I)
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4. (Unesp-2018) – No segundo parágrafo, Antônio Vieira torna
explícito seu descontentamento com
a) o filósofo Sêneca.
b) os príncipes católicos.
c) o imperador Nero.
d) a doutrina estoica.
e) os oradores evangélicos.
RESOLUÇÃO
Padre Antônio Vieira censura os oradores evangélicos que não criticaram
os príncipes corruptos. Esses padres foram benevolentes com a corrupção
dos nobres, deveriam seguir o exemplo de Sêneca, que, na Roma de Nero,
criticou a aristocracia corrupta.
Resposta: E
5. (Unesp-2018) – Verifica-se o emprego de vírgula para indicar a
elipse (supressão) do verbo em:
a) “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e
vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?” (1.°
parágrafo)
b) “O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que
não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior
calibre e de mais alta esfera [...].” (3.° parágrafo)
c) “O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com
pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres.”
(1.° parágrafo)
d) “Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão
e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e
merecem o mesmo nome.” (1.° parágrafo)
e) “Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e
reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem
perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e
enforcam.” (3.° parágrafo)
RESOLUÇÃO
A vírgula no último segmento marca a omissão do verbo fazer, que aparece
na oração anterior: “o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar
com muito faz os Alexandres”. É um caso de zeugma, em que a vírgula foi
usada para omitir um verbo já empregado.
Resposta: C
6. (Unesp-2018) –Em um trecho do “Sermão da Sexagésima”,
Antônio Vieira critica o chamado estilo cultista de alguns oradores
sacros de sua época nos seguintes termos: “Basta que não havemos de
ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em
fronteira com o seu contrário?” Palavras “em fronteira com o seu
contrário”, contudo, também foram empregadas por Vieira, conforme
se verifica na expressão destacada em:
a) “Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo
Mar Eritreu a conquistar a Índia” (1.° parágrafo)
b) “O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que
não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior
calibre e de mais alta esfera” (3.° parágrafo)
c) “Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o
que calam que com o que disserem” (2.° parágrafo)
d) “Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo
estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando
nela Nero” (2.° pará grafo)
e) “Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e
reinos” (3.° parágrafo)
RESOLUÇÃO
A expressão “eloquentes mudos” é um paradoxo, o que exemplifica
“fronteira com seu contrário”, trecho usado por Vieira para criticar o estilo
cultista.
Resposta: C
7. (Unesp-2018) – “[...] os ladrões de que falo não são aqueles
miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este
gênero de vida [...].” (3.° parágrafo)
Os termos destacados constituem, respectivamente,
a) um artigo, uma preposição e uma preposição.
b) uma preposição, um artigo e uma preposição.
c) um artigo, um pronome e um pronome.
d) um pronome, uma preposição e um artigo.
e) uma preposição, um artigo e um pronome.
RESOLUÇÃO
No primeiro segmento, trata-se de preposição porque antecede o pronome
relativo; no segundo, é artigo pois precede um substantivo (pobreza); no
terceiro, é preposição porque antecede o pronome demonstrativo este.
Resposta: B
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Para responder às questões de 8 a 13, leia a crônica “Seu ‘Afredo’”, de
Vinicius de Moraes (1913-1980), publicada originalmente em setembro
de 1953.
8. (Unesp) – Na crônica, o personagem seu Afredo é descrito como
uma pessoa
a) pedante e cansativa.
b) intrometida e desconfiada.
c) expansiva e divertida.
d) discreta e preguiçosa.
e) temperamental e bajuladora.
RESOLUÇÃO:
O personagem da crônica é bem humorado, espiri tuoso e extrovertido.
Resposta: C
9. (Unesp) – Em “Mas, como linguista, cultor do vernáculo e
aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho.” 
(1.° parágrafo), o cronista sugere que seu Afredo
a) mostrava-se incomodado por não ter com quem conversar sobre
questões gramaticais.
b) revelava orgulho ao ostentar conhecimentos linguísticos pouco
usuais.
c) sentia-se solitário por ser um dos poucos a dispor de sólidos
conhecimentos gramaticais.
d) sentia-se amargurado por notar que seus conhecimen tos linguísticos
não eram reconhecidos.
e) revelava originalidade no modo como empregava seus
conhecimentos linguísticos.
RESOLUÇÃO:
A expressão “aplicador de sutilezas gramaticais” justifica a originalidade
do personagem Alfredo quando tece seus comentários jocosos.
Resposta: E
10.(Unesp) – Um traço característico do gênero crônica, visível no
texto de Vinicius de Moraes, é
a) o tom coloquial.
b) a sintaxe rebuscada.
c) o vocabulário opulento.
d) a finalidade pedagógica.
e) a crítica política.
RESOLUÇÃO:
A crônica é um gênero que permite o uso da linguagem coloquial, como,por
exemplo: “flanelinha”, “quaren tão”, “ultrarrespeitador”, “uma bruta
corda” etc.
Resposta: A
Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar
com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-
se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de
um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá
das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha
mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada
pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do vernáculo1
e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho.
Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em
quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação
pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou
ligeiramente ressabiada2 quando seu Afredo, casualmente de
passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na
segunda do singular:
— Onde vais assim tão elegante?
Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio, no
ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já
me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à lide3 caseira,
queixou-se do fatigante ramerrão4 do trabalho doméstico. Seu
Afredo virou-se para ela e disse:
— Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e
tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.
De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de fora,
cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela,
esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha visto minha tia
mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe:
— Cantas?
Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo: 
— É, canto às vezes, de brincadeira...
Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe
explicou o temperamento do nosso encerador:
— Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É
excesso de... gramática.
Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela
com ar disfarçado e falou:
— Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua
irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, ‘tá
redondamente enganada. Nem em programa de calouro!
E, a seguir, ponderou:
— Agora, piano é diferente. Pianista ela é!
E acrescentou:
— Eximinista pianista!
(Para uma menina com uma flor, 2009.)
1 vernáculo: a língua própria de um país; língua nacional.
2 ressabiado: desconfiado.
3 lide: trabalho penoso, labuta.
4 ramerrão: rotina.
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11. (Unesp)
“[Seu Afredo] perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:
— Onde vais assim tão elegante?” (2.a parágrafo/3.° parágrafo)
Ao se adaptar este trecho para o discurso indireto, o verbo “vais”
assume a seguinte forma:
a) foi.
b) fora.
c) vai.
d) ia.
e) iria.
RESOLUÇÃO:
A frase em discurso direto com verbo no presente do indicativo na segunda
pessoa do singular “vais”, passa à terceira pessoa do pretérito imperfeito
no discurso indireto: Onde ia daquele jeito tão elegante.
Resposta: D
12.(Unesp) – Observa-se no texto um desvio quanto às normas
gramaticais referentes à colocação pronominal em:
a) “Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava
passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para
melhorar o lustro.” (1.° parágrafo)
b) “Seu Afredo [...] tornou-se inesquecível à minha infância porque
tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador.” 
(1.° parágrafo)
c) “Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em
quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação
pronominal.” (2.° parágrafo)
d) “[...] seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e
perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular [...].” 
(2.° parágrafo)
e) “Seu Afredo virou-se para ela e disse: [...].” (4.° parágrafo)
RESOLUÇÃO:
A conjunção subordinativa causal “porque” é fator de próclise ao verbo:
porque se tratava.
Resposta: B
13.(Unesp) – Em “Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair,
chegou-se a ela com ar disfarçado e falou [...]” (12.° parágrafo), a
conjunção destacada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido
do texto, por:
a) assim como.
b) logo que.
c) enquanto.
d) porque.
e) ainda que.
RESOLUÇÃO:
A conjunção subordinativa temporal “mal” pode ser substituída, sem
prejuízo para o período, por logo que, assim que.
Resposta: B
14 (Famerp-2018)
(Quino. Toda Mafalda, 2012. Adaptado.)
O autor inseriu no balão do último quadrinho uma fala que exemplifica
o conceito de metonímia (figura de linguagem baseada numa relação
de proximidade). Essa fala é:
a) Bem!... Vai ver que em vez de mente meu pai quis dizer cabeça.
b) Se é assim, por que você fica fora do ar, de vez em quando?
c) Filipe... Você acha, então, que o meu pai mente?
d) Olhei pelo buraco do seu ouvido e não vi nada...
e) Pra você, com esse topete que parece uma antena, é fácil!
RESOLUÇÃO
Há relação de contiguidade entre mente, o intelecto, e a cabeça, parte pelo
todo. O pai de Mafalda, ao criticar a televisão, dizendo que ela deforma a
mente das crianças, condenava a falta de conteúdo de qualidade da tevê.
Quando o colega afirma que possui televisão e não tem a mente deformada,
Mafalda reinterpreta a afirmação do pai, dizendo que, na verdade, a
televisão deformava a cabeça, o que seria confirmado pelo formato
assimétrico dessa parte do corpo do colega.
Resposta: A
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1. (UNESP-maio-2018) – Examine a tira do cartunista André
Dahmer.
(Quadrinhos dos anos 10, 2016.)
O conselho presente na primeira fala sugere falta de
a) compaixão.
b) paciência.
c) ganância.
d) malícia.
e) cinismo.
RESOLUÇÃO
O conselho do pai ao filho, para que este evite o contato com pedintes
famintos, sugere a ausência de sentimento de piedade diante da tragédia
alheia.
Resposta: A
Leia o conto “A moça rica”, de Rubem Braga (1913-1990), para
responder às questões de 2 a 6.
2. (UNESP-maio-2018) – O espanto inicial demonstrado pelo
narrador em relação à moça deve-se ao fato de ela
a) portar-se de forma independente.
b) agir de modo dissimulado.
c) cantar muito bem.
d) demonstrar orgulho de sua cidade natal.
e) ser bastante rica.
RESOLUÇÃO
O conto narra o comportamento de uma moça que encantou o rapaz
simples, porque ela sabia atirar, pescava junto dos outros pescadores e
cavalgava sozinha, ou seja, era uma mulher independente. 
Resposta: A
A madrugada era escura nas moitas de mangue, e eu avançava no
batelão1 velho; remava cansado, com um resto de sono. De longe
veio um rincho2 de cavalo; depois, numa choça de pescador, junto do
morro, tremulou a luz de uma lamparina.
Aquele rincho de cavalo me fez lembrar a moça que eu encontrara
galopando na praia. Ela era corada, forte. Viera do Rio, sabíamos que
era muito rica, filha de um irmão de um homem de nossa terra. A
princípio a olhei com espanto, quase desgosto: ela usava calças
compridas, fazia caçadas, dava tiros, saía de barco com os pescadores.
Mas na segunda noite, quando nos juntamos todos na casa de Joaquim
Pescador, ela cantou; tinha bebido cachaça, como todos nós, e cantou
primeiro uma coisa em inglês, depois o Luar do sertão e uma canção
antiga que dizia assim: “Esse alguém que logo encanta deve ser alguma
santa”. Era uma canção triste.
Cantando, ela parou de me assustar; cantando, ela deixou que eu
a adorasse com essa adoração súbita, mas tímida, esse fervor confuso
da adolescência – adoração sem esperança, ela devia ter dois anos
mais do que eu. E amaria o rapaz de suéter e sapato de basquete, que
costuma ir ao Rio, ou (murmurava-se) o homem casado, que já tinha
ido até à Europa e tinha um automóvel e uma coleção de espingardas
magníficas. Não a mim, com minha pobreflaubert3, não a mim, de
calça e camisa, descalço, não a mim, que não sabia lidar nem com um
motor de popa, apenas tocar um batelão com meu remo.
Duas semanas depois que ela chegou é que a encontrei na praia
solitária; eu vinha a pé, ela veio galopando a cavalo; vi-a de longe,
meu coração bateu adivinhando quem poderia estar galopando
sozinha a cavalo, ao longo da praia, na manhã fria. Pensei que ela
fosse passar me dando apenas um adeus, esse “bom-dia” que no mas
parou, o animal resfolegando e interior a gente dá a quem 
encontra; ela respirando forte, com os seios agitados dentro da blusa
fina, branca. São as duas imagens que se gravaram na minha
memória, desse encontro: a pele escura e suada do cavalo e a seda
branca da blusa; aquela dupla respiração animal no ar fino da
manhã.
E saltou, me chamando pelo nome, conversou comigo. Séria,
como se eu fosse um rapaz mais velho do que ela, um homem como
os de sua roda, com calças de “palm-beach”, relógio de pulso.
Perguntou coisas sobre peixes; fiquei com vergonha de não saber
quase nada, não sabia os nomes dos peixes que ela dizia, deviam
ser peixes de outros lugares mais importantes, com certeza mais
bonitos. Perguntou se a gente comia aqueles cocos dos coqueirinhos
junto da praia – e falou de minha irmã, que conhecera, quis saber se
era verdade que eu nadara desde a ponta do Boi até perto da lagoa.
De repente me fulminou: “Por que você não gosta de mim? Você
me trata sempre de um modo esquisito...” Respondi, estúpido, com
a voz rouca: “Eu não”.
Ela então riu, disse que eu confessara que não gostava
mesmo dela, e eu disse: “Não é isso.” Montou o cavalo, perguntou
se eu não queria ir na garupa. Inventei que precisava passar na casa
dos Lisboa. Não insistiu, me deu um adeus muito alegre; no dia
seguinte foi-se embora.
Agora eu estava ali remando no batelão, para ir no Severone
apanhar uns camarões vivos para isca; e o relincho distante de um
cavalo me fez lembrar a moça bonita e rica. Eu disse comigo – rema,
bobalhão! – e fui remando com força, sem ligar para os respingos
de água fria, cada vez com mais força, como se isto adiantasse
alguma coisa.
(Os melhores contos, 1997)
1batelão: embarcação movida a remo.
2rincho: relincho.
3flaubert: um tipo de espingarda.
MÓDULO 11 88 Morfologia e Redação (II)
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3. (Unesp-maio-2018) – A fala “rema, bobalhão!” (último parágrafo)
sugere, por parte do narrador,
a) intransigência.
b) impaciência.
c) atrevimento.
d) simplicidade.
e) arrependimento.
RESOLUÇÃO
O monólogo do narrador personagem é uma crítica a si mesmo por não ter
conseguido travar um diálogo inteligente com a moça rica e independente.
Resposta: E
4. (Unesp-maio-2018) – O pleonasmo (do grego pleonasmós, que
quer dizer abundância, excesso, amplificação) é uma repetição de
unidades linguísticas idênticas do ponto de vista semântico, o que
implica que a repetição é tautológica (redundante). No entanto, ela é
uma extensão do enunciado com vistas a intensificar o sentido.
(José Luiz Fiorin. Figuras de retórica, 2014. Adaptado.)
Verifica-se a ocorrência de pleonasmo em:
a) “fiquei com vergonha de não saber quase nada, não sabia os nomes
dos peixes que ela dizia” (5.o parágrafo).
b) “eu avançava no batelão velho; remava cansado, com um resto de
sono” (1.o parágrafo).
c) “ela deixou que eu a adorasse com essa adoração súbita, mas
tímida” (3.o parágrafo).
d) “A princípio a olhei com espanto, quase desgosto” (2.o parágrafo).
e) “Pensei que ela fosse passar
RESOLUÇÃO
Ocorre pleonasmo, pois uma mesma ideia se repete em “adorasse” e
“adoração”.
Resposta: C
5 (Unesp-maio-2018) – Ao se converter o trecho “Ela então riu, disse
que eu confessara que não gostava mesmo dela” (7.o parágrafo) para o
discurso direto, o verbo “confessara” assume a forma:
a) confessei.
b) confessou.
c) confessa.
d) confesso.
e) confessava.
RESOLUÇÃO
A forma verbal “confessara”, no pretérito mais-que-perfeito do modo
indicativo, está em discurso indireto. Transpondo-o para discurso direto,
tem-se: “você confessou (pretérito perfeito) que não gosta mesmo de mim”.
Resposta: B
6. (Unesp-maio-2018) – “Duas semanas depois que ela chegou é que
a encontrei na praia solitária; eu viajava a pé, ela veio galopando a
cavalo” (4.o parágrafo)
Os termos sublinhados constituem, respectivamente,
a) artigo, preposição, artigo.
b) artigo, preposição, preposição.
c) pronome, artigo, artigo.
d) pronome, preposição, preposição.
e) pronome, artigo, preposição.
RESOLUÇÃO
Em “a encontrei”, o termo “a” funciona morfologicamente como pronome
oblíquo, uma vez que retoma o pronome reto “ela” da oração anterior. Em
“a pé” e “a cavalo”, o termo “a” funciona como preposição, já que faz parte
de expressões adverbiais.
Resposta: D
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Leia o excerto do livro Violência urbana, de Paulo Sérgio Pinheiro e
Guilherme Assis de Almeida, para responder às questões de 7 a 9.
7. (Unesp) – O modo de organização do discurso predominante no
excerto é
a) a dissertação argumentativa.
b) a narração.
c) a descrição objetiva.
d) a descrição subjetiva.
e) a dissertação expositiva.
RESOLUÇÃO:
Trata-se de dissertação argumentativa, visto que o autor manifesta sua
opinião e analisa o ambiente de insegurança em que vivem os cidadãos nas
cidades do país. 
Resposta: A
8. (Unesp) – O trecho “As noções de segurança e de vida comunitária
foram substituídas pelo sentimento de insegurança e pelo isolamento
que o medo impõe.” (2.º parágrafo) foi construído na voz passiva. Ao
se adaptar tal trecho para a voz ativa, a locução verbal “foram
substituídas” assume a seguinte forma:
a) substitui.
b) substituíram.
c) substituiriam.
d) substituiu.
e) substituem.
RESOLUÇÃO:
A locução verbal “foram substituídas” está na voz passiva analítica. Na
passagem para a ativa, desaparece o auxiliar ser (“foram”) e o verbo
substituir fica no pretérito imperfeito, tempo em que está o auxiliar, e no
plural, porque “sentimento de insegurança” e “isolamento”, que eram
agentes da passiva, passam a sujeito composto na ativa.
Resposta: B
9. (Unesp) – As palavras do texto cujos prefixos traduzem ideia de
negação são
a) “desvirtua” e “transforma”.
b) “evite” e “isolamento”.
c) “desfigura” e “ameaça”.
d) “desconhecido” e “insegurança”.
e) “subverte” e “dilacera”.
RESOLUÇÃO:
Os prefixos “des” e “in” têm sentido de negação.
Resposta: D
De dia, ande na rua com cuidado, olhos bem abertos. Evite falar
com estranhos. À noite, não saia para caminhar, principalmente se
estiver sozinho e seu bairro for deserto. Quando estacionar, tranque
bem as portas do carro [...]. De madrugada, não pare em sinal
vermelho. Se for assaltado, não reaja – entregue tudo.
É provável que você já esteja exausto de ler e ouvir várias dessas
recomendações. Faz tempo que a ideia de integrar uma comunidade
e sentir-se confiante e seguro por ser parte de um coletivo deixou de
ser um sentimento comum aos habitantes das grandes cidades
brasileiras. As noções de segurança e de vida comunitária foram
substituídas pelo sentimento de insegurança e pelo isolamento que
o medo impõe. O outro deixa de ser visto como parceiro ou parceira
em potencial; o desconhecido é encarado como ameaça. O
sentimento de insegurança transforma e desfigura a vida em nossas
cidades. De lugares de encontro, troca, comunidade, participação
coletiva, as moradias e os espaços públicos transformam- se em
palco do horror, do pânico e do medo.
A violência urbana subverte e desvirtua a função das cidades,
drena recursos públicos já escassos, ceifa vidas – especialmente as
dos jovens e dos mais pobres –, dilacera famílias, modificando
nossas existências dramaticamente para pior. De potenciais cidadãos,
passamos a ser consumidoresdo medo. O que fazer diante desse
quadro de insegurança e pânico, denunciado diariamente pelos
jornais e alardeado pela mídia eletrônica? Qual tarefa impõe-se aos
cidadãos, na democracia e no Estado de direito?
(Violência urbana, 2003.)
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Examine a charge do cartunista argentino Quino (1932- ).
(Quino. Potentes, prepotentes e impotentes, 2003.)
10. (Unesp) – A charge explora, sobretudo, a oposição
a) inocência x malícia.
b) público x privado.
c) progresso x estagnação.
d) natureza x cidade.
e) liberdade x repressão.
RESOLUÇÃO:
A charge apresenta várias placas de sinalização que indicam proibição, mas
há uma estátua com a tocha da liberdade em uma das mãos e correntes
rompidas em cada punho erguido. Assim a charge explora a oposição entre
as placas restritivas e a representação da liberdade.
Resposta: E
Texto para a questão 11.
11. (Fuvest) – Nos trechos “acabou com o primeiro setor” e “alcançar
praticamente o controle do setor” (em destaque), a palavra sublinhada
refere-se, respectivamente, a
a) aliados; população.
b) adversários; telecomunicações.
c) população; residências urbanas.
d) maiorias; classe média.
e) repressão; facilidades de critério.
RESOLUÇÃO:
A palavra setor, na linha 6, refere-se ao grupo de oposição radical à
ditadura militar; na linha 18, diz respeito à área de telecomunicações: “Por
essa época, ... a TV Globo expandiu-se até se tornar rede nacional e
alcançar ... o controle do setor”.
Resposta: B
12.(Fuvest) – O prefixo presente na palavra “transpostos” tem o
mesmo sentido do prefixo que ocorre em
a) ultrapassado.
b) retrocedido.
c) infracolocado.
d) percorrido.
e) introvertido.
RESOLUÇÃO:
O prefixo trans- significa “além de, para lá de, depois de”. Seu sentido
equivale ao de ultra-, que significa “para além de, adiante de, mais longe”.
Em b, retro- significa “movimento para trás”; em c, infra-, “abaixo, em
posição inferior”; em d, per-, “através de, por meio de”; em e, intro-,
“movimento para dentro”.
Resposta: A
ARMA DA PROPAGANDA
O governo Médici não se limitou à repressão. Distinguiu clara -
mente entre um setor significativo mas minoritário da sociedade,
adversário do regime, e a massa da população que vivia um dia a
dia de alguma esperança nesses anos de prosperidade econômica.
A repressão acabou com o primeiro setor, enquanto a propaganda
encarregou-se de, pelo menos, neutralizar gradualmente o segundo.
Para alcançar este último objetivo, o governo contou com o grande
avanço das telecomunicações no país, após 1964. As facilidades de
crédito pessoal permitiram a expansão do número de residências
que possuíam televisão: em 1960, apenas 9,5% das residências
urbanas tinham televisão; em 1970, a porcentagem chegava o 40%.
Por essa época, beneficiada pelo apoio do gover no, de quem se
transformou em porta-voz, a TV Globo expandiu-se até se tornar
rede nacional e alcançar praticamente o controle do setor. A
propaganda governamental passou a ter um canal de expressão
como nunca existira na história do país. A promoção do “Brasil
grande potência” foi realizada a partir da Assessoria Especial de
Relações Públicas (AERP), criada no governo Costa e Silva, mas
que não chegou a ter importância nesse governo. Foi a época do
“Ninguém segura este país”, da marchinha Prá Frente, Brasil, que
embalou a grande vitória brasileira na Copa do Mundo de 1970. 
(Boris Fausto, História do Brasil. Adaptado.)
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Texto para a questão 13.
13.(Fuvest) – Dentre os recursos expressivos empregados no texto,
tem papel preponderante a
a) metonímia (uso de uma palavra fora do seu contexto semântico
normal, com base na relação de contiguidade existente entre ela e
o referente).
b) hipérbole (ênfase expressiva resultante do exagero da significação
linguística).
c) alegoria (sequência de metáforas logicamente ordenadas).
d) sinestesia (associação de palavras ou expressões em que ocorre
combinação de sensações diferentes numa só impressão).
e) prosopopeia (atribuição de sentimentos humanos ou de palavras a
seres inanimados ou a animais).
RESOLUÇÃO:
O excerto é construído por meio de várias metáforas que formam uma
alegoria sobre o amor. O narrador começa definindo os dois tipos de
relacionamento afetivo, usando a imagem das plantas: “Há umas plantas
que nascem e crescem depressa; outras são tardias e pecas”. O seu amor
por Virgília pertencia à primeira categoria, pois “brotou com tal ímpeto e
tanta seiva”, “abotoou-se a flor” — representa o primeiro beijo — “aflições
que desabrochavam”, refere-se às inúmeras vicissitudes por que o casal
passa ao longo da relação.
Resposta: C
14. (Unifesp) – Examine a tira do cartunista argentino Quino (1932-).
(Quino. A pequena filosofia da Mafalda, 2015.)
As frases citadas pela personagem Mafalda no início de sua fala foram
extraídas de
a) um anúncio publicitário.
b) um livro sobre culinária.
c) uma peça de teatro.
d) uma cartilha escolar.
e) um guia turístico.
RESOLUÇÃO:
Fica evidente que é uma cartilha, porque cada uma das frases entre aspas
contém uma mesma consoante que se repete em várias palavras. Trata-se,
pois, de exercícios de fixação da fase de alfabetização infantil.
Resposta: D
CAPÍTULO LIII
. . . . . . .
Virgília é que já se não lembrava da meia dobra; toda ela estava
concentrada em mim, nos meus olhos, na minha vida, no meu
pensamento;—era o que dizia, e era verdade.
Há umas plantas que nascem e crescem depressa; outras são
tardias e pecas. O nosso amor era daquelas; brotou com tal ímpeto
e tanta seiva, que, dentro em pouco, era a mais vasta, folhuda e
exuberante criatura dos bosques. Não lhes poderei dizer, ao certo,
os dias que durou esse crescimento. Lembra-me, sim, que, em certa
noite, abotoou-se a flor, ou o beijo, se assim lhe quiserem chamar,
um beijo que ela me deu, trêmula,—coitadinha,—trêmula de medo,
porque era ao portão da chácara. Uniu-nos esse beijo único, —
breve como a ocasião, ardente como o amor, prólogo de uma vida
de delícias, de terrores, de remorsos, de prazeres que rematavam
em dor, de aflições que desabrochavam em alegria,— uma
hipocrisia paciente e sistemática, único freio de uma paixão sem
freio,—vida de agitações, de cóleras, de desesperos e de ciúmes, que
uma hora pagava à farta e de sobra; mas outra hora vinha e engolia
aquela, como tudo mais, para deixar à tona as agitações e o resto,
e o resto do resto, que é o fastio e a saciedade: tal foi o livro daquele
prólogo.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.
"VICTOR VÊ A UVA DA VINHA.
- ESTA UVA É BOA, SR. BRÁULIO."
"SIM, VICTOR, ESTA UVA É BOA.
- SR. BRÁULIO, VEJA OS BARRIS
DE BOM VINHO!"
ACHO QUE DEVERIAM CONSTRUIR
UM MONUMENTO A ESSES AUTORES
SACRIFICADOS QUE EM VEZ DE
ESCREVEREM COISAS INTELIGENTES
PREFEREM NOS ENSINAR A LER.
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Texto para as questões 1.
1. (Fuvest-2018) – Considere o tipo de relação estabelecida pela
preposição “para” nos seguintes trechos do poema:
I. “ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais”.
II. “Ó tal como quiséramos para tristeza nossa e consumação das eras”.
III. “para o fim de tudo que foi grande”.
IV. “para melhor servirnos”.
A preposição “para” introduz uma oração com ideia de finalidade
apenas em
a) I. b) I e II. c) III.
d) III e IV. e)IV.
RESOLUÇÃO
Em “para melhor servir-nos”, a preposição para introduz uma oração
adverbial final. Em I, a preposição para é regida pelo adjetivo inapto e
significa falta de capacidade para determinada função. Em II e III, a
preposição completa o verbo querer e significa intenção, com intuito de
causar “tristeza” (II) e de provocar “ofim de tudo” (III).
Resposta: E
2. (Fuvest-2018) – Examine esta propaganda.
www.combustivellegal.com.br
Por ser empregado tanto na linguagem formal quanto na linguagem
informal, o termo “legal” pode ser lido, no contexto da propaganda,
respectivamente, nos seguintes sentidos:
a) lícito e bom.
b) aceito e regulado.
c) requintado e excepcional.
d) viável e interessante.
e) jurídico e autorizado.
RESOLUÇÃO
A propaganda explora de maneira eficiente a polissemia da palavra “legal”.
Em linguagem formal, refere-se à qualidade de estar legalizado, dentro da
lei, ou seja, lícito. Em linguagem informal brasileira, refere-se a atributos
positivos representados pelo vocábulo “bom”.
Resposta: A
Os bens e o sangue
VIII
(...)
Ó filho pobre, e descorçoado*, e finito
ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais
com a faca, o formão, o couro... Ó tal como quiséramos
para tristeza nossa e consumação das eras,
para o fim de tudo que foi grande!
Ó desejado,
ó poeta de uma poesia que se furta e se expande
à maneira de um lago de pez** e resíduos letais...
És nosso fim natural e somos teu adubo,
tua explicação e tua mais singela virtude...
Pois carecia que um de nós nos recusasse
para melhor servirnos. Face a face
te contemplamos, e é teu esse primeiro
e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro.
Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.
* “descorçoado”: assim como “desacorçoado”, é uma variante de
uso popular da palavra “desacoroçoado”, que significa
“desanimado”.
** “pez”: piche.
MÓDULO 11 99 Morfologia e Redação (III)
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3. (Fuvest) – Examine este cartaz, cuja finalidade é divulgar uma
exposição de obras de Pablo Picasso.
http://institutotomieohtake.org.br
Nas expressões “Mão erudita” e “Olho selvagem”, que compõem o
texto do anúncio, os adjetivos “erudita” e “selvagem” sugerem que as
obras do referido artista conjugam, respectivamente,
a) civilização e barbárie.
b) requinte e despojamento.
c) modernidade e primitivismo.
d) liberdade e autoritarismo.
e) tradição e transgressão.
RESOLUÇÃO:
Picasso é um artista que incorpora a tradição da pintura, mas compõe
quadros que transgridem a arte acadêmica, portanto, tem um olhar
selvagem.
Resposta: E
Texto para as questões 4 e 5.
4. (Fuvest) – Traduz corretamente uma relação espacial expressa no
texto o que se encontra em:
a) A prensa é paralela aos tipitis.
b) A casa de fazer farinha é adjacente aos telheiros.
c) As duas camarinhas são transversais à cozinha.
d) O alpendre é perpendicular às zonas de serviço.
e) O mandiocal e o Ipiranga são equidistantes do sítio.
RESOLUÇÃO:
O trecho que faz referência ao espaço no fragmento é “casa de fazer
farinha, no quintal, ao lado dos telheiros”, considerando que adjacente
significa “posto ao lado de, contíguo, que está situado nas proximidades”.
Resposta: B
5. (Fuvest) – Além de “tipitis”, constituem contribuição indígena para
a língua portuguesa do Brasil as seguintes palavras empregadas no
texto:
a) “cardápio” e “roceiros”.
b) “alpendre” e “fogão”.
c) “mandioca” e “Ipiranga”.
d) “sítio” e “forno”.
e) “prensa” e “quintal”.
RESOLUÇÃO:
São palavras de origem indígena “mandioca”, que significa “casa de Mani
(mani + oca) e “Ipiranga”, “água vermelha” (y + pyrang).
Resposta: C
Texto para a questão 6.
6. (Fuvest) – É correto afirmar que, no texto, o narrador
a) prioriza a ordem direta da frase, como se pode verificar nos dois
primeiros parágrafos do texto.
b) usa o verbo “correr” (2º parágrafo) com a mesma acepção que se
verifica na frase “Travam das armas os rápidos guerreiros, e correm
ao campo” (também extraída do romance Iracema).
c) recorre à adjetivação de caráter objetivo para tornar a cena mais
real.
d) emprega, a partir do segundo parágrafo, o presente do indicativo,
visando dar maior vivacidade aos fatos narrados, aproximando-os
do leitor.
e) atribui, nos trechos “aqui lhe sorri” e “lhe entram n’alma”, valor
possessivo ao pronome “lhe”.
RESOLUÇÃO:
A partir do segundo parágrafo, os verbos estão no presente do modo
indicativo (“brilha”, “correm”, “espera”, “embala”, “vai”, “vem”, “sorri”,
“recosta-se” e “buscam”). A escolha desse tempo verbal, chamado presente
histórico, dinamiza e presentifica as ações para o leitor.
Resposta: D
A adoção do cardápio indígena introduziu nas cozinhas e zonas
de serviço das moradas brasileiras equipamentos desconhecidos no
Reino. Instalou nos alpendres roceiros a prensa de espremer
mandioca ralada para farinha. Nos inventários paulistas é comum
a menção de tal fato. No inventário de Pedro Nunes, por exemplo,
efetuado em 1623, fala-se num sítio nas bandas do Ipiranga “com
seu alpendre e duas camarinhas no dito alpendre com a prensa no
dito sítio” que deveria comprimir nos tipitis toda a massa
proveniente do mandiocal também inventariado. Mas a farinha não
exigia somente a prensa — pedia, também, raladores, cochos de
lavagem e forno ou fogão. Era normal, então, a casa de fazer
farinha, no quintal, ao lado dos telheiros e próxima à cozinha.
Carlos A. C. Lemos, Cozinhas, etc.
Nasceu o dia e expirou.
Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite.
Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua,
que esperam a volta da mãe ausente. Martim se embala docemente;
e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro
pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe
sorri a virgem morena dos ardentes amores.
Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros
e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram
n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado
pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim
sobre o peito do guerreiro.
José de Alencar, Iracema.
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Leia um trecho do artigo “Reflexões sobre o tempo e a origem do
Universo”, do físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder às
questões de 7. a 10.
7. (Unifesp-2018) – “Mas, segundo nossa separação estrutural, o
presente não pode ter duração no tempo, pois nesse caso poderíamos
definir um período no seu passado e no seu futuro.” (2.° parágrafo)
Os pronomes destacados no texto referem-se a
a) “separação”.
b) “presente”.
c) “caso”.
d) “tempo”.
e) “período”.
RESOLUÇÃO
As duas ocorrências do pronome possessivo “seu” referem-se ao termo
“presente”, que se encontra no início do período.
Resposta: B
8. (Unifesp-2018) – “Em sua teoria da relatividade geral, ele mostrou
que a presença de massa (ou de energia) também influencia a
passagem do tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia
a dia.” (4.° parágrafo)
Ao se converter o trecho destacado para a voz passiva, o verbo
“influencia” assume a seguinte forma:
a) é influenciada.
b) foi influenciada.
c) era influenciada.
d) seria influenciada.
e) será influenciada.
RESOLUÇÃO
O verbo da oração na voz ativa está no presente do indicativo
(“influencia”). Ao se passar a frase para a voz passiva, deve-se colocar o
verbo auxiliar também no presente do indicativo (“é”), seguido do verbo
influenciar no particípio (“influenciada”).
Resposta: A
9. (Unifesp-2018) – Em “[Einstein] mostrou que a presença de massa
(ou de energia) também influencia a passagem do tempo, embora esse
efeito seja irrelevante em nosso dia a dia.” (4.° parágrafo), a conjunção
destacada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto,
por:
a) visto que.
b) a menos que.
c) ainda que.
d) a fim de que.
e) desde que.
RESOLUÇÃO
A conjunção “embora” pode ser substituída por “ainda que”, uma vez que
ambas estabelecem relação de concessão ou ressalva da oração com a
anterior.
Resposta: C
10.(Unifesp-2018) – O processo de formação de palavras verificado
em “estrutural” (2.° parágrafo)também está presente em
a) “futuro” (1.° parágrafo).
b) “portanto” (2.° parágrafo).
c) “momento” (3.° parágrafo).
d) “plasticidade” (4.° parágrafo).
e) “origem” (3.° parágrafo).
RESOLUÇÃO
A palavra “estrutural” é um adjetivo formado pelo processo de derivação
sufixal, assim como o substantivo “plasticidade”.
Resposta: D
Qualquer discussão sobre o tempo deve começar com uma
análise de sua estrutura, que, por falta de melhor expressão, devemos
chamar de “temporal”. É comum dividirmos o tempo em passado,
presente e futuro. O passado é o que vem antes do presente e o futuro
é o que vem depois. Já o presente é o “agora”, o instante atual. 
Isso tudo parece bastante óbvio, mas não é. Para definirmos
passado e futuro, precisamos definir o presente. Mas, segundo
nossa separação estrutural, o presente não pode ter duração no
tempo, pois nesse caso poderíamos definir um período no seu
passado e no seu futuro. Portanto, para sermos coerentes em nossas
definições, o presente não pode ter duração no tempo. Ou seja, o
presente não existe!
A discussão acima nos leva a outra questão, a da origem do
tempo. Se o tempo teve uma origem, então existiu um momento no
passado em que ele passou a existir. Segundo nossas modernas
teorias cosmogônicas, que visam explicar a origem do Universo,
esse momento especial é o momento da origem do Universo
“clássico”. A expressão “clássico” é usada em contraste com
“quântico”, a área da física que lida com fenômenos atômicos e
subatômicos.
[...]
As descobertas de Einstein mudaram profundamente nossa
concepção do tempo. Em sua teoria da relatividade geral, ele
mostrou que a presença de massa (ou de energia) também
influencia a passagem do tempo, embora esse efeito seja
irrelevante em nosso dia a dia. O tempo relativístico adquire uma
plasticidade definida pela realidade física à sua volta. A coisa se
complica quando usamos a relatividade geral para descrever a
origem do Universo.
(Folha de S.Paulo, 07.06.1998.)
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Leia o soneto “A uma dama dormindo junto a uma fonte”, do poeta
barroco Gregório de Matos (1636-1696), para responder às questões
11 e 12.
11. (Unifesp) – Assinale a alternativa em que o trecho do soneto está
reescrito em ordem direta, sem alteração do seu sentido original.
a) “Não dão o parabém à nova Aurora / Flores canoras, pássaros
fragrantes” →A nova Aurora não dá o parabém às flores canoras e
aos pássaros fragrantes.
b) “Calava o mar, e rio não se ouvia” → O mar se calava e não ouvia
o rio.
c) “não vestia / O céu seus horizontes de mil cores” → O céu não
vestia seus horizontes de mil cores.
d) “Tudo a Sílvia festeja, tudo adora” → A Sílvia festeja tudo, adora
tudo.
e) “A bela ocasião das minhas dores / Dormindo estava ao despertar
do dia” →Ao despertar do dia, estava dormindo a bela ocasião de
minhas dores.
RESOLUÇÃO:
A frase “O céu não vestia seus horizontes de mil cores” está em ordem
direta, isto é, apresenta a seguinte organização: sujeito + verbo +
complemento verbal.
Resposta: C
12. (Unifesp)
A sinestesia consiste em transferir percepções de um sentido para
as de outro, resultando um cruzamento de sensações.
(Celso Cunha. Gramática essencial, 2013.)
Verifica-se a ocorrência desse recurso no seguinte verso:
a) “Flores canoras, pássaros fragrantes,” (3.ª estrofe)
b) “À margem de uma fonte, que corria,” (1.ª estrofe)
c) “Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,” (4.ª estrofe)
d) “Dominava o silêncio entre as flores,” (2.ª estrofe)
e) “O céu seus horizontes de mil cores;” (2.ª estrofe)
RESOLUÇÃO:
Em “flores canoras, pássaros fragrantes”, mesclam-se as sensações auditiva
(“canoras” = cantantes) e olfativa (“fragrantes” = perfumados).
Resposta: A
À margem de uma fonte, que corria,
Lira doce dos pássaros cantores
A bela ocasião das minhas dores
Dormindo estava ao despertar do dia.
Mas como dorme Sílvia, não vestia
O céu seus horizontes de mil cores;
Dominava o silêncio entre as flores,
Calava o mar, e rio não se ouvia.
Não dão o parabém à nova Aurora
Flores canoras, pássaros fragrantes,
Nem seu âmbar respira a rica Flora.
Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,
Tudo a Sílvia festeja, tudo adora
Aves cheirosas, flores ressonantes.
(Poemas escolhidos, 2010.)
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1. (Unicamp-2018) – (Numa entrevista ao jornal El País em 26 de
agosto de 2016, o jornalista Caco Barcellos comenta uma afirmação
sua anterior, feita em um congresso de jornalistas investigativos, de
que novos profissionais não deveriam “atuar como porta-vozes de
autoridades”.
De acordo com a posição defendida por Caco Barcellos com relação
a seus leitores, uma reportagem exige do jornalista
a) conhecimento preciso do assunto, uma vez que seu objetivo é
convencer o leitor a concordar com o que escreve para evitar que
ele cometa erros.
b) investigação e precisão no tratamento do assunto, porque ela vai
servir de base a outros artigos, permitindo que o leitor tire suas
próprias conclusões.
c) investigação e precisão na abordagem dos fatos, já que ele também
emite seu juízo sobre o assunto, conduzindo o leitor a aceitar a
história que narra.
d) conhecimento preciso dos fatos tratados, para que, no futuro, o
leitor seja levado a crer que o repórter registrou sua opinião de
forma equilibrada.
RESOLUÇÃO
Segundo o texto de Caco Barcelos, o jornalista deve ser fiel ao registro dos
fatos, rigorosamente investi gados, pois é a partir desse registro que tanto
os leitores de hoje quanto os estudiosos futuros poderão fazer uma
avaliação crítica dos eventos retratados na reportagem.
Resposta: B
2. (Unicamp-2018)
(Bruno Fonseca. Facebook. Disponível em
https://www.facebook.com/museumazzaropi/. Acessado em
31/08/2017.)
Considerando os sentidos produzidos pela tirinha, é correto afirmar
que o autor explora o fato de que palavras como “ontem”, “hoje” e
“amanhã”
a) mudam de sentido dependendo de quem fala.
b) adquirem sentido no contexto em que são enunciadas.
c) deslocam-se de um sentido concreto para um abstrato.
d) evidenciam o sentido fixo dos advérbios de tempo.
RESOLUÇÃO
As marcações temporais “hoje”, “ontem” e “amanhã”, para serem
devidamente entendidas, dependem da compreensão dos interlocutores no
ato da conversação, pois elas podem ser relativizadas, isto é, qualquer dia
pode ser designado por tais advérbios.
Resposta: B
“Tenho o maior encanto e admiração e respeito pelo jornalismo de
opinião. O que critiquei lá é quando isso vai para a reportagem.
Não acho legítimo. O repórter tem o dever de ser preciso. Pode ser
até analítico, mas não emitir juízo. Na reportagem de rua, fico
imbuído, inclusive, de melhor informar o meu colega de opinião.
Se eu não fizer isso de modo preciso e correto, ele vai emitir um
juízo errado sobre aquele universo que estou retratando. E não só
ele, mas também o advogado, o sociólogo, o antropólogo e mais
para frente o historiador (...) Por exemplo, essa matança que a
polícia militar provoca no cotidiano das grandes cidades brasileiras
– isso é muito mal reportado pela mídia no seu conjunto. Quem
sabe, lá no futuro, o historiador não passe em branco por esse
momento da história. Não vai poder dizer ‘olha, os negros pobres
do estado mais rico da federação estão sendo eliminados com a
frequência de três por dia, um a cada oito horas’. Se o repórter não
fizer esse registro preciso e contundente, a cadeia toda pode falhar,
a começar pelo jornalista de opinião.”
(“Caco Barcelos: ‘Erros históricos nascem da imprecisão
jornalística’ ”. El País. 26/08/2016. Entrevista concedida a
Camila Moraes. 
Disponível em https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/19/
cultura/ 1468956578_924541.html. Acessado em 13/07/2017.)MÓDULO 22 00 Morfologia e Redação (IV)
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3. (Unicamp-2018)
(“Caneta Desmanipuladora.” Facebook. 17./10/2016. Disponível em
https://www.facebook.com/canetadesmanipuladora/. 
Acessado em 15/07./2017.)
Em relação ao post adaptado da página do Facebook “Caneta Des -
manipuladora”, é correto afirmar que a “desmanipulação” (substituição de
“já” por “só” e acréscimo de “até agora”) explicita a tentativa do jornal de
levar o leitor a pensar que
a) ainda falta muito a ser pago pela mineradora e há atrasos no
pagamento.
b) a Samarco teria pago uma grande parte do que devia e o prazo
provavelmente está sendo cumprido.
c) a Samarco já quitou o que devia , conforme valor homologado na
justiça.
d) a mineradora não deveria arcar sozinha com a despesa da tragédia
de Mariana.
RESOLUÇÃO
Segundo a reescrita do grupo “Caneta Desmani puladora”, que substituiu
“já” por “só” e acrescentou “até agora”, a Samarco pagou apenas uma
pequena parte (1/30) do acordo de reparação do desastre e não cumpriu os
prazos de pagamento. Considerando o emprego do “já” pelo jornal Folha
de S.Paulo, o leitor foi levado a entender, erroneamente, que a Samarco já
havia pagado uma grande parte do acordo.
Resposta: B
4. (Unicamp-2018)
As alternativas a seguir reproduzem trechos de uma entrevista do
professor Sidney Chalhoub (Unicamp e Harvard) sobre o mito da
meritocracia.
(Manuel Alves Filho, A meritocracia é um mito que alimenta as
desigualdades, diz Sidney Chalhoub. Jornal da Unicamp, 07/06/2017.)
Assinale aquela que dialoga diretamente com a notícia acima.
a) É preciso promover a inclusão “e fazer com que o conhecimento que
essas pessoas trarão à Universidade seja reconhecido e disseminado”.
b) Com a adesão da Unicamp ao sistema de cotas, um “novo contingente
de alunos colocará em cheque vários hábitos da universidade”.
c) “As melhores universidades do mundo (que servem de referência)
adotam a diversidade no ingresso dos estudantes há bastante tempo”.
d) “O ideal seria que todos aqueles que tivessem condições intelectuais
e interesse em entrar na universidade obtivessem uma vaga”.
RESOLUÇÃO
A notícia menciona o preconceito disseminado em nossa sociedade de que
determinadas ocupações, que não estão no topo de uma hierarquia
profissional, seriam sinônimo de fracasso. A jornalista ainda destaca um
discurso crítico que se opõe a essa discriminação e que defende a
necessidade de valorização dos saberes incorporados pelos ofícios
desprestigiados. Por fim, declara que fazer ensino superior na verdade não
é sucesso (que se contrapõe ao “fracasso” implícito nas fantasias da
atividade escolar noticiada), pois não depende integralmente da
competência do estudante (meritocracia). É resultado da sorte de se ter
nascido em condições sociais favoráveis – o que fica metaforizado em
“loteria do nascimento”. Dessa forma, o trecho da entrevista de Chalhoub
que dialoga diretamente com reportagem de Fernanda Valente, é o que está
consignado em a, pois faz referência aos “saberes incorporados”.
Resposta: A
Em maio deste ano, uma festa do 3.º ano do Ensino Médio de uma
escola do Rio Grande do Sul propôs aos alunos que se preparavam
para o vestibular uma atividade chamada “Se nada der certo”. O
objetivo era “trabalhar o cenário de não aprovação no vestibular”,
e como “lidar melhor com essa fase”. Os alunos compareceram à
festa “fantasiados” de faxineiros, garis, domésticas, agricultores,
entre outras profissões consideradas de pessoas “fracassadas”. O
evento teve repercussão nacional e acirrou o debate sobre a
meritocracia. Para Luis Felipe Miguel, professor de ciência
política, “o tom de chacota da festa-recreio era óbvio”, e teria sido
mais interessante “discutir como se constrói a hierarquia que define
algumas ocupações como subalternas e outras como superiores;
discutir como alguns podem desprezar os saberes incorporados nas
práticas dessas profissões (subalternas apenas porque contam com
quem as faça por eles); discutir como o que realmente ‘deu certo’
para eles foi a loteria do nascimento, que, na nossa sociedade,
determina a parte do leão das trajetórias individuais”.
(Adaptado de Fernanda Valente, Dia do ’se nada der certo’ acende
debate sobre meritocracia e privilégio. Carta Capital, 06/06/2017.
Disponível em http://justificando.cartacapital.com.br/2017/06/06/
dia-do-se-nada der-certoacende-debate-sobre-meritocracia-e-
privilegio/. Acessado em 08/06/2017.)
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5. (Unicamp-2018)
Entre os recursos comuns aos neologismos de Guimarães Rosa e de
James Joyce, estão:
I. Onomatopeia (formação de uma palavra a partir de uma reprodução
aproximada de um som natural, utilizando-se os recursos da língua);
e
II. Derivação (formação de novas palavras pelo acréscimo de prefixos
ou sufixos a palavras já existentes na língua).
Os neologismos que aparecem nas opções abaixo foram extraídos de
obras de Guimarães Rosa (GR) e James Joyce (JJ). Assinale a opção em
que os processos (I) e (II) estão presentes:
a) Quinculinculim (GR, No Urubuquaquá, no Pinhém) e tattarrattat
(JJ, Ulisses).
b) Transtrazer (GR, Grande sertão: veredas) e monoideal (JJ,
Ulisses).
c) Rtststr (JJ, Ulisses) e quinculinculim (GR, No Urubuquaquá, no
Pinhém).
d) Tattarrattat (JJ, Ulisses) e inesquecer-se (GR, Ave, Palavra).
RESOLUÇÃO
A palavra “tattarrattat” é formada por repetição fonética para simular o
som de batidas na porta, configurando um exemplo de onomatopeia. A
palavra “inesquecer-se” é formada pelo prefixo negativo “in-” acrescido
ao verbo “esquecer-se”. Trata-se, portanto, de derivação prefixal.
Resposta: D
Texto para a questão 6.
6. (Unicamp) – Considerando os recursos linguísticos e discursivos
presentes na configuraçao do texto, é correto afirmar que: 
a) “Nunca conheci quem tivesse sido tão feliz como nas redes sociais
/ Eu tenho inveja de mim no Instagram” é um enunciado que se
espelha nos versos “Nunca conheci quem tivesse levado porrada /
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”, do Poema
em Linha Reta, de Fernando Pessoa, por meio do recurso ao
paralelismo de estruturas sintáticas. 
b) No texto de Nina Lemos, alguns recursos linguísticos e discursos são
mobilizados de modo a promover um tipo particular de interação
entre o produtor do texto e seus leitores por meio de diálogos entre
personagens, pontuação com funções estilisticamente diversas, um
léxico de natureza coloquial e perguntas retóricas.
c) Baseado no Poema em Linha Reta de Fernando Pessoa, o texto de
Nina Lemos apresenta argumentos para convencer seus leitores de
que ela tem uma vida difícil em relação à de outras pessoas felizes
que conhecem pelo Instagram, e de que é possível mostrar a essas
pessoas que a vida não é tão boa quanto parece.
d) O texto de Nina Lemos apresenta uma organização textual e
sintática típica da esfera jornalística, que se caracteriza pelo uso de
marcas de oralidade como o recurso a sequências de diálogos
(“Quem estamos querendo enganar? A gente.”), o uso de
marcadores discursivos (“bem”, “sério”) e de enunciados inseridos
(“quem nunca?”).
RESOLUÇÃO:
A pontuação estilística, o vocabulário informal, as perguntas retóricas e os
trechos em discurso direto evidenciam a interação entre o emissor e o
destinatário do texto. 
Resposta: B
O brasileiro João Guimarães Rosa e o irlandês James Joyce são
autores reverenciados pela inventividade de sua linguagem
literária, em que abundam neologismos. Muitas vezes, por essa
razão, Guimarães Rosa e Joyce são citados como exemplos de
autores “praticamente intraduzíveis”. Mesmo sem ter lido os
autores, é possível identificar alguns dos seus neologismos, pois
são baseados em processos de formação de palavras comuns ao
português e ao inglês.
NUNCA CONHECI QUEM TIVESSESIDO TÃO 
FELIZ COMO NAS REDES SOCIAIS 
(...) Eu tenho inveja de mim no Instagram. 
(...) Eu queria ser feliz como eu sou no Instagram. 
Eu queria ter certeza, como eu tenho no Facebook, sobre as
minhas posições políticas. 
E no Twitter, bem, no Twitter eu não sou tão feliz nem certa e é
por isso que de longe essa ganha como rede social de mi corazón. 
E quanto mais eu me sinto angustiada (quem nunca?), mais eu
entro no Instagram e vejo a foto das pessoas superfelizes. E mais
angustiada eu fico. Por mais que eu saiba que aquela felicidade é de
mentira. 
Outro dia uma editora de moda que faz muito sucesso no
Instagram escreveu em uma legenda: “até que estou bem depois de
tomar um stillnox e um rivotril.” (!!!!! Gente!) Mas ufa, ela assumiu.
Até então, seus seguidores talvez pudessem achar que ela era uma
super-heroína que nunca tinha levado porrada (nem conhecido
quem tivesse tomado). Ela viaja de um lado para o outro, acorda
cedo, mas tem uma decoração linda na mesa, viaja de país em país. 
Trabalha loucamente. Mas ela sempre está disposta e apaixonada
pelo que faz. 
Escuta! Quanta mentira! Nenhuma de nós está apaixonada o
tempo todo pelo que faz. Eu, hoje, escrevi esse texto com muito
esforço. Eu, hoje, estou achando que eu escrevo mal e que perdi o
jeito para a coisa. Quem nunca? Quem nunca muitas vezes? 
Quem estamos querendo enganar? A gente. Mas tem vezes, como
agora, em que não dá. Eu queria muito voltar no tempo quando as
redes sociais não existiam só para lembrar como era ... Às vezes eu
acho que, com todas as vantagens da vida em rede ... , talvez a gente
se sentisse melhor. Sério. “Estou farto de semideuses. Onde é que
há gente nesse mundo?”, grita o Fernando Pessoa lá do túmulo. 
(Adaptado de Nina Lemos, disponível em
http://revistatpm.uol.com.br/blogs/berlimmandaavisar/2015/07/13/
nunca-conheci-quem-tivesse-sido-tao-feliz-como-nas-redes-
sociais.html.)
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Texto para a questão 7.
7. (Unicamp) – No excerto adaptado que você leu, há menção a outros
arames farpados, como “o arame da nossa ignorância”. Trata-se de uma
figura de linguagem para
a) a conquista do direito às terras e à educação que são negadas a todos
os trabalhadores.
b) a obtenção da chave que abre as portas da educação a todos os
brasileiros que não têm terras.
c) a promoção de uma conquista da educação que tenha como base a
propriedade fundiária.
d) a descoberta de que a luta pela posse da terra pressupõe também a
conquista da educação.
RESOLUÇÃO:
A fala do camponês de um grupo do “Movimento Sem Terra” sobre “o
arame de nossa ignorância” é uma metáfora sobre a necessidade de
formação educacional, porque, segundo ele, “os donos do mundo”, ou seja,
os poderosos, são beneficiados com a falta de instrução dos que lutam pela
posse de terra.
Resposta: D
Tira para a questão 8.
(Disponível em Via @mtesperon. Acessado em 26/07/2016.)
8. (Unicamp) – Assinale a alternativa correta.
a) A pergunta lançada no último quadrinho (“Você sabe quem
inventou o avião?ˮ) remete-nos a Santos Dummont, portanto
confirma o que se diz no primeiro e segundo quadrinhos.
b) A pergunta lançada no último quadrinho (“Você sabe quem
inventou o avião?ˮ) retifica a afirmação do primeiro quadrinho
(“Não há lei que o brasileiro não burle.ˮ).
c) A afirmação do segundo quadrinho (“Há a lei da Gra vi da de.ˮ)
refere-se a uma lei da física que nenhum bra sileiro é capaz de burlar,
como se admite no pri meiro quadrinho.
d) A pergunta lançada no último quadrinho (“Você sabe quem
inventou o avião?ˮ) é retórica, já que não há uma resposta para ela
nem no primeiro nem no segundo quadrinhos.
RESOLUÇÃO:
A pergunta lançada no último quadrinho remete à invenção do avião, cujo
crédito é dado a Santos Dummont, o que confirma tanto o fato de que os
brasileiros burlam, que significa “fraudar, ludibriar, enganar, trapacear”,
as leis constitucionais (primeiro quadrinho), quanto uma das principais
leis da Física, a lei da gravitação de Newton (segundo quadrinho).
Resposta: A
Em depoimento, Paulo Freire fala da necessidade de uma tarefa
educativa: “trabalhar no sentido de ajudar os homens e as mulheres
brasileiras a exercer o direito de poder estar de pé no chão, cavando
o chão, fazendo com que o chão produza melhor é um direito e um
dever nosso. A educação é uma das chaves para abrir essas portas.
Eu nunca me esqueço de uma frase linda que eu ouvi de um
educador, camponês de um grupo de Sem Terra: pela força do nosso
trabalho, pela nossa luta, cortamos o arame farpado do latifúndio
e entramos nele, mas quando nele chegamos, vimos que havia outros
arames farpados, como o arame da nossa ignorância. Então eu
percebi que quanto mais inocentes, tanto melhor somos para os
donos do mundo. (…) Eu acho que essa é uma tarefa que não é só
política, mas também pedagógica. Não há Reforma Agrária sem
isso.”
(Adaptado de Roseli Salete Galdart, 
Pedagogia do Movimento Sem Terra: escola é mais 
que escola. São Paulo: Expressão Popular, 2008, p. 172.)
NÃO HÁ LEI
QUE O BRASILEIRO
NÃO BURLE.
HÁ A LEI
DA GRAVIDADE VOCÊ
SABE QUEM
INVENTOU O
AVIÃO?
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Texto para a questão 9.
9. (Unicamp) – Entre os excertos de estudiosos da linguagem
reproduzidos a seguir, assinale aquele que corrobora os comentários
do post.
a) Numa sociedade estruturada de maneira complexa a linguagem de
um dado grupo social reflete-o tão bem como suas outras formas de
comportamento. (Mattoso Câmara Jr., 1975, p. 10.)
b) A linguagem exigida, especialmente nas aulas de língua portuguesa,
corresponde a um modelo próprio das classes dominantes e das
categorias sociais a elas vinculadas. (Camacho, 1985, p. 4.)
c) Não existe nenhuma justificativa ética, política, pedagógica ou
científica para continuar condenando como erros os usos
linguísticos que estão firmados no português brasileiro. (Bagno,
2007, p. 161.)
d) Aquele que aprendeu a refletir sobre a linguagem é capaz de
compreender uma gramática – que nada mais é do que o resultado
de uma (longa) reflexão sobre a língua. (Geraldi, 1996, p. 64.)
RESOLUÇÃO:
O excerto do blog alude ao desvio da norma culta no título do filme “Que
horas ela volta?”. O autor do blog rebate essa crítica, lembrando que a
linguagem falada é uma variante linguística que utiliza o registro informal
e a obra de arte não precisa estar, necessariamente, comprometida com o
padrão formal. Essa mesma ideia fica evidente no trecho de Marcos Bagno.
Resposta: C
Texto para a questão 10.
10.(Unicamp) – Em Caligrafia, o autor
a) estabelece uma relação de causa e efeito entre caligrafia e voz.
b) sugere uma relação de oposição entre caligrafia e voz.
c) projeta uma relação de gradação entre caligrafia e voz.
d) apreende uma relação de analogia entre caligrafia e voz.
RESOLUÇÃO:
No texto de Arnaldo Antunes, a escrita e a caligrafia possuem uma relação
análoga à fala e à voz, pois as marcas ontológicas da voz, no discurso falado,
podem ser comparadas aos sinais gráficos do texto escrito. A voz e a
caligrafia, portanto, expressam a singularidade do ser.
Resposta: D
Os excertos são adaptados de textos dos autores referenciados abaixo:
BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pe da go gia da
variação linguística. São Paulo: Editorial, 2007.
CAMACHO, Roberto Gomes. O sistema escolar e o ensino da língua
portuguesa. Alfa, São Paulo, 29, p.1-7, 1985.
GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino: exercícios de militância
e divulgação. Campinas, SP: Mercado das Letras; Associação de Leitura
do Brasil, 1996.
MATTOSO CÂMARA JR., Joaquim. História da Linguís tica. Petrópolis,
Rio de Janeiro: Vozes, 1975.
Caligrafia (Arnaldo Antunes)
Arte do desenho manual dasletras e palavras.
Território híbrido entre os códigos verbal e visual.
A caligrafia está para a escrita como a voz está para a fala.
A cor, o comprimento e espessura das linhas, a disposição espacial,
a velocidade dos traços da escrita correspondem a timbre, ritmo,
tom, cadência, melodia do discurso falado.
Entonação gráfica.
Assim como a voz apresenta a efetivação física do discurso (o ar nos
pulmões, a vibração das cordas vocais, os movimentos da língua), a
caligrafia também está intimamente ligada ao corpo, pois carrega
em si os sinais de maior força ou delicadeza, rapidez ou lentidão,
brutalidade ou leveza do momento de sua feitura.
(Adaptado de https://www.arnaldoantunes.com.br. 
Acessado em 12/07/2016.)
No dia 21 de setembro de 2015, Sérgio Rodrigues, crítico
literário, comentou que apontar no título do filme Que horas ela
volta? um erro de português “revela visão curta sobre como a língua
funciona”. E justifica: 
“O título do filme, tirado da fala de um personagem, está em
registro coloquial. Que ano você nasceu? Que série você estuda? e
frases do gênero são familiares a todos os brasileiros, mesmo com
alto grau de escolaridade. Será preciso reafirmar a esta altura do
século 21 que obras de arte têm liberdade para transgressões muito
maiores?
Pretender que uma obra de ficção tenha o mesmo grau de
formalidade de um editorial de jornal ou relatório de firma revela
um jeito autoritário de compreender o funcionamento não só da
língua, mas da arte também.”
(Adaptado do blog Melhor Dizendo. Post completo disponível em
http://www.melhordizendo.com/a-que-horas-ela-volta-em-que-
ano-estamos-mesmo/. Acessado em 08/06/2016.)
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Texto para as questões 11 e 12.
11. (Fuvest) – No texto, a função argumentativa do provérbio “Da vida
nada se leva” é expressar uma filosofia de vida contrária à que está
presente em “vintém poupado, vintém ganhado”. Também é contrário
a esse último provérbio o ensinamento expresso em:
a) Mais vale pão hoje do que galinha amanhã.
b) A boa vida é mãe de todos os vícios.
c) De grão em grão a galinha enche o papo.
d) Devagar se vai longe.
e) É melhor prevenir do que remediar.
RESOLUÇÃO:
O ensinamento que contraria o provérbio “vintém poupado, vintém
ganhado” é “Mais vale pão hoje do que galinha amanhã”, já que enquanto
o primeiro defende a prática de poupar para garantir o amanhã, o segundo
exalta a fruição do presente (“pão hoje”).
Resposta: A
12. (Fuvest) – Considere as seguintes afirmações sobre os dois
provér bios citados no terceiro parágrafo do texto.
Está correto apenas o que se afirma em
a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I e III.
RESOLUÇÃO:
Em I, o provérbio “filho de peixe, peixinho é”, citado no terceiro parágrafo,
relaciona-se à profunda relação que o povo português tem com o mar. Em
II, sobre o provérbio “a maçã não cai longe da árvore”, ao con trário de
expressar costumes peculiares dos húngaros apenas constata o fato de que
o filho (“maçã”) não costuma afastar-se dos pais (“árvores”). Em III, os
costumes, o ambiente físico e a história de cada povo poderiam ser objeto
de estudo da etnografia. 
Resposta: E
Seria ingenuidade procurar nos provérbios de qualquer povo
uma filosofia coerente, uma arte de viver. É coisa sabida que a cada
provérbio, por assim dizer, responde outro, de sentido oposto. A
quem preconiza o sábio limite das despesas, porque “vintém
poupado, vintém ganhado”, replicara o vizinho farrista, com razão
igual: “Da vida nada se leva”. (...) 
Mais aconselhável procurarmos nos anexins não a sabedoria de
um povo, mas sim o espelho de seus costumes peculiares, os sinais
de seu ambiente físico e de sua história. As diferenças na expressão
de uma sentença observáveis de uma terra para outra podem
divertir o curioso e, às vezes, até instruir o etnógrafo. 
Povo marítimo, o português assinala semelhança grande entre
pai e filho, lembrando que “filho de peixe, peixinho é”. Já os
húngaros, ao formularem a mesma verdade, não pensavam nem em
peixe, nem em mar; ao olhar para o seu quintal, notaram que a
“maçã não cai longe da árvore”.
(Paulo Rónai, 
Como aprendi o português e outras aventuras.)
I. A origem do primeiro, de acordo com o autor, está ligada à
história do povo que o usa.
II. Em seu sentido literal, o segundo expressa costumes peculiares
dos húngaros.
III. A observação das diferenças de expressão entre esses
provérbios pode, segundo o pensamento do autor, ter interesse
etnográfico.
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Português
Curso Extensivo – B
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Leia o trecho do livro Bem-vindo ao deserto do real!, de Slavoj Žižek,
para responder às questões 1 e 2.
1. (UNESP-2018) – A “introdução da referência ao código, como um
de seus elementos, na própria mensagem codificada” constitui um
exemplo de
a) eufemismo. b) metalinguagem.
c) intertextualidade. d) hipérbole.
e) pleonasmo.
RESOLUÇÃO
O excerto refere-se constantemente ao próprio código, ao mencionar o uso
de tintas de cores diferentes para a interlocução dos amigos por meio de
cartas.
Resposta: B
2. (Unesp-2018) – “Um mês depois, os amigos recebem uma carta
escrita em tinta azul [...].”
Assinale a alternativa que expressa, na voz passiva, o conteúdo dessa
oração.
a) Um mês depois, uma carta escrita em tinta azul seria recebida pelos
amigos.
b) Os amigos deveriam ter recebido, um mês depois, uma carta escrita
em tinta azul.
c) Um mês depois, uma carta escrita em tinta azul foi recebida pelos
amigos.
d) Um mês depois, uma carta escrita em tinta azul é recebida pelos
amigos.
e) Os amigos receberiam, um mês depois, uma carta escrita em tinta
azul.
RESOLUÇÃO
No voz passiva analítica, o objeto direto da ativa “uma carta escrita em
tinta azul” passa a sujeito paciente; o sujeito da ativa passa a agente da
passiva; o verbo receber fica no particípio, antecedido pelo verbo auxiliar
ser no presente: Um mês depois, uma carta escrita em tinta azul é recebida
pelos amigos.
Resposta: D
Leia o trecho do conto “Pai contra mãe”, de Machado de Assis 
(1839-1908), para responder à questão de 3.
3. (Unesp-2018) – “Quem perdia um escravo por fuga dava algum
dinheiro a quem lho levasse.” (4.° parágrafo)
Na oração em que está inserido, o termo destacado é um verbo que
pede
a) apenas objeto direto, representado pelo vocábulo “lho”.
b) objeto direto e objeto indireto, ambos representados pelo vocábulo
“lho”.
c) objeto direto, representado pelo vocábulo “dinheiro”, e objeto
indireto, representado pelo vocábulo “lho”.
d) apenas objeto indireto, representado pelo vocábulo “quem”.
e) objeto direto, representado pelo vocábulo “dinheiro”, e objeto
indireto, representado pelo vocábulo “quem”.
RESOLUÇÃO
O verbo “levar” é transitivo direto e indireto. A contração “lho” é formada
pelos pronomes oblíquos “o”, que se refere a “escravo” e exerce função
sintática de objeto direto, e “lhe”, que se refere “a quem”, funcionando
com objeto indireto.
Resposta: B
Numa antiga anedota que circulava na hoje falecida República
Democrática Alemã, um operário alemão consegue um emprego
na Sibéria; sabendo que toda correspondência será lida pelos
censores, ele combina com os amigos: “Vamos combinar um
código: se uma carta estiver escrita em tinta azul, o que ela diz é
verdade; se estiver escrita em tinta vermelha, tudo é mentira.” Um
mês depois, os amigos recebem uma carta escrita em tinta azul:
“Tudo aqui é maravilhoso: as lojas vivem cheias, a comida é
abundante, os apartamentos são grandes e bem aquecidos, os
cinemasexibem filmes do Ocidente, há muitas garotas, sempre
prontas para um programa – o único senão é que não se consegue
encontrar tinta vermelha.” Neste caso, a estrutura é mais refinada
do que indicam as aparências: apesar de não ter como usar o
código combinado para indicar que tudo o que está dito é mentira,
mesmo assim ele consegue passar a mensagem. Como? Pela
introdução da referência ao código, como um de seus elementos,
na própria mensagem codificada.
(Bem-vindo ao deserto do real!, 2003.)
Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram
muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia
ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de
apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia
alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era
mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação,
porque dinheiro também dói. A fuga repetia-se, entretanto. Casos
houve, ainda que raros, em que o escravo de contrabando, apenas
comprado no Valongo, deitava a correr, sem conhecer as ruas da
cidade. Dos que seguiam para casa, não raro, apenas ladinos,
pediam ao senhor que lhes marcasse aluguel, e iam ganhá-lo fora,
quitandando.
Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a quem
lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os sinais do
fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o bairro por
onde andava e a quantia de gratificação. Quando não vinha a
quantia, vinha promessa: “gratificar-se-á generosamente” – ou
“receberá uma boa gratificação”. Muita vez o anúncio trazia em
cima ou ao lado uma vinheta, figura de preto, descalço, correndo,
vara ao ombro, e na ponta uma trouxa. Protestava-se com todo o
rigor da lei contra quem o acoitasse.
(Contos: uma antologia, 1998.)
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Revisão PORTUGUÊS
MÓDULO 11 Sintaxe (I)
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Para responder às questões de 4 a 10, leia a crônica “Anúncio de João
Alves”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada
originalmente em 1954.
4. (Unesp) – Na crônica, João Alves é descrito como
a) rústico e mesquinho.
b) calculista e interesseiro.
c) generoso e precipitado.
d) sensato e meticuloso.
e) ingênuo e conformado.
RESOLUÇÃO:
O personagem João Alves é caracterizado pelo narra dor da crônica como
um homem “sensato”, pois ape nas redigiu o anúncio no jornal sobre o desa -
pa recimento de sua “besta” após fazer indaga ções e concluir que o animal
poderia ter sido roubado. Segundo o narrador, a redação do anúncio de
João Alves também revela que este era um homem “meticuloso”, visto que
ele descreveu detalhadamente a “besta” desaparecida, inclusive “o pequeno
quisto na orelha”.
Resposta: D
5. (Unesp) – O humor presente na crônica decorre, entre outros
fatores, do fato de o cronista
a) debruçar-se sobre um antigo anúncio de besta desaparecida.
b) esforçar-se por ocultar a condição rural do autor do anúncio.
c) duvidar de que o autor do anúncio seja mesmo João Alves.
d) empregar o termo “besta” em sentido também metafórico.
e) acreditar na possibilidade de se recuperar a besta de João Alves.
RESOLUÇÃO:
O que promove o humor é o fato de o narrador dedicar-se à análise do
discurso de um anúncio antigo sobre o desaparecimento de uma “besta”.
Resposta: A
6. (Unesp) – “Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves
Junior, tua besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já e
pó no pó.” (2.º parágrafo)
Em relação ao período do qual faz parte, a oração destacada exprime
ideia de
a) comparação.
b) concessão.
c) consequência.
d) conclusão.
e) causa.
RESOLUÇÃO:
A oração “mesmo que tenha aparecido” é adverbial concessiva. A locução
“mesmo que” poderia ser substituída, sem alteração do sentido, por
embora, ainda que, posto que.
Resposta: B
7. (Unesp) – O cronista manifesta um juízo de valor sobre a sua
própria época em:
a) “Não escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de
tua condição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu
a 6 de outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de
Itabira.” (3.º parágrafo)
b) “Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua
besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó.”
(2.º parágrafo)
c) “Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está
assim redigido:” (1.º parágrafo)
Figura o anúncio em um jornal que o amigo me mandou, e está
assim redigido:
À procura de uma besta. – A partir de 6 de outubro do ano
cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os se -
guintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros
locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e
crina dividida em duas seções em consequência de um golpe,
cuja extensão pode alcançar de quatro a seis centímetros,
produzido por jumento.
Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é
muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que
foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.
Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue
aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente
remunerado. Itambé do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899.
a) João Alves Júnior.
Cinquenta e cinco anos depois, prezado João Alves Júnior, tua
besta vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó.
E tu mesmo, se não estou enganado, repousas suavemente no
pequeno cemitério de Itambé. Mas teu anúncio continua um modelo
no gênero, se não para ser imitado, ao menos como objeto de
admiração literária.
Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não es -
creveste apressada e toscamente, como seria de esperar de tua con -
dição rural. Pressa, não a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de
outubro, e só a 19 de novembro recorreste à Cidade de Itabira.
Antes, procedeste a indagações. Falharam. Formulaste depois um
raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste um
belo e nítido retrato da besta.
Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados;
preferiste dizê-lo “de todos os seus membros loco-motores”. Nem
esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa divisão da crina em
duas seções, que teu zelo naturalista e histórico atribuiu com
segurança a um jumento.
Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é,
do povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido,
mas antes foi roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório:
“tudo me induz a esse cálculo”. Revelas aí a prudência mineira, que
não avança (ou não avançava) aquilo que não seja a evidência
mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e desapaixonada
como qualquer outra, e não denúncia formal.
Finalmente – deixando de lado outras excelências de tua prosa
útil – e declaração final: quem a apreender ou pelo menos “notícia
exata ministrar”, será “razoavelmente remunerado”. Não prometes
recompensa tentadora; não fazes praça de generosidade ou largueza;
acenas com o razoável, com a justa medida das coisas, que deve
prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e entregues.
Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro
João Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque
soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e
o jornal aguardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são
informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de objetos e animais
perdidos, na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa precisão
de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa
atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que
se pode manifestar até mesmo num anúncio de besta sumida.
(Fala, amendoeira, 2012.)
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d) “Já não há essa precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa
moderaçãonem essa atitude crítica. Não há, sobretudo, esse amor
à tarefa bem-feita, que se pode manifestar até mesmo num anúncio
de besta sumida.” (7.º parágrafo)
e) “Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João
Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque
soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, num dia remoto, e
o jornal a guardou e alguém hoje a descobre, e muitos outros são
informados da ocorrência.” (7.º parágrafo)
RESOLUÇÃO:
O narrador expressa sua avaliação crítica ao comparar o anúncio antigo
com os anúncios de sua época. Isso se explicita nos três últimos períodos do
último parágrafo: “Se lesses os anúncios de objetos e animais perdidos, na
imprensa de hoje ficarias triste.”
Resposta: D
8. (Unesp) – Está empregado em sentido figurado o termo destacado
no seguinte trecho:
a) “Formulaste depois um raciocínio: houve roubo.” (3.º parágrafo)
b) “Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem.” 
(3.º parágrafo)
c) “Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem.” 
(3.º parágrafo)
d) “Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados;” 
(4.º parágrafo)
e) “Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados;” 
(4.º parágrafo)
RESOLUÇÃO:
Ocorre metáfora em “limpeza”, pois o termo, nesse contexto, significa que
a linguagem de João Alves prima por correção, clareza e objetividade.
Resposta: C
9. (Unesp) – Em “Contudo, não o afirmas em tom peremptório: ‘tudo
me induz a esse cálculo’?” (5.º parágrafo), o termo destacado pode ser
substituído, sem prejuízo de sentido para o texto, por:
a) incisivo. b) irônico. c) rancoroso.
d) constrangido. e) hesitante.
RESOLUÇÃO:
“Peremptório” significa “absoluto, categórico, decisivo, incisivo”. Dessa
forma, o narrador afirma que, de forma calculada, João Alves não afirma
ter sido a besta “roubada”.
Resposta: A
10.(Unesp) – Com base no último parágrafo, a principal qualidade
atribuída pelo cronista a João Alves é
a) a prudência. b) o discernimento. c) a concisão.
d) o humor. e) a dedicação.
RESOLUÇÃO:
O cronista atribui a João Alves a qualidade de ser cioso, em função do
“amor à tarefa bem-feita”.
Resposta: E
Leia o soneto “Alma minha gentil, que te partiste”, do poeta português
Luís de Camões (1525?-1580), para responder à questão 11.
11. (Unesp)
“Se lá no assento etéreo, onde subiste, 
memória desta vida se consente,” (2.a estrofe)
Os termos destacados constituem
a) pronomes.
b) conjunções.
c) uma conjunção e um advérbio, respectivamente.
d) um pronome e uma conjunção, respectivamente.
e) uma conjunção e um pronome, respectivamente.
RESOLUÇÃO:
No primeiro segmento, a palavra “se” é conjunção adverbial, condicional
e pode ser substituída por caso. O verbo consentir significa permitir,
aprovar, é transitivo direto e está na voz passiva sintética, sendo o se
pronome apassivador.
Resposta: E
Cartum as questões 12 e 13.
Robert Mankoff, New Yorker/Veja.
12.(Fuvest) – Para obter o efeito de humor presente no cartum, o autor
se vale, entre outros, do seguinte recurso: 
a) utilização paródica de um provérbio de uso corrente. 
b) emprego de linguagem formal em circunstâncias informais. 
c) representação inverossímil de um convívio pacífico de cães e gatos. 
d) uso do grotesco na caracterização de seres humanos e de animais. 
e) inversão do sentido de um pensamento bastante repetido. 
RESOLUÇÃO:
O discurso da personagem emite um juízo de valor contrário ao seguinte
pensamento contemporâneo: os bichos não passam de substitutos patéticos
para as pessoas que não podem ter crianças.
Resposta: E
13.(Fuvest) – No contexto do cartum, a presença de numerosos
animais de estimação permite que o juízo emitido pela persona gem
seja considerado 
a) incoerente. b) parcial. c.) anacrônico.
d) hipotético. e)enigmático. 
RESOLUÇÃO:
A personagem que profere a frase foi parcial ao manifestar uma opinião
que vai ao encontro da situação que ela vivencia, cercada de animais.
Resposta: B
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
(Sonetos, 2001.)
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Leia o trecho do livro Em casa, de Bill Bryson, para responder às
questões de 1 a 4.
1. (Unesp-maio-2018) – Em “Não havia praticamente nenhum gênero
que não pudesse ser melhorado ou tornado mais econômico para o
varejista por meio de um pouquinho de manipulação e engodo” 
(2.o parágrafo), o termo sublinhado está empregado em sentido similar
ao do termo sublinhado em:
a) “Smollett definiu o pão de Londres como um composto tóxico de
‘giz, alume e cinzas de ossos, insípido ao paladar e destrutivo para
a constituição’” (3.o parágrafo).
b) “A primeira acusação formal já encontrada sobre a adulteração
generalizada do pão está em um livro” (3.o parágrafo).
c) “os ossuários dos mortos são revolvidos para adicionar imundícies
ao alimento dos vivos” (3.o parágrafo).
d) “Smollett definiu o pão de Londres como um composto tóxico de
‘giz, alume e cinzas de ossos, insípido ao paladar e destrutivo para
a constituição’” (3.o parágrafo).
e) “A primeira acusação formal já encontrada sobre a adulteração
generalizada do pão está em um livro. (3.o parágrafo).
RESOLUÇÃO:
O substantivo “manipulação” refere-se à pratica comum, segundo o texto,
de adulterar os produtos alimentícios, acrescentando substâncias, muitas
vezes nocivas, a fim de aumentar o lucro. Nesse sentido, o substantivo
“adulteração” possui o valor semântico de “manipulação”, pois ambas as
palavras indicam a fraude praticada pelo comerciante.
Resposta: E
2. (Unesp-maio 2018) – “O acetato de chumbo era adicionado às
bebidas como adoçante” (1.o parágrafo).
Preservando-se a correção gramatical e o seu sentido original, essa
oração pode ser reescrita na forma:
a) Adicionava-se o acetato de chumbo às bebidas como adoçante.
b) Adiciona-se o acetato de chumbo às bebidas como adoçantes.
c) Eram adicionadas às bebidas como adoçante o acetato de chumbo.
d) Adicionam-se às bebidas como adoçante o acetato de chumbo.
e) Adicionavam-se às bebidas como adoçante o acetato de chumbo.
RESOLUÇÃO:
A frase do enunciado encontra-se na voz passiva analítica, cujo sujeito
paciente “acetato de chumbo” se mantém na voz passiva sintética. Por isso,
o verbo fica na terceira pessoa do singular com acréscimo do pronome
apassivador “se”.
Resposta: A
3. (Unesp-maio 2018) – Em “Quase nada, no século XVII, escapava
à astúcia dos que adulteravam alimentos” (1.o parágrafo), o termo
sublinhado é um verbo
a) transitivo direto.
b) intransitivo.
c) de ligação.
d) transitivo indireto.
e) transitivo direto e indireto.
RESOLUÇÃO
O verbo escapar em “escapava à astúcia” é transitivo indireto, pois rege a
preposição “a” (em “à”) presente no objeto indireto “à astúcia”.
Resposta: D
Quase nada, no século XVII, escapava à astúcia dos que
adulteravam alimentos. O açúcar e outros ingredientes caros muitas
vezes eram aumentados com gesso, areia e poeira. A manteiga tinha
o volume aumentado com sebo e banha. Quem tomasse chá,
segundo autoridades da época, poderia ingerir, sem querer, uma
série de coisas, desde serragem até esterco de carneiro pulverizado.
Um carregamento inspecionado, relata Judith Flanders, demonstrou
conter apenas a metade de chá; o resto era composto de areia e
sujeira. Acrescentava-se ácido sulfúrico ao vinagre para dar mais
acidez; giz ao leite; terebintina1 ao gim. O arsenito de cobre era
usado para tornar os vegetais mais verdes, ou para fazer a geleia
brilhar. O cromato de chumbo dava um brilho dourado aos pães e
também à mostarda. O acetato de chumbo era adicionado às bebidas
como adoçante, e o chumbo avermelhado deixava o queijo
Gloucester, se não mais seguro para comer, mais belo para olhar. 
Não haviapraticamente nenhum gênero que não pudesse ser
melhorado ou tornado mais econômico para o varejista por meio
de um pouquinho de manipulação e engodo. Até as cerejas, como
relata Tobias Smollett, ganhavam novo brilho depois de roladas,
delicadamente, na boca do vendedor antes de serem colocadas em
exposição. Quantas damas inocentes, perguntava ele, tinham
saboreado um prato de deliciosas cerejas que haviam sido
“umedecidas e roladas entre os maxilares imundos e, talvez,
ulcerados de um mascate de Saint Giles”?
O pão era particularmente atingido. Em seu romance de 1771,
The expedition of Humphry Clinker, Smollett definiu o pão de
Londres como um composto tóxico de “giz, alume2 e cinzas de
ossos, insípido ao paladar e destrutivo para a constituição”; as
acusações assim já eram comuns na época. A primeira acusação
formal já encontrada sobre a adulteração generalizada do pão está
em um livro chamado Poison detected: or frightful truths, escrito
anonimamente em 1757, que revelou segundo “uma autoridade
altamente confiável” que “sacos de ossos velhos são usados por
alguns padeiros, não infre quen temente”, e que “os ossuários dos
mortos são revolvidos para adicionar imundícies ao alimento dos
vivos”.
(Em casa, 2011. Adaptado.)
1terebintina: resina extraída de uma planta e usada na fabricação de
vernizes, diluição de tintas etc.
2alume: designação dos sulfatos duplos de alumínio e metais
alcalinos, com propriedades adstringentes, usado na fabricação de
corantes, papel, porcelana, na purificação de água, na clarificação
de açúcar etc.
MÓDULO 22 Sintaxe (II)
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4. (Unesp-maio 2018) – É invariável quanto a gênero e a número o
termo sublinhado em:
a) “o resto era composto de areia e sujeira” (1o parágrafo).
b) “O pão era particularmente atingido” (3o parágrafo).
c) “O açúcar e outros ingredientes caros” (1o parágrafo).
d) “uma autoridade altamente confiável” (3o parágrafo).
e) “um pouquinho de manipulação e engodo” (2o parágrafo).
RESOLUÇÃO
O termo “altamente” é invariável quanto a gênero e a número, pois
funciona morfologicamente como advérbio. Em a, “composto” é adjetivo;
em b, “era” é verbo; em c, “açúcar” é substantivo; em e, “engodo” é
substantivo.
Resposta: D
5. (Unicamp-2018)
As alternativas abaixo reproduzem trechos de um fórum de discussão
na Internet sobre um jogo eletrônico. Nessa discussão, um jogador
queixa-se por não ter conseguido se conectar a uma partida e ter
perdido pontos. Escolha a alternativa que contém um exemplo do
processo de adaptação de verbos do inglês para o sistema verbal do
português, como descreve Sírio Possenti.
a) “Aconteceu logo na manhã deste domingo, quando iniciei uma
ranked.”
b) “Ela não deu load e pensei que era um bug no site.” 
c) “Entrei no lolking para ver se a partida estava sendo computada.”
d) “Nem upei meu personagem de tanto problema no server.” 
(Adaptado de http://forums.br.leagueoflegends.com/board/
showthread.php?t=187120. Acessado em 15/07/2017.)
RESOLUÇÃO
Os exemplos dados no texto de Sírio Possenti demonstram que os verbos
formados a partir de anglicismos pertencem à primeira conjugação
(atachar, estartar...). Assim, a palavra que exemplifica tal padrão é “upar”,
conjugada na terceira pessoa do singular no pretérito perfeito do
indicativo: upei, que no contexto significa aumentar as habilidades de um
personagem de jogo eletrônico.
Resposta: D
6. (Unicamp-2018) – Leia, a seguir, um excerto de “Terrorismo
Literário”, um manifesto do escritor Ferréz.
Ferréz defende sua proposta literária como uma
a) descoberta de que é preciso reagir com a palavra para que não haja
separação entre a grande cultura nacional e a literatura feita por
minorias.
b) comprovação de que, sendo as minorias de fato uma maioria, não
faz sentido distinguir duas literaturas, uma do centro e outra da
periferia.
c) manifestação de que a literatura marginal tem seu modo próprio de
falar e de contar histórias, já reconhecido pelos estudiosos.
d) constatação de que é preciso reagir com a palavra e mostrar-se nesse
lugar marginal como literatura feita por minorias que juntas formam
uma maioria.
RESOLUÇÃO
No início do excerto de “Terrorismo literário”, Ferréz declara que houve
uma mudança no instrumento de resistência utilizado pelos oprimidos
diante do dono de poder: a capoeira, embate que usa o corpo, foi
substituída pela literatura marginal, embate que usa a palavra. Por meio
desse novo instrumento, esses textos literários tornam-se uma maneira de
as minorias sociais, juntas, mostrarem sua voz, mostrarem a força de seu
universo cultural, que é o da maior parte da população.
Resposta: D
Estrangeirismos são palavras e expressões de outras línguas usadas
correntemente em nosso cotidiano. Sobre o emprego de palavras
estrangeiras no português, o linguista Sírio Possenti comenta:
Tomamos alguns verbos do inglês e os adaptamos a nosso sistema
verbal exclusivamente segundo regras do português. Se adotarmos
start, logo teremos estartar (e todas as suas flexões), pois nossa
língua não tem sílabas iniciais como st-, que imediatamente se
tornam est-. A forma nunca será startar, nem ostartar ou ustartar,
nem estarter ou estartir, nem printer ou printir, nem atacher ou
atachir etc., etc., etc.
(Adaptado de Sírio Possenti, “A questão dos estrangeirismos”, 
em Carlos Alberto Faraco, Estrangeirismos: guerras em 
torno da língua. São Paulo: Parábola, 2001, p. 173-174.)
Glossário:
Bug: falha devido ao mau funcionamento em um programa
de informática.
Computar: contar, incluir.
Dar load: carregar.
Lolking: site da Internet sobre o jogo
Ranked: partida que dá pontos ao jogador
Server: servidor; em informática, é um programa ou um com -
putador que fornece serviços a uma rede de computadores.
Upar: subir de nível, recarregar.
A capoeira não vem mais, agora reagimos com a palavra, porque
pouca coisa mudou, principalmente para nós. A literatura marginal
se faz presente para representar a cultura de um povo composto de
minorias, mas em seu todo uma maioria.
A Literatura Marginal, sempre é bom frisar, é uma literatura feita
por minorias, sejam elas raciais ou socioeconômicas. Literatura feita
à margem dos núcleos centrais do saber e da grande cultura
nacional, isto é, de grande poder aquisitivo. Mas alguns dizem que
sua principal característica é a linguagem, é o jeito que falamos,
que contamos a história, bom, isso fica para os estudiosos. 
Cansei de ouvir: — “Mas o que cês tão fazendo é separar a
literatura, a do gueto e a do centro”. E nunca cansarei de responder:
— “O barato já tá separado há muito tempo, foi feito todo um
mundo de teses e de estudos do lado de lá, e do de cá mal
terminamos o ensino dito básico.”
(Adaptado de Ferréz, “Terrorismo literário”, em Ferréz (Org.),
Literatura marginal: talentos da escrita periférica. 
Rio de Janeiro: Agir, 2005, p. 9,12,13.)
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7. (Unicamp-2018)
(Disponível em http://www.psyche.com.br/taxonomy/term/4.
Acessado em 02/06/2017.)
No contexto deste grafite, as frases “menos presos políticos” e “mais
políticos presos” expressam
a) uma relação de contradição, uma vez que indicam sentidos opostos.
b) uma relação de consequência, já que a diminuição de um grupo
conduz ao aumento de outro.
c) uma relação de contraste, pois reivindicam o aumento de um tipo de
presos e a redução de outro.
d) uma relação de complementaridade, porque remetem a subcon -
juntos de uma mesma categoria.
RESOLUÇÃO
A reivindicação é evidente na exigência de que haja “menos presos
políticos” e “mais políticos presos”.
Resposta: C
Leia o trecho extraído do artigo “Cosmologia, 100”, de Antonio
Augusto Passos Videira e Cássio Leite Vieira, para responder às
questões de 8 a 12. 8. (Unesp) – Ao escrever a seucolega dizendo que “o que produzira
o habilitaria a ser ‘internado em um hospício’” (3.° parágrafo), Einstein
reconhece, em relação ao artigo de 1917, seu caráter
a) irracional.
b) literário.
c) divertido.
d) confuso.
e) pioneiro.
RESOLUÇÃO:
Einstein reconhece, ao afirmar que poderia ser “internado em um
hospício”, que a teoria construída por ele seria de difícil aceitação na época
por apresentar um caráter inédito e distante da tradição científica. A
cosmologia de Einstein é, como afirma o texto, “um ponto fora da reta”.
Resposta: E
“Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu mesmo percorri,
árdua e sinuosa.” A frase – que tem algo da essência do hoje clássico
A estrada não percorrida (1916), do poeta norte-americano Robert
Frost (1874-1963) – está em um artigo científico publicado há cem
anos, cujo teor constitui um marco histórico da civilização.
Pela primeira vez, cerca de 50 mil anos depois de o Homo
sapiens deixar uma mão com tinta estampada em uma pedra, a
humanidade era capaz de descrever matematicamente a maior
estrutura conhecida: o Universo. A façanha intelectual levava as
digitais de Albert Einstein (1879-1955).
Ao terminar aquele artigo de 1917, o físico de origem alemã
escreveu a um colega dizendo que o que produzira o habilitaria a ser
“internado em um hospício”. Mais tarde, referiu-se ao arcabouço
teórico que havia construído como um “castelo alto no ar”.
O Universo que saltou dos cálculos de Einstein tinha três
características básicas: era finito, sem fronteiras e estático – o
derradeiro traço alimentaria debates e traria arrependimento a
Einstein nas décadas seguintes.
Em “Considerações Cosmológicas na Teoria da Relatividade
Geral”, publicado em fevereiro de 1917 nos Anais da Academia Real
Prussiana de Ciências, o cientista construiu (de modo muito visual)
seu castelo usando as ferramentas que ele havia forjado pouco antes:
a teoria da relatividade geral, finalizada em 1915, esquema teórico
já classificado como a maior contribuição intelectual de uma só
pessoa à cultura humana.
Esse bloco matemático impenetrável (mesmo para físicos) nada
mais é do que uma teoria que explica os fenômenos gravitacionais.
Por exemplo, por que a Terra gira em torno do Sol ou por que um
buraco negro devora avidamente luz e matéria.
Com a introdução da relatividade geral, a teoria da gravitação do
físico britânico Isaac Newton (1642-1727) passou a ser um caso
específico da primeira, para situações em que massas são bem
menores do que as das estrelas e em que a velocidade dos corpos é
muito inferior à da luz no vácuo (300 mil km/s).
Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de 1917),
impressiona o fato de Einstein ter achado tempo para escrever uma
pequena joia, “Teoria da Relatividade Especial e Geral”, na qual
populariza suas duas teorias, incluindo a de 1905 (especial), na qual
mostrara que, em certas condições, o espaço pode encurtar, e o
tempo, dilatar.
Tamanho esforço intelectual e total entrega ao raciocínio
cobraram seu pedágio: Einstein adoeceu, com problemas no fígado,
icterícia e úlcera. Seguiu debilitado até o final daquela década.
Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia podem
ser facilmente vistos como um ponto fora da reta. Porém, a
historiadora da ciência britânica Patricia Fara lembra que aqueles
eram tempos de “cosmologias”, de visões globais sobre temas
científicos. Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes,
do geólogo alemão Alfred Wegener (1880-1930), marcada por uma
visão cosmológica da Terra.
Fara dá a entender que várias áreas da ciência, naquele início de
século, passaram a olhar seus objetos de pesquisa por meio de um
prisma mais amplo, buscando dados e hipóteses em outros campos
do conhecimento.
(Folha de S.Paulo, 01.01.2017. Adaptado.)
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9. (Unesp) – Em “Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu
mesmo percorri, árdua e sinuosa.” (1.° parágrafo), o termo destacado
exerce a mesma função sintática do trecho destacado em:
a) “[...] o derradeiro traço alimentaria debates e traria
arrependimento a Einstein nas décadas seguintes.” (4.° parágrafo)
b) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes [...].”
(10.° parágrafo)
c) “[...] o cientista construiu (de modo muito visual) seu castelo
usando as ferramentas que ele havia forjado pouco antes [...].” 
(5.° parágrafo)
d) “Seguiu debilitado até o final daquela década.” (9.° parágrafo)
e) “Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia podem
ser facilmente vistos como um ponto fora da reta.” (10.° parágrafo)
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo que foi empregado como objeto direto do verbo
percorrer, mesma função sintática de “a teoria deriva dos continentes”, que
é objeto direto do verbo citar.
Resposta: B
10.(Unesp) – Em “A façanha intelectual levava as digitais de Albert
Einstein (1879-1955).” (2.° parágrafo), o termo destacado pode ser
substituído de modo mais adequado, tendo em vista o contexto, por:
a) proeza.
b) ousadia.
c) concretude.
d) debilidade.
e) petulância.
RESOLUÇÃO:
Façanha significa sucesso notável, feito heroico, ato de valor ou proeza.
Resposta: A
11. (Unesp)
Verifica-se a ocorrência de vírgula para indicar a elipse do verbo no
seguinte trecho:
a) “Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de 1917),
impressiona o fato de Einstein ter achado tempo para escrever uma
pequena joia [...]” (8.° parágrafo)
b) “[...] em certas condições, o espaço pode encurtar, e o tempo,
dilatar.” (8.° parágrafo)
c) “[...] a teoria da relatividade geral, finalizada em 1915, esquema
teórico já classificado como a maior contribuição intelectual de uma
só pessoa à cultura humana.” (5.° parágrafo)
d) “[...] Einstein adoeceu, com problemas no fígado, icterícia e úlcera.”
(9.° parágrafo)
e) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes, do
geólogo alemão Alfred Wegener [...]” (10.° parágrafo)
RESOLUÇÃO:
No enunciado, ocorre a elipse do verbo sair em “eu saio logo mais”. Trata-
se de zeugma, em que a omissão do verbo é marcada pela vírgula. O mesmo
ocorre com o verbo poder em “o tempo pode dilatar”.
Resposta: B
12.(Unesp) – Em “O Universo que saltou dos cálculos de Einstein
tinha três características básicas [...]” (4.° parágrafo), a oração
destacada encerra sentido de
a) consequência.
b) explicação.
c) causa.
d) restrição.
e) conclusão.
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva
restritiva, pois ela limita o sentido de “universo”.
Resposta: D
Emprega-se a vírgula para indicar, às vezes, a elipse do verbo:
“Ele sai agora: eu, logo mais.”
(Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa, 2009.
Adaptado.)
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1. (Fuvest-2018) – Examine o cartum.
Frank e Ernest – Bob Thaves. O Estado de S. Paulo. 22.08.2017.
O efeito de humor presente no cartum decorre, principalmente, da
a) semelhança entre a língua de origem e a local.
b) falha de comunicação causada pelo uso do aparelho eletrônico.
c) falta de habilidade da personagem em operar o localizador
geográfico.
d) discrepância entre situar-se geograficamente e dominar o idioma
local.
e) incerteza sobre o nome do ponto turístico onde as personagens se
encontram.
RESOLUÇÃO
Os personagens do cartum encontram-se em Paris, o que se comprova pela
presença da Torre Eiffel ao fundo. Ao usarem o GPS, percebem que essa
tecnologia não resolve a falta de domínio do idioma local.
Resposta: D
Texto para as questões 2 e 3.
2. (Fuvest-2018) – De acordo com o texto, a compreensão do
significado de uma obra de arte pressupõe
a) o reconhecimento de seu significado intrínseco.
b) a exclusividade do ponto de vista maisrecente.
c) a consideração de seu caráter imutável.
d) o acúmulo de interpretações anteriores.
e) a explicação definitiva de seu sentido.
RESOLUÇÃO
Segundo Arnold Hauser, a compreensão de uma obra de arte, ainda que
permeada pelas especificações da recepção em determinado período, pauta-
se na tradição intepretativa acumulada pelas gerações anteriores: “porque
o significado que uma obra assume para uma geração posterior é o
resultado de uma série completa de interpretações anteriores”.
Resposta: D
3. (Fuvest-2018) – No trecho “Numa palavra, qualquer gênero de arte
que, de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte moderna” (L. 6-8), as
expressões sublinhadas podem ser substituídas, sem prejuízo do sentido
do texto, respectivamente, por
a) realmente; portanto.
b) invariavelmente; ainda.
c) com efeito; todavia.
d) com segurança; também.
e) possivelmente; até.
RESOLUÇÃO
A expressão “de fato” equivale ao advérbio de afirmação “realmente”;
“deste modo” tem sentido de conclusão.
Resposta: A
Uma obra de arte é um desafio; não a explicamos,
ajustamo-nos a ela. Ao interpretá-la, fazemos uso dos
nossos próprios objetivos e esforços, dotamo-la de um
significado que tem sua origem nos nossos próprios modos 
5 de viver e de pensar. Numa palavra, qualquer gênero de
arte que, de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte
moderna.
As obras de arte, porém, são como altitudes inacessíveis. 
10 Não nos dirigimos a elas diretamente, mas contornamo-las.
Cada geração as vê sob um ângulo diferente e sob uma
nova visão; nem se deve supor que um ponto de vista mais
recente é mais eficiente do que um anterior. Cada aspecto
surge na sua altura própria, que não pode ser antecipada 
15 nem prolongada; e, todavia, o seu significado não está
perdido porque o significado que uma obra assume para
uma geração posterior é o resultado de uma série
completa de interpretações anteriores.
Arnold Hauser, Teorias da arte. Adaptado
MÓDULO 33 Sintaxe (III)
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Texto para as questões 4 e 5.
(Equilíbrio, Folha de S.Paulo, 21 mai 2013.)
4. (Fuvest) – No texto, empregam-se, de modo mais evidente, dois
recursos de intextualidade: um, o próprio autor o torna explícito; o outro
encontra-se em um dos trechos citados abaixo. Indique-o.
a) “Você é um horror!”
b) “E você, bêbado.”
c) “Ilusão sua: amanhã, de ressaca, vai olhar no espelho e ver o
alcoólatra machista de sempre.”
d) “Vai repetir o porre até perder os amigos, o emprego, a família e o
autorrespeito.”
e) “Perco a piada, mas não perco a ferroada!”
RESOLUÇÃO:
Além da nota (“Piada velha”), que remete a uma anedota conhecida, a fala
da personagem reproduzida na alternativa e tem teor intertextual, pois se
refere a um dito tradicional (“perder um amigo, mas não perder a piada”),
de que constitui uma variante ou mesmo uma inversão.
Resposta: E
5. (Fuvest) – A tirinha tematiza questões de gênero (masculino e
feminino), com base na oposição entre
a) permanência e transitoriedade.
b) sinceridade e hipocrisia.
c) complacência e intolerância.
d) compromisso e omissão.
e) ousadia e recato.
RESOLUÇÃO:
O que a personagem masculina afirma é que seu estado (a bebedeira) é
transitório, enquanto o da figura feminina (a feiura) é permanente. O que
a personagem feminina retruca é que, na verdade, o alcoolismo e suas
mazelas constituem um estado permanente. 
Resposta: A
Leia um trecho do artigo de Lira Neto para responder às questões de 6
a 8.
)
6. (Famerp-2018) – Segundo o jornalista, o telespectador típico
a) tem dificuldade para entender a Era Vargas.
b) é imaturo.
c) é capaz de entender qualquer explicação.
d) evita mudar de canal.
e) busca informações históricas ao acaso.
Resolução
Segundo o jornalista, o telespectador típico deve ser imaginado como
“alguém com a idade mental de 14 anos”, ainda que seja adulto.
Resposta: B
7. (Farmerp-2018) – A leitura do trecho permite afirmar que Lira
Neto
a) não pôde dizer aquilo que realmente pensava.
b) pensou em citar uma personagem de desenho animado.
c) imaginou que o repórter se parecia com Homer Simpson.
d) utilizou os filhos como parâmetro para o conteúdo de sua fala.
e) criou uma distância necessária com o telespectador.
RESOLUÇÃO
Lira Neto, desconsiderando a orientação, imaginou os próprios filhos como
interlocutores, pois a pater ni dade lhe ensinou a diferença entre “didatismo
e o discurso toleirão”.
Resposta: D
8. (Famerp-2018) – Para orientar sua fala na entrevista, Lira Neto
estabeleceu uma relação de equivalência entre:
a) idade mental e limites / pai e crianças.
b) reportagem e canal por assinatura / Era Vargas e conversa.
c) repórter e operador / telespectador e sujeito.
d) lata de cerveja e controle remoto / intervalo e filme.
e) didatismo e clareza / discurso toleirão e parvoíce.
RESOLUÇÃO
Há equivalência de sentido entre “didatismo” e “clareza”, “discurso
toleirão” e “parvoíce”.
Resposta: E
O BLOG DA MURIEL Laerte
VOCÊ
É UM
HORROR!
E VOCÊ,
BÊBADO.
É, MAS
AMANHÃ
EU TOU
BOM...*
* - PIADA VELHA.
ILUSÃO SUA: AMANHÃ,
DE RESSACA, VAI OLHAR
NO ESPELHO E VER O
ALCOÓLATRA MACHISTA DE
SEMPRE. VAI REPETIR O
PORRE ATÉ PERDER OS
AMIGOS, O EMPREGO, A
FAMÍLIA E O AUTORRESPEITO.
PERCO A PIADA,
MAS NÃO PERCO
A FERROADA!
[...] dia desses, uma equipe de reportagem de um canal por
assinatura veio até minha casa para me entrevistar sobre a Era
Vargas. O repórter que conduziria a conversa advertiu-me, antes de
o operador ligar a câmera: “Pense que nosso telespectador típico é
aquele sujeito esparramado no sofá, com uma lata de cerveja numa
mão e o controle remoto na outra, que esbarrou na nossa
reportagem por acaso, durante o intervalo de um filme de ação”,
detalhou. “É para esse cara que você vai falar; pense nele como
alguém com a idade mental de 14 anos.”
Sou cortês, mas tenho meus limites. Quase enxotei o colega
porta afora, aos pontapés. Respirei fundo e procurei ser didático,
sem me esforçar para parecer que estava falando com o Homer
Simpson postado ali do outro lado da lente. Afinal, como pai de
duas crianças, acredito que há uma enorme distância entre o
didatismo e o discurso toleirão, entre a clareza e a parvoíce.
(“A TV virou um dinossauro”. Folha de S.Paulo, 09.07.2017.
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Leia o trecho inicial do livro Corações sujos, de Fernando Morais, para
responder às questões de 9 a 12.
9. (Famema-2018) – Segundo o texto,
a) o anúncio de que o imperador era humano, e não divino, era uma
consequência previsível, para os japoneses, da rendição do Japão na
Segunda Guerra Mundial, anunciada pouco tempo antes.
b) o anúncio de que o imperador era humano, e não divino, fez mais
intensa a dor provocada, pouco tempo antes, pelo anúncio da
rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.
c) o anúncio da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial
aumentou o mal-estar da população japonesa causado pelo anúncio
de que o imperador era humano, e não divino.
d) o anúncio de que o imperador era humano, e não divino, funcionou,
para os japoneses, como preparativo para o anúncio da rendição do
Japão na Segunda Guerra Mundial.
e) o anúncio da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial
produziu, para a população japonesa, a desconfiança de que pouco
depois aconteceria o anúncio de que o imperador era humano, e não
divino.
RESOLUÇÃO
No texto, há várias referências à desmitificação da majestade do Japão,
Hiroíto, que foi obrigado, após a derrota na Segunda Guerra Mundial, a
anunciar ao povo de seu país que era “apenas um mortal, como qualquer
um dos 100 milhões de cidadãos japoneses”, não era uma divindade. Isso
tornou mais dolorosa a derrota japonesa, pois além de perder a guerra,
perdeu-se a crençanum mito.
Resposta: B
10.(Famema-2018) – A ideia de “suportar o insuportável” 
(1.º parágrafo) está presente também
a) na revolta da população japonesa ao receber a declaração da
condição humana do imperador.
b) na escolha do dialeto keigo para declarar a condição humana do
imperador.
c) na informação de que a voz do imperador era rouca e arrastada
durante sua declaração.
d) na improvável crença dos japoneses, durante tanto tempo, na
condição sobre-humana do imperador.
e) no modo resignado como o imperador cumpriu a imposição de
declarar sua condição humana.
RESOLUÇÃO
A ideia de aguentar algo que extrapola o limite da paciência e do
conformismo (“suportar o insuportável, isto é, a rendição do Japão)
encontra correspondência no “modo resignado” com que Hiroíto obedeceu
ao que lhe foi imposto pelas forças aliadas que venceram a guerra: declarar
radiofonicamente que “era somente um homem, mortal como todos”,
aniquilando para os japoneses a crença da origem divina do imperador.
Resposta: E
11. (Famema-2018) – “Era a mesma voz que quatro meses antes se
dirigira aos japoneses, pela primeira vez em 5 mil anos de história do
país, para anunciar que havia chegado o momento de ‘suportar o
insuportável’ ” (1º parágrafo) 
O verbo destacado foi utilizado no pretérito mais-que-perfeito a fim
de indicar
a) um fato no passado, anterior a outro fato, também no passado.
b) uma dúvida do enunciador sobre a veracidade do fato no passado.
c) um fato que ocorreu reiteradamente, no passado.
d) uma ação cujos efeitos se estendem do passado ao presente.
e) uma verdade universalmente aceita, no passado.
RESOLUÇÃO
A forma verbal “dirigida” está no pretérito mais-que-perfeito do Modo
Indicativo, tempo empregado para indicar ação no passado, anterior a
outra ação no passado (“Era”).
Resposta: A
12.(Famema-2018) – “O temido Exército Imperial do Japão, que em
inacreditáveis 2600 anos de guerras jamais sofrera uma única derrota,
tinha sido aniquilado pelos Aliados.” (3.o parágrafo)
A oração destacada é uma oração subordinada
a) adverbial comparativa. b) adjetiva restritiva.
c) adjetiva explicativa. d) adverbial temporal.
e) substantiva objetiva direta.
RESOLUÇÃO
A oração introduzida pelo pronome relativo “que” é subordinada adjetiva
explicativa, uma vez que explica a expressão anterior “Exército Imperial do
Japão”.
Resposta: C
A voz rouca e arrastada parecia vir de outro mundo. Eram
pontualmente nove horas da manhã do dia 1.o de janeiro de 1946
quando ela soou nos alto-falantes dos rádios de todo o Japão. A
pronúncia das primeiras sílabas foi suficiente para que 100 milhões
de pessoas identificassem quem falava. Era a mesma voz que
quatro meses antes se dirigira aos japoneses, pela primeira vez em
5 mil anos de história do país, para anunciar que havia chegado o
momento de “suportar o insuportável”: a rendição do Japão às
forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. Mas agora o dono da
voz, Sua Majestade o imperador Hiroíto, tinha revelações ainda
mais espantosas a fazer a seus súditos. Embora ele falasse em keigo
− uma forma arcaica do idioma, reservada aos Filhos dos Céus e
repleta de expressões chinesas que nem todos compreendiam bem
−, todos entenderam o que Hiroíto dizia: ao contrário do que os
japoneses acreditavam desde tempos imemoriais, ele não era uma
divindade. O imperador leu uma declaração de poucas linhas,
escrita de próprio punho. Aquela era mais uma imposição dos
vencedores da guerra. Entre as exigências feitas pelos Aliados para
que ele permanecesse no trono, estava a “Declaração da Condição
Humana”. Ou seja, a renúncia pública à divindade, que naquele
momento Hiroíto cumpria resignado:
“Os laços que nos unem a vós, nossos súditos, não são o
resultado da mitologia ou de lendas. Não se baseiam jamais no falso
conceito de que o imperador é deus ou qualquer outra divindade
viva.”
Petrificados, milhões de japoneses tomaram consciência da
verdade que ninguém jamais imaginara ouvir: diferentemente do
que lhes fora ensinado nas escolas e nos templos xintoístas, Hiroíto
reconhecia que era filho de dois seres humanos, o imperador Taisho
e a imperatriz Sadako, e não um descendente de Amaterasu
Omikami, a deusa do Sol. Foi como se tivessem jogado sal na ferida
que a rendição, ocorrida em agosto do ano anterior, havia aberto
na alma dos japoneses. O temido Exército Imperial do Japão, que
em inacreditáveis 2600 anos de guerras jamais sofrera uma única
derrota, tinha sido aniquilado pelos Aliados. O novo xogum, o
chefe supremo de todos os japoneses, agora era um gaijin, um
estrangeiro, o general americano Douglas MacArthur, a quem eram
obrigados a se referir, respeitosamente, como Maca-san, o “senhor
Mac”. Como se não bastasse tamanho padecimento, o Japão
descobria que o imperador Hiroíto era apenas um mortal, como
qualquer um dos demais 100 milhões de cidadãos japoneses.
(Corações sujos, 2000.)
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Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987), para responder às questões de 01 a 09.
1. (Unifesp-2018) – De acordo com a crônica, o filho recebeu o
telegrama do pai no dia
a) 28 de setembro.
b) 29 de setembro.
c) 2 de outubro.
d) 4 de outubro.
e) 3 de outubro.
RESOLUÇÃO
Segundo a crônica, ao ler o telegrama que lhe pedia para não sair de casa
no dia 3 de outubro, o filho deu-se conta de que deveria cancelar uma série
de com promissos marcados “para o dia seguinte”. Recebeu, portanto, o
telegrama no dia 2 de outubro.
Resposta: C
Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:
“Não saia casa 3 outubro abraços”.
O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho
avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de
setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco
dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma
revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã,
veja só; o pai nem tomara o mingau com broa, precipitara-se na
agência para expedir a mensagem.
Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia
seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir
em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha, mas a voz de d.
Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e
jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita,
durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não
era de empregado da casa; insistira: “como é?”, e a ligação foi
dificultosa, havia besouros na linha. Falou rapidamente a diversas
pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias,
teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1,
disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e
arrematou: “Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na
portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato
de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro
fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar
um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou
qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e
sapato bicolor, confabulando a pequena distância. Foi saindo de
mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com
o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma.
O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada
quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia
Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos cantos.
Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes
passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes
chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente
na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.
Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia
nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em
quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava
mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e
estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem
bichos. Deliberou deitar-se, embora a noite apenas começasse.
Releu o telegrama, apagou a luz. 
Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã.
Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social.
“Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão
cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é
já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem
polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a
postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-
lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de
bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? 
E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?”
“Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que
anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em
código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja
logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a
epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os
cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de
penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E
os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu.
“Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no
bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É
cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem
coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso
que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país,
gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas
ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga
depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou
horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou:
“O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter
sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que
me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e
telegrafou prevenindo. Juro!”
Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se
confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.
(70 historinhas, 2016.)
1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras
iniciais da epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói
Eneias).
MÓDULO 44 Sintaxe (IV)
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2. (Unifesp-2018) – Em relação ao sonho do pai, a reação do filho é de
a) desconfiança.
b) apatia.
c) perplexidade.
d) desdém.
e) respeito.
RESOLUÇÃO
O filho respeitou o aviso paterno, uma vez que pensou “não havia tempo a
perder” e passou a cancelar seus compromissos.
Resposta: e
3. (Unifesp-2018) – Depreende-se da crônica que o telegrama
demorou a chegar
a) porque ficou retido na delegacia de polícia.
b) por conta de um sonho premonitório.
c) porque uma revolta popular estava em curso.
d) por conta da lentidão do serviço dos telégrafos.
e) porque um golpe militar estava em andamento.
RESOLUÇÃO
O telegrama demorou a ser recebido, pois ficara retido na delegacia de
polícia, uma vez que desconfiaram de que se tratava de uma ameaça à
segurança pública, não uma inocente mensagem de pai para filho. Isso fica
explícito em “‘Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de
Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah,
então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?’”
Resposta: A
4. (Unifesp-2018) – O chamado discurso indireto livre constitui uma
construção em que a voz do personagem se mescla à voz do narrador.
Verifica-se a ocorrência de discurso indireto livre em:
a) “Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir
o ‘pois não’ melodioso de d. Anita, durante o dia.” (3.° parágrafo)
b) “E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau
com broa, precipitara-se na agência para expedir a mensagem.”
(2.° parágrafo)
c) “Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor,
confabulando a pequena distância.” (3.° parágrafo) 
d) “Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone
chamava: ‘Desculpe, é engano’, ou ficava mudo, sem desligar.” 
(4.° parágrafo)
e) “‘O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do
que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar
que está alheio ao golpe?’” (5.° parágrafo)
RESOLUÇÃO
A crônica é narrada em 3.a pessoa por um narrador onisciente que, no meio
do seu discurso, insere o pensamento da personagem sem verbos de
locução, sem aspas nem dois-pontos.
Resposta: B
5. (Unifesp-2018) – Metonímia: figura de retórica que consiste no uso
de uma palavra fora do seu contexto semântico normal, por ter uma
significação que tenha relação objetiva, de contiguidade [vizinhança,
proximidade], material ou conceitual, com o conteúdo ou o referente
ocasionalmente pensado.
(Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 2009.)
Verifica-se a ocorrência de metonímia no trecho:
a) “‘São unidades de penicilina que um colega tomou para uma
infecção no ouvido.’” (5.° parágrafo)
b) “Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: ‘Passe de
largo’;” (3.° parágrafo)
c) “Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa.” 
(3.° parágrafo)
d) “Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de
Garanhuns a Belo Horizonte!” (2.° parágrafo)
e) “Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a
camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos.” 
(4.° parágrafo)
RESOLUÇÃO
A expressão “baioneta em riste” é uma metonímia que se refere à parte
(“baioneta”) pelo todo (soldado).
Resposta: B
6. (Unifesp-2018) – Estão empregados em sentido figurado os termos
destacados nos trechos:
a) “As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua.” 
(3.° parágrafo) e “E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era
difícil?” (5.° parágrafo).
b) “As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua.” 
(3.° parágrafo) e “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar
hoje.” (5.° parágrafo).
c) “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” 
(5.° parágrafo) e “Acordou assustado, com golpes na porta.” 
(5.° parágrafo).
d) “E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” 
(5.° parágrafo) e “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar
hoje.” (5.° parágrafo).
e) “[...] a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.” 
(3.° parágrafo) e “E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era
difícil?” (5.° parágrafo).
RESOLUÇÃO
As palavras destacadas não estão empregadas em seu sentido literal, uma
vez que as manchetes não são de fato sombrias, mas pessimistas ou
alarmantes, e o “troço” (a ameaça de golpe) não estouraria, mas sim
aconteceria subitamente.
Resposta: B
7. (Unifesp-2018) –
• “A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. 
‘O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo’ – disse-lhe o
chefe.” (5.° parágrafo)
• “‘E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?’ Emudeceu.
‘Diga, vamos!’ ‘Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no
bolso.’” (5.° parágrafo)
No contexto em que se inserem, as palavras “bonitinho” e “versinhos”
exprimem, respectivamente,
a) afetividade e antipatia.
b) vulgaridade e sarcasmo.
c) desprezo e indiferença.
d) advertência e modéstia.
e) irritação e delicadeza.
RESOLUÇÃO
No primeiro segmento, o adjetivo no diminutivo (“bo nitinho”) foi
empregado pelo chefe da polícia e por isso soa ameaçador. No segundo
segmento, o substan tivo no diminutivo (“versinhos”) é empregado para
demonstrar “modéstia”, despretensão.
Resposta: D
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8. (Unifesp-2018) – “Deliberou deitar-se, embora a noiteapenas
começasse.” (4.° parágrafo)
Em relação à oração anterior, a oração destacada exprime ideia de
a) causa.
b) condição.
c) concessão.
d) consequência.
e) conclusão.
RESOLUÇÃO
A oração iniciada pela conjunção subordinativa estabelece relação de
concessão ou ressalva com a oração que a antecede.
Resposta: C
9. (Unifesp-2018) – “Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a
uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de
escandir as sílabas de arma virumque cano” (3.° parágrafo)
Os termos em destaque constituem, respectivamente,
a) uma preposição, uma preposição e um artigo.
b) um pronome, uma preposição e um artigo.
c) um artigo, um artigo e um pronome.
d) uma preposição, um artigo, um artigo.
e) um pronome, uma preposição e um pronome.
RESOLUÇÃO
No trecho “fala rapidamente a diversas pessoas”, “a” é a preposição exigida
pelo verbo falar, similar a “aludir a uma ponte”, na qual o verbo aludir
também rege a preposição “a”. Já em “teve oportunidade de escandir as
sílabas”, “as” é artigo definido feminino plural, determinando o
substantivo “sílabas”.
Resposta: A
Leia o texto de Yuval Noah Harari para responder às questões de 10 a
12.
10.(Famema-2018) – Segundo os céticos, os ratos
a) respondem aleatoriamente aos estímulos externos, não havendo
correspondência entre seu comportamento e o comportamento
humano nas mesmas situações.
b) optam por um comportamento que evite problemas sociais em
eventuais relações futuras com outros indivíduos.
c) fazem suas escolhas motivados pelo interesse coletivo, ainda que
escolhas egoístas pudessem beneficiá-los individualmente.
d) agem por motivações egoístas, buscando aumentar as sensações
agradáveis e diminuir as desagradáveis.
e) preferem um comportamento que parece solidário, mas que na
verdade concretiza uma intenção de agredir outros indivíduos.
RESOLUÇÃO
Segundo o texto, os céticos acreditam que os ratos livres libertam os
prisioneiros, não porque sintam empatia pelo outro, mas porque querem se
livrar dos “incomodativos sinais de estresse” do companheiro preso.
Resposta: D
11. (Famema-2018) – “Os ratos seriam motivados pelas sensações
desa gra dá veis que sentem” (2.º parágrafo) Assinale a alternativa que
expressa, na voz ativa, o conteúdo dessa oração.
a) As sensações desagradáveis que sentem motivam os ratos.
b) As sensações desagradáveis que sentem motivariam os ratos.
c) As sensações desagradáveis que sentem motivaram aos ratos.
d) Os ratos são motivados pelas sensações desagradáveis que sentem.
e) Os ratos teriam sido motivados pelas sensações desagradáveis que
sentem.
RESOLUÇÃO
Os ratos querem livrar-se do incômodo que sentem com o estresse do
companheiro preso.
Resposta: B
12.(Famema-2018) – Assinale a alternativa em que a oração
subordinada indica uma finalidade.
a) Mesmo que tivesse dado dinheiro ao mendigo, não teria evitado as
sensações desagradáveis que sua presença me provocava.
b) Dei dinheiro ao mendigo porque isso evitaria as sensações
desagradáveis que sua presença me provocava.
c) Assim que dei dinheiro ao mendigo, evitei as sensações
desagradáveis que sua presença me provocava.
d) Caso tivesse dado dinheiro ao mendigo, teria evitado as sensações
desagradáveis que sua presença me provocava.
e) Dei dinheiro ao mendigo para evitar as sensações desagradáveis
que sua presença me provocava.
RESOLUÇÃO
A preposição “para” introduz uma oração adverbial que indica a finalidade
de se dar esmolas.
Resposta: E
Em 2010, cientistas realizaram um experimento especialmente
tocante com ratos. Eles trancaram um rato numa gaiola minúscula,
colocaram-na dentro de um compartimento maior e deixaram que
outro rato vagasse livremente por esse compartimento. O rato
engaiolado demonstrou sinais de estresse, o que fez com que o rato
solto também demonstrasse sinais de ansiedade e estresse. Na
maioria dos casos, o rato solto tentava ajudar seu companheiro
aprisionado e, depois de várias tentativas, conseguia abrir a gaiola
e libertar o prisioneiro. Os pesquisadores repetiram o experimento,
dessa vez pondo um chocolate no compartimento. O rato livre
tinha de escolher entre libertar o prisioneiro e ficar com o
chocolate só para ele. Muitos ratos preferiram primeiro soltar o
companheiro e dividir o chocolate (embora uns poucos tenham
mostrado mais egoísmo, provando com isso que alguns ratos são
mais maldosos que outros).
Os céticos descartaram essas conclusões, alegando que o rato
livre liberta o prisioneiro não por ser movido por empatia, mas
simplesmente para parar com os incomo da tivos sinais de estresse
apresentados pelo companheiro. Os ratos seriam motivados pelas
sensações desagradáveis que sentem e não buscam nada além de
exterminá-las. Pode ser. Mas poderíamos dizer o mesmo sobre nós,
humanos. Quando dou dinheiro a um mendigo, estou reagindo às
sensações desagradáveis que sua visão provoca em mim?
Realmente me importo com ele, ou só quero me sentir melhor?
Na essência, nós humanos não somos diferentes de ratos,
golfinhos ou chimpanzés. Como eles, tampouco temos alma.
Como nós, eles também têm consciência e um complexo mundo
de sensações e emoções. É claro que todo animal tem traços e
talentos exclusivos. Os humanos têm suas aptidões especiais. Não
deveríamos humanizar os animais desnecessariamente, imagi -
nando que são apenas uma versão mais peluda de nós mesmos.
Isso não só configura uma ciência ruim, como igualmente nos
impede de compreender e valorizar outros animais em seus
próprios termos.
(Homo Deus, 2016.)
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Leia o soneto “Aquela triste e leda madrugada”, do poeta português
Luís de Camões (1525?-1580), para responder aos testes 1 e 2. 
1. (UNIFESP-SP-2018) – O pronome “Ela”, que se repete no início
de três estrofes, refere-se a
a) “piedade”.
b) “mágoa”.
c) “saudade”.
d) “claridade”.
e) “madrugada”.
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2018] O pronome “ela” retoma o termo “madrugada”,
expresso no primeiro verso do soneto.
Resposta: E
2. (UNIFESP-SP-2018) – Observa-se a elipse (supressão) do termo
“vontade” no verso:
a) “viu apartar-se de uma outra vontade” (2.a estrofe)
b) “cheia toda de mágoa e de piedade” (1.a estrofe)
c) “quero que seja sempre celebrada” (1.a estrofe)
d) “Ela só viu as lágrimas em fio” (3.a estrofe)
e) “que puderam tornar o fogo frio” (4.a estrofe)
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2018] No verso apresentado na alternativa a, há elipse do
primeiro emprego da palavra “vontade”: “viu apartar-se de uma [vontade]
outra vontade”.
Resposta: A
Texto para os testes 3 e 4.
3. (UEA-AM) – Considerando o contexto, uma interpretação correta
para o trecho “Acalmou o vento, cai o pó, e onde o vento parou, ali
fica, ou dentro de casa, ou na rua, ou em cima de um telhado, ou no
mar; ou no rio, ou no monte, ou na campanha” é:
a) a hora justa de morrer é quando o indivíduo já produziu seus frutos
e descansa calmamente.
b) o homem não pode escapar à morte, pois ela o encontra onde quer
que ele esteja.
c) independentemente da classe social, os homens têm os mesmos
vícios e virtudes.
d) comportando-se de modo adequado, as pessoas poderão prever o
local de sua morte.
e) deve-se buscar uma vida calma e contemplativa, uma vez que o
trabalho é inútil.
RESOLUÇÃO:
Resposta: B
4. (UEA-AM) – Visando ampliar a adesão do interlocutor a seu dis -
curso, como estratégia argumentativa, Vieira recorre ao emprego de
a) vocábulos estrangeiros e expressões onomatopaicas.
b) inversões sintáticas e pronomes pessoais indefinidos.
c) advérbios de intensidade e verbos no modo imperativo.
d) perguntas retóricas e pronomes na primeira pessoa do plural.
e) expressões nominais com valor de vocativo e citações de filósofos.
RESOLUÇÃO:
Resposta: D
Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundosaudade
quero que seja sempre celebrada.
Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de uma outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.
Ela só viu as lágrimas em fio
que, de uns e de outros olhos derivadas,
se acrescentaram em grande e largo rio.
Ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas.
(Sonetos, 2001)
Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos
distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos os vivos dos
mortos, assim como se distingue o pó do pó. Os vivos são pó
levantado, os mortos são pó caído: os vivos são pó que anda, os
mortos são pó que jaz: Hic jacet [Aqui jaz]. Estão essas praças no
verão cobertas de pó; dá um pé de vento, levanta-se o pó no ar, e
que faz? O que fazem os vivos, e muitos vivos. Não aquieta o pó,
nem pode estar quedo: anda, corre, voa, entra por esta rua, sai
por aquela; já vai adiante, já torna atrás; tudo enche, tudo cobre,
tudo envolve, tudo perturba, tudo cega, tudo penetra, em tudo e
por tudo se mete, sem aquietar, nem sossegar um momento,
enquanto o vento dura. Acalmou o vento, cai o pó, e onde o vento
parou, ali fica, ou dentro de casa, ou na rua, ou em cima de um
telhado, ou no mar; ou no rio, ou no monte, ou na campanha. Não
é assim? Assim é. E que pó, e que vento é este? O pó somos nós:
Quia pulvis es [Que és pó]; o vento é a nossa vida: Quia ventus
es vita mea [Lembra-te que minha vida é sopro] (Jó 7,7). Deu o
vento, levantou-se o pó; parou o vento, caiu. Deu o vento, eis o pó
levantado: esses são os vivos. Parou o vento, eis o pó caído: esses
são os mortos. Os vivos pó, os mortos pó; os vivos pó levantado,
os mortos pó caído; os vivos pó com vento, e por isso vãos; os
mortos pó sem vento, e por isso sem vaidade. Esta é a distinção,
e não há outra.
(Padre Antônio Vieira,
Sermão de Quarta-Feira de Cinzas)
MÓDULO 55 Literatura e Análise de Textos Literários – I
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Leia o soneto “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”, do poeta
Gregório de Matos (1636-1696), para responder aos testes 5 e 6.
5. (UNESP-2018) – O soneto de Gregório de Matos aproxima-se
tematicamente da citação:
a) “Nada é duradouro como a mudança.” (Ludwig Börne, 1786-1837)
b) “Não se deve indagar sobre tudo: é melhor que muitas coisas
permaneçam ocultas.” (Sófocles, 496-406 a.C.)
c) “Nada é mais forte que o hábito.” (Ovídio, 43 a.C.-17 d.C.)
d) “A estrada do excesso conduz ao palácio da sabedoria.” (William
Blake, 1757-1827)
e) “Todos julgam segundo a aparência, ninguém segundo a essência.”
(Friedrich Schiller, 1759-1805)
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] O soneto de Gregório de Matos tem como tema a
inconstância como regra geral na natureza e na condição humana. Esse
mesmo tema aparece em “Nada é duradouro como a mudança”.
Resposta: A
6. (UNESP-2018) – A exemplo do verso “A firmeza somente na
inconstância” (4.a estrofe), verifica-se a quebra da lógica em:
a) “Mas no Sol e na Luz falte a firmeza” (3.a estrofe)
b) “Se é tão formosa a Luz, por que não dura?” (2.a estrofe)
c) “Depois da Luz se segue a noite escura” (1.a estrofe)
d) “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia” (1.a estrofe)
e) “E na alegria sinta-se tristeza.” (3.a estrofe)
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] Ocorre “quebra da lógica” em “E na alegria 
sinta-se tristeza”. Nota-se no verso a concomitância de ideias que se opõem,
isto é, de paradoxo, figura de pensamento recorrente na escola barroca, na
qual se insere a poesia de Gregório de Matos.
Resposta: E
Leia o soneto XLVI, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), para
responder aos testes 7 e 8.
7. (UNESP) – O tom predominante no soneto é de
a) resignação.
b) nostalgia.
c) apatia.
d) ingenuidade.
e) inquietude.
RESOLUÇÃO:
Embora o soneto seja de um autor árcade, não há no texto o equilíbrio
emocional da maioria dos poemas dessa escola. Nota-se a inquietude de
quem ama, como explicita a passagem no fecho do poema: “Mas fora
menos mal esta ânsia minha”. Esse desequilíbrio emocional mostra não só
a influência da poética camoniana, como também a da barroca nos textos
de Cláudio Manuel da Costa.
Resposta: E
8. (UNESP) – No soneto, o menino e a avezinha, mencionados na
primeira estrofe, são comparados, respectivamente,
a) ao eu lírico e a Lise.
b) a Lise e ao eu lírico.
c) ao desatino e ao eu lírico.
d) ao desatino e à liberdade.
e) a Lise e à liberdade.
RESOLUÇÃO:
[UNESP] O menino e a avezinha são, respectivamente, comparados a Lise,
a dominadora, e ao eu lírico, aprisionado amorosamente pela musa.
Resposta: B
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
(Poemas Escolhidos)
Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço
Deixa-a fugir, mas apertando o laço
A condena outra vez ao seu destino.
Nessa mesma figura, eu imagino
Tens minha liberdade, pois, ao passo
Que cuido que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.
Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.
Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.
(Domício Proença Filho (org),
A Poesia dos Inconfidentes, 1996)
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1. (UNICAMP-SP) – Sabe-se que Coração, Cabeça e Estômago é
uma obra atípica na produção ficcional de Camilo Castelo Branco. Em
relação a essa obra, assinale a alternativa em que todas as
características listadas são corretas.
a) Inclusão da edição do livro como parte do jogo narrativo; sátira da
poesia e das motivações espirituais; caracterização do herói como
alguém incapaz de amar.
b) Paródia da vida romântica e natural; espiritualização das
necessi dades do corpo; transformação do herói ao longo da
narrativa.
c) Descrição da formação do indivíduo; caricatura dos valores e
sentimentos românticos; impossibilidade de adaptação do herói à
vida social.
d) Caricatura das questões relacionadas ao espírito e à posição social;
elogio irônico das motivações fisiológicas; ridicularização do herói.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2017] Em Coração, Cabeça e Estômago, Camilo Castelo
Branco constrói uma narrativa que rompe com os padrões dos folhetins
românticos, por meio de forte crítica ao sentimentalismo, apresentando a
trajetória de Silvestre da Silva em sua busca por conquistas amorosas,
sociais, financeiras e intelectuais. A ironia, recurso frequentemente
empregado pelo autor, percorre o romance, rebaixando personagens,
instituições sociais e religiosas, comportamentos sentimentais, atividades
jornalísticas e políticas, culminando no interesse exclusivo da personagem
central de se dedicar aos prazeres do estômago, perpetuação única da
felicidade e paz de espírito de Silvestre da Silva.
Resposta: D
2. Obra contemporânea das novelas sentimentais do século XIX,
Coração, Cabeça e Estômago, de Camilo Castelo Branco, registra um
quadro da vida portuguesa dirigida pela sordidez, pela ambição e pelos
prazeres sexuais e ligados à comida, em que as personagens vivem na
ânsia de uma vida social rica e falsa, disfarçada por nobres intenções.
Sobre essa obra, é correto afirmar:
I. aborda ironicamente uma personagem pretensiosa.
II. apresenta o adultério e a sedução revestidos detom galhofeiro.
III.traz a história de Silvestre da Silva, publicada por um amigo editor
para saldar as dívidas do genial Silvestre.
IV. inclui um editor que se abstém de tecer comentários sobre o texto
de Silvestre da Silva.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas I, II e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
RESOLUÇÃO:
O editor não vai pagar os credores do amigo falecido, nem se abstém de
tecer comentários sobre o texto de Silvestre da Silva (o editor não só
comenta o texto, como o faz de maneira depreciativa).
Resposta: A
3. Relacione as informações às personagens femininas do romance
Coração, Cabeça e Estômago e, depois, assinale a alternativa
correspondente:
1 – Leontina
2 – Margarida
3 – Dona Martinha
4 – Tupinoyoyo
5 – Mademoiselle Elise de La Salette
( ) Mulher que enganou Silvestre Silva numa rede de mentiras,
ocultando seu passado promíscuo.
( ) Viúva de 35 anos, proprietária do hotel.
( ) Mestiça que se envolveu fortuitamente com o personagem central.
( ) Órfã, viveu da caridade de um ourives, amigo de seu falecido pai.
( ) Vizinha que teve uma relação fugaz com Silvestre.
a) 1 – 2 – 3 – 4 – 5 b) 2 – 4 – 5 – 3 – 1
c) 3 – 1 – 2 – 5 – 4 d) 4 – 5 – 1 – 2 – 3
e) 5 – 3 – 4 – 1 – 2
RESOLUÇÃO: 
5 – 3 – 4 – 1 – 2
Resposta: E
Texto para os testes 4 e 5.
4. (FUVEST-SP) – Atente para as seguintes afirmações, extraídas e
adaptadas de um estudo do crítico Augusto Meyer sobre José de
Alencar:
I. “Nesta obra, assim como nos ‘poemas americanos’ dos nossos
poetas, palpita um sentimento sincero de distância poética e
exotismo, de coisa notável por estranha para nós, embora a
rotulemos como nativa.”
II. “Mais do que diante de um relato, estamos diante de um poema,
cujo conteúdo se concentra a cada passo na magia do ritmo e na
graça da imagem.”
III.“O tema do bom selvagem foi, neste caso, aproveitado para um
romance histórico, que reproduz o enredo típico das narrativas de
capa e espada, oriundas da novela de cavalaria.”
Nasceu o dia e expirou.
Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da
noite. Correm lentas e silenciosas, no azul do céu, as estrelas,
filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente. Martim se
embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade
oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos
castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes
amores.
Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos
negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e
lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí,
fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se
debruça enfim sobre o peito do guerreiro.
(José de Alencar, Iracema)
MÓDULO 66 Literatura e Análise de Textos Literários – II
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É compatível com o trecho de Iracema aqui reproduzido, considerado
no contexto dessa obra, o que se afirma em
a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2017] Iracema é integrante da literatura indianista brasileira,
que tem o indígena como elemento nativo e, portanto, símbolo de nossa
identidade nacional. No entanto, o selvagem é apresentado como
pertencente a um povo extinto e, pois, distante do contexto social a que
pertencia o leitor romântico. A consequência desse processo ficcional é a
construção de um texto no qual prevalece a “distância poética e exotismo”,
o que valida a afirmação I. Além disso, o projeto inicial de Alencar na
criação desse romance era apresentá-lo na forma de poesia. Ainda que
tenha desistido dessa empreitada, o autor manteve no livro marcas típicas
da linguagem poética, como ritmo, musicalidade e amplo emprego de
comparações e metáforas. Confirma-se, dessa forma, a afirmação II. Por
fim, deve-se lembrar que Iracema não apresenta um típico enredo de capa
e espada, pois não possui uma narrativa de valentia e peripécias. Na
verdade, é uma mistura de lenda com história de amor, o que desqualifica
a afirmação III.
Resposta: C
5. (FUVEST-SP) – No texto, corresponde a uma das convenções com
que o Indianismo construía suas representações do indígena
a) o emprego de sugestões de cunho mitológico compatíveis com o
contexto.
b) a caracterização da mulher como um ser dócil e desprovido de
vontade própria.
c) a ênfase na efemeridade da vida humana sob os trópicos.
d) o uso de vocabulário primitivo e singelo, de extração oral-popular.
e) a supressão de interdições morais relativas às práticas eróticas.
RESOLUÇÃO:
[FUVEST-SP-2017] No indianismo de José de Alencar e de Gonçalves Dias,
há sugestões míticas, revistas no contexto nacionalista do Romantismo,
escola que procurava exaltar o indígena e o colonizador, entendidos, na
óptica dessa vertente, como formadores do povo brasileiro.
Resposta: A
Leia o trecho de Machado de Assis sobre Iracema, de José de Alencar,
e responda ao que se pede.
6. (FUVEST-SP) – No trecho, os espaços pontilhados serão
corretamente preenchidos, respectivamente, pelos nomes das seguintes
personagens de Iracema:
a) Caubi, Jacaúna, Araquém, Araquém, Martim.
b) Martim, Irapuã, Poti, Caubi, Martim.
c) Poti, Araquém, Japi, Martim, Japi.
d) Araquém, Caubi, Irapuã, Irapuã, Poti.
e) Irapuã, Araquém, Poti, Poti, Martim.
RESOLUÇÃO:
As caracterizações do texto de Machado de Assis referem-se,
evidentemente, às personagens enumeradas na alternativa e, sendo Irapuã
o pretendente ciumento de Iracema, Araquém o velho e sábio pajé, e Poti
o amigo fiel de Martim.
Resposta: E
Texto para o teste 7.
7. (ALBERT EINSTEIN-SP-2018) – O trecho transcrito integra o
romance Iracema, de José de Alencar. Dele não se pode afirmar que 
a) revela o arrefecimento das emoções da personagem, acometida por
um sentimento que a distancia das ações cotidianas de seu grupo.
b) indicia a duração e a passagem do tempo, marcadas por fenômeno
da natureza.
c) revela mudança dos humores causada pelo sentimento de saudade
por um bem antigo e distante.
d) caracteriza um texto cuja linguagem se marca pela função emotiva,
já que trata dos sentimentos da personagem.
RESOLUÇÃO:
[ALBERT EINSTEIN-SP-2018] No excerto, em que o narrador capta as
sensações íntimas de Martim, há expressividade da linguagem, com recurso
à alegoria, a cronologia baseada nos elementos naturais, às comparações ou
símiles e à sonoridade. Esses recursos expressivos caracterizam a função
poética. A função emotiva da linguagem caracteriza-se pelo foco no emissor
da mensagem e nas emoções desse emissor.
Resposta: D
....... é o ciúme e o valor marcial; ....... a austera sabedoria dos
anos; Iracema o amor. No meio destes caracteres distintos e
animados, a amizade é simbolizada em ....... . Entre os indígenas
a amizade não era este sentimento que, à força de civilizar-se,
tornou-se raro; nascia da simpatia das almas, avivava-se com o
perigo, repousava na abnegação recíproca; ....... e ....... são os
dois amigos da lenda, votados à mútua estima e ao mútuo
sacrifício.
(Machado de Assis, Crítica)
A alegria ainda morou na cabana, todo o tempo que as espigas
de milho levaram para amarelecer.
Uma alvorada, caminhava o cristão pela borda do mar. Sua
alma estava cansada. O colibri sacia-se de mel e perfume; depois
adormece em seu branco ninho de cotão, até que volta no outro
ano a lua das flores. Como o colibri, a alma do guerreiro também
satura-se de felicidade, e carece de sono e repouso.
A caça e as excursões pelas montanhas em companhia do
amigo, as carícias da terna esposa que o esperavam na volta, e o
doce carbeto no copiar da cabana, já não acordavam nele as
emoções de outrora. Seu coração ressonava.
Quando Iracema brincava pela praia, os olhos do guerreiro
retiravam-sedela para se estenderem pela imensidade dos mares.
Viram umas asas brancas, que adejavam pelos campos azuis.
Conheceu o cristão que era uma grande igara de muitas velas,
como construíam seus irmãos; e a saudade da pátria apertou-lhe
no seio.
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Texto para os testes de 1 a 3. 1. Em A Relíquia, de Eça de Queirós, Teodorico Raposo vive como
sobrinho agregado à casa de sua Tia Patrocínio, católica fervorosa,
megera que não admite relaxações. Considerando-se as práticas
católicas, o “bacalhau das sextas-feiras”, citado pelo narrador,
corresponde, na passagem,
a) à obediência cristã, por parte de Teodorico, aos rituais de jejum
católicos sem os questionar, acompanhando sua tia.
b) a um sacrifício necessário, já que Teodorico não se considera
bastante purificado, alimentando-se então apenas de “um copo de
água e (...) uma côdea de pão” nas Sextas-Feiras Santas.
c) à ironia do narrador, uma vez que, logo depois de fingir sua beatice
para a Tia Patrocínio, regala-se com muita carne na casa da amante,
Adélia.
d) ao temor dos castigos divinos que poderiam decorrer de possíveis
desobediências ao jejum da Sexta-Feira Santa.
e) à necessidade do jejum por parte de Teodorico para purgar os
pecados que comete por ser amante de Adélia e omitir esse fato da
tia Patrocínio.
RESOLUÇÃO:
O cinismo e a hipocrisia são muito evidentes. Teodorico jejua, na 
Sexta-Feira Santa, na frente da tia, mas farta-se com muita comida, até
mesmo carne vermelha, quando vai à noite à casa da amante, Adélia.
Resposta: C
2. Considerando-se a passagem, bem como o romance A Relíquia
integralmente, assinale a alternativa que apresenta um comportamento
relatado por Teodorico Raposo que seria recriminado por sua tia
Patrocínio:
a) “No meu guarda-roupa, nesse duro inverno, houve apenas um
paletó velho.”
b) “Sobre a cômoda ardia uma lamparina perenal, diante da litografia
colorida de Nossa Senhora do Patrocínio.”
c) “Nas paredes dependurei as imagens dos santos mais excelsos,
como galeria de antepassados espirituais.”
d) “Havia dias em que, sem repousar, correndo pelas ruas, esbaforido,
eu ia à missa das sete a Santana, e à missa das nove da Igreja de São
José, e à missa do meio-dia na ermida da Oliveirinha.”
e) “À noite, em casa da Adélia, estava tão derreado, mono e mole ao
canto do sofá, que ela atirava-me murros pelos ombros.”
RESOLUÇÃO:
Adélia é amante de Teodorico e, na passagem, a irritação dela decorre do
fato de Raposo não ter disposição para atividades sexuais, pois encontra-se
cansado fisicamente por causa das peregrinações às diversas igrejas.
Resposta: E
Corrigi então a minha devoção e tornei-a perfeita. Pensando
que o bacalhau das sextas-feiras não fosse uma suficiente
mortificação, nesses dias, diante da Titi, bebia asceticamente um
copo de água e trincava uma côdea de pão; o bacalhau comia-o à
noite, de cebolada, com bifes à inglesa, em casa da minha Adélia.
No meu guarda-roupa, nesse duro inverno, houve apenas um
paletó velho, tão renunciado me quis mostrar aos culpados
regalos da carne; mas orgulhava-me de ter lá, purificando os
cheviotes profanos, a minha opa roxa de irmão do Senhor dos
Passos, e o devoto hábito cinzento da Ordem Terceira de São
Francisco. Sobre a cômoda ardia uma lamparina perenal, diante
da litografia colorida de Nossa Senhora do Patrocínio; eu punha
todos os dias rosas dentro de um copo, para lhe perfumar o ar
em redor; e a titi, quando vinha remexer nas minhas gavetas,
ficava a olhar a sua padroeira, desvanecida, sem saber se era à
Virgem, ou se era a ela, indiretamente, que eu dedicava aquele
preito da luz e o louvor dos aromas. Nas paredes dependurei as
imagens dos santos mais excelsos, como galeria de antepassados
espirituais, de quem tirava o constante exemplo nas difíceis
virtudes; mas não houve de resto no céu, santo, por mais obscuro,
a quem eu não ofertasse um cheiroso ramalhete de Padre-Nossos
em flor. Fui eu que fiz conhecer à titi São Telésforo, Santa
Secundina, o beato Antônio Estroncônio, Santa Restituta, Santa
Umbelina, irmã do grão São Bernardo, e a nossa dileta e
suavíssima patrícia Santa Basilissa, que é solenizada juntamente
com São Hipácio, nesse festivo dia de agosto em que embarcam
os círios para a Atalaia. 
(...)
Havia dias em que, sem repousar, correndo pelas ruas,
esbaforido, eu ia à missa das sete a Santana, e à missa das nove
da Igreja de São José, e à missa do meio-dia na ermida da
Oliveirinha. Descansava um instante a uma esquina, de ripanço
debaixo do braço, chupando à pressa o cigarro; depois voava ao
Santíssimo exposto na paroquial de Santa Engrácia, à devoção do
terço no convento de Santa Joana, à bênção do Sacramento na
capela de Nossa Senhora, às Picoas, à novena das Chagas de
Cristo, na sua igreja, com música. Tomava então a tipoia do
Pingalho, e ainda visitava, ao acaso, de fugida, os Mártires e São
Domingos, a igreja do convento do Desagravo e a Igreja da
Visitação das Salésias, a capela de Monserrate, as Amoreiras e a
Glória ao Cardal da Graça, as Flamengas e as Albertas, a Pena,
o Rato, a Sé!
À noite, em casa da Adélia, estava tão derreado, mono e mole
ao canto do sofá, que ela atirava-me murros pelos ombros, e
gritava, furiosa:
— Esperta, morcão!
(Eça de Queirós, A Relíquia)
MÓDULO 77 Literatura e Análise de Textos Literários – III
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3. No final do romance, quando Teodorico encontra Crispim, que
acaba empregando-o na firma da família e, mais à frente, convida-o
para a missa, pode-se dizer que o protagonista revela, em sua resposta,
a) hipocrisia.
b) sinceridade.
c) cinismo.
d) adulação.
e) agressividade.
RESOLUÇÃO:
Raposo redime-se da hipocrisia, rejeitando o convite do patrão para ir à
missa.
Resposta: B
4. (UNICAMP-SP-2018) – A fim de dar exemplos de sua teoria da
“alma exterior”, o narrador-personagem do conto “O Espelho”, de
Machado de Assis, refere-se a uma senhora conhecida sua “que muda
de alma exterior cinco, seis vezes por ano”. E, questionado sobre a
identidade dessa mulher, afirma: “Essa senhora é parenta do diabo, e
tem o mesmo nome: chama-se Legião...”. Considerando o contexto
dessa frase no conto, pode-se dizer que ela constitui
a) uma crítica à noção de alma exterior como resultante da influência
do mal.
b) uma consideração cômica que ressalta o nome inusitado da senhora.
c) uma condenação do comportamento moral da senhora em questão.
d) uma ironia com a inconstância dos valores sociais associados à alma
exterior.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] No conto “O Espelho”, de Machado de Assis, a
referência a uma mulher chamada “Legião” constitui uma ironia acerca
da mudança dos valores atribuídos à máscara social (“alma exterior”), já
que o indivíduo é pressionado a alterar seu modo de ser para corresponder
às exigências sociais. Essa modificação existencial pode fixar-se em uma
multiplicidade de objetos e valores de prestígio. A palavra “Legião” sugere
o caráter “demoníaco” da transformação da essência em aparência.
Resposta: D
Texto para o teste 5.
5. (FUVEST-SP) – Considerando-se este fragmento no contexto da
obra a que pertence, é correto afirmar que, nele,
a) o discurso argumentativo, de tipo racional e lógico, apresenta
afirmações que ultrapassam a razão e o senso comum.
b) a combinação de hesitações e autocrítica já caracteriza o tom de
arrependimento com que o defunto autor relatará sua vida
improdutiva.
c) as hesitações e dúvidas revelam a presença de um narrador
inseguro, que teme assumir a condução da narrativa e a autoridade
sobre os fatos narrados.
d) as preocupações com questões de método e as reflexões de ordem
moral mostram um narrador alheio às meras questões literárias.
e) as considerações sobreo método e sobre a lógica da narração
configuram o modo característico de se iniciar o romance no
Realismo.
RESOLUÇÃO:
Há uma dissonância no contexto aparentemente sensato e lógico do texto.
Trata-se das afirmações “não sou propriamente um autor defunto, mas um
defunto autor” e “[um autor] para quem a campa foi outro berço”. A essa
perspectiva de além-túmulo se deve o caráter fantástico de que se reveste
o narrador da obra.
Resposta: A
Texto para o teste 6.
6. (UNICAMP-SP-2018) – Levando em conta o excerto, bem como
o texto integral do romance, é correto afirmar que
a) o grosseiro rumor, a sexualidade desregrada e a exalação forte que
provinham do cortiço decorriam, segundo Miranda, do abandono
daquela população pelo governo.
b) os termos “grosseiro rumor”, “animais”, “bestas no coito”, que
fazem referência aos moradores do cortiço, funcionam como
metáforas da vida pulsante dos seus habitantes.
c) o nivelamento sociológico na obra O Cortiço se dá não somente
entre os moradores da habitação coletiva e o seu senhorio, mas
também entre eles e o vizinho Miranda.
d) a presença portuguesa, exemplificada nas personagens João Romão
e Miranda, não é relevante para o desenvolvimento da narrativa
nem para a compreensão do sentido da obra.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] O trecho extraído do romance O Cortiço destaca a
vida “pulsante” dos habitantes da estalagem, os quais têm o
comportamento aproximado ao dos animais (“exalação forte de animais
cansados”, “fartum de bestas no coito”) em intensa atividade sexual,
justamente o que irrita Miranda.
Resposta: B
ÓBITO DO AUTOR
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo
princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar
pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar
diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um
autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro
berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais
novo.
(Machado de Assis,
Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia,
ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado o Miranda
assustava-se, inquieto com aquela exuberância brutal de vida,
aterrado defronte daquela floresta implacável que lhe crescia
junto da casa (...).
À noite e aos domingos ainda mais recrudescia o seu azedume,
quando ele, recolhendo-se fatigado do serviço, deixava-se ficar
estendido numa preguiçosa, junto à mesa da sala de jantar e
ouvia, a contragosto, o grosseiro rumor que vinha da estalagem
numa exalação forte de animais cansados. Não podia chegar à
janela sem receber no rosto aquele bafo, quente e sensual, que o
embebedava com o seu fartum de bestas no coito.
(AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 
14. ed. São Paulo: Ática, 1983, p. 22.)
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Texto para o teste 7.
7. (UNESP) – A referida “atenuação da subjetividade e do senti -
mentalismo” está bem exemplificada na seguinte estrofe do poeta
parnasiano Alberto de Oliveira (1857-1937):
a) Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
b) Erguido em negro mármor luzidio,
Portas fechadas, num mistério enorme,
Numa terra de reis, mudo e sombrio,
Sono de lendas um palácio dorme.
c) Eu vi-a e minha alma antes de vê-la
Sonhara-a linda como agora a vi;
Nos puros olhos e na face bela,
Dos meus sonhos a virgem conheci.
d) Longe da pátria, sob um céu diverso
Onde o sol como aqui tanto não arde,
Chorei saudades do meu lar querido
— Ave sem ninho que suspira à tarde. —
e) Eu morro qual nas mãos da cozinheira
O marreco piando na agonia…
Como o cisne de outrora… que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2017] A “atenuação da subjetividade” ocorre nos versos do poema
“Fantástica” (alternativa b), do parnasiano Alberto de Oliveira. Nota-se,
nesses versos, a descrição com contenção emocional, uma das
características da estética parnasiana, que se opunha ao passionalismo
romântico. Nas demais alternativas, o eu lírico impõe a subjetividade tanto
pelo emprego do pronome de primeira pessoa (“eu”, “meus”, “mim” etc.),
como pela densidade emocional. [Nas alternativas a, c, d e e os versos não
são de Alberto de Oliveira, mas de Álvares de Azevedo (a e e) e de Casimiro
de Abreu (c e d).]
Resposta: B
Texto para o teste 8.
8. (UNESP-2018) – O comentário do crítico Afrânio Coutinho refere-
se ao movimento literário denominado
a) Parnasianismo. b) Romantismo.
c) Realismo. d) Simbolismo.
e) Arcadismo.
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] O comentário de Afrânio Coutinho evidencia as
características do Simbolismo, escola literária que funde sensa ções
buscando atingir o metafísico. A linguagem desses artistas é “imprecisa”,
“vaga”, “ilógica” e “ininteligível”, opondo-se ao primado da razão do
Realismo, do Naturalismo e à contenção do Parnasianismo. 
Resposta: D
Os parnasianos brasileiros se distinguem dos românticos pela
atenuação da subjetividade e do sentimentalismo, pela ausência
quase completa de interesse político no contexto da obra e pelo
cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico.
(Antônio Cândido,
Iniciação à Literatura Brasileira, 2010. Adaptado.)
Esse movimento descobriu algo que ainda não havia sido
conhecido ou enfatizado antes: a “poesia pura”, a poesia que
surge do espírito irracional, não conceitual da linguagem, oposto
a toda interpretação lógica. Assim, a poesia nada mais é do que
a expressão daquelas relações e correspondências que a
linguagem, abandonada a si mesma, cria entre o concreto e o
abstrato, o material e o ideal, e entre as diferentes esferas dos
sentidos. Sendo a vida misteriosa e inexplicável, como pensavam
os adeptos desse movimento, era natural que fosse representada
de maneira imprecisa, vaga, nebulosa, ilógica e ininteligível.
(Afrânio Coutinho, 
Introdução à Literatura no Brasil, 1976 – adaptado.)
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Leia a seguinte declaração sobre o Pré-Modernismo: 
1. (UFV-MG – modificado) – Atente agora para o que se afirma a
respeito de algumas obras e autores brasileiros e assinale a alternativa
cujo conteúdo não contempla a síntese crítica de Alfredo Bosi. 
a) Um dos grandes temas de Os Sertões é a denúncia que Euclides da
Cunha faz acerca do crime que a nação cometeu contra si própria
na Guerra de Canudos.
b) Monteiro Lobato imortalizou a personagem Jeca-Tatu, transfor -
mando-a no símbolo do caipira subdesenvolvido que vive na
indolência e se submete sempre à “lei do menor esforço”.
c) Lima Barreto expressou sempre o inconformismo perante as
injustiças sociais e, na obra Triste Fim de Policarpo Quaresma,
construiu uma imagem caricata do Brasil, com todas as suas
contradições.
d) “O indianismo está de novo a deitar copa, de nome mudado.
Crismou-se de ‘caboclismo’.” A frase é de Monteiro Lobato, autor
que idealizou a figura do caboclo, visto como genuíno representante
do homem brasileiro.
e) Em Os Sertões, Euclides da Cunha opõe o homem do sertão ao
homem do litoral, acentuando-lhes as diferenças econômicas e
socioculturais.
RESOLUÇÃO:
No artigo “Urupês”, do qual se extraiu a frase apresentada na alternativa
d, Monteiro Lobato apresenta uma caricatura do interiorano brasileiro,
sintetizada na figura do Jeca-Tatu, que entrou para a língua portuguesa
no adjetivo jeca. O autor denuncia a preguiça do caboclo brasileiro,
inconsciente em relação a si mesmo e alienado das transformações
históricas por que passava o país de então. Deve-se observar, porém, que
Lobato reviu essa opinião, para afirmar depois que o caboclo era, na
verdade, umavítima das estruturas socioeconômicas.
Resposta: D
2. (UNIFESP-SP-2018) – O Surrealismo buscou a comunicação com
o irracional e o ilógico, deliberadamente desorientando e reorientando
a consciência por meio do inconsciente.
(Fiona Bradley, Surrealismo, 2001) 
Verifica-se a influência do Surrealismo nos seguintes versos:
a) Um gatinho faz pipi.
Com gestos de garçom de restaurant-Palace
Encobre cuidadosamente a mijadinha.
Sai vibrando com elegância a patinha direita:
— É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.
(Manuel Bandeira, “Pensão Familiar”)
b) A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.
Havia poucas flores. Eram flores de horta.
Sob a luz fraca, na sombra esculpida
(quais as imagens e quais os fiéis?)
ficávamos.
(Carlos Drummond de Andrade, 
“Evocação Mariana”)
c) Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade,
“No Meio do Caminho”)
d) E nas bicicletas que eram poemas
chegavam meus amigos alucinados.
Sentados em desordem aparente,
ei-los a engolir regularmente seus relógios
enquanto o hierofante armado cavaleiro
movia inutilmente seu único braço.
(João Cabral de Melo Neto,
“Dentro da Perda da Memória”)
e) — Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva;
só morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina.
(João Cabral de Melo Neto,
Morte e Vida Severina)
RESOLUÇÃO:
[UNIFESP-SP-2018] Nos versos de João Cabral de Melo Neto apresentados
na alternativa d, notam-se as associações ilógicas, a escrita do inconsciente,
elementos estilísticos da vanguarda surrealista, que procurou aplicar os
postulados da teoria psicanalítica à arte.
Resposta: D
Creio que se pode chamar pré-modernismo (no sentido forte
de premonição dos temas vistos em 22) tudo o que, nas primeiras
décadas do século [XX], problematiza a nossa realidade social e
cultural.
(BOSI, Alfredo.
História Concisa da Literatura Brasileira.
São Paulo: Cultrix, 1994, p. 306.)
MÓDULO 88 Literatura e Análise de Textos Literários – IV
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3. (UNESP-2018) – Expressionismo: Termo aplicado pela crítica e
pela história da arte a toda arte em que as ideias tradicionais de
naturalismo são abandonadas em favor de distorções ou exageros de
forma e cor que expressam, de modo premente, a emoção do artista.
Neste sentido mais geral, o termo pode ser aplicado à arte de qualquer
período ou lugar que conceda às reações subjetivas um lugar de maior
importância que à observação do mundo exterior.
(Ian Chilvers (org.),
Dicionário Oxford de Arte, 2007.)
De acordo com essa definição, pode ser considerada expressionista a
obra:
a) 
O Encontro (1854), 
de Gustave Courbet.
b) 
Retrato da Condessa d’Haussonville (1845),
de Jean-Auguste-Dominique Ingres.
c) 
O Farol em Duas Luzes (1929), 
de Edward Hopper.
d) 
Lata de Sopa Campell (1962), 
de Andy Warhol.
e) 
A Igreja de Auvers-Sur-Oise (1890), 
de Vincent Van Gogh.
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] As deformações ou exageros de traços e cores que indi -
cam a tensão interior do artista são flagrantes no quadro A Igreja de
Auvers-Sur-Oise.
Resposta: E 
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4. (UNESP-2018) – Ricardo Reis é, assim, o heterônimo clássico, ou
melhor, neoclássico: sua visão da realidade deriva da Antiguidade
greco-latina. Seus modelos de vida e de poesia, buscou-os na Grécia e
em Roma.
(Massaud Moisés,
Introdução. In: Fernando Pessoa,
O Guardador de Rebanhos e Outros Poemas, 1997.)
Levando-se em consideração esse comentário, pertencem a Ricardo
Reis, heterônimo de Fernando Pessoa (1888-1935), os versos:
a) Nada perdeu a poesia. E agora há a mais as máquinas 
Com a sua poesia também, e todo o novo gênero de vida 
Comercial, mundana, intelectual, sentimental,
Que a era das máquinas veio trazer para as almas.
b) Súbita mão de algum fantasma oculto 
Entre as dobras da noite e do meu sono 
Sacode-me e eu acordo, e no abandono 
Da noite não enxergo gesto ou vulto.
c) Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
d) À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica 
Tenho febre e escrevo. 
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, 
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
e) O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente.
RESOLUÇÃO:
[UNESP-2018] Os versos apresentados na alternativa c dialogam com a
tradição clássica, por meio da retomada de valores clássicos greco-latinos,
como a atitude estoica, imperturbável, do eu lírico, a consciência da
efemeridade da vida e a necessidade de gozá-la, o que caracteriza o topos
do carpe diem.
Resposta: C
Texto para o teste 5.
5. (INSPER-SP-2018) – No poema, o eu lírico retrata a infância pelo viés
a) da miséria e da ingênua visão do trabalho penoso, o que se pode
comprovar, por exemplo, com as expressões “crianças raquíticas”
e “carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis”.
b) da celebração da superação das condições aviltantes de vida, o que
se pode comprovar, por exemplo, com as expressões “tocando os
animais” e “madrugada ingênua”.
c) das recordações de experiências dolorosas, o que se pode
comprovar, por exemplo, com as expressões “uma velhinha” e
“ingênua miséria”.
d) de tênues ambiguidades, como sofrer e ser amigo, o que se pode
comprovar, por exemplo, com as expressões “com um relho
enorme” e “dançando, bamboleando”.
e) do bom humor, ainda que tematizando a pobreza, o que se pode
comprovar, por exemplo, com as expressões “burrinhos
descadeirados” e “espantalhos desamparados”.
RESOLUÇÃO:
[INSPER-SP-2018] O eu lírico destaca, além da miséria da situação dos
meninos carvoeiros, o fato de essas crianças, ingenuamente, divertirem-se
enquanto trabalham.
Resposta: A
MENINOS CARVOEIROS
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
— Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho1 enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem2 é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, 
[dobrando-se com um gemido.)
— Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
— Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados3 nas alimárias4,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como 
[espantalhos desamparados!
(Manuel Bandeira,
Estrela da Vida Inteira)
1 – Relho: chicote.
2 – Aniagem: tecido grosseiro usado na confecção de sacos e fardos.
3 – Encarapitados: postos no alto.
4 – Alimárias: bestas de carga.
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Texto para o teste 6.
6. (PUC-SP) – O poema transcrito, de Carlos Drummond de Andrade,
está em Claro Enigma. Dele se pode afirmar que
a) é um texto clássico cujo título remete ao sentido de um
conhecimento vivaz, de uma arte alegre retomada dos provençais e,
por isso, se estrutura em linguagem coloquial e de fácil
entendimento.
b) é um soneto que não pode ser enquadrado no Modernismo porque
retoma temas poéticos e procedimentos estéticos próprios do
Classicismo, em linguagem de elaboração sofisticadae
extremamente formal.
c) revela o vazio existencial do indivíduo, exacerbado pela maior
clareza que a vida traz, e se desenvolve em versos decassílabos,
organizados em rima cruzada tanto nos quartetos quanto nos
tercetos, com bom uso do enjambement como elemento de
continuidade semântica e rítmica do poema.
d) refere o tema da maturidade, enfocando-o como a experiência que
anula os sentidos na percepção do mundo, mas capaz de tornar o
homem feliz ao entender racionalmente a realidade.
RESOLUÇÃO:
[PUC-SP-2017] O poema “A Ingaia Ciência” (a palavra ingaia é um
neologismo cujo significado é “infeliz”) revela o ceticismo do eu lírico na
maturidade. O acúmulo da experiência existencial tira-lhe “todo sabor
gratuito de oferenda”, a vida torna-se, portanto, insípida — previsível. A
rima cruzada ou alternada (ABAB-ABAB-CDE-CDE) e a presença de
enjambement — o extravasamento sintático que se nota, por exemplo, entre
o quinto e o sexto versos — são, respectivamente, elementos de
continuidade rítmica e semântica do poema.
Resposta: C
Texto para os testes 7 e 8.
7. (ALBERT EINSTEIN-SP – modificado) – O texto transcrito é de
Claro Enigma, obra de Carlos Drummond de Andrade. De sua leitura
se pode depreender que
a) é um poema que segue rigorosamente os procedimentos de
construção do soneto clássico e tradicional, particularmente quanto
à disposição das rimas e ao uso da chave de ouro como fecho
conclusivo do texto.
b) é um metapoema e revela que o soneto que o autor deseja fazer é o
mesmo que o leitor está lendo, a evidenciar na prática a junção do
querer e do fazer.
c) se utiliza de expressões como “tiro no muro” e “cão mijando no
caos”, que, além de serem de mau gosto e provocar estranhamento
no leitor, rigorosamente nada têm a ver com a proposta de
elaboração do poema.
d) faz da repetição anafórica e do paralelismo dos versos recursos de
composição do poema, tornando o resultado enfadonho e antiesté -
tico.
RESOLUÇÃO:
[ALBERT EINSTEIN-SP-2017] “Oficina Irritada” é um metapoema, um
dos temas recorrentes na obra de Carlos Drummond de Andrade. Esses
versos foram elaborados para se obter um sentido antilírico. O léxico
(“sofrer”, “pungir”, “impuro”, “maligno”, “escuro”, “duro” etc.) e o som
fechado, na rima com a vogal escura /u/, são elementos estilísticos que
evidenciam a antipatia ou irritação do eu lírico ao compor o texto. Fez-se
um soneto irritado, cuja leitura não desperta prazer no leitor ávido de
lirismo. “Oficina Irritada” não obedece rigorosamente aos procedimentos
de construção do soneto clássico, quanto à disposição das rimas, pois nos
tercetos retoma-se a sonoridade presente nas rimas dos quartetos. Além
disso, não há chave de ouro, pois o último verso não resume o sentido dos
treze versos anteriores, tampouco construção paralelística ou,
marcadamente, anafórica.
Resposta: B
A INGAIA CIÊNCIA
A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,
a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte numa cela.
A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência
e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a mão, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.
OFICINA IRRITADA
Eu quero compor um soneto duro
como poeta algum ousara escrever.
Eu quero pintar um soneto escuro,
seco, abafado, difícil de ler.
Quero que meu soneto, no futuro,
não desperte em ninguém nenhum prazer.
E que, no seu maligno ar imaturo,
ao mesmo tempo saiba ser, não ser.
Esse meu verbo antipático e impuro
há de pungir, há de fazer sofrer,
tendão de Vênus sob o pedicuro.
Ninguém o lembrará: tiro no muro,
cão mijando no caos, enquanto Arcturo,
claro enigma, se deixa surpreender.
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8. (FGV-ADM-SP – modificado) – A procura de um texto “duro”,
“abafado” e avesso à sedução e ao encantamento do leitor, postulada no
poema, assemelha-se sobretudo à demanda estilística revelada na obra:
a) Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
b) “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, de João Guimarães Rosa.
c) Coração, Cabeça e Estômago, de Camilo Castelo Branco.
d) O Cortiço, de Aluísio Azevedo.
e) Iracema, de José de Alencar.
RESOLUÇÃO:
[FGV-ADM-SP-2017] A estilística buscada e adotada por Drummond em
“Oficina Irritada” é a mesma de Graciliano Ramos em Vidas Secas: um
estilo “duro”, conciso, que busca representar o essencial; não quer
despertar o aspecto emotivo.
Resposta: A
9. (UNICAMP-SP-2018) – Leia abaixo duas passagens do poema
“Olá! Negro”, de Jorge de Lima:
Considerando o livro Poemas Negros como um todo e a poética de
Jorge de Lima, é correto afirmar que o último verso citado
a) manifesta o desprezo do negro pela situação decadente da cultura do
branco.
b) realiza a aproximação entre a alegria do negro e uma ideia de futuro.
c) remete à vingança do negro contra a violência a que foi submetido
pelo branco.
d) funciona como um lamento, já que o nascer do dia não traz justiça
social.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2018] É evidente a associação entre a “alegria do negro e
uma ideia de futuro” nos versos que encerram o poema “Olá! Negro”, do
livro Poemas Negros, de Jorge de Lima. Assim, a herança que os negros
ofereceriam ao porvir não se restringiria à enorme contribuição histórica
em termos de riqueza econômica e musical, mas também no que se refere
a um atributo de seu próprio modo de ser: a alegria, notável mesmo em
momentos mais cruéis da vida.
Resposta: B
Texto para o teste 10.
10. (UNICAMP-SP) – Estas duas cenas de ciúme concluem dois
textos diferentes de Jorge de Lima. A primeira pertence ao conhecido
poema modernista “Essa Negra Fulô”; a segunda, ao poema “História”,
de Poemas Negros (1947). Em relação a “Essa Negra Fulô”, o poema
“História”, especificamente, representa
a) a reiteração da denúncia das relações de poder, muito arraigadas no
sistema escravocrata, que colocam no mesmo plano violências
raciais e sexuais.
b) a passagem de uma caracterização da mulher negra como sedutora
para uma postura solidária em relação à escrava, que explicita as
estratégias compensatórias de que se vale para sobreviver.
c) a permanência de uma visão pitoresca sobre a situação da mulher
negra nos engenhos de açúcar, que oculta os mecanismos de poder
que garantiam sua exploração.
d) a superação da visão idílica da vida na senzala, graças a uma postura
realista e social, que revela a violência das relações entre senhores
e escravos.
RESOLUÇÃO:
[UNICAMP-SP-2017] Em “Essa Negra Fulô”, o eu poemático associa
condições subumanas a que eram submetidos os negros a aspectos
sedutores de uma escrava. Fulô é caracterizada por seu grande poder de
atração. Em “História”, o enunciador explicita “as estratégias compensa -
tórias de que se vale para sobreviver”, ou seja, a escrava volta-se para a
magia e a proteção dos orixás, após sofrer toda sorte de violências. Essa
invocação mística é um recurso compensatório diante da condição
sexualizada e sofrida da mulher negra escrava.
Resposta: B
O Sinhô foi açoitar 
sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dele pulou
nuinha a negra Fulô.
Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê, cadê teu Sinhô
que Nosso Senhor me mandou?
Ah! Foi você que roubou,
foi você, negra Fulô?
Essa negra Fulô!
(LIMA, Jorge de. Poesias Completas. v. 1.
Rio de Janeiro / Brasília: J. Aguilar / INL, 1974, p. 121.)
A Sinhá mandou arrebentar-lhe os dentes:
Fute, Cafute, Pé-de-pato, Não-sei-que-diga,
avança na branca e me vinga.
Exu escangalha ela, amofina ela,
amuxila ela que eu não tenho defesa de homem,
sou só uma mulher perdida neste mundão.
Neste mundão.

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