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* * * Maquiavel: Principados e Repúblicas Acadêmico: Romerio Jair Kunrath * * * Quem foi Maquiavel? Defensor dos Príncipes ou da República? “Primeiro teórico da formação do Estado Moderno” (GRAMSCI, 1984). “Gramático do Poder, da Lógica da Ação Política” (AMES, 2002). “Precursor da Tradição Democrática Moderna” (MOREIRA, 1979). * * * Quem foi Maquiavel: político ou intelectual? (1498-1512) Político. Alto funcionário da Segunda Chancelaria de Florença, um dos dois órgãos máximos da administração republicana, instaurada em 1494. Era um burocrata do primeiro escalão, um tecnocrata nos dias de hoje. Um diplomata a disposição do governo da época à quem serviu com tanto zelo, entusiasmo e imaginação. Um homem muito inteligente para sua época, não a frente do seu tempo, mas com uma capacidade enorme de análise da realidade, da conjuntura política vivida pela Itália naquele momento. (1513-1527) Intelectual. Principais obras: Em 1513, ele começa a escrever “O Príncipe” e os “Comentários a Primeira Década de Tito-Lívio”. Em torno de 1520, escreve “ A Mandragora”.E, em 1521 – “A arte da guerra”. * * * Pontos cronológicos de referencia: 1469 – Nascimento de Maquiavel. 1494 – Entrada de Charles VIII em Florença. Fim do Reinado dos Médicis. 1494 – Restabelecimento da República em Florença. Savanarole no poder. 1498 – Maquiavel entra na política. 1512 – Retorno dos Médicis ao poder. 1527 – Restabelecimento da República em Florença e morte de Maquiavel. * * * Contexto Histórico: A Itália dos séculos XV-XVI, na época de Maquiavel, era uma colcha de retalhos onde uma série de cidades-livres como Milão, Veneza, Gênova, Florença, etc. . conviviam com os Estados Pontifícios controlados diretamente pela Igreja. Ela também foi palco de uma série de invasões estrangeiras que se deram a partir de 1494, ocorrendo até o terrível saque de Roma feito em 1527 por tropas do imperador Carlos V. Fonte: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/politica/2002/04/19/001.htm * * * Contexto Histórico: Internamente, a península italiana estava dividida em principados seculares e religiosos, em várias tiranias e em regimes republicanos comunais-populares. Havia, pois, múltiplos poderes: o da Igreja Católica, o dos nobres, o das cidades-livres, o dos tiranos, e o dos reis estrangeiros. No resto da Europa, entretanto, formavam-se monarquias-nacionais poderosas, nas quais os reis, ao contrário do que se passava na Itália, concentravam cada vez mais poder e autoridade, sobrepondo-se à alta nobreza e à influência da Igreja. Fonte:http://educaterra.terra.com.br/voltaire/politica/2002/04/19/001.htm * * * Preocupações de Maquiavel: Situação de Florença; Com a Itália e os governos da época; Que nenhum estrangeiro entrasse na Itália pela força das armas; Que nenhum dos estrangeiros estendesse ainda mais seus domínios sobre o seu território; Como conquistar e manter o poder com certo equilíbrio e legitimidade, sem ser tomado de assalto por forças externas, por invasores. * * * Cinco principais centros de poder da Itália (1494): Papa Veneza Rei de Nápoles Duque de Milão Florentinos * * * Preocupação central: a construção da ordem Idéia central da sua obra: Constituição de um Estado unificado e forte, defensável, com exército próprio, que pudesse unificar e regenerar a Itália naquele momento. * * * Concepção da ordem: Produto necessário da política; não é algo natural, nem materialização da vontade divina, tampouco resulta do acaso. A ordem tem um imperativo: deve ser construída pelos homens para evitar o caos, a barbárie. * * * Concepção da política: Política é o resultado de feixes de forças, proveniente das ações concretas dos homens em sociedade; É mundana; Se constitui e é regida por mecanismos distintos dos que norteiam a vida privada. * * * Concepção da Natureza Humana: Imutável; Ingrata; Volúvel; Covarde frente aos perigos; Ávida de lucro. * * * Concepção de poder: A única possibilidade de enfrentar o conflito, por mais transitório que seja a ordem estabelecida. * * * Concepção da História: Fonte de ensinamento; Cíclica: os fatos se repetem ou se assemelham; Alterna a ordem e a desordem. * * * Fontes de instabilidade e da desordem, segundo Maquiavel: A natureza humana; Toda sociedade é composta por duas forças que se opõem (Dominantes X Dominados); “O POVO NÃO DESEJA SER DOMINADO OU OPRIMIDO PELOS GRANDES, E A OUTRA DE QUEREREM OS GRANDES DOMINAR E OPRIMIR O POVO” (MAQUIAVEL). * * * Como resolver este problema? Encontrando mecanismos que imponham a estabilidade das relações, que sustentem determinada correlação de forças. Solução: Construção de principados (hereditários ou novos) e Repúblicas. * * * Segundo Maquiavel: A realidade concreta de cada comunidade irá determinar a melhor forma de governo (Principado ou República) que irá presidi-la; O Príncipe não é um ditador, mas um fundador do ESTADO; O príncipe representa um governo forte em uma nação deteriorada, quando a corrupção se alastra ou quando o caos está instaurado; A República é apropriada quando a sociedade encontrou formas de equilíbrio, quando o poder político cumpriu sua função regeneradora e “educadora”, quando o povo aprecia a liberdade (SADEK, 2000). * * * Concepção de Liberdade: A liberdade dos cidadãos se constitui fundamentalmente enquanto obediência a lei. É “a lei que torna os homens bons”. É o domínio da lei que garante a liberdade interna dos cidadãos. * * * Como gerar estabilidade ou construir a ordem? O poder se funda na força, mas é necessário virtú para se manter no poder; Um governante virtuoso procurará criar instituições que “facilitem” o domínio; Sem virtú, sem boas leis, geradoras de boas instituições, e sem boas armas, um poder rival poderá impor-se. * * * Por que ele se diferencia dos demais pensadores da época? Pelo fato de buscar “a verdade efetiva das coisas”, por investigar e examinar as coisas tal qual elas são e não como gostaria que fossem; indo mais além do que a sua própria imaginação lhe permitia, deixando os fatos falarem, se apoiando no passado e, principalmente, na história da Roma republicana. Maquiavel é considerado o pai da Ciência Política porque é um dos primeiros a estabelecer uma regra metodológica de investigação da política. Expondo a complexidade do homem, da sociedade e da natureza, cria uma nova ciência, a ciência da política, entendida como uma disciplina autônoma, separada da moral e da religião. * * * Conforme seus interpretes: O estudo do pensamento de Maquiavel, permite-nos apanhar o momento de aparição no âmbito do pensamento republicano florentino, de um princípio especificamente moderno de eficácia política. Sem diminuir a importância do humanismo cívico na formação de Maquiavel, se insiste no direcionamento operado no interior dessa mesma tradição humanista, em levar em consideração “a verdade efetiva das coisas”. É essa preocupação pela efetividade da política, que conduziu Maquiavel a reler, de um modo bastante original, a história da República Romana e, conseqüentemente, a história da República de Florença (Foisneau, 2009, p.12). * * * Conforme seus intérpretes: “Para a história das idéias políticas uma evidência se impõe a leitura de Maquiavel. Pela primeira vez, um pensador refuta concepções políticas tradicionais. Ele não constrói uma cidade ideal, nem busca uma república bem organizada. Ele não se pergunta quais são as relações da cidade de Deus com a cidade dos homens, mas ele descreve lucidamente os mecanismos através dos quais se chega ao poder e como se faz para se conservar esse poder” (Védrine, 1972, p.7). Enquanto gramático do poder, sua preocupação maior está com a estabilidade do poder: como se ganha, como se mantém e como se perde o poder, girando entorno da problemática da legitimação política, através do uso racional dos recursos disponíveis. É essa sua obsessão pelo equilíbrio político e a estabilidade do poder, que parece justificar sua preferência pela forma republicana de governo (Moreira, 1979, p. 41). * * * Conforme seus intérpretes: Seus conselhos aos príncipes e republicanos se situam ao nível do que Weber chamaria de “ética da responsabilidade”, dos resultados previsíveis da ação, de quem ocupa postos de comando (Moreira, 1979, p. 37). Ele percebe a política como um modo dinâmico de responder as paixões dos homens, principalmente, daqueles que a praticam, os atores políticos. Não é de surpreender que a sua preocupação com a eficácia prática da política, se exprime através da sua teoria da virtú (Foisneau, 2009, p. 13). Segundo a opinião de Foisneau (2009, p.40), a importância que dá a prática leva Maquiavel a se interrogar com mais atenção, que seus antecessores, sobre as condições concretas de realização do modelo republicano. * * * Conforme seus interpretes: “A demonstração de Maquiavel em favor da República repousa sobre dois pressupostos especificamente políticos, a saber, primeiramente, que não é o bem individual, mas o bem geral, que faz a grandeza das cidades. E, em segundo lugar, que o bem geral é apenas observado nas repúblicas. Diante desse pressuposto, deduz-se logicamente, a tese, segundo a qual, uma tirania acarreta na melhor das hipóteses uma estagnação e, na pior, e mais freqüente, uma regressão da potencia e da riqueza do Estado. Na hipótese pouco provável que o tirano forneça prova de dinamismo e energia, o beneficio de sua ação não aproveitaria o seu povo, pois um tirano é incapaz de redistribuir riqueza e poder” (Foisneau, 2009, p.39). * * * Segundo Maquiavel: * * * Segundo Maquiavel: * * * Para Maquiavel: * * * Referências: AMES, José Luiz. Maquiavel: a lógica da ação política. Cascavel: EDUNIOESTE, 2002 (Série Estudos Filosóficos; v.4). CHABOD, Federico. Escritos sobre Maquiavelo. México: Fondo de Cultura Economica, 1994. FOISNEAU, Luc. Governo e Soberania: o pensamento político moderno de Maquiavel a Rousseau. Traduzido por Wladimir Barreto Lisboa. Primeira Edição. Porto Alegre: Linus, 2009, p. 19-52. GRAMSCI, Antonio. Maquiavel, a Política e o Estado Moderno.Tradução de Luiz Mário Gazzaneo. Quinta Edição.Rio de Janeiro:Editora civilização Brasileira, 1984. GRÜNER, Eduardo. La astucia del león y la fuerza del zorro: Maquiavelo, entre la verdad de la política y la política de la verdad. In: BORON, Atílio A. (Org.) La Filosofía Política Clásica: de La Antigüidad al Renacimiento. Buenos Aires: CLACSO; Eudeba, 1999, p. 253-268. GRUPPI, Luciano. Tudo começou com Maquiavel. Tradução de Mario Canali. Décima Quinta Edição. Porto Alegre: L&PM, 1998. * * * Referências: NERES, Geraldo Magella. Gramsci e Maquiavel: a política como ética do coletivo. In: AMORIM, Maria Salete de (org.).Democracia e Participação – Dimensões do Neoliberalismo e da Globalização. Porto Alegre: Editora Escritos, 2008, p.25-41. SADEK, Maria Tereza. Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual da virtù. In: WEFFORT, Francisco C. (Org.) Os Clássicos da Política. Editora Ática, Vol. 1,13ª Edição, 2004, p. 11-24. SINGER, André. Maquiavel e o liberalismo: a necessidade da República. P. 347- 356. In: BORON, Atílio A. (Org.) Filosofia Política Moderna: de Hobbes a Marx. Buenos Aires, CLACSO; São Paulo, Dep. Ciência Política – FFLCH- Universidade de São Paulo, 2006, p. 347-356. VÉDRINE, Hélène. Machiavel ou la science du pouvoir. Philosophes de tous les temps. EDTIONS SEGHERS, França: Paris, 1972.