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METODOLOGIA DA PESQUISA EM ESTUDOS LITERÁRIOS

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so-
brenatural constitui a sua própria manifestação, é autodesig-
nação. E uma função sintática: ele entra no desenvolvimento 
da narrativa.
 
Temos assim a importância da literatura fantástica. 
5.4 Concluindo
Existem muitos outros teóricos importantes para aqueles que desejam 
adentrar mais profundamente nos segredos da literatura fantástica. Todorov 
é apenas um dos principais, e ele sempre será citado nos trabalhos da área. 
Observamos que o fantástico toma diversas formas. Ora nos questiona-
mos e saímos sem entender o que realmente aconteceu, perdidos em loucu-
ras; ora estamos vivendo em uma floresta cheia de fadas, sílfides e lobiso-
mens sem qualquer sombra de dúvidas. 
O propósito do trabalho foi ajudar aqueles que desejam entender o que é 
a literatura fantástica, e por mais introdutório que seja no assunto, o projeto 
visa incentivar futuras pesquisas no tema.
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Referências
CAMARANI, Ana Luiza Silva. A literatura fantástica: caminhos teóricos. São Paulo: Cul-
tura Acadêmica, 2014.
PIMENTEL, Vânia. Narrativas do além-real. Manaus: Valer, 2002. 
TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. São Paulo: Perspectiva, 2012.
Referências complementares para estudo e apreciação
BATALHA, Maria Cristina. O fantástico brasileiro: contos esquecidos. Rio de Janeiro: 
Caetés, 2011. 
BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na idade média e no renascimento. Tradução de 
Yara Frateschi. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1999. 
CALVINO, Ítalo. Contos fantásticos do século XIX: O fantástico visionário e o fantástico 
cotidiano. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
CESERANI, Remo. O fantástico. Londrina: Eduel, 2007.
CHIAMPI, Irlemar. O realismo maravilhoso. São Paulo: Perspectiva, 1980. 
COLETTI, Vagner. As flores do mal e eu: um olhar pelo prisma do grotesco. Araraquara: 
2008. 167 p. 
COSTA, Flávio Moreira. Os melhores contos fantásticos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 
2006.
FURTADO, Filipe. A construção do fantástico na narrativa. Lisboa: Horizonte Universitá-
rio, 1980.
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LOVECRAFT, Howard Phillips. O horror sobrenatural em literatura. São Paulo: Iluminu-
ras, 2007.
MAUPASSANT, Guy. 125 contos de Guy de Maupassant. São Paulo: Companhia das Le-
tras, 2009.
POE, Edgar Allan. Edgar Allan Poe: medo clássico. Rio de Janeiro: Darkside, 2017.
ROAS, Davi. A ameaça do fantástico: aproximações teóricas. São Paulo: Unesp, 2014. 
PROPP, Vladimir. As raízes históricas do conto maravilhoso. São Paulo: Martins Fontes, 
1977.
RODRIGUES, Selma Calasans. O fantástico. São Paulo: Ática, 1998.
TODOROV, Tzvetan. As estruturas narrativas. São Paulo: Perspectiva, 2010; São Paulo: 
Unesp, 2014.
TRINDADE Júnior, João Olinto. No coração da tempestade: irrupções insólitas em vinte e 
zinco de Mia Couto. Rio de Janeiro: Dialogartes, 2013.
VAX, Louis. A arte e a literatura fantásticas. Tradução de João Costa. Lisboa: Arcádia, 
1972.
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POR UMA EPISTEMOLOGIA DO 
 MÉTODO FORTUNA CRÍTICA
Enderson de Souza Sampaio
6.1 Caminhos possíveis...
Procuro, nos limites deste estudo, realizar um estudo epistemológico do 
método fortuna crítica. Dessa forma, a pesquisa compreende que a episte-
mologia é um estudo crítico dos métodos empregados nas ciências, nou-
tras palavras, trata-se de uma teoria da ciência. Dito isto, torna-se mister 
esclarecer que o objetivo deste trabalho é focalizar a fortuna crítica numa 
perspectiva literária.
Antes de mais nada, este estudo propõe-se a desconstruir o pensamento 
de que há uma fórmula para o pesquisador produzir conhecimento. Em ra-
zão disso, conforme explica Durão (2015, p. 380), “[...] falar de metodologia 
dos estudos literários tem como pré-condição incontornável criticar o de-
sejo de reificar a metodologia como um fim em si”. A pesquisa busca ainda 
enfatizar que método(s) são caminho(s) possíveis para determinado fim. No 
entanto, esses caminhos não estão prontos, antes precisam ser construídos e 
acoplados à necessidade da pesquisa. 
Por meio das considerações de Abbagnano (2007), o estudo pretende di-
ferenciar método de metodologia. Quanto ao primeiro termo, método, o 
autor ressalta que “Este termo tem dois significados fundamentais[...]”, o 
primeiro refere-se a “[...] qualquer pesquisa ou orientação de pesquisa”, já o 
segundo diz respeito a “[...] uma técnica particular de pesquisa” (ABBAG-
NANO, 2007, p. 668). Abbagnano (2007, p. 669) afirma ainda que 
6
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No primeiro significado, não se distingue ‘investigação’ ou 
‘doutrina’, entretanto [...] O segundo significado é mais res-
trito e indica um procedimento de investigação organizado, 
repetível e autocorrigível que garanta a obtenção de resultados 
válidos. 
Com relação ao aspecto conceitual relativo à metodologia Abbagnano 
(2007, p. 669) salienta que “Com este termo podem ser designadas quatro 
coisas diferentes”. Em sua enumeração o autor nos apresenta a seguinte se-
quência: 1) “[...] a lógica ou parte da lógica que estuda os métodos”, 2) “ 
alógica transcendental aplicada”, 3) “[...] a conjunto de procedimentos me-
todológicos de uma ou mais ciências” e 4) “[...] a análise filosófica de tais 
procedimentos” (ABBAGNANO, 2007, p. 669).
O método assim como o objeto literário estão sempre abertos. Afirmo 
valendo-me da analogia: se a obra é aberta, tal como postula Eco, o método 
também o é, pois se há um leitor-modelo preparado para preencher as lacu-
nas de interpretação da obra, há de se construir também a ideia de pesqui-
sador-modelo; aquele que conscientemente constrói ou escolhe o método 
mais adequado a sua pesquisa, – antes precisa ficar claro que o caminho é 
construído, jamais fabricado, uma forma de validar esse pressuposto é re-
correndo a pesquisa “A personagem do romance brasileiro contemporâneo: 
1990-2004”, de Dalcastagnè (2005, p. 28), na parte “Discurso sobre o méto-
do” em que a pesquisadora assim se posiciona acerca da escolha do método:
Os estudos literários são, em geral, avessos aos métodos quan-
titativos, que parecem inconciliáveis com o caráter único de 
cada obra. Tal singularidade, porém, não é privilégio da litera-
tura: é algo comum aos diversos fenômenos sociais. Ainda as-
sim, o tratamento estatístico permite iluminar regularidades e 
proporciona dados mais rigorosos, evitando o impressionismo 
que, facilmente contestável por um impressionismo em dire-
ção contrária, impede que se estabeleçam bases sólidas para a 
discussão.
83
Conforme as palavras de Dalcastagnè (2005) percebe-se que o método é 
formulado conforme as necessidades da pesquisa.
Em Literatura, um caminho amplamente recorrido por pesquisadores é 
o método Fortuna Crítica: 
Alguns mecanismos para a pesquisa literária mais precisos de 
serem acionados são, por certo, a Fortuna Crítica e o Estado da 
Arte. Por isso são recorridos com frequência e aliados a outros 
métodos conforme o tema/sujeito da pesquisa (informação 
verbal)5.
Em relação ao primeiro mecanismo pode-se dizer que este consiste em 
acervo de críticas acerca de determinado a) autor(a); b) obra; e c) tema/
assunto. Em nossa discussão problematizamos a respeito da fortuna crítica 
enquanto método para a pesquisa em Literatura. Deste modo, o intuito deste 
estudo será sugerir perspectivas para que futuros pesquisadores tenham um 
direcionamento quando recorrerem à fortuna crítica em suas pesquisas no 
âmbito dos estudos literários. 
Um caminho para a construção do método fortuna crítica é sugerido por 
Lima (2012), em sua dissertação intitulada Thiago de Mello: uma fortuna crí-
tica (1951 a 1960). Em sua abordagem, a autora argumenta que o primeiro 
passo para a construção do método em questão é realizar as “[...] leituras 
das obras de fortuna crítica.” (LIMA, 2012, p. 33). Entendo que Lima recorre 
a este caminho na tentativa de “compreender os critérios de organização 
e seleção” do referido método. Parafraseando

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