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METODOLOGIA DA PESQUISA EM ESTUDOS LITERÁRIOS

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o seu discurso aponto como 
possibilidade aos pesquisadores que recorram às contribuições dos traba-
lhos de dissertações e teses no intuito de construir seu próprio método de 
fortuna crítica.
Outra perspectiva, também adotada por Lima (2012) é a demarcação 
temporal. Nesse sentido, é aconselhável que se utilize desta abordagem em 
5 Optamos por transcrever as palavras da profa Cássia Maria Bezerra do Nascimento em 
uma das aulas de Metodologia da Pesquisa – Estudos Literários, no Mestrado – PPGL/
UFAM, em Manaus, em 2017.
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caso de vasta bibliografia do autor-obra-assunto pesquisado. Dito de outro 
modo, para que o trabalho não seja inviável, é sugerível que se faça uma 
pesquisa diacrônica tal como proposto por Lima (2012) ao explorar o que 
se produziu em se tratando de Thiago de Mello no decurso de nove anos de 
(1951 a 1960).
Essa perspectiva pode ser aplicada também ao acervo de críticas acerca 
de Astrid Cabral; uma vez que cabe ao analista conduzir sua investigação 
focalizando as críticas de modo geral direcionadas a(o) autor(a) em análise, 
a uma obra deste autor/a ou a um tema/assunto específico. 
Caso semelhante ao de Lima (2012) foi realizado por Souza (2016, p. 8) 
em sua dissertação Chuva branca: rastreando a biblioteca amazônica em um 
romance de Paulo Jacob, pesquisa em que o autor se ateve em “[...] rastrear a 
biblioteca amazônica que teria exercido poder de modelização sobre a escri-
tura de Chuva branca”.
Na tabela abaixo, apresento alguns procedimentos que podem ser utiliza-
dos por aqueles que se propuserem a examinar a fortuna crítica de autores 
em seus respectivos estudos.
Tabela 1 - Método de estudo Fortuna Crítica em Machado de Assis
 Alguns procedimentos necessários à pesquisa em Fortuna Crítica:
a) perquirir estudos anteriores (livros, Teses e Dissertações) que se 
 utilizaram do método;
b) verificar se há pesquisas em nível internacional, tal como os estudos afro-luso 
brasileiros (Mia Couto, Fernando Pessoa, Maria Tereza Horta);
c) delimitar o escopo que sua pesquisa em fortuna crítica irá seguir - (autor(a), obra ou 
temática);
d) consultar as referências indicadas em livros, revistas, ensaios, artigos etc;
e) demarcar o período de investigação;
f) consulta à filmografia disponível.
Fonte: O autor (2017).
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Em relação à fortuna crítica de obra específica encontra-se estudos em 
torno da recepção crítica dos seguintes livros: Macunaíma, Dom Casmurro 
e Relato de um certo Oriente.
Quanto a Dom Casmurro, de Machado de Assis, sugiro o método expli-
citado na figura abaixo.
Figura 1 - Método de estudo Fortuna Crítica em Machado de Assis
Fonte: O autor (2017).
Sobre o aspecto acima apontado, lembro as palavras de Ramos Jr. (2005, 
p. 126) que, ao discorrer acerca da rapsódia andradina, em seu artigo A for-
tuna crítica de Macunaíma, imprime o seguinte comentário:
Quanto à recepção crítica, não é de hoje, que Macunaíma é 
obra reconhecida como um dos pontos mais altos da prosa de 
ficção brasileira. O enorme prestígio atual da rapsódia, porém, 
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é marcado por uma trajetória acidentada, que pode ser dividi-
da em duas fases.
Como apontado no texto de Pontes Jr. (2005), há trabalhos que no âmbito 
dos estudos de fortuna crítica enfocam à recepção crítica de obra. O caso 
da fortuna crítica de Macunaíma é peculiar, pois como afirma o teórico, a 
recepção crítica deste livro foi marcada por uma trajetória acidentada.
Ainda no tocante a esse aspecto, recorro ao trabalho de Silva (2010) em 
torno da recepção crítica de Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum. 
Em sua pesquisa a autora pôde:
[...] constatar as abordagens e temáticas já suscitadas e dis-
cutidas nas diversas análises da produção literária hatounia-
na – sobretudo Relato de um certo Oriente, que completa seu 
vigésimo aniversário em 2009 – foi possível constatar uma 
recepção crítica bastante favorável à obra de Hatoum, o que 
ratifica, juntamente com os prêmios recebidos e a aceitação do 
público, sua qualidade literária. (SILVA, 2010, p. 120).
Nos estudos de fortuna crítica de um(a) autor(a): há diversos trabalhos 
disponíveis para consulta em sites especializados6, cartas, resenhas, cartazes, 
convites, jornais, revistas, ensaios, prefácios, posfácios, livros, teses e disser-
tações; outra maneira de se verificar a aceitação de uma obra é por meio de 
suas premiações, tal como constata a pesquisadora quando fala do caso de 
Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum.
No bojo dos estudos epistemológicos em fortuna crítica há trabalhos que 
se debruçam em eixos temáticos de um determinado autor/a ou obra. Den-
tre esses trabalhos cito “Clarice Lispector e a crítica” cuja autoria é atribuída 
à Bailey (2006, p. 8, grifo nosso), cuja pesquisa argumenta que:
6 Sugere-se a consulta ao site http://www.elfikurten.com.br/; “O  Templo Cultural Delfos  é um  
Repositório Digital de conteúdos culturais, educacionais, artísticos e científicos. Já é considerado por 
muitos uma das maiores referências biobibliográficas de autores literários de língua portuguesa”.
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[...] a vasta e sempre crescente fortuna crítica da autora tem se 
centrado em três pontos principais de análise: 1) a dimensão 
filosófica-existencial da obra; 2) a construção formal e 3) o estilo 
narrativo, ambos considerados singulares e idiossincráticos; a 
questão do feminino, suas personagens mulheres e o caráter 
feminista explícito ou implícito dos textos.
 
 Figura 2 - Método de estudo Fortuna Crítica em Milton Hatoum
 Fonte: O autor (2017).
No fragmento de texto acima a autora apresenta alguns dos eixos temáti-
cos em que se desdobra a fortuna crítica de Clarice Lispector. Em sua apre-
sentação Bailey (2006) afirma haver três aspectos recorrentes na fortuna crí-
tica clariceana, esses pontos são a dimensão filosófica-existencial da obra, a 
construção formal e o estilo narrativo.
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6.2 Palavras finais
Falar de fortuna crítica é discorrer sobre um método bastante difundido 
no âmbito dos estudos literários. No entanto, há de se verificar que mesmo 
sendo recorrente nos estudos em literatura, pouco ou quase nada se fala 
acerca de fortuna crítica. O método fortuna crítica é por certo um dos re-
cursos mais importantes para consolidar um autor, uma obra ou até mesmo 
para verificar um tema que você tem interesse em pesquisar.
Também é um viés constantemente utilizado por pesquisadores quando 
no processo de elaboração de suas pesquisas. Deste modo, a fortuna crítica, 
serve para que verifiquemos o que já foi dito sobre determinado autor, obra 
ou assunto. Como acervo de críticas, a fortuna crítica direciona o futuro 
pesquisador em qual caminho deve seguir.
Em razão disso pensar a fortuna crítica por um viés epistemológico é 
atribuir a este método de pesquisa em literatura o caráter científico que lhe 
é inerente. É validar enquanto caminho para pesquisa no âmbito dos estu-
dos literários. Por tudo isso, o estudo buscou mostrar brevemente alguns 
caminhos para a pesquisa em fortuna crítica, portanto o intuito deste texto 
foi sugerir metodologias e algumas etapas para que você, enquanto pesqui-
sador, possa se guiar; claro que há outros caminhos, muitos até, no entanto 
nos limites destas páginas você encontrará um breve roteiro para que possa 
trilhar e/ou criar seus próprios caminhos quando necessário.
Referências
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. Tradução Ivone Castilho Benedetti. 5. ed. 
São Paulo: Martins Fontes, 2007.
BAILEY, Cristina Ferreira-Pinto. Clarice Lispector e a crítica. [S.l.], ago. 2006. Disponível 
em: < http://www.hispanic.pitt.edu/iili/IntroLispector.pdf >. Acesso em: 2007.
DALCASTAGNÈ, Regina. A personagem do romance brasileiro contemporâneo: 1990-
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2004. Revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea,

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