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METODOLOGIA DA PESQUISA EM ESTUDOS LITERÁRIOS

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de leitura. 2. ed. Maringá: 
EDUEM, 2012.
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Valer, 2009.
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METODOLOGIA PARA ESTUDO DO COTIDIANO
Hervelyn Tayane dos Santos Ferreira
8.1 Belo e beleza em arte
Para se compreender o cotidiano, é necessário que se comece fazendo a 
revisão estética sobre os conceitos de Belo e Beleza em arte. Os autores da 
Teoria do Cotidiano explicitam que o mesmo surge a partir do misto entre 
degradação e progresso da beleza da cidade, assim como Ernesto Penafort 
também chamou atenção do leitor para a beleza da vida por meio da arte. 
Nunes (2003) em Introdução à Filosofia da Arte, cita que a Beleza, para os 
filósofos medievais, pertencia somente a Deus, era luz superior, a verdade 
divina nas coisas, porque essa relação com o alto fazia-se sensível aos olhos 
do espírito. Nesta época, a relação entre a Beleza e as artes era considerada 
acidental e não essencial.
No movimento renascentista, deu-se a união da Beleza com o fator essen-
cial, e a essa ideia se acrescentou a imagem natureza para mostrar o sentido 
e a fonte do belo que o artista comprova com suas produções. Abad Du 
Bos via no deleite do espírito o efeito essencial do belo. Prazer do espírito, 
levando em consideração as coisas naturais que agradam ou desagradam. 
Ao se julgar algo segundo o que agrada ou não é que se sente o que é belo, 
é o deleite dos gostos e juízos, que surge a partir das impressões recebidas, 
que acompanham formas, particularidades ou relações da matéria, captados 
pelos sentidos.
Segundo esse pensamento, tudo o que causa satisfação é Belo, está na di-
mensão da Beleza, dimensão que se abre ao espírito através da sensibilidade. 
Em grego, a palavra aisthesis, de onde derivou estética, significa o que se 
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relaciona com a sensibilidade, e a estética estuda o Belo. No sentido estético, 
o Belo é a qualidade de alguns elementos em estado de pureza, como sons 
e cores agradáveis, das formas abstratas, ou seja, toda relação harmoniosa, 
aquilo que agrada ver e ouvir, a noção de Beleza participa da inteligência e 
sensibilidade e afeta de certa forma a alma.
A arte é a disposição que habilita o sujeito a fazer uma determinada coi-
sa, orientado por seu conhecimento prévio do que quer fazer ou produzir. 
Aristóteles explicita que artístico é pensar e realizar de acordo com o que foi 
pensado. Conforme se sabe, este filósofo considera artes imitativas a pintu-
ra, escultura, poesia e música, entendeu que a (mimese) imitação da realida-
de humana é comum nas artes. 
O poeta é imitador, como o pintor ou qualquer outro imaginá-
rio; por isso, sua imitação incidirá num destes três objetos: coi-
sas quais eram ou quais são, quais os outros dizem que são ou 
quais parecem, ou quais deveriam ser. (ARISTÓTELES apud 
CARVALHO, 1932, p. 105). 
Do ponto de vista platônico, a poesia, de todas as artes é a que mais se 
alia à inteligência e a que mais se aproxima da atividade teórica do espírito, 
um exemplo disso são os artesãos e os pintores que fazem suas produções 
manuais, utilizando a matéria, seus trabalhos limitam-se apenas a imitar as 
aparências das coisas e acabam não ultrapassando a esfera da beleza sensível. 
Enquanto a poesia imita a beleza superior sem conhecê-la verdadeiramente, 
pois tal conhecimento está reservado ao pensamento.
8.2 A imagem poética no cotidiano
A respeito da imagem poética no cotidiano, Gaston Bachelard demonstra 
que a mesma é linguagem e sentido, assim como podemos verificar no êx-
tase da novidade da imagem na temática do cotidiano ou até mesmo dentro 
da modernidade que a cotidianidade traz consigo. Em A Poética do Espaço, 
diz que não há passado para o ato poético, pois a imagem poética não pro-
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vém de um passado, mas do próprio ser, por isso possui dinâmica própria. 
Sua proposta, vinculada à fenomenologia, constitui-se em uma forma de 
entendimento da realidade que teve suas principais ideias desenvolvidas por 
Edmund Husserl. A palavra fenômeno em grego significa “o que aparece”, e 
a fenomenologia trata do objeto do conhecimento, a maneira como se apre-
sentam à consciência; trabalha com a noção de intencionalidade e afirma 
que toda consciência é intencional. De acordo com a pesquisadora Aranha 
(1993, p. 123):
A fenomenologia tem como preocupação central a descrição 
da realidade, colocando como ponto de partida de sua reflexão 
o próprio homem, num esforço de encontrar o que realmente 
é dado na experiência, e descrevendo ‘o que se passa’ efetiva-
mente do ponto de vista daquele que vive uma determinada 
situação concreta. Nesse sentido, a fenomenologia é uma filo-
sofia da vivência. 
Segundo a autora, a imagem surge no consciente como produto direto 
do coração, da alma, do ser, por isso a importância de estudar os fenôme-
nos da imagem poética em seus diferentes modos. Para Bachelard, espírito e 
alma possuem significados diferentes. A palavra alma é considerada imortal 
e pode envolver todo o poema, pois uma imagem poética afirma a consciên-
cia da alma, uma energia estável, enquanto a imagem associada ao espírito 
é mais intencional, delimitada. Com essa diferenciação, ele quer dizer que 
não é a percepção ou a cultura que preparam a imagem poética e que a per-
cepção da imagem de um poema se dá através de dois eixos de análise feno-
menológica: um que leva às exuberâncias do espírito e outro que conduz às 
profundezas da alma.
Em outro texto que também trata a respeito da imagem poética, Imagi-
nação Material e a Imaginação Falada, escreve que primeiramente se vê o 
objeto e depois se imagina o objeto, desta forma acontece a associação dos 
fragmentos das lembranças do real que foi vivido e do real percebido. Para a 
imagem percebida e a imagem criada existem funções psíquicas diferentes, 
pois a imaginação reprodutora está ligada à percepção e à memória. A ima-
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gem criada liga-se à função do irreal e é chamada de devaneio. A imagem 
tem duas realidades: psíquica e física. Para ele, a literatura e a poesia têm 
como função transcender o irreal, sempre surpreender, readquirir a anima-
ção de uma linguagem, pois uma imagem literária diz que uma obra nunca 
será imaginada da mesma maneira duas vezes.
8.2.1 A imaginação segundo os quatro elementos da natureza
Em Imaginação e Matéria, Bachelard (1989) aborda a ideia de que o reino 
da imaginação é estabelecido pela lei dos quatro elementos: fogo, ar, água ou 
a terra. Neste contexto, é necessário que um devaneio encontre um elemento 
material que lhe dê sua própria substância, e, ao estudá-las, são observadas 
as forças de imaginação completamente naturais. Os sonhos estão sob a de-
pendência dos quatro elementos e, ao lado da psicanálise, formam, segundo 
o autor, a psicofísica e a psicoquímica dos sonhos.
Sugere que o fogo é um tipo de devaneio masculino, firme, forte, que 
comanda as crenças, as paixões, o ideal, a filosofia de toda a vida, enquanto 
a água é um elemento mais feminino e mais uniforme, simboliza as forças 
humanas mais escondidas e mais simples. A água é o elemento transitório, 
contudo, traz o sentido de continuidade pelo seu curso horizontal. A sime-
tria da água traz o conhecimento

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