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Professores improvisados em várias áreas do conhecimento por falta de licenciados na disciplina, ou licenciandos em curso. - Pouca procura por curso de nível superior para a área de formação docente, principalmente em áreas como matemática e física. Nessas, a taxa de não conclusão chega a 70%. - Anos finais do ensino fundamental e ensino médio possuem a situação ainda mais crítica. De acordo com estudo de 2013, apenas parte dos professores desses segmentos possuía formação na disciplina que lecionava. - É preciso tornar os cursos de licenciatura mais atrativos e também é preciso valorizar mais esses cursos, pois muitas vezes são vistos como curso fácil, curso esquecido, não valorizado na universidade etc. Ausência de uma política nacional específica, articulada, dirigida à melhor qualifi cação da formação inicial de professores, em qualquer modalidade - Consolidação de normas existentes e vigentes, as quais foram sendo elaboradas em vários tempos e sob variadas pressões, e que se encontram dispersas em leis, resoluções, portarias, pareceres, documentos orientadores etc. - considera-se importante que o projeto formativo nas IES reflita a especificidade da formação docente e assegure a organicidade ao trabalho das diferentes unidades que concorrem para essa formação, bem como a articulação entre teoria e prática e entre formação inicial e continuada; que se reconheça a escola como espaço necessário de formação inicial e continuada; e que sejam levados em contaos saberes da experiência docente. - Porém o que se coloca nos documentos norteadores acaba sendo do conhecimento de poucos; não há uma apropriação coletiva dos princípios assumidos, não há esforços governamentais, institucionais e nos cursos para tanto. As ações decorrentes, políticas e estruturas institucionais e curriculares acabam por se fazer no bojo de uma tradição acadêmica instalada e reificada, ou de interesses locais, dentro dos quais os profissionais do ensino superior são absorvidos. Diretrizes Curriculares Nacionais de cada curso de licenciatura mantendo a tradição do foco disciplinar, com vaga referência à formação de professores, e muitas delas tratando praticamente apenas dos bacharelados - Conceber licenciatura como curso de graduação pleno, com características particulares, específicas, em um ambiente coletivo em que formar professor “é menor”, um ambiente em que existem dificuldades epistemológicas para escolher o que é necessário um professor saber para iniciar seu trabalho na educação básica – saberes disciplinares, saberes pedagógicos, saberes culturais – acabou por gerar arranjos que evidenciam a valorização apenas da formação disciplinar de modo indiscriminado. - A relação licenciatura versus bacharelado está mal resolvida - Os cursos de licenciatura ainda são muito vistos como uma extensão do bacharelado. “Não se pensa” no curso de licenciatura “sozinho”. O curso de licenciatura acaba “tendo que” seguir as mesmas “regras” dos cursos de bacharelado. Estruturas curriculares fragmentadas, sem disciplinas articuladoras, com ementas genéricas quanto aos saberes pedagógicos, e com visível abreviação da formação - Os estudos mostram que os currículos oferecidos pelas IES estão longe de realizar na prática o conceito de que um curso de formação de professores deve ter uma identidade própria quanto a estrutura. As práticas devem ser postas em articulação com fundamentos e conteúdos específicos, devendo estar presentes desde o início do curso e permear toda a formação do professor. - Há maior preocupação na parte específica dos cursos de licenciatura. Os assuntos mais gerais, como prática de ensino, didática, questões da escola, aprendizagem, etc acabam entrando em uma pequena parte do currículo. - Teorias e práticas não se mostram integradas nos cursos de licenciatura. - A formação quanto aos fundamentos e práticas da alfabetização e iniciação à matemática, ciências naturais e humanas é precária, como também é precária a formação para o trabalho docente na educação infantil e para os anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. - Essa formação panorâmica, fragmentada e reduzida é suficiente para formar um professor hoje? Estágios curriculares sem projetos e apoios institucionais e com acompanhamento e avaliação precários - O estágio deveria ser espaços onde teorias e práticas se interconectam com os contextos de escolas, mas não é isso o que acontece. - Observação passiva de salas de aula. A conversão em ritmo acelerado da oferta de cursos presenciais em cursos a distância e o excesso desnecessário de instituições que oferecem esses cursos nessa modalidade. - Muitas instituições de EaD quando algumas poucas, bem estruturadas, poderiam dar conta - O percentual de matrículas em cursos de licenciatura EaD é bem maior que o percentual em cursos de licenciatura presencial. - Os cursos de licenciatura EaD muitas vezes não utilizam da vantagem tecnológica. Acabam repetindo o modelo e estrutura de um curso presencial, mas à distância. - O lema “no seu tempo” não é muito bem seguido, uma vez que os cursos abrem para turmas fechadas. Questões levantadas quanto ao pouco preparo de docentes das IES para atuar na formação de professores. - Muitos professores, principalmente em universidades públicas, não são contratados para dar aula. Destacam-se no meio acadêmico, mas “têm que” dar aulas e acabam evidenciando o despreparo. - Esses professores não foram preparados para dar aula, muito menos para um curso de formação de professores. - Alguns desses professores acabam se tornando exemplos de como não dar aula. Há características socioeducacionais e culturais dos estudantes que procuram os cursos de licenciatura que merecem ser consideradas para sua melhor formação e permanência no curso. - Os alunos dos cursos de licenciatura e pedagogia costumam ter um perfil diferente. - Muitos alunos possuem um nível socioeconômico baixo. - Parentes com pouca escolaridade - Os alunos desses cursos costumam não estar na chamada “faixa etária ideal”, que é dos 18 aos 24 anos. Costumam ser alunos mais velhos. - Tudo isso deveria ser levado em conta na hora de estruturar um curso de licenciatura ou pedagogia e muitas vezes não é. Valorização e condição do trabalho docente. - problemas em relação ao reconhecimento de sua autoridade pelos pais e pelos alunos - ter deixado de ser referência na comunidade; - lidar com mais dificuldade com questões de indisciplina na sala de aula - passar a ser alvo de críticas vindas dos mais variados setores da sociedade - Salários não são atraentes, comparados aos do ensino superior - ausência de planos estruturados de modo a oferecer horizontes promissores aos professores - falta de perfil profissional claro - remuneração e carreira dos professores não correspondem à formação exigida e nem às responsabilidades sociais implicadas em seu trabalho Concurso público como forma de ingresso na carreira - LDB/96 dizia que apenas professores com formação em ensino superior poderia dar aula. - Isso acabou não acontecendo. Por falta de interesse ou por falta de qualidade. - Resultado: Em 2006, 6,45% dos docentes da educação básica não tinham essa formação em ensino superior. Jornada de trabalho e implicações no trabalho docente - Salário baixo implica em aumento da jornada de trabalho. - Maior jornada implica na maior possibilidade de adoecimento do professor e um exercício docente aquém do potencial do profissional, como consequência do excesso de trabalho. Formação continuada - quase totalidade dos planos de carreira analisados contemplam licença com ou sem remuneração para atividades de formação continuada. - há uma série de condicionantes para a liberação do professor para a realização de curso de pós- graduação stricto sensu, por exemplo. - difícil tarefa de continuaros estudos sem afastamento das atividades profissionais. - necessidade de avanços na efetivação da maioria dos professores; no estabelecimento de uma jornada de tempo integral numa única escola, com um terço destinado às atividades de apoio à docência; na definição de progressão que estimule a permanência do professor na rede de ensino; na avaliação de desempenho que contribua para promover a qualidade do trabalho do professor; e na regulamentação de licenças que permitam a formação continuada, rumo à configuração de uma carreira docente que favoreça a necessária valorização política e social da profissão docente.