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Os princípios do texto jornalístico[5]

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Os Princípios do texto jornalístico
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As características do discurso jornalístico impõem o domínio da língua e da sua gramática, bem como das técnicas de redação. 
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 Podem existir jornalistas extraordinariamente bons para recolher informação e muito maus para enunciá-la.
 
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Um jornalista que não saiba redigir com qualidade será sempre um jornalista incompleto, estigmatizado. 
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 Dominar a língua escrita passa por um estudo apurado. Passa também pela prática. É preciso escrever, escrever muito. E passa também pela leitura. 
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 Escrever sobre o que se sabe e contar bem o que há para contar representam, em última análise, os principais ingredientes da enunciação jornalística. 
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Princípio da correção 
Um texto jornalístico deve respeitar as regras gramaticais. E deve, igualmente, obedecer às normas de estilo em vigor no jornal. Mas, acima de tudo, deve ajustar-se à realidade, contando bem o que há para contar, com intenção de verdade.
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O grande título. 
Um é o retrato de boa parte do noticiário dos nossos meios de comunicação:
** "Italianos e portugueses brigariam por jogador do Grêmio"
Afinal, brigam ou não brigam? Qual é a notícia?
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Como...
Esta é do site noticioso, numa cidade paulista das mais importantes:
(...) Dezembargador Relator"
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Princípio da clareza 
Um texto jornalístico tem de ser construído e organizado de maneira a ser facilmente compreendido, sem dúvidas ou ambiguidades.
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“Estagiário de advogado diz que ativista afirmou que homem que acendeu rojão era ligado ao deputado estadual Marcelo Freixo”
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De um grande portal da internet:
** "Alemão abastece carro pelado em protesto por preço do combustível"
Veja como é o Primeiro Mundo: lá andam até vestindo e despindo o carro!
 
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Princípio da sedução 
Um texto jornalístico deve ser cativante e agradável. Deve ter vivacidade e ritmo. A sua leitura deve proporcionar prazer e gratificação.
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Exemplo
“Esta sentença tem cinco palavras. Aqui estão mais cinco palavras. Sentenças com cinco palavras funcionam. Mas várias consecutivas trazem monotonia. Ouçam o que está acontecendo. A escrita está ficando entediante. Seu som vira um zumbido. É como um disco quebrado. Os ouvidos exigem alguma variação. Agora escute. Alterando a duração da sentença, eu crio música. Música. A escrita canta. Ela ganha um ritmo prazeroso, uma melodia, uma harmonia. Eu uso sentenças curtas. E então uso sentenças de extensão mediana. E às vezes, quando estou seguro de que o leitor está descansado, eu o envolvo em uma sentença de considerável extensão, uma sentença que ganha força com o ímpeto de um crescendo, como o rufar de tambores. A explosão dos pratos de uma bateria – um som que diz: ‘ouça isto, é importante”.
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Princípio da funcionalidade
Um texto jornalístico necessita de se adaptar às necessidades do jornal ou revista. Se apenas pode ter dois mil caracteres, o jornalista deve respeitar este espaço. Se for necessário, um texto jornalístico deve estar escrito de maneira a poder ser amputado de algumas partes, nomeadamente do final, sem que se perca nem a informação principal nem a lógica enunciativa.
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Princípio da concisão
Um texto jornalístico não pode ser prolixo. Pelo contrário, deve ser econômico. “Escrever é cortar palavras” é uma máxima a respeitar.
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Vejamos três exemplos retirados de bons jornais:
1. “A largada da maratona será no Leme. A chegada acontecerá no mesmo local da partida.”
Cá entre nós, bastava ter escrito: “A largada e a chegada da maratona serão no Leme.”
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2. “O procurador encaminhou ofício à área criminal da Procuradoria determinando que seja investigado…”
Sendo direto: “O procurador mandou investigar”.
3. “A posição do Governo brasileiro é de que esgotem todas as possibilidades de negociação para que se alcance uma solução pacífica.”
Enxugando a frase: “O Brasil é a favor de uma solução pacífica”.
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"Berlim tem dois rostos. Durante o dia inteiro, o que se vê pelas ruas são os velhos. A partir de oito da noite, os velhos desaparecem e surgem os jovens, tomando conta de tudo. A cidade se recicla a cada dia. Até mesmo nos cafés e restaurantes, muda-se a forma de atendimento. À tarde, é comum os garçons serem pessoas de meia-idade. À noite, o serviço geralmente é feito por universitários. Aliás, é bem maior o número de mulheres nesses serviços, que de homens." 
Ignácio de Loyola Brandão, trecho extraído do livro O Verde Violentou o Muro.
 
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Princípio da precisão
Cada palavra deve ser escolhida de acordo com o seu valor semântico. As fontes devem ser claramente identificadas, exceto se necessitarem de anonimato, e desde que se respeitem as regras em vigor no jornal. Os acontecimentos e as ideias devem ser descritos com pormenor, mas sem chegar ao irrelevante.
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Navegar é preciso, viver não é preciso.
O sapo não pula por boniteza, mas por precisão.
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Princípio da simplicidade
 A linguagem do texto jornalístico deve ser simples. Isto significa, por exemplo, que entre sinônimos deve preferir-se o mais comum e que as frases devem respeitar a ordem sujeito - predicado – complemento.
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 Princípio da eficácia 
Um texto jornalístico deve construir-se de maneira a que o essencial seja imediatamente apreendido.
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Princípio da coordenação
Um texto jornalístico deve ser encadeado, lógico, conduzido, ordenado. A informação deve ser exposta por etapas, em blocos articulados e bem definidos.
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Princípio do interesse 
Não se pode dar apenas informação importante. Há que dar também informação interessante. E há também que tornar interessante a informação importante, mesmo aquela que seja árida pela sua própria natureza.
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 Princípio da hierarquização 
Geralmente, a informação jornalística deve ser hierarquizada. A hierarquização das informações que se pretendem dar ao longo da peça ajuda a estruturar o texto. As informações hierarquicamente mais importantes podem abrir a matéria, serem remetidas para o final ou ainda serem posicionadas estrategicamente ao longo da matéria.
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