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Cariologia – Camilla Peixoto – Odontologia UnB – Turma 74 1 CARIOLOGIA – ETIOPATOGENIA DA CÁRIE DENTÁRIA Estudos têm mostrado que a cárie dentária é a doença mais prevalente no mundo, cerca de 35% da população mundial (3,9 bilhões de pessoas) possuem cárie dental não tratada. Como ocorreu a evolução do entendimento da etipatogenia da cárie? Antoni van Leeuwenhoek (1683) – com um palito de dente, retirou a sujeira presente na superfície dental e observou no microscópio, chamou os seres vivos observados de animalículos. Miller (1890) – desenvolveu a teoria quimioparasitária (placa não especifica) afirmando que diversos microrganismos presentes na boca eram capazes de produzir ácidos através da fermentação de açúcares presentes em alguns alimentos e que esses dissolviam os cristais de hidroxiapatita presentes nos dentes. *PRIMEIRO CONCEITO DE CÁRIE DENTÁRIA* Black (1908) – foi o primeiro a determinar uma forma de tratamento para cárie, através do controle da placa bacteriana, removendo sítios sucetíveis à cárie e usando a extensão para prevenção (restaurações extensas). 1920/1924 – ocorre a primeira associação de dois microrganismos importantes com desenvolvimento de cárie : Streptococcus Mutans e Lactobacilus. 1942 – descoberta da relação inversa entre flúor e cárie nos USA. Quanto maior o aparecimento de fluorose, menor a ocorrência de cárie dentária. 1944 – desenvolvimento de formas para entender de como a fermentação dos açúcares pode causar variações do pH bucal : curva de Stephan. 1954 – Estudo de Vipeholm : foi um estudo desenvolvido em humanos, num hospital psiquiátrico da Suécia, entre os anos de 1945 e 1953, onde se desenvolveu cárie nos pacientes. Foi de suma importância para os estudos sobre cárie dentária. Keyes (1960) – realizou estudos em animais e determinou o conceito de cárie dentária : intelecção entre substrato, dieta e microrganismos específicos (odontopatógenos) resulta no desenvolvimento da doença. TRÍADE DE KEYES : cárie é uma doença infecciosa, transmissível e multifatorial. Cariologia – Camilla Peixoto – Odontologia UnB – Turma 74 2 1990 – criação de um novo diagrama pelos autores Fejerskov e Manji, para demonstrar os fatores determinantes (círculo interno) e modificadores (círculo externo) da doença cárie : O QUE É UM DOENÇA INFECCIOSA ? São doenças dependentes de um microrganismo, ou seja, apenas um microrganismo especifico pode causar uma doença específica. O QUE É UMA DOENÇA TRANSMISSÍVEL ? São doenças em que um indivíduo afetado entra em contato com um indivíduo saudável, que por sua vez, entra em contato com o agente causador da doença e obrigatoriamente fica doente. O QUE É UMA DOENÇA MULTIFATORIAL ? Doenças causadas e moduladas por diversos fatores (genética, ambiente, condições financeiras, predisposição etc) Caulfield (2005) – CÁRIE : DOENÇA INFECCIOSA E TRANSMISSÍVEL Se a cárie fosse uma doença infecciosa seria possível tratá-la com uma vacina ou antibióticos que eliminassem o patógeno causador da cavidade oral – portanto o conceito de que a cárie é infecciosa está ERRADO!!! Além disso, a microbiota oral é composta por diversos microrganismos além do Streptococcus Mutans (197 espécies bacterianas foram detectadas em lesões de cárie e algumas dessas não eram cultiváveis. IMPORTANTE : existem registros de lesões de cárie onde não havia presença de S. Mutans) TEORIA ECOLÓGICA DA CÁRIE (1990) Teoria atualmente mais aceita para explicar o que é a cárie dental – ocorre a presença de diversos organismos no meio bucal, porém, alguns são mais sucetíveis e aparecem em maior frequência/quantidade, gerando um desequilíbrio/disbiose, que é o principal evento causador da cárie. Quando há excesso de açúcar, ocasiona-se um estresse na microbiota indígena/residente e esse estresse causa o aumento da produção de ácido pelo biofilme. Esse aumento na produção de ácidos causa a diminuição do pH, levando alguns microrganismos à morte, no entanto, aqueles que permanecem vivos são os maiores produtores de ácidos, mantendo o pH baixo por mais tempo e causando desequilíbrio no processo des-re. O consumo frequente de açúcar é o fator que faz com que o pH bucal permaneça baixo por longos períodos de tempo, favorecendo o crescimento dos microrganismos acidogênicos/acidúricos e eleminando os demais. Esse quadro caracteriza a disbiose causadora Cariologia – Camilla Peixoto – Odontologia UnB – Turma 74 3 da cárie e ocorre quando esse consumo é realizado sempre em períodos menores que 20 minutos. CONCLUSÃO : A CÁRIE NÃO É CAUSADA POR APENAS UM TIPO DE MICRORGANISMO, MAS SIM POR UM BIOFILME EM DESEQUILÍBRIO. *MICROBIOMA X MICROBIOTA* A CÁRIE É MULTIFATORIAL? Alguns pesquisadores abordam a cárie como uma doença multifatorial, no entanto, existe uma outra corrente de pensamento que acredita que a cárie é causada única e exclusivamente pelo consumo de açúcares e que os demais fatores são apenas moduladores. Não há registros de cárie em civilizações antigas, já que essas não tinham acesso a esse nutriente. Microbiota indígena : impossível eliminar Açúcar : fator externo e com possibilidade de eliminação Logo, o AÇÚCAR é a única causa da cárie dentária, pois sem esse nutriente o biofilme NÃO produz ácidos.