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Política Social e Seguridade completa

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não pos-
sam atuar nas áreas previdenciárias (previdência 
privada, por exemplo), de saúde pública (planos 
particulares) e assistência social (entidades reli-
giosas e ONGs).
Na saúde, a ação de prevenção, proteção e 
recuperação; na previdência social, a perda ou re-
dução da renda; na assistência social, a seleção, a 
prevenção e a eliminação de riscos e vulnerabili-
dades sociais (CORREIA; BACHA, 1998).
A compreensão da natureza da segurida-
de social e da instituição dos direitos sociais, no 
contexto da Constituição de 1988, assenta, desde 
logo, no princípio fundamental, instituído em seu 
pórtico (inciso III do art. 3º): 
 “Art. 3º. Constituem objetivos fundamen-
tais da República Federativa do Brasil: [...] III – er-
radicar a pobreza e a marginalização e reduzir as 
desigualdades sociais e regionais; [...]”
AtençãoAtenção
Então, qual seria a finalidade da Seguridade 
Social?
A seguridade social tem por finalidade a ga-
rantia de certos patamares mínimos de vida da 
população, em razão das reduções provocadas 
por contingências sociais e econômicas. 
Política Social e Seguridade
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Neste tópico, abordaremos os princípios da 
seguridade social e discorreremos sobre a oferta 
dos benefícios e serviços prestados. 
Para melhor compreensão, nos apoiamos 
no art. 194 da Constituição Federal de 1988: 
Art. 194. A seguridade social compreende 
um conjunto integrado de ações de ini-
ciativa dos poderes públicos e da socie-
dade, destinadas a assegurar os direitos 
relativos à saúde, à previdência e à assis-
tência social.
Parágrafo único. Compete ao poder pú-
blico, nos termos da lei, organizar a se-
guridade social, com base nos seguintes 
objetivos:
I - universalidade da cobertura e do aten-
dimento;
II - uniformidade e equivalência dos be-
nefícios e serviços às populações urbanas 
e rurais;
III - seletividade e distributividade na 
prestação dos benefícios e serviços;
IV - irredutibilidade do valor dos benefí-
cios;
V - equidade na forma de participação no 
custeio;
VI - diversidade da base de financiamen-
to;
VII - caráter democrático e descentraliza-
do da gestão administrativa, com a parti-
cipação da comunidade, em especial de 
trabalhadores, empresários e aposenta-
dos.
(CF/1988, art. 94, alterado pela Emenda 
Constitucional nº 20 de 1998).
No Brasil colonial e imperial, o trabalho (de 
tripalium, um instrumento de tortura) era um de-
ver apenas das classes subalternas, não das elites. 
Trabalhar era um sacrifício, uma atividade própria 
de servos, escravos, artesãos e trabalhadores li-
vres, mas indigna para um homem de classe. Este 
era o que tinha fazendas ou recebia uma renda ou 
pensão do rei (cortesão), que lhe permitia viver 
sem trabalho. Um homem de elite ou fidalgo era 
o que não precisava trabalhar para sustentar sua 
família e seus agregados. O direito de voto, com a 
Constituição de 1824, estava condicionado a uma 
renda anual líquida de 100 mil Reis (art. 92, inci-
so V). Hoje, o trabalho é a base da ordem social, 
constituindo um valor fundamental não somen-
te como direito, mas, sobretudo, como dever de 
todos por ser o meio legítimo de apropriação da 
riqueza socialmente produzida. Trabalhar é negar 
o ócio (negócio). 
No campo da seguridade, discriminam-se 
as necessidades sociais, que devem ser prioriza-
das na ação do Estado, seja coletivamente, por 
meio de medidas dirigidas à comunidade (pre-
venção sanitária, planos habitacionais, seguro 
AtençãoAtenção
A seguridade como viga mestra da ordem social 
é institucionalizada tendo por base o primado 
do trabalho como direito e dever de todos. Pela 
primeira vez na história constitucional brasileira, 
o trabalho, até então referido apenas como um 
direito em face do capital, foi instituído como um 
valor ético-constitucional, e não somente como 
um direito, mas igualmente como um dever de 
todos os cidadãos, posto que as condições de 
vida decorram sempre da divisão social do tra-
balho e, portanto, da dependência e da recipro-
cidade mútuas na produção dos bens e serviços. 
O primado do trabalho como base da ordem so-
cial significa que, não somente os que dependem 
dele para sobreviver, mas todos os cidadãos têm 
tal obrigação, ricos ou pobres, porque a renda que 
auferem é sempre produto do trabalho social. 
3.1 Os Princípios e as Prestações da Seguridade Social
Alberta Emilia Dolores de Goes
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social, educação, comunicação e outras), seja in-
dividualmente, por meio de prestações sociais. A 
seguridade deve promover esses objetivos (BALE-
RA, 1989) por meio de prestações que se subdivi-
dem em benefícios e serviços.
Os serviços são atividades consistentes na 
disponibilidade do uso de equipamentos e de 
recursos humanos, organizados para desenvol-
ver ações específicas a segmentos da população 
(saúde, atendimento a famílias, transporte, edu-
cação, profissionalização e outros), em vista dos 
referidos objetivos. Aqueles que usufruem dos 
serviços são denominados usuários ou utentes. 
Segundo Simões (2009), a natureza pública das 
prestações securitárias, por isso, exclui outras de-
nominações, como clientes, clientela e pacientes, 
atribuídas a seus destinatários.
A saúde se constitui basicamente de servi-
ços; a previdência, de benefícios; e a assistência, 
de ambos.
A saúde se expressa de modo absoluto, por 
se constituir em um direito de toda a população, 
inclusive dos estrangeiros no território nacional, 
sem exigência de contribuição ou outro requisito.
A previdência é relativa, porque, embora 
não seja adstrita aos assalariados, os profissionais 
de determinado ramo econômico, como ocorre 
em alguns países, é contributiva, sendo obriga-
tória para todos os que recebem remuneração a 
qualquer título, como empregados, sócios em-
presariais com pro labore, autônomos, domésti-
cos, servidores públicos; mas abrange, ainda, os 
segurados facultativos, como estudantes, donas 
de casa e contribuintes em dobro. 
A assistência social não é universal, embo-
ra não contributiva, porque restrita à população 
em situação de vulnerabilidade social, carente e/
ou pobre, em certas condições de risco pessoal 
ou social.
“O art. 194 da Constituição traça os princí-
pios institucionais por ela conceituados como 
objetivos da seguridade social, que devem ser 
atingidos por suas ações, condicionados, entre-
tanto, aos requisitos específicos de cada uma das 
três instituições.” (BALERA, 2003, p. 207).
São eles:
ƒƒ Universalidade de Cobertura e Aten-
dimento: a seguridade refere-se ao 
conjunto da sociedade, sem discrimina-
ções de qualquer tipo. A universalidade 
rege hierarquicamente os demais prin-
cípios ao garantir a todas as pessoas, 
em tese, os mínimos sociais, conside-
rada a situação social prevista. Assenta, 
por isso, na consideração dos cidadãos 
do ponto de vista da igualdade formal, 
mas pondera suas diferenças sociais 
por meio do princípio da seletividade;
ƒƒ Uniformidade e Equivalência das 
Prestações: os benefícios e serviços 
devem ser idênticos para toda a popu-
lação, sem distinção entre a urbana ou 
a rural, independentemente de residên-
cia, local de trabalho, profissão ou fun-
ção ou do valor e do tipo de prestação;
ƒƒ Seletividade e Distributividade: o 
princípio da seletividade e da distribu-
tividade é o mais complexo da seguri-
dade, porque contrapõe a ponderação 
das desigualdades reais (equidade) ao 
princípio da igualdade formal (univer-
salidade). É um instrumento essencial 
de redistribuição de renda, com desdo-
bramentos do princípio de equidade, 
segundo o qual os desiguais devem ser 
tratados desigualmente, exigindo da lei 
ordinária a discriminação das situações 
AtençãoAtenção
Então, quais seriam os benefícios