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Responsabilidade Civil e Criminal (1)

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pelo Ministério do Trabalho e da Pre-
vidência Social; 
II - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em 
função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se 
relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I.
Recomendamos a leitura do 
artigo “Acidente no trajeto até o 
trabalho é acidente de trabalho”. 
Disponível em: http://www.
conjur.com.br/2006-fev-09/
acidente_trajeto_trabalho_
acidente_trabalho.
Fonte: http://www.mte.gov.br/dados_estatisticos/anuario_trabalhadores.asp
Ano
Acidentes 
típicos
Acidentes 
de trajeto 
Doenças do 
trabalho
Total de 
acidentes
Mortes
Incapacidade 
permanente
1995 374.700 28.791 20.646 424.137 3.967 15.156
1996 325.870 34.696 34.889 395.455 4.488 18.233
1997 347.482 37.213 36.648 421.343 3.469 17.669
1998 347.738 36.114 30.489 414.341 3.793 15.923
1999 326.404 37.513 23.903 387.820 3.896 16.757
2000 304.963 39.300 19.605 363.868 3.094 15.317
2001 282.965 38.799 18.487 340.251 2.753 12.038
2002 323.879 46.881 22.311 393.071 2.968 15.259
2003 325.577 49.642 23.858 399.077 2.674 13.416
2004 371.482 59.887 27.587 458.956 2.801 12.563
2005 393.921 67.456 30.334 491.711 2.708 13.614
Quadro 23.2: Acidentes de Trabalho - Brasil 1995 - 2005 (acidentes registrados)
Responsabilidade Civil e Criminale-Tec Brasil 116
e-Tec Brasil117
(...)
§ 2º Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída 
na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições 
especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona dire-
tamente, a Previdência Social deve considerá-la acidente do trabalho.
Diniz (2003, p.116) explica que “as doenças profissionais, também deno-
minadas de ergopatias, tecnopatias ou doenças típicas, são moléstias produ-
zidas pelo exercício de atividade profissional específica”.
Como exemplo cita: a) pneumoconiose: doença dos pulmões proveniente de 
inalação habitual de partículas minerais ou metálicas como o carvão, a sílica, 
o alumínio, o ferro, etc; b) saturnismo ou plumbismo: intoxicação crônica 
pelo chumbo; c) hidrargismo: intoxicação por mercúrio (por via respiratória, 
cutânea ou digestiva).
Já as doenças do trabalho, para a mesma autora, “surgem em função das 
condições especiais, das circunstâncias em que o trabalho é desenvolvido”. 
Em resumo, são aquelas cuja origem são as condições de trabalho, tais como 
ambiente, ferramentas, etc.
Resumo
Nessa aula vimos quando se configura o acidente de trabalho, seus reflexos 
e estatísticas. Esses dados nos fizeram concluir que o técnico em segurança 
no trabalho tem a missão de evitar que sejam aumentados os registros de 
acidentes. Além disso, também estudamos o que é acidente de trajeto, e foi 
analisada a diferença entre doença profissional e doença do trabalho.
Atividades de aprendizagem
Responda às seguintes perguntas:
a) o que é acidente de trabalho?
Aula 23 - Acidentes de trabalho e doenças profissionais I
b) acidente de trajeto é considerado, pela Previdência Social, como acidente 
de trabalho? Justifique sua resposta.
Responsabilidade Civil e Criminale-Tec Brasil 118
e-Tec Brasil119
Aula 24 - Acidentes de trabalho e 
 doenças profissionais II 
Vamos imaginar que, lamentavelmente, tenha ocorrido um acidente de 
trabalho. Nesta aula veremos quais são as providências administrativas a 
serem tomadas, como funciona a garantia de emprego do acidentado e 
o que é o direito de regresso da Previdência Social.
24.1 Providências administrativas
Veja que nossa legislação (art. 169 da CLT) determina que é obrigação do 
empregador (ou seja, sua obrigação como futuro técnico em segurança no 
trabalho e preposto da empresa) a notificação às autoridades públicas de 
qualquer acidente de trabalho ou doença profissional.
Você fez de tudo para evitar, mas infelizmente ocorreu um acidente de 
trabalho. E agora? Primeiro de tudo mantenha a calma e chame um profis-
sional da área de saúde (médico, enfermeiro, etc) para o primeiro atendi-
mento.
Mas existe uma providência administrativa a ser tomada, de sua responsabi-
lidade, que é a emissão do Comunicado de Acidente do Trabalho (CAT) 
até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência. Porém, caso haja morte do 
trabalhador, a comunicação à Previdência Social deverá ser imediata.
É isso que diz o art. 22 da Lei nº. 8.213/91: “a empresa deverá comunicar o 
acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte 
ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade compe-
tente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo 
do salário-de-contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, 
aplicada e cobrada pela Previdência Social”.
O CAT é um documento pelo qual a empresa registra junto à Previdência 
Social a ocorrência do acidente, e será utilizado como base para a conces-
são e liberação de benefícios ao trabalhador junto ao INSS (como o auxílio 
acidente), e também para cômputo nas estatísticas.
Para conhecer como é o 
formulário do Comunicado de 
Acidente de Trabalho, acesse: 
http://www.previdencia.gov.
br/forms/formularios/form001.
html
Cômputo
cálculo, contagem, conta.
Você sabia?
Nos casos de doença profissional, deverá ser considerado como dia 
do acidente “a data do início da incapacidade laborativa para o 
exercício da atividade habitual, ou o dia da segregação compulsó-
ria, ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo para este 
efeito o que ocorrer primeiro”. (art. 23 da Lei nº 8.213/91).
Se a empresa não realizar tal providência, também estão autorizados a for-
malizá-lo o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical com-
petente, o médio que atendeu a vítima ou qualquer autoridade pública.
24.2 Garantia de emprego
A legislação previdenciária ainda garante ao segurado vítima de acidente de 
trabalho a garantia de seu emprego pelo prazo de 12 (doze) meses após o 
término do auxílio-doença acidentário, independentemente da percepção 
de auxílio acidente. (art. 118 da Lei nº 8.213/91 e art. 346 do Decreto nº 
3.048/99).
Obviamente que a garantia de emprego protege contra a dispensa imotiva-
da, ou sem justa causa. Ocorrendo uma das hipóteses de justa causa previs-
tas no art. 482 da CLT, a rescisão contratual é legítima.
24.3 O direito de regresso da Previdência 
 Social
A Previdência Social detém o monopólio do Seguro de Acidentes de Traba-
lho – SAT (que concede uma compensação financeira às vítimas) e também 
é o responsável pela concessão dos demais benefícios previdenciários (ex: 
auxílios, aposentadorias, pensões, etc).
Como curiosidade, o supracitado SAT é um seguro obrigatório pago pelas 
empresas cuja alíquota varia de 1% a 3% em relação à sua folha de paga-
mento, de acordo com o grau de risco de sua atividade econômica. 
Recentemente o Fator Acidentário de Prevenção – FAP teve seus critérios me-
todológicos reformulados (Resolução nº 1.308/2009, do ministro da Previ-
dência Social), fazendo com que a alíquota do SAT possa diminuir à metade, 
ou até dobrar. Para tanto, haverá uma reavaliação períódica da quantidade, 
frequência e gravidade dos acidentes, além dos custos em cada empresa. 
Responsabilidade Civil e Criminale-Tec Brasil 120
e-Tec Brasil121Aula 24 - Acidentes de trabalho e doenças profissionais II
Em resumo, a Previdência Social entende “as empresas com mais acidentes e 
acidentes mais graves passarão a contribuir com um valor maior, enquanto as 
empresas com menor acidentalidade terão uma redução no valor da contri-
buição” < http://www.previdenciasocial.gov.br/vejaNoticia.php?id=34199>.
O Decreto Federal nº 3.048/99 prevê o Direito de Regresso da Previdência 
Social contra os responsáveis “nos casos