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Responsabilidade Civil e Criminal (1)

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de negligência quanto às normas 
de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e 
coletiva” (art. 341).
Direito de Regresso é uma ação judicial em que a Previdência Social cobra o 
ressarcimento do valor despendido nos benefícios destinados a amparar o 
trabalhador que sofreu algum dano em decorrência de acidente de trabalho 
por negligência da empresa quanto às normas de saúde e segurança do 
trabalho.
Independente disso, Gonçalves (2008, p.290) explica que: “qualquer que 
seja, portanto, o grau de culpa, terá o empregador de suportar o dever in-
denizatório, segundo as regras do Direito Civil, sem qualquer compensação 
com a reparação concedida pela Previdência Social”.
Isso porque há uma Súmula (de nº 229) do Supremo Tribunal Federal enten-
dendo que “a indenização acidentária não exclui a do direito comum, em 
caso de dolo ou culpa grave do empregador”.
Resumo
Avançamos em nosso conteúdo. Nesta aula pudemos aprender quais são as 
providências administrativas a serem tomadas no caso de acidentes de traba-
lho. Também vimos quais são os prazos da garantia de emprego a que possui 
o acidentado, e descobrimos que a Previdência Social pode ajuizar uma ação 
Figura 24.1:Previdência Social
Fonte: http://www.previdencia.gov.br
cobrando as despesas das empresas, no caso de ter havido acidente de tra-
balho. Com isso é possível concluir, mais uma vez, que a responsabilidade do 
técnico em segurança do trabalho é significativa.
Atividades de aprendizagem
Como você viu, a Previdência Social alterou a alíquota SAT em 2009. Sua mis-
são é pesquisar como as empresas receberam essa modificação de critério.
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Aula 25 - Assédio sexual no trabalho 
Assediar, segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portugue-
sa, é sinônimo de insistência, de impertinência, de perseguição, ou de 
pretensão constante em relação a alguém. Nessa aula e na próxima aula 
trataremos do assunto. Hoje o dia é de analisar o assédio sexual no tra-
balho. 
25.1 Assédio sexual no trabalho
Certamente você já ouviu falar em assédio sexual no trabalho. 
Seu conceito legal pode ser encontrado no art. 216-A do Código Penal: 
“constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento 
sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou 
ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.”
Figura 25.1: Assédio Sexual no Trabalho
Fonte: http://artedocuidarnasaude.blogspot.com
Mas quando ele realmente se configura?
Para responder a essa questão, transcrevemos abaixo alguns exemplos apon-
tados por Ieeda Carolina (2011):
•	 Pedidos de favores sexuais pelo superior hierárquico com promessa de 
tratamento diferenciado em caso de aceitação;
•	 Ameaças ou atitudes concretas de represália no caso de recusa, como a 
perda do emprego ou de benefícios;
•	 Abuso verbal ou comentário sexista sobre a aparência física;
•	 Frases ofensivas ou de duplo sentido;
•	 Alusões grosseiras, humilhantes ou embaraçosas;
•	 Perguntas indiscretas sobre a vida privada do trabalhador;
•	 Elogios atrevidos;
•	 Convites insistentes para almoços ou jantares;
•	 Insinuações sexuais inconvenientes e ofensivas;
•	 Solicitação de relações íntimas ou outro tipo de conduta de natureza 
sexual, mediante promessas de benefícios e recompensas;
•	 Exibição de material pornográfico, como o envio de e-mail aos subordinados;
•	 Pedidos para que os subordinados se vistam de maneira mais provocante 
ou sensual;
•	 Apalpadelas, fricções ou beliscões deliberados e ofensivos. 
Também no mesmo sentido, o Ministério do Trabalho e Emprego (2011) 
explica que:
A abordagem, não desejada pelo outro, com intenção sexual ou insis-
tência inoportuna de alguém em posição privilegiada que usa dessa 
vantagem para obter favores sexuais de subalternos ou dependentes. 
Para sua perfeita caracterização, o constrangimento deve ser causado 
por quem se prevaleça de sua condição de superior hierárquico ou as-
cendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.
O tema já está em evidência em nosso País há vários anos. 
Em 1996 foi objeto de reportagem de capa da Revista Veja (1995), que nos 
trouxe o alarmante dado de que “uma pesquisa feita na semana passada em 
doze capitais pela Brasmarket, Análise e Investigação de Mercado, informa 
que 52% das mulheres que trabalham consideram que já foram assediadas 
sexualmente”.
Em muitas vezes, a vítima não toma providências temendo perder o empre-
go. Contudo, essa não é a melhor alternativa, visto que o assédio sexual é 
crime com pena detenção de 1 (um) a 2 (dois) anos. Ainda, se a vítima foi 
menor de 18 (dezoito) anos, a pena inicial é aumentada em até 1/3.
Resumo
Vimos nesta aula que o assédio sexual, cada vez mais frequente no ambiente 
de trabalho, é crime, e muitas vezes a vítima, por medo, não toma as provi-
dências necessárias para a responsabilização do ofensor. Esse quadro precisa 
mudar.
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e-Tec Brasil125Aula 25 - Assédio sexual no trabalho
Atividades de aprendizagem
O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, com sede no Estado do Para-
ná, publicou a decisão que abaixo transcrevemos. 
Após a leitura, discuta com seus colegas o enfoque dado, inclusive respon-
dendo quais os reflexos do assédio moral na esfera trabalhista e na esfera 
penal.
DANOS MORAIS - INDENIZAÇÃO - ASSÉDIO SEXUAL - RES-
PONSABILIDADE DO EMPREGADOR.
 O assédio sexual, como tentativa de dominação sexual da vítima, 
por chantagem ou por qualquer outro expediente que, de algu-
ma forma, importe restrição de igualdade de oportunidade ou de 
tratamento em matéria de emprego ou profissão, não se vincula 
ao tipo penal restritivo do art. 216-A do Código Penal. Para fins 
de Direito do Trabalho basta a conduta constrangedora do asse-
diador com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual 
da vítima, que cause algum temor a esta, independente daquele 
se encontrar em posição hierárquica superior. O que se busca pro-
teger é, além da liberdade sexual da vítima, também a segurança 
e a harmonia do ambiente laboral, além do dever de proteção do 
empregador em relação a seus empregados. Recurso ordinário da 
autora a que se dá provimento para deferir indenização por danos 
morais. (TRT-PR-32934-2007-009-09-00-3-ACO-23352-2010 – 2ª 
Turma. Relatora: Des. Rosalie Michaele Bacila Batista. Publicado no 
DEJT em 23-07-2010)
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e-Tec Brasil127
Aula 26 - Assédio moral no trabalho
Dando continuidade em nossos estudos sobre o assédio, hoje o tema da 
aula é o assédio moral no ambiente de trabalho.
26.1 Assédio moral
É uma situação um pouco mais sutil de ser percebida. Teixeira (2009. P.21) 
traz uma conceituação completa a respeito da matéria:
No entanto, o assédio também tem lugar através de procedimentos 
mais concretos, como, dentre outros: o rigor excessivo, confiar tarefas 
inúteis ou degradantes, desqualificação, críticas em público, isolamen-
to, inatividade forçada, ameaças, exploração de fragilidade psíquica 
e física, limitação ou coibição de qualquer inovação ou iniciativa do 
trabalhador, obrigação de realizar autocríticas em reuniões públicas, 
exposição a ridículo (impor a utilização de fantasias, sem que isso guar-
de relação com sua função; inclusão no rol de empregados de menor 
produtividade); divulgação de doenças e problemas pessoais de forma 
direta e/ou pública.
E segue apontando outros exemplos, tais como: 
Gestos, agressões verbais, comportamentos obsessivos e vexatórios, 
humilhações públicas e privadas, amedrontamento, ironias, sarcasmos, 
coações públicas, difamações, exposição ao ridículo,