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Qual a diferença entre ética e moral? A diferença entre ética e moral é que a moral refere-se ao conjunto de normas e princípios que se baseiam na cultura e nos costumes de determinado grupo social, já a ética é o estudo e reflexão sobre a moral, que nos diz como viver em sociedade. Uma maneira fácil de lembrar-se da diferença entre moral e ética é que a moral se aplica a um grupo, enquanto a ética pode ser questionada por um indivíduo. Ética Moral Definição A ética é o estudo e a refle- xão sobre a moral, das regras de condu- ta aplicadas a alguma or- ganização ou sociedade. A moral se refere às regras de conduta que são aplicados à determinado grupo, em determinada cultura. De onde vem Individual. Sistema social. Porque se- guimos Porque acreditamos que algo é certo ou errado. Porque a sociedade nos diz que é o certo. Flexibilidade A ética é normalmente consistente, embora pode mudar caso as crenças de um indivíduo mudem ou dependendo de determina- da situação. A moral tende a ser consistente dentro de um determinado contexto, sendo aplicado da mesma forma a todos. Porém, ela pode variar de acordo com cada cultura ou gru- po. Exceções Uma pessoa poderá ir con- tra sua ética para se ajustar a um determinado principio moral, como por exemplo, o código de conduta de sua profissão. Uma pessoa que segue rigorosamente os princípios morais de uma sociedade pode não ter nenhuma ética. Da mesma forma, para manter sua integridade ética, ele pode violar os princípios morais dentro de um determinado sistema de regras. Significado Ética vem da palavra grega "ethos" que significa condu- ta, modo de ser. Tem origem na palavra latina "moralis" que significa "costume". Origem Universal. Cultural. Tempo Permanente. Temporal. Uso Teórico. Prático. Exemplo João teve uma atitude an- tiética ao furar a fila do banco. No Brasil é imoral ter mais de uma esposa, enquanto em alguns países como a Nigéria é moralmente aceito. O que é Ética? A ética se refere ao conjunto de valores que guiam determinado grupo ou cultura. Sendo as- sim, ela norteia o caráter das pessoas, e como elas irão se portar no meio social. Apesar disso, a ética não deve ser confundida com a lei, pois pessoas não sofrem sansões ou penalidades do Estado por não cumprirem normas éticas. O conceito de ética também pode significar o conhecimento extraído da investigação do com- portamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional. Sendo assim, a ética pode refletir e questionar valores morais. A ética é responsável por definir certas condutas do nosso dia-a-dia, como no caso dos códi- gos de ética profissional, que indicam como um indivíduo deve se comportar no âmbito da sua profissão. O que é Moral? Moral é o conjunto de regras que orientam o comportamento do indivíduo dentro de uma socie- dade. Ela pode ser adquirida através da cultura, da educação, da tradição e do cotidiano. Tais regras norteiam os julgamentos de cada indivíduo sobre como agir, de acordo com o que foi previamente aceito como norma entre determinado grupo. Quando falamos de moral, as definições do que é certo ou errado dependem do local onde você se encontra, da tradição e cultura. De onde vêm os princípios morais e éticos A moral é um padrão externo que pode ser fornecido por instituições, grupos ou cultura a qual um indivíduo pertence. Ela também pode ser considerada um sistema social ou uma estrutura para um comportamento aceitável. A ética, apesar de ser influenciada pela cultura e pela sociedade, são princípios pessoais cria- dos e sustentados pelos próprios indivíduos. Consistência e Flexibilidade A moral é muito consistente dentro de um determinado contexto, mas pode variar entre culturas ou época. Por exemplo, algo moralmente aceito na sociedade de hoje poderia ser imoral nos anos 70. Já a ética é como o individuo reflete sobre determinada moral, sendo possível que certos even- tos modifiquem radicalmente as crenças e valores pessoais de um indivíduo. Origem do conceito de ética e de moral Grande parte da confusão entre estas duas palavras vem de suas origens. A palavra "ética" vem do francês antigo “etique”, do latim “ética” e do grego “ethos” e se refere às condutas, ao modo de ser. Já a palavra “moral” vem do latim “moralis”, que se refere os costumes. Então, originalmente, os dois têm significados muito semelhantes. A moral e a ética do indivíduo foram estudadas filosoficamente há mais de mil anos. Porém, a ideia de ética como princípios que são definidos e aplicados a um grupo é relativamente no- va, datada em 1600. Sócrates Biografia de Sócrates Sócrates (470 a.C.-399 a.C.) foi um filósofo grego. “Conhece-te a ti mesmo” é a essência de todo seu ensinamento. O saber, de acordo com Sócrates é uma virtude. Sócrates nasceu em Atenas, Grécia, no ano de 470 a. C. Filho de um escultor e pedreiro e de uma parteira, da sua infância nada se sabe. Em sua juventude, tomou parte de três campanhas militares. Apesar de ter ocupado cargos políticos, chegando a receber convite para o Senado dos quinhentos, suas ideias não foram aceitas pela aristocracia grega. Dedicou-se ao estudo da filosofia. Homem feito, Sócrates chamava atenção não só pela sua inteligência, mas também pela es- tranheza de sua figura e seus hábitos. Corpulento, baixo, nariz chato, olhos saltados, vestes rotas, pés descalços, vagava pelas ruas de Atenas e costumava passar horas, mergulhado em seus pensamentos. Quando não estava meditando solitário, conversava com seus discípulos, procurando ajudá-los na busca da verdade. Antes de Sócrates surgir no panorama intelectual da Grécia, os filósofos estavam voltados para a explicação natural do universo, fase que ficou conhecida como “pré-socrática”. No final do século V a. C. iniciou-se a segunda fase da filosofia grega, conhecida como "socrática" ou an- tropológica, onde a preocupação de maior vulto se relacionava com o indivíduo e a organiza- ção da humanidade. Passaram a perguntar: O que é a verdade? O que é o bem? O que é a justiça? As ideias de Sócrates Para Sócrates sua maior ambição era ser não somente um mestre, mas um benfeitor da hu- manidade. Desejava ver a justiça social estabelecida em todo o mundo. Tratava dos negócios alheios e esquecia os seus. Sua mulher, Xantipa, dizia que ele era um deus para os jovens atenienses. Sócrates tinha um meio característico de expressar suas ideias. A fim de transmitir o saber, jamais respondia a perguntas, pelo contrário, fazia perguntas. Segundo alguns autores, o aforismo “Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua igno- rância e serás sábio” é de autoria de Sócrates, mas segundo Platão, quando Sócrates ouviu que era o homem mais sábio que existia, respondeu: “Só sei que nada sei”. Sócrates afirmava com insistência que nada sabia. “Sou o homem mais sábio de Atenas, porque só eu sei que nada sei”, dizia ele. Por isso tentava aprender de todos. Sócrates criou um método de investigação do conhecimento através da maiêutica - técnica de trazer a luz, no qual, por meio de sucessivas questões se chegava à verdade. Esse caminho usado por Sócrates era um verdadeiro “parto”, onde ele induzia os seus discípulos a praticarem mentalmente a busca da verdade última. Política e moral eram temas frequentes em Atenas. Sócrates achava que a Polis grega deveria ser governada por aqueles que detinham o conhecimento, uma espécie de “aristocracia dos sábios”. O filósofo não era a favor da democracia grega como era praticada em Atenas. Teceu severas críticas às crenças religiosas e aos costumes da cultura grega Sócrates e Platão Sócrates não deixou nada escrito, apenas conhecemos seus ensinamentos através de seus discípulos, especialmente porPlatão, que transcreveu os pensamentos do mestre em seus célebres diálogos, mesclando-lhes às suas concepções pessoais. Nas obras, Apologia de Só- crates e Fédon, Platão faz a defesa de seu mestre diante dos juízes e relata os últimos mo- mentos de sua vida. No diálogo Mênon, Platão mostra um exemplo clássico da aplicação da maiêutica, quando Sócrates leva um escravo ignorante a descobrir e formular vários teoremas de geometria. A Morte de Sócrates Os políticos de Atenas não gostavam de seu método de fazê-los parar na rua para dirigir-lhes perguntas embaraçantes. E então se reuniram e resolveram se livrar de Sócrates. Certo dia, quando chegava ao mercado para seu cotidiano debate filosófico, encontrou o seguinte aviso, colocado na tribuna pública: “Sócrates é criminoso. É ateu e corruptor da mocidade. A pena de seu crime é a morte”. Sócrates foi preso e julgado por um júri que reunia todos aqueles políti- cos cuja hipocrisia denunciara nas praças públicas. Os juízes o consideraram culpado. Quando lhe perguntaram qual deveria ser a sua punição, ele sorriu sarcasticamente e disse: “pelo que fiz por vós e pela vossa cidade, mereço ser sustentado até o fim de minha vida a expensas públicas”. Sócrates foi obrigado a acabar a vida como um criminoso. Durante trinta dias ficou em uma cela funerária e depois lhe deram para beber uma taça de veneno. Quando sentiu que seus membros esfriavam, despediu-se dos amigos e parentes com as palavras: “E agora chegamos à encruzilhada dos caminhos. Vós, meus amigos, ides para vossas vidas, eu para a minha morte. Qual seja o melhor desses caminhos, só Deus sabe”. Sócrates morreu em Atenas, Grécia, no ano de 399 a. C Aristóteles Biografia de Aristóteles Aristóteles (384 a.C.–322 a.C.) foi um importante filósofo grego. Um dos pensadores com maior influência na cultura ocidental. Foi discípulo do filósofo Platão. Elaborou um sistema filosófico no qual abordou e pensou sobre praticamente todos os assuntos existentes, como a geometria, física, metafísica, botânica, zoologia, astronomia, medicina, psicologia, ética, drama, poesia, retórica, matemática e principalmente lógica. Aristóteles e Platão Aristóteles nasceu em Estágira, colônia de origem jônica, na Macedônia, Grécia, no ano de 384 a. C. Filho de Nicômaco, médico do rei Amintas III, recebeu sólida formação em Ciências Natu- rais. Com 17 anos partiu para Atenas, foi estudar na "Academia” de Platão. Com sua prodigio- sa inteligência, logo se tornou o discípulo predileto do mestre, que observou: "Minha Academia se compõe de duas partes: o corpo dos alunos e o cérebro de Aristóteles". Aristóteles foi suficientemente crítico para ir além do mestre. Demonstrou sua grande capaci- dade de pensador escrevendo uma série de obras nas quais aprofundava, e muitas vezes, modificava as doutrinas de Platão. A teoria de Aristóteles, de forma geral, é uma refutação ao seu mestre. Enquanto Platão era a favor da existência do mundo das ideias e do mundo sensí- vel, Aristóteles defendia que poderíamos captar o conhecimento no próprio mundo que vive- mos. Quando Platão morreu, em 347 a. C. Aristóteles fazia vinte anos de Academia, inicialmente como discípulo, depois como professor, e esperava ser o substituto natural do seu mestre na direção da escola, mas foi rejeitado por ser considerado estrangeiro. Decepcionado, deixou Atenas e foi para Atarneus, na Ásia Menor, onde se tornou conselheiro de estado de seu antigo colega, o filósofo político Hermias. Casou-se com Pítia, filha adotiva de Hermias, mas entrou em choque com a sede de riqueza de seu colega, em contraste com seus ideais de justiça. Quando os persas invadiram o país e crucificaram seu governante, mais uma vez Aristóteles ficou sem pátria. Aristóteles e Alexandre Magno De volta à Macedônia, em 343 a. C., quando o rei Filipe II da Macedônia o chamou para ele ser o tutor de seu filho Alexandre. O rei queria que seu sucessor fosse um requintado filósofo. Aris- tóteles permaneceu com Alexandre durante quatro anos. O soldado partiu para conquistar o mundo e o filósofo tornou-se seu amigo e ficou a alimentá-lo de sabedoria. O Liceu De volta à Atenas, em 335 a. C., Aristóteles decidiu fundar sua própria escola, chamando-a “Liceu”, instalada no ginásio do templo dedicado ao deus Apolo Lício. Além de cursos técnicos para os discípulos, ministrava aulas públicas para o povo em geral. A sabedoria de Aristóteles chegou até nós através de alguns escritos, mas que representam em si mesmo, uma enciclo- pédia inteira, pois contêm praticamente o começo de todas as nossas modernas artes e ciên- cias. Aristóteles foi o pai da Lógica: ensinou a todos os que vieram depois dele a pensar com clare- za. Foi o fundador da Biologia: ensinou ao mundo como observar e classificar corretamente os seres vivos. Foi o organizador da Psicologia: mostrou à humanidade como estudar a alma cien- tificamente. Foi o mestre da Moral: demonstrou como é possível amar e odiar racionalmente. Foi professor de Política: ensinou os governantes a governar com justiça. E deu origem à Retó- rica: foi o primeiro a demonstrar a arte de escrever com eficiência. Filosofia A filosofia de Aristóteles abrange a natureza de Deus (Metafísica), do homem (Ética) e do Es- tado (Política). Para Aristóteles, Deus não é o criador, mas o motor do Universo, ou ainda, o motor imóvel do mundo. Exceto Deus, toda e qualquer outra fonte de movimento no mundo, seja uma pessoa, uma coisa, ou um pensamento, é um motor movido. Assim, o arado move a terra, a mão move o arado, o cérebro move a mão. Portanto, a causa de todo o movimento é o resultados de outro movimento. Para Aristóteles, se para ser feliz é preciso fazer o bem ao outro, então o homem é um ser social e, mais precisamente um ser político. Com efeito, cabe ao Estado “garantir o bem-estar e a felicidade dos seus governados”. Considerava a ditadura a pior forma de governo: “é um re- gime que subordina os interesses de todos às ambições de um só”. “A forma de governo mais desejável é a que permite a cada homem exercitar suas melhores habilidades e viver o mais agradavelmente seus dias”. Morte O fim de Aristóteles foi trágico. Quando o rei da Macedônia, Alexandre Magno morreu, irrom- peu em Atenas uma grande explosão de ódio, não somente contra o conquistador, mas contra todos os seus admiradores e amigos. Um dos melhores amigos de Alexandre era Aristóteles. Estava prestes a ser preso, quando conseguiu escapar em tempo. Deixou Atenas dizendo que não daria à cidade oportunidade de cometer um segundo crime contra a filosofia. Pouco tempo depois do exílio que se impusera, adoeceu. Desiludido com a ingratidão dos atenienses decidiu por fim à vida bebendo, como Sócrates, uma taça de cicuta. Aristóteles morreu em 322 a.C., em Cálcia, na Eubéia. Em seu testamento determinou a liber- tação de seus escravos. Foi essa talvez, a primeira carta de alforria da história. Obras de Aristóteles Suas obras podes ser divididas em quatro grupos: Lógica - "Sobre a Interpretação", "Categorias", "Analíticos", "Tópicos", "Elencos Sofísticos" e os 14 livros da "Metafísica", que Aristóteles denominava "Prima Filosofia". O conjunto dessas obras é conhecido pelo nome de "Organon". Filosofia da Natureza - "Sobre o Céu", "Sobre os Meteoros", oito livros de "Lições de Física" e outros tratados de história e vida dos animais. Filosofia Prática - "Ética a Nicômano", "Ética a Eudemo", "Política", "Constituição Ateniense" e outras constituições. Poéticas - "Retórica" e "Poética". Demócrito Biografia de Demócrito Demócrito (460 a.C. - 370 a.C.) foi um filósofo grego, classificado como pré-socrático e agrupa- do na escola atomista. Julgava que todos os elementos do universo são compostos de átomos. Demócrito de Abdera (460 a.C. - 370 a.C.) nasceu em Abdera, na Grécia, por volta de 460 a.C.Descendente de família nobre, aprofundou seus conhecimentos estudando em diversas cida- des, entre elas, Atenas, Egito, Pérsia, Babilônia, Etiópia e Índia. Estudou filosofia, matemática, física, astronomia, ética, linguística e música. Viveu em uma época em que os precursores da Filosofia, “os pré-socráticos”, buscavam de maneira racional e lógica, e não mais nos relatos míticos, uma explicação a respeito do princí- pio de todas as coisas. Em geral, os pensadores eram monistas, ou seja, acreditavam que o universo tinha sido gerado através de um único elemento, ou de um fenômeno. Cada filósofo descobre um fundamento, uma unidade que possa explicar essa constituição. Demócrito julgava que os corpos eram constituídos por pequeninas porções de matéria. De- senvolveu a “teoria atomista” iniciada por Leucipo, de que todos os elementos do universo são compostos de átomos, “elementos indivisíveis, maciços, indestrutíveis, eternos e invisíveis, podendo ser concebidos somente pelo pensamento, nunca percebidos pelos sentidos”. Para Demócrito as coisas nascem quando se juntam e a morte é a separação das coisas. O que origina as coisas reais é um infinito número de corpos que são invisíveis porque têm um volume muito pequeno. A qualidade de todos os corpos depende da forma e da ordem dos átomos que os compõem. O objetivo de seus estudos era encontrar o princípio de todas as coisas sem recorrer a divindades. Os escritos de Demócrito, como também dos outros filósofos, desapareceram com o tempo, só restando alguns fragmentos ou referências feitas por outros filósofos posteriores. Muitos dos relatos de Demócrito veem de Aristóteles, seu principal crítico, mas que reconhecia o valor de suas obras de filosofia natural. Protágoras de Abdera teria sido seu discípulo direto e posteri- ormente o principal discípulo que recebeu sua influência foi Epicuro. Os pesquisadores listaram um grande número de estudos realizados por Demócrito, citados por diversos autores, na área da cosmologia, matemática, ética, física, entre outros. Na área da matemática ele avançou nos estudos sobre geometria (figuras geométricas, volumes e tangen- tes) e os números irracionais. Avançou também no conceito de um universo infinito, onde exis- tem muitos outros mundos como o nosso. Deduziu que uma galáxia se compõe de estrelas tão pequenas e aglomeradas que é quase impossível distinguir uma das outras. Para Demócrito, a concepção de ética não tem relação com as concepções físicas. Para ele o mais nobre bem que uma pessoa pode ter é a felicidade, que mora somente na alma, indepen- dente de se possuir bens materiais. A justiça e a razão é que nos torna felizes. Demócrito faleceu no ano de 370 a. C. Tales de Mileto Biografia de Tales de Mileto Tales de Mileto (624 a. C.- 558 a. C.) foi um filósofo, matemático e astrônomo gre- go, considerado um dos mais importantes representantes da primeira fase da filosofia grega, chamada de Pré-Socrática ou Cosmológica. Tales de Mileto nasceu em Mileto, antiga colônia grega, na Ásia Menor, região da Jônia, na atual Turquia, por volta de 624 a. C. Acredita-se que começou sua vida como mercador, enri- quecendo o suficiente para se dedicar ao estudo e realizar algumas viagens. Supõe-se que esteve no Egito onde aprendeu geometria e na Babilônia onde entrou em contato com tabelas e instrumentos astronômicos. Sabe-se que Tales desempenhou funções políticas em sua cida- de e que realizou trabalhos nas áreas da filosofia, geometria e astronomia. A Filosofia Grega A filosofia grega compreende três períodos: pré-socrático, socrático e pós-socrático. O período pré-socrático compreende os primeiros filósofos propriamente ditos, que foram reunidos em diversas Escolas de pensamentos: Escola Jônica (ou Escola de Mileto), Escola Itálica, Escola Eleática, Escola Atomística e Os Sofistas. A Escola Jônica foi desenvolvida na colônia grega de Jônia, na Ásia Menor, hoje na atual Tur- quia. Os principais filósofos da Escola Jônica foram: Tales de Mileto, Anaxímenes (585-524 a. C.), Anaximandro (610-546 a. C.) e Heráclito (540-470 a. C.). A preocupação desses filósofos era perguntar e compreende a natureza do mundo, buscando entender a origem de todas as coisas, o princípio delas. Pensavam sobre o elemento primeiro, chegando a conclusões dife- rentes. A Filosofia de Tales de Mileto O filósofo Tales de Mileto, o primeiro pensador da escola jônica, admitia como princípio criador de todas as coisas e a essência do Universo, “a água” e explicava: o que é quente, precisa da umidade para viver, todos os germes são úmidos, os alimentos estão cheios de seiva e o que morre resseca. É natural que as coisas se nutram daquilo de que provêm. A água é o princípio da natureza úmida e a Terra repousa sobre a água. Tales de Mileto foi considerado o precursor do pensamento filosófico, por que pensou a matéria de maneira diferente de como era pensada antes, com interferências divinas e invocações a deuses superiores. Ele acreditava que a matéria sofria transformações ao longo do tempo. Com isso, o filósofo inaugurou o método de observação e especulação diferente das explica- ções teológicas e religiosas, para todas as coisas, em vigor na época. Matemático e Astrônomo Para alguns historiadores da matemática antiga, a geometria demonstrativa iniciou-se com Tales de Mileto. Apesar de não ter deixado nenhuma obra, o que chegou até nós é baseado em antigas referências gregas, que atribuem a ele um bom número de descobertas matemáti- cas definidas. É atribuído a Tales de Mileto os seguintes fatos geométricos: A demonstração de que os ângulos da base de dois triângulos isósceles são iguais. A demonstração do seguinte teorema: se dois triângulos têm dois ângulos e um lado respectivamente iguais, então são iguais. A demonstração de que todo diâmetro divide um círculo em duas partes iguais. A de- monstração de que ao unir-se qualquer ponto de uma circunferência aos extremos de um diâ- metro AB obtém-se um triângulo retângulo em C., entre outros. Como astrônomo, atribui-se a Tales de Mileto a previsão, com grande antecedência, do eclipse do Sol de 28 de maio de 585 a. C., embora muitos historiadores duvidem que os meios existen- tes na época permitissem tal façanha. Verificou não ser uniforme o círculo da Terra entre os solstícios. Dividiu o ano em 365 dias. Estabeleceu o diâmetro do Sol, acreditava ser a terra um disco achatado, O cálculo da altura das pirâmides entre outros. Tales de Mileto faleceu em Mileto, Grécia, no ano de 558 a. C. Pitágoras Pitágoras de Samos foi um dos grandes filósofos pré-socráticos e matemáticos da Grécia Antiga. Segundo ele “tudo é número”, frase que indica uma explicação para a realidade e tudo que existe no mundo. A ele foi atribuído o uso e criação dos termos “filósofo” e “matemática”. Biografia de Pitágoras Pitágoras nasceu na ilha grega de Samos, na costa jônica, em 570 a.C. Estudou matemática, astronomia, música, literatura e filosofia na sua cidade natal. Foi orientado na cidade grega de Mileto por um dos maiores filósofos pré-socráticos: Tales de Mileto. No entanto, suas ideias revolucionárias para a época o levaram a ser perseguido. Nesse mo- mento, mudou-se para Crotona (sul da Itália), região conhecida como Magna Grécia. Foi ali que fundou uma escola de caráter místico-filosófico que ficou conhecida como “Escola Pitagórica”. Entretanto, foi perseguido novamente, deixando Crotona e partindo para o Egito, onde ao ob- servar as pirâmides, criou o Teorema de Pitágoras. O filósofo faleceu em Metaponto, na região sul da Itália, em 490 a.C. com aproximadamente 80 anos. Pitagorismo Segundo Pitágoras, os números são a base da vida na terra. A partir dessa primícia, surge o Pitagorismo (ou Escola Pitagórica), sendo os pitagóricos seus seguidores, dos quais se destacam: Temistocleia, Filolau de Crotona, Arquitasde Tarento, Alcmeão e Melissa. Na escola, ele ministrou aulas nas áreas matemática (aritmética e geometria), astronomia, mú- sica, filosofia, política, religião e moral. Segundo o matemático grego, os números representavam a harmonia e a ordem, ou seja, eram considerados a essência de todas as coisas. Essa teoria de Pitágoras surgiu da observação entre a harmonia dos acordes musicais. Os pitagóricos acreditavam que essa concepção não era meramente matemática, mas também mística e espiritual. Nesse sentido, eles desenvolveram uma concepção espiritual da existência humana, onde a alma é libertada do corpo após a morte. Ou seja, eles acreditavam na reencarnação e no desenvolvimento das virtudes humanas en- quanto a alma estava aprisionada ao corpo durante a vida. Como resultado, os homens poderiam reencarnar numa forma de existência mais elevada, conforme as virtudes conquistadas durante a trajetória terrena. Além do famoso "Teorema de Pitágoras", os pitagóricos descobriram os números figurados e os números perfeitos. Na área da astronomia, Pitágoras também avançou com questões sobre a esfericidade do pla- neta Terra e o deslocamento dos astros utilizando conceitos matemáticos. Essa teoria baseada num cosmo harmônico ficou conhecida como “Teoria da Harmonia das Esferas”. Teorema de Pitágoras Um dos mais importantes teoremas da geometria é o Teorema de Pitágoras. É representado pela fórmula (c²= a²+b²) sendo seu enunciado descrito da seguinte maneira: “No triângulo retângulo, composto por um ângulo interno de 90° (ângulo reto), a soma dos qua- drados de seus catetos corresponde ao quadrado de sua hipotenusa.” Esta fórmula vale para calcular o tamanho dos triângulos retângulos e tem um sem-número de aplicações especialmente nas construções em geral. Filósofos Pré-Socráticos Os filósofos pré-socráticos fazem parte do primeiro período da filosofia grega. Eles desen- volveram suas teorias do século VII ao V a.C. Recebem esse nome, posto que são os filósofos que antecederam Sócrates. Os filósofos pré-socráticos buscavam nos elementos natureza as respostas sobre a origem do ser e do mundo. Focando principalmente nos aspectos da natureza, eram chamados de “filó- sofos da physis”. Sócrates Sócrates (470 a.C-399 a.C.) foi um importante filósofo grego do segundo período da filosofia. Nasceu em Atenas sendo considerado um dos fundadores da filosofia ocidental. A filosofia de Sócrates, baseada no diálogo, era chamada de filosofia socrática. Era marcada pela expressão “conhece-te a ti mesmo”, em virtude da busca da verdade através do autoco- nhecimento. Ademais, da filosofia do “diálogo” de Sócrates, destaca-se a “maiêutica”, que significa literal- mente “trazer a luz”. Esta faz relação com a iluminação da verdade que, para ele, está contida no próprio ser. Filosofia Grega Para melhor entender a filosofia grega, vale lembrar como ela está dividida: Período Pré-Socrático: fase naturalista Período Socrático: fase antropológica-metafísica Período Helenístico: fase ética e cética Correntes ou Escolas Pré-Socráticas Segundo o foco e o local de desenvolvimento da filosofia, o período pré-socrático está dividido em Escolas ou Correntes de pensamento, a saber: Escola Jônica: desenvolvida na colônia grega Jônia, na Ásia Menor (atual Turquia), seus principais representantes são: Tales de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e Heráclito de Éfeso. Escola Pitagórica: também chamada de "Escola Itálica", foi desenvolvida no sul da Itália, e recebe esse nome posto que seu principal representante foi Pitágoras de Samos. Escola Eleática: desenvolvida no sul da Itália, sendo seus principais representantes: Xenófa- nes de Colofão, Parmênides de Eléia e Zenão de Eléia. Escola Atomista: também chamada de “Atomismo”, foi desenvolvida na região da Trácia, sendo seus principais representantes: Demócrito de Abdera e Leucipo de Abdera. Principais Filósofos Pré-Socráticos Segue abaixo os principais filósofos do período pré-socrático: Tales de Mileto (624 a.C.-548 a.C.): nascido na cidade de Mileto, região da Jônia, Tales acreditava que a água era o principal elemento, ou seja, era a essência de todas as coisas. Anaximandro de Mileto (610 a.C.-547 a.C.): discípulo de Tales nascido em Mileto, para Anaximandro o princípio de tudo estava no elemento denominado “ápeiron”, uma espécie de matéria infinita. Anaxímenes de Mileto (588 a.C.-524 a.C.): discípulo de Anaximandro nascido em Mileto, para Anaxímenes o princípio de todas as coisas estava no elemento ar. Heráclito de Éfeso (540 a.C.-476 a.C.): considerado o “Pai da Dialética”, Heráclito nasceu em Éfeso e explorou a ideia do devir (fluidez das coisas). Para ele, o princípio de todas as coisas estava contido no elemento fogo. Pitágoras de Samos (570 a.C.-497 a.C.): filósofo e matemático nascido na cidade de Samos, para ele os números foram seus principais elementos de estudo e reflexão, do qual se destaca o “Teorema de Pitágoras”. Xenófanes de Cólofon: (570 a.C.-475 a.C.): nascido em Cólofon, Xenófanes foi um dos fundadores da Escola Eleática, se opondo contra o misticismo na filosofia e o antropomorfismo. Parmênides de Eléia (530 a.C.-460 a.C.): discípulo de Xenófanes, Parmênides nasceu em Eléia. Focou nos conceitos de “aletheia” e “doxa”, donde o primeiro significa a luz da verdade e o segundo, é relativo à opinião. Zenão de Eléia (490 a.C.-430 a.C.): discípulo de Parmênides, Zenão nasceu em Eléia. Foi grande defensor das ideias de seu mestre filosofando, sobretudo, acerca dos conceitos de “Dialética” e “Paradoxo”. Demócrito de Abdera (460 a.C.- 370 a.C.): nascido na cidade de Abdera, Demócrito foi discípulo de Leucipo. Para ele, o átomo era o princípio de todas as coisas, desenvolvendo as- sim, a “Teoria Atômica”. Heráclito Heráclito, conhecido como “o obscuro”, foi um pensador e filósofo pré-socrático considerado o “Pai da Dialética”. Biografia de Heráclito Heráclito de Éfeso, nasceu na cidade de Éfeso, por volta de 540 a.C., antiga colônia grega, região da Jônia na Ásia Menor, atual Turquia. Filho de nobres, pertencia à família real da cidade. Personalidade forte, Heráclito não apreciava a vida pública e se afastou de temas como arte e religião. Diante disso, passou grande parte de sua vida introspectivo com seu jeito orgulhoso e esnobe, sendo muito criticado pelo seu povo. Com isso, passa a viver nas montanhas, afastado de todos e aperfeiçoando suas teorias. Filosofia de Heráclito Como Tales de Mileto, Heráclito acreditava no princípio único abalizado na “Filosofia Unitaris- ta”, cujo princípio estava fundamentado na unidade elementar e, no caso de Heráclito, o ele- mento fogo. Segundo ele, “Tudo provem do Um e o Um provem do Todo”. O filósofo baseava suas ideias na lei fundamental da natureza, de modo que, segundo ele, “Tudo flui” e “Nada é permanente, exceto a mudança”. A partir disso, acreditava que tudo o que existe está em permanente mudança ou transforma- ção, conceito denominado “Devir” (tornar-se, do vir-a-ser), sujeitas ao “logos” (razão ou lei). Tendo em vista seus conceitos, foi o criador do pensamento dialético, a doutrina dos contrários, onde, das contradições, surgem a unidade dialética. Em resumo, a dialética propõe a busca da verdade através da relação entre dois conceitos opostos, numa relação de interdependência. Por exemplo, a escuridão somente existe pois o conceito de luz é seu oposto, onde um não existe sem o outro. Assim, Heráclito, pai da dialética, afirma que todas as coisas por meio da dualidade, cujo o "logos" é sua resultante, ou seja, o conhecimento nascido desse embate. Filosofia Antiga A Filosofia Antiga corresponde ao período do surgimentoda filosofia grega no século VII a.C. Ela surge da necessidade de explicar o mundo e encontrar respostas para a origem das coisas, dos fenômenos da natureza, da existência e da racionalidade humana. O termo filosofia é de origem grega e significa “amor ao saber”, ou seja, a busca pela sabedo- ria. De tal modo, no momento de sua origem os filósofos possuíam esse dom de interpretação, uma vez que eles acreditavam conseguir transmitir a mensagem dos deuses. Por esse motivo, no início, a filosofia estava intimamente relacionada com a religião: mitos, crenças, etc. Assim, o pensamento mítico foi dando lugar ao pensamento racional, ou ainda, do mito ao logos. Contexto Histórico: Resumo A filosofia antiga surge com a substituição do saber mítico ao da razão e isso ocorreu com o surgimento da polis grega (cidade-estado). Com essa nova organização social e política pelo qual a Grécia passava, foi fundamental para dar lugar a racionalidade humana e, com isso, as reflexões dos filósofos. Mais tarde, as discussões que ocorriam em praça pública juntamente com o poder da palavra e da razão (logos) levaram a criação da democracia. Períodos da Filosofia Lembre-se que a filosofia está dividida didaticamente em 4 períodos: Filosofia Antiga Filosofia Medieval Filosofia Moderna Filosofia Contemporânea Filosofia Grega A filosofia grega está dividida em três períodos: Período Pré-socrático (séculos VII a V a.C.): corresponde ao período dos primeiros filósofos gregos que viveram antes de Sócrates. Os temas estão centrados na natureza, do qual se destaca o filósofo grego Tales de Mileto. Período Socrático (século V a IV a.C.): também chamado de período clássico, nesse momen- to surge a democracia na Grécia Antiga. Seu maior representante foi o filósofo grego Sócrates que começa a pensar sobre o ser humano. Além dele, merecem destaque: Aristóteles e Pla- tão. Período Helenístico (século IV a.C. a VI d.C.): Além de temas relacionados com a natureza e o homem, nessa fase os estudos estão voltados para a realização humana por meio das virtu- des e da busca da felicidade. Principais Escolas Filosóficas da Filosofia Antiga Agora que você já sabe os períodos em que está dividida, veja quais as principais escolas de pensamento da filosofia antiga: Escola Jônica: reuniu os primeiros filósofos na cidade grega de Mileto, localizada na região da Jônia, no litoral ocidental da Ásia menor (atual Turquia). Além de Mileto, temos a cidade de Héfeso, com Heráclito como seu principal representante e Samos, com Pitágoras. Na cidade grega de Mileto destacam-se Tales de Mileto, Anaximandro e Anaxímenes. Escola Itálica: foi desenvolvida na atual região do sul da Itália (na cidade de Elei) e da Sicília (nas cidades de Aeragas e Lentini). Destacam-se os filósofos Parmênides, Zenão, Empédocles e Górgias. Principais Filósofos da Antiguidade Veja abaixo os principais filósofos e os principais problemas filosóficos refletidos por eles: Tales de Mileto (623-546 a.C.): filósofo pré-socrático considerado o “Pai da Filosofia” propõe que a água é a substância primordial da vida, denominada de arché. Para ele “Tudo é água”. Anaximandro (610-547 a.C.): discípulo de Tales de Mileto, o filósofo procurou buscar o elemento fundamental de todas as coisas, denominando de ápeiron (o infinito e o indetermina- do), que representaria a massa geradora da vida e do universo. Anaxímenes (588-524 a.C.): discípulo de Anaximandro, para o filósofo a substância primordial que origina todas as coisas é o elemento ar. Pitágoras de Samos (570-490 a.C.): segundo ele, a origem de todas as coisas estava intimamente relacionada com os números. Suas ideias foram essenciais para a filosofia e a matemática (Teorema de Pitágoras). Heráclito (535-475 a.C.): filósofo pré-socrático que contribuiu com as reflexões da existência. Segundo ele, tudo está em processo de mudança e o fluxo constante da vida é impulsionado pelas forças opostas. Elegeu o fogo como elemento essencial da natureza. Parmênides (510-470 a.C.): considerado um dos principais filósofos pré-socráticos, contribuiu para os estudos do ser (ontologia), da razão e da lógica. Em suas palavras: “O ser é e o não ser não é”. Zenão de Eleia (488-430 a.C.): discípulo de Parmênides, de suas reflexões filosóficas destaca- se o “Paradoxo de Zenão”, no qual pretendia demonstrar que a noção de movimento era con- traditória e inviável. Empédocles (490-430 a.C.): por meio do pensamento racional o filósofo defendeu a existência dos quatro elementos naturais (ar, água, fogo e terra) que agiriam de maneira cíclica a partir de dois princípios: o amor e o ódio. Demócrito (460-370 a.C.): foi criador do conceito de Atomismo. Segundo ele, a realidade era formada por partículas invisíveis e indivisíveis denominadas de átomos (matéria). Nas palavras do filósofo “Tudo o que existe no universo nasce do acaso ou da necessidade”. Protágoras (480-410 a.C.): filósofo sofista e famoso por sua célebre frase “O homem é a medida de todas as coisas”. Contribuiu para as ideias associadas ao subjetivismo dos seres. Górgias (487-380 a.C.): um dos maiores oradores da Grécia antiga, esse filósofo seguiu os estudos sobre o subjetivismo de Protágoras, o que o levou a um ceticismo absoluto. Sócrates (469-399): um dos maiores filósofos da Grécia antiga, contribuiu para os estudos do ser e de sua essência. A filosofia socrática esteve pautada no autoconhecimento (“conhece-te a ti mesmo”), desenvolvida mediante diálogos críticos (a ironia e a maiêtica). Platão (427-347 a.C.): discípulo de Sócrates, escreveu sobre as ideias de seu mestre. De suas reflexões filosóficas destaca-se a “Teoria das Ideias” que seria a passagem do mundo sensível (aparência) para o mundo das ideias (essência). O “mito da caverna” demostra essa dicotomia entre a ilusão e a realidade. Aristóteles (384-322 a.C.): ao lado de Sócrates e Platão, foi um dos mais importantes filósofos da Antiguidade. Suas ideias são consideradas a base do pensamento lógico e científico. Es- creveu diversas obras sobre a essência dos seres (Metafísica), a lógica, a política, a ética, as artes, a potência, etc. Epicuro (324-271 a.C.): fundador do epicurismo, para o filósofo a vida deveria estar baseada no prazer. No entanto, diferente da corrente hedonista, o prazer epicurista seria racional e equi- librado. Se não fosse dessa maneira, o prazer poderia resultar na dor e no sofrimento. Zenão de Cítio (336-263 a.C.): fundador do estoicismo, defendia a ideia de uma realidade racional, que ocorre por meio do dever da compreensão. Dessa forma, por meio da compreen- são a realidade de que faz parte o homem e a natureza leva ao caminho da felicidade. Pirro (365-275 a.C.): fundador do Pirronismo, defendia a ideia da incerteza em tudo que nos envolve, por meio de uma postura ceticista. Assim, nenhum conhecimento é seguro sendo a busca da verdade absoluta uma postura inútil. Diógenes (413-327 a.C.): filósofo da corrente filosófica do cinismo, ele buscou defender uma postura anti-materialista se afastando de todos os bens materiais e focando no conhecimento de si. O que é Filosofia? Filosofia é um campo do conhecimento que estuda a existência humana e o saber por meio da análise racional. Do grego, o termo filosofia significa “amor ao conhecimento”. Os principais temas abordados pela filosofia são: a existência e a mente humana, o saber, a verdade, os valores morais, a linguagem, etc. O filósofo é considerado um sábio, sendo aquele que reflete sobre essas questões e busca o conhecimento através da filosofia. Dependendo do conhecimento desenvolvido, a filosofia possui uma gama de correntes e pen- samentos. Como exemplos temos:filosofia cristã, política, ontológica, cosmológica, ética, em- pírica, metafísica, epistemológica, etc. Para que serve a Filosofia? Por meio de argumentos que utilizam a razão e a lógica, a filosofia busca compreender o pen- samento humano e os conhecimentos desenvolvidos pelas sociedades. A filosofia foi essencial para o surgimento de uma atitude crítica sobre o mundo e os homens. Ou seja, a atitude filosófica faz parte da vida de todos os seres humanos que questionam sobre sua existência e também sobre o mundo, o universo. De tão importante, esse campo do conhecimento tornou-se uma disciplina obrigatória no currí- culo escolar, bem como foram criadas diversas faculdades de filosofia. Origem da Filosofia A filosofia tem início na Antiguidade, quando surgem as cidades-estados na Grécia Antiga. Antes disso, o pensamento, a existência humana e os problemas do mundo eram explicados de maneira mítica. Ou seja, as explicações estavam baseadas na religião, na mitologia, na história dos deuses e, até mesmo, nos fenômenos da natureza. Assim, com o surgimento da polis grega, os filósofos, que na época eram considerados envia- dos dos deuses, começaram a investigar e sistematizar o pensamento humano. Com isso, surgem diversos questionamentos, que até esse momento não possuíam tal explica- ção racional. O pensamento mítico foi dando lugar ao pensamento racional e crítico e daí sur- giu a filosofia. Você sabia? Os termos “filosofia”, “filósofo” e “matemática” foram criados pelo filosofo pré- socrático grego Pitágoras. Segundo ele: “O filósofo não é dono da verdade, nem detém todo conhecimento do mundo. Ele é ape- nas uma pessoa que é amiga do saber.” Períodos, Correntes Filosóficas e Principais Filó- sofos Filosofia Antiga A Filosofia Antiga surge no século VII a.C. na Grécia Antiga. A filosofia grega está dividida em três períodos: Período Pré-socrático (séculos VII a V a.C.); Período Socrático (século V a IV a.C.); Período Helenístico (século IV a.C. a VI d.C.). As principais escolas filosóficas desse período foram a Escola Jônica e a Escola Itálica. Na Escola Jônica destacam-se os filósofos: Heráclito, Pitágoras, Tales de Mile- to, Anaximandro e Anaxímenes. Já na Escola Itálica, temos os filósofos: Parmênides, Zenão, Empédocles e Górgias. Filosofia Medieval A Filosofia Medieval desenvolveu-se na Europa entre os séculos I e XVI. Esteve dividida em quatro períodos: Filosofia dos Padres Apostólicos (séculos I e II); Filosofia dos Padres Apologistas (séculos III e IV); Filosofia Patrística (século IV até o VIII); Filosofia Escolástica (século IX até XVI). Na Filosofia dos Padres Apostólicos destaca-se o filósofo Paulo de Tarso. Na Filosofia dos Padres Apologistas destacam-se os filósofos: Justino Mártir, Orígenes de Alexandria e Tertuli- ano. Na Filosofia Patrística, o maior representante desse período foi Santo Agostinho de Hipona. Por fim, na Filosofia Escolástica temos São Tomás de Aquino como o filósofo mais importante. Filosofia Moderna A Filosofia Moderna desenvolveu-se entre os séculos XV e XVIII. René Descartes é considera- do o fundador da filosofia moderna com a criação do método cartesiano. As principais correntes filosóficas desse período foram: Humanismo, Cientificismo, Racionalis- mo, Empirismo e Iluminismo. Alguns filósofos modernos são: Michel de Montaigne, Nicolau Maquiavel, Francis Bacon, Im- manuel Kant, Montesquieu, Rousseau, Voltaire, Denis Diderot, Thomas Hobbes, John Locke, etc. Filosofia Contemporânea A Filosofia Contemporânea desenvolveu-se entre os séculos XVIII e XX. Merece destaque a Escola de Frankfurt, criada em 1920 na Alemanha, tendo como principais filósofos: Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin e Jurgen Habermas. Nesse período, muitas correntes filosóficas foram desenvolvidas: Marxismo Positivismo Racionalismo Utilitarismo Pragmatismo Cientificismo Fenomenologia Sistema Hegeliano Niilismo Existencialismo Materialismo Estruturalismo Idealismo Filosófico Além dos filósofos da Escola de Frankfurt, merecem destaque: Michel Foucault Friedrich Nietzsche Friedrich Hegel Karl Marx Jean Paul Sartre Auguste Comte Martin Heidegger Ludwig Wittgenstein Arthur Schopenhauer Zygmunt Baumen Maiêutica A Maiêutica foi elaborada por Sócrates no século IV a.C. Através desta linha filosófica ele pro- cura dentro do Homem a verdade. É famosa sua frase “Conhece-te a ti mesmo”, que dá início à jornada interior da Humanidade, na busca do caminho que conduz à prática das virtudes mo- rais. Através de questões simples, inseridas dentro de um contexto determinado, a Maiêutica dá à luz idéias complicadas. Sócrates, seu criador, nasceu por volta de 470 ou 469 a.C., na cidade de Atenas. Ao longo de sua vida ocupou alguns cargos públicos, mas seu comportamento sempre foi modelo de inte- gridade e ética. Sua educação se deu principalmente através da meditação, moldada na eleva- da cultura ateniense deste período. Ele acreditava não ser possível filosofar enquanto as pes- soas não alcançassem o autoconhecimento, percebendo assim claramente seus limites e im- perfeições. Assim, considerava que deveria agir conforme suas crenças, com justiça, retidão, edificando homens sábios e honestos, ao contrário dos sofistas, que só buscavam tirar vanta- gens pessoais das situações. Sua forma de viver, porém, com liberdade de opinião, considerações críticas, ironia e uma ma- neira específica de educar, provocaram a ira geral e lhe angariou uma lista de inimigos. Sob a ótica de seus contemporâneos, ele era visto como líder de uma elite intelectual. Acusado de perverter os jovens e de substituir os deuses venerados em sua terra natal por outros desco- nhecidos, ele negou-se a elaborar uma defesa própria, pois argumentava que seus ensinamen- tos eram imortais, não algo para ser compreendido e aceito naquele momento, no âmbito da vida material. Assim, preferiu morrer, recusando inclusive a fuga providenciada por seu discípu- lo Criton, porque não desejava ir contra as leis humanas. Assim, morreu aos 71 anos de idade, vítima da execução à qual fora condenado. O filósofo busca o conhecimento através de questões que revelam uma dupla face – a ironia e a maiêutica. Através da ironia, o saber sensível e o dogmático se tornam indistintos. Sócrates dava início a um diálogo com perguntas ao seu ouvinte, que as respondia através de sua pró- pria maneira de pensar, a qual ele parecia aceitar. Posteriormente, porém, ele procurava con- vencê-lo da esterilidade de suas reflexões, de suas contradições, levando-o a admitir seu equí- voco. Por intermédio da maiêutica, ele mergulha no conhecimento, ainda superficial na etapa anteri- or, sem atingir porém um saber absoluto. Ele utilizava este termo justamente porque se referia ao ato da parteira – profissão de sua mãe -, que traz uma vida á luz. Assim ele vê também a verdade como algo que é parido. Seu senso de humor costumava desorientar seus ouvintes, que na conclusão do debate acabavam admitindo seu desconhecimento. Deste diálogo nascia um novo conhecimento, a sabedoria. Um exemplo comum deste método é o conhecido diálogo platônico „Mênon‟ – nele Sócrates orienta um escravo sem instrução a adquirir tal conhecimen- to que ele se torna capaz de elaborar diversos teoremas de geometria. Iluminismo Introdução (o que foi, conceito e surgimento) O Iluminismo surgiu na França, no século XVII. Porém, o auge deste movimento foi na primeira metade do século XVIII. Ele defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica (religiosa), que dominava a Europa desde a IdadeMédia. Segundo os filósofos iluministas, esta nova for- ma de pensamento tinha o propósito de iluminar "as trevas" na qual se encontrava a sociedade. Os principais ideais iluministas Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, blo- queavam a evolução do homem. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé. O Século das Luzes O apogeu deste movimento intelectual foi atingido no século XVIII, e, este, passou a ser co- nhecido como o Século das Luzes. O Iluminismo foi mais intenso na França, onde influenciou a Revolução Francesa através de seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve influência em outros movimentos sociais, como na independência das colônias inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil. Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela so- ciedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma socie- dade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles eram contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, contrá- rios ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero. Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois, apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido a sua forma de participação limitada. Naquele período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, e, naquela forma de governo, o rei detinha todos os poderes (absolutismo). Outra forma de impedimento aos bur- gueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões econô- micas. No Antigo Regime, a sociedade era dividida da seguinte forma: No topo da sociedade estava o clero, em segundo a nobreza, em terceiro a burguesia e os trabalhadores da cidade e do cam- po. Com o fim deste poder, os burgueses tiveram liberdade comercial para ampliar significati- vamente seus negócios, uma vez que, com o fim do absolutismo, foram tirados não só os privi- légios de poucos (clero e nobreza), como também, as práticas mercantilistas que impediam a expansão comercial para a classe burguesa. Principais filósofos iluministas Os principais filósofos do Iluminismo foram: John Locke (1632-1704), ele acre- ditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo através do empirismo; Voltaire (1694-1778), ele defendia a liberdade de pensamento e não poupava crítica a intolerância religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712- 1778), ele defendia a ideia de um estado democrático que garanta igualdade para todos; Montesquieu (1689-1755), ele defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d´Alembert (1717-1783), juntos organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos da época. Você sabia? - A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, redigida na França no ano de 1789, foi um importante documento democrático, elaborado com inspiração dos ideais do Iluminismo. Iluminismo O Iluminismo, também conhecido como "Século das Luzes", foi um movimento intelectual europeu surgido na França no século XVII. A principal característica desta corrente de pensamento foi defender o uso da razão sobre o da fé para entender e solucionar os problemas da sociedade. Resumo Os iluministas exaltavam o poder da razão em detrimento ao da fé e da religião. Com isso, acreditavam que poderiam reestruturar a sociedade, ainda presa ao conhecimento herdado da tradição medieval. Através da união de escolas de pensamento filosóficas, sociais e políticas, os iluministas bus- caram estender a crítica racional em todos os campos do saber humano. Assim, enfatizavam a defesa do conhecimento racional para desconstruir preconceitos e ideologias religiosas. Por sua vez, essas seriam superadas pelas ideias de progresso e perfec- tibilidade humana. Em suas críticas, os pensadores iluministas argumentavam contra as determinações mercanti- listas e religiosas. Também foram avessos ao absolutismo e aos privilégios dados à nobreza e ao clero. Isso aba- lava os alicerces da estrutura política e social absolutista. Desta maneira, filósofos como Diderot e D‟Alembert buscaram reunir todo o conhecimento pro- duzido à luz da razão num compêndio dividido em 35 volumes: a Enciclopédia (1751-1780). A publicação da Enciclopédia contou com a participação de vários expoentes iluministas como Montesquieu e Rousseau. Suas ideias se difundiram principalmente entre a burguesia, os quais detinham a maior parte do poder econômico. Entretanto, não possuíam nada equivalente em poder político e ficaram sempre à margem das decisões. Características do Iluminismo O iluminismo rejeitava a herança medieval. Por isso, passaram a chamar este período de "Ida- de das Trevas". Foram esses pensadores que inventaram a ideia que nada de bom havia acon- tecido nesta época. Por isso, advogavam pela limitação dos privilégios do clero e da igreja; bem como o uso da ciência para questionar as doutrinas religiosas. Economia Em oposição ao Mercantilismo, o Estado deveria praticar o liberalismo. Ao invés de intervir na economia, o Estado deveria deixar que o mercado a regulasse. Essas ideias foram expostas, principalmente, por Adam Smith. Política Contrários ao Absolutismo, os iluministas afirmavam que o poder do rei deveria ser limitado por um conselho ou uma Constituição. Igualmente, os súditos deveriam ter mais direitos e serem tratados de forma igualitária. Com isso queria se afirmar que todos deveriam pagar impostos e minorias como os judeus tinham que ser reconhecidos como cidadãos plenos. Despotismo Esclarecido As ideias iluministas se espalharam de tal modo que muitos governantes buscaram implantar medidas embasadas no iluminismo para modernizar seus respectivos Estados. Isso acontecia sem abdicação de seu poder absoluto, mas apenas conciliando-o aos interesses populares. Deste modo, aqueles governantes faziam parte do Despotismo Esclarecido. Os ideais iluministas tiveram serias implicações sociopolíticas. Como exemplo, o fim do colo- nialismo e do absolutismo e o liberalismo econômico, bem como a liberdade religiosa, o que culminou em movimentos como a Revolução Francesa (1789). Iluminismo no Brasil O Iluminismo chegou ao Brasil através das publicações que eram contrabandeadas para a colônia. Igualmente, vários estudantes que iam à Universidade de Coimbra também tiveram contato com as ideias iluministas e passaram a difundi-las. Essas ideias passavam a questionar o próprio sistema colonial e fomentar o desejo de mudan- ças. Assim, o movimento da Luzes influenciou a Inconfidência Mineira (1789), a Conjuração Baia- na (1798) e a Revolução Pernambucana (1817). Principais Pensadores Iluministas Segue abaixo os principais filósofos iluministas: Montesquieu (1689-1755) Voltaire (1694-1778) Diderot (1713-1784) D‟Alembert (1717-1783) Rousseau (1712-1778) John Locke (1632-1704) Adam Smith (1723-1790) O Mito e a Filosofia Mito, do grego mýthos, é uma narrativa tradicional cujo objetivo é explicar a origem e exis- tência das coisas. Origem do Mito Esse foi o recurso utilizado durante anos para explicar tudo o que existe no Universo. Desta forma, foram criados mitos para explicar a origem dos homens, dos sentimentos, dos fenôme- nos naturais, entre outros. O mito era considerado uma história sagrada, narrada pelo rapsodo - que supostamente era a pessoa escolhidapelos deuses para transmitir oralmente as narrativas. O fato de o narrador advir de uma escolha divina, atribuía ao mito o caráter de incontestabilida- de, pois os deuses eram inquestionáveis. Importa referir que, além de explicar as origens, a mitologia - o conjunto dessas histórias fan- tásticas - desempenhavam um papel moral. Esse tipo de narrativa era pertinente para responder aos questionamentos até que, a partir do século VII a.C. as explicações oriundas dessas histórias iam deixando de satisfazer os primei- ros filósofos gregos - os pré-socráticos. Assim, o mundo começava a ser investigado através da razão, priorizando o natural em detri- mento do sobrenatural. Começando a fazer uso da razão, os filósofos não acreditavam nos mitos e exigiam comprovações. Surgimento da Filosofia O surgimento da Filosofia se deu na Grécia, mais precisamente com a formação da pólis - ci- dade-Estado grega. Lá, os cidadãos discutiam política em público, tentando chegar à melhor forma de organização da sociedade. Isso motivava o uso do raciocínio, da reflexão. Com o tempo, as pessoas não discutiam apenas política, mas se indagavam acerca de vários aspectos, o que levou ao crescimento da investi- gação. Desta forma, a transição entre o pensamento mítico e o pensamento racional aconteceu de forma progressiva. Os filósofos pré-socráticos buscaram nos elementos da natureza a resposta sobre as origens. O que Mito e Filosofia têm em comum? Ambos buscam explicar as origens, sendo basicamente essa a característica que os aproxima. Vejamos, entretanto, quais as suas diferenças. Diferenças entre o Mito e a Filosofia Mito Filosofia Fantástico, imaginário Verdadeiro, real Sobrenatural Natural Inquestionável Questionável Fantasia, incoerência Razão, coerência Irracional Lógico A Filosofia e a Ciência Até a Idade Média não havia diferença entre Filosofia e Ciência. Com o desenvolvimento da análise e investigação, todavia, surgiram a Matemática, a Química, a Geografia, a Sociologia, enfim, as diversas áreas científicas. A Filosofia é, assim, a origem para todas as ciências. O Mito - O que é Mito? Mitos são histórias tradicionais, quase sempre sobre deuses, heróis ou criaturas do mundo animal, que explicam por que o mundo é do jeito que é. Pessoas de todos os tempos e de todos os tipos de cultura constataram que a vida está repleta de mistérios. Por exemplo: qual é a origem do mundo, por que o sol se movimenta atravessan- do o firmamento, o que faz as coisas crescerem, por que as plantas morrem no inverno e re- nascem na primavera, de que modo ocorrem as marés, por que há terremotos, para onde vão as pessoas quando morrem, se é que vão para algum lugar? Na tentativa de responder a perguntas como essas, o homem criou narrativas que transcen- dem a existência comum e cotidiana e que se enraizaram em diferentes culturas. Dessa maneira, as respostas para as mais complicadas indagações da vida foram transmitidas de geração para geração, na forma de mitos. Em geral havia semelhanças entres as histórias contadas em sociedade marcadamente distintas, como nas Mitologias da Grécia Antiga e dos Nórdicos, nas quais aparecem temas universais como a vida após a morte e a origem do mun- do. Os mitos eram bem mais do que o simples contar história. Cada cultura possuía cerimônias e rituais próprios associados aos mitos. Essa associação implicava representar histórias exem- plares ou oferecer sacrifícios aos deuses, na esperança de receber alguma benção em troca, como uma boa safra ou a vitória em uma batalha. Explicações mitológicas do mundo diferem das explicações apresentadas pela filosofia, que se baseiam na experiência e na razão. Os filósofos gregos buscavam explicações naturais, não explicações sobrenaturais. Esses filósofos diziam que os mitos não combinavam com um entendimento adequado da rea- lidade. Criticavam as histórias de Homero porque nelas os deuses tem exatamente as mesmas imperfeições dos seres humanos. O pensamento mítico teve início na Grécia, do séc. XXI ao VI a.C. e nasceu do desejo de do- minação do mundo, para afugentar o medo e a insegurança. A verdade do Mito não obedece à lógica nem da verdade baseada na experiência, nem da verdade científica. É verdade compreendida, que não necessita de provas para ser aceita. É portanto uma per- cepção compreensiva da realidade, é uma forma espontânea do homem situar-se no mundo. Normalmente, associa-se, erroneamente, o conceito de mito à mentira, ilusão,ídolo, lenda ou ficção. O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem o vive. A narração de determinada história mítica é uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel. Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história tem uma racionalida- de, mesmo que não tenha uma lógica, por trabalhar com a fantasia. Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles, o mito é muito “maior” que o ídolo (objeto de paixão, veneração). O mito é muito confundido com o conceito de lenda, porém esta não tem compromisso nenhum com a realidade, são meras histórias sobrenaturais. O mito não é exclusividade de povos primitivos, nem de civilizações nascentes, mas existe em todos os tempos e culturas como componente inseparável da maneira humana de compreen- der a realidade. O mito é, na realidade, uma maneira de entender o passado. Um historiador de religiões, certa vez afirmou: “Os mitos contam apenas aquilo que realmente aconteceu“. Isto não quer dizer que os mitos explicam os fatos corretamente. Eles sugerem, entretanto, que por trás da explicação existe uma realidade que não pode ser conhecida e/ou examinada. Tipos de mitos Mitos cosmogônicos Dentre as grandes interrogações que o homem permanece incapaz de responder, apesar de todo o conhecimento experimental e analítico está à origem da humanidade e do mundo que habita. É como resposta a essa interrogação que surgem os mitos cosmogônicos. As explicações ofe- recidas por esses mitos podem ser reduzidas a alguns poucos modelos, elaborados por dife- rentes povos. É comum encontrar nas várias mitologias a figura de um criador que, por ato próprio e autôno- mo, estabeleceu ou fundou o mundo em sua forma atual. Os mitos desse tipo costumam mencionar uma matéria já existente a toda a criação: o oceano, o caos ou a terra. A criação a partir do nada, unicamente pela palavra de Deus, aparece claramente no livro bíbli- co do Gênesis. Mitos escatológicos Ao lado da preocupação com o enigma da origem, figura para o homem, como grande mistério, a morte individual, associada ao temor da extinção de todo o povo e mesmo do desapareci- mento do universo inteiro. Para a mitologia, a morte não aparece como fato natural, mas como elemento estranho à cria- ção original, algo que necessita de uma justificativa, de uma solução em outro plano de reali- dade. Algumas explicações predominam nas diversas mitologias. Há mitos que falam de um primeiro período em que a morte não existia e contam como ela sobreveio por efeito de um erro, de um castigo ou para evitar a superpopulação. Outros mitos, geralmente presentes em tradições culturais mais elaboradas, fazem referência à condição original do homem como ser imortal e habitante de um paraíso terreno, e apresentam a perda dessa condição e a expulsão do paraíso como tragédia especificamente humana. Natureza do mito Um dos livros mitológicos mais conhecidos é a “Ilíada”, de Homero, que conta sobre a Guerra de Troia. Nenhum leitor, hoje em dia, aceita a obra de Homero como um relato histórico. Po- rém, não existe quase nenhuma dúvida de que, em algum tempo, muitos séculos antes de Homero, realmente houve uma guerra entre cidades-estadogregas e habitantes do noroeste da Ásia Menor. Outro dos grandes mitos dos povos antigos é o Dilúvio. A versão mais conhecida é o relato, encontrado no Gênesis o primeiro livro da Bíblia, de Noé e sua arca. Nenhum cientista hoje admitiria que uma enchente pudesse ter coberto toda Terra, com a água atingindo as mais altas montanhas, mas a antiga Mesopotâmia sofreu muitas inundações. É provável que uma excepcional enchente tenha se tornado um tema para a futura criação de um mito. Talvez, as ocorrências de muitas inundações foram agrupadas para, juntas, tornar-se uma única estória. A função dos Mitos Os mitos tentam responder muitas questões. Como o mundo surgiu? Como são os deuses, e de onde vieram? Como surgiu a humanidade? Por quê existe o mal no mundo? O que acontece após a morte? Os mitos também tentam ex- plicar costumes e rituais de uma determinada sociedade. Eles explicam as origens da agricultu- ra e a fundação de várias cidades. Além de fornecer tais explicações, os mitos são usados para justificar o modo de vida de uma sociedade. Várias famílias em muitas civilizações antigas, justificavam os seus poderes através de lendas que descreviam suas origens como sendo divinas. A narração mitológica envolve basicamente acontecimentos supostos, relativos a épocas pri- mordiais, ocorridos antes do surgimento dos homens (história dos deuses) ou com os “primei- ros” homens (história ancestral). O verdadeiro objeto do mito, contudo, não são os deuses nem os ancestrais, mas a apresenta- ção de um conjunto de ocorrências fabulosas com que se procura dar sentido ao mundo. O mito aparece e funciona como intervenção simbólica entre o sagrado e o seu oposto (o pro- fano), condição necessária à ordem do mundo e às relações entre os seres. As semelhanças com a religião mostram que o mito se refere – ao menos em seus níveis mais profundos – a temas e interesses que ultrapassam a experiência imediata, o senso comum e a razão: Deus, a origem, o bem e o mal, o comportamento ético e a escatologia (destino último do mundo e da humanidade). Mito e religião Alguns especialistas, atribuem importância especial ao argumento religioso do mito. Com efei- to, são muito frequentes os mitos que tratam sobre a origem dos deuses e do mundo, dos ho- mens, de determinados ritos religiosos, de preceitos morais, tabus, pecados e redenção. Em certas religiões, os mitos formam um corpo doutrinal e estão estreitamente relacionados com os rituais religiosos, o que levou alguns autores a considerar que a origem e a função dos mitos é explicar os rituais religiosos. Mas tal hipótese não foi universalmente aceita, por não esclarecer a formação dos rituais e porque existem mitos que não correspondem a um ritual. O mito, portanto, é uma linguagem apropriada para a religião. Isso não significa que a religião, tampouco o mito, conte uma história falsa, mas que ambos traduzem numa linguagem de des- crições e narrações uma realidade que ultrapassa o senso comum e a racionalidade humana e que, portanto, não cabe em meros conceitos analíticos. Religião e mito discordam, não quanto à verdade ou falsidade daquilo que narram, mas quanto ao tipo de mensagem que transmitem. Mito e sociedade Como forma de comunicação humana, o mito está obviamente relacionado com questões de linguagem e também da vida social do homem, uma vez que a narração dos mitos é própria de uma comunidade e de uma tradição comum. Não se conseguiu definir, no entanto, a natureza precisa dessas relações. O estudo da socie- dade e da linguagem pode começar apenas com os elementos fornecidos pela fala e pelas relações sociais humanas, mas em cada caso esse estudo se confronta com uma coerência de tradições que não está diretamente aberta à pesquisa. Essa é a área em que atua a mitologia. Algumas concepções mitológicas podem exemplificar a complexidade e a variedade das rela- ções entre mito e sociedade. Mito e psicologia Freud deu nova orientação à interpretação dos mitos e às explicações sobre sua origem e fun- ção. Mais que uma recordação antiga de situações históricas e culturais, ou uma elaboração fantasiosa sobre fatos reais, os mitos seriam, segundo a nova perspectiva proposta, uma ex- pressão simbólica dos sentimentos e atitudes inconscientes de um povo, de forma perfeitamen- te comparável ao que são os sonhos na vida do indivíduo. Não foi por outra razão que Freud recorreu ao mito grego para dar nome ao complexo de Édi- po. Para ele, o mito do rei que mata o pai e casa com a própria mãe simboliza e manifesta a atra- ção de caráter sexual que o filho, na primeira infância, sente pela mãe e o desejo de superar o pai. Mito e arte Pelo caráter simbólico que reveste, o mito pode ser considerado como uma forte manifestação artística e geradora de arte. Em cada povo e civilização, os mitos são fonte de inspiração para as mais diversas obras de arte como esculturas, pinturas, inscrições, monumentos, construções de templos e até mesmo a disposição dos túmulos em cemitérios. Hoje em vários museus do mundo existem quadros e esculturas representando os antigos per- sonagens que fizeram parte da mitologia. Mito e razão Alguns autores reduzem os mitos a narrativas referentes há tempos antiquados e elaborados em épocas pré-críticas, isto é, antes do uso de métodos racionais de estudo e análise. Entendem que o mito tornou-se, com o tempo, mera literatura, embora encontrem dificuldades para estabelecer com precisão quando teria cessado a criatividade mítica. Outros estudiosos, ao contrário, consideram o pensamento mítico um constante estudo sobre o estudo e a classificação dos caracteres físicos dos grupos humanos, complementares ao pen- samento racional e não um estágio “menos evoluído” deste. Apontam, para demonstrá-lo, sinais de que o pensamento mítico está em operação em muitas das manifestações culturais contemporâneas como a arte. O pensamento racional e científico não seria, portanto, um decifrador de mitos e substituto do pensamento mítico, mas pode ser capaz de reconhecer sua atualidade. Enquanto a astronomia, com suas descobertas, esvaziou os céus, antes povoados de deuses, a sociologia e a psicologia descobriram forças que se impõem ao pensamento e à vontade humana, e portanto, atuam e se manifestam de modo independente. Mitos sobre o tempo e a eternidade Os corpos celestes sempre atraíram a curiosidade e o interesse humano, em todas as culturas. A regularidade e precisão inalteráveis do movimento dos astros foram com certeza uma ima- gem poderosa na formação de uma ideia de “tempo transcendente”, concebido como eternida- de, em contraste com o mundo de incessantes alterações e os acontecimentos inesperados vividos no tempo terreno. O retorno periódico dos fenômenos siderais e de processos naturais terrestres projetou-se, em algumas culturas, na concepção repetitiva do tempo. Mitos de transformação e de transição Numerosos mitos narram mudanças cósmicas, produzida ao término de um tempo primordial anterior à existência humana e graças às quais teriam surgido condições favoráveis à formação de um mundo habitável. Outras grandes transformações e inovações, como a descoberta do fogo e da agricultura, es- tão associadas aos mitos dos grandes fundadores culturais. Nos mitos, são frequentes as transformações temporárias ou definitivas dos personagens, seja em outras figuras humanas ou em animais, plantas, astros, rochas e outros elementos da natu- reza. As mudanças e transformações que se dão nos momentos críticos da vida individual e social são objetos de particular interesse mitológicos e rituais: nascimento, ingresso na vida adulta, casamento, morte – acontecimentos marcantes para a pessoa e sua comunidade – são inter- pretados como atualizações de processos cósmicos ou de realidades míticas.Deuses e heróis Em muitas mitologias, descrevem-se hierarquias de deuses, cada uma com um ou mais deuses supremos. A supremacia pode ser partilhada pelos membros de um casal, ou ser atribuída simultaneamente a dois ou três deuses distintos. Pode também variar com o tempo, segundo circunstâncias históricas, como por exemplo o domínio de um povo sobre outro ou o predomínio de determinados interesses e atividades (de tipo agrícola, guerreiro etc.). São frequentes os relatos de deuses supremos, por vezes identificados como criadores origi- nais do mundo, que a seguir ficam inativos e deixam o governo a cargo de outro deus ou deu- ses. O Mito hoje Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes? Tradicionalmente, a criação de mitos e lendas, olha para o passado para tentar fazer com que o presente tenha sentido. Ao invés disso, alguns mitos modernos olham para o futuro. Os con- tadores de estórias fazem uso de muitas invenções dos últimos séculos para tentar dar pistas de como a Terra será daqui há centenas de anos, ou para imaginar a vida daqui há bilhões de anos-luz no espaço ou no futuro distante. A criação de mitos, assim como a superstição, não é apenas propriedade de pessoas que vive- ram há milhares de anos atrás. Isto persiste através da história. O Oeste Americano do século 19 foi o assunto favorito para a criação de muitos mitos. O Oeste era uma realidade. Havia cowboys, índios, foras-da-lei e xerifes. Já as estórias de “Faroeste”, apresentadas no cinema e na televisão, são versões bastante românticas de uma realidade nada feliz e de riquezas. O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é só razão, mas também afetividade e emoção. Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva. O mito recuperado do cotidiano do homem contemporâneo, não se apresenta com o alcance que se fazia sentir no homem primitivo. Os mitos modernos não envolvem mais a totalidade do real como ocorria nos mitos gregos, romanos ou indígenas. Podemos escolher um mito da sensualidade, outro da maternidade,sem que tenham de ser coerentes entre si. Os super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes, passam a encarnar o Bem e a Justiça, assumindo a nossa proteção imaginária. Por que mitos? Por que nos importarmos com eles? O que eles têm a ver com nossas vidas? Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas práticos do momento. As literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. Tendo sido suprimidas, em prol de uma educação concorde com uma sociedade industrial, onde toda uma tradição de informação mitológica do ocidente se perdeu. Muitas histórias se conservavam na mente das pessoas, dando uma certa perspectiva naquilo que aconteciam em suas vidas. Com a perda disso, por causa dos valores práticos de nossa sociedade industrial, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada para por no lugar. Essas informações, provenientes de tempos antigos, têm a ver com os temas que sempre de- ram sustentação à vida humana, construíram civilizações e formaram religiões através dos séculos, e têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limites de nossa travessia pela vida, e se você não souber o que dizem os sinais deixados por outros ao longo do caminho, terá de produzi-los por conta própria. Pensamento Mítico e Pensamento Filosófico Historicamente, a filosofia, tal como a conhecemos, inicia com Tales de Mileto. Tales foi o pri- meiro dos filósofos pré-socráticos, aqueles que buscavam explicar todas as coisas através de um ou poucos princípios. Ao apresentarem explicações fundamentadas em princípios para o comportamento da nature- za, os pré-socráticos chegam ao que pode ser considerado uma importante diferença em rela- ção ao pensamento mítico.Nas explicações míticas, o explicador é tão desconhecido quanto a coisa explicada. Por exemplo, se a causa de uma doença é a ira divina, explicar a doença pela ira divina não nos ajuda muito a entender porque há doença. As explicações por princípios definidos e observáveis por todos os que tem razão (e não apenas por sacerdotes, como ocor- re no pensamento mítico), tais como as apresentadas pelos pré-socráticos, permitem que apresentemos explicadores que de fato aumentam a compreensão sobre aquilo que é explica- do. Talvez seja na diferença em relação ao pensamento mítico que vejamos como a filosofia de origem europeia, na sua meta de buscar explicadores menos misteriosos do que as coisas explicadas, tenha levado ao desenvolvimento da ciência contemporânea. Desde o início, isto é, desde os pré-socráticos vemos a semente da meta cartesiana de controlar a natureza. A Necessidade do Estudo do Mito Para a Filosofia Um longo período de tempo medeia entre o gradual aparecimento do homem na Terra e o gra- dual aparecimento do homem utilizador da razão abstrata. Podemos dar por fixa a data de há 70 000 anos para o definitivo estabelecimento do Homo-Sapiens nas planícies europeias. Também podemos dar por fixa a data de há 3000 a 2800 anos para o estabelecimento definiti- vo, na civilização grega clássica, do uso preferencial do discurso racional como instrumento de conhecimento do homem sobre a realidade. Entre estas duas datas, o homem aprendeu a modelar a pedra, o barro, a madeira, o ferro, levantou diversíssimas casas em função dos materiais que tinha à mão, estabeleceu regras de casamento e de linhagem familiar, distinguiu as plantas e os animais bons dos nefastos, des- cobriu o fogo, a agricultura, a arte da pesca, da caça coletiva, etc. No plano estritamente filosófico, interessa-nos, sobretudo, a descoberta (ou invenção) de um instrumento que lhe iria permitir acelerar o desenvolvimento do processo de conhecimento da realidade por via da conservação das descobertas transmitidas de geração em geração: a pa- lavra, a linguagem. É pela palavra que se vai condensar a experiência que as mãos e os olhos vão adquirindo ao longo de gerações. A palavra surge, assim, como dotada de uma força espiritual (sai de dentro do homem como a respiração, não se toca, não se vê) que se conserva para além do ciclo da vida e da morte, capaz de por si própria reevocar acontecimentos passados, que se estabele- cem como modelos de ação para o presente, e igualmente capaz de prefigurar o futuro, for- çando-o a ser conforme aos desejos humanos. É assim em torno do uso majestático da palavra que o homem primitivo (de épocas remotas ou atuais) vai desenvolver e sintetizar toda a sua capacidade de apreensão de conhecimentos da realidade que o cerca. Ora, o que atualmente chamamos Mito Clássico (também existe o mito moderno) é o repositório de narrativas, longas ou breves, que as sociedades antigas (anterio- res à Grécia clássica) ou as sociedades primitivas atuais nos deixaram, nelas condensando a sua secular experiência de vida, o modo como encaravam a vida e a morte, os ciclos de renas- cimento da natureza, o modo como analisavam e escolhia a flora e a fauna da sua região, co- mo viam e interpretavam os astros no céu, o processo cíclico do dia e da noite, os actos de nascimento, de reprodução e de casamento, bem como tudo o que dizia respeito à sua vida quotidiana e às regras por que se relacionavam entre si. Mito e Pensamento Entre os Gregos A mitologia é um assunto fascinante, com este trabalho, entenderemos quais as principais fun- ções que os mitos tinham, e por que eles eram tão importantes para os gregos. Os mitos acima de tudo organizavam as comunidades e formavam o ser pessoal dos cidadãos. Neste trabalho explicaremos como e por que isto ocorria.O SIGNIFICADO DOS MITOS PARA OS GREGOS A mitologia foi uma forma encontrada para se compreender o mundo e entender coisas que para aquela época eram quase impossíveis de se entender: O que é a terra, por que ela existe, quem somos nós, por que estamos aqui e o que acontecerá quando morrermos. A mitologia dava respostas para estas perguntas. Eram respostas falsas, mas satisfaziam a curiosidade das pessoas. Muitas destas perguntas não tem resposta até hoje. Sempre ficou muito claro na mitologia que os deuses não gostavam dos humanos, nós éramos apenas “brinquedinhos” deles. Mas por que? Será que isso não seria uma explicação para os seres humanos entenderem por que as vezes a vida e tão dura, tudo dá errado, e também para compreender por que existia tanto sofrimento, tanta dor, tanta injustiça? E as Mouras? Não seriam a explicação para todas aquelas vezes em que por mais que a pes- soa tivesse lutado, batalhado e sofrido, ela não tivesse alcançado seus objetivos? Ao invés de se considerar um perdedor, talvez fosse mais fácil dizer que não existia a vontade humana, apenas a vontade divina. Os mitos foram muito importantes para toda a sociedade daquela época, pois sempre foi es- sencial para o homem saber suas origens e a origem do mundo. E os mitos além da função religiosa tinham também esta função: Explicar o incompreensível. A mitologia se aproxima demais da realidade, pois sem a realidade os mitos não existiam, já que estes são explicações de uma difícil realidade. Os deuses eram muito parecidos com os homens não só fisicamente. Nós sabemos que os deuses eram considerados muito mais inteligentes do que os homens, mas acontece que os sentimentos e as representações dos deuses eram todos refletidos em nós. Se acontecia uma peste, por exemplo, era por que algum deus estava descontente com os humanos, e logo isto refletia na sociedade. A mitologia tentava esclarecer entre tantas coisas os fenômenos naturais da terra. Os deuses eram figuras individuais com aspectos humanos, que recebiam uma força maior do além. E muito raramente eles usavam estas forças para beneficiar os humanos. Como eu já disse antes, os deuses não gostavam de nós. Com os recursos da época, era praticamente impossível descobrir a origem do mundo. Com os mitos, isso foi possível. Para os gregos, segundo Hesiodo, no poema TEOGONIA, tudo come- çou com o Caos, e a partir dele surgiu Nyx, a noite, e Gaya, a terra. Partindo deste fato, foi surgindo toda uma teoria mitológica das origens não só do mundo, mas de tudo, como o surgi- mento do homem, do tártaro, dos deuses, etc. Portanto podemos assim concluir que os mitos eram uma explicação irracional do mundo. Eles só seriam racionais a partir do momento em que o homem separasse o espirito da razão, que no momento não era o caso. Eles eram a única forma dos gregos conhecerem a origem deles próprios, mesmo sendo uma origem falsa. Eles acreditavam em seus mitos, e isso era o mais importante. É obvio que eles não sabiam que os mitos existiam principalmente para desvendar tais mistérios, para eles aquilo era verdade e pronto. Era muito importante para a sociedade daquela época que os deuses fossem parecidos com eles. Para eles, eles eram reflexos inferiores dos deuses. mas na verdade os deuses que eram reflexos superiores a eles. Os deuses eram como se fossem seres humanos perfeitos, sem os problemas banais do homem, e com uma força do alem muito forte. Eles não tinham que traba- lhar para conseguir comida e nem para sustentar uma família. Também não precisavam des- vendarem os mistérios da vida. Eles sabiam tudo. A impressão que se tem é que a morte era uma coisa que assustava demais os gregos, por eles não a entenderem. Independente de você ter sido bom ou ruim, você ia para o inferno (Tártaro) só com o corpo, pois sua alma evaporava. Você não iria ser mais nada: Estava con- denado ao sofrimento eterno. Os deuses não tinham este problema, uma vez que eram imortais. A CONTRIBUIÇÃO DOS MITOS PARA COM A SOCIEDADE Os mitos contribuíam para que houvesse uma integração à vida social e política das pessoas. Os mitos que organizavam as leis e regras de uma comunidade. Se alguém desrespeitasse alguma destas leis ou regras, isto não refletia nele como pessoa, mas sim em todos como so- ciedade. Por exemplo, se uma pessoa deixasse de fazer um culto a um deus, este deus não ficaria bravo e se “vingaria” da pessoa, e sim da comunidade aonde esta pessoa vivia. Este era um fator que contava para que todos fizessem seus cultos aos seus deuses. Os mitos eram tão importantes que até as pessoas que não participavam do polis (Escravos e mulheres) encontraram um espaço, assim desenvolvendo uma religião própria, o dionisismo. Os mitos funcionavam meio que como a lei dos lugares. Por exemplo, em certa comunidade eles falavam que quem roubasse de outra pessoa ia ser punido pelos deuses, logo eles não roubavam. Se uma pessoa cometesse uma falta muito grave e fosse expulsa de sua comunidade, ela per- dia o seu ser social, isto é, perdia suas raízes. Para ela ser aceita em outra sociedade e voltar a ser alguém, ela tinha que através desta nova sociedade pedir aos deuses para ser aceito. Não era fácil mudar de comunidade, pois cada uma tinha seus cultos e culturas. Os mitos vari- avam de cidade em cidade. Não que eles fossem inteiramente diferentes: Apenas algumas características mudavam, assim como as oferendas a eles feitos. A pessoa que mudava de cidade também teria de acreditar em coisas diferentes do que as outra em que ela estava habi- tuada. As cidades eram formadas para algum mito. Por isto também que os mitos eram impor- tantes para a formação da sociedade. COMO FUNCIONAVAM OS MITOS DENTRO DA SOCIEDADE Para pedir qualquer permissão a um deus sobre algum assunto, não era qualquer pessoa que podia fazer isto, e sim aquelas que faziam parte da magistratura, pois elas também faziam par- te do sarcedócio. Os deuses eram invisíveis, e por melhores que fossem as representações deles, elas não ti- nham muita validade pois os mitos traspassavam qualquer representação. Os deuses eram oniscientes e onipresentes, isso é, eles estavam em todos os lugares a todos os momentos e sabiam de tudo o que estava acontecendo. As figuras mitológicas eram perfeitas. Eles tinham traços humanos e representavam coisas bem delineadas. Zeus por exemplo, além de ser o deus dos deuses, era o deus do juramento, do contrato, da chuva, etc. A grande diferença entre um Deus e um ídolo, é que o ídolo é a pessoa até quando ela é ela mesma, já o mito não. Por exemplo, hoje em dia o Pelé é considerado um mito, pois além de ser o melhor jogador de futebol, ele é considerado o melhor atleta, o mais honesto, etc. Isso é, ele superou-se e superou a todos. DO MITO A RAZÃO O homem deixa de acreditar nos mitos quando ele percebe a separação da razão e do espírito, assim descobrindo a ciência. Ele passa a ver que as coisas não acontecem por que Zeus quer, e sim por que elas tem uma certa lógica. A partir destes pensamentos constroe-se a filosofia, que é muito importante para que o homem entenda por que ele vive, por que esta aqui, etc. CONCLUSÃO Geralmente quando as pessoas falam em mito, elas não imaginam que por detrás destes mitos existia um grande pano de fundo, que cobria toda a organização política e social e toda a for- mação dos carateres pessoais de uma comunidade. Com este trabalho aprendemos que mito- logia é muito mais do que uma simples religião. Ela fez tudo isso e muito mais. Mas a partir do momento que o homem descobre que a razão e o espírito não estão juntos, toda a “teoria” dos mitos desaba; Aí está fundada a filosofia. A mitologia foi muito importante para aquelas comunidades, pois ela tentou e conseguiu escla- recer suas várias dúvidas. Nascimento da Filosofia A reflexão filosófica,tal como conhecida e estudada, nasceu na Grécia antiga no século VI a.C., com os filósofos que antecederam Sócrates. Para entender o nascimento da filosofia no mundo grego, é preciso, inicialmente, examinar uma questão fundamental: o que caracteriza a originalidade do emergente pensamento filosófi- co? Diferentemente das narrativas mitológicas, sustentadas pela crença na supranaturalidade, a atitude filosófica converte os temas da origem e da ordem do mundo à condição de problemas a serem resolvidos estritamente pela inteligência humana. A atividade filosófica compromete-se com a busca pelo conhecimento exclusivamente racional da realidade, sem recorrer, portanto, à credulidade prévia nos seres divinos e à aceitação de pressupostos sobrenaturais. Contexto histórico São muitos os fatores históricos que costumam ser indicados como oportunos ao nascimento da filosofia: a humanização dos deuses gregos, as viagens marítimas, o desenvolvimento de uma economia comercial urbana, a utilização em larga escala da moeda, a criação de um ca- lendário laico, o uso do alfabeto e a atividade política. A projeção de traços humanos nas divindades gregas ou a concepção dos deuses à imagem dos seres humanos facilita a autonomia humana em relação à religiosidade, algo que constitui- ria importante aspecto da especulação filosófica. No mesmo sentido, atuam as viagens marítimas, que revelam a discrepância entre os relatos míticos e as observações geográficas efetuadas, e a adoção de um calendário desvinculado da religião, organizado com base em eventos humanos e regularidades da natureza. A economia comercial urbana, a circulação generalizada da moeda e o uso do alfabeto também contribuem para o desenvolvimento de um pensamento abstrato, por se- rem atividades que exigem, em si mesmas, razoável nível de abstração. A articulação entre esses aspectos históricos e sua participação no contexto sociocultural que explica o surgimento da filosofia apenas se tornam realmente compreensíveis no universo da pólis grega. Nos reinos orientais da Antiguidade e no início da história antiga grega, o poder administrativo concentra-se na figura do monarca que, legitimado por sua suposta descendência dos deuses, exerce verticalmente sua autoridade e representa a noção de permanência da ordem social tecida pelas divindades. As cidades-Estado gregas, formadas no período arcaico e consolidadas em configurações de- mocráticas ou oligárquicas na época clássica da Antiguidade helênica (séculos V a.C. e IV a.C.), instituem uma novidade histórica. Trata-se do surgimento da política, compreendida co- mo corpo cívico no qual os cidadãos, em igualdade de condições, apresentam propostas, de- batem e participam diretamente das decisões de sua comunidade. Nas assembleias das cidades gregas, o discurso racional assume o plano principal dos deba- tes, pois os temas da coletividade são discutidos por cidadãos que, para a defesa de seus pon- tos de vista, dependem apenas da qualidade de suas argumentações. Neste domínio público da cidadania, com suas práticas de pensamento separadas da religiosi- dade, transcorre a racionalização das relações sociopolíticas e a constituição de uma cultura propensa à dessacralização do saber. Pode-se constatar que o nascimento da filosofia – investigação racional do cosmos e, posteri- ormente, das questões humanas – corresponde ao exercício da política na dimensão do logos (razão). Os primeiros filósofos Os primeiros filósofos gregos dedicaram-se ao exame da physis, termo convencionalmente traduzido por natureza. Entretanto, é preciso notar que o teor semântico de physis é mais vasto e profundo, se comparado ao significado que nossa cultura contemporânea atribui à expressão „natureza‟. Physis é o princípio originário, fundamento de tudo o que existe (a arqué), o princípio interno responsável pela geração e pela organização do cosmos e de seus diversos componentes. É a realidade subjacente à nossa experiência, ou seja, o que é primário, fundamental e persistente, contrastando, então, com aquilo que é secundário, derivado e transitório. Esse entendimento mínimo sobre a noção grega de physis auxilia na compreensão da origina- lidade da postura de Tales de Mileto (625-586 a.C.), identificado como o personagem inaugural da filosofiapela maioria dos historiadores. Tales afirma que a água é o princípio originário, a unidade primordial do cosmos e da diversidade que encontramos em seu interior. Para o pri- meiro filósofo, portanto, a água é a physis, o princípio fundamental, presente na totalidade da- quilo que existe. Uma asserção desse tipo parece pouco relevante e mesmo extravagante sob o prisma con- temporâneo, motivo pelo qual é necessário sublinhar o ineditismo de Tales. Ao declarar tal sentença, esse pensador esboça uma explicação racional acerca do cosmos, excluindo os pressupostos divinos da ordenação do mundo e inaugurando a problematização filosófica. Dessa forma, Tales inicia a filosofia ao converter os temas tradicionais da mitologia em proble- mas para os quais se devem oferecer soluções racionais. Sua declaração de que a água é a unidade fundamental do cosmos contém, implicitamente, a indicação de relevantes questiona- mentos filosóficos, tais como: Qual é o princípio originário do cosmos? Como se processam a geração, o crescimento e a corrupção dos seres? O que permanece em meio às múltiplas transformações que observamos no mundo? Tais questões, pensadas rigorosamente como problemas filosóficos, exigem a elaboração de respostas demonstradas de modo racional e, de maneira diversa dos mitos, cujo valor de ver- dade é postulado com base na autoridade da tradição, as teses autenticamente filosóficas – que pretendem se estabelecer como explicações racionais da realidade – são avaliadas de forma crítica sob a perspectiva da razão. O mito reivindica a veracidade de seus relatos na reverência aos ancestrais, em seu viés religi- oso e na autoridade de quem os pronuncia, excluindo a postura crítica daqueles que acolhem seus ensinamentos. Já a tese filosófica sustenta-se unicamente em sua racionalidade e, sendo assim, é passível de ser criticada de modo racional. Uma afirmação filosófica como a de Tales, em razão de sua pretensão racional, é sujeita a críticas, a contra-argumentações, a reformulações e correções racionalmente sugeridas. A nascente atividade filosófica, portanto, introduz na cultura grega e, em sentido mais amplo, na cultura ocidental, um espaço crítico e racional de diálogos, debates e argumentações, isto é, a filosofia ultrapassa os limites do pensamento mitológico e realiza-se na esfera do logos. Deuses Gregos Os Deuses Gregos, cultuados pelos antigos habitantes da Grécia, eram representados sob a forma humana e simbolizavam os anseios e temores humanos. Eles regiam as forças da natureza, comandavam o céu, a terra, o sol, a lua, os rios, o mar, o vento, etc. Os deuses se comportavam como criaturas humanas, ou seja, tinham ciúme, inveja, ódio e amor. Eles eram imortais e estavam dispostos numa hierarquia. Embora profundamente arraigado no contexto geral da cultura em que se formou, um deus podia como qualquer elemento cultural, passar de um grupo para outro mudando de significado e função, para ajustar-se aos interesses do novo meio social. Um exemplo são os deuses cultuados na Roma antiga, denominados de deuses romanos, que provinham na sua maioria da Grécia. Esses apenas mudaram de nome quando foram adotados em Roma. Principais Deuses Gregos Representação de Alguns Deuses Gregos do Olimpo Veja abaixo uma lista dos principais deuses da mitologia grega: Afrodite - deusa da beleza e do amor Apolo - deus da luz Ares - deus da guerra Ártemis - deusa da lua Atena - deusa da sabedoria Deméter - deus da terra fértil Dionísio - deus da festa, do vinho e do prazer Éos - deus do amanhecer Eros - deus do amor Hades - deus do submundo Hélios - deus do sol Hermes - deus do vento Hera - deusa dos céus, maternidade e matrimônio Héstia - deusa do fogo Horas - deusa que representavam as estações do ano Mnemósine - deusa da memória Perséfone - rainha do submundo Poseidon - deus dos mares Selene - deusa da lua Têmis - deusa das leis Zeus - deus dos deuses, Heróis Gregos Além dos deuses gregos, saiba quem são os principais heróis da mitologia: Belerofonte Quase deuses eram também os heróis. Eram admirados por suas qualidades humanas e não pela possível ajuda divina que acaso recebessem. Belerofonte era um herói e sozinho matou a Quimera, terrível monstro que vomitava fogo. Atena, a deusa da sabedoria, presenteou-lhe com uma rédea de ouro. Com esse objeto Belero- fonte apanhou Pégaso, o cavalo voador que o conduziu pelos céus até o covil de Quimera. Perseu Estátua de Perseu com a cabeça de Medusa Perseu, filho de Zeus, matou a Medusa, cujos olhos transformavam em estátuas de pedra to- dos aqueles que a encarassem. Hermes, deus do vento, ajudou-o emprestando-lhe suas san- dálias aladas e Atena deu-lhe seu escudo. Teseu Estátua de Teseu combatendo o Minotauro Teseu não recebeu auxílio, mesmo assim libertou Atenas de um cruel tributo ao Rei Minos, de Creta. Todos os anos, Minos exigia sete mancebos e sete donzelas atenienses para serem devorados pelo Minotauro. Esse era um monstro com corpo humano e cabeça de touro que estava preso no Labirinto de Cnossos. Herácles Herácles e o Centauro Herácles (Hércules, para os romanos) assassinou sua esposa, Mégara, e por isso recebeu doze difíceis tarefas: 1. matar um leão que assolava o vale da Neméia; 2. exterminar a quase invencível Hidra de Lerna, monstro de nove cabeças; 3. capturar a corça Crinéia, que tinha os pés de bronze; 4. capturar o javali de Erimanto; 5. limpar os estábulos do rei Áugias, onde três mil animais viviam acumulados; 6. matar as aves de rapina do lago Estinfália; 7. apoderar-se do touro de Creta; 8. pegar os cavalos selvagens de Diomedes; 9. encontrar o cinturão de Hipólita, rainha das amazonas; 10. Achar os bois de Gerião; 11. Ter as maçãs de ouro das Hespérides; 12. Vencer o cão Cérbero, guarda do inferno. Após vencer as doze tarefas, Hércules libertou o titã Prometeu, que estava acorrentado a uma rocha. Outros Heróis da Mitologia Grega Entre os heróis da mitologia grega, estavam ainda: Agamenon: comandante da guerra de Troia Aquiles: participou do cerco à cidade de Troia Édipo: decifrou o enigma da esfinge Atlanta: heroína que participou da caça ao javali de Caridon Ajax: herói da guerra de Troia Cadmo: que venceu o dragão que controlava a cidade de Tebas Musas Gregas Entre os homens mortais e os deuses imortais havia criaturas semidivinas que os gregos ve- neravam como musas, entre elas, as filhas de Zeus e de Mnemósine: Clio: musa protetora e inspiradora da história. Polímnia: musa da oratória e poesia sacra. Urânia: musa da astronomia. Erato: musa da poesia amorosa. Euterpe: musa da música. Calíope: musa da poesia épica e da eloquência. Melpomene: musa da poesia trágica Terpsícore: musa da dança e canto Talia: musa da comédia e da poesia Mitologia Grega A Mitologia Grega reúne um conjunto de lendas e mitos que foram criados pelos gregos na antiguidade. O objetivo principal era de explicar alguns fatos, como a origem da vida, a vida após a morte, ou até mesmo os fenômenos da natureza. Assim, a criação das narrativas fantásticas que engobam a mitologia grega foi a maneira en- contrada pelos gregos para preservarem sua história. É importante ressaltar que a civilização grega estava baseada numa religião politeísta, ou seja, eles cultuavam diversos deuses. Seres Mitológicos A mitologia grega é permeada por inúmeras figuras mitológicas. Dentre as mais importantes podemos citar: Heróis: considerados os semideuses, ou seja, filhos de deuses com humanos. Dos heróis gregos destacam-se: Perseu, Teseu e Belerofonte. Ninfas: figuras mitológicas femininas sempre lindas e alegres e que cuidavam das florestas. Por exemplo, as Alseídes, ninfas das flores e bosques; as Dríades, ninfas dos carvalhos; as Nereidas, ninfas da água. Sereias: figuras femininas que cantavam e possuíam corpo de peixe. Podiam ser representa- das com asas e cabeça e busto de mulher, tal qual as Harpias. Centauros: seres híbridos e fortes com corpo metade humano e metade cavalo. Destaca-se Quíron, amigo de Herácles criado por Cronos. Sátiros: possuíam um corpo de homem com patas de bode e chifres. São correspondentes aos faunos da mitologia romana. Dos sátiros gregos destaca-se: Pã, o Deus dos bosques. Górgonas: figuras femininas que possuíam cabelos de serpentes, por exemplo, a Medusa. Deuses Gregos Interessante observar que os deuses gregos eram figuras imortais e antropomórficas. Ou seja, eram deuses com formas humanas e que também possuíam sentimentos humanos como o amor, o ódio, a maldade, a inveja, a bondade, egoísmo, fraqueza. Os deuses mais poderosos são os Deuses do Olimpo que viviam no topo do Monte Olimpo, eles são considerados os principais deuses do panteão grego. São 12 os principais deuses do Olimpo: Zeus, Hera, Poseidon, Deméter, Héstia, Afrodite, Apo- lo, Ares, Ártemis, Atena, Hefesto e Hermes. Principais Deuses da Mitologia Grega Zeus: O deus supremo do céu. Hera: deusa protetora das mulheres, dos casamentos e da maternidade. Poseidon: deus dos mares e dos oceanos. Hades: deus dos infernos, dos mortos e do subterrâneo. Afrodite: deusa do amor, do sexo e da beleza. Héstia: deusa do lar e do coração. Apolo: deus da luz do sol, da música, da poesia, das artes, da beleza masculina e da adivinha- ção. Ártemis: deusa da caça, da castidade, da luz e da vida selvagem. Ares: deus da guerra. Eros: deus da paixão, do sexo, do amor. Atena: deusa da sabedoria, da justiça, das artes, da guerra e da serenidade. Considerada a protetora da cidade de Atenas. Cronos: deus do tempo. Deméter: deus da colheita e da agricultura. Perséfone: rainha do submundo e deusa das flores e frutos. Dionísio: deus das festas, do prazer e do vinho. Hermes: deus do comércio e das comunicações; mensageiro dos deuses, protetor dos comerciantes e dos viajantes. Hefesto: deus do fogo, dos metais e do trabalho. Gaia: deusa da terra. Pã: deus das florestas, dos bosques, dos campos e dos pastores. Curiosidades: Você Sabia? Os Jogos Olímpicos surgiram das narrativas gregas, onde os deuses eram homenagea- dos por meio de jogos e competições esportivas realizados no Monte Olimpo. Para se livrarem dos problemas ou mesmo para saber do futuro, os gregos consultavam seus oráculos para que interpretassem a vontade dos deuses. Guerra de Troia A Guerra de Troia foi um conflito bélico entre aqueus (um dos povos gregos que habitavam a Grécia Antiga) e os troianos, que habitavam uma região da atual Turquia. Esta guerra durou aproximadamente 10 anos e aconteceu entre 1300 e 1200 a.C. Causas da guerra Gregos e troianos entraram em guerra por causa do rapto da princesa Helena de Troia (esposa do rei lendário Menelau), por Páris (filho do rei Príamo de Troia). Isto ocorreu quando o príncipe troiano foi à Esparta, em missão diplomática, e acabou apaixonando-se por Helena. O rapto deixou Menelau enfurecido, fazendo com que este organize um poderosoexército. Agamenon foi designado para comandar o ataque aos troianos. Usando o mar Egeu como rota, mais de mil navios foram enviados para Troia. A Guerra O cerco grego à Troia durou aproximadamente 10 anos. Inúmeros soldados foram mortos, entre eles os heróis gregos Heitor e Aquiles (morto após ser atingido em seu ponto fraco, o calcanhar). A guerra terminou após a execução do grande plano do guerreiro grego Odisseu. Sua ideia foi presentear os troianos com um grande cavalo de madeira. Disseram aos inimigos que estavam desistindo da guerra e que o cavalo era um presente de paz. Os troianos aceitaram e deixaram o enorme presente ser conduzido para dentro de seus muros protetores. Após uma noite de muita comemoração, os troianos foram dormir exaustos. Neste momento, as portas que existi- am no cavalo de madeira abriram-se e dele saíram centenas de soldados gregos. Estes solda- dos abriram as portas da cidade para que os gregos entrassem e atacassem a cidade de Troia até sua destruição. Os acontecimentos finais da guerra são contados na obra Ilíada de Homero. Sua outra obra poética, Odisseia, conta o retorno do guerreiro Odisseu e seus soldados à ilha de Ítaca. Mito ou fato histórico? Durante muitos séculos, acreditava-se que a Guerra de Troia fosse apenas mais um dos mitos da mitologia grega. No entanto, o mito se transformou em verdade quando o arqueólogo ale- mão Heinrich Schliemann descobriu a cidade de Troia, na Turquia – que tinha sido queimada em 1220 a.C. Entretanto, muitos aspectos entre mitologia e história ainda não foram identifica- dos e se confundem. Hoje é aceito que a guerra de Troia realmente aconteceu, porém, o mais provável é que a luta tenha sido ocasionada por rotas de comércio e não por amor. Polis Grega A polis grega eram as cidades estados da Grécia Antiga, as quais foram fundamentais para o desenvolvimento da cultura grega no final do período homérico, período arcaico e período clás- sico. Sem dúvida Atenas e Esparta merecem destaque como as cidades gregas (polis) mais impor- tantes do mundo grego. O termo “polis” em grego significa “cidade”. Note que as polis gregas representam a base do desenvolvimento do conceito de cidade tal qual conhecemos hoje. Nascimento e Desenvolvimento da Polis As polis surgem no século VIII a.C. e atingem seu apogeu nos séculos VI e V a.C. Anteriormen- te, as pessoas se reuniam em pequenas aldeias (comunidade gentílicas agrícolas denomina- das “genos”) com terras de uso coletivo, as quais floresceram durante o período homérico. A expansão demográfica e do comércio foram as principais causas para o surgimento da Polis, que incluía o campo e a cidade (centro). Foram, portanto, essenciais para fortalecer a organi- zação dos membros da sociedade grega. A polis era controlada por uma oligarquia aristocrática e possuía uma organização própria e, portanto, independência social, política e econômica. A organização social da polis era consti- tuída basicamente por homens livres (os cidadãos gregos) nascidos na polis, mulheres, estran- geiros (metecos) e escravos. Sendo assim, em Atenas os denominados Eupátridas ou “Bem-nascidos” pertenciam a peque- na classe dominante que detinham as maiores terras sendo responsáveis por administrar a política da polis. Depois deles, estavam os Georgoi, agricultores proprietários de terra. E, por fim, os Thetas (ou marginais), os trabalhadores que não detinham nenhum poder sobre as terras e que represen- tavam a maior parte da população grega. Já a sociedade em Esparta era dividida em Esparciatas (os aristocratas soldados), responsá- veis pelo desenvolvimento da política da polis. Os denominados Periecos representavam os homens livres, (comerciantes, agricultores e arte- sãos). E por fim, os escravos, chamados de Hilotas, que constituíam a maior parte da polução espartana. As polis gregas eram divididas em duas partes: a Ástey (zona urbana) e a Khora (zona rural), sendo formadas por casas, ruas, muralhas e espaços públicos. Como espaços públicos, podemos destacar a a Acrópole, ponto mais alto da cidade, formada por palácios e templos dedicados aos deuses; e a Ágora, a praça principal donde ocorriam as feiras e diversos atos públicos como as manifestações cívicas e religiosas. A economia na polis era baseada na agricultura e no comércio sendo um núcleo urbano autos- suficiente. Já a política na polis girava em torno da Assembleia do Povo, o Conselho Aristocrá- tico e os Magistrados, embora em cada local ela apresentasse características peculiares. Por exemplo, em Atenas o poder político provinha da Eclésia, as Assembleias populares, que em Esparta eram chamadas da Apela (formado por espartanos acima de 30 anos) e Gerúsia (composto por 28 anciãos com mais de 60 anos). Características da Polis Grega As principais características das polis gregas eram: Possuía autonomia e detinha o poder; Eram autossuficiente (política, social e economicamente); Tinham leis e organização sociais próprias; Propulsionou o surgimento da propriedade privada; Possuía Complexidade social. Democracia Ateniense A democracia ateniense representou um dos momentos mais emblemáticos da história de Ate- nas. Ela foi desenvolvida por meio dos legisladores e políticos Dracon e Sólon e consolidada por volta de 510 a.C., quando o político aristocrata Clístenes derrota o tirano Hípias. Sua implementação foi essencial no desenvolvimento das polis gregas, a qual foi espalhada pelas outras cidades-estados. Polis Grega: Filosofia Uma vez que a polis representava um dos modelos de organização social, política e econômica do mundo grego, ela foi essencial para o desenvolvimento da sociedade bem como do pensa- mento humano, mediados pelos processos de socialização que ocorriam entre os cidadãos nos locais públicos. Foi a partir dessas teias de relações que a filosofia grega representou uma das importantes vertentes que foram desenvolvidas por filósofos que habitavam a polis. Com o advento da democracia, essas relações sociais foram consolidadas pelas reflexões realizadas pelos cidadãos gregos. Essa evolução racional da mente foi a chave para o desenvolvimento da filosofia grega em detrimento da visão mitológica que dominava a mentalidade grega anteriormente. Guerras Médicas As Guerras Médicas, em que batalharam gregos contra persas, ocorreu na Grécia antiga no século V a.C. e é também conhecida como Guerras Persas, Pérsicas, Medas, Greco-Persas ou Guerras Greco- Pérsicas. A causa da guerra se deveu ao fato de que os persas estavam expandindo o seu território, a conquistar colônias gregas e dominavam, assim, o comércio do Mar Egeu. Os gregos não acei- tavam essa hegemonia e entraram na disputa pelas terras da Ásia Menor. As Guerras Médicas são assim conhecidas não pelo fato de vários médicos terem participado nas batalhas, mas sim porque o povo persa era também chamado de medo-persa. As Guerras Médicas podem ser divididas em dois períodos: Primeira Guerra Médica O primeiro período, ocorrido em 490 a.C., é também conhecido como Período de Dario. Dário era o rei dos persas e deu ordens ao seu exército para invadir a Grécia. É conhecida como Batalha de Maratona, porque esse era o nome da cidade onde a batalha aconteceu. Os persas eram em maior número, mas mesmo assim foram surpreendentemente vencidos. Surge daí o nome das corridas de maratona, pois, segundo é dito, um mensageiro do exército foi enviado à Atenas para avisar que os gregos tinham vencido os persas e, após ter percorrido uma grande distância morreu com um ataque cardíaco fulminante. Segunda Guerra Médica O segundo período, ocorrido em 480 a.C., é também conhecido como Período de Xerxes. Com receio de que Pérsia voltasse ao ataque, é criada a Liga de Delos ou Confederaçãode Delos, que tinha como objetivo fortalecer as defesas das cidades gregas. Delos era o nome da cidade onde estava sedeada a Liga. Xerxes era filho de Dario e deu continuidade à guerra entre persas e gregos, tendo sido derro- tado, tal como seu pai, na Batalha de Salamina. Nesta altura é assinado o Tratado de Susa, também conhecido como Paz de Kallias, em que os persas reconheceram o domínio grego na Ásia Menor e prometem não atacar mais o territó- rio grego. Os gregos alcançam, assim, a hegemonia do comércio e o império Persa entra em decadência. Guerra de Peloponeso Após as Guerras Médicas surgem conflitos, agora não de gregos contra persas; trata-se de uma guerra civil entre gregos chamada de Guerra de Peloponeso. O objetivo da criação da Liga de Delos não foi cumprido, uma vez que Atenas começou a usu- fruir de benefícios próprios em detrimento das demais cidades gregas. Assim, é criada a Liga de Peloponeso, liderada por Esparta, que tinha como objetivo a luta contra a Liga de Delos, liderada por Atenas. Esparta sai vencedora e garante, assim, a hegemonia na Grécia antiga. Liga de Delos A Confederação ou Liga de Delos foi uma organização militar formada por Atenas que visava proteger as cidades gregas das tropas do Império Persa, combatendo a presença deles no Mediterrâneo. Inicialmente teve sede em Delos e Esparta fazia parte também da organiza- ção. Após o afastamento da ameaça persa, os espartanos deixaram a liga, ocasionando um atrito com Atenas, que dominava Delos. Com a vitória sobre os persas em 479 a.C. e a concentração de poder na mão de Atenas, as contribuições e arrecadações de impostos fizeram com que Atenas enriquecesse e dominasse ainda mais a região. Em 450 a.C. o tesouro da Liga foi transferido de Delos para Atenas que investiu na sua infraestrutura e aumentou consideravelmente o seu poder. A Liga de Delos foi, portanto, a base do poder e da hegemonia ateniense no século V a.C., considerado o período clássico ateniense. Como Atenas ganhava muito poder e arrecadava muitos impostos via Liga, tornava-se difícil sair dela sem contrariar Atenas. Por isso são data- das do período diversas contestações e rebeliões de cidades que buscavam se ver livres do poder ateniense. Além disso a forma de arrecadação pesava para as cidades que compunham a Liga: as de grande porte contribuíam com o envio de tropas e navios, enquanto as menores ficavam responsáveis por contribuições em forma de impostos. Após a vitória sobre os persas Atenas continuou a cobrar os impostos, obrigando todas as cidades a contribuírem e gerando seu enriquecimento. Ao transferir o tesouro de Delos, Atenas buscou reconstruir a sua cidade e investiu no processo de urbanização e remodelamento. É do mesmo período a ebulição cultural vivida por Atenas, as grandes obras da tragédia do teatro e a construção de grandes obras públicas como o Partenon. A concentração do poder em Atenas gerou diversas consequências para o mundo antigo e para o contexto grego. É deste período a padronização monetária e de peso, o aumento da escravidão em Atenas, e a transformação de Atenas em um centro cultural que irradiava mode- los de pensamento e de formas de vida para o mundo antigo. É também datada deste período a estabilização da democracia ateniense, conquistada, dentre outras razões, pelo uso do ostra- cismo (expulsão pelo período de dez anos) como estratégia de controle social. Ao mesmo tem- po, neste mesmo período Atenas estabeleceu regras mais rígidas: somente os filhos de pai e mãe atenienses poderiam ser considerados cidadãos plenos. Esparta era uma cidade-estado já bastante articulada à época e bem diferente de Atenas. En- quanto os atenienses viviam sob a democracia direta e as descobertas culturais, Esparta esta- va baseada no militarismo. Assim, saindo da Liga de Delos Esparta foi responsável por criar a Liga do Peloponeso, que fazia oposição à Atenas. A disputa entre as ligas de Delos e do Peloponeso é uma das batalhas mais conhecidas na história da humanidade. A Guerra do Peloponeso marcou a segunda metade do século V a.C. e marcou também a forma de se fazer história: ela foi narrada pelo ateniense Tucídedes, que recolheu depoimentos e construiu uma narrativa sobre o evento no tratado chamado “História da Guerra do Peloponeso”. O conflito, para além de marcar as disputas entre Atenas e Esparta, marcou a luta por poder no mundo antigo e deixou evidente a necessidade de controle dos portos, que significava também o controle do Mediterrâneo, rota significativa para o comércio na antiguidade. O domínio do mar representava poder político, econômico e social. Sofistas Os sofistas correspondem aos filósofos que pertenceram à “Escola Sofística” (IV e V a.C). Composta por um grupo de sábios e eruditos itinerantes, eles dominavam técnicas de retórica e discurso, e estavam interessados em divulgar seus conhecimentos em troca do pagamento de taxa pelos estudantes ou aprendizes. Os sofistas rompem com a tradição pré-socrática, ao criticar os costumes e tradições da socie- dade ateniense da época. Note que a palavra “sofista”, de origem grega, “sophistes”, corresponde a um termo derivado de “sophia”, ou seja, sabedoria. Dessa maneira, os jovens bem-nascidos, buscavam os sofistas interessados em adquirir co- nhecimentos e especialmente o “aretê”, conceito grego que denota nobreza, excelência e vir- tude e, no caso dos sofistas a união dos conhecimentos gerais indispensáveis (mais precisa- mente nas áreas da oratória, retórica, ciência, música e filosofia), uma vez que na Grécia Anti- ga, a função política, muito destacada, dependia do bom uso da palavra. Sofistas e Sócrates Em contraposição ao conceito de “Dialética” e da “Maiêutica” determinado pelo filósofo grego Sócrates (470 a.C-399 a.C), os sofistas negam a existência da verdade, de modo que ela surge por meio do consenso entre os homens. Assim, para Sócrates, a “Maiêtica” que significa literalmente a “dar à luz”, é um método de ar- gumentação, indicado para desvendar o conhecimento humano, como se ele estivesse latente. Dessa forma, o filósofo se opôs a “Escola Sofística” e, sobretudo, aos mestres da oratória, uma vez que cobravam preços muito altos para disseminação do conhecimento. Em outras palavras, se o sofista acredita nas coisas de forma particular, de modo que cada indivíduo tem sua visão, eles refutam, para ganhar o debate verbal, enquanto Sócrates, que parte do pressuposto da existência do conceito absoluto de cada coisa, refuta, para assim, purificar a alma de sua ignorância. A despeito de terem sido combatidos por Sócrates, os sofistas foram criticados também pelos filósofos gregos: Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Platão (428 a.C.-347 a.C.). De acordo com Platão, os sofistas não eram considerados filósofos e sim mercenários. Principais Sofistas Gregos Os principais mestres da oratória da Grécia Antiga foram: Protágoras Um dos maiores representantes do sofismo, Protágoras, nasceu em Abdera, região da Trácia, por volta de 481 a.C. Foi um importante filósofo, acusado de ateísmo e por isso, teve de fugir para a Sicília, donde morreu por volta dos 70 anos de idade, cerca de 420 a.C. Ficou conhecido pela célebre frase, que de certa maneira, aponta para o relativismo da filosofia “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.” Górgias Górgias, nasceu em Leontinos, na Sicília, por volta de 483 a.C. e morreu em Lárissa, cerca de 380 a.C. Foi um filósofo grego que junto à Protágoras, formou a primeira geração de sofistas. Destacou- se como orador e retórico, de modo que confiava na objetividade da elocução; segundo ele: “A persuasão aliada as palavras modela a mente dos homens como quiser”. Durante sua vida, estevemuito interessado em divulgar seu conhecimento, o que o levou a discursar em várias cidades e, sobretudo, nos grandes centros pan-helênicos como Olímpia e Delfos. Teve uma vida longa (cerca de 100 anos), sendo nomeado Embaixador de Atenas, com apro- ximadamente 60 anos. Hipías Hípias de Elis (por volta de 430 a.C.- 343 a.C.), nasceu em Elis, cidade na costa mediterrânica. Um dos mais famosos mestres sofistas, foi uma figura multifacetada, sendo um hábil orador grego, além de se destacar nas áreas do artesanato, astronomia, matemática e história. Com seu trabalho, conseguiu obter muitos lucros, tornando-se um homem rico e respeitado. Criador do método da "Mnemotécnica" (arte da memória), foi nomeado Embaixador de sua cidade natal. Grécia Antiga Política Quando falamos em Grécia Antiga não estamos nos referindo a um país unificado. Na verdade eram um conjunto de cidades que compartilhavam a língua, costumes e algumas leis. No en- tanto, muitas delas eram até inimigas entre si como foi o caso de Atenas e Esparta. De todos as maneiras, no Período Clássico, os gregos procuraram cultivar a beleza e a virtude desenvolvendo as arte da música, pintura, arquitetura, escultura, etc. Dessa maneira, acreditavam que os cidadãos seriam capazes de contribuir para o bem- comum. Estava lançada, assim, a democracia. Sociedade Cada polis tinha sua própria organização social. Algumas, como Atenas, admitiam a escravi- dão, por dívida ou guerras. Por sua vez, Esparta, tinha poucos escravos, mas possuíam os servos estatais, que pertencia ao governo espartano. Ambas cidades tinham uma oligarquia que os governava que também eram os proprietários das terras cultiváveis. Também em Atenas verificamos a figura dos estrangeiros chamados metecos. Só era cidadão quem nascia na cidade e por isso, os estrangeiros não podiam participar das decisões políticas da polis. Economia A economia grega se baseava em produtos artesanais, a agricultura e o comércio. Os gregos faziam produtos em coro, metal e tecidos. Estes davam muito trabalho, pois todas as etapas de produção - desde a fiação até o tingimento - eram demoradas. Os cultivos estavam dedicados às vinhas, oliveiras e trigo. A isto somavam-se à criação de animais de pequeno porte. O comércio estava presente e afetava toda sociedade grega. Para realizar as trocas comercais se usava a moeda "dracma". Havia tanto o pequeno comércio do agricultor, que levava sua colheita ao mercado local, quan- to o grande comerciante, que possuía barcos que faziam toda rota do Mediterrâneo. Religião A religião da Grécia Antiga era politeísta. Ao receber a influência de vários povos, os gregos foram adotando deuses de outros lugares até constituir o panteão de deuses, ninfas, seres humanos que alcançavam a imortalidade e deuses que perdiam sua condição imortal. As estórias dos deuses serviam de ensinamento moral à sociedade, e também para justificar atos de guerra e de paz. Os deuses também interferiam na vida cotidiana e, praticamente, ha- via uma deidade para cada função. Cultura A cultura grega está intimamente ligada à religião. A literatura, a música e o teatro contavam os feitos dos heróis e de sua relação com os deuses que viviam no Olimpo. As peças teatrais eram muito populares e todas as cidades tinham seu palco onde eram ence- nadas as tragédias e comédias. A música era importante para alegrar banquetes civis e acompanhar atos religiosos. Os princi- pais instrumentos eram a flauta, tambores e harpas. Esta última era utilizada para ajudar os poetas a recitarem suas obras. Igualmente, os esportes faziam parte do cotidiano grego. Por isso, para celebrar a aliança entre as diferentes polis, organizavam-se competições nos tempos de paz. A primeira delas foi realizada em 776 a.C, na cidade de Olímpia e daí seria conhecida como Jogos Olímpicos, ou simplesmente, Olimpíadas. Resumo da História A história da Grécia Antiga está dividida em quatro períodos: Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.) Homérico (séculos XII - VIII a.C.) Arcaico (séculos VIII - VI a.C.) Clássico (séculos V - IV a.C.) Período Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.) O primeiro período de formação da Grécia é chamado de A Grécia antiga se formou da miscigenação dos povos Indo-Europeus ou arianos (aqueus, jônios, eólios, dórios). Eles migraram para a região situada no sul da península Bal- cânica, entre os mares Jônico, Mediterrâneo e Egeu. Acredita-se que por volta de 2000 a.C. chegaram os aqueus, que viviam num regime de comu- nidade primitiva. Depois de estabelecerem contato com os cretenses, de quem adotaram a escrita, se desenvol- veram, construíram palácios e cidades fortificadas. Organizaram-se em vários reinos liderados pela cidade de Micenas. Daí o nome Civilização Aqueia de Micenas. Depois de aniquilarem a civilização cretense, dominaram várias ilhas do Mar Egeu. Destruíram Troia, cidade rival. Porém, no século XII a.C. foi destruída pelos dórios, que impuseram um violento domínio sobre toda a região, arrasaram as cidades da Hélade e provocaram a dispersão da população, o que favoreceu a formação de várias colônias. Este fato é conhecido como a 1ª diáspora grega. Período Homérico (séculos XII - VIII a.C.) As invasões dóricas provocaram um retrocesso das relações sociais e comerciais entre os gregos. Em algumas regiões surgiram o genos – comunidade formada por numerosas famílias, des- cendentes de um mesmo ancestral. Nessas comunidades, os bens eram comuns a todos, o trabalho era coletivo, criavam gado e cultivavam a terra. Tudo era dividido entre eles, que dependiam das ordens do chefe comunitário, chamado Pater, que exercia funções religiosas, administrativas e jurídicas. Com o aumento da população e o desequilíbrio entre a população e o consumo, os genos começaram a desagregar. Muitos começaram a deixar o genos e procurar melhores condições de sobrevivência, iniciando o movimento colonizador por boa parte do Mediterrâneo. Esse movimento que marca a desintegração do sistema gentílico é chamado de 2ª diáspora grega. Esse processo resultou na fundação de diversas colônias, entre elas: Bizâncio, mais tarde Constantinopla, e atual Istambul; Marselha e Nice, hoje na França; Nápoles, Tarento, Síbaris, Crotona e Siracusa, conhecidas em conjunto como Magna Grécia, no sul da atual Itália e na Sicília. Período Arcaico (séculos VIII - VI a.C.) O Período Arcaico se inicia com a decadência da comunidade gentílica. Nesse momento, os aristocratas resolvem se unir criando as frátrias (irmandades formadas por indivíduos de vários genos). Estas se uniram formando tribos. As tribos construíram, em terrenos elevados, as cidades forti- ficadas chamadas acrópoles. Estavam nascendo as cidades – Estados (pólis) gregas. Atenas e Esparta serviram de modelo para as demais polis grega Esparta era uma cidade aris- tocrática, fechada às influências estrangeiras e uma cidade agrária. Os espartanos valorizavam a autoridade, a ordem e a disciplina. Tornou-se um Estado militaris- ta e foi uma cidade de escassa realização intelectual. Por sua vez, Atenas dominou durante muito tempo o comércio entre gregos e, em sua evolu- ção política, conheceu várias formas de governo: monarquia, oligarquia, tirania e democracia. Atenas simbolizou o esplendor cultural da Grécia Antiga. Período Clássico (séculos V - IV a.C.) O início do Período Clássico foi marcado pelas Guerras Médicas, entre as cidades gregas e os persas, que ameaçavam o comércio e a segurança das pólis. Após as guerras, Atenas tornou-se líder da Confederação de Delos, uma organização compos- ta por várias cidades-Estados. Estas deviam contribuir com navios e dinheiro para manter a resistência naval contra uma possívelinvasão estrangeira. O período da hegemonia ateniense coincidiu com a prosperidade econômica de Atenas, com o esplendor cultural da Grécia. Nesta época, a filosofia, o teatro, a escultura e a arquitetura atin- giram sua maior grandeza. Pretendendo impor também sua hegemonia no mundo grego, Esparta compôs com outras ci- dades-Estados a Liga do Peloponeso e declarou guerra a Atenas em 431 a.C. Depois de 27 anos de lutas, Atenas foi derrotada. Anos mais tarde, Esparta perdeu a hegemonia para Tebas e durante esse período a Grécia foi conquistada pelos exércitos da Macedônia. O período no qual os gregos estiveram sob o domínio do Império Macedônico, ficou conhecido como período helenístico. Grécia foi governada pelo imperador Felipe II e em seguida por seu filho Alexandre Magno, que conquistou um grande império. A fusão da cultura grega com a ocidental recebeu o nome de Cultura Helenística. Período Homérico O Período Homérico corresponde ao segundo período de desenvolvimento da civilização gre- ga que ocorreu após o período pré-homérico, entre os anos de 1150 a.C. a 800 a.C.. O nome dado a esta fase, está relacionado com o poeta grego Homero, autor dos poemas épicos “A Ilíada” e a “Odisseia”. Períodos da Grécia Antiga Antes de mais nada, lembre-se que a história da Grécia Antiga está dividida em quatro perío- dos, a saber: Período Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.) Período Homérico (séculos XII - VIII a.C.) Período Arcaico (séculos VIII - VI a.C.) Período Clássico (séculos V - IV a.C.) Resumo: Características do Período Homérico Com a invasão dos povos dórios nas regiões gregas, a sociedade da época sofreu no período anterior a diáspora grega (dispersão de diversos povos), visto a maneira violenta que eles to- maram e destruíram diversas cidades da Hélade grega. Após esse evento, que pôs fim ao período anterior (pré-homérico), a sociedade grega passa por uma fase de reestruturação, que tem início com o período homérico. Assim, diversas colônias gregas são fundadas e surgem os genos, um tipo de organização social familiar desenvolvido a partir desse período. Em outras palavras, essa fase marcou a substituição da cultura micênica pela gentílica (dos genos). As principais características dos genos eram: sistema fechado, autônomo e autossuficiente (independência econômica), de forma que o trabalho coletivo era realizado por membros da mesma família. Eles eram comandados pelo Pater, o chefe e autoridade máxima dessas organizações que possuía autoridade política, militar e religiosa. Assim, os genos eram sociedades patriarcais, cujos membros compartilhavam laços consanguíneos. Nos genos, os bens eram comuns a todos os habitantes, ou seja, era baseado numa sociedade igualitária, donde seus membros (os gens) cultivavam as terras e criavam animais para o sus- tento de todos. No entanto, esse sistema de organização econômica e social entrou em decadência, levando a “segunda diáspora grega”. A desestruturação das comunidades gentílicas ocorreu porque a população foi crescendo e almejou melhores condições de vida. Assim, com o passar do tempo, o trabalho nos genos não suportava alimentar toda a população. Da mesma forma que ocorreu na primeira diáspora grega, ou seja, a fundação de diversas colônias, no período homérico esse fator também é propulsionado com a dispersão de diversos povos, dando origem a importantes cidades-estado como Bizâncio, Marselha, Nápoles, Siracu- sa, dentre outras. Além disso, a decadência dos genos possibilitou uma fragmentação social e econômica tendo em conta a proximidade com os chefes dessas organizações, que por fim, levou a uma nova estrutura social dividida em: eupátridas (bem-nascidos), georgóis (agricultores) e thetas (margi- nais). Surge, portanto, as classes sociais e a propriedade privada na Grécia Antiga, pondo fim ao período homérico e dando início ao período arcaico. Platonismo, a Filosofia de Platão O Platonismo designa uma corrente filosófica baseada nas ideias do filósofo e matemático grego Platão (428 a.C.-347 a.C.), discípulo de Sócrates (470 a.C-399 a.C). Academia de Platão A “Academia de Platão” foi fundada em Atenas pelo filósofo por volta de 385 a.C., primeiramen- te designada para cultuar as Musas Gregas e o Deus Apolo. Embora ele tenha fundado com características de culto aos deuses, o local foi considerado a primeira universidade da história do ocidente. De tal modo, na Academia Platônica, os filósofos se reuniam para discutir o desenvolvimento da filosofia e do pensamento de Platão, um dos pilares mais importantes da filosofia ocidental. Ocorriam, assim, debates sobre os mais diversos temas da filosofia. A Academia de Platão durou cerca de 9 séculos e foi encerrado em 529 d.C., pelo imperador bizantino Justiniano I. Períodos do Platonismo O Platonismo reúne as diversas abordagens da teoria de Platão: metafísica, retórica, ética, estética, lógica, política, dialética e da dualidade (corpo e alma), sendo classifica em três perío- dos, a saber: Platonismo Antigo (século IV a.C. até a primeira metade do século I a.C.) Médio Platonismo (séculos I e II d.C.) Neoplatonismo (séculos III d.C. e VI d.c) Teoria das Ideias Sem dúvida, a Teoria das Ideias ou Teoria das Formas é a proposição desenvolvida por Platão que mais se destaca, posto que dela surgem vários outros pensamentos relacionados com sua filosofia. Para Platão, existem dois mundos, ou seja, a realidade estava dividida em duas partes: O mundo sensível (mundo material), mediados pelas formas autônomas que encontramos na natureza, percebido pelos cinco sentidos; e o mundo das ideias (realidade inteligível) denomi- nado de “mundo ideal”, ou seja, aproxima-se da ideia de perfeição de algo. Assim, segundo ele a verdade suprema e absoluta além da felicidade, somente é possível en- contrar a partir do mundo das ideias, donde localiza-se a essência das coisas. De tal maneira, o que percebemos no mundo sensível ou material é enganoso, ilusório e instá- vel, enquanto no mundo das ideais atinge-se a felicidade pelo encontro do conhecimento su- premo da realidade, o que correspondente a ideia de bem. Em resumo, através do conhecimento é possível transcender do mundo material ao mundo das ideais e contemplar as ideias perfeitas, alcançando assim, a felicidade. Teoria das Almas Na filosofia de Platão encontramos a dualidade entre a alma e o corpo. Segundo ele, o ser humano era imortal e essencialmente alma, donde ela pertencia ao mundo inteligível (apreen- dido pelo intelecto) e não o mundo sensível (apreendido sobre os sentidos). De acordo com o filósofo, a alma estava dividida em três partes e, ao harmonizar essas três partes era possível encontrar a felicidade, o bem: Alma Concupiscente: localizada no ventre, a alma concupiscente estava relacionada com os desejos carnais. Alma Irascível: localizada no peito, a alma irascível estava relacionada às paixões. Alma Racional: localizada na cabeça, a alma racional estava relacionada ao conhecimento. Assim, com a elevação da alma ao mundo das ideias, através da contemplação das ideias perfeitas, seria possível alcançar a ideia suprema do bem. Platão e a Política Na política Platão contribuiu com sua maneira humanista de refletir sobre o homem e uma so- ciedade justa. Para ele, a Política era considerada uma das mais nobres atividades, posto que estava relacio- nada com a pólis, ou seja, as cidades gregas e a organização da vida dos cidadãos. Em sua obra “A República”, reflete sobre a construção do bem para todos os cidadãos, a fun- ção social de cada um, tal qual como as atividades básicas realizadas na pólis. Sendo assim, Platão caracterizou as atividades essenciais da pólis em três instâncias, as quais levavam em conta a aptidão de cada um: Administração da pólis Defesa da cidade Produção de materiais e alimentos Observe abaixo um trecho da Obra “A República”: “Ao fundarmos a cidade, não tínhamos em vista tornar uma única classe eminentemente feliz, mas, tanto quanto possível, toda a cidade. De fato, pensávamos que só numa cidade assim encontraríamos a justiça e na cidade pior constituída, a injustiça. (...). Agora julgamos modelar a cidade feliz, não pondo à parte um pequeno número dos seus habitantes para torna-los feli- zes, mas considerando-o como um todo.” Os Diálogos de Platão A maior parte da obra de Platão foi desenvolvida através dos Diálogos, textos em que ele de- senvolve suas ideias, filosofando sobre a natureza e existência humana, bem como da socie- dade que o envolve. Dos diálogos destacam-se: Apologia a Sócrates, O Banquete, Górgias, Filebo, Fédon, Repúbli- ca, Protágoras, dentre outros.