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Qual a diferença entre ética e moral? 
A diferença entre ética e moral é que a moral refere-se ao conjunto de normas e princípios que 
se baseiam na cultura e nos costumes de determinado grupo social, já a ética é o estudo e 
reflexão sobre a moral, que nos diz como viver em sociedade. 
Uma maneira fácil de lembrar-se da diferença entre moral e ética é que a moral se aplica a um 
grupo, enquanto a ética pode ser questionada por um indivíduo. 
 
 
 
Ética Moral 
Definição 
A ética é o estudo e a refle-
xão sobre a moral, das 
regras de condu-
ta aplicadas a alguma or-
ganização ou sociedade. 
A moral se refere às regras de conduta 
que são aplicados à determinado grupo, 
em determinada cultura. 
De onde 
vem Individual. Sistema social. 
Porque se-
guimos 
Porque acreditamos que 
algo é certo ou errado. Porque a sociedade nos diz que é o certo. 
Flexibilidade 
A ética é normalmente 
consistente, embora pode 
mudar caso as crenças de 
um indivíduo mudem ou 
dependendo de determina-
da situação. 
A moral tende a ser consistente dentro de 
um determinado contexto, sendo aplicado 
da mesma forma a todos. Porém, ela pode 
variar de acordo com cada cultura ou gru-
po. 
Exceções 
Uma pessoa poderá ir con-
tra sua ética para se ajustar 
a um determinado principio 
moral, como por exemplo, o 
código de conduta de sua 
profissão. 
Uma pessoa que segue rigorosamente os 
princípios morais de uma sociedade pode 
não ter nenhuma ética. Da mesma forma, 
para manter sua integridade ética, ele 
pode violar os princípios morais dentro de 
um determinado sistema de regras. 
Significado 
Ética vem da palavra grega 
"ethos" que significa condu-
ta, modo de ser. 
Tem origem na palavra latina "moralis" que 
significa "costume". 
Origem Universal. Cultural. 
Tempo Permanente. Temporal. 
Uso Teórico. Prático. 
Exemplo 
João teve uma atitude an-
tiética ao furar a fila do 
banco. 
No Brasil é imoral ter mais de uma esposa, 
enquanto em alguns países como 
a Nigéria é moralmente aceito. 
 
O que é Ética? 
A ética se refere ao conjunto de valores que guiam determinado grupo ou cultura. Sendo as-
sim, ela norteia o caráter das pessoas, e como elas irão se portar no meio social. 
Apesar disso, a ética não deve ser confundida com a lei, pois pessoas não sofrem sansões ou 
penalidades do Estado por não cumprirem normas éticas. 
O conceito de ética também pode significar o conhecimento extraído da investigação do com-
portamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional. Sendo assim, a ética 
pode refletir e questionar valores morais. 
A ética é responsável por definir certas condutas do nosso dia-a-dia, como no caso dos códi-
gos de ética profissional, que indicam como um indivíduo deve se comportar no âmbito da sua 
profissão. 
O que é Moral? 
Moral é o conjunto de regras que orientam o comportamento do indivíduo dentro de uma socie-
dade. Ela pode ser adquirida através da cultura, da educação, da tradição e do cotidiano. 
Tais regras norteiam os julgamentos de cada indivíduo sobre como agir, de acordo com o que 
foi previamente aceito como norma entre determinado grupo. Quando falamos de moral, as 
definições do que é certo ou errado dependem do local onde você se encontra, da tradição e 
cultura. 
De onde vêm os princípios morais e éticos 
A moral é um padrão externo que pode ser fornecido por instituições, grupos ou cultura a qual 
um indivíduo pertence. Ela também pode ser considerada um sistema social ou uma estrutura 
para um comportamento aceitável. 
A ética, apesar de ser influenciada pela cultura e pela sociedade, são princípios pessoais cria-
dos e sustentados pelos próprios indivíduos. 
Consistência e Flexibilidade 
A moral é muito consistente dentro de um determinado contexto, mas pode variar entre culturas 
ou época. Por exemplo, algo moralmente aceito na sociedade de hoje poderia ser imoral nos 
anos 70. 
Já a ética é como o individuo reflete sobre determinada moral, sendo possível que certos even-
tos modifiquem radicalmente as crenças e valores pessoais de um indivíduo. 
Origem do conceito de ética e de moral 
Grande parte da confusão entre estas duas palavras vem de suas origens. A palavra "ética" 
vem do francês antigo “etique”, do latim “ética” e do grego “ethos” e se refere às condutas, ao 
modo de ser. Já a palavra “moral” vem do latim “moralis”, que se refere os costumes. Então, 
originalmente, os dois têm significados muito semelhantes. 
A moral e a ética do indivíduo foram estudadas filosoficamente há mais de mil anos. Porém, 
a ideia de ética como princípios que são definidos e aplicados a um grupo é relativamente no-
va, datada em 1600. 
Sócrates 
Biografia de Sócrates 
Sócrates (470 a.C.-399 a.C.) foi um filósofo grego. “Conhece-te a ti mesmo” é a essência de 
todo seu ensinamento. O saber, de acordo com Sócrates é uma virtude. 
Sócrates nasceu em Atenas, Grécia, no ano de 470 a. C. Filho de um escultor e pedreiro e de 
uma parteira, da sua infância nada se sabe. Em sua juventude, tomou parte de três campanhas 
militares. Apesar de ter ocupado cargos políticos, chegando a receber convite para o Senado 
dos quinhentos, suas ideias não foram aceitas pela aristocracia grega. Dedicou-se ao estudo 
da filosofia. 
Homem feito, Sócrates chamava atenção não só pela sua inteligência, mas também pela es-
tranheza de sua figura e seus hábitos. Corpulento, baixo, nariz chato, olhos saltados, vestes 
rotas, pés descalços, vagava pelas ruas de Atenas e costumava passar horas, mergulhado em 
seus pensamentos. Quando não estava meditando solitário, conversava com seus discípulos, 
procurando ajudá-los na busca da verdade. 
Antes de Sócrates surgir no panorama intelectual da Grécia, os filósofos estavam voltados para 
a explicação natural do universo, fase que ficou conhecida como “pré-socrática”. No final do 
século V a. C. iniciou-se a segunda fase da filosofia grega, conhecida como "socrática" ou an-
tropológica, onde a preocupação de maior vulto se relacionava com o indivíduo e a organiza-
ção da humanidade. Passaram a perguntar: O que é a verdade? O que é o bem? O que é a 
justiça? 
As ideias de Sócrates 
Para Sócrates sua maior ambição era ser não somente um mestre, mas um benfeitor da hu-
manidade. Desejava ver a justiça social estabelecida em todo o mundo. Tratava dos negócios 
alheios e esquecia os seus. Sua mulher, Xantipa, dizia que ele era um deus para os jovens 
atenienses. Sócrates tinha um meio característico de expressar suas ideias. A fim de transmitir 
o saber, jamais respondia a perguntas, pelo contrário, fazia perguntas. 
Segundo alguns autores, o aforismo “Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua igno-
rância e serás sábio” é de autoria de Sócrates, mas segundo Platão, quando Sócrates ouviu 
que era o homem mais sábio que existia, respondeu: “Só sei que nada sei”. Sócrates afirmava 
com insistência que nada sabia. “Sou o homem mais sábio de Atenas, porque só eu sei que 
nada sei”, dizia ele. Por isso tentava aprender de todos. 
Sócrates criou um método de investigação do conhecimento através da maiêutica - técnica de 
trazer a luz, no qual, por meio de sucessivas questões se chegava à verdade. Esse caminho 
usado por Sócrates era um verdadeiro “parto”, onde ele induzia os seus discípulos a praticarem 
mentalmente a busca da verdade última. 
Política e moral eram temas frequentes em Atenas. Sócrates achava que a Polis grega deveria 
ser governada por aqueles que detinham o conhecimento, uma espécie de “aristocracia dos 
sábios”. O filósofo não era a favor da democracia grega como era praticada em Atenas. Teceu 
severas críticas às crenças religiosas e aos costumes da cultura grega 
Sócrates e Platão 
Sócrates não deixou nada escrito, apenas conhecemos seus ensinamentos através de seus 
discípulos, especialmente porPlatão, que transcreveu os pensamentos do mestre em seus 
célebres diálogos, mesclando-lhes às suas concepções pessoais. Nas obras, Apologia de Só-
crates e Fédon, Platão faz a defesa de seu mestre diante dos juízes e relata os últimos mo-
mentos de sua vida. No diálogo Mênon, Platão mostra um exemplo clássico da aplicação da 
maiêutica, quando Sócrates leva um escravo ignorante a descobrir e formular vários teoremas 
de geometria. 
A Morte de Sócrates 
Os políticos de Atenas não gostavam de seu método de fazê-los parar na rua para dirigir-lhes 
perguntas embaraçantes. E então se reuniram e resolveram se livrar de Sócrates. Certo dia, 
quando chegava ao mercado para seu cotidiano debate filosófico, encontrou o seguinte aviso, 
colocado na tribuna pública: “Sócrates é criminoso. É ateu e corruptor da mocidade. A pena de 
seu crime é a morte”. Sócrates foi preso e julgado por um júri que reunia todos aqueles políti-
cos cuja hipocrisia denunciara nas praças públicas. Os juízes o consideraram culpado. Quando 
lhe perguntaram qual deveria ser a sua punição, ele sorriu sarcasticamente e disse: “pelo que 
fiz por vós e pela vossa cidade, mereço ser sustentado até o fim de minha vida a expensas 
públicas”. 
Sócrates foi obrigado a acabar a vida como um criminoso. Durante trinta dias ficou em uma 
cela funerária e depois lhe deram para beber uma taça de veneno. Quando sentiu que seus 
membros esfriavam, despediu-se dos amigos e parentes com as palavras: “E agora chegamos 
à encruzilhada dos caminhos. Vós, meus amigos, ides para vossas vidas, eu para a minha 
morte. Qual seja o melhor desses caminhos, só Deus sabe”. 
Sócrates morreu em Atenas, Grécia, no ano de 399 a. C 
 
Aristóteles 
Biografia de Aristóteles 
Aristóteles (384 a.C.–322 a.C.) foi um importante filósofo grego. Um dos pensadores com maior 
influência na cultura ocidental. Foi discípulo do filósofo Platão. Elaborou um sistema filosófico 
no qual abordou e pensou sobre praticamente todos os assuntos existentes, como a geometria, 
física, metafísica, botânica, zoologia, astronomia, medicina, psicologia, ética, drama, poesia, 
retórica, matemática e principalmente lógica. 
Aristóteles e Platão 
Aristóteles nasceu em Estágira, colônia de origem jônica, na Macedônia, Grécia, no ano de 384 
a. C. Filho de Nicômaco, médico do rei Amintas III, recebeu sólida formação em Ciências Natu-
rais. Com 17 anos partiu para Atenas, foi estudar na "Academia” de Platão. Com sua prodigio-
sa inteligência, logo se tornou o discípulo predileto do mestre, que observou: "Minha Academia 
se compõe de duas partes: o corpo dos alunos e o cérebro de Aristóteles". 
Aristóteles foi suficientemente crítico para ir além do mestre. Demonstrou sua grande capaci-
dade de pensador escrevendo uma série de obras nas quais aprofundava, e muitas vezes, 
modificava as doutrinas de Platão. A teoria de Aristóteles, de forma geral, é uma refutação ao 
seu mestre. Enquanto Platão era a favor da existência do mundo das ideias e do mundo sensí-
vel, Aristóteles defendia que poderíamos captar o conhecimento no próprio mundo que vive-
mos. 
Quando Platão morreu, em 347 a. C. Aristóteles fazia vinte anos de Academia, inicialmente 
como discípulo, depois como professor, e esperava ser o substituto natural do seu mestre na 
direção da escola, mas foi rejeitado por ser considerado estrangeiro. Decepcionado, deixou 
Atenas e foi para Atarneus, na Ásia Menor, onde se tornou conselheiro de estado de seu antigo 
colega, o filósofo político Hermias. Casou-se com Pítia, filha adotiva de Hermias, mas entrou 
em choque com a sede de riqueza de seu colega, em contraste com seus ideais de justiça. 
Quando os persas invadiram o país e crucificaram seu governante, mais uma vez Aristóteles 
ficou sem pátria. 
Aristóteles e Alexandre Magno 
De volta à Macedônia, em 343 a. C., quando o rei Filipe II da Macedônia o chamou para ele ser 
o tutor de seu filho Alexandre. O rei queria que seu sucessor fosse um requintado filósofo. Aris-
tóteles permaneceu com Alexandre durante quatro anos. O soldado partiu para conquistar o 
mundo e o filósofo tornou-se seu amigo e ficou a alimentá-lo de sabedoria. 
O Liceu 
De volta à Atenas, em 335 a. C., Aristóteles decidiu fundar sua própria escola, chamando-a 
“Liceu”, instalada no ginásio do templo dedicado ao deus Apolo Lício. Além de cursos técnicos 
para os discípulos, ministrava aulas públicas para o povo em geral. A sabedoria de Aristóteles 
chegou até nós através de alguns escritos, mas que representam em si mesmo, uma enciclo-
pédia inteira, pois contêm praticamente o começo de todas as nossas modernas artes e ciên-
cias. 
Aristóteles foi o pai da Lógica: ensinou a todos os que vieram depois dele a pensar com clare-
za. Foi o fundador da Biologia: ensinou ao mundo como observar e classificar corretamente os 
seres vivos. Foi o organizador da Psicologia: mostrou à humanidade como estudar a alma cien-
tificamente. Foi o mestre da Moral: demonstrou como é possível amar e odiar racionalmente. 
Foi professor de Política: ensinou os governantes a governar com justiça. E deu origem à Retó-
rica: foi o primeiro a demonstrar a arte de escrever com eficiência. 
Filosofia 
A filosofia de Aristóteles abrange a natureza de Deus (Metafísica), do homem (Ética) e do Es-
tado (Política). Para Aristóteles, Deus não é o criador, mas o motor do Universo, ou ainda, o 
motor imóvel do mundo. Exceto Deus, toda e qualquer outra fonte de movimento no mundo, 
seja uma pessoa, uma coisa, ou um pensamento, é um motor movido. Assim, o arado move a 
terra, a mão move o arado, o cérebro move a mão. Portanto, a causa de todo o movimento é o 
resultados de outro movimento. 
Para Aristóteles, se para ser feliz é preciso fazer o bem ao outro, então o homem é um ser 
social e, mais precisamente um ser político. Com efeito, cabe ao Estado “garantir o bem-estar e 
a felicidade dos seus governados”. Considerava a ditadura a pior forma de governo: “é um re-
gime que subordina os interesses de todos às ambições de um só”. “A forma de governo mais 
desejável é a que permite a cada homem exercitar suas melhores habilidades e viver o mais 
agradavelmente seus dias”. 
Morte 
O fim de Aristóteles foi trágico. Quando o rei da Macedônia, Alexandre Magno morreu, irrom-
peu em Atenas uma grande explosão de ódio, não somente contra o conquistador, mas contra 
todos os seus admiradores e amigos. Um dos melhores amigos de Alexandre era Aristóteles. 
Estava prestes a ser preso, quando conseguiu escapar em tempo. Deixou Atenas dizendo que 
não daria à cidade oportunidade de cometer um segundo crime contra a filosofia. Pouco tempo 
depois do exílio que se impusera, adoeceu. Desiludido com a ingratidão dos atenienses decidiu 
por fim à vida bebendo, como Sócrates, uma taça de cicuta. 
Aristóteles morreu em 322 a.C., em Cálcia, na Eubéia. Em seu testamento determinou a liber-
tação de seus escravos. Foi essa talvez, a primeira carta de alforria da história. 
Obras de Aristóteles 
Suas obras podes ser divididas em quatro grupos: 
 Lógica - "Sobre a Interpretação", "Categorias", "Analíticos", "Tópicos", "Elencos Sofísticos" e os 14 livros 
da "Metafísica", que Aristóteles denominava "Prima Filosofia". O conjunto dessas obras é conhecido pelo 
nome de "Organon". 
 Filosofia da Natureza - "Sobre o Céu", "Sobre os Meteoros", oito livros de "Lições de Física" e outros 
tratados de história e vida dos animais. 
 Filosofia Prática - "Ética a Nicômano", "Ética a Eudemo", "Política", "Constituição Ateniense" e outras 
constituições. 
 Poéticas - "Retórica" e "Poética". 
Demócrito 
Biografia de Demócrito 
Demócrito (460 a.C. - 370 a.C.) foi um filósofo grego, classificado como pré-socrático e agrupa-
do na escola atomista. Julgava que todos os elementos do universo são compostos de átomos. 
Demócrito de Abdera (460 a.C. - 370 a.C.) nasceu em Abdera, na Grécia, por volta de 460 a.C.Descendente de família nobre, aprofundou seus conhecimentos estudando em diversas cida-
des, entre elas, Atenas, Egito, Pérsia, Babilônia, Etiópia e Índia. Estudou filosofia, matemática, 
física, astronomia, ética, linguística e música. 
Viveu em uma época em que os precursores da Filosofia, “os pré-socráticos”, buscavam de 
maneira racional e lógica, e não mais nos relatos míticos, uma explicação a respeito do princí-
pio de todas as coisas. Em geral, os pensadores eram monistas, ou seja, acreditavam que o 
universo tinha sido gerado através de um único elemento, ou de um fenômeno. Cada filósofo 
descobre um fundamento, uma unidade que possa explicar essa constituição. 
Demócrito julgava que os corpos eram constituídos por pequeninas porções de matéria. De-
senvolveu a “teoria atomista” iniciada por Leucipo, de que todos os elementos do universo são 
compostos de átomos, “elementos indivisíveis, maciços, indestrutíveis, eternos e invisíveis, 
podendo ser concebidos somente pelo pensamento, nunca percebidos pelos sentidos”. 
Para Demócrito as coisas nascem quando se juntam e a morte é a separação das coisas. O 
que origina as coisas reais é um infinito número de corpos que são invisíveis porque têm um 
volume muito pequeno. A qualidade de todos os corpos depende da forma e da ordem dos 
átomos que os compõem. O objetivo de seus estudos era encontrar o princípio de todas as 
coisas sem recorrer a divindades. 
Os escritos de Demócrito, como também dos outros filósofos, desapareceram com o tempo, só 
restando alguns fragmentos ou referências feitas por outros filósofos posteriores. Muitos dos 
relatos de Demócrito veem de Aristóteles, seu principal crítico, mas que reconhecia o valor de 
suas obras de filosofia natural. Protágoras de Abdera teria sido seu discípulo direto e posteri-
ormente o principal discípulo que recebeu sua influência foi Epicuro. 
Os pesquisadores listaram um grande número de estudos realizados por Demócrito, citados 
por diversos autores, na área da cosmologia, matemática, ética, física, entre outros. Na área da 
matemática ele avançou nos estudos sobre geometria (figuras geométricas, volumes e tangen-
tes) e os números irracionais. Avançou também no conceito de um universo infinito, onde exis-
tem muitos outros mundos como o nosso. Deduziu que uma galáxia se compõe de estrelas tão 
pequenas e aglomeradas que é quase impossível distinguir uma das outras. 
Para Demócrito, a concepção de ética não tem relação com as concepções físicas. Para ele o 
mais nobre bem que uma pessoa pode ter é a felicidade, que mora somente na alma, indepen-
dente de se possuir bens materiais. A justiça e a razão é que nos torna felizes. 
Demócrito faleceu no ano de 370 a. C. 
 
Tales de Mileto 
Biografia de Tales de Mileto 
Tales de Mileto (624 a. C.- 558 a. C.) foi um filósofo, matemático e astrônomo gre-
go, considerado um dos mais importantes representantes da primeira fase da filosofia grega, 
chamada de Pré-Socrática ou Cosmológica. 
Tales de Mileto nasceu em Mileto, antiga colônia grega, na Ásia Menor, região da Jônia, na 
atual Turquia, por volta de 624 a. C. Acredita-se que começou sua vida como mercador, enri-
quecendo o suficiente para se dedicar ao estudo e realizar algumas viagens. Supõe-se que 
esteve no Egito onde aprendeu geometria e na Babilônia onde entrou em contato com tabelas 
e instrumentos astronômicos. Sabe-se que Tales desempenhou funções políticas em sua cida-
de e que realizou trabalhos nas áreas da filosofia, geometria e astronomia. 
A Filosofia Grega 
A filosofia grega compreende três períodos: pré-socrático, socrático e pós-socrático. O período 
pré-socrático compreende os primeiros filósofos propriamente ditos, que foram reunidos em 
diversas Escolas de pensamentos: Escola Jônica (ou Escola de Mileto), Escola Itálica, Escola 
Eleática, Escola Atomística e Os Sofistas. 
A Escola Jônica foi desenvolvida na colônia grega de Jônia, na Ásia Menor, hoje na atual Tur-
quia. Os principais filósofos da Escola Jônica foram: Tales de Mileto, Anaxímenes (585-524 a. 
C.), Anaximandro (610-546 a. C.) e Heráclito (540-470 a. C.). A preocupação desses filósofos 
era perguntar e compreende a natureza do mundo, buscando entender a origem de todas as 
coisas, o princípio delas. Pensavam sobre o elemento primeiro, chegando a conclusões dife-
rentes. 
A Filosofia de Tales de Mileto 
O filósofo Tales de Mileto, o primeiro pensador da escola jônica, admitia como princípio criador 
de todas as coisas e a essência do Universo, “a água” e explicava: o que é quente, precisa da 
umidade para viver, todos os germes são úmidos, os alimentos estão cheios de seiva e o que 
morre resseca. É natural que as coisas se nutram daquilo de que provêm. A água é o princípio 
da natureza úmida e a Terra repousa sobre a água. 
Tales de Mileto foi considerado o precursor do pensamento filosófico, por que pensou a matéria 
de maneira diferente de como era pensada antes, com interferências divinas e invocações a 
deuses superiores. Ele acreditava que a matéria sofria transformações ao longo do tempo. 
Com isso, o filósofo inaugurou o método de observação e especulação diferente das explica-
ções teológicas e religiosas, para todas as coisas, em vigor na época. 
Matemático e Astrônomo 
Para alguns historiadores da matemática antiga, a geometria demonstrativa iniciou-se com 
Tales de Mileto. Apesar de não ter deixado nenhuma obra, o que chegou até nós é baseado 
em antigas referências gregas, que atribuem a ele um bom número de descobertas matemáti-
cas definidas. É atribuído a Tales de Mileto os seguintes fatos geométricos: A demonstração de 
que os ângulos da base de dois triângulos isósceles são iguais. A demonstração do seguinte 
teorema: se dois triângulos têm dois ângulos e um lado respectivamente iguais, então são 
iguais. A demonstração de que todo diâmetro divide um círculo em duas partes iguais. A de-
monstração de que ao unir-se qualquer ponto de uma circunferência aos extremos de um diâ-
metro AB obtém-se um triângulo retângulo em C., entre outros. 
Como astrônomo, atribui-se a Tales de Mileto a previsão, com grande antecedência, do eclipse 
do Sol de 28 de maio de 585 a. C., embora muitos historiadores duvidem que os meios existen-
tes na época permitissem tal façanha. Verificou não ser uniforme o círculo da Terra entre os 
solstícios. Dividiu o ano em 365 dias. Estabeleceu o diâmetro do Sol, acreditava ser a terra um 
disco achatado, O cálculo da altura das pirâmides entre outros. 
Tales de Mileto faleceu em Mileto, Grécia, no ano de 558 a. C. 
 
Pitágoras 
Pitágoras de Samos foi um dos grandes filósofos pré-socráticos e matemáticos da Grécia 
Antiga. 
Segundo ele “tudo é número”, frase que indica uma explicação para a realidade e tudo que 
existe no mundo. A ele foi atribuído o uso e criação dos termos “filósofo” e “matemática”. 
 
Biografia de Pitágoras 
Pitágoras nasceu na ilha grega de Samos, na costa jônica, em 570 a.C. Estudou matemática, 
astronomia, música, literatura e filosofia na sua cidade natal. 
Foi orientado na cidade grega de Mileto por um dos maiores filósofos pré-socráticos: Tales de 
Mileto. 
No entanto, suas ideias revolucionárias para a época o levaram a ser perseguido. Nesse mo-
mento, mudou-se para Crotona (sul da Itália), região conhecida como Magna Grécia. 
Foi ali que fundou uma escola de caráter místico-filosófico que ficou conhecida como “Escola 
Pitagórica”. 
Entretanto, foi perseguido novamente, deixando Crotona e partindo para o Egito, onde ao ob-
servar as pirâmides, criou o Teorema de Pitágoras. 
O filósofo faleceu em Metaponto, na região sul da Itália, em 490 a.C. com aproximadamente 80 
anos. 
 
Pitagorismo 
Segundo Pitágoras, os números são a base da vida na terra. A partir dessa primícia, surge 
o Pitagorismo (ou Escola Pitagórica), sendo os pitagóricos seus seguidores, dos quais se 
destacam: Temistocleia, Filolau de Crotona, Arquitasde Tarento, Alcmeão e Melissa. 
Na escola, ele ministrou aulas nas áreas matemática (aritmética e geometria), astronomia, mú-
sica, filosofia, política, religião e moral. 
Segundo o matemático grego, os números representavam a harmonia e a ordem, ou seja, 
eram considerados a essência de todas as coisas. 
Essa teoria de Pitágoras surgiu da observação entre a harmonia dos acordes musicais. 
Os pitagóricos acreditavam que essa concepção não era meramente matemática, mas também 
mística e espiritual. 
Nesse sentido, eles desenvolveram uma concepção espiritual da existência humana, onde a 
alma é libertada do corpo após a morte. 
Ou seja, eles acreditavam na reencarnação e no desenvolvimento das virtudes humanas en-
quanto a alma estava aprisionada ao corpo durante a vida. 
Como resultado, os homens poderiam reencarnar numa forma de existência mais elevada, 
conforme as virtudes conquistadas durante a trajetória terrena. 
Além do famoso "Teorema de Pitágoras", os pitagóricos descobriram os números figurados e 
os números perfeitos. 
Na área da astronomia, Pitágoras também avançou com questões sobre a esfericidade do pla-
neta Terra e o deslocamento dos astros utilizando conceitos matemáticos. 
Essa teoria baseada num cosmo harmônico ficou conhecida como “Teoria da Harmonia das 
Esferas”. 
 
Teorema de Pitágoras 
Um dos mais importantes teoremas da geometria é o Teorema de Pitágoras. É representado 
pela fórmula (c²= a²+b²) sendo seu enunciado descrito da seguinte maneira: 
“No triângulo retângulo, composto por um ângulo interno de 90° (ângulo reto), a soma dos qua-
drados de seus catetos corresponde ao quadrado de sua hipotenusa.” 
Esta fórmula vale para calcular o tamanho dos triângulos retângulos e tem um sem-número de 
aplicações especialmente nas construções em geral. 
 
 
Filósofos Pré-Socráticos 
Os filósofos pré-socráticos fazem parte do primeiro período da filosofia grega. Eles desen-
volveram suas teorias do século VII ao V a.C. 
Recebem esse nome, posto que são os filósofos que antecederam Sócrates. 
Os filósofos pré-socráticos buscavam nos elementos natureza as respostas sobre a origem do 
ser e do mundo. Focando principalmente nos aspectos da natureza, eram chamados de “filó-
sofos da physis”. 
 
Sócrates 
Sócrates (470 a.C-399 a.C.) foi um importante filósofo grego do segundo período da filosofia. 
Nasceu em Atenas sendo considerado um dos fundadores da filosofia ocidental. 
A filosofia de Sócrates, baseada no diálogo, era chamada de filosofia socrática. Era marcada 
pela expressão “conhece-te a ti mesmo”, em virtude da busca da verdade através do autoco-
nhecimento. 
Ademais, da filosofia do “diálogo” de Sócrates, destaca-se a “maiêutica”, que significa literal-
mente “trazer a luz”. Esta faz relação com a iluminação da verdade que, para ele, está contida 
no próprio ser. 
 
Filosofia Grega 
Para melhor entender a filosofia grega, vale lembrar como ela está dividida: 
 Período Pré-Socrático: fase naturalista 
 Período Socrático: fase antropológica-metafísica 
 Período Helenístico: fase ética e cética 
 
Correntes ou Escolas Pré-Socráticas 
 
Segundo o foco e o local de desenvolvimento da filosofia, o período pré-socrático está dividido 
em Escolas ou Correntes de pensamento, a saber: 
 Escola Jônica: desenvolvida na colônia grega Jônia, na Ásia Menor (atual Turquia), seus 
principais representantes são: Tales de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e 
Heráclito de Éfeso. 
 Escola Pitagórica: também chamada de "Escola Itálica", foi desenvolvida no sul da Itália, e 
recebe esse nome posto que seu principal representante foi Pitágoras de Samos. 
 Escola Eleática: desenvolvida no sul da Itália, sendo seus principais representantes: Xenófa-
nes de Colofão, Parmênides de Eléia e Zenão de Eléia. 
 Escola Atomista: também chamada de “Atomismo”, foi desenvolvida na região da Trácia, 
sendo seus principais representantes: Demócrito de Abdera e Leucipo de Abdera. 
 
Principais Filósofos Pré-Socráticos 
Segue abaixo os principais filósofos do período pré-socrático: 
 Tales de Mileto (624 a.C.-548 a.C.): nascido na cidade de Mileto, região da Jônia, Tales 
acreditava que a água era o principal elemento, ou seja, era a essência de todas as coisas. 
 Anaximandro de Mileto (610 a.C.-547 a.C.): discípulo de Tales nascido em Mileto, para 
Anaximandro o princípio de tudo estava no elemento denominado “ápeiron”, uma espécie de 
matéria infinita. 
 Anaxímenes de Mileto (588 a.C.-524 a.C.): discípulo de Anaximandro nascido em Mileto, para 
Anaxímenes o princípio de todas as coisas estava no elemento ar. 
 Heráclito de Éfeso (540 a.C.-476 a.C.): considerado o “Pai da Dialética”, Heráclito nasceu em 
Éfeso e explorou a ideia do devir (fluidez das coisas). Para ele, o princípio de todas as coisas 
estava contido no elemento fogo. 
 Pitágoras de Samos (570 a.C.-497 a.C.): filósofo e matemático nascido na cidade de Samos, 
para ele os números foram seus principais elementos de estudo e reflexão, do qual se destaca 
o “Teorema de Pitágoras”. 
 Xenófanes de Cólofon: (570 a.C.-475 a.C.): nascido em Cólofon, Xenófanes foi um dos 
fundadores da Escola Eleática, se opondo contra o misticismo na filosofia e o antropomorfismo. 
 Parmênides de Eléia (530 a.C.-460 a.C.): discípulo de Xenófanes, Parmênides nasceu em 
Eléia. Focou nos conceitos de “aletheia” e “doxa”, donde o primeiro significa a luz da verdade e 
o segundo, é relativo à opinião. 
 Zenão de Eléia (490 a.C.-430 a.C.): discípulo de Parmênides, Zenão nasceu em Eléia. Foi 
grande defensor das ideias de seu mestre filosofando, sobretudo, acerca dos conceitos de 
“Dialética” e “Paradoxo”. 
 Demócrito de Abdera (460 a.C.- 370 a.C.): nascido na cidade de Abdera, Demócrito foi 
discípulo de Leucipo. Para ele, o átomo era o princípio de todas as coisas, desenvolvendo as-
sim, a “Teoria Atômica”. 
 
Heráclito 
Heráclito, conhecido como “o obscuro”, foi um pensador e filósofo pré-socrático considerado o 
“Pai da Dialética”. 
 
Biografia de Heráclito 
 
Heráclito de Éfeso, nasceu na cidade de Éfeso, por volta de 540 a.C., antiga colônia grega, 
região da Jônia na Ásia Menor, atual Turquia. 
Filho de nobres, pertencia à família real da cidade. Personalidade forte, Heráclito não apreciava 
a vida pública e se afastou de temas como arte e religião. 
Diante disso, passou grande parte de sua vida introspectivo com seu jeito orgulhoso e esnobe, 
sendo muito criticado pelo seu povo. 
Com isso, passa a viver nas montanhas, afastado de todos e aperfeiçoando suas teorias. 
 
Filosofia de Heráclito 
 
Como Tales de Mileto, Heráclito acreditava no princípio único abalizado na “Filosofia Unitaris-
ta”, cujo princípio estava fundamentado na unidade elementar e, no caso de Heráclito, o ele-
mento fogo. Segundo ele, 
“Tudo provem do Um e o Um provem do Todo”. 
O filósofo baseava suas ideias na lei fundamental da natureza, de modo que, segundo ele, 
“Tudo flui” e “Nada é permanente, exceto a mudança”. 
A partir disso, acreditava que tudo o que existe está em permanente mudança ou transforma-
ção, conceito denominado “Devir” (tornar-se, do vir-a-ser), sujeitas ao “logos” (razão ou lei). 
Tendo em vista seus conceitos, foi o criador do pensamento dialético, a doutrina dos contrários, 
onde, das contradições, surgem a unidade dialética. 
Em resumo, a dialética propõe a busca da verdade através da relação entre dois conceitos 
opostos, numa relação de interdependência. 
Por exemplo, a escuridão somente existe pois o conceito de luz é seu oposto, onde um não 
existe sem o outro. 
Assim, Heráclito, pai da dialética, afirma que todas as coisas por meio da dualidade, cujo o 
"logos" é sua resultante, ou seja, o conhecimento nascido desse embate. 
 
Filosofia Antiga 
A Filosofia Antiga corresponde ao período do surgimentoda filosofia grega no século VII a.C. 
Ela surge da necessidade de explicar o mundo e encontrar respostas para a origem das coisas, 
dos fenômenos da natureza, da existência e da racionalidade humana. 
O termo filosofia é de origem grega e significa “amor ao saber”, ou seja, a busca pela sabedo-
ria. De tal modo, no momento de sua origem os filósofos possuíam esse dom de interpretação, 
uma vez que eles acreditavam conseguir transmitir a mensagem dos deuses. 
Por esse motivo, no início, a filosofia estava intimamente relacionada com a religião: mitos, 
crenças, etc. Assim, o pensamento mítico foi dando lugar ao pensamento racional, ou ainda, do 
mito ao logos. 
 
Contexto Histórico: Resumo 
 
A filosofia antiga surge com a substituição do saber mítico ao da razão e isso ocorreu com o 
surgimento da polis grega (cidade-estado). 
Com essa nova organização social e política pelo qual a Grécia passava, foi fundamental para 
dar lugar a racionalidade humana e, com isso, as reflexões dos filósofos. 
Mais tarde, as discussões que ocorriam em praça pública juntamente com o poder da palavra e 
da razão (logos) levaram a criação da democracia. 
 
Períodos da Filosofia 
 
Lembre-se que a filosofia está dividida didaticamente em 4 períodos: 
 Filosofia Antiga 
 Filosofia Medieval 
 Filosofia Moderna 
 Filosofia Contemporânea 
Filosofia Grega 
A filosofia grega está dividida em três períodos: 
 Período Pré-socrático (séculos VII a V a.C.): corresponde ao período dos primeiros filósofos 
gregos que viveram antes de Sócrates. Os temas estão centrados na natureza, do qual se 
destaca o filósofo grego Tales de Mileto. 
 Período Socrático (século V a IV a.C.): também chamado de período clássico, nesse momen-
to surge a democracia na Grécia Antiga. Seu maior representante foi o filósofo grego Sócrates 
que começa a pensar sobre o ser humano. Além dele, merecem destaque: Aristóteles e Pla-
tão. 
 Período Helenístico (século IV a.C. a VI d.C.): Além de temas relacionados com a natureza e 
o homem, nessa fase os estudos estão voltados para a realização humana por meio das virtu-
des e da busca da felicidade. 
 
Principais Escolas Filosóficas da Filosofia Antiga 
 
Agora que você já sabe os períodos em que está dividida, veja quais as principais escolas de 
pensamento da filosofia antiga: 
 Escola Jônica: reuniu os primeiros filósofos na cidade grega de Mileto, localizada na região da 
Jônia, no litoral ocidental da Ásia menor (atual Turquia). Além de Mileto, temos a cidade de 
Héfeso, com Heráclito como seu principal representante e Samos, com Pitágoras. Na cidade 
grega de Mileto destacam-se Tales de Mileto, Anaximandro e Anaxímenes. 
 Escola Itálica: foi desenvolvida na atual região do sul da Itália (na cidade de Elei) e da Sicília 
(nas cidades de Aeragas e Lentini). Destacam-se os filósofos Parmênides, Zenão, Empédocles 
e Górgias. 
 
Principais Filósofos da Antiguidade 
Veja abaixo os principais filósofos e os principais problemas filosóficos refletidos por eles: 
 Tales de Mileto (623-546 a.C.): filósofo pré-socrático considerado o “Pai da Filosofia” propõe 
que a água é a substância primordial da vida, denominada de arché. Para ele “Tudo é água”. 
 Anaximandro (610-547 a.C.): discípulo de Tales de Mileto, o filósofo procurou buscar o 
elemento fundamental de todas as coisas, denominando de ápeiron (o infinito e o indetermina-
do), que representaria a massa geradora da vida e do universo. 
 Anaxímenes (588-524 a.C.): discípulo de Anaximandro, para o filósofo a substância primordial 
que origina todas as coisas é o elemento ar. 
 Pitágoras de Samos (570-490 a.C.): segundo ele, a origem de todas as coisas estava 
intimamente relacionada com os números. Suas ideias foram essenciais para a filosofia e a 
matemática (Teorema de Pitágoras). 
 Heráclito (535-475 a.C.): filósofo pré-socrático que contribuiu com as reflexões da existência. 
Segundo ele, tudo está em processo de mudança e o fluxo constante da vida é impulsionado 
pelas forças opostas. Elegeu o fogo como elemento essencial da natureza. 
 Parmênides (510-470 a.C.): considerado um dos principais filósofos pré-socráticos, contribuiu 
para os estudos do ser (ontologia), da razão e da lógica. Em suas palavras: “O ser é e o não 
ser não é”. 
 Zenão de Eleia (488-430 a.C.): discípulo de Parmênides, de suas reflexões filosóficas destaca-
se o “Paradoxo de Zenão”, no qual pretendia demonstrar que a noção de movimento era con-
traditória e inviável. 
 Empédocles (490-430 a.C.): por meio do pensamento racional o filósofo defendeu a existência 
dos quatro elementos naturais (ar, água, fogo e terra) que agiriam de maneira cíclica a partir de 
dois princípios: o amor e o ódio. 
 Demócrito (460-370 a.C.): foi criador do conceito de Atomismo. Segundo ele, a realidade era 
formada por partículas invisíveis e indivisíveis denominadas de átomos (matéria). Nas palavras 
do filósofo “Tudo o que existe no universo nasce do acaso ou da necessidade”. 
 Protágoras (480-410 a.C.): filósofo sofista e famoso por sua célebre frase “O homem é a 
medida de todas as coisas”. Contribuiu para as ideias associadas ao subjetivismo dos seres. 
 Górgias (487-380 a.C.): um dos maiores oradores da Grécia antiga, esse filósofo seguiu os 
estudos sobre o subjetivismo de Protágoras, o que o levou a um ceticismo absoluto. 
 Sócrates (469-399): um dos maiores filósofos da Grécia antiga, contribuiu para os estudos do 
ser e de sua essência. A filosofia socrática esteve pautada no autoconhecimento (“conhece-te 
a ti mesmo”), desenvolvida mediante diálogos críticos (a ironia e a maiêtica). 
 Platão (427-347 a.C.): discípulo de Sócrates, escreveu sobre as ideias de seu mestre. De suas 
reflexões filosóficas destaca-se a “Teoria das Ideias” que seria a passagem do mundo sensível 
(aparência) para o mundo das ideias (essência). O “mito da caverna” demostra essa dicotomia 
entre a ilusão e a realidade. 
 Aristóteles (384-322 a.C.): ao lado de Sócrates e Platão, foi um dos mais importantes filósofos 
da Antiguidade. Suas ideias são consideradas a base do pensamento lógico e científico. Es-
creveu diversas obras sobre a essência dos seres (Metafísica), a lógica, a política, a ética, as 
artes, a potência, etc. 
 Epicuro (324-271 a.C.): fundador do epicurismo, para o filósofo a vida deveria estar baseada 
no prazer. No entanto, diferente da corrente hedonista, o prazer epicurista seria racional e equi-
librado. Se não fosse dessa maneira, o prazer poderia resultar na dor e no sofrimento. 
 Zenão de Cítio (336-263 a.C.): fundador do estoicismo, defendia a ideia de uma realidade 
racional, que ocorre por meio do dever da compreensão. Dessa forma, por meio da compreen-
são a realidade de que faz parte o homem e a natureza leva ao caminho da felicidade. 
 Pirro (365-275 a.C.): fundador do Pirronismo, defendia a ideia da incerteza em tudo que nos 
envolve, por meio de uma postura ceticista. Assim, nenhum conhecimento é seguro sendo a 
busca da verdade absoluta uma postura inútil. 
 Diógenes (413-327 a.C.): filósofo da corrente filosófica do cinismo, ele buscou defender uma 
postura anti-materialista se afastando de todos os bens materiais e focando no conhecimento 
de si. 
 
 
O que é Filosofia? 
Filosofia é um campo do conhecimento que estuda a existência humana e o saber por meio 
da análise racional. Do grego, o termo filosofia significa “amor ao conhecimento”. 
Os principais temas abordados pela filosofia são: a existência e a mente humana, o saber, a 
verdade, os valores morais, a linguagem, etc. 
O filósofo é considerado um sábio, sendo aquele que reflete sobre essas questões e busca o 
conhecimento através da filosofia. 
Dependendo do conhecimento desenvolvido, a filosofia possui uma gama de correntes e pen-
samentos. Como exemplos temos:filosofia cristã, política, ontológica, cosmológica, ética, em-
pírica, metafísica, epistemológica, etc. 
 
Para que serve a Filosofia? 
 
Por meio de argumentos que utilizam a razão e a lógica, a filosofia busca compreender o pen-
samento humano e os conhecimentos desenvolvidos pelas sociedades. 
A filosofia foi essencial para o surgimento de uma atitude crítica sobre o mundo e os homens. 
Ou seja, a atitude filosófica faz parte da vida de todos os seres humanos que questionam 
sobre sua existência e também sobre o mundo, o universo. 
De tão importante, esse campo do conhecimento tornou-se uma disciplina obrigatória no currí-
culo escolar, bem como foram criadas diversas faculdades de filosofia. 
 
Origem da Filosofia 
 
A filosofia tem início na Antiguidade, quando surgem as cidades-estados na Grécia Antiga. 
Antes disso, o pensamento, a existência humana e os problemas do mundo eram explicados 
de maneira mítica. 
Ou seja, as explicações estavam baseadas na religião, na mitologia, na história dos deuses e, 
até mesmo, nos fenômenos da natureza. 
Assim, com o surgimento da polis grega, os filósofos, que na época eram considerados envia-
dos dos deuses, começaram a investigar e sistematizar o pensamento humano. 
Com isso, surgem diversos questionamentos, que até esse momento não possuíam tal explica-
ção racional. O pensamento mítico foi dando lugar ao pensamento racional e crítico e daí sur-
giu a filosofia. 
 
Você sabia? 
Os termos “filosofia”, “filósofo” e “matemática” foram criados pelo filosofo pré-
socrático grego Pitágoras. Segundo ele: 
“O filósofo não é dono da verdade, nem detém todo conhecimento do mundo. Ele é ape-
nas uma pessoa que é amiga do saber.” 
Períodos, Correntes Filosóficas e Principais Filó-
sofos 
 
Filosofia Antiga 
A Filosofia Antiga surge no século VII a.C. na Grécia Antiga. A filosofia grega está dividida em 
três períodos: 
 Período Pré-socrático (séculos VII a V a.C.); 
 Período Socrático (século V a IV a.C.); 
 Período Helenístico (século IV a.C. a VI d.C.). 
As principais escolas filosóficas desse período foram a Escola Jônica e a Escola Itálica. 
Na Escola Jônica destacam-se os filósofos: Heráclito, Pitágoras, Tales de Mile-
to, Anaximandro e Anaxímenes. 
Já na Escola Itálica, temos os filósofos: Parmênides, Zenão, Empédocles e Górgias. 
Filosofia Medieval 
A Filosofia Medieval desenvolveu-se na Europa entre os séculos I e XVI. Esteve dividida em 
quatro períodos: 
 Filosofia dos Padres Apostólicos (séculos I e II); 
 Filosofia dos Padres Apologistas (séculos III e IV); 
 Filosofia Patrística (século IV até o VIII); 
 Filosofia Escolástica (século IX até XVI). 
Na Filosofia dos Padres Apostólicos destaca-se o filósofo Paulo de Tarso. Na Filosofia dos 
Padres Apologistas destacam-se os filósofos: Justino Mártir, Orígenes de Alexandria e Tertuli-
ano. 
Na Filosofia Patrística, o maior representante desse período foi Santo Agostinho de Hipona. 
Por fim, na Filosofia Escolástica temos São Tomás de Aquino como o filósofo mais importante. 
Filosofia Moderna 
A Filosofia Moderna desenvolveu-se entre os séculos XV e XVIII. René Descartes é considera-
do o fundador da filosofia moderna com a criação do método cartesiano. 
As principais correntes filosóficas desse período foram: Humanismo, Cientificismo, Racionalis-
mo, Empirismo e Iluminismo. 
Alguns filósofos modernos são: Michel de Montaigne, Nicolau Maquiavel, Francis Bacon, Im-
manuel Kant, Montesquieu, Rousseau, Voltaire, Denis Diderot, Thomas Hobbes, John Locke, 
etc. 
Filosofia Contemporânea 
A Filosofia Contemporânea desenvolveu-se entre os séculos XVIII e XX. Merece destaque 
a Escola de Frankfurt, criada em 1920 na Alemanha, tendo como principais filósofos: Theodor 
Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin e Jurgen Habermas. 
Nesse período, muitas correntes filosóficas foram desenvolvidas: 
 Marxismo 
 Positivismo 
 Racionalismo 
 Utilitarismo 
 Pragmatismo 
 Cientificismo 
 Fenomenologia 
 Sistema Hegeliano 
 Niilismo 
 Existencialismo 
 Materialismo 
 Estruturalismo 
 Idealismo Filosófico 
Além dos filósofos da Escola de Frankfurt, merecem destaque: 
 Michel Foucault 
 Friedrich Nietzsche 
 Friedrich Hegel 
 Karl Marx 
 Jean Paul Sartre 
 Auguste Comte 
 Martin Heidegger 
 Ludwig Wittgenstein 
 Arthur Schopenhauer 
 Zygmunt Baumen 
 
 
Maiêutica 
 
A Maiêutica foi elaborada por Sócrates no século IV a.C. Através desta linha filosófica ele pro-
cura dentro do Homem a verdade. É famosa sua frase “Conhece-te a ti mesmo”, que dá início à 
jornada interior da Humanidade, na busca do caminho que conduz à prática das virtudes mo-
rais. Através de questões simples, inseridas dentro de um contexto determinado, a Maiêutica 
dá à luz idéias complicadas. 
Sócrates, seu criador, nasceu por volta de 470 ou 469 a.C., na cidade de Atenas. Ao longo de 
sua vida ocupou alguns cargos públicos, mas seu comportamento sempre foi modelo de inte-
gridade e ética. Sua educação se deu principalmente através da meditação, moldada na eleva-
da cultura ateniense deste período. Ele acreditava não ser possível filosofar enquanto as pes-
soas não alcançassem o autoconhecimento, percebendo assim claramente seus limites e im-
perfeições. Assim, considerava que deveria agir conforme suas crenças, com justiça, retidão, 
edificando homens sábios e honestos, ao contrário dos sofistas, que só buscavam tirar vanta-
gens pessoais das situações. 
Sua forma de viver, porém, com liberdade de opinião, considerações críticas, ironia e uma ma-
neira específica de educar, provocaram a ira geral e lhe angariou uma lista de inimigos. Sob a 
ótica de seus contemporâneos, ele era visto como líder de uma elite intelectual. Acusado de 
perverter os jovens e de substituir os deuses venerados em sua terra natal por outros desco-
nhecidos, ele negou-se a elaborar uma defesa própria, pois argumentava que seus ensinamen-
tos eram imortais, não algo para ser compreendido e aceito naquele momento, no âmbito da 
vida material. Assim, preferiu morrer, recusando inclusive a fuga providenciada por seu discípu-
lo Criton, porque não desejava ir contra as leis humanas. Assim, morreu aos 71 anos de idade, 
vítima da execução à qual fora condenado. 
O filósofo busca o conhecimento através de questões que revelam uma dupla face – a ironia e 
a maiêutica. Através da ironia, o saber sensível e o dogmático se tornam indistintos. Sócrates 
dava início a um diálogo com perguntas ao seu ouvinte, que as respondia através de sua pró-
pria maneira de pensar, a qual ele parecia aceitar. Posteriormente, porém, ele procurava con-
vencê-lo da esterilidade de suas reflexões, de suas contradições, levando-o a admitir seu equí-
voco. 
Por intermédio da maiêutica, ele mergulha no conhecimento, ainda superficial na etapa anteri-
or, sem atingir porém um saber absoluto. Ele utilizava este termo justamente porque se referia 
ao ato da parteira – profissão de sua mãe -, que traz uma vida á luz. Assim ele vê também a 
verdade como algo que é parido. Seu senso de humor costumava desorientar seus ouvintes, 
que na conclusão do debate acabavam admitindo seu desconhecimento. Deste diálogo nascia 
um novo conhecimento, a sabedoria. Um exemplo comum deste método é o conhecido diálogo 
platônico „Mênon‟ – nele Sócrates orienta um escravo sem instrução a adquirir tal conhecimen-
to que ele se torna capaz de elaborar diversos teoremas de geometria. 
 
Iluminismo 
Introdução (o que foi, conceito e surgimento) 
 
O Iluminismo surgiu na França, no século XVII. Porém, o auge deste movimento foi na primeira 
metade do século XVIII. Ele defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica (religiosa), 
que dominava a Europa desde a IdadeMédia. Segundo os filósofos iluministas, esta nova for-
ma de pensamento tinha o propósito de iluminar "as trevas" na qual se encontrava a sociedade. 
 
Os principais ideais iluministas 
 
Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o pensamento racional deveria 
ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, blo-
queavam a evolução do homem. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas 
para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé. 
 
O Século das Luzes 
 
O apogeu deste movimento intelectual foi atingido no século XVIII, e, este, passou a ser co-
nhecido como o Século das Luzes. O Iluminismo foi mais intenso na França, onde influenciou a 
Revolução Francesa através de seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve 
influência em outros movimentos sociais, como na independência das colônias inglesas na 
América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil. 
 
Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela so-
ciedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma socie-
dade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, 
eles eram contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, contrá-
rios ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero. 
 
Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois, apesar do dinheiro que 
possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido a sua forma de participação 
limitada. Naquele período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, e, naquela forma de 
governo, o rei detinha todos os poderes (absolutismo). Outra forma de impedimento aos bur-
gueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões econô-
micas. 
 
No Antigo Regime, a sociedade era dividida da seguinte forma: No topo da sociedade estava o 
clero, em segundo a nobreza, em terceiro a burguesia e os trabalhadores da cidade e do cam-
po. Com o fim deste poder, os burgueses tiveram liberdade comercial para ampliar significati-
vamente seus negócios, uma vez que, com o fim do absolutismo, foram tirados não só os privi-
légios de poucos (clero e nobreza), como também, as práticas mercantilistas que impediam a 
expansão comercial para a classe burguesa. 
 
Principais filósofos iluministas 
 
Os principais filósofos do Iluminismo foram: John Locke (1632-1704), ele acre-
ditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo através 
do empirismo; Voltaire (1694-1778), ele defendia a liberdade de pensamento e 
não poupava crítica a intolerância religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712-
1778), ele defendia a ideia de um estado democrático que garanta igualdade 
para todos; Montesquieu (1689-1755), ele defendeu a divisão do poder político 
em Legislativo, Executivo e Judiciário; Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le 
Rond d´Alembert (1717-1783), juntos organizaram uma enciclopédia que reunia 
conhecimentos e pensamentos filosóficos da época. 
 
Você sabia? 
 
- A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, redigida na França no ano 
de 1789, foi um importante documento democrático, elaborado com inspiração 
dos ideais do Iluminismo. 
 
Iluminismo 
O Iluminismo, também conhecido como "Século das Luzes", foi um movimento intelectual 
europeu surgido na França no século XVII. 
A principal característica desta corrente de pensamento foi defender o uso da razão sobre o da 
fé para entender e solucionar os problemas da sociedade. 
 
Resumo 
Os iluministas exaltavam o poder da razão em detrimento ao da fé e da religião. Com isso, 
acreditavam que poderiam reestruturar a sociedade, ainda presa ao conhecimento herdado da 
tradição medieval. 
Através da união de escolas de pensamento filosóficas, sociais e políticas, os iluministas bus-
caram estender a crítica racional em todos os campos do saber humano. 
Assim, enfatizavam a defesa do conhecimento racional para desconstruir preconceitos e 
ideologias religiosas. Por sua vez, essas seriam superadas pelas ideias de progresso e perfec-
tibilidade humana. 
Em suas críticas, os pensadores iluministas argumentavam contra as determinações mercanti-
listas e religiosas. 
Também foram avessos ao absolutismo e aos privilégios dados à nobreza e ao clero. Isso aba-
lava os alicerces da estrutura política e social absolutista. 
Desta maneira, filósofos como Diderot e D‟Alembert buscaram reunir todo o conhecimento pro-
duzido à luz da razão num compêndio dividido em 35 volumes: a Enciclopédia (1751-1780). 
A publicação da Enciclopédia contou com a participação de vários expoentes iluministas como 
Montesquieu e Rousseau. 
Suas ideias se difundiram principalmente entre a burguesia, os quais detinham a maior parte 
do poder econômico. Entretanto, não possuíam nada equivalente em poder político e ficaram 
sempre à margem das decisões. 
 
Características do Iluminismo 
 
O iluminismo rejeitava a herança medieval. Por isso, passaram a chamar este período de "Ida-
de das Trevas". Foram esses pensadores que inventaram a ideia que nada de bom havia acon-
tecido nesta época. 
Por isso, advogavam pela limitação dos privilégios do clero e da igreja; bem como o uso da 
ciência para questionar as doutrinas religiosas. 
 
Economia 
 
Em oposição ao Mercantilismo, o Estado deveria praticar o liberalismo. Ao invés de intervir na 
economia, o Estado deveria deixar que o mercado a regulasse. Essas ideias foram expostas, 
principalmente, por Adam Smith. 
 
Política 
 
Contrários ao Absolutismo, os iluministas afirmavam que o poder do rei deveria ser limitado por 
um conselho ou uma Constituição. Igualmente, os súditos deveriam ter mais direitos e serem 
tratados de forma igualitária. 
Com isso queria se afirmar que todos deveriam pagar impostos e minorias como os judeus 
tinham que ser reconhecidos como cidadãos plenos. 
 
Despotismo Esclarecido 
As ideias iluministas se espalharam de tal modo que muitos governantes buscaram implantar 
medidas embasadas no iluminismo para modernizar seus respectivos Estados. 
Isso acontecia sem abdicação de seu poder absoluto, mas apenas conciliando-o aos interesses 
populares. Deste modo, aqueles governantes faziam parte do Despotismo Esclarecido. 
Os ideais iluministas tiveram serias implicações sociopolíticas. Como exemplo, o fim do colo-
nialismo e do absolutismo e o liberalismo econômico, bem como a liberdade religiosa, o que 
culminou em movimentos como a Revolução Francesa (1789). 
Iluminismo no Brasil 
 
O Iluminismo chegou ao Brasil através das publicações que eram contrabandeadas para a 
colônia. 
Igualmente, vários estudantes que iam à Universidade de Coimbra também tiveram contato 
com as ideias iluministas e passaram a difundi-las. 
Essas ideias passavam a questionar o próprio sistema colonial e fomentar o desejo de mudan-
ças. 
Assim, o movimento da Luzes influenciou a Inconfidência Mineira (1789), a Conjuração Baia-
na (1798) e a Revolução Pernambucana (1817). 
 
Principais Pensadores Iluministas 
 
Segue abaixo os principais filósofos iluministas: 
 Montesquieu (1689-1755) 
 Voltaire (1694-1778) 
 Diderot (1713-1784) 
 D‟Alembert (1717-1783) 
 Rousseau (1712-1778) 
 John Locke (1632-1704) 
 Adam Smith (1723-1790) 
 
O Mito e a Filosofia 
Mito, do grego mýthos, é uma narrativa tradicional cujo objetivo é explicar a origem e exis-
tência das coisas. 
 
Origem do Mito 
Esse foi o recurso utilizado durante anos para explicar tudo o que existe no Universo. Desta 
forma, foram criados mitos para explicar a origem dos homens, dos sentimentos, dos fenôme-
nos naturais, entre outros. 
O mito era considerado uma história sagrada, narrada pelo rapsodo - que supostamente era a 
pessoa escolhidapelos deuses para transmitir oralmente as narrativas. 
O fato de o narrador advir de uma escolha divina, atribuía ao mito o caráter de incontestabilida-
de, pois os deuses eram inquestionáveis. 
Importa referir que, além de explicar as origens, a mitologia - o conjunto dessas histórias fan-
tásticas - desempenhavam um papel moral. 
Esse tipo de narrativa era pertinente para responder aos questionamentos até que, a partir do 
século VII a.C. as explicações oriundas dessas histórias iam deixando de satisfazer os primei-
ros filósofos gregos - os pré-socráticos. 
Assim, o mundo começava a ser investigado através da razão, priorizando o natural em detri-
mento do sobrenatural. Começando a fazer uso da razão, os filósofos não acreditavam nos 
mitos e exigiam comprovações. 
 
Surgimento da Filosofia 
 
O surgimento da Filosofia se deu na Grécia, mais precisamente com a formação da pólis - ci-
dade-Estado grega. Lá, os cidadãos discutiam política em público, tentando chegar à melhor 
forma de organização da sociedade. 
Isso motivava o uso do raciocínio, da reflexão. Com o tempo, as pessoas não discutiam apenas 
política, mas se indagavam acerca de vários aspectos, o que levou ao crescimento da investi-
gação. 
Desta forma, a transição entre o pensamento mítico e o pensamento racional aconteceu de 
forma progressiva. 
Os filósofos pré-socráticos buscaram nos elementos da natureza a resposta sobre as origens. 
 
O que Mito e Filosofia têm em comum? 
Ambos buscam explicar as origens, sendo basicamente essa a característica que os aproxima. 
Vejamos, entretanto, quais as suas diferenças. 
Diferenças entre o Mito e a Filosofia 
Mito Filosofia 
Fantástico, imaginário Verdadeiro, real 
Sobrenatural Natural 
Inquestionável Questionável 
Fantasia, incoerência Razão, coerência 
Irracional Lógico 
 
A Filosofia e a Ciência 
Até a Idade Média não havia diferença entre Filosofia e Ciência. Com o desenvolvimento da 
análise e investigação, todavia, surgiram a Matemática, a Química, a Geografia, a Sociologia, 
enfim, as diversas áreas científicas. 
A Filosofia é, assim, a origem para todas as ciências. 
 
O Mito - O que é Mito? 
Mitos são histórias tradicionais, quase sempre sobre deuses, heróis ou criaturas do mundo 
animal, que explicam por que o mundo é do jeito que é. 
Pessoas de todos os tempos e de todos os tipos de cultura constataram que a vida está repleta 
de mistérios. Por exemplo: qual é a origem do mundo, por que o sol se movimenta atravessan-
do o firmamento, o que faz as coisas crescerem, por que as plantas morrem no inverno e re-
nascem na primavera, de que modo ocorrem as marés, por que há terremotos, para onde vão 
as pessoas quando morrem, se é que vão para algum lugar? 
Na tentativa de responder a perguntas como essas, o homem criou narrativas que transcen-
dem a existência comum e cotidiana e que se enraizaram em diferentes culturas. 
Dessa maneira, as respostas para as mais complicadas indagações da vida foram transmitidas 
de geração para geração, na forma de mitos. Em geral havia semelhanças entres as histórias 
contadas em sociedade marcadamente distintas, como nas Mitologias da Grécia Antiga e dos 
Nórdicos, nas quais aparecem temas universais como a vida após a morte e a origem do mun-
do. 
Os mitos eram bem mais do que o simples contar história. Cada cultura possuía cerimônias e 
rituais próprios associados aos mitos. Essa associação implicava representar histórias exem-
plares ou oferecer sacrifícios aos deuses, na esperança de receber alguma benção em troca, 
como uma boa safra ou a vitória em uma batalha. 
Explicações mitológicas do mundo diferem das explicações apresentadas pela filosofia, que se 
baseiam na experiência e na razão. Os filósofos gregos buscavam explicações naturais, não 
explicações sobrenaturais. 
Esses filósofos diziam que os mitos não combinavam com um entendimento adequado da rea-
lidade. Criticavam as histórias de Homero porque nelas os deuses tem exatamente as mesmas 
imperfeições dos seres humanos. 
O pensamento mítico teve início na Grécia, do séc. XXI ao VI a.C. e nasceu do desejo de do-
minação do mundo, para afugentar o medo e a insegurança. A verdade do Mito não obedece à 
lógica nem da verdade baseada na experiência, nem da verdade científica. 
É verdade compreendida, que não necessita de provas para ser aceita. É portanto uma per-
cepção compreensiva da realidade, é uma forma espontânea do homem situar-se no mundo. 
Normalmente, associa-se, erroneamente, o conceito de mito à mentira, ilusão,ídolo, lenda ou 
ficção. 
O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem o vive. A narração de determinada 
história mítica é uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a 
imaginação exercem grande papel. 
Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história tem uma racionalida-
de, mesmo que não tenha uma lógica, por trabalhar com a fantasia. 
Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles, o mito é muito 
“maior” que o ídolo (objeto de paixão, veneração). 
O mito é muito confundido com o conceito de lenda, porém esta não tem compromisso nenhum 
com a realidade, são meras histórias sobrenaturais. 
O mito não é exclusividade de povos primitivos, nem de civilizações nascentes, mas existe em 
todos os tempos e culturas como componente inseparável da maneira humana de compreen-
der a realidade. O mito é, na realidade, uma maneira de entender o passado. 
Um historiador de religiões, certa vez afirmou: “Os mitos contam apenas aquilo que realmente 
aconteceu“. Isto não quer dizer que os mitos explicam os fatos corretamente. Eles sugerem, 
entretanto, que por trás da explicação existe uma realidade que não pode ser conhecida e/ou 
examinada. 
Tipos de mitos 
Mitos cosmogônicos 
Dentre as grandes interrogações que o homem permanece incapaz de responder, apesar de 
todo o conhecimento experimental e analítico está à origem da humanidade e do mundo que 
habita. 
É como resposta a essa interrogação que surgem os mitos cosmogônicos. As explicações ofe-
recidas por esses mitos podem ser reduzidas a alguns poucos modelos, elaborados por dife-
rentes povos. 
É comum encontrar nas várias mitologias a figura de um criador que, por ato próprio e autôno-
mo, estabeleceu ou fundou o mundo em sua forma atual. 
Os mitos desse tipo costumam mencionar uma matéria já existente a toda a criação: o oceano, 
o caos ou a terra. 
A criação a partir do nada, unicamente pela palavra de Deus, aparece claramente no livro bíbli-
co do Gênesis. 
Mitos escatológicos 
Ao lado da preocupação com o enigma da origem, figura para o homem, como grande mistério, 
a morte individual, associada ao temor da extinção de todo o povo e mesmo do desapareci-
mento do universo inteiro. 
Para a mitologia, a morte não aparece como fato natural, mas como elemento estranho à cria-
ção original, algo que necessita de uma justificativa, de uma solução em outro plano de reali-
dade. 
Algumas explicações predominam nas diversas mitologias. Há mitos que falam de um primeiro 
período em que a morte não existia e contam como ela sobreveio por efeito de um erro, de um 
castigo ou para evitar a superpopulação. 
Outros mitos, geralmente presentes em tradições culturais mais elaboradas, fazem referência à 
condição original do homem como ser imortal e habitante de um paraíso terreno, e apresentam 
a perda dessa condição e a expulsão do paraíso como tragédia especificamente humana. 
Natureza do mito 
Um dos livros mitológicos mais conhecidos é a “Ilíada”, de Homero, que conta sobre a Guerra 
de Troia. Nenhum leitor, hoje em dia, aceita a obra de Homero como um relato histórico. Po-
rém, não existe quase nenhuma dúvida de que, em algum tempo, muitos séculos antes de 
Homero, realmente houve uma guerra entre cidades-estadogregas e habitantes do noroeste 
da Ásia Menor. 
Outro dos grandes mitos dos povos antigos é o Dilúvio. A versão mais conhecida é o relato, 
encontrado no Gênesis o primeiro livro da Bíblia, de Noé e sua arca. 
Nenhum cientista hoje admitiria que uma enchente pudesse ter coberto toda Terra, com a água 
atingindo as mais altas montanhas, mas a antiga Mesopotâmia sofreu muitas inundações. 
É provável que uma excepcional enchente tenha se tornado um tema para a futura criação de 
um mito. Talvez, as ocorrências de muitas inundações foram agrupadas para, juntas, tornar-se 
uma única estória. 
A função dos Mitos 
Os mitos tentam responder muitas questões. 
Como o mundo surgiu? Como são os deuses, e de onde vieram? Como surgiu a humanidade? 
Por quê existe o mal no mundo? O que acontece após a morte? Os mitos também tentam ex-
plicar costumes e rituais de uma determinada sociedade. Eles explicam as origens da agricultu-
ra e a fundação de várias cidades. 
Além de fornecer tais explicações, os mitos são usados para justificar o modo de vida de uma 
sociedade. Várias famílias em muitas civilizações antigas, justificavam os seus poderes através 
de lendas que descreviam suas origens como sendo divinas. 
A narração mitológica envolve basicamente acontecimentos supostos, relativos a épocas pri-
mordiais, ocorridos antes do surgimento dos homens (história dos deuses) ou com os “primei-
ros” homens (história ancestral). 
O verdadeiro objeto do mito, contudo, não são os deuses nem os ancestrais, mas a apresenta-
ção de um conjunto de ocorrências fabulosas com que se procura dar sentido ao mundo. 
O mito aparece e funciona como intervenção simbólica entre o sagrado e o seu oposto (o pro-
fano), condição necessária à ordem do mundo e às relações entre os seres. 
As semelhanças com a religião mostram que o mito se refere – ao menos em seus níveis mais 
profundos – a temas e interesses que ultrapassam a experiência imediata, o senso comum e a 
razão: Deus, a origem, o bem e o mal, o comportamento ético e a escatologia (destino último 
do mundo e da humanidade). 
Mito e religião 
Alguns especialistas, atribuem importância especial ao argumento religioso do mito. Com efei-
to, são muito frequentes os mitos que tratam sobre a origem dos deuses e do mundo, dos ho-
mens, de determinados ritos religiosos, de preceitos morais, tabus, pecados e redenção. 
Em certas religiões, os mitos formam um corpo doutrinal e estão estreitamente relacionados 
com os rituais religiosos, o que levou alguns autores a considerar que a origem e a função dos 
mitos é explicar os rituais religiosos. 
Mas tal hipótese não foi universalmente aceita, por não esclarecer a formação dos rituais e 
porque existem mitos que não correspondem a um ritual. 
O mito, portanto, é uma linguagem apropriada para a religião. Isso não significa que a religião, 
tampouco o mito, conte uma história falsa, mas que ambos traduzem numa linguagem de des-
crições e narrações uma realidade que ultrapassa o senso comum e a racionalidade humana e 
que, portanto, não cabe em meros conceitos analíticos. 
Religião e mito discordam, não quanto à verdade ou falsidade daquilo que narram, mas quanto 
ao tipo de mensagem que transmitem. 
Mito e sociedade 
Como forma de comunicação humana, o mito está obviamente relacionado com questões de 
linguagem e também da vida social do homem, uma vez que a narração dos mitos é própria de 
uma comunidade e de uma tradição comum. 
Não se conseguiu definir, no entanto, a natureza precisa dessas relações. O estudo da socie-
dade e da linguagem pode começar apenas com os elementos fornecidos pela fala e pelas 
relações sociais humanas, mas em cada caso esse estudo se confronta com uma coerência de 
tradições que não está diretamente aberta à pesquisa. Essa é a área em que atua a mitologia. 
Algumas concepções mitológicas podem exemplificar a complexidade e a variedade das rela-
ções entre mito e sociedade. 
Mito e psicologia 
Freud deu nova orientação à interpretação dos mitos e às explicações sobre sua origem e fun-
ção. Mais que uma recordação antiga de situações históricas e culturais, ou uma elaboração 
fantasiosa sobre fatos reais, os mitos seriam, segundo a nova perspectiva proposta, uma ex-
pressão simbólica dos sentimentos e atitudes inconscientes de um povo, de forma perfeitamen-
te comparável ao que são os sonhos na vida do indivíduo. 
Não foi por outra razão que Freud recorreu ao mito grego para dar nome ao complexo de Édi-
po. 
Para ele, o mito do rei que mata o pai e casa com a própria mãe simboliza e manifesta a atra-
ção de caráter sexual que o filho, na primeira infância, sente pela mãe e o desejo de superar o 
pai. 
Mito e arte 
Pelo caráter simbólico que reveste, o mito pode ser considerado como uma forte manifestação 
artística e geradora de arte. 
Em cada povo e civilização, os mitos são fonte de inspiração para as mais diversas obras de 
arte como esculturas, pinturas, inscrições, monumentos, construções de templos e até mesmo 
a disposição dos túmulos em cemitérios. 
Hoje em vários museus do mundo existem quadros e esculturas representando os antigos per-
sonagens que fizeram parte da mitologia. 
Mito e razão 
Alguns autores reduzem os mitos a narrativas referentes há tempos antiquados e elaborados 
em épocas pré-críticas, isto é, antes do uso de métodos racionais de estudo e análise. 
Entendem que o mito tornou-se, com o tempo, mera literatura, embora encontrem dificuldades 
para estabelecer com precisão quando teria cessado a criatividade mítica. 
Outros estudiosos, ao contrário, consideram o pensamento mítico um constante estudo sobre o 
estudo e a classificação dos caracteres físicos dos grupos humanos, complementares ao pen-
samento racional e não um estágio “menos evoluído” deste. 
Apontam, para demonstrá-lo, sinais de que o pensamento mítico está em operação em muitas 
das manifestações culturais contemporâneas como a arte. 
O pensamento racional e científico não seria, portanto, um decifrador de mitos e substituto do 
pensamento mítico, mas pode ser capaz de reconhecer sua atualidade. 
Enquanto a astronomia, com suas descobertas, esvaziou os céus, antes povoados de deuses, 
a sociologia e a psicologia descobriram forças que se impõem ao pensamento e à vontade 
humana, e portanto, atuam e se manifestam de modo independente. 
Mitos sobre o tempo e a eternidade 
Os corpos celestes sempre atraíram a curiosidade e o interesse humano, em todas as culturas. 
A regularidade e precisão inalteráveis do movimento dos astros foram com certeza uma ima-
gem poderosa na formação de uma ideia de “tempo transcendente”, concebido como eternida-
de, em contraste com o mundo de incessantes alterações e os acontecimentos inesperados 
vividos no tempo terreno. 
O retorno periódico dos fenômenos siderais e de processos naturais terrestres projetou-se, em 
algumas culturas, na concepção repetitiva do tempo. 
Mitos de transformação e de transição 
Numerosos mitos narram mudanças cósmicas, produzida ao término de um tempo primordial 
anterior à existência humana e graças às quais teriam surgido condições favoráveis à formação 
de um mundo habitável. 
Outras grandes transformações e inovações, como a descoberta do fogo e da agricultura, es-
tão associadas aos mitos dos grandes fundadores culturais. 
Nos mitos, são frequentes as transformações temporárias ou definitivas dos personagens, seja 
em outras figuras humanas ou em animais, plantas, astros, rochas e outros elementos da natu-
reza. 
As mudanças e transformações que se dão nos momentos críticos da vida individual e social 
são objetos de particular interesse mitológicos e rituais: nascimento, ingresso na vida adulta, 
casamento, morte – acontecimentos marcantes para a pessoa e sua comunidade – são inter-
pretados como atualizações de processos cósmicos ou de realidades míticas.Deuses e heróis 
Em muitas mitologias, descrevem-se hierarquias de deuses, cada uma com um ou mais deuses 
supremos. A supremacia pode ser partilhada pelos membros de um casal, ou ser atribuída 
simultaneamente a dois ou três deuses distintos. 
Pode também variar com o tempo, segundo circunstâncias históricas, como por exemplo o 
domínio de um povo sobre outro ou o predomínio de determinados interesses e atividades (de 
tipo agrícola, guerreiro etc.). 
São frequentes os relatos de deuses supremos, por vezes identificados como criadores origi-
nais do mundo, que a seguir ficam inativos e deixam o governo a cargo de outro deus ou deu-
ses. 
O Mito hoje 
Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes? 
Tradicionalmente, a criação de mitos e lendas, olha para o passado para tentar fazer com que 
o presente tenha sentido. Ao invés disso, alguns mitos modernos olham para o futuro. Os con-
tadores de estórias fazem uso de muitas invenções dos últimos séculos para tentar dar pistas 
de como a Terra será daqui há centenas de anos, ou para imaginar a vida daqui há bilhões de 
anos-luz no espaço ou no futuro distante. 
A criação de mitos, assim como a superstição, não é apenas propriedade de pessoas que vive-
ram há milhares de anos atrás. Isto persiste através da história. 
O Oeste Americano do século 19 foi o assunto favorito para a criação de muitos mitos. O Oeste 
era uma realidade. Havia cowboys, índios, foras-da-lei e xerifes. Já as estórias de “Faroeste”, 
apresentadas no cinema e na televisão, são versões bastante românticas de uma realidade 
nada feliz e de riquezas. 
O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é só razão, mas também afetividade e emoção. 
Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios 
que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva. 
O mito recuperado do cotidiano do homem contemporâneo, não se apresenta com o alcance 
que se fazia sentir no homem primitivo. Os mitos modernos não envolvem mais a totalidade do 
real como ocorria nos mitos gregos, romanos ou indígenas. Podemos escolher um mito da 
sensualidade, outro da maternidade,sem que tenham de ser coerentes entre si. 
Os super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de 
filmes, passam a encarnar o Bem e a Justiça, assumindo a nossa proteção imaginária. 
Por que mitos? Por que nos importarmos com eles? O que eles têm a ver com nossas vidas? 
Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do 
espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas práticos do momento. 
As literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. 
Tendo sido suprimidas, em prol de uma educação concorde com uma sociedade industrial, 
onde toda uma tradição de informação mitológica do ocidente se perdeu. 
Muitas histórias se conservavam na mente das pessoas, dando uma certa perspectiva naquilo 
que aconteciam em suas vidas. Com a perda disso, por causa dos valores práticos de nossa 
sociedade industrial, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada para por no 
lugar. 
Essas informações, provenientes de tempos antigos, têm a ver com os temas que sempre de-
ram sustentação à vida humana, construíram civilizações e formaram religiões através dos 
séculos, e têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com 
os profundos limites de nossa travessia pela vida, e se você não souber o que dizem os sinais 
deixados por outros ao longo do caminho, terá de produzi-los por conta própria. 
Pensamento Mítico e Pensamento Filosófico 
Historicamente, a filosofia, tal como a conhecemos, inicia com Tales de Mileto. Tales foi o pri-
meiro dos filósofos pré-socráticos, aqueles que buscavam explicar todas as coisas através de 
um ou poucos princípios. 
Ao apresentarem explicações fundamentadas em princípios para o comportamento da nature-
za, os pré-socráticos chegam ao que pode ser considerado uma importante diferença em rela-
ção ao pensamento mítico.Nas explicações míticas, o explicador é tão desconhecido quanto a 
coisa explicada. Por exemplo, se a causa de uma doença é a ira divina, explicar a doença pela 
ira divina não nos ajuda muito a entender porque há doença. As explicações por princípios 
definidos e observáveis por todos os que tem razão (e não apenas por sacerdotes, como ocor-
re no pensamento mítico), tais como as apresentadas pelos pré-socráticos, permitem que 
apresentemos explicadores que de fato aumentam a compreensão sobre aquilo que é explica-
do. 
Talvez seja na diferença em relação ao pensamento mítico que vejamos como a filosofia de 
origem europeia, na sua meta de buscar explicadores menos misteriosos do que as coisas 
explicadas, tenha levado ao desenvolvimento da ciência contemporânea. Desde o início, isto é, 
desde os pré-socráticos vemos a semente da meta cartesiana de controlar a natureza. 
A Necessidade do Estudo do Mito Para a Filosofia 
Um longo período de tempo medeia entre o gradual aparecimento do homem na Terra e o gra-
dual aparecimento do homem utilizador da razão abstrata. Podemos dar por fixa a data de há 
70 000 anos para o definitivo estabelecimento do Homo-Sapiens nas planícies europeias. 
Também podemos dar por fixa a data de há 3000 a 2800 anos para o estabelecimento definiti-
vo, na civilização grega clássica, do uso preferencial do discurso racional como instrumento de 
conhecimento do homem sobre a realidade. 
Entre estas duas datas, o homem aprendeu a modelar a pedra, o barro, a madeira, o ferro, 
levantou diversíssimas casas em função dos materiais que tinha à mão, estabeleceu regras de 
casamento e de linhagem familiar, distinguiu as plantas e os animais bons dos nefastos, des-
cobriu o fogo, a agricultura, a arte da pesca, da caça coletiva, etc. 
No plano estritamente filosófico, interessa-nos, sobretudo, a descoberta (ou invenção) de um 
instrumento que lhe iria permitir acelerar o desenvolvimento do processo de conhecimento da 
realidade por via da conservação das descobertas transmitidas de geração em geração: a pa-
lavra, a linguagem. 
É pela palavra que se vai condensar a experiência que as mãos e os olhos vão adquirindo ao 
longo de gerações. A palavra surge, assim, como dotada de uma força espiritual (sai de dentro 
do homem como a respiração, não se toca, não se vê) que se conserva para além do ciclo da 
vida e da morte, capaz de por si própria reevocar acontecimentos passados, que se estabele-
cem como modelos de ação para o presente, e igualmente capaz de prefigurar o futuro, for-
çando-o a ser conforme aos desejos humanos. 
É assim em torno do uso majestático da palavra que o homem primitivo (de épocas remotas ou 
atuais) vai desenvolver e sintetizar toda a sua capacidade de apreensão de conhecimentos da 
realidade que o cerca. Ora, o que atualmente chamamos Mito Clássico (também existe o mito 
moderno) é o repositório de narrativas, longas ou breves, que as sociedades antigas (anterio-
res à Grécia clássica) ou as sociedades primitivas atuais nos deixaram, nelas condensando a 
sua secular experiência de vida, o modo como encaravam a vida e a morte, os ciclos de renas-
cimento da natureza, o modo como analisavam e escolhia a flora e a fauna da sua região, co-
mo viam e interpretavam os astros no céu, o processo cíclico do dia e da noite, os actos de 
nascimento, de reprodução e de casamento, bem como tudo o que dizia respeito à sua vida 
quotidiana e às regras por que se relacionavam entre si. 
Mito e Pensamento Entre os Gregos 
A mitologia é um assunto fascinante, com este trabalho, entenderemos quais as principais fun-
ções que os mitos tinham, e por que eles eram tão importantes para os gregos. 
Os mitos acima de tudo organizavam as comunidades e formavam o ser pessoal dos cidadãos. 
Neste trabalho explicaremos como e por que isto ocorria.O SIGNIFICADO DOS MITOS PARA OS GREGOS 
A mitologia foi uma forma encontrada para se compreender o mundo e entender coisas que 
para aquela época eram quase impossíveis de se entender: O que é a terra, por que ela existe, 
quem somos nós, por que estamos aqui e o que acontecerá quando morrermos. 
A mitologia dava respostas para estas perguntas. Eram respostas falsas, mas satisfaziam a 
curiosidade das pessoas. Muitas destas perguntas não tem resposta até hoje. 
Sempre ficou muito claro na mitologia que os deuses não gostavam dos humanos, nós éramos 
apenas “brinquedinhos” deles. Mas por que? Será que isso não seria uma explicação para os 
seres humanos entenderem por que as vezes a vida e tão dura, tudo dá errado, e também para 
compreender por que existia tanto sofrimento, tanta dor, tanta injustiça? 
E as Mouras? Não seriam a explicação para todas aquelas vezes em que por mais que a pes-
soa tivesse lutado, batalhado e sofrido, ela não tivesse alcançado seus objetivos? Ao invés de 
se considerar um perdedor, talvez fosse mais fácil dizer que não existia a vontade humana, 
apenas a vontade divina. 
Os mitos foram muito importantes para toda a sociedade daquela época, pois sempre foi es-
sencial para o homem saber suas origens e a origem do mundo. E os mitos além da função 
religiosa tinham também esta função: Explicar o incompreensível. 
A mitologia se aproxima demais da realidade, pois sem a realidade os mitos não existiam, já 
que estes são explicações de uma difícil realidade. 
Os deuses eram muito parecidos com os homens não só fisicamente. Nós sabemos que os 
deuses eram considerados muito mais inteligentes do que os homens, mas acontece que os 
sentimentos e as representações dos deuses eram todos refletidos em nós. 
Se acontecia uma peste, por exemplo, era por que algum deus estava descontente com os 
humanos, e logo isto refletia na sociedade. 
A mitologia tentava esclarecer entre tantas coisas os fenômenos naturais da terra. 
Os deuses eram figuras individuais com aspectos humanos, que recebiam uma força maior do 
além. E muito raramente eles usavam estas forças para beneficiar os humanos. Como eu já 
disse antes, os deuses não gostavam de nós. 
Com os recursos da época, era praticamente impossível descobrir a origem do mundo. Com os 
mitos, isso foi possível. Para os gregos, segundo Hesiodo, no poema TEOGONIA, tudo come-
çou com o Caos, e a partir dele surgiu Nyx, a noite, e Gaya, a terra. Partindo deste fato, foi 
surgindo toda uma teoria mitológica das origens não só do mundo, mas de tudo, como o surgi-
mento do homem, do tártaro, dos deuses, etc. 
Portanto podemos assim concluir que os mitos eram uma explicação irracional do mundo. Eles 
só seriam racionais a partir do momento em que o homem separasse o espirito da razão, que 
no momento não era o caso. Eles eram a única forma dos gregos conhecerem a origem deles 
próprios, mesmo sendo uma origem falsa. Eles acreditavam em seus mitos, e isso era o mais 
importante. É obvio que eles não sabiam que os mitos existiam principalmente para desvendar 
tais mistérios, para eles aquilo era verdade e pronto. 
Era muito importante para a sociedade daquela época que os deuses fossem parecidos com 
eles. Para eles, eles eram reflexos inferiores dos deuses. mas na verdade os deuses que eram 
reflexos superiores a eles. Os deuses eram como se fossem seres humanos perfeitos, sem os 
problemas banais do homem, e com uma força do alem muito forte. Eles não tinham que traba-
lhar para conseguir comida e nem para sustentar uma família. Também não precisavam des-
vendarem os mistérios da vida. Eles sabiam tudo. 
A impressão que se tem é que a morte era uma coisa que assustava demais os gregos, por 
eles não a entenderem. Independente de você ter sido bom ou ruim, você ia para o inferno 
(Tártaro) só com o corpo, pois sua alma evaporava. Você não iria ser mais nada: Estava con-
denado ao sofrimento eterno. 
Os deuses não tinham este problema, uma vez que eram imortais. 
A CONTRIBUIÇÃO DOS MITOS PARA COM A SOCIEDADE 
Os mitos contribuíam para que houvesse uma integração à vida social e política das pessoas. 
Os mitos que organizavam as leis e regras de uma comunidade. Se alguém desrespeitasse 
alguma destas leis ou regras, isto não refletia nele como pessoa, mas sim em todos como so-
ciedade. Por exemplo, se uma pessoa deixasse de fazer um culto a um deus, este deus não 
ficaria bravo e se “vingaria” da pessoa, e sim da comunidade aonde esta pessoa vivia. Este era 
um fator que contava para que todos fizessem seus cultos aos seus deuses. 
Os mitos eram tão importantes que até as pessoas que não participavam do polis (Escravos e 
mulheres) encontraram um espaço, assim desenvolvendo uma religião própria, o dionisismo. 
Os mitos funcionavam meio que como a lei dos lugares. Por exemplo, em certa comunidade 
eles falavam que quem roubasse de outra pessoa ia ser punido pelos deuses, logo eles não 
roubavam. 
Se uma pessoa cometesse uma falta muito grave e fosse expulsa de sua comunidade, ela per-
dia o seu ser social, isto é, perdia suas raízes. Para ela ser aceita em outra sociedade e voltar 
a ser alguém, ela tinha que através desta nova sociedade pedir aos deuses para ser aceito. 
Não era fácil mudar de comunidade, pois cada uma tinha seus cultos e culturas. Os mitos vari-
avam de cidade em cidade. Não que eles fossem inteiramente diferentes: Apenas algumas 
características mudavam, assim como as oferendas a eles feitos. A pessoa que mudava de 
cidade também teria de acreditar em coisas diferentes do que as outra em que ela estava habi-
tuada. As cidades eram formadas para algum mito. Por isto também que os mitos eram impor-
tantes para a formação da sociedade. 
COMO FUNCIONAVAM OS MITOS DENTRO DA SOCIEDADE 
Para pedir qualquer permissão a um deus sobre algum assunto, não era qualquer pessoa que 
podia fazer isto, e sim aquelas que faziam parte da magistratura, pois elas também faziam par-
te do sarcedócio. 
Os deuses eram invisíveis, e por melhores que fossem as representações deles, elas não ti-
nham muita validade pois os mitos traspassavam qualquer representação. Os deuses eram 
oniscientes e onipresentes, isso é, eles estavam em todos os lugares a todos os momentos e 
sabiam de tudo o que estava acontecendo. 
As figuras mitológicas eram perfeitas. Eles tinham traços humanos e representavam coisas 
bem delineadas. Zeus por exemplo, além de ser o deus dos deuses, era o deus do juramento, 
do contrato, da chuva, etc. 
A grande diferença entre um Deus e um ídolo, é que o ídolo é a pessoa até quando ela é ela 
mesma, já o mito não. Por exemplo, hoje em dia o Pelé é considerado um mito, pois além de 
ser o melhor jogador de futebol, ele é considerado o melhor atleta, o mais honesto, etc. Isso é, 
ele superou-se e superou a todos. 
DO MITO A RAZÃO 
O homem deixa de acreditar nos mitos quando ele percebe a separação da razão e do espírito, 
assim descobrindo a ciência. Ele passa a ver que as coisas não acontecem por que Zeus quer, 
e sim por que elas tem uma certa lógica. 
A partir destes pensamentos constroe-se a filosofia, que é muito importante para que o homem 
entenda por que ele vive, por que esta aqui, etc. 
CONCLUSÃO 
Geralmente quando as pessoas falam em mito, elas não imaginam que por detrás destes mitos 
existia um grande pano de fundo, que cobria toda a organização política e social e toda a for-
mação dos carateres pessoais de uma comunidade. Com este trabalho aprendemos que mito-
logia é muito mais do que uma simples religião. Ela fez tudo isso e muito mais. 
Mas a partir do momento que o homem descobre que a razão e o espírito não estão juntos, 
toda a “teoria” dos mitos desaba; Aí está fundada a filosofia. 
A mitologia foi muito importante para aquelas comunidades, pois ela tentou e conseguiu escla-
recer suas várias dúvidas. 
Nascimento da Filosofia 
A reflexão filosófica,tal como conhecida e estudada, nasceu na Grécia antiga no século VI 
a.C., com os filósofos que antecederam Sócrates. 
Para entender o nascimento da filosofia no mundo grego, é preciso, inicialmente, examinar 
uma questão fundamental: o que caracteriza a originalidade do emergente pensamento filosófi-
co? 
Diferentemente das narrativas mitológicas, sustentadas pela crença na supranaturalidade, a 
atitude filosófica converte os temas da origem e da ordem do mundo à condição de problemas 
a serem resolvidos estritamente pela inteligência humana. 
A atividade filosófica compromete-se com a busca pelo conhecimento exclusivamente racional 
da realidade, sem recorrer, portanto, à credulidade prévia nos seres divinos e à aceitação de 
pressupostos sobrenaturais. 
Contexto histórico 
São muitos os fatores históricos que costumam ser indicados como oportunos ao nascimento 
da filosofia: a humanização dos deuses gregos, as viagens marítimas, o desenvolvimento de 
uma economia comercial urbana, a utilização em larga escala da moeda, a criação de um ca-
lendário laico, o uso do alfabeto e a atividade política. 
A projeção de traços humanos nas divindades gregas ou a concepção dos deuses à imagem 
dos seres humanos facilita a autonomia humana em relação à religiosidade, algo que constitui-
ria importante aspecto da especulação filosófica. 
No mesmo sentido, atuam as viagens marítimas, que revelam a discrepância entre os relatos 
míticos e as observações geográficas efetuadas, e a adoção de um calendário desvinculado da 
religião, organizado com base em eventos humanos e regularidades da natureza. 
A economia comercial urbana, a circulação generalizada da moeda e o uso 
do alfabeto também contribuem para o desenvolvimento de um pensamento abstrato, por se-
rem atividades que exigem, em si mesmas, razoável nível de abstração. 
A articulação entre esses aspectos históricos e sua participação no contexto sociocultural que 
explica o surgimento da filosofia apenas se tornam realmente compreensíveis no universo 
da pólis grega. 
Nos reinos orientais da Antiguidade e no início da história antiga grega, o poder administrativo 
concentra-se na figura do monarca que, legitimado por sua suposta descendência dos deuses, 
exerce verticalmente sua autoridade e representa a noção de permanência da ordem social 
tecida pelas divindades. 
As cidades-Estado gregas, formadas no período arcaico e consolidadas em configurações de-
mocráticas ou oligárquicas na época clássica da Antiguidade helênica (séculos V a.C. e IV 
a.C.), instituem uma novidade histórica. Trata-se do surgimento da política, compreendida co-
mo corpo cívico no qual os cidadãos, em igualdade de condições, apresentam propostas, de-
batem e participam diretamente das decisões de sua comunidade. 
Nas assembleias das cidades gregas, o discurso racional assume o plano principal dos deba-
tes, pois os temas da coletividade são discutidos por cidadãos que, para a defesa de seus pon-
tos de vista, dependem apenas da qualidade de suas argumentações. 
Neste domínio público da cidadania, com suas práticas de pensamento separadas da religiosi-
dade, transcorre a racionalização das relações sociopolíticas e a constituição de uma cultura 
propensa à dessacralização do saber. 
Pode-se constatar que o nascimento da filosofia – investigação racional do cosmos e, posteri-
ormente, das questões humanas – corresponde ao exercício da política na dimensão 
do logos (razão). 
Os primeiros filósofos 
Os primeiros filósofos gregos dedicaram-se ao exame da physis, termo convencionalmente 
traduzido por natureza. Entretanto, é preciso notar que o teor semântico de physis é mais vasto 
e profundo, se comparado ao significado que nossa cultura contemporânea atribui à expressão 
„natureza‟. 
Physis é o princípio originário, fundamento de tudo o que existe (a arqué), o princípio interno 
responsável pela geração e pela organização do cosmos e de seus diversos componentes. É a 
realidade subjacente à nossa experiência, ou seja, o que é primário, fundamental e persistente, 
contrastando, então, com aquilo que é secundário, derivado e transitório. 
Esse entendimento mínimo sobre a noção grega de physis auxilia na compreensão da origina-
lidade da postura de Tales de Mileto (625-586 a.C.), identificado como o personagem inaugural 
da filosofiapela maioria dos historiadores. Tales afirma que a água é o princípio originário, a 
unidade primordial do cosmos e da diversidade que encontramos em seu interior. Para o pri-
meiro filósofo, portanto, a água é a physis, o princípio fundamental, presente na totalidade da-
quilo que existe. 
Uma asserção desse tipo parece pouco relevante e mesmo extravagante sob o prisma con-
temporâneo, motivo pelo qual é necessário sublinhar o ineditismo de Tales. Ao declarar tal 
sentença, esse pensador esboça uma explicação racional acerca do cosmos, excluindo os 
pressupostos divinos da ordenação do mundo e inaugurando a problematização filosófica. 
Dessa forma, Tales inicia a filosofia ao converter os temas tradicionais da mitologia em proble-
mas para os quais se devem oferecer soluções racionais. Sua declaração de que a água é a 
unidade fundamental do cosmos contém, implicitamente, a indicação de relevantes questiona-
mentos filosóficos, tais como: 
 Qual é o princípio originário do cosmos? 
 Como se processam a geração, o crescimento e a corrupção dos seres? 
 O que permanece em meio às múltiplas transformações que observamos no mundo? 
Tais questões, pensadas rigorosamente como problemas filosóficos, exigem a elaboração de 
respostas demonstradas de modo racional e, de maneira diversa dos mitos, cujo valor de ver-
dade é postulado com base na autoridade da tradição, as teses autenticamente filosóficas – 
que pretendem se estabelecer como explicações racionais da realidade – são avaliadas de 
forma crítica sob a perspectiva da razão. 
O mito reivindica a veracidade de seus relatos na reverência aos ancestrais, em seu viés religi-
oso e na autoridade de quem os pronuncia, excluindo a postura crítica daqueles que acolhem 
seus ensinamentos. Já a tese filosófica sustenta-se unicamente em sua racionalidade e, sendo 
assim, é passível de ser criticada de modo racional. 
Uma afirmação filosófica como a de Tales, em razão de sua pretensão racional, é sujeita a 
críticas, a contra-argumentações, a reformulações e correções racionalmente sugeridas. A 
nascente atividade filosófica, portanto, introduz na cultura grega e, em sentido mais amplo, na 
cultura ocidental, um espaço crítico e racional de diálogos, debates e argumentações, isto é, a 
filosofia ultrapassa os limites do pensamento mitológico e realiza-se na esfera do logos. 
 
Deuses Gregos 
 
Os Deuses Gregos, cultuados pelos antigos habitantes da Grécia, eram representados sob a 
forma humana e simbolizavam os anseios e temores humanos. 
Eles regiam as forças da natureza, comandavam o céu, a terra, o sol, a lua, os rios, o mar, o 
vento, etc. Os deuses se comportavam como criaturas humanas, ou seja, tinham ciúme, inveja, 
ódio e amor. Eles eram imortais e estavam dispostos numa hierarquia. 
Embora profundamente arraigado no contexto geral da cultura em que se formou, um deus 
podia como qualquer elemento cultural, passar de um grupo para outro mudando de significado 
e função, para ajustar-se aos interesses do novo meio social. 
Um exemplo são os deuses cultuados na Roma antiga, denominados de deuses romanos, que 
provinham na sua maioria da Grécia. Esses apenas mudaram de nome quando foram adotados 
em Roma. 
 
Principais Deuses Gregos 
Representação de Alguns Deuses Gregos do Olimpo 
Veja abaixo uma lista dos principais deuses da mitologia grega: 
 Afrodite - deusa da beleza e do amor 
 Apolo - deus da luz 
 Ares - deus da guerra 
 Ártemis - deusa da lua 
 Atena - deusa da sabedoria 
 Deméter - deus da terra fértil Dionísio - deus da festa, do vinho e do prazer 
 Éos - deus do amanhecer 
 Eros - deus do amor 
 Hades - deus do submundo 
 Hélios - deus do sol 
 Hermes - deus do vento 
 Hera - deusa dos céus, maternidade e matrimônio 
 Héstia - deusa do fogo 
 Horas - deusa que representavam as estações do ano 
 Mnemósine - deusa da memória 
 Perséfone - rainha do submundo 
 Poseidon - deus dos mares 
 Selene - deusa da lua 
 Têmis - deusa das leis 
 Zeus - deus dos deuses, 
 
Heróis Gregos 
 
Além dos deuses gregos, saiba quem são os principais heróis da mitologia: 
Belerofonte 
Quase deuses eram também os heróis. Eram admirados por suas qualidades humanas e não 
pela possível ajuda divina que acaso recebessem. 
Belerofonte era um herói e sozinho matou a Quimera, terrível monstro que vomitava fogo. 
Atena, a deusa da sabedoria, presenteou-lhe com uma rédea de ouro. Com esse objeto Belero-
fonte apanhou Pégaso, o cavalo voador que o conduziu pelos céus até o covil de Quimera. 
Perseu 
Estátua de Perseu com a cabeça de Medusa 
Perseu, filho de Zeus, matou a Medusa, cujos olhos transformavam em estátuas de pedra to-
dos aqueles que a encarassem. Hermes, deus do vento, ajudou-o emprestando-lhe suas san-
dálias aladas e Atena deu-lhe seu escudo. 
 
Teseu 
Estátua de Teseu combatendo o Minotauro 
Teseu não recebeu auxílio, mesmo assim libertou Atenas de um cruel tributo ao Rei Minos, de 
Creta. 
Todos os anos, Minos exigia sete mancebos e sete donzelas atenienses para serem devorados 
pelo Minotauro. Esse era um monstro com corpo humano e cabeça de touro que estava preso 
no Labirinto de Cnossos. 
 
Herácles 
 
Herácles e o Centauro 
Herácles (Hércules, para os romanos) assassinou sua esposa, Mégara, e por isso recebeu 
doze difíceis tarefas: 
1. matar um leão que assolava o vale da Neméia; 
2. exterminar a quase invencível Hidra de Lerna, monstro de nove cabeças; 
3. capturar a corça Crinéia, que tinha os pés de bronze; 
4. capturar o javali de Erimanto; 
5. limpar os estábulos do rei Áugias, onde três mil animais viviam acumulados; 
6. matar as aves de rapina do lago Estinfália; 
7. apoderar-se do touro de Creta; 
8. pegar os cavalos selvagens de Diomedes; 
9. encontrar o cinturão de Hipólita, rainha das amazonas; 
10. Achar os bois de Gerião; 
11. Ter as maçãs de ouro das Hespérides; 
12. Vencer o cão Cérbero, guarda do inferno. 
Após vencer as doze tarefas, Hércules libertou o titã Prometeu, que estava acorrentado a uma 
rocha. 
 
Outros Heróis da Mitologia Grega 
 
Entre os heróis da mitologia grega, estavam ainda: 
 Agamenon: comandante da guerra de Troia 
 Aquiles: participou do cerco à cidade de Troia 
 Édipo: decifrou o enigma da esfinge 
 Atlanta: heroína que participou da caça ao javali de Caridon 
 Ajax: herói da guerra de Troia 
 Cadmo: que venceu o dragão que controlava a cidade de Tebas 
 
Musas Gregas 
Entre os homens mortais e os deuses imortais havia criaturas semidivinas que os gregos ve-
neravam como musas, entre elas, as filhas de Zeus e de Mnemósine: 
 
 
 Clio: musa protetora e inspiradora da história. 
 Polímnia: musa da oratória e poesia sacra. 
 Urânia: musa da astronomia. 
 Erato: musa da poesia amorosa. 
 Euterpe: musa da música. 
 Calíope: musa da poesia épica e da eloquência. 
 Melpomene: musa da poesia trágica 
 Terpsícore: musa da dança e canto 
 Talia: musa da comédia e da poesia 
 
Mitologia Grega 
 
A Mitologia Grega reúne um conjunto de lendas e mitos que foram criados pelos gregos na 
antiguidade. 
O objetivo principal era de explicar alguns fatos, como a origem da vida, a vida após a morte, 
ou até mesmo os fenômenos da natureza. 
Assim, a criação das narrativas fantásticas que engobam a mitologia grega foi a maneira en-
contrada pelos gregos para preservarem sua história. 
É importante ressaltar que a civilização grega estava baseada numa religião politeísta, ou seja, 
eles cultuavam diversos deuses. 
 
Seres Mitológicos 
 
A mitologia grega é permeada por inúmeras figuras mitológicas. Dentre as mais importantes 
podemos citar: 
 Heróis: considerados os semideuses, ou seja, filhos de deuses com humanos. Dos heróis 
gregos destacam-se: Perseu, Teseu e Belerofonte. 
 Ninfas: figuras mitológicas femininas sempre lindas e alegres e que cuidavam das florestas. 
Por exemplo, as Alseídes, ninfas das flores e bosques; as Dríades, ninfas dos carvalhos; as 
Nereidas, ninfas da água. 
 Sereias: figuras femininas que cantavam e possuíam corpo de peixe. Podiam ser representa-
das com asas e cabeça e busto de mulher, tal qual as Harpias. 
 Centauros: seres híbridos e fortes com corpo metade humano e metade cavalo. Destaca-se 
Quíron, amigo de Herácles criado por Cronos. 
 Sátiros: possuíam um corpo de homem com patas de bode e chifres. São correspondentes 
aos faunos da mitologia romana. Dos sátiros gregos destaca-se: Pã, o Deus dos bosques. 
 Górgonas: figuras femininas que possuíam cabelos de serpentes, por exemplo, a Medusa. 
 
Deuses Gregos 
 
Interessante observar que os deuses gregos eram figuras imortais e antropomórficas. Ou seja, 
eram deuses com formas humanas e que também possuíam sentimentos humanos como o 
amor, o ódio, a maldade, a inveja, a bondade, egoísmo, fraqueza. 
Os deuses mais poderosos são os Deuses do Olimpo que viviam no topo do Monte Olimpo, 
eles são considerados os principais deuses do panteão grego. 
São 12 os principais deuses do Olimpo: Zeus, Hera, Poseidon, Deméter, Héstia, Afrodite, Apo-
lo, Ares, Ártemis, Atena, Hefesto e Hermes. 
 
Principais Deuses da Mitologia Grega 
 
 Zeus: O deus supremo do céu. 
 Hera: deusa protetora das mulheres, dos casamentos e da maternidade. 
 Poseidon: deus dos mares e dos oceanos. 
 Hades: deus dos infernos, dos mortos e do subterrâneo. 
 Afrodite: deusa do amor, do sexo e da beleza. 
 Héstia: deusa do lar e do coração. 
 Apolo: deus da luz do sol, da música, da poesia, das artes, da beleza masculina e da adivinha-
ção. 
 Ártemis: deusa da caça, da castidade, da luz e da vida selvagem. 
 Ares: deus da guerra. 
 Eros: deus da paixão, do sexo, do amor. 
 Atena: deusa da sabedoria, da justiça, das artes, da guerra e da serenidade. Considerada a 
protetora da cidade de Atenas. 
 Cronos: deus do tempo. 
 Deméter: deus da colheita e da agricultura. 
 Perséfone: rainha do submundo e deusa das flores e frutos. 
 Dionísio: deus das festas, do prazer e do vinho. 
 Hermes: deus do comércio e das comunicações; mensageiro dos deuses, protetor dos 
comerciantes e dos viajantes. 
 Hefesto: deus do fogo, dos metais e do trabalho. 
 Gaia: deusa da terra. 
 Pã: deus das florestas, dos bosques, dos campos e dos pastores. 
 
Curiosidades: Você Sabia? 
 Os Jogos Olímpicos surgiram das narrativas gregas, onde os deuses eram homenagea-
dos por meio de jogos e competições esportivas realizados no Monte Olimpo. 
 Para se livrarem dos problemas ou mesmo para saber do futuro, os gregos consultavam 
seus oráculos para que interpretassem a vontade dos deuses. 
 
Guerra de Troia 
 
A Guerra de Troia foi um conflito bélico entre aqueus (um dos povos gregos que habitavam a 
Grécia Antiga) e os troianos, que habitavam uma região da atual Turquia. Esta guerra durou 
aproximadamente 10 anos e aconteceu entre 1300 e 1200 a.C. 
Causas da guerra 
Gregos e troianos entraram em guerra por causa do rapto da princesa Helena de Troia (esposa 
do rei lendário Menelau), por Páris (filho do rei Príamo de Troia). Isto ocorreu quando o príncipe 
troiano foi à Esparta, em missão diplomática, e acabou apaixonando-se por Helena. O rapto 
deixou Menelau enfurecido, fazendo com que este organize um poderosoexército. Agamenon 
foi designado para comandar o ataque aos troianos. 
Usando o mar Egeu como rota, mais de mil navios foram enviados para Troia. 
A Guerra 
O cerco grego à Troia durou aproximadamente 10 anos. Inúmeros soldados foram mortos, 
entre eles os heróis gregos Heitor e Aquiles (morto após ser atingido em seu ponto fraco, o 
calcanhar). 
 
A guerra terminou após a execução do grande plano do guerreiro grego Odisseu. Sua ideia foi 
presentear os troianos com um grande cavalo de madeira. Disseram aos inimigos que estavam 
desistindo da guerra e que o cavalo era um presente de paz. Os troianos aceitaram e deixaram 
o enorme presente ser conduzido para dentro de seus muros protetores. Após uma noite de 
muita comemoração, os troianos foram dormir exaustos. Neste momento, as portas que existi-
am no cavalo de madeira abriram-se e dele saíram centenas de soldados gregos. Estes solda-
dos abriram as portas da cidade para que os gregos entrassem e atacassem a cidade de Troia 
até sua destruição. 
Os acontecimentos finais da guerra são contados na obra Ilíada de Homero. Sua outra obra 
poética, Odisseia, conta o retorno do guerreiro Odisseu e seus soldados à ilha de Ítaca. 
Mito ou fato histórico? 
Durante muitos séculos, acreditava-se que a Guerra de Troia fosse apenas mais um dos mitos 
da mitologia grega. No entanto, o mito se transformou em verdade quando o arqueólogo ale-
mão Heinrich Schliemann descobriu a cidade de Troia, na Turquia – que tinha sido queimada 
em 1220 a.C. Entretanto, muitos aspectos entre mitologia e história ainda não foram identifica-
dos e se confundem. Hoje é aceito que a guerra de Troia realmente aconteceu, porém, o mais 
provável é que a luta tenha sido ocasionada por rotas de comércio e não por amor. 
 
Polis Grega 
A polis grega eram as cidades estados da Grécia Antiga, as quais foram fundamentais para o 
desenvolvimento da cultura grega no final do período homérico, período arcaico e período clás-
sico. 
Sem dúvida Atenas e Esparta merecem destaque como as cidades gregas (polis) mais impor-
tantes do mundo grego. 
O termo “polis” em grego significa “cidade”. Note que as polis gregas representam a base do 
desenvolvimento do conceito de cidade tal qual conhecemos hoje. 
 
Nascimento e Desenvolvimento da Polis 
As polis surgem no século VIII a.C. e atingem seu apogeu nos séculos VI e V a.C. Anteriormen-
te, as pessoas se reuniam em pequenas aldeias (comunidade gentílicas agrícolas denomina-
das “genos”) com terras de uso coletivo, as quais floresceram durante o período homérico. 
A expansão demográfica e do comércio foram as principais causas para o surgimento da Polis, 
que incluía o campo e a cidade (centro). Foram, portanto, essenciais para fortalecer a organi-
zação dos membros da sociedade grega. 
A polis era controlada por uma oligarquia aristocrática e possuía uma organização própria e, 
portanto, independência social, política e econômica. A organização social da polis era consti-
tuída basicamente por homens livres (os cidadãos gregos) nascidos na polis, mulheres, estran-
geiros (metecos) e escravos. 
Sendo assim, em Atenas os denominados Eupátridas ou “Bem-nascidos” pertenciam a peque-
na classe dominante que detinham as maiores terras sendo responsáveis por administrar a 
política da polis. 
Depois deles, estavam os Georgoi, agricultores proprietários de terra. E, por fim, os Thetas (ou 
marginais), os trabalhadores que não detinham nenhum poder sobre as terras e que represen-
tavam a maior parte da população grega. 
Já a sociedade em Esparta era dividida em Esparciatas (os aristocratas soldados), responsá-
veis pelo desenvolvimento da política da polis. 
Os denominados Periecos representavam os homens livres, (comerciantes, agricultores e arte-
sãos). E por fim, os escravos, chamados de Hilotas, que constituíam a maior parte da polução 
espartana. 
As polis gregas eram divididas em duas partes: a Ástey (zona urbana) e a Khora (zona rural), 
sendo formadas por casas, ruas, muralhas e espaços públicos. 
Como espaços públicos, podemos destacar a a Acrópole, ponto mais alto da cidade, formada 
por palácios e templos dedicados aos deuses; e a Ágora, a praça principal donde ocorriam as 
feiras e diversos atos públicos como as manifestações cívicas e religiosas. 
A economia na polis era baseada na agricultura e no comércio sendo um núcleo urbano autos-
suficiente. Já a política na polis girava em torno da Assembleia do Povo, o Conselho Aristocrá-
tico e os Magistrados, embora em cada local ela apresentasse características peculiares. 
Por exemplo, em Atenas o poder político provinha da Eclésia, as Assembleias populares, que 
em Esparta eram chamadas da Apela (formado por espartanos acima de 30 anos) e Gerúsia 
(composto por 28 anciãos com mais de 60 anos). 
 
Características da Polis Grega 
 
As principais características das polis gregas eram: 
 Possuía autonomia e detinha o poder; 
 Eram autossuficiente (política, social e economicamente); 
 Tinham leis e organização sociais próprias; 
 Propulsionou o surgimento da propriedade privada; 
 Possuía Complexidade social. 
 
Democracia Ateniense 
 
A democracia ateniense representou um dos momentos mais emblemáticos da história de Ate-
nas. 
Ela foi desenvolvida por meio dos legisladores e políticos Dracon e Sólon e consolidada por 
volta de 510 a.C., quando o político aristocrata Clístenes derrota o tirano Hípias. 
Sua implementação foi essencial no desenvolvimento das polis gregas, a qual foi espalhada 
pelas outras cidades-estados. 
 
Polis Grega: Filosofia 
 
Uma vez que a polis representava um dos modelos de organização social, política e econômica 
do mundo grego, ela foi essencial para o desenvolvimento da sociedade bem como do pensa-
mento humano, mediados pelos processos de socialização que ocorriam entre os cidadãos nos 
locais públicos. 
Foi a partir dessas teias de relações que a filosofia grega representou uma das importantes 
vertentes que foram desenvolvidas por filósofos que habitavam a polis. 
Com o advento da democracia, essas relações sociais foram consolidadas pelas reflexões 
realizadas pelos cidadãos gregos. 
Essa evolução racional da mente foi a chave para o desenvolvimento da filosofia grega em 
detrimento da visão mitológica que dominava a mentalidade grega anteriormente. 
 
Guerras Médicas 
 
As Guerras Médicas, em que batalharam gregos contra persas, ocorreu na Grécia antiga no 
século V a.C. e é também conhecida como Guerras Persas, Pérsicas, Medas, Greco-Persas ou 
Guerras Greco- Pérsicas. 
A causa da guerra se deveu ao fato de que os persas estavam expandindo o seu território, a 
conquistar colônias gregas e dominavam, assim, o comércio do Mar Egeu. Os gregos não acei-
tavam essa hegemonia e entraram na disputa pelas terras da Ásia Menor. 
As Guerras Médicas são assim conhecidas não pelo fato de vários médicos terem participado 
nas batalhas, mas sim porque o povo persa era também chamado de medo-persa. 
As Guerras Médicas podem ser divididas em dois períodos: 
 
Primeira Guerra Médica 
 
O primeiro período, ocorrido em 490 a.C., é também conhecido como Período de Dario. 
Dário era o rei dos persas e deu ordens ao seu exército para invadir a Grécia. 
É conhecida como Batalha de Maratona, porque esse era o nome da cidade onde a batalha 
aconteceu. 
Os persas eram em maior número, mas mesmo assim foram surpreendentemente vencidos. 
Surge daí o nome das corridas de maratona, pois, segundo é dito, um mensageiro do exército 
foi enviado à Atenas para avisar que os gregos tinham vencido os persas e, após ter percorrido 
uma grande distância morreu com um ataque cardíaco fulminante. 
 
Segunda Guerra Médica 
 
O segundo período, ocorrido em 480 a.C., é também conhecido como Período de Xerxes. 
Com receio de que Pérsia voltasse ao ataque, é criada a Liga de Delos ou Confederaçãode 
Delos, que tinha como objetivo fortalecer as defesas das cidades gregas. Delos era o nome da 
cidade onde estava sedeada a Liga. 
Xerxes era filho de Dario e deu continuidade à guerra entre persas e gregos, tendo sido derro-
tado, tal como seu pai, na Batalha de Salamina. 
Nesta altura é assinado o Tratado de Susa, também conhecido como Paz de Kallias, em que 
os persas reconheceram o domínio grego na Ásia Menor e prometem não atacar mais o territó-
rio grego. 
Os gregos alcançam, assim, a hegemonia do comércio e o império Persa entra em decadência. 
 
Guerra de Peloponeso 
 
Após as Guerras Médicas surgem conflitos, agora não de gregos contra persas; trata-se de 
uma guerra civil entre gregos chamada de Guerra de Peloponeso. 
O objetivo da criação da Liga de Delos não foi cumprido, uma vez que Atenas começou a usu-
fruir de benefícios próprios em detrimento das demais cidades gregas. Assim, é criada a Liga 
de Peloponeso, liderada por Esparta, que tinha como objetivo a luta contra a Liga de Delos, 
liderada por Atenas. 
Esparta sai vencedora e garante, assim, a hegemonia na Grécia antiga. 
 
Liga de Delos 
 
A Confederação ou Liga de Delos foi uma organização militar formada por Atenas que visava 
proteger as cidades gregas das tropas do Império Persa, combatendo a presença deles 
no Mediterrâneo. Inicialmente teve sede em Delos e Esparta fazia parte também da organiza-
ção. Após o afastamento da ameaça persa, os espartanos deixaram a liga, ocasionando um 
atrito com Atenas, que dominava Delos. 
Com a vitória sobre os persas em 479 a.C. e a concentração de poder na mão de Atenas, as 
contribuições e arrecadações de impostos fizeram com que Atenas enriquecesse e dominasse 
ainda mais a região. Em 450 a.C. o tesouro da Liga foi transferido de Delos para Atenas que 
investiu na sua infraestrutura e aumentou consideravelmente o seu poder. 
A Liga de Delos foi, portanto, a base do poder e da hegemonia ateniense no século V a.C., 
considerado o período clássico ateniense. Como Atenas ganhava muito poder e arrecadava 
muitos impostos via Liga, tornava-se difícil sair dela sem contrariar Atenas. Por isso são data-
das do período diversas contestações e rebeliões de cidades que buscavam se ver livres do 
poder ateniense. Além disso a forma de arrecadação pesava para as cidades que compunham 
a Liga: as de grande porte contribuíam com o envio de tropas e navios, enquanto as menores 
ficavam responsáveis por contribuições em forma de impostos. Após a vitória sobre os persas 
Atenas continuou a cobrar os impostos, obrigando todas as cidades a contribuírem e gerando 
seu enriquecimento. 
Ao transferir o tesouro de Delos, Atenas buscou reconstruir a sua cidade e investiu no processo 
de urbanização e remodelamento. É do mesmo período a ebulição cultural vivida por Atenas, 
as grandes obras da tragédia do teatro e a construção de grandes obras públicas como 
o Partenon. 
A concentração do poder em Atenas gerou diversas consequências para o mundo antigo e 
para o contexto grego. É deste período a padronização monetária e de peso, o aumento da 
escravidão em Atenas, e a transformação de Atenas em um centro cultural que irradiava mode-
los de pensamento e de formas de vida para o mundo antigo. É também datada deste período 
a estabilização da democracia ateniense, conquistada, dentre outras razões, pelo uso do ostra-
cismo (expulsão pelo período de dez anos) como estratégia de controle social. Ao mesmo tem-
po, neste mesmo período Atenas estabeleceu regras mais rígidas: somente os filhos de pai e 
mãe atenienses poderiam ser considerados cidadãos plenos. 
Esparta era uma cidade-estado já bastante articulada à época e bem diferente de Atenas. En-
quanto os atenienses viviam sob a democracia direta e as descobertas culturais, Esparta esta-
va baseada no militarismo. Assim, saindo da Liga de Delos Esparta foi responsável por criar 
a Liga do Peloponeso, que fazia oposição à Atenas. 
A disputa entre as ligas de Delos e do Peloponeso é uma das batalhas mais conhecidas na 
história da humanidade. A Guerra do Peloponeso marcou a segunda metade do século V a.C. 
e marcou também a forma de se fazer história: ela foi narrada pelo ateniense Tucídedes, que 
recolheu depoimentos e construiu uma narrativa sobre o evento no tratado chamado “História 
da Guerra do Peloponeso”. 
O conflito, para além de marcar as disputas entre Atenas e Esparta, marcou a luta por poder no 
mundo antigo e deixou evidente a necessidade de controle dos portos, que significava também 
o controle do Mediterrâneo, rota significativa para o comércio na antiguidade. O domínio do 
mar representava poder político, econômico e social. 
Sofistas 
 
Os sofistas correspondem aos filósofos que pertenceram à “Escola Sofística” (IV e V a.C). 
Composta por um grupo de sábios e eruditos itinerantes, eles dominavam técnicas de retórica 
e discurso, e estavam interessados em divulgar seus conhecimentos em troca do pagamento 
de taxa pelos estudantes ou aprendizes. 
Os sofistas rompem com a tradição pré-socrática, ao criticar os costumes e tradições da socie-
dade ateniense da época. 
Note que a palavra “sofista”, de origem grega, “sophistes”, corresponde a um termo derivado 
de “sophia”, ou seja, sabedoria. 
Dessa maneira, os jovens bem-nascidos, buscavam os sofistas interessados em adquirir co-
nhecimentos e especialmente o “aretê”, conceito grego que denota nobreza, excelência e vir-
tude e, no caso dos sofistas a união dos conhecimentos gerais indispensáveis (mais precisa-
mente nas áreas da oratória, retórica, ciência, música e filosofia), uma vez que na Grécia Anti-
ga, a função política, muito destacada, dependia do bom uso da palavra. 
 
Sofistas e Sócrates 
 
Em contraposição ao conceito de “Dialética” e da “Maiêutica” determinado pelo filósofo grego 
Sócrates (470 a.C-399 a.C), os sofistas negam a existência da verdade, de modo que ela surge 
por meio do consenso entre os homens. 
Assim, para Sócrates, a “Maiêtica” que significa literalmente a “dar à luz”, é um método de ar-
gumentação, indicado para desvendar o conhecimento humano, como se ele estivesse latente. 
Dessa forma, o filósofo se opôs a “Escola Sofística” e, sobretudo, aos mestres da oratória, uma 
vez que cobravam preços muito altos para disseminação do conhecimento. 
Em outras palavras, se o sofista acredita nas coisas de forma particular, de modo que cada 
indivíduo tem sua visão, eles refutam, para ganhar o debate verbal, enquanto Sócrates, que 
parte do pressuposto da existência do conceito absoluto de cada coisa, refuta, para assim, 
purificar a alma de sua ignorância. 
A despeito de terem sido combatidos por Sócrates, os sofistas foram criticados também pelos 
filósofos gregos: Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Platão (428 a.C.-347 a.C.). De acordo com 
Platão, os sofistas não eram considerados filósofos e sim mercenários. 
 
Principais Sofistas Gregos 
 
Os principais mestres da oratória da Grécia Antiga foram: 
 
Protágoras 
Um dos maiores representantes do sofismo, Protágoras, nasceu em Abdera, região da Trácia, 
por volta de 481 a.C. 
Foi um importante filósofo, acusado de ateísmo e por isso, teve de fugir para a Sicília, donde 
morreu por volta dos 70 anos de idade, cerca de 420 a.C. 
Ficou conhecido pela célebre frase, que de certa maneira, aponta para o relativismo da filosofia 
“O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que 
não são, enquanto não são.” 
 
Górgias 
 
Górgias, nasceu em Leontinos, na Sicília, por volta de 483 a.C. e morreu em Lárissa, cerca de 
380 a.C. 
Foi um filósofo grego que junto à Protágoras, formou a primeira geração de sofistas. Destacou-
se como orador e retórico, de modo que confiava na objetividade da elocução; segundo ele: “A 
persuasão aliada as palavras modela a mente dos homens como quiser”. 
Durante sua vida, estevemuito interessado em divulgar seu conhecimento, o que o levou a 
discursar em várias cidades e, sobretudo, nos grandes centros pan-helênicos como Olímpia e 
Delfos. 
Teve uma vida longa (cerca de 100 anos), sendo nomeado Embaixador de Atenas, com apro-
ximadamente 60 anos. 
 
Hipías 
 
Hípias de Elis (por volta de 430 a.C.- 343 a.C.), nasceu em Elis, cidade na costa mediterrânica. 
Um dos mais famosos mestres sofistas, foi uma figura multifacetada, sendo um hábil orador 
grego, além de se destacar nas áreas do artesanato, astronomia, matemática e história. 
Com seu trabalho, conseguiu obter muitos lucros, tornando-se um homem rico e respeitado. 
Criador do método da "Mnemotécnica" (arte da memória), foi nomeado Embaixador de sua 
cidade natal. 
 
Grécia Antiga 
Política 
Quando falamos em Grécia Antiga não estamos nos referindo a um país unificado. Na verdade 
eram um conjunto de cidades que compartilhavam a língua, costumes e algumas leis. No en-
tanto, muitas delas eram até inimigas entre si como foi o caso de Atenas e Esparta. 
De todos as maneiras, no Período Clássico, os gregos procuraram cultivar a beleza e a virtude 
desenvolvendo as arte da música, pintura, arquitetura, escultura, etc. 
Dessa maneira, acreditavam que os cidadãos seriam capazes de contribuir para o bem-
comum. Estava lançada, assim, a democracia. 
 
Sociedade 
 
Cada polis tinha sua própria organização social. Algumas, como Atenas, admitiam a escravi-
dão, por dívida ou guerras. Por sua vez, Esparta, tinha poucos escravos, mas possuíam os 
servos estatais, que pertencia ao governo espartano. 
Ambas cidades tinham uma oligarquia que os governava que também eram os proprietários 
das terras cultiváveis. 
Também em Atenas verificamos a figura dos estrangeiros chamados metecos. Só era cidadão 
quem nascia na cidade e por isso, os estrangeiros não podiam participar das decisões políticas 
da polis. 
 
Economia 
 
A economia grega se baseava em produtos artesanais, a agricultura e o comércio. 
Os gregos faziam produtos em coro, metal e tecidos. Estes davam muito trabalho, pois todas 
as etapas de produção - desde a fiação até o tingimento - eram demoradas. 
Os cultivos estavam dedicados às vinhas, oliveiras e trigo. A isto somavam-se à criação de 
animais de pequeno porte. 
O comércio estava presente e afetava toda sociedade grega. Para realizar as trocas comercais 
se usava a moeda "dracma". 
Havia tanto o pequeno comércio do agricultor, que levava sua colheita ao mercado local, quan-
to o grande comerciante, que possuía barcos que faziam toda rota do Mediterrâneo. 
 
Religião 
 
A religião da Grécia Antiga era politeísta. Ao receber a influência de vários povos, os gregos 
foram adotando deuses de outros lugares até constituir o panteão de deuses, ninfas, seres 
humanos que alcançavam a imortalidade e deuses que perdiam sua condição imortal. 
As estórias dos deuses serviam de ensinamento moral à sociedade, e também para justificar 
atos de guerra e de paz. Os deuses também interferiam na vida cotidiana e, praticamente, ha-
via uma deidade para cada função. 
 
Cultura 
 
A cultura grega está intimamente ligada à religião. A literatura, a música e o teatro contavam os 
feitos dos heróis e de sua relação com os deuses que viviam no Olimpo. 
As peças teatrais eram muito populares e todas as cidades tinham seu palco onde eram ence-
nadas as tragédias e comédias. 
A música era importante para alegrar banquetes civis e acompanhar atos religiosos. Os princi-
pais instrumentos eram a flauta, tambores e harpas. Esta última era utilizada para ajudar os 
poetas a recitarem suas obras. 
Igualmente, os esportes faziam parte do cotidiano grego. Por isso, para celebrar a aliança entre 
as diferentes polis, organizavam-se competições nos tempos de paz. 
A primeira delas foi realizada em 776 a.C, na cidade de Olímpia e daí seria conhecida como 
Jogos Olímpicos, ou simplesmente, Olimpíadas. 
 
Resumo da História 
 
A história da Grécia Antiga está dividida em quatro períodos: 
 Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.) 
 Homérico (séculos XII - VIII a.C.) 
 Arcaico (séculos VIII - VI a.C.) 
 Clássico (séculos V - IV a.C.) 
 
Período Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.) 
 
O primeiro período de formação da Grécia é chamado de 
A Grécia antiga se formou da miscigenação dos povos Indo-Europeus ou arianos 
(aqueus, jônios, eólios, dórios). Eles migraram para a região situada no sul da península Bal-
cânica, entre os mares Jônico, Mediterrâneo e Egeu. 
Acredita-se que por volta de 2000 a.C. chegaram os aqueus, que viviam num regime de comu-
nidade primitiva. 
Depois de estabelecerem contato com os cretenses, de quem adotaram a escrita, se desenvol-
veram, construíram palácios e cidades fortificadas. 
Organizaram-se em vários reinos liderados pela cidade de Micenas. Daí o nome Civilização 
Aqueia de Micenas. 
Depois de aniquilarem a civilização cretense, dominaram várias ilhas do Mar Egeu. Destruíram 
Troia, cidade rival. 
Porém, no século XII a.C. foi destruída pelos dórios, que impuseram um violento domínio sobre 
toda a região, arrasaram as cidades da Hélade e provocaram a dispersão da população, o que 
favoreceu a formação de várias colônias. Este fato é conhecido como a 1ª diáspora grega. 
 
Período Homérico (séculos XII - VIII a.C.) 
 
As invasões dóricas provocaram um retrocesso das relações sociais e comerciais entre os 
gregos. 
Em algumas regiões surgiram o genos – comunidade formada por numerosas famílias, des-
cendentes de um mesmo ancestral. 
Nessas comunidades, os bens eram comuns a todos, o trabalho era coletivo, criavam gado e 
cultivavam a terra. 
Tudo era dividido entre eles, que dependiam das ordens do chefe comunitário, chamado Pater, 
que exercia funções religiosas, administrativas e jurídicas. 
Com o aumento da população e o desequilíbrio entre a população e o consumo, 
os genos começaram a desagregar. 
Muitos começaram a deixar o genos e procurar melhores condições de sobrevivência, iniciando 
o movimento colonizador por boa parte do Mediterrâneo. 
Esse movimento que marca a desintegração do sistema gentílico é chamado de 2ª diáspora 
grega. 
Esse processo resultou na fundação de diversas colônias, entre elas: 
 Bizâncio, mais tarde Constantinopla, e atual Istambul; 
 Marselha e Nice, hoje na França; 
 Nápoles, Tarento, Síbaris, Crotona e Siracusa, conhecidas em conjunto como Magna Grécia, 
no sul da atual Itália e na Sicília. 
 
Período Arcaico (séculos VIII - VI a.C.) 
 
O Período Arcaico se inicia com a decadência da comunidade gentílica. Nesse momento, os 
aristocratas resolvem se unir criando as frátrias (irmandades formadas por indivíduos de vários 
genos). 
Estas se uniram formando tribos. As tribos construíram, em terrenos elevados, as cidades forti-
ficadas chamadas acrópoles. Estavam nascendo as cidades – Estados (pólis) gregas. 
Atenas e Esparta serviram de modelo para as demais polis grega Esparta era uma cidade aris-
tocrática, fechada às influências estrangeiras e uma cidade agrária. 
Os espartanos valorizavam a autoridade, a ordem e a disciplina. Tornou-se um Estado militaris-
ta e foi uma cidade de escassa realização intelectual. 
Por sua vez, Atenas dominou durante muito tempo o comércio entre gregos e, em sua evolu-
ção política, conheceu várias formas de governo: monarquia, oligarquia, tirania e democracia. 
Atenas simbolizou o esplendor cultural da Grécia Antiga. 
 
Período Clássico (séculos V - IV a.C.) 
 
O início do Período Clássico foi marcado pelas Guerras Médicas, entre as cidades gregas e os 
persas, que ameaçavam o comércio e a segurança das pólis. 
Após as guerras, Atenas tornou-se líder da Confederação de Delos, uma organização compos-
ta por várias cidades-Estados. Estas deviam contribuir com navios e dinheiro para manter a 
resistência naval contra uma possívelinvasão estrangeira. 
O período da hegemonia ateniense coincidiu com a prosperidade econômica de Atenas, com o 
esplendor cultural da Grécia. Nesta época, a filosofia, o teatro, a escultura e a arquitetura atin-
giram sua maior grandeza. 
Pretendendo impor também sua hegemonia no mundo grego, Esparta compôs com outras ci-
dades-Estados a Liga do Peloponeso e declarou guerra a Atenas em 431 a.C. Depois de 27 
anos de lutas, Atenas foi derrotada. 
Anos mais tarde, Esparta perdeu a hegemonia para Tebas e durante esse período a Grécia foi 
conquistada pelos exércitos da Macedônia. 
O período no qual os gregos estiveram sob o domínio do Império Macedônico, ficou conhecido 
como período helenístico. 
Grécia foi governada pelo imperador Felipe II e em seguida por seu filho Alexandre Magno, que 
conquistou um grande império. A fusão da cultura grega com a ocidental recebeu o nome de 
Cultura Helenística. 
 
Período Homérico 
 
O Período Homérico corresponde ao segundo período de desenvolvimento da civilização gre-
ga que ocorreu após o período pré-homérico, entre os anos de 1150 a.C. a 800 a.C.. 
O nome dado a esta fase, está relacionado com o poeta grego Homero, autor dos poemas 
épicos “A Ilíada” e a “Odisseia”. 
 
Períodos da Grécia Antiga 
 
Antes de mais nada, lembre-se que a história da Grécia Antiga está dividida em quatro perío-
dos, a saber: 
 Período Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.) 
 Período Homérico (séculos XII - VIII a.C.) 
 Período Arcaico (séculos VIII - VI a.C.) 
 Período Clássico (séculos V - IV a.C.) 
 
Resumo: Características do Período Homérico 
Com a invasão dos povos dórios nas regiões gregas, a sociedade da época sofreu no período 
anterior a diáspora grega (dispersão de diversos povos), visto a maneira violenta que eles to-
maram e destruíram diversas cidades da Hélade grega. 
Após esse evento, que pôs fim ao período anterior (pré-homérico), a sociedade grega passa 
por uma fase de reestruturação, que tem início com o período homérico. 
Assim, diversas colônias gregas são fundadas e surgem os genos, um tipo de organização 
social familiar desenvolvido a partir desse período. Em outras palavras, essa fase marcou a 
substituição da cultura micênica pela gentílica (dos genos). 
As principais características dos genos eram: sistema fechado, autônomo e autossuficiente 
(independência econômica), de forma que o trabalho coletivo era realizado por membros da 
mesma família. 
Eles eram comandados pelo Pater, o chefe e autoridade máxima dessas organizações que 
possuía autoridade política, militar e religiosa. Assim, os genos eram sociedades patriarcais, 
cujos membros compartilhavam laços consanguíneos. 
Nos genos, os bens eram comuns a todos os habitantes, ou seja, era baseado numa sociedade 
igualitária, donde seus membros (os gens) cultivavam as terras e criavam animais para o sus-
tento de todos. 
No entanto, esse sistema de organização econômica e social entrou em decadência, levando a 
“segunda diáspora grega”. 
A desestruturação das comunidades gentílicas ocorreu porque a população foi crescendo e 
almejou melhores condições de vida. Assim, com o passar do tempo, o trabalho nos genos não 
suportava alimentar toda a população. 
Da mesma forma que ocorreu na primeira diáspora grega, ou seja, a fundação de diversas 
colônias, no período homérico esse fator também é propulsionado com a dispersão de diversos 
povos, dando origem a importantes cidades-estado como Bizâncio, Marselha, Nápoles, Siracu-
sa, dentre outras. 
Além disso, a decadência dos genos possibilitou uma fragmentação social e econômica tendo 
em conta a proximidade com os chefes dessas organizações, que por fim, levou a uma nova 
estrutura social dividida em: eupátridas (bem-nascidos), georgóis (agricultores) e thetas (margi-
nais). 
Surge, portanto, as classes sociais e a propriedade privada na Grécia Antiga, pondo fim ao 
período homérico e dando início ao período arcaico. 
 
Platonismo, a Filosofia de Platão 
O Platonismo designa uma corrente filosófica baseada nas ideias do filósofo e matemático 
grego Platão (428 a.C.-347 a.C.), discípulo de Sócrates (470 a.C-399 a.C). 
 
Academia de Platão 
A “Academia de Platão” foi fundada em Atenas pelo filósofo por volta de 385 a.C., primeiramen-
te designada para cultuar as Musas Gregas e o Deus Apolo. 
Embora ele tenha fundado com características de culto aos deuses, o local foi considerado a 
primeira universidade da história do ocidente. 
De tal modo, na Academia Platônica, os filósofos se reuniam para discutir o desenvolvimento 
da filosofia e do pensamento de Platão, um dos pilares mais importantes da filosofia ocidental. 
Ocorriam, assim, debates sobre os mais diversos temas da filosofia. A Academia de Platão 
durou cerca de 9 séculos e foi encerrado em 529 d.C., pelo imperador bizantino Justiniano I. 
 
Períodos do Platonismo 
 
O Platonismo reúne as diversas abordagens da teoria de Platão: metafísica, retórica, ética, 
estética, lógica, política, dialética e da dualidade (corpo e alma), sendo classifica em três perío-
dos, a saber: 
 Platonismo Antigo (século IV a.C. até a primeira metade do século I a.C.) 
 Médio Platonismo (séculos I e II d.C.) 
 Neoplatonismo (séculos III d.C. e VI d.c) 
 
Teoria das Ideias 
 
Sem dúvida, a Teoria das Ideias ou Teoria das Formas é a proposição desenvolvida por Platão 
que mais se destaca, posto que dela surgem vários outros pensamentos relacionados com sua 
filosofia. 
Para Platão, existem dois mundos, ou seja, a realidade estava dividida em duas partes: O 
mundo sensível (mundo material), mediados pelas formas autônomas que encontramos na 
natureza, percebido pelos cinco sentidos; e o mundo das ideias (realidade inteligível) denomi-
nado de “mundo ideal”, ou seja, aproxima-se da ideia de perfeição de algo. 
Assim, segundo ele a verdade suprema e absoluta além da felicidade, somente é possível en-
contrar a partir do mundo das ideias, donde localiza-se a essência das coisas. 
De tal maneira, o que percebemos no mundo sensível ou material é enganoso, ilusório e instá-
vel, enquanto no mundo das ideais atinge-se a felicidade pelo encontro do conhecimento su-
premo da realidade, o que correspondente a ideia de bem. 
Em resumo, através do conhecimento é possível transcender do mundo material ao mundo das 
ideais e contemplar as ideias perfeitas, alcançando assim, a felicidade. 
 
Teoria das Almas 
 
Na filosofia de Platão encontramos a dualidade entre a alma e o corpo. Segundo ele, o ser 
humano era imortal e essencialmente alma, donde ela pertencia ao mundo inteligível (apreen-
dido pelo intelecto) e não o mundo sensível (apreendido sobre os sentidos). 
De acordo com o filósofo, a alma estava dividida em três partes e, ao harmonizar essas três 
partes era possível encontrar a felicidade, o bem: 
 Alma Concupiscente: localizada no ventre, a alma concupiscente estava relacionada com os 
desejos carnais. 
 Alma Irascível: localizada no peito, a alma irascível estava relacionada às paixões. 
 Alma Racional: localizada na cabeça, a alma racional estava relacionada ao conhecimento. 
Assim, com a elevação da alma ao mundo das ideias, através da contemplação das ideias 
perfeitas, seria possível alcançar a ideia suprema do bem. 
 
Platão e a Política 
 
Na política Platão contribuiu com sua maneira humanista de refletir sobre o homem e uma so-
ciedade justa. 
Para ele, a Política era considerada uma das mais nobres atividades, posto que estava relacio-
nada com a pólis, ou seja, as cidades gregas e a organização da vida dos cidadãos. 
Em sua obra “A República”, reflete sobre a construção do bem para todos os cidadãos, a fun-
ção social de cada um, tal qual como as atividades básicas realizadas na pólis. 
Sendo assim, Platão caracterizou as atividades essenciais da pólis em três instâncias, as quais 
levavam em conta a aptidão de cada um: Administração da pólis 
 Defesa da cidade 
 Produção de materiais e alimentos 
Observe abaixo um trecho da Obra “A República”: 
“Ao fundarmos a cidade, não tínhamos em vista tornar uma única classe eminentemente feliz, 
mas, tanto quanto possível, toda a cidade. De fato, pensávamos que só numa cidade assim 
encontraríamos a justiça e na cidade pior constituída, a injustiça. (...). Agora julgamos modelar 
a cidade feliz, não pondo à parte um pequeno número dos seus habitantes para torna-los feli-
zes, mas considerando-o como um todo.” 
Os Diálogos de Platão 
 
A maior parte da obra de Platão foi desenvolvida através dos Diálogos, textos em que ele de-
senvolve suas ideias, filosofando sobre a natureza e existência humana, bem como da socie-
dade que o envolve. 
Dos diálogos destacam-se: Apologia a Sócrates, O Banquete, Górgias, Filebo, Fédon, Repúbli-
ca, Protágoras, dentre outros.

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