AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS


DisciplinaDireito Processual Civil I42.447 materiais735.850 seguidores
Pré-visualização2 páginas
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DE _______________. SÃO PAULO. 
				FULANO , brasileira, casada, agente de saúde, portadora da cédula de identidade RG n.º________________ e devidamente inscrita no CPF/MF sob o n.º ________________, residente e domiciliada a Rua ____________________, na Comarca e Município de São Paulo/SP, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, através de sua advogada que a esta subscreve digitalmente, propor:
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E 
MORAIS
				Em face do ________________, pessoa jurídica de direito privado, devidamente inscrito no CNPJ/MF sob o n.º _________________, Avenida _______________________, pelos motivos fáticos e de direito a seguir aduzidos: 
 PRELIMINARMENTE
				A Autora afirma que de acordo com o artigo 98 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Novo Código de Processo Civil) que, temporariamente, não tem condições de arcar com eventual ônus processual por insuficiência de recursos. Assim, faz uso desta declaração inserida na presente petição inicial, para requerer os benefícios da justiça gratuita.
A nossa Constituição cidadã, em seu art. 5º, inciso LXXIV, estabelece como direito do cidadão a assistência jurídica, nos seguintes termos: \u201co Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recurso\u201d.
Por seu turno, o Novo Código de Processo Civil, definiu quem tem direito à gratuidade da justiça, dizendo que:
Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.
Nesse sentido, basta a afirmação da parte requerente de sua \u201cinsuficiência de recursos\u201d para o deferimento do pleito.
Vale ressaltar, ainda, que a pessoa natural, é beneficiária da justiça gratuita, gozando sua afirmação, inclusive, por força do § 3º do Artigo 99 do Novo CPC, de presunção de veracidade.
Portanto, considerando que, a Autora se enquadra na figura do hipossuficiente, requer a concessão da Justiça Gratuita Integral, por ser uma questão de justiça.
QUANTO À AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO (CPC/2015, ART. 319, INC. VII)
A Autora opta pela NÃO realização de audiência conciliatória, uma vez que a autora sem qualquer justificativa retirou da conta da autor o valor que por ela mesma havia sido restituído. 
DOS FATOS
				A autora é correntista da empresa ré e aos , constatou que em sua conta havia um pagamento de um boleto no valor de R$ que a requerente não reconhece. 
				De imediato entrou em contato com a instituição financeira, informou que havia um pagamento de boleto em sua conta que não foi efetuado pela autora e que nunca emprestou seus cartões ou senhas a ninguém, sendo que somente a autora possui acesso a sua conta bancária.
				Estando claro como a luz do dia, que a autora foi vítima de falha do sistema bancário.
 
				A ré estornou o valor de R$ () na conta da autora, porém lhe informou que dentro de 15 dias caso a empresa ré não constatasse irregularidade seria descontado novamente da conta da autora os R$ XXXXX ( ) que a empresa ré lhe estornou. 
			
				O estorno pela empresa ré em nada adiantou, pois estes valores a ré contava para ir viajar com sua família, no prazo de 15 dias foi retirado de sua conta pela ré, sem qualquer satisfação. 
				A autora estava de férias, teve suas férias frustradas, teve que desmarcar a viagem que pretendia uma vez que ficou sem o valor de R$ XXXXX ( ) o qual usaria para diversão de sua família. 
					
				Diante da situação não restou outra alternativa para a autora, senão socorrer-se ao Poder Judiciário para ter o eu direito reconhecido. 
DO DIREITO
a) DA APLICABILIDADE DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 2591), em julgamento proferido em 07 de junho de 2006, o Supremo Tribunal Federal decidiu que:
\u201cAs instituições financeiras estão, todas elas, alcançadas pela incidência das normas veiculadas pelo Código de Defesa do Consumidor. 2. \u2018Consumidor\u2019, para os efeitos do Código de Defesa do Consumidor, é toda pessoa física ou jurídica que utiliza, como destinatário final, atividade bancária, financeira e de crédito\u201d.
O Código de Defesa do Consumidor define, de maneira bem nítida, que o consumidor de produtos e serviços deve ser agasalhado pelas suas regras e entendimentos, senão vejamos:
"Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestações de serviços.(...)
§ 2º. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista."
Restada extreme de dúvidas a aplicabilidade do CDC às instituições bancárias, em face da decisão definitiva do STF em controle abstrato, o disposto no artigo 29 deste código vem espancar toda e qualquer dúvida ao sustentar que:
\u201cPara os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas\u201d.
Ressalte-se que a hipótese deu origem à súmula 297 do STJ, verbis: \u201cSúmula 297 - O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras.\u201d
Destarte, Vossa Excelência, não subsiste a mais mínima dúvida acerca da aplicação do Código Brasileiro do Consumidor, Lei 8.078 de 11 de setembro de 1990 com todas as suas disposições em favor da autora (hipossuficiência técnica e financeira), razão pela qual requer que a ação seja regida por esta Lei.
b) DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
Correta a incidência do Código de Defesa do Consumidor, uma vez que a Autora é hipossuficiente, a alegação é verossímil e os serviços que as instituições Financeiras colocam à disposição dos clientes estão regidos pelas normas constante na Lei nº. 8.078/90.
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
[...]
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
Esse é entendimento do Supremo Tribunal Justiça:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EXISTÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIAS PARA A INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. NÃO PROVIMENTO.
1. Esta Corte Superior de Justiça, por ocasião do julgamento do REsp 1.133.872/PB, submetido à sistemática do artigo 543-C do CPC, pacificou que é cabível a inversão do ônus da prova em favor do consumidor para o fim de determinar às instituições financeiras a exibição de extratos bancários, enquanto não estiver prescrita a eventual ação sobre eles, tratando-se de obrigação decorrente de lei e de integração contratual compulsória, não sujeita à recusa ou condicionantes, tais como o adiantamento dos custos da operação pelo correntista e a prévia recusa administrativa da instituição financeira em exibir os documentos, com a ressalva de que ao correntista, autor da ação, incumbe a demonstração da plausibilidade da relação jurídica alegada, com indícios mínimos capazes de comprovar a existência da contratação, devendo, ainda, especificar, de modo preciso, os períodos em que pretenda ver exibidos os extratos.2. A pretensão recursal - que alega a existência de circunstâncias para a inversão do ônus da prova - esbarra na Súmula 7 desta Corte, porquanto demanda o revolvimento dos aspectos fático-probatórios dos autos a fim de se verificar a presença da verossimilhança da consumidora. Precedentes.3. Agravo regimental não provido.(AgRg no AREsp 260.846/MG, Rel. Ministro