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Apanhado Literatura Portuguesa – Poesia 1 – A canção a seguir, embora seja contemporânea, apresenta uma letra com algumas características da poesia trovadoresca: Atrás da porta – Chico Buarque Sobre a canção, assinale a alternativa correta: A – Assemelha-se a uma cantiga de amor, pois o eu lírico é masculino, confirmado no trecho “eu te estranhei”. B – Lembra uma cantiga de escárnio, pois o eu lírico maltrata a pessoa amada, dando-lhe uma surra. C – Lembra uma cantiga de amor, pois demonstra um amor cortês e convencional. D – Assemelha-se a uma cantiga de amigo, pelo eu lírico feminino que sofre por seu amado, como no trecho “te adorando pelo avesso, pra mostrar que ainda sou tua”. E – Assemelha-se a uma cantiga de amigo, já que as relações de vassalagem amorosa são bem evidentes. 2 – Leia a seguir os versos finais no poema “Dispersão”, de Mário de Sá-Carneiro: Não sinto o espaço que encerro... Sequinha, dentro de mim.” Agora, assinale a alternativa correta: A – Nesses versos, podemos encontrar um tema comum a esse poeta modernista: a luta entre a realidade e o sonho. B – A angústia existencial, o decadentismo, a busca de si mesmo e a impossibilidade de se encontrar são marcas desse poeta confirmadas pelos versos “regresso dentro de mim/mas nada me fala, nada!” C – Por ser um modernista, apega-se a ruptura da linguagem, utilizando versos repletos de quebras sintáticas como “Não sinto o espaço que encerro”. D – Os versos são livres e brancos, ou seja, sem rimas ou métricas E – Podemos observar uma nítida influência do Cubismo, devido a sobreposição de imagens e ao geometrismo 3 – Identifique, nas alternativas abaixo, uma das temáticas de Mario de Sá-Carneiro: A – Luta entre a realidade e o sonho. B – Angústia existencial e a busca de si mesmo. C – Amor platônico e busca de si mesmo. D – Angústia existencial e idealização amorosa. E – Busca de si mesmo e idealização amorosa. 4 – Leia os versos a seguir de “Sentimento dum Ocidental”, de Cesário Verde: As burguesinhas do Catolicismo Resvalam pelo chão minado pelos canos, E lembram-me, ao chorar doente dos pianos, As freiras que os jejuns matavam de histerismo. Sobre eles, é INCORRETO afirmar que: A – Nessa sua fase romântica, o poeta passa a refletir sobre a religiosidade dos burgueses B – O poeta utiliza um “lirismo” realista, descrevendo, inclusive, imagens disformes ou repugnantes C –Um de seus traços realistas é a crítica social D – O poeta procura descrever a realidade da vida cotidiana de Lisboa E – Apesar do tom realista, o eu lírico se emociona e transmite suas impressões 5 – Veja a seguir o trecho de O guardador de rebanhos e assinale a alternativa correta: Sou um guardador de rebanhos... E com o nariz e a boca. A – A linguagem é rebuscada e complexa B – O pensar é colocado acima do sentir; assim, o pensamento, o mundo das ideias é a essência de tudo. C – O esquema rítmico é rígido, formado por rimas interpoladas e ricas D – Devido à sua formação clássica e erudita, Caeiro imita os clássicos gregos e suas regras rígidas E – Esse poema é um exemplo do sensacionismo, no qual a única realidade da vida é a sensação 6 – Quanto às produções de Fernando Pessoa “ele mesmo”, assinale a alternativa correta: A – O conteúdo de Mensagem, apesar de se referir a história de Portugal, trata de temas universais, que podem ser aplicados a toda a humanidade B – Mensagem assemelha-se a Os Lusiadas, já que também é um poema épico, nos moldes clássicos C – A poesia ortônima de Fernando Pessoa é completamente futurista, não havendo espaço para o resgate do passado lírico português D – No poema Ela canta, pobre ceifeira, encontramos o posicionamento do autor a favor do sentimentalismo E – EM seu poema Autopsicografia, a criação poética é vista como o mais puro retrado da realidade 7 – Leia o soneto a seguir, de Camões: Alma minha gentil que te partiste... que cedo de meus olhos te levou. Agora, assinale a alternativa em que se encontra uma informação INCORRETA sobre o soneto: A – Trata-se de um soneto em que a atenção de Camões está voltada para Dinamene, a amada morta em naufrágio B – A visão espiritualizada da mulher mistura-se a sugestões sensuais, como no verso “não te esqueças daquele amor ardente” C – Nesse poema, Camões passou a ver a mulher amada como um ser que continua pertencendo a ele, porque está viva e presente fisicamente D – No poema, a existência da “alma” num contexto de espiritualidade é marcada pelas locuções “lá no céu” e “no assento etéreo” E – O poema é um soneto, pois possui dois quartetos e dois tercetos, em versos decassílabos 8 – Leia o soneto de Camões a seguir: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,... Que não se muda já como soia Vocabulário: 1 – “da esperança”: do esperado 2 – “soia”: costumava De acordo com a leitura e compreensão do soneto, assinale a alternativa correta: A – Há elementos associados a tradição clássica – o soneto em versos decassílabos – e da tradição medieval portuguesa – o eu lírico feminino B – Nesse soneto, devido a filiação de Camões a tradição medieval, os versos deveriam ser redondilhos maiores C – O eu lírico constata que as mudanças ocorrem sempre da mesma forma D – Na terceira estrofe, as expressões “verde manto” e “neve fria” não indicam oposição, pois possuem o mesmo significado E – Na terceira estrofe, as expressões “verde manto” e “doce canto” representam momentos bons e passageiros 9 – Assinale a alternativa correta quanto ao contexto histórico e social do Trovadorismo: A – O feudalismo e o teocentrismo marcam fortemente o período medieval no qual se situa o Trovadorismo B – Nessa época, a visão de mundo era mista: as vezes teocêntrica, as vezes antropocêntrica C – Portugal nasce da junção dos reinos de Leão e Castela, devido a uma aliança política entre seus reis D – D. Dinis, grande poeta, foi o primeiro rei de Portugal E – A sociedade era dividida em nobreza, clero, burguesia, camponeses operários e escravos 10 – Quanto as cantigas de amor, é correto afirmar que: A – Possuem suas raízes na poesia popular portuguesa, na qual não há espaço para mesuras ou amor cortes B – Devido suas origens, são bem menos elaboradas do que as cantigas de amigo C – Seu tema é a coita de amor, o sofrimento amoroso. Esse sofrimento deriva, muitas vezes, da diferença social entre o trovador e a amada. D – A mulher amada sempre corresponde ao amor de forma sensual E – Podem ser classificadas em bailadas, barcarolas ou romarias, entre outras 11 – Alberto Caeiro é considerado o mestre de todos os heterônimos. Veja a seguir um trecho de O guardador de rebanhos “Há metafísica bastante em não pensar em nada... O único mistério é haver quem pense no mistério” Agora assinale a alternativa INORRETA: A – Os versos são livres e brancos, sem rimas, como uma poesia em prosa B – A linguagem é simples, cotidiana C – O pensamento não é valorizado, e sim o sentir; assim, a sensação é a essência de tudo D – Considerado mestre dos outros heterônimos, divulga o sensacionalismo, no qual a única realidade da vida é a sensação E – Assim como Camões, Caeiro valoriza a razão e a busca do rigor e da perfeição formal 12 – Assinale a alternativa correta em relação a Antero de Quental e sua obra: A – Junto de Almeida Garret, foi um dos precursores do Romantismo em Portugal B – Seus poemas são tão realistas que não há espaço para pensamentos filosóficos C – Seu angustiante pessimismo tem como base a filosofia do alemão Schopenhauer D – Em obra, só há momentos “noturnos” (pessimistas), e nunca “luminosos” (otimistas, idealistas) E – Por ser arredio a questões culturais, não paticipou da Questão Coimbrã 13 – Quanto as características do teatro de Gil Vicente, assinale a alternativa correta: A – As cenas apresentam uma clara marcação de tempo B – Há uma crítica aos costumes da época; o autor, entretanto, não distingue o Bem do Mal C – O moralismo vicentino não localiza o vício nas instituições, mas osindivíduos que as fazem viciosas, representando-os por personagens-tipo D – O teatro vicentino marca o inicio do Classicismo em Portugal E – A sátira vicentina é demolidora e indiscriminada;não há personagens bons 14 – Leia com atenção uma cantiga de D. Dinis. Assinale a alternativa correta quanto a sua classificação: Muytos me veen preguntar senhor, que lhis diga eu quem... per ren que por vós moyr’assy D Dinis Vocabulário Apartar: impressionar Assanhar: Irritar Moyr: morrer Ren: nada A – É uma cantiga de escárnio, já que o eu lírico zomba do amor de sua senhora B – É uma cantiga de amor de maestria, sem refrão. Observa-se o sentimento de coita e vassalagem amorosa C – É uma cantiga de amor, com paralelismo, refrão e leixa-pren, o que marca sua origem popular D – É uma cantiga de amigo, em que observamos o sofrimento do amigo pela namorada, a quem chama de senhora E – A linguagem usada é o português arcaico. Por isso, há a necessidade de tradução para uma linguagem mais atual 15 – Observe as afirmações a seguir: I – Subjetivismo: a valorização do “eu” II – Assume uma postura mais engajada. Há o compromisso entre a arte e a sociedade III – Mulher idealizada: a amada é pura e perfeita, assim como o amor é eterno IV – Possui um embasamento teórico: determinismo, positivismo, evolucionismo e socialismo Quais delas são características do Romantismo? A – Todas as afirmativas B – Apenas as afirmativas I e II C – Apenas as afirmativas I e IV D – Apenas as afirmativas I, II e III E – Apenas as afirmativas I e III 16 – Nos versos da cantiga de amigo, pode-se identificar qual o tipo de amor? Assinale a alternativa correta: Bailemos nós já todas três, ai amigas... Verrá bailar (so=sob, aquestas=estas, velida=formosas, verrá=virá, frolidas=floridas) A – Um amor platônico de uma mulher por seu amigo B – Um amor cortês e a queixa da ausência do amado C – Um amor de um eu lírico feminino, representando uma mulher cujo sentimento é espontaneo D – Um amor despreocupado do poeta por sua amada E – Um amor angustiado e impossível 17 – Leia a seguir, dois trechos de poemas de Luís de Camões: Trecho 1: Perdigão, que o pensamento... não há mal que lhe não venha Trecho 2: Eu cantarei de amor tão decentemente, temerosa ousadia e pena ausente Verifique se as afirmações feitas a respeito desses trechos estão corretas ou não: I – No primeiro trecho, temos um exemplo de valorização da tradição medieval, pelo uso da redondilha maior e sextilha II – No segundo trecho, temos um exemplo de medida nova, isto é, o uso de versos decassílabos, tão ao gosto dos clássicos. São dois quartetos III – Pode-se afirmar que a lírica camoniana apresenta tanto poemas na medida velha, os sonetos, como na medida nova, os vilancetes e trovas IV – O termo “pena” é plurissignificativo: pode ser relacionado à sentença, punição, sofrimento, pena de pássaro ou (...) Pode-se dizer que: A – Apenas a alternativa I é correta B – Apenas as afirmativas I e II são corretas C – Apenas as afirmativas I, II e IV são corretas D – Apenas as afirmativas I, II e III são incorretas E – Apenas as afirmativas III e IV são corretas 18 – Leia o poema a seguir, de Camilo Pessanha: Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho, (...) De noite a mendigar as portas dos casais Vocabulário: 1- simiesco: relativo a macaco 2 – lume: luz Agora, assinale a alternativa correta: A – Camilo é um poeta romântico e retrata sua própria mãe, uma mulher dedicada, que cuidou do poeta quando foi acometido de uma tuberculose B – Ele utiliza alguns recursos estilísticos peculiares a estética barroca, a qual pertence sua obra, como a abundancia de aliterações C – Pessanha, como bom modernista, apresenta nesse poema um exemplo de poesia engajada D – Nesse poema, observa-se a ahua como simbolismo do fluir do tempo, da efermidade da vida E – A sensibilidade mórbida do simbolista Pessanha esta presente no verso “dos meus ossos o lume a extinguir-se breve”, que remete a morte 19 – Dentre as afirmações a seguir sobre Os Lusíadas, analise se são falsas ou verdadeiras e assinale a alternativa que representa a ordem correta em que aparecem: () É um poema épico, mas apresenta episódios líricos como os de Inês Castro e do Gigante Adamastor () É um poema épico, escrito por Camões e dedicado ao rei D. Sebastião. Seu verdadeiro herói é o navegador Vasco da Gama ()Em Os Lusíadas, não há contradições; a narrativa é histórica e real, sem trechos maravilhosos () É uma epopeia que traduz o espírito do homem renascentista: retorno as ideias clássicas, perfeição estética, valorização da cultura paga e antropocentrismo A – V F F V B – V F F F C – F F F V D – F V V V E – V F V F 20 – Observe as afirmações a seguir sobre o Trovadorismo em Portugal: I – As poesias trovadorescas tinham uma forte ligação com a música; eram, inclusive, acompanhadas por instrumentos musicais II – As cantigas de amigo podem ser classificadas por seus temas em barcarola, bailada e serranilha, entre outras. III – Nas cantigas de amor, fica nítido o sentimento de coita, o sofrimento amoroso do eu lírico masculino Agora, assinale a alternativa correta: A – Nenhuma afirmativa é correta B – Todas as afirmativas são corretas C – Apenas a afirmativa I é correta D – Apenas as afirmativas I e II são corretas E – Apenas a afirmativa III é correta 21 – Leia atentamente o poema a seguir, de Camilo Pessanha: Viola Chinesa Ao longo da viola morosa... Numa agitação dolorosa? Ao longo da viola morosa... Vocabulário: parlenda: palavrório, conversa amadornado: sonolento lenga-lenga: conversa cansativa asitas: asas pequenas Com base no texto, poderíamos afirmar que: I – O autor é o mais ilustre representante do Modernismo português, cujas características estão expressas nesses versos II – A musicalidade, típica dos poemas simbolistas, está expressa nesses versos por uma longa cadeira de sons nasais (IONgo, adormecENDo, parlENda, sEM, AtENda) que sugere a sonoridade arrastada da viola chinesa. III – O pessimismo e a dor de existir podem ser observados pelo som triste e doloroso da viola chinesa Pode –se dizer que: A – Apenas a afirmativa I é correta B – Apenas as afirmativas I e II são corretas C – Apenas as afirmativas II e III são corretas D – Apenas a afirmativa III é correta E – Todas as afirmativas são corretas 22 – Na Farsa de Inês Pereira, é correto afirmar que Gil Vicente, seu autor: A – Retoma as alegorias entre o Bem e o Mal, vistas no Auto da Barca do Inferno B – Mostra a humilhação da jovem que não pode escolher seu marido, temas de várias peças desse autor C – Conta a história de uma jovem que assassina o marido para livrar-se dos maus tratos D – Narra uma solução religiosa para a decadência moral de seu tempo E – Enfatiza a revolta da jovem confinada aos serviços domésticos, o que torna a sua obra atual 23 – Veja um trecho do soneto Insônia, de Bocage: O retrato da morte... De meus desgostos secretaria antiga Pode-se dizer que: I – Esses versos são um bom exemplo de uma linguagem soturna, carregada de subjetivismo, a qual aproxima o poeta do romantismo II – A utilização de clichês árcades, como fugere urbem são claramente observados nesses versos, em que a noite é considerada uma companheira do eu lírico III – O sofrimento é algo novo para o eu lírico, que deseja que escureça Agora assinale a alternativa correta A – Todas as afirmativas são corretas B – Somente a afirmativa I é correta C – Somente a alternativa II é correta D – Somente as afirmativas I e II são corretas E – Somente as afirmativas I e III são corretas 24 – Quanto a Camilo Pessanha e seu estilo, é correto afirmar que: A – O autor é o mais representativo poeta do modernismo português B – As características típicas de sua obra são a descrição e a critica social C –Cultuou os padrões clássicos de perfeição formal e racionalismo D – Devido ao tom pessimista e a temática da morte, vários de seuspoemas nos remetem ao romantismo, contudo são mais densos, maduros e repletos de símbolos E – Os recursos sonoros mais usados são a ironia e a onomatopeia 25 – Quanto a obra lírica e épica de Camões, é incorreto afirmar que: A – A obra lírica de Camões é constituída por poesias em medida velha (redondilhas) e em medida nova (sonetos, odes etc) B – Os Lusiadas é uma epopeia, cujo protagonista representa o heroísmo de um povo, dividida em cantos,e segue os padrões da lllada e da Odisseia, de Homero C – Em Os Lusiadas, o episodio do velho do resteio representa uma critica as grandes navegações e ao mercantilismo D – As redondilhas, na lirica camoniana, representam a imitação dos moldes clássicos Greco-romanos E – Camoes é o criador de um tipo inconfundível de soneto, o soneto camoniano: elegante, profundo, cheio de sutileza e humanidade 26 – Leia com atenção as afirmativas a seguir: I O romantismo prega a liberdade estética e a imaginação criadora II O realismo se caracteriza por ser antirromantico, antiderial, antibrugues e antimonárquico III os principais poetas do realismo em Portugal são Almeida Garrett, Antero de Quental e Cesario Verde Agora, assinale a alternativa correta: A – Todas as afirmativas são corretas B – Apenas as afirmativas I e III são corretas C – Apenas as afirmativas I e II são corretas D – Apenas a afirmativa I é correta E – Apenas a afirmativa II é correta 27 – Leia as afirmações a seguir sobre a obra de Bocage: I – Sua obra poética é dividida em poemas satíricos e líricos II – Sua obra pode ser dividida em duas fases: árcade e pré-romântica III – Seu estilo racionalista não apresenta traços de individualismo Agora assinale a alternativa correta: A – Apenas a afirmativa I está correta B – Apenas a afirmativa II está correta C – Apenas as afirmativas I e II estão corretas D – Apenas as afirmativas II e III estão corretas E – Todas as afirmativas estão corretas 28 – Observe as afirmações a respeito do heterônimo Alvaro de Campos: I – Influenciado por Caeiro, Campos passa por uma fase de grande entusiasmo com o mundo moderno e, como os futuristas, celebra a maquina, a velocidade, a simultaneidade das sensações. É desse período a Ode Triunfal, poema que canta os maquinismos em movimento numa fabrica moderna. II – Alvaro de Campos formou-se em engenharia naval na Escocia e depois fez uma viagem ao Oriente. São dessa fase um de seus primeiros poemas, o Opi(?) III – Alvaro de Campos é extremamente objetivo em seus poemas, seguindo uma linha de resgate dos padrões clássicos, principalmente na fase influenciada por Ricardo Reis. Agora, assinale a alternativa correta: A – Todas as afirmativas estão corretas B – Apenas a afirmativa I está correta C – Apenas as afirmativas II e III estão corretas D – Apenas as afirmativas I e II estão corretas E – Apenas a afirmativa III está correta 29 – Leia a seguir uma cantiga de amigo de D. Dinis: “No chegou, madr´c meu amigo... ai, madre, mori d amor” Vocabulário: Oj=hoje Prazo passado=passou prazo saído=terminou Agora, assinale a alternativa correta: A – No verso “Non chegou, madr´, omeu amigo”, temos um bom exemplo de refrão. B – O eu lírico feminino lamenta-se com sua mãe. O namorado não cumpriu o que lhe havia prometido. C – A moça deseja morrer porque sua mãe não lhe da atenção D – Apesar de alguns elementos de repetição, essa cantiga não apresenta paralelismo ou leixa pren E – A pontuação não contribui para demonstrar o sofrimento do eu lírico. 30 – As afirmações a seguir referem-se as características do Teatro de Gil Vicente. Há algumas falsas e outras verdadeiras: () É um teatro alegórico. As barcas, no Auto da barca do inferno, por exemplo, simbolizam a morte, um momento de passagem do mundo dos vivos para o céu ou inferno. () As personagens tipo representam uma determinada classe social, profissão, sexo ou idade. () A maioria da speças são comedias de costumes, seguindo o lema latino de Plauto: Ridento castigat mores” (Pelo riso corrigem-se os costumes) () É chamado de popular por ser apresentado para o povo, em praça publica. A – V F F V B – V V V F C – V V V V D – V F F F E – F V V V 31 – Observe o poema de Fernando Pessoa a seguir: Ela canta pobre ceifeira... Depois, levando-me, passai!” Agora, assinale a alternativa que não corresponde a uma interpretação correta do poema: A – O canto da ceifeira, uma camponesa, provoca alegria e tristeza no eu lírico, talvez oir revelar uma felicidade que ele não compreende B – Neste poema, Pessoa enfatiza sua visão de que o poema é construído pela razão. “O que em mim sente ´sta pensando” C – Pela simplicidade e bucolismo, observamos que Pessoa retoma as regras clássicas, típicas do Arcadismo D – Nesse poema, podemos observar o resgate do lirismo medieval, assim como o uso das redondilhas camonianas E – O eu lírico expressa um desejo de se colocar no lugar da camponesa, inconsciente dos problemas do mundo e feliz em sua simplicidade. 32 – Quanto ao Realismo, é correto afirmar que: A – Assume uma postura mais engajada e critica o cientifico. B – Possui um embasamento teórico, como o determinismo, e valoriza uma visão subjetiva da realidade. C – Critica o conservadorismo da igreja e valoriza a representação da vida cotidiana. D – Possui uma visão objetiva da realidade e cultua os valores burgueses. E – Privilegia o uso da razão e da objetividade, mantendo afinidade com as concepções românticas. 33 – Que estilo se pode observar nestes versos de Bocage? Olha Marilia as flautas dos pastores... A – Estilo neoclássico, pela presença do bucolismo e da cultura grego latina B – Estilo romantico, pela predominancia do subjetivismo C – Estilo barroco, pela forma rebuscada D – Estilo árcade, pelo rompimento com os clássicos E – Estilo pré romântico, pela presença da mitologia Greco romana Discursivas: 1 – Uma das características mais marcantes do simbolismo é a musicalidade. Além das rimas e da metrificação, quais recursos estilísticos, mais especificamente, que figuras sonoras Camilo Passanha utilizou para enfatizar a musicalidade no poema “Violoncelo?” Justifique com elementos do texto. As figuras sonoras: aliteração bastante pronunciada de forma a criar uma harmonia musical nos versos, principais consoantes aplicadas; /s,/r,/d,/m/ e /t; assonâncias fundadas na aplicação as seguintes vogais, /a,/e/ e /o/. A utilização predominante de paroxítonas em um metro par proporciona uma marcha de leitura, suave e cadenciada, a exceção da aliteração em /t, consoante linguodental explosiva, as outras ocorrências sonoras colaboram com uma fluência leitora musical uma das características marcantes desta corrente literária. 2 – Releia um trecho da carta de Fernando Pessoa a Casais Monteiro, no qual o poeta explica o surgimento de seus principais heterônimos. Em ordem, cite o nome dos heterônimos que preenchem as lacunas corretamente. Justifique sua resposta. Alberto Caeiro - Ricardo Reis - Álvaro de Campos Através de seus heterônimos, Fernando Pessoa mostrava seu vasto projeto artístico: seus heterônimos tinham biografia, estilo e ideais próprios, eram diferentes uns dos outros. Foram mais de 70 heterônimos criados, alguns desenvolvidos completamente, outros não. Os mais marcantes foram: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.Como ele mesmo, Fernando Pessoa tinha um forte traço nacionalista. Alimentava o gosto pelo épico e fazia retomada às Grandes Navegações, época de grandes conquistas para Portugal que foi apagado com o tempo. 3 – Os Lusíadas, famosa epopeia de Camões, traduz o espírito do homem renascentista, narrando os grandes feitos do povo português. Contudo, esse poema épico também apresenta episódios líricos. Cite um desses episódios e explique porque ele pode ser considerado lírico. “Tirar Inês ao mundo, determina”; “Que furor consentiu que a espada fina, Que pôde sustentar o grande peso Do furor Mauro,fosse alevantada Contra üa fraca dama delicada?”. - o desenvolvimento de uma acção, que termina com a morte da protagonista; - observa-se a lei das três unidades (ação, tempo e espaço); - há uma motivação para sentimentos de terror e piedade pelo uso de contrastes; - a catástrofe é simbolizada pela morte da protagonista. 4 – Leia, a seguir, uma fala de Pero Marques à Inês Pereira, da peça A farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente. Nessa cena, Pero Marques fica feliz por finalmente conseguir casar com Inês, agora viúva, e permite que ela faça o que quiser. Anteriormente, a moça o havia rejeitado para se casar com um escudeiro inteligente, refinado e pobre, que a ludibriou, mantendo- a presa em casa. “Pero marques: onde quiserdes ir, vinde quando quiserdes vir, estai quando quiserdes estar, com que podeis vos folgar qu’eu não deva consentir?” A partir das explicações dadas e de seus conhecimentos sobre a peça, explique o mote “mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube”. É melhor um homem tolo que a sustente, cumprindo as funções de marido do que um homem formoso que a trate mal. 5 – Romantismo e Simbolismo são duas estéticas que se assemelham em algumas temáticas, contudo, suas abordagens são bastante diferentes, principalmente quanto ao sofrimento do eu lírico. Leia os poemas a seguir e explique as diferenças em relação ao conteúdo, com destaque para as “diferentes formas de sofrimento” expressa pelos poetas. Adeus! Adeus! Para sempre adeus! (...) Que o seu poder só sei eu. Almeida Garret Os românticos e os simbolistas eram voltados ao culto do “eu”, que é a subjetividade. Mas os românticos falavam a respeito da dor de forma passional, sendo o assunto dos poemas, sentimentos e emoções. Os simbolistas se concentravam na dor existencial, falavam sobre as questões profundas do subconsciente, na busca de uma síntese entre a reflexão intelectual e percepção dos sentidos, usando uma linguagem figurada e indireta. 6 – Leia com atenção uma cantiga de D. Dinis. Classifique-a e justifique sua resposta com elementos do poema. Muytos me veen perguntar Esta cantiga de D. Dinis é trovadoresca do tipo Cantiga lírico-amorosa, pois apresenta características como submissão e mesura, sendo um amor impossível, em que o poeta morre de amores por uma mulher. É uma cantiga de amor de maestria, sem refrão. Observa-se o sentimento de coita e vassalagem amorosa 7 – Leia a seguir um poema de Camões. Um mover dólhos, brando e piedoso... Que pode transformar meu pensamento Honesto=ingênuo Despejo=atitude Vergonhoso=tímido Que características clássicas podem ser encontradas nesse poema? Pense na forma e no conteúdo e justifique com elementos do próprio texto. Temos a descrição de uma mulher, com o retrato de sua perfeição moral e física. Observamos a racionalidade na composição dos versos, simétricos e ordenados, em que a última estrofe assume a função de conclusão. Há a busca do equilíbrio formal, com o uso de versos decassílabos, vocabulário culto e esquema de rimas fixo: interpoladas ABBA, ABBA, e cruzados CDE, CDE. O resgate da cultura Greco-latina pode ser observado pela referencia a Circe, feiticeira que aparece na Odisseia. O poeta descreve uma mulher que apesar de sua aparência meiga e discreta, o enfeitiça. Há certa ambiguidade entre sua pureza e sua sensualidade. 8 – Antero de Quental é conhecido por seus belos sonetos. Alguns representam momentos luminosos, otimistas. Outros são sombrios e pessimistas. O soneto a seguir é um exemplo de que o momento, pessimista ou otimista? Justifique com elementos do texto. Tese e Antítese Não sei o que vale a nova ideia, Tu, pensamento, não és fogo, és luz! Neste soneto bastante filosófico, podemos observar o lado luminoso e otimista de Antero de Quental. O eu lírico defende o uso do pensamento lógico, que é luz, sabedoria. 9 – O Modernismo em Portugal pode ser dividido em diferentes fases como o Orfismo (1915), o Presencismo (1927) e o Neorrealismo (1940). Explique em que consiste cada uma dessas fases: Orfismo: Nome vinculado aos escritores ligados a revista Orpheu, responsável por levar para Portugal as discussões culturais da Europa, que estava mergulhada na eclosão da Primeira Guerra Mundial. Presencismo – O nome vem da revista Presença. Reuniu os que não participaram do Orfismo e tentou aprofundar discussões sobre teoria da literatura e novas formas de expressão. Neorrealismo – Combate ao fascismo e defesa da literatura como uma forma de critica e denuncia social com uma postura combativa e reformadora, a serviço da sociedade. 10 – Leia com atenção os poemas a seguir. O primeiro foi retirado do Épico Os Lusiadas, de Luis de Camões. Já o segundo é um trecho de Mensagem, de Fernando Pessoa. Velho do Restelo Mar Portugues Os dois poetas possuem a mesma visão sobre as grandes navegações e conquistas de Portugal? Explique. O personagem Velho do Rastelo é defensor das tradições ibéricas e critico das aventuras indianas. O velho de Restelo fustiga a ambição desmedida dos navegantes portugueses, preanunciando, a ruína econômica de Portugal, de um pais já despovoado. A obra Mensagem implica três valores que se entrelaçam na obra: o valor estético, o valor filosófico, que abrange um sentido social e humano, e o valor histórico. Na busca de uma revalorização geral de Portugal, por meio da poesia, é reconhecido o conteúdo sebastianista, bem como a busca de reconduzir o pais ao antigo esplendor encontrado na disputa dos mares. Por conseguinte, a obra adquire evidente e exagerado sentido elegíaco, seja com relação aos heróis portugueses, seja no tange às instituições, aos símbolos, as aventuras no mar tenebroso etc. Há uma tentativa de colocar Portugal em seu devido e merecido lugar no concerto das nações. 1. Cantigas de amor: o trovador confessa, de maneira dolorosa, a sua angústia, nascida do amor que não encontra receptividade. O "eu lírico" desses poemas se revela, às vezes, na forma de um apelo repetitivo, no qual não há erotismo, mas amor transcendente, idealizado. 2. Cantigas de amigo: o trovador apresenta o outro lado da relação amorosa, isto é, assume um novo "eu lírico": o da mulher que, humilde e ingênua, canta, por exemplo, o desgosto de amar e, depois, ser abandonada; ou o da mulher que se apaixonou e fala à natureza, à si mesma ou a outrem sobre sua tristeza, seu ideal amoroso ou, ainda, sobre os impedimentos de ver seu amado. 3. Cantigas de escárnio e de maldizer: são poemas satíricos. Nas de escárnio, ressaltam-se a ironia e o sarcasmo. Já as de maldizer são agressivas, abertamente eróticas, a sátira é expressa de forma direta, sem meias palavras, chegando a usar termos chulos. Escritas, às vezes, pelos mesmos autores das cantigas de amor e de amigo, revelam um terceiro "eu lírico", cuja licenciosidade se aproxima da vida das camadas sociais mais populares. Trovadorismo: o Trovadorismo é o primeiro período da história da Literatura Portuguesa O Trovadorismo surgiu na Idade Média, no século XII e o seu marco inicial foi a "Cantiga da Ribeirinha" (ou "Cantiga da Garvaia"), escrita em 1189 por Paio Soares de Taveirós. Como a maior parte do povo não sabia ler nem escrever, o gênero que mais se destacou no período do Trovadorismo foi a poesia, que era cantada (daí vem o nome “cantigas”), acompanhadas de música e de dança. Os trovadores compunham e cantavam essas cantigas, que eram escritas e reunidas em livros chamados cancioneiros. Como você já sabe, o Trovadorismo surgiu na Idade Média e ele se desenvolveu em meio ao domínio da Igreja Católica, da visão teocêntrica do mundo (Deus no centro de tudo) e do moralismo religioso. Além disso, outro aspecto do período é a questão do feudalismo e das relações de vassalagem, que nas cantigas ficou conhecida como vassalagem amorosa (nas cantigas, o homem se coloca como o vassalo ou servo da mulher amada). O humanismo foi uma épocade transição entre a Idade Média e o Renascimento. Como o próprio nome já diz, o ser humano passou a ser valorizado. Foi nessa época que surgiu uma nova classe social: a burguesia. Os burgueses não eram nem servos e nem comerciantes.Com o aparecimento desta nova classe social foram aparecendo as cidades e muitos homens que moravam no campo se mudaram para morar nestas cidades, como conseqüência o regime feudal de servidão desapareceu.Foram criadas novas leis e o poder parou nas mãos daqueles que, apesar de não serem nobres, eram ricos.O “status” econômico passou a ser muito valorizado, muito mais do que o título de nobreza.As Grandes Navegações trouxeram ao homem confiança de sua capacidade e vontade de conhecer e descobrir várias coisas. A religião começou a decair (mas não desapareceu) e o teocentrismo deu lugar ao antropocentrismo, ou seja, o homem passou a ser o centro de tudo e não mais Deus.Os artistas começaram a dar mais valor às emoções humanas.É bom ressaltar que todas essas mudanças não ocorreram do dia para a noite.HUMANISMO = TEOCENTRISMO X ANTROPOCENTRISMO Algumas manifestações Teatro - O teatro foi a manifestação literária onde ficavam mais claras as características desse período.Gil Vicente foi o nome que mais se destacou, ele escreveu mais de 40 peças.Sua obra pode ser dividida em 2 blocos:Autos: peças teatrais cujo assunto principal é a religião.“Auto da alma” e “Trilogia das barcas” são alguns exemplos.Farsas: peças cômicas curtas. Enredo baseado no cotidiano.“Farsa de Inês Pereira”, “Farsa do velho da horta”, “Quem tem farelos?” são alguns exemplos. Poesia - Em 1516 foi publicada a obra “Cancioneiro Geral”, uma coletânea de poemas de época. O cancioneiro geral resume 2865 autores que tratam de diversos assuntos em poemas amorosos, satíricos, religiosos entre outros. Prosa - Crônicas: registravam a vida dos personagens e acontecimentos históricos.Fernão Lopes foi o mais importante cronista(historiador) da época, tendo sido considerado o “Pai da História de Portugal”. Foi também o 1º cronista que atribuiu ao povo um papel importante nas mudanças da história, essa importância era, anteriormente atribuída somente à nobreza. Obras - “Crônica d’El-Rei D. Pedro”,“Crônica d’El-Rei D. Fernando”,“Crônica d’El-Rei D. João I” Classicismo, ou Quinhentismo (século XV) é o nome dado ao período literário que surgiu na época do Renascimento (Europa séc. XV a XVI). Um período de grandes transformações culturais, políticas e econômicas. Vários foram os fatores que levaram a tais transformações, dentre eles a crise religiosa (era a época da Reforma Protestante, liderada por Lutero), as grandes navegações (onde o homem foi além dos limites da sua terra) e a invenção da Imprensa que contribuiu muito para a divulgação das obras de vários autores gregos e latinos (cultura clássica) proporcionando mais conhecimento para todos. Foi na arte renascentista que o antropocentrismo atingiu a sua plenitude, agora, era o homem que passava a ser evidenciado, e não mais Deus. A arte renascentista se inspirava no mundo greco-romano (Antiguidade Clássica) já que estes também eram antropocêntricos. Características do Classicismo Racionalismo: a razão predomina sobre o sentimento, ou seja, a expressão dos sentimentos era controlada pela razão. Universalismo: os assuntos pessoais ficaram de lado e as verdades universais (de preocupação universal) passaram a ser privilegiadas. Perfeição formal: métrica, rima, correção gramatical, tudo isso passa a ser motivo de atenção e preocupação. Presença da mitologia greco-latina Humanismo: o homem dessa época se liberta dos dogmas da Igreja e passa a se preocupar com si próprio, valorizando a sua vida aqui na Terra e cultivando a sua capacidade de produzir e conquistar. Porém, a religiosidade não desapareceu por completo. Principais Autores e Obras - Luís Vaz de CamõesUm dos maiores nomes da Literatura Universal, e certamente, o maior nome da Literatura Portuguesa.Escreveu poesias (líricas e épicas) e peças teatrais, porém sua obra mais conhecida e consagrada é a epopéia “Os Lusíadas” considerada uma obra-prima.Essa obra é dividida em 10 partes (cantos) com 8816 versos distribuídos em 1120 estrofes e narra a viagem de Vasco da Gama às Índias enfatizando alguns momentos importantes da história de Portugal.Outros escritores existiram, porém não tiveram tanto destaque quanto Camões, são eles: Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro e Antonio Ferreira.O Classicismo terminou em 1580, com a passagem de Portugal ao domínio espanhol e também com a morte de Camões. Características de uma epopeia: É escrita em versos. O tema é sempre grandioso e heróico e refere-se à história de um povo.É composta de proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo. Barroco – Foi um movimento cultural e artístico marcado por uma visão pessimista da vida, consequência da crise econômica e social vivida pela Europa e das desilusões acerca dos ideais humanistas e renascentistas. Arcadismo – representa a retomada dos ideais classicistas, propondo um retorno a simplicidade e ao equilíbrio, tão valorizados nas culturas gregas e romanas. O Romantismo está ligado à Revolução Industrial e à Revolução Francesa, dois acontecimentos que mudaram a história da Europa e colocaram em evidência valores burgueses como o individualismo e a desobediência aos valores pré-estabelecidos. Em Portugal, o Romantismo começou com a publicação do poema Camões, de João de Almeida Garrett. Escrito no momento em que o país se encontrava sob domínio inglês e enfrentava graves perturbações políticas, o poema tenta resgatar o passado e o orgulho do povo português. Gerações O movimento romântico português durou quatro décadas e teve três períodos diferentes cada um com uma geração particular de autores. Primeira geração: empenhada em implantar o Romantismo em Portugal, apresenta ainda influências neoclássicas e certa preocupação com questões históricas e políticas. Entre seus autores, destacam-se João de Almeida Garret e Alexandre Herculano - cujas produções tendem ao subjetivismo extremado, ao medievalismo, ao nacionalismo e à idealização da mulher. Segunda geração: consolida o movimento romântico em Portugal. Caracteriza-se pelas ideias do "mal do século": negativismo, morbidez e sentimentalismo exagerado. O principal autor dessa tendência é o romancista Camilo Castelo Branco, autor de estilo passional e pitoresco. Terceira geração: livre dos exageros ultra-românticos, apresenta espontaneidade lírica e musical. Sobressaem-se nesse período a poesia de João de Deus e a prosa de Júlio Dinis. Com o que ficar atento? Combinando originalidade e subjetivismo, o Romantismo considera a imaginação superior à razão e à beleza. Os românticos, livres do racionalismo do Arcadismo, promoveram uma verdadeira revolução na produção estética europeia da primeira metade do século 19. Simbolismo em Portugal O marco do Simbolismo em Portugal é a publicação da obra Oaristos (1890), livro de poemas de Eugênio de Castro. O movimento literário, contudo, já influenciava Portugal a partir das revistas acadêmicas "Os Insubmissos" e "Boêmia Nova" que tinham entre seus colaboradores os autores Eugênio de Castro e Antônio Nobre. O Simbolismo prolonga-se até a Proclamação da República, em 1910, sob a influência da nova realidade política. O fim do movimento ocorre, porém, em 1915, no meio da Primeira Guerra Mundial, o marco cronológico do Modernismo em Portugal. É nesse contexto que Mário Sá-Carneiro e Fernando Pessoa lançam a revista "Orpheu". O movimento Simbolismo em Portugal está intimamente ligado ao estado de depressão que domina a sociedade em consequência da crise da monarquia, da crise econômica e financeira e do ultimato inglês. O ultimato inglês ocorre a partir de 1870, quando a Inglaterrainicia o plano expansionista com o lema: um domínio do Cabo do Cairo. Autores e Obras Eugênio de Castro (1869 - 1944) A obra de Eugênio de Castro é dividida em duas fases: a simbolista e a neoclassicista. E o autor de Oaristos, marcado pelo uso de novas rimas, nova métrica, aliterações e riqueza no vocabulário. Os temas são marcados pela paixão fatal, pessimismo e necrofilia. Antônio Nobre (1867 - 1900) A poesia de Antônio Nobre é marcada por um profundo pessimismo, subjetivismo e egocentrismo. É autor de Torres, onde revela o culto ao profetismo sebastianista e nacionalismo saudosista. Camilo Pessanha (1867 - 1926) Camilo Pessanha é considerado o melhor poeta do simbolismo português. É autor deClepsidra, onde expressa o pessimismo que é característico ao movimento simbolista. Contexto Histórico O Simbolismo marca a transposição da estética literária do final do século XIX, que se opõe às propostas do Realismo. As correntes literárias já não conseguem expressar a evolução do pensamento burguês, a formação dos grandes mercados consumidores e a industrialização dos grandes centros urbanos. Características do Simbolismo Rejeição ao cientificismo, materialismo e racionalismo,Manifestações metafísicas e espirituais,Negação ao naturalismo,Exaltação à realidade subjetiva,Sublimação,Subjetivismo,Uso de Sinestesias e aliterações,Musicalidade Realismo em Portugal O Realismo em Portugal desenvolve-se nos últimos anos da década de 60 do século XIX e tem como marco a Questão Coimbrã. O movimento reflete o pensamento da elite intelectual do país insatisfeita com o clero e a monarquia. É um período de agitação política, social e cultural que toma conta de grandes centros educacionais, como em Coimbra. A Escola Realista de Portugal estende-se até 1890, quando Eugênio de Castro publica a obra "Oaristos", um livro de poesias que seguia o modelo simbolista importado da França. Questão Coimbrã É o clima ideal para o desenvolvimento do movimento que ficou conhecido como "Questão Coimbrã" (1865), quando se defrontam jovens estudantes de Coimbra que estavam atentos às novas ideias vindas da Alemanha, França e Inglaterra. Nos anos 70, os intelectuais que integravam o grupo de Coimbra promovem um clico de palestras que ficou conhecido por "Conferências Democráticas do Casino Lisbonense". Entre os participantes do ciclo está o jovem Eça de Queiros, que estava alheio à Questão Coimbrã, mas havia aderido ao novo pensamento realista. Contexto Histórico O Realismo é usado para denominar a reação aos ideais românticos que caracterizaram a segunda metade do século XIX. A Europa está na segunda fase da Revolução Industrial, conhece o desenvolvimento do pensamento científico e das doutrinas filosóficas e sociais difundidas por Hegel, Augusto Comte, Marx e Engels e o evolucionismo de Darwin. ›› Características Objetivismo e Cientificismo,Materialismo e negação dos sentimentos,Reação à monarquia e ao clero,Preocupação com o presente Principais Autores e Obras Antero de Quental (1842 - 1891) A produção poética de Antero de Quental é apresentada em três momentos, todos ligados à trajetória de vida do autor. As primeiras poesias são anteriores à Questão Coimbrã e ainda refletem o modelo romântico. Já os poemas "Odes Modernas" são denominados como um marco em sua obra e apontam uma fase de poesia revolucionária com forte influência do movimento em Coimbra. O livro mais revelador de Antero de Quental é "Os Sonetos", definidos pela crítica literária como tecnicamente perfeitos e lógicos. Eça de Queirós (1845 - 1900) A fase realista de Eça de Queirós é marcada pela trilogia "Cenas da Vida Portuguesa", com as obras "O Primo Basílio", "Os Maias" e "O Crime do Padre Amaro". Nas obras, o autor monta um painel da sociedade portuguesa e retrata os múltiplos aspectos da vida cotidiana: a cidade provinciana, a influência do clero, a pequena e a média burguesia de Lisboa, os intelectuais e a aristocracia. Modernismo em Portugal O Modernismo representa a ruptura com padrões e a inovação. A Escola Literária Modernista surge no início do século XX, após o Pré-Modernismo, num período conturbado. Em Portugal, berço do Modernismo no Brasil, seu marco inicial data de 1915 com a publicação da Revista Orpheu. Contexto Histórico O Modernismo tomou lugar num período que permeia a Primeira (1914-1918) e a Segunda (1939-1945) Guerras Mundiais. Na mesma altura, surgia a Teoria da Relatividade de Einstein e a Psicanálise de Freud, bem como transformações tecnológicas (eletricidade, telefone, avião, cinema). Todas essas situações influenciam os pensamentos da época e, consequentemente o estilo deste novo movimento literário. Em Portugal, em 1910 era proclamada a república e surgem dois partidos políticos, o Situacionista, que numa proposta saudosista pretendia resgatar os anos de glória vividos por Portugal, e os Inconformados, que almejavam uma ruptura de padrão e estilo e, propunham, por sua vez, a inovação. Assim, com o lançamento da Revista Águia, os Situacionistas tentam reviver o passado numa pretensão de incutir nas pessoas o orgulho português oriundo das suas conquistas. Os Inconformados rejeitam essa ideia, pretendendo trazer à tona o espírito crítico. Principais Caraterísticas Distanciamento do sentimentalismo.Espírito dinâmico, acompanhando as transformações tecnológicas.Espírito crítico e questionador.Linguagem cotidiana.Oposição às normas, numa atitude considerada “anárquica”.Originalidade e excentricidade. Ruptura com o passado, numa atitude inovadora. Alberto Caeiro Alberto Caeiro era o mestre de todos os outros heterônimos, além de ser mestre do próprio Fernando Pessoa. Nascido em 16 de abril de 1889, Caeiro era órfão de pai e mãe e viveu a vida inteira no campo com sua tia.Fruto de um local bucólico, Caeiro defende a simplicidade da vida e seus pensamentos são extraídos do contato com a natureza e a vida simples. Ele procurava ver o real e como a realidade se configura de maneira simples.Acreditava que os pensamentos do poeta - as sensações – eram obtidos por meio dos sentidos do ser humano, sem a interferência do pensamento humano. Para ele, as coisas “eram como eram”, não havia necessidade de pensar. Tudo era objetivo.Caeiro faleceu em 1915, tuberculoso. Ricardo Reis Nascido em 19 de novembro de 1887, no Porto, Ricardo Reis tinha formação em medicina. Exilou-se no Brasil porque não concordava com a Proclamação da República Portuguesa. É uma face de Fernando Pessoa ligada ao clássico, à cultura greco- latina.Ricardo Reis valorizava a vida campestre e a simplicidade das coisas, mas ao contrário de Caeiro, ele não se sente feliz e integrado à natureza, sentindo-se fruto de uma sociedade decadente, que caminha para a destruição. Para Reis, o destino de todos já havia sido traçado e só restava aproveitar a vida ao máximo. Álvaro de Campos Era a face mais ligada ao modernismo e ao futurismo. Nascido em 15 de outubro de 1890, em Távira, Álvaro é engenheiro formado em Glasgow, mas não exerceu a profissão por não gostar de sentir-se preso em escritório.É um homem voltado para o presente e sua poesia buscava transmitir o espírito do mundo moderno. Teve três fases: decadentista, futurista e pessoal. Na fase decadentista há uma ligação com o simbolismo, um descontentamento, o tédio em relação ao mundo presente; na fase futurista vemos a ligação com o moderno e o tempo presente, que passava por modernização; na fase pessoal, vemos questionamentos sobre si próprio, descontentamentos e certo abatimento.