A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
23 pág.
Cap 3 - neuroanato

Pré-visualização | Página 2 de 5

as membranas plasmáticas dos neurônios envolvidos entram em contato, conservando espaço entre elas de apenas 2-3nm. No entanto ocorre comunicação entre os dois neurônios, através de canais iônicos concentrados em cada uma das membranas em contato. Esses canais projetam-se no espaço intercelular, justapondo-se e estabelecendo comunicações intercelulares, que permitem a passagem direta de pequenas moléculas, como íons, do citoplasma de uma das células para o da outra.
Essas junções servem para sincronizar a atividade de grupos celulares e são encontradas em outros tecidos, como o epitelial, muscular liso e cardíaco, onde recebem o nome de junção de comunicação. Ao contrário das sinapses químicas, as sinapses elétricas não são polarizadas, a comunicação entre os neurônios envolvidos se faz nos dois sentidos.
Sinapses Químicas
A maioria das sinapses interneurais e neuroefetuadoras são sinapses químicas. As comunicações entre os elementos em contato dependem da liberação de substâncias químicas chamadas neurotransmissores. A sinapse acontece quando o potencial de ação é transmitido através dos neurotransmissores, que se liga a um receptor (proteína). Na membrana pós-sináptica, o impulso é transmitido em uma única direção, podendo ser bloqueado. Em comparação com sinapses elétricas a sinapse química é muito mais lenta. Quase todas as sinapses do SNC são químicas. Alguns exemplos de neurotransmissores são: Histamina e Acetilcolina.
Neurotransmissores e Vesículas Sinápticas 
Alguns neurotransmissores conhecidos são a acetileolina, certos aminoâcidos como a
glicina, o glutamato, o aspartate), o ácido gama-amino-butírico ou GABA e as monoaminas, dopamina, noradrenalina, adrenalina e histamina.
As sinapses químicas são caracterizadas por serem polarizadas, apenas um dos dois elementos em contato (elemento pré-sináptico) possui neurotransmissor. Estes são armazenados em vesículas chamadas vesículas sinápticas. Os seguintes tipos de vesículas são mais comuns: vesículas agranulares com 30-60nm de diâmetro e com conteúdo elétron-lúcido (aparecem como se estivessem vazias); vesículas granulares pequenas, de 4()-7()nm de diâmetro, apresentam conteúdo elétron-denso; vesículas granulares grandes, com 70-150nm de diâmetro, também com conteúdo elétron-denso delimitado por halo elétron-lúcido; vesículas opacas grandes, com 80-lS0nm de diâmetro e conteúdo elétron-denso homogêneo preenchendo toda a vesícula.
O tipo de vesícula sináptica que predomina no elemento pré-sináptico depende do neuro transmissor que o caracteriza.
Sinapses Químicas Interneurais
Na grande maioria das sinapses uma terminação axônica entra em contato com qualquer outra parte do neurônio formando sinapses axodendríticas, axossomáticas ou axoaxonicas. Porém é possível que o dendrito ou mesmo o corpo celular seja a parte pré-sináptica, sendo assim ocorre sinapses dendodendríticas e mais raramente dendosomáticas, somatossomáticas, somatodendríticas e somatoaxonicas.
Quando a sinapse se faz através do axônio e ele é o elemento pré-sináptico, o contato se faz através dos botões terminais e os botões sinápticos de passagem. No caso de sinapses axodendríticas o botão sináptico pode entrar em contato com uma pequena projeção dos dendritos em forma de espinho a espícula dendrítica. Uma sinapse química interneuronal compreende o elemento pré-sináptico, que armazena e libera o neurotransmissor, o elemento pós-sináptico, que contém receptores para o neurotransmissor e uma fenda sináptica, que separa as duas membranas sinápticas. Em uma sinapse axodendrítica o elemento pré-sináptico é um botão terminal que contém em seu citoplasma uma certa quantidade de vesículas sinápticas agranulares, encontram-se também algumas mitocôndrias, sáculos ou túbulos de retículo endoplasmático agranular, neurotúbulos, neurofilamentos e microfilamentos de actina. A membrana do botão, na face contrária a do dendrito, chama-se membrana pré-sináptica. Sobre ela se ordenam, a intervalos regulares, estruturas proteicas sob a forma de projeções densas que juntas formam a densidade pré-sináptica. As projeções densas têm disposição triangular e se unem por delicados filamentos e a densidade pré-sináptica é uma grade em cujas as vesículas sinápticas agranulares se encaixam. Desse modo, essas vesículas sinápticas se aproximam adequadamente da membrana pré-sináptica para se fundirem rapidamente, liberando o neurotransmissor por um processo de exocitose. A densidade pré-sináptica corresponde à zona ativa da sinapse, local no qual se dá a liberação do neurotransmissor na fenda sináptica. As sinapses com zona ativa são direcionadas. A fenda sináptica compreende espaço de 20-30nm que separa as duas membranas em oposição. Esse espaço é atravessado por moléculas que mantêm firmemente unidas as duas membranas sinápticas.
O elemento pós-sináptico é formado pela membrana pós-sináptica e a densidade pós-sináptica. Na membrana estão inseridos os receptores específicos para o neurotransmissor. Esses receptores são formados por proteínas integrais que ocupam toda a espessura da membrana e se projetam do lado externo e do lado citoplasmático da membrana. No citoplasma, próximo à membrana, concentram-se moléculas relacionadas com a função sináptica. Essas moléculas, juntamente com os receptores, formam a densidade pós-sináptica. A transmissão sináptica decorre da união do neurotransmissor com seu receptor na membrana pós-sináptica.
Sinapses químicas Neuroefetuadoras
Essas sinapses, são chamadas também de junções neuroefetuadoras, envolvem os axônios dos nervos periféricos e uma célula efetuadora não neuronal. Se a conexão for com células musculares estriadas esqueléticas, a junção é neuroefetuadora somática; se a conexão for com células musculares lisas ou cardíacas ou com células glandulares, é uma junção neuroefetuadora visceral. A neuroefetuadora somática compreende as placas motoras, onde, o elemento pré-sináptico é a terminação axônica de neurônio motor somático, cujo corpo se localiza na coluna anterior da medula espinhal ou no tronco encefálico. As junções neuroefetuadoras viscerais são os contatos das terminações nervosas dos neurônios do sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático, cujos corpos celulares se localizam nos gânglios autonômicos.
As placas motoras são sinapses direcionadas, em cada botão sináptico de cada placa há zonas ativas que são representadas por acúmulos de vesículas sinápticas junto a barras densas colocadas à intervalos sobre a membrana pré-sináptica; as densidades pós-sinápticas com disposição também ocorrem. As junções neuroefetuadoras viscerais, não são direcionadas, sendo assim não apresentam zonas ativas e densidades pós-sinápticas.
Mecanismo de Transmissão Sináptica 
Quando o impulso nervoso atinge a membrana do elemento pré-sináptico, é originada uma pequena alteração do potencial da membrana capaz de abrir canais de cálcio, determinando a entrada desse íon. O aumento de íons cálcio no interior do elemento pré-sináptico provoca uma série de fenômenos, alguns culminam com a fusão de vesículas sinápticas com a membrana pré-sinápticas, liberando o neurotransmissor na fenda sináptica e sua difusão, até atingir seus receptores na membrana pós-sináptica. Um receptor pode ser um canal iônico, que se abre quando o neurotransmissor se liga a ele (canal sensível a neurotransmissor). Um canal iônico deixa passar predominantemente ou exclusivamente um dado íon. Se esse íon normalmente ocorrer em maior concentração fora do neurônio, como o Na+ e o Cl, ocorre a entrada. Se sua concentração for maior dentro do neurônio, como no caso do K ocorre a saída. Evidentemente, tais movimentos iônicos modificam o potencial de membrana, causando uma pequena despolarização, no caso de entrada de Na+, ou uma hiperpolarização, no caso de entrada de Cl (aumento das cargas negativas do lado de dentro) ou de saída de K + (aumento das cargas positivas do lado de fora). 
Quando o receptor não é um