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Manual de Teologia   FINAL 1

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feito homem. É Deus mesmo que desceu 
dos Céus, veio entre nós, para caminhar connosco. Porque o Deus dos cristãos é um Deus próximo, 
é um Deus que caminha com o seu povo. Depois da sua morte na cruz, ressuscitou. Ele venceu a 
morte. É um combate que durou três dias. Período que para os Judeus, transcorrido, não havia mais 
esperança (cf. Jo 10,39). 
Enquanto o Pai, a primeira Pessoa da Santíssima Trindade é não gerada, é a fonte é origem de tudo 
(agenetos), o Filho, a segunda Pessoa é gerada (genetos) e por sua vez o Espírito Santo, a terceira 
Pessoa da Trindade procede do Pai e do Filho. Portanto, enquanto o Filho provem por via da 
geração o Espírito Santo é por via da processão. 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 2: A IGREJA 
 
2.1. Conceito de Igreja 
2.1.1. Terminologia e etimologia 
 
O termo “Igreja” deriva do termo latino “ecclesia”, e este, por sua vez deriva do verbo grego 
“” que significa “chamar, convocar”. Designa a assembleia do povo geralmente de carácter 
religioso. 
O termo grego “” do qual derivam os termos “church”, “kirchie” significa “pertencente 
ao Senhor”. Em hebraico, Igreja diz-se “qahal”. 
Na linguagem cristã, “Igreja” designa a assembleia litúrgica, mas também a comunidade local ou 
toda a comunidade universal dos crentes.Igreja é o povo que Deus reúne no mundo inteiro.Igreja 
é o povo de Deus. Cristo é a cabeça deste povo que é o seu corpo. 
 
2.2. Mistério da Igreja 
2.2.1. Pressupostos da Eclesiologia do Vaticano II 
A concepção da Igreja, predominante na teologia católica anterior ao Vaticano II, caracteriza-se 
por uma atenção privilegiada aos aspectos cristológicos, e portanto, à sua dimensão institucional e 
visível. 
Os estudos bíblicos e patrísticos, lidos no seu contexto histórico, ajudaram na redescoberta da 
interioridade da Igreja em Cristo e no Espírito. Repensa-se a comunidade eclesial como realidade 
histórica. A Igreja passa a ser vista como ‘sacramento’, como ‘povo de Deus’, como ‘comunhão’ 
de pessoas e de igrejas. O Vaticano II rejeitará o exclusivismo da realidade espiritual ou da 
realidade simplesmente visível, para propor o seu ‘mistério’ de comunhão, que brota da Trindade 
e para ela tende (Forte, 1992). 
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O Vaticano II caraterizou-se desde o início como Concilio da Igreja. Como se pode ler nestas 
palavras do Cardeal Suenens: O Concílio há-de ser um Concílio ‘de Ecclesia’ e há-de articular-se 
sobre dois pilares: ‘de Ecclesia ad intra’ e de Ecclesia ad extra’. Que é Igreja? Que é que a Igreja 
faz? (Suenens, 1962). 
Sobre o que é Igreja, responderá a Lumen Gentium e o que ela faz? Responderá a Constituição 
Pastoral Gaudium et Spes. 
2.2.2. Eclesiologia da Lumem Gentium 
Este capítulo apresenta o Mistério da Igreja à luz de Cristo e do seu mistério. A Igreja como 
sacramento da realização do sinal salvífico da Trindade. A Igreja é o povo reunido na unidade do 
Pai, do Filho e do Espírito Santo (LG, 4, extraído de De domenica oratione, 23 de Cipriano). 
Apresentando a Igreja como mistério, fruto da leitura dos textos de S. Paulo, supera-se a visão 
puramente visibilista da Igreja que concebia a Igreja como Sociedade perfecta inequalis. 
A Igreja é sacramento enquanto é expressão da vontade salvífica de Cristo, uma salvação universal. 
A Igreja é como um sacramento ou sinal da íntima união com Deus e da unidade de todo o género 
humano. É também um instrumento para o alcance de tal união e unidade (LG 1). «A Igreja que 
compreende no seu seio os pecadores, santa ao mesmo tempo e sempre necessitada de purificação, 
incessantemente se aplica na penitência e no seu renovamento» (LG 8). 
O Concílio esclareceu que não há coincidência entre o Reino de Deus e a Igreja. A Igreja é o seu 
gérmen e início. 
O Concílio também esclareceu que não há conflito entre a Igreja peregrina e Igreja celeste, portanto 
entre a Igreja visível e invisível, ponto de muita controvérsia, auxiliando-se da analogia do mistério 
da Incarnação do Verbo, pois constituem uma realidade única e complexa. E afirma claramente 
que esta é a única Igreja de Cristo e tal subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de 
Pedro e pelos bispos em comunhão com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem realmente 
vários elementos de santificação e de verdade, elementos que, na sua qualidade de dons próprios 
da Igreja de Cristo, conduzem para a unidade católica (LG 8). O emprego do verbo subsist em vez 
de simplesmente est é sem dúvidas uma renovação. 
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Existe uma continuidade histórica radical na sucessão apostólica entre a Igreja que Cristo fundou 
e a Igreja católica. 
O termo subsist é, porém, matéria de muita discussão, pois há quem não acha muita distância e 
mesmo diferença com o termo est que era usado anteriormente. Urgia um esclarecimento. O 
documento Dominus Iesus apresenta o seguinte esclarecimento. Usando o verbo “subsistir”, o 
Vaticano II queria afirmar duas verdades (Decl. Dominus Iesus, 16-17): 
A Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja 
católica. 
Por outro lado, existem numerosos elementos de santidade e de verdade fora da sua composição, 
nas igrejas e comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja católica. 
As comunidades que não conservam um válido episcopado e a genuína e integra substância do 
mistério eucarístico, não são igrejas em sentido próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas 
comunidades estão, pelo Baptismo, incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa, se bem 
que imperfeita, comunhão com a Igreja (UR, 3) 
Essas comunidades não são Igreja porque os elementos desta Igreja já realizada existem reunidos 
na sua plenitude na Igreja católica e sem essa plenitude nas demais comunidades. Porém, o Espírito 
não se recusa a servir-se delas como instrumentos de salvação (UR, 3; Ut Unum sint, 14). Esta 
admissão é uma grande novidade. 
A eclesiologia do Vaticano é centrada na Eucaristia. Há um nexo entre a Eucaristia e a Igreja 
enquanto é a Eucaristia que faz a Igreja e a Igreja celebra a Eucaristia. 
A Igreja segundo o Vaticano II está radicada no mistério de Deus uno e trino e nas missões do 
Filho e do Espírito Santo. O Vaticano II superando todos os reducionismos na visão da Igreja, no 
I capítulo da Lumen gentium faz uma leitura de índole trinitária da Igreja. Na visão da Lumen 
gentium a Igreja vem da Trindade, é estruturada à imagem da Trindade e vai em direcção do 
cumprimento trinitário da história. Vindo do alto, oriens ex alto, como o seu Senhor (Lc 1, 78), 
plasmada do alto e em caminho em direcção ao alto, enquanto é o regnum Christi iam praesens in 
mysterio (LG 5). 
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2.2.3. Maria, figura da Igreja 
No seio do povo de Israel Deus suscitou uma mulher, serva humilde do Senhor para que depois de 
ter falado muitas vezes e de muitos modos pudesse falar pelo seu próprio Filho. Maria depois de 
um diálogo com o anjo, decidiu obedecer e colaborar no projecto de Deus (Lc 1, 26-38).Concebeu 
a Palavra e teve lugar a Incarnação do Verbo. 
A Igreja ao logo da sua história formulou algumas verdades dogmáticas sobre Maria mãe de Jesus. 
Apresentamos as mais importantes: 
a) Maternidade divina de Maria (Éfeso-431) 
A formulação da verdade sobre a maternidade divina de Maria foi definida no Concílio de Éfeso, 
sob o título de sugere o título theotókos. Éfeso assumiu a ideia da maioria conciliar de matriz 
alexandrina que defendia que Maria é geradora de Deus. Maria gerou segundo a carne o Verbo de 
Deus que se fez carne (DS, 525). Para Éfeso, Jesus tem duas naturezas: humana e divina, unidas 
sem distinção nem separação mútua, união hipostática.“Se alguém não confessar que o