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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA LABORATÓRIO DE FENÔMENOS DE TRANSPORTE (102224) FRASCO DE MARIOTTE: CALIBRAÇÃO E DETERMINAÇÃO DA REOLOGIA DE UM ÓLEO Carlos Philipe Silva Rocha Júlio Cesar Dantas Silva Lucas Fernando Santos de Jesus Marcelo Diaz Nascimento Vinícius Fernandes Mendonça Dantas SÃO CRISTÓVÃO – SE DEZEMBRO DE 2013 2 FRASCO DE MARIOTTE: CALIBRAÇÃO E DETERMINAÇÃO DA REOLOGIA DE UM ÓLEO RELATÓRIO EXPERIMENTAL Relatório referente ao experimento laboratorial conforme exigências da disciplina Laboratório de Fenômenos de Transporte, ministrada pelos professores Dr. Manoel Marcelo do Prado e Drª. Luanda Gimeno Marques. Todas as etapas desta prática foram realizadas por todos os integrantes do grupo. SÃO CRISTÓVÃO – SE DEZEMBRO DE 2013 3 RESUMO Com o auxílio do frasco de Mariotte, reservatório que possibilita uma pressão constante de vazamento do fluido contido nele (mesmo que não seja mantido o nível de fluido constante), estudou-se a reologia de um óleo desconhecido, ou seja, obteve-se sua viscosidade e classificação do tipo de fluido, a partir da calibração do capilar de escoamento de fluido com água destilada, um fluido de características reológicas bastante conhecidas. Assim, obteve-se o valor do diâmetro do capilar após verificações e estudo dos dados coletados para o escoamento da água. E, em seguida, pôde-se classificar o tipo de fluido do óleo estudado e determinar sua viscosidade. 4 SUMÁRIO OBJETIVOS ..................................................................................................................... 5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................... 6 1. Classificação quanto a deformação: ...................................................................... 7 2. Classificação quanto à relação entre a taxa de deformação e a tensão de cisalhamento: ................................................................................................................ 8 3. Picnômetro ........................................................................................................... 16 MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................................................... 17 Materiais ..................................................................................................................... 17 Metodologia ................................................................................................................ 18 Tratamento de dados ................................................................................................... 19 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................... 20 CONCLUSÃO ................................................................................................................ 26 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 27 5 OBJETIVOS A prática experimental a seguir apresentada tem como objetivo a determinação do diâmetro do capilar do frasco de Mariotte com água destilada e realizar um estudo do comportamento reológico de um óleo desconhecido e determinar as propriedades do mesmo, como viscosidade e massa específica. 6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Segundo Çengel & Cimbala (2006), viscosidade é a propriedade que representa a resistência interna do líquido ao movimento, ou a “fluidez”. Já de acordo com Potter et al. (2002), a viscosidade pode ser vista como a “aderência” interna de um fluido. Logo se pode dizer que a viscosidade do fluido é uma medida de sua resistência à deformação por cisalhamento. A viscosidade é resultante da força de atrito interno que se desenvolve entre as diferentes camadas de fluidos, à medida que são forçadas a se moverem uma em relação às outras. A viscosidade é causada pelas forças coesivas entre as moléculas de liquido e pelas colisões moleculares nos gases, em geral a viscosidade dos fluidos é dependente da temperatura e da pressão, mesmo que essa dependência da pressão seja relativamente baixa. (Çengel & Cimbala, 2006). A três maneiras de representação da viscosidade, são elas: a viscosidade absoluta (µ), a viscosidade aparente (η) e a viscosidade cinemática (ν), onde a primeira e dada pela medida geométrica sem a interferência da gravidade, a segunda e a medida em um único ponto, através de uma força de tensão cisalhante constante e a ultima é razão da viscosidade dinâmica (absoluta) pela densidade. A viscosidade e um dos três parâmetros envolvidos no estudo reológico de fluidos, onde os outros dois parâmetros são a tensão de cisalhamento e a taxa de cisalhamento. Este estudo reológico compreende a avaliação do comportamento da deformação de um corpo que se encontra sob a influência de uma tensão, ou seja, e o comportamento de fluidez pela análise das deformações ocasionadas pelo escoamento de um fluído. A reologia dos fluidos encontra-se classificada de dois tipos, uma de acordo com a deformação, onde podem ser elásticos ou viscosos, e a outra de acordo com a relação entre a taxa de deformação e a tensão de cisalhamento, onde podem ser fluidos Newtonianos e fluidos não Newtonianos. Antes de apresentar a classificação reológica dos fluidos faz-se necessário a apresentação da Lei de Newton da Viscosidade e assim obter uma relação para viscosidade. Então considere um escoamento, onde o fluido se move em uma direção x e as velocidades das camadas internas variam com a distância entre as camadas e a superfície solida em contato, ou seja, a velocidade varia em uma direção y. Sendo que 7 para escoamentos laminar e estacionário essa velocidade tem uma variação linear, nota- se que a o fluido deformasse continuamente sob a influência da tensão de cisalhamento, e que a velocidade na superfície de contato assume a velocidade do solido que é nula pela condição de não deslizamento), dai pode-se concluir a partir de dados experimentais que a taxa de deformação é equivalente ao gradiente de velocidade para todos os gases e líquidos homogêneos não poliméricos. Neste modelo, Newton afirma que a relação entre a tensão de cisalhamento, e gradiente local de velocidade é definida através de uma relação linear, sendo a constante de proporcionalidade, a viscosidade do fluido. Tal modelo é representado matematicamente pela Equação (1). 𝜏𝑟𝑧 = −𝜇 𝑑𝑣𝑧 𝑑𝑟 (1) Sendo, 𝜇 é a viscosidade do fluido em uma determinada pressão e temperatura e 𝑑𝑣𝑧 𝑑𝑟⁄ representa o gradiente de velocidade, onde 𝑣𝑧 varia com a posição r. Após apresentação da Lei de Newton pode-se retomar com a classificação da reologia dos fluidos. 1. Classificação quanto a deformação: 1.1. Elásticos: São sistemas onde não há o escoamento pleno do fluído. Seu comportamento segue a Lei de Hooke. “A deformação provocada em um corpo sólido é proporcional ao esforço aplicado sobre ele, dentre de seu limite de elasticidade”. Nesse tipo de sistema a deformação é prontamente recuperada quando da retirada da tensão. Onde a energia para esta recuperação é a energia acumulada durante a deformação, ou seja, são sistemas reversíveis. 81.2.Viscosos: São sistemas onde ocorre o escoamento pleno do fluido, que se deforma irreversivelmente. A grande maioria dos casos obedece a Lei de Newton da viscosidade. 2. Classificação quanto à relação entre a taxa de deformação e a tensão de cisalhamento: 2.1. Fluidos Newtonianos: Esta classe é caracterizada pela proporcionalidade direta entre a taxa de deformação e a tensão de cisalhamento, onde a viscosidade absoluta e dada como constante de proporcionalidade. A hipótese da Lei de Newton é válida para todos os gases e líquidos homogêneos e não poliméricos. 2.2. Fluidos Não-Newtonianos: Esta classe é caracterizada de modo inverso da anterior, nesta não há uma proporcionalidade direta entre a taxa de deformação e a tensão de cisalhamento. Esses fluidos podem ser caracterizados como sendo viscoelásticos, e como dependentes e independentes do tempo. 1.1.1. Viscoelásticos. Eles são anfóteros, possuem características que transitam entre as dos fluidos viscosos e elásticos, ou seja, após a deformação eles podem retornar parcialmente à sua forma original quando livres da tensão aplicada, para esses tipos de fluidos é representado pelo Modelo de Maxwell, modelo apresentado e descrito em Bird et al. (2004). 1.1.2. Dependentes do Tempo. São fluidos que sua viscosidade aparente pode ser dependente do tempo. Eles podem ser tixotrópicos mostram um decréscimo na viscosidade com o tempo sob uma tensão cisalhante constante, 9 exemplos são as tintas em uma grande maioria, como também podem ser reopéticas onde mostram um aumento da viscosidade com o passar do tempo quando exposto a uma tensão constante. (Fox et al., 2012). 1.1.3. Independentes do Tempo. Como o próprio nome sugere esses fluidos tem suas propriedades independentes do tempo eles podem ser subdivididos em: Sem tensão inicial, são aqueles que não necessitam de uma tensão de cisalhamento inicial para começarem a escoar. Compreendem maior parte dos fluidos não newtonianos, destacam-se os pseudoplásticos, que são os fluidos em que a viscosidade aparente decresce conforme a taxa de formação cresce esses fluidos seguem o Modelo de Ostwald-de-Waele que será apresentado a seguir, ainda nesta mesma classe encontram-se os fluidos dilatantes que são os fluidos que apresentam um aumento da viscosidade aparente quando a taxa de deformação cresce esses fluidos também seguem o Modelo de Ostwald-de-Waele. A outra subdivisão e a com tensão inicial, são aqueles que precisam de uma tensão de cisalhamento inicial para começarem a escoar. Dentro desta classe destacam-se, os plásticos de Bingham, que e um fluído que se comporta como um sólido até uma tensão limítrofe, seja ela excedida, e subsequentemente, exibe uma relação linear entre tensão de cisalhamento e taxa de deformação. Outro fluido que se destaca nessa subdivisão e Herschel-Bulkley. (Fox et al., 2012). Exemplos de comportamentos de fluidos independentes do tempo são apresentados no diagrama reológico da figura 1. 10 Figura 1- (a) Tensão de cisalhamento e (b) viscosidade aparente, como uma função da taxa de deformação para o escoamento unidirecional de vários fluidos não newtonianos. Adaptado de Fox et al. (2012). Como apresentado acima existem os fluidos não Newtonianos, estes tipos de fluidos não obedecem à Equação (1) apresentada acima, o escoamento destes tipos de fluidos é atualmente uma subdivisão da ciência da reologia. Para modelar as relações observadas entre tensão de cisalhamento e taxa de deformação para esses tipos de fluidos, tem sido propostas varias equações empíricas onde alguns destes modelos encontram-se apresentados no Bird et al. (2004). Para muitas aplicações da engenharia, essas relações podem ser adequadamente representados pelo modelo exponencial, que para escoamento unidirecional, torna-se: (Fox et al., 2012). 𝜏𝑧𝑟 = −𝑚 ( 𝑑𝑣𝑧 𝑑𝑟 ) 𝑛 (2) No qual o expoente n, é chamado de índice de comportamento do escoamento o m e o índice de consistência, onde essa equação se A Lei da viscosidade de Newton para n = 1, e para m = µ. Para assegurar que 𝜏𝑧𝑟 tenha o mesmo sinal de 𝑑𝑣 𝑑𝑟 a Equação (2) pode ser escrita da forma. 11 𝜏𝑧𝑟 = −𝑚 ( 𝑑𝑣𝑧 𝑑𝑟 ) 𝑛−1 𝑑𝑣𝑧 𝑑𝑟 = −𝑚 ( 𝑑𝑣𝑧 𝑑𝑟 ) 𝑛 (3) Onde o termo m = 𝑚 ( 𝑑𝑣𝑧 𝑑𝑟 ) 𝑛−1 e denominado viscosidade aparente, onde a grande diferença da Equação (3) pra Equação (1) e que µ é constante, exceto quando sobre efeitos da temperatura, e η depende da taxa de cisalhamento. Esse modelo é o de Ostwald-de-Waele. No entanto para fazer o estudo sobre o comportamento reológico deste tipo de fluido em tubos capilares torna-se necessário fazer a modelagem de escoamento através de um tubo circular para encontrar um equacionamento para o perfil de velocidade vertical. Logo então considerando as hipóteses de um escoamento laminar permanente de um fluido de densidade constante ρ e viscosidade μ em um tubo vertical de comprimento L e raio R. O fluido escoa de cima para baixo pela ação da gravidade e sob influencia de uma diferença de pressão. Suponhamos que o comprimento do dado tubo é muito maior que o diâmetro do mesmo, de modo que os efeitos de bora sejam negligenciados. A Figura 2 apresenta as coordenadas do sistema e o volume de controle onde será realizado um balanço de momento. Figura 2 - Casca cilíndrica de fluido sobre a qual o balanço momento de direção z é feito para o escoamento axial em um tubo circular. Adequado de Bird et al. (2004) 12 O balanço representado pela figura acima e dado pela Equação (4): [(2𝜋𝐿∅𝑟𝑧)|𝑟] − [(2𝜋𝐿∅𝑟𝑧)|𝑟 + ∆𝑟] + [(2𝜋𝑟∆𝑟)(∅𝑧𝑧)|𝑧 = 0] − [(2𝜋𝑟∆𝑟)(∅𝑧𝑧)|𝑧 = 𝐿] + (2𝜋𝑟∆𝑟𝐿)𝜌𝑔 = 0 (4) Dividindo a Equação (4) por 2𝜋𝑟∆𝑟 e tomando o limite quando ∆𝑟 tende a 0, tem-se a definição da primeira derivada de 𝑟𝜏𝑟𝑧 em relação à 𝑟, a Equação (4) pode ser escrita como: 𝜕 𝜕𝑟 (𝑟∅𝑟𝑧) = ( ∅𝑧𝑧|𝑧=0−∅𝑧𝑧|𝑧=𝐿 𝐿 + 𝜌𝑔) 𝑟 (5) Agora para obtermos as componentes ∅𝑟𝑧 e ∅𝑧𝑧, utilizou-se do apêndice B1 de Bird et al. (2004) são respectivamente dadas pelas equações abaixo: ∅𝑟𝑧 = 𝜏𝑟𝑧 + 𝜌𝑣𝑟𝑣𝑧 = −𝜇 𝜕𝑣𝑧 𝜕𝑟 + 𝜌𝑣𝑟𝑣𝑧 (5. 𝑎) ∅𝑧𝑧 = 𝑝 + 𝜏𝑧𝑧 + 𝜌𝑣𝑧𝑣𝑧 = 𝑝 − 2𝜇 𝜕𝑣𝑧 𝜕𝑧 + 𝜌𝑣𝑧𝑣𝑧 (5. 𝑏) Levando em consideração as hipóteses que a velocidade na direção z depende exclusivamente da coordenada r e que as velocidades na direção r e na direção θ possam ser consideradas desprezíveis, pode ser realizada a simplificação da Equação (5) e assim: 𝑑 𝑑𝑟 (𝑟𝜏𝑟𝑧) = ( (𝑝0−𝜌𝑔. 0) − (𝑝𝐿 − 𝜌𝑔𝐿) 𝐿 ) 𝑟 ≡ ( 𝑃0 − 𝑃𝐿 𝐿 ) 𝑟 (6) 13 Onde 𝑃 = 𝑝 − 𝜌𝑔𝑧 e uma abreviação conveniente para soma dos termos de pressão e gravitacional. Rearranjando a Equação (6) de modo que ela possa ser integrada, e assim resultando em: 𝜏𝑟𝑧 = ( 𝑃0 − 𝑃𝐿 2𝐿 ) 𝑟 + 𝐶1 𝑟(7) Sendo a condição de contorno em 𝑟 = 0, 𝜏𝑟𝑧 tem que ser finita, pode se calcular a constante C1, logo, esta deve ser zero, pois de outra forma ela seria infinita no eixo do tubo então a distribuição do fluxo de momento é: 𝜏𝑟𝑧 = ( 𝑃0 − 𝑃𝐿 2𝐿 ) 𝑟 (8) A lei de Newton da viscosidade para essa situação e representada pela Equação (1). Substituindo a Equação (1) na Equação (8) tem-se a seguinte equação diferencial para a velocidade: 𝑑𝑣𝑧 𝑑𝑟 = − ( 𝑃0 − 𝑃𝐿 2𝜇𝐿 ) 𝑟 (9) Essa equação diferencial é de primeira ordem e separável, podendo assim ser integrada e fornecendo como resultado: 𝑣𝑧 = − ( 𝑃0 − 𝑃𝐿 4𝜇𝐿 ) 𝑟2 + 𝐶2 (10) 14 Onde 𝐶2 pode ser calculada aplicando condição de contorno em 𝑟 = 𝑅, onde 𝑣𝑧 na camada em contato com a parede assume velocidade nula, onde o valor encontrado de 𝐶2 é (𝑃0−𝑃𝐿)𝑅 2 4𝜇𝐿 , substituindo e rearranjando a equação obtêm-se então: 𝑣𝑧 = (𝑃0 − 𝑃𝐿)𝑅 2 4𝜇𝐿 [1 − ( 𝑟 𝑅 ) 2 ] (11) A Equação (11) representa fisicamente o perfil de velocidade de um fluido escoando em um tubo circular vertical. Uma vez este perfil de velocidades estabelecido, pode se obter diversas grandezas derivadas. Como velocidade máxima. Ocorre em 𝑟 = 0, 𝑣𝑧 assume a velocidade máxima: 𝑣𝑧,𝑚𝑎𝑥 = (𝑃0 − 𝑃𝐿)𝑅 2 4𝜇𝐿 (12) Pode se obter também a velocidade média, que e obtida dividindo a vazão volumétrica total pela área da seção transversal. 〈𝑣𝑧〉 = (𝑃0 − 𝑃𝐿)𝑅 2 8𝜇𝐿 = 1 2 𝑣𝑧,𝑚𝑎𝑥 (13) E a vazão mássica, que é o produto da velocidade media da densidade e da seção transversal. 𝑤 = ∆𝑃𝜋𝑅4𝜌 8𝜇𝐿 (14) 15 Esse famoso resultado e conhecido como a equação de Hagen-Poiseuille. Ele e usado juntamente com dados experimentais de vazão e queda de pressão modificada para determinar viscosidade de fluidos, em um viscosímetro capilar. Utilizando essa mesma equação pode se isolar o raio e colocar em função do diâmetro para determinação do próprio do tubo capilar. 𝐷 = √ 128µ𝐿𝑤 𝜌𝜋ΔP 4 (15) A equação de Hagen-Poiseuille, apresentada pela acima e para fluidos Newtonianos, para fluidos não Newtonianos a equação e obtida combinado à Equação (3) com a Equação (8), assim obtêm-se a uma equação diferencial para velocidade. ( 𝑃0 − 𝑃𝐿 2𝐿 ) 𝑟 = −𝑚 ( 𝑑𝑣𝑧 𝑑𝑟 ) 𝑛 (16) Após tomar a raiz n, essa equação pode ser integrada, utilizando a condição de contorno de não deslizamento é usada obtêm: 𝑣𝑧 = ( (𝑃0−𝑃𝐿)𝑅 2𝑚𝐿 ) 1/𝑛 𝑅 (1/𝑛)+1 [1 − ( 𝑟 𝑅 ) (1/𝑛)+1 ] (17) Quando a equação acima e integrada sobre a seção transversal do tubo circular obtemos: 𝑤 = 𝜋𝑅3𝜌 (1/𝑛) + 3 ( (𝑃0 − 𝑃𝐿)𝑅 2𝑚𝐿 ) 1/𝑛 (18) 16 A equação acima representa a equação Hagen-Poiseuille para fluidos não newtonianos, onde quando n = 1 e m = µ, simplifica a equação para fluidos Newtonianos. A Equação (18) pode ser usada juntamente com dados de pressão versus vazão para determinar os parâmetros m e n da lei de potência. 3. Picnômetro Figura 3- Picnômetro. Adaptado da internet. Nos métodos de densidade absoluta consistem na medição da massa de uma substância que ocupa um volume conhecido (ou vice-versa), o principal é o método da picnometria, que consiste na determinação bastante precisa de massa e volume de substâncias líquidas e sólidas. Essa determinação é feita usando-se um aparelho chamado de picnômetro. Ele é um recipiente de vidro com rolha esmerilhada, vazada por tubo capilar, que permite seu completo enchimento com líquidos. A capacidade volumétrica do instrumento é, portanto, facilmente determinada pela pesagem de um líquido tomado como padrão de densidade (geralmente água) na temperatura da operação. Para medir a densidade de um líquido, determina-se a massa necessária para encher completamente um picnômetro de volume conhecido. Os métodos de densidade relativa são baseados no princípio de Arquimedes, constituindo na medição (geralmente indireta) do efeito do empuxo, que é diretamente proporcional à massa de líquido deslocada por um corpo sólido imerso flutuante. 17 MATERIAIS E MÉTODOS Materiais A prática foi conduzida com o auxílio de um frasco de Mariotte como apresentado na Figura 4, o qual consiste em um frasco contendo o líquido para calibração do capilar (água destilada) e, posteriormente, o líquido a ser estudado (óleo desconhecido). Esse frasco possui duas saídas: uma inferior, onde é conectado o capilar de escoamento do fluido, e uma superior, onde uma rolha vazada é encaixada. Nesta rolha é inserido um tubo de vidro até um nível inferior ao nível de fluido. Figura 4 - Frasco de Mariotte O frasco de Mariotte é suportado em um aparato (ver Figura 5) com base fixa para o frasco e uma base móvel (de níveis variáveis) onde é colocado um béquer que colherá o líquido escoado através do capilar. A altura capilar foi medida com o auxílio de uma trena. Para a prática também foi necessário o uso de uma balança analítica para a mensuração das massas, um termômetro de bulbo seco para a temperatura dos líquidos, cronômetro digital para a medição dos tempos de coleta e dois picnômetros (25 e 50 mL) para a determinação das densidades dos fluidos. 18 Figura 5: Esquemático do aparato da prática Metodologia Utilizando água destilada no frasco de Mariotte, variou-se a altura capilar (entre sua saída e o final do capilar). Para cada altura, foi feita uma amostragem de líquido durante dado período de tempo cronometrado,sendo a amostra pesada pela diferença de massas entre o béquer contendo o líquido e ele seco. Anotou-se a temperatura do fluido e determinou-se sua densidade utilizando a técnica picnométrica. Após terem sido feitas as medições com a água, esvaziou-se o frasco de Mariotte e o mesmo foi preenchido com o óleo para determinar suas propriedades reológicas. Anotou-se, como no caso anterior, valores de massa drenada pelo tempo cronometrado para os vários níveis trabalhados. Ao final, mediu-se a temperatura do fluido e determinou-se sua densidade utilizando a técnica picnométrica. A densidade do líquido pode ser obtida pelo uso do picnômetro, sendo calculada por: 𝜌 = (𝑚𝑝𝑖𝑐,𝑓−𝑚𝑝𝑖𝑐) 𝑉𝑝𝑖𝑐 (19) Onde: 𝜌 é a densidade do fluido; 𝑚𝑝𝑖𝑐,𝑓é a massa do picnômetro cheio de fluido; 𝑚𝑝𝑖𝑐 é a massa do picnômetro seco e 𝑉𝑝𝑖𝑐 é o volume interno do picnômetro. 19 Tratamento de dados Com os dados obtidos para a água, que é um fluido de reologia conhecida, pôde-se obter o diâmetro do capilar. A sequência de realização dos cálculos está demonstrada no memorial de cálculo que se encontra em anexo. Para a obtenção dos dados calculados e gráficos apresentados utilizou-se o Microsoft Excel 2010 e o OriginPro 8.5. 20 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados obtidos para escoamento do água no capilar são exibidos na Tabela 1. Tabela 1: Dados obtidos na para o escoamento de água no capilar Becker (g) Becker + Fluido (g) Tempo (s) Altura (cm) 11,223 57,195 32,91 10 57,73 25,88 15 56,247 20,22 20 57,067 17,69 25 60,054 16,69 30 62,244 15,84 35 61,306 13,94 40 57,18 11,85 45 A partir destes dados, foi realizado um ajuste linear e, posteriormente, estimado o valor do diâmetro do capilar. Para o ajuste foi necessário o conhecimento da vazão mássica e da diferença de pressão. Estes dados são mostrados na Tabela 2. Tabela 2: Vazão mássica e pressão para cada medida W (g/s) P (Dina/cm²) 1,40 9844,14 1,80 14766,21 2,23 19688,28 2,59 24610,35 2,93 29532,42 3,22 34454,49 3,59 39376,56 3,88 44298,62 Com posse destes dados o ajuste linear (Figura 6) foi feito. Este mostrou uma boa correlação linear entre os dados, o que é evidenciado pelo coeficiente de correlação (R²), Tabela 3. Tabela 3: Dados do ajuste linear Coeficiente angular - m (dina g/cm2s) R² 10332,21 0,98895 21 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 40000 45000 Vazão mássica (g/s) P (d in a/ cm ²) Figura 6 - Ajuste linear dos dados de vazão mássica e diferença de pressão A relação entre o coeficiente angular e o diâmetro é mostrada na Equação (20). O diâmetro, então, é estimado. Sendo os dados da água a 27,5°C (temperatura média do experimento) são exibidos na Tabela 4, junto ao diâmetro estimado. O comprimento do capilar é 115,3 cm. D4 = 128μL ρπm (20) Tabela 4: Propriedades físicas da água e Diâmetro estimado Viscosidade (Poise) Massa específica (g/cm³) Diâmetro do capilar (cm) 0,0084 0,9975 0,244353 Na Tabela 5, são mostrados os dados obtidos para o escoamento de um óleo desconhecido através do capilar. 22 Tabela 5: Dados obtidos para o escoamento do óleo Becker (g) Becker + Fluido (g) Tempo (s) Altura (cm) 11,228 35,049 273,87 10 11,273 32,895 184,21 15 11,293 33,361 146,97 20 11,289 34,376 126,1 25 11,229 31,897 94,91 30 11,22 32,338 84,63 35 11,233 34,01 80,62 40 11,255 33,024 68,66 45 11,224 35,868 273,41 10 11,234 34,307 193,18 15 11,247 34,397 152,75 20 11,247 34,989 127,19 25 11,267 32,614 96,81 30 11,28 33,751 88,47 35 11,233 37,01 89,87 40 Os dados para os testes com o picnômetro com o óleo são os dados apresentados nas Tabela 3. Tabela 6: Dados obtidos por picnômetria V (cm3) Massa do picnômetro vazio (g) Massa do picnômetro cheio (g) 50 43,992 90,96 43,264 90,561 Com os dados da Tabela 6, a massa específica do óleo é determinada. Sendo esta igual a 0,943 g/mL. Para ajustar o modelo de potência de Ostwald De Waele foi necessário obter o valor da velocidade média e da diferença de pressão e, posteriormente, o valor da tensão de cisalhamento e o gradiente de velocidade. Estes dados, assim como outros necessários para obtê-los são apresentados na Tabela 7. 23 Tabela 7: Dados calculados para o óleo P (dina/cm²) w (g/s) Q (cm³/s) <v> (cm/s) dvz/dr (1/s) Tzr (dina/cm²) 9247,40 0,09 0,09 2,00 66,04 4,86 13871,09 0,12 0,12 2,70 89,12 7,29 18494,79 0,15 0,16 3,45 114,00 9,72 23118,49 0,18 0,19 4,21 139,01 12,15 27742,19 0,22 0,23 5,01 165,34 14,58 32365,89 0,25 0,26 5,74 189,46 17,01 36989,59 0,28 0,30 6,50 214,51 19,44 41613,28 0,32 0,34 7,29 240,73 21,87 9247,40 0,09 0,10 2,07 68,44 4,86 13871,09 0,12 0,13 2,75 90,68 7,29 18494,79 0,15 0,16 3,49 115,07 9,72 23118,49 0,19 0,20 4,29 141,73 12,15 27742,19 0,22 0,23 5,07 167,42 14,58 32365,89 0,25 0,27 5,84 192,85 17,01 36989,59 0,29 0,30 6,60 217,77 19,44 O valor do parâmetro n, Equação (3) é estimado através de um ajuste não linear, Figura 7. 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Tz r ( di na /c m ²) dvz/dr (1/s) Figura 7 – Ajuste linear da tensão cisalhante com o gradiente de velocidade 24 Com os dados da Tabela 2, foram estimados os coeficientes m e n da equação de Ostwald de Waele, obtendo-se n = 1,124 e m = -0,04631 .O valor de n foi ligeiramente maior que a unidade, entretanto afirma-se que o fluido (óleo) usado no experimento é newtoniano, pois erros experimentais aleatórios podem ter sido responsáveis pelo desvio, além disso, conseguir experimentalmente o valor exato na estimação do expoente n exigiria um experimento praticamente ideal. Tal resultado está condizente com o exposto na literatura apresentada por Potter et al. (2011), onde é afirmado que muitos óleos comuns são fluidos newtonianos. Deve-se ressaltar ainda que o fluido é tomado como newtoniano nas condições do experimento, isto é, para a faixa de quedas de pressão testadas. Pois não se pode afirmar que o mesmo comportamento seria obtido para uma faixa experimental maior. Assumindo então que o fluido é newtoniano, sua viscosidade foi determinada considerando, agora, o valor de n = 1. O gráfico obtido (Figura 8) demonstra uma boa correlação linear do ajuste. 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Tz r ( di na /c m ²) dvz/dr (1/s) Tz r ( di na /c m ²) dvz/dr (1/s) Tz r ( di na /c m ²) dvz/dr (1/s) Figura 8 – Ajuste linear considerando o fluido como Newtoniano 25 Sendo a viscosidade o coeficiente angular da reta, já o coeficiente linear foi fixado em zero, seguindo o modelo apresentado anteriormente na Equação (3). A Tabela 8 exibe o os dados do ajuste. Tabela 8: Dados do ajuste linear (P) R² 0,0880 0,99846 26 CONCLUSÃO A reologia apresenta grande importância na engenharia química. O conhecimento do comportamento reológico de fluidos é essencial em tubulações, tanques, reatores entre outros. No presente trabalho foi possível utilizar a técnica picnométrica para determinar tanto propriedades físicas da água, quanto do óleo. Foi possível ainda determinar o diâmetro do tubo capilar. Tais determinações são importantes do ponto de vista prático, pois usam métodos clássicos para fazer determinações de propriedades importantes. Portanto, o conhecimento sólido dos métodos usados no experimento é essencial a qualquer profissional da indústria química, sendo então o experimento proveitoso para futuros engenheiros. A determinação da viscosidade de óleos é importante na indústria química. Diversos equipamentos trabalham usando esse composto, seja em reatores ou em outros equipamentos. Diante disso no presente trabalho também foi possível estudar o comportamento do óleo desconhecido. Sendo possível perceber que o óleo em questão é um fluido newtoniano e sabendo disso, sua viscosidade foi determinada. 27 REFERÊNCIAS Bird, R. B.;Stewart, W. E.; Lightfoot, E. N. Fenômenos de Transporte; LTC – Livros Técnicos e Científicos; 2004, 910 p. Çengel, Y. A.; Cimbala, J. M. Mecânica dos fluidos: Fundamentos e aplicações. McGraw-Hill; 1ª Ed., 2007, 816 p. Fox, R. W.; McDonald, A.T. Introdução à Mecânica dos Fluidos. LTC – Livros Técnicos e Científicos; 6ª Ed., 2006, 710 p. Potter, M. C.; Wiggert, D. C.; Ramadan. Mechanics of Fluids. Cengage Learning; 4ª Ed., 2011, 816 p. 28 ANEXO A - MEMORIAL DE CÁLCULOS - REOLOGIA PARTE 1 Para determinarmos o diâmetro do capilar, primeiramente, para a temperatura em questão, temos as seguintes propriedades: T(°C) ρ (g/cm²) µ (Poise) 27,5 0,9975 0,0084 A partir dos valores obtidos experimentalmente, determinamos a vazão mássica (w) e a variação de pressão (ΔP), dados por: w = mB − m(B+fluido) Δt w = 57,195 − 11,223 32,91 w ≅ 1,40 (g s⁄ ) e ΔP = ρ. g. Δh Lembrando que a pressão atmosférica g = 980,665(cm² s)⁄ , tem-se: ΔP = 1,003 . 981 . 10 ΔP = 9844,14 (Dina cm2)⁄ De posse das vazões e das pressões, plotou-se um gráfico π entre Vazão x Variação de Pressão, resultando: ΔP = 10332,21 Q − 740,23 De posse do valor do coeficiente angular, pode-se calcular do diâmetro do capilar: D4 = 128μL ρπm D = √ 128 . 0,0084 . 115,3 0,9975 . π . 10332,21 D = 0,244353 (cm) 29 PARTE 2 De posse do diâmetro do capilar, podemos na parte 2 do experimento determinar as propriedades físicas do fluido. Primeiramente, calcula-se a massa específica do óleo, utilizando os dados obtidos a partir do psicrômetro de capacidade nominal 50 mL, tem-se: 𝜌 = �̅�𝑝,𝑓𝑙𝑢𝑖𝑑𝑜 − �̅�𝑝,𝑣𝑎𝑧𝑖𝑜 𝑉 𝜌 = 90,7605 − 43,628 50 𝜌 ≅ 0,943(𝑔 𝑚𝐿⁄ ) A partir dos valores obtidos experimentalmente, determinamos a vazão mássica (w) e a variação de pressão (ΔP), dados por: w = mB − m(B+fluido) Δt w = 35,049 − 11,228 273,87 w = 0,08698 ≅ 0,09(g s⁄ ) Calculou-se agora a variação da pressão: ΔP = ρ. g. Δh ΔP = 0,943 . 981 . 10 ΔP ≅ 9247,40 (Dina cm2)⁄ Calculou-se também a vazão mássica do experimento, dada por: Q = w ρ Q = 0,08698 0,943 Q ≅ 0,09 (cm³ s⁄ ) 30 Calcula-se, o valor para a velocidade média, dada por: < v > = Q A < v > = Q ( πD² 4 ) < v > = 4 . 0,09 π . (0,244353)² < v > ≅ 2,00 (cm/s) Para o calculo do gradiente local de velocidade a partir da equação 9, têm-se: dvz dr = ( ΔP 2µL ) r dvz dr = ( ΔP 2µL ) D 2 dvz dr = ( 9247,40 2 . 0,074 . 115,3 ) . ( 0,244353 2 ) dvz dr = 66,04 (1 s⁄ ) Para o calculo da tensão de cisalhamento a partir da equação 8, têm-se: T𝑧,𝑟 = ( ∆P 2L ) . R T𝑧,𝑟 = ( 9247,40 2 . 115,3 ) . ( 0,244353 2 ) T𝑧,𝑟 ≅ 4,86 (dina/cm²) De posse desses valores, podemos traçar um gráfico entre gradiente local de velocidade versus tensão de cisalhamento, para obtermos os reais valores de n e m. Como o n obtido foi aproximadamente 1, então o m pode ser interpretado como a viscosidade do fluido. 𝑚 = 𝜇 = 0,088 𝑃𝑜𝑖𝑠𝑒 OBJETIVOS FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1. Classificação quanto a deformação: 2. Classificação quanto à relação entre a taxa de deformação e a tensão de cisalhamento: 3. Picnômetro MATERIAIS E MÉTODOS Materiais Metodologia Tratamento de dados RESULTADOS E DISCUSSÃO CONCLUSÃO REFERÊNCIAS