TEXTO - A QUEM NÓS,PSICÓLOGOS,SERVIMOS DE FATO
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TEXTO - A QUEM NÓS,PSICÓLOGOS,SERVIMOS DE FATO


DisciplinaPsicologia e Profissao26 materiais180 seguidores
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1Ó8 Escritos sokre a profissão de psicólogo no Brasil 1^^' K i ^ . /(C\i 
que nos impedisse a visão? Em desbastá-la, em duminá-la sequer, dificilmente r ' ^ ; ^ _ , j \u2014 ^^^ú^^ J^iD^Ú^ ^ 
nensamos Seguimos adiante, a deixamos atrás de nós, e da distância ela é sem ^ - f i S " ^ " - ^ ^ ^ " ^ ^ " ' ' ^ ^ \u2022 /1 
dúvida abarcável, mas indistinta, sombria e, nessa medida, mais enigmaticamente '^fi 
enJ^edada" - '^4^ Di^~0^^^ f 9 ^ ^ Ç 
Não fo i fácil ou simples escrever estas poucas linhas Mas o testemunho y ^ r j - ^ C A P Í T U L O 
do que uma vez foi vivido e pensado aí está. E, com certeza, também fica registrada T 
a ação das pessoas que deram formato aos rumos que a profissão foi adotando ' ' ^ f } i 
e, embora sujeita às mudanças que o tempo exige, ou às vicissitudes a que ele dá VÍ-^ÇÍ 
origem, se mostra capaz de enfrentar os desafios do presente e do futuro. O q u é ' ' - ^ - ' 
se pode perceber é que a própria Psicologia e seus órgãos representativos n ã o " ; ^ ! ^ 
ficaram ausentes desses desafios e têm respondido com acertada prontidão às v ^ É ' 
demandas da sociedade, valorizando as disposições democráticas tão presentes" í ^ ^ j 
na profissão Cada um dos testemunhos que foram sendo depositados na história 
da profissão podem ter, humildemente, o papel de tomar menos sombrias e'J^^. 
menos indistintas as questões que presidiram a sua origem. ' 
Referênc ias 
Benjamin.W. (1994).i?wíi de Mão Única. São Paulo. BrasiÜense. 
Cortázar, J. (1975). í « Casilla de losMorelli. Barcelona: Tusquets. 
Foucault, M. (1996). Ordem do Discurso. São Paulo: Loyola. 
A Q U E M N Ó S , P S I C Ó L O G O S , S E R V I M O S D E 
E í V T O ^ ? 
Sílvio Paulo Botomé 
Ao receber a correspondência da Sociedade de Psicologia de Ribeirão 
Preto, lemos que vocês gostariam que o trabalho, neste simpósio, fosse iniciado 
com uma "análise crítica da atuação do psicólogo em termos do públ ico que 
tem sido tradicionalmente atendido". Talvez não sejamos capazes de realizar uma 
análise suficientemente crítica, mas, tentando atender um pouco à sohcitação 
feita, vamos examinar alguns dados sobre a atuação dos psicólogos. Para isso, 
usaremos como exemplo, a a tuação dos psicólogos em São Paulo. 
No im'cio de seu livro 'A maturidade mental", Overstreet (1967) 
chama a a tenção em relação ao conhecimento característico do século XX ser 
o "conhecimento psicológico". O autor salienta que, embora tenha havido 
| ; ; ., dramático desenvolvimento na Física e na Química com o mé todo científico, essa 
^ \u201e^" atitude ou disposição (científica) em relação à natureza e experiência humana é 
fe;:- nova." O autor ainda destaca que isso não poderia ter acontecido anteriormente. 
*Referênaa completa do texto original. Botomé, S. P' (1979). A quem nós. psicólogos, 
servimos de fato? Psicologia, 5,1-15-
i',. 1 Este trabalho foi apresentado no simpósio "A quem a Psicologia atende e a quem deveria 
"atender?", realizado na vm Reunião Anual da Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto (SP), 
p' em outubro de 1978. Nos anos seguintes, a Sociedade se transformou na Sociedade Bras Jeirn 
- - ' de Psicologia. 
170 Escnios sobre a profissão de psicólogo no Brasil r 
Foi necessário haver, antes, uma longa preparação. A Fisiologia teve, primeiro, ;^ 
que se constituir como uma disciplina. O degrau que possibilitou esse avanço 
da Fisiologia foi um adiantado conjunto de conliecimentos sobre processos e 
fenômenos biológicos. Mas, antes da Biologia, teve que haver um significativo 
desenvolvimento da Química e, antes dela, da Física e, ainda antes desta última, ^ 
da Matemática "Parece - salienta o autor - haver um despertador científico. 
Cada disciplina tem uma hora histórica para manifestar-se Hoje - parece! - o ; 
\u2022despertador da Ciência anuncia a hora da Psicologia e, talvez, estejamos em uma 
era onde se vê nascer um novo esclarecimento (...)". 
O autor prossegue considerando que "sem dúvida alguma, os interesses ' 
explorados pela disciplina que nasce são antigos, mas a acuidade da pesquisa é 
nova. Parece haver uma lógica de ferro no domínio das coisas: cada disciplina 
tem que aguardar o momento para alcançar sua acuidade específica, até que a . 
disciplina precedente lhe tenha fornecido os dados e instrumentos para tanto. 
Hoje, esta nova acuidade no campo da Psicologia está trazendo concepções que ' 
estão reformando nossa vida". É em relação a essa afirmação de Overstreet que 
parece haver a necessidade de um exame mais demorado-, a vida de quem está 
sendo reformada em quê? ~-
Sem dúvida, a Psicologia é a disciplina (a área de conhecimento) do 
momento Está na moda, não apenas nas revistas e livros, mas nas verbas de 
pesquisa, na proliferação de cursos e escolas e no "milagroso" surgimento de 'i 
novidades "clímcas", "terapêuticas" e outras capazes de fazer "tanto" pelos \u2022 
"problemas humanos" No entanto, se perguntarmos o que é feito em Psicologia, - , 
hoje, precisamos examinar do que, efetivamente, se ocupam os psicólogos nas 
suas atividades profissionais. Talvez aí encontremos mais precisa e claramente ^ 
alguma resposta à pergunta "a quem a Psicologia está servindo?". 
Sylvia Leser de Mello (1975), em uma investigação sobre "Psicologia e \u2022\u2022 
profissão em São Paulo" faz, para nós psicólogos, um primeiro alerta sobre a ; 
direção dos serviços em Psicologia. Em seu trabalho a autora mostra a discrepância ~ \ 
entre quatro grupos de ocupações tradicionais da Psicologia: Clínica, Escola, 
Indústria e Ensino da Psicologia. O que a investigação de Mello denuncia é um.f" 
perigoso desequihljrio entre esses quatro campos de aplicação do conhecimentò";;ri 
em Psicologia. \u2022 
A Quem Nós, Psicólogos, Servimos de Fato' 171 
Na Figura 1 há uma representação aproximada' das percentagens 
de ocupações dos psicólogos formados por três dos mais tradicionais cursos 
de Psicologia da cidade de São Paulo: Sedes Spientiae, São Bento (ambos da 
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e Universidade de São Paulo (USP). 
A Figura 1 ilustra que a grande concentração de ocupação dos psicólogos é a 
clínica, com um índice oscilando em torno de 60% dos profissionais dedicando-
se a esse tipo de atividade. Em segundo lugar, os psicólogos se ocupam com o 
ensino de Psicologia (em torno de 25% dos profissionais realizam esse tipo de 
trabalho). As atividades em escolas e indústrias ficam em torno dos 15% restantes, 
aproximadamente. 
Figura 1. Distribuição de percentagens aproximadas das ocupações atuais principais dos 
psicólogos formados por três universidades da cidade de São Riulo, pelos campos de atuação 
dos profissionais, em 1969 (Fonte: Mello, 1975). 
a Sedes 
ÕUSP 
\u2022 São Bento 
CLIN ENS ESC IND 
Ao examinar essas ocupações, Mello ainda observa que a quase totalidade 
das ocupações em clínica se distribuem indicando que os psicólogos atuam, 
preferencialmente, como profissionais au tônomos , sendo a clínica particular a 
expressão mais concreta dessa preferência por tipo de trabalho dos profissionais 
172 Escritos sobre a profissão de psicólogo no Brasil 
da Psicologia. A autora explica "chamamos preferencial a atividade autônoma 
porque foi possível constatar uma evasão de todas as atividades assalariadas em 
benefício das atividades autônomas" (Mello, 1975, p 44) 
Os dados apresentados por Sylvia Leser de Mello e sua análise 
revelam (ou denunciam) uma tendência no tipo de serviço que os psicólogos 
preferencialmente oferecem à comunidade. O trabalho de MeUo mostra, em 
linhas gerais, do que se ocupam os psicólogos formados por três grandes 
universidades paulistas. A partir disso é útil examinar quem ele atende nessas 
ocupações preferenciais e tende a atender cada vez mais. 
O Boletim Informativo do Sindicato dos Psicólogos de São Paulo, em 
uma publicação