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EN SIN A N D O O B S E R V A Ç Ã O
CIP - Brasil. Catalogação-na-Fonte 
Câmara Brasileira do Livro, SP
Danna, Marilda Fernandes.
D194e Ensinando observaçao : uma introdução / Marilda
Fernandes Danna, Maria Amelia Matos ; revisão 
técnica Antonio Jayro da Fonseca Motta Fagundes.
— São Paulo : KDICOX, 198 2.
(.Coieçao observaçao de comporta­
mento ; 2)
Bibliograf ia.
"Um livro didático para ensinar registro 
continuo, class ificaçao e definição de 
comportamento".
1. Comportamento humano 2. Observaçao (Psicologia) 
I. Matos, Maria Amélia. II. Título.
81-1127 CDD-150
índices para catálogo sistemático:
1. Comportamento : Observaçao : Psicologia 150
2. Comportamento humano : Psicologia 150
3. Observaçao comportamental : Psicologia 150
4. Psicologia do comportamento 150
ENSINANDO OBSERVAÇÃO-:
UMA INTRODUÇÃO
Marilda Fernandes Danna
Mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo 
Prof* do Instituto Metodista de Ensino Superior
Ma ria Amél ia Matos
Ph. D. pela Columbia University
Prof* do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
Revisão técnica
Antônio Jayro da Fonseca Mota Fagundes
Mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo
Prof, das Faculdades “Farias Brito”
Um livro didático para ensinar registro contínuo, 
classificação e definição de comportamento
EDSCON
1982
C o o rd en ação editorial 
Valentina Ljubtschenko
C a p a e fotografia
Antônio Jayro da Fonseca Motta Fagundes
(As fotos 11.7 e 11.8 são de Aristides de A.C. Neto)
A rte
Vanderlei Rotta Gomide
Foto lito
Artes Filmes Fotolito 
R. M. Fotolito
Im pressão
U N 1 C O P — União de Copiadoras
Os direitos desta obra estão reservados. A sua p ro au çao parcial ou total, 
sem consentim ento da ed itora , sujeita os in fratores, de acordo com a Lei 
6.895 de 17 /12 /80 , à reclusão de 1 a 4 anos e m ulta de 10 a 50 mil cruzei-
ED ICON — Editora e Consultoria Ltda.
Av. Paulista, 2073, Horsa 1, conj. 907, fone 2HV 7477 
CEP 01311 - São Paulo — SP 
Impresso no fírasil — Printed in B razil
Ref.: 8.202
Coleção “Observação de Comportamento ” -
Coordenador
Antônio Jayro da Fonseca Motta Fagundes
Su mano
Prefácio _______ 15
Apresentação
Rachel Rodrigues K erbauy______ 17
Introdução _______ 21
UNIDADE 1
A NECESSIDADE DA OBSERVAÇÃO EM CIÊNCIA
Texto: Por que um curso de observação? ______ 28
(O uso da observação na coleta de dados; a 
importância dos objetivos na observação; 
características da observação científica.)
Questões de estudo____ __ 31
UNIDADE 2
A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM CIENTÍFICA
Texto: A linguagem científica............ 34
(Linguagem científica e linguagem coloquial; 
características da linguagem científica; termos e 
expressões a serem evitados.)
Questões e exercício de esíuâo 41
9
UNIDADE 3
A SITUAÇÃO DE OBSERVAÇÃO - I
Texto: O protocolo de observação______ 44
(A necessidade de descrever as condições em que 
o comportamento ocorre; a descrição do sujeito 
observado; o relato do ambiente físico e social; a 
diagramação do ambiente; sistema notacional 
adotado no diagrama.)
Questões e exercício de estudo______ 48
UNIDADE 4
A SITUAÇÃO DE OBSERVAÇÃO - II
Texto: o relato das condições em que a observação ocorre
(Critérios para uma descrição adequada.)______ 50
Exercício de estudo, fazendo uso de fotografias_______52
Atividade prática: Descrição do sujeito, do ambiente físico
e do ambiente soc ia l______ 54
UNIDADE 5
O REGISTRO DO COMPORTAMENTO - I
Texto: A técnica de registro continuo______ 58
(Observação e registro; quando usar o registro 
contínuo; a escolha dos comportamentos a serem 
registrados; a sistemática de registro.)
Questões de e studo______ 64
Atividade prática: Registro de comportamentos 
motores ______ 64
l o
U N ID A D E 6
O REGISTRO DO COMPORTAMENTO - II
Texto: O registro das expressões faciais---------- 70
(O olhar e a fisionomia; as dificuldades do registro 
das expressões faciais.)
Exercício de estudo, fazendo uso de fotografias---------- 72
Atividade prática: Registro de comportamentos motores e 
expressões faciais_______ 74
UNIDADE. 7
OS EVENTOS AMBIENTAIS EM QUE O 
COMPORTAMENTO SE INSERE - I
Texto: Eventos físicos e sociais______ 80
(Às mudanças no ambiente físico e social; eventos 
ambientais antecedentes e conseqüentes; as relações 
entre o comportamento e os eventos ambientais.)
Questões e exercício de estudo______ 85
UNIDADE 8
OS EVENTOS AMBIENTAIS EM QUE O 
COMPORTAMENTO SE INSERE - II
A tividade prática: Registro de eventos comportamentais e 
ambientais e análise destes registros---------- 88
11
A DEFINIÇÃO CIENTÍFICA
Texto: A definição de eventos compor lamentais e
am bientais_______ 100
(A importância de definição para a comunidade 
científica; a objetividade e clareza na definição; a 
definição direta e afirmativa; explicitação e 
enumeração completa; pertinência; exercícios de 
análise de definições.)
Questões de estudo______ 107
UNIDADE 10
DEFINIÇÕES MORFOLÓGICAS E FUNCIONAIS DO 
COMPORTAMENTO - I
Texto: As maneiras de se definir um 
comportamento______ 1 io
(A identificação de características morfológicas e 
funcionais; o que determina o tipo de definição a ser 
empregado; exercício de análise de definições.)
Questões de estudo______ 114
UNIDADE 11
DEFINIÇÕES MORFOLÓGICAS E FUNCIONAIS DO 
COMPORTAMENTO - II
Texto: Morfologia e função do 
com portam ento______ H6
(A descrição de aspectos morfológicos do 
comportamento; a descrição de aspectos funcionais 
do comportamento; exercício análise de definições.)
UNIDADE 9
12
U N ID A D E 12
O PROBLEMA DA CLASSIFICAÇÃO DE 
COMPORTAMENTOS - I
Texto: Agrupamento dos comportamentos em
classes______ 132
(A importância da classificação; critérios 
morfológicos e critérios funcionais; a intersecção de 
critérios; a escolha do critério e o objetivo de trabalho 
do observador; a amplitude do agrupamento e o grau 
de especificidade dos critérios adotados; algumas 
regras para o agrupamento dos comportamentos 
observados.)
Exercício de estudo, fazendo uso de 
fotografias---------- 140
UNIDADE 13
O PROBLEMA DA CLASSIFICAÇÃO DE 
COMPORTAMENTOS - II
Texto: A definição de classes de 
comportamento_______150
(Características da defmição de uma classe 
comportamental; o problema da unidade de análise; 
como denominar uma classe.)
Exercício de estudo_______ 154
Referências bibliográficas ---------- 157
13
Prefácio
Em 1976, três colegas do Curso de Pós-gradução do Instituto de Psicologia 
dii Universidade de São Paulo reuniam-se sistematicamente para discutir 
problemas ligados à pratica do método observacional, como instrumento de 
coleta de dados em Psicologia. Cecilia estava interessada em desenvolver um 
msicma de treinamento para pais que possibilitasse a prevenção de problemas 
comportamentais cotidianos que, se acumulados, podem representar uma crise. 
I*nra isso se propunha observar o cotidiano de uma familia. especificamente, a 
interação de pais e filhos. Jaíde, as voltas com seu Doutoramento, estava 
preocupada em analisar seqüências comportamentais apresentadas por 
retardados profundos institucionalizados, análise esta que possibilitasse a 
identificação das condições próximas e distantes, que antecedem ou sucedem ao 
comportamento. Para estabelecer relações funcionais desta ordem, pretendia 
observar os sujeitos nas diversas situações existentes na instituição. Marilda 
estava preocupada com a formação do aluno de Psicologia. Considerava que a 
observação é um dos principais instrumentos de trabalho que o psicólogo dispõe e 
que o aluno deveria ser ensinado a utilizar adequadamente este instrumento.
O resultado dessas discussões foi o estabelecimento de uma seqüência de 
objetivos comportamentaisrelativos à atividade de um observador que atuasse 
i oi mo auxiliar em uma pesquisa observacional. A partir daí. o grupo se desfez e 
ciula integrante prosseguiu seu trabalho, no sentido que lhe era próprio e 
necessário. Jaide aplicou o program a de treinamento de observadores que tinha 
sido elaborado, e iniciou suas próprias observações. Cecília produziu um catálogo 
dos comportamentos emitidos em situação natural1. Marilda elaborou um curso 
introdutório de observação de comportamento, destinado a estudantes de 
Psicologia. A análise do material elaborado, bem como dos resultados obtidos 
com a aplicação desse curso foi feita, e serviu como seu tema da dissertação de 
mestrado2.
I ( ccilia G. Batista. Catálogo de comportamentos motores obser\'ados durante uma 
situação de refeição. Dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Psicologia 
d« Universidade de São Paulo. São Paulo, 1978.
M.iiilda F. Danna. Ensinando observação: análise e avaliação. Dissertação de 
Mcstiado apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. São 
Paulo. 1978.
15
Estimuladas pelos membros da banca examinadora e premidas pelas 
solicitações de colegas, orientanda e orientadora se dispuseram a retomar o 
trabalho e adaptá-lo para ser publicado como livro. Desde sua primeira aplicação,
o curso original passou por sucessivas reformulações e vem sendo aplicado, de 
forma regular, aos alunos de Psicologia do Instituto Metodista de Ensino Superior, 
em Sào Bernardo do Campo. O que aqui se apresenta é fruto de uma revisão dos 
procedimentos e materiais de ensino assim produzidos. Conservou-se a estrutura 
básica do curso original; as modificações dizem respeito principalmente ao 
material utilizado - textos e audiovisuais - bem como à elaboração de um 
Manual do Professor, que brevemente também será editado.
A publicação deste livro representa uma tentativa de contribuir para o 
ensino da observação de comportamento de forma sistemática. Embora a obra se 
destine, em princípio, a estudantes de Psicologia, seu uso pode ser estendido a 
outros estudantes e profissionais que necessitem de semelhante treino, uma vez 
que o curso independe de conhecimentos anteriores específicos.
M. A. M.
Apresentação
A maneira de ensinar alunos, seja quanto ao conteúdo ou à forma, vem 
sendo analisada há séculos e pesquisada mais sistematicamente nas últimas 
décadas. Pontos extremos e médios nesse continuum permitem posições diversas.
11á aqueles que duvidam até mesmo da possibilidade de ensinar um professor a 
ensinar, pois isto é uma arte, e há aqueles que defendem uma programação 
rigorosa de todas as situações de ensino. Além dessas posições, há os que nem 
mesmo se preocupam com discussões sobre como tornar o ensino mais eficiente, 
pois o professor não pode ensinar, mas, simplesmente, ajudar o estudante a 
aprender.
Em toda essa controvérsia, há pessoas que assumiram suas posições, como é 
d caso das autoras deste livro. Preocuparam-se com o comportamento de quem 
aprende e procuram planejar as condições para seu aprendizado.
Essa tom ada de posição é decorrente do trabalho que ambas desenvolvem 
lanto em Psicologia, como em Educação. Ambas ensinam. Ambas têm um 
referencial teórico comum.
Neste livro, encontramo-nos diante de uma fase do processo de ensinar que 
ilrve ser reforçador para ambas. De um trabalho de mestrado de Marilda 
I n ii andes Danna, no qual se percebia a contribuição significativa do orientador, 
da sugestão da banca examinadora, da qual fazíamos parte, de que efetuassem 
modificações na tese para transformá-la em livro, surgiu um trabalho novo. 
Possivelmente, o resultado desse trabalho, como se apresenta hoje, é um reforço 
paia a aluna que passa a trabalhar com sua orientadora em co-autoria.
Maria Amélia Matos tem se destacado por sua atuação em congressos, 
conferências, sociedades científicas em geral e na Universidade de São Paulo 
como professora de Psicologia Experimental, tanto a nível de graduação, como de 
pós graduação. Nesse trabalho didático, os reforçadores adicionais à professora 
são poucos: fica apenas a gratidão e a admiração de seus orientandos e a 
aprendizagem que ocorre, após a orientação segura, da qual a tese é produto final, 
r possivelmente, a satisfação de formar pessoas que atuem proficuamente em sua 
éiea de pesquisa. É portanto reconfortante verificarmos que esse livro traz a 
t olaltoração tanto da orientanda como de sua orientadora, podendo ser um 
lefoiçador adicional não cogitado: a passagem por diversas etapas de trabalho, 
obrigando novas formas de relacionamento e a satisfação de ter um livro 
publicado.
I importante, pois, que um trabalho que tem como objetivo ensinar alunos a 
coletar dados sobre o comportamento em situação ambiental, seja feito por
17
professores de Psicologia que atuem na Universidade. Que o resultado seja fruto 
da experiência, conhecimento e análise de dados, de pessoas que amadureceram 
mais ainda, trabalhando. É obra ímpar, porque foi iniciada como pesquisa no 
trabalho de dar aulas e pela maneira de apresentar o conteúdo para estudantes de 
Psicologia.
As autoras planejam seu material instrucional. Modelam o comportamento do 
estudante e, progressivamente, introduzem conceitos. As perguntas possíveis do 
aluno são apresentadas nos primeiros capítulos: por que um curso de observação e 
quais as características da observação científica que tornam necessário um 
treinamento. Aos poucos o aluno vai sendo conduzido, não só a entender as 
diversas maneiras de ver um fato, como as diferentes maneiras de definir o 
comportamento e a necessidade de definir claramente os objetivos, para que possa 
observar os fatos relevantes para determinada situação. Os exemplos, no decorrer 
do livro, vão tornando claro porque existe um sistema de notação mais adequado, 
com convenções que facilitam a anotação de dados, bem como da possibilidade 
do aluno criar um sistema próprio de observação e de símbolos.
Notamos o cuidado na programação do material e percebemos como o 
mesmo decorre da experiência analisada, quando verificamos os locais em que 
várias informações aparecem. De fato, estas encontram-se exatamente onde 
perguntas poderiam ser formuladas pelo leitor. Há ainda os exemplos, o material 
de observação e as ilustrações, que abrangem desde o ambiente de interação da 
mãe e da criança em sua saía de estar, até uma pessoa patinando. Cada material 
está adequado ao que se pretende ensinar a observar naquele momento. Se vamos 
aprender a observar expressões faciais, são apresentados rostos de menina, 
menino, homem e mulher, e respostas simples, como levantar a mão, são 
escolhidas para rediscutir o problema da definição do comportamento.
Importante ainda foi a variação de situações, todas diferentes, e as várias 
tarefas nos exercícios de estudo, desde erros a corrigir e coleta de dados diante de 
projeções, até identificação de eventos. Existe a dificuldade crescente das tarefas 
propostas, mas tomou-se cuidado para que comportamentos e conceitos 
necessários para a execução de tarefas novas já fossem dominados pelo 
estudante. Ele vai se assegurando de sua maestria através das questões de estudo 
que facilitam sua aprendizagem, servindo quer como roteiro, quer como avaliação 
do que aprendeu e, para assegurar-se a eficácia de seu trabalno, há ainda 
exercícios de avaliação.
O livro é um trabalho que entusiasma, pois leva o leitor a percorrer os 
caminhos propostos. Ao profissional experiente e conhecedor do assunto serve 
como modelo de trabalho, obrigando-o a perceber as opções das autoras na 
maneira de programar seu material. Destaca-se aí a preocupação com a 
demonstração da relevância da observação nas várias áreas de atuação do 
psicólogo. Nos exemplos sobre a observação do comportamento do agricultor ou 
do pedreiro pode existir uma amostra de como o trabalho dos psicólogospode se 
estender. Há ainda a surpresa de verificar que o aluno chega em seu trabalho, 
através do livro, até classes de comportamentos.
Ao aluno, é um guia seguro para trabalhar independentemente de seu 
referencial teórico. Ele fará algo e prosseguirá em seu trabalho. A ele é dada a 
certeza de que as cousas que faz são relevantes para sua aprendizagem* Ele 
mesmo poderá ir se avaliando através dos exercícios e verificações apresentadas. 
Contingente a seu trabalho, obtém os reforçadores: dominou aquele assunto,
18
poderá seguir sem dificuldade a tarefa seguinte e, no final do livro, sintetizará suas 
observações em classes de comportamentos de acordo com sua função ou 
morfologia. Mais importante ainda: poderá iniciar suas próprias observações; 
•iíiberá fazê-lo.
Resta ainda uma palavra: a bibliografia citada é geralmente de autores 
brasileiros. E o livro em si, como foi realizado, pode servir como modelo de uma 
maneira de produzir material relevante, decorrente do trabalho em cursos.
I usinar passará a ser uma maneira do professor produzir material que será 
avaliado por seus próprios alunos, podendo atingir mais adequadamente o 
estudante e propiciar ao professor novos reforçadores para seu desempenho. A 
educação começará a ter o lugar que merece. A sala de aula será o laboratório e a 
função do professor, como transmissor de saber e de cultura, poderá ter a 
dignidade perdida.
Este livro pode ser o início de um belo caminho para todos nós, por isso 
agradeço às autoras por o estarem publicando e permitirem que apresente os 
trabalhos de uma antiga aluna de graduação, muito querida, e de uma colega, a 
quem respeitamos.
Rachel Rodrigues Kerbauy 
Prof? do Instituto de Psicologia 
da Universidade de Sao Paulo
A necessidade da observação do comportamento humano e um fato 
icconhecido pelo psicólogo. A observação está envolvida, de forma direta ou 
indireta, em todas as atividades profissionais por ele executadas. Ao fazer uma 
mtrevista, ao aplicar um teste, ao fazer uma dramatização, durante um 
treinamento, o psicólogo está continuamente fazendo uso de observação.
Entretanto, embora todos admitam sua importância, a ênfase dada aos 
procedimentos de observação e o nível de exigência nos registros variam, em 
limção do enfoque teórico do psicólogo. Os psicólogos comportamentais. em 
geral, são bastante rigorosos com relação aos procedimentos de observação e 
tegistro. Estes psicólogos preferem a observação sistematica aos testes, e a 
consideram como um dos principais instrumentos de coleta de dados acerca do 
comportamento e da situação ambiental. Esta preferência pode ser vista no 
liiibalho desenvolvido por Mejias (1973), em situação escolar, e nas descrições 
sobre o uso da observação, em programas de modificação de comportamento. 
Iritas por Windholz (1975) e por Jacquemin e Alves (1976).
Nos últimos anos, sob influência da Etologia. vem ocorrendo um interesse 
cirsccnte pela pesquisa observacional do comportamento humano. Como 
rxnnpio podemos citar os estudos de McGrew (1972), aqueles relatados por Hutt 
f llu tt (1974), e Blurton Jones (1972).
No Brasil, já é grande o número de estudos observacionais do 
comportamento em situação natural. Entre eles destacamos os trabalhos que 
localizam a interação mãe-criança (Solitto, 1972; Alves. 1973; Batista, 1978); a 
interação criança-criança (Carvalho, 1977 e 1978; Ferreira. 1978a; Vieira, 1979-, 
r Hranco e Mettel, 1980); a interação professor-aluno (Barreiro e Alves. 1979a e
I 79b; Simonassi e Mettel, 1980); os comportamentos do aluno em sala de aula 
(Marturano, 1978 e 1979; Rodrigues, 1979); o brinquedo, a exploração e o jogo 
(Mettel e Branco, 1978; Vieira, 1978); e as condições e comportamentos em
I I eches (Secaf e Ferreira, 1980; Borges e Mettel, 1980). Além destes, destacamos 
Himla os trabalhos sobre interação verbal mãe-criança realizados por Marturano 
(1975, 1976 e 1977). Stella (1976) e Prorok e Silva (1979), em condições naturais
r de laboratório; e os estudos experimentais de Ferreira (1978b), Secaf e Ferreira 
(1978) sobre a reação da mãe e da criança em episódios estruturados de 
icparação. R E G .í 8 9 . oG j- / * /
O reconhecimento da importância da observação é evidenciado pelo fato de 
que cursos de observação do comportamento vêm sendo incluídos no currículo de
21
Psicologia, quer como disciplinas autônomas, quer como parte do programa de 
outras disciplinas, em geral em Psicologia Experimental, Psicologia do 
Desenvolvimento e Psicologia Social.
A existência desses cursos, entretanto, traz algumas dificuldades àqueles que 
se propõem a ministrá-los. A primeira, relaciona-se à definição dos objetivos e 
program a da disciplina. A escolha de objetivos para um curso de observação, 
ministrado ao nível de graduação em Psicologia, devido a diversidade de 
finalidades a que a observação atende e a variedade de problemas envolvidos com 
a sua utilização, torna-se uma decisão arbitrária. As possibilidades de conteúdo 
são muitas e vão desde a discussão dos enfoques observacionais, dos problemas 
relativos ao uso da observação, da seleção dos eventos observados, da 
interferência do observador na situação, da ética da observação, das técnicas de 
registro utilizadas, da fidedignidade dos registros, do estabelecimento de 
categorias comportamentais, etc., até o planejamento e execução de um estudo 
observacional.
A segunda dificuldade advém do fato de inexistirem textos de apoio que 
forneçam dicas acerca de como proceder na situação de observação, isto é, textos 
que ensinem o aluno a observar1. E a terceira, é a dificuldade que o professor 
encontra para avaliar e acompanhar o desempenho do aluno durante seu 
treinamento em observação.
Frente à necessidade de planejar um curso de observação, e cientes destas 
dificuldades, partimos para a busca de soluções. A proposta de curso que 
apresentamos neste livro é uma entre as muitas possíveis, e foi tom ada tendo em 
vista a população à qual desejamos atingir: psicólogos em formação, que ainda 
não se definiram por uma orientação teórica de trabalho.
O curso é introdutório e pretende ajudar a desenvolver algumas habilidades 
básicas que sirvam tanto ao futuro pesquisador, que se proponha a conduzir um 
estudo observacional, como ao futuro profissional, que pretenda utilizar a 
observação sistemática em seu trabalho. Embora saibamos que muitas 
orientações trabalham de forma diferente, consideramos que o treinamento em 
observação e registro de eventos será útil ao aluno, uma vez que o levará a atentar 
para as particularidades do comportamento e as circunstâncias em que ele ocorre, 
coisas que são importantes independente do tipo de orientação teórica abraçada.
Ao definir os objetivos terminais do curso, consideramos como fundamental 
a utilização da linguagem objetivauos relatos observacionais. O uso da linguagem 
objetiva elimina a confusão com relação a interpretação dos eventos observados 
e, segundo Ferster, Culbertson e Boren (1977), permitiria a comunicação das 
descobertas realizadas por profissionais de diferentes orientações teóricas.
Outras habilidades consideradas básicas foram: a identificação das 
condições em que os comportamentos ocorrem e a classificação e definição dos 
comportamentos observados. A descrição das condições em que os 
comportamentos ocorrem tem se mostrado relevante para o estabelecimento de 
hipóteses explicativas do comportamento. A identificação das condições envolve
1. É para tentar sanar esta dificuldade que está surgindo a “Coleção Observação de 
Comportamento”, que já tem dois volumes publicados. O lç c: Antônio Jayro F. M. 
Fagundes. Descrição, definição e registro de comportamento. Sào Paulo: EDICON, 
1981. O 2° volume desta coleção é o presente livro.
â descrição do sujeito, a especificação do iocal onde o organismo se encontra, e as 
mudanças no ambiente imediatoque ocorrem durante a permanência do 
Bfganismo na situação, isto é, os eventos antecedentes e conseqüentes ao seu 
nmipoi Lamento.
Por outro lado, o mero registro dos comportamentos em linguagem objetiva 
hAo basta. Num a etapa posterior, é necessário que o observador identifique as 
« m acterísticas comuns existentes entre os comportamentos observados, 
c iflssifique-os e descreva os criíérios utilizados na classificação. Do mesmo modo, 
a definição dos critérios permite a comunicação e a repetição, por outros 
observadores, dos registros efetuados. Duas são as formas de classificação 
almidadas no livro, uma se refere à morfologia, ou melhor, à postura e padrão do 
movimento apresentado; outra se refere à função, ou melhor, ao efeito que o 
comportamento produz no ambiente. A escolha de uma ou outra vai depender dos 
objetivos da própria observação.
Outra opção, feita ao planejar o curso proposto, foi com relação à técnica de 
registro a ser ensinada. Escolheu-se a técnica de registro continuo porque a mesma 
independe de conhecimento anterior da situação a ser observada, permite manter 
a linguagem própria do aluno e, conseqüentemente, pode ser utilizada em 
qualquer fase do trabalho. Além disso, a técnica de registro contínuo fornece 
informações não só com relação ao tipo de evento observado, mas com relação à 
sim seqüência temporal e freqüência.
O curso visa quatro objetivos e é composto por treze unidades de ensino. As 
unidades estão relacionadas a um objetivo ou mais. A tabela, apresentada a 
iFguir, mostra os objetivos terminais do curso e as unidades em que são 
desenvolvidos.
Objetivos terminais e unidades correspondentes
Objetivo terminal Unidade
Observar e descrever o sujeito, o ambiente físico e o 
ambiente social, utilizando linguagem científica; 2-3-4
Observar e registrar os eventos comportamentais e 
ambientais, utilizando linguagem científica; 2-5-6-7-8
Identificar os eventos antecedentes e conseqüentes 
ao comportamento; 7-8
Definir classes de comportamento pela morfologia 
e/ou pela função. 9-10-11-12-13
Devido á escassez de publicações sobre como observar e registrar, tivemos 
quF escrever os textos destinados ao curso. Os textos descrevem, justificam e 
exemplificam as etapas do trabalho de observação, sendo completados por 
eifieicios e instruções para as atividades práticas de observação e registro. Os 
t#stos estão relacionados aos objetivos da unidade, mas, se necessário, poderão 
mm utilizados isoladamente por professores, procurando extrair material e 
sugestões para cursos de observação.
23
Para poder acom panhar e avaliar o desempenho dos alunos nas atividades 
de observação e registro, sem a necessidade de fazer uso de atividades de campo, 
recorremos a recursos audiovisuais. Audiovisuais, tais como o videoteipe, têm 
sido utilizados para o treinamento de observadores (Blumberg, 1971; Nay e 
Kerhoff, 1974; Jenkins, Nadler, Lawler e Cammann, 1975). A utilização de 
videoteipe ou de filme para o treinamento é vantajosa na medida em que: 
a) permite selecionar os comportamentos e ambientes a serem apresentados e 
graduar suas dificuldades; b) possibilita avaliar com precisão a execução dos 
observadores, uma vez que facilita a comparação entre os registros efetuados e 
eventos observados; e c) permite a interrupção e repetição das cenas. A 
interrupção da cena, por sua vez, possibilita o feedback imediato ao desempenho 
do observador, enquanto que a repetição facilita a análise das dificuldades.
Um dos recursos audiovisuais utilizados foi o filme. Foram produzidos três 
filmes super 8, destinados às atividades práticas de observação e registro das 
unidades 4, 5, 6 e 8. O primeiro filme focaliza o ambiente físico onde a ação se 
desenvolverá e, posteriormente, os comportamentos motores apresentados por 
uma criança num parque infantil. O segundo, enfoca as expressões faciais e ações 
motoras de uma pessoa numa situação de espera; e o terceiro, o ambiente físico e 
social e as interações entre uma pessoa e seu ambiente. Convém esclarecer que 
embora os filmes façam parte do material do curso, o mesmo poderá ser 
ministrado independentemente destes.
Outro material audiovisual utilizado é a fotografia. Fotografias aparecem 
corno recurso tanto para a descrição do ambiente, como para a descrição de 
comportamentos, principalmente na classificação e definição de classes de 
comportamento.
O livro contém o material escrito referente às treze unidades de ensino. Uma 
ficha de apresentação antecede o material de cada unidade. A fich a de 
apresentação descreve os objetivos da unidade, o material contido no livro e as 
atividades propostas.
O material contido neste livro consiste, basicamente, em textos, questões e 
exercícios de estudo, instruções para as atividades práticas, protocolo de 
observação e folhas de análise.
As atividades propostas são: ler texto e/ou instrução, responder questões de 
estudo, resolver exercício de estudo, participar de discussão, observar e registrar, 
analisar os registros, responder questões ou resolver exercício de avaliação. Seria 
importante que, antes de ler qualquer texto de instrução, o aluno se familiarizasse 
com os objetivos descritos na ficha de apresentação da unidade respectiva. 
Igualmente, tem mostrado nossa experiência que, se o aluno executar as 
atividades indicadas nessa ficha, na ordem em que estão listadas, seu 
aproveitamento será maior, porque sua aprendizagem será cumulativa.
Os textos procuram fundamentar o trabalho a ser realizado. As instruções 
visam orientar o leitor com relação à atividade prática a ser desenvolvida. Elas 
descrevem o objetivo do trabalho a ser realizado, o material a ser utilizado, bem 
como fornecem informações sobre o preenchimento do protocolo de observação e 
folhas de análise. As questões de estudo pretendem levar o leitor a rever e analisar
o texto lido. Os exercícios de estudo tentam favorecer a aprendizagem. Eles 
consistem na análise de relatos de observação ou de definições, e na descrição de 
situações e comportamentos. As situações e comportamentos a serem descritos
24
existentes com relação ao material, assim como fornecer feedback aos 
i niiiportamentos apresentados nas atividades anteriormente realizadas.
As atividades de observação e registro, nas unidades 4, 5, 6 e 8, são feitas 
m orrendo-se a projeção de filmes. O professor poderá substituir os filmes por 
Outros recursos, tais como dram atização ou observação em situação natural.
I »cscrições detalhadas de como utilizar os filmes ou de como substituí-los são 
fornecidas no Manual do Professor. Ao realizar uma atividade prática, o 
observador deverá preencher o protocolo de observação, e no caso da Unidade 8, 
liimbém as folhas de análise.
UNIDADE 1
A N E C E S S ID A D E 
D A O B S E R V A Ç Ã O 
EM C IÊ N C IA
objetivos
A<> final da unidade, o leitor deverá ser capaz de verbalizar sobre:
• A observação com o um instrumento para a coleta de dados acerca do 
com portam ento e, da situação ambiental
• A importância da observação para o psicólogo
• As características da observação científica
• A necessidade de treinamento em observação
itvateriaE
• lexto: “Por que um curso de observação?”
• (Questões de estudo
«tívidades
• I rr o texto “Por que um curso de observação?”
• itfsponder as questões de estudo
• i*flrticipar de uma discussão sobre as questões de estudo
• Hraponder as questões de avaliação
27
Por que um curso de observação?
É a pergunta natural que surge no início do curso. Os alunos, em geral, estão 
interessados em saber em que medida o curso de observação contribuirá para 
sua formação profissional. Para responder a esta questão, é necessário analisar a 
importância do uso da observação na atividade profissional do psicólogo.
O psicólogo, quando atua corno cientista do comportamento, investiga,descreve e/ou aplica princípios e leis do comportamento. Quer na descoberta, 
quer na aplicação dos princípios e das leis, o psicólogo lida principalmente com 
informações a respeito do comportamento e das mudanças no ambiente físico e 
social que se relacionam àquele comportamento. Assim, poderíamos dizer que um 
psicólogo esrtá basicamente interessado em responder a duas questões gerais: O 
que os organismos fazem? Em que circunstâncias ou sob que condições 
ambientais?
Ao longo do desenvolvimento da Psicologia como ciência, a observação tem 
se m ostrado o instrumento mais satisfatório na coíeta dos dados que respondem 
àquelas duas questões. Por quê? [O .uso de informações obtidas através da 
observação parece colocar o cientista mais sob a influência do que acontece na 
realidade do que sob a influência de suposições, interpretações e preconceitos. 
Isto, é claro, possibilita uma melhor compreensão da natureza e ações
* transform adoras mais eficazes. Por exemplo, uma pessoa supõe que um fenômeno 
tem uma determinada causa; se a sua suposição se baseia em dados obtidos 
através da observação, provavelmente esta pessoa não só explicará, como poderá 
prever, produzir, interromper ou evitar o fenômeno como uma possibilidade de 
acerto maior do que quem usa outros recursos. Mas, não basta que esse indivíduo 
sozinho tenha observado o fenômeno para eíe ser tomado como real. E não há 
maiores méritos em fazer esr>e trabalho, se a sociedade não pode participar dele. O 
cientista que_registra e relata as suas observações, permite que outros possam 
repetir o que ele está fazendo. A ssim, seus procedimentos e conclusões podem ser 
criticados, aperfeiçoados e aplicados por outras pessoas. A observação é um 
instrumento de coleta de dados que permite a socialização e conseqüentemente a 
J avaliação do trabalho do cientista. Através da observação sistemática do 
; comportamento dos organismos, em situação natural ou de laboratório, os 
pesquisadores têm conseguido identificar algumas das relações existentes entre o 
comportamento e certas circunstâncias ambientais.
Por exemplo, o uso da observação tem permitido descobrir que o 
comportamento é influenciado pelas conseqüências que produz no ambiente; que
28
o§ modos pelos quais essas conseqüências se distribuem no tempo determinam 
«liirientes padrões de comportamento; que o comportamento pode ficar sob 
influencia de estímulos particulares do ambiente, em detrimento de outros.
A observação é utilizada para coletar dados 
acerca do comportamento e da situação 
ambiental.
Além disso, a observação é utilizada pelo psicólogo nas diferentes situações 
dr aplicação da Psicologia, tais como, clinica, escola e indústria. Na clínica o 
psicólogo recorre ã observação ao investigar, por exemplo, a queixa apresentada 
pelo cliente, isto é, para identificar o que vem a ser “ agressividade”, 
"nervosismo”, “dificuldades na aprendizagem”, “timidez”, “ciúmes” , etc; sua 
Ireqiiência, assim como as situações em que estes comportamentos ocorrem. Os 
psicólogos escolares recorrem à observação para identificar dificuldades de 
socialização, deficiências na aprendizagem, assim como deficiências no ensino 
ministrado ou mesmo no currículo da escola. O psicólogo industrial recorre à 
observação para identificar as necessidades de treinamento, a dinâmica dos 
gmpos de trabalho, para fazer análise de função, etc.
Baseado nessas observações, o psicólogo faz o diagnóstico preliminar da 
fiiiiiação-problema, isto é, identifica as deficiências existentes, identifica as 
^vnriáveis que afetam o comportamento e os recursos disponíveis no ambiente, 
t om estes elementos, ele é capaz de decidir quais são as técnicas e procedimentos 
(mais adequados para obter os resultados que pretende atingir.
A observação, entretanto, não se limita a estas duas fases iniciais. Ao 
liniroduzir modificações na situação, isto é, durante e após aplicação de um 
procedimento, o psicólogo utiliza a observação também para avaliar a eficácia 
fins técnicas e procedimentos empregados. O psicólogo clínico observa o 
desempenho de seu cliente; o psicólogo escolar, o desempenho de alunos e 
pioíessores; o psicólogo industrial, o desempenho dos funcionários para verificar 
a ocorrência ou não de alterações comportamentais. Através deste 
acompanhamento, o psicólogo tem condições de avaliar o grau de mudança na 
situação e, portanto, a eficácia de suas técnicas terapêuticas, dos programas de 
insino e treinamento utilizados.
V
Os dados coletados por observação são usados 
para diagnosticar a situação-problema, para 
escolher as técnicas e procedimentos a serem 
empregados e para avaliar a eficácia dessas 
técnicas e procedimentos.
Os dados coletados por observação referem-se aos comportamentos 
exibidos pelo sujeito: contatos físicos com objetos e pessoas, vocalizações e 
verbalizações, movimentações no espaço, expressões faciais, gestos, direções do 
olhar, posturas e posições do corpo, etc. Os dados referem-se também à situação 
ambiental, isto é, às características do meio físico e social em que o sujeito se 
encontra, bem como às mudanças que ocorrem no mesmo. *
29
O tipo de dado a ser coletado depende do objetivo para o qual a observação 
está sendo realizada. Se a observação tem por objetivo identificar o repertório de 
comportamento1 de um sujeito, o psicologo registrará todos os comportamentos 
que o sujeito apresenta durante a observação. (Naturalmente, que ao registrar 
todos os comportamentos do sujeito, o grau de precisão da observação torna-se 
menor do que quando o observador seleciona os comportamentos a serem 
registrados.) Se a observação tem por objetivo identificar as variáveis que 
interferem com um dado comportamento, o observador registrará toda vez que o 
com portam ento ocorrer, bem como as circunstâncias ambientais que 
antecederam e seguiram a esse comportamento. Por exemplo, registrará o local 
em que o sujeito se encontra, o que acontece neste local antes e depois da 
ocorrência do comportamento, bem como o comportamento de outras pessoas 
que estão presentes no local. Se o objetivo da observação é detectar a eficácia de 
um procedimento sobre um dado comportamento, o observador registrará o 
comportamento antes, durante e após a aplicação do procedimento, bem como as 
características de que se reveste a aplicação daquele procedimento.
O objetivo da observação determ ina quais serão 
% os dados a serem co le tados .
Neste ponto é necessário esclarecer que a observação a que nos referimos 
\ neste texto difere da observação casual que fazemos no nosso dia-a-dia. A 
observação científica a que nos referimos é uma observação sistemática e 
objetiva. f
f ** Entendemos que a observação é sistemática pelo fato de ser planejada e 
) conduzida em função de um objetivo anteriormente definido. Como já foi dito, a 
definição do objetivo ajuda o investigador a selecionar, entre as inúmeras 
possibilidades, aquelas características que transmitem a informação relevante. As 
^observações científicas são realizadas em condições explicitamente especificadas. 
Especificar as condições, ou melhor, planejar as observações, significa 
estabelecer:
• onde: em que local e situação a observação será realizada;
• quando: em que momentos ela será realizada;
(1 • quem: quais serão os sujeitos a serem observados;
• o que: que comportamentos e circunstâncias ambientais devem ser 
observados; e
® como: qual a técnica de observação e registro a ser utilizada.
(p ~ A objetividade na observação significa ater-se aos fatos efetivamente 
j observados. Fatos que sejam visíveis, audíveis, palpáveis, degustáveis, cheiráveis, 
enfim, perceptíveis pelos sentidos. Desta forma deixam-se de lado todas as 
impressões subjetivas e interpretações pessoais.
1. Repertório comportamental: conjunto de comportamentos de um organismo.
30A obser\'ação científica é um a obsen-ação 
sistem ática e objetiva.
Por que um curso de observação? - perguntamos. Tendo em vista que a 
observação científica é utilizada pelo psicólogo como um instrumento para coletar 
dados, e que a observação científica é uma observação sistemática e objetiva, que 
rrijuer a adoção de procedimentos específicos de coleta e de registro de dados,
i otisideramos de fundamental importância um curso que possibilite o treinamento 
ili alunos no uso deste instrumento.
O curso proposto tem por objetivo oferecer um treinamento em observação 
f registro do comportamento e das circunstâncias em que este comportamento 
ocorre. Um treinamento que atenda as exigências de sistematização e objetividade 
(ifi observação. Ao longo do curso discutiremos tambem alguns cuidados técnicos 
e cticos que o observador precisa e deve atender durante o seu trabalho.
I ) Por que considerar a observação um instrumento de trabalho para o
psicólogo?
í) Identifique quatro situações em que o psicólogo utiliza a observação. 
Pxemplifique.
3) Para que servem os dados coletados por observação?
4i (Juc tipo de dados são coletados por observação'?
Pm que medida o objetivo da observação se relaciona ao tipo de dado 
coletado?
ti) Quais são as características de uma observação científica?
1 ) 0 que é uma observação sistemática?
Bl () que é uma observação objetiva?
Ml Por que é importante um curso de observação?
10) Pxplique o objetivo deste curso.
P ara a tender as características de um a 
observação científica é necessário um treino 
específico.
UNIDADE 2
A IM P O R T Â N C IA D A 
L IN G U A G E M C IE N T ÍF IC A
ubjetivos
P ado um relato de observação, o leitor deverá ser capaz de:
• Identificar os trechos do relato que contrariam as características de uma 
linguagem científica
» Identificar as características da linguagem científica que estão sendo 
violadas em cada um desses trechos
material
• Icxto: “A linguagem científica”
• (Questões de estudo
• I xcrcício de estudo
atividades
• Irr o texto “ A linguagem científica”
• Hrsponder as questões de estudo
• Kr solver o exercício de estudo
• l*«rlicipar de uma discussão sobre as questões e/ou exercício de estudo
• Resolver o exercício de avaliação
I. ' r ' ■ \ ■ v v' o ■■ ■ 1 c. \J \--o \
i"'- ' ’ ■
A linguagem científica
A maioria das pessoas costuma observar ocorrências e relatá-las a outrem. 
Dependendo do objetivo a que servem, observação e relato de ocorrências podem 
ser feitos de diferentes maneiras. Para a ciência, cujo objetivo é predizer e 
controlar os eventos da natureza, um fato só adquire importância e significado "e 
t comunicado a outros através de urna linguagem que obedece a certas 
características. E é sobre as características da linguagem cientifica que irernc; 
falar neste texto.
A linguagem cientifica difere da que usamos em nossa vida diária, a 
linguagem coloquial, bem como da usada na literatura.
No exemplo a seguir, temos um trecho extraído da literatura. Quando você 
está lendo um romance, provavelmente encontra relatos de acontecimentos que 
fazem uso de uma linguagem semelhante a esta:
“ Deolindo Venta-Grande (era uma alcunha de bordo) saiu do Arsenal da 
Marinha e enfiou pela Rua de Bragança. Batiam três horas da tarde. Era a 
fina flor dos marujos e, de mais, levava um grande ar de felicidade nos olhos. 
A corveta dele voltou de uma longa viagem de instrução, e Deolindo veio à 
terra tão depressa alcançou licença. Os companheiros disseram-lhe, rindo:
- Ah, Venta-Grande! Que noite de almirante você vai passar! Ceia, viola e os 
braços de Genoveva. Colozinho de Genoveva . . . chamava-se Genoveva, 
caboclinha de vinte anos, esperta, olho negro e atrevido”. (M achado de 
Assis - Noite de almirante. Em Antologia escolar de contos brasileiros. Rio 
de Janeiro: Ed. de Ouro, 1969, p. 15.)
Analisemos o exemplo. Trata-se de um relato literário. Evidentemente o 
autor não pretende descrever apenas o que aconteceu realmente. Também não 
necessita fazê-lo da maneira mais fiel possivel. Lógico! O trabalho de um escritor 
não exige que o que ele conta seja constatado da mesma maneira pelos outros. Ele 
não quer demonstrar fatos. Sua tarefa é mais comunicar e produzir impressões 
sobre coisas que podem até não ter acontecido. O objetivo de um escritor permite, 
e até exige, que “dê asas à sua imaginação” .
Se o comportamento de Deolindo e os aspectos do ambiente que atuam 
sobre seu comportamento estivessem sendo descritos cientificamente, seria 
aproximadamente assim:
“ Deolindo é marujo. A corveta à qual serve encontra-se no porto, após uma 
viagem de 6 meses. Deolindo, 10 minutos após ter obtido licença, dirigiu-se á 
terra. Saia do Arsenal da Marinha e os companheiros disseram, sorrindo:
-A h! Venta-Grande! Que noite de almirante você vai passar! Ceia, viola e os 
braços de Genoveva. Colozinho de Genoveva . . .
Genoveva é cabocla, tem vinte anos e olhos pretos. Às três horas da tarde, 
Deolindo dirigiu-se à Rua de Bragança”.
O que parece logo “saltar aos olhos” é que o relato aproximadamente 
científico não tem poesia. Isto mesmo! Um relato científico não usa o recurso dá 0 
linguagem figurada, não recorre a interpretações, nem a impressões subjetivas.' * 
A objetividade é uma característica fundamental da linguagem científica^ 
Tentemos agora observar algumas mudanças sofridas pelo texto quando foi 
transformado em linguagem aproximadamente científica:
O apelido Venta-Grande bem como a informação que estava entre 
parênteses foram suprimidos. Trata-se de uma linguagem coloquial. Também 
loram suprimidos o termo batiam (referente às horas), e as frases: “Era a fina flor 
dos marujos e, de mais, levava um grande ar de felicidade nos olhos” . Excluiu-se, 
do mesmo modo, os termos esperta (referente a Genoveva) e atrevido (atributo 
para o olho de Genoveva). Tais mudanças excluem recursos de linguagem, os 
quais representam impressões subjetivas do autor e se referem a eventos ou 
características que não foram observados.
Observemos também que os termos longa (referente à viagem) e depressa 
(referente à saída de Deolindo para a terra), foram substituídos por medidas (6 
meses; 10 minutos). Uma linguagem científica não comporta termos como 
"longa” e “depressa”, os quais permitem várias interpretações a respeito do * 
tempo real.
A ordem de alguns trechos da descrição foi mudada. Num relato científico,^/ 
na maioria das vezes, a apresentação dos eventos na ordem em que ocorreram é f 
da maior importância. Já imaginou se você fosse descrever o comportamento da-/í 
abelha fazer mel e citasse as ações da abelha fora de ordem? E se isso acontecesse 
com um relato científico das ações envolvidas no preparo de um bolo?
Bom, voltemos às mudanças na estória do Deolindo. Embora seja uma 
linguagem coloquial e com figuras de estilo, a fala dos companheiros de Deolindo 
imo foi suprimida ou alterada. Por quê? Trata-se de uma reprodução do que 
rela mente foi dito. É a linguagem dos personagens, não do autor. Em alguns 
cusos, o cientista pode ter como objetivo descrever as características das 
inlnnções verbais entre pessoas. Poderá então usar transcrições no seu relato.
Não vamos agora esperar que todas as pessoas passem a usar uma 
linguagem científica. O que determina a adequação das características da 
linguagem é o objetivo. É óbvio que a estória do Deolindo, se fosse contada pelo 
rsn ilor de modo aproximadamente científico, não teria beleza. Seria um desastre!
!■ o que dizer de duas amigas que contassem as “novidades” daquela maneira?
Um escritor, um cientista e uma pessoa comum, pretendem influenciar seus 
ouvintes e leitores, de maneira diferentes. Portanto, usam linguagens com
• aiHcteristicas diferentes.
*
35
Psicólogos e cientistas do comportamento são 
pessoas comuns que usam linguagemcoloquial 
no seu dia-a-dia. M as na sua atividade 
profissional, quando estão interessados em 
descrever, explicar e alterar o comportamento 
devem usar uma linguagem científica.
CA RA CTERÍSTICA S DA LINGUAGEM C IEN TÍFIC A
Como já foi sugerido, a objetividade é a característica fundamental da j 
linguagem científica. Pela objetividade, o relato científico se distingue dos demais. ! 
Sem objetividade não teríamos bases sólidas para estudar um fenômeno; 
estaríamos estudando apenas a opinião das pessoas que supostamente estão 
.“descrevendo'' o fenômeno.
A linguagem objetiva busca eliminar todas as impressões pessoais e 
subjetivas que o observador possa ter, ou interpretações que ele possa dar acerca 
dos fatos.
Vimos anteriormente como seria o relato em linguagem objetiva da estória 
de Deolindo. Vejamos outro exemplo. São dadas, a seguir, duas descrições dos 
comportamentos apresentados por uma senhora dentro de um ônibus; a primeira 
é um relato não objetivo e a segunda é feita em linguagem objetiva.
Relato n° 1
1) s ’anda à procura de um lugar para 
se sentar.
2) Como não encontra, pára em 
frente ao primeiro banco, atrás do 
motorista. Tenta pedir um lugar 
aos passageiros que se encontram 
sentados naquele banco.
3) Como ninguém se incomoda, 
cansada, ela desiste.
Relato n9 2
1) Ônibus com todos os assentos 
ocupados. S dentro do ônibus, de 
pé, anda em direção à porta 
dianteira do ônibus.
2) Ônibus com todos os assentos 
ocupados. S parada em frente ao 
primeiro banco, atrás do motorista, 
de pé, vira a cabeça em direção aos 
passageiros que estão sentados no 
banco.
3) Ônibus com todos os assentos 
ocupados. S parada em frente ao 
primeiro banco atrás do motorista, 
de pé; passageiros do banco olham 
em direção à rua, S expira fundo e 
fecha os olhos.
Ao analisar os relatos verificamos que o termo “cansado '’ se refere a uma 
impressão do observador acerca do estado do sujeito, e que o mesmo foi 
eliminado e substituído, no segundo relato, pela descrição dos comportamentos 
exibidos pelo sujeito naquele momento, “expira fundo e fecha os olhos”. Foram 
também eliminadas, no segundo relato, as interpretações: “ à procura de 
um lugar para sentar” ; “como não encontra” ; “tenta pedir um lugar aos 
passageiros” ; “como ninguém se incomoda” e “ela desiste” .
A importância da objetividade na linguagem torna-se evidente quando sei’ 
comparam os dois relatos. No primeiro, as ações do sujeito são descritas de 
acordo com um determinado ponto de vista, que pode ou nao estar correto.
1. Nos relatos de observação é costume, para evitar a divulgação nos nomes, identificar, 
através de letras, as pessoas presentes na situação. A letra maiúscula 5 é, em geral, 
utilizada para designar o sujeito observado.
Possivelmente, se outro observador estivesse presente na situação, interpretaria as 
iições do sujeito de um modo diferente. O segundo relato elimina as divergências 
m ire os observadores, na medida em que descreve exatamente as ações que 
ocorrem.
Alguém poderia, entretanto, argumentar que a linguagem objetiva não 
fxprime com veracidade o que está ocorrendo, uma vez que elimina informações 
relevantes acerca do fenômeno, informações que dão sentido à ação. Neste caso 
responderíamos dizendo que uma descrição mais refinada, que inclua gestos, 
verbalizações, entonação de voz, expressões faciais etc., forneceria ao leitor a 
imagem requerida.
De uma maneira geral, os principais erros contra a objetividade que devem 
! ‘.ri evitados num relato são:
* UTILIZAR TERM OS QUE DESIGNEM ESTADOS SUBJETIVOS
Tais como “ cansada”, “triste”, “ alegre”, “nervosa” etc. Ao invés de utilizar 
in mos que exprimam uma impressão pessoal acerca do estado do sujeito, o 
observador deve descrever aquilo que observou, ou melhor, os indicadores 
t omportamentais de um estado subjetivo. Indicadores tais como, postura 
corporal, gestos e expressões exibidos pelo sujeito. Por exemplo, ao invés de 
registrar “S está alegre”, o observador registrará “S sorri” .
A IK IB U IR INTENÇÕES AO SUJEITO
Por exemplo: “ tenta pedir um lugar aos passageiros” , “a professora ia 
pegíir o apagador” etc.
Ao invés de interpretar as intenções do sujeito, o observador deve descrever 
j is ações observadas. Nos exemplos, ao invés de registrar “ tenta pedir um lugar 
aos passageiros”, o observador registrará “vira a cabeça em direção aos 
. passageiros” ; ao invés de registrar “ a professora ia pegar o apagador”, o 
nlr.ei vadar registrará “a professora estende a mão em direção ao apagador” .
1 ATM BUIR FIN A LID A D ES À AÇÃO OBSERVADAPor exemplo, “S fecha a porta porque venta”, “5 anda á procura de um iugm para sentar” etc.Ao invés de interpretar os motivos que levaram o sujeito a se comportar, o 
tíHsn vador deve descrever o comportamento e as circunstâncias em que ele. 
yefítuiir. Nos exemplos, em lugar de escrever “S fecha a porta porque venta”, o 
nHsn vador registrará “ S fecha a porta. Venta lá fora” ; ao invés de registrar “ S1 
amJn ii procura de um lugar para sentar”, o observador registrará “S anda em 
t}ÍFf(,iio à porta do ônibus à procura de um lugar para sentar, mas não é objetivo 
íllíf lo, uma vez que o sujeito pode fechar a porta por outros motivos, assim 
yonio a senhora do nosso exemplo, que pode ter andado para a frente do ônibus 
ptiique ia descer no próximo ponto, ou porque viu uma pessoa que lhe pareceu 
timhccida ou sem nenhuma finalidade especial.
Algumas vezes, ocorrem eventos os quais têm alguma relação entre si e 
íteontcecm um após o outro, de forma que o primeiro cria oportunidade para o 
§§|§utldo e assim sucessivamente. Um exemplo seria a situação onde alguém se
37
dirige a um armário, abre-o, retira um doce da lata que há dentro do armário e 
leva o doce à boca. Nesses casos, alguns relatos tendem a referir às últimas ações 
como uma finalidade em função da qual ocorrem as a^ões iniciais. “ Abriu o 
armário para comer doce” . Uma linguagem científica prescinde de atribuir 
intenções às pessoas que estão sendo observadas. O correto seria relatar os 
eventos na ordem em que ocorrem, evitando termos que indicam atribuição de 
finalidade - “ abnu o armário para comer doce” - ou de causalidade - ‘'porque 
estava com fome” .
Um relato objetivo evita: 
a) utilizar termos que designem estados 
subjetivos;
b) interpretar as intenções do sujeito; e
c) interpretar as finalidades da ação.
Outro aspecto que caracteriza um relato científico é o uso de uma linguagem 
clara e precisa. Uma linguagem é considerada clara e precisa quando: a) obedece 
os critérios de estrutura gramatical do idioma; b) usa termos cujo significado, 
para a comunidade que terá contato com o relato, não é ambíguo: isto é, as 
palavras usadas são freqüentemente aceitas na comunidade como referentes a 
certos fenômenos e eventos e não a outros; c) indica as propriedades definidoras 
dos termos, fornecendo referências quantitativas e empíricas, sempre que: o relato 
pode ser usado por comunidades diferentes (cientistas e/ou leigos de diferentes 
áreas de conhecimento, grupos social, econômica e culturalmente diferentes) ou 
quando, mesmo para uma comunidade restrita, os termos sem a indicação dos 
referenciais podem ser relacionados pelo leitor a eventos de diferentes naturezas e 
magnitudes. Por exemplo, termos como “ longe”, “imediato”, “ rápido” , “ alto” 
etc., que dizem respeito a aspectos mensuráveis da natureza (distância, latência, 
velocidade, freqüência etc.) devem em geral estar acompanhados da indicação da 
amplitude de valores à qual se referem.
Se retomarmos a leitura do trecho literário que fala a respeito do 
personagem Deolindo, poderemos verificar que, diferentemente do relato 
científico, a linguagem literária não necessita obedecer rigorosamente à exigência 
de clareza e precisão. Assim, não é de surpreender queo autor se sinta 
inteiramente à vontade para dizer sobre Deolindo: . . .“ levava um grande ar de 
felicidade nos olhos” . . . “veio à terra tão depressa alcançou licença” . . .
Um cientista teria que explicitar o que observou nos olhos de Deolindo e qu< 
tomou como indicador de felicidade; seria uma mudança no brilho? em quantí 
mudou? seria nos movimentos palpebrares? ou seria no tam anho da pupila? C 
que quer que fosse, deveria ser descrito com precisão. A respeito de “vir à terr; 
tão depressa alcançou a licença”, o que quer dizer a palavra depressa? Quanto 
tempo exatamente transcorreu entre a licença e a saída?
Para ser considerado claro e preciso, um relato deve responder previamente 
a essas interrogações.
Vejamos outro exemplo. A seguir, são apresentados dois relatos de uma 
mesma cena. O primeiro relato (n9 3) é claro e preciso, e no ouíro (n9 4) 
cometeram-se erros com relação à clareza e precisão.
________________
lielato n9 3 Relato n? 4
I ) Sobre o tapete, a meio metro da 
mesa de centro, está uma bola 
Vermelha de 5 cm de diâmetro.
,') Um menino, de aproximadamente 
quatro anos de idade, anda em 
direção à bola.
I ) 1 >e Trente à bola, o menino agacha- 
sr e a pega.
•I ) I evanta-se. Permanece parado de 
pé, segurando a bola por 
aproximadamente 10 segundos.
5) Grita “ô”, “ô” e joga a bola em 
direção à porta, 
fi) Corre em direção à bola.
r p ; ■>!/■. /V" f t ' ) /
Ao analisar os dois relatos, verificamos que os termos ou expressões 
“movimenta-se” e “muda de postura” , utilizados no relato n9 4, não descrevem 
. laramcnte quais foram as ações observadas. E que os termos “bola pequena”, 
"i i imiça” e “ por algum tempo” carecem de um referencial físico de comparação, 
ou soja, falta-lhes precisão.
l’ara preencher os requisitos de clareza e precisão na linguagem, o 
observador deve evitar o uso de:
1) Sobre o tapete da sala está uma 
bola pequena.
2) Uma criança movimenta-se em 
direção à bola.
3) De frente à bola, a criança muda 
de postura e a pega.
4) Levanta-se. Por algum tempo 
permanece parado de pé, 
segurando a bola.
5) Grita: “ô”, “ ô” e joga a bola em 
direção à porta.
6) Movimenta-se em direção à bola.
rERM OS AMPLOS
Isto é, termos cujo significado inclui, uma série de ações. Por exemplo, 
“brincar” pode significar" "jogar bola”, “jogar peteca”, “nadar”, “pular corda”
i le ,
Lm lugar de utilizar termos amplos, o observador deve especificar os 
vomportamentos apresentados pelo sujeito. Ao invés de registrar “o menino 
Hriiu a com a bola”, o observador especificará cada uma das ações apresentadas 
pelo garoto, ou seja, “o menino anda em direção à bola, pega a bola, joga-a no 
fhão, chuta-a com o pé” etc. No exemplo dado anteriormente, deixará de registrar 
!‘a ci íança movimenta-se”, e indicará como o menino se movimenta, se ele anda, 
tuire, engatinha etc.; ao invés d e“S muda de postura”, o observador registrará a 
fmulunça de postura ocorrida, se ele se agacha, deita, ajoelha etc.
TERMOS IN D EFIN ID O S OU VAGOS
Isto é, termos que não identificam o objeto ou identificam parcialmente os 
atributos do objeto. Por exemplo, os termos “bola pequena”, “por algum tempo”, 
"criança”, empregados no relato n9 4.
Ao invés de utilizar termos indefinidos ou vagos, o observador deve 
eipecifícar o objeto ao qual a ação é dirigida, e fornecer os referenciais físicos 
utilizados para a descrição dos atributos do objeto; referenciais relativos a cor, 
tamanho, direção etc. Por exemplo, deixará de registrar “bola pequena”, e
fornecera o diâmetro da bola, ou anotara o referencial de com paração (bola 
menor do que as outras); ao inves de registrar "a criança jogou durante algum 
tempo", o observador anotara "um menino de aproximadamente 4 anos jogou 
futebol durante mais ou menos 30 minutos", isto e. ele especificara o sexo e a 
idade da criança, a ação que ocorre e o tempo de duração da ação. Convém 
lembrar que se um termo tiver sido anteriormente definido, poderá ser empregado 
no registro. Por exemplo, se o observador especificar, no início do registro, que o 
termo “criança'1 se refere a um menino de aproximadamente 4 anos, poderá 
utilizar este termo posteriormente.
% TERM OS OU EXPRESSÕES AMBÍGUAS
Isto é, quando numa expressão, um termo pode ser referente tanto ao sujeito 
da frase quanto a seu complemento, o observador deve usar termos adicionais que 
indiquem precisamente a que ou^quem o termo se refere. Por exemplo: ao 
registrar “P amarra o sapato. Encosta na parede”, alguém poderia indagar : P 
encostou-se ou encostou o sapato à parede? Cuidado semelhante deve ser tomado 
quando se usam palavras que podem ter vários significados. Por exemplo, em 
algumas regiões do Brasil, se alguem registra: “A/ quebrou as cadeiras”, 
certamente se perguntará: quebrou moveis que servem de assento, ou fraturou os 
ossos ilíacos?
V
Num relato claro é preciso evitar:
a) termos amplos;
b) termos indefinidos ou vagos; e
c) termos ou expressões ambíguas.
Para facilitar o trabalho de registrar o comportamento e os aspectos do
ambiente com objetividade, clareza e precisão, o observador deve usar:
a) Verbos que identifiquem a ação exibida pelo sujeito. Tais como: correr, andar, 
bater etc.
b) Termos que identifiquem os objetos ou pessoas presentes na situação e suas 
características. Por exemplo, termos tais como: sapato,'bola, homem, cor 
vermelha, janela fechada etc.
c) Referenciais físicos. Os referenciais utilizados são as partes do corpo do sujeito, 
os objetos e pessoas presentes no ambiente e os padrões de medida adotados 
oficialmente (metro, quilo, litro etc.). Exemplo do uso de referenciais: “coloca a 
ponta do dedo sobre o nariz”, “é o menino mais alto da classe” etc.
Para garantir a objetividade, clareza e precisão 
nos registros, o observador utiliza:
a) verbos que descrevem a ação observada;
b) termos que indentificam os objetos ou 
pessoas presentes, e
c) referenciais físicos.
Questões de estudo
I ) Quais são as características de uma linguagem científica?
.’)<) que é uma linguagem objetiva?
1) lím relação à objetividade como característica da linguagem científica, que tipo 
de erro um observador menos cuidadoso comete?
•1)0 que significa clareza e precisão na linguagem?
Fi I ( 'om relação à clareza e precisão na linguagem, que tipo de erro pode ocorrer? 
fiM omo o observador deve proceder para registrar os fatos com linguagem 
científica?
Exercício de estudo
Seguem-se três relatos de observação onde são cometidos erros em relação à 
objetividade ou clareza e precisão. Cada relato é apresentado primeiro como um 
Indo c em seguida é subdividido em trechos. Para realizar este exercício, você
deverá:
a) sublinhar no relato (apresentado como um todo) as palavras que contrariam as 
características da linguagem científica, justificando;
b) Assinalar com “ I” (no parênteses ao lado esquerdo), trechos do relato que 
violam a característica de objetividade na linguagem; e '
ti) Dentre os trechos do relato que você considerou objetivos, isto cujos~7 
parênteses estão em branco (não assinalados), assinalar com “ II” aquele(s) que 
viola(m) a característica de clareza e precisão.
Hl l ATO N? 1
“./ e M estão namorando. Em determinado momento, M fica nervosa. J, 
Üilgftdo, pega o paletó para sair. A nda em direção à porta. Próximo à porta, 
Urrpciule-se e vira-se na direção de M. M lhe faz uma desfeita. J não gosta do 
tttmpoi lamento de M . Vira-se em direção à porta, coloca a mão na maçaneta, 
giití’ m porta e sai da sala” .
í) <- ) / e M estão namorando
I ) 1 ( 11 ) Em determinado momento,
1)! < ) M fica nervosa.
é) ( ) J, zangado, - oL ■ i
1) < ) pega o paletó para sair.
fil ( ) Anda em direção à porta. -
I i ) < ) Próximo à porta,
\ §) < ) arrepende-se
U| ( 1 ) e vira-se na direção de M. c /\ -
itl) ( ) M lhe faz uma desfeita.ciL v‘ •
i il t ) ./ não gosta do comportamento de M.
i l \ 1 ) Vira-se em direção à porta,
Ü i i ) coloca a mão na maçaneta,
14) ( ) abre a porta
| l ) i ) c sai da sala.
41
RELATO N9 2
“ C sobe no selim da bicicleta e pedala. Sua mãe o observa apreensivamente, 
enquanto ele vai até a esquina e volta. Ao chegar diz a ela: “ Não quero mais 
brincar” . Sua mãe não responde mas certamente ouviu. C puxa o braço da mãe 
para saber porque ela não responde. Em seguida, entra em casa para assistir 
desenho animado” .
1) - V ò C sobe no selim da bicicleta c J i ,
2) - e pedala.
3) - ' -1 ) Sua mãe o observa apreensivamente,
4) - f ■ ) enquanto ele vai até a esquina ^
5) - ' ) e volta, o-rrrjo ,
6) - '■))) Ao chegar diz a ela: “Não quero mais brincar”
7) - ?! ) Sua mãe não responde c i ­
8) - rnas certamente ouviu, o j
9) - ■ t ) C puxa o braço da mãe r , h
10) - i ) para saber porque ela não responde, r
11) - Em seguida, entra em casa .
12) - ^ ) para assistir desenho animado.
RELATO N 9 3
“Quando L entrou no carpo, seu gato quis entrar também. O gato gosta de 
ficar olhando à janela. Ao entrar no carro, o gato sujou as coisas que estavam 
sobre o assento. L , aborrecida, pegou o gato pelo cangote e colocou-o na calçada.
O gato se queixou. L abriu o porta-luvas e pegou algo para limpar as marcas do
Quando L entrou no carro,
seu gato quis entrar também. .
O gato gosta de ficar olhando à janela.
Ao entrar no carro, o gato sujou as coisas que estavam sobre o 
assento.
L, aborrecida, pegou o gato pelo cangote 
e colocou-o na calçada. °
O gato se queixou.
L abriu o porta-luvas 
e pegou algo
para limpar as marcas do gato. r
gato” .
D - ( l i
2) - &
3) - (X
4) - CU
5) - (X
6) - (IV
7) - ( - -
8) - ( t
9) - (*•:
10) - (
UNIDADE 3
A SITUAÇÃO 
DE O B S E R V A Ç Ã O -I
objetivos
Ao final da unidade, o leitor deverá ser capaz de:
• V erbalizar sobre:
* a im portância da especificação das condições em que a observação 
ocorre
• a ca rac te rização do sujeito, do am biente físico e do am biente social
* O bservar e fazer o d iag ram a de um a situação
material
* írx to : “ O p ro toco lo de o b se rv ação ”
• (Questões e exercício de estudo
atividades
* I r r o texío “ O pro toco lo de o b se rv ação ”
§ R esponder as questões e resolver o exercício de estudo
i Participar de um a discussão sobre as questões e exercício de estudo
• R esponder a questão e resolver o exercício de avaliação
43
O protocolo de observação
Protocolo de observação é a folha onde o observador registra os dados 
coletados. Um protocolo contém uma série de itens, que abrangem as 
informações relevantes para a análise dos comportamentos. Uma das habilidades 
requeridas do observador é a de preencher corretamente esses itens. 
Apresentamos, a seguir, um modelo de protocolo.
% PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO
1. Nome do observador
2. Objetivo da observação
3. Data da observação ■ /
4. Horário da observação
5. Diagrama da situação
6. Relato do ambiente físico
7. Descrição do sujeito o b servado^ '" '-
8. Relato do ambiente social
9. Técnica de registro utilizada e 
registro propriamente dito
10. Sistema de sinais e abreviações
Os itens deste protocolo estão relacionados basicamente a três conjuntos de 
informação, a saber:
1) os itens 1 e 2 referem-se à identificação geral.
2) os itens 3 a 8 referem-se à identificação das condições em que a observação 
ocorre. Este conjunto inclui especificações com relação a “quando” e “onde” a 
observação foi realizada e “quem” foi observado; e
3) os itens 9 e 10 referem-se ao registro de comportamentos e circunstâncias 
ambientais. Esse conjunto inclui informações sobre “como” a observação foi 
realizada, isto e, a técnica de registro, o sistema de sinais e abreviações 
utilizado e informação sobre “o que” foi observado, isto é, o registro 
propriamente dito.
Nesta unidade, focalizaremos essencialmente os itens referentes ao segundo 
conjunto de informações, ou melhor, os relacionados à identificação das 
condições em que a observação ocorre. O primeiro conjunto de informações - 
identificação geral - não será focalizado, uma vez que o item 1 não necessita de 
explicações para o seu preenchimento, e que o item 2 depende do trabalho a ser 
realizado. O terceiro conjunto de informações - registro dos comportamentos e 
circunstâncias ambientais - será objeto da Unidade 5.
44
Um protocolo de observação contém 
basicamente três conjuntos de irtformações:
I — identificação geral; 2 — identificação das 
condições em que a observação ocorre; e 3 — 
registro dos comportamentos e circunstâncias 
ambientais.
A identificação das condições em que a observação ocorre é importante, na 
medida em que fornece elementos indispensáveis à análise e interpretação dos
í omportamentos.
Sabemos que o número e tipo de respostas que um organismo apresenta 
psláo relacionados tanto às características individuais do organismo (sua espécie, 
r tnpa de m aturação biológica, história de vida), como ao ambiente em que ele se 
encontra, istosignifica que_determinados_-comportamentos têm maior 
probabilidade de ocorrer em uma situação do que em outra. Por exemplo, é mais 
provável que eu sorria e dance numa festa do que num velório. É mais provável 
que uma criança dê cambalhotas na sala de estar de sua casa, onde existe um 
tfll >cte macio, quando as pessoas presentes riem e conversem, do que num pátio de 
timento ou numa casa desconhecida, ou quando as pessoas presentes falem baixo 
ou chorem. Neste caso, a sala, o tapete e o comportamento das pessoas presentes 
indicam ocasiões para dar uma cambalhota.
Vejamos, então, quais são as condições que devem ser identificadas pelo
I uimervador.
I Jma das condições a ser identificada é quando a observação ocorre, isto é, a
data (item 3 do protocolo) e o horário (item 4 do protocolo) em que a observação 
foi realizada. Estas informações são importantes porque alguns comportamentos
islfio relacionados a datas e horários, isto é. a probabilidade de ocorrência destes 
t omportamentos é maior em determinadas horas do dia. em determinados dias da
5 ffituma ou do mês.
( >utra condição a ser identificada é quem foi observado, ou melhor, o sujeito 
da observação (item 7 do protocolo).
Mfct Ao descrever o sujeito deve-se fornecer informações com relação a: espécie, 
iií*lr. sexo e cxperiênáa anterior do organismo com relação à situação. Quando se
1 jfaiH dc seres humanos, é necessário informar também o nível sócio-econômico e 
f ü ginii de escolaridade. Se o sujeito é portador de alguma deficiência ou usa 
ippfHlios corretivos, estas particularidades devem ser mencionadas.
hxemplo de descrição do sujeito: T, sexo feminino, 7 anos e 6 meses de 
kíiiiir, classe média-baixa. freqüenta a 1® série do l 9 grau da “ Escola Sorriso” . T 
«Ma óculos e aparelho nos dentes.
() terceiro aspecto a ser identificado diz respeito ao ambiente onde a 
fitisff vação é realizada. A descrição do onde implica na descrição do ambiente 
jlsiuo c rociai.
I »escrever o ambiente físico significa descrever o local em que o sujeito se 
I n ç o n u a . Ao descrever o ambiente físico deve-se, em primeiro lugar, identificar o 
jgtsil em que o sujeito se encontra (por exemplo: pátio de uma escola, escritório de 
ufiHi In ma, etc.), e em seguida fornecer suas características. As características 
rfctetiHites, isto é, características a serem descritas são:
45
© o formato do local ou quando possível, suas dimensões:
© o numero, tipo e diposição de portas, janelas, móveis e demais objetos
presentes;
@ as condições da iluminação existente, por exemplo, luz natural, duas lâmpadas 
centrais acesas, etc; e 
® as condições relacionadas ao funcionamento dos objetos, por exemplo, 
televisão ligada, ruído de motor. etc.
Caso haja alguma característica pouco comumà situação, esta 
característica deve ser mencionada. Por exemplo, a existência de uma parede 
esburacada, um móvel quebrado, etc.
Exemplo de descrição do ambiente físico: sala de estar da residência do 
sujeito. A sala mede aproximadamente 2.50m por 4,50m. A janela está 
localizada na parede frontal da sala. a 0,90 m do chão. A janela mede 2.00 m 
de comprimento por 1,10 m de altura. A sala possui duas portas. A porta, 
localizada à esquerda da janela, dá acesso à uma varanda e a outra, localizada 
no extremo oposto, dá acesso à sala de jantar. A sala contém os seguintes 
moveis e objetos, um sofá. duas poltronas, um aparelho de televisão, uma 
estante, uma mesa de centro, duas mesas laterais, um porta-revistas e dois 
vasos com plantas. A estante abriga um conjunto de som. A sala e acarpetada.
No momento da observação, a iluminação é natural e a televisão está ligada.
Descrever o ambiente social significa identificar as pessoas que estão 
presentes no local (com exceção do sujeito que é identificado a parte) e descrever 
a atividade geral que aí esta ocorrendo.
Ao identificar as pessoas presentes no ambiente, o observador fornece 
informações com relação ao número, sexo, idade e função destas pessoas (as 
pessoas devem ser identificadas por letras maiúsculas). Se existirem 
características comuns às pessoas presentes, é importante especificar também 
estas características. As características comuns a que nos referimos são o nível 
sócio-económico. o grau de escolaridade, particularidades físicas, etc. Por 
exemplo crianças faveladas que freqüentam a Escola-Parque da Prefeitura; jovens 
de ambos os sexos, entre 15 e 17 anos. pertencentes ao grupo de jovens da 
Paróquia Santo António, etc.
Descrever a atividade geral significa identificar a atividade que está sendo 
desenvolvida no local, por exemplo: aula de matemática, aula de ginástica, etc; 
identificar a localização das pessoas e descrever sucintamente o que elas estão 
fazendo. A descrição da atividade geral é uma descrição estática, é uma 
“fotografia” do ambiente social.
Exemplo de descrição do ambiente social: “ Estão presentes na sala. além do 
sujeito (5), quatro pessoas. A observadora (Ob), de aproximadamente 20 anos, 
aluna de Psicologia; a mãe (A/), com aproximadamente 35 anos, professora 
primária, a tia (7), de aproximadamente 20 anos, estudante de Pedagogia, e a 
irmã do sujeito (/), de 4 anos de idade. A mãe e a tia estão sentadas no sofá, 
assistindo televisão e conversando. A observadora está sentada em uma das 
poltronas e a irmã de ,S na outra poltrona. A irmã está folheando uma revista.
As condições a serem identificadas são: data e 
horário da observação , sujeito observado, 
ambiente físico e ambiente social.
46
I'ara descrever o ambiente físico e social, o observador utiliza de dois 
fü »ti sos: o relato e o diagrama.
() relato é a descrição verbal do ambiente. Os exemplos dados anteriormente 
l|i> »Ir relatos do ambiente físico e do ambiente social.
0 diagrama é a representação do ambiente através de um desenho 
tiqucmático e de legendas informativas (é uma planta do local). O diagrama 
fiprrscnta simbolicamente a área observada e os elementos que estão dentro dela: 
i*mns, janelas, móveis e pessoas. A utilidade do diagrama é a de facilitar a 
vjiiinli/ação, por terceiros, do ambiente observado, além de fornecer ao 
nhsFivador pontos de referência para o registro dos comportamentos. Por 
«MPinplo, vendo o diagrama o leitor tem condições de visualisar em que direções o 
iUjfitn unda.
Ao fazer o diagrama, o observador deve:
• utilizar escalas proporcionais às dimensões reais da área;
1 utilizar a mesma escala para representar as portas, janelas e móveis;
° localizar, corretamente, na área as portas, janelas e moveis;
& manter a proporção relativa das distâncias existentes entre portas, janelas
c móveis; e
* utilizar símbolos de fácil compreensão.
m
O
I egendas: 
s h e d parede
11 111 I II r r m janela
i---------n porta
estante 
sofá□
mesa lateral 
poltrona
—J— mesa de centro 
televisão
@ vaso
1 porta-revistas
M mãe 
T tia
1 irmã 
Ob observadora 
S localização 
inicial 
do sujeito
Quando as pessoas presentes permanecem num local fixo, ou quando 
permanecem a maior parte do tempo num local, o observador poderá indicai', no 
diagrama, a localização destas pessoas. É costume indicar também no diagrama, 
a localização inicial do sujeito.
Para facilitar a elaboração do diagrama adotamos as seguintes convenções:
© as janelas, portas e móveis são representados por simbolos. É conveniente que 
você utilize os símbolos que considerar mais adequados (móveis semelhantes 
devem ser representados por símboios semelhantes);
® paredes ou lados da área são identificados por letras minúsculas;
® os objetos, por números (exemplo o n? 1 representa um poría-revistas); e 
© as pessoas por letras maiúsculas; a letra S é reservada para indicar o 
sujeito e as letras Ob para indicar o observador.
P ara descrever o am biente f ís ic o e socia l o 
observador u tiliza dois recursos: o rela to e o 
diagram a
Questões de estudo
1) Quais são as informações que um protocolo de observação deve conter?
2) Por que é necessário identificar as condições em que a observação ocorre?
3) Com relação ao sujeito, quais são as informações a serem fornecidas?
4) Com relação ao ambiente físico, quais são as informações a serem fornecidas?
5) Com relação ao ambiente social, quais são as informações a serem fornecidas?
6) Quais são os recursos utilizados pelo observador para descrever a situação 
ambiental? Explique cada um.
7) Para que serve o diagrama?
8) Explique quais são os cuidados que o observador deve tom ar ao fazer o 
diagrama.
9) Explique as convenções adotadas com relação ao diagrama.
Exercício de estudo
Fazer o diagrama do ambiente físico de um dos recintos de sua casa.
UNIDADE 4
A S IT U A Ç A O 
DE O B S E R V A Ç A O -II
nbjetivos
Au final da unidade, o leitor deverá ser capaz de:
« I a/er o diagrama de uma situação
• Fazer o relato, em linguagem científica, do ambiente físico, do sujeito, e 
«lo ambiente social desta situação
itifiterial
« fcxto: “ O relato das condições em que a observação ocorre”
* I xcrcício de estudo
* Instruções para a atividade prática
* Protocolo de observação: parte inicial
ãiividades
Partf A
• 1 rr o texto “ O relato das condições em que a observação ocorre”
l I • Hriolver o exercício de estudo
• Participar de uma discussão sobre o exercício de estudo
i aM r B
f I n as instruções para a atividade prática
• OHiervar e registrar uma situação estipulada
49
O relato das condições 
em que a observação ocorre
Identificamos, na Unidade 3, quais são as informações que o observador 
deve fornecer ao fazer a descrição do sujeito, do ambiente físico e do ambiente 
social. Em determinadas ocasiões, entretanto, é necessário que além destas 
informações gerais, o observador forneça informações mais específicas acerca 
dessas condições.
O tipo de informação a ser fornecida dependerá do objetivo do estudo 
observacional. O objetivo do estudo determinará quais serão as características, 
não citadas anteriormente, que deverão ser descritas, ou o grau de detalhes com 
que uma dada característica deverá ser focalizada.
Por exemplo, se o objetivo do estudo for “verificar se o professor utiliza 
corretamente o material didático”, será necessário fornecer, no relato do 
ambiente físico, mais detalhes com relação ao material didático existente 
(espécie, quantidade, material de que é feito, formato, tamanho, cor, 
funcionamento, estado de conservação, onde está localizado, etc).
Se o objetivo do estudo for “verificar se o professor atende às características 
individuais dos alunos”, será necessário fornecer, no relato do ambiente social, 
informações detalhadasde cada aluno: nível sócio-econômico, particularidades 
físicas (deficiência física ou uso de aparelhos corretivos) e de comportamento (tais 
como, ser rápido, ser lento, cometer erros de linguagem, trocar letras, etc).
Se o objetivo do estudo for “verificar como uma criança que apresenta 
dificuldades de aprendizagem interage com os colegas”, será necessário 
caracterizar, na descrição do sujeito, a dificuldade da criança' (se ela troca letras, 
se é dispersiva, etc).
Por estes exemplos, vemos que as informações específicas estão baseadas 
em hipóteses, lançadas pelo observador, acerca dos fatores que poderiam afetar o 
comportamento em estudo. Estas informações mais específicas poderão ser 
obtidas por observação direta, por análise de documentos (relatórios, plantas, 
fichas de matrícula, etc) ou por entrevistas.
O objetivo do estudo observacional determina o 
grau de detalhes com que o relato do ambiente 
físico, do ambiente social e do sujeito será 
realizado.
Vejamos outro exemplo. A foto 4.1 mostra uma situação de observação.
Suponhamos que dois observadores estejam registrando esta situação, cada 
um com um objetivo. O primeiro observador tem como objetivo “determinar o
50
FI
GU
RA
 
4.
1.
 
Si
tu
aç
ao
 
de 
ob
se
rv
aç
ao
grau de coordenação motora que o sujeito apresenta” . O segundo observador tem 
como objetivo “estudar a interação mãe-criança” . Ao descrever as condições em 
que a observação ocorre, os dois observadores fornecerão as seguintes 
informações gerais:
Relato do ambiente físico. Sala de estar da residência do sujeito, medindo 
aproximadamente 4 metros de comprimento por 3 metros de largura. A sala 
contém duas portas, uma janela e os seguintes móveis: um sofá, uma poltrona, um 
tapete e um vaso com plantas. Sobre o tapete estão espalhados os seguintes 
brinquedos: uma girafa, um elefante, uma boneca, um vagão de trem e sete cubos.
A iluminação é natural.
Descrição do siyeito observado.S, menina de 2 anos de idade,classe média.
Relato do ambiente social. M, mãe de S, de 30 anos de idade. A mãe está 
sentada no sofá e interage continuamente com S.
Além destas, cada observador acrescentará informações especificas em seu 
relato.
O observador 1 incluirá no relato do ambiente físico, informações acerca:
a)do formato do brinquedo; b) do material que é feito o brinquedo; e c) do tamanho 
do brinquedo.
O observador 2, por sua vez, incluirá no relato do ambiente social, 
informações acerca: a) do grau de escolaridade da mãe; b) da profissão da mãe; e 
na descrição do sujeito; c) da família (número de pessoas que vivem 
na casa, idade e relação de parentesco com o sujeito)
Exercício de estudo
A foto 4.2. mostra a seguinte situação de observação:
Relato do ambiente físico. Sala de brinquedo de um conjunto residencial, 
medindo aproximadamente 4 m de comprimento, por 3m de largura. A sala 
possui duas portas, uma janela e uma escada. A parede de fundo é interrompida 
dando acesso a um corredor. Nesta parede existe uma imitação de janela em 
miniatura. As paredes da sala estão pintadas com desenhos de flores.
A sala está mobiliada com móveis próprios para crianças: um sofá e duas 
poltronas. Pela sala estão espalhados os seguintes brinquedos: três bolas, três 
ursos de pelúcia, três vagões de trem, duas bonecas, uma de plástico e outra de 
pano e 10 cubos. A iluminação é natural.
Descrição do sujeito observado. S, menina de 3 anos de idade, classe média, 
m oradora do conjunto.
Relato do ambiente social. Duas crianças, um menino (F) e uma menina (/), 
ambos com 3 anos de idade, classe média, vizinhos de 5 e moradores do conjunto 
residencial. As crianças estão brincando. Elas estão sob os cuidados da mãe de /, 
que esta na sala ao lado.
Suponhamos que dois observadores estejam registrando esta situação, cada 
um com um objetivo. O primeiro observador tem como objetivo “identificar as 
condições e circunstâncias em que S apresenta o comportamento de im itação” . O 
segundo observador tem como objetivo “identificar a preferência de S pelos 
brinquedos”.
Observe a fotografia 4.2. Damos a seguir uma lista de itens que estes 
observadores registraram. Identifique qual foi o observador que registrou cada
FI
GU
RA
 
4.
2.
 
Si
tu
aç
ão
 
de 
ob
se
rv
aç
ao
item. Coioque dentro dos parênteses ós números que designam os observadores. 
A saber: 1 - observador 1; 2 - observador 2. y,
a) - (pl.) cor dos brinquedos;
b) - ( 8 ) com que freqüência essas crianças brincam juntas;
c) - (vi ) tamanho dos brinquedos;
d) - ( quem pertence cada um dos brinquedos;
e) - ( ) ) características comportamentais de F e I (por exemplo, liderança,
cooperação, etc); e 
0 - (~ ) novidade ou não do brinquedo.
instruções para a atividade prática
A atividade a ser realizada é um exercício de observação e registro das 
condições existentes durante a observação.
O objetivo geral da observação é o de identificar os comportamentos 
motores que u.ma pessoa apresenta numa determinada situação.
O registro dos dados deverá ser efetuado na folha de protocolo que 
acompanha estas instruções.
É importante lembrar que a atividade proposta se limita ao preenchimento 
dos itens 1 a 8 do protocolo, referentes à identificação geral e à identificação das 
condições existentes. É importante lembrar também que o objetivo geral, 
especificado acima, só será completamente atingido quando estivermos de posse 
das informações referentes aos comportamentos apresentados pela pessoa. Como 
já dissemos, você aprenderá a fazer esse registro na Unidade 5.
As instruções, a seguir, aplicam-se unicamente quando a atividade de 
observação e registro é feita utilizando-se um filme. Quando a atividade é feita 
fazendo-se uso de outros recursos, o professor fornecerá as instruções adicionais 
necessárias1.
instruções para a observação e regisfro feita com o uso de projeção ãe filme
As instruções referem-se à seqüência de comportamentos que o observador 
deve apresentar durante o exercício de observação.
1) Preencha os itens 1, 2, 3 e 4 do protocolo de observação.
2) Sente-se numa posição que favoreça uma boa visualização da tela onde será 
feita a projeção e aguarde o seu início.
3) Durante a projeção, olhe para a tela procurando memorizar tudo o que vê.
4) Após a projeção, preencha o item 5 do protocolo de observação. Você terá 
aproximadamente 5 minutos para esta atividade. Após esíes 5 minutos, a 
projeção será repetida,
5) Durante a repetição da projeção, olhe novamente para a tela. Apenas olhe, 
nào anote, nem escreva coisa alguma. (Esta segunda projeção é feita para que 
voce possa completar ou corrigir a descrição das condições existentes.)
6) Após a repetição, reveja as anotações referentes ao item 5 e modifique onde 
necessário. A seguir, preencha os itens 6, 7 e 8.
1. Lembrete ao professor. A parte III do Manual do Professor descreve o filme produzido 
para esta atividade, assim como sugere outros recursos que poderiam substituí-lo.
54
PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO
1) Nome do observador: _
2) Objetivo da observação:
1) Data da observação:__
4) Horário da observação: 
i) Diagrama da situação:
6) Relato do ambiente fisico:
7) Descrição do sujeito observado:
8) Relato do ambiente social:
56
UNIDADE 5
O REGISTRO DO 
COMPORTAMENTO!
objetivos
An final da unidade, o leitor deverá ser capaz de:
* Observar e registrar continuamente, em linguagem científica, os 
comportamentos motores emitidos por um sujeito numa situação
iikiterial
§ Ifxto: “A técnica de registro contínuo”
É • Questões de estudo
fe I Instruções para a atividade prática
* Protocolo de observação: parte final
atividades
A
I m o texto “A técnica de registro contínuo” 
fUsponder as questões de estudo
Píflieipar de uma discussão sobre as questõesde estudo
ܧ B
|# i a** instruções para a atividade prática 
fjtwfivnr e registrar comportamentos
A técnica de registro contínuo
Dentre as várias técnicas utilizadas pelo observador para o registro dos 
comportamentos e circunstâncias ambientais, destaca-se a técnica de registro 
continuo1.
A técnica de registro contínuo consiste em, dentro de um período 
ininterrupto de tempo de observação, registrar o que ocorre na situação, 
obedecendo à seqüência temporal em que os fatos se dão. I
No exemplo abaixo, temos um trecho do registro do comportamento de uma 
criança em situação de refeição. O registro foi realizado em uma creche, no 
refeitório, no horário previsto para alimentação das crianças, conforme a rotina 
da instituição. Na observação usou-se registro contínuo com o fim de levantar 
dados para o treinamento de atendentes.
‘ S se encontra no canto cd (canto formado pelas pareces c e d) da sala de 
refeição, de pé, defronte da mesa 6, a aproximadamente 20 cm desta mesa. 
Atendente entra na sala com toalha na mão. 5 olha em direção à atendente. 
Atendente coloca a toalha sobre a mesa 6. S vira-se de costas, anda em direção à 
mesa 2. De pé, retira a toalha da mesa 2. Dobra a toalha. Toalha dobrada em 
forma aproximada de bola. S joga a toalha em direção a um menino. Meninc 
pega a toalha. S sorri.”
Como se vê, o registro contínuo é uma espécie de “filmagem” do que 
acontece. Ao regitrar, o observador conta o que presencia, na seqüência em que 
os fatos ocorrem.
Registro continuo consiste em, dentro de um 
período ininterrupto de tempo de observação, 
registrar o que ocorre na situação, obedecendo 
à seqüência temporal em que os fa to s se dão.
Os fatos registrados pelo observador referem-se a:
1. LO CA LIZA ÇÃ O DO SUJEÍTO
O observador descreve a localização do sujeito no ambiente,..indica onde o 
sujeito se encontra. No exemplo apresentado: “S se encontra no canto cd (canto 
formado pelas paredes c e d) da sala de refeição” .
1. Este livro focaliza apenas a técnica de registro contínuo. Informações sobre outras 
técnicas, bem como sobre registradores de comportamento e cálculo de concordância 
entre observadores, podem ser encontradas em Antônio Jayro F. M. Fagundes. 
Descrição, definição e registro de comportamento. São Paulo: EDICON, 1981.
58
2. POSIÇÃO E POSTURA DO SUJEITO
O observador descreve como o sujeito se encontra, faz referência à posição e 
postura do sujeito. Por exemplo, em pé (ereto ou curvo); ajoelhado; agachado; 
deitado (encolhido ou distendido); etc.
Cabe aqui fazer a distinção entre postura e posição. Quando se fala de 
postura1 o referencial é o próprio corpo, (por exemplo: curvo, ereto, encolhido, 
distendido, etc), enquanto que ao se tratar de posição o referencial é o ambiente 
(p o r exemplo: em pé, deitado, etc). O critério que diferencia estes termos é, 
portanto, o referencial utilizado.
3. EVENTOS COM PORTAM ENTAIS
Os eventos comportamentais que ocorrem, isto é, as ações do sujeito. As 
nçôes a serem registradas sao:
3.1. O comportamento motor. Comportamentos que resultam no 
rslahelecimento de contato físico do sujeito com o ambiente ou comportamentos 
t|iie mudam o contato físico existente.
Incluímos entre os comportamentos motores:
3.1.1. Mudança na postura ou na posição. Comportamentos tais 
como: agachar-se; levantar-se, virar a cabeça para trás; erguer o braço, etc.
3.1.2. Manipulações de objetos ou pessoas. Comportamentos tais 
como: apanhar a boneca, colocar a boneca sobre a cama, chutar a bola, es­
crever no caderno, beliscar o menino, colocar o dedo no nariz, passar a mão 
no cabelo, etc.
3.1.3. Locomoções. Comportamentos que resultam no deslocamento 
do sujeito em relação a pontos fixos do espaço . Comportamentos como: andar, 
correr, engatinhar, subir, descer, saltar, etc.
3.2. As expressões faciais. Comportamentos tais como: enrugar a testa, 
lianzir as sobrancelhas, sorrir, piscar os olhos, etc.
3.3. O comportamento vocaP. Sons, articulados ou não, produzidos pelo 
aparelho fonador. Por exemplo: cantar, assobiar, dar gargalhadas, murmurar,
sons onom atopaicos4, falar, etc.
O registro dos eventos com portamentais inclui: 
o registro de comportamentos motores 
(m udanças na postura ou na posição, 
manipulações de objetos ou pessoas e 
locomoções); as expressões fa c ia is e os 
comportamentos vocais,
y ( ' u n h a def ine postura como “disposições espaciais estacionárias de partes do 
o rg a n is m o umas em relação a outras”. (Walter Hugo A. Cunha. O Estudo Etológico 
do Comportamento Animal. Ciência e Cultura, 1975, 27, 265.)
V D a d o s os objetivos estabelecidos, focalizaremos durante as atividades práticas apenas 
os comportamentos motores e as expressões faciais.
4 Sons o n o m a t o p a i c o s : aqueles que im itam o som natural da co isa sigrJficM a. E xem plo: 
I//. barulho de b om b a p u lverizadora.
59
Além dos fatos diretamente relacionados ao sujeito (sua localização; postura 
e posição; e os eventos comportamentais que ocorrem), o observador registrai 
também os eventos ambientais.
(V EVENTOS AM BIENTAIS
Isto é, mudanças que ocorrem no ambiente durante a observação. Os 
eventos ambientais podem ser:
4.1. Eventos físicos: mudanças no ambiente físico. Por exemplo: a bola bate 
na trave, o telefone toca, etc.
4.2. Eventos sociais: comportamentos das outras pessoas presentes no 
ambiente. Por exemplo: “ Uma menina se aproxima de S e coloca o dedo na 
palma da mão de S ”, “O menino joga a bola em direção a S ”, “O pai entra na 
sala e diz: Você quer passear?”, etc.
Qs fa to s registrados através da técnica de 
registro contínuo são: I) a localização do 
sujeito; 2) sua postura e posição; 3) os eventos 
comportamentais; e 4) os eventos ambientais.
O registro contínuo é, em geral, utilizado durante a fase inicial de um 
trabalho ou de uma pesquisa, quando o observador faz o levantamento do 
repertório comportamental do sujeito e das circunstâncias ambientais. A partir da 
análise dos dados coletados e de acordo com o objetivo do estudo observacional, 
o observador seleciona os comportamentos ou classes de comportamento a serem 
observadas, numa segunda etapa de trabalho. Este é o caso do exemplo, dado no 
começo deste texto. O registro contínuo, feito na situação de refeição da creche, 
foi repetido com outras crianças por um total de 7 dias e em diferentes horários de 
refeição. Os dados obtidos nas sessões de observação, permitiram selecionar os 
comportamentos a serem observados separadamente, mediante o uso de outras 
técnicas, diferentes do registro contínuo.
O registro contínuo é freqüentemente utilizado 
para um levantamento inicial do repertório 
comportamental do sujeito e das circunstâncias 
ambientais.
Além de possibilitar um levantamento dos eventos na seqüência temporal em 
que ocorrem - comportamentos do sujeito e circunstâncias ambientais - o 
registro contínuo possibilita referir a uma vasta gama de comportamentos e 
eventos ambientais, sem a imposição da definição prévia daquelas ocorrências.
O difícil, entretanto, ao se utilizar esta técnica é estabelecer o grau de 
detalhamento que deve ser dado no registro. É impossível para o ser humano 
observar e registrar tudo com o máximo de detalhes, por isso, ao observar e 
registrar continuamente, podemos selecionar determinados eventos, em 
detrimento de outros. A seleção dos eventos é feita em função do objetivo do 
estudo observacional.
60
ü objetivo do estudo determina a variedade e tipo de comportamentos a 
setrin registrados. Dependendo do objetivo o observador poderá: a) fazer um 
ftgistro ampio das ações, isto è, registrará os comportamentos motores 
{mudanças na postura ou na posição, manipulação de objetos ou pessoas e 
Int omoções), as expressões faciais e os comportamentos vocais; b) selecionar a 
Éiiíivsc de comportamentoa ser registrada, registrando unicamente os 
§§mportamentos motores ou unicamente as expressões faciais, etc; c) focalizar a 
observação e registro em determinada parte do corpo, tal como boca ou mãos. Por 
Mfinplo, se o objetivo do estudo for “verificar o problema de articulação 
áfiirscntado por uma criança’’, o observador focalizará o comportamento vocal,
»! posturas e os movimentos bucais; se o objetivo do estudo for “identificar 
problemas de manipulação motora fina”, o observador focalizará as posturas, 
punções e movimentos de mão.
O objetivo do estudo determina a variedade e 
tipo de comportamento a ser registrado.
A seleção dos comportamentos a serem observados possibilita o 
refinamento dos registros, isto é, o detalhamento dos comportamentos. Quando o 
fhscrvador registra poucos eventos, ele pode fornecer um número maior de 
jftfni mações acerca destes eventos. Por exemplo, pode identificar se o sujeito 
a bola com a mão direita ou com a esqueida”.
A riqueza de detalhes que o observador fornece em um registro contínuo 
«bpnide:
si l)a variedade de tipos de comportamento que ele observa e registra 
simultaneamente. Se ele observar apenas os comportamentos motores ele 
poderá fornecer descrições mais detalhadas do que se ele observar: 
iom portam entos motores, expressões faciais e comportamentos vocais;
I ) I )n velocidade com que os eventos ocorrem. Um observador consegue dar 
uma descrição mais detalhada quando os eventos ocorrem com maior 
morosidade, do que quando ocorrem com rapidez. Por exemplo, compare as 
srguintes situações: um adulto lendo um jornal e uma criança pulando 
umarelinha. A morosidade dos comportamentos exibidos na primeira situação 
propícia mais informações acerca das posturas do adulto, suas expressões 
faciais, etc, informações quase que impossíveis de se registrar na segunda 
situação; e
II I >o grau de treinamento do observador. O treinamento do observador implica 
numa familiarização com a situação de observação, com o material a ser 
uiili/.ado (prancheta, protocolo de observação, cronômetro, gravador, etc.), e 
com a sistemática de registro. REG.S 6 L1 • C(; 1 ( l >
O grau de detalhamento que um observador 
fornece num registro contínuo depende: a) da 
variedade de tipos de comportamento 
observados b) da velocidade dos eventos 
observados: e c) do treinamento do observador.
(>l
SISTEM ÁTICA DE REGISTRO
A sistemática de registro envolve não só os procedimentos específicos- da 
técnica de registro utilizada, como o conjunto de convenções adotadas pelo 
observador. As convenções variam em função a técnica de registro utilizada, e em 
alguns casos, em função do trabalho que está sendo realizado.
As convenções que estamos adotando, com relação ao registro contínuo, 
visam uniformizar as condições de registro, bem como garantir a compreensão 
dos mesmos. A seguir, especificamos as convenções adotadas:
1)) Inicie o registro informando a localização do sujeito e como ele se encontra. 
Por exemplo: “5 se encontra no canto cd da sala de refeição, de pé, defronte 
à mesa 6, a aproximadamente 20 cm desta mesa”.
2)) Indique a pessoa que emite a ação. Por exemplo: “ 5 olha em direção à 
atendente”.
3) Ao registrar os eventos, empregue o verbo no tempo presente. Por exemplo: 
“ S vira-se de costas, anda em direção à mesa 2”.
4) No caso dos verbos transitivos, indique os complementos do verbo. Por 
exemplo: “ 5 vira-se de costas retira \a toalha da mesa 2".
5) No caso da ação ter uma direção, indique no registro em que direção a açãq 
ocorre. Por exemplo: “S anda em direção à mesa 2”, “S joga a toalha em' 
direção a um menino''.
Os referenciais a serem utilizados para indicar direção são:
a) objetos, pessoas ou partes do ambiente; por exemplo: “ S anda até a 
cama”, “£ conversa com uma menina”, “ S vai até o corredor” ; e
b) partes do corpo do próprio sujeito; por exemplo: “ £ põe a mão na testa''.
6) Use o grau normal ao se refeir aos objetos. Por exemplo:
“S ergue o braço da boneca” (ao invés de “S ergue o bracinho áí 
bonequinha”).
7) Registre as ações que ocorrem e não as que não ocorrem. É errado registrar 
a ausência de um comportamento. Por exemplo: “5 cai mas não chora”.
8), Registre eventos sucessivos em linhas separadas. Os eventos sucessivos 
devem ser registrados um abaixo do outro. Por exemplo:
S vira-se de costas.
Anda em direção à mesa 2.
Retira a toalha da mesa 2.
Dobra a toalha.
9); Registre os eventos simultâneos numa mesma linha. Separe cada um dos 
eventos com barras verticais. Por exemplo: Atendente coloca toalha sobre a 
mesa 6 / S vira-se de costas.
10) yUtilize uma flecha vertical para indicar a continuidade da ação. A flecha de 
continuidade indica que o comportamento continua enquanto outros sào 
emitidos simultaneamente.
A flecha de continuidade elimina o emprego de termos desnecessários, tais
• orno: começa, continua, pára, etc. Nesse sentido, a flecha funciona como o sinal
* Ir aspas e deve ser usado para assinalar repetição. A fecha deve ser colocada 
puire uma linha e outra, indicando a repetição da ação. Por exemplo:
Atendente entra na sala com toalha na mão.
11? olha em direção à atendente.
Atendente coloca toalha sobre a mesa 6.
/ S vira-se de costas.
/ S anda em direção à mesa 2.
S retira a toalha da mesa 2.
No exemplo acima, logo após a atendente entrar na sala, S olhou em sua 
direção. S continuou olhando na direção da atendente, enquanto ela colocava a 
toalha na mesa 6. Antes da atendente terminar de colocar a toalha, S virou-se de 
rostas e andou em direção à mesa 2. Quando S retirou a toalha da mesa 2, a 
«tendente já havia terminado de colocar a toalha na mesa 6.
I I ) Terminada a observação, numere os eventos registrados. Por exemplo, o 
registro apresentado anteriormente ficaria assim:
S no canto cd da sala, de pé, defronte à mesa 6, 
a aproximadamente 20 cm desta mesa.
(1) Atendente entra na sala com toalha na mão.
w / (2) S olha em direção à atendente.
| / (3) Atendente coloca toalha sobre a mesa 6.
~ | / (4) S vira-se de costas.
\ / (5) S anda em direção à mesa 2.
(6) S retira a toalha da mesa 2.
(7) Dobra a toalha em forma aproximada de bola.
(8) Joga a toalha em direção a um menino.
(9) Menino pega a toalha / (10) S sorri.
Além das convenções descritas acima, que serão adotadas e que você deve 
memorizar, damos a seguir duas sugestões, que visam diminuir > tempo gasto 
toin o registro (você poderá seguir ou não tais sugestões).
I ) Você pode utilizar símbolos para se referir a aspectos do ambiente físico, tais 
como janelas, portas e móveis; letras minúsculas para identificar as paredes ou 
lados, de uma área; números para se referir aos objetos; e letras maiúsculas 
para identificar as pessoas que emitem as ações ou são objeto de uma ação.
Os símbolos, números e letras devem ser especificados na legenda do 
diagrama, no relato do ambiente físico ou no relato do ambiente social (veja 
Unidade 3).
63
2j) Você pode utilizar, tambem, sinais ou abreviaturas para registrar os
comportamentos observados. Por exemplo: utilizar "pg” para “pega”, “nd" 
para “andar", etc.
A expressão “em direção a" poderá ser substituída por uma flecha 
horizontal. Por exemplo: “ S anda em direção ao quarto" poderá ser 
substituído por “ S anda — quarto” .
Se utilizar sinais ou abreviaturas para registrar os comportamentos, ao 
terminar o registro, você deve apresentar uma legenda referente a estes sinais e 
abreviaturas.
Q u e s tõ e s d e estudo
1) O que é um registro contínuo?
2) Identifique a utilidade do registro contínuo para o psicólogo.
3) Quais são as dificuldades existentes com relação ao registro continuo?
4) Quais são as maneiras de resolver este problema 
(dificuldades com relação ao registro contínuo)?
5) Explique os fatores que influenciam o grau de detalhamentode um registro.
6) Explique o que determina a variedade e tipo de comportamento a ser 
registrado.
7) Explique a diferença entre postura e posição.
8) Explique os tipos de comportamento motor.
9) O que é uma sistemática de registro?
10) Explique os cuidados que o observador deve tomar com relação ao tempo do 
verbo e seus complementos. Dê exemplos.
11) Como fazer para indicar a direção da ação?
12) Como indicar eventos sucessivos e eventos simultâneos?
13) Como indicar a continuidade de uma ação?
14) Qual a vantagem de se utilizar símbolos ou abreviaturas?
Instruções p ara a a t iv id ad e prática
A atividade consiste no registro contínuo dos comportamentos motores 
apresentados por uma pessoa numa situação.
O objetivo geral da observação è o de identificar os comportamentos 
motores que a pessoa apresenta na situação.
A atividade proposta é continuação daquela realizada na Unidade 4. Por 
essa razão você receberá de volta o protocolo preenchido na Unidade anterior. A 
este protocolo será acrescentado um novo item (9), referente ao registro continuo. 
Durante a sessão você deverá observar e simultaneamente registrar:
a) a localização inicial do sujeito e como ele se encontra (postura e posição): e
b) os comportamentos motores (mudanças na postura ou posição, manipulações 
de objetos ou pessoas, e locomoções) que o sujeito apresenta.
64
í $tttbretes
• Focalize sua atenção nos comportamentos motores. Não se preocupe 
cm registrar as expressões faciais que o sujeito possa apresentar.
• Obedeça às convenções de registro que foram estabelecidas. Não se 
esqueça de numerar, após a observação, os eventos registrados.
• Procure seguir também as sugestões dadas. (As sugestões não entram 
no critério de avaliação.)
• Se utilizar sinais ou abreviaturas para registrar os comportamentos, ao 
lerminar o registro, acrescente um 109 item ao protocolo. Nele você 
cspecificará o sistema de sinais e abreviações utilizado.
Instruções para o registro feito com o uso de projeção de filme
As instruções a seguir aplicam-se somente quando a atividade é feita 
uiili/.ando-se um filme5.
O filme foi produzido numa velocidade mais lenta, de modo a facilitar a 
observação e registro dos comportamentos apresentados pela pessoa. A projeção 
loineça com as seguintes palavras “ Registro Contínuo” . Estas palavras indicam o 
inicio da sessão de observação.
| . Se a atividade for feita com uso de outros recursos, o professor fornecerá as instruções 
adicionais necessárias.
PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO 
V) Técnica de registro continuo:
UNIDADE 6
O R E G IS T R O D O 
C O M P O R T A M E N T O - I I
(tbjetívos
A'> final da unidade o leitor deverá ser capaz de:
9 Observar e registrar continuamente, em linguagem Científica, os 
comportamentos motores e as expressões faciais 
apresentadas por um sujeito
ninterial
9 Irxto: “O registro das expressões faciais”
WÊ I xrrcicio de estudo 
j* instruções para a atividade prática 
I» Protocolo de observação
.jMividades
f t f i # A
§ I pí o texto “O registro das expressões faciais”
■ ||#i4)lver o exercício de estudo
S Pirtlcipar de uma discussão sobre o exercício de estudo
Ml* B
I L§? u*. instruções para a atividade prática 
£ f]twrv«r c registrar comportamentos
O registro das expressões faciais
Na atividade prática da unidade anterior, focalizamos unicamente os 
com portam entos motores. Nesta unidade focalizaremos, além dos 
com portam entos motores, as expressões faciais apresentadas pelo sujeito.
O registro das expressões faciais envolve o registro da direção do olhar da 
pessoa (fixação visual) e o registro das modificações que ocorrem no rosto (testa, 
sobrancelhas, olhos, nariz, boca. bochechas e queixo). Expressões faciais são 
movimentos tais como: enrugar a testa; franzir as sobrancelhas; franzir o nariz; 
abrir ou fechar os olhos; apertar, lamber ou morder os lábios; inflar as bochechas; 
tremer o queixo; m ostrar a língua; abrir ou fechar a boca, etc.
A dificuldade em registrar as expressões faciais é devida ao fato dos 
movimentos ocorrerem, em geral, em conjunto, isto é, ocorrerem modificações 
simultâneas de duas ou mais partes do rosto. A dificuldade está relacionada 
também ao fato das expressões faciais freqüentemente acompanharem os 
com portam entos motores do sujeito.
O registro das expressões fac ia is envolve o 
registro: a) da direção do olhar da pessoa; 
b) das modtficações que ocorrem no rosto 
(testa, sobrancelhas, olhos, nariz, boca. 
bochechas e queixo).
Para esclarecer melhor estas colocações, antes do exercício de observação, 
vamos fazer alguns exercícios de descrição das expressões faciais. Para tanto, 
vejamos um exemplo. A fotografia 6.1 mostra o rosto de uma menina.
Se fôssemos descrever a expressão facial desta menina, diríamos: “ A menina 
está com a bochecha direita levantada, boca aberta com exposição dos dentes 
superiores e sobrancelhas franzidas”. Esta é uma descrição mais objetiva do que 
dizer que ela está “ assustada”, “com dor” ou “medo” .
FIGURA 6.1 Rosto de menina
Exercíc io d e estudo
As fotografias seguintes mostram o rosto de pessoas. Observe as fotos e 
descreva abaixo as expressões faciais apresentadas pelas pessoas.
a) D escrição:__________ _____ _—- -------------------------------------------- ----- ——
2) Descrição:
3) Descrição:
4) Descrição:
1
FIGURA 6.2 Rosto 1 Rosto 2FIGURA 6.3
FIGURA 6.4 Rosto 3 FIGURA 6.5 Rosto 4
instruções para a a tiv id a d e prática
N a unidade anterior fizemos o registro continuo dos comportamentos 
motores apresentados por uma pessoa. Nesta unidade, além dos comportamentos 
motores, iremos registrar também as expressões faciais de pessoas.
O objetivo geral da observação é identificar os comportamentos que uma 
pessoa apresenta num a situação.
Ao terminar a leitura destas instruções, preencha os itens 1, 2, 3 e 4 dc 
protocolo de observação.
A sessão de observação constará de duas partes. Na primeira parte, você 
descreverá o sujeito e o ambiente em que ele se encontra, itens 5, 6, 7 e 8 do 
protocolo de observação. Na segunda parte da sessão, deverá registrar 
continuamente os comportamentos do sujeito. Nesta parte você deverá observa 
e simultaneamente registrar:
La) a localização inicial do sujeito e como ele se encontra; e b) os comportamentos motores (mudanças na postura ou posição, manipulações de objetos ou pessoas e locomoçÕes) e as expressões faciais (fixações visuais e modificações que ocorrem no rosto) que o sujeito apresenta.
Lembretes
® Obedeça as convenções de registro que foram estabelecidas. Terminada a 
observação, numere os eventos registrados.
® Se usar sinais ou abreviaturas, acrescente o item 10 ao protocolo, 
especificando o sistema de sinais e abreviaturas utilizado.
Instruções para o registro feito com o uso de projeção de filme
N a primeira parte da sessão, a projeção focalizará o sujeito e o ambiente em 
que a ação ocorre.
Durante a projeção, olhe para a tela procurando memorizar tudo o que vê. 
Após a projeção preencha o item 5 do protocolo. Você terá aproximadamente 5 
minutos para esta atividade. Após estes 5 minutos, a projeção será repetida.
Finda a segunda projeção, reveja as anotações referentes aos item 5, 
modificando onde se fizer necessário. A seguir preencha os itens 6, 7 e 8 do 
protocolo.
Terminada esta parte, a projeção continuará. Ao iniciar a segunda parte da 
sessão, a projeção m ostrará as palavras “Registro Continuo” . Estas palavras 
indicam o início da cena a ser observada e registrada a seguir.
74
PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO
I ) Nome do observador: _ 
t ) Objetivo da observação:
f) Data da observação:__
4) Horário da observação:
i) Diagrama da situação:
6) Relato do ambiente físico:
7) Descrição do sujeito observado:
8) Relatodo ambiente social:
W Técnica de registro contínuo
-
-
-
-
78
UNIDADE I____
OS EVENTOS AMBIENTAIS
E M Q U E O
COMPORTAMENTO SE IN S E R E -
o b j e t i v o s
Ao final da un idade o leitor deverá :
• V erbalizar sobre:
• eventos físicos e sociais
• a re lação que os eventos am bien ta is m antêm com o co m portam en to 
do sujeito
• D ado um re la to de observação , identificar os eventos físicos e sociais e 
estabelecer sua relação com o co m p o rtam en to do sujeito
material
• T exto: “ E ven tos físicos e so c ia is”
• Q uestões de estudo
• Fxercício de estudo
«tividades
• U r o texto “ Eventos físicos e sociais
• R esponder as questões de estudo
• Resolver o exercício de estudo
• P artic ipar de um a d iscussão sobre as questões e exercício de estudo
• Resolver o exercício de avaliação
79
Eventos físicos e sociais
Em geral, o obsèrvador do comportamento está interessado em obter dados 
referentes não só às características próprias do comportamento - duração, 
freqüência, forma etc. - mas também, e principalmente, referentes às 
circunstâncias nas quais o comportamento ocorre. Procedendo desse modo, o 
observador pode identificar relações funcionais entre eventos. A identificação e 
descrição de tais relações funcionais permite ao cientista analisar, predizer e 
alterar, se for o caso, os eventos observados. Por exemplo, pouco se pode fazer 
com a informação de que uma criança chora em média uma hora e meia por dia. 
Por outro lado, se além de informações sobre a duração do choro, o registro 
permitir identificar o momento em que o choro ocorre mais freqüentemente, o 
local, há quanto tempo após a última refeição, condições físicas da criança, o que 
as pessoas fazem quando a criança chora, o observador poderá identificar se há 
problemas, a sua natureza e o que deve ser feito para modificar a situação. 
Independentemente de haver ou não problema, poderá descrever condições 
físicas, sòcio-econômicas e culturais, como por exemplo características de um 
grupo de crianças que apresentam choro de maior duração, e com parar com outro 
grupo.
A indicação das circunstâncias sob as quais o comportamento ocorre é uma 
informação importante para o entendimento do fenômeno, qualquer que seja a 
técnica de registro usada.
Ao falarmos, na Unidade 3, sobre as condições em qué a observação ocorre, 
estávamos nos referindo a algumas destas circunstâncias. A descrição das 
condições, isto é, de quando (data e horário da observação) e onde (ambiente 
físico e social) a observação foi realizada e quem (sujeito) foi observado, fornece 
alguns dos elementos indispensáveis à análise do comportamento. Essa descrição 
porém é estática e não basta. Para analisar completamente o comportamento, é 
necessário identificar também as interações que ocorrem, num determinado 
período de tempo, entre o sujeito e o ambiente, isto é, mudanças no ambiente que 
sejam decorrentes da ação do sujeito (ou de fatores não identificados) e mudanças 
no ambiente que produzam mudanças no comportamento do sujeito. Esta dupla 
descrição é o que tentaremos fazer nesta unidade.
Os comportamentos de uma pessoa não só alteram as condições do 
ambiente, mas, por sua vez, também são afetados por alterações que ocorrem 
neste ambiente. As mudanças que ocorrem no ambiente durante a observação são 
denominadas de eventos ambientais.
Os eventos ambientais podem ser físicos ou sociais.
80
São as m udanças no ambiente físico. Por exemplo: o ambiente se iluminar 
ou escurecer quando o sujeito acende ou apaga a luz; o som do telefone; a porta 
bater pela ação do vento etc.
Os eventos físicos podem aparecer em decorrência de um a ação da pessoa 
observada, ou da ação de outras pessoas, ou ainda da natureza. Ao analisar os 
rvcntos físicos citados acima verificamos que: a iluminação ou escurecimento do 
ambiente é decorrente de uma ação da pessoa observada; o som do telefone é 
dccorrente da ação de outras pessoas (não observadas); e que a batida e 
conseqüente fechamento da porta, é decorrente da ação da natureza (o vento). Se 
completarmos o segundo e o terceiro exemplo dizendo que o sujeito pega o 
lelcfone e diz “alô”, ou que o sujeito se levanta e tranca a porta, poderemos 
mialisar as relações entre o comportamento e os eventos ambientais. No primeiro 
rxcmplo, o evento físico (iluminação e escurecimento do ambiente) ocorreu após a 
i^ão do sujeito e em conseqüência desta ação. Dizemos que este é um evento 
conseqüente ao comportamento do sujeito. No segundo e no terceiro exemplos, os 
eventos físicos ocorreram antes da ação do sujeito. Neste caso dizemos que eles 
mio eventos antecedentes ao comportamento do sujeito.
Os eventos físicos podem vir antes ou após um 
comportamento. Os eventos que ocorrem antes 
de um comportamento são denominados de 
eventos antecedentes. Os eventos que ocorrem 
após um comportamento são denominados de 
eventos conseqüentes.
As relações entre o comportamento e os eventos físicos ficam mais claras 
quando se transcreve os dados em três colunas: eventos antecedentes, 
comportamentos do sujeito e eventos conseqüentes.
Ao transcrever nossos exemplos, teremos:
EVENTOS FÍSICOS
1'.ventos 
antecedentes
Comportamentos 
do sujeito
Eventos
conseqüentes
5 acende a luz 
ou
S apaga a luz.
0 ambiente se ilumina. 
0 ambiente escurece.
Som do telefone. S pega o telefone. 
5 diz: “ alô” .
A fx)rta bate e 
w fccha.
S se levanta.
S tranca a porta.
8]
EVENTOS SOCIAIS
São os comportamentos das outras pessoas presentes no ambiente. O 
comportamento do sujeito é aquele que eu estou analisando, os comportamentos . 
das outras pessoas presentes são uma das circunstâncias que podem afetar o 
comportamento do sujeito.
Essa simultaneidade de comportamentos, emitidos pelo sujeito e outras 
pessoas presentes, bem como sua rapidez e interdependência, produzem uma 
situação de observação extremamente complexa. Devido a isso, o registro de 
eventos sociais requer uma atenção especial. Razão pela qual estabelecemos, a 
seguir, alguns critérios que orientem o leitor na seleção dos eventos sociais a 
serem registrados.
Em geral, o observador registra os eventos sociais (comportamentos das 
outrao pessoas presentes no ambiente):
1. Quando a pessoa emite um comportamento em relação ao sujeito ou ao grupo 
do qual o sujeito faz parte. Vejamos dois exemplos:
a) S, segurando pacotes, passa em frente a uma loja. Um dos pacotes cai no j 
chão.
Um vendedor da loja pega o pacote/ diz:- “Oi moço, o Sr. deixou cair este ( 
pacote”.
S vira-se,
anda em direção ao vendedor, pega o pacote/ d iz :- “Muito obrigado”.
b) S está no tanque de areia cavocando um buraco, juntam ente com outras i 
três crianças.
A professora se aproxima do grupoI diz: - "Quem quer ouvir uma estória?”
S e as crianças gritam: - “ Eu. eu. eu...’'
No primeiro exemplo, o comportamento do vendedor foi registrado porque 
foi dirigido ao sujeito; no segundo exemplo, o comportamento da professora foi 
registrado porque foi dirigido ao grupo do qual o sujeito faz parte.
2. Quando a pessoa apresenta um comportamento em relação a um objeto que 
pertence ou está relacionado ao sujeito observado. Vejamos os exemplos:
a) S escreve no caderno.
J pega a borracha de S.
S diz: “ Devolva logo” .
J balança afirmativamente a cabeça.
b) S, na pia, lava a louça do almoço.
P pega um prato âo escorredor.
Nesses exemplos os comportamentos das pessoas J tP foram registrados porque 
os mesmos foram dirigidos a objetos pertencentes (no primeiro exemplo) ou que 
se relacionavam (no segundo exemplo) ao sujeito observado.
3. Quando o sujeito observado emite um comportamento em relação a uma 
pessoa ou grupo de pessoas.
Por exemplo:
a) S olha em direção a J.
J passa no corredor.
b) S anda em direçãoa um grupo de crianças.
As crianças pulam amarelinha.
82
Eventos antecedentes Comportamentos do sujeito Eventos conseqüentes
l.b.
A professora se 
aproxima do 
grupo/ diz: - “Quem 
quer ouvir uma 
estória?“ .
£ está no tanque de areia, 
cavocando um buraco 
com outras três crianças.
S e as outras crianças 
g ritam :-“ Eu, eu, eu . . .”
2.a.
J pega a borracha de S„
S escreve no caderno 
S d iz : - “ Devolva logo”. J balança 
afirmativamente a 
cabeça.
3.a.
J passa no corredor.
3.b.
Um grupo de crianças 
pula amarelinha.
S olha em direção a J.
S anda em direção 
às crianças.
Os eventos ambientais (físicos e sociais) 
constituem-se em eventos antecedentes e 
conseqüentes aos comportamentos do sujeito .
Convém lembrar que algumas vezes ocorrem m udanças no ambiente, ou 
este contém aspectos que, de fato, parecem não alterar o modo de agir das 
pessoas presentes nesse ambiente. Outras características ou mudanças 
ambientais, contudo, parecem ter uma relação funciona! com o comportamento,
l ima análise comportamental completa envolve uma tentativa de identificação 
dos eventos que têm uma relação funcional com o comportamento porque são 
eventos que, ocorrendo antes do comportamento, propiciam ou dificultam a 
ocorrência desse comportamento; ou que, seguindo ao comportamento, alteram 
as condições ambientais em que a pessoa se encontra e, a curto prazo, alteram a 
«rqíiência de comportamentos que poderiam se seguir.
Nesses exemplos, o comportamento de J e do grupo de crianças foi 
registrado porque o sujeito apresentou um comportamento em relação aos 
mesmos.
Eventos sociais são os comportamentos das 
outras pessoas presentes no ambiente. Os 
eventos sociais podem ocorrer antes ou após um 
comportamento do sujeito.
Também as relações entre os eventos sociais e os comportamentos do sujeito 
são melhor analisados ao se transcrever os dados em três colunas: eventos 
antecedentes, comportamentos do sujeito e eventos conseqüentes. Ao transcrever 
os exemplos citados, teremos:
Eventos
antecedentes
Comportamentos 
do sujeito
Eventos
conseqüentes
l,a.
Um vendedor da loja 
pega o pacote/ diz:
- “Oi, moço, o Sr. 
deixou cair este pacote”.
S segurando pacotes 
passa em frente 
a uma loja.
S vira-se.
S anda em direção 
ao vendedor.
S pega o pacote/ diz: 
- “ Muito obrigado” .
Um dos pacotes 
cai no chão.
No exemplo l.a. o evento físico “pacote cair no chão” constitui-se num 
evento conseqüente ao comportamento de S “passar em frente da loja, segurando 
pacotes”. O evento social “o vendedor pegar o pacote” e “dizer: - Oi, moço...” 
constitui-se num evento antecedente aos comportamentos de S “virar-se”, “ andar 
em direção ao vendedor”, “pegar o pacote e dizer: - Muito obrigado”.
No exemplo 2.a., o evento social “J pega a borracha de S ” constitui-se num 
evento antecedente ao comportamento de S dizer: - “Devolva logo”; enquanto o 
evento social “J balança afirmativamente a cabeça” constitui-se num evento 
conseqüente a este comportamento de S.
Nos demais exemplos (l.b ., 3.a. e 3.b.), os eventos sociais constituem-se em 
eventos antecedentes aos comportamentos do sujeito.
Observe que o exemplo 2.b. não foi transcrito para a folha de análise. Isto 
ocorreu pelo fato de o relato não fornecer elementos para se estabelecer relações 
entre o evento social UP pega um prato do escorredor” e os comportamentos do 
sujeito.
83
Eventos antecedentes Comportamentos do sujeito Eventos conseqüentes.
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—Í-V
Relações funcionais:
2) S joga areia para cima. A areia cai em M, irmã de S. M chora. A mãe de S dá 
um tapa na mão de S. S chora.
Eventos antecedentes Comportamentos do sujeito Eventos conseqüentes.
c.
i - . - r . .......
Relações funcionais:
►
Questões de estudo
1) Explique porque é necessário registrar os eventos físicos e sociais.
2) Defina eventos físicos e eventos sociais.
3) Dê um exemplo de um evento físico que anteceda ao comportamento do 
sujeito.
4) Dê um exemplo de um evento social que anteceda ao comportamento do
sujeito.
5) Dê um exemplo de um evento físico que se segue ao comportamento do sujeito.
6) Dê um exemplo de um evento social que se segue ao comportamento do 
sujeito.
7) Explique as situações em que o observador deveria registrar os eventos sociais.
8) Explique o modo de representar as relações entre os eventos ambientais e os 
comportamentos do sujeito.
Exercício de estudo
Damos, a seguir, dois relatos de observação. Você deve identificar os 
eventos físicos e sociais existentes em cada relato e estabelecer a relação desses 
eventos com os comportamentos do sujeito. Transcreva o relato em três colunas. 
Proceda da seguinte maneira:
o inicialmente, comece identificando e sublinhando os eventos ambientais 
(físicos e sociais) existentes no relato;
© a seguir, identifique os comportamentos do sujeito que estão relacionados 
aos eventos ambientais sublinhados;
© transcreva, então, os comportamentos do sujeito e eventos ambientais nas 
colunas apropriadas para a análise;
© coloque entre parênteses, após cada evento ambiental, as siglas EF e E S 
quando se tratar, respectivamente, de um evento físico ou de um evento 
social; e
© finalmente, complete a análise descrevendo as relações funcionais que 
supõe existir entre os eventos ambientais e com parlamentais relatados. 
Faça isso no espaço apropriado que é dado a seguir.
1) S volta da escola carregando os livros a tiracolo, presos oor um cinto. A 
mãe de S encontra-se no portão.5 corre em direção à m5e. A mãe sorri. Neste 
momento, a presilha que prende os livros se abre e os livros caem no chão.
UNIDADE 8
OS EVENTOS AMBIENTAIS 
EM QUE O 
COMPORTAMENTO SE INSERE IS
Ao final da unidade o leitor deverá ser capaz de:
© Registrar continuam ente, em linguagem científica, seqüências de 
m udanças de eventos 
® Identificar, no registro efetuado, os eventos físicos e sociais e estabelecer 
a relação destes eventos com os com portam entos do sujeito
© Instruções para a atividade prá tica de observação e análise 
® Protocolo de observação 
© Foíhas de análise
© Ler as instruções para a atividade prática 
© O bservar e registrar eventos com portam entais e ambientais 
© Analisar os registros
instruções para a a tiv id a d e prática 
d e observação e análise
A atividade consistira:
a) do registro dos comportamentos e eventos ambientais que ocorrem numa 
situação; e
b) da análise dos registros efetuados.
O objetivo desta atividade é o de identificar eventos físicos e sociais e 
estabelecer a relação destes eventos com os comportamentos do sujeito.
Para realizar a atividade proposta, você utilizará o protocolo de observação 
e as folhas de análise que acompanham estas instruções.
PARTE A — Registro dos comportamentos do sujeito e eventos ambientais
Você deverá observar e simultaneamente registrar seqüências de mudanças 
de eventos, isto é, os comportamentos do sujeito (comportamentos motores e 
expressões faciais) e os eventos ambientais (eventos físicos e sociais) que ocorrem 
numa situação.
Ao terminar esta parte, transcreva os registros efetuados para as folhas de 
análise.
PARTE B — Análise dos registros efetuados
As três primeiras folhas de análise contêm três colunas: eventos ambientais 
antecedentes; comportamentos do sujeito; e eventos ambientais conseqüentes. 
Proceda como na Unidade 7:
1) identifique e sublinhe os eventos ambientais (eventos físicos e eventos sociais) 
registrados;
i
2) a seguir, identifique os comportamentos do sujeito que estão relacionados aos 
eventos ambientais sublinhados;
3) transcreva, então, os comportamentosdo sujeito e os eventos ambientais nas 
colunas apropriadas da folha de análise;
4) identifique se o evento é físico ou social, colocando as siglas EF (evento físico) 
ou ES (evento social), entre parênteses, após cada evento ambiental; e
88
FIGURA 12.3 Comportamento 2
FI
GU
RA
 
12
.2
 
Co
mp
or
ta
me
nt
o
5) finalmente, complete sua análise, descrevendo as relações funcionais que você 
supõe existir entre os eventos ambientais e comportamentais registrados. Faça 
isso na quarta folha de análise.
Instruções para o registro feito com o uso de projeção de filme
Você assistirá a projeção de um filme. O filme apresentará o ambiente e 
posteriormente a seqüência de eventos a ser registrada. O aparecimento das 
palavras “Registro Contínuo” marca o início da cena de observação.
Ao terminar a projeção, preencha o item 8 do protocolo - relato do 
ambiente social. Identifique no relato as outras pessoas que apareceram na 
situação e a atividade geral que ocorreu.
Observação. Após a kitura destas instruções, e antes de inidar o exercício 
de observação, você deve preencher os itens 1 a 7 do protocolo. Com relação aos 
itens 5, 6 e 7, visando a facüitação de sua tarefa, seu professor lhe fornecerá as 
informações necessárias a respeito do sujeito e do ambiente físico. Tendo 
preenchido estes itens, aguarde o início da projeção do fúme.
r:► í;
! ;
*.!•
PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO
1) Nome do observador:___________
2) Objetivo da observação:_________
i 3) Data da observação:__
4) Horário da observação:
5) Diagram a da situação:
6) Relato do ambiente físico:
7) Descrição do sujeito observado:
8) Relato do ambiente social:
9) Técnica de registro contínuo:
f
o
l
h
a
 
de
 
a
n
a
l
is
e
o
T3<S
UNIDADE 9
A DEFINIÇÃO CIENTIFICA
objetivos
Ao final da unidade o leitor deverá ser capaz de:
© D ada uma definição, identificar se a linguagem em pregada é objetiva, 
clara, precisa e direta; se a definição é explícita e com pleta; e se só inclui 
elementos que lhe são pertinentes
© Ler o texto “ A definição de eventos com portam entais e am bientais’' e 
resolver o exercício de estudo que o acom panha 
© Re sponder as questões de estudo
® Participar de uma discussão sobre os exercícios e questões de estudo 
® Resolver o exercício de avaliação
o Texto com exercício de estudo: “ A definição de eventos 
com portam entais e am bientais”
® Questões de estudo
99
A defin ição d e eventos 
com portam entais e am bientais
Vimos, nas unidades anteriores, que o uso da linguagem científica nos 
relatos de observação, permite a comunicação e elimina as divergências entre os 
observadores com relação à interpretação dos eventos observados. A 
compreensão exata de um relato, entretanto, só é obtida se o observador definir 
estes eventos.
A definição é condição indispensável para que dois ou mais observadores 
concordem quanto a ocorrência e características de um determinado evento.
Para exemplificar melhor a importância da definição faremos um exercício, 
seguindo sugestão de Hall1.
EX ER C ÍC IO 1
São apresentadas dez fotos na Figura 9.1. Observe cada uma, procurando 
identificar aquelas que representam o comportamento “levantar a m ão’'. Escreva, 
no espaço existente para a resposta, as letras correspondentes às fotos que 
representam o comportamento “ levantar a m ão” .
Resposta:
Analisaremos as respostas dadas no exercício. Alguns de vocês podem 
achar que todas as fotos representam o comportamento “ levantar a m ão” ; alguns 
dirão que unicamente as fotos b e c, ou outras combinações, tais como: b, c, h e j; 
ou a, b, c, d e e; ou g, e, i etc., representam este comportamento. De certa forma, 
qualquer uma das respostas é válida, uma vez que está baseada na opinião 
pessoal de cada um, acerca do que vem a ser “ levantar a m ão” .
Para haver consenso, isto é, concordância entre nós, seria necessário 
definirmos antes o comportamento “ levantar a m ão” .
Se definirmos o comportamento “levantar a m ão” como “colocar a mão 
acima do ombro , estando a mesma afastada da cabeça e a palma da mão 
aproximadamente no mesmo plano que o antebraço” (definição n9 1), todos 
concordaremos que apenas as fotos b t c representam este comportamento.
1. Robert V. Hall. Modificação do comportamento: a mensuração do comportamento. 
São Paulo: EPU/EDUSP, 1975, v. 1.
Se dermos, entretanto, uma definição diferente para o comportamento, 
outras respostas seriam aceitas. Então vejamos:
Definição n? 2: “deslocar a mão para cima, estando a mesma afastada da 
cabeça e a palma da mão aproximadamente no mesmo plano que o antebraço” ;
Definição nç 3: “colocar a palma da mão acima do ombro ombro” ;
Definição n? 4: flexionar a mão ou os dedos para cima” ;
Definição n9 5: “ mover uma ou mais estruturas do membro superior (braço, 
antebraço, mão ou dedos) para cima” .
De acordo com a definição 2: as fotos b, c, h e j representam “levantar a 
m ão” ; seguindo-se a definição 3, as fotos a, b, c, d e e\ de acordo com a definição
4, as fotos g e z; e adotando-se a definição 5 todas as fotos representam o 
comportamento em questão.
A definição identifica o evento que está sendo observado e, 
conseqüentemente, garante a comunicação e facilita a compreensão deste evento.
A importância principal da definição é permitir que as pessoas interessadas 
em um certo conjunto de fenômenos sejam perfeitamente capazes de 
compreenderem-se umas às outras e identificar o fenômeno em discussão.
Segundo Bijou, Peterson e Ault2 “o problema principal na definição de 
eventos é estabelecer um critério ou critérios, de forma que dois ou mais 
observadores possam concordar sobre sua ocorrência” . Por exemplo, se se deseja 
registrar o número de vezes que uma criança bate em outra, os critérios que 
distinguem o comportamento “bater” do comportamento “encostar & m ão” ou 
“em purrar” deve ser claramente especificados.
Definir um evento é descrever as características através das quais o 
observador identifica o evento, isto é, enunciar os atributos e qualidades próprias 
e exclusivas de um evento de modo a caracterizá-lo e distingui-lo de outros. Por 
exemplo:
1) Batida de porta: “ quando a porta encostar no batente, produzindo ruido” .
2) Falas dirigidas ao sujeito “quando uma outra pessoa falar e simultaneamente 
olhar na direção do sujeito observado ou chamá-lo pelo nome”.
3) Chutar pedra: “ fietir e estender a perna de modo a produzir contato do sapato 
ou do pé com a pedra”.
As duas primeiras definições são de eventos ambientais. A primeira é de um 
evento físico e a segunda, de um evento social. A terceira definição é de um evento 
comportamental.
Através destas definições é possível distinguir os eventos observados, isto é, 
distinguir uma “batida de porta” de um “encostar de porta” , na medida em que a 
primeira inclui a produção de ruído. O mesmo acontece com o evento social 
“falas dirigidas ao sujeito”, c com o evento comportamental “chutar pedras” . 
Através da definição, o observador é capaz de identificar os elementos que 
caracterizam o evento observado.
} Sidney W. Bijou, Robert F. Peterson e Marion H. Ault. A method to integrate 
descriptive and experimental field studies aí the levei of dat2 and empirical concepts 
Jo u rn a l o f Applied B eh a v io r Analysis, 1968, 1, 1980.
10J
Segundo Cunha3, o importante numa definição “é que se procure descrever 
um fenômeno de modo que ele seja, não referido apenas, mas colocado sob os 
olhos de outra pessoa exatamente como foi visto, ouvido, tocado, enfim,
observado”. ________________________ ______________________
Dçfinir é descrever as características através 
das quais o observador identifica o evento. A 
dçfinição garante a comunicação e fa c ilita a 
compreensãodos eventos observados.
Colocada a importância da definição, você deve aprender como elaborá-la. Para 
isso, existem alguns cuidados a serem tomados.
a) LINGUAGEM CIEN TÍFIC A
A definição deve ser feita em linguagem científica, isto é, numa linguagem 
objetiva, clara e precisa (veja Unidade 2).
b) FORM A DIRETA
A definição deve ser feita de forma direta ou afirmativa. isto é, deve indicar 
as características do objeto ou do comportamento, evitando-se o erro comum de 
dizer o que ele não é.
Exemplo: definir “ficar em pé” por “deixar de estar sentada”.
Como você pode observar, esta definição indica o que a pessoa não está 
fazendo. Neste sentido, além de contrariar o item b, viola também as 
características de clareza e precisão (item a), uma vez que não se especifica o que 
o sujeito faz ou como ele se encontra quando “deixa de estar sentado”.
EX ERCÍCIO 2
Damos a seguir, duas definições que estão erradas. Os erros estão 
relacionados aos cuidados que o observador deve ter ao definir, a saber: ser 
objetivo, claro, preciso e direto. Identifique e explique, no espaço existente após a 
definição, os erros cometidos.
1) Proximidade física: “quando uma pessoa se encontra não muito distante do 
sujeito” .
3. Walter Hugo A. Cunha. Alguns princípios de categorização, descrição e análise do 
comportamento. Ciência e Cultura, 1976, 28, 18.
2) Arranhar: “friccionar a ponta da unha sobre o corpo da outra pessoa para 
produzir ferimento” .
Vamos verificar as respostas dadas. A definição de proximidade física não é 
precisa. Para ser precisa ela deveria fornecer a medida da distância máxima que 
poderia existir entre a pessoa e o sujeito. Por exemplo: “quando a pessoa se 
encontra a menos de dois metros do sujeito”. A definição de arranhar, por sua 
vez, não é objetiva. A expressão “para produzir ferimentos” atribui uma 
finalidade à ação. Ao invés de interpretar os motivos para a ação, a definição deve 
especificar o resultado da mesma, isto é, o tipo de ferimento produzido. Por 
exemplo, “ friccionar a ponta da unha sobre o corpo da outra pessoa, produzindo 
um sulco na pele”.
c) EX PLÍC ITA E COM PLETA
Além dos cuidados salientados no itens a e b, a definição deve ser explícita e 
completa. Isto é, deve especificar as características que identificam o evento 
observado. Por exemplo, seria incompleta a seguinte definição de morder: 
“aproximação entre si das arcadas dentárias superior e inferior” , pois não se faz 
referência à presença de um objeto entre os dentes. Uma definição de morder, 
mais completa e explícita, é dada por Vieira4 - “ Morder: estando a boca aberta, 
consiste na aproximação entre si das arcadas dentárias superior e inferior, de tal 
forma que um objeto é mantido preso entre os dentes” .
d) ELEM ENTOS PERTIN EN TES
Incluir somente elementos pertinentes, que constituam características 
intrínsecas, ao fenômeno ou objeto que está sendo defmido. As propriedades 
definidoras de um evento são os elementos fundamentais, cujas presenças 
identificam o evento, distinguindo-o de outro. Por exemplo, se definíssemos 
“balançar chocalho” como: “estando a criança no berço com um chocalho entre 
as mãos, consiste em flexionar sucessivamente a mão que segura o chocalho, de 
forma a deslocar o chocalho alternadamente no espaço, produzindo ou não o som 
dos guizos”, estaríamos incluindo na definição um aspecto nào essencial ao 
comportamento de balançar chocalho, a localização da criança no berço. Tal 
iocalização pode ocorrer em algumas ocasiões, mas não é peculiar ao 
comportamento “ balançar chocalho” .
4. Telma Antônia M. Vieira. Elaboração de um catálogo de categorias de
comportamento: uma contribuição para o estudo etológico do homem. Dissertação de 
Mestrado apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 1975, 
p. 31.
105
E X E R C ÍC IO 3
Verifique os erros com etidos nas seguintes definições. Os erros estão 
relacionados aos cuidados que o observador deve ter ao definir, a saber: ser 
objetivo, claro, preciso e d ireto; cuidar para que a definição seja explícita e 
com pleta e só inclua elementos pertinentes. Identifique e explique, no espaço 
existente após a definição, os erros com etidos.
3) A bo toar: “ atritar o botão através da casa” .
4) D orm ir: “ tirar um a soneca” .
5) A ndar: “ m udar a posição no espaço por meio de m ovim entos alternados de 
pernas e balanço de braços.
Vejam os os erros. A definição de abotoar (definição 3) não está com pleta. 
F alta especificar o que acontece quando o botão é atritado. isto é, a ocorrência da 
junção das partes do tecido que contêm , respectivam ente, casa e botão. Um a 
definição com pleta de abotoar poderia ser “ atritar o botão através da casa, 
produzindo a junção das partes de tecido que contêm, respectivamente, casa e 
botão-.
A definição de dorm ir não é clara nem explícita. Ela é um a definição 
circular: ao invés de descrever os atributos do com portam ento , fornece um 
sinónim o do term o dormir. A definição deveria descrever as características do 
evento observado, isto é, deveria referir-se ao fechamento dos olhos, a alteração 
no ritmo respiratório, etc.
A definição de andar (últim a definição) inclui um elemento não pertinente, 
“ o balanço de b raços” . Balanço de braços não é um aspecto essencial para que se 
afirme que alguém está a andar; é um aspecto circunstancial, que poderá ocorrer 
em determ inadas ocasiões, m as não caracteriza o andar.
5. Definição adaptada de Cecília G. Batista. Catálogo de comportamentos motores 
observados durante uma situação de refeição. Dissertação de Mestrado apresentada ao 
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1978, p. 94.
106
Ao definirmos eventos comportamentais e 
ambientais, devemos ser: objetivos, claros, 
precisos e diretos; devemos cuidar para que a 
definição seja explicita e completa e só inclua 
elementos que lhe sejam pertinentes.
1) O que é definir?
2) Explique a im portância, em ciência, de uma boa definição.
3) Explique o que vem a ser um a linguagem objetiva, clara e precisa.
4) Por que a definição de “ ficar em pé” , com o “deixar de estar sen tada” , é um a 
definição que contém erro?
5) Explique ou tros cuidados que devem ser tom ados ao elaborar um a definição.
6) Defina o seguinte evento co m p o rtam en ta l: Pentear cabelos.
UNIDADE 10
DEFINIÇÕES MORFOLÓGICAS 
E FUNCIONAIS DO 
COMPORTAMENTO-I
Ao final da unidade o leitor deverá ser capaz de:
® Identificar se uma definição é morfológica, funciona! ou apresenta estes 
dois aspectos
© Diferenciar os aspectos morfológicos e funcionais de uma definição
® Texto com exercício de estudo: “Às maneiras de definir um 
comportamento”
• Questões de estudo
© L er o texto “Ás maneiras de se definir um comportamento” e resolver o 
exercício d e estudo que o acompanha 
© R e sp o n d e r às questões de estudo
© P a r t ic ip a r de u m a d is c u ssã o sobre o exercício e questões de estudo
© R e so lv e r o ex e rc íc io de a v a lia ç ã o
material
atividades
IOV
A s m aneiras d e se d e fi nir 
um com portam ento
N a U nidade 9 m ostram os a im portância de um a definição e identificam os as 
principais características que um a definição deve atender. N esta unidade, veremos 
as diferentes maneiras de se definir com portam ento.
Ao analisar um com portam ento, há basicam ente dois aspectos a serem 
considerados: o morfológico e o funcional.
M orfologia diz respeito à forma do com portam ento, isto ê, à postura, 
aparência e movim entos apresentados pela pessoa. F unção diz respeito às 
modificações ou efeitos produzidos pelo com portam ento no am biente. Por 
exemplo, quando você relata que M está com os om bros caídos, e pálida, ou que 
move a cabeça lateralm ente para a direita, você está focalizando os aspectos 
m orfológicosdos com portam entos apresentados por M (um a postura: om bros 
caídos; um a aparência pálida; e urn m ovim ento: move a cabeça lateralm ente p a i;1 
a direita). Q uando diz que M aproxim a-se da janela, ou que M abre a bolsa, você 
está enfatizando os aspectos funcionais dos com portam entos, isto é, os efeitos 
produzidos no am biente (proxim idade da janela e bolsa aberta, respec tivam en te)^
As definições com portam entais podem focalizar aspectos morfológicos, 
aspectos funcionais, ou am bos. As que dão ênfase à descrição da form a do 
com portam ento serão denom inadas de definições morfológicas'; e aquelas que 
enfatizam o efeito produzido no am biente, de definições funcionais. C ham arem os 
de mistas, as que incluem tan to aspectos m orfológicos com o funcionais.
Vejamos alguns exemplos de definição de com portam ento:
Beijar: “estando os lábios jun tos, projetados para frente, num a form a
arredondada e franzida, consiste em encontar ou não os lábios num a 
superfície e inspirar o ar pela boca, estalando os lábios2” .
M arcar gol: “ quando uma bola, chu tada por um jogador, penetrar entre as 
traves” .
A tirar: “ estando um objeto preso entre os dedos, consiste em estender o 
antebraço abruptam ente e, sim ultaneam ente, abrir a mão, 
produzindo o lançam ento do objeto para longe do co rpo3”.
1. A definição m orfológica requer, em geral, especificações b astan te com plexas. O nível 
de especificação que vam os requerer, en tre tan to , é bem sim ples. E xem plos de 
descrições ‘m orfológicos m ais e laboradas e sofisticadas podem ser en co n trad o s no 
artigo de C u n h a que descreve um curso de observação científica, m in istrado a pós- 
g rad u ad o s de Psicologia. (W alter H ugo A. C unha. A cerca de um curso pós-g raduado 
destinado ao treino da observação científica no dom ínio das ciências do 
com portam en to . Ciência e Cultura, 1974, 26, 846-853.)
2. D efin ição ad ap tad a de C ecília G . Batista. Catálogo de comportamentos motores 
observados durante uma situação de refeição. D issertação de M estrado ap resen tada ao 
Institu to de Psicologia da U niversidade de São Paulo. São Paulo, 1978, p. 64.
3. Idem, p. 66.
110
A definição de “ beijar" é uma definição m orfologica na med:da em que 
descreve a postura dos lábios (lábios jun tos, projetados para frente, num a form a 
arredondada e franzida) e os m ovim entos que ocorrem (inspiração do ar pela 
boca. estalando os labios); e a definição de “ m arcar gol” , por outro lado, é um a 
definição funcional. Nela não se teve a preocupação de identificar os aspectos 
m orfológicos (partes do corpo que executam o movim ento, nem o movimento que 
ocorre), m as apenas de descrever o efeito do com portam ento de chutar, “ a bola 
penetrar entre as traves” . A definição de "a tira r” é considerada uma definição 
mista, pois focaliza tan to aspectos m orfológicos (extensão abrup ta de antebraço e 
abertura da mão), com o aspectos funcionais (lançam entos do objeto para longe 
do corpo).
A escolha do tipo de definição a ser utilizado depende do objetivo do estudo 
observacional. Em geral, quando a observação visa a seleção ou avaliação de 
pessoas, definições funcionais são suficientes. Entretanto, quando a observação 
visa o treinam ento da pessoa, é necessário especificar tam bém a morfologia do 
com portam ento.
Se o objetivo é a seleção ou avaliação profissional, bas ta verificar se o efeito 
desejado foi obtido, ou melhor, se a tarefa foi feita de acordo com os critérios 
estabelecidos. Por exemplo, posso avaliar a eficiência de um pedreiro, verificando 
o produto do seu trabalho. N este caso, o com portam ento do pedreiro de 
“ construir paredes” será definido funcionalm ente, descrevendo-se os efeitos do 
mesmo (tijolos sobrepostos, unidos e alinhados). E ntretan to , se o objetivo for o 
treinam ento do pedreiro, será necessário recorrer a definições que descrevam não 
só o efeito, mas tam bem as posturas e m ovim entos que ele apresenta ao construir 
a parede, na seqüência em que estes m ovim entos e posturas ocorrem . N este caso, 
será necessário descrever a form a com o ele pega a pá. com o alisa o cimento, 
com o coloca o tijolo, etc.
A descrição da morfologia do com portam ento e especialm ente im portante 
no caso de tra tam en to ou recuperação de pessoas com deficiências de natureza 
física. Por exemplo, quando o psicólogo trabalha na recuperação de uma criança 
com lesão cerebral, a evolução do trabalho, isto e, a m udança de critério para 
requerer dela novos com portam entos, vai depender de pequenas alterações na 
form a do com portam ento (no m odo pelo qual a criança coloca o pé ao andar, no 
seu jogo de pernas e coxas etc, ou na seqüência em que estes movimentos 
ocorrem). Neste caso, para poder acom panhar o progresso da criança, o 
psicólogo deve recorer a definições que identifiquem e diferenciem cada um a 
destas pequenas alterações.
O objetivo do estudo observacional determina o 
tipo de definição a ser utilizado.
Existem, en tretanto , com portam entos que são mais facilm ente descritos, ou 
em term os m orfológicos ou em term os funcionais. Em geral, quando o 
comportamento não produz m udanças perceptíveis no am biente externo, a 
definição m orfológica é mais adequada. Exemplos de com portam entos 
com patíveis com definições quase que exclusivam ente m orfológicas: m udanças dc 
expressão facial (sorrir, enrugar a testa , franzir as sobrancelhas etc) e m udanças 
de postura (curvar-se, encolher-se, inclinar a cabeça etc).
L em bram os, contudo, que essas m udanças de expressão facial e de postura, 
freqüentem ente ocorrem no contexto de uma interação social. Neste caso, as 
definições funcionais ou m istas seriam mais adequadas.
P or ou tro lado, quando os aspectos m orfológicos consistirem basicam ente 
de m ovim enitos de difícil identificação e observação, a definição funcional é 
preferível. Por exemplo, nas vocalizações - tais com o falar, can tar, m urm urar etc
- a fo rm a dos com portam entos não é acessível à observação direta, pois os 
m ovim entos, em sua m aioria, se processam a nível interno. Neste caso, a 
definição deverá focalizar, preferencialm ente, os aspectos funcionais destes 
com portam entos, ou seja, os sons produzidos4’'.
E X E R C ÍC IO D E A N Á L ISE DE D E F IN IÇ Õ E S
Verifique se as definições apresentadas a seguir são m orfológicas, funcionais 
ou m istas. Justifique sua resposta.
1) C hu tar bola: “ fletir a perna e estendê-la rapidam ente, produzindo contato dos 
pés com a bola e o deslocam ento da m esm a".
R e s p o s ta :----------------------------------------- ---------------------------------------------------------
Justificativa:
2) P ressionar a barra: “qualquer deslocam ento da barra que seja acom panhado 
do clique característico do aparelho".
R e s p o s ta :--------------------------------------------------------------------------------------------------
Justificativa:
3) Espetar com garfo: “ introduzir os dentes de um garfo no alimento, ficando os 
dentes do garfo total ou parcialm ente envolvidos pelo alim ento5"
R e s p o s ta : --------------------------------------------------------------------- :---------------------------
Justificativa: —
4) Fechar a boca: “ estando o lábio superior afastado do labio inferior, m over os 
lábios de forma a diminuir a distância
a n te r io r
R esposta:
Justificativa:
meia entre eles. em relação à posição
J V v, ' •^ V < 1 X ■
4. N o caso especifico da foniatria e da fonoaudiologia, o p ró p ric objetivo do traba lho 
determ ina a necessidade de um a descrição m orfologicas (m ovim ento de lingua. laringe, 
co rd as vocais), por mais difícil que ela seja.
D efinição ad ap tad a de Cecilia G . B atista, ob ia c itada, p. 105.
D efinição ad ap tad a de Cecília G. B atista,obra c itada, p. 95.
112
r -
Vamos ver se você acertou?
A prim eira definição e mista. Ela focaliza tanto os aspectos m orfológicos 
(flexão seguida de extensão da perna), com o os funcionais (estabelecim ento de 
contato dos pés com a bola e deslocam ento da bola de sua posição).
A segunda e a terceira definição são exclusivamente funcionais, na 
m edida em que se limitam a descrever os efeitos dos com portam entos (na 
segunda, o deslocam ento e produção do clique da barra ; e na terceira, a 
introdução e envolvim ento do garfo no alimento). A form a destes 
com portam entos, isto é, com o a b arra é pressionada, ou com o o garfo e 
m anipulado (posturas e m ovim entos) é um elemento ausente nas definições 
dois a três.
A quarta é um a definição m orfológica. Ela focaliza exclusivam ente as 
alterações na form a do com portam ento (movimento dos lábios e dim inuição 
da distância entre eles),._-__ - ....... - ....... .......- .............. -------------------- ^
Resum indo, definições m orfológicas focalizam a postura, aparência e 
m ovim entos apresentados pela pessoa; definições funcionais salientam os 
efeitos produzidos peio com portam ento no am biente; e definições mistas 
focalizam ambos~Tsío é: aspectos m orfológicos e aspectos funcionais.
*"■— -Nar-práticà, você pode seguir a seguinte “dica". P ara diferenciar uma 
definição m orfológica de uma funcional, verifique se o referencial utilizado na 
definição é o sujeito ou o am biente externo. As definições m orfológicas 
descrevem o que ocorre com o sujeito (m ovimentos, posturas, aparências), 
tendo com o referencial o próprio sujeito. Isto é, um m ovim ento de braço e 
descrito com o um a flexão que resulta num determ inado ângulo de abertura do 
braço em relação ao corpo do individuo. As defnições funcionais refcrem-se a 
efeitos produzidos no am biente físico e social (alteração no estado, ou posição 
ou localização de objetos ou pessoas; produção de sons ou ruídos): ou nas 
reiações que o sujeito m antem com este ambiente (na localização ou posição 
do sujeito ou de um a parte de seu corpo). Exemplo de alterações em objetos e 
pessoas seria "J abre a porta e em purra C para fora" (neste caso, os 
com portamentos de J produzem , respectivam ente, uma m udança na posição 
da porta e na localização de C). C om o exemplo de alteração nas relações que 
o sujeito m antém com o am biente físico, tem os: "J estende o braço em direção 
a m açaneta da porta... J sai da sa la” . 'N este exemplo, os efeitos produzidos 
são, primeiro, um a m udança na posição do braço em relação a porta. e. 
depois, um a m udança na localização de J).
LLl
Q u estõ es de estudo
1) Explique as características:
a) de uma “ definição m orfológica" do com portam ento:
b) de uma “ definição funcional" do com portam ento ; e
c) do que é cham ado um a “ definição m ista".
2) Dê um exemplo de com o o objetivo de um estudo determ ina o tipo de 
definição a ser utilizada. Justifique.
3) Indique, nos exemplos abaixo, que tipo de definição seria mais provavelm ente 
usada. Justifique sua escolha.
Encolher-se.
C an ta r.
F ranzir as sobrancelhas.
A brir os olhos.
Sussurrar.
114
UNIDADE 11
D E F IN IÇ Õ E S MORFOLÓGICAS 
E FUNCIONAIS DO 
COMPORTAMENTO-II
Ao final da unidade o leitor deverá ser capaz de:
® Descrever aspectos morfológicos e aspectos funcionais do 
comportamento
material
© Texto com exercício de estudo: “Morfologia e função do 
comportamento”
atividades
® Ler o texto “Morfologia e função do comportamento”, e resolver 
exercício de estudo que o acompanha
® Participar de uma discussão sobre o exercício de estudo
® Resolver o exercício de avaliação
M o rfo lo g ia e função 
do com portam ento
Vimos, na unidade anterior, que as definições m orfológicas focalizam a 
form a do com portam ento , isto é, as posturas, aparências e m ovim entos 
apresentados pela pessoa. E que as definições funcionais enfatizam as 
m odificações produzidas pela pessoa no am biente.
Vimos tam bém que ao elaborar um a definição m orfológica, devem os utilizar, 
com o referencial, o próprio corpo da pessoa. Q uer dizer, ao descrever um 
m ovim ento, devemos indicai- a direção e sentido do m esm or tom ando cc;no 
referência as partes do corpo (cabeça, tronco, pés etc.), ou suas regiões (regic.o 
central; regiões laterais: direita e esquerda; região anterior e região posterior). Por 
exemplo, ao descrever os com portam entos de um ginasta fazendo exercícios 
abdom inais eu diria: “ dobra o tronco no sentido póstero-anterior de form a a 
aproxim ar a cabeça dos joe lhos” .
N a definição funcionai, em geral, é feito o inverso. O referencial utilizado é o 
am biente externo (am biente físico e social) e não o próprio sujeito. Por exemplo, 
descrevo funcionalm ente o com portam ento de aproxim ação entre duas pessoas, 
dizendo: “ S está a um a distância igual ou inferior a um m etro de Ap\ Neste caso, 
A' é o meu ponto de referência.
A tenção! A descrição “ / / tira o chapéu da cabeça e o coloca sobre a m esa” 
é um a descrição funcional. “ C olocar o chapéu sobre a m esa” é, obviam ente, 
funcional, assim com o tirar o chapéu da cabeça. Veja bem, o fato de eu descrever 
o com portam ento em relação à cabeça de H não to m a m orfológica a descrição, já 
que não focalizei os m ovim entos e posturas envolvidos nesse .gesto. A c contrário , 
descrevi um efeito (o chapéu ficou fora da cabeça) produzido no am biente 
externo, pelo com portam ento de H; houve um a m udança na posição relativa de 
um a parte do corpo de H (cabeça) e no am biente externo (chapéu).
A té aqui você analisou várias definições, classificando-as de acordo com os 
aspectos m orfológicos e funcionais. É evidente, contudo, que ao observador não 
basta identificar definições. N a realidade, ele deve elaborá-las com base em suas 
próprias observações. A presentam os, a seguir, ilustrações à guisa de exercício. 
Você deve descrever as sita ações apresentadas nas ilustrações.
FI
GU
RA
 
11
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E X E R C ÍC IO D E A N Á L ISE D E D E F IN IÇ Õ E S :
1. O bserve a F igura 11.1. Ela consiste em um conjunto de três fotografias. 
C ada um a (fotos a, b t c) m ostra um m om ento diferente do com portam ento que 
está sendo ilustrado. A pós observar a figura, descreva os aspectos m orfológicos 
do com portam ento em questão. Tente elaborar a descrição sob form a de um a 
definição.
1.1. D efinição m orfológica do com portam ento (F igura 11.1 A m esura)
V ejam os se você acertou. A F igura 11.1 m ostra um a m enina fazendo 
um a m esura. N a foto a, ela está com o corpo ereto; na foto b, a m enina está 
com a região superior do tronco obliquam ente inclinada, no sentido póstero- 
an terio r; e na foto c, a inclinação da região superior do tronco é mais 
p ronunciada, apresentando-se perpendicular à região inferior.
U m a definição que enfatizasse os aspectos m orfológicos deveria 
descrever as posturas do corpo e o m ovim ento executado. Por se tra ta r de 
fotos, o que vemos na seqüência é um a sucessão de posturas. Neste caso, o 
m ovim ento deve ser inferido. E você acertou quer tenha descrito as três 
posturas do corpo, quer tenha descrito a postu ra inicial do corpo e inferido o 
m ovim ento executado.
P o rtan to , poderíam os dizer que a F igura 11.1 m ostra o com portam ento 
de “ fazer um a m esura” e defini-lo com o: “ estando um a pessoa em pé. com o 
corpo ereto, consiste em m over a região superior do tronco no sentido 
póstero-an terio r” .
São apresentadas ou tras duas figuras p ara serem analisadas. Proceda de 
acordo com as instruções dadas anteriorm ente.
1.2. D efinição m orfológica do com portam ento 
(F igura 11.2 O adeus)
1.3. Definição m orfológica do com portam ento 
(F igura 11.3 As palm as)
2.O bserve as próxim as figuras. N elas foi incluída m ais um a foto. A foto d 
m ostra o m om ento final da seqüência, após a ocorrência do com portam ento. 
D escreva, no espaço existente após cada figura, os aspectos funcionais. Tente 
elaborar sua descrição, de form a que ela se assemelhe a um a definição do 
com portam ento reproduzido na seqüência.
2.1. Definição funcional do com portam ento 
(F igura 11.4 M ingau de banana)
Vamos conferir! A Figura 11.4 m ostra uma banana sendo am assada. N a 
loto a, a m ão de alguém está segurando um garfo e este está sobre um a das 
extrem idades de um a banana. N as fotos b e c. a m ão de alguém continua 
segurando o garfo, estando este introduzido na banana. N a foto d vemos um a 
m assa pastosa. RECXl" CC; I
U m a definição que focalizasse os aspectos funcionais do com portam ento 
reproduzido na F igura 11.4 deveria focalizar o contato do garfo como alimento, 
nssim com o a alteração na form a da banana, ao invés de focalizar n posiura tia 
mão e dos dedos ao segurar o garfo e os m ovim entos realizados ( i ip t t l í i s
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GU
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11
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de 
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na
na
m orfológicos). Por exemplo. B atista 1 definiu “ am assar'’' com o: “ atritar o garfo 
contra o alim ento, produzindo um alim ento mais pastoso ou fracionado do que 
antes de ser am assado” .
Analise, agora, as duas figuras apresentadas a seguir, e defina 
funcionalm ente os com portam entos nelas representados.
2.2. D efinição funcional do com portam ento 
(F igura 11.5 O refrigerante)
2.3. D efinição funcional do com portam ento 
(F igura 11.6 Econom ize água)
3. C om as próxim as figuras você deverá ten tar elaborar um a definição 
mista, isto é, um a definição que inclua aspectos m orfológicos e funcionais do 
com portam ento .
3.1. D efinição m ista do com portam ento 
(F igura 11.7 F azer recortes)
1. Cecília G. Batista. Catálogo de comportamentos motores observados durante uma 
situação de refeição. D issertação de M estrado apresentada ao Instituto de Psicologia 
da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1978, p. 61.
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Vejamos com o você se saiu! À F igura 11.7 m ostra o com portam ento 
“cortar com tesou ra’'. N a foto a, a m ão esquerda de alguém segura um a folha de 
papel intato, enquanto a mão direita segura um a tesoura. Os dedos estão 
flexionados, sendo que o polegar e o indicador estão introduzidos nos orifícios da 
tesoura. As lâm inas da tesoura estão abertas e o papel está entre as lâm inas. Na 
foto b,a m ão esquerda de alguém continua segurando o papel, e os dedos da m ão 
direita continuam flexionados com o polegar e o indicador introduzidos nos 
orifícios da tesoura. As lâminas da tesoura estão fechadas e o papel está entre as 
lâminas e parcialm ente secionado. N a foto c, a postura e posição da m ão e dos 
dedos continua a mesma. As lâm inas da tesoura estão abertas, sendo que a 
tesoura avançou a 1/3 no papel. A foto d m ostra o papel dividido em duas partes 
distintas.
U m a definição m ista do com portam ento “ cortar com tesou ra” focalizaria 
tan to aspectos morfológicos (postura dos dedos e m ovim entos realizados), com o 
aspectos funcionais (efeito destes m ovim entos sobre as lâm inas da tesoura e sobre 
o papei). A definição de “ cortar com tesoura" apresentada a seguir é um exemplo 
de definição m ista: “ estando os dedos de um a das m ãos flexionados, com o 
poiegar e o indicador introduzidos nos orifícios da tesoura, consiste em elevar e, 
alternadam ente, abaixar o polegar de form a a produzir a aproxim ação das duas 
lâminas até que elas se atritem , dividindo o objeto em duas p arte s” (definição 
adap tada de B atista 2). Poderíam os com pletar a descrição do com portam ento 
reproduzido pela F igura 11.7, dizendo que “ após o atrito das lâm inas, a m ão que 
segura a tesoura se desloca, avançando a tesoura no papel e que, após o avanço 
da tesoura, os m ovim entos do polegar (de elevar e abaixar) se repetem, até dividir
o papel em duas partes d istin tas” .
O bserve novam ente duas das figuras já apresentadas, F igura 11.3 (As 
palm as) e F igura 11.5 (O refrigerante). A nteriorm ente você definiu, ou 
m orfologicam ente (Figura 11.3 As palm as) ou funcionalm ente (Figura 11.5 O 
refrigerante), os com portam entos nelas representados. A gora, deve elaborar um a 
definição m ista do com portam ento ilustrado em cada um a das figuras.
3.2. Definição m ista do com portam ento
(Figura 11.3 As palm as)
2. Cecília G. Batista, obra citada, p. 61.
127
3.3. D efinição m ista do com portam ento 
(F igura 11.5 O refrigerante)
P or últim o, observe a F igura 11.8 A patinação . A pós observar os aspectos 
m orfológicos e funcionais do com portam ento ilustrado na figura, apresente um a 
definição m ista deste com portam ento.
FIGURA 11.8 A patinaçao
UNIDADE 12
O PROBLEMA DA 
CLASSIFICAÇAO D E 
COMPORT AMENTOS -1
objetivos
A o final d a u n id a d e o le ito r d e v e rá ser c a p a z de :
© A g ru p a r os c o m p o rta m e n to s em c lasses e id e n tif ica r o s e lem en to s 
u tiliza d o s c o m o c rité rio p a ra a c la ss ificaç ão
material
® T ex to : “ A g ru p a m e n to d o s c o m p o rta m e n to s em c la s se s”
• E x erc íc io de e s tu d o
atividades
® Ler o te x to “ A g ru p a m e n to d o s c o m p o rta m e n to s em c la sse s”
© R eso lv e r o exerc íc io de e s tu d o
® P a r tic ip a r de u m a d isc u ssã o so b re o te x to e so b re o exercíc io de e s tu d o
® R eso lv er o ex erc íc io de a v a lia ç ã o
A g ru p a m e n to dos 
com portam entos em classe
P ara conhecer um organism o, para estudá-lo, é necessário passar algum as 
horas em contato com ele, observando e registrando seus com portam entos. No 
início, os com portam entos parecem ser infinitam ente variáveis. E ntretanto , após 
observações repetidas, passa-se a perceber sem elhanças com relação à morfologia 
e/ou função do com portam ento.
A partir das sem elhanças, e tam bém das diferenças, encontradas entre os 
com portam entos, o observador, num a segunda etapa de trabalho , passa a 
classificar estes com portam entos. A classificação é um a form a de organizar os 
dados disponíveis. Ela visa estabelecer ordem , coerência e uniform idade entre os 
eventos observados.
Os critérios adotados pa ra a classificação são os m esm os utilizados para 
definir o com portam ento , ou seja: 1) sua m orfologia; 2) sua função; ou 3) am bos. 
E assim com o nas definições, a escolha do critério de classificação depende do 
objetivo de trabalho do observador. (Se você tem dúvidas, consulte novam ente as 
U nidades 10 e 11.)
1 - A G R U P A M E N T O S PELA M O R F O L O G IA
Os com portam entos que apresentam sem elhanças no m ovim ento, e/ou 
postura, e/ou aparência podem ser agrupados segundo essas sem elhanças, tal 
agrupam ento será dito “ m orfológico” (pela m orfologia).
V am os ao exemplo. Os com portam entos: “ apagar com a bo rrach a” , “ riscar 
com a can e ta” e “ lixar a un h a” apresentam sem elhanças m orfológicas. Nos três, a 
postu ra dos dedos que prendem o objeto (borracha, caneta e lixa) é sem elhante: 
“os dedos estão flexionados” ; e os m ovim entos que ocorrem tam bém são 
sem elhantes: “ movim entos do an tebraço e/ou m ão em vai-e-vem ” . O fato de estes 
três com portam entos apresentarem certas sem elhanças com relação à morfologia 
perm ite que eles sejam colocados num a m esm a classe, a qual denom inarem os de 
“ friccionar” . Pense em outros com portam entos que poderiam ser incluídos nesta 
classe.
Evidentemente que, dependendo dos objetivos, essa classe poderia ser 
subdividida em muitas outras. N este caso eu poderia levar em conta as diferenças 
no ritm o ou na força dos m ovim entos com que a pessoa apaga, risca ou lixa.
132
C onvém salientar que os com portam entos analisados acim a, além das 
sem elhanças m orfológicas, apresentam tam bém um a sem elhança com relação à 
função, um a vez que produzem o deslocam ento de um objeto sobre um a 
superfície.
A utilização de critérios exclusivam ente m orfológicos ocorre, em geral, 
quando o interesse é o de identificar e descrever as próprias posturas, aparências e 
m ovim entos apresentados.
Podem os lem brar aqui um a ocasião em que agrupam entos m orfológicos se 
m ostrariam particularm ente úteis. Vejam os. Se precisássem os estudar o 
funcionam ento de um a determ inada parte do corpo que critério u tilizaríam os? 
O bviam ente, o critério morfológico. Suponham os que o objetivo do meu estudo 
fosse “ identificar por que os operários de um a determ inada fábrica apresentam 
deform ações de postu ra após um certo tem po de trab a lh o ” . N este caso, 
incia lm ente eu poderia descrever, usando um a classificação m orfológica, os 
problem as de postu ra encontrados. Posteriorm ente, eu iria verificar as causas 
destes problem as. Poderia, por exem plo, classificar m orfologicam ente tam bém as 
posturas que os operários exibem duran te o trabalho , verificando se estas seriam 
as causas das deform ações de postura.
2 - A G R U P A M E N T O S P E L A F U N C IO N A L ID A D E
São agrupam entos que têm com o referencial as m odificações produzidas no 
am biente. P or exemplo, ao p reparar a terra p ara o plantio, um lavrador pode 
apresen tar diferentes tipos de com portam ento , ta is com o: “ passar o tra to r” , 
“ passar o arado anim al” ou “ cavar com a enxada ou enxadão” . Todos estes 
com portam entos, em bora sejam m orfologicam ente diferentes, apresentam alguns 
efeitos com uns, tais com o “ sulcos n a te rra e revolvim ento da m esm a” . Esta 
sem elhança com relação à função dos com portam entos perm ite que eles sejam 
agrupados num a m esm a classe, a qual denom inarem os “ sulcar a te rra” .
O agrupam ento pela função é escolhido quando estam os interessados em 
analisar a ocorrência de determ inado efeito do com portam ento sobre o am biente. 
F reqüentem ente, este é o tipo de agrupam ento utilizado ao se realizar um a análise 
funcional do com portam ento , isto é, das condições que antecedem e sucedem o 
com portam ento e das relações deste com estas condições (Millenson ', Ferster, 
Culbertson e Boren 2; Bijou e Baer 3).
A expressão “ tocar a cam painha” refere-se a um a variedade de 
com portam entos que produzem o toque da cam painha, e que podem apresentar 
variações de duraçao e força, ou m esm o de postura, ou de partes do corpo 
envolvidas. V ariações estas que, apesar de existirem, não são consideradas, um a 
vez que o critério é o efeito produzido. D o m esm o m odo podem os nos referir “ a 
d iscar o telefone” com o um a classe de com portam entos que produzem o giro do 
disco do telefone. N esta classe são incluídos “ discar com o dedo ind icador” , 
“discar com o lápis” , “ discar depressa” , “ discar devagar” etc.
í. J. R. Miliensoa. Princípios de análise do comportamento. Brasília: Coordenada, 1975.
2. Charles B. Ferster, Stuart Culbertson e Mary C. P. Boren. Princípios do 
comportamento. São Paulo: H U C IT E C /E D U SP, 1977.
3. Sidney W. Bijou c Donald M. Baer. O desenvolvimento da criança: uma análise 
compor lamentai. São Paulo: EPU, 1980.
3 - AGRUPAMENTOS PELA MORFOLOGIA E FUNÇÃO
Os agrupam entos pela m orfologia e função obedecem a um critério duplo. O 
critério duplo consiste na identificação de sem elhanças na form a e no efeito dos 
com portam entos.
Q uando necessitam os da inform ação acerca de com o um dado efeito é 
produzido, recorrem os ao critério duplo. Por exemplo, se quiserm os saber com o 
um lavrador “ sulca a te rra” terem os que considerar as diferenças na m orfologia 
dos com portam entos que produzem este efeito e, provavelm ente, colocar os 
com portam entos “passar o tra to r” , “ passar o arado anim al” e “ cavar com a 
enxada ou enxadão” em classes diferentes. Ao classificar os com portam entos, os 
etólogos, em geral, utilizam critérios duplos ou critérios m orfológicos e, mais 
raram ente, os funcionais (C arthy 4, H utt e H u t t5, C unha 6).
Vejam os um exemplo de agrupam ento duplo. A F igura 12.1 ilustra três 
com portam entos.
Os três com portam entos representados na F igura 12.1 apresentam 
sem elhanças tan to na form a (posturas e movim entos), com o no efeito produzido 
no am biente, podendo ser agrupados num a m esm a classe, a qual denom inarem os 
“ corta r alim ento com faca”.
Identifique as sem elhanças existentes entre os com portam entos nesta figura, 
P ara facilitar a identificação das sem elhanças na morfologia., tente visualizar as 
fotografias sem objetos e instrum entos envolvidos, isto é, sem o pão. cebola ou 
carne, e sem a faca. Escreva suas respostas nos espaços apropriados.
A - Sem elhanças com relação à função:
B - Sem elhanças com relação à m orfologia:
4. John D. Carthy. O estudo do comportamento. São Paulo: N acional/ED U SP, 1969.
5. Sidney J. H utt e Corine Hutt. Observação direta e medida do comportamento. São 
Paulo: E PU /ED U SP, 1974.
6. W alter Hugo A. Cunha. Alguns princípios de categorização, descrição e análise do 
com portam ento. Ciência e Cultura, 1976, 2.8, 15-24.
134
FIGURA 12.1 Comportamento 1
“
FIGURA 12.1 Comportamento 3
D o ponto de vista das sem elhanças funcionais, podem os dizer que nos três 
casos ocorre a “ introdução e deslocam ento da faca no objeto (pão, carne oik 
cebola), de form a a produzir a divisão do m esm o” . C om pare, agora, sua resposta 
com esta descrição funcional.
N um a descrição das sem elhanças m orfológicas, diríam os que, nas fotos, as 
pessoas apresentam o dedo indicador da m ão direita estendido e os dedos médio, 
anular e m ínim o flexionados, com a falange e falangeta voltadas p a ra dentro; 
enquanto que na m ão esquerda, os dedos, na m aioria das fotos, estao 
aproxim adam ente estendidos e unidos, com exceção do polegar que se encontra 
afastado dos demais. Focalizaríam os, tam bém , os m ovim entos que ocorrem , 
dizendo que o antebraço e a m ão direita se deslocam p ara frente e pa ra trás; e 
que, enquan to isso, a mão esquerda se m antém praticam ente imóvel. Verifique se 
a sua descrição contém esses elementos.
Amplitude do agrupamento
Em geral, é o objetivo do trabalho que determ ina a escolha do critério de 
classificação. É im portante considerar o problem a da escolha do critério porque 
ele influirá na am plitude do agrupam ento a ser form ado. D e acordo com o critério 
utilizado, um a classe inclurá um núm ero m aior ou m enor de com portam entos, 
isto é, ela será mais abrangente ou mais restrita. C ritérios exclusivam ente 
m orfológicos, ou exclusivamente funcionais têm um a abrangência m aior do que 
critérios duplos.
V oltem os a analisar o trabalho de um lavrador. Vam os considerar que, ao 
p reparar a te rra para o plantio, ele poderá apresen tar um dos seguintes 
com portam entos: 1) capinar com a enxada; 2) cavar com a enxada ou enxadão;
3) capinar com a capinadeira; 4) lavrar com o arado.
Se adotássem os o critério funcional, poderíam os form ar duas classes de 
com portam ento , as quais seriam denom inadas “ lim par a te rra ” e “ sulcar a te rra” . 
N a prim eira classe, incluriam os os com portam entos 1 e 3 (cap inar com a enxada 
e com a capinadeira) e na segunda, os com portam entos 2 e 4 (cavar com a enxada 
ou enxadão e lavrar com o arado). Se utilizássem os o critério m orfológico, 
poderíam osform ar tam bém duas classes, as quais denom inaríam os “ p reparar a 
terra usando instrum entos m anuais” e “ p repara r a terra , usando equipam entos 
m ovidos por traç ão ”. Neste caso, estaríam os considerando as diferenças 
m orfológicas existentes no uso de instrum entos m anuais (enxada e enxadão) e na 
utilização de equipam entos m ovido por tração (tra to r ou tração anim al). N a 
prim eira classe, incluriam os os com portam entos 1 e 2 (capina, com a enxada e 
cavar com a enxada e enxadão); e na segunda, os comportamentos 3 e 4 (capinar 
com a cap inadeira e lavrar com o arado). Finalm ente, se adotássem os o critério 
duplo, isto é, se considerássem os o efeito e a m orfologia, colocaríam os cada um 
destes com portam entos em classes distintas.
A am plitude do agrupam ento é tam bém influenciada pelo grau de 
especificidade do critério adotado, isto é, pelo rigor com que eu aplico um critério. 
O grau de especificidade, por sua vez, depende dos objetivos do estudo 
observacional e das conveniências do observador.
No exemplo anterior, o agrupam ento m orfológico “ preparar a terra usando 
equipam entos movidos por traç ão ” inclui tan to o uso de tra to r com o o uso de 
tração animal. Um m aior rigor no critério colocará o uso de tra to r e de tração 
animal em classes distintas, um a vez que existem diferenças entre o 
com portam ento de “ dirigir um tra to r” e o com portam ento de “ conduzir um 
anim al” .
U tilizando o critério m orfológico, um observador poderá classificar os 
com portam entos “ andar devagar” , “ andar depressa” e “ andar em ritm o norm al” 
em uma única classe, na m edida que estes com portam entos apresentam 
sem elhanças na form a (deslocam entos alternados dos m em bros inferiores, que se 
processa da seguinte m aneira: quando a coxa e perna de um dos m em bros é 
estendida verticalm ente, a coxa do ou tro m em bro é flexionada p ara frente; 
concom itante ao m ovim ento da coxa. a perna correspondente é flexionada e em 
seguida estendida). Se o observador, en tretanto , for mais específico e considerar, 
além das partes do corpo envolvidas e da form a geral dos m ovim entos, tam bém 
as diferenças existentes no ritm o, força e am plitude dos m ovim entos, classificará 
estes com portam entos em classes distintas.
Os com portam entos “ m order a ponta do lápis” , “ m order um a m açã” e 
“ m order um colega” apresentam sem elhanças tan to na form a (aproxim ação das 
arcadas dentárias superior e inferior) com o no efeito produzido (objeto 
com prim ido entre os dentes), podendo ser agrupados num a única classe. No 
entanto, se fossem considerados os fatores m otivacionais envolvidos, poderíam os 
classificar estes com portam entos em três classes funcionalm ente distintas. 
“ M order a ponta do lápis” poderia ser classificado com o um tique, “ m order um a 
m açã", com o um com portam ento de alim entação, e “ m order um colega” , com o 
um com portam ento de agressão. D o m esm o modo: se fôssem os mais específicos 
quanto à m orfologia, poderíam os distinguir variações na abertura ou na força do 
fecham ento da arcada dentária, bem com o outros aspectos m orfológicos 
subsidiários, com o retração ou não dos lábios.
Os agrupamentos poderão ser amplos ou 
restritos. A amplitude do agrupamento depende
j do critério utilizado e do grau de especificidade 
considerado.
Como proceder ao classificar os comportamentos?
'f-
Existem algum as regras básicas para o agrupam ento dos com portam entos, 
que podem nortear o seu trabalho.
I9) As classes form adas devem ser m utuam ente exclusivas, isto é. não deve 
ocorrer sobreposição de classes. C ada com portam ento deve pertencer a apenas 
uma das classes. Por exemplo, provavelm ente ninguém colocaria, qualquer que 
fosse o critério utilizado, os com portam entos “ an d a r” e “ com er” com o 
pertencentes a uma mesma classe. C ontudo, é frequente encontrarm os 
classificações com o: classe 1 ~ andar: classe 2 - com er: classe 3 - dirigir-se ao 
arm ário da cozinha. É provável, neste caso. que as classes 1 e 3 ou 2 e 3 estejam 
sobrepostas. Isso seria evitado possivelmente com a elim inação da classe 3 ou 
com a sua transform ação em subclasse, da classe 1 ou 2.
139
29) T odos os com portam entos observados e registrados devem ser 
classificados, não im portando que p ara isso se criem classes com um único 
elemento com portam ental. Em ou tras palavras, o observador pode e deve definir 
tan tas classes quantas forem necessárias para que seu trabalho fique com pleto.
3?) O observador deve ser coerente com o critério utilizado, isto é, se 
optou pelo critério m orfológico deve utilizá-lo exclusivam ente, e o grau de 
especificidade deve ser o m esm o para todas as classes.
O ideal seria que estas três regras fossem utilizadas por todos. N otam os, 
contudo, que em alguns estudos, elas nem sem pre são seguidas, especialm ente a 
terceira. A lgum as vezes, o não seguim ento da 3- regra é justificável. P or exemplo, 
se o objetivo do trabalho for descrever as form as de in teração social entre um a 
criança e sua mãe, e se os recursos e tem po disponíveis para realização do 
traba lho são lim itados, não há por que aplicar critérios rigorosos, extrem am ente 
específicos na classificação de com portam entos que não estejam diretam ente 
relacionados ao objetivo. Neste caso, é com um que se use um critério duplo 
(m orfológico e funcional) bastan te específico p ara os com portam entos de 
interação. Porém , quanto aos dem ais com portam entos (com o os que ocorrem na 
ausência da mãe, ou que, ocorrendo em sua presença não representam in teração) 
é admissível usar um a classificação mais am pla e geral.
Exercício de estudo
Analise as quatro figuras apresen tadas (Figuras 12.2; 12.3; 12.4 e 12.5). As 
fotos a. b e c de cada figura representam diferentes m om entos de um 
com portam ento . Ao analisar as figuras, procure identificar as sem elhanças 
existentes entre os com portam entos ilustrados (sem elhanças na form a e/ou no 
efeito produzido).
A seguir, agrupe os quatro com portam entos em classes. Use. em prim eiro 
lugar o critério funcional, depois o m orfológico, e, por último, o critério duplo.
Atenção! Ao utilizar um determ inado critério, especifique quantas classes 
foram form adas e descreva as características de cada classe.
P ara descrever as características de cada classe:
a) identifique os com portam entos incluídos, ou seja. liste os com portam entos que 
você incluiu em cada classe;
b) descreva as sem elhanças existentes entre os com portam entos incluídos na 
classe, de acordo com o critério adotado;
c) se a classe for form ada por um único com portam ento , descreva as 
características deste com portam ento ;
d) verifique se todos os com portam entos foram incluídos; e
e) verifique se não há sobreposição de classes.
140
1. A grupam entos pela funcionalidade. 
L l. Q uantidade de ciasses form adas
1.2. D escrição das ciasses:
A grupam entos pela m orfologia.
2.1. Q uantidade d e 'c lasses form adas:
2.2. D escrição das classes:
A grupam entos pela morfologia e função (duplos).
3.1. Q uantidade de classes fo rm ad as :___________
3.2. D escrição das c la s se s :______________________
UNIDADE 13
O PROBLEMA DA 
CLASSIFICAÇÃO DE 
COMPORTAMENTOS-II
ob je tivos
Ao final da unidade o leitor deverá ser capaz de:
© Definir classes de comportamento pela morfologia e/ou função
material
© Texto: “A definição de classes de comportamento”
© Exercício de esíudo
atividades
© L er o texto “A definição de classes de comportamento”
© Resolver o exercício de estudo
® P a r tic ip a r de uma discussão sobre o exercício de estudo 
® R eso lv e r o exercício de avaliação
A defin ição d e classes 
d e com portam ento
D issem os anteriorm ente queao definir um evento devem os descrever as 
caracteristicas através das quais o observador identifica esse evento. 
Conseqüentem ente, para definir um a classe de com portam entos devem os, 
tam bém , descrever as características dos com portam entos que form am esta 
classe.
Os cuidados a serem tom ados, com relação à definição de classes de 
com portam ento são, portan to , iguais àqueles tom ados quando da definição de 
eventos com portam entais particulares. Ou seja, definições de classes de 
com portam ento devem:
1) O bedecer aos critérios especificados p ara um a linguagem cientifica 
(objetividade, clareza e precisão);
2) Ser expressas na form a direta e afirm ativa;
3) Ser explícitas e com pletas; e
4) Incluir som ente elementos que lhes sejam p e r t in e n te j^
E m bora esses requisitos já tenham sido discutidos na U nidade 9, seria 
im portante retom ar, de m aneira mais aprofundada, a análise do que vem a ser 
um a definição “explicita e com pleta” , tendo em vista as especificidades do 
agrupam ento dos com portam entos em classes.
Vimos que os critérios de um agrupam ento baseiam -se nas sem elhanças 
entre os com portam entos incluídos nesse ag rupam en to1. P o rtan to , um a definição 
de classe p ara ser explicita deveria focalizar as sem elhanças existentes no aspecto 
considerado com o critério p ara o agrupam ento. Além disso, essas sem elhanças 
deveriam ser descritas na seqüência natural em que ocorrem .
P or exemplo, num agrupam ento m orfológico, um a definição que focalizasse 
as sem elhanças na form a dos com portam entos seria explícita. Assim , um a 
definição explícita do agrupam ento m orfológico, que inclui os com portam entos: 
“ apagar com a bo rracha” , “riscar com a caneta” e “ lixar a un h a”, deveria 
focalizar a postu ra dos dedos que seguram o objeto (borracha, caneta e lixa); e os 
m ovim entos que ocorrem . D o m esm o m odo, num agrupam ento que obedecesse a 
critérios funcionais, um a definição explícita focalizaria os efeitos com uns 
produzidos pelos com portam entos. A definição do agrupam ento funcional, qtT5— J 
inclui os com portam entos: “ passar o tra to r” , “ passar o arado anim al” e “ cavar
1. Sc você en co n tra r dificuldade em lem brar os critérios de ag rupam en to , releia a 
U n idade 12.
150
com a enxada ou enxadão” , deveria focalizar o efeito com um produzido, “ sulcos 
na terra e revolvim ento da m esm a” . Por outro lado, e ainda do mesmo m odo, 
num agrupam ento duplo, a definição focalizaria as sem elhanças na form a e no 
efeito dos com portam entos. Assim , a definição do agrupam ento duplo, que inclui 
os com portam entos “ cortão p ão ” , “ co rta r cebola” e “ cortar carne” , deveria 
descrever a postura dos dedos que seguram a faca e a postura dos dedos que 
seguram os objetos (pão, cebola e carne), os m ovim entos que ocorrem e o efeito 
produzido na seqüência natural em que os eventos ocorrem .
Um a definição completa focalizaria todas as sem elhanças existentes entre os 
com portam entos, ou seja, além de focalizar as sem elhanças relativas ao critério 
utilizado, a definição descreveria tam bém as sem elhanças referentes às condições 
necessárias p ara que o com portam ento ocorra. Ou seja, a definição do 
agrupam ento m orfológico dos com portam entos “ apagar com a b o rrach a” , 
“ riscar com a can eta” e “ lixar a un h a” deveria referir-se ao fato de que o objeto 
(borracha, caneta e lixa) está preso entre os dedos da pessoa, e que um a parte do 
objeto está em contato com um a superfície. N o agrupam ento funcional dos 
com portam entos “passar o tra to r” , “ passar o arado anim al” e “ cavar com a 
enxada ou enxadão” , a definição deveria referir-se ao uso de instrum entos. E no 
agrupam ento duplo dos com portam entos “ cortar p ão ” , “ corta r cebola” , “ cortar 
carne”, a definição deveria referir-se ao fato da faca estar entre os dedos de um a 
m ão, e o objeto (pão, cebola e carne) estar apoiado sobre um a superfície e 
imobilizado pela ou tra mão.
Além disso, um a definição com pleta especificaria tam bém a unidade de 
análise considerada^JU nidade de análise são os critérios utilizados pelo 
observador p ara delimitar o início e o fim de um com portam ento ou seqüência 
com portam ental. Sua explicitação se faz necessária quando se quer quantificar os 
com portam entos, pois a precisão na contagem dos eventos depende desta 
explicitação.
Portan to , as definições das classes de com portam ento só estariam com pletas 
se acrescentássem os a inform ação referente à unidade de análise. Por exemplo, a 
definição do agrupam ento “ corta r p ã o ” , “ cortar ca rne” , “ corta r cebola” , estaria 
com pleta se especificássem os que “ um a unidade inicia quando ocorre o 
deslocam ento do antebraço e da m ão, e term ina quando: a) é interrom pido o 
contato da faca com o objeto (pão, cebola, carne) ou, b) ocorre um a interrupção 
na seqüência de m ovim entos que produzem o corte, in terrupção esta de 10 ou 
mais segundos” .
Em geral, a identificação do início da prim eira unidade é feita a partir da 
identificação do evento com portam ental e das condições necessárias para sua 
ocorrência. A identificação do início das unidades subseqüentes é feita a partir, 
obviam ente, do térm ino das unidades anteriores.
A delim itação da unidade de análise possibilita a quantificação precisa dos 
com portam entos. Se não tivéssem os estabelecido a unidade de análise na 
definição da classe descrita anteriormente, e o sujeito, após ter produzido um 
corte no pão (sem porém separá-lo em partes distintas) levantasse a faca e, 
im ediatam ente após, voltasse a introduzi-la no corte existente, certam ente os 
observadores ficariam em dúvida se o sujeito havia co rtado um a ou duas vezes o 
pão. Pela especificação da unidade a ser considerada, fica claro que, neste caso, 
existiriam dois cortes, isto é, duas unidades.
A exata delim itação da unidade de análise é arb itrária , ela varia em função 
das conveniências do observador (facilidades no registro) e dos objetivos do 
estudo observacional. Assim , ao invés da unidade de análise estabelecida 
anteriorm ente, poderíam os ter definido o térm ino da unidade de corte pela 
“ ocorrência da divisão do objeto em duas partes d istin tas” . N esta caso, a 
ocorrência do com portam ento só seria con tada quando o objeto fosse 
com pletam ente seccionado, não im portanto o núm ero de in terrupções nos 
m ovim entos, ou no contato da faca com o objeto.
Um últim o cuidado a ser tom ado com relação ao problem a de definição de 
classes, diz respeito à denominação a ser dada à classe. É im portan te atribuir 
nom es às classes analisadas, pois isso facilita o processo de com unicação, bem 
com o sua referência posterior, elim inando a repetição constan te de sua definição.
Segundo C u n h a2, o nom e adotado deverá ser o que mais p ron ta e 
objetivam ente evoque a definição da classe. N o exemplo analisado, a 
denom inação “ corta r alimento com faca” é ap ropriada, um a vez que sugere ao 
leitor a ação que está sendo definida.
R esum indo os cuidados que um observador deve tom ar ao definir um a 
classe, poderíam os dizer que:
Ao definir uma classe de com portamentos o
observador deverá:
— Identificar as condições necessárias à 
ocorrência dos comportamentos, quando 
estas condições existirem ;
— Descrever os eventos na seqüência em que 
ocorrem, isto é, do estado inicial ao fin a l;
— Identificar a unidade de análise que está 
sendo considerada; e
— Atribuir uma denominação à classe.
P a ra verificar até que ponto o que foi dito nesta unidade foi aprendido por 
você, seria conveniente que relesse o texto referente à U nidade 12, “ A grupam ento 
dos com portam entos em classe” , e tentasse identificar se os cuidados 
m encionados na U nidade 9, bem com o nesta,estão sendo levados em conta. 
Existem três exemplos, no texto da U nidade 12, que contêm descrições de 
agrupam entos. Essas descrições poderiam , agora, ser reelaboradas por você, sob 
a form a de um a definição de classe com portam ental. F aça isso em folhas à parte.
C om o definir é um a ta refa com plexa e difícil, e a fim de que você não om ita 
nenhum item, fornecem os abaixo um padrão p ara orientá-lo na form a de 
ap resen tar definições. Isto é, após analisar as descrições dos agrupam entos, 
segundo os critérios e cuidados já m encionados, sugerim os que transcreva o 
resultado de sua análise do seguinte m odo:
2. Walter Hugo A, Cunha. Alguns princípios de categorização, descrição e análise do 
comportamento. Ciência e Cultura, 1976. 28, 15-24.
152
1) Critério de agrupam ento e exemplo de com portam entos incluídos na classe; 
' 2) D enom inação da classe;
3) D escrição das condições;
4) D escrição dos eventos em sua seqüência; e
5) D escrição da unidade de análise.
Após realizar esta tarefa, com pare suas definições com as que apresentam os 
a seguir:
E X E M PL O 1
Agrupamento pela morfologia
C om portam entos incluídos: “ apagar com a b o rrach a” , “ riscar com a 
caneta” e “ lixar a unha” (conform e proposto na U nidade 12).
Denominação-.
Condição:
Eventos em 
sua seqüência:
Unidade de 
análise:
Friccionar.
Estando os dedos de um a das m ãos flexionados ao redor de um 
objeto de m odo a prendê-lo, e um a parte do objeto em contato 
com um a superfície;
consiste em m over o antebraço e/ou a m ão, que prende o objeto, 
em vai-e-vem.
A unidade inicia quando inicia o m ovim ento do antebraço e/ou 
da m ão, e term ina quando ocorre: a) um a in terrupção m aior do 
que 10 segundos, na seqüência dos m ovim entos; ou b) perda de 
contato do objeto com a superfície; ou c) perda de contato da 
m ão com o objeto.
E X E M PL O 2
Agrupamento pela funcionalidade
C om portam entos incluídos: “ passar o tra to r” , “ passar o arado anim al” e 
“ cavar com a enxada ou enxadão” (conform e proposto na Unidade 12).
Denominação: Sulcar a terra.
Condição: A través de um instrum ento (arado, enxada ou enxadão);
Eventos em
sua seqüência: produzir sulcos e/ou revolver a terra.
Unidade de
análise: U m a unidade ocorre quando acontece m udança de carreador
(fileira), ou quando ocorre um a in terrupção da tarefa igual ou 
superior a cinco m inutos.
C om o pode ver, a identificação da unidade de análise em agrupam entos 
exclusivam ente funcionais é bem m ais simples de que nos agrupam entos 
morfológicos, pois basta identificar o térm ino do efeito com portam ental definido 
com o critério.
E X E M P L O 3
Agrupamento pela morfologia e função
C om portam en tos incluídos: “ corta r p ão ” , “ co rta r cebola5' e “ co rta r carne” 
(conform e F igura 12.1 da U nidade 12).
Denominação: C o rta r alim ento com faca.
Condição: E stando os dedos de um a das m ãos sobre um objeto (pão, 
cebola, carne), que se encontra apoiado num a superfície, de 
form a a prendê-lo e imobilizá-lo, e, n a ou tra m ão, estando o 
polegar e indicador estendidos, e os dedos médio, anular e 
míi.imo flexionados ao redor do cabo de um a faca;
Eventos em
sua seqüência: consiste em deslocar o an tebraço e a m ão que segura a faca 
para frente e p ara trás, introduzindo e deslocando a faca no 
objeto, de form a a produzir a divisão do objeto.
Unidade de
análise: U m a unidade inicia quando ocorre o deslocam ento do
antebraço e da m ão, e term ina quando: a) é interrom pido o 
contato da faca com o objeto (pão, cebola, carne), ou b) ocorre 
um a in terrupção na seqüência de m ovim entos que produzem o 
corte, in terrupção esta de 10 ou mais segundos.
C om parando os três exem plos, verificam os que, no Exem plo 2, o tem po 
estabelecido com o critério de térm ino de unidade é superior ao tem po estabelecido 
nos ou tros (Exem plos í e 3). Você poderá se perguntar o porquê desta diferença. 
E bom lem brar que quando se usa critérios tem porais (que se baseiam na duração 
total ou na pausa dos com portam entos) eles devem ser escolhidos com certo 
cuidado. E m bora seja arb itrária , a escolha do critério deverá levar em conta a 
duração m édia dos com portam entos. Assim , com portam entos que têm um a 
du ração breve requerem critérios mais restritos, e com portam entos de longa 
duração , critérios mais am plos. E sta foi a razão porque escolhem os 10 segundos 
com o critério de pausa p ara as classes “ friccionar” e “ co rta r alimento com faca”, 
e cinco m inutos para a classe “ sulcar a te rra” .
E xercíc io
O exercício 'de estudo que irem os realizar te rá com o base a Unidade 12. Ou 
seja. você irá analisar as F iguras 12.2 C om portam ento 1; 12.3 C om portam ento 
2; 12.4 C om portam ento 3 e 12.5 C om portam ento 4 do exercício de estudo da 
U nidade 12.
O bedeça o padrão adotado:
Critério de agrupam ento e exemplo de com portam entos incluídos na classe; 
D enom inação da classe;
D escrição das condições;
D escrição dos eventos em sua seqüência; e 
D escrição da unidade de análise.
154
1) Considere a F igura 12.2 C om portam ento 1 e a F igura 12.5 C om portam ento
4. U sando o critério m orfológico, defina a classe que contém o 
com portam ento 1 e o com portam ento 4.
2) Considere, agora, a F igura 12.2 C om portam ento 1, a F igura 12.3
C om portam ento 2 e a F igura 12.4 C om portam ento 3. U sando o critério 
funcional, defina a classe que contém os com portam entos 1, 2 e 3.
3) Finalm ente, analise a F igura 12.3 C om portam ento 2 e a F igura 12.4 
C om portam ento 3. U sando o critério duplo, defina m orfológica e 
funcionalm ente a classe que contém os com portam entos 2 e 3.
156
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