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... 7.. 11. Identifique os processes de formaqgo das palavras: 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . a) aeromovel 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
b) otorrino 
c) aeromodelismo 
d)alfanumBrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . e) agrot6xico 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . f) auto-escola 
1 12. Cite cinco prenomes formados pela combinago de nomes de pessoas 81 r (geralmente o pai e a ma) . 
Interprete, quanto A formaqa'o, as seguintes palavras : 
a)Papambvel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
b)Bombom . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . c) Petrodolar 
d)Carroya . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . e) carrossel 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . f)BomBril 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . g) caminha0 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . h) ziriguidurn 
Classes 
e Func6es 
A morfologia trata da estrutura e dos processos de flexa'o e formaggo 
das palavras. Cabe-lhe ainda, segundo as gramdticas, a tarefa de classificar os 
vocabulos, problema que merece uma completa tevisb em face de nunca 
haver obtido soluq6es satisfatorias. Antes de tudo, exige-se a preocupa~a'o de 
respeitar a coerEncia estrutural que o pr6prio sistema lingiiistico apresenta. 
c Dessa maneira, toda classificaga'o deve obedecer a.crit6rios estabelecidos e 
testados dentro do sistema. De nada adianta forqar deduq6es corn base nos 
mecanismos formais, se estes ngo possibilitam opostq6es ou se os vocSbulos se 
organizam mediante outros critirios. 
1 A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), ao propor a uniformiza- 
qZo do ensino da lingua portuguesa, ofereceu pma classificaqa'o que nLo resis- 
te A menor critica. Apesar disso, adquirindo forqa de lei, a portaria que 
instituiu a NGB, se teve seus m6ritos, impediu de certa forma que outtas 
orientag6es fossem mais divulgadas e discutidas. 
Sendo assirn, todos os compEndios escolares dividem os vocdbulos em 
dez classes, com a seguinte distribuiqtio: 
i Substantivo Adjetivo Vdve i s Pronome Artig 0 Numeral Verbo 
Sem pretender analisar detidamente essa proposta, julgamos que a NGB 
foi incoerente nos seguintes itens: ! 
1. Usou a expressgo "ClassificagZo das palavras" quando apropriada- i 
mente deveria ter dito "classificaqZo dos vociibulos", j i que a i inseriu o artigo 
e os conectivos. 
2. Criou urna classe para urn s6 morfema (o artigo) e deixou inclassifi- 
civeis indmeros vocibulos e expressaes sob o r6tulo de "palavras denotati- 
vas", a exemplo de eis, tambh, somente, inclusive etc. 
3. Considerou as inte rjeig6es como palavras, quando a rigor sZo frases 
de situaggo: Socorro ! Valha-me Deus! 
4. Misturou criterios heterogeneos. Assim estabeleceu duas classes 
distintas para substantivos e adjetivos, opostas I dos pronomes que, como 
sabemos, podern ser tambdm substantivos e adjetivos. 
5. Criou a classe dos nurnerais, como se fossem distintos dos substan- 
tivos e adjetivos. 
6 . Interpretou. o grau como "flexZoW, o que teria sido suficiente para 
enquadrar os advdrbios entre as palavras variiveis. 
NIo obstante, se hA pontos falhos na proposta da NGB, C difidl formu- 
i 
lar outra que a substitua. 0 principal problema d que a tarefa de classificqZo 
nZo d do fimbito restrito da morfologia. Se o vocibulo apresenta forma, fun- 
qZo e sentido, d evidente que os critdrios rnbrfico, sintitico e semlntico se 
conflitam em qualquer tentativa de classificaqgo. 1 i 
Por esse prisma, entendemos que n50 se deve confundir classe com 
funqgo. 0 nome, o pronome e o verbo sgo classes; o substantivo, o adjetivo e 
o advCrbio s2o funq6es. As classes sZo estudadas dentro da rn~rfologia~asfuh- 
g6es pertencem ao dominio da sintaxe. Ou entgo, desfaqam-se as fronteiras 
para uma interpretaqzo conjunta, que deve constituir a morfossintaxe. Isto 6 
aceithvel. 0 que nZo parece correto 6 invadir os lirmles estabelecidos, mistu- 
rando coneeitos e critdrios heterogeneos. 
Observernos algurnas definig6es: I 
a) Substantive 6 a palavra que designa os seres em geral. I 
V&-se logo que o substantivo, ernbora deva ser conhecido num context0 
frasal, e s g sendo definido pel0 critdrio semiintieo; Ou seja, d precis0 antes 
ser possivel identificar o ser pva considerar como substantivo a palavra que o ! i 
representa. Mas, al6m de filos6fica a questgo do conhecimento do ser, 6 pro- 
blemhtica para o caso, uma vez que, por um lado, rnuitos nomes nZo designam ! 
seres (justiga, fd, doenqa, trovZo, embarque, iddia etc.) e, por outro, qualquer 4 
vocibulo ou expressgo assume corn facilidade a fungZo de substantivo (o sim, 
o viver, o aqui-e-agora etc.). John Lyons (1979:34) escreveu com certa ironia: 
"A dnica razZo. que temos para dizer que verdade, beleza e eletricidade s b 
"coisas" 6 que as palavras que as exprimem siio substantivos". 
b) Adjetivo C a palavra que expressa qualidade. 
Nem todos os adjetivos expressam qualidade. Em homem solteiro, iigua 
quente e corpo morto, os adjetivos nIlo traduzirZo qualidade, a nZo ser que 
antes se determine este conceito, o que jii nZo sed asslmto gramatical. Por 
isso, alguns autores discriminam outras nog6es, tais como a de estado, defeito, 
condiggo etc. Todavia, 6 indtil acrescentar essas noq8es, porque o adjetivo nEo 
se caracteriza pelo sentido, sendo na realidade urna fun$%. Ngo interessa 
muito o significado que a palavra tem para o caso. Ela pode indicar qualidade 
e funcionar como substantivo (beleza, o belo) ou entzo como adjetivo (belo 
quadro). Jnversamente, As vezes ngo expressa qualidade e tern a fun~go de 
adjetivo. 
c) Advdrbio 6 a palavra que indiea.uma circunsthcia. 
Urna definigb tem que ser precisa. Se o aluno nZo souber o que d uma 
circunsthcia, corno sen5 capaz de reconhecer um advkrbio? Aldm do mais, 
cria-se problerna sernelhante aos discutidos anteriormente, ou seja, nem sem- 
pre as circunsthcias sZo traduzidas mediante o uso de advdrbios. Se s e trata 
de uma funglo, ngo se deve recorrer exclusivamente ao sentido, que d e resto 
seri As vezes vago ou subjetivo. 
Posto nesses termos, compreendemos que as classes morfol6gicas para o 
16xico portuguZs sZo bem reduzidas. 
A oposiqZo mais evidente B a que divide os vociibulos em variAveis e 
invaridveis. No grupo dos variiveis, encontrarnos dois paradigmas distintos, o 
dos verbos e o dos nomes. Assim, 6 possivel identificar os verbos pelas desi- 
nencias modo-temporais e n6mero-pessoais e os nomes, pelas flexaes de gZ- 
nero ou de ndrnero. 
Nem I? necesstirio conhecer o significado da pala1{ra para classifici-la 
como nome ou como verbo. Qualquer pessoa de mediana instrugZo diri 
sern eno que a forma "bacorejariamos" B de verbo, rnesmo igno~ando o 
sentido. 
Contudo, d viivel conceber que, em termos sernhticos, nomes e verbos 
correspondem a diferentes representagiks da realidade expressa pela lingua- 
gem. 0 s verbos atualizam representaq8es dinhicas; os nanes traduzem visdes 
esthticas. Em sentido mais profundo, nomes e verbos seriam aspectos d e uma 
s6 e mesma essencia. Talvez por isso, em geral os semantemas nZo se caracte- 
~izarn como verbais ou nominais. Apenas a flexzo 6 que indica a dinamicidade 
para os verbos (temporalidade) ou a estaticidade para os nomes (ausencia da 
variagbtempolespago). 
A terminologia "nome" B preferivel a qualquer outra. Por que n b 
adotA-la, se s b freqiientes express6e.s corno " f l e ~ o nominaln e "forma 
nominal"? Ao adotMa, estaremos tambt?m consenando um paralelo com o 
termo "pronome". A gramitica define o pronome como a palavra que substi- 
tui o "nome". Mas, na hora de usar este termo, esquece-o e fala em substan- 
tivo. Como se o pronome, conforme j i expusemos, na'o pudesse tambCm ser 
substantivo. 
A oposiqgo entre nomes e pronomes C mais sem8ntica do que m6rfica. 
Pelo mecanismo derivational, existe para os nomes a possibilidade da expres- 
sa'o de grau, o. que pode valer como traqo distintivo em relaqa'o aos pronomes. 
Pelo paradigma flexional, segundo vimos, as diferenqas sZo mminimas, j i que as 
categorias de pessoa, de caso e de genero neutro, pr6prias de certos pronomes, 
nZo se concretizam atraves de processos flexionais. Assim sendo, o que define 
mesmo os pronomes 6 o sentido deitico ou anaf6rico. Enquanto os nomes 
representam, os pronomes apenas indicam. 
Como meio de bem ilustrar essas duas esferas conceituais, C 6til aplicar 
a distinqa'o entre simbolo e sinal. Considerama simbolo tudo aquilo que 
tenha propriedade de representar alguma coisa. A bandeira branca, a cruz, 
a balanqa sZo exemplos de simbolos de nossa heranp cultural, pois represen- 
tam respectivamente a paz, o cristianismo e a justiqa. As palavras igualmente 
substituem objetos ou vaiores e assim constituem a espCcie de simbolos mais 
utilizada pelo homem. De outro lado, o sinal nada representa por si mesmo, 
mas tem a funqZo de indicar algum aspect0 ou chamar a atenqa'o para um de- 
terminado simbolo ou objeto. 0s semiforos e outros sinais de trgnsito podern 
servir como bons exemplos. Com efeito, eles apenas apontam urna direczo a 
seguir, sem estarem a rigor traduzindo algum conceito. 
Armando a comparaqa'o,. diremos que os n6rnes (substantives e adjeti- 
vos) fixam o campo representativo da linguagem, constituem simbolos. 
0 sintagma "casa amarela" C formado de dois termos, ambos de natureza 
representativa. 0 primeiro expressa a idCia de um objeto (casa); o segundo 
simboliza urna cor atribuida a ele. Dentro do sintagrna, entretanto, "casa" 
se apresenta como termo principal ou determinado (substantivo), ao passo 
que "amarela" funciona como determinante (adjetivo). Trata-se de urna 
aplicaqZo sintitica e, dessa forma, somente o context0 diri se o nome C adje- 
tivo ou substantivo. 
0s pronomes, ao contririo, futarn o campo mostrativo da linguagem e 
valem como sinais. Se ao sintagma "casa amarela" antepusermos o vocibulo 
"esta", percebemos de .imediato que "esta" nada simboliza, s e ~ n d o para 
situar o objeto nas coordenadas de espaqo e tempo em relaqZo ao falante. 
No sintagrna, "esta" C termo dependente de "casa", o que Ihe confere o cari- 
ter de adjetivo. Se figurarmos um eixo paradigmitico, qualquer termo que 
seja usado na posiqiio de "amarela" ou de "esta" seri adjetivo: 
alguma de botiio 
minha de alvenaria 
a nova 
esta casa amarela 
qualquer que ruiu 
uma de JosC 
velha que comprei 
Nem sempre os dditicos sgo termos determinantes. Conforme as rela- 
qBes sintagmiticas, eles podem ser adjetivos ou substarrtivos. Comparemos a 
estptura abaixo: 
Isto (6) meu. 
0 possessive "meu" 6 determinante (adjetivo) de "isto" (substantivo), 
mas .ambos os termos siio pronomes, em face do cariter indicative que pos- 
suem. 0 primeiro, contudo, traz a possibilidade de expandir-se num sintagma 
implicito: isto = este Iipis (ou qualquer outro nome). 
Toda palavra seri, por conseguinte, urn nome (se a representa~Zio for 
estdtica, .sem varia96es temporais), um verbo '(se sofrer variaqces temporais, 
isto 6, se expressar uma representaggo d i nwc a ou processual da realidade) 
ou um pronome (se apenas situar urna representaqb no espaqo/tempo). 
Seja o enunciado: "Aquele menino caiu ali". 
Observamos que a 6nica foma sujeita a variaqoes temporais 6 . "caiu" 
(Cf. cai, cairi, cairia, caia etc.)'. Trata-se, pois, de um verbo. As palavras 
"menino" e "aquele" morficamente se nivelam, ji que ambas podem sofrer as 
mesmas variaq&s (aquela menina, aqueles meninos). Mas, enquanto "meni- 
no" vale como sirnbolo, representa urna imagem mental, "aquele" vale como 
um sinal. Poi isso, "menino" e "aquele" sZo. r e~pec t i v~en t e nome e prono- 
me. Constatamos ainda que "ali" traduz tambim urna indicaqzo de espaqo e 
enquadra-se, portanto, na classe dos pronomes. 
Quem sempre classificou "ali" exclusivamente como advirbio ou nZo 
percebeu a diferenqa entre classe e funqa'o deve sentir-se bastante confuso. 
A classe C identificada por critCrios m6rfico e sembtico. A funqgo C de natu- 
reza estritarnente sintfitica, ou seja, varia de acordo com o relacionarnento 
dos termos. 
SZo trSs as funq8es bisicas: a de substantivo, a de adjetivo e a de advdr- 
bio. Um mesmo nome, dependendo do contexto, assumiri cada uma das 
tr2s funqses. 
Enfatizemos o process0 de relacionarnento dos termos num sintagma. 
Urn sintagma 6 uma combinaqPo de elementos prirnirios ou principais (deter- 
minados) e secundirios ou subordinados (deterrninantes). 0s subordmados 
podem ser principais em relaqio a termos terciirios (determinantes de deter- 
minates). 
f6cil de compreender com um exemplo. Tomemos o sintagma nomi- 
nal "menino alegre". 0 termo determinante i "alegre" e o determinado, 
"menino". Por isso, "alegre" 6 adjetivo e "menino", neste bintimio, fmciona 
como substantivo. Se, porim, antes de "alegre" acrescentarmos o vacibulo 
"muito", percebemos que "alegre" t deterrninado em relaqa'o a "muito", que 
assim e um termo terciArio ou advdrbio. 
Se quisermos usar outra terminologia, chamaremos o substantivo de 
niicleo, o adjetivo de adjunto e o advdrbio, de subjunto. 0 fundamental, 
porCm, 6 perceber bem as relaq6es entre os termos. 
Na frase: . 
Aquele menino caiu ali. 
identificarnos as classes do seguinte modo: a) nome (menino); b) verbo (caiu); 
c) pronomes (aquele, ali). Pela andise das funqBes, vemos agora que "meni. 
no" C substantivo e "aquele", adjetivo. Para reconhecer a funqPo do termo 
"ali", basta ver com qual elese relaciona. E logo deduzimos que "ali" deter- 
mina o verbo, o qual, ao nivel da oraqZo, & determinante do sujeito. Se o 
verbo 6 determinante, "ali" funciona como subjunto ou advirbio. Trata-se, 
pois, de urn pronome adverbial ou, se preferirem, de urn adverbio pronomi- 
nal. 
ConvCm esclarecer que o verbo t determinante do nome ou pronome 
(sujeito) ao niveI do sintagma oracional. EIe nZo determina o substantivo 
"menino", pordm o sintagma nominal "aquele menino". Ao nivel do sintag- 
ma verbal, o nome t determinante do verbo a que se associa como comple- 
mento ou adjunto. 
As diversas modalidades de relaqZo sintagrnatica devem, por isso, ser 
levadas em conta para que se evitem sCrios equivocos. At6 sintagmas oracio- 
nais funcionam como adve'rbios ou adjetivos, desde que sejam determinantes. 
No enunciado: 
Aquele menino caiu porque tropeqou numa pedra. 
notamos que "tropeqou numa pedra" C determinite de "caiu", sendo assim 
um subjunto. Como se trata de um sintagma oracional (conttm urn verbo), 
diremos que "tropeqou numa pedra'" C urn advdrbio oracional ou, mais comu- 
mente, uma oraqgo adverbial. 
0 mdtodo i muito simples. Faqamos algumas comutaqses para com- 
preendb-lo melhor: 
Este 
Nenhum 
Algum 
Aquele 
As setas indicani as seguintes funqks: 
"aquele" - adjetivo em relaqZo a "menino" 
"menino" - substantivo em relaqifo a "aquele" e "alegre" 
"muito" - advhrbio (determinante de "alegre") 
"alegre" - adjetivo (detenninante de "menino") 
"caiu" - determinante de "aquele menino muito alegre" e deter- 
minado em relaqio a "bem ali". 
"bem" - advdrbio (determinante de "ali")"ali" - adv6rbio (determinante de "caiu") 
Advdrbio 
Distrafdo 
Interessan. 
te 
Quanto i constituiq%o, determinantes e determinados podern ser 
termos simples, compostos, locucionais ou oracionais. 0 s termos referentes 
a "casa" sio todos adjetivos, embora com diferentes constituiqaes: 
Advdr%io 
menino 
Verbo Adjetivo I Substantive 1 Advdrbio 
I I I I ] I A A A 
Adjetivo 
. . 
. 
t%o . 
muito 
. 
. 
. . 
sem graqa 
inteligente 
alegre 
de our0 
que conheci 
A 
- 
- 
caiu 
! 
A 
. ' 
. 
. 
muito 
bem 
_ 
bestarnente . - 
sem querer. 
longe. 
ali. 
. quando 
escorregou. 
corn0 urn 
pato. 
A 
Por fim, sem que exergam funqzo determinativa, existem certos vo- 
cibulos que apenas servern corno elo entre dois outros ou entre duas qraq8es. / SZo 0s charnados conectivos. 
I Eles se dividem em duas espicies, conforme a relaqZo entre os termos 
determinantes e. determinados seja ao nivel da palavra ou da oraqa'o. As pre- 
I posiqbes subordinam uma palavra a outra (livro de JosC); as conjunqbes subor- 
dinam uma oraqa'o a outra (quero que voc6 venha logo). 
Essa diferenqa 6 , entretanto, tumultuada quando houver urna seqiiencia 
em vez de um sintagma. Na seqiiEncia, a relaqfio entre os termos nEo 6 de 
subordinaqZo (hiputaxe) mas de coordenaqa'o (parataxe). 
I 
i 
Em Maria e Janete inexiste qualquer dependencia sintdtica de um termo 
para outro. 0 conectivo esti ligando vocibulos da mesma fun920 e da mesma 
i classe, estabelecendo entre ambos urna relag20 de coordenago. De mod0 ani- 
logo, em "Va depressa e volte logo", o conectivo une duas orag6es coordena- 
tivas. Ou seja, ocorrendo urna seqiiencia, o elemento de ligagfio indiferencia- 
damente sera urna conjunqa'o, na'o importando qne se trate de sequ6ncia de 
palavras ou de oraqaes. Deduz-se, entao, que para maior clareza e coerencia, 
este assunto mereceria urn outro tratamento. 
Em linhas gerais, s%o essas as principais consideraqbes acerca do pro- 
blema da classificaqfio dos vocibulos. Hi, porCm, dois eoment&rios finais que 
, devem ser feitos sobre os numerais e os artigos que, como sabemos, consti- 
! tuem classes aut8nomas na proposta da NGB. 
Quanto aos numerais, parece simples concluir que na realidade perten- 
j cem B classe dos nomes e, desse modo, exercem as funqSes de substantivo 
ou de adjetivo. Em "TrSs 6 impar", o nome que traduz a idCia de n h e r o 6 i substantivo. Em "tres impares", j i se torna adjetivo. A NGB dividiu os numerais em cardinais (urn, dois, tr6s. . .), ordinais (primeiro, segundo, terceiro. . .), multiplicativos (dobro, triplo. . .) e fracio- 
narios (meio, um terqo, um quinto. . .). Trata-se de urna divisa'o que so tem 1 causado perturbaq6es. 0 s ordinais se confundem com os adjetivos, os fracio- ! narios com os substantivos. Alunos e professores discutem se "milhZo", "dezena", "dlizia" etc. sfio numerais ou substantivos coletivos. Se traduzem 
idCia de nlimero. . . 
Assim, o critdrio de classifica$20 baseado na significaqao do vocdbulo 
quase sempre se torna incoerente. Se h i uma classe para os nomes que se 
referem a n~imero, deveria haver outras para os designativos de cor, de senti- 
mento, de nacionalidade, de forma geomitrica etc. 
I 
j 
casa 
i 
Quanto ao artigo, em estudo mterior (Monteiro, 1978a), discutimos a 
sua inclusao na classe dos pronomes. Depois de analisar os aspectos de ordem 
diacr6nica, que comprovam a sua origem pronominal, armamos urna sene de 
argumentos favoriveis a uma interpretagzo sincr6nica do artigo como pro- 
nome. 
Entendemos, pois, que o artigo mantkm a forqa demonstrativa ou sig- 
nificado dZitico dos pronomes. A esse propbito, Mattoso CImara Jr. (1 972: 
1 56) ensina: 
amarela (adjetivo simples) 
verde-amarela (adjetivo composto) 
de sap6 (locuqa'o adjetiva) 
que comprei (oraqa'o adjetiva) 
Ele (o artigo) encerra urna indica~zo espacial evidentemen- 
te, pois assinala que se trata de um "ser" definidamente situado. 
Assim, nas linguas indo-europCias que o possuem, h i um valor de- 
monstrativo, sincronicamente inegivel, que coincide corn a ori- 
gem demonstrativa do vocdbulo. 
No caso do artigo definido,, a funq2o deitica C sentida por qualquer 
usuhrio da lingua e se torna bem precisa no ato da fala. Como exemplifica 
Mattoso Cha ra Jr. (1972:157), "o livro em portugu6s 6 - muito rnais do 
que um livro que se acha em lugar conhecido dos interlocutores - urn livro 
que os interlocutores sabem qua1 6." 0 mesrno lingista; em outra obra 
(1 976:95), comenta: 
Ao lado da indicaqzo de posiqzo, entretanto, tambtm pos- 
sui o portugue^s, como todas as linguas romihicas, um adjetivo 
pronominal que introduz para o nome substantivo, com que 
concorda, a categoria do "definido". urna forma pronominal 
nova, charnada tradicionalmente "artigo": 
Invocarnos tambCm o fato de o artigo definido ser considerado prono- 
me demonstrativo, pelas nos& -gramiticas, quando antecede i preposigZo 
de ou ao relativo que. verdadeiramente urna falta de critCrio dar duas clas- 
ses B mesma forrna, simplesmente com base na presenqa ou omiss%o de urn 
substantivo. Verifiquemos os exemplos abaixo, tornados de Augusto Magne 
(1 950:47): 
* 
a) A consffincia i a virtude do homem e a paci6ncia a'do cristzo. 
(Almeida Garrett) 
b) A fronte do sacerdote .se verga para o chlice consagrado; a do 
lavrador, para a terra; a que espalha o grzo da verdade, para o 
sulco soaberto nas consciencias novas. (Rui Barbosa) 
No primeiro exemplo, o a grifado deixou de ser artigo pel0 firiico fato 
de o substantivo virtude nlo estar repetido. As gramiticas o consideram pro- 
nome. No outro exemplo ocorre o mesmo: se a palawa.fronte fosse reiterada 
depois do a, este seria artigo; como esti omissa, C um demonstrativo. Assim, 
temos, de acordo com as descriq6es gramaticais: 
Artigo Pronome 
A virtude do cristzo A do cristao 
A fronte do lavrador - A do lavrador 
A fronte que espalha o N o A que espalha o gr3o 
Muito mais Mgico seria classificar como pronome o artigo em qualquer 
situagzo. AlCm de simplificar o estudo da lingua, esta medida elirninaria 
incoertncias como as examinadas acima, possibilitando urna visa0 mais cien- 
tifica dos fatos lingiiisticos. 
Comentdrios an2ogos valem para o artigo indefinido. Todo estudante 
do portuguds sente dificuldade em reconhecer, de acordo com os ditames da 
gramitica, quando a f o m a urn B pronome, numeral ou artigo. 0 que ocorre, 
realmente, 6 que a dist in~zo entre pronome e artigo nzo existe, como pode- 
mos comprovar por alguns argumentos. 
Inicialmente, basta refletirmos que o plural uns, umas C sempre um pro- 
nome (Macambira, 1970:428). Se tomarmos urna frase em que o urn seja 
classificado como artigo, t8o logo o pluralizemos, ele passa a ser pronome. 
Ora, se a forma do plural C pronome em qualquer-contexto, por que no sin- 
gular n8o haveri de ser? 
Afirmamos ainda que, sob urna perspectiva semhtica, o vocibulo urn 
equivale a urn indefinido, sendo substituivel pox algum, qualquer etc. A fra- 
se: "Um homem sempre C capaz de amar" pode ter a forma um mudada para 
qualquer, sem muito prejuizo de distorqao semsntica. No plural, caberia 
perfeitamente a substituiqtio por alguns. 
Essas razaes, aliadas certeza de urna descri@o mais coerente e simplifi- 
cada, nos levarn a admitir que o artigo indefinido C urna forma paralela e 
quase sin6nima do pronome algum. 
Eis, finalmente, a sintese das ide'ias sobre o problema da classificagZo 
dos vocdbulos: 
a) Sob o ingulo estritamente morfol6gic0, e' impossivel .explicar as 
classes gramaticais propostas pela NGB. 
b ) HA duas classes fundamentais, a dos nomes e a dos verbos, opostas 
pelos paradigmas flexionais. Semanticamente, os nomes correspondem a urna 
vistio estitica da realidadeenquanto os verbos traduzem representaq6es 
dinirnicas. 
d) Substantives, adjetivos e advCrbios n8o szo classes gramaticais. S ~ O , 
na verdade, funq6es que os nomes ou pronomes exercem em contextos fra- 
sais. 
e) 0 s numerais fazem parte da classe dos-nomes e assim podem . . ser 
substantives ou adjetivos. 
. , . . 
f) 0 s artigos d o pronomes, sempre em funq3o adjetiva. 
. . 
g) As inte rjeic6es nao sgo ppdvras, porCm frases de sitilaq%o. , ' 
h) 0 s conectivos subordinam palavras (preposig6es) ou oraqBes (con- 
jungBes). Podem tambim relacionar elementos da mesma fungZo. 
c) 0 s pronornes se distinguem dos nornes porque adotam um signifi- 
cad0 dditico ou anafbrico.

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