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Curso Online - Raciocínio Lógico-Quantitativo para Traumatizados
Profs. Alexandre Lima e Moraes Junior
Profs. Alexandre Lima e Moraes Junior 1
Raciocínio Lógico-Quantitativo para Traumatizados
Aula 21
Regressão Linear Simples
21 Regressão Linear Simples ................................................................................................. 9
21.1 A Reta de Regressão ................................................................................................... 9
21.2 Valores Esperados dos Estimadores ................................................................... 10
21.3 Variâncias e Covariâncias dos Estimadores ..................................................... 10
21.4 Distribuições Amostrais ........................................................................................... 12
21.5 O Teorema de Gauss-Markov ................................................................................ 14
21.6 O Coeficiente de Determinação ............................................................................ 14
21.7 Relaxamento dos Pressupostos do Modelo ...................................................... 19
21.8 Regressão sem o Intercepto .................................................................................. 20
21.9 Intervalos de Confiança ........................................................................................... 24
21.10 Testes de Hipóteses ................................................................................................ 29
21.11 Análise de Variância ............................................................................................... 32
21.12 Memorize para a prova .......................................................................................... 38
21.11 Exercícios de Fixação ............................................................................................. 40
21.12 Gabarito ....................................................................................................................... 45
21.13 Resolução dos Exercícios de Fixação ............................................................... 46
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E aí pessoal, tudo bem? Esta é a última aula do módulo de Estatística Básica e
Avançada. Reconhecemos que “pegamos pesado” com vocês. Mas a intenção é
a melhor possível: a sua aprovação! Procure digerir o conteúdo apresentado,
porque tudo que ensinamos poderá cair na prova.
Erratas
Já caiu em prova! (AFPS/2002/ESAF), pág. 16 da Aula 18
Corrija o início da segunda linha da solução para
“Primeiramente, devemos descartar a opção C, pois é absurda.”
Ou seja, a opção absurda é a “C” e não a “D”.
Resolução da questão 13 da Aula 18
Corrija parte da terceira linha da solução para
“σ2(nX ) = n2σ2(X ) = n2 × σ
2
n
= nσ2 = n ×1 = n”
Note que havia um n sobrando na variância da média amostral.
Antes de iniciarmos a aula de hoje, daremos resoluções detalhadas (e mais
didáticas!) das questões 1 e 14 da Aula 17 e uma outra solução para a questão
1 da Aula 18.
Resoluções Detalhadas das Questões 1 e 14 da Aula 17
1. (ICMS-RJ/2007/FGV) A probabilidade de um candidato acertar esta
questão de múltipla escolha, (Y = 1), é função da proficiência em matemática,
θ, do candidato e pode ser calculada por meio de:
,
1
)|1( 2,05,0
2,05,0
θ
θ
θ +−
+−
+== e
eYP
sendo θ um número real que representa a medida de proficiência em
matemática do candidato. Pode-se, então, afirmar que:
A) a cada acréscimo de uma unidade na medida θ de proficiência matemática,
a probabilidade de o candidato acertar a questão aumenta em 20%.
B) a probabilidade de acertar a questão (Y=1) é maior do que a probabilidade
de errar a questão (Y=0), para todos os candidatos com θ > 0.
C) essa função de probabilidade tem máximo em θ =0.
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D) candidatos com θ = 2,5 de proficiência têm probabilidade 0,5 de acertar a
questão.
E) a razão entre a probabilidade de acertar e a de errar é uma função linear
em θ, e expressa por -0,5 + 0,2θ.
Resolução
Análise da alternativas
(A) “a cada acréscimo de uma unidade na medida θ de proficiência
matemática, a probabilidade de o candidato acertar a questão aumenta em
20%.”
A probabilidade de um candidato acertar esta questão de múltipla escolha, (Y
= 1), é função da proficiência em matemática, θ, do candidato, e é dada por:
.
1
)|1( 2,05,0
2,05,0
θ
θ
θ +−
+−
+== e
eYP
Então, P(Y=1|θ) denota a probabilidade de que Y = 1 para um dado θ. A
probabilidade P(Y=1|θ) NÃO representa que, a cada acréscimo de uma
unidade na medida θ de proficiência matemática, a probabilidade de o
candidato acertar a questão aumenta em 20%. Ademais, a função P(Y=1|θ)
não é linear, ou seja, não é do tipo y = a + bθ (equação que descreve uma
reta), em que y é a variável dependente (eixo vertical), a denota o intercepto,
b é a declividade da reta e θ é a variável independente (eixo horizontal). Logo
a alternativa é INCORRETA.
(B) “a probabilidade de acertar a questão (Y=1) é maior do que a
probabilidade de errar a questão (Y=0), para todos os candidatos com θ > 0.”
Para resolver este item, é preciso responder à seguinte pergunta:
⇒ Será que a razão
P(Y =1 |θ)
P(Y = 0 |θ) =
e−0,5+0,2θ
1+ e−0,5+0,2θ
1− e
−0,5+0,2θ
1+ e−0,5+0,2θ
é maior do que 1 para todo θ > 0?
Repare que é mais fácil analisar o comportamento do logaritmo de uma razão
entre funções exponenciais do que a razão propriamente dita. Tal
procedimento é bastante usual em matemática. É o que faremos a partir deste
ponto.
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Tomando o logaritmo neperiano da razão entre P(Y =1 |θ) e P(Y = 0 |θ), obtemos
W = ln P(Y =1 |θ )
P(Y = 0 |θ )
⎡
⎣ ⎢
⎤
⎦ ⎥ = ln
e−0,5+0,2θ
1+ e−0,5+0,2θ
1− e
−0,5+0,2θ
1+ e−0,5+0,2θ
⎡
⎣
⎢
⎢
⎢
⎤
⎦
⎥
⎥
⎥
= ln
e−0,5+0,2θ
1+ e−0,5+0,2θ
1+ e−0,5+0,2θ − e−0,5+0,2θ
1+ e−0,5+0,2θ
⎡
⎣
⎢
⎢
⎢
⎤
⎦
⎥
⎥
⎥
W = ln
e−0,5+0,2θ
1+ e−0,5+0,2θ
1
1+ e−0,5+0,2θ
⎡
⎣
⎢
⎢
⎢
⎤
⎦
⎥
⎥
⎥
= ln e
−0,5+0,2θ
1+ e−0,5+0,2θ ×
1+ e−0,5+0,2θ
1
⎡
⎣ ⎢
⎤
⎦ ⎥ = ln e
−0,5+0,2θ( )
Lembrando que ln en = n ln e = n, pois ln e = 1, temos que
W = (−0,5 + 0,2θ ) × lne = (−0,5 + 0,2θ) ×1 = −0,5 + 0,2θ .
Observe que a relação W = -0,5 + 0,2θ é a equação de uma reta. Ou seja, W é
uma função linear de θ. O gráfico de W em função de θ está representado na
figura a seguir.
A função W é igual a zero para θ = 2,50 (é a raiz da equação -0,5 + 0,2θ = 0)
e W = -0,5 para θ = 0.
Analisemos o comportamento da função W no intervalo 0< θ <2,5. Considere,
por exemplo, o valor θ = 1 para a variável independente. Neste caso, W = -0,5
+ 0,2 x 1 = -0,5 + 0,2 = -0,3. Então (*)
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5
W = ln P(Y =1 |θ =1)
P(Y = 0 |θ =1)
⎡
⎣ ⎢
⎤
⎦ ⎥ = −0,3 ⇒
P(Y =1 |θ =1)
P(Y = 0 |θ =1) = e
−0,3 = 0,74 ⇒ menor que 1!
(*) ln a = b ⇒ a = eb
Como foi obtido P(Y =1 |θ) /P(Y = 0 |θ ) <1 para um valor positivo de θ, então é
falso afirmar que a probabilidadede acertar a questão (Y=1) é maior do que a
probabilidade de errar a questão (Y=0), para todos os candidatos com θ > 0.
Alternativa INCORRETA.
(C) “essa função de probabilidade tem máximo em θ =0.”
O gráfico da função
θ
θ
θ 2,05,0
2,05,0
1
)|1( +−
+−
+== e
eYP
tem o seguinte comportamento assintótico: 1)/1( →= θYP para ∞→θ e
0)/1( →= θYP para −∞→θ . Portanto, não há um máximo da função quando
0=θ ⇒ afirmação INCORRETA.
(D) “candidatos com θ = 2,5 de proficiência têm probabilidade 0,5 de acertar a
questão.”
P(Y=1|θ=2,5) = 5,0
11
1
11 0
0
5,22,05,0
5,22,05,0
=+=+=+ ×+−
×+−
e
e
e
e
⇒ afirmação CORRETA.
(E) “a razão entre a probabilidade de acertar e a de errar é uma função linear
em θ, e expressa por -0,5 + 0,2θ.”
É o logaritmo neperiano da razão entre a probabilidade de acertar e a de
errar que é uma função linear em θ, expressa por -0,5 + 0,2θ ⇒ afirmação
INCORRETA.
GABARITO: D
14. (ICMS-RJ/2009/FGV) Utilizando uma análise de regressão linear
simples, um pesquisador obteve um ajuste Y = a1X + b1 e um coeficiente de
determinação 21R . Um segundo pesquisador analisou os mesmos dados, mas
antes aplicou a cada observação de Y a transformação Y´ = 10Y + 100, obtendo
um outro ajuste Y´ = a2X + b2, com um coeficiente de determinação 22R . Considere
as afirmativas abaixo, relativas à comparação entre os valores obtidos nas
duas análises:
I. a2 = 10a1 ;
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6
II. b2 = b1 + 100;
III. 21
2
2 RR = .
Assinale:
A) se somente a afirmativa I for verdadeira.
B) se somente as afirmativas I e II forem verdadeiras.
C) se somente as afirmativas I e III forem verdadeiras.
D) se somente as afirmativas II e II forem verdadeiras.
E) se todas as afirmativas forem verdadeiras.
Resolução
11 bXaY += ⇒ Y '=10Y +100 =10(a1X + b1) +100 = (10a1)X + (10b1 +100) = a2X + b2
Logo, 12 10aa = e 10010 12 += bb .
Análise das afirmativas:
(I) VERDADEIRA, pois 12 10aa = , conforme demonstrado acima.
(II) FALSA, dado que 10010 12 += bb .
(III) Dados:
- ajuste y = a1x + b1 implica um coeficiente de determinação 21R ;
- aplicação da transformação linear y, = 10y + 100 resulta no coeficiente de
determinação 22R .
Vimos que a correlação amostral R é dada por
⇒ R = sxy
sxsy
= cov. amostral/(desvio padrão amostral de X . desvio padrão amostral de Y)
Então,
R1 =
sxy
sxsy
=
1
n
(xi − x )(yi − y )∑
1
n
(xi − x )2∑ × 1n (yi − y )2∑
=
1
n
(xi − x )(yi − y )∑
1
n
⎛
⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
2
(xi − x )2∑( ) (yi − y )2∑( )
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7
R1 =
1
n
(xi − x )(yi − y )∑
1
n
(xi − x )2∑( ) (yi − y )2∑( )=
(xi − x )(yi − y )∑
(xi − x )2∑( ) (yi − y )2∑( )
e
R2 =
(xi − x )(yi, − E[y ,])∑
(xi − x )2∑( ) (yi, − E[y ,])2∑( )
em que E[y ,] = E[10y +100] = E[10y]+ E[100] =10E[y]+100 =10y +100. Substituindo
E[y ,] =10y +100 na expressão acima, obtemos
R2 =
(xi − x )(10yi +100 −10y −100)∑
(xi − x )2∑( ) (10yi +100 −10y −100)2∑( )=
(xi − x )(10yi −10y )∑
(xi − x )2∑( ) (10yi −10y )2∑( )=
R2 =
10(xi − x )(yi − y )∑
(xi − x )2∑( ) 100(yi − y )2∑( )=
10 (xi − x )(yi − y )∑
100 (xi − x )2∑( ) (yi − y )2∑( )=
10 (xi − x )(yi − y )∑
10 (xi − x )2∑( ) (yi − y )2∑( )
R2 =
(xi − x )(yi − y )∑
(xi − x )2∑( ) (yi − y )2∑( )= R1 ⇒ R2
2 = R12
Conclui-se que a transformação linear Y´ = 10Y + 100 não altera a qualidade da
regressão original Y = a1X + b1, uma vez que R2
2 = R12. Portanto, a assertiva (III) é
VERDADEIRA.
GABARITO: C
Outra solução para a questão 1 da Aula 18
1. (Analista Técnico-SUSEP-2006-ESAF) Seja X1, X2, ... uma sucessão de
variáveis aleatórias identicamente distribuídas, cada uma com média μ e
variância σ2, tendo a propriedade de qualquer número finito delas são
independentes. Então, para cada z
),(...lim 1 zz
n
nXXP n
n
Φ=⎭⎬
⎫
⎩⎨
⎧ <−++∞→ σ
μ
onde )(zΦ é uma função de distribuição:
A) Normal reduzida.
,
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8
B) Normal.
C) Qui-quadrado.
D) Log-normal.
E) Binomial.
Resolução
Sejam nXXX ,...,, 21 variáveis aleatórias independentes e identicamente
distribuídas, com média μ e variância σ2. De acordo com o TCL, se
nn XXXS +++= ...21 , então
n
nS
SVar
SES n
n
nn
σ
μ−=−
)(
)(
é assintoticamente normal (isto é, tende para a normal quando n tende
para infinito) com média nula e desvio-padrão igual a um (normal padrão ou
reduzida).
Ou seja,
lim
n → ∞ P
Sn − nμ
σ n < z
⎛
⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟ = P(Z < z) = Φ(z) ,
em que Z é a variável aleatória N(0,1).
O TCL também é verdadeiro sob condições mais gerais. Por exemplo, ele vale
quando nXXX ,...,, 21 são variáveis independentes com a mesma média e
variância, mas não necessariamente identicamente distribuídas.
GABARITO: A
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21 Regressão Linear Simples
Esta aula aborda as propriedades dos estimadores de mínimos quadrados, a
inferência estatística e a análise de variância do modelo de Regressão Linear
Simples (RLS).
21.1 A Reta de Regressão
A análise de regressão estuda a dependência de uma variável, chamada de
independente, em relação outras variáveis, chamadas de explanatórias, com o
objetivo de estimar valores da primeira, dados os valores das segundas.
Na aula 17 usamos o modelo
(1) εβα ++= XY ,
em que α é o intercepto, β é a declividade e ε denota a componente
aleatória da variação de Y (ε é uma variável aleatória).
Vimos também que os estimadores a (do intercepto α ) e b (da declividade são
dados por
(2)
⎪⎩
⎪⎨
⎧
−=
=
xbya
S
S
b
xx
xy
em que
(3) ),)(( yyxx
n
yx
yxS i
i
i
i
i
i
i
i
iixy −−=
⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛×⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛
−= ∑∑ ∑∑
e
(4) ∑ ∑∑ −=
⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛
−=
i i
i
i
i
ixx xxn
x
xS 2
2
2 )(
Interpretação Geométrica do Intercepto e da Declividade
O intercepto α é o valor estimado de y quando x = 0, e β representa a
variação estimada de y quando x varia uma unidade, conforme ilustrado pela
figura abaixo .
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21.2 Valores Esperados dos Estimadores
Pode-se demonstrar que os estimadores a e b de (2) têm média dadas por
(5)
⎩⎨
⎧
=
=
β
α
)(
)(
bE
aE
(*) As demonstrações não são elementares e tampouco serão cobradas em
prova. Assim, preferimos omitir as demonstrações.
Logo os estimadores de α e β, a e b (às vezes denotados por αˆ e βˆ ), são
justos (ou não viesados ou não tendenciosos), pois suas médias são iguais aos
verdadeiros valores dos parâmetros. Isso quer dizer que se coletarmos várias
amostras de iguais tamanhos, e aplicarmos as equações de (2), os valores
médios das estimativas encontradas de a e b tenderão a α e β,
respectivamente.
O resultado acima é verdadeiro somente quando são válidos os pressupostosdo modelo apresentados na aula 17. O pressuposto 6, da normalidade dos
erros, não é necessário para o resultado (5), mas será importante para o
estudo da inferência sobre o modelo de regressão.
21.3 Variâncias e Covariâncias dos Estimadores
Por definição, temos que
Var(a) = E [a – E [a]]2 = E [a – α]2,
0
x
y
α 1
β
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11
Var(b) = E [b – E [b]]2 = E [b – β]2,
Cov(a,b) = E [(a – α)(b – β)].
Sendo σ2 a variância do erro aleatório ε do modelo, pode-se demonstrar que
(vide nota anterior)
(6)
xxS
b
2
)var( σ= ,
em que ∑ −= 2)( xxS ixx ,
(7) var(a) = σ2 xi
2∑
nSxx
⎛
⎝
⎜ ⎜
⎞
⎠
⎟ ⎟ ,
(8) Cov(a,b) = σ2 −x
Sxx
⎛
⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟ .
Como o termo xxS/
2σ aparece em (6), (7) e (8), podemos reescrever (7) e (8)
como
var(a) = var(b) xi
2∑
n
e
Cov(a,b) = −x var(b),
respectivamente.
Do exposto, percebe-se que:
• Quanto maior a variância do termo de erro ε (dada por σ2) maiores
serão as variâncias de a e b e a covariância entre eles.
• Quanto mais concentrados os valores de x estiverem em torno de
sua média x , menor será o valor de Sxx (lembre que Sxx = (xi − x )2∑ ) e
maiores serão as variâncias de a e b e a covariância entre eles. Isso
pode ser visto graficamente na próxima figura.
• O sinal da covariância ),( baCov é oposto ao sinal de x . Note que o
gráfico da reta ajustada passa pelo ponto das médias ),( yx . Assim, ainda
na figura, mantendo-se fixo o ponto ),( yx , um aumento em b diminui o
intercepto a da reta ajustada.
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21.4 Distribuições Amostrais
Sob a hipótese da normalidade dos erros, a e b também são distribuídos
normalmente
(9) ⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛
xxS
Nb
2
,~ σβ
(10) a ~ N α,var(b) xi
2∑
n
⎛
⎝
⎜ ⎜
⎞
⎠
⎟ ⎟
(11)
xxS
xbaCov
2
),( σ−= (repetida por conveniência)
Falta-nos agora apenas definir um estimador para a variância do erro aleatório
σ2. Prova-se, e apelamos mais uma vez para a sua fé nos seus professores,
que
ˆ σ 2 = ei
2∑
n − 2
é um estimador não tendencioso de σ2, ou seja, 22 )ˆ( σσ =E , em que
iiiii bxayyye −−=−= ˆ
(*).
(*) O “2” que é subtraído do denominador é o número de parâmetros de
regressão ),( βα no modelo, e essa subtração torna o estimador 2σˆ não
tendencioso.
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13
Os resultados desta seção são muito importantes para o estudo da inferência
estatística.
Exemplo. Voltemos a um dos exemplos da aula 17, em que foi obtida reta
xy 217,0174,0ˆ += ( 42=xxS ). Foi dada a tabela a seguir:
ix iy ii yx 2ix
2
iy
1 0,5 0,5 1 0,25
2 0,6 1,2 4 0,36
3 0,9 2,7 9 0,81
4 0,8 3,2 16 0,64
5 1,2 6,0 25 1,44
6 1,5 9,0 36 2,25
7 1,7 11,9 49 2,89
8 2,0 16,0 64 4,00
36=∑ ix 2,9=∑ iy 5,50=∑ ii yx 2042 =∑ ix 64,122 =∑ iy
Vamos substituir, na tabela acima, as suas três últimas colunas,como abaixo:
ix iy iyˆ iii yye ˆ−= 21e
1 0,5 0,174+0,217x1=0,392 0,108 0,0117
2 0,6 0,174+0,217x2=0,608 -0,008 0,0001
3 0,9 0,174+0,217x3=0,825 0,075 0,0056
4 0,8 0,174+0,217x4=1,042 -0,242 0,0584
5 1,2 0,174+0,217x5=1,258 -0,058 0,0034
6 1,5 0,174+0,217x6=1,475 0,025 0,0006
7 1,7 0,174+0,217x7=1,692 0,008 0,0001
8 2,0 0,174+0,217x8=1,908 0,092 0,0084
36=∑ ix 2,9=∑ iy 2,9ˆ =∑ iy 0=∑ ie 0883,02 =∑ ie
Repare que
(a) ∑∑ = ii yy ˆ (demonstrável);
(b) , consequência direta de (a).
Estimemos as variâncias de a e b , bem como ),( baCov . A primeira etapa é
estimar σ2:
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14
ˆ σ 2 = ei
2∑
n − 2 =
0,0833
6
= 0,0147.
Agora, vamos utilizar as fórmulas (6), (7) e (8), substituindo σ2
(desconhecido) pela sua estimativa 2σˆ :
6
2
10350
42
0147,0ˆ)var( −×===
xxS
b σ ,
var(a) = xi
2∑
n
var(b) = 204
8
× 350 ×10−6 = 8,925 ×10−3,
cov(a,b) = −x var(b) = − 36
8
× 350 ×10−6 = −1,575 ×10−3.
Assim, assumindo a normalidade do erro aleatório ε do modelo, obtemos as
seguintes estimativas:
b ~ N(0,217; 350x10-6)
a ~ N(0,175; 8,925x10-3)
21.5 O Teorema de Gauss-Markov
O teorema Gauss-Markov nos garante que, de todos os estimadores lineares
possíveis não viesados para α e β, os estimadores de mínimos quadrados a e
b , definidos por (2), são os de menor variância. Ou seja, os estimadores a e b
são os Melhores Estimadores Lineares Não Viesados (MELNV).
Uma consequência lógica do teorema é que, se há estimadores de menor
variância que a e b para α e β, estes ou são viesados ou são não lineares. Nós
não nos preocuparemos com o seu estudo. A demonstração deste teorema
foge ao escopo desta aula.
21.6 O Coeficiente de Determinação
Os resíduos iii yye ˆ−= , embora utilizados para avaliar a aderência da reta
ajustada de mínimos quadrados aos pontos (xi,yi), têm o inconveniente de
serem afetados pela unidade utilizada. Para superar esse obstáculo,
voltaremos à discussão sobre o coeficiente de determinação R2 visto na aula
17.
Primeiramente, temos que a variação total de y é dada por
(12) 2)( yyS
i
iyy −= ∑
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15
Nosso objetivo é separar a variação total de y em 2 partes: uma
explicada pela regressão e outra associada ao termo de erro (ou não
explicada pela regressão).
Considere a identidade
(13) )ˆ()ˆ( yyyyyy iiii −+−=− .
Elevando ambos os membros de (13) ao quadrado e somando as n
observações, obtemos:
(14) .)ˆ)(ˆ(2)ˆ()ˆ()( 222 ∑∑∑∑ −−+−+−=− i iiii ii iii i yyyyyyyyyy
Demonstra-se que o último termo de (14) é nulo e segue-se então que
∑∑∑ −+−=− i ii iii i yyyyyy 222 )ˆ()ˆ()(
(15) SQT = SQE + SQR
em que:
⇒ SQT = Soma dos quadrados total = Syy = ∑ −i i yy 2)( (ou variação total)
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16
⇒ SQE = Soma dos quadrados dos erros = ∑ −i ii yy 2)ˆ( (ou variação
residual)
⇒ SQR = Soma dos quadrados da regressão = ∑ −i i yy 2)ˆ( (ou variação
explicada)
Dividindo ambos os membros de (15) por SQT, resulta
(16)
SQT
SQR
SQT
SQE +=1 .
Finalmente, definimos o coeficiente de determinação por
(17)
SQT
SQE
SQT
SQRR −== 12 .
Da definição, tem-se que 0 ≤ R2 ≤ 1. O coeficiente R2 mede a proporção ou
a porcentagem da variação total em y explicada por x dentro do
modelo de regressão. O R2 quantifica o grau de ajuste de um conjunto de
dados à reta de regressão estimada. Quanto mais próximo de 1 estiver R2
melhor terá sido nosso trabalho para explicar a variação em y, com bxay +=ˆ , e
maior será a capacidade de previsão de nosso modelo sobre todas as
observações amostrais, ou seja, R2 nos diz o quão próximos os valores
estimados (ou previstos) de Y estão de seus valores observados.
O coeficiente R2 é uma medida descritiva. É, às vezes, chamado medida de
aderência.Por si mesmo, não mede a qualidade do modelo de regressão.
Não se pode julgar o mérito de um modelo com base somente no valor de seu
R2. Os parâmetros estimados podem conter informações úteis mesmo quando
esse número é baixo (como R2=0,32). Isto pode ocorrer, por exemplo, quando
aplicamos a regressão linear simples no contexto de variáveis econômicas1.
Há outras formas de apresentar R2. Sabemos que ii bxay +=ˆ e y = a + bx .
Subtraindo a segunda equação da primeira, obtemos
ˆ y i − y = b(xi − x ) ⇒ ( ˆ y i − y )2 = b2(xi − x )2.
Fazendo o somatório de ambos os membros da equação,
( ˆ y i − y )2i∑ = b2(xi − x )2i∑ = b2 (xi − x )2i∑ ,
obtemos,
1 GUJARATI, Damodar N. Econometria Básica, 3ª Edição. São Paulo: Pearson Makron Books, 2000.
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17
(18) xxSbSQR
2= ,
logo,
(19)
yyxx
xy
yy
xx
SS
S
S
SbR
2
22 =⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛=
Vimos que o coeficiente de correlação linear de Pearson R é dado por
yyxx
xy
SS
S
R =
Então,
(20) 2|| RR += .
Repare que, no ajuste perfeito, ou seja, quando todas as observações se
encontram na reta ajustada, todos os resíduos são nulos e R2 =1, assim como
o módulo do coeficiente de correlação linear de Pearson (veja a figura abaixo).
Voltando ao exemplo anterior (item 21.4),
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18
SQT = ∑ −i i yy 2)( = yi2 −
yi
i
∑⎛ ⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
2
ni
∑ ≈ 2,06 (calculado anteriormente)
SQE = 0883,0)ˆ( 2 =−∑i ii yy
SQR = 972,142217,0 22 =×=xxSb
O coeficiente R2 é dado por
957,0
06,2
42217,0 222 =⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛×=⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛=
yy
xx
S
SbR
O resultado acima nos diz que 95,7% da variação de y é explicada pelo modelo
de regressão (veja a figura abaixo). Podemos dizer que a reta ajustada tem
uma boa aderência aos pontos (xi,yi).
Exemplo. O coeficiente de determinação de um modelo de regressão linear é
uma ferramenta de avaliação do grau de ajustamento do modelo aos dados.
A respeito desse coeficiente, assinale a afirmativa incorreta.
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19
A) Seu valor varia entre 0 e 1.
B) É invariante a uma mudança de escala das variáveis independentes.
C) Não diz o quão próximos os valores estimados de Y estão de seus valores
efetivos.
D) É uma quantidade não negativa.
E) Representa a participação relativa da soma dos quadrados da regressão
sobre a soma dos quadrados total.
Resolução
Análise das alternativas:
A) Vimos que 0≤R2≤ 1, portanto esta afirmativa é CORRETA.
B) A qualidade de uma regressão não muda se multiplicarmos as variáveis
independentes por um valor constante (= mudança de escala), portanto esta
afirmativa é CORRETA.
C) A afirmação correta é a contrária, ou seja, R2 diz o quão próximos os
valores estimados (ou previstos) de Y estão de seus valores efetivos ⇒ opção
INCORRETA.
D) Opção correta, pois 0≤R2≤ 1.
E) Vimos que R2 = SQR/SQT. Deste modo, representa a participação relativa
da soma dos quadrados da regressão sobre a soma dos quadrados total ⇒
CORRETA.
GABARITO: C
21.7 Relaxamento dos Pressupostos do Modelo
Heterocedasticidade
Lembremos da seguinte premissa do modelo de regressão linear clássico:
⇒ A variância do termo de erro é sempre constante, ou seja, Var(ei) =
E[ei2] = σ2
Quando a variância dos erros é constante, dizemos que os erros são
homocedásticos. Todo o estudo que fizemos até o momento está baseado
nesta premissa.
Entretanto, muitas vezes no mundo real os erros são heterocedásticos, ou
seja, suas variâncias não são constantes. Posto em equação,
Var(ei) = E[ei2] = σ2(i).
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20
A heterocedasticidade pode ser causada por várias fatores. Por exemplo, o
aperfeiçoamento da coleta de dados pode levar a uma diminuição na variância
dos erros das observações mais recentes.
Autocorrelação
A Autocorrelação ocorre quando não se observa o seguinte pressuposto:
⇒ Os termos de erro são estatisticamente independentes. Isso implica
que Cov(ei,ej) = E[eiej] = 0, para i ≠ j.
Simbolicamente, quando há autocorrelação,
Cov(ei,ej) = E[eiej] ≠ 0 para i ≠ j.
A autocorrelação dos erros é muito comum em séries temporais (por exemplo,
o gráfico do índice BOVESPA ao longo dos últimos 10 anos é uma série
temporal).
Há modelos de regressão linear que “corrigem” os problemas de
heterocedasticidade e autocorrelação. Entretanto, julgamos desnecessário, até
mesmo prejudicial (a menos que você tenha tempo de sobra - concurseiro com
tempo de sobra??), estudá-los para a prova, pois acreditamos ser desprezível
a probabilidade de serem cobrados.
21.8 Regressão sem o Intercepto
Em certas situações da vida prática, sabemos que a reta de regressão dos
dados deve passar pela origem. Considere, por exemplo, um estudante de
engenharia elétrica que está fazendo o levantamento experimental da famosa
Lei de Ohm, dada por V = RI, em que R é o valor de uma resistência, V é a
tensão aplicada em um resistor e I é a corrente que atravessa o resistor. Note
que a equação V = RI passa pela origem do gráfico da tensão (eixo vertical)
versus corrente (eixo horizontal). O valor da resistência dá a declividade da
reta.
A regressão sem o intercepto é também chamada regressão sem termo
constante ou regressão que passa pela origem. Neste caso nosso modelo
passa a ser
εβ += XY
e a condição imposta passa a ser
min ei
2 =
i
∑ min (yi − ˆ y i)2 = min (yi − bxi)2
i
∑
i
∑
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21
Aplicando então o método de mínimos quadrados, obtemos as seguintes
fórmulas para b e sua variância (*)
(21) ∑
∑= 2
i
ii
x
yx
b
(22) ∑= 2
2
)var(
ix
b σ ,
em que σ2 é estimado por
(23)
1
ˆ
2
2
−=
∑
n
eiσ
(*) a prova pode ser encontrada no apêndice do capítulo 6 da referência
GUJARATI, Damodar N. Econometria Básica, 3ª Edição. São Paulo: Pearson
Makron Books, 2000.
É interessante comparar tais fórmulas com as que se obtêm quando o termo
de intercepto está incluído no modelo:
b = Sxy
Sxx
= (xi − x )(yi − y )∑
(xi − x )2∑
∑ −= 2
2
)(
)var(
xx
b
i
σ
ˆ σ 2 = ei
2∑
n − 2
As diferenças entre os dois conjuntos de fórmulas são evidentes: no modelo
com intercepto usamos somas de quadrados e produtos cruzados (isto é,
produtos entre X e Y) ajustados em relação à média. Além disso, o número de
graus de liberdade para calcular 2σˆ é (n-1) na regressão sem o intercepto e
(n-2) na regressão com intercepto. A estatística 2σˆ tem (n-1) graus de
liberdade na regressão sem o intercepto porque a obtenção dos iyˆ necessita
da estimativa de somente um parâmetro do modelo.
Aprendemos, quando estudamos o modelo de regressão linear com intercepto,
que ∑= 22ˆ ieσ = SQE = SQT – SQR. Vimos que SQR = b2Sxx = b2∑ − 2)( xxi , por
conseguinte
∑ ∑∑ −−−= 2222 )()( xxbyye iii (regressão com intercepto).
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22
Para o modelo com intercepto zero, pode-se mostrar analogamente que
∑ ∑∑ −= 2222 iii xbye .
Note que as somas dos quadrados de Y e X não são ajustadas pela
média na fórmula acima.
Se o exercício não mencionar qual é o modelo, sempre resolva a questão
usando o modelo com intercepto.
Já caiu em prova! (Especialista em Regulação de Aviação
Civil/ANAC/2009/UnB-CESPE). Um estudo sobre a duração de uma
operac ̧ão de carregamento mostrou haver relação linear na forma Yk = βXk +
εk, em que Yk é o tempo (horas) do carregamento k; Xk é o volume total (em
toneladas) do carregamento k; β é o coeficiente angular; e εk representa um
erro aleatório com média zero e variância σ2.
De uma amostra aleatória de 341 operações de carregamento,
observam-se os seguintes resultados: ∑
=
=
341
1
988
k
kkYX ; ∑
=
=
341
1
2 704.1
k
k
X ; ∑
=
=
341
1
682
k
k
X ;
∑
=
=
341
1
2 681
k
k
Y ; ∑
=
=
341
1
341
k
k
Y .
Com base nessas informac ̧ões, julgue os itens a seguir.
O coeficiente R2 (ou coeficiente de determinação ou explicação) do modelo
apresentado é igual a 0,81, o que indica que 81% da variação total do tempo
de carregamento são explicadas pelo volume total do carregamento.
Resolução
Note que a regressão passa pela origem, pois o modelo especificado é Yk = βXk
+ εk.
O coeficiente R2 mede a proporção da variação total em Y (tempo em horas do
carregamento) explicada por X (volume total em toneladas do carregamento)
dentro do modelo de regressão. Não precisamos calcular o valor de R2 para
resolver o item, pois o mesmo afirma que “81% da variação total do tempo de
carregamento são explicadas pelo volume total do carregamento”. Ora, quem
explica é o modelo de regressão e não a variável independente X. Logo o item
está errado.
Determinemos o valor de R2. Aprendemos que a correlação linear entre Y e X,
dada por R, pode ser calculada pela fórmula
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23
yyxx
xy
SS
S
R =
Sxy = XkYk −
Xk∑( )× Yk∑( )
n∑ = 988 − 682 × 341341 = 306
Sxx = X k2 −
Xk∑( )2
n∑ =1.704 − 682 × 682341 = 340
Syy = Yk2 −
Yk∑( )2
n∑ = 681 − 341 × 341341 = 340
Logo, R = 306
340 × 340 =
306
340
= 0,9 ⇒ R2 = 0,81.
Você percebeu a “pegadinha” para os desatentos? O coeficiente de
determinação é, de fato, igual a 81%. Mas o problema é que a definição de R2
está errada. Moral da história: leia os itens com todo a atenção, pois a sua
futura carreira no serviço público depende disso!
GABARITO: E
A correlação linear entre o tempo de carregamento e o volume total do
carregamento é superior a 0,85.
Resolução
O item está certo, pois vimos que R = 0,9. Calcular o R no item anterior não
foi uma perda de tempo!
GABARITO: C
Sendo os erros aleatórios distribuídos segundo uma normal, então a estimativa
de máxima verossimilhança para o coeficiente β é inferior a 0,60 e superior a
0,55.
Resolução
A banca “pegou pesado” neste item, pois assumiu que o candidato soubesse a
seguinte propriedade (memorize para a prova!):
⇒ Se admitirmos os erros aleatórios do modelo de regressão distribuídos
normalmente, os estimadores de mínimos quadrados e de máxima
verossimilhança dos coeficientes da regressão são idênticos (GUJARATI, D. N.
“Econometria Básica”, 3ª Ed., Pearson Makron Books, 2000).
Trata-se de uma regressão sem o intercepto. Logo,
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24
b = XkYk∑
Xk
2∑ =
988
1.704
= 0,58.
Note que 0,55 < b = 0,58 < 0,60 ⇒ item certo.
GABARITO: C
Sendo y , x e βˆ , respectivamente, a média dos tempos de carregamento, a
média dos volumes totais do carregamento e a estimativa de mínimos
quadrados do coeficiente angulardo modelo, então xy βˆ= .
Resolução
O modelo é Yk = βXk + εk. Logo,
E(Yk) = E(βXk + εk) = E(βXk) + E(εk) = βE(Xk) + E(εk) = βE(Xk), pois E(εk) = 0.
Note que E(Yk) = βE(Xk) ≠ βˆ E(Xk). Item errado.
Nota: mais uma “pegadinha” da banca. Errou a questão quem confundiu a
estimativa do coeficiente angular, dada por βˆ , com o próprio coeficiente
angular β.
GABARITO: E
21.9 Intervalos de Confiança
A partir deste ponto, abandonaremos a notação α e β para os parâmetros do
modelo εβα ++= XY de RLS e adotaremos em seus lugares β1 e β2,
respectivamente. A razão disso é que empregaremos o termo α daqui para
frente para designar o nível de significância do teste, como logo veremos.
O modelo de RLS fica então na forma
(24) Y = β1 + β2X + ε
em que 1βˆ e 2βˆ denotam as estimativas de β1 e β2 , respectivamente.
Se os pressupostos do modelo (24) se verificam, inclusive o da normalidade
dos erros, pode-se provar que
(25) 222
2
ˆ
−=− ntsβ
ββ
)
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25
segue distribuição t de Student com n–2 graus de liberdade, em que
xxSs /ˆ
22
ˆ
2
σβ = é a variância amostral de 2βˆ (lembre que 2σˆ denota a variância
amostral dos resíduos do modelo).
O número de graus de liberdade (GL) é o número de observações subtraído do
número de parâmetros do modelo. No modelo de RLS, GL = n-2.
Da tabela auxiliar da t de Student encontramos valores críticos tc tais que
P{−tc ≤ t ≤ tc} =1 − α . Segue-se que αββ β −=≤−≤− 1}/)ˆ({ 22 cc tstP ) , e, rearranjando
a inequação anterior, obtemos
(26) αβββ ββ −=+≤≤− 1}{ 22 222 ))
))
ststP cc
Exemplo. Considere o nível de significância α = 0,05 = 5% e a estatística t
com 30 graus de liberdade. Podemos ver na figura abaixo que α−1 = 0,95 =
95% é a área sob a densidade t (curva azul) no intervalo -2,042 ≤ t ≤ 2,042
(tc = 2,042 para α= 5%, confira!) e 2α = 0,025 = 2,5% é a área de cada
uma das caudas da distribuição.
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
0
0.05
0.1
0.15
0.2
0.25
0.3
0.35
0.4
Distribuição da estatística t, N=30
t
D
en
si
da
de
Prob = 0.025
t>2.042
Prob = 0.025
t<-2.042
Area = 0,95
-2.042<t<2.042
O intervalo observado
) β 2 ± tcs ) β 2 é denominado intervalo com )%1(100 α− de
confiança para o parâmetro 2β . A interpretação de um intervalo de confiança é
que se um número infinito de amostras aleatórias for coletado e um intervalo
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26
com )%1(100 α− de confiança para 2β for calculado a partir de cada amostra,
então )%1(100 α− desses intervalos conterão o valor verdadeiro de 2β .
Na prática, obtemos somente uma amostra aleatória e calculamos uma
estimativa do intervalo de confiança. Uma vez que esse intervalo conterá ou
não o valor verdadeiro de 2β , não é razoável fixar um nível de probabilidade
para essa realização. A afirmação apropriada é a seguinte: o intervalo
observado contém o valor verdadeiro de β, com )%1(100 α− de confiança. Essa
afirmação tem uma interpretação de freqüência; ou seja, não sabemos se a
afirmação é verdadeira para essa amostra específica, mas o método usado
para obter o intervalo
22 ββ )
)
stc± resulta em afirmações corretas em )%1(100 α−
do tempo
Para o intercepto1β , a estimação dos intervalos de confiança (IC) funciona
rigorosamente da mesma maneira que para 2β . Assim, podemos reescrever
(26) como
(27) αβββ ββ −=+≤≤− 1}{ 11 111 ))
))
ststP cc
em que
(28)
ss ) β 1 =
ˆ σ 2 xi2∑
nSxx
Exemplo. Retornemos ao exemplo de RLS que temos utilizado ao longo desta
aula. A reta estimada é xy 217,0174,0ˆ += e as distribuições estimadas de 1β e 2β
são:
⎩⎨
⎧
)008938,0;174,0(:
)0003505,0;217,0(:
1
2
N
N
β
β
Se quisermos calcular os intervalos de confiança de 95% para 1β e 2β , temos
de escolher corretamente o valor crítico tc. Lembre que n=8 observações.
Logo, t6 = 2,447, o que implica 2,5% de área para cada cauda.
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27
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
0
0.05
0.1
0.15
0.2
0.25
0.3
0.35
0.4
Distribuição da estatística t, N=30
t
D
en
si
da
de
Prob = 0.025
t>2.447
Prob = 0.025
t<-2.447
O IC de 2β no nível de 95% de confiança é dado por
046,0217,00003505,0447,2217,0
22
±=×±=± ββ )
)
stc .
O IC de 1β no nível de 95% de confiança é dado por
231,0174,0008938,0447,2174,0
11
±=×±=± ββ )
)
stc .
Já caiu em prova! (TÉCNICO DE DEFESA AÉREA E CONTROLE DE
TRÁFEGO AÉREO – DECEA/2009/CESGRANRIO) Uma determinada
empresa resolveu estudar a relação do ativo total (em bilhões de reais) e a
receita líquida (em milhões de reais) das 17 maiores instituições financeiras do
país. O estudo forneceu os seguintes resultados:
Estatística de regressão
R2 0,55
R2 Ajustado 0,52
Erro padrão 2,86
Observações 17
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28
Coeficientes Erro padrão T valor-P
Interseção 4,5 1,43 3,1 0,007
Receita
líquida
0,1 0,02 4,3 0,001
Com base nos resultados, o intervalo de confiança de 95%, bilateral, para a
inclinação da reta, β, é, aproximadamente,
(A) 0,1 ± 1,64 x 0,02
(B) 0,1 ± 1,75 x 0,02
(C) 0,1 ± 1,96 x 0,02
(D) 0,1 ± 2,13 x 0,02
(E) 0,1 ± 4,30 x 0,02
Resolução
Seja o modelo de RLS Y = β1 + β2X + ε , em que a inclinação da reta β2 é o β
mencionado pelo enunciado, X é a variável independente (ativo) e Y é a
variável dependente (receita líquida).
Pede-se o intervalo de confiança (IC) de β2. Vimos ele é dado por
02,03,41,0
22
×±=± ββ )
)
stc ⇒ opção correta (E), certo? ERRADO! Você caiu numa
“pegadinha” da banca.
O valor T da tabela é a estatística de teste da Hipótese nula Ho: β2=0.
O IC é dado por
22 ββ )
)
stc± , onde tc é o valor crítico de t extraído da tabela
auxiliar t de Student.
No modelo de RLS, para n=17 observações, temos n–2 = 15 graus de
liberdade (GL). Para o IC bilateral 95% de confiança e 15 GL, tc=2,131 ≅ 2,13.
Como 1,02 =β
)
e 02,0
2
=β)s , temos que:
IC: 02,013,21,0
22
×±=± ββ )
)
stc .
Nota: a estatística “R2 Ajustado” é definida no estudo da regressão linear
múltipla, que está fora do escopo desta aula. Essa estatística não é usada na
RLS. Na prova, você teria condições de resolver esta questão mesmo sem
saber a definição de R2 Ajustado.
GABARITO: D
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29
21.10 Testes de Hipóteses
A hipótese nula H0
A hipótese nula é geralmente o oposto do que queremos provar. Por exemplo,
no modelo de RLS εββ ++= XY 21 , ao calcularmos 2βˆ estamos supondo que
existe uma relação entre as variáveis X e Y. Assim, uma hipótese nula (H0)
usualmente adotada é H0: 2β =0.
A hipótese alternativa H1
A hipótese alternativa contradiz a hipótese nula. Por exemplo, quando a
hipótese nula é H0: 2β = 0 a hipótese alternativa pode ser H1: 2β ≠0 ou H1:
2β <0 ou ainda H1: 2β >0.
A preocupação de definir as hipóteses é do examinador, nós só teremos de
testá-las. E para isso precisaremos de uma estatística de teste.
Vimos que
2
ˆ22 /)ˆ( βββ s− segue distribuição t com n-2 graus de liberdade. Se a
hipótese nula H0: 2β = k, em que k é uma constante, for aceita, então
2
ˆ22 /)ˆ( ββ sktn −=− também possui distribuição t com n-2 graus de liberdade. Esta
será a estatística usada no teste. Ressaltamos que, na maioria dos exames, a
hipótese nula é H0: 2β =0 e tn −2 = ˆ β 2 /s ˆ β 2, embora isso nem sempre ocorra.
A Região de Rejeição
Se a estatística tn −2 = ( ˆ β 2 − k) /s ˆ β 2 for muito grande em módulo (valor absoluto),
rejeitamos H0. A lógica está no fato de, se 2βˆ ficar muito distante de k,
provavelmente H0 está errada.
Mas o quão grande tem de ser a estatística acima para rejeitarmos H0 em
favor de H1: 2β ≠ 0? A resposta a essa pergunta é a escolha de um nível de
significância α . A região de rejeição é composta por valores t tais que P{t ≥
tc} = P{t ≤ -tc} = α/2, conforme ilustrado pela figura abaixo.
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30
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
0
0.05
0.1
0.15
0.2
0.25
0.3
0.35
0.4
0.45
0.5
Distribuição da estatística t, N=30
t
D
en
si
da
de
Prob = α/2
t>tc
Prob = α/2
t<-tc
P(-tc<t<tc) = 1-α
NÃO REJEITAR H0 REJEITAR H0REJEITAR H0
Tipos de erro (revisão!)
Sempre que aplicamos um teste de hipóteses corremos o risco de errar. Há
dois tipos de erro.
Erro tipo I: rejeitar H0 sendo ela verdadeira. Neste caso, H0 é verdadeira
e P{−tc ≤ ( ˆ β 2 − k) /s ˆ β 2 ≤ tc} =1 − α , pois ( ˆ β 2 − k) /s ˆ β 2 segue a distribuição tn-2. Assim, a
probabilidade de cometer um erro tipo I é α .
Erro tipo II: aceitar a hipótese H0 sendo ela falsa. Entretanto, essa
probabilidade não pode ser calculada, pois não sabemos o verdadeiro valor do
parâmetro. Mas podemos dizer que a probabilidade de um erro nível II
aumenta à medida que diminui a probabilidade de um erro nível I, quando se
escolhe um menor nível de significância α .
Exemplo. Com os dados do exemplo do exemplo anterior, teste a hipótese H0:
β1=0 em favor da hipótese alternativa H1: β1≠0 nos níveis de 10% e 20% de
significância.
As mesmas fórmulas enunciadas para β2 se aplicam para β1 . A estatística de
teste é
tn −2 = ( ˆ β 1 − k) /s ˆ β 1 = 0,174 / 0,008938 =1,84 .
a) α = 0,10
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31
P{t ≥ tc} = P{t ≤ -tc} = α /2= 0,05
Como n=8, temos n–2 = 6 GL. Da tabela auxiliar, tc=1,94. Como −tc < tn −2 < tc ,
tn-2 se encontra na região de aceitação. Portanto, não rejeitamos a hipótese
nula no nível de significância de 10%.
b) α = 0,20
P{t ≥ tc} = P{t ≤ -tc} = α /2= 0,10
Da tabela auxiliar, tc = 1,44. Como tn-2>tc, tn-2 encontra-se na região de
rejeição. Portanto, a hipótese nula é rejeitada no nível de significância
de 20%.
Testes unilaterais (unicaudais)
Até agora estudamos os testes bilaterais ou bicaudais, que se caracterizam
pela hipótese nula H0: iβ =0 (i=1,2), contra a alternativa H1: iβ ≠0.
Se rejeitarmos H0 em favor da alternativa H1: iβ ≠0, estaremos considerando
que iβ pode assumir qualquer valor negativo ou positivo, menos o zero.
Ocorre às vezes, pela natureza das variáveis, que iβ não pode ser negativo e,
dessa forma, estabelecemos a hipótese alternativaH1: iβ >0. O que você
precisa saber para a prova está explicado na sequência.
Em um teste bilateral, a região de rejeição é composta por valores t tais que
P{t ≥ tc} = P{t ≤ -tc} = α /2. Em um teste unilateral à direita, a região de
rejeição é composta por valores t tais que P(t≥tc) = α . Na próxima figura,
temos α = 5% e tc = 1,697 (30 graus de liberdade).
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32
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
0
0.05
0.1
0.15
0.2
0.25
0.3
0.35
0.4
Distribuição da estatística t
t
D
en
si
da
de
Rejeitar se t > 1.697
Prob = 0.05
O restante do procedimento é idêntico ao já estudado.
21.11 Análise de Variância
Seja o modelo de RLS dado por εββ ++= XY 21 e sua reta estimativa
xy 21 ˆˆˆ ββ += . Vimos no item 21.6 que SQT = SQR + SQE, ou seja,
∑∑∑ −+−=− 222 )ˆ()ˆ()( iiii yyyyyy .
A expressão acima é a equação básica da análise de variância ou ANOVA
(ANalysis Of VAriance). Veremos que a análise de variância pode ser usada
para testar a significância da regressão. Já aprendemos que os
componentes ∑ − 2)ˆ( yyi (SQR) e ∑ − 2)ˆ( ii yy (SQE) medem, respectivamente, a
variação em y devida à reta de regressão e a variação residual deixada sem
explicação pela reta de regressão.
A ideia é usar a equação da ANOVA para testar a hipótese de não haver
regressão (β2=0). Se não há regressão, 1ˆˆ β=y e y=1ˆβ (pois
yxyxy =−=−= .0ˆˆ 21 ββ ). Portanto, 0)()ˆ()ˆ( 2212 ∑∑∑ =−=−=− yyyyyi β (SQR é
nula). Neste caso, SQT = SQE e isto quer dizer que a variância total de Y (σy2)
é igual a variância residual σ2 (variância do erro aleatório ε do modelo), ou
seja, σy2 = σ2.
Vamos agora dividir os termos dos lados esquerdo e direito da equação da
ANOVA pela variância residual σ2:
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33
(yi − y )2∑
σ2 =
( ˆ y i − y )2∑
σ2 +
(yi − ˆ y i)2∑
σ2 .
Observe que a divisão de SQT por σ2 (lado esquerdo da expressão acima),
1
σ2 (yi − y )
2∑ = yi − y σ⎛ ⎝ ⎜ ⎞ ⎠ ⎟
2
=∑ χn −12 ,
resulta numa variável aleatória qui-quadrado com n-1 graus de liberdade, pois
assumimos que σy2 = σ2 (lembre que a média amostral y causa a subtração de
1 grau de liberdade na estatística).
Seguindo a mesma linha de raciocínio, temos que a estatística
1
σ2 (yi − ˆ y i)
2∑ = yi − ˆ y iσ⎛ ⎝ ⎜ ⎞ ⎠ ⎟
2
=∑ χn −22
é uma variável aleatória qui-quadrado com n-2 graus de liberdade (a
diminuição de 2 graus de liberdade é causada pela estimação dos parâmetrods
1ˆβ e 2βˆ ).
Ainda falta analisar a estatística
( ˆ y i − y )2∑
σ2 =
ˆ β 22Sxx
σ2 (lembre que xxSSQR
2
2βˆ= ). A
variável aleatória 2βˆ é normal. Sendo 02 =β por hipótese, temos que
⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛
xxS
N
2
2 ,0~ˆ
σβ . Considere a variável normal reduzida
z = ˆ β 2 − 0σ / Sxx =
ˆ β 2 Sxx
σ .
Elevando ao quadrado ambos os membros da expressão acima, obtemos,
z2 = ˆ β 2 − 0σ / Sxx
⎛
⎝
⎜ ⎜
⎞
⎠
⎟ ⎟
2
= ˆ β 2
2Sxx
σ 2 =
SQR
σ 2 ,
e concluímos que a divisão de SQR por σ2 resulta numa variável aleatória qui-
quadrado com 1 grau de liberdade.
Assim, a equação
(yi − y )2∑
σ2 =
( ˆ y i − y )2∑
σ2 +
(yi − ˆ y i)2∑
σ2
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34
pode ser reescrita como
2
2
2
1
2
1 −− += nn χχχ ,
se, de fato, é válida a hipótese 02 =β .
Aprendemos na aula 18 que uma variável resultante da soma de duas outras
variáveis independentes 2
1n
χ e 2
2n
χ é uma variável 2
21 nn
χ + . Uma consequência da
propriedade de aditividade da qui-quadrado é a seguinte: se três variáveis 2nχ ,
2
1n
χ e 2
2n
χ são tais que 2nχ =
2
1n
χ + 2
2n
χ , então a condição necessária e suficiente
para que 2
1n
χ e 2
2n
χ sejam independentes é que n = n1 + n2.
(*) o termo técnico seria “corolário”.
Concluímos que 21χ = (SQR/σ2) e 2 2−nχ = (SQE/σ2) são variáveis qui-quadrado
independentes, pois o número de graus de liberdade de SQT/σ2 é n-1, caso a
premissa 02 =β seja válida.
Considere a estatística F
(29) F =
SQR /σ2
1
SQE /σ2
n − 2
= χ1
2 /1
χn −22 /(n − 2) =
SQR /1
SQE /(n − 2) =
ˆ β 22Sxx
ˆ σ 2 ,
em que 2σˆ denota a variância residual amostral. Note que F tem 1 grau de
liberdade no numerador e n-2 graus de liberdade no denominador. Então (29)
pode ser usada para se testar, pela ANOVA, a hipótese H0 de não haver
regressão. O teste será unilateral, uma vez que, sendo falsa H0, o numerador
tenderá a crescer. A variável (29) deverá ser comparada com o valor crítico
F1,n −2,α em que α é o nível de significância do teste de hipóteses. Daremos um
exemplo de teste pela ANOVA mais adiante.
O teste acima descrito é equivalente ao teste bilateral da hipótese nula 02 =β ,
porque demonstra-se que o F de (29) é o quadrado do tn-2 quando 02 =β , ou
seja, F1,n-2 = t2n-2.
Podemos resumir tudo o que foi visto neste item na tabela de ANOVA abaixo
(memorize para a prova!).
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35
Fonte de
Variação
Soma de
Quadrados
Graus de
Liberdade
Quadrado
Médio
F Fα
Regressão SQR 1 SQR/1
)2/(
1/
−nSQE
SQR
F1,n-2,α Residual SQE n-2 SQE/(n-2)
Total SQT n-1
Pelo que foi visto até o momento, tanto faz usar t ou F no modelo de RLS. Na
verdade, F é muito útil para a inferência do modelo de regressão linear
múltipla, cujo estudo está fora do escopo desta aula. É por isso que demos
maior ênfase ao estudo dos testes com a estatística t.
Nota: cuidado com a notação. Alguns autores não adotam as mesmas
abreviaturas que são usadas neste curso. Vimos que
SQR = Soma dos quadrados da regressão = ( ˆ y i − y )2i∑ (variação explicada).
Alguns autores a chamam de Soma dos Quadrados Explicada (SQE) pela
regressão.
Vimos também que
SQE = Soma dos quadrados dos erros = (yi − ˆ y i)2i∑ (variação residual).
Alguns autores a chamam de Soma dos Quadrados dos Resíduos (SQR).
Neste caso inverte-se a notação. Na prova, o examinador terá de explicar a
qual soma estará se referindo. Você tem apenas de estar bem atento.
Exemplo. Testar pela ANOVA a existência de regressão linear para os dados
do exemplo do item 21.4, ao nível de 10% de significância. Considere F1;6;0,1 =
3,776.
Dados: 174,01ˆ =β (intercepto estimado), 217,0ˆ2 =β (inclinação estimada), Syy =
2,06; Sxx = 2,06, Sxy = 9,1 e n = 8.
Solução:
Vamos testar as hipóteses
H0: β2 = 0,
H1: β2 ≠ 0.
SQR = 978,142217,0ˆ 222 ≈×=× xxSβ .
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SQE = SQT – SQR = Syy – SQR = 2,06 – 1,978 = 0,082.
F = SQR/[SQE/(n–2)] = 1,987/(0,082/6) ≅ 144,73.
Como F = 144,73 >> 3,776, rejeitamos H0 e concluímos que há regressão. A
próxima figura ilustra a distribuição amostral de F. A área azul corresponde a
P(F > fc) = 10%, em que o valor crítico fc = 3,776.
0 20 40 60 80 100 120 140
0
0.05
0.1
0.15
0.2
0.25
Distribuição da estatística F
f
D
en
si
da
de
P(F > 3.776) = 0,10
curva F
área = 10%
Fonte de
Variação
Soma de
QuadradosGraus de
Liberdade
Quadrado
Médio
F Fα
Regressão 1,978 1 1,978 =
014,0
978,1
144,73
3,776 Residual 0,082 6 0,014
Total 2,060 7
Já caiu em prova! (Analista da SUSEP/Atuária/2010/ESAF). A partir de
uma amostra aleatória (X1 ,Y1), (X2 ,Y2),..., (X20 ,Y20) foram obtidas as
estastísticas:
médias X = 12,5 e Y = 19, variâncias amostrais sx
2 = 30 e sy
2 = 54 e
covariância Sxy = 36.
Qual a reta de regressão estimada de Y em X?
A) ˆ Y i =19 + 0,667Xi
B) ˆ Y i =12,5 +1,2Xi
C) ˆ Y i = 4 +1,2Xi
D) ˆ Y i =19 +1,2Xi
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37
E) ˆ Y i = 80 + 22,8Xi
Resolução
A reta a estimar é
ii XY 21 ˆˆˆ ββ += ,
em que o parâmetro 2βˆ (estimativa da declividade) é dado por
ˆ β 2 = SxySxx =
(Xi − X )(Yi −Y )i=1
n∑
(Xi − X )2i=1
n∑ ,
e o parâmetro 1ˆβ (estimativa do intercepto) por
XY 21 ˆˆ ββ −= .
Observe que estamos usando uma notação diferente do enunciado: a
quantidade Sxy definida acima não é a covariância entre X e Y.
Podemos calcular b adaptando a fórmula dada acima:
ˆ β 2 =
(Xi − X )(Yi −Y )i=1
n∑
n −1
(Xi − X )2i=1
n∑
n −1
= sxy
sx
2 .
Ou seja, 2βˆ pode ser calculado, de forma alternativa, pela razão entre a
covariância amostral sxy (estamos usando uma notação diferente da do
enunciado, mas que está coerente com a desta aula!) e a variância amostral
sx
2. Logo, 2,130/36ˆ2 ==β e 0,45,122,1191ˆ =×−=β . Deste modo, a reta de
regressão estimada de Y em X é ˆ Y i = 4 +1,2Xi.
GABARITO: C
Já caiu em prova! (Analista da SUSEP/Atuária/2010/ESAF). Com os
dados da questão anterior, determine o valor da estatística F para testar a
hipótese nula de que o coeficiente angular da reta do modelo de regressão
linear simples de Y em X é igual a zero.
A) 144
B) 18
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38
C) 36
D) 72
E) 48
Resolução
Sabemos que F = SQR
SQE /(n − 2) .
80,820]3019[44,1])1[(2,1ˆ 2222 =×=−×== xxx snSSQR β
026.15419)1( 2 =×=−== yyy snSSQT
20,20580,820026.1 =−=−= SQRSQTSQE
Assim,
72
18/20,205
80,820 ==F
GABARITO: D
21.12 Memorize para a prova
- Equação do modelo de RLS: εβα ++= XY , em que α é o intercepto, β é a
declividade e ε denota o erro aleatório do modelo, suposto N ~(0, σ2), isto é,
normalmente distribuído com média nula e variância σ2.
- Sxx = xi2 −
xi∑( )2
n∑
- Syy = yi2 −
yi∑( )2
n∑
- Sxy = xiyi −
xi∑( )× yi∑( )
n∑
- Reta estimativa: bxayxYE +== ˆ)|(
-
⎪⎩
⎪⎨
⎧
−=
=
xbya
S
S
b
xx
xy
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39
- ⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛
xxS
Nb
2
,~ σβ
- ⎟⎟⎠
⎞
⎜⎜⎝
⎛ ∑
n
x
bNa i
2
)var(,~ α
- SQT = SQR + SQE (Equação da ANOVA)
- yyi SyySQT =−= ∑ 2)(
- ∑ =−= xxi SbyySQR 22)ˆ(
- ∑∑ =−= 22)ˆ( iii eyySQE , em que os ie são os resíduos do modelo. Os resíduos
são realizações do erro aleatório do modelo.
- ∑ ∑∑ −−−== 2222 )()( xxbyyeSQE iii
- variância dos resíduos: ˆ σ 2 = ei
2∑
n − 2 =
SQE
n − 2 ⇒ é a estimativa da variância σ
2 de ε.
- Coeficiente de determinação:
SQT
SQE
SQT
SQRR −== 12
- Estatística t para testar se há regressão (H0: β = 0):
bs
kbt −= , em que
xxS
s
b
2
2 σˆ= .
- Intervalo de confiança para β: bcstb ± .
- Estatística F:
)2( −= nSQE
SQRF .
- ANOVA:
Fonte de
Variação
Soma de
Quadrados
Graus de
Liberdade
Quadrado
Médio
F Fα
D a n i e l a M i t i W a d a , C P F : 2 2 3 5 1 2 7 1 8 5 8
D a n i e l a M i t i W a d a , C P F : 2 2 3 5 1 2 7 1 8 5 8
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40
Regressão SQR 1 SQR/1
)2/(
1/
−nSQE
SQR
F1,n-2,α Residual SQE n-2 SQE/(n-2)
Total SQT n-1
- Regressão sem o intercepto: εβ += XY :
⇒ b = xiyi∑
xi
2∑ , ∑= 2
2
)var(
ix
b σ e ˆ σ 2 = ei
2∑
n −1
⇒ SQE = ei2∑ = yi2 − b2 xi2∑∑
- Se admitirmos os erros aleatórios do modelo de regressão distribuídos
normalmente, os estimadores de mínimos quadrados e de máxima
verossimilhança dos coeficientes da regressão são idênticos.
21.11 Exercícios de Fixação
1. Ajuste o modelo linear simples Yi = α + βXi + ε i para os dados da tabela abaixo
e determine o resíduo correspondente a X=7 e Y=15.
X 5 6 7 9 11 12
Y 20 19 15 12 12 8
A) 1,08
B) 1,42
C) -0,71
D) -1,42
E) -1,08
2. Seja o modelo Yi = α + βXi + ε i. São dados:
60=∑ ix 12602 =∑ ix 320=∑ iy
160002 =∑ iy 2400=∑ ii yx
n = 10 observações
Calcule s2. Dica: SQE = SQT − SQR = Syy − b2Sxx
A) 5760
B) 720
C) 550,4
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41
D) 688
E) 60
Julgue o item a seguir.
3. No modelo Yi = α + βXi + ε i os estimadores de mínimos quadrados de α e β são
os de menor variância possível.
(Analista BACEN - Área 4/2006/FCC) Considere as informações a seguir
para resolver as questões de números 4 e 5.
Uma empresa, com a finalidade de determinar a relação entre os gastos anuais
em pesquisa e desenvolvimento (X), em milhares de reais, e o acréscimo anual
nas vendas (Y), também em milhares de reais, optou por utilizar o modelo
linear simples Yi = α + βXi +ε i, em que Yi é o acréscimo nas vendas no ano i, Xi é
o valor gasto em pesquisa e desenvolvimento no ano i e εi o erro aleatório com
as respectivas hipóteses consideradas para a regressão linear simples(α e β
são parâmetros desconhecidos). Considerou para o estudo as seguintes
informações referentes às observações nos últimos 10 anos da empresa:
Yi =160
i=1
10∑ Xi =100
i=1
10∑ XiYi =1.900
i=1
10∑
Xi
2 =1.200
i=1
10∑ Yi2 = 3.060
i=1
10∑
4. Utilizando a equação da reta obtida pelo método dos mínimos quadrados,
obteve-se, para um determinado gasto em pesquisa e desenvolvimento, uma
previsão de acréscimo nas vendas no valor de 19 mil reais. O valor que se
considerou para o gasto em pesquisa e desenvolvimento, em mil reais, foi
A) 14,0
B) 13,75
C) 13,0
D) 12,4
E) 12,0
5. Montando o quadro de análise de variância, tem-se que
A) a variação residual apresenta um valor igual a 100.
B) o valor da estatística F necessária para o teste de existência da regressão é
igual a nove.
C) o valor do correspondente coeficiente de determinação (R2) é igual a 90%.
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42
D) a variação total apresenta um valor igual a 550.
E) a variação explicada, fonte de variação devido à regressão, apresenta um
valor igual a 500.
(Analista BACEN – 2001/ESAF) As questões 6 e 7 dizem respeito ao
enunciado seguinte.
A Cia. Delta presta serviço de manutenção a uma marca de microcomputador.
O gerente da Cia. Delta está interessado em estudar a associação existente
entre o tempo (y) em minutos gasto em um atendimento e o número (x) de
micros atendidos.
Neste contexto anota as realizaçõesyt e xt dessas variáveis em 16 chamadas
de serviço. O gerente postula o modelo linear Yt = α + βXt +ε t, t=1...16, onde α
e β são parâmetros desconhecidos e os εt são erros não correlacionados com
média zero e variância constante σ2. Os resultados obtidos com o ajuste pelo
método de quadrados mínimos para esse modelo são apresentados a seguir.
Parâmetro Estimativa Desvio-padrão
α -2,3 2,6
β 14,7 0,5
σ2 20 -
Sabe-se que (yt − m)2 =14.000t∑ , onde m é o tempo médio das 16 chamadas.
6. Assinale a opção que dá o valor do coeficiente de determinação do modelo
linear.
A) 0,98
B) 0,90
C) 0,88
D) 0,28
E) 0,20
7. Assinale a opção que dá a estimativa do aumento esperado no tempo de
atendimento decorrente do aumento de uma unidade no número de micros
atendidos.
A) 17,0
B) 12,4
C) -2,3
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43
D) 0,2
E) 14,7
8. No ajuste do modelo linear simples Yi = α + βXi + ε i são dados:
196=∑ ix 160=∑ iy 3318=∑ ii yx
a = -11,5 n = 28 observações
Calcule ∑ 2ix .
A) 2198
B) 2265,5
C) 2450
D) 3318
E) 893,5
Julgue o item a seguir.
9. Sejam dados a tabela abaixo e o modelo Y = βX + ε
X 10 12 14 16 18
Y 8 11 13 15 19
A estimativa de mínimos quadrados de β é maior que um.
(Analista BACEN – 1997/CESPE) Para as questões de 10 a 14, utilize as
informações a seguir.
O gerente do setor de compras de uma organização bancária deseja estudar
um modelo de predição do tempo gasto para o processamento de faturas
relativas à importação de equipamentos eletrônicos. Durante trinta dias, foram
coletados dados relativos ao tempo de processamento das faturas (em horas)
e o número de faturas processadas. Considerando tratar-se de uma relação
linear, cuja variável dependente é o TEMPO, os dados foram processados e os
resultados preliminares são apresentados nas tabelas a seguir.
ANÁLISE DE VARIÂNCIA
Fontes Graus de Soma de Quadrado Valor F Prob > f
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44
Liberdade Quadrado Médio
Modelo 1 25,94382
25,94382
232,220
0,0001
Erro
28 3,12818
0,11172
Total
29 29,07200
R Quadrado (Coeficiente de
determinação)
C.V. ( Coeficiente de Variação )
0,8924 16,38464
ESTIMATIVAS DOS PARÂMETROS
Variável
Graus de
Liberdade
Estimativas
Erro
Padrão
T
Prob
>│T│
INTERCEPTO
1 0,402375
0,12358250
3,256
0,0030
FATURAS
1 0,012607
0,00082729
15,239
0,0001
Representando por Yi o tempo gasto e por Xi o número de faturas processadas
no dia i, julgue os itens de 10 a 14.
10. O modelo estimado é igual a E (Yi) = 0,402375 + 0,012607Xi + εi, em que
E (Yi) representa o tempo médio e εi representa o resíduo estimado para o i-
ésimo dia.
11. O resultado obtido indica que a cada aumento de uma fatura processada
corresponde um aumento de 0,012607 no tempo esperado estimado.
12. Para o modelo proposto, o teste de adequabilidade do modelo é
equivalente a testar Ho: β1 = 0 contra Ha: β1 ≠ 0, em que β1 é o parâmetro
associado à variável que indica o número de faturas processadas a cada dia.
13. Para que o analista rejeite a hipótese nula Ho: INTERCEPTO = 0, o nível de
significância usado deve ser inferior a 0,003.
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45
14. Aproximadamente 16,38% da variação no tempo de processamento são
explicados pela variação no número de faturas processadas.
15. São dados para o modelo εβα ++= XY
36=∑ ix 1622 =∑ ix 0=∑ iy 270=∑ ii yx
50,13ˆ 2 =σ 12=n
Determine a estatística t para testar a hipótese H0: β = 0
A) 10
B) 15
C) 20
D) 23,57
E) 28,48
Julgue os próximos itens com base no enunciado abaixo.
Seja o modelo estimado ii xy 290 −= , em que a variância amostral do intercepto
é 22, a variância amostral da declividade é 0,06. Foram coletadas 7
observações.
16. O intervalo de confiança de 90% para a declividade é )51,1;49,2( −− .
17. Considere o teste de hipóteses H0: 100=α contra H1: α ≠100 a um nível de
significância de 5%. Então deve-se rejeitar H0.
21.12 Gabarito
1 – D
2 – D
3 – ERRADO
4 – E
5 – C
6 – A
7 – E
8 – B
9 – ERRADO
10 – ERRADO
11 – CERTO
12 - CERTO
13 - ERRADO
14 – ERRADO
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46
15 – A
16 - CERTO
17 - ERRADO
21.13 Resolução dos Exercícios de Fixação
1. Ajuste o modelo linear simples Yi = α + βXi + ε i para os dados da tabela abaixo
e determine o resíduo correspondente a X=7 e Y=15.
X 5 6 7 9 11 12
Y 20 19 15 12 12 8
A) 1,08
B) 1,42
C) -0,71
D) -1,42
E) -1,08
Resolução
O problema pede o resíduo da 3ª observação, ou seja, e3 = y3 − ˆ y 3.
Estimativas de a e b:
ix iy ii yx 2ix
5 20 100 25
6 19 114 36
7 15 105 49
9 12 108 81
11 12 132 121
12 8 96 144
50=∑ ix 86=∑ iy 655=∑ ii yx 4562 =∑ ix
Sxy = xiyi −
xi
i
∑⎛ ⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟ × yii∑
⎛
⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
ni
∑ = 655 − 50 × 866 = −61,67
Sxx = xi2 −
xi
i
∑⎛ ⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
2
n
= 456 − 50
2
6
= 39,33
i
∑
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47
⎪⎪⎩
⎪⎪⎨
⎧
=×−−=−=
−=−==
40,27
6
50)57,1(
6
86
57,1
33,39
67,61
xbya
S
S
b
xx
xy
Assim, a reta ajustada encontrada foi xy 57,140,27ˆ −= .
ˆ y 3 = 27,40 −1,57 × 7 =16,42
Finalmente, e3 = y3 − ˆ y 3 =15 −16,42 = −1,42.
GABARITO: D
2. Seja o modelo Yi = α + βXi + ε i. São dados:
60=∑ ix 12602 =∑ ix 320=∑ iy
160002 =∑ iy 2400=∑ ii yx
n = 10 observações
Calcule s2. Dica: SQE = SQT − SQR = Syy − b2Sxx
A) 5760
B) 720
C) 550,4
D) 688
E) 60
Resolução
Lembre que
s2 = ˆ σ 2 = ei
2
i
∑
n − 2 =
SQE
n − 2
Syy = yi2 −
yi
i
∑⎛ ⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
2
n
=
i
∑ 16000 − 320210 = 5760
Sxx = xi2 −
xi
i
∑⎛ ⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
2
n
=1260 − 60
2
10
= 900
i
∑
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48
Sxy = xiyi −
xi
i
∑⎛ ⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟ × yii∑
⎛
⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
ni
∑ = 2400 − 60 × 32010 = 480
Logo,
53,0
900
480 ===
xx
xy
S
S
b e
SQE = SQT − SQR = Syy − b2Sxx = 5760 − 0,532 × 900 = 5504
s2 = ei
2
i
∑
n − 2 =
SQE
n − 2 =
5504
8
= 688
GABARITO: D
Julgue o item a seguir.
3. No modelo Yi = α + βXi +ε i os estimadores de mínimos quadrados de α e β são
os de menor variância possível.
Resolução
Os estimadores de mínimos quadrados da RLS são os de menor variância
possível dentre os não tendenciosos. É o que assegura o Teorema de
Gauss-Markov. Podem existir estimadores lineares tendenciosos cujas
variâncias sejam menores que os do modelo de RLS.
GABARITO: ERRADO
(Analista BACEN - Área 4/2006/FCC) Considere as informaçõesa seguir
para resolver as questões de números 4 e 5.
Uma empresa, com a finalidade de determinar a relação entre os gastos anuais
em pesquisa e desenvolvimento (X), em milhares de reais, e o acréscimo anual
nas vendas (Y), também em milhares de reais, optou por utilizar o modelo
linear simples Yi = α + βXi + ε i, em que Yi é o acréscimo nas vendas no ano i, Xi é
o valor gasto em pesquisa e desenvolvimento no ano i e εi o erro aleatório com
as respectivas hipóteses consideradas para a regressão linear simples(α e β
são parâmetros desconhecidos). Considerou para o estudo as seguintes
informações referentes às observações nos últimos 10 anos da empresa:
Yi =160
i=1
10∑ Xi =100
i=1
10∑ XiYi =1.900
i=1
10∑
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49
Xi
2 =1.200
i=1
10∑ Yi2 = 3.060
i=1
10∑
4. Utilizando a equação da reta obtida pelo método dos mínimos quadrados,
obteve-se, para um determinado gasto em pesquisa e desenvolvimento, uma
previsão de acréscimo nas vendas no valor de 19 mil reais. O valor que se
considerou para o gasto em pesquisa e desenvolvimento, em mil reais, foi
A) 14,0
B) 13,75
C) 13,0
D) 12,4
E) 12,0
Resolução
Sxx = xi2 −
xi
i
∑⎛ ⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
2
n
=1200 − 100
2
10
= 200
i
∑
Sxy = xiyi −
xi
i
∑⎛ ⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟ × yii∑
⎛
⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
ni
∑ =1900 − 160 ×10010 = 300
Logo
5,1
200
300 ===
xx
xy
S
S
b
1
10
100)5,1(
10
160 =×−=−= xbya
Assim, encontramos a reta ajustada xy 5,11ˆ += .
Do enunciado, 19ˆ =y (lembrar que a unidade é R$1.000)
x5,1119 += ⇒ x = 12
Logo, o valor que se considerou para o gasto em pesquisa e desenvolvimento
foi de R$ 12.000,00.
GABARITO: E
5. Montando o quadro de análise de variância, tem-se que
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50
A) a variação residual apresenta um valor igual a 100.
B) o valor da estatística F necessária para o teste de existência da regressão é
igual a nove.
C) o valor do correspondente coeficiente de determinação (R2) é igual a 90%.
D) a variação total apresenta um valor igual a 550.
E) a variação explicada, fonte de variação devido à regressão, apresenta um
valor igual a 500.
Resolução
SQT = Syy = yi2 −
yi
i
∑⎛ ⎝ ⎜
⎞
⎠ ⎟
2
n
=
i
∑ 3060 − 160210 = 500
SQR = b2Sxx =1,52 × 200 = 450
R2 = SQR
SQT
= 450
500
= 0,9 = 90%
GABARITO: C
(Analista BACEN – 2001/ESAF) As questões 6 e 7 dizem respeito ao
enunciado seguinte.
A Cia. Delta presta serviço de manutenção a uma marca de microcomputador.
O gerente da Cia. Delta está interessado em estudar a associação existente
entre o tempo (y) em minutos gasto em um atendimento e o número (x) de
micros atendidos.
Neste contexto anota as realizações yt e xt dessas variáveis em 16 chamadas
de serviço. O gerente postula o modelo linear Yt = α + βXt +ε t, t=1...16, onde α
e β são parâmetros desconhecidos e os εt são erros não correlacionados com
média zero e variância constante σ2. Os resultados obtidos com o ajuste pelo
método de quadrados mínimos para esse modelo são apresentados a seguir.
Parâmetro Estimativa Desvio-padrão
α -2,3 2,6
β 14,7 0,5
σ2 20 -
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51
Sabe-se que (yt − m)2 =14.000t∑ , onde m é o tempo médio
das 16 chamadas.
6. Assinale a opção que dá o valor do coeficiente de determinação do modelo
linear.
A) 0,98
B) 0,90
C) 0,88
D) 0,28
E) 0,20
Resolução
A questão pede o coeficiente de determinação R2.
Sendo m a média,
SQT = (yi − y )2 =14.000i∑
s2 = ˆ σ 2 = ei
2
i
∑
n − 2 =
SQE
14
= 20∴SQE = 20 ×14 = 280
Então
R2 = SQR
SQT
=1− SQE
SQT
=1− 280
14.000
= 0,98
GABARITO: A
7. Assinale a opção que dá a estimativa do aumento esperado no tempo de
atendimento decorrente do aumento de uma unidade no número de micros
atendidos.
A) 17,0
B) 12,4
C) -2,3
D) 0,2
E) 14,7
Resolução
O enunciado cita a interpretação de β para o caso apresentado.
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52
GABARITO: E
8. No ajuste do modelo linear simples são dados:
196=∑ ix 160=∑ iy 3318=∑ ii yx
a = -11,5 n = 28 observações
Calcule ∑ 2ix .
A) 2198
B) 2265,5
C) 2450
D) 3318
E) 893,5
Resolução
y = a + bx ⇒ 160
28
= −11,5 + b × 196
28
⇒ b = 2,46
2198
28
1601963318 =×−=
⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛×⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛
−= ∑ ∑∑
i
i
i
i
i
iixy n
yx
yxS
b = Sxy
Sxx
∴Sxx =
Sxy
b
= 2.198
2,46
= 893,5
Mas ∑∑∑ ∑ =⇒−=⇒
⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛
−=
i
i
i
i
i
i
i
ixx xxn
x
xS 5,2265
28
1965,893 2
2
2
2
2
GABARITO: B
Julgue o item a seguir.
9. Sejam dados a tabela abaixo e o modelo Y = βX + ε
X 10 12 14 16 18
Y 8 11 13 15 19
A estimativa de mínimos quadrados de β é maior que um.
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53
Resolução
A questão utiliza o modelo de regressão sem intercepto.
∑ =
i
ix 020.1
2
∑ =
i
ii yx 976
965,0
020.1
976
2 === ∑
∑
i i
i
ii
x
yx
b
GABARITO: ERRADO
(Analista BACEN – 1997/CESPE) Para as questões de 10 a 14, utilize as
informações a seguir.
O gerente do setor de compras de uma organização bancária deseja estudar
um modelo de predição do tempo gasto para o processamento de faturas
relativas à importação de equipamentos eletrônicos. Durante trinta dias, foram
coletados dados relativos ao tempo de processamento das faturas (em horas)
e o número de faturas processadas. Considerando tratar-se de uma relação
linear, cuja variável dependente é o TEMPO, os dados foram processados e os
resultados preliminares são apresentados nas tabelas a seguir.
ANÁLISE DE VARIÂNCIA
Fontes
Graus de
Liberdade
Soma de
Quadrado
Quadrado
Médio
Valor F
Prob > f
Modelo 1 25,94382
25,94382
232,220
0,0001
Erro
28 3,12818
0,11172
Total
29 29,07200
R Quadrado (Coeficiente de
determinação)
C.V. ( Coeficiente de Variação )
0,8924 16,38464
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54
ESTIMATIVAS DOS PARÂMETROS
Variável
Graus de
Liberdade
Estimativas
Erro
Padrão
T
Prob
>|T|
INTERCEPTO
1 0,402375
0,12358250
3,256
0,0030
FATURAS
1 0,012607
0,00082729
15,239
0,0001
Representando por Yi o tempo gasto e por Xi o número de faturas processadas
no dia i, julgue os itens de 10 a 14.
10. O modelo estimado é igual a E(Yi) = 0,402375 + 0,012607Xi + εi, em que
E(Yi) representa o tempo médio e εi representa o resíduo estimado para o i-
ésimo dia.
Resolução
O modelo estimado é E(Yi) = 0,402375 + 0,012607Xi, lembrando queE(εi) =
0.
GABARITO: ERRADO
11. O resultado obtido indica que a cada aumento de uma fatura processada
corresponde um aumento de 0,012607 no tempo esperado estimado.
Resolução
Segue direto de E (Yi) = 0,402375 + 0,012607Xi.
GABARITO: CERTO
12. Para o modelo proposto, o teste de adequabilidade do modelo é
equivalente a testar Ho: β1 = 0 contra Ha: β1 ≠ 0, em que β1 é o parâmetro
associado à variável que indica o número de faturas processadas a cada dia.
Resolução
Deve-se testar se há regressão, ou seja, se Ho: β1 = 0 contra Ha: β1 ≠ 0, em
que β1 é o parâmetro associado à variável que indica o número de faturas
processadas a cada dia. Afirmação correta.
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55
GABARITO: CERTO
13. Para que o analista rejeite a hipótese nula Ho: INTERCEPTO = 0, o nível de
significância usado deve ser inferior a 0,003.
Resolução
Lembrando da regra prática:
Se p ≤ α , rejeitamos H0
Se p > α , não rejeitamos H0
Do enunciado, valor p = 0,003. Assim, para rejeitarmos H0 α tem de ser
superior a 0,003.
GABARITO: ERRADO
14. Aproximadamente 16,38% da variação no tempo de processamento são
explicados pela variação no número de faturas processadas.
Resolução
Porcentagem da variação explicada pelo modelo = R2 = 89,24%
GABARITO: ERRADO
15. São dados para o modelo Y = α + βX + ε
36=∑ ix 1622 =∑ ix 0=∑ iy 270=∑ ii yx
50,13ˆ 2 =σ 12=n
Determine a estatística t para testar a hipótese H0: β = 0
A) 10
B) 15
C) 20
D) 23,57
E) 28,48
Resolução
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56
270
12
036270 =×−=
⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛×⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛
−= ∑ ∑∑
i
i
i
i
i
iixy n
yx
yxS
∑ ∑ =−=
⎟⎠
⎞⎜⎝
⎛
−=
i
i
i
ixx n
x
xS 54
12
36162
2
2
2
5
54
270 ===
xx
xy
S
S
b
25,0
54
50,13ˆ 22 ===
xx
b S
s σ
Lembrando que
10
25,0
05
102 =−=⇒−=− ts
kbt
b
n
GABARITO: A
Julgue os próximos itens com base no enunciado abaixo.
Seja o modelo estimado ii xy 290 −= , em que a variância amostral do intercepto
é 22, a variância amostral da declividade é 0,06. Foram coletadas 7
observações.
16. O intervalo de confiança de 90% para a declividade é )51,1;49,2( −−
Resolução
Cada cauda da distribuição t com n–2 = 5 GL deve ter 5% de área.
Consultando a tabela auxiliar, achamos tc = 2,015.
)506,1;494,2(494,0206,0015,22: −−=⇒±−=×±−=± ICstbIC bc .
GABARITO: CERTO
17. Considere o teste de hipóteses H0: 100=α contra H1: α ≠100 a um nível de
significância de 5%. Então deve-se rejeitar H0.
Resolução
A estatística do teste é
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Profs. Alexandre Lima e Moraes Junior
57
13,2
22
10090
2 =−=−=−
a
n s
kat
Para acharmos tc, repare que para um nível de significância de 5% tem de
haver 2,5% em cada cauda. Como GL =5, achamos os valores críticos de
571,2± . Como a estatística teste encontra-se entre esses dois valores, não
podemos rejeitar a hipótese nula H0.
GABARITO: ERRADO.
Até a próxima aula. Bom estudo!
Alexandre e Moraes Jr.