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Unidade IV Análise de Crédito

Material teórico sobre Análise de Crédito, focalizando pessoas físicas e jurídicas. Apresenta aspectos gerais, objetivo de avaliar idoneidade e capacidade, os Cs do crédito, técnicas (subjetiva e estatística) e etapas como ficha cadastral e análise de demonstrações contábeis.

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Gestão de Crédito
Análise de Crédito
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Ms. Iraci de Oliveira Motta Rapp
Prof. José Felipe Ferreira de Souza
Revisão Textual:
Profa. Esp. Vera Lidia de Sá Cicaroni 
5
• Análise de Crédito de Pessoas Físicas e 
Jurídicas
Esta unidade tem como principal foco o estudo da “Análise de Crédito”.
No conteúdo teórico, você estudará os aspectos gerais da análise de crédito para pessoas 
físicas e pessoas jurídicas. Também estudará os principais conceitos utilizados no processo 
de análise de crédito, os chamados “C’s” do crédito: Caráter, Capacidade, Capital, Colateral, 
Condições e Conglomerado.
Você vai conhecer ainda as técnicas de análise de crédito, que são: a técnica subjetiva e 
o processo estatístico. Além disso, vai tomar conhecimento das etapas dessa análise, que 
consistem na preparação da ficha cadastral para pessoa física e para pessoa jurídica e na 
análise das demonstrações contábeis. 
Na Unidade IV – Análise de Crédito – vamos estudar os 
principais aspectos da análise de crédito de pessoas físicas e 
jurídicas. Assim, estudaremos as principais metodologias e 
conceitos utilizados no processo de análise de informações sobre 
um tomador de crédito. Também conheceremos as principais 
técnicas de análise de crédito utilizadas nos dias de hoje. Leia 
com atenção o conteúdo teórico, que faz parte dos estudos, e 
faça todas as atividades propostas.
Análise de Crédito
6
Unidade: Análise de Crédito
Contextualização
Durante o estudo da unidade IV, que aborda análise de crédito, você poderá entender que 
ela é fundamental para a área financeira, pois serão estudados conceitos que embasam parecer 
sobre o cliente solicitante de crédito. Assim, você vai concluir que é bastante relevante, para 
gestores e analistas financeiros, conhecer as etapas e as principais técnicas de análise de crédito.
O crescimento do volume de operações de crédito no mercado financeiro bem como das 
vendas a prazo tem propiciado aumento na demanda de profissionais com conhecimento de 
análise e gestão de crédito. As instituições financeiras, principalmente, contam com número 
grande de funcionários em suas áreas de crédito, sobretudo gestores.
Entender as boas práticas do processo de análise e de decisão de crédito é fundamental para 
o gestor financeiro, pois a má gestão de crédito pode comprometer a saúde financeira de uma 
empresa ou banco.
7
4 Análise de Crédito de Pessoas Físicas e Jurídicas
4. 1. Aspectos gerais
Como vimos nas unidades anteriores, a gestão de risco 
de crédito é um aspecto muito relevante em empresas e 
instituições financeiras. A análise de crédito é uma etapa 
desse processo de gestão.
A análise é o procedimento de pesquisa de informações e 
de dados a respeito de um tomador de recursos, seja pessoa 
física ou pessoa jurídica, com a finalidade de atribuir conceitos 
que fundamentem um parecer sobre o solicitante do crédito. 
Os conceitos atribuídos ao cliente, por sua vez, permitem 
identificar riscos e embasar a decisão de concessão do crédito. 
Conforme Santos (2006, p.4), “O objetivo do processo de análise de crédito é o de averiguar 
se o cliente possui idoneidade e capacidade financeira para amortizar a dívida.” 
Podemos concluir que, se em uma análise de crédito ficar apurado que o tomador não tem 
idoneidade ou capacidade de pagamento, o crédito não deve ser concedido. 
Ressaltamos que idoneidade e capacidade de pagamento são enfoques diferentes em análise. 
Por exemplo: uma pessoa física ou jurídica pode ter condições de pagar uma dívida, mas, como 
não tem idoneidade, torna-se inadimplente. Por outro lado, há pessoas que deixam de efetuar 
o pagamento em virtude de falta de recursos, ou seja, de capacidade de pagamento. 
No processo de análise de crédito, o primeiro passo é apurar o caráter, isto é, a idoneidade do 
proponente. Além disso, é necessário apurar a capacidade de pagamento, que está relacionada 
com a situação financeira do tomador e o ambiente econômico em geral. 
Vamos então conhecer as metodologias e conceitos que devem ser estudados num processo 
de análise de crédito. 
4. 2. Os “C’s” do Crédito
Uma metodologia desse processo, citada por alguns autores, é a coleta e a análise de 
informações sobre um tomador de crédito denominadas de os “C’s” do crédito. 
Tanto Santos (2006) como Gitman (2004) elencam cinco “C’s” do Crédito, conforme a seguir:
1) Caráter; 
2) Capacidade;
3) Capital;
4) Colateral;
5) Condições.
Todavia, o autor Silva (1998) enumera seis “C’s”, acrescentando o “C” de conglomerado. 
Então vamos conhecer os seis “C’s” do Crédito:
Fonte: http://boaleitura.net/fotos/2009/11/o-
que-e-analise-de-credito.jpg
8
Unidade: Análise de Crédito
1) CARÁTER
Esse “C” trata do estudo da idoneidade do tomador de crédito, que consiste em apurar 
o histórico de cumprimento de obrigações. Esse estudo é feito pesquisando se há restrições 
em nome do proponente, como protestos, cheques sem fundos, pendências financeiras, ações 
judiciais, recuperação judicial, falência decretada etc.
O registro de restrições é feito por empresas especializadas, como Serasa, Serviço de Proteção 
ao Crédito (SPC) e Equifax (atual Boa Vista Serviços). 
Uma das empresas mais conhecidas no mercado é a Serasa. Conforme informações 
constantes no seu site, a Serasa foi criada em 1968 pelos bancos que buscavam informações 
para dar suporte às suas decisões de crédito. Em 2007, a Serasa foi adquirida pela Experian, 
que atua mundialmente no fornecimento de serviços de informação, marketing e gerenciamento 
de crédito a organizações. 
Atualmente denominada Serasa Experian, ela fornece informações e análise para todos os 
segmentos da economia e para empresas de todos os portes.
Assim, um dos primeiros passos para análise de crédito, e um dos mais importantes, é apurar 
a existência de restrições em nome do proponente de crédito.
Outro aspecto importante na apuração da idoneidade é investigar o histórico de pontualidade 
do cliente. Para tanto, é necessário que as áreas de crédito das empresas e instituições financeiras 
registrem, nos seus sistemas de informações, os atrasos, as renegociações de dívidas e os não 
pagamentos dos seus clientes.
Além disso, lembramos que é possível apurar a existência de obrigações em atraso consultando 
o Sistema de Informações de Crédito do Banco Central (SCR), que informa sobre as dívidas a 
vencer e vencidas de pessoas físicas e jurídicas, junto às instituições financeiras nacionais. Ou 
seja, é possível apurar a pontualidade de clientes, consultando ao SCR. 
Ressaltamos ainda que, com relação às pessoas jurídicas, é necessário pesquisar a existência 
de apontamentos restritivos em nome da empresa em análise, bem como dos seus sócios, 
proprietários e dirigentes. A existência de apontamentos restritivos em nome dessas pessoas 
físicas deve ser considerada no estudo da idoneidade da empresa. 
2) CAPACIDADE
O “C” Capacidade, relacionado à pessoa física, consiste em apurar a sua competência 
profissional e experiência. Em termos objetivos, a comprovação da renda é uma forma de se 
avaliar a capacidade de pagamento do crédito de pessoa física.
Já, em relação à pessoa jurídica, trata-se da competência empresarial e da habilidade 
administrativa, que tornam uma empresa competitiva e saudável. A capacidade de uma pessoa 
jurídica é melhor observada mediante a realização de uma visita às áreas produtiva e 
administrativa, para avaliar os seguintes aspectos, dentre outros: 
9
• estrutura organizacional;
• existência de gestão profissional;
• existência de plano de sucessão, no caso de falta dos proprietários;
• planejamento estratégico;
• recursos humanos;
• posicionamento mercadológico;
• porte da empresa;
• vantagens competitivas;
• principais clientes e fornecedores;
•tradição no ramo;
• nível tecnológico;
• nível de utilização da capacidade instalada;
• existência de programa de qualidade;
• política ambiental, etc.
Esses aspectos são fatores internos às empresas, que devem ser avaliados no “C” 
Capacidade, visto que os pontos fracos podem ser gerenciados, através de ações que resultam 
em competência empresarial. 
A realização da visita deve ser precedida de planejamento, a fim de que sejam levantados os 
aspectos que necessitam de investigação mais profunda para a formação do conceito sobre a 
capacidade gerencial. 
Lembramos que a análise de crédito de pessoa jurídica pode ser realizada por instituições 
financeiras e também por empresas que vendem a prazo para outras empresas. A visita ao cliente 
pessoa jurídica de pequeno, médio e grande porte é bastante importante para aproximação 
entre o credor e o tomador de crédito. 
Conforme Silva (2008, p. 145):
“As visitas a clientes cumprem dupla missão. Primeiro, permitem o 
conhecimento de perto do cliente e de suas instalações, fornecendo subsídios 
para oportunidades de negócios e para avaliação de risco. Segundo, 
constituem uma oportunidade para fortalecimento das relações de negócios 
e para acompanhamento de crédito.”
Sendo assim, a visita tem a finalidade estabelecer um contato para que se conheça melhor o 
cliente e negócios sejam realizados, principalmente quando se trata de crédito a ser concedido 
por instituições financeiras, visto que devem ser disponibilizadas as linhas mais adequadas 
à empresa, a fim de se evitar inadimplência. Por exemplo, como já dito anteriormente, uma 
empresa nunca deve tomar um empréstimo de curto prazo para realizar investimentos como 
compra de máquinas.
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Unidade: Análise de Crédito
Convém lembrar que as pequenas e médias empresas nem sempre contam com gestão profissional 
e, às vezes, desconhecem as opções de financiamento para investimento e para capital de giro. 
Cabe ressaltar que as empresas sociedades anônimas de capital aberto, ou seja, com ações em 
bolsa disponibilizam anualmente relatório de administração e também informações na internet, 
contemplando diversos aspectos, como composição societária, governança corporativa, demonstrações 
contábeis completas e de qualidade etc., que completam ou até substituem uma visita.
3) CONDIÇÕES
Este “C” refere-se a fatores externos à empresa, como o ambiente econômico e o mercado 
de atuação. Aspectos macroeconômicos, como crescimento do PIB1 nacional, da economia 
mundial, comportamento da taxa de juros, da taxa de câmbio etc., devem ser estudados para 
avaliar como afetam a empresa que está sendo analisada. 
Por exemplo, se uma empresa vende seus produtos ao mercado externo, a variação cambial 
é um fator relevante para o seu risco de crédito, assim como a economia dos países de destino 
dos produtos exportados. 
Além disso, deve-se analisar o ramo de atividade, especificando o segmento de atuação do 
tomador e apurando as perspectivas futuras. Exemplo de ramos de atividade: 
• Industrial: siderúrgico, metalúrgico, automotivo, químico, de autopeças, construção 
civil, alimentos, bebidas, papel e celulose, calçados, confecções, móveis, agropecuário 
(soja, milho, café, açúcar e álcool) etc.;
• Comercial: varejo (lojas em geral, supermercado etc.) e atacado;
• Serviços: hospital, escola, cinema, lavanderia, turismo etc.
O acompanhamento e a análise de setores podem ser feitos através de jornais, revistas, entidades 
de classe, ou, ainda, é possível adquirir estudos de empresas de consultoria de análise setorial.
Os fatores externos podem representar ameaças ou oportunidades. Por exemplo, em fins 
de 2011, a Europa estava vivendo uma forte crise econômica, observando-se redução da 
demanda. O presidente da empresa Alpargatas, que fabrica a sandálias Havaianas e exporta 
para diversos países, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, em 29.11.2011, declarou que 
não existia possibilidade de uma crise do tamanho da europeia não afetar a empresa, todavia 
era uma oportunidade para pisar no acelerador e ganhar mercado.
1 - PIB - Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em uma determinada região, que pode ser país, estado ou 
cidade, em um determinado período (mês, trimestre, ano, etc). PIB é o índice utilizado para medir o crescimento econômico de uma região/país
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4) CAPITAL 
O Capital é um dos “C’s” mais importantes para avaliação de risco de empresas e consiste em 
apurar a situação econômico-financeira, calculando indicadores com base nas demonstrações 
contábeis. Portanto, não se trata apenas do capital social de uma empresa. Este assunto será 
estudado mais profundamente em próxima unidade, que abordará análise de crédito para 
pessoas jurídicas. 
Para as pessoas físicas, o estudo do “C” Capital pode ser feito com base na Declaração do 
Imposto de Renda, na qual constam informações sobre o patrimônio, dívidas e renda do declarante. 
Ressalta-se que a apuração da situação financeira deve considerar os bens (patrimônio), as 
obrigações (dívidas) e a renda (entrada de dinheiro regularmente). Um erro bastante comum 
numa avaliação da situação financeira é observar apenas o valor e a quantidade de bens 
(patrimônio), esquecendo-se das dívidas. 
5) COLATERAL 
O “C” Colateral refere-se à garantia de uma operação de crédito. No estudo deste “C”, 
avalia-se a capacidade de um tomador de crédito de oferecer bens ou direitos em garantia ao 
empréstimo/financiamento contratado.
No mercado financeiro internacional, principalmente no norte-americano, é comum utilizar o 
termo “collateral” para fazer referência à garantia de uma operação de crédito. 
A garantia é um fator acessório numa decisão de crédito; ela representa uma segurança 
complementar para o credor, no caso de o tomador ficar inadimplente. Ou seja, após avaliar 
os “C’s” Caráter, Capacidade, Condições e Capital, verifica-se a possibilidade de o tomador 
oferecer uma segurança adicional. Uma decisão de crédito nunca deve ser fundamentada 
apenas na garantia, ou seja, na colateralidade.
Os tipos de garantias serão estudados na unidade VI
6) CONGLOMERADO
Como já dito anteriormente, para Silva (1998), há um sexto “C” do Crédito, que é o estudo 
das empresas que formam um conglomerado empresarial. 
Um conglomerado pode ser denominado também de grupo econômico ou ainda de grupo 
empresarial e pode ser definido como um conjunto de empresas que possuem um controle 
acionário único. O controle acionário pode ser exercido por uma pessoa jurídica ou física. 
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Unidade: Análise de Crédito
Um grupo econômico formalmente constituído é composto por uma holding, também 
denominada “controladora”, que é uma pessoa jurídica organizada com o objetivo de participar 
acionariamente de outras, denominadas “controladas”. Isto é, a atividade principal de uma 
holding é a participação em uma ou mais empresas. 
Por exemplo: a empresa Petróleo Brasileiro S.A – Petrobras - é a controladora de um 
conglomerado que inclui as empresas Petrobras Transporte S.A Transpetro, Petrobras Química 
S.A, Petrobras Distribuidora, Petrobras Biocombustível, Petrobras Gás S.A Gaspetro, dentre outras.
A Lei nº 6.404 de 1976, alterada pela Lei nº 11.941, de 2009, que dispõe sobre as sociedades 
anônimas, define no art. 243, o conceito de controlada: 
“ § 2º Considera-se controlada a sociedade na qual a controladora, 
diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio 
que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações 
sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. “
A controladora tem o poder de decisão sobre as controladas quando detém a maioria das 
ações com poder de voto, portanto elege a administração, ou seja, controla. 
Cabe lembrar que as sociedades anônimas têm o capital dividido em ações, que podemser 
dos tipos preferenciais ou ordinárias. Os detentores de ações preferenciais têm direito preferencial 
aos dividendos, enquanto os possuidores de ações ordinárias têm direito a voto.
Assim, a empresa controladora é aquela que detém a maioria das ações ordinárias. 
Em termos de análise, é necessário estudar o Conglomerado como um todo, mesmo que 
a concessão do crédito seja apenas para uma empresa do grupo. Assim, deve-se estudar os 
“C’s” do crédito de todas as empresas pertencentes ao grupo, a fim de se apurar o risco do 
conglomerado, visto que empresas ruins podem contaminar as empresas boas. 
Com relação ao “C” capital, cabe destacar que as sociedades anônimas, com ações em bolsa 
de valores que formam grupo empresarial, são obrigadas a publicar demonstrações contábeis 
consolidadas, ou seja, os números devem incluir os da controladora e os das controladas. Nesse 
caso, há nota explicativa às demonstrações, informando quais são as controladas.
A extração dos indicadores financeiros, para fins de análise do conglomerado, deve ser feita 
com base nas demonstrações contábeis consolidadas.
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Grupo empresariais informais
Há ainda grupos econômicos informais, em que uma pessoa física ou mais possuem diversas 
empresas, porém não há uma holding controlando-as, assim como, normalmente, não há 
disponibilização de demonstrações contábeis consolidadas.
Nesse caso, a investigação sobre o grupo deve ser ainda mais diligente, apurando todas as 
participações dos proprietários e se há histórico de fechamento de empresas que deixaram 
dívidas. Deve ser feita análise de todas as empresas participantes, inclusive das demonstrações 
contábeis individualmente, visto que, geralmente, não há balanços consolidados. 
Em Síntese
Os “C’s” do Crédito - caráter, capacidade, condições, capital, colateral e conglomerado - são variáveis 
de risco que devem ser analisadas para cada tomador. Com base em parecer fundamentado nas 
informações favoráveis ou desfavoráveis dessas variáveis, apura-se o risco de crédito.
4. 3. Técnicas de análise de crédito
Para Santos (2006), há duas técnicas para análise de crédito: a subjetiva, baseada no 
julgamento humano, e a técnica, com base em procedimentos estatísticos. Outro autor, Silva 
(2008) também cita que a análise de crédito por ser feita pelo critério julgamental ou por 
processo estatístico. 
Assim, pode-se concluir que há a técnica subjetiva e o processo estatístico. Na primeira, 
a análise é feita por um analista de crédito com base em sua experiência, conhecimento e 
informações sobre o tomador. O profissional de crédito faz o estudo dos “C’s” do Crédito e 
conclui sobre o conceito do tomador.
Já na análise baseada em técnicas estatísticas, o processo conta com sistema de 
informática, que faz o tratamento dos dados do tomador e informa se o crédito foi aprovado. 
Conforme Santos (2006), “trata-se de um modelo de avaliação do crédito baseado em uma 
fórmula estatística desenvolvida com base em dados cadastrais, financeiros, patrimoniais e de 
idoneidade dos clientes.”
As técnicas estatísticas são utilizadas para avaliar grandes volumes de propostas de crédito de 
pequenos valores. Essas técnicas têm a grande vantagem de constituírem um método rápido, 
para que seja aplicado em decisões de crédito massificadas, principalmente para pessoas físicas, 
micro e pequenas empresas.
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Unidade: Análise de Crédito
Credit Scoring
Os emprestadores em geral, principalmente as instituições financeiras, seguradoras, emissoras 
de cartão de crédito, têm utilizado os sistemas de credit scoring , que consiste em um sistema de 
pontuação de crédito obtida através de técnicas estatísticas. Em outras palavras, o credit scoring 
é um modelo de análise que atribui pesos a alguns atributos de um tomador, apurando-se uma 
pontuação (escore de crédito). Exemplos de atributos ou variáveis do escore de uma pessoa 
física: idade, estado civil, número de dependentes, escolaridade, profissão etc.
Esse modelo estima a probabilidade de um determinado tomador de crédito vir a ser um 
bom ou mau pagador, com base nas suas características. Ele pode ser utilizado tanto para 
pessoa física como para pessoa jurídica.
A tecnologia é uma grande aliada dos modelos de análise baseados em pontuação de crédito. 
4. 4. Etapas da análise de crédito
A análise de crédito pode ser feita pelo próprio concedente, como instituições financeiras e 
empresas que vendem a prazo, ou, ainda, por empresa especializada em serviços de análise. 
A decisão de crédito é feita com base em informações, que devem ser padronizadas para 
facilitar a análise e decisão de crédito. Podemos citar duas principais etapas de um processo de 
análise de crédito, as quais contêm as diversas informações e dados que fundamentarão a decisão.
A primeira etapa é a ficha cadastral, que deve ser confeccionada para pessoas físicas e 
jurídicas. A segunda etapa é a análise das demonstrações contábeis.
Ficha cadastral
É um documento básico que, no caso de pessoas físicas, deve conter os dados pessoais, 
como nome, RG, CPF, endereço residencial e comercial, estado civil, número de dependentes, 
profissão, escolaridade, idade, nome do empregador, data da admissão, renda, referências 
comerciais etc. É necessária também a apresentação dos documentos pessoais bem como do 
comprovante de renda e de endereço.
No caso de pessoas jurídicas, a ficha cadastral deve conter razão social, nome fantasia, 
Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), data da fundação, nome dos sócios ou 
acionistas, nome dos dirigentes, data da constituição, localização da sede e das unidades fabris e 
filiais, ramo de atuação, principais produtos, principais clientes, principais fornecedores, número 
de empregados, destino das vendas (países), volume das vendas ao mercado externo, volume 
de importações, bancos de relacionamento etc. 
A ficha cadastral deve incluir campo para registro do nome do grupo empresarial, caso 
a empresa em análise faça parte de um, e também o nome e CNPJ de todas as empresas 
participantes do conglomerado. Você se lembra do “C” conglomerado?
Há diversos modelos de ficha cadastral e cada emprestador deve adotar aquele que melhor 
se adapte às suas necessidades.
15
Um item importante da ficha cadastral ou da etapa do processo de análise de crédito é o 
registro das pesquisas de restrição realizada junto às empresas especializadas, como a Serasa.
Além disso, a ficha deve registrar também os bens patrimoniais dos proponentes, como 
imóveis, veículos, títulos de propriedades etc. No caso de pessoa jurídica, deve-se registrar 
se a sede é própria, assim como o terreno onde está instalada a fábrica e filiais. Outro dado 
importante é a existência de seguros contratados, portanto este também deve ser pesquisado e 
anotado na ficha cadastral.
A existência de bens patrimoniais em nome do tomador pode cumprir uma função que 
está relacionada ao “C” colateral, ou seja, há possibilidade da exigência de garantia para se 
conceder o crédito. 
Demonstrações financeiras
Uma etapa bastante relevante de processo de concessão de crédito para pessoas jurídicas, 
principalmente para empresas de médio e grande porte, é a análise das Demonstrações 
Contábeis. 
As empresas sociedades anônimas que possuem ações negociadas em bolsa de valores são 
obrigadas, conforme legislação vigente, a publicar conjunto completo de informações que inclui:
• Relatório de Administração;
• Demonstrações Contábeis: Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, 
Demonstração dos Fluxos de Caixa, Demonstração do Valor Adicionado e Demonstração 
dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (esta pode ser substituída pela Demonstração das 
Mutações do Patrimônio Líquido); 
• Notas explicativas às Demonstrações Contábeis;
• Parecer de Auditoria Independente sobre as Demonstrações Contábeis. 
Por suavez, as demais empresas, principalmente as pequenas e médias, disponibilizam 
apenas o Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício. Destaca-se, ainda, 
que microempresas e, às vezes, as pequenas e até médias empresas nem sempre possuem 
contabilidade organizada e não dispõem de demonstrações contábeis. Esses aspectos prejudicam 
a análise de crédito dessas empresas.
A análise financeira das demonstrações contábeis será estudada na próxima unidade. 
Nesta unidade, estudamos as metodologias de análise de crédito para pessoas físicas e 
jurídicas.
16
Unidade: Análise de Crédito
Material Complementar
É fundamental, para o profissional financeiro, conhecer as diversas técnicas de análise de 
crédito assim como as suas etapas, para evitar que clientes de risco de crédito elevado sejam 
indevidamente aprovados.
Vamos à sugestão de um livro que se encontra, na forma de e-book, na biblioteca da 
Universidade Cruzeiro do Sul:
CHRYSTIAN. Marcelo Rodrigues. Análise de Crédito e Risco. V 1, Curitiba: 
Ibpex, 2011
17
Referências
BRASIL. Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. 
Disponível em http://www.normaslegais.com.br/legislacao/contabil/lei6404_1976.htm
FOLHA DE S. PAULO. Mercado B3. São Paulo, 29 dez. 2011.
GITMAN, Laurence J. Princípios de Administração Financeira, 10ª Ed. São Paulo: Pearson 
Education do Brasil, 2008.
SANTOS, José Odálio dos. Análise de Crédito: empresas e pessoas físicas. 2ª Ed. São 
Paulo: Atlas, 2006.
SILVA, José Pereira da. Gestão e análise de risco de crédito. 6ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2008.
______. Gestão e Análise de risco de crédito. 2ª. Ed. São Paulo: Atlas, 1998.
Webgrafia
http://www.pa.sebrae.com.br/sessoes/pse/dsn/dsn_ramos.asp - Sebrae. Ramos de Atividade. 
Acesso em 20.12.2011.
http://www.universitario.com.br/ Acesso em 29.12.2011.
http://pt.wikipedia.org/wiki/ Produto_interno_bruto Acesso em 29.12.2011.
Credit Scoring. www.bcb.gov.br/Pec/SeminarioEfBanc/.../Sessao3-CharlesCarmona.p.
http://www.scielo.br/pdf/rcf/v18n44/a09v1844.pdf Credit Scoring. Acesso 02.01.2012.
http://www.serasaexperian.com.br Serasa. Acesso em 23.02.2012.
18
Unidade: Análise de Crédito
Anotações
www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
Rua Galvão Bueno, 868
CEP 01506-000
São Paulo SP Brasil 
Tel: (55 11) 3385-3000

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