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1 Fluxo de crédito, cobrança e negociação Introdução 1. Como funciona o processo de crédito? 2. Qual a importância de processos como a formalização do contrato de crédito? 3. Qual a importância das garantias para as operações de crédito? Nesta Unidade trataremos de aspectos operacionais da negociação, contratação e cobrança de operações de crédito e financiamentos. A concessão e contratação de linhas e limites de crédito demandam processos que podem se desenrolar de maneira física ou eletrônica, presencial ou virtual etc. Cabe, porém, ressaltar que a perfeita organização dessas etapas, no que também chamamos esteira de crédito, se mostra fundamental para as instituições financeiras operarem com escala e segurança. Alguns aspectos nesses processos diferem quando a origem da operação proposta é uma pessoa física ou jurídica, com destaque para detalhes nos processos de formalização, análise de crédito e constituição de garantias. Objetivo Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: • Reconhecer e analisar operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas, envolvendo o fluxo destas operações. Conteúdo Programático Esta unidade está dividida em: • Aula 1 - Fluxo das operações de crédito • Aula 2 - Análise pessoa física • Aula 3 - Análise pessoa jurídica Ao contratarmos uma operação de crédito, seja para nós mesmos ou para nossa empresa, muitos de nós não imaginam o processo a que este crédito é submetido até chegar em nossas contas-correntes e bolsos. Prospecção de Clientes ➙ Proposta de Crédito ➙ Análise de Crédito ➙ Proposição de Limites e Operações ➙ Alçadas Comitês ➙ Análise e Controle de Garantias ➙ Formalização ➙ Acompanhamento do Crédito ➙ Régua de Cobrança https://ead.uva.br/disciplinas/grad/publica/cont/abc/acc/re/u4/index.htm 2 Aula 1 Fluxo das operações de crédito Reconhecer a chamada “esteira de crédito”, desde a proposição até processos de cobrança e renegociação, passando pela formalização e acompanhamento de prazos e garantias, para sermos capazes de aplicar na prática e em simulações os conhecimentos adquiridos. Quando buscamos algum tipo de financiamento, seja para nós mesmos, como pessoa física, para nossa própria empresa ou ainda para uma corporação em que trabalhamos, está sendo dado início a um processo cuja complexidade nem sempre percebemos. Temos em um primeiro momento o que chamamos de fase de negociação, em que geralmente uma ponta comercial, chamado de gerente ou oficial de conta, colhe nossos dados e intenções, para então elaborar o que chamamos de proposta de crédito. O crédito, ao contrário do que possamos pensar, é uma operação tão ou mais atrativa do que os próprios depósitos de poupança ou investimentos em fundos de renda fixa ou variável. A busca pelo crédito Diante de tantos produtos e instituições financeiras, conhecer as melhores opções demanda o que mencionamos anteriormente, a negociação com as pontas de venda de bancos, caixas econômicas e financeiras, ou ainda a adesão a uma cooperativa de crédito. Conhecendo o cliente, o oficial de conta pode melhor direcionar modalidades, volumes e prazos a uma pretensa operação, de modo que ela seja viável para o tomador e também tenha boas chances de aprovação por parte dos analistas de crédito da instituição. Por outro lado, muitas vezes a especialização de um agente ou mesmo o interesse em oferecer um determinado produto pode criar situações desfavoráveis ao cliente tomador do recurso. Esta não é uma postura louvável e deve ser evitada por ambas as partes, uma de praticá-la e a outra de aceitá-la. A Esteira de Crédito Ao processo que organiza as diversas etapas de proposição, análise, concessão, formalização e cobrança envolvidas em uma operação de crédito, damos o nome de Esteira de Crédito. 3 Trata-se de uma figura abstrata pela qual correriam os procedimentos dentro da instituição financeira, de forma a sequenciar as intervenções de profissionais e departamentos, acompanhando a operação até que ela seja quitada e mantendo dados estatísticos nas bases de informação, que servirão para diversos fins A esteira física Assim vemos essa figura abstrata se ela depende da intervenção através de assinaturas, trocas de documentos e contratos via malotes e têm decisões pautadas em comitês presenciais. O papel e a caneta prevalecem nesses processos, que se mais lentos, por um lado, proporcionam maior interação entre os seus participantes, principalmente no que se refere aos comitês presenciais, onde opiniões podem ser confrontadas e as decisões possuem maior respaldo. Pesa contra esses meios a necessidade de muitas vezes mobilizar executivos de várias áreas de um banco ou financeira, cujas atribuições nem sempre são as relacionadas diretamente com o crédito. A esteira virtual Esta conta com a tecnologia para disponibilizar meios eletrônicos de comunicação e troca de dados. Tal intervenção pode ocorrer diretamente na ponta de captura da operação, em que mesmo um tablet pode recolher documentos através de fotos e a assinatura por uma caneta eletrônica. Tais dados são então armazenados ou enviados on-line para posições à frente da esteira de crédito. Observamos tal agilidade, por exemplo, em operações de crédito pessoal consignado em folha de pagamento, que são pautadas em baixos tickets e altos volumes, além da simplicidade e agilidade necessária ao processo, sem que com isso se perca segurança no processo de formalização. Nestes casos, a captura eletrônica substitui o contrato em papel e a cópia de documentos, que seriam então enviadas por malotes ou capturadas posteriormente em equipamentos como scanners, em um processo híbrido tecnologicamente. 4 Seguindo na esteira, temos todo um processo de análise e aprovações que pode ser feito através de desktops, notebooks, tablets ou smartphones, o que agiliza o processo, por manter alçadas e comitês em permanente atividade, mas também libera os profissionais para suas atividades diárias. Afinal, nada como uma espera em aeroportos para colocar o trabalho em dia! Como ponto negativo, tem-se o fato de que decisões que deveriam ser coletivas na forma de comitês, por exemplo, passam a um status próximo de individuais, em um sistema similar ao de votação somente, sem interação dos participantes e contrapontos em reuniões presenciais. A análise de crédito Tal atividade é responsável por transpor os dados da operação de uma linguagem comercial para uma crítica bancária. Cabe aos analistas de crédito a defesa do ponto de vista sobre a operação, que pode ser favorável ou desfavorável. Na prática, muitas vezes cabe ao próprio departamento de crédito rejeitar a proposição de um crédito e atuar apenas em propostas que ele considera viável. Quem e como se decide? Um dos pontos importantes, como falamos, é a defesa do crédito e sua rejeição também, pois seria fácil apertar os critérios de análise e só operar com excelentes condições de garantia, prazo, fluxo de pagamento e baixo risco de default, mas isso acarretaria uma drástica redução dos negócios de uma instituição financeira diante de suas concorrentes. Assim, o poder de aprovar ou rejeitar também dita a prosperidade ou declínio dos negócios de um banco ou uma financeira. Lembremos que a inadimplência, quando não corretamente dimensionada e planejada, pode ser arrasadora para uma carteira de crédito, gerando perdas que mostram seu resultado antes mesmo de se concretizarem, o que ocorre através da demanda por provisões que podem chegar a 100% da operação. A decisão pode ser, então, por limites de alçadas ou por comitês. As alçadas Tomemos como exemplo uma operação para pessoa jurídica não financeira, cujo valor não excede a um limite de alçada de R$ 200 mil com garantia de recebíveis. A alçada, neste caso, pode ser individual, do diretor ou gerente de crédito, ou conjugadacom o seu par da área comercial ou de captação, mas será sempre uma alçada! Alçadas pressupõem decisões individuais, podem elas ser conjugadas ou individuais, mas não envolvem debate, apenas o voto. Podem ser por maioria, por unanimidade, com possibilidade de veto ou não. 5 Tal sistema pode não ser único, mas quando aplicado em tetos mais baixos de operação tende a agilizar os negócios de uma instituição sem comprometer seu nível ideal de risco a ser administrado. Os comitês No exemplo anterior, a mesma decisão poderia chegar a um comitê, e aí seriam conjugadas as opiniões para formação de uma única decisão, dada pelo comitê, segundo seus critérios de voto, maioria, veto ou o que seja, mas sendo uma única decisão. Os participantes Prover sistemas de alçadas e comitês com participantes diretamente relacionados à atividade de crédito, tais como os pertencentes às áreas comercial e de análise de crédito, é fator fundamental e um tanto quanto óbvio, mas a escolha dos demais envolvidos deve ser criteriosa e surgir amparada pela cultura da organização, onde executivos de captação, risco e mesmo TI podem ser ouvidos. O caráter multidisciplinar de um sistema de decisão de crédito pode determinar o sucesso deste tipo de operação ou o seu fracasso. De baixo para cima e de cima para baixo Uma grande pergunta que volta à tona é: quem tem a real capacidade e poder para aprovar ou rejeitar um crédito? Tal indagação reflete uma situação em que, na prática, se quer saber se um crédito não aprovado em níveis inferiores pode ser submetido a níveis superiores, seja pela área comercial ou mesmo pelo próprio cliente proponente da operação. Isso pode sim acontecer, basta que as regras da esteira assim estabeleçam. Chamaríamos tais movimentos de alçada ou não de veto, o que também gera discussões acerca da estrutura decisória, em que os níveis mais baixos bastariam para as decisões, se na verdade seriam uma estrada de passagem ao topo ou se as alocações por risco seriam diretas. Como funcionaria? Bem, uma grande operação, que demande o nível mais alto de decisão de um banco de investimento, por exemplo, poderia trilhar vários comitês até o topo, e aí perguntamos: se rejeitado o crédito, ele cessa ali a referida proposta? 6 Outra opção seria lançá-lo diretamente ao comitê mais elevado, mas aí poderíamos pressupor que propostas não consideradas atraentes seriam “vetadas” em sua origem, isto é, na própria área comercial. Quem e como se decide? Contratada a operação, formalizadas as garantias, por fim chega a hora do processo de cobrança e acompanhamento do crédito. Tais atividades devem andar juntas, pois uma retroalimenta a outra, uma vez que problemas com um cliente ou operação específica demandam maior atenção sobre eles, e cursos anormais de pagamentos e garantias acendem alertas aos responsáveis por cobrar parcelas ou juros, com vista a recuperar créditos de clientes potencialmente problemáticos. A régua de cobrança Esta figura, também abstrata, nos direciona no tempo para os procedimentos de cobrança, que partem de datas pactuadas, as quais alimentam o fluxo de caixa da instituição e estão em suposto casamento com os passivos por ela contratados. Detectados atrasos, ativa-se a régua, que prevê ações a cada momento da inadimplência que caminha para um default. Em um primeiro momento, seja em operações para pessoas físicas ou jurídicas, são enviados avisos de não pagamento por telefone, e-mail ou recurso tecnológico como SMS. Tal procedimento visa estimular o inadimplente de curta data a colocar em dia a operação, dado que o não pagamento pode ser fruto de um simples esquecimento ou impedimento de efetuá-lo. Para devedores não reagentes, se preparam ações via carta e um contato mais profundo, tentando entender o motivo da inadimplência e, se possível, buscando previsões de pagamento. Tais iniciativas cabem, para o caso de empresas, ao próprio oficial da conta e, no caso de pessoas físicas, pode variar deste mesmo profissional até equipes especializadas. Passado mais tempo e acumuladas mais parcelas de juros e amortizações, a régua determina intervenções mais fortes em que garantias podem ser executadas, o cliente sai da ação da área comercial e vai para os cuidados da de cobrança e muitas vezes os cuidados em relação a este crédito passam a escritórios externos especializados. O conceito do mutualismo é fortemente aplicado na formação da taxa de juros das operações de crédito e financiamento. Assim, bons pagadores pagam pelos inadimplentes. Já pensou neste fato? Qual a sua opinião sobre as penalidades aos inadimplentes, só multas e negativações resolvem? Vídeo da Unidade Para saber mais sobre a esteira de crédito, assista agora ao vídeo da unidade Apresentação e comentários sobre a esteira de crédito. Se preferir, faça o download do áudio (mp3 compactado) deste vídeo clicando aqui. https://player.vimeo.com/video/344645412 https://player.vimeo.com/video/344645412 https://ead.uva.br/disciplinas/grad/publica/cont/abc/acc/re/u4/audio/G_ACC_U4_mp3.zip 7 Atividade No processo de proposição de crédito, que segue por diversas etapas até a sua concessão, formalização e posterior acompanhamento e cobrança, um aspecto interessante é a decisão de crédito, que consiste na aprovação ou não da operação ou limite, para a qual se utilizam sistemas de alçadas individuais e alçadas de comitês. Explique o funcionamento e as eventuais diferenças destes dois sistemas. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Expectativa de resposta: Ambos os sistemas determinam que nível hierárquico e quais profissionais decidem pela concessão do crédito; de acordo com o valor e condições da operação, se buscam níveis superiores. Alçadas individuais, conjuntas ou não, decidem pela forma de voto ou simples aprovação, enquanto os comitês pressupõem debates e decisões conjuntas de um grupo. Aula 2 Análise pessoa física O crédito para pessoas físicas apresenta peculiaridades de acordo com o produto e a instituição que o concede, o que demanda dos analistas de crédito também uma especial atenção. Nesta aula, iremos identificar a aplicar processos, ferramentas, indicadores e aspectos de negociação para análise e concessão de crédito a pessoas físicas. A pessoa física Caracterizada como indivíduo, uma pessoa física adquire vários direitos e deveres ao longo de sua vida, o que se estende a aspectos da sua vida financeira também. O relacionamento com bancos, lojistas, o fisco e demais pessoas físicas indica o perfil creditício de todos nós, tanto pelo lado de preferências e necessidades, como pelo nosso caráter e hábitos em relação ao consumo e pontualidade nos pagamentos. Formando um histórico Na prática, um indivíduo equilibrado financeiramente tem a sua disposição uma série de linhas de crédito e outras tantas podem ser propostas e aceitas. https://ead.uva.br/disciplinas/grad/publica/cont/abc/acc/re/u4/aula-2.htm#popup-1 https://ead.uva.br/disciplinas/grad/publica/cont/abc/acc/re/u4/aula-2.htm#popup-1 8 A contratação destas e outras operações de crédito podem formar um histórico favorável, em termos de análise, ao pretenso tomador de recursos, sendo que recentemente no Brasil se começou a discutir a implantação e uso do chamado Cadastro Positivo. A negativação, por outro lado, decorre de inadimplência e default, seguindo critérios dos próprios credores, ou seja, não há um prazo mínimo para este processo ser iniciado e efetivado, assim como legislações ou prazos obrigatórios para tal. Se negativar um cliente não éobrigatório, por outro lado tal status só pode permanecer ativo por um prazo de cinco anos, tenha a dívida sido saldada ou não. Negativações podem gerar impedimentos não só na contratação de operações de crédito, mas também em contratos para cobertura por seguros e mesmo em processos seletivos de empresas privadas. A pesquisa Cabe ao analista ou ao sistema de análise colher informações prévias do proponente de crédito e eventuais negativações podem encerrar o processo de forma imediata, salvo em linhas cuja garantia seja de excelente qualidade, como no caso da consignação em folha de pagamento. Duas importantes fontes de pesquisa para este tipo de informação tem sido o Serasa e o SPC, velhos conhecidos de lojistas e consumidores, mas também muito acessados por bancos e financeiras. A conferência de dados Em uma fase muito importante, que precede e embasa a formalização do contrato de uma operação de crédito, o responsável pela análise deve proceder à conferência de documentos e informações prestadas pelo então proponente ao originador da operação. Em um primeiro momento, uma nova conferência de documentos, tais como identidade ou outro tipo de registro geral, CPF e comprovantes de residência e renda devem ser checados. Tal processo de conferência com os originais estaria a cargo do agente comercial, mas a coerência dos dados deve ser novamente verificada, inclusive em relação a assinaturas. Seguem-se então as confirmações relativas a informações prestadas, tais como telefone, o próprio endereço comprovado e o local de trabalho, com sua respectiva renda checada. Alguns processos de análise envolvem também a busca de dados mais acurados, porém tal prática vai de encontro com a velocidade muitas vezes necessária para a aprovação de um crédito, dado o risco de perder a operação para um concorrente ou simplesmente, muito usual no caso de CDC, o cliente desistir da compra que seria financiada. https://ead.uva.br/disciplinas/grad/publica/cont/abc/acc/re/u4/aula-2.htm#popup-2 9 O perfil do crédito Como sempre mencionamos, pessoas físicas dificilmente estão contratando operações de crédito com direcionamento a uma atividade produtiva, pelo menos se considerarmos as devidamente registradas, salvo o caso de trabalhadores autônomos, que podem vir a adquirir veículos ou maquinários que incrementem sua atuação profissional. As linhas sem destinação Outras opções à atividade produtiva são a cobertura de déficits orçamentários e antecipação de consumo, na forma da aquisição de bens e serviços. As linhas sem destinação são usualmente acessadas pelos que têm necessidade de recursos em espécie, muitas vezes para cobrir outras operações de crédito que se encontram em curso anormal de suas parcelas, ou para saldar algum compromisso de maior monta, esperado ou inesperado. Para tais casos, a análise deve se focar na capacidade de pagamento do proponente, envolvendo sua renda e eventuais bens, na ordem de liquidez. Desta forma, um trabalhador assalariado pode comprovar seus ganhos mensais e benefícios que possa a vir receber, como 13º salário, por exemplo, além da possibilidade de se verificar seu perfil de estabilidade no emprego, tais como servidores públicos ou funcionários concursados de estatais. O fato é que, ao cobrir déficits orçamentários, este pode ser recorrente ou não, mas a certeza é que os proventos futuros do indivíduo estarão comprometidos com o pagamento do financiamento ou dívida, mas também com suas despesas usuais, sem que a tomada do recurso signifique um avanço em sua capacidade produtiva. Uma exceção à necessidade de todo um aparato de análise, para linhas sem destinação específica, é o crédito pessoal consignado em folha de pagamento, o qual, a princípio, dispensa recursos por negativação, mas depende de um rígido e estruturado processo de formalização, dado o número de fraudes que ocorrem nesta modalidade, assim como o correto credenciamento de empregadores e verificação da composição da renda do proponente. Cabe lembrar que, nesta modalidade, até 30% da renda do funcionário, servidor público e beneficiários e pensionistas do INSS pode ser comprometida com parcelas de financiamentos que serão descontadas pelo próprio agente pagador, não chegando sequer a transitar pela conta salário do indivíduo. Linhas de crédito com destinação específica ou restritas ao consumo Classificamos assim linhas de crédito voltadas para a compra de bens duráveis ou não e serviços, além de aquisições feitas com cartões de crédito e compras. O Crédito Direto ao Consumidor, o chamado CDC, é um significativo exemplo de linha utilizada por grande parte dos consumidores que deseja antecipar seu consumo ou aquisições, e temos para isso linhas com custo competitivo à disposição https://ead.uva.br/disciplinas/grad/publica/cont/abc/acc/re/u4/aula-2.htm#popup-3 10 O CDC, cujo substituto similar muitas vezes é o arrendamento mercantil ou leasing, é largamente utilizado para a aquisição de veículos, constituindo uma das linhas mais competitivas em termos de taxas de juro e prazos. Tal fato em muito ocorre pela garantia que é prestada à operação, neste caso o próprio bem adquirido, o qual, usualmente, tem seu valor estimado acima do recurso liberado pelo banco ou financeira. Operações de leasing seguem a mesma cartilha do CDC e possuem diferenças para o contratante, não variando critérios de análise para o profissional responsável pela proposição do crédito. Quando se trata de aquisição de serviços, cabem então preocupações similares às consideradas em propostas de linhas sem destinação, isto porque o serviço, consumido ou não, é de difícil recuperação de posterior venda, sendo muitas vezes o motivo da inadimplência o fato de o mesmo não ter sido prestado ou corretamente performado. Para esses casos, podemos tomar como exemplo os pacotes de viagem, em que problemas com a operadora de turismo ou agência de viagem podem comprometer indiretamente a vontade de pagar do consumidor. Também os problemas apresentados em relação à qualidade do serviço podem motivar interrupções de pagamento e, neste caso, é impossível recuperar o objeto do financiamento. Por fim, temos os financiamentos habitacionais, verdadeiras incógnitas para os analistas de crédito e tradicional foco de problemas no setor bancário brasileiro, pois, como toda linha de longo prazo, ele carrega a incerteza como carro-chefe de seus riscos. Perguntemos então: quem poderia prever com absoluta certeza o futuro de seu emprego e, principalmente, renda? Quem poderia prever, também com fortes chances de acerto, a trajetória de valorização de um imóvel, não apenas para os anos vindouros, mas em relaçao ao passado, para saber se o mesmo não se encontra supervalorizado? Questões como essas fazem com que os analistas se concentrem bastante no valor do imóvel, sua localização e qualidade de construção, isto porque o mesmo será a principal garantia e eventual ponte para outras aquisições do indivíduo ou família. A relação com o proponente Chegamos talvez ao ponto final dos aspectos que fazem diferentes as análises de crédito para um mesmo proponente e mesma finalidade: a relação da instituição financeira financiadora com o tomador do recurso. Tal diferença se origina no fato de que os bancos comerciais, as caixas econômicas e as cooperativas de crédito possuem ou têm a capacidade de possuírem uma relação mais profunda e abrangente com o cliente de crédito, uma vez que este tende a ser oriundo de sua massa de correntista ou poupadores. 11 Desta forma, um banco comercial, por exemplo, presta serviços de conta-corrente, a qual pode ser ainda uma conta salário, e oferecer facilidades como cartões de crédito, pagamentos de contas e tributos, tranferências bancárias e cartões de saque e débito. Tais serviços formam o perfil do cliente, que, também, quase de imediato,tem a sua disposição um limite de cheque especial, cujo uso vem a traçar o caráter pagador do indivíduo. Passado algum tempo de relacionamento, o analista e os sistemas de análise de crédito têm a seu dispor um volume de dados sufientes para alimentar todo tipo de credit score do cliente, podendo mesmo conceder limites e operações de crédito de maior monta, como o financiamento de imóveis e veículos. No caso das cooperativas de crédito, a relação é ainda mais próxima, dado que as mesmas apenas podem operar crédito e depósitos com seus cooperados, que, lembrando mais uma vez, são o equivalente a acionistas deste tipo de instituição e mais, usualmente têm o mesmo perfil de atividade profissional, empresarial ou agrícola. Seguimos então para as instituições financeiras cuja relação com o devedor se dará apenas pela operação de crédito. Este é o caso das Companhias de Crédito e Investimento, as chamadas CFIs ou simplesmente financeiras. Também estão neste status bancos de menor porte ou especializados em operações como CDC Veículo e crédito pessoal, consignado em folha de pagamento ou não. Ao deter este tipo de relação, os bancos exigem de seus analistas de crédito e sistemas de informação e composição de credit scores uma profunda análise da operação e da sua conveniência ao cliente proponente. Tais operações se mostram muitas vezes ingratas com a instituição, cuja fidelização do cliente não passa nem pelas mesmas, sendo pouco provável que se estenda por outros produtos. Você já pensou em analisar o risco de suas decisões? Já pensou em ponderar o quanto possui de informação segura, presente, e o quanto utiliza de observações passadas para efetuar simples escolhas, como de automóveis ou viagens, ou mais complexas e impactantes, como a compra de um imóvel para a família ou seu curso de graduação? Atividade Analistas e sistemas de análise de crédito para pessoas físicas muitas vezes não conseguem reunir informações suficientes para a correta tomada de decisão, o que muitas vezes leva a instituição financeira a negar o crédito. No processo de análise de crédito, como podemos definir o relacionamento do cliente com a instituição e qual a importância disto para o êxito na proposição da operação? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 12 ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Expectativa de resposta: No caso de bancos comerciais e múltiplos, caixas econômicas e cooperativas de crédito, há uma significativa massa de clientes que já operam outros produtos e serviços, o que é um facilitador tanto para a análise, como para o acompanhamento do crédito e eventuais renegociações ou refinanciamentos. Por outro lado, financeiras e bancos de menor porte ou especializados em crédito recebem um cliente muitas vezes desconhecido e com poucas chances de fidelização, o que deve tornar a análise de sua proposição de crédito mais rígida e acurada. Aula 3Análise pessoa jurídica Assim como observamos no crédito para pessoas físicas, as operações direcionadas a pessoas jurídicas também possuem suas particularidades, que, acima de tudo, devem ser observadas na etapa de análise da proposta de crédito. Nesta aula, iremos identificar e aplicar processos, ferramentas, indicadores e aspectos de negociação para análise e concessão de crédito a pessoas jurídicas. A pessoa jurídica não financeira Cabe ressaltar, primeiramente, que aqui trataremos de empresas e grupos empresariais de uma forma geral, porém excluindo as instituições financeiras, as quais passam sim por processos de análise de crédito, porém esta ocorre por parte de depositantes em geral, seja através da observação do rating a ela ou aos seus títulos atribuídos ou seguindo processos de análise internos. Tal processo é uma das etapas da constituição de funding, formado por operações passivas. Corporações em geral são segmentadas pelos bancos de acordo com seu porte e segmento de atuação, cabendo a estes se especializarem em um ou mais desses mercados. Segmentação por volume de faturamento Grandes empresas, muitas delas com faturamento acima de R$ 1 bilhão e ações negociadas em bolsas de valores, compõem o segmento de corporate, enquanto as que possuem faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões encontram-se alocadas no chamado middle market, cabendo às demais responderem como micro e pequenas empresas. Corporate Empresas com faturamento acima de 1 bilhão de reais/ações negociadas em bolsas de valores. Middle Market Empresas com faturamento entre 50 e 500 milhões de reais. 13 Tal separação de mercados não segue normas ditadas pelo fisco ou demais agentes governamentais, assim como não são rígidas, mas apenas norteadoras para a atuação, sobretudo, de bancos comerciais, de investimento e desenvolvimento. Separando e escolhendo as empresas pelo seu ramo de negócio Por outro lado, o segmento de atuação de uma empresa tem grande influência no processo de análise de crédito para operações por ela propostas. De início, a grande maioria dos participantes do setor bancário valoriza aspectos de responsabilidade social e postura ética diante de trabalhadores e consumidores. Desta forma, ao serem detectados indícios de práticas como trabalho escravo ou exploração de crianças e idosos, práticas de desmatamento ou despejo desordenado de poluentes e demais práticas danosas à sociedade e ao meio ambiente, as empresas envolvidas provavelmente terão grandes dificuldades para abertura e contratação de linhas de crédito. Outra prática, não tão comum, mas ainda na linha anteriormente mencionada, é a de não conceder recursos à indústria e comércio envolvidos na produção de fumo e bebidas alcoólicas. Tal determinação muitas vezes se origina junto a orgãos internacionais de incentivo e fomento, tais como o Banco Mundial e seus braços financeiros. Alguns setores tradicionalmente são segregados, talvez de forma injusta, mas justamente por apresentarem históricos de default seguidos de entraves para execução de garantias. Tal escolha varia de banco para banco e tende a se encerrar com o grau de profissionalização observado em segmentos antes problemáticos. Por fim, é sempre visto como benéfico para o perfil da carteira de crédito de um banco comercial, múltiplo, de investimento ou desenvolvimento que a mesma possua um bom balanceamento entre os diversos setores da economia, tanto pela segmentação de indústria, agropecuária e serviços, como por ramo mais específico de negócio dentro destes grandes grupos. Tal prática mitiga riscos de crises localizadas em determinadas atividades, sejam elas provocadas por fatores da natureza, de mercado ou mesmo regulatórios. O direcionamento dos recursos Observa-se também que operações contratadas por corporações tendem a ser direcionadas a déficits orçamentários também, mas em sua maioria se destinam ao crescimento de suas atividades, seja financiando plantas industriais, instalações comerciais e mesmo necessidades de capital de giro, pesquisa e desenvolvimento e lançamento de novos produtos. 14 O ponto-chave deste aspecto é que o analista de crédito pode direcionar sua análise projetando o impacto, que se espera ser positivo, na estrutura produtiva da empresa, o que, por conseguinte, irá por si só gerar fluxos de caixas suficientes para a cobertura do financiamento contratado, envolvendo juros e amortização do principal. Formando um histórico O histórico, positivo ou negativo, de uma empresa também se faz muito importante para o processo de análise, cabendo aos profissionais envolvidos não só verificar dados passados, mas projetar o provável comportamento futuroda empresa, uma vez que a personalidade jurídica pressupõe a existência de gestores que não necessariamente se perpetuam em seus cargos. Desta forma, analisar o caráter passado da gestão da empresa é também conhecer a sua cultura e posicionamento no mercado, buscando informações acerca não apenas do relacionamento com outras instituições financeiras, mas também com clientes, fornecedores e acionistas. Para tal, cabe pesquisar o turn over histórico de diretores e membros de conselhos, buscando também informações sobre os atuais executivos quando de suas passagens por outros grupos empresariais. Passadas estas etapas, o analista pode traçar o histórico de tomada de crédito, produtos acessados e perfil de pagamento. Um importante aspecto a ser considerado, com relação à tomada de recursos por uma empresa, é o tratamento que ela dá aos produtos de crédito, se são adequados e corretamente direcionados e se não existem constantes refinanciamentos e reestruturação de dívidas. A pesquisa O trabalho do analista de crédito especializado em pessoas jurídicas tem várias nuances, de acordo com as dificuldades de obtenção de informações ou de processá-las. Grandes corporações, em especial as de capital aberto com ações negociadas em bolsas de valores, costumam apresentar um nível de disclouse suficiente para uma análise e classificação de risco de qualidade, sem que para tal o analista dependa de longos processos de due diligence, que consistem na exploração da empresa por um profissional ou empresa específica, agências de rating por exemplo. Tal dispensa se baseia no fato de que não só os demonstrativos contábeis e financeiros encontram-se publicados na internet e, como antigamente era imprescindível, no Diário Oficial e em jornais de grande circulação, mas uma ampla gama de informações sobre pormenores financeiros da empresa através das notas explicativas às demonstrações financeiras e também aspectos estratégicos dos negócios, divulgados através de releases e fatos relevantes. 15 Por outro lado, empresas de menor porte podem ter maior dificuldade em prestar tais tipos de informação, não necessariamente por proposital omissão, mas por estas não serem regularmente formuladas e organizadas. Cabe destacar que algumas delas realmente não se aprofundam na elaboração de informativos por questões estratégicas em relação à concorrência, dada não haver obrigatoriedade de amplo disclousure, a divulgação de dados ao mercado pode não ter suficiente grau de equidade e favorecer os que não os divulgam, em prejuízo dos que assim optam em fazer. A due diligence Neste caso, cabe ao analista de crédito partir para um processo de due diligence, no qual são ratificados os dados financeiros e contábeis fornecidos por ocasião da proposta e outros aspectos da empresa são checados, tais como: • acordos de acionistas; • estrutura de direção e existência de conselhos e comitês; • gestão de riscos operacionais; • de imagem e financeiros; • e, por fim, planos estratégicos. A conferência de dados No caso específico de empresas, a conferência de dados informados e documentação remetida é em parte checada no processo de due diligence ou através das informações públicas. Cabe, porém, um especial cuidado ao processo de formalização, que mencionamos mais uma vez aqui, isto porque uma corporação tem personalidade e vontade ditada por seus dirigentes, que podem ser acionistas ou membros de diretorias e conselho, ou ainda seus procuradores. A correta checagem de poderes de um dirigente compreende autorizações de vários tipos, entre as quais podemos citar: • a de prestar informações, verbalmente ou por escrito; • envio de documentos; • condução de processos de due diligence; • contratar operações de crédito; • efetuar movimentações bancárias em geral; • conceder garantias. https://ead.uva.br/disciplinas/grad/publica/cont/abc/acc/re/u4/aula-3.htm#popup-1 16 Estes e outros poderes devem ser checados em documentos como contrato social, estatuto da empresa, procurações e mesmo nomeações publicadas no Diário Oficial. Também relevante é verificar se tais poderes podem ser exercidos isoladamente ou em conjunto e, se em conjunto, qual os critérios desta formação. A não observância deste fato pode causar sérios transtornos que vão desde a obtenção de informações com pessoa não autorizada até a inobservância de formalização por pessoa não autorizada ou com mandato vencido. Atenção, pois isto pode acontecer com uma simples assinatura em cheque ou ordens de pagamento. Cabe ressaltar que tais aspectos extrapolam o setor de análise de crédito e passam a ser controlados por áreas específicas, que abrangem não só operações creditícias, mas todo tipo de movimentação bancária; estes setores atualmente contam com sistemas informatizados para auxílio em tais controles. O perfil do crédito Aspectos como destinação e origem de fluxos de pagamento para as operações de crédito são explorados em nosso livro texto e cabe aqui mencionar que, ao contrário de financiamentos e produtos para pessoas físicas, na análise das linhas voltadas a corporações de todo porte e ramo de atuação, os mesmos são claramente definidos, podendo-se dizer que dificilmente um recurso é concedido sem que seu destino e capacidade de pagamento em função do impacto positivo do mesmo estejam claros para a instituição financeira que o concede. Desta forma, a apresentação de um plano de negócios ou de investimento é importante no processo de análise de crédito para pessoas jurídicas não financeiras. A relação com o proponente Aqui encontramos mais uma relevante diferença entre análises de proposições de crédito por parte de empresas e pessoas físicas, uma vez que, para as primeiras, a relação de crédito sempre se mostra profunda e cuidadosa. Como mencionamos anteriormente, existe uma segmentação por porte de empresa, para a qual as instituições financeiras respondem com especialização e atuação voltada para nichos. Desta forma, bancos que atuam junto ao middle market tendem a conhecer bem este mercado e suas empresas e muitas vezes atuam unicamente no crédito. Nos outros segmentos ocorre o mesmo, porém, à medida que se eleva o porte dos clientes, outros produtos se tornam interessantes, como meios de pagamento, comércio exterior e folhas de pagamento. Atividade 1 O perfil da carteira de crédito de um banco muitas vezes define sua classificação de risco e para tal algumas providências são tomadas estratégica e operacionalmente. https://ead.uva.br/disciplinas/grad/publica/cont/abc/acc/re/u4/aula-3.htm#popup-2 17 Quantos aos setores de atividade e ramos de negócios dos devedores de um banco, estes, preferencialmente: 1. aDevem concentrar-se em no máximo cinco ramos de negócio. 2. bDevem concentrar-se o máximo, dada a importância da especialização. 3. cDevem ser os mais diversificados possíveis. 4. dDevem ser diversificados em termos de volume de operações apenas. 5. eDevem ser concentrados em uma região geográfica. Atividade 2 Em alguns casos, o analista de crédito se depara com empresas cujo nível de informações públicas não é satisfatório; neste caso o profissional deve buscar alinhar as informações prestadas pelo proponente do crédito a uma pesquisa mais acurada. Que nome se dá ao processo de busca de informações estratégicas, de gestão e risco de uma empresa, conjugado com uma checagem de documentação e poderes de dirigentes? 1. aFormulário de Referência 2. bEntrevista Prévia 3. cAuditoria 4. dFiscalização 5. eDue diligence javascript:; javascript:; javascript:; javascript:; javascript:; javascript:; javascript:; javascript:; javascript:; javascript:; 18 Encerramento 6. Como funciona o processo de crédito? 7. Qual a importância de processos como a formalização do contrato de crédito? 8. Qual a importânciadas garantias para as operações de crédito? Resumo da Unidade A atividade de crédito possui importantes etapas, entre as quais podemos citar a negociação com o cliente e proposição de limites ou da operação propriamente dita, a análise do crédito e garantias, o processo de formalização, a que se seguem os processos de cobrança. Algumas diferenças entre a concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas não financeiras merecem destaque. Primeiramente, financiamentos tomados por empresas, quando voltados para o incremento de produção e vendas, tendem a gerar resultados que podem ser direcionados ao pagamento do serviço da dívida e do principal contratado. Por outro lado, as pessoas físicas usualmente dependem da sua renda própria para honrar operações de crédito, que na maioria das vezes têm como finalidade a aquisição de bens e serviços, ou apenas cobrir déficits orçamentários. Com relação às garantias, estas são prestadas mais facilmente pelas empresas, muitas vezes na forma de seus próprios recebíveis. Por fim, cabe ressaltar que o risco no processo de formalização é grande em operações voltadas a pessoas jurídicas, onde os poderes de contratar e dar garantias para uma operação de crédito devem ser exercidos por gestores, sócios e procuradores devidamente autorizados para tal. Caso contrário, há o risco de cancelamento ou nulidade da operação, com a consequente possibilidade de perda do principal e juros ou ainda a impossibilidade de se executar garantias. As etapas de proposição, análise, concessão e cobrança são organizadas no que chamamos de esteira de crédito, a qual envolve diversos profissionais e departamentos de uma instituição financeira, que podem interagir presencialmente e fisicamente, ou virtualmente por meios eletrônicos.