Normas e princípios processuais
6 pág.

Normas e princípios processuais


DisciplinaPrincípios80 materiais355 seguidores
Pré-visualização6 páginas
Normas e princípios processuais
Antes de entrarmos no tema "Normas e princípios processuais" precisamos relembrar
as fontes do direito pois é crucial para entendermos o tema.
Vamos recapitular??
As fontes de direito são os meios pelos quais as normas jurídicas são estabelecidas de
modo a prover o direito objetivo. Em outras palavras, são as formas pelo qual iremos
"conhecer" o direito.
Esse é um tema para muitos confusos e, com esse quadrinho, espero poder ajudá-los:
As fontes podem ser:
De produção (MATERIAIS) que são produzidas pelo Estado e pela sociedade.
Fontes de conhecimento (Formais) - as Formas pelos quais conhecemos o direito. Pelo
Brasil ser de tradição CIVIL LAW - Das fontes Imediatas, a mais importante é a lei.
Os costumes também são fontes formais do direito. Sendo menos importantes que as
leis. Costume não revoga lei, por exemplo. Hierarquicamente a lei está acima dos costumes. As
leis e os costumes são imedi atas.
A doutrina (produção acadêmica, de juristas,...) e a jurisprudência são fontes mediatas.
FONTES FORMAIS
São aquelas que detêm força vinculante e constituem o próprio direito positivo. A fonte
formal do direi to processual é a lei (normal legal), que é dotada de coercitividade e é
considerada a principal forma de expressão do direito.
Abaixo da norma legal, encontra-se a fonte secundária (ou subsidiária), que será utilizada
quando da aplicação do direito, em hipóteses nas quai s o próprio ordenamento assim
determine, como os princípios gerais, os costumes, a equidade e o uso da analogia.
Isso decorre do fato de que nem sempre as fontes principais serão suficientes para atender ao
caso concreto, pelo que o julgador deverá se valer de meios suplementares de integração do
ordenamento jurídico. Tais meios suplementares serão as fontes secundá rias (ou
subsidiárias).
Como fonte formal do direi to , podem os destacar a Constituição Federal, a Lei
Federal (art. 22, I, da Constituição de 1988) e a Lei Estad ual.
FONTES MATERIAIS
São aquelas fontes que não possuem força vinculante nem caráter obrigatório, mas se
destinam a revelar e informar o sentido das normas processuais. Essas fontes materiais são
dotadas de caráter ético, sociológico, político, histórico, econ ômico, cultural etc. que, em
determinado momento, servem para provocar, justifi car e legitimar o ato de criação das
normas legais, pois influenciam o legislador que elabora propostas legi slativas, frutos da
observância de valores e interesses sociais. Sendo assim, por diversas vezes, recomendações
ou resoluções, sem caráter normativo, acabam, com o tempo, sendo convertidas em leis.
FONTES SUPLEMENTARES DE INTEGRAÇÃO DA NORMA
Além das fontes formais e materiais do direito, existem os chamados meios
suplementares de integração da norma, que são aquel es destinados a preencher lacunas no
ordenamento, que, constatadas pelo magistrado, têm que ser preenchidas para que sejam
executáveis sob pena de resultar em negativa de prestação jurisdicional (non liquet).
E o que é o no n liquet?
Non liquet (do la tim non liquere: "não está claro") é uma expressão advinda do Direito
Romano que se aplicava nos casos em que o juiz não encon trava n ítida resposta juríd ica para
fazer o julgamento e, por isso, deixava de julg ar.
Em geral , no direito moderno, o juiz tem que emitir a sentença a favor de uma parte ou
de outra com base no ônus da prova. No Brasil, o Código de Processo Civil adverte que o juiz
não se eximirá de sentenciar ao despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei, não sendo
possível recorrer ao non liquet.
Essa terceira fonte seria formada pela jurisprudência (entendimento reiterado dos
tribunais) e pela doutrina (ensinamentos dos autores especializados).
Para parte da doutrina, argumenta-se que essa terceira fonte não possui eficácia
vin culativa ao aplicador do direito. Para outra parte doutrinária, essas ser iam consideradas
como fonte do direito.
Hoje em nosso sistema jurídico temos uma nítida tendência ao prestígio do precedente
e de seu reconhecimento como fonte do direito. Por exemplo, a figura da súmula vinculante,
prevista no art. 103 CF/88 e regulada pela Lei n. 11.417/2006. Através da mesma torna o
precedente judicial fonte formal do direito.
AS LEIS PROCESSUAIS
As leis processuais são normas cogentes, instrumentais e púb licas.
Norma cogentes - são as normas de ordem pública, as quais não podem ser
derrogadas pela vontade do particular pois foram editadas com a finalidade de resguardar os
interesses da sociedade.
Norma processual (ou instrumental) é aquela que regula como se dará a solução dos
conflitos em juízo (ou seja, a que regula o processo).
As normas de ordem pública são aq uelas fundadas na realização de interesses e de
função que merecem tutela e que são socialmente úteis. Há uma utilidade social, portanto, que
faz com que o domínio do direito privado seja permeado por normas (regras e princípios) que
restringirão o absolutismo das vontades particula res.
Princípios processuais
Canotilho (2000) defende que regras e princípios dev em ser entendidos como espécies
do gênero norma. Desse modo tería mos normas-regras e normas-princípios e, portanto, tal
distinção residiria, em última análise, em uma diferenciação entre dois tipos de normas.
Daí resulta que ambas teriam aplicação prática e força cogente. Mas, enquanto a
norma -regra regularia aspectos pontuais, a norma-prin cípio regularia situações mais
elásticas, compo rtando ponderações no caso concreto, em virtude do seu maior grau de
abstração.
Pode -se dizer que a "espinha dorsal" do Direito processual são os princípios da ampla
defesa e do Contraditório.
Ambos são princípios Constitucionais que também influenciam o direito processual, a
ritualística dos processos.
O Princípio do CONTRADITÓRIO é muito mais do que apenas defender -se, dar a sua
versão para os fatos. É o direito de não ser surpreendido. É a própria po ssibilidade de
manifestação e convencimento do juiz.
O princípio da AMPLA DEFESA é o direito de se produzir todos o s meios lícitos para
produzir uma "tese de defesa".
Devido processo legal = due process of la w - CF/1988- art. LIV segu ndo o qual
“ninguém será privado da liberdade ou dos seus ben s sem o devido processo legal.
Isonomia - Em âmbito processual, significa restabelecer o equilíbrio entre as partes, e
possibilitar a sua livre e efetiva participação no processo, como corolário do princípio
do devido processo legal. Do primitivo conceito de igualdade formal e negativa (ou
seja, de que o Direito não deve estabelecer diferenças entre os indivíduos), clama -se,
hoje, pela igualdade material. Por uma Justiça que assegur e tratamento igual para os