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RESUMO DE DIREITO CIVIL 
 
PESSOAS NATURAIS. DOMICÍLIO 
 
Genericamente, podemos conceituar pessoa como sendo todo ente físico ou jurídico, 
suscetível de direitos e obrigações. 
 
INÍCIO DA PERSONALIDADE 
Há muita polêmica doutrinária envolvendo o início da personalidade civil. As três 
principais teorias são: 
a) Teoria Natalista: a personalidade jurídica começa com o nascimento com vida. 
Nascer com vida significa respirar e ter batimentos cardíacos (funcionamento do 
aparelho cardiorrespiratório). É nesse momento que a personalidade civil terá início 
em sua plenitude, com todos os efeitos subsequentes. A adoção desta teoria de forma 
absoluta leva à conclusão de que o nascituro não é considerado pessoa, portanto, tem 
apenas expectativa de vida e de direitos. 
b) Teoria Concepcionista: a personalidade tem início desde a concepção. A partir 
desse momento o nascituro já é considerado como pessoa, e, como tal, tem todos os 
direitos resguardados pela lei, sendo considerado sujeito de direitos. 
c) Teoria da Personalidade Condicional: o nascituro possui personalidade jurídica 
desde o momento da concepção, no entanto isso é condicionado ao nascimento com 
vida. Nascendo com vida a personalidade retroage ao momento de concepção do 
nascituro, conferindo a ele uma tutela jurídica que atinge o passado. 
 
Personalidade jurídica formal: é a aptidão para ser titular de “direitos da 
personalidade” (ex.: direito à vida, direito à gestação saudável, etc.); em relação a 
esta o nascituro tem desde a concepção. 
Personalidade jurídica material: é a aptidão para ser titular de “direitos patrimoniais”; 
quanto a essa o nascituro só a adquire a partir do nascimento com vida. O nascituro 
possui apenas os requisitos formais da personalidade civil. 
 
Obs: criança anencéfala: se a mulher decidir a levar a gravidez até o fim e se a 
criança nascer com vida, ela teve personalidade. 
 
NASCITURO 
O principal direito do nascituro é o de ter direito à sucessão. Se ele já foi concebido 
no momento da abertura da sucessão (morte do de cujus) legitima-se a suceder de 
forma legítima. Também se legitimam a suceder por testamento “os filhos ainda não 
concebidos de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a 
sucessão”. Nascituro é titular de um direito eventual. Exemplo: homem falece 
deixando a esposa grávida. Não se pode concluir o processo de inventário e partilha 
enquanto a criança não nascer. O nascituro, nesta hipótese, tem direito ao resguardo 
à herança. Os direitos assegurados ao nascituro estão em estado potencial, sob 
condição suspensiva: só terão eficácia se nascer com vida. 
Nos casos de fertilização in vitro, somente será considerado como nascituro, o óvulo 
fecundado que for implantado no útero materno. Assim, o embrião humano congelado 
não poderia ser tido como nascituro, embora tenha proteção jurídica como pessoa 
virtual, com uma carga genética própria. 
 
Pela nossa lei não se dá nome ao natimorto. No entanto, parte da doutrina entende 
que o “natimorto tem humanidade” e por isso teria direito a um nome. Sobre o tema, 
temos o Enunciado 01 da I Jornada de Direito Civil do STJ: “A proteção que o 
Códigoconfere ao nascituro alcança o natimorto, no que concerne aos direito da 
personalidade, tais como o nome, imagem e sepultura”. 
 
DIREITOS DE PERSONALIDADE 
Apesar do Código fazer referência a apenas três características a respeito do direito 
de personalidade (intransmissibilidade, irrenunciabilidade e impossibilidade do seu 
exercício sofre limitação voluntária) a doutrina lhe dá maior extensão, afirmando que 
eles também são: 
- Inatos: os direitos de personalidade já nascem com o seu titular e acompanham até 
sua morte; alguns direitos ultrapassam o evento morte (honra, memória, imagem, 
direitos autorais, etc.). 
- Absolutos: são oponíveis contra todos (erga omnes), impondo à coletividade o dever 
de respeitá-los. 
- Intransmissíveis: pertencem de forma indissolúvel ao próprio titular. Embora estes 
direitos sejam intransmissíveis em sua essência, os efeitos patrimoniais dos direitos 
de personalidade podem ser transmitidos. Ex.: a autoria de uma obra literária é 
intransmissível; porém podem ser negociados os direitos autorais sobre esta obra. 
Outro exemplo: cessão da imagem mediante retribuição financeira. 
- Vitalícios: acompanham a pessoa desde seu nascimento até a morte. 
- Indisponíveis: não podem ser cedidos, a título oneroso ou gratuito a terceiros. 
- Irrenunciáveis: não podem ser abandonados nem abdicados; nem mesmo o seu 
titular pode abrir mão deles. 
- Imprescritíveis: valem durante toda vida, não correndo os prazos prescricionais; 
podem ser reclamados judicialmente a qualquer tempo; não se extinguem pelo não 
uso ou inércia de seu titular nem pelo decurso de tempo. 
- Impenhoráveis: se não podem ser objeto de cessão ou venda, também não pode 
recair penhora sobre os mesmos. 
- Inexpropriáveis: ninguém pode removê-los de uma pessoa, nem ser objeto de 
usucapião. 
ATENÇÃO SE A QUESTÃO FALA DOUTRINA OU CÓDIGO CIVIL 
 
A disposição sobre o próprio corpo: a) é proibida quando importar diminuição 
permanente da integridade física (salvo por exigência médica), ou contrariar os bons 
costumes; b) é válida se não importar diminuição permanente da integridade física ou 
contrariar os bons costumes; c) é válida com o objetivo científico ou altruístico, para 
depois da morte, ou, em vida, para fins de transplante. Lembrando que o Código Civil 
adotou o chamado princípio do consenso afirmativo (termo usado pela doutrina e que 
caiu em alguns concursos), segundo o qual o titular do direito pode manifestar sua 
vontade em ser doador de órgãos, mas a qualquer tempo pode revogar esta intenção. 
 
O art. 15, CC trata do direito do paciente, proibindo que uma pessoaseja constrangida 
a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou aintervenção cirúrgica. 
Trata-se do princípio da autonomia do paciente. Excetuam-sealgumas hipóteses (ex.: 
a pessoa não consegue expressar a sua vontade) em que o direito se desloca para a 
família do enfermo. E em situações extremas, àpresença do estado de necessidade, 
em evidente risco de vida, pode o médicorealizar a intervenção necessária sem o 
consentimento de quem de direito. 
 
O direito à imagem se refere ao direito de ninguém ver seu rosto estampado em 
público ou comercializado sem seu consenso e o de não ter sua personalidade 
alterada, material ou intelectualmente, causando danos à sua reputação. Como 
normalmente ocorre, há certas limitações ao direito de imagem, com dispensa da 
anuência para sua divulgação. Vejamos algumas situações: a) pessoas famosas (ex.: 
artistas, políticos, etc.), pois elas têm sua imagem divulgada em razão de sua 
atividade; mas mesmo assim, não pode haver abusos, pois a sua vida íntima deve ser 
preservada; b) necessidade de divulgação da imagem por questões de segurança 
pública (ex.: publicação da fotografia de um perigoso marginal procurado pela 
polícia); c) quando se obtém uma imagem, mas a pessoa é tão somente parte do 
cenário, pois o que se pretende divulgar é o acontecimento em si (ex.: um congresso, 
uma exposição de objetos de arte, a inauguração de uma obra pública, um hotel ou 
um restaurante, reportagens sobre tumultos, enchentes, shows, etc.). 
 
O titular de um direito de personalidade, quando este for violado, poderá pleitear 
reparação de danos morais e patrimoniais. E se ele já for falecido o direito será 
exercido pelo cônjuge, ascendente ou descendente. Súmulas à esse respeito: 
Súmula 221 do STJ:” São civilmente responsáveis pelo ressarcimento dedanos, 
decorrente de publicação pela imprensa, tanto o autor do escritoquanto o proprietário 
do veículo de divulgação”. 
Súmula 403 do STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pelapublicação 
não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos oucomerciais”. 
 
INDIVIDUALIZAÇÃODA PESSOA NATURAL 
A) NOME:Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o 
sobrenome. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações 
ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja 
intenção difamatória.A lei de direitos autorais já consagrava o pseudônimo comoum 
direito moral do autor. Agora consta, de forma expressa, como um direito inerente à 
personalidade do autor (art. 19, CC), gozando da mesma proteção que se dá ao 
nome, quando usado para finalidades lícitas. 
Já caiu em concurso: a proteção do pseudônimo de autor de obra artística, literária 
ou científica necessita de registro? Resposta: Não! 
Transexuais: Em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça entendeu deve ser 
expedida uma nova certidão civil, sem que nela conste qualquer anotação sobre a 
decisão judicial e nem mesmo o termo “transexual”. 
 
B) ESTADO: O estado é definido como sendo o modo particular de existir, ou seja, 
asoma de qualificações de uma pessoa na sociedade. Apresenta três aspectos: 
Individual (ou físico):refere-se às características pessoais: idade, sexo, saúde 
mental e física, altura, peso, etc. 
Familiar: indica a situação que a pessoa ocupa na família: a) quanto ao matrimônio 
(solteiro, casado, viúvo, divorciado); b) quanto ao parentesco consanguíneo (pai, 
mãe, filho, avô, irmão, primo, tio, etc.); c) quanto à afinidade (sogro, sogra, genro, 
nora, cunhado, etc.). 
Político: identifica a pessoa a partir do local em que nasceu ou de sua condição 
política dentro de um País: nacional (nato ou naturalizado), estrangeiro, apátrida 
(heimatlos). 
 
C) DOMICÍLIO: O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a 
residência com ânimo definitivo (art. 70, CC). É também domicílio da pessoa natural, 
quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. 
a) Moradia ou habitação: é o local onde a pessoa se estabelece provisoriamente, sem 
ânimo de permanecer 
b) Residência: é o lugar em que o indivíduo se estabelece habitualmente, com a 
intenção de permanecer, mesmo que dele se ausente temporariamente; trata-se de 
uma situação de fato. 
c) Domicílio: é a sede da pessoa, tanto física como jurídica, onde se presume a sua 
presença para efeitos de direito e onde exerce ou pratica, habitualmente, seus atos e 
negócios jurídicos. 
 
O domicílio possui dois elementos 
a) Objetivo: é o estabelecimento físico da pessoa; a fixação da residência. 
b) Subjetivo: é a intenção, o ânimo de ali permanecer em definitivo 
 
- O Brasil adotou o sistema da pluralidade domiciliar: Se a pessoa tiver várias 
residências, onde alternadamente viva, sem que se possa considerar uma delas 
comosendo o seu centro principal, o domicílio pode ser qualquer delas. 
- Pode ocorrer que uma pessoa não tenha uma residência habitual. O exemplo 
clássico é o dos circenses e ciganos que a cada momento estão em uma localidade 
diferente (a doutrina os chama de adômidas). O domicílio destas pessoas então será 
o lugar onde elas forem encontradas (art. 73, CC). É o chamado domicílio aparente 
ou ocasional. 
- Para efeitos profissionais é também domicílio da pessoa natural, quanto às relações 
concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. Parágrafo único. Se a pessoa 
exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as 
relações que lhe corresponderem”. 
- Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o 
mudar (art. 74, CC). Esta intenção pode ser aferida por alguma conduta da pessoa: 
matricular o filho e um novo colégio, abertura de conta bancária com novo endereço. 
 
ESPÉCIES DE DOMICÍLIO 
1) Domicílio Voluntário: escolhido livremente pela própria vontade do indivíduo e 
por ele pode ser modificado (geral: art. 70, CC) ou estabelecido conforme interesses 
das partes em um contrato (especial: art. 78, CC). Segundo a doutrina, este último 
pode ser subdividido: a) domicílio contratual (art. 78, CC): local especificado no 
contrato para o cumprimento das obrigações dele resultantes; b) domicílio (ou foro) 
de eleição ou cláusula de eleição de foro (previsto no art. 111 do Código de Processo 
Civil): escolhido pelas partes para a propositura de ações relativas às obrigações. Em 
contrato de adesão, o STJ considera como abusiva cláusula de definição de foro que 
possa prejudicar o consumidor. 
 
2) Domicílio Legal (ou necessário): é o que a lei determina em razão da condição 
ou situação de certas pessoas. Deixa de existir a liberdade de escolha do domicílio. 
Assim: 
- Incapazes (qualquer tipo de incapacidade): o de seus representantes legais (pais, 
tutores ou curadores). A doutrina costuma chamar de domicílio de origem aquele que 
o filho adquire ao nascer ou enquanto ele estiver sob o poder familiar. 
- Servidor Público: seu domicílio é o lugar onde exerce permanentemente sua função 
(não se aplica ao servidor público de função temporária). 
- Militar em serviço ativo: o domicílio do militar do Exército é o lugar onde está 
servindo; o da Marinha ou da Aeronáutica é a sede do comando a que se encontra 
imediatamente subordinado. Aplica-se este dispositivo, por analogia, também aos 
Policiais Militares estaduais. O militar reformado (aposentado) não tem mais este 
domicílio. 
- Preso: é o lugar onde a pessoa cumpre a sentença (cuidado: não se aplica ao preso 
provisório; é necessário que haja uma decisão condenatória). 
- Marítimos (são os oficiais e tripulantes da marinha mercante): O domicílio legal éno 
lugar onde estiver matriculado o navio. 
OBS:Agente Diplomático do Brasil que, citado no estrangeiro, alega 
extraterritorialidade, sem indicar seu domicílio no país. Neste caso poderá ser 
demandado no Distrito Federal ou no seu último domicílio. 
 
 
FIM DA PERSONALIDADE DA PESSOA NATURAL 
 
a) MORTE REAL: A morte real se dá com o óbito comprovado da pessoa natural. 
Tradicionalmente isso ocorre com a parada total do aparelho cardiorrespiratório. No 
entanto, a comunidade científica mundial, assim como o Conselho Federal de 
Medicina, tem afirmado que o marco mais seguro para se aferir a extinção da pessoa 
física é a morte encefálica. 
 
b) MORTE CIVIL: Não existe mais. 
 
c) MORTE PRESUMIDA: Ocorre quando não se consegue provar que houve a morte 
real. 
- Art. 6°, CC: morte presumida com declaração de ausência: É uma situação 
mais complexa, pois exige a declaração de ausência (é o desaparecimento de uma 
pessoa do seu domicílio. A pessoa deixa de dar notícias de seu paradeiro por um 
longo período de tempo, sem nomear um representante (procurador) para 
administrar seus bens).A ausência só pode ser reconhecida por meio de um processo 
judicial composto de três fases: 
PRIMEIRA FASE: Declaração de Ausência: Qualquer interessado na sua sucessão (e 
até mesmo o Ministério Público) pode requerer ao Juiz a declaração de ausência e a 
nomeação de um curador. Seus bens são arrecadados e entregues a um curador 
apenas para os mesmos sejam administrados (não há efeitos pessoais). Durante um 
ano (no caso do ausente não deixar representante ou procurador) ou três anos (na 
hipótese em que ele deixou um representante) devem-se expedir editais convocando 
o ausente para retomar a posse de seus haveres. Com a sua volta opera-se a 
cessação da curatela, o mesmo ocorrendo se houver notícia de seu óbito comprovado. 
Não retornando ao lar nestes prazos, passamos para a fase seguinte. 
SEGUNDA FASE: Sucessão Provisória: a sentença do Juiz é dada logo no início do 
processo, para que se inicie a sucessão provisória. Concede um prazo de mais 180 
dias para que o ausente reapareça e tome conhecimento da sentença que determinou 
a abertura da sucessão provisória de seus bens. Após este prazo, a ausência passa a 
ser presumida. Nesta fase cessa a curatela dos bens do ausente. É feita a partilha dos 
bens deixados e agora são os herdeiros (e não mais aquelecurador), de forma 
provisória e condicional que irão administrar os bens, prestando caução (garantia de 
que os bens serão restituídos ao ausente caso apareça). Descendentes, ascendentes 
ou cônjuge não precisam prestar caução. Herdeiros não tem ainda propriedade, 
apenas posse, não podendo vender os bens. Imóveis só podem ser vendidos com 
autorização judicial. O descendente, o ascendente e o cônjuge (herdeiros necessários) 
podem usufruir ganhos com o bem, não precisando devolver os ganhos caso o 
desaparecido retorne. Demais sucessores só terão direito à metade dos ganhos. A 
sucessão provisória é encerrada se o ausente retornar ou se comprovar a sua morte 
real. 
TERCEIRA FASE: Sucessão Definitiva: Art. 37, CC. Após 10 (dez) anos do trânsito 
em julgado da sentença de abertura da sucessão provisória, sem que o ausente 
apareça, será declarada a morte presumida. Nesta ocasião converte-se a sucessão 
provisória em definitiva. Os sucessores deixam de ser provisórios, adquirindo a 
propriedade plena (ou o domínio) e a disposição dos bens recebidos. Porém esta 
propriedade é considerada resolúvel. Isto é, se o ausente retornar em até 10 (dez) 
anos seguintes à abertura da sucessão definitiva terá direito aos bens, mas no estado 
em que se encontrarem. Ou então terá direito ao preço que os herdeiros houverem 
recebido com sua venda. Se regressar após esse prazo (portanto após 21 anos do 
início do processo), não terá direito a mais nada. Nesta fase também, considera-se 
rompido o vínculo matrimonial. 
 
Art. 7°, CC: morte presumida sem declaração de ausência: 
- For extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. 
- Pessoa desapareceu em campanha ou feito prisioneiro e não foi encontrado até dois 
anos após o término da guerra. 
Nestas hipóteses, não havendo corpo, recorre-se aos meios indiretos de 
comprovação; a declaração de morte presumida é concedida judicialmente, 
independentemente de declaração de ausência. Só pode ser requerida depois de 
esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do 
Falecimento. A declaração de morte presumida substitui judicialmente o atestado de 
óbito. Com isso não se passa por aquelas longas fases já mencionadas acerca da 
declaração de ausência com declaração de ausência. Com esta declaração pode-se 
abrir a sucessão da mesma forma que seria feito se houvesse morte real. 
 
COMORIÊNCIA: Também é chamada de morte simultânea. Trata-se de uma 
presunção relativa (juris tantum), ou seja, que admite prova em contrário. Aplica-se 
o instituto da morte simultânea sempre que houver uma relação de sucessão 
hereditária entre os mortos. Se não houver esta relação também não haverá qualquer 
interesse jurídico na questão. A consequência prática é que se os comorientes forem 
herdeiros uns dos outros, não haverá transferência de bens e direitos entre eles; um 
não sucederá o outro. Abrem-se cadeias sucessórias distintas e autônomas. Ex: 
vamos supor que um casal esteja viajando de carro e sofre um grave acidente. Eles 
não têm descendentes e nem ascendentes. Mas cada um tem um irmão. O marido 
teve morte imediata; morreu no local do acidente. Já a esposa, embora muito ferida, 
foi levada para o hospital faleceu somente no dia seguinte. Neste caso não se fala 
mais em comoriência, pois há prova de que ela sobreviveu ao marido. No momento 
da morte do primeiro cônjuge toda a herança se transmite para o outro cônjuge. E 
com a morte deste último, a herança toda será transmitida somente para o irmão do 
que morreu por último. Mas se não se conseguir demonstrar quem morreu primeiro 
no acidente, aplica-se a comoriência. Neste caso, a herança de ambos será dividida à 
razão de 50% para os irmãos (colaterais) de cada cônjuge, se o regime de bens do 
casamento for o da comunhão universal (ou comunhão parcial, mas todos os bens do 
casal foram adquiridos na constância do casamento). 
OBS: Alguns doutrinadores consideram que ao morrerem ao mesmo tempo, não 
precisam estar no mesmo local. 
 
EFEITOS DO FIM DA PERSONALIDADE 
São efeitos do fim da personalidade: dissolução do vínculo conjugal e do regime 
matrimonial; extinção do poder familiar; extinção dos contratos personalíssimos, etc. 
Outro efeito de suma importância é a extinção da obrigação de prestar alimentos com 
o falecimento do credor (quem recebe a pensão). 
 
 
 
CAPACIDADE CIVIL: A capacidade é a medida da personalidade! Toda pessoa é 
capaz de direitos e deveres. Mas em que medida isso ocorre? A resposta está nas 
espécies de capacidade: 
- Capacidade de direito ou de gozo (ou de aquisição de direito): Adquire-se com 
onascimento com vida e extingue-se somente com a morte. 
- Capacidade de fato ou de exercício da capacidade de direito: é a capacidade de 
exercitar pessoalmente (por si mesmo) todos os atos da vida civil. 
 
Resumindo: Toda pessoa natural tem capacidade de direito; é inerente à 
personalidade. Quem tem personalidade (está vivo) tem capacidade de direito. Mas 
essa pessoa pode não ter a capacidade de fato, pois pode lhe faltar a plenitude da 
consciência e da vontade, limitando o exercício (e não o gozo) dos direitos. 
 
- Capacidade plena = capacidade de direito + capacidade de fato. Quem só possui a 
de direito tem a chamada capacidade limitada. 
Sendo uma ressalva ao exercício dos atos da vida civil, a incapacidade deve ser 
encarada e interpretada restritivamente, sendo admitida apenas nas hipóteses 
previstas expressa e taxativamente na lei (matéria de ordem pública). 
 
A) ABSOLUTAMENTE INCAPAZES: 
Os absolutamente incapazes possuem direitos, mas estes não podem ser exercidos 
pessoalmente. Devem ser representados. São eles: 
 
1) Os menores de 16 (dezesseis) anos(menores impúberes): Representados pelos 
pais ou por tutores. 
 
2) Os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário 
discernimento para a prática dos atos da vida civil: Para que seja declarada a 
incapacidade absoluta neste caso, é necessário um processo de interdição. Se o ato 
praticado pelo enfermo mental foi antes de sua interdição, em regra não se anula o 
negócio. No entanto, jurisprudência e a doutrina admitem a produção retroativa dos 
efeitos da interdição em hipóteses especiais. Requisitos para isso: a) prova da 
incapacidade no momento do ato, b) prejuízo ao incapaz, c) má-fé da outra 
parte.Uma vez declarada a incapacidade por sentença, o interditado não poderá 
praticar atos jurídicos sem o seu curador. Nosso direito não admite os chamados 
“intervalos lúcidos”. Ou seja, se a pessoa praticou o ato após a sua interdição, este 
ato é considerado nulo, não se aceitando a demonstração de que naquele momento, 
embora interditada, a pessoa estava lúcida. 
 
3) Os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade: O 
exemplo clássico deste item é o da pessoa que sofreu um acidente e “está em coma 
no hospital. 
 
OBS: O Código Civil não estende a incapacidade: a) ao cego, que somente terá 
restrição aos atos que dependem da visão, como testemunha ocular de um fato, 
testemunha em testamentos, etc.; além disso, o cego somente poderá fazer 
testamento da forma pública; b) ao analfabeto; e c) a senilidade ou senectude 
(pessoa com idade avançada), por si só, não é causa de restrição da capacidade. 
 
B) RELATIVAMENTE INCAPAZES 
Podem praticar por si os atos da vida civil, desde que assistidos por seus 
representantes legais. O efeito da violação desta norma é gerar a anulabilidade (ou 
nulidade relativa) do ato jurídico (art. 171, I, CC), dependendo da iniciativa do 
lesado. São eles: 
 
1) Maiores de 16 anos e menores de 18 anos: Também chamadosde menores 
púberes. Poderão praticar certos atos medianteassistência de seus representantes, 
sob pena de anulação. No entanto há atos que o relativamente incapaz pode praticar 
mesmo sem assistência. Ex.: casar (necessitando neste caso apenas de uma 
autorizaçãode seus pais), fazer testamento, servir comotestemunha, inclusive em 
atos jurídicos e testamentos; aceitar mandato,ser eleitor, etc. 
OBS: Em um contrato, um rapaz com 17 anos se passou por maior de 18 anos e 
assumiu determinada obrigação. Depois, para não cumprir esta obrigação, alegou ser 
menor e revelou sua idade verdadeira. Pela lei o menor não poderá fugir desta 
obrigação, pois conscientemente declarou-se maior (não se pode, para eximir de uma 
obrigação, alegar sua própria torpeza). 
Um menor entre 18 e 16 anos pode ser interditado? A doutrina e a jurisprudência 
admitem essa possibilidade, desde que a interdição tenha por interesse o 
reconhecimento de incapacidade absoluta. 
 
2) Ébrios habituais (alcoólatras), os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência 
mental, tenham o discernimento reduzido: Nestes casos também deve haver um 
processo de interdição, onde o Juiz irá estabelecer os limites da curatela. Viciados em 
tóxicos, dependendo do nível, podem ser considerados absolutamente incapazes. 
 
3) Excepcionais, sem desenvolvimento mental completo: Também é necessário o 
processo de interdição. Ex: Síndrome de Down. 
 
4) Pródigos: são os que dilapidam os seus bens ou seu patrimônio, fazendo gastos 
excessivos e anormais, podendo chegar à miséria. Como ele fica privado somente dos 
atos que possam comprometer seu patrimônio, ele pode: exercer atos de mera 
administração, exercer profissão, etc. Pode se casar desde que o curador se 
manifeste quanto ao regime de bens. 
 
Índios: o atual Código não enquadrou genericamente o índio como absoluta ou 
relativamente incapaz. O estatuto do índio os coloca como tutelados pela FUNAI. 
 
Surdo-Mudo: Se ele tiver discernimento e conseguir expressar sua vontade, será 
plenamente capaz. Mas se a questão afirmar que ele não tem discernimento ou não 
sabe exprimir sua vontade será absolutamente incapaz. E se dizer que sua 
capacidade é reduzida será relativamente incapaz. 
 
Tutela: A tutela é um instituto de caráter assistencial que tem por finalidade 
substituir o poder familiar. Protege o menor (impúbere ou púbere) não emancipado e 
seus bens, se seus pais falecerem ou forem suspensos ou destituídos do poder 
familiar, dando-lhes representação ou assistência no plano jurídico. Pode ser oriunda 
de provimento voluntário, de forma testamentária, ou em decorrência da lei. 
 
Curatela: Já a curatela é um encargo público (também chamado de munus)previsto 
em lei e que é dado para pessoas maiores, mas que não estão em condições de 
realizar os atos da vida civil pessoalmente, geralmente em razãode alguma 
enfermidade, deficiência mental ou prodigalidade. 
 
Capacidade Processual X Capacidade Civil X Legitimação 
A Capacidade para ser parte em um processo é inerente a toda pessoa nascida com 
vida. Basta ter capacidade de direito para poder ser parte em um processo. Uma 
pessoa pode ser parte em um processo e não ter capacidade processual, pois é 
absoluta ou relativamente incapaz, devendo ser representada ou assistida no 
processo. Ex.: pessoa com 14 anos que pleiteia o reconhecimento de paternidade. Ela 
tem a capacidade de ser parte, porém por ser absolutamente incapaz, não tem 
capacidade processual, devendo ser representada por sua mãe no processo. 
Já legitimação é a aptidão para a prática de determinado ato jurídico, em virtude de 
uma situação especial. A falta de legitimação (ou legitimidade) significa que, mesmo 
sendo capaz, a pessoa está impedida por lei de praticar determinado ato. Ex: Homem 
casado quer vender sítio que comprou como solteiro. Tem capacidade, mas não 
poderá fazer sem a outorga conjugal. 
 
C) CAPACIDADE PLENA 
Cessação da Incapacidade: a) maioridade (18 anos); b) levantamento da interdição; 
c) emancipação. 
OBS: O STJ já pacificou entendimento de que a redução da maioridade civil não 
implica cancelamento automático da pensão alimentícia. Para exonerar-se o pai deve 
ingressar com ação própria e demonstrar que o filho tem condições de se sustentar 
sozinho. Caso contrário tem-se decidido que a pensão continua até o término da 
faculdade (em regra aos 24 anos). 
 
 
EMANCIPAÇÃO 
Emancipação é a aquisição da capacidade plena antes dos 18 anos, habilitando o 
indivíduo para todos os atos da vida civil. Permite a antecipação da capacidade plena 
e não a antecipação da maioridade. O menor, embora emancipado, continua sendo 
menor, principalmente para fins penais. Ele pode ser preso por falta de pagamento de 
pensão alimentícia. 
Características: 
a) pura e simples (não se admitem condições ou termos); 
b) irrevogável (uma vez concedida os pais não podem mais revogar). Pode ser 
anulada(documentos falsos); 
c)definitiva (se a pessoa se divorciar ela permanece emancipada). 
 
ADQUIRE-SE A EMANCIPAÇÃO 
1) Pela concessão dos pais ou apenas de um deles na falta do outro (emancipação 
parental ou voluntária): Deve ser concedida pelos pais por instrumento público 
(escritura), não sendo necessária a homologação (validação) pelo Juiz. O menor deve 
ter, no mínimo, 16 anos completos. É necessária a anuência de ambos os pais. Na 
falta de um deles (morte ou interdição) permite-se que somente o outro conceda. 
Desnecessária a aquiescência do menor para o ato. A emancipação voluntária não 
exclui a responsabilidade civil dos pais por ilícito cometido pelo menor emancipadoaté 
que ele complete dezoito anos. 
 
2) Por Sentença do Juiz: ocorre em duas hipóteses: 
a) quando um dos pais não concordar com a emancipação, contrariando a intenção do 
outro (conflito de vontades entre os pais); 
b) quando o menor estiver sob tutela. O tutor não pode emancipar o menor. 
 
3) Pelo casamento: a idade nupcial (ou idade núbil) do homem e da mulher é de 16 
anos. O art. 1.517, CC exige a autorização de ambos os pais, enquanto não atingida a 
maioridade. Caso os pais não consintam com o casamento, ou em havendo 
divergência entre eles, a autorização poderá ser suprida pelo Juiz. Após a celebração 
do casamento, os cônjuges, ainda que continuem menores, serão considerados 
emancipados. 
 
OBS: 
- O divórcio, a viuvez e mesmo a anulação do casamento não implicam no retorno à 
incapacidade. O casamento nulo pode fazer com que se retorne à situação de incapaz. 
Mas ainda assim, se o casamento for contraído de boa-fé o ato produzirá efeitos de 
um casamento válido e a pessoa será considerada emancipada. 
- somente em casos excepcionais admite-se o casamento de quem ainda não 
alcançou a idade núbil (16 anos). Exige-se uma sentença judicial de suprimento de 
idade. 
- União estável não é hipótese de emancipação. 
 
4) Pelo exercício de emprego público efetivo: deve ser funcionário da administração 
direta (excluindo-se, assim, os funcionários de autarquias). 
 
5) Pela colação de grau em curso de ensino superior; 
 
6) Pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, 
desde que em função deles, o menor tenha economia própria: Deve ter no mínimo 16 
anos completos. 
 
 
PESSOAS JURÍDICAS 
 
Conceito 
Pode ser definida como a união de pessoas naturais ou de patrimônios, com o 
objetivo de atingir determinadas finalidades. A doutrina usa outras expressões para 
se referir às pessoas jurídicas, tais como: pessoa moral, intelectual, coletiva, 
abstrata, fictícia, “ente de existência ideal”, etc. 
As pessoas jurídicas têm direito à personalidade (identificação, liberdadepara 
contratar, boa reputação, etc.), aos direitos reais (pode ser proprietária, usufrutuária, 
etc.), aos direitos industriais (art. 5°, inciso XXIX da CF/88), aos direitos 
obrigacionais (podendo comprar, vender, alugar ou contratar de uma forma geral) e 
até mesmo aos direitos sucessórios (podem adquirir bens causa mortis, ou seja, por 
testamento). 
Os dispositivos relativos aos direitos da personalidade da pessoa natural (arts. 11 a 
21, CC) também podem ser aplicados em relação à pessoa jurídica, no quecouber. 
 
STJ: pode sofrer dano moral na hipótese em que haja ferimento à sua honra objetiva, 
isto é, ao conceito de que goza no meio social. 
 
Natureza Jurídica 
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Teoria da REALIDADE TÉCNICA: a pessoa jurídica existe de fato (e não como uma 
mera abstração). O próprio Estado reconhece a existência de grupos de pessoas que 
se unem na busca de determinados fins, entendendo ser necessária a existência de 
personalidade jurídica própria, distinta da dos membros que a compõe. 
 
Pressupostos de existência da pessoa jurídica 
A) Vontade humana criadora: Trata-se da affectio societatis, ou seja, intenção 
específica dos sócios em constituir uma entidade com personalidade distinta da de 
seus membros. 
B) Obediência aos requisitos impostos pela lei para sua formação: Necessita se 
submeter aos requisitos impostos pela própria lei. 
C) Licitude de sua finalidade:deve ter objeto lícito. 
 
Representação: Deve ser representada por uma pessoa física ativa. Se o 
representante extrapolar estes poderes, responderá pessoalmente pelo excesso 
(exceto se a sociedade foi beneficiada com a prática do ato, quando então passará a 
ter responsabilidade na proporção do benefício auferido). A doutrina chama isso de 
teoria ultra vires societatis (além do conteúdo da sociedade). 
 
Pessoas jurídicas de direito público interno são representadas: 
a) União, Estados, Distrito Federal e Territórios: por seus Procuradores. 
b) Municípios: por seu Prefeito ou Procurador. 
 
Demais pessoas jurídicas: em regra é a pessoa indicada em seu ato constitutivo. 
Na omissão, a representação será exercida por seus diretores. Se a pessoa jurídica 
tiver administração coletiva (gerência colegiada), as decisões serão tomadas pela 
maioria dos votos, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. Se houver 
vacância geral na administração o Juiz deverá nomear um administrador provisório. 
Pode-se outorgar mandato, que é uma espécie de contrato, transferindo parte dos 
poderes para que uma terceira pessoa (mandatário) pratique atos em nome da 
pessoa jurídica (mandante). 
 
Mandatário x Preposto: Trata-se de um empregado da empresa, que 
preferencialmente exerce cargo de gerente ou outro de confiança e que tenha 
conhecimento dos fatos constantes da reclamatória trabalhista, com capacidade para 
defender ou esclarecer os temas e devidamente autorizado (carta de preposição) a 
representá-la junto à Justiça do Trabalho. 
 
Prazos para Anulação 
a) Anulação das decisões dos administradores tomadas por maioria de votos em 
administração coletiva, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, 
dolo, simulação ou fraude: três anos 
b) Anulação da constituição da pessoa jurídica por defeito do ato respectivo: três 
anos. 
 
Classificação geral das pessoas jurídicas 
a) Nacionalidade: 
- Sociedade Nacional é a organizada conforme a lei brasileira e tem no País a sede de 
sua administração. 
- Sociedade Estrangeira não poderá funcionar no País sem autorização do Poder 
Executivo e ficará sujeita aos Tribunais brasileiros quanto aos atos aqui praticados. 
 
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b) Estrutura Interna: 
- Universitas Personarum: O objetivo é o bem-estar de seus membros. Ex.: as 
sociedades (de uma forma geral), associações, EIRELI. 
- Universitas Bonorum: nelas, o mais importante é o patrimônio personalizado 
destinado a um determinado fim e que lhe dá unidade. O objetivo é o bem-estar da 
sociedade. Ex.: fundações particulares e públicas de direito privado (doutrina). 
 
c) Quanto às Funções e Capacidade: 
Pessoas Jurídicas de Direito Público Externo: Estados estrangeiros e todas as 
pessoas que forem regidas pelo direitointernacional público, ou seja,Mercosul, ONU, 
FAO, etc. 
 
 
 
 
Pessoas Jurídicas de Direito Privado 
 
Fundações particulares: 
- Fundação é o complexo de bens livres colocados por uma pessoa física ou jurídica, a 
serviço de um fim lícito e especial, com alcance social pretendido por seu instituidor, 
e em atenção ao disposto em seu estatuto. Não pode visar lucro. 
- O próprio instituidor poderá administrar a fundação (forma direta) ou encarregar 
outrem para este fim (forma fiduciária). Terão sempre fins religiosos, morais, 
culturais ou de assistência. Nesses conceitos compreendem-se também as fundações 
para fins científicos, educacionais ou de promoção do meio ambiente. 
São criadas a partir de uma escritura pública (ato inter vivos) ou de um testamento 
(causa mortis). Portanto elas não podem ser criadas por instrumento particular ou 
privado. 
- Os estatutos são elaborados com base em seus objetivos. Eles devem ser 
submetidos à apreciação do Ministério Público estadual que os fiscalizará. O próprio 
MP pode elaborar os estatutos, caso o mesmo não seja feito por quem de direito. Em 
regra o seu objetivo é imutável. No entanto é possível a reforma dos estatutos, desde 
que: 
a) seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a 
fundação 
b) não contrarie ou desvirtue o seu fim; 
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c) seja aprovada pelo órgão do Ministério Público caso este a denegue, poderá o Juiz 
supri-la, a requerimento do interessado). Se não houver unanimidade da alteração do 
estatuto, de haver a impugnação pela minoria vencida no prazo decadencial de 10 
dias. 
- As fundações surgem com o registro de seus atos constitutivos no Registro Civil de 
Pessoas Jurídicas. 
- Os administradores devem prestar contas ao Ministério Público. 
- Seus bens são inalienáveis e impenhoráveis.Para venda deve-se ingressar 
judicialmente e o produto revertido para a fundação. 
- Supervisionadas pelo MP do Estado. Se estenderem para mais de um Estado caberá 
controle pelos MP envolvidos. Se a fundação funcionar no DF, a competência 
parafiscalização é do Ministério Público do Distrito Federal e Territorial (MPDFT). 
- Nada impede que o próprio instituidor estabeleça um prazo para o funcionamento. 
Por outro lado as fundações serão extintas se tornarem-se ilícitas (o Ministério Público 
pode ingressar com ação visando sua extinção), impossíveis ou inúteis as suas 
finalidades ou se vencido oprazo de sua existência. 
Uma vez extinta a fundação, o destino do seu patrimônio será o previsto nos 
estatutos. Caso os estatutos sejam omissos, seu patrimônio será destinado, por 
determinação judicial, a outras fundações com finalidades semelhantes. 
 
Partidos Políticos 
- Embora tenham um caráter público, passaram a ser considerados como pessoas 
jurídicas de direito privado, tendo natureza de associação civil. Os estatutos devem 
ser registrados no cartório competente do Registro Civil de Pessoas Jurídicas da 
Capital Federal e no Tribunal Superior Eleitoral. 
 
Organizações Religiosas 
- São pessoas jurídicas de direito privado, tendo também natureza de associação civil. 
É vedado ao poder público negar-lhe o reconhecimento ou registro de seus atos 
constitutivos necessários a seu funcionamento. 
 
Associações 
- As associações são caracterizadas pela união de pessoas (físicas ou jurídicas) que se 
organizam para fins não econômicos. O órgão máximo da associação não é o diretor-
presidente, mas a Assembleia Geral. Não há, entre os associados, direitos e 
obrigações recíprocas diferente das sociedades, onde há este vínculo. 
- Salvo autorização estatutária, é vedada a transmissibilidade da qualidade de 
associado. É admissível a exclusão de um associado se houver justa nos termos do 
estatuto, após o trâmite de um procedimento administrativo que assegure o 
contraditório e a ampla defesa, bem como recurso. 
- As associações podem ser civis, religiosas, pias (de caridade), morais, educacionais, 
científicas ou literárias, políticas, esportivas, recreativas e até de utilidade pública. 
- Elas não estão impedidas de gerar renda para manter ou aumentar suas atividades. 
- Convocação de órgãos pode ser feita por 1/5 dos associados. 
- O ato constitutivo da associação é o seu estatuto. Esse estatuto deve ser registrado 
no Registro civil de Pessoas Jurídicas. Se não houve registro a associação existe, mas 
será considerada irregular (associação não personificada); será tida como mera 
relação contratual disciplinada pelo seu estatuto. 
 
Sociedades 
- A finalidade lucrativa é o que distingue uma associação de uma sociedade. 
 
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Início da existência legal da pessoa jurídica 
 
Direito Público: Estados – Constituição 
 Municípios – Constituição Estadual e Lei Orgânica 
 
Direto Privado: 
Atos constitutivos: Fundações: escritura pública ou testamento; 
 Associações:(sem fim lucrativo) →Estatuto 
Sociedades simples ou empresárias→Contrato Social. 
 
Registro do Ato Constitutivo: 
- Sociedades Empresárias: Registro Público de Empresas 
Mercantis (Junta Comercial); 
- Demais pessoas jurídicas: Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Quaisquer alterações 
supervenientes nestas instituições devem ser averbadas no mesmo registro. 
Os efeitos do registro da pessoa jurídica são sempre para o futuro (efeito ex nunc); 
não se pode retroagir, legitimando o passado. 
 
Domicílio 
-União: Distrito Federal. 
- Estados e Territórios: suas respectivas Capitais. 
- Municípios: o lugar onde funciona a Administração Municipal (a sede municipal). 
Demais Pessoas Jurídicas: o lugar onde elegerem domicílio especial nos seus 
estatutos ou atos constitutivos. Na omissão é o local onde funcionam as respectivas 
diretorias e administrações. Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em 
lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele 
praticados. Sede no estrangeiro: o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a queela 
corresponder. 
 
Responsabilidade Civil 
- Contratual: Na responsabilidade assumida por meio de uma obrigação contratual, as 
pessoas jurídicas devem responder com seus bens por esse inadimplemento (não 
cumprimento) contratual. 
- Extracontratual: Já no campo da responsabilidade extracontratual (ou 
aquiliana)vigora a regra geral do neminem laedere (ou seja, a ninguém se deve 
lesar). Reprime-se a prática dos atos ilícitos em geral, impondo a obrigação de 
reparação de eventuais danos. Neste caso temos diferenças entre direito público e 
privado: 
a) Direito Privado 
 Ato próprio: Direta e Subjetiva 
 Ato de Terceiros: Indireta, objetiva e solidária (Ex.: O motorista de caminhão 
de uma empresa, embriagado, atropela e mata um pedestre; a família da vítima pode 
ingressar com ação judicial de responsabilidade civil somente contra a empresa, 
somente contra o motorista, ou contra ambos, posto que tanto a empresa, como o 
motorista são responsáveis solidários. Se preferir ingressar com a ação somente 
contra a empresa, esta terá o direito de regresso contra o empregado). 
 
b) Direito Público: Vigora atualmente a Teoria do Risco Administrativo. Nela o Estado 
responde objetivamente, porém não em qualquer hipótese. Permite-se que a 
responsabilidade do Estado seja afastada em situações onde consiga provar a culpa 
exclusiva da vítima (no caso de culpa concorrente apenas se atenua sua 
responsabilidade, diminuindo o valor da indenização), o caso fortuito ou a força 
maior, a ausência de nexo causal, etc. 
 
OBS: A pessoa jurídica também pode ser penalmente responsável, na hipótese de 
crimes ambientais. 
 
Extinção da Pessoa Jurídica 
- Forma convencional: dissolução deliberada de seus membros (extinção 
convencional), por unanimidade e mediante distrato. Distrato é a rescisão de um 
contrato. Pode ser amigável ou judicial. É ressalvado o direito de terceiros e da 
minoria. Assim, se a minoria desejar a continuidade da sociedade, impossível será 
sua dissolução amigável (haverá então uma sentença judicial), a menos que o 
contrato contenha cláusula que preveja a extinção por maioria simples. No entanto, 
se a minoria tentar extinguir a pessoa jurídica, não conseguirá. 
- Morte de seus membros (extinção natural). 
- Quando a lei assim determinar. 
- Decurso do prazo, se constituída por prazo determinado. 
- Dissolução por decisão judicial: procedimento falimentar (em regra para as 
sociedades empresárias) ou liquidação (em regra para sociedade simples). 
- Administrativa: decorre da cassação da autorização de funcionamento, específica 
para algumas entidades (ex.: instituições financeiras que dependem de autorização 
do Banco Central). 
- Se houver bens em seu patrimônio e dívidas a resgatar, ela continuará em fase de 
liquidação. Somente após o encerramento da liquidação é que se promove o 
cancelamento da inscrição da pessoa jurídica no respectivo registro. 
- Destino do Patrimônio. Nas sociedades, quinhão + divisão entre os sócios ou 
herdeiros e nas associações, opera-se conforme o estatuto ou destinados a 
estabelecimento público com finalidades semelhantes. 
 
Grupos Despersonalizados 
- Constituem um conjunto de direitos e obrigações, de pessoas e bens, sem 
personalidade jurídica, que geralmente se formam independentemente da vontade de 
seus membros. Possuem capacidade processual. 
- Sociedades em comum (de fato ou irregulares): responsabilidade solidária e 
ilimitadados sócios pelas obrigações da sociedade, pois não há autonomia da pessoa 
jurídica. 
- Massa falida; 
- Espólio: é o conjunto de direitos e obrigações ou uma simples massa patrimonial 
deixada pelo de cujus; é a herança, propriamente dita. O inventariante prestará 
compromisso legal e irá representar ativa e passivamente, em juízo ou fora dele os 
interesses do espólio. 
- Herança Jacente e Vacante: Jacente ocorre quando o falecido não deixa testamento 
e nem herdeiros, ou os herdeiros abrem mão. Ela fica vacante aguardando 5 anos até 
aparecer alguém. Se não aparecer passa ao domínio do Estado. 
 
Desconsideração da Personalidade Jurídica 
Significa ignorar ou não levar em conta a distinção criada pela ficção legal entre os 
dois patrimônios. Com isso, são alcançados os bens das pessoas físicas que se 
escondem dentro de uma pessoa jurídica para a prática de atos ilícitos ou abusivos. 
Trata-se de uma exceção. A doutrina da desconsideração pretende o afastamento 
temporário da personalidade jurídica da entidade, para permitir que os credores 
prejudicados possam satisfazer os seus direitos no patrimônio pessoal do sócio ou 
administrador que cometeu o ato abusivo. 
Art. 50, CC: “Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio 
de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o Juiz decidir, a requerimento da 
parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos 
de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens 
particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. 
Segundo a corrente majoritária referente ao art. 50, CC, dispensa-se a prova do dolo 
específico do sócio ou administrador. 
 
 
Enunciado 283 da IV Jornada de Direito Civil do STJ: “É cabível a desconsideração da 
personalidade jurídica denominada ‘inversa’ para alcançar bens de sócio que se valeu 
da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros”. 
- Fala-se, também em desconsideração indireta, nos casos em que uma empresa é 
controladora de outra, principalmente quando a primeira se utiliza da segunda para 
praticar fraudes e abusos diversos. Neste caso desconsidera-se a controlada para 
atingir a controladora. 
- As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não-
econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica”. No 
entanto, neste caso, a desconsideração atinge somente os seus dirigentes (que a 
representam na forma dos estatutos) e não os associados em geral. 
- Não confundir a desconsideração com a teoria da ultra vires societatis (além do 
conteúdo da sociedade). A regra geral é que os atos dos administradores vinculam a 
pessoa jurídica pela qual são responsáveis. No entanto, de acordo com tal teoria, a 
sociedade poderá ficar isenta de responsabilidade quando provado que os 
administradores excederam os poderes que lhes são conferidos. Assim, o dever de 
indenizar deverá ser imputado exclusivamente ao administrador. 
- Como uma evolução da desconsideração da personalidade jurídica tem-se adotado a 
Teoria da Sucessão de Empresas, pela qual, nos casos em que ficar patente a 
ocorrência de fraude poderá o magistrado estender as responsabilidades de uma 
empresa para outra (denominadas empresa sucedida e sucessora, respectivamente). 
- A respeito da desconsideração, fala-se em Teoria Maior e Teoria Menor. Pela Teoria 
Maior (ou subjetiva) a desconsideração não pode ser aplicada com a mera 
demonstração de estar a pessoa insolvente para o cumprimento de suas obrigações. 
Exige-se maior apuro e precisão na constatação dos requisitos legais para a 
decretação da medida. Se o magistrado entender que houve abuso da personalidade 
(desvio de finalidade ou demonstração de confusão patrimonial) pode aplicar a 
desconsideração da personalidade jurídica, usando seu livre convencimento (daí ser 
subjetiva), desde que o faça de forma bem fundamentada. É a regra geral em nosso 
sistema jurídico, adotada pelo Código Civil. Já a Teoria Menor (ou objetiva) é aquela 
em que se dispensa um raciocínio mais cuidadoso para a incidência do instituto. Não 
se exige a demonstração do abuso, basta que haja o descumprimento da obrigação. 
Porém, seu âmbito de aplicação fica restrito ao Direito Ambientale ao Direito do 
Consumidor. Para esta teoria o risco empresarial normal às atividades econômicas 
não pode ser suportado pelo terceiro que contratou com a pessoa jurídica, mas sim 
pelos sócios e/ou administradores. 
 
DOS BENS 
A relação jurídica entre dois sujeitos tem por objeto os bens sobre os quais recaem 
direitos e obrigações. Bem seria um gênero que se divide em bens imateriais e 
bensmateriais, estes sim, considerados como coisa. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
 
CLASSIFICAÇÃO SUPRALEGAL (doutrinária) 
 
1 - Bens Corpóreos (sinônimos: materiais, tangíveis ou concretos): são 
aqueles que possuem existência física ou material. 
 
2 - Incorpóreos (sinônimos: imateriais, intangíveis ou abstratos): aqueles que 
não existem fisicamente, pois possuem uma existência abstrata. No entanto podem 
ser traduzidos em dinheiro, possuindo valor econômico e sendo objeto de direito. Ex: 
Software. 
 
Na prática os bens corpóreos são objetos de contrato de compra e venda, enquanto 
os bens incorpóreos são objetos de contratos de cessão (transferência a outrem). Mas 
ambos podem integrar o patrimônio de uma pessoa. 
 
PATRIMÔNIO JURÍDICO 
Conjunto das relações jurídicas ativas e passivas (abrange bens, direitos e 
obrigações) de uma pessoa (natural ou jurídica), apreciável economicamente. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO LEGAL DOS BENS 
 
I. BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS 
 
1 – BENS QUANTO À MOBILIDADE 
 
A) BENS IMÓVEIS 
São aqueles que não podem ser removidos ou transportados de um lugar para o 
outro sem a sua destruição ou alteração em sua substância. Este conceito perdeu sua 
força pela engenharia de hoje em dia. Divide-se em: 
- Por Natureza (ou por essência): é o solo (terreno) e tudo quanto se lhe 
incorporar naturalmente (árvores, frutos pendentes, etc.), mais adjacências (espaço 
aéreo e subsolo). Atenção para o fato de jazidas, recursos minerais e hídricos, 
embora sejam considerados como bens imóveis, constituem propriedade da união! 
- Por Acessão (acréscimo) Física, industrial ou artificial: trata-se de tudo 
quanto o homem incorporar permanentemente (o que não significa eternamente) ao 
solo, não podendo removê-lo sem destruição, modificação ou dano. Abrange os bens 
móveis que, incorporados ao solo pelo trabalho do homem, passam a ser bens 
imóveis. Ex: Construções e plantações. 
- Por Acessão Intelectual (ou por destinação do proprietário): são os bens 
móveis que aderem a um bem imóvel pela vontade do dono, para dar maior utilidade 
ao imóvel (a coisa deve ser colocada a serviço do imóvel e não da pessoa). Ex: Trator 
usado na plantação, máquinas da fábrica. O Código Civil atual não acolhe mais essa 
classificação qualificando esses bens como pertenças. 
- Por Disposição Legal: são bens que são considerados imóveis somente porque o 
legislador assim resolveu enquadrá-los (ficção jurídica), possibilitando, como regra, 
receber maior segurança e proteção jurídica nas relações que os envolve. São eles: 
 - Direito à sucessão aberta. Falecendo uma pessoa, mesmo que a herança 
seja formada apenas por bens móveis, o direito à sucessão será considerado como 
um bem imóvel. Ex.: uma pessoa faleceu e deixou um carro, uma joia e dez mil reais 
em uma conta-poupança. É aberto o processo de inventário. O conjunto dos bens 
deixados pelo falecido (de cujus) é chamado de espólio. E este tem a natureza de 
bem imóvel por força de lei. Assim, o que se considera imóvel não é o direito aos 
bens que compõe a herança, mas sim o direito à herança como uma unidade. 
Somente após a partilha é que os bens serão considerados de forma individual. 
 - Direitos reais sobre os imóveis(ex.: direito de propriedade, de usufruto, 
uso, superfície, habitação, servidão predial, enfiteuse, etc.). A lei, para dar maior 
segurança às relações jurídicas, trata os direitos reais sobre bens imóveis com se 
imóveis fossem. Encaixam aqui também as ações que asseguram os bens imóveis, 
como uma ação reivindicatória da propriedade, hipotecária, etc. 
 - Penhor agrícola e as ações que o asseguram; 
 - Jazidas e as quedas d’água com aproveitamento para energia 
hidráulica são consideradas bens distintos do solo onde se encontram. 
- Regras Especiais: Não perdem o caráter de imóvel (ou seja, continuam sendo 
imóveis): 
- edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem 
removidas para outro local (ex.: “casa pré-fabricada” transportada de uma localidade 
para outra). 
- materiais provisoriamente separados de um prédio para nele se 
reempregarem (telhas retiradas de uma casa para reforma do telhado, sendo 
reempregadas posteriormente). 
 
B) BENS MÓVEIS 
São aqueles que podem ser removidos, transportados, de um lugar para outro, por 
força própria ou estranha, sem alteração da substância ou da destinação econômico-
social. 
1) Móveis por Natureza:são os bens que podem ser transportados de um local para 
outro sem a sua destruição por força alheia (cadeira, mesa) ou que possuem 
movimento próprio (semoventes = animais). 
2) Móveis por Antecipação: a vontade humana pode mobilizar bens imóveis em 
função da sua finalidade econômica. Ex.: uma árvore é um bem imóvel; no entanto 
ela pode ser plantada especialmente para corte futuro (papel); Frutos da árvore que 
estão no pé mas serão vendidos. 
3) Móveis por Determinação Legal: 
 a) as energias que tenham valor econômico: a energia elétrica, embora não 
seja um bem corpóreo, é considerada pela lei como sendo um bem móvel. Notem que 
a lei menciona “energias”, pois não existe apenas a energia elétrica. Ex.: o sêmen de 
um touro reprodutor premiado é considerado energia biológica. 
b) direitos reais sobre bens móveis e as ações correspondentes (ex.: direito de 
propriedade e de usufruto sobre bens móveis, etc.). 
c) direitos pessoais de caráter patrimonial e as respectivas ações. 
d) ainda incluem-se: direitos autorais (art. 3° da Lei n° 9.610/98), propriedade 
industrial (direitos oriundos do poder de criação e invenção da pessoa), quotas e 
ações de capital em sociedades, etc. 
4) Regra Especial: Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não 
forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade 
os provenientes da demolição de algum prédio. 
OBS: Os navios e aeronaves são bens móveis ou imóveis? A doutrina os classifica 
como bens móveis especiais ou sui generis. Apesar de pela sua natureza e essência 
serem fisicamente bens móveis (pois podem ser transportados de um local para 
outro), são tratados pela lei como se fossem imóveis, pois necessitam de registro 
especial e admitem hipoteca. 
 
Distinção entre bens móveis e imóveis 
1) Formas de aquisição da propriedade: A principal forma de se adquirir a 
propriedade dos bens móveis é com a tradição. Ou seja, em uma compra e venda de 
bens móveis, somente com a entrega destes é que se adquire a sua propriedade. Já 
os bens imóveis são adquiridos com o Registro ou transcrição do título da escritura 
pública no Registro de Imóveis (art. 1.245, CC). Enquanto não houver o registro do 
título,o vendedor continua sendo o proprietário do imóvel. 
2) Outorga: Um bem será vendido. Trata-se de um bem imóvel? –Sim! Trata-se de 
proprietário casado em regime de bens que não seja separação total de bens? –Sim! 
Logo essa pessoa irá necessitar da outorga (ou vênia) conjugal (uxória – mulher 
concede ao homem ou marital – homem concede à mulher). 
 
3) Usucapião: Bens móveis ou imóveis 
 
A) Bens Imóveis 
1) Usucapião Extraordinária: 
- 15 anos: sem justo título (ato jurídico destinado a habilitar uma pessoa a adquirir o 
domínio de uma coisa, mas que por algum motivo acabou não produzindo efeito), 
sem boa-fé. 
- 10 anos: sem justo título, desde que resida no local ou tenha realizado obras 
produtivas. 
2) Usucapião Ordinária: 
- 10 anos: com título e boa-fé. 
- 05 anos: com título, boa-fé, adquirido onerosamente, desde que resida no local ou 
tenha realizado investimento de interesse social e econômico. 
- 02 anos: propriedade dividida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o 
lar: Desde que não possua outro imóvel urbano ou rural. 
 
B) Bens Móveis 
1) Usucapião Extraordinária: sem justo título →05 anos. 
2) Usucapião Ordinária: com justo título e boa-fé →03 anos. 
 
4) Direitos Reais sobre coisa alheia 
- Bens imóveis: Hipoteca (ex.: você recebe uma quantia em dinheiro emprestada e 
oferece um bem imóvel como garantia desse empréstimo, não havendo a entrega do 
bem). 
- Bens móveis: Penhor (ex.: você recebe uma quantia dinheiro em empréstimo e 
entrega um bem imóvel como garantia deste empréstimo). 
 
5) Contratos 
- Comodato: imóveis. 
- Mútuo: móveis. 
- Locação: Imóveis ou móveis. 
 
 
2 – BENS QUANTO À FUNGIBILIDADE 
 
A) INFUNGÍVEIS: São os bens que possuem alguma característica especial, que os 
tornam distintos dos demais, não podendo ser substituídos por outros, mesmo que da 
mesma espécie, qualidade e quantidade. Imóveis, quadro famoso, carro. 
 
B) FUNGÍVEIS: São os bens móveis que podem ser substituídos por outros da 
mesma espécie, qualidade e quantidade. São as coisas que se contam, se medem ou 
se pesam e não se consideram objetivamente como individualidades. 
 
OBS: A diferença básica entre a locação, o comodato e o mútuo (que são espécies de 
contratos de empréstimo) está na sua fungibilidade. Enquanto o mútuo é um contrato 
que se refere ao empréstimo apenas de coisas fungíveis, ou seja, o devedor pode 
devolver outra coisa, desde que seja igual, o comodato é um contrato de empréstimo 
(gratuito) de coisas infungíveis. E a locação também é um empréstimo de bens 
infungíveis, só que oneroso. Nestes dois últimos contratos a pessoa deve devolver o 
mesmo bem. 
OBS2: Outra consequência: o credor de coisa infungível não pode ser obrigado a 
receber outra coisa, mesmo que esta seja mais valiosa (art. 313, CC). Isto é o credor 
tem o direito de receber a coisa exata que foi pactuada. 
OBS3: Outro efeito: a compensação legal (isto é, “A” deve para “B”, mas “B” também 
deve para “A”) efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis entre 
si. Ou seja, dinheiro se compensa com dinheiro; café se compensa com café; feijão se 
compensa com feijão, etc. 
 
 
3 – BENS QUANTO À CONSUNTIBILIDADE 
 
A) CONSUMÍVEIS: São bens móveis, cujo uso normal importa na destruição 
imediata da própria coisa, sendo também considerados tais os destinados à alienação 
(consumíveis de direito). Admitem um uso apenas. Ex.: gêneros alimentícios, 
bebidas,etc. 
 
B) INCONSUMÍVEIS: São os que proporcionam reiterados usos, permitindo que se 
retire toda a sua utilidade, sem atingir sua integridade. Ex.: roupas de uma forma 
geral, automóvel, casa, etc., ainda que haja possibilidade de sua destruição em 
decorrência do tempo. 
A consuntibilidade não decorre propriamente da natureza do bem, mas sim da sua 
destinação econômico-jurídica. Assim, o usufruto somente pode recair sobre bens 
inconsumíveis. Se for instituído sobre bens fungíveis, é chamado pela doutrina de 
quase-usufruto ou usufruto impróprio. 
 
Não confundir fungibilidade com consuntibilidade! 
 
4 – BENS QUANTO À SUA DIVISIBILIDADE 
 
A) DIVISÍVEIS: São os bens que podem se fracionar em porções reais e distintas, 
formando cada qual um todo perfeito: a) sem alteração em sua substância; b) sem 
diminuição considerável de valor; c) sem prejuízo do uso a que sedestinam. Ex.: uma 
folha de papel, uma quantidade de arroz, milho, etc. Obs: Um diamante ao ser 
dividido, suas partes separadamente consideradas valem menos do queele inteiro, 
sendo assim classificado como indivisível. 
 
B) INDIVISÍVEIS: São os bens que não podem ser fracionados em porções, pois 
deixariam de formar um todo perfeito. Ex.: uma joia, um anel, um par de sapatos, 
etc. No entanto a indivisibilidade pode ser subclassificada em: 
- por natureza: se o bem for dividido perde a característica do todo. Ex.: um 
cavalo, um relógio, um quadro, etc. 
- por determinação legal: alguns bens podem ser divididos fisicamente. No 
entanto a lei que os torna indivisíveis. O exemplo clássico é o da herança. Antes da 
partilha ela é indivisível por determinação legal. 
- por vontade das partes (convencional): um bem fisicamente é divisível, mas 
pode se tornar indivisível por força de um contrato. Ex.: entregar 100 sacas de café 
hoje. 
 
 
5 – BENS QUANTO À INDIVIDUALIDADE 
 
A) BENS SINGULARES: Embora possam estar reunidos, são considerados de modo 
individual, independentemente dos demais. Ex.: um cavalo, uma casa, um carro, uma 
joia, um livro, etc. Os bens singulares podem ser classificados em 
a) singulares simples formam um todo homogêneo, cujas partes componentes 
estão unidas em virtude da própria natureza ou da ação humana, sem que seja 
necessária qualquer regulamentação (pedra, cavalo, árvore, folha de papel, etc.); 
b) singulares compostos são os que as partes heterogêneas estão ligadas 
artificialmente pelo engenho humano; na realidade são vários objetos independentes 
que se unem em um só todo, sem que desapareça a condição jurídica de cada uma 
das partes. Ex.: materiais de construção. Uma porta ou uma janela, embora estejam 
ligados à edificação de uma casa, continuarão assim a ser chamados. Outros 
exemplos: navio ou avião, carro, relógio, computador, etc. 
 
B) BENS COLETIVOS OU UNIVERSAIS: É a pluralidade de bens singulares 
autônomos que, embora ainda conservem sua identidade, são consideradas em seu 
conjunto, formando um todo único (universitas rerum), passando a ter 
individualidade própria, distinta da dos seus objetos componentes. Trata-se de um 
gênero e que tem como espécies: 
 a) Universalidade de Fato: é a pluralidade de bens singulares, corpóreos e 
homogêneos, ligados entre si pela vontade humana, para um determinado fim. 
Ex: Pinacoteca, rebanho, etc. 
b) Universalidade de Direito: é a pluralidade de bens singulares, corpóreos 
(ou incorpóreos) e heterogêneos, a que a norma jurídica dá unidade, com o intuito de 
produzir certos efeitos; é o complexo de relações jurídicas de uma pessoa, dotadas de 
valor econômico. Ex.: patrimônio, herança. 
OBS: Estabelecimento Empresarial: Para fins de alienação, o estabelecimento é 
considerado um bem móvel. O estabelecimento empresarial é exemplo de 
universalidade de fato (e não de direito), na medida em que sua unidade não decorre 
da lei (como ocorre na massa falida e na herança), mas da vontade do empresário 
para uma finalidade específica. 
 
 
I. BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS 
Comparação entre os bens: Principais ou acessórios 
 
A) PRINCIPAIS 
São os que existem por si, abstrata ou concretamente, independentemente de 
outros; exercem função e finalidades autônomas. Ex.: o solo, um crédito, uma joia, 
etc. 
 
B) ACESSÓRIOS 
São aqueles cuja existência pressupõe a existência de outro bem; sua existência e 
finalidade dependem de um bem principal. Ex.: um fruto em relação à árvore, uma 
árvore em relação ao solo, um prédio em relação ao solo, os juros, etc. 
OBS: Princípio da gravitação jurídica (um bem atrai o outro para sua órbita, 
comunicando-lhe seu próprio regime jurídico: o principal atrai o acessório; o acessório 
segue o principal). Por essa razão, quem for o proprietário do principal, em regra, 
será também o do acessório. Outro efeito: a natureza do principal será também a do 
acessório. Ex.: se o solo é imóvel, a árvore nele plantada também o será. 
 
São bens acessórios: 
1) Frutos: são as utilidades que a coisa principal produz periodicamente; nascem e 
renascem da coisa e sua percepção mantém intacta a substância do bem que as gera. 
Os frutos podem ser classificados em: 
a) Naturais: são os que se renovam periodicamente pela própria força orgânica 
da coisa (ex.: frutas, crias de animais, ovos, etc.). 
b) Industriais: são os que surgem em razão da atividade humana (ex.: 
produção de uma fábrica). 
c) Civis: são os rendimentos produzidos pela coisa, em virtude sua utilização 
por outrem que não o proprietário; é a cessão remunerada da coisa (ex.: juros de 
caderneta de poupança, aluguéis, dividendos ou bonificações de ações, etc.). 
 
Os frutos ainda podem ser classificados, quanto ao seu estado em: 
- pendentes (ainda estão ligados fisicamente à coisa que os produziu, mas podem ser 
destacados, sem nenhum risco para a inteireza da coisa); 
- percebidos ou colhidos (são os já destacados ou colhidos da coisa principal da qual 
se origina); 
- estantes (colhidos e armazenados em depósitos; acondicionados para a venda); 
- percipiendos (já deveriam ter sido colhidos ao tempo da safra, mas ainda não o 
foram) 
- consumidos (já colhidos e que não existem mais: utilizados ou alienados). 
 
2) Produtos: são as utilidades que se retiram da coisa, alterando a sua substância, 
com a diminuição da quantidade até o seu esgotamento. E isto é assim porque eles 
não se reproduzem. Ex.: pedras de uma pedreira, minerais de uma jazida, carvão 
mineral, lençol petrolífero, etc. 
Frutos x Produtos: Os produtos se exaurem com o uso, sendo que a extração do 
produto determina a progressiva diminuição da coisa principal. 
 
3) Rendimentos: na verdade eles são os próprios frutos civis ou prestações 
periódicas em dinheiro, decorrentes da concessão do uso e gozo de um bem (ex.: 
aluguel). 
 
4) Produtos orgânicos: da superfície da terra (ex.: vegetais, animais, etc.). 
 
5) Obras de aderência: obras que são realizadas acima ou abaixo da superfície da 
terra (ex.: uma casa, um prédio de apartamentos, o metrô, pontes, túneis, viadutos) 
 
6) Pertenças: São os bens que, não constituindo partes integrantes (como os frutos, 
produtos e benfeitorias), se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao 
aformoseamento de outro. Exemplos que costumam cair nas provas: moldura de um 
quadro que ornamenta uma casa de eventos, máquinas agrícolas (trator), animais ou 
materiais destinados a melhor explorar o cultivo de uma propriedade agrícola, 
máquinas e instalações de uma fábrica, geradores de energia, escadas de emergência 
e outros equipamentos contra incêndio, aparelho de ar-condicionado em um 
escritório, órgão de uma igreja, etc. Em relação às pertenças, nem sempre pode se 
usar o adágio de que “o acessório segue o principal”. Por isso, quando se tratar de 
negócio que envolva transferência de propriedade que contenha uma pertença é 
conveniente que as partes se manifestem expressamente sobre os acessórios (se eles 
acompanham ou não o bem principal). 
 
7) Acessões (de forma implícita): aumento do valor ou do volume da propriedade 
devido a forças externas (fatos fortuitos, como formação de ilhas, aluvião, avulsão, 
abandono de álveo, além das construções e plantações). Em regra não são 
indenizáveis. 
 
8) BENFEITORIAS: são obras ou despesas que se fazem em um bem móvel ou 
imóvel, para conservá-lo, melhorá-lo ou embelezá-lo. As benfeitorias são bens 
acessórios, introduzidos no principal pelo homem. Se for realizadopela natureza não é 
considerado como benfeitoria. Dividem-se em: 
a) Necessárias: são as que têm por finalidade conservar ou evitar que o bem 
se deteriore, se não forem feitas a coisa podeperecer. Ex.: reforços em alicerces. 
b) Úteis: são as que aumentam ou facilitam o uso da coisa. Não 
sãoindispensáveis, mas se forem feitas darão um maior aproveitamento à coisa. Ex.: 
construção de uma garagem, de um lavabo dentro da casa. 
c) Voluptuárias: são as de mero embelezamento, recreio ou deleite. Ex.: 
construçãode uma piscina, uma churrasqueira, uma pintura artística. 
OBS: uma mesma benfeitoria pode enquadrar-se em uma ou outra espécie. 
 
Boa-fé: Caso elas não sejam indenizadas, o possuidor tem o direito de retenção pelo 
valor das mesmas. Isto é, ele pode reter o bem até que seja indenizado pelas 
benfeitorias feitas. 
Má-fé: não poderá levantar nenhuma das benfeitorias realizadas e também não terá 
direito de retenção sobre nenhuma delas. Nem mesmo sobre as necessárias. 
 
Locação: as benfeitorias necessárias introduzidas pelo locatário, ainda que não 
autorizadas pelo locador, bem como as úteis, desde que autorizadas, serão 
indenizáveis e permitem o exercício do direito de retenção. As voluptuárias não são 
indenizáveis e podem ser retiradas sem afetar o imóvel. 
 
 
 
Acessão artificial X Benfeitoria 
Acessão artificial: obra que cria uma coisa nova, como as construções e plantações 
(ex.: edificação de uma casa em um terreno). Já a Benfeitoria: obra ou despesa 
realizada em bem já existente, sem modificar a sua substância. É apenas uma 
reforma levada a efeito pelo homem (artificial) na coisa e que não aumenta o volume. 
 
III. BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO TITULAR DO DOMÍNIO 
 
A) BENS PARTICULARES (ou privados): São os que pertencem às pessoas 
naturais (físicas) ou às pessoas jurídicas de direito privado. 
 
B) RES NULLIUS: São as chamadas “coisas de ninguém”. Existem no Universo, mas 
não são públicas nem particulares, pois não têm dono. Ex.: animais selvagens em 
liberdade, coisas abandonadas. 
 
C) BENS PÚBLICOS (res publicae): São públicos os bens do domínio nacional 
pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno. Os demais bens são 
particulares, seja qual for apessoa a que pertencerem. No entanto é interessante 
ressaltar o Enunciado 287 da IV Jornada de Direito Civil do STJ: “O critério da 
classificação de bens indicado no art. 98, CC não exaure a enumeração dos bens 
públicos, podendo ainda ser classificado como tal o bem pertencente à pessoa jurídica 
de direito privado que esteja afetado à prestação de serviços públicos”. 
 
Classificação dos Bens Públicos 
Quanto à titularidade (natureza da pessoa titular) os bens públicos podem ser 
federais, estaduais, distritais ou municipais. 
Quanto à disponibilidade eles se classificam em: 
a) indisponíveis por natureza: são os que sequer possuem natureza patrimonial, 
e, por tal motivo, não podem ser alienados ou onerados pelas entidades a que 
pertencem (ex.:mares, rios, etc.); 
b) patrimoniais indisponíveis: apesar de terem natureza patrimonial não podem 
ser alienados, pois são utilizados pelo Estado para uma finalidade pública (ex.: 
escolas, hospitais, etc.); 
c) patrimoniaisdisponíveis: são os que possuem natureza patrimonial e como não 
estão afetados a determinada finalidade pública, podem ser alienados (ex.: bens 
dominicais). 
 
 
IV. BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO À NEGOCIAÇÃO 
Relativo à possibilidade de comercialização dos bens. Comércio (em sentido técnico) é 
a possibilidade de compra e venda, doação, ou seja, liberdade de circulação e 
transferência. 
 
1. Bens que integram o comércio: são os negociáveis, disponíveis; podem ser 
adquiridos e alienados. 
2. Bens que estão fora do comércio: são os que não podem ser transferidos de 
um acervo patrimonial a outro. Espécies: 
 a) insuscetíveis de apropriação (inalienáveis por natureza): são bens de 
uso inexaurível (ex.: ar, luz solar, água do alto-mar, etc.). Se atender a determinadas 
finalidades, pode ser objeto de comércio (captação do ar ou da água do mar para a 
extração de determinados elementos). 
 b) personalíssimos: são os preservados em respeito à dignidade humana 
(ex.: vida, honra, liberdade, nome, órgãos do corpo humano, cuja comercialização é 
expressamente proibida pela lei, etc.). 
c) legalmente inalienáveis: apesar de suscetíveis de apropriação, têm sua 
comercialidade excluída pela lei para atender a interesses econômicos-sociais, defesa 
social e proteção de certas pessoas. Só excepcionalmente podem ser alienados, 
exigindo uma lei específica ou uma decisão judicial (alvará). Alguns exemplos: 
- bens públicos, bens das fundações, terras ocupadas pelos índios, bens de menores, 
terreno onde foi construído edifício de condomínio por andares, enquanto persistir o 
regime condominial, bens de família e bens gravados com cláusula de 
inalienabilidade. 
 
 
BEM DE FAMÍLIA 
No Brasil a regra é que o devedor, para o cumprimento de suas obrigações, responde 
com todos os seus bens, presentes ou futuros. Há duas espécies de bem de família: 
voluntária (Código Civil) e legal (Lei n° 8.009/90). 
 
A) CÓDIGO CIVIL – Forma Voluntária: Nos termos do art. 1.711, CC podem os 
cônjuges (entidade familiar - entidade familiar a união estável entre o homem e a 
mulher, bem como a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes 
(família monoparental) e uniões homoafetivas) ou terceiros (desde que devidamente 
aceito pela entidade familiar beneficiada), mediante escritura pública (registrada) ou 
testamento, destinar parte de seu patrimônio (desde que não ultrapasse um terço do 
patrimônio líquido) para instituir o bem de família. Consistirá em prédio residencial 
urbano ou rural, com suas pertenças e acessórios, destinando-se a domicílio familiar. 
No entanto o próprio dispositivo prevê que pode abranger valores mobiliários, cuja 
renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família. Lógico que só 
pode instituir o bem de família voluntário quem for solvente. 
Não pode existir ônus sobre o imóvel. Consequências: 
a) Impenhorabilidade limitada. Isso porque o bem se torna isento de dívidas 
futuras à instituição, salvo as tributárias referentes ao bem (ex.: IPTU) e despesas de 
condomínio (se for prédio de apartamento), nos termos do art. 1.715, CC. Portanto, 
impostos como o Imposto de Renda, ISS, etc., não autorizam a Fazenda Pública 
solicitar a penhora do bem de família. 
 b) Inalienabilidade relativa. Isso porque uma vez instituído só poderá ser 
alienado com a autorização de todos os interessados, cabendo ao Ministério Público 
intervir quando houver a participação de incapaz (art. 1.717, CC). 
 
A duração da instituição é até que ambos os cônjuges faleçam, sendo que, se 
restarem filhos menores de 18 anos, mesmo falecendo os pais, a instituição perdura 
até que todos os filhos atinjam a maioridade. O prédio entrará em inventário para ser 
partilhado somente quando a cláusula for eliminada. Desta forma, a dissolução da 
sociedade conjugal (separação judicial ou divórcio), por si só, não extingue o bem de 
família. No entanto o art. 1.721, CC faz a ressalva de que dissolvida a sociedade 
conjugal pela morte de um dos cônjuges, o sobrevivente poderá pedir a extinção do 
bem de família, se for o único bem do casal. 
 
Somente haverá a alienação (venda, doação, etc.) do bem de família instituído 
quando houver anuência dos dois consortes e de seus filhos, quando houver. Havendo 
a participação de incapazes o Juiz irá designar um curador especial e irá consultar o 
Ministério Público. A cláusula somente poderá ser levantada por mandado judicial 
(também chamado de mandado de liberação), justificado o motivo relevante. Se foi 
solenemente instituído pela família como domicílio desta, não pode ter outro destino. 
 
Se houver menores impúberes (menores de 16 anos) a situação ainda fica mais 
complicada: a cláusula não poderá ser eliminada, salvo se houver sub-rogação 
(substituição da coisa por outra; transferência das qualidades de uma coisa para 
outra) em outro imóvel para a moradia da família. 
 
B) LEI Nº 8.009/90 – Bem de família Legal: Na realidade não torna a coisa 
propriamente em “bem de família”. Esta coisa fica apenas impenhorável, ou seja, não 
pode recair penhora sobre ele. Aplica-se a famílias que possuem apenas um único 
imóvel para sua residência (este bem, de forma automática,é considerado bem de 
família; decorre da lei). Acarreta somente a impenhorabilidade (e não a 
inalienabilidade, ou seja, o bem não pode ser penhorado por terceiros, mas se o 
proprietário quiser, poderá vendê-lo). A impenhorabilidade compreende, além do 
imóvel em si, as construções, plantações, benfeitorias de qualquer natureza, 
equipamentos de uso profissional, mas também os bens móveis que guarnecem a 
casa. Ressalvam-se os veículos de transporte, obras de arte e adornos suntuosos.Os 
bens de que trata a Lei n° 8.009/90 tem um número maior de exceções, ou seja, de 
hipóteses em que o bem será vendido para pagar a dívida. Assim esses bens 
(apontados na lei especial), não responderão por dívidas civis, mercantis, fiscais 
trabalhistas, etc., salvo se o processo de execução for movido em razão de (art. 3°): 
- crédito de trabalhadores da própria residência (ex.: empregada doméstica, 
cozinheira, “babá”, jardineiro, etc.). 
- execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia. 
- crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do 
imóvel. 
- cobrança de impostos (ex.: IPTU ou ITR) taxas e contribuições devidas em função 
do imóvel. 
- dívidas de condomínio também referente ao próprio imóvel. 
- credor de pensão alimentícia. 
- bem adquirido com produto de crime. 
- obrigação decorrente de fiança nos contratos de locação (se uma pessoa se dispuser 
a ser fiador, neste momento está abrindo mão do chamado bem de família. Mas é 
evidente que esta situação não se aplica àquele bem de família previsto no Código 
Civil, pois neste caso o bem foi registrado e se tornou, além de impenhorável, 
também inalienável). 
 
OBS: 
- O STJ tem admitido, para efeito de bem de família, que a renda proveniente de 
imóvel locado também seja considerada impenhorável. 
- O STJ considerou possível que a impenhorabilidade do bem de família atinja 
simultaneamente dois imóveis do devedor: aquele onde ele mora com sua esposa e 
outro no qual vivem suas filhas menores (e a mãe delas), nascidas de relação 
extraconjugal. 
- No caso da pessoa não ter imóvel próprio (ex.: locação, usufruto), a 
impenhorabilidade recai sobre os bens móveis quitados que guarneçam a residência e 
que sejam da propriedade do locatário (geladeira, fogão, televisão, etc.). Se o casal 
ou entidade familiar for possuidor de vários imóveis, a impenhorabilidade recairá 
sobre o de menor valor (salvo se outro tiver sido registrado). 
 
 
 
Súmulas: 
01. Súmula 364: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange 
também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas (isso porque o 
STJ entende que na realidade a base da proteção do bem de família, apesar do nome, 
não é a família, mas a proteção constitucional da dignidade humana, que se traduz no 
direito à moradia). 
02. Súmula 449: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de 
imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora. 
03. Súmula 332 (nova redação): A fiança prestada sem autorização de um dos 
cônjuges implica a ineficácia total da garantia. 
 
 
BENS GRAVADOS COM CLÁUSULA DE INALIENABILIDADE 
São aqueles que se tornam inalienáveis pela vontade humana, por meio de uma 
cláusula temporária ou vitalícia, nos casos previstos em lei, por ato inter vivos (ex.: 
doação) ou causa mortis (ex.: testamento). A cláusula de inalienabilidade, imposta 
aos bens por ato de liberalidade, implica impenhorabilidade e incomunicabilidade”. 
Atualmente essa cláusula tem valor um pouco mais restrito, pois o testador deve 
apontar expressamente a justa causa para essa sua decisão de tornar o bem 
inalienável. 
 
 
FATOS JURÍDICOS 
 
Uma relação jurídica é formada por três elementos: 
a) Elemento Subjetivo: são as pessoas envolvidas; os sujeitos de direito e suas 
relações. 
b) Elemento Objetivo: é o objeto do direito; o bem jurídico pretendido pelo sujeito 
ativo. Divide-se em objeto imediato, que é a prestação (a obrigação de dar, fazer 
ou não fazer) e objeto mediato (o bem em si: móvel ou imóvel, divisível ou 
indivisível). 
c) Elemento Imaterial: é o vínculo que se estabelece entre os sujeitos e os bens. 
Este é o FATO JURÍDICO. É o fato propulsor idôneo à produção de consequências 
jurídicas. 
 
Para que um acontecimento seja considerado como fato jurídico é necessário que 
esse acontecimento, de alguma forma, cause algum reflexo no âmbito do direito. 
Seja este reflexo lícito ou ilícito. Seguinte classificação: 
 
- Fato Comum: Ação humana ou fato da natureza que não interessa ao Direito. 
- Fato Jurídico (em sentido amplo – lato sensu):Acontecimento natural ou humano 
previstos em norma de direito, em razão dos quais nascem, se modificam, 
subsistem e se extinguem as relações jurídicas. Ex.: um contrato de locação é 
um fato jurídico. 
 
Elementos: ARME (Mnemônico). 
a) AQUISIÇÃO DE DIREITO →É a conjunção (união) dos direitos com seu titular. 
Os direitos podem ser adquiridos de forma: 
 a) Originária: o direito nasce no momento em que o titular se apossa ou se 
apropria de um bem de maneira direta, sem a participação de outra pessoa; não há 
qualquer relação com o titular anterior ou mesmo que tivesse, não há uma 
transmissão pelo seu titular. Ex.: pescar um peixe em alto-mar, usucapir um terreno. 
 b) Derivada: ocorre quando há uma transferência ou transmissão do 
direito de propriedade (sucessão), existindo uma relação jurídica entre o titular 
anterior (sucedido) e o atual (sucessor). Ex.: Venda de carro, herdeiros. 
 c) Gratuita: quando não há uma contraprestação na aquisição; só o adquirente 
aufere vantagem. Ex.: Doação. 
 d) Onerosa: quando há uma contraprestação na aquisição; há benefícios 
recíprocos. Ex.: Compra e venda, locação. 
 
b) RESGUARDO DE DIREITOS (proteção, conservação ou defesa): São atos 
praticados pela pessoa que servem para proteger os seus direitos. Ou seja, o titular 
de um direito deve praticar atos conservatórios preventivos (garantindo seu direito 
contra eventual e futura violação) ou repressivos (são os que visam restaurar 
eventual direito violado). Ex.:arresto (que é a apreensão judicial de coisa litigiosa ou 
de bens para a segurança da dívida); sequestro (que é o depósito judicial da coisa 
litigiosa para garantia do direito); protesto, etc. A defesa pode ser: 
 a) Extrajudicial: são hipóteses de defesa de direitos sem ser necessário 
ingressar em juízo. Exemplo: Garantia, fiança, multas em contrato. 
 b) Judicial: são as ações judiciais para proteção de direitos. Recorre-se à 
autoridade judicial competente para restabelecer um direito já violado ou para 
proteger um direito ameaçado. “A todo direito corresponde uma ação que o 
assegura”. 
 
Ação é o meio que o titular do direito dispõe para obter a atuação do Poder 
Judiciário, no sentido de solucionar litígios relativos a interesses jurídicos. Para propor 
ou contestar uma ação é necessário ter legítimo interesse econômico ou moral. 
 
c) MODIFICAÇAO DE DIREITOS (transformação): Os direitos podem sofrer 
modificações relativas ao seu conteúdo (objeto) ou a seus titulares (pessoas), sem 
que haja alteração em sua substância. 
a) Objetiva: diz respeito ao conteúdo ou objeto da relação jurídica. Pode ser 
qualitativa (credor de saca de feijão aceita arroz) ou quantitativa. 
b) Subjetiva: substituição da titularidade do direito, ou seja, de uma das 
pessoas (sujeito ativo ou passivo) envolvidas na obrigação, podendo ser intervivos 
(contrato) ou causa mortis (testamento). Há direitos que não comportam modificação 
no sujeito por serem personalíssimos (também chamados de intuitu personae). 
 
EXTINÇÃO DE DIREITOS →quando sobrevém uma causa que elimina os seus 
elementos essenciais. Notem que o perecimento deve ser total. Se for parcial, o 
direito persiste sobre o remanescente desta parte. Ex: Perecimento do objeto 
(plantação invadida pelo mar), renúncia, abandono, alienação, falecimentodo titular, 
confusão (credor e vendedor são a mesma pessoa), prescrição e decadência. 
 
Classificação dos Fatos Jurídicos 
 
I- Natural: é o acontecimento natural do qual decorrem efeitos jurídicos, criando, 
modificando ou extinguindo direitos; não há manifestação da vontade humana. 
Divide-se: 
 1. Ordinários: são os que normalmente acontecem (previsíveis), produzindo 
efeitos jurídicos relevantes: nascimento, maioridade, morte (por causas naturais), 
aluvião, avulsão, decurso de tempo (como a prescrição, a decadência, a usucapião). 
2. Extraordinários: são os que ocorrem de forma inesperada (imprevisíveis). 
Exemplos clássicos: “caso fortuito” ou “força maior”. Têm importância ao direito por 
excluírem, como regra, a responsabilidade: destruição de bens móveis e imóveis em 
virtude de uma tempestade. 
 
 
Prescrição 
É a perda da pretensão do titular de um direito subjetivo (é a faculdade que o 
ordenamento reconhece a alguém de exigir de outrem determinado comportamento), 
em virtude de sua inércia durante um prazo determinado previsto em lei, mas o 
direito em si (o direito ao crédito) ainda se mantém intacto (embora sem proteção 
jurídica). O prazo prescricional se inicia no momento em que o direito é violado e 
morre no último dia do prazo prescricional. Havendo violação ao direito e o titular 
deste permanecer inerte, a consequência será a perda da pretensão. Pretensão é a 
expressão utilizada para caracterizar o poder de exigir de outrem, coercitivamente, o 
cumprimento de um dever jurídico. A pretensão é deduzida em juízo por meio de uma 
ação. 
A prescrição tem por objeto direitos subjetivos patrimoniais e disponíveis (como 
exemplo as obrigações), não abrangendo os direitos de personalidade, os 
relacionados ao estado da pessoa e os direitos de família (que são imprescritíveis, 
conforme veremos adiante). 
Se um devedor paga uma dívida prescrita, não pode pedir o ressarcimento. 
 
OBS: ACTIO NATA: Trata-se de um princípio do Direito segundo o qual a prescrição e 
decadência só começam a correr quando o titular do direito violado toma 
conhecimento de fato e da extensão de suas consequências. 
 
Exceção 
O prazo dado para a manifestação do contradireito (que é a exceção ou a defesa) é 
exatamente o mesmo que a lei estipula para que o titular da ação exerça sua 
pretensão. Por isso costuma-se dizer que “a exceção (defesa) nasce com o exercício 
da pretensão”. 
 
Renúncia 
Renúncia é um ato unilateral, produzindo efeitos sem necessidade da manifestação de 
vontade da outra parte. Uma dívida está prescrita. O credor não tem mais como 
cobrar a dívida judicialmente. Mesmo assim o devedor pode renunciar a esta 
prescriçãopagando a dívida. O devedor não pode: 
- renunciar à prescrição antes dela ocorrer, até porque, não se pode renunciar 
algo que ainda não temos ou queainda não existe. 
- não pode haver renúncia à prescrição quando esta for em prejuízo de 
terceiros. Ex.: A deve a B e C determinada quantia (duas dívidas autônomas). Em 
relação a B a dívida está prescrita. Resta então A pagar C. No entanto A renuncia a 
prescrição em relação a B e paga sua dívida em relação a ele. A seguir alega que não 
tem mais dinheiro para pagar C. Ora, a dívida estava prescrita. B não tinha mais 
como cobrar a dívida. E A ao pagar B, renunciou à prescrição, mas prejudicou os 
direitos de C. Portanto esta conduta não é permitida. 
 
A renúncia pode ser classificada em: 
a) Expressa: o prescribente (pessoa a quem a prescrição aproveitaria; o devedor) 
abre mão do direito de forma explícita. Ex.: devedor redige um documento por escrito 
abrindo mão da prescrição; como isso possibilita-se ao credor acionar o devedor 
exigindo o crédito que estaria prescrito. 
b) Tácita: o interessado pratica determinado ato incompatível com a prescrição. O 
exemplo clássico é o próprio pagamento da dívida prescrita. 
 
Alegação 
A prescrição pode ser alegada em qualquer fase do processo, mesmo em grau de 
recurso pela parte a que aproveita. Também no Tribunal (2º instância) a prescrição 
pode ser arguida. A doutrina considera que não pode na fase de liquidação em 
processo de execução, nem em fase de liquidação da sentença, pois a decisão já foi 
tomada e discutida, sendo nesta fase apenas executada. 
 
 
Efeitos Essenciais da Prescrição 
- Um contrato não pode conter cláusula declarando que um direito é imprescritível. 
- Os prazos prescricionais não podem ser alterados pelos particulares, ainda que haja 
um acordo de vontades entre eles. 
- Prescrevendo o principal, prescrevem todos os acessórios. 
- Os relativamente incapazes (art. 4°, CC) e as pessoas jurídicas têm direito a ação 
regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que derem causa à 
prescrição, ou não a alegarem oportunamente. Entende a doutrina que a 
responsabilidade é subjetiva. 
- Suspensa a prescrição em favor de um credor solidário, somente se suspenderá a 
prescrição em favor dos demais se a obrigação for indivisível. (Caso da doação de 
um cavalo a João e José). 
 
Pessoas a quem aproveita 
A morte não interrompe e nem suspende o prazo prescricional, que continua a fluir 
normalmente contra os sucessores. Se o herdeiro for absolutamente incapaz o prazo 
suspende e volta a correr quando for relativamente incapaz. 
 
Declaração de Ofício (ex officio) 
Atualmente o Juiz “deve” reconhecer a prescrição de uma ação, 
independentemente de requerimento da outra parte, em qualquer situação (e não 
somente para favorecer absolutamente incapaz, como anteriormente). 
 
Requisitos para se reconhecer a prescrição 
- Pretensão, inércia, decurso de prazo e ausência de fato suspensivo ou interruptivo 
do prazo prescricional. 
 
Causas impeditivas e suspensivas 
- Causas impeditivas são circunstâncias que impedem que o curso prescricional 
se inicie, em razão do estado de uma pessoa individual oufamiliar. 
- Causas suspensivas são circunstâncias que paralisam temporariamente o 
prazo prescricional que já estava em curso, semprejuízo do tempo já decorrido. 
 
Não corre a prescrição 
- Entre os cônjuges (união estável também) na constância da sociedade conjugal: 
Credor e devedor se casam. 
-Se a dívida não venceu quando casaram, ocorre impedimento. Na teoria, o 
credor poderia cobrar se houvesse separação. 
- Se a dívida venceu, ocorre suspensão, voltando a correr caso se separem. 
- Entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar (18 anos): Após o 
poder pode ser cobrada a dívida. 
- Entre tutelados ou curatelados e seus tutores e curadores, durante a tutela ou 
curatela. É a mesma justificativa em relação ao menor e seuspais. 
- Contra os absolutamente incapazes: 
 a) prescrição contra absolutamente incapazes →não corre. 
b) prescrição contra relativamente incapazes →corre normalmente. 
c) prescrição a favor de incapazes (absoluta ou relativamente) →corre 
normalmente. 
- Contra os ausentes do Brasil em serviço público da União, dos Estados e Municípios. 
- Contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra. 
- Pendendo condição suspensiva: Se não houve a aquisição do direito, ainda não há 
uma ação para proteger o direito. E se não há uma ação que se possa exercitar o 
prazo prescricional não se inicia. 
- Não estando vencido o prazo; 
- Pendendo ação de evicção: suspende-se também a prescrição em andamento. 
Evicção é a perda da propriedade para terceiro em virtude de ato jurídico anterior e 
de sentença judicial. 
- Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal não 
correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva. Se A for condenado 
criminalmente, a partir desta condenação inicia-se o prazo de prescrição para que os 
familiares de B ingressem com eventual ação de reparação de danos pela prática do 
ato ilícito no Juízo Cível. 
 
Causas interruptivas 
São circunstâncias que impedem o fluxo normal do prazoprescricional, inutilizando 
o tempo já decorrido, de modo que o prazo recomeça acorrer a partir da data do 
ato que o interrompeu. Na interrupção, em regra, exige-se um comportamento ativo, 
uma provocação do credor (ex.: a notificação). Já na suspensão exige-se apenas a 
ocorrência de um fato previsto na lei; ocorrido este, o prazo prescricional é suspenso 
de forma automática. A interrupção só pode ocorrer uma vez. 
- Despacho do Juiz, mesmo incompetente, que determinar a citação, se o 
interessado a promover no prazo e na forma da lei processual. O código de processo 
civil diz que seria na citação, e não no despacho. A doutrina vem tentando 
harmonizar os dois dispositivos, prevalecendo a tese de que a interrupção se dá com 
a citação, porém, com efeitos retroativos à data da propositura da ação, desde que 
obedecidos os prazos fixados na lei processual. 
- Protesto judicial (trata-se de uma ação judicial, na verdade uma medida cautelar 
prevista no CPC) ou protesto cambial (ou seja, o protesto extrajudicial de um título 
de crédito como o protesto de um cheque, de uma nota promissória ou de uma 
duplicata). 
- A apresentação do título de crédito em juízo de inventário, ou em concurso de 
devedores. 
- Qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. Ex.: interpelação judicial, 
notificação judicial, ações cautelares de uma forma geral, etc. 
- Qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do 
direito do devedor. Ex.: pagamento de uma parcela dodébito, pedido de prorrogação 
de prazo para pagamento da dívida, etc. (nesta hipótese não há uma atividade do 
credor, mas sim do devedor). 
 
Quem pode promover a interrupção da prescrição 
- o próprio titular do direito em via de prescrição. 
- quem legalmente o represente. 
- terceiro que tenha legítimo interesse (ex.: credores, fiadores ou herdeiros do 
credor). 
 
OBS: Se for obrigação solidária (passiva ou ativa) a interrupção efetuada contra 
um devedor atingirá (prejudicando) os demais; e a interrupção aberta por um dos 
credores atingirá (beneficiando) os demais. 
Se um credor interrompe a prescrição contra o devedor de uma obrigação principal 
(ex.: locação), interrompe-se, também, eventual prazo prescricional contra o devedor 
da obrigação acessória (ex.: fiança). 
 
Prazos Prescricionais 
Temos duas espécies de prazo: 
- Ordinário (ou comum): 10 (dez) anos em ações pessoais (ex: credor e devedor) 
ou reais (ex.: posse, hipoteca, etc.), alusivas ao patrimônio do titular da pretensão. 
- Especial: são prazos mais exíguos (de um a cinco anos), são fixados pela lei, 
que é a única fonte deles em nosso sistema. 
 
Prescrevem em 01 (um) ano 
a) a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no 
próprio estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos; 
b) a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o 
prazo: 
- para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que 
é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou 
da data que a este indeniza, com a anuência do segurador; 
- quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão; 
c) a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais, árbitros e 
peritos, pela percepção de emolumentos, custas e honorários; 
d) a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram para a 
formação do capital de sociedade anônima, contado da publicação da ata da 
assembleia que aprovar o laudo; 
e) a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, 
contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade. 
 
Prescreve em 02 (dois) anos 
- a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se 
vencerem. É interessante deixar claro que o direito aos alimentos é 
imprescritível (a fome reclama urgência!). Odireito não cessa pelo seu não 
exercício. A qualquer tempo, surgindo anecessidade, eles poderão ser 
pleiteados. O que se opera é a prescrição emrelação aos valores dos 
alimentos vencidos, ou seja, as prestaçõesalimentares fixadas judicialmente 
e não pagas e nem exigidas no prazolegal. 
 
Prescrevem em 03 (três) anos 
a) a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; 
b) a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias; 
c) a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, 
pagáveis, em períodos não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela; 
d) a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa; 
e) a pretensão de reparação civil; 
f) a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o 
prazo da data em que foi deliberada a distribuição; 
g) a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do 
estatuto, contado o prazo: 
- para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da 
sociedadeanônima; 
- para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, dobalanço 
referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada, ou da reunião ou 
assembleia geral que dela deva tomar conhecimento; 
- para os liquidantes, da primeira assembleia semestral posterior àviolação; 
h) a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do 
vencimento, ressalvadas as disposições de lei especial; 
i) a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso 
de seguro de responsabilidade civil obrigatório. 
 
Prescreve em 04 (quatro) anos 
- a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas. 
 
Prescrevem em 5 (cinco) anos 
a) a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou 
particular; 
b) a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, 
curadores e professores pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão 
dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou mandato; 
c) a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo. 
 
OBS: Contas de água, luz, telefone, etc.: Doutrina = 5 anos (alínea “a” acima). 
STJ: 10 anos -> Casos ordinários! 
 
Ações Imprescritíveis 
- os direitos que protegem a personalidade, como a vida, a honra, o nome, a 
liberdade, a intimidade, a própria imagem, as obras literárias, artísticas ou científicas, 
etc. 
- o estado da pessoa, como filiação (ex.: investigação de paternidade), condição 
conjugal (separação judicial, divórcio), interdição do incapazes, cidadania, etc. o 
direito de família no que concerne à questão inerente à pensão alimentícia, vida 
conjugal, regime de bens, etc. 
- ações referentes aos bens públicos de qualquer natureza. 
- ação para anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do 
contrato. 
 
OBS: 
- Início da contagem de prazos: exclusão do primeiro dia e inclusão do dia do 
vencimento. Se o dia final cair em um sábado, domingo ou feriado, prorroga-se para 
o primeiro dia útil subsequente. 
- Prescrição intercorrente: É aquela já dentro do processo (após a pretensão ser 
formulada em juízo) por demora da justiça. Não ocorre no nosso direito civil. 
 
 
DECADÊNCIA 
Decadência é a perda do direito potestativo (e não do direito subjetivo, como na 
prescrição), em razão de seu não exercício em um prazo pré-determinado. 
 
Direito Potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de 
outrem, constituindo, modificando ou extinguindo direitos, sem que este possa fazer 
qualquer coisa, senão sujeitar-se a sua vontade. Ex.: aceitarou renunciar à herança. 
Por isso a doutrina costuma usar a seguinteexpressão: direito potestativo é um 
direito de sujeição. Observem quenão há um dever da minha parte. E, não havendo 
dever, não se pode falar emdescumprimento. Consequentemente, não hápretensão.Não há uma relação de crédito e débito (como na prescrição); não 
tem por conteúdo uma contraprestação. 
 
Não se exercendo este direito dentro de determinado prazo, por não haver neste 
direito uma prestação, ela jamais poderá fazê-lo; tem-se a extinção do próprio 
direito. 
Se alguém paga algo em que ocorreu a decadência, pode pedir o dinheiro de volta, 
pois pagou algo que não existe mais, sob o ponto de vista jurídico. Não há mais o 
direito material. 
 
Espécies de decadência 
A) Decadência Legal: Ocorre quando o prazo estiver previsto em lei. As hipóteses 
dedecadência por determinação legal são as previstas expressamente no Código 
Civil e em leis especiais. A decadência resultante de prazo legal não pode ser 
renunciada pelas partes (nem antes e nem depois de consumada), sob pena de 
nulidade absoluta. 
 
B) Decadência Convencional: Ocorre quando sua previsão decorrer de uma 
cláusula pactuada pelas partes em um contrato (autonomia privada). A contrario 
sensu (entendimento doutrinário) do art. 209, CC que proíbe a renúncia da 
decadência fixada em lei, pode-se concluir que é possível a renúncia à decadência 
convencional, tendo-se em vista a autonomia privada. 
 
OBS: 
a) Prescrição: Juiz “deve” reconhecer de ofício (art. 219, §5°, CPC). 
b) Decadência legal: Juiz deve reconhecer de ofício (art. 210, CC). 
c) Decadência convencional: Juiz não pode reconhecer de ofício; somente declara a 
decadência convencional, se provocado pelo interessado; 
d) A parte interessada pode alegar a prescrição e a decadência em qualquer grau de 
jurisdição (arts. 193 e 211, CC). 
 
Efeitos 
- extingue o direito, extinguindo, indiretamente, a ação. 
- o prazo decadencial corre contra todos!! (efeito erga omnes). Salvo a hipótese do 
absolutamente incapaz, a decadência somente pode ser obstada pelo efetivo 
exercício do direito, dentro do lapso de tempo prefixado. 
- os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas também têm direito de ação 
regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que deram causa à 
decadência ou não a alegaram oportunamente. 
 
Prazos 
Os prazos prescricionais estão expressamente discriminados nos artigos 205 e 206, 
CC. Logo, todos os demais prazos estabelecidos pelo Código Civil são 
decadenciais. BIZU: Se for em dias, meses ou ano + dia= decadencial. 
Ex: - 180 dias: é anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de 
interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem 
com aquele tratou; é de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da 
cessação da incapacidade, o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista 
neste artigo. 
 
- 02 anos: para mover ação rescisória (art. 495, CPC); para anular negócio jurídico, 
não havendo prazo, contados da data da conclusão do ato. 
- 03 anos: para o direito de anular a constituição de uma pessoa jurídica de direito 
privado por defeito do ato respectivo (art. 45, parágrafo único,CC); direito de 
anular as decisões da pessoa jurídica com administração coletiva, quando violarem a 
lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude. 
 
- 04 anos: para pleitear anulação de negócio jurídico contado: no caso de coação, do 
dia em que ela cessar; no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou 
lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; no de ato de incapazes, no dia em 
que cessar a incapacidade. 
 
OBS: 
 
Preclusão: é a perda de uma faculdade ou de um direito processual, por não ter sido 
exercido no momento correto. Ex: o Juiz condenou uma das partes e a intimou para 
recorrer da decisão. No entanto o condenado perdeu o prazo para recorrer da 
decisão. Ocorreu a preclusão e ele não pode mais recorrer. 
 
Perempção: é o ato ou efeito de perimir; de extinguir algo. Ex: Processo Penal - 
quando o querelante – que é o autor da ação, o ofendido – deixar de promover o 
andamento do processo durante 30 dias seguidos. 
 
Preempção:preempção, prelação e preferência são expressões sinônimas. Exemplo 
prático: Se eu sou locador (proprietário) de um imóvel e desejo vender este imóvel, 
preciso dar o direito de preferência ao locatário (inquilino) para que ele diga se quer 
ou não comprá-lo. O mesmo pode ocorrer em um condomínio. Três pessoas são 
“donas” de um barco. Um dos coproprietários deseja vendar sua parte. Ele precisa 
dar o direito de preferência aos demais condôminos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
NEGÓCIOS JURÍDICOS 
 
O fato jurídico humano (que depende da vontade) pode ser subdividido em ato 
jurídico (em sentido amplo) e ato ilícito. 
 
1. ATO ILÍCITO (também chamado de fato jurídico involuntário): praticado em 
desacordo com a ordem jurídica. Quando a conduta (consciente e voluntária) do ser 
humano transgride um dever jurídico, acarretando consequências jurídicas alheias 
à vontade do agente (efeitos jurídicos involuntários, impostos pela lei), como a 
reparação do dano. 
 
2. ATO LÍCITO (também chamado de ato jurídico em sentido amplo ou ato jurídico 
voluntário). Praticado em conformidade com a ordem jurídica. Subdivide-se em 
sentido estrito e negócios jurídicos: 
 
Ato Jurídico em Sentido Estrito(ou meramente lícito): 
Há a participação humana, mas os efeitos são os impostos pela lei e não pelas partes 
interessadas. Tem por objetivo a mera realização da vontade do agente, não 
havendo regulamentação da autonomia privada. Ex: Nascimento de um filho. 
A doutrina ainda subdivide em: 
a) Atos materiais (ou reais): simples atuação humana que lhe dá existência 
imediata; não se destinam ao conhecimento de determinada pessoa, não há um 
destinatário. Ex.: fixação e transferência de domicílio, ocupação, abandono de coisas, 
descoberta de tesouro, acessão, etc. 
b) Participações: atos de mera comunicação, sem conteúdo negocial; o 
agente pratica o ato para dar conhecimento a outrem de que tem certo propósito ou 
que ocorreu determinado fato. Ex.: notificações, intimações 
 
 
Negócio Jurídico 
Há a participação humana e os efeitos desta participação são ditados pela própria 
manifestação de vontade; os efeitossão os desejados pelas partes (ex.: contrato, 
testamento, etc.). Há, portanto, autonomia privada, porém não pode haver vícios. 
Ex.: um contrato (de locação, de compra e venda, etc.), um testamento, a adoção, 
etc. 
Pode ser unilateral (testamento). No contrato de adesão existe autonomia 
privada? Alguns autores afirmam que o contrato de adesão é mais fruto da 
“autoridade privada” do que a autonomia privada. Ainda que limitada, existe 
autonomia, mesmo que apenas para assinar ou não o contrato (autonomia mínima). 
 
Classificação: 
A) Quanto ao número de manifestações de vontade 
 1. Unilaterais: o ato se aperfeiçoa com uma única manifestação de 
vontade (uma parte), de uma ou mais pessoas, havendo apenas um polo na relação 
jurídica. Ex.: testamento, renúncia,desistência, promessa de recompensa, confissão 
de dívida, instituição de umafundação, etc. Eles podem ser subdivididos em: 
a) Receptícios (endereçada): quando a declaração é dirigida a 
determinada pessoa, com a finalidade de se levar ao seu conhecimento a 
intenção do declarante para que possa produzir os efeitos desejados. 
b) Não-receptícios (não endereçada): quando a declaração de vontade 
não é dirigida a uma pessoa determinada, sendo que o conhecimento do fato 
por parte da outra pessoa é irrelevante. Ex.: testamento 
 
2. Bilaterais: quando a declaração de vontade emana de duas 
manifestações de vontade, em sentido oposto, mas coincidentes sobre oobjeto 
(consentimento mútuo ou acordo de vontades). Neste caso há doispolos na relação 
jurídica. Ex.: perdão (“A” pode perdoar “B”; mas este perdãosomente surtirá efeitos 
se “B” aceitar o perdão); contratos como a compra evenda (comprador e vendedor), 
ou a locação (locador e locatário), etc. Podemser subdivididos em:a) simples: quando somente uma das partes aufere vantagens, 
enquanto a outra arca com os ônus (ex.: doação). 
b) sinalagmáticos: quando há uma reciprocidade de direitos e 
obrigações para as partes (gera obrigações para ambas), estando elas em 
situação de igualdade (ex.: compra e venda, locação, etc.). 
 
3. Plurilaterais: contratos que envolvem mais de duas partes, onde se 
conjugam vontades paralelas. Ex.: contrato de sociedade com mais de doissócios. 
 
B) Quanto às vantagens patrimoniais (vantagem x sacrifício) 
 1. Gratuito: uma das partes suporta o sacrifício e a outra aufere vantagem 
(doação). 
 2. Oneroso: ambos os contratantes possuem ônus e vantagens recíprocas; há 
uma prestação e uma contraprestação (locação). 
a) comutativos: as prestações de cada um dependem de um 
acontecimento certo e determinado (ex.: locação). 
b) aleatórios: há uma incerteza em relação às vantagens e sacrifícios 
das prestações; depende de um acontecimento incerto, havendo, portanto, uma 
álea ou risco. Ex.: o contrato de seguro. 
 
OBS: negócios bifrontes: são aqueles que a rigor são gratuitos, mas podem se 
tornar onerosos de acordo com a vontade das partes. Ex.: o contrato de mútuo 
(empréstimo de coisa fungível) em regra é gratuito, mas as partes podem combinar 
uma remuneração. Negócios neutros: quando não houver atribuição patrimonial 
específica no negócio jurídico, não podendo ser caracterizado nem como oneroso, 
nem como gratuito (ex.: instituição de bem de família voluntário por meio de 
escritura pública). 
 
C) Quanto ao tempo em que devam produzir efeitos 
1. Inter vivos: destinados a produzir efeitos durante a vida dos interessados. 
Seguro de vida é inter vivos, a morte é apenas um termo. Ex: locação. 
2. Causa mortis: o evento morte é pressuposto de sua eficácia. São sempre 
típicos e nominados (definidos em lei). Ex: Testamento. 
 
D) Quanto a seus efeitos 
1. Constitutivos: sua eficácia opera-se ex nunc. Ex.: contrato de compra e 
venda. 
2. Declarativos (ou declaratórios): sua eficácia é ex tunc. Ex.: divisão de 
condomínio, partilha, reconhecimento de filho, etc. 
 
E) Quanto à subordinação 
1. Principais: não dependem de qualquer outro. Ex: Compra e venda 
2. Acessórios: são aqueles que têm a sua existência subordinada à deum 
contrato principal. Exemplo clássico: fiança, cláusula penal (multa contratual). 
 
F) Quanto às formalidades 
1. Solenes (formais): a lei exige uma forma especial para se aperfeiçoarem 
a) atos ad solemnitatem: quando a forma é exigida como condição de 
validade do ato. Ex: Escr. Púb compra e venda com preço = 30x Sal min 
b) atos probationem tantum: a lei não determina uma forma para ser 
celebrado o ato, mas determina o modo que o ato deve ser provado em juízo, 
se isso for necessário em um processo; a solenidade é tida apenas como prova 
do ato. 
2. Não solenes (forma livre): a lei não exige formalidades para seu 
aperfeiçoamento, podendo ser celebrado por qualquer forma, inclusive verbal. 
 
G) Quanto às pessoas 
1. Impessoais: independe de quem sejam as partes e de eventual qualidade 
especial destas para a prática do ato. Ex.: contrato uma pessoa parapintar um muro 
2. Intuitu personae: o ato se realiza em função das qualidades especiais de 
uma pessoa. Ex.: desejo ser operado por cirurgião de minha confiança; 
 
H) Quanto à causa 
1. Causais: estão vinculados a uma causa. Ex.: o registro da escritura deum 
imóvel está sempre ligado à existência da escritura de compra e venda deste imóvel; 
2. Abstratos: estão desvinculados de qualquer outro negócio. Ex.: compro 
uma casa pagando com um cheque; a emissão deste é desvinculada;se a compra e 
venda for considerada nula, o cheque continuará valendo. 
 
Elementos do Negócio Jurídico 
Alguns elementos do negócio jurídico são chamados de essenciais porque 
constituem elementos de existência e validade. Outros são acidentaispois são 
requisitos de eficácia. 
Dúvida doutrinária: O atual Código Civil adotou a tricotomia existência-validade- 
eficácia? Resposta: Não! Nosso Código nada trata sobre o plano da existência, 
que ficou embutido na da validade. 
 
 
Elementos Essenciais Gerais (comum a todos os negócios) 
São os dizem respeito à existência e validade do negócio jurídico, dando-lhe a 
estrutura e a substância. 
 
1. Partes ou agentes: Capazes. Se Pessoa sabia da incapacidade relativa 
da outra parte →o vício não pode ser alegado em benefício próprio. Pessoa não 
sabia da incapacidade relativa: o vício pode ser alegado:Regra: a anulação não 
aproveita aos demais cointeressados. Exceção: aproveita aos demais se a obrigação 
for indivisível (exemplo do cavalo). 
Os Absolutamente incapazes (art. 3°, CC) devem ser representados →falta de 
representação →Negócio Jurídico Nulo. 
Os Relativamente incapazes (art. 4°, CC) devem ser assistidos →falta de 
assistência →Negócio Jurídico Anulável. 
Se o relativamente incapaz esconder dolosamente sua condição, não poderá alegar 
incapacidade para escapar da obrigação contraída. 
OBS: Representação: relação jurídica pela qual certa pessoa se obriga diretamente 
perante terceiro, através de ato praticado em seu nome por um representante. Pode 
ser legal (a norma confere o poder – pais, tutores), judicial (nomeado por juiz – 
administrador na falência) ou convencional (são aqueles que têm um mandato, 
expresso ou tácito, verbal ou escrito do representado. Ex.: procuração 
outorgada(fornecida) a um advogado para patrocinar um processo judicial. Somente 
nesta espécie de representação é possível o substabelecimento. Substabelecer 
significa transferir a outra pessoa os poderes que o mandatário recebeu do 
mandante). Se o representante concluir um negócio e houver um conflito de 
interesses com o representado, sendo que tal fato era ou devia ser do conhecimento 
de quem com aquele tratou, o negócio também será anulável. 
 
2. Objeto: lícito (não atenta contra a lei, a moral e os bons costumes), possível 
(para tornar nulo o negócio a impossibilidade deve ser absoluta, ou seja, 
impraticável por quem quer que seja), determinado ou determinável (o objeto deve 
ser previamente conhecido e individualizado ou devem existir critérios que permitam 
sua futura individualização. Assim, admite-se a venda de coisa incerta, mas não 
indeterminada). 
OBS: Objeto ilícito, impossível, ou indeterminado →Negócio Jurídico Nulo. 
 
3. Vontade (consentimento): livre e consciente, sem prejudicar terceiros 
(sem vícios). 
 
DEFEITOS 
 
Podem ser grave (quando vicia o ato de forma definitiva) ou leve (quando o ato 
pode serremediado pelo interessado). Podemos dizer que um ato é válido (quanto ao 
consentimento) “quando eu faço exatamente aquilo que eu queria fazer, desejando 
seus efeitos, sem que esta conduta prejudique terceiros”. 
 
1) Ausência de Vontade: negócio inexistente (ou nulo para outra corrente 
doutrinária). 
 
2) Vícios de Consentimento: seexiste uma vontade, porém sem a correspondência 
com aquela que o agente quer exteriorizar, o negócio jurídico será viciado ou 
deturpado, tornando-se anulável, se no prazo decadencial de 04 anos for movida 
ação de anulação. 
 
- Erro ou ignorância: O código não os diferencia, mas a doutrina sim. 
 a) Essencial ou substancial: recai sobre circunstâncias e aspectos 
principais, relevantes do negócio de forma que se eu soubesse do defeito jamais 
teria praticado o ato. Ele é anulável. Existe uma corrente que considera que o erro 
deve ser cognoscível, que pode ser percebido pela outra parte. E uma corrente que 
adota que o erro deve ser escusável (desculpável – exemplo a pessoa que não 
conhece diamantes confundir com zircônio) e real (prejuízo efetivo ao interessado). 
São modalidades do erro essencial: 
 - Sobre a natureza do negócio jurídico: o erro recai sobre a modalidade 
de contrato que foi celebrado. Ex: queria emprestar mas doeio bem. 
 - Sobre o objeto principal da declaração: a manifestação de vontade recai 
sobre objeto diferente do que se tinha em mente. Ex: Comprei um lote achando 
que era em um condomínio, mas trata-se de outro com mesmo nome. O erro não 
prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de 
vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do 
manifestante. 
 - Sobre as qualidades essenciais do objeto principal: pessoa adquire o 
objeto que imaginava; porém engana-se quanto as suas qualidades. Ex: compro 
relógio de outro mas era só banhado. 
 - Quanto à identidade ou qualidade da pessoa a quem se refere a 
declaração da vontade: Contrato um advogado cível e ele na verdade é trabalhista. 
No caso de um contrato em que a prestação pode ser cumprida por qualquer pessoa 
(ex.: pintar um muro), mesmo que o contratante tenha se enganado na designação 
da pessoa, tal fato não será suficiente para a anulação do negócio. Pode ser relativo 
ao casamento e testamento. 
 
 
b) Acidental: é aquele concernente às qualidades secundárias ou acessórias da 
pessoa ou do objeto. Ocorrendo esta espécie de erro, o negócio jurídico não será 
anulado. O ato continua válido, produzindo efeitos, porque o defeito não incide sobre 
a declaração de vontade. Ele decorre do não-emprego da diligência ordinária que 
deve ter um “homem médio”. Ex: Compro uma casa achando que tem 4 janelas, mas 
só tem 3. Existe ainda o erro de cálculo que consiste em uma inexatidão material, 
não causando anulação mas uma retificação. Ex: Compro 10 camisas a R$ 45,00 e 
pago apenas R$ 400,00. 
 
Erro de Fato X Erro de Direito 
O erro de fato é aquele que recai sobre uma circunstância de fato. Pode ser 
essencial ou acidental. Crê-se numa realidade que não é verdadeira. Tudo o que 
falamos acima se refere a ele. Já o erro de direito diz respeito à existência de norma 
jurídica. Consiste na ignorância da lei, no falso conhecimento e também na sua 
interpretação errônea. Como regra ele não admite escusa; não admite desculpas. Não 
pode ser alegado. No entanto admite-se, excepcionalmente o erro de direito (e, por 
consequência, o negócio jurídico pode ser anulado), se o ato não implicar em recusa à 
aplicação da lei e for o motivo único ou principal do negócio jurídico (art. 139, III, 
CC). Isto é, não pode o ato recair sobre a norma cogente (ou seja, impositiva, de 
ordem pública), mas tão-somente sobre normas dispositivas (ou seja, sujeitas ao 
livre acordo das partes). Além disso, deve ser grave a ponto de afetar e viciar a 
manifestação de vontade do agente. 
Ex.: firmar um contrato de locação com base em uma lei, pensando que ela ainda 
está vigorando, no entanto já foi revogada; 
 
Erro X Vício Redibitório 
No vício redibitório não há qualquer erro no momento da celebração do negócio; o 
que há é um defeito no objeto (e não na vontade do adquirente), que não foi 
notado, já que era oculto. Já no erro há um engano por parte do adquirente; é um 
vício de ordem subjetiva, pois foi a vontade que foi viciada pela falsa percepção da 
realidade, não havendo vício no objeto. 
 
Erro acidental in qualitate: Diz respeito às qualidades secundárias ou acessórias da 
pessoa (ex: se é casada ou solteira) ou do objeto (ex: comprei o lote 321, mas recebi 
o 213 por erro de digitação. 
Erro na transmissão de vontade por meios interpostos o negócio é anulável 
quando na transmissão da vontade do declarante verifica-se falha que a faz chegar ao 
seu destinatário com conteúdo diverso daquele emitido. 
 
DOLO (arts. 145 a 150, CC) 
Para a sua caracterização exige-se a vontade de enganar alguém (a doutrina 
chama isso de animus decipiendi). Pode ser: 
- Dolus Bonus (dolo bom): Consiste em reticências, realce e exageros nas boas 
qualidades damercadoria ou dissimulações de defeitos.Não tem a finalidade de 
prejudicar ninguém. Não é anulável, desde que não venha a enganar o consumidor, 
mediantepropaganda abusiva. 
- Dolus Malus (dolo mau): consiste em manobras astuciosas (atos, palavras ou até o 
próprio silêncio) para enganar alguém e lhe causar prejuízo. Vicia o consentimento e 
por isso é anulável (na hipótese de ser essencial) ou obriga a satisfação de perdas e 
danos (na hipótese de ser acidental). 
 - Dolo Essencial →dá causa ao negócio jurídico, sem o qual ele não teria sido 
concluído →Ato Anulável. 
 - Dolo Acidental →realiza o negócio jurídico em condições mais onerosas 
→não afeta a declaração de vontade →Ato válido, mas enseja indenização por 
perdas e danos. 
 
O dolo pode ainda ser: 
Positivo (ou comissivo): resulta de uma ação dolosa; são os artifícios positivos, por 
exemplo, falsas afirmações. 
Negativo (ou omissivo): é a manobra astuciosa que constitui uma omissão 
intencional, induzindo o outro contratante a realizar o negócio. Ex.: seguro de vida 
em que se omite uma doença grave e o segurado vem a falecer dias depois. 
 
OBS: 01) Dolo de Terceiro: “C” instiga “A” a comprar o relógio de “B” assegurando 
que ele é de ouro; porém o relógio é apenas dourado e “C” sabe disso, estando em 
conluio com “B”. Neste caso o terceiro (“C”) e o contratante (“B”) são tidos como 
autores do dolo. O negócio é anulável. No entanto se “B” (contratante favorecido) não 
tinha conhecimento da conduta dolosa por parte do terceiro, não se anula o negócio, 
mas “A” pode reclamar as perdas e danos de “C” (o terceiro causador da situação). 
Resumindo: 
Beneficiado pelo dolo de terceiro sabia ou deveria saber →negócio anulável. 
Beneficiado pelo dolo não sabia e nem tinha como saber →negócio válido, porém o 
terceiro responde pelas perdas e danos da parte que foi ludibriada. 
 
02) Dolo dos Representantes: 
Dolo do representante legal (pais, tutores e curadores) →responsabilidade do 
representado limitada até a importância do proveito que teve com o dolo. 
Dolo do representante convencional (mandatário) →responsabilidade solidária 
entre o representante e o representado, inclusive nas perdas e danos. 
 
03) Dolo recíproco: Ambas as partes agem com dolo. Não haverá a anulação do 
ato, pois ninguém pode se valer da própria torpeza. O ato é considerado válido para 
ambos. 
 
Dolo x Erro: no erro eu errei sozinho; no dolo alguém me enganou, isto é, eu errei, 
mas fui induzido a cometer este erro pela conduta (má-fé) da outra parte. 
Resumindo: o erro é espontâneo; o dolo é provocado intencionalmente. Não se pode 
alegar dolo para se anular um casamento. No entanto, observem que não há uma 
proibição expressa de se reconhecer o dolo no casamento. Isto se extrai por dedução 
lógica. Por tal motivo, é possível na prática que o Juiz reconheça o dolo de um dos 
cônjuges para a realização do casamento. 
 
COAÇÃO 
O que caracteriza a coação é o emprego da violência (física ou psicológica) para viciar 
a vontade. 
 a) Coação Física (vis absoluta): é o constrangimento corporal que retira toda 
capacidade de querer de uma das partes, implicando ausênciatotal de 
consentimento. 
Assim, não havendo a vontade, o negócio não existiria, sendo considerado 
inexistente. Doutrinariamente a coação física não é um vício de consentimento, pois 
sequer houve a vontade. No entanto a questão é polêmica: há autores que sustentam 
a nulidade absoluta. 
 b) Coação Moral ou Psicológica (relativa ou vis compulsiva): atua sobre a 
vontade da vítima, sem retirar-lhe totalmente o consentimento (é vício de 
consentimento), pois ela conserva uma relativa liberdade para optar pela 
realização. Ato anulável. São requisitos para a coação moral: 
- seja a causa determinante do negócio jurídico: Sem coação não haveria. 
- temor justificado: Deve causar fundado receio na vítima. 
- dano iminente: suscetível de atingir a pessoa da vítima, sua família (ou pessoa 
que não seja da família, cabe ao juiz decidir), seus bens, etc. 
- dano considerável e sério: Se a ameaça for indeterminada ou impossível não é 
capaz de anularo ato. 
 
Coação exercida por terceiro: Funciona igual ao dolo de terceiros descrito acima. 
Excluem a Coação: Ameaça do exercício normal de um direito; Temor 
reverencial: o simples receio de desgostar ou magoar os pais ou pessoas de quem 
goste. 
 
ESTADO DE PERIGO 
Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de 
salvar-se, ou a pessoa de suafamília, de grave dano conhecido pela outra 
parte, assume obrigaçãoexcessivamente onerosa. Ex: Pai tem o filho 
sequestrado precisando de 100mil para pagar o resgate e um “amigo” se oferece para 
comprar suas joias que valem 500mil por 100mil, para que ele possa efetuar o 
pagamento do resgate. A doutrina (não há previsão legal) costuma afirmar que 
quando o prestador de serviços está de boa-fé, não pretendendo tirar proveito do 
perigo de dano, o negócio deve ser conservado, mas com a redução de 
eventual excesso contido na obrigação assumida, equilibrando-se as prestações das 
partes. 
Realizado um contrato sob estado de perigo, a sanção é a anulação deste 
contrato. O prazo é decadencial (poisatinge o direito propriamente dito) de 04 
anos. Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento 
suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. 
 
LESÃO 
Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade (contratual, não 
necessariamente financeira), ou por inexperiência (requisito subjetivo), se obriga a 
prestação manifestamente desproporcional (requisito objetivo) ao valor da prestação 
oposta. Segundo a doutrina, para a caracterização da lesão dispensa-se a verificação 
de dolo ou de má-fé da parte que se aproveitou, sendo que também não é relevante 
se a desproporção foi superveniente à formação do negócio. 
Ocorrendo a lesão, a sanção é a anulação do ato. O prazo é decadencial (atinge o 
direito em si) de 04 (quatro) anos. Não se decretará a anulação do negócio se for 
oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução 
do proveito. 
OBS: Nos contratos aleatórios a lesão somente pode ser alegada de forma 
excepcional, quando a vantagem que uma das partes obteve é exagerada em relação 
ao risco normal de um contrato. 
 
Estado de Perigo X Lesão: 
- enquanto no estado de perigo exige-se o dolo de aproveitamento, ou seja, vicia 
a própria oferta, sendo necessário oconhecimento do perigo pela outra parte que se 
aproveita da situação parafirmar a obrigação vantajosa, na lesão esse elemento pode 
até existir, mas elenão é essencial para o reconhecimento do vício, ou seja, não é 
necessário quea necessidade ou a inexperiência seja conhecida da outra parte. 
- A lesão só pode ocorrer em contratos bilaterais enquanto que o estado de perigo 
pode ocorrer em contratos unilaterais também. 
 
 
 
3) Vícios Sociais: há uma correspondência entre a vontade interna do agente e a 
sua manifestação, no entanto, a vontade manifestada não tem a intenção pura e de 
boa-fé que enuncia. Também são passíveis de anulabilidade no prazo decadencial 
de 04 (quatro) anos. Ex: Fraude contra Credores. 
 
FRAUDE CONTRA CREDORES 
Prática maliciosa de atos, pelo devedor insolvente (ou por eles reduzidos à 
insolvência), que desfalcam seu patrimônio, com o fim de colocá-lo a salvo de uma 
execução por dívidas emdetrimento dos direitos creditórios alheios. 
 
Elementos constitutivos 
 - Objetivo (eventus damni): trata-se do prejuízo causado ao credor, que 
deve provar que com a prática do ato o devedor se tornou insolvente ou já praticou 
o ato em estado de insolvência. 
 - Subjetivo (consilium fraudis): trata-se do “conluio fraudulento”, da má-fé, 
da intenção deliberada (animus) de prejudicar, com a consciência de que de seu ato 
advirão prejuízos a uma terceira pessoa. 
 
São suscetíveis de fraude os negócios realizados: 
 - A título gratuito: doação de bens, remissão (perdão) de dívidas, renúncia de 
herança ou usufruto, etc. Basta a prática de um desses atos, colocando o devedor em 
situação de insolvência, para se presumir a fraude. O ato pode ser anulado pelos 
credores quirografários, credor sem garantias especiais que conta apenas com a 
garantia comum a todos os credores: o patrimônio do devedor. Nestes casos não 
énecessária a prova do consilium fraudis (o conluio fraudulento, a má-fé). 
- A título oneroso: se o negócio foi oneroso, saiu um bem do patrimônio do devedor 
(ex.: um imóvel), mas entrou outro bem (o dinheiro). Portanto, em tese, ainda não 
está caracterizada a fraude. No entanto, desde que insolvente ou for notória a 
insolvência ou há presunção (relativa) de que irá dissipar o que recebeu, será 
reputada uma venda fraudulenta se não houver dinheiro suficiente parapagar o 
credor. Assim, se houver sobra patrimonial que permita honrarseus débitos, não 
haverá fraude contra credores. Se o comprador não tinhacomo saber o estado de 
insolvência do vendedor (estava de boa-fé) não seanula o negócio. 
- Pagamento antecipado das dívidas: pagar uma dívida antes de seu vencimento, 
por si só, não configura fraude contra credores. Mas se o devedor insolvente paga 
uma dívida que ainda não venceu, em detrimento de outras que já se venceram, 
frustrando a igualdade entre os credores, há fraude contra credores, sendo que o 
primeiro pagamento deve ser anuladoe o beneficiário é obrigado a repor o que 
recebeu. 
- Concessão fraudulenta de garantias: anula-se a garantia, retornando aquele 
credor favorecido à condição de quirografário. 
 
Ação Pauliana: Os atos eivados de fraude contra credores são anuláveis através 
desta ação específica, proposta pelos credores quirografários ou pelo preexistentes 
contra o devedor insolvente e também contra a pessoa que celebrou negócio jurídico 
com o fraudador (litisconsórcio passivo necessário). A ação revoga o negócio 
realizado. O prazo decadencial para o ajuizamento da ação é de 04 anos a contar 
da celebração do negócio. 
 
Fraude contra Credores X Fraude à Execução 
Ambos possuem como elementos comuns: a fraude na alienação de bens pelo 
devedor, com desfalque em seu patrimônio, colocando-se em situação de insolvência 
e prejudicando o credor. No entanto se diferenciam: 
 
 
OBS: o STJ editou a Súmula 375: “O reconhecimento da fraude à execução depende 
do registro da penhora do bem alienado ou da prova da má-fé do terceiro 
adquirente”. 
A jurisprudência dominante em nossos Tribunais é de que a fraude à execução 
somente se caracteriza quando o devedor é citado para a ação e a partir daí realiza 
os atos fraudatórios. Antes disso seria apenas a fraude contra credores. 
 
Fraude contra credores X Simulação/Dolo: na simulação a alienação é fictícia; na 
fraude contra credores a alienação é real. A fraude se consuma sem a participação do 
lesado no negócio (atinge um terceiro); no dolo a pessoa lesada pelas manobras 
desleais é uma das partes do negócio. 
 
SIMULAÇÃO 
Há um acordo de vontades (conluio) entre os contratantes para dar existência real a 
um negócio jurídico fictício ou para ocultar o negócio realmente realizado, visando 
iludir terceiros e infringir a lei. Exemplo clássico: um homem, casado, possui uma 
amante e deseja doar um apartamento para ela. No entanto a lei não permite tal 
prática (e nem a sua esposa permitiria). Assim ele faz um contrato de compra e 
venda, com escritura e registro, tudo aparentemente perfeito; mas na verdade, ele 
não vendeu o bem, ele fez uma doação. Ele fingiu celebrar uma compra e venda, mas 
na realidade realizouuma doação, posto que não houve uma contraprestação em $.O 
atual Código Civil não trata mais a simulação como defeito referente à 
vontade ou consentimento do negócio jurídico e sim como causa de nulidade 
deste. No entanto parte da doutrina ainda a classifica como vício social. 
 
A doutrina classifica a simulação da seguinte forma: 
1. Absoluta: Não há intenção de realizar negócio jurídico algum. Ex: proprietário de 
uma casa alugadafinge vendê-la a terceiro; sua real intenção com isso é o de facilitar 
o despejo contra seu inquilino. 
2. Relativa: as partes pretendem realizar um negócio; mas este é proibido pela lei 
ou prejudica interesses de terceiros. Assim, para encobri-lo, praticam outro negócio. 
Existem dois negócios, o simulado e o dissimulado (real). Ex: pessoa realiza a venda 
de um imóvel com preço na escritura inferior ao real para pagar menos imposto e 
burlar o Fisco. 
 
 
OBS: mesmo havendo simulação, o negócio real (dissimulado) pode subsistir (não 
será considerado nulo) se for válido na forma e na substância (não ofendeu a lei e 
nem prejudicou interesses de terceiros). 
 
A simulação ainda pode ser classificada em: 
a) Subjetiva (por interposta pessoa ou ad personam): ocorre quando a parte 
contratante não é o indivíduo que tira proveito do negócio. “A” vende um imóvel a 
“B”, para que este transmita o bem posteriormente a “C”, sendo que a intenção, 
desde o início, era transferir o bem para “C”, mas isto, por algum motivo não era 
permitido. 
b) Objetiva (ou simulação de conteúdo): relativa à natureza do negócio pretendido, 
ao objeto ou a um dos elementos contratuais. O ato contém uma declaração, 
confissão ou cláusula não verdadeira. Ex:colocar data diversa em um documento. 
c) Inocente: quando não há a intenção de violar a lei ou de lesar outrem. Ex: 
homem solteiro e sem herdeiros necessários simula uma venda de bem imóvel à sua 
namorada; ora, como não há impedimentos, se ele quisesse simplesmente doar o 
imóvel, poderia tê-lo feito. 
d) Maliciosa: envolve o propósito deliberado de prejudicar terceiros ou de burlar o 
comando legal, viciando o ato que perderá a validade, sendo considerado nulo de 
pleno direito. 
 
Enunciado 152 da III Jornada de Direito Civil do STJ: “Toda simulação, inclusive 
a inocente, é invalidante”. Conclusão: como o Código Civil não faz mais distinção 
entre a simulação inocente e a maliciosa, a saída é aplicar a regra: “nulidade do 
negócio simulado e manutenção do negócio dissimulado, se for válido na forma e na 
substância”. 
OBS: as nulidades da simulação podem ser alegadas por qualquer interessado ou 
pelo 
Ministério Público quando lhe caiba intervir. Se o Juiz conhecer do ato ou de seus 
efeitos e a encontrar provada, deve pronunciar a nulidade, não lhe sendo permitido 
supri-las, mesmo que haja requerimento das partes. A nulidade do ato simulado não 
pode prejudicar terceiros de boa-fé que tenham negociado com um dos contratantes 
simuladores. 
 
Simulação X Reserva Mental 
Na simulação há um consenso entre os simuladores para enganar terceiros. Já na 
reserva mental não há acordo entre as partes para enganar terceiros. Na reserva 
mental, uma das partes, unilateralmente, manifesta uma vontade quando da 
celebração do negócio, mas em seu íntimo a sua intenção é outra, diferente da 
declarada. Ex: Empresto o dinheiro a alguém que sei que não vai me pagar e está em 
dificuldades, mas na verdade eu quero é doar o dinheiro. 
 
 
 
Elementos Essenciais Especiais ou Solenes (aplicáveis a alguns 
negócios) 
 
Forma 
É o meio pelo qual se externa a manifestação de vontade nos negócios jurídicos, 
prescrita ou não defesa (proibida) em lei. Pode ser pública (feita por uma terceira 
pessoa) ou privada (entre as partes somente). “A validade da declaração de 
vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei 
expressamente a exigir”.Se houver desobediência quanto à forma (prescrita ou 
não defesa em lei) = Nulidade Absoluta do Negócio Jurídico. 
 
1. Forma Livre (ou geral): qualquer meio de exteriorização, até gestos, fala ou 
silêncio. 
2. Forma Especial (ou solene): Pode ser única (quando só existe a forma prescrita 
para fazer o negócio) ou plural (quando existe mais de uma forma prescrita). 
3. Forma Contratual: é a pactuada pelas partes; às vezes um contrato pode ser 
realizado por meio de instrumento particular, mas as partes convencionam que ele 
será realizado por instrumento público. 
 
Elementos Naturais 
São os efeitos ou as consequências decorrentes do próprio negócio jurídico. Em um 
contrato de locação há a obrigação do locador de entregar o bem locado. Por outro 
lado o locatário deverá pagar pontualmente os aluguéis. Enfim, cada parte deverá 
cumprir o disposto nas cláusulas do contrato. Em outras palavras, cada contratante 
deve cumprir as obrigações que assumiu. 
 
Elementos Acidentais 
São as cláusulas que se lhe acrescentam com o objetivo de modificar uma ou 
algumas de suas consequências naturais, ou seja, na geração dos efeitos jurídicos 
que lhesejam próprios, sendo elementos facultativos. Dizem respeito, não à 
existência ou validade propriamente dita do negócio jurídico, mas sim à sua eficácia. 
No entanto, uma vez convencionados possuem o mesmo valor dos elementos 
estruturais e essenciais, pois passam a integrá-lo de forma indissociável. São 
autolimitações da vontade, admitidas nos negócios de natureza patrimonial, não 
podendo integrar os de caráter pessoal, como os direitos de família puros e os direitos 
personalíssimos (adoção, reconhecimento de filho, etc.). 
 
A) CONDIÇÃO 
Evento futuro do qual o negócio jurídico dependerá. Só são consideradas condições 
as que foram convencionadas pelas partes e não as impostas pela lei. Fato passado 
não caracteriza condição. A condição afeta a eficácia (produção de efeitos) do 
negócio e não a sua existência (uma vez que a vontade foi legítima). Antes de se 
realizar a condição, o ato é ineficaz. Classificação: 
 
1. QUANTO AO MODO DE ATUAÇÃO 
a) Suspensiva: aquela que suspende (protela, adia) os efeitos do negócio jurídico 
(eficácia) até a realização do evento futuro e incerto. Enquanto não verificada, a 
condição é pendente. O cumprimento é chamado implemento e a não realização é 
chamada condição.Pendente a condição, não há direito adquirido, mas uma 
simples expectativa de direito ou um direito eventual. 
OBS: enquanto não implementada a condição suspensiva o negócio ainda não produz 
direito e obrigações recíprocos. Por isso, se houve algum pagamento em dinheiro e a 
condição não foi implementada, é possível a devolução deste dinheiro. Na pendência 
podem ser feitas novas disposições, que não sejam incompatíveis com a original. 
b) Resolutiva: é a condição que subordina à ineficácia do negócio jurídico a um 
evento futuro e incerto. Ou seja, a ocorrência do evento futuro e incerto resolve 
(extingue) o direito transferido pelo negócio jurídico. Ex: empresto-lhe uma casa para 
você nela residir enquanto for solteiro. Aextinção do direito, como regra, não atinge 
os atos já praticados. 
 
2. QUANTO À PARTICIPAÇÃO DOS SUJEITOS 
a) Casual: se depender do acaso, de fato alheio à vontade das partes, ou seja, de 
um acontecimento fortuito. Ex.: eu lhe darei um anel de brilhantes sechover amanhã. 
b) Potestativa: se decorrer da vontade (ou poder) de uma das partes. Subdivide-se: 
 - Puramente potestativa: são aquelas que sujeitam todo o efeito do negócio 
ao capricho ou puro arbítrio do proponente. São proibidas pelo nosso direito. 
- Meramente (ou simplesmente) potestativa: são aquelas que dependem 
da manifestação de vontade de uma das parte e de um fator externo. Assim, além da 
vontade, exige-se uma atuação especial do sujeito. Ex.: eu lhe darei uma joia se você 
cantar bem (não basta cantar... deve cantar bem...). A condição meramente 
potestativa pode-se tornar promíscua, quando inesperadamente ocorrer algum 
problema (anteriormente inexistente) que a torne inexequível. 
c) Mista: deriva da vontade da parte e de uma terceira pessoa. Dou-lhe o dinheiro 
que você necessita sob a condição de formar sociedade com meu irmão (depende da 
vontade da pessoa e do meu irmão). 
 
3. QUANTO À POSSIBILIDADE 
a) Física e juridicamente possível: é a que pode ser realizada conforme as leis 
físico-naturais e as normas jurídicas. 
b) Física e juridicamente impossível:é a que não se pode efetivar por ser 
contrária à natureza ou à ordem legal. 
OBS: Condição suspensiva impossível (ex.: eu lhe darei um carro se você filtrar 
toda a água do mar) ->invalida (nulidade absoluta) o negóciojurídico, pois como o 
evento nunca vai ocorrer (é impossível filtrar toda a água do mar), o negócio não 
produzirá efeitos. 
Condição resolutiva impossível (ex.: dou-lhe um cavalo; mas se ele correr a uma 
velocidade acima dos 200 km/h a venda estará desfeita) -> considera-se inexistente 
a condição (e não o negócio); como a condição nunca irá se realizar (não há cavalo 
que galope a mais de 200 km/h), o negócio (doação) continuará produzindo efeitos. 
 
4. QUANTO À LICITUDE 
a) Lícita: quando não for contrária à lei, à moral e aos bons costumes. 
b) Ilícita: quando for condenada pela norma jurídica, pela ordem pública, pela moral 
e pelos bons costumes. Nosso direito considera ilícita a condição perplexa, ou seja, 
a que é contraditória em seus próprios termos, deixando o intérprete confuso, 
perplexo e privando o ato de todo efeito (ex.: eu lhe vendo um apartamento, mas 
você não poderá alugá-lo, nem nele morar). 
 
Condições não aceitas pelo direito: de não se casar, exílio, religião, profissão 
(obrigar que se exerça), aceitação/renúncia de herança e reconhecimento de filho ou 
emancipação. 
 
OBS: Se um dos contratantes interferir (dolosamente, intencionalmente) na 
ocorrência do evento, para que ele se realize ou não se realize, a penalidade é a de 
que se considere realizado o fato no sentido oposto daquele pretendido pelo agente 
malicioso. 
 
B) TERMO 
Termo é a cláusula contratual acessória que subordina os efeitos do negócio 
jurídico a um acontecimento futuro e certo. Trata-se do dia emque começa 
e/ou extingue a eficácia do negócio jurídico (a data pode ser 
indeterminada). Fato presente ou passado não caracteriza o termo, ainda que 
ignorado pelas partes. Espécies: 
a) Termo Inicial ou Suspensivo (dies a quo): quando fixa o momento em 
que a eficácia do negócio deve ter início, retardando oexercício do direito (ex.: a 
locação terá início dentro de dois meses). No termo inicial já há o direito adquirido, 
ele suspende o exercício mas não a aquisição do direito. Celebrado o negócio 
as partes têm, desde já, direitos e obrigações recíprocos, mas que ainda não são 
exigíveis. 
Termo inicial impossível: Nulidade. 
 b) Termo Final ou Resolutivo (dies ad quem ou ad diem): é aquele que 
determina a data da cessação dos efeitos do negócio jurídico, extinguindo as 
obrigações dele oriundas (ex.: uma cláusula que diga que a locação sefindará no 
prazo de 30 meses). Com a chegada do termo final não se destrói o negócio; apenas 
lhe retira a eficácia. 
Termo X condição suspensiva: A condição suspensiva trata de evento futuro e 
incerto!! 
c) Data determinada (termo certo): quando estabelece uma data 
determinada do calendário. 
d) Data indeterminada (termo incerto): se se referir a um acontecimento 
futuro, mas com uma data incerta. Ex: Arrendo suas terras após a primeira chuva do 
ano (o evento é certo, com data indeterminada). 
OBS: Termo é diferente de prazo (entre o termo inicial e o termo final). Para 
resolver algumas questões relativas ao prazo, o Código Civil apresenta as seguintes 
regras: 
- vencimento em feriado ou domingo, prorroga-se até o primeiro dia útil subsequente. 
- Meados do mês -> dia 15! 
- Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no 
imediato, se faltar exata correspondência. Ex: 10 de maio – 10 de junho: Se não tiver 
correspondência -> primeiro dia subsequente. 
- Prazo fixado em hora é contado de minuto a minuto. 
- Nos testamentos presumem-se os prazos em favor do herdeiro. Nos contratos, 
presumem-se em favor do devedor (salvo pactuado diferente). 
- Nos negócios jurídicos entre vivos, onde não foi estabelecido um prazo, o mesmo 
pode ser executado desde logo. 
 
A exemplo da condição, também é possível haver uma combinação entre todas as 
espécies de termo. Ex.: o termo pode ser inicial e certo ao mesmo tempo; inicial e 
incerto; final e certo; final e incerto. Alguns atos também não admitem termo, como 
aceitação ou renúncia de herança, adoção, emancipação, reconhecimento de filho, 
etc. Finalmente. Fala-se em termo essencial quando o efeito pretendido deva 
ocorrer em um momento determinado, sob pena de, verificado depois, não ter mais 
valor. Ex.: data para a entrega de um vestido para uma cerimônia (casamento). 
 
C) ENCARGO OU MODO 
É um ônus que se atrela a uma liberalidade. O encargo deve ser sempre menor que o 
benefício concedido. Na realidade é uma limitação trazida a uma liberalidade. Trata-
se, geralmente, de uma obrigação de fazer. Ex.: dou um terreno à municipalidade 
para que neleseja edificado um hospital; dou-lhe dois terrenos desde que em um 
deles sejaconstruída uma escola, etc. Uma característica do encargo é a sua 
obrigatoriedade. Por isso, caso o encargo não seja cumprido, posso exigir o seu 
cumprimento por meio de uma ação judicial específica. Assim, se uma pessoa receber 
o terreno para a construção de uma creche, a propriedade se transmite de imediato, 
pois a construção da creche não suspende a aquisição do direito (a propriedade do 
terreno). 
Se o objeto do encargo for ilícito ou impossível, é tido como não escrito, 
libertando o negócio jurídicode qualquer restrição e ele vale normalmente (como se 
fosse uma doação purae simples). Ex: eu lhe dou uma casa com o encargo de se 
construir uma escada até o céu. Ora, como isso é impossível, vale a doação pura e 
simples, como se não houvesse o encargo. 
Devemos analisar cada caso em concreto se o encargo é o motivo principal ou 
secundário do negócio. Se for principal (razão determinante da liberalidade) ocorre a 
invalidade de todo negócio; se for secundário, mantém a validade do negócio. 
A condição suspensiva impede a aquisição do direito e o encargo não impede a 
aquisição e nem suspende o exercício do direito. Difere da condição resolutiva, 
porque não conduz, por si, à revogação do ato; o instituidor do benefício poderá ou 
não propor a ação revocatória, cuja sentença não terá efeito retroativo. 
 
 
 
 
INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO 
A expressão invalidade (ou ineficácia) é empregada para designar o negócio que não 
produziu os efeitos desejados pelas partes. 
 
A) ATO INEXISTENTE 
Ocorre quando falta algum elemento estrutural ao negócio. Não é necessária a 
declaração da ineficácia por decisão judicial, porque o ato jamais chegou a existir. 
Ex: compra e venda sem preço ou sem designar comprador ou vendedor. 
 
B) NULIDADE 
De uma forma ampla nulidade é a sanção imposta pela lei que determina a 
privação de efeitos jurídicos do ato negocial, praticado em desobediência ao 
que ela prescreve. Para que se possa declarar umnegócio jurídico nulo ou anulável, 
é preciso que ele ao menos tenha entrado(embora com vícios) no mundo jurídico para 
surtir os efeitos manifestados. 
 
 1. NULIDADE ABSOLUTA (ato nulo): o ato não produz qualquer efeito, por 
ofender princípios de ordem pública, não precisa ser anulado, pois já nasce nulo; o 
Juiz somente declara o ato nulo. Podem ser alegadas por qualquer interessado ou 
pelo MP quando couber intervir. O juiz deve declarar de ofício assim que conhecer e 
tiver as provas, mesmo a requerimento das partes. Não é suscetível de confirmação e 
nem convalesce com o decurso do tempo. A declaração de nulidade não prescreve; o 
que prescrevem são os eventuais efeitos patrimoniais decorrentes dessa declaração. 
Possui efeitos ex-tunc e erga omnes. São nulos: 
- praticados por absolutamente incapaz (para o menor de 16 anos, mesmo o decurso 
do tempo não convalesce o contrato). 
- for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto. Ex: venda de viagem a lua. 
- não se revestir da forma prescrita em lei ou solenidade (Ex: testemunhas para o 
testamento).- tiver por objeto fraudar lei imperativa. 
- lei taxativamente o declarar nulo ou lhe negar efeito (ex.: casamento de pai com 
filha adotiva). 
- o negócio jurídico for simulado. 
 
2. NULIDADE RELATIVA (anulabilidade do ato): quando a ofensa não atinge de 
forma direta o interesse social, mas sim o interesse particular de pessoas. 
Enquanto não for declarado como tal pelo Juiz, produz efeitos normalmente. O Juiz 
não pode pronunciar (reconhecer) a anulação de ofício; exige-se uma provocação. 
Neste caso a lei oferece aos interessados as seguintes alternativas: 
a) de requerer a anulação do ato; 
b) confirmar ou sanar o vício (evitando-se o seu desfazimento); 
c) deixar que continue a produzir seus efeitos normalmente, pois o próprio decurso 
de tempo convalidará o negócio. 
- O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro, 
importando a extinção de todas as ações, ou exceções, de que contra ele dispusesse 
o devedor. 
- A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a 
destas não induz a da obrigação principal. 
- Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, será 
validado se este a der posteriormente. 
- Ao ser anulado, tudo volta a ser como antes se achava. O que não puder será 
indenizado. 
- A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, ou seja, só atinge os 
atos após a declaração de anulação. Efeitos ex-nunc e inter partes. 
 
São anuláveis: 
- por incapacidade relativa do agente, sem a devida assistência de seus 
representantes legais. 
- por vício resultante de erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo ou fraude contra 
credores. 
- por falta de legitimação (ex.: venda de imóvel sem outorga do outro cônjuge na 
com. Univ.). 
- se a lei assim o declarar, tendo em vista uma situação particular. Ex: venda de 
ascendente para descendente sem consentimento dos outros descendentes e cônjuge 
do ascendente. 
 
Prazo Decadencial 
É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do 
negócio jurídico. Conta-se esse prazo: 
a) no caso de coação (moral), do dia em que ela cessar; 
b) no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que 
se realizou o negócio jurídico; 
c) no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. 
 
Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer um prazo 
para pleitear-se essa anulação, este prazo será de dois anos, a contar da conclusão 
do ato. 
 
Convalescença do Ato Anulável 
Entende a doutrina que os efeitos da convalescença do negócio são retroativos: 
- Confirmação consiste na renúncia ao direito de alegar a anulabilidade, salvo direito 
de terceiros pode ser tácita (devedor pagar o débito viciado) ou expressa. Implica em 
renúncia a todas eventuais ações judiciais. 
- Convalidação: consiste no advento de requisito faltante à formação do contrato 
anulável. 
- Prescrição ou decadência: houve o transcurso de tempo superior ao previsto em 
lei. 
 
OBS: 01) Um negócio jurídico nulo pode produzir efeitos? Segundo a professora 
Maria Helena Diniz a resposta é afirmativa, pois o negócio pode produzir efeitos 
enquanto não decretada a sua nulidade. 
 
Regras comuns à nulidade e à anulabilidade 
- Se a coisa não puder ser devolvida, o lesado será indenizado com o valor 
equivalente à coisa. 
- A nulidade parcial de um ato não prejudicará a parte válida do negócio, se for 
destacável. 
- A nulidade relativa do instrumento não induz à do ato se este puder ser provado por 
outro meio. Ex: Locação pode ser provada por recibos de pagamento. 
 
CONVERSÃO DO NEGÓCIO NULO 
O negócio não pode prevalecer da forma como pretendida pelas partes; é nulo. Mas 
como seus elementos são idôneos para caracterizar outro negócio, pode ocorrer a 
transformação, desde que não haja uma proibição expressa. Deve ter intenção das 
partes, ou seja, a convicção de que as partes teriam querido este novo contrato (em 
lugar do anterior) se houvessem previsto sua nulidade (elemento subjetivo); 
Ex: uma nota promissória considerada nula (não respeitou requisitos de validade) 
pode ser aproveitada como confissão de dívida; a doação de um bem inalienável pode 
ser considerada como um usufruto, etc. 
 
Obrigações Contraídas por Menores 
- As obrigações contraídas por menores entre 16 e 18 anos são anuláveis se 
contraídas sem assistência de seus representantes (devem atuar pessoalmente). 
- Os menores devem ser assistidos por curadores especiais quando intervierem 
em atos nos quais possa haver um conflito de interesse com seus representantes 
legais. 
Ex: pai e filho menor querem vender imóvel em condomínio. O prazo decadencial 
para pleitear-se a anulação do ato praticado com esta infringência é de 180 dias a 
contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade. 
- Atos ilícitos: entre 16 e 18 anos são considerados maiores (civilmente, não penal). 
- Ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um incapaz, se 
não provar que reverteu em proveito dele a importância paga. 
 
PROVA DO NEGÓCIO JURÍDICO 
- O ônus da prova incumbe a quem alega o fato e não a quem o contesta. 
- Também devem ser considerados verídicos os fatos incontroversos, sobre os quais 
não há debate entre as partes, os dois concordam. 
- Se, para a validade do negócio jurídico a lei exige forma especial, sua prova só 
poderá ser feita pela exibição do documento (ex.: a compra evenda de imóveis só se 
prova pela escritura pública). 
- Se o negócio for de forma livre (não solene), a prova pode ser feita por qualquer 
meio permitido pela ordem jurídica (até mesmo verbal). 
- Requisitos: Admissível, pertinente e concludente. 
 
Meios de prova: 
A) CONFISSÃO: Em regra só pode ser produzida por pessoa capaz e no gozo do 
direito que se discute. Se a confissão for feita pelo representante do incapaz somente 
terá eficácia dentro dos limites em que puder vincular o representado. A confissão 
não valerá se foi feita por um só dos cônjuges quando o fato versar sobre bens 
imóveis. Finalmente: a confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se for oriunda 
de erro de fato ou coação. 
B) DOCUMENTOS (públicos ou particulares): As obrigações convencionais de 
qualquer valor, constantes de instrumentos particulares, e assinados pelas partes, 
fazem prova se assinados por duas testemunhas. Para fazer prova perante terceiros, 
os documentos precisam ser registrados no registro público (Cartório de Títulos e 
Documentos). 
C) TESTEMUNHAS: A prova exclusivamente testemunhal somente será admitida 
em atos negociais cujo valor não ultrapasse o décuplo (dez vezes) do maior salário 
mínimo vigente no País no tempo da celebração e qualquer que seja o valor do 
contrato como complemento de prova documental (art. 227, CC). Nas demais 
hipóteses ela é admitida como forma subsidiária ou complementar da prova por 
escrito. Deve ser pessoa física, estranha ao feito, capacidade jurídica para depor. O 
cego, o mudo, o surdo bem como o enfermo, não são incapazes civilmente, mas o 
serão para testemunhar, caso tais deficiências resultem na impossibilidade de 
percepção sensorial adequada do fato a ser narrado. 
D) PRESUNÇÃO: um devedor estiver de posse do título, há a presunção de que ele 
pagou a dívida. Pode ser absoluta, relativa (filho havido pela mulher casada presume-
se do marido) ou simples (aquelas que não estão previstas na lei, mas na essência do 
ser humano como ideia de coletividade e não como indivíduo). Não confundir 
presunção com indício. Indício (do latim indicium = rastro,sinal) é apenas um meio 
para se chegar à presunção. A reunião de indíciospode dar corpo à presunção. 
E) PERÍCIAS: Exames, vistorias e arbitramento. 
 
 
 
 
 
 
ATO ILÍCITO E RESPONSABILIDADE CIVIL 
 
ATO ILÍCITO 
Ilicitude significa contrariedade a um dever jurídico, consistindo na ofensa a direito 
subjetivoou na infração de preceito legal, que protege interesses alheios, ou ainda no 
abuso de direito. A consequência é a responsabilidade civil. 
O ato ilícito é considerado como um fato jurídico (em sentido amplo). São chamados 
de atos involuntários, pois os efeitos são involuntários. Pode ser de 3 tipos: 
a) Penal: violação de um dever tipificado como crime, pressupondo um prejuízo 
causado à sociedade. A sanção é pessoal (não se transmite a responsabilidade penal 
a terceiros). 
b) Administrativo: violação de um dever que se tem para com a Administração; a 
sanção também é pessoal. 
c) Civil: violação de um dever obrigação contratual ou legal, pressupondo um dano a 
terceiro; a sanção é patrimonial, ou seja, atinge o patrimônio do lesante (como 
regra). 
Em diversas circunstâncias a responsabilidade pode ser transferida aos sucessores e 
também aos responsáveis legais do agente. 
 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL 
- A responsabilidade civil deriva da transgressão de uma norma pré-existente, 
contratual ou legal, impondo ao infrator a obrigação de indenizar, restaurando o 
equilíbrio econômico antes existente. 
- Para a professora Maria Helena Diniz a responsabilidade civil possui dupla função: 
a) sanção civil, de natureza compensatória, mediante a reparação do dano 
causado; 
b) garantia do lesado à segurança. 
- De acordo com o fato gerador temos duas espécies de responsabilidade civil: 
contratual e extracontratual. 
 
1. RESPONSALIBIDADE CIVIL CONTRATUAL: Está situada no âmbito violação de 
norma pré-existente contratual ou negocial; da inexecução de uma obrigação 
decorrente de um contrato, podendo o seu descumprimento gerar perdas e danos. 
A culpa contratual não precisa ser provada, bastando que o devedor esteja em mora 
e que este não decorra de nenhuma das causas excludentes de responsabilidade. 
OBS:violação positiva do contrato: Seria o descumprimento de obrigações 
anexas, não a principal. 
 
2. RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL (ou aquiliana): Violação de 
norma legal preexistente, de normas gerais de conduta. Há a infração de um dever 
geral imposto pela lei, como na hipótese de um “acidente de veículos”. A 
composição do prejuízo é feita por arbitramento, cabendo ao Juiz esta tarefa. Seu 
fundamento jurídico-legal encontra-se nos arts. 186, 187 e 927, CC. Nesta 
hipótese não é necessário constituir o devedor em mora. Ele já está em mora desde 
o momento da prática do ato ilícito. 
 
Consequências 
A consequência da infração ao dever contratual e/ou ao dever legal (extracontratual) 
é a mesma →obrigação de ressarcir o prejuízo causado. A diferença entre elas está no 
ônus da prova. Na responsabilidade contratual há uma presunção (relativa) de 
que a culpa é de quem nãocumpriu a obrigação. Se não houver esta prova, ele 
deverá indenizar. No entanto se a responsabilidade é extracontratual, como 
regra, não existe a presunção de culpa; o lesado (vítima) é quem deve provar a culpa 
do transgressor. 
 
TEORIAS 
 
A) TEORIA DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA (teoria clássica ou da culpa): 
haverá responsabilidade por indenização somente se houver “culpa (dolo ou culpa em 
sentido estrito)” do agente. Esta deverá ser provada para que haja a obrigação de 
indenizar. O elemento subjetivo ou anímico possui as espécies dolo e culpa (sentido 
estrito) 
Haverá indenização toda vez que o agente tenha praticado o ato danoso porque o 
conhecia e o quis (dolo direto) ou assumiu o risco do resultado (dolo eventual). 
Mas também quando o agente, embora não o conhecesse e não o quisesse, tenha 
agido por negligência ou imprudência ou violado norma que podia ou devia conhecer 
e acatar (culpa em sentido estrito). 
 
Classificação da Culpabilidade 
- culpa in eligendo: é a resultante de má escolha de um representante ou do 
preposto para a prática de um ato ou o cumprimento da obrigação. Ex.: patrão 
contrata empregado sem as aptidões técnicas que o trabalho exige. 
- culpa in vigilando: é a que resulta da falta de atenção com o procedimento de 
outra pessoa. Ex.: filho menor que pratica um ato ilícito pela falta devigilância dos 
pais. Também pode recair sobre coisa. Ex.: empresa de taxique permite que os 
veículos saiam com falha nos freios ou pneus “carecas”. 
- culpa in custodiendo: decorre da falta de cuidado em se guardar, custodiar 
determinada coisa ou animal, sob seus cuidados. Ex.: dono deanimais que 
estragaram a plantação do vizinho, pois ele deixou a porteiraaberta. 
- culpa in committendo (ou in faciendo): é a que resulta da prática de uma conduta 
positiva pelo agente (ação ou comissão); é a imprudência de uma forma geral. Ex.: 
dirigir em excesso de velocidade, causando umatropelamento, passar em um sinal 
vermelho, etc. 
- culpa in omittendo: decorre de uma conduta negativa pelo agente (abstenção de 
um ato, omissão). Ex.: empregado que não tranca a porta doestabelecimento ao final 
do expediente; médico que não faz a operaçãocompleta, etc. 
- A doutrina ainda fala em culpa in abstracto, quando se faz uma análise 
comparativa da conduta do agente com a do “homem médio” ou da pessoa normal, 
sendo esta a regra em nosso Direito, devendo-se aferir o comportamento do agente 
pelo padrão admitido e a culpa in concreto quando se limita ao exame da 
imprudência ou negligência do agente. 
 
- No Direito Civil, como regra, responde-se por qualquer espécie de culpa porque se 
tem em vista a extensão do dano (art. 944, CC) e não o grau da culpa. 
 
B) TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA: independe da culpa; esta não é 
discutida. Verifica-se somente a existência de uma conduta, do dano e a relação de 
causalidade entre eles, decorrendo daí a obrigação de indenizar. Os elementos são: 
- Conduta positiva ou negativa (ação ou omissão). 
- Dano patrimonial ou moral. 
- Nexo causal entre a conduta e o dano. 
 
A doutrina menciona as seguintes espécies de modalidades de risco: 
Risco proveito: relacionado ao brocardo “quem colhe os bônus deve suportar os 
ônus”, ou seja, aquela pessoa que tira proveito da atividade perigosa também deve 
suportar os danos dela decorrentes. 
Risco profissional: relacionado às relações de trabalho, viabilizando a 
responsabilidade (objetiva) do empregador pelos danos causados pelo empregado, 
em decorrência da atividade por este desenvolvida. 
Risco excepcional: refere-se às atividades que, por sua natureza, representam um 
elevado grau de perigo, tanto para as pessoas que as desempenham diretamente, 
como para os demais membros da coletividade. 
Risco integral: é o grau mais elevado de responsabilidade objetiva, não atingindo 
nenhum tipo de exclusão, mesmo na ocorrência de caso fortuito ou força maior. Tal 
modalidade é reservada aos danos decorrentes de atividades nucleares. 
 
 
Observação. Vimos acima que a responsabilidade do Estado é objetiva. Porém, 
segundo a doutrina e a jurisprudência, em algumas hipóteses, especialmente quando 
houver omissão do Estado, a sua responsabilidade será na modalidade subjetiva. 
 
Nosso Código adotou, como regra, a Teoria da Responsabilidade Subjetiva! 
Exceções: Quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano 
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Danos ao meio 
ambiente, relações de consumo, etc. 
 
 
ELEMENTOS INDISPENSÁVEIS 
I. CONDUTA HUMANA: É o comportamento positivo (ação, comissão) ou negativo 
(omissão) do agente que recai em um dano ou prejuízo. Para a configuração da 
omissão é necessário que exista o dever jurídico de praticar determinado fato para 
impedir o resultado (a pessoa não podia se omitir), a prova de que a conduta não foi 
praticada (omissão) e a demonstração de que, caso a conduta fosse praticada, o dano 
poderia ter sido evitado. Portanto, para configurar a omissão, na prática, é um pouco 
mais difícil. 
 
II. OCORRÊNCIA DE DANO: O dano (eventus damni) é a lesão a um interesse 
juridicamente tutelado, seja ele patrimonial ou extrapatrimonial(moral). Nem 
todo dano gera responsabilidade. Uma teoria que vem ganhando terreno é a da 
“perda de uma chance”. Isso ocorre quando a conduta retira da vítima a 
possibilidade futura de experimentar uma situação mais favorável. Ex: Maratonista na 
olimpíada que foi agarrado por um expectador, quebrando seu ritmo de corrida, 
ficando em 3º. A doutrina entende que em determinados casos a perda de uma 
chance pode ser indenizável por afastar uma expectativa ou probabilidade favorável 
ao lesado. No entanto, a indenização quando ocorre, é sempre mitigada em face da 
incerteza do evento. 
STJ: mostra-se aplicável a teoria da perda de uma chance aos casos em que o erro 
médico tenha reduzido chances concretas e reais que poderiam ter sido postas à 
disposição da paciente. 
 
São espécies de dano: 
A) DANO PATRIMONIAL (material): 
1) Danos Emergentes (também chamados de danos positivos): efetiva diminuição 
do patrimônio da vítima; são os prejuízos efetivamente suportados; o que a vítima 
realmente perdeu com a conduta do agente. 
 
2) Lucros Cessantes (também chamados de lucros frustrados ou danos negativos): 
aquilo que a vítima razoavelmente deixou de ganhar em razão da conduta do agente. 
 
OBS: “Dano bumerangue”: é uma expressão da doutrina referindo-se a uma 
inversão de posição na relação jurídica desencadeada pelo ato ilícito. Ex.: “A”, 
guiando seu veículo abalroa o veículo de “B”, causando-lhe dano. “B”, ato contínuo, 
em reação, dispara sua arma de fogo contra o veículo de “A” também produzindo 
danos. 
 
B) DANO MORAL (ou extrapatrimonial): Ofende, não o patrimônio da pessoa, mas 
sim seus direitos de personalidade. Em sentido próprio refere-se ao abalo dos 
sentimentos de uma pessoa. Em sentido impróprio ou amplo, abrange a lesão de 
todos e quaisquer bens ou interesses pessoais (exceto econômicos), como a 
liberdade, o nome, a família, a honra, a integridade física, etc. 
 
- Na reparação do dano moral deseja-se um meio para atenuar, ao menos em parte, 
as consequências do dano emocional causados a uma pessoa e de infligir ao causador 
uma sanção e alerta para que não volte a repetir o ato. Finalidade Punitiva e 
preventiva. 
- Segundo a doutrina e a jurisprudência, as pessoas jurídicas possuem honra 
objetiva (aquilo que as outras pessoas pensam sobre ela: bom nome, tradição, 
solidez, conceito na sociedade, etc.), por isso também podem pleitear ressarcimento 
pelo dano moral. 
 
Sistemas de quantificação do dano moral: Não há no Brasil. Existe o tarifado 
(tabelado) e o livre. 
Prazo prescricional da pretensão de indenização por dano moral: 03 anos. 
 
C) DANO ESTÉTICO. Além do dano patrimonial (material) e extrapatrimonial (moral) 
a doutrina ainda se refere ao dano estético, que compromete a aparência 
(imagem física) da pessoa lesada. Para alguns autores, o dano estético é somente 
uma espécie de dano moral. Para outros (corrente majoritária) a CF/88, em seu art. 
5°, V, deixou clara a existência de três espécies de dano: o patrimonial, o moral e 
também o dano à imagem. 
 
OBS: Dano reflexo ou em ricochete. Trata-se do dano que inicialmente atinge 
diretamente uma pessoa. No entanto, por via obliqua, a mesma conduta acaba por 
afetar terceiros. 
É admissível em nosso Direito o chamado dano presumido ou objetivo (dano in re 
ipsa: pela força do próprio ato ofensivo). Neste caso,provada a ofensa, demonstrado 
estará o dano e a obrigação de indenizar; eledecorre da gravidade do ato ilícito em si, 
sendo desnecessária a sua efetivademonstração em juízo. Súmula 403 do STJ: 
“Independe de prova do prejuízoa indenização pela publicação não autorizada da 
imagem da pessoa com finseconômicos ou comerciais". Outros exemplos: ausência de 
notificação paraefeito de inscrição no sistema de proteção ao crédito. 
Entende o STJ que se o devedor já tinha outros registros desabonatórios não terá 
direito a dano moral, pois seria impossível entender que uma nova notificação lhe 
cause dano moral. 
Teoria do Corpo Neutro. Trata-se de uma situação que se aplica em especial em 
acidente de veículos. Digamos que o carro “A” atinge o carro “B” que estava parado e 
este atinge o carro “C”. Há duas teorias. A primeira afirma que o dono do carro “C” 
aciona o dono do carro “B” e este aciona o carro “A”. A outra sustenta que o dono 
carro “A”, por ser o verdadeiro culpado pelo acidente, é o único legitimado a 
responder em sede de responsabilidade civil (esta é a posição do STJ). 
 
 
III. NEXO DE CAUSALIDADE: Trata-se da relação ou vinculação de causa-efeito 
entre a conduta do agente (ação ou omissão) e os danos sofridos. Não há 
responsabilidade civil sem que haja uma relação de causalidade entre o dano e a 
condutailícita do agente. Observem o verbo “causar” empregado no art. 186, CC. 
Se houver dano, mas sua causa não está relacionada com o comportamento do 
agente, inexiste a relação de causalidade, não havendo a obrigação de indenizar. E 
também não haverá esse nexo se o evento se deu por culpaexclusiva da vítima. 
Também é motivo para exclusão do nexo causal se o fato ocorreu por caso fortuito 
ou força maior. 
 
 
RESPONSABILIDADE OBJETIVA NO CÓDIGO CIVIL 
Haverá obrigação de reparar o dano (independentemente de culpa) nos casos 
especificados em lei ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do 
dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. 
OBS: Banco: A jurisprudência é pacífica no sentido de que a responsabilidade pelo 
pagamento dos danos morais e patrimoniais causados a cliente de um banco por 
assalto (roubo) que se desenrolou no interior do próprio banco é da instituição 
financeira. Já nos caixas eletrônicos, alguns doutrinadores acreditam ser a 
responsabilidade da IF e outros do Estado. 
STJ: tem jurisprudência pacífica no sentido de exclusão da responsabilidade civil 
de empresa de transporte coletivo em caso de assalto à mão armada ocorrido no 
interior de ônibus, uma vez que se trata de fato inteiramente estranho à atividade de 
transporte (fortuito externo), sendo que ela também não deixa de ser vítima da falta 
de segurança pública. 
 
OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR 
Se a ofensa tiver mais de um autor todos /responderão solidariamente pela 
reparação. Além disso, no caso de solidariedade, aquele que pagar a indenização terá 
direito de regresso contra os demais codevedores, para reaver o que desembolsou. 
Acrescente se que o dever de reparar o dano é transmissível aos herdeiros. 
 
ABUSO DE DIREITO 
Ampliou-se a noção de ato ilícito, para se considerar como objeto da responsabilidade 
civil também aquele ato praticado com abuso de direito, em que a pessoa, ao 
exercer um direito, excede determinadas limitações legais, lesando outrem. Por isso, 
traz como consequência, o dever de indenizar. Ou seja, o ato era originariamente 
lícito, mas foi exercido fora dos limites impostos pelo seu fim econômico ou social, 
pela boa-fé objetiva ou pelos bons costumes.Tem natureza objetiva. Exemplos da 
doutrina: matar gado alheio que pasta em sua propriedade; requerer busca e 
apreensão sem necessidade. 
Cerca eletrificada: Tem se entendido, inclusive para concursos, que se a “voltagem” 
da cerca é pequena, o direito é legítimo; se há um aviso dizendo que a cerca é 
eletrificada, o direito também é legítimo. Mas se a cerca é disfarçada, sem avisos e 
com voltagem alta, capaz de matar alguém, a conduta é considerada como abuso de 
direito; é um exercício irregular do direito. Portanto é ato ilícito e cabe indenização. 
SPAM também é abuso de direito. 
 
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA 
Na responsabilidade solidária passiva pode o credor, à sua escolha, acionar todos 
ou apenas o devedor que possui melhores condições para honrar o compromisso. Já 
na responsabilidade subsidiária O credor deve inicialmente acionar o devedor para 
o cumprimento da obrigação. Caso este assim não proceda, acionará o terceiro, que é 
o responsávelsubsidiário, o mero garantidor a obrigação. A fiança é o exemplo 
clássico. 
 
RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIROS 
Há casos em que o legislador determinou que pessoa diversa daquele que praticou 
a conduta causadora do evento danoso responda perante o lesado. 
- Responsabilidade direta (ou por ato próprio): ocorre quando o autor do ato que 
causou o dano é a mesma pessoa que irá efetuar o pagamento de sua reparação. 
Responsabilidade indireta uma pessoa é civilmente responsável perante terceiros 
por condutas praticadas por outra. Ex: Menor de 18, os pais respondem. São 
exemplos: 
 
1) Os pais são responsáveis pelos atos praticados pelos filhos menores que 
estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. 
Emancipado -> É civilmente capaz. Contudo, se a decisão de emancipação partiu 
dos próprios pais (emancipação voluntária), estes não se isentam da 
responsabilidade; eles continuam responsáveis pelo menor emancipado. No entanto a 
responsabilidade neste caso será solidária. 
 
2) O tutor e o curador são responsáveis pelos tutelados e curatelados que 
estiverem nas condições anteriores. 
 
3) O empregador ou comitente (pessoa que encarrega outra de praticar algum ato 
sob suas ordens e por sua conta)são responsáveis pelos atos de seus 
empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho ou em razão 
dele. 
 
4) Os donos de hotéis, hospedaria, casas ou estabelecimentos onde se 
albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, são responsáveis pelos 
atos danosos praticados pelos seus hóspedes, moradores e educandos. 
 
OBS: transporte gratuito, (desinteressado ou de mera cortesia: carona), o 
transportador só serácivilmente responsável por danos causados ao transportado 
quando incorrerem dolo ou culpa grave (Súmula 145 do STJ). 
 
É interessante reforçar, deixando bem claro que o direito de regresso deixará de 
existir quando o causador do prejuízo for um descendenteincapaz (absoluta ou 
relativamente). 
 
EXCLUSÃO DE ILICITUDE 
Situações em que uma pessoa pratica uma conduta, lesando terceiros, sem que tenha 
havido ato ilícito, acobertado por uma exclusão de ilicitude. Casos: 
 
1. Legítima Defesa: Trata-se do uso moderado de meios necessários para repelir 
injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Faltando apenas um 
destes elementos, deixa de existir a legítima defesa. Se “B” atira em “A” por legítima 
defesa e acerta “C”, este deverá ser indenizado por “B” que terá o direito de regresso 
contra “A”. 
A legítima defesa putativa (a pessoa pensa que está em legítima defesa, mas na 
realidade não está) também não exclui a obrigação de indenizar. 
 
2. Exercício Regular de um Direito Reconhecido: Se alguém, no uso normal de 
um direito, lesar outrem, não terá qualquer responsabilidade por eventuais danos. 
Exemplo: credor que protesta um título de crédito regular, vencido e não pago, 
prejudicando o crédito do devedor em outros negócios (o protesto é um direito do 
credor). 
 
3. Estado de Necessidade: É a deterioração ou destruição de coisa alheia, ou a 
lesão à pessoa, a fim de remover perigo iminente, não causado pelo agente, quando 
as circunstâncias a tornarem absolutamente necessária e não se exceder os limites do 
indispensável para a remoção do perigo. Quando o prejudicado não é o ofensor pode 
esta pedir indenização ao autor do ato (ainda que esta tenha sido lícito), tendo 
posteriormente direito de regresso contra o ofensor. 
 
 
Excludente de ilicitude X Excludente de causalidade 
As excludentes da ilicitude (também chamadas de excludentes de imputabilidade) 
excluem a imputação ou atribuição de responsabilidade do autor da conduta 
praticada. Já as excludentes de causalidade são hipóteses que excluem a própria 
responsabilidade. São 3 tipos: 
- Culpa exclusiva da vítima: não haverá responsabilidade se o evento ocorreu 
por culpa exclusiva da vítima. Atenção!! Se a culpa da vítima foi concorrente, a 
indenização será reduzida proporcionalmente. Não existe presunção de culpa 
exclusiva da vítima; esta culpa deve ser cabalmente provada. 
 - Caso Fortuito ou Força Maior: estas situações estão ligadas a 
imprevisibilidade e inevitabilidade do evento, além da ausência de culpa pelo 
ocorrido. Exoneração do dever de indenizar. 
 - Ausência de nexo de causalidade: não haverá responsabilidade se não 
houver uma relação de causa e efeito entre o dano e a conduta (ação ou omissão) do 
agente. 
 
EFEITOS CIVIS DA DECISÃO PROFERIDA NO JUÍZO CRIMINAL 
A regra que vigora em nosso direito é o princípio da independência da 
responsabilidade civil em relação à penal. São duas as hipóteses que, decididas no 
juízo criminal, não se discute mais no cível: 
- Existência do fato, isto é, a ocorrência do ilícito e suas consequências (engloba-se 
aqui eventual excludente de criminalidade, como veremos); 
- Autoria da prática da conduta. 
- Provando-se isto no juízo criminal, tais elementos não poderão mais ser discutidos 
no juízo cível. Assim, uma decisão condenatória no juízo criminal torna certa a 
obrigação de reparar o dano. 
- Se negar o fato ou autoria, a decisão penal também não pode ser discutida no cível. 
- A decisão criminal também vincula o juízo cível no caso de sentença criminal 
absolutória, reconhecendo excludente de ilicitude. 
- Em algumas situações não há provas suficientes para uma condenação criminal. 
Quando a sentença não concluiu categoricamente se o fato ocorreu ou não, ou se o 
réu foi ou não o autor do ilícito, o Juiz o absolve por falta de provas. Neste caso a 
matéria pode ser discutida no juízo cível. 
- Durante o processo criminal o réu foi considerado doente mental. Isto pode excluir a 
sua responsabilidade penal. Mas não exclui a responsabilidade para a reparação de 
danos na esfera civil. 
 
TRANSMISSIBILIDADE 
Tanto o direito de exigir a reparação do dano, como o dever de prestá-la são 
transmissíveis aos herdeiros, até o limite das forças da herança. 
 
PRAZO PRESCRICIONAL 
O atual Código estabelece prazo prescricional de 03 (três) anos para a propositura 
da ação de reparação de danos. 
 
RESPONSABILIDADE PELO FATO DO ANIMAL 
O dono de um animal (doméstico ou não) ou o seu detentor será responsável pelos 
danos causados por ele a outras pessoas ou coisas. A responsabilidade é objetiva; 
em regra não se discute a sua culpa no evento. No entanto ficará isento desta 
responsabilidade, se ele provar que: 
- Guardava e vigiava o animal com o cuidado necessário. 
- O animal foi provocado (culpa exclusiva da vítima). 
- Houve imprudência do ofendido (ex.: ingressou no interior da residência, de forma 
indevida, onde estava o animal). 
- O fato resultou de caso fortuito ou força maior. 
 
Observação. O STJ assentou entendimento no sentido de que, em caso de acidente 
de trânsito causado por animal na pista, poderá haver responsabilidade civil subjetiva 
do Estado por omissão. Todavia, se há cobrança de pedágio pela rodovia, a 
responsabilidade civil é objetiva da concessionária, com base no CDC. 
 
RESPONSABILIDADE PELO FATO DA COISA 
A) Ruína de edifício ou construção: O dono do edifício ou construção responde 
pelos danos que resultarem de sua ruína (total ou parcial), se esta provier de falta de 
reparos, cuja necessidade fosse manifesta. A responsabilidade é objetiva, cabendo 
ação regressiva contra o culpado. A jurisprudência estendeu esta responsabilidade a 
qualquer dano advindo de edifícios pela sua falta de manutenção. 
 
B) Objetos lançados ou caídos: Aquele que habitar (proprietário, locatário, 
comodatário, usufrutuário, etc.) uma casa ou parte dela responde pelos danos 
provenientes das coisas que dela caírem ou forem lançadas (sólidas ou líquidas) em 
lugar indevido. Quando não se identificar de qual apartamento o objeto caiu (ou foi 
jogado), todo o condomínio responderá pelos prejuízos causados a terceiros. No 
entanto a jurisprudência exclui a responsabilidadedas unidades habitacionais de onde 
seria impossível o arremesso. 
 
RESPONSABILIDADE POR COBRANÇA DE DÍVIDA NÃO VENCIDA 
O credor que demandar o devedor antes do vencimento da dívida estará agindo de 
má-fé, devendo por isso esperar o tempo que faltava para o vencimento, descontar 
os juros correspondentes e pagar as custas em dobro (art. 939, CC). Se estiver de 
boa-fé pagará tão somente as custas vencidas na ação de cobrança. 
 
RESPONSABILIDADE POR COBRANÇA DE DÍVIDA JÁ PAGA: Aquele que cobrar 
dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir 
mais do que lhe for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o 
dobro do que houver cobrado, e, no segundo caso, o equivalente ao que exigiu. 
 
CARTÃO DE CRÉDITO: Falta de recusa expressa de cartão de crédito enviado por 
administradora não caracteriza aceitação tácita do fornecimento de seus serviços 
Deverá indenizar quaisquer danos sofridos. 
 
 
 
RESPONSABILIDADE DOS PROFISSIONAIS LIBERAIS 
A responsabilidade civil do médico pressupõe a ocorrência de um dano atribuído à 
um profissional da medicina, segundo as regras da responsabilidade civil 
subjetiva. 
O STJ sustenta que o cirurgião plástico estético responde de forma objetiva, 
independentemente de culpa. A obrigação do médico é obrigação de meio (onde o 
profissional busca uma solução para seu cliente, porém sem poder garantir o 
resultado), e não de resultado (atividade de atingir um determinado objetivo), salvo 
na hipótese de cirurgias estéticas. 
O STJ sustenta que a responsabilidade do hospital, por erro médico, também é 
subjetiva, à despeito da exigência do CDC, em que a responsabilidade da relação de 
consumo é objetiva. O STJ completa dizendo que os serviços auxiliares são de 
responsabilidade objetiva, como por exemplo, o raio X, a cama que fecha com o 
paciente, etc. No que tange à infecçãohospitalar, o STJ tem entendido que a 
responsabilidade do hospital, neste caso, é objetiva. 
 
COMPANHIAS AÉREAS 
Extravio de bagagem em viagem aérea: responsabilidade é objetiva 
Overbooking: Segundo o STJ, trata-se de ato ilícito, passível de responsabilização 
civil. 
 
ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS e HOSPITAIS: A responsabilidade é objetiva. 
 
QUESTÕES ESPECIAIS ENVOLVENDO VEÍCULOS 
01) Súmula 492 do Supremo Tribunal Federal: “A empresa locadora de veículos 
responde, civil e solidariamente com o locatário, pelos danos por este causados a 
terceiro, no uso do carro locado”. As empresas respondem solidariamente com os 
locatários, sob o fundamento de que elas exploram atividade de risco. 
02) Súmula 132 do Superior Tribunal de Justiça: “A ausência de registro da 
transferência não implica a responsabilidade do antigo proprietário por dano 
resultante de acidente que envolva o veículo alienado”. 
03) De quem é a responsabilidade civil do veículo emprestado? o STJ, em 
reiteradas decisões (à exemplo do REsp 343.649/MG) sustenta a solidariedade entre 
o dono do carro e o comodatário. 
 
 
RELAÇÕES DE CONSUMO - LEI N° 8.078/90 (CDC) 
O CDC se aplica a todas as relações de consumo. Vejam a diferença: Se uma 
pessoa adquire um bem de um particular, a reclamação rege-se pelo Código Civil. 
Mas se ela adquiriu de um comerciante, rege-se pelo Código de Defesa do 
Consumidor. 
Protege os interesses patrimoniais e morais dos adquirentes de produtos e de 
serviços, mediante a imposição de responsabilidade civil, penal e administrativa para 
os fornecedores, sejam fabricantes, vendedores ou prestadores de serviços. 
Acrescente-se a solidariedade(entre o comerciante e o fabricante – hipóteses). 
Impõe responsabilidade objetiva aos fornecedores. Eles somente não serão 
responsabilizados se provarem (art. 12, §3°): 
a) que não colocaram o produto no mercado; 
b) que, embora hajam colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; 
c) a culpa é exclusiva do consumidor ou de terceiro. 
 
Súmula 297 STJ: “O CDC é aplicável às instituições financeiras”. 
 
Restrições legais ao direito de contratar relações de consumo 
De uma forma resumida, podemos dizer que quanto aos contratos, o 
CDC: 
a) Impôs ao fornecedor o dever de prestar informações do produto, indicando suas 
condições de uso. 
b) Instituiu a boa-fé como base nas relações de consumo, proibindo a publicidade 
enganosa. 
c) Estabeleceu a execução específica da oferta; a resolução em perdas e danos é um 
expediente subsidiário, a critério exclusivo do consumidor. 
 
“Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, 
se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu 
conteúdo...” Esse conhecimento prévio deve ser real e efetivo. Portanto, não basta 
que haja uma cláusula no contrato afirmando que houve conhecimento por parte do 
consumidor. 
 
- Segundo o art. 34 da Lei, o fornecedor do produto ou serviço será 
solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes 
autônomos. 
- As cláusulas contratuais deverão ser interpretadas de modo mais favorável ao 
consumidor. 
- Pelo art. 49, o consumidor poderá desistir do contrato, no prazo de sete dias a 
contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre 
que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do 
estabelecimento comercial, especialmente por telefone, reembolso postal ou em 
domicílio. E se o consumidor exercitar tal direito de arrependimento os valores 
eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão 
devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados, mediante a restituição do 
produto. O frete fica a cargo do fornecedor. 
- O principal direito do consumidor (entre outros estipulados no CDC) é a 
reclamação pelos vícios aparentes, dentro do prazo decadencial dentro de trinta 
dias, se tratar de fornecimento de serviço e de produto não duráveis, ou de noventa 
dias, se duráveis, contado da data da entrega efetiva do produto ou do término da 
execução dos serviços. E, se o vício for oculto, tal prazo computar-se á no instante 
em que o defeito ficar evidenciado. 
 
Defeito X Vício 
- Defeito: compromete a segurança que se espera da utilização de um produto ou 
serviço e que causa dano físico ou patrimonial aos consumidores. 
- Vício:é a anomalia que compromete a qualidade ou quantidade de um produto ou 
serviço, tornando-o impróprio, inadequado ou diminuindo-lhe o valor, mas sem 
potencialidade danosa (não apresenta risco à saúde ou segurança do consumidor). 
 
RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR 
A) Fato do Produto e do Serviço 
Responsabilidade do comerciante nos acidentes de consumo. Ele será responsável 
quando: 
a) o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser 
identificados (ex: compra de cereais de diversos produtores e na posterior 
embalagem em revenda do produto). 
b) o produto final, embalado ou recondicionado, não permitir clara identificação do 
seu fabricante, produtor, construtor ou importador. 
c) não conservar adequadamente os produtos perecíveis. 
 
- Fornecedor de serviços responderá, independentemente da existência de culpa, pela 
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação 
dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre uma 
fruição e riscos. 
- O fornecedor de serviço, só não será responsabilizado (causas excludentes) se 
provar que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste e que houve culpa exclusiva 
do consumidor ou de terceiro. 
 
B) Vício do Produto e do Serviço 
Pelo art. 18, CDC haverá responsabilidade solidária de todos os fornecedores de 
produtos de consumo duráveis ou não duráveis pelos vícios. Desta forma, o 
consumidor poderá reclamar seus direitos contra todos os fornecedores ou contra 
apenas um. 
O dispositivo concede o fornecer a acionar o sistema de garantia do produto e reparar 
o defeito no prazo de 30 (trinta) dias. Seo vício não for sanado neste prazo, 
poderá o consumidor exigir: 
a) A substituição do produto por outro da mesma espécie (modelo e marca), em 
perfeitas condições de uso. É a solução mais conveniente e satisfatória ao consumidor 
quando se tratar de fornecimento de produtos duráveis (ex: eletrodomésticos). 
b) A restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem 
prejuízo de também receber eventuais perdas e danos (neste caso o consumidor deve 
devolver o produto defeituoso para receber o dinheiro de volta); 
c) O abatimento proporcional do preço (o consumidor fica com o produto, mas 
haverá uma redução no preço). 
 
- Tendo o consumidor optado pela troca do bem e não sendo possível a sua 
substituição, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo 
diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preços. 
- Os fornecedores responderão solidariamente pelos vícios de quantidade de 
produto sempre que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu 
conteúdo líquido for inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, 
rotulagem ou de mensagem publicitária. Neste caso, o consumidor exigir, 
alternativamente e à sua escolha: 
a) o abatimento proporcional do preço; 
b) a complementação do peso ou medida; 
c) a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os 
aludidos vícios; ou 
d) a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo 
de eventuais perdas ou danos. 
Se houver opção pela substituição do produto, mas for impossível a troca poderá 
ser entregue outro produto, complementando-se ou restituindo-se a diferença de 
preço se houver. 
 
- Com relação a serviços, pode o consumidor exigir: 
a) a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível, podendo ser 
confiada a terceiros capacitados, por conta e risco do fornecedor (o consumidor pode 
não querer o mesmo prestador); 
b) a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo 
de eventuais perdas e danos; ou 
c) o abatimento proporcional do preço. 
 
 
 
Ônus da Prova 
Teoria da Carga Dinâmica do Ônus da Prova. Por esta teoria, quem deve provar o 
evento não é necessariamente quem alega o fato (muitas vezes a pessoa lesada não 
tem essa condição), mas sim quem tem melhores condições para a realização da 
prova, seja porque sua situação é mais cômoda, seja porque para ela é menos 
onerosa. Assim, o onus probandi é partilhado entre os demandantes. E, em algumas 
hipóteses, há a chamada inversão do ônus da prova. 
 
 
DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 
Obrigação é um vínculo jurídico entre o credor e o devedor! Ou seja, confere-
se ao credor(sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o 
cumprimento de determinada prestação de caráter patrimonial, sendo que no caso 
dedescumprimento poderá o credor satisfazer-se no patrimônio do devedor. 
 
Características: Patrimonialidade, Transitoriedade, Pessoalidade, 
Prestacionalidade 
 
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS 
 
a) Elemento pessoal ou subjetivo: Sujeitos da obrigação. Em cada pólo pode 
haver mais de um deles. Podem ser credores e devedores ao mesmo tempo (compra 
e venda). 
- Sujeito Ativo: Credor -> pode ser qualquer pessoa (até incapaz) 
- Sujeito Passivo: Devedor 
 
b) Elemento material ou objetivo: É o objeto de uma obrigação, a prestação 
imediata, que é sempre uma conduta humana, podendo ser positiva (fazer) ou 
negativa (omissão). O objeto mediato é o bem ou a coisa, propriamente dita. O 
objeto (prestação), para ser válido, deve ser lícito, possível (física e juridicamente), 
determinado ou determinável (não pode haver indeterminação no objeto imediato) e 
economicamente apreciável (patrimonialidade). É admissível a obrigação que tenha 
por objeto um bem não econômico, desde que seja digno de tutela o interesse das 
partes. 
 
c) Elemento imaterial (abstrato) ou vínculo jurídico: o vínculo que liga os 
sujeitos ao objeto da obrigação (vínculo obrigacional). O Brasil adotou a teoria 
dualista ou binária, segundo a qual esse vínculo tem duas relações: a)dever do 
sujeito passivo de satisfazer a prestação em face do devedor; b)autorização dada 
pela lei ao credor que tenha sofrido o inadimplemento deconstranger o patrimônio do 
devedor. 
 
FONTES DAS OBRIGAÇÕES 
Imediata: É a lei. Já as fontes mediatas seriam: 
- Negócio Jurídico Bilateral: duas pessoas criam obrigações entre si. Ex.: os 
contratos de uma forma geral (compra e venda; locação, etc.). É a principal e maior 
fonte de obrigação. 
- Negócio Jurídico Unilateral: apenas uma pessoa se obriga (declaração unilateral 
de vontade). Ex: promessa de recompensa (perdeu-se cachorrinho... recompensa-se 
bem). 
- Atos Ilícitos: quem comete um ato ilícito fica obrigado a reparar eventuais 
prejuízos dele decorrentes. 
 
CLASSIFICAÇÃO GERAL DAS OBRIGAÇÕES 
 
I. QUANTO À NATUREZA DO OBJETO 
 
a) Obrigação positiva de dar: é aquela em que o devedor se compromete a 
entregar alguma coisa (certa ou incerta). Pode ser propriedade ou posse. A 
obrigação de dar confere ao credor somente o direito pessoal e não o direito real. 
Pode ser: 
a.1) Obrigação de dar coisa certa: devedor se obriga a entregar uma coisa certa 
edeterminada, podendo ser móvel ou imóvel. Se a coisa a ser entregue tiver 
acessórios, a obrigação principal abrange também esses acessórios, ainda que não 
mencionados, salvo se as partes estipularam outra coisa. O credor não é obrigado a 
receber outra coisa, ainda que mais valiosa. O devedor deve conservar 
adequadamente a coisa que irá entregar ao credor, e defende-la de terceiros. A 
coisa pode se perder ou deteriorar: 
 Perda: Se ocorrer sem culpa do devedor e antes da tradição (entrega) a 
obrigação resolve-se. Se já recebeu dinheiro, devolve com correção monetária. Caso 
ocorra com culpa do devedor, ele responde pela coisa e por perdas e danos. 
 Deterioração: Sem culpa do devedor, extingue a obrigação com restituição do 
preço mais correção monetária ou abatimento proporcional do preço. Com culpa 
indenização (valor da coisa) mais perdas e danos ou aceita a coisa mais perdas e 
danos. 
 
OBS: Existe também a obrigação de restituir, ficando a coisa em poder do devedor, 
mas mantendo o credor direito de propriedade sobre ela. Ex: Locação. Se a obrigação 
for de restituir coisa certa e esta se perder antes da tradição, sem culpa do 
devedor, o credor (proprietário da coisa) sofrerácom a perda e a obrigação se 
extinguirá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. No entanto, pode ter 
havido culpa do possuidor, não sendo aplicada a regra res perit domino (a coisa 
perece para o dono)e o devedor é obrigado a indenizar o proprietário pela perda, 
acrescida das perdas e danos. 
 
OBS: Cômodos ou melhorias na coisa: são as vantagens produzidas pela coisa. 
Até a tradição (entrega) a coisa pertence ao devedor, com todos os seus 
melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá pedir aumento no preço. 
 
a.2) Obrigação de dar coisa incerta: a coisa não é única, singular e exclusiva, o 
objeto não é individualizado, mas indicado apenas de forma genérica no início da 
obrigação devendo ser determinável pelo gênero e quantidade. A individualização 
se faz pela escolha e cabe, em regra, ao devedor, salvo se for estabelecido de 
modo diverso no contrato. Realizada a escolha acaba a incerteza. A obrigação 
genérica, inicialmente de dar a coisa incerta, se transforma em obrigação de dar a 
coisacerta (havendo a individualização da prestação), aplicando-se todas as regras 
da coisa certa. 
OBS: antes da escolha não pode o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, 
pois como a coisa não é individualizada, ele pode substituir a deteriorada. Após a 
escolha, caso haja deterioração a obrigação se extingue, voltando as partes ao estado 
anterior, devolvendo-se eventual preço pago, sem se exigir perdase danos. 
 
OBS: Princípio da equivalência das prestações (ou critério da qualidade média). 
Estabelece a lei que na falta de disposição contratual a escolha do devedor não pode 
recair sobre a coisa menos valiosa ou de pior qualidade. E nem será ele compelido a 
entregar a coisa mais valiosa ou melhor. A solução é que o objeto deve recair no 
gênero intermediário. 
 
OBS: Se cair alguma questão sobre a possibilidade de pagamento de dívidas em dólar 
ou em ouro, a resposta é que pelo Código Civil não pode, sob pena de nulidade 
absoluta (salvo alguns contratos especiais, como de importação/exportação, 
contratos estes que não estão previstos no Código Civil). 
 
Obrigação Pecuniária: espécie de obrigação de dar que abrange prestação em 
dinheiro, reparação de danos e pagamento de juros em moeda corrente e pelo seu 
valor nominal. Pode-se incluir em algumas convenções, cláusula de atualização da 
prestação, para evitar a desvalorização da moeda. 
 
 
b) Obrigação positiva de fazer: consiste na prestação de uma atividade 
(prestação de um serviço ou execução de uma tarefa) positiva (material ou 
imaterial) e lícita do devedor. Caso ocorra inadimplemento contratual, em primeiro 
lugar precisamos saber se o devedor agiu com culpa. Se não houver culpa (força 
maior ou caso fortuito) resolve-se a obrigação sem indenização. Por outro lado, se o 
próprio devedor criou aimpossibilidade, ele responderá por perdas e danos. A recusa 
voluntária induz culpa do devedor. A obrigação será cumprida dependendo se esta 
obrigação de fazer é fungível ou infungível. 
 - Obrigação de fazer fungível: a prestação pode ser realizada pelo devedor ou 
por uma terceira pessoa, sem prejuízo para o credor; não se exige uma capacidade 
especial para tanto. Se houver recusa, sem prejuízo da cabível ação de indenização 
por perdas e danos, o credor pode mandar executar o serviço à custa do devedor. 
- Obrigação de fazer infungível: não há a possibilidade de substituição da pessoa 
que irá cumprir a obrigação, pois esta, contratualmente falando, é insubstituível. A 
recusa ao cumprimento da obrigação resolve-se, tradicionalmente, em perdas e 
danos, mas atualmente, admite-se a execução específica da obrigação. Isto é, 
pode ser imposta pelo Juiz (e somente peloJuiz), uma multa periódica, chamada de 
astreinte (penalidade imposta ao devedor, mediante ação judicial consistente 
em uma prestaçãoperiódica, que vai sendo acrescida enquanto a obrigação não é 
cumprida,ainda que não haja no contrato a cláusula penal. Atualmente há a 
possibilidade do Juiz fixar astreinte na obrigação de fazer, não fazer e também na 
obrigação de dar coisa certa. Tal regra, segundo a melhor doutrina, não vale para a 
obrigação de dar coisa incerta, para a obrigação de pagar quantia em dinheiro e para 
a obrigação de restituir dívida em dinheiro. Isso por falta de previsão legal. 
 
OBS: O inadimplemento de emitir declaração de vontade no caso de um compromisso 
de compra e venda dá ensejo à propositura de ação de adjudicação compulsória. A 
expressão adjudicação provém do vocábulo latino adjucare, que significa transferir 
algo do patrimônio do devedor para o do credor por meio de uma sentença. A decisão 
judicial supre a vontade da parte inadimplente, tendo o mesmo efeito da declaração 
omitida, satisfazendo-se, assim, a obrigação de fazer. 
 
c) Obrigação negativa de não fazer:aquela pela qual o devedor se compromete a 
não praticar certo ato que até poderia livremente praticar se não houvesse se 
obrigado. É sempre uma obrigação pessoal, devendo ser cumprida pelo próprio 
devedor (personalíssima e indivisível). Se a pessoa praticar o ato que se obrigou a 
não praticar, ela se tornará inadimplente e o credor poderá exigir o desfazimento do 
que foi realizado. Entretanto há casos em que somente resta o caminho da 
indenização. 
Resumindo: descumprimento da obrigação de não fazer 
c.1) Sem culpa (impossibilidade da abstenção do fato sem culpa do devedor: 
alteração de uma lei) →exoneração do devedor. 
c.2) Com culpa (inexecução culposa do devedor) 
c.2.1)se for impossível odesfazimento posterior do ato: reparação do prejuízo 
(perdas e danos); 
c.2.2)se for possível o desfazimento do ato: credor pode exigir o desfazimento 
do ato à custa do devedor, acrescentando-se eventuais perdas e danos 
ousimplesmente exigir as perdas e danos (não há mais interesse na obrigação de não 
fazer). 
 
 
II. QUANTO AOS SEUS ELEMENTOS 
 
a) Obrigações simples (ou singulares). São as que se apresentam com um sujeito 
ativo, um sujeito passivo e um único objeto, destinando-se a produzir um único 
efeito. 
 
b) Obrigações compostas (complexas ou plurais). São as que apresentam uma 
pluralidade de objetos (obrigações cumulativas ou alternativas) ou uma pluralidade 
de sujeitos (obrigações solidárias: ativa ou passiva). Vejamos cada uma delas. 
 b.1) Obrigações cumulativas(ou conjuntivas): São as compostas pela 
multiplicidade de prestações. O devedor deve entregar dois ou mais objetos e só 
se desonera cumprindo todas as prestações integralmente. O credor não é 
obrigado a receber, nem o devedor a pagar por partes, se assim não se ajustou. 
 b.2) Obrigações Alternativas (ou disjuntivas): compreende dois ou mais 
objetos e extingue-se com a prestação de apenas um. O devedor se desonera com o 
cumprimento de qualquer uma delas.Nas obrigações alternativas, a escolha, 
em regra, pertence ao devedor, se o contrário não for estipulado no contrato 
(pode ser do credor, deum terceiro ou até mesmo escolhido por sorteio). Comunicada 
a escolha, nãose pode mais modificar o objeto. O direito de opção transmite-se 
aosherdeiros, quer pertença ao devedor, quer ao credor. A partir daí o devedor 
somente se libera da obrigação prestando a coisa devida, pois o objeto, 
inicialmente plúrimo e indeterminado, se torna individualizado e certo, sendo que o 
credor não pode ser obrigado a receber coisa diversa. Não se aplica o princípio do 
meio termo ou da qualidade média. 
 
Resumindo a responsabilidade nas obrigações alternativas: 
Perecimento de uma das obrigações 
1) Escolha do devedor: havendo ou não culpa do devedor, subsiste o débito quanto 
à outra obrigação. 
2) Escolha do credor: a) não havendo culpa do devedor, subsiste o débito quanto à 
outra obrigação; b) havendo culpa do devedor o credor pode optar pela prestação 
subsistente ou o valor da que pereceu mais perdas e danos. 
Perecimento das duas obrigações 
1) Escolha do devedor: a) não havendo culpa do devedor, extingue-sea obrigação; 
b) havendo culpa do devedor, há indenização pelo valor daque se impossibilitou por 
último, mais perdas e danos. 
2) Escolha do credor: a) não havendo culpa do devedor extingue-se a obrigação; 
b) havendo culpa do devedor há indenização pelo valor de qualquer uma das 
obrigações, mais perdas e danos. 
 
 b.3) Obrigações Facultativas: A obrigação inicialmente é simples (há apenas 
uma prestação), mas há a possibilidade do devedor se exonerar da obrigação 
substituindo a prestação. Exemplo: agência de viagens que oferece determinado 
brinde (ex.: uma camiseta), mas ela mesma se reserva no direito de substituí-lo por 
outro (ex.: um boné). A obrigação facultativa é: alternativa para o devedor e simples 
para o credor (pois este só pode exigir o objeto principal). 
 
 b.4) Obrigações Solidárias: Ocorre quando, em decorrência da mesma 
relação jurídica, há pluralidade de credores ou devedores (ou de ambos), sendo 
que eles têm direitos e/ou obrigações pelo total da dívida. Havendo vários 
devedores cada um responde pela dívida inteira, como se fosse um único devedor. 
O credor pode escolher qualquer um e exigir a dívida toda. Mas se houver vários 
credores, qualquer um deles pode exigir a prestação integral, como se fosseúnico 
credor. 
Existe a unidade de prestação: qualquer que seja o número de devedores e/ou 
credores o débito/crédito é sempre único; alémdisso, o contrato é um só para todos. 
 
A doutrina diferencia a obrigação solidária da obrigação in solidum (neste caso não há 
solidariedade entre os devedores, pois os liames que os unem com o credor são 
independentes). Ex: “A” causa incêndio na fábrica de “B”. “A” pode cobrar de “B” ou 
da seguradora, sendo que o pagamento de um desobriga o outro. A obrigação não é 
comum pois uma é contratual e a outra é extracontratual. 
 
Espécies de obrigações solidárias: 
 
- Solidariedade Ativa: pluralidade de credores, qualquer um dos credores 
pode exigir a prestação por inteiro. Ex.: na conta bancária “e/ou” qualquer 
correntista é credor solidário dos valores depositados e pode exigir do banco a 
entrega de todo o numerário.Qualquer um dos credores poderá ingressar em juízo 
visando à satisfação patrimonial; mas só poderá executar a sentença o próprio 
credor autor, e não outro estranho à lide inicial. Se um dos credores se tornar 
incapaz, este fato não influenciará a solidariedade pactuada. 
Enquanto não for demandado por algum dos credores, o devedor pode escolher um 
dos credores e pagar a dívida a qualquer um deles (art. 268, CC). O pagamento 
total do débito a um dos credores extingueinteiramente a dívida. Ex.: “A”, 
deve a “B”, “C” e “D” (credores solidários). Se “D” acionar “A”, este deverá pagar 
tudo ao primeiro, que receberá o valor em nome de todos os credores. Caso ninguém 
acione “A”, ele pode escolher qualquer um dos credores e efetuar o pagamento 
integral ao mesmo, extinguindo a obrigação. 
Perdão: o credor que tiver remitido (perdoado) a dívida ou recebido o pagamento 
responde aos outros pela parte que lhes caiba. 
O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais. No 
entanto o julgamento favorável aproveita a todos, exceto se baseado em exceção 
pessoal ao credor que o obteve. 
Se um dos credores falecer seu crédito passará a seus herdeiros sem a solidariedade 
(cada um recebe o seu quinhão), salvo se a prestação for indivisível. 
 
- Solidariedade Passiva: aquela em que se obrigam todos os devedores ao 
pagamento total da dívida a um credor. Ex.: o credor pode demandar tanto o devedor 
principal, como o seu avalista, pois ambos são devedores solidários. O credor pode 
escolher qualquer devedor para cumprir a prestação. Ele pode exigir e receber 
de um ou de alguns dos devedores, parcial outotalmente o valor da dívida comum; se 
o pagamento for parcial, mantém-se a solidariedade passiva quanto ao 
remanescente. Propondo a ação contra apenas um dos devedores, o credor não fica 
inibido de acionar também os outros. Morrendo um dos devedores solidários, a 
dívida se transmite aos seus herdeiros, mas cada herdeiro só responde por sua quota 
da dívida, salvo se indivisível a obrigação. O perdão concedido a um dos coobrigados 
extingue a dívida na parte a ele correspondente.Nenhuma cláusula estipulada entre 
um devedor e o credor pode agravar a situação dos demais devedores, sem o 
consentimento deles. 
Impossibilitando-se a prestação: a) sem culpa dos devedores: extingue a 
obrigação; 
b) por culpa de um devedor: a solidariedade continua para todos; todos os devedores 
continuam com a obrigação e responderão pelo equivalente em dinheiro; mas só o 
devedor culpado responderá pelas perdas e danos. 
Todos os devedores respondem pelos juros de mora, ainda que a ação tenha sido 
proposta contra um, mas o culpado responde aos outros pelo acréscimo. 
O devedor demandado pode opor as exceções (formas de defesa) pessoais e 
as comuns a todos. Opor exceção = Compensar crédito -> “B” deve “C” e “C” 
deve “B”. 
Se o credor renunciar à solidariedade em favor de um ou de alguns devedores, só 
poderá acionar os demais abatendo o valor do débito a parte ou àqueles 
correspondentes, entretanto, se um dos coobrigados for insolvente, o rateio da 
obrigação atingirá também o exonerado da solidariedade. 
O devedor que paga toda a dívida tem o direito de regresso, isto é, pode exigir a 
quota dos demais devedores, rateando-se entre todos o quinhão do insolvente, se 
houver; presumem-se iguais as partes de cada devedor; essa presunção admite 
prova em contrário. 
Morrendo um dos codevedores, desaparece a solidariedade em relação a seus 
herdeiros, embora continue a existir quanto aos demais coobrigados. Outra hipótese 
de extinção da solidariedade passiva é a renúncia total pelo credor. 
 
OBS: Se um devedor solidário for demandado sozinho em um processo de 
conhecimento, não poderá se eximir de pagar a dívida que está sendo cobrada. No 
entanto ele poderá trazer os demais devedores a este processo, utilizando-se do 
instituto conhecido como “chamamento ao processo”. 
 
- Solidariedade Mista(ou recíproca): neste caso há uma pluralidade de 
devedores e de credores na mesma obrigação. 
 
OBS: A solidariedade não se presume, resultando da lei ou da vontade das 
partes. 
 
 
III) OUTRAS MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES 
 
a) Obrigações quanto ao Conteúdo 
 1) Obrigações de Resultado: quando só se considera cumprida com a 
obtenção de um resultado preestabelecido, geralmente oferecido pelo próprio 
devedor. Responsabilidade objetiva a não ser que prove fato alheio à vontade do 
devedor. EX: médico cirurgião, contrato de transporte. Segundo o STJ a cirurgia 
plástica puramente estética se encaixa aqui. 
 
 2) Obrigações de Meio: quando o devedor só é obrigado a empenhar-se para 
conseguir o resultado, mesmo que este não seja alcançado. A responsabilidade é 
subjetiva a não ser que o credor prove a falta de diligência. Ex: advogado. Segundo o 
STJ a cirurgia plástica estética reparadora se encaixa aqui. 
 
3) Obrigações de Garantia: são as que visam eliminar um risco que pesa 
sobre o credor ou as suas consequências. Ex: Fiança em contratos de aluguel. 
 
b) Obrigações quanto à Divisibilidade 
1) Obrigações Divisíveis: são as que comportam fracionamento, quer 
quanto à prestação, quer quanto ao próprio objeto sem prejuízo de sua substância ou 
de seu valor. Ex.: devo R$ 12.000,00 a “A”, “B” e “C”. Sendo a obrigação divisível 
presume-se que estou devendo R$ 4.000,00 a cada um dos credores. 
 
2) Obrigações Indivisíveis: prestação só pode ser cumprida por inteiro, ainda 
que o objeto seja divisível. Espécies: a) convencional (ex.: pactuado pelas partes: 
pagamento à vista); b) natureza da obrigação (ex.: entregar um cavalo, um 
touro); c) legal (ex.: dívidas de alimentos). 
Se o objeto vier a perecer por culpa do devedor, a obrigação passa a ser de perdas e 
danos. Neste caso o objeto perde a indivisibilidade e passa a ser divisível, pois o 
objeto primitivo (indivisível) será substituído pelo equivalente em dinheiro, mais 
perdas e danos (que é divisível). Se houver culpa de todos os devedores, responderão 
todos por partes iguais; se a culpa for só de um, somente este responderá pelas 
perdas e danos. 
OBS: As obrigações de dar e fazer podem ser divisíveis ou indivisíveis. Já as de não 
fazer somente podem ser indivisíveis. 
 
Solidariedade X Indivisibilidade 
- A primeira cai sobre pessoas e a outra sobre objetos. 
- Se ocorrer a conversão em dinheiro na obrigação indivisível, esta deixa de existir (a 
obrigação se torna divisível). Se ocorrer a conversão na solidariedade, esta continua a 
existir. 
- A solidariedade cessa com a morte, não se transmitindo aos sucessores; já a 
obrigação indivisível se transmite aos sucessores tal como pactuada. 
 
OUTRAS CLASSIFICAÇÕES 
a) Quanto aos elementos acidentais 
 1) Obrigações Puras e Simples: não sujeitas a elemento acidental. O 
credor pode exigir o cumprimento da prestação de imediato. 
 2) Obrigações Condicionais: são as que contêm cláusula que subordina seu 
efeito a evento futuro e incerto, podendo ser suspensivas ou resolutivas. 
 3) Obrigações a Termo (obrigações à prazo): são aquelas que contêm 
cláusula que subordina seu efeito a evento futuro e certo. Se o devedor cumprir aobrigação de forma antecipada não terá direito de pedir a prestação de volta. 
4) Obrigações Modais: são as oneradas de um encargo, um ônus à pessoa 
contemplada pela relação jurídica (ex.: dou-lhe dois terrenos, mas emum deles deve 
ser construída uma escola). 
 
b) Quanto à autonomia de existência (independência) 
1) Obrigações Principais: são as que independem de qualquer outra para ter 
validade. 
2) Obrigações Acessórias: são as que têm sua existência subordinada a 
outra relação jurídica (ex.: a fiança é uma obrigação acessória em relação ao contrato 
de locação). A extinção, ineficácia, nulidade ou prescrição da obrigação principal 
reflete-se na acessória. 
 
c) Quanto à liquidez: 
 1) Obrigações Líquidas: são aquelas certas quanto à existência e 
determinadas quanto ao objeto. 
2) Obrigações Ilíquidas: são aquelas incertas quanto à sua quantidade; 
dependem de uma apuração prévia, posto que o montante da prestação ainda é 
indeterminado. Para que a obrigação ilíquida seja cobrada, é necessário que antes 
seja tornada líquida (certa e determinada). 
 
d) Quanto ao momento para o cumprimento 
1) Obrigações Instantâneas: são aquelas em que a contraprestação do 
devedor é simultânea à prestação do credor; elas são cumpridas de imediato. Ex: 
Compra e venda. 
2) Obrigações Fracionadas: quando o objeto do pagamento é fracionado em 
prestações. 
3) Obrigações Diferidas: quando a execução é realizada em um único ato, 
porém em momento posterior ao surgimento da obrigação (ex.: compra evenda com 
pagamento à vista, mas a entrega da coisa se dará em 30 dias). 
4) Obrigações de Trato Sucessivo (periódicas ou de execução 
continuada): quando o cumprimento se dá por meio de subvenções periódicas (se 
protrai no tempo), resolvendo-se em intervalos de tempo (regulares ou não). Ex.: 
obrigação do inquilino em pagar aluguel; 
 
Obrigações para a doutrina: 
- Obrigações propter rem (em razão da coisa) ou ob rem (diante da coisa): O 
devedor não se obriga por sua vontade, mas sim por ser proprietário do bem. Os 
exemplos mais comuns emconcurso são os das taxas de condomínio e do 
pagamento doIPTU. Dessa forma, quem adquire uma casa será responsável pelo 
IPTU, ainda que a dívida seja anterior à compra. 
 
- Obrigações Naturais (também chamadas de imperfeitas, incompletas ou 
obrigações morais): são aquelas em que o credor não possui instrumento judicial 
para exigir a prestação do devedor. O pagamento é considerado válido e irretratável, 
sendo que ele não pode pedir de volta (repetir) a quantia que foi paga. Por outro 
lado, havendo um pagamento parcial, isso não transforma a obrigação natural em 
obrigação civil, e nem obriga o pagamento do saldo remanescente. 
 
CLÁUSULA PENAL: É pacto acessório expresso, que impõe uma penalidade pela 
inexecução parcial ou total da obrigação (infração contratual) ou pela mora 
(atraso oudemora) no cumprimento da obrigação. É pactuada em caso de violação 
docontrato, motivo pelo qual é também chamada de multa contratual ou pena 
convencional. O limite da cláusula penal compensatória é o valor da obrigação 
principal 
Pode ser: 
- Compensatória: estipulada para a hipótese de inadimplemento total da 
obrigação. 
- Moratória: estipulada para evitar o retardamento culposo no cumprimento da 
obrigação ou em segurança especial de outra cláusula determinada. 
 
OBS: uma obrigação pode ter até três cláusulas penais diferentes. Uma 
compensatória para o total inadimplemento da obrigação e mais duas moratórias: 
uma para o caso de atraso e outra para o caso de cumprimento de forma diversa da 
combinada. 
 
OBS: Cláusula Penal X Astreinte: A cláusula penal é pactuada pelas partes e o Juiz 
condena o inadimplenteao pagamento da multa observando o art. 412, CC, pois o 
valor não pode aoda obrigação principal. A astreinte (multa cominatória) é imposta 
pelo Juiz enão há um limite de valor fixado para a cominação. 
 
OBS: Havendo mais de um devedor e sendo a obrigação indivisível, incorrendo um 
devedor em falta, todos incorrerão na pena, aquele que não for culpado terá direito 
de ação regressiva contra o que deu causa à aplicação da pena. Havendo mais de um 
devedor e sendo a obrigação divisível, incorrendo apenas um devedor em falta, só 
ele (ou seu herdeiro) responde e incorre na pena de forma proporcional à sua 
obrigação. 
 
DOS EFEITOS DAS OBRIGAÇÕES: em regra, as obrigações se transferem aos 
herdeiros (ou seja, elas se transmitem aos sucessores em caso de morte 
dodevedor), que deverão cumpri-las até o limite das forças da herança, salvo 
quando se tratar de obrigação personalíssima, isto é, contraída ematenção às 
qualidades especiais do devedor (ex.: obrigação de um pintorfamoso que faleceu sem 
realizar a obra: por ser uma obrigaçãopersonalíssima, não se transmite aos seus 
herdeiros). 
 
 
EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES 
Uma de suas características essenciais é ser temporária. 
 
I. PAGAMENTO DIRETO 
Pagamento é o cumprimento espontâneo da prestação, sendo modo de extinção 
natural de uma obrigação. 
 
OBS: Adimplemento substancial: Ocorre quando o devedor quita parte substancial 
da obrigação. O adimplemento substancial do contrato pelo devedor não autoriza 
ao credor a propositura de ação para a extinção do contrato, salvo se demonstrada a 
perda do interesse na continuidade da execução, que não é o caso. No entanto, não 
se perde o direito de obter o restante do crédito, inclusive eventuais indenizações, 
podendo ajuizar ação de cobrança para tanto. 
 
Requisitos Essenciais para o Pagamento: existência de um vínculo 
obrigacional, animus solvendi (intenção de solver, de pagar), cumprimento 
exato do que é devido, partes. 
 
A) ELEMENTOS SUBJETIVOS DO PAGAMENTO: solvens e accipiens. 
 
1) QUEM DEVE PAGAR (“solvens”): Geralmente o devedor, mas pode também 
os representantes legais, tutores, curadores, mandatários, advogado e outras 
pessoas abaixo: 
 - Qualquer pessoa interessada na extinção da dívida: qualquer pessoa 
que eventualmente possa ser responsabilizada pelo débito. O exemplo clássico é o 
do fiador. Pagando, o fiador se sub-roga nos direitos do credor, sendo-lhe 
transferidos todos os direitos, ações e garantias docredor anterior. O credor não pode 
serecusar em receber o pagamento; havendo recusa, cabe ação deconsignação em 
pagamento. 
 -Terceiro não interessado: Juridicamente não está obrigado. Ex: Pai 
paga dívida do filho. Se age em seu próprio nome, tem direito ao reembolso do que 
pagou mas não se sub-roga nos direitos do credor. Nem credor nem devedor podem 
recusar-se a esse pagamento. Se o terceiro age em nome e por conta do devedor, 
tem direito ao reembolso do que foi pago, exceto se for doação (deve estar expresso 
no documento). No entanto, não haverá reembolso ao terceiro (seja interessado ou 
não) se o devedor tinha meios de ilidir (evitar) a cobrança, por exemplo prescrição, 
compensação etc. 
 
 2) A QUEM SE DEVE PAGAR (“accipiens”): Em regra é o credor. O credor 
não é obrigado a aceitar pagamento parcial. O pagamento deve ser feito ao credor, 
seus representantes ou sucessores dele. Fora daí, o pagamento só vale se o credor 
ratificar (confirmar) o recebimento ou se este, comprovadamente, reverter em seu 
proveito (art. 308, CC). O pagamento também não valerá se: a) o devedor efetua o 
pagamento a credor incapaz de quitar (ex.: absolutamente incapaz); b) o credor 
estiver impedido legalmente de receber (ex.: crédito penhorado). Se o pagamento for 
feito a pessoa errada, o devedor deve pagar novamente, salvo se provar que a culpa 
foi do credor. 
OBS: No entanto, há uma exceção a esta regra: o pagamento feito de boa-fé ao 
credor putativo (onde há uma suposição de legitimidade) é válido, ainda que 
provado depois que ele não era credor verdadeiro. 
 
 
 
B) ELEMENTOS OBJETIVOS: objeto e prova do pagamento: O objeto do 
pagamento é a prestação. São nulas asconvenções de pagamento em ouro ou em 
moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da 
moeda nacional, excetuados os casos previstos na legislação especial (ex.: contratos 
referentes a importação e exportação de mercadorias). 
Prova do Pagamento: O devedor que paga tem direito à quitação, fornecida pelo 
credor. Se o credor se recusar em fornecer a quitação o devedor pode reter o 
pagamento até que a mesma seja fornecida e até exigi-la judicialmente. Se o credor 
promover a cobrança judicial da dívida, cabe ao devedor o ônus de demonstrar que o 
pagamento foi realizado. A quitação pode ser dada por instrumento particular 
tendo o documento elementos essenciais, porém ainda que eles faltem, valerá a 
quitação se houver prova de que o valor foi revertido para o credor. A quitação 
não é prova exclusiva do pagamento. Ou seja, este pode ser demonstrado por outras 
provas como testemunhais (contratos de até 10 salários mínimos), confissões, 
presunções, etc. Com a quitação da última prestação, presume-se o pagamento das 
demais, mas é uma presunção relativa, que admite prova em contrário. 
OBS: Aquele que demandar por dívida já prescrita (no todo ou em parte), sem 
ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a 
pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no segundo, o 
equivalente do que dele exigir. 
 
C) LUGAR DO PAGAMENTO 
Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes 
convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da 
obrigação ou das circunstâncias. Se forem designados dois ou mais lugares para o 
pagamento é o credor quem escolherá em qual deles a prestação será realizada. 
Ocorrendo motivo grave para que não se efetue o pagamento no lugar pactuado, o 
devedor poderá fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor. O pagamento 
reiteradamente feito em outro local faz presumir que o credor renunciou ao previsto 
no contrato. 
Sobre o local do pagamento existem duas situações: 
- QUÉRABLE (quesível): quando o pagamento se faz no domicílio do devedor. 
- PORTABLE (portável): quando se estipula expressamente no contrato que o local 
do cumprimento da obrigação é o domicílio do credor. 
 
D) TEMPO DO PAGAMENTO 
O momento em que se pode reclamar a dívida chama-se vencimento. Salvo 
disposição em contrário, não se ajustando uma data determinada para o 
pagamento, o credor pode exigir seu cumprimento imediatamente. 
O credor não pode exigir o pagamento antes do vencimento. No entanto, admite-se 
a cobrança antecipada da dívida em situações excepcionais: 
- Abertura de concurso creditório, ou seja, uma ação de execução contra o devedor 
(insolvência civil), ou quando ele falir, etc. 
- Se os bens dados em garantia real forem penhorados em uma ação de execução 
por outro credor. 
- Se cessarem ou tornarem-se insuficientes as garantias reais ou fidejussórias e o 
devedor se negue a reforçá-las. Esclarecendo: garantiareal é o penhor, a hipoteca e 
a anticrese; garantia fidejussória é o mesmo que garantia pessoal, ou seja, a 
fiança e o aval. 
 
MORA 
Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não o 
quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. 
 
- Inadimplemento absoluto →a obrigação foi descumprida e se tornou inútil ao 
credor. 
- Inadimplemento relativo (mora) →a obrigação não foi cumprida no tempo, lugar 
ou forma convencionados, mas ainda pode ser útil ao credor. 
 
1) Mora do Devedor(mora solvendi ou debitoris): Ocorre quando o devedor, por sua 
culpa, não cumpre a prestação devida na forma, tempo e lugar estipulados. Credor 
pode exigir juros moratórios, a correção monetária, a cláusula penal ou multa 
contratual (se houver previsão expressa) e a reparação de qualquer outro dano ou 
prejuízo que porventura tenha sofrido. A mora do devedor pode ser dividida em: 
 1.1) Mora ex re: decorre de fato previsto em lei ou em contrato, implicando o 
devedor em mora automática, sem qualquer outra providência do credor. 
 1.2) Mora ex persona (ou pendente): quando não houver estipulação de uma 
data certa para a execução da obrigação, a mora depende de uma providência do 
credor (ex.: interpelação judicial ou extrajudicial notificação, etc.) 
 
2) Mora do Credor (mora accipiendi ou creditoris): ocorre quando o credor se 
recusa aceitar o adimplemento (cumprimento) da obrigação no tempo, lugar e forma 
devidos, sem ter um motivo justo para assim proceder. A mora do credor subtrai o 
devedor, isento de dolo, à responsabilidade obriga o credor a ressarcir as despesas 
empregadas na conservação da coisa, e osujeita a recebê-la pela sua mais alta 
estimação, se o seu valor oscilar entre otempo do contrato e o do pagamento pela 
conservação da coisa. 
OBS: Se os dois incorrerem em mora, a doutrina chama isso de “compensação dos 
atrasos”. É imprescindível a simultaneidade, pois se forem sucessivas, cada um 
responde pelas consequências da sua mora. 
 
 
JUROS 
São os frutos ou rendimentos do capital. Existem duas espécies: 
 
1) Juros Compensatórios: Decorrem de uma utilização consentida do capital 
alheio; são os rendimentos do capital. 
 
2) Juros Moratórios: constituem uma pena imposta ao devedor pelo atraso 
(mora) no cumprimento da obrigação,atuando como se fosse uma indenização. 
São devidos a partir da constituiçãoem mora, independentemente da alegação de 
prejuízo. Podem ser convencionais (as partes estabelecem) ou legais (não 
convencionados – existe divergência doutrinária quanto a esta taxa, 1%(CTN) ou 
SELIC). 
Recomendamos a leitura de duas súmulas do Superior Tribunal de Justiça: N° 379: 
“Nos contratos bancários não regidos por legislação específica, os juros moratórios 
poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês.” N° 382: “A estipulação de 
juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade”. 
 
Purgação da Mora 
Purgar (ou emendar) a mora é neutralizar os efeitos da mora. Ou seja, a parte que 
incorreu em mora, corrige, sana a sua falta, de forma voluntária, cumprindo a 
obrigação que fora anteriormente descumprida, reconduzindo a obrigação à 
normalidade. Deve ressarcir, também, os eventuais prejuízos causados à outra parte. 
Pode ser feita pelo devedor ou credor. 
 
PAGAMENTO INDEVIDO: O indébito pode ser de duas espécies: a) objetivo (ex.: 
devedor que paga dívida inexistente, ou no caso em que a dívida existe, mas de 
alguma forma já foi extinta); b) subjetivo (ex.: dívida paga por quem não é o 
devedor ou recebida por quem não é o credor). Não se pode repetir o que se pagou 
para solver dívida prescrita (não sou obrigado a pagar uma dívida prescrita, mas se 
eu a pagueiespontaneamente... valeu) nem o que se deu para obter fim ilícito ou 
imoral (ninguém pode se beneficiar se sua própria torpeza). Também não se 
poderepetir se houve pagamento de dívida ainda não vencida ou se agiu 
porliberalidade (pois neste caso houve doação). 
No pagamento indevido o devedor pagou a uma pessoa que comprovadamente não 
era o credor. Já no pagamento feito a credor putativo a situação é diferente. Credor 
putativo é o que parece ser credor, mas não é. Ex: Pago dívida a minha dívida ao 
herdeiro do credor, porém, um tempo depois, o testamento é anulado e ele não é 
mais o herdeiro. Neste caso eu não preciso pagar o novo herdeiro, o antigo é quem 
deve pagar ao novo o que recebeu. 
 
II. FORMAS ESPECIAIS DE PAGAMENTO 
1) Extinção das obrigações com pagamento: consignação, sub-rogação, 
imputação e dação. 
2) Extinção das obrigações sem pagamento: novação, compensação, confusão 
remissão, transação e compromisso. 
 
A) PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO 
Ocorre quando o credor não quer receber a obrigação. A consignação pode recair 
sobre bens móveis e imóveis. A consignação pode ser feita judicialmente ou em 
estabelecimento bancário,nos casos autorizados pela lei. O depósito de coisas 
somente pode ser feito judicialmente No depósito, enquanto o credor não declarar 
que aceita ou não o impugnar (alegando valor incorreto), o devedor pode requerer o 
levantamento da quantia, recebendo devolta o valor e ficando novamente obrigado 
pelo débito. Julgado procedente o depósito judicial o devedor não poderá mais 
levantar o valor. 
 
A consignação não cabe nas obrigações de fazer e nem nas de não fazer. 
Exemplos de situações para o Pagamento em consignação: 
- Se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, estiver declarado ausente, ou 
residir em lugar incerto, ou de acesso perigoso ou difícil. 
- Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento. 
- Se pender litígio sobre o objeto do pagamento ou haver concurso de preferência 
aberto contra o credor. 
A ação de consignação pode ser improcedente (devedor fica em mora) ou procedente. 
Para este último caso o depósito judicial da coisa ou quantia devida produz os 
seguintes efeitos: exonera o devedor (o depósito equivale ao pagamento); constitui o 
credor em mora; cessa para o depositante os juros da dívida e os riscos a que estiver 
sujeita a coisa, transferindo-os para a outra parte (credor); libera os fiadores; impõe 
ao credor o ressarcimento dos danos que sua recusa causou ao devedor, além do 
pagamento de despesas feitas para a custódia da coisa, custas processuais, 
honorários advocatícios, etc. 
 
B) PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO 
Sub-rogação é asubstituição de uma coisa por outra, com os mesmos ônus e 
atributos (sub-rogação real) ou de uma pessoa por outra, com os mesmos direitos e 
ações (sub-rogação pessoal).Em outras palavras: é a transferência da qualidade de 
credor (sub-rogado) para aquele que pagou (sub-rogatário ou sub-rogado) a 
obrigação alheia. Não se tem a extinção da obrigação, mas sim a substituição do 
sujeito ativo, pois a terceira pessoa (estranha na relação negocial primitiva) passará 
a ser o novo credor. Exemplo clássico: o avalista que paga uma dívida pela qual se 
obrigou, sub-roga-se nosdireitos do credor. 
 1. LEGAL: Opera-se de pleno direito em favor do: 
- credor que paga a dívida do devedor comum ao credor. Ex: “A” deve a “B” e “C”. B 
paga a dívida de A com C e subroga-se nos direitos de C. 
- adquirente do imóvel hipotecado que paga ao credor hipotecário. 
- terceiro interessado que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo 
ou em parte (é o caso do fiador). 
 
2. CONVENCIONAL Ocorre nas seguintes situações: 
- Há acordo expresso de vontades. 
- Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere 
todos os seus direitos. Nesta hipótese vigoram as regras da cessão de crédito (da 
qual falaremos mais adiante). 
- Quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, 
sob a condição expressa de ficar o mutuante (o que emprestou) sub-rogado nos 
direitos do credor satisfeito. 
OBS: Na sub-rogação o interesse é garantir a recuperação do que foi despendido pelo 
terceiro que assumiu a obrigação de satisfazer o credor, ou seja, garante o direito de 
regresso de quem pagou a dívida de outrem; já na cessão (ou transmissão) o 
interesse é a circulação do crédito. 
 
C) IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO 
Uma pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, 
tem a faculdade de escolher qual deles oferece em pagamento, se todos forem 
líquidos e vencidos. Como a imputação do pagamento visa favorecer o devedor, 
inicialmente cabe a ele escolher o débito que pretende extinguir. Se o devedor 
não fizer qualquer declaração, transfere-se o direito ao credor. E se nenhum deles se 
manifestar a imputação será feita pela lei, obedecendo-se alguns critérios legais: 
- Havendo capital e juros, o pagamento será feito primeiro nos juros vencidos e 
depois o capital. 
- A imputação se fará nas dívidas líquidas que venceram primeiro (dívidas mais 
antigas). 
Se todas as dívidas forem líquidas e vencidas ao mesmo tempo, será feita a 
imputação na mais onerosa. Se, no caso acima, ainda forem iguais e não tiverem 
juros, a doutrina considera que o valor pago deva ser rateado entre as dívidas. 
 
 
III. PAGAMENTO INDIRETO 
 
A) DAÇÃO EM PAGAMENTO – datio in solutum: 
Trata-se de um acordo de vontades no qual o credor concorda em receber 
prestação diversa da que lhe é devida (qualquer outra coisa que não seja 
dinheiro). O acordo pode ser feito antes ou depois do vencimento, podendo ser coisa 
mais valiosa ou não. 
A coisa deve ter existência atual; se a existência for futura, trata-se da novação. 
O devedor responde por eventual vício redibitório (defeito oculto) da coisa entregue. 
 
B) NOVAÇÃO – novatio 
Trata-se da criação de obrigação nova, para extinguir a anterior; é a substituição 
de uma dívida por outra, extinguindo-se a primeira. Sóhaverá novação se 
houver um acordo, ou seja, vontade das partes (e nuncapor força de lei). Não pode 
ser presumida. Extingue os acessórios e também as garantias da dívida, sempre que 
não houver estipulação em contrário. A novação não produz a satisfação 
imediata do crédito. 
Há três espécies de novação 
 I. Objetiva ou Real: quando o devedor contrai com o credor nova dívida para 
extinguir a primeira. Há a substituição do objeto da relação jurídica. Ex: 
Refinanciamento no banco. 
II. Subjetiva ou Pessoal: quando há a substituição dos sujeitos da relação 
jurídica. Divide-se em: 
a) Ativa: substituição do credor. 
b) Passiva: substituição do devedor. Se o novo devedor for insolvente, 
não tem o credor, ação regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve a 
substituição de má-fé. Subdivide-se em: 
 1) Por expromissão: uma terceira pessoa assume a dívida do 
devedor originário, substituindo-o sem o consentimento deste, mas desde que o 
credor concorde com a mudança. 
2) Por delegação: a substituição do devedor será feita 
comconsentimento do devedor originário. Neste deve haver também o aceite do 
credor. 
 III. Mista: quando, ao mesmo tempo, substitui-se o objeto e um dos sujeitos 
da relação jurídica. 
 
OBS: - Pode haver novação de uma obrigação anulável. 
 - A nova obrigação deve ser válida. Se for nula, a novação será ineficaz e 
prevalecerá a antiga. Se for anulável e vier a ser anulada, também ficará 
restabelecida a obrigação anterior. 
 - Importa em exoneração do fiador a novação feita sem o seu consenso 
com o devedor principal. No entanto, é interessante esclarecer que o fiador 
continua responsável pelos demais débitos referentes à locação que estão vencendo e 
não foram objeto da novação. Da mesma forma, quando a dívida novada for solidária, 
os devedores solidários que não tiverem participado da novação ficarão exonerados 
da dívida. 
Não se caracteriza novação a alteração de uma condição, termo ou encargo ou das 
garantias dadas nem alteração no cálculo da taxa de juros; 
 
C) COMPENSAÇÃO 
Ocorre quando duas ou mais pessoas são ao mesmo tempo credoras e 
devedoras umas das outras; as duasobrigações se extinguem, até onde se 
compensarem. As dívidas devem ser líquidas, vencidas e homogêneas. Pode ser total 
ou parcial. 
Espécies 
1. Legal: independe de convenção entre as partes e opera-se mesmo que uma delas 
não queira. É obrigatório a fungibilidade dos créditos. 
2. Convencional: acordo de vontade entre as partes, estabelecida por meio de um 
contrato. Não é necessária a fungibilidade. 
3. Judicial: decisão do Juiz que percebe o fenômeno durante o trâmite de um 
processo. Neste caso é necessário que cada uma das partes alegue o seu direito 
contra a outra; o réu precisa ingressar com a reconvenção (ação do réu contra o 
autor, no mesmo feito em que está sendo demandado com o fim de extinguir ou 
diminuir o que lhe é devido). 
 
D) CONFUSÃO 
Juridicamente o termo confusão possui três acepções: 
- Mistura de diversas matérias líquidas,pertencentes a pessoas diferentes, de tal 
forma que seria impossível separá-las (modo derivado de aquisição da propriedade 
móvel). 
- Reunião (ou consolidação) em uma mesma pessoa de diversos direitos sobre um 
bem os quais se encontravam anteriormente separados. Ex: Morte do dono do bem, o 
seu usufrutuário herdeiro vira nu proprietário. 
- incidência em uma única pessoa e relativamente à mesma relação jurídica, 
as qualidades de credor e devedor, por ato inter vivos (casamento do credor 
e devedor) ou causa mortis (credor parente morre e devedor é o seu 
herdeiro), operando a extinção do crédito. Pode ser total ou parcial. A confusão 
extingue a obrigação principal e as acessórias. No entanto se a confusão ocorrer 
somente na obrigação acessória (confusão do fiador e do credor), não importa em 
extinção da obrigação principal. 
 
IV. OUTRAS FORMAS DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO SEM PAGAMENTO 
Prescrição, caso fortuito ou força maior para o devedor, Implemento de condição ou 
advento de termo extintivo, remissão de dívida. 
 
REMISSÃO DE DÍVIDA 
Trata-se do perdão da dívida, sendo ato bilateral. Depende da aceitação do remitido 
(devedor perdoado), que pode consignar em pagamento a dívida. Pode ser total ou 
parcial. Não confundir com renúncia, que pode incidir sobre determinados direitos 
pessoais e é ato unilateral. 
 
 
EXECUÇÃO FORÇADA (JUDICIAL) 
Realizada através de ações judiciais, podendo ser: 
 
- Específica: Quando se deseja o cumprimento exato da prestação prometida. 
- Genérica: quando o credor executa bens do devedor, para obter o valor da 
prestação não cumprida. 
 
 
 
TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES – CESSÃO 
Cessão é uma forma de transmissão de obrigações a título oneroso ou gratuito, de 
um direito ou dever, de forma que o adquirente (cessionário) exerce posição jurídica 
idêntica à do antecessor (cedente). 
 
1) CESSÃO DE CRÉDITO 
Trata-se de negócio jurídico bilateral, gratuito (assemelha-se a doação) ou oneroso 
(assemelha-se a compra e venda), pelo qual o credor de uma obrigação (cedente) 
transfere, no todo ou em parte, a outra pessoa (cessionário), independentemente 
da autorização ou consentimento do devedor (cedido), sua qualidade de credor na 
relação obrigacional, transferindo não só o direito de crédito, mas também todos os 
acessórios e garantias (salvo disposição em contrário), sem a extinção do vínculo 
obrigacional. O contrato pode proibir a cessão. O consentimento do cedido (devedor) 
é desnecessário para a validade do negócio. No entanto a lei determina que a 
cessão de crédito não terá eficácia em relação do devedor, senão depois de 
notificado.Se a obrigação for solidária, todos os codevedores devem ser notificados. 
Em regra não necessita de forma especial, a menos que a escritura pública seja a 
substância do ato (ex.: cessão que envolva bens imóveis). 
Pode ser total ou parcial. 
 
Espécies 
- Legal: A regra é que na cessão do crédito principal abrangem-se os acessórios. 
- Judicial: nasce através de decisão judicial após o trâmite de um processo civil 
regular (ex.: uma adjudicação). 
-Convencional: nasce da manifestação de vontade entre cedente e cessionário 
- Pro soluto: quitação plena e imediata do débito do cedente para com o cessionário, 
exonerando o cedente. 
- Pro solvendo: a transferência do crédito é feita com intuito de extinguir a 
obrigação. No entanto esta não se extingue de imediato, mas apenas quando o 
crédito for efetivamente cobrado. O cedente pode ser executado pela insolvência do 
devedor. 
 
 
2) CESSÃO DE DÉBITO – ASSUNÇÃO DE DÍVIDA 
Trata-se de um negócio jurídico bilateral, pelo qual o devedor (polo passivo da 
obrigação), com a anuência do credor, transfere a um terceiro (novo devedor ou 
assuntor) os encargos obrigacionais. Ocorre a substituição do devedor, sem alteração 
na substância do vínculo obrigacional. Salvo assentimento expresso do devedor 
primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias 
especiais por ele originariamente dadas ao credor. O exemplo clássico é a fiança, que 
será extinta. Isto porque o fiador não é obrigado a garantir um novo devedor que 
sequer conhece. No entanto as garantias reais (penhor ou hipoteca) ficam mantidas, 
pois elas dizem respeito ao objeto e não aos sujeitos. Se a substituição do devedor 
for anulada, restaura-se o débito com todas as suas garantias, salvo as prestadas por 
terceiros. 
 
A cessão de débito pode ser realizada: 
a) por expromissão: terceiro assume espontaneamente o débito da outra, 
independentemente do consentimento do devedor primitivo; o devedor originário não 
toma parte nessa operação. Pode ser: a) liberatória, quando o devedor primitivo se 
exonera completamente da obrigação (assunção de dívida perfeita) ou b) cumulativa 
(assunção imperfeita ou de reforço), quando o expromitente entra na relação como 
novo devedor, ao lado do devedor primitivo (soma-se mais um devedor). 
b) por delegação: o devedor (delegante) transfere o débito a terceiro (delegado), 
com anuência do credor (delegatário). O terceiro substitui o devedor primitivo com o 
consentimento deste. 
 
3) CESSÃO DE CONTRATO (cessão de crédito e débito) 
A diferença deste instituto para os anteriores é que neste transfere-se a terceiro 
todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato, enquanto nas outras 
modalidades só ocorre um deles de modo isolado (ou só o crédito ou só o débito). 
A parte que não participa da cessão deve declarar sua anuência com o negócio, sob 
pena da cessão perder sua validade. Ex: Contrato de aluguel em que o locatário 
passa o contrato a outro, este assume a responsabilidade de continuar pagando o 
aluguel e por outro lado tem o direito de usar o imóvel locado. 
 
 
DOS CONTRATOS EM GERAL 
É o acordo de duas ou mais vontades que visa à aquisição, resguardo, transformação, 
modificação ou extinção de relações jurídicas de natureza patrimonial. É negócio 
jurídico bilateral ou plurilateral em que as partem perseguem interesses patrimoniais 
lícitos. Existe o pólo ativo e passivo, mas a doutrina considera ainda o autocontrato, 
em que uma pessoa ocupa os dois polos. Vigora a liberdade de forma, mas ela pode 
ser exigida para efeito de prova ou requisito de validade. 
 
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS 
1. Existência de duas ou mais pessoas (naturais e/ou jurídicas). 
2. Capacidade plena das partes para contratar. Se as partes não forem capazes o 
contrato poderá ser nulo (absolutamente incapaz que não foi representado) ou 
anulável (relativamente incapaz que não foi assistido). 
3. Consentimento: vontades livres e isentas de vícios (erro, dolo, coação, etc.). Os 
interesses são contrapostos. 
4. Objeto do contrato (prestação). Não confundir objeto com a coisa sobre a qual 
incide a obrigação. O objeto é a atuação das partes no contrato. Subdivisões: 
 a) Licitude: o objeto não pode ser contrário à lei, à moral, aos princípios da 
ordem pública e aos bons costumes. 
 b) Possibilidade física e jurídica: A inobservância deste preceito também gera 
nulidade absoluta do contrato. 
c) Certo, determinado, ou, pelo menos, determinável: Se o objeto for 
indeterminado, o contrato será considerado inválido. 
d) Economicamente apreciável: deverá versar sobre o interesse capaz de se 
converter, direta ou indiretamente, em dinheiro. 
5. Forma prescrita ou não defesa em lei. A regra é que a forma é livre. Pode ser 
verbal, por meio de um simples gesto. Somente quando não se exigir uma forma 
especial é que ele pode ter forma livre. Qualquer vício referente à forma torna o 
contrato nulo. 
OBS: A corrente mais forte no Brasil considera o casamento como um contrato 
especial de direito de família. 
 
 
PRINCIPIOS FUNDAMENTAIS 
a) Princípio da Autonomia da Vontade: Liberdade de contratar ou não, liberdade 
para estipular a espécie contratual e o conteúdo das estipulações como melhor lhes 
convier. 
b) Principio da Observância(ou supremacia) das Normas de Ordem Pública: 
Restrições na lei, moral e bons costumes. 
c) Principio da Obrigatoriedade das Convenções: as partes devem cumprir 
fielmente o pactuado, sob pena de execução patrimonial, pois” o contrato faz lei entre 
as partes”.E não se pode alterar o seu conteúdo unilateralmente. Se o contrato não 
for cumprido, pode ocorrer a pena de execução patrimonial contra o inadimplente, 
exceto nos casos previstos. 
d) Principio da Equivalência Material das Prestações: impõe que os direitos e 
deveres entre os contraentes devem guardar equilíbrio entre si. 
e) Principio da Relatividade dos Efeitos do Contrato: O contrato tem efeito 
interpartes (e não erga omnes). Existem exceções como as convenções coletivas. 
f) Principio da Boa-fé Objetiva: Segundo ele as partes devem agir com lealdade, 
probidade (honestidade) e confiança reciprocas, com o dever de cuidado, cooperação, 
informando o conteúdo do negócio e agindo com equidade e razoabilidade (usam-se 
os termos transparência, veracidade, diligência e assistência).São funções dela: 
 - Função interpretativa: orienta o Juiz na interpretação do contrato. 
 - Função constitutiva de deveres anexos ou de proteção: deveres 
implícitos e invisíveis de proteção, que quando descumpridos, podem gerar 
responsabilidade civil. Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no Código Civil, a 
violação dos deveres anexos é espécie de inadimplemento, independentemente de 
culpa” (ou seja, responsabilidade objetiva). 
 - Funções Reativas da Boa-fé Objetiva: Existem 4: A Nemo potest venire 
contra factum proprium (proibição ao comportamento contraditório) proíbe 
que os contratantes ajam de forma inesperada, contrário ao que já estava ocorrendo 
no desenrolar do contrato, acarretando assim prejuízos à outra parte. A Supressio 
consiste na perda (supressão) de um direito pela falta de seu exercício por razoável 
lapso temporal. Surrectio corresponde ao surgimento de um direito exigível pelo 
outro sujeito da mesma relação jurídica (Exemplo do devedor que paga em local 
divergente do contratado reiteradas vezes com a anuência do credor). Tu quoque 
(até tu) ocorre nas situações em que em que uma das partes adota comportamento 
oposto ao seu próprio, quando imputa ao outro, conduta contratual inadequada, 
valendo-se assim de dois pesos e duas medidas, colocando a outra parte em situação 
de injusta desvantagem (Ex.: um dos contratantes, antes de cumprir a sua parte no 
contrato, exige o cumprimento da prestação do outro contratante). 
OBS: duty to mitigate the loss (evitar o agravamento): Vem sendo aceito pelo STJ. 
Por este princípio o titular de um direito (credor) deve, sempre que possível, atuar 
para minimizar a extensão do dano, mitigando, assim, a gravidade da situação do 
devedor.Ex: A bate em B. Tempo depois verifica-se uma pequena chama no carro de 
B, que nada faz para apagá-la, afim de ganhar um carro novo do seguro. Se ficar 
demonstrado que o credor poderia ter atuado para minimizar o dano evitável, não 
fará jus a um carro novo; apenas receberá o valor correspondente à colisão inicial. 
 
Existe também a Boa-fé Subjetiva, onde a pessoa que realiza um determinado ato 
não tem ciência de eventual vício. O exemplo clássico da boa-fé subjetiva é o do 
possuidor que desconhece o vício que macula a sua posse. Nesse caso a lei ampara 
esse possuidor de boa-fé, não fazendo o mesmo se o possuidor está de má-fé. 
 
f) Principio da Função Social do Contrato: a liberdade de contratar será exercida 
em razão e nos limites da função social do contrato, que na prática é uma tentativa 
de se reduzir as desigualdades substanciais entre os contratantes (equilíbrio 
contratual). Compatibiliza-se as pretensões dos particulares com os anseios da 
coletividade, ou seja, o contrato não pode ser mais visto somente pela ótica 
individualista, uma vez que possui um sentido social para toda a comunidade. Tal 
princípio tem como funçõesbásicas: a) abrandar a força obrigatória do contrato; b) 
coibir cláusulas abusivas, gerando nulidade absoluta das mesmas; c) possibilitar, 
sempre que possível, a conservação do contrato e o seu equilíbrio; d) possibilitar a 
revisão do contrato quando o mesmo contiver alguma onerosidade excessiva. 
Observem que não foi eliminada a autonomia contratual ou a sua obrigatoriedade, 
mas apenas se atenuou ou reduziu o seu alcance quando presentes interesses 
individuais. Considera-se violado o princípio da função social dos contratos quando os 
efeitos externos do pacto prejudicarem injustamente os interesses da sociedade ou 
de terceiros não ligados ao que foi pactuado. 
 
FORMAÇÃO DOS CONTRATOS 
De um lado temos o proponente ou policitante. De outro lado temos o aceitante ou 
oblato. Sem este mútuo consenso, não haverá contrato. 
 
a) NEGOCIAÇÕES PRELIMINARES – FASE PRE-CONTRATUAL 
É a chamada fase das tratativas (ou puntuação), sem que haja uma vinculação 
jurídica entre os participantes, não se criando ainda obrigações (há apenas uma 
expectativa de direito). Nesta fase é obrigatória a observância dos princípios da boa 
fé e probidade, podendo haver responsabilidade civil (extracontratual) caso sejam 
desrespeitados. Os contratos possuem basicamente duas fases: 
 
1) PROPOSTA: Também é chamada de oferta, solicitação, policitação ou oblação. 
Feita a proposta, vincula-se o proponente; caso ela não seja mantida, obriga a perdas 
e danos. As propostas podem ser entre ausentes (ex: carta) ou entre presentes. A 
noção de presença e ausência nada tem a ver com distância ou espaço físico, mas sim 
com a possibilidade de aceitação imediata. 
OBS: há dúvida quanto aos contratos celebrados pela internet. Se os dois estiverem 
conectados ao mesmo tempo, considera-se entre presentes. 
A proposta deixa de obrigar, se: 
- o próprio contrato possui uma cláusula de não obrigatoriedade da proposta. 
- feita sem prazo determinado a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. 
 - feita sem prazo a pessoa ausente, deve-se aguardar um lapso de tempo 
suficiente para que a oferta chegue ao destinatário e a resposta retorne ao 
conhecimento do proponente, calculando-se o tempo conforme o meio de 
comunicação. 
 - feita a pessoa ausente, com prazo determinado, não tiver sido expedida a 
resposta dentro do prazo estipulado 
- antes da proposta ou juntamente com ela, chegar ao conhecimento da outra 
parte a retratação do proponente (válido também para o aceitante). 
OBS: Nas propostas ou ofertas ao público, a oferta pode ser corrigida, revogada ou 
cancelada pela mesma via de sua divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na 
oferta realizada. Ex: Panfletos de mercados – frases como: enquanto durar o estoque. 
OBS: A morte ou a superveniente incapacidade (e interdição) do proponente não 
retira a força vinculante da proposta; esta continua a vincular seus herdeiros ou 
responsáveis pelas consequências jurídicas do negócio (salvo se se tratar de um 
contrato personalíssimo). 
2) ACEITAÇÃO: É a manifestação da vontade do destinatário (oblato). Não é 
necessária determinada forma, salvo nos contratos solenes, podendo ser expressa 
(maioria) ou tácita (exceções). Deve corresponder a uma adesão integral à oferta. Se 
o contrato for entre ausentes, havendo um prazo determinado, a aceitação deve 
chegar a tempo, isto é, dentro do prazo marcado. Se a aceitação chegar após o 
prazo, sem culpa do aceitante (ex.: atraso no correio), o proponente deverá avisar o 
aceitante, sob pena de responder por perdas e danos, sobre a não conclusão do 
contrato, pois é possível que o aceitante imagine que o contrato está perfeito e já 
comece a realizar despesas necessárias ao cumprimento. Se o ofertante (ou 
policitante) não estipulou qualquer prazo, a aceitação deverá ser manifestada dentro 
de tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente. 
A aceitação fora do prazo, ou com adições, restrições, modificações,corresponde a 
uma nova proposta. 
 
3) CONCLUSÃO: Entre Presentes: momento da aceitação da proposta (Teoria da 
Recepção). Entre ausentes: regra adotada pela corrente majoritária 
(admiteexceções): Teoria da Agnição (declaração) na forma da Subteoria da 
Expedição, ou seja, no momento em que a aceitação é expedida (colocada no 
correio), real ou virtual (e-mail). No entanto há ferrenhos defensores da Subteoria da 
recepção (é necessário que a resposta chegue materialmente às mãos do policitante). 
O núcleo do contrato é o consentimento: Proposta + aceitação. 
 
LUGAR DA CELEBRACAO DO CONTRATO: o contrato é celebrado no lugar onde foi 
proposto. No entanto admite-se previsão em contrário, desde que expressa no 
contrato. 
 
 
b) CONTRATO PRELIMINAR 
As partes podem firmar um contrato-promessa (pactum in contrahendo), sendo que 
se comprometem a celebrar o contrato definitivo posteriormente. O objeto do 
contrato preliminar é exatamente a celebração do contrato definitivo. As partes se 
denominam promitentes. 
Se uma das partes desistir do negócio sem justa causa e não havendo cláusula que 
permita o arrependimento, a outra parte poderá exigir-lhe, coercitivamente, a 
celebração do contrato definitivo, sob pena de multa diária, fixada no contrato ou pelo 
Juiz. Esgotado o prazo estipulado, o Juiz, a pedido do interessado, poderá suprir a 
vontade da parte inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar 
(adjudicaçãocompulsória). No entanto se a parte lesada pelo inadimplemento preferir 
(trata-se de uma opção do credor), pode simplesmente considerar o contrato desfeito 
e requerer perdas e danos. O contrato preliminar deve conter todos os requisitos do 
contrato principal a ser celebrado, exceto quanto a forma. 
 
 
CLASSIFICACAO DOS CONTRATOS 
 
1) CONTRATOS UNILATERAIS OU BILATERAIS: O contrato será unilateral quando 
apenas um dos contratantes assume obrigações em face do outro. É o que ocorre na 
doação pura e simples. Ex: mútuo, comodato. O contrato será bilateral quando os 
contratantes são simultânea e reciprocamente credores e devedores uns dos outros, 
produzindo direitos e obrigações para ambos. O contrato bilateral também é 
conhecido como sinalagmático. Existem também os plurilaterais -> Consórcio. 
 
OBS: Não confundir negócio jurídico com contrato. O contrato é espécie de negócio 
jurídico bilateral. Entretanto, o contrato subdivide-se ainda em unilateral (duas 
manifestações de vontade, deveres para apenas um lado) e bilateral (duas 
manifestações de vontade, deveres para ambos os lados). No negócio jurídico 
unilateral há apenas uma manifestação de vontade! 
 
2) CONTRATOS ONEROSOS OU GRATUITOS: 
- Onerosos: ambas as partes assumem ônus e obrigações recíprocas. Os 
contratantes respondem por evicção e vício redibitório. 
- Gratuitos (ou benéficos): oneram somente uma das partes, proporcionando à 
outra uma vantagem, sem qualquer contraprestação (ex.: doação pura e simples, 
depósito, comodato, etc.). Só respondem por evicção e vício redibitório nas doações 
com encargos 
OBS: Parte da doutrina considera o comodato um contrato bilateral imperfeito. 
Assim, ele se subordina inicialmente ao regime dos contratos unilaterais porque não 
há uma contraprestação inicial (esta não nasce com o contrato). Ocorrendo um fato 
eventual, posterior à formação do contrato (dano ocorrido na coisa), surgiria a 
obrigação da outra parte em indenizar. Outra parte da doutrina considera que não 
existe bilateral imperfeito e o comodato um contrato unilateral. Emregra gratuito. Mas 
pode se transformar em oneroso. 
 
3) CONTRATOS COMUTATIVOS OU ALEATORIOS 
- Comutativo (ou pré-estimado): quando as prestações de ambas as partes são 
conhecidas (certas e determinadas), guardando entre elas relação de equivalência 
(senão exata, ao menos aproximada). 
- Aleatório: é aquele em que a prestação de uma das partes (ou de ambas) não e 
conhecida com exatidão no momento da celebração do contrato. Depende de uma 
alea (incerteza). Dividem-se em: 
A) Coisas Futuras 
1. Emptio spei (“venda da esperança”): um dos contratantes assume o 
risco da existência da própria coisa, ajustando um preço, que será devido 
integralmente, mesmo que nada se produza, sem que haja culpa do alienante. Ex: 
Colheita. 
2. Emptio rei speratae (“venda de coisa esperada”): se o risco versar 
sobre a quantidade maior ou menor da coisa esperada (e não da existência). Ex.: 
contrato um pescador dizendo que compro tudo o que ele pescar e pago “X” pelo 
quilo de peixe. 
 B) Coisas Existentes: trata do contrato sobre coisas já existentes, mas que 
estão sujeitas ao risco de se perderem, danificarem ou, ainda, sofrerem depreciação. 
Ex.: determinada mercadoria é vendida, mas a mesma será transportada de navio 
até o seu destino final. O comprador então assume o risco de ela chegar ou não ao 
seu destino; se o navio afundar a venda será válida e o vendedor terá direito ao 
preço, exceto se já sabia que o navio afundara ao fechar o contrato. 
 
4) CONTRATOS QUANTO AO NOME 
- Típicos (ou nominados): são os contratos que têm denominação, previsão e 
regulamentação previstas em lei. 
- Atípicos (ou inominados): são os contratos criados pelas partes e não têm 
denominação ou tipificação legal (pode ter denominação informal – Factoring por ex.) 
 
5) CONTRATOS PARITARIOS OU DE ADESAO 
- Paritários: interessados em pé de igualdade, podem (ao menos em tese) discutir e 
negociar as cláusulas contratuais. 
- de Adesão (ou por adesão): Uma das partes elabora o contrato e a outra parte 
apenas adere às cláusulas já estabelecidas, não sendo possível a discussão ou 
modificação dessas cláusulas. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que 
estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do 
negócio 
 
 
6) CONTRATOS CONSENSUAIS OU FORMAIS 
- Consensuais ou não solenes: perfazem pelo simples acordo ou consenso das 
partes (proposta e aceitação) independentemente da entrega da coisa e da 
observância de uma forma determinada e especial. Podem ser celebrados inclusive de 
forma verbal. 
- Solenes ou formais: são aqueles em que a lei exige uma forma especial. A falta 
desta formalidade levará à nulidade do negócio. Ex.: a compra e venda de bens 
imóveis exige escritura pública e registro. 
 
7) CONTRATOS REAIS: São os que para aperfeiçoamento exigem além do acordo 
de vontades, também a entrega da coisa, que constitui o seu objeto. 
 
8) CONTRATOS DE EXECUCAO INSTANTANEA, DIFERIDA E CONTINUADA 
- Execuçãoinstantânea (ou imediata): se consumam em um só ato, cumprindo-se 
imediatamente após sua celebração, mediante uma única prestação. 
- Execução diferida: também cumpridos em um só ato, mas em um momento 
posterior à celebração do contrato. Ex: Entrega do bem em 30 dias 
- Contratos de trato sucessivo (de execução continuada ou periódica): 
Quando uma parcela é paga a obrigação está quitada. Mas neste instante inicia-se a 
formação de outra prestação que deverá ser paga no fim do próximo período. 
 
9) CONTRATOS PRINCIPAIS OU ACESSORIOS 
- Principais: são os que existem por si, exercendo sua função e finalidade 
independente de outro. 
- Acessórios: são aqueles cuja existência supõe a do principal, pois visam assegurar 
sua execução. Ex.: a fiança. 
 
10) CONTRATOS PESSOAIS OU IMPESSOAIS 
- Pessoais (personalíssimos ou intuitu personae): Somente o devedor pode 
realizar, não se aceitando o cumprimento por terceiros. Se o devedor não honrar o 
contrato, haverá perdas e danos; se ocorreu caso fortuito ou força maior estará 
desobrigado. 
Ex: Show da banda “X”. 
- Impessoais: são os que a pessoa do contratante é juridicamente indiferente para a 
conclusão do negócio. 
 
 
EFEITOS DOS CONTRATOS 
 
A) EXCECAO DE CONTRATO NAO CUMPRIDO (arts. 476/477, CC) Também 
chamado de exceptio non adimpleti contractus: não se aplica nos contratos 
unilaterais. Já noscontratos bilaterais a regra é que nenhum dos contratantes 
poderá, antes de cumprir a sua obrigação, exigir a do outro. A mesma regra é 
aplicada no caso de cumprimento incompleto, defeituoso e inexato da prestação por 
um dos contraentes. 
Excepcionalmente será permitido, a quem incumbe cumprir a prestação em primeiro 
lugar, recusar-se ao seu cumprimento, até que a outra parte satisfaça a prestação 
que lhe compete ou dê alguma garantia (garantia de Solvabilidade) de que ela será 
cumprida. No entanto, isso somente é admissível quando, depois de concluído o 
contrato, sobrevier diminuição em seu patrimônio que comprometa ou torne duvidosa 
a prestação a que se obrigou. Ex: Pintor descobre que o contratante perdeu 
patrimônio e poderá não pagar o serviço pode pedir que ele pague adiantado ou dê 
garantia de que vai pagar. A parte lesada pelo inadimplemento (não cumprimento) 
daobrigação pela outra parte pode pedir rescisão do contrato, acrescido de perdas e 
danos. 
OBS: Clausula solve et repete: Se tiver esta cláusula, a qualquer momento a outra 
parte pode exigir o pagamento integral, mesmo que ele ainda não tenha cumprido 
com a sua parte no contrato. 
 
B) DIREITO DE RETENÇÃO: É a permissão concedida pela norma ao credor de 
conservar em seu poder coisa alheia, já que detém legitimamente, além do momento 
em que deveria restituir, até o pagamento do que lhe é devido. Esse direito está 
assegurado a todo possuidor de boa-fé que tem direito à indenização por benfeitorias 
necessárias ou úteis. Exemplo da pessoa possuidora de boa-fé de um imóvel, fez 
benfeitorias e perde a ação de reintegração de posse. Ela deve ser indenizada e 
enquanto não for tem o direito de reter o imóvel. 
 
C) REVISÃO DOS CONTRATOS – RESOLUÇÃO POR ONEROSIDADE EXCESSIVA: 
Lastreada na chamada Teoria da Imprevisão. Segundo ela, somente permanece o 
vínculo obrigatório gerado pelo contrato enquanto ficar inalterado o estado de fato 
vigente à época da estipulação. No entanto, é possível a revisão ou até rescisão do 
contrato, caso ocorram, no momento da execução do contrato, fatos supervenientes e 
imprevisíveis, desequilibrando a base econômica do negócio, impondo a uma das 
partes uma onerosidade excessiva, ficando a parte liberada dos encargos originários. 
Esta cláusula implícita é conhecida pela expressão rebus sic stantibus (tentando fazer 
uma tradução literal teríamos: “o mesmo estado das coisas”; “as coisas ficam como 
estão”; “pelas coisas como se acham”).A disposição somente se aplica quando ocorrer 
um fato absolutamente imprevisível, extraordinário e extracontratual (chamado de 
álea extraordinária) e, além disso, ainda precisa ficar comprovado um enorme 
desequilíbrio contratual ou a total impossibilidade de seu cumprimento. 
Caso de nãoaplicação pelo STJ. Nos contratos agrícolas de venda para 
entrega futura, o risco é inerente ao negócio. Nele não se cogita em 
imprevisão. 
 
D) REGRAS APLICÁVEIS AOS CONTRATOS GRATUITOS 
a) O Código Civil estabelece que os contratos gratuitos devem ser interpretados 
restritivamente. 
b) Os contratos gratuitos que reduzirem o alienante à condição de insolvência 
(passivo maior que o ativo) são anuláveis pelos credores quirografários. 
 
E) ARRAS OU SINAL: Arras ou Sinal e um adiantamento para indicar que as partes 
chegaram a um acordo final e que o contrato está celebrado. Trata-se de uma quantia 
em dinheiro ou outra coisa móvel, fungível. 
a) Se o arrependimento não estiver previsto no contrato: as arras são 
chamadas de confirmatórias. São uma forma de antecipar parte do pagamento do 
preço e determinam, previamente, as perdas e danos pelo não cumprimento das 
obrigações a que tem direito o contraente que não deucausa ao inadimplemento. A 
parte inocente pode exigir uma indenização suplementar se provar que sofreu um 
prejuízo maior. 
b) Se o arrependimento estiver previsto no contrato: as arras, neste caso, são 
chamadas de penitenciais (se quem deu as arras se arrepende do contrato, perde-as 
em benefício da outra parte). Se quem se arrependeu foi a pessoa que as recebeu, 
ficará obrigado a devolvê-las acrescido do equivalente (em outras palavras: quem 
recebeu as arras deve devolvê-las em dobro). Não haverá indenização suplementar. 
OBS: Sumula 412 do Supremo Tribunal Federal sobre isso: “No compromisso de 
compra e venda com clausula de arrependimento, a devolução do sinal, por quem o 
deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui indenização maior a 
título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo”. 
 
Clausula Penal X Arras Penitenciais 
A cláusula penal somente será exigível em caso de inadimplemento ou mora no 
cumprimento do contrato. Já as arras penitenciais são pagas por antecipação, sendo 
um adiantamento do preço, para garantia do cumprimento do contrato, mas não 
possui um caráter coercitivo, pois permite o arrependimento. 
 
F) ESTIPULACAO EM FAVOR DE TERCEIRO 
É o caso do seguro de vida. Há sempre o estipulante (eu), promitente (seguradora) e 
o beneficiário (terceiro - esposa). Neste caso, tanto o que estipula a cláusula 
(estipulante) como o terceiro (beneficiário) têm o direito de exigir do promitente o 
cumprimento da obrigação. Direitos e deveres surgem independentemente da 
aceitação do terceiro, exceto se o terceiro manifestou sua aceitação, caso em que não 
podem os contratantes realizar distrato ou qualquer modificação da prestação sem 
seu consentimento. 
 
G) PROMESSA DE FATO DE TERCEIRO 
Uma pessoa (promitente-devedor) se obriga com outra (promissário-credor) a obter 
prestação de fato de uma terceira pessoa, não participante direta do negócio. O 
exemplo clássico é o que ocorre com um empresário de um cantor famoso que se 
compromete, em nome do artista, na realização de um show e o cantor não o realiza. 
O empresário arca com as perdas e danos, exceto caso fortuito e força maior. A 
promessa pode se dar com ou sem o conhecimento ou consentimento do terceiro. No 
entanto a promessa não vincula o terceiro. Neste caso o devedor deverá obter o 
consentimento do terceiro, que irá executar a prestação final. Se o terceiro consentir, 
executa-se a obrigação do devedor primário, que se exonerará. Se o terceiro não 
cumprir, o devedor primário será inadimplente, sujeitando-se às perdas e danos. Tal 
responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge do promitente, dependendo 
da sua anuência o ato a ser praticado, e desde que, pelo regime do casamento, a 
indenização, de algum modo, venha a recair sobre os seus bens. 
 
H) VICIO REDIBITÓRIO 
São falhas ou defeitos ocultos (não aparentes) existentes na coisa alienada, objeto de 
contrato comutativo, que a tornam imprópria ao uso a que se destina ou lhe 
diminuem sensivelmente o valor, de tal modo que o ato negocial não se realizaria se 
esses defeitos fossem conhecidos, dando ao adquirente direito para redibir (anular, 
extinguir) o contrato (devolvendo-se o dinheiro e a coisa defeituosa) ou para obter 
abatimento no preço. O vício redibitório também se aplica às doações onerosas. 
Doação onerosa é aquela que possui um encargo: dou-lhe um carro, mas você tem 
que colocar o IPVA em dia. Não se configura em contratos gratuitos. 
- O alienante (o vendedor) é sempre o responsável, mesmo alegando que não 
conhecia o defeito. Se agiu de má-fé arcará com perdas e danos + o valor que 
recebeu. Se não conhecia o defeito, restituirá apenas o valor recebido, mais eventuais 
despesas do contrato. 
- Por outro lado nãohá responsabilidade do alienante se: o adquirente sabia que a 
coisa era defeituosa e mesmo assim quis recebê-la (renunciou à garantia); o vício se 
deu por causa posterior à entrega; a coisa pereceu por culpa do comprador ou em 
virtude de caso fortuito ou força maior. 
 
Se o perecimento do objeto foi em consequência do vício, o adquirente tem a sua 
disposição as seguintes açõesedilícias: 
a) Açãoredibitória:o adquirente rejeita (devolve) a coisa defeituosa, rescindindo o 
contrato e reavendo o preço pago mais o reembolso de despesas, e até as perdas e 
danos (no caso do alienante conhecer o vício, sendo necessária a prova da má-fé do 
alienante). 
b) Ação estimatória (também chamada de quanti minoris): o adquirente deseja 
conservar a coisa, reclamando o abatimento proporcional do preço em que o defeito a 
depreciou (art. 442, CC). A opção de escolha é de quem adquiriu a coisa. 
 
OBS: Não caberá nenhuma reclamação se as partes pactuarem que o alienante não 
responde por eventuais vícios ocultos. Bem adquirido em hasta pública: não se pode 
redibir o contrato, nem pedir abatimento do preço (não há previsão legal a respeito). 
No entanto, se a aquisição do bem for em um leilão de arte ou em uma exposição de 
animais, a responsabilidade subsiste. O defeito oculto de uma coisa vendida 
conjuntamente com outra não autoriza a rejeição de todas. 
 
Prazos decadenciais de reclamação e propositura das ações: 
- 30 (trinta) dias →bens moveis. 
- 01 (um) ano →bens imóveis. 
- Se o comprador já estava na posse da coisa quando foi realizada a venda o prazo é 
reduzido pela metade. 
- Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo será 
contado do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de cento e 
oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os imóveis. 
- Vendas de animais -> Prazo em lei especial ou costumes locais. 
 
OBS: Os prazos decadenciais não correm na constância de alguma outra clausula de 
garantia. No entanto o comprador deve denunciar o defeito ao vendedor nos trinta 
dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência. 
 
Se uma pessoa adquire um bem de um particular, a reclamação rege-se pelo Código 
Civil. Mas se ela adquiriu de um comerciante, rege-se pelo Código de Defesa do 
Consumidor. 
 
 
 
 
I) EVICÇÃO 
Evicção ocorre quando o adquirente de coisa móvel ou imóvel, em contrato oneroso 
somente, perde o direito de propriedade, posse ou uso, total ou parcialmente, 
geralmente por sentença judicial ou ato de desapropriação, devido à fato anterior ou 
contemporâneo a aquisição. 
Exemplo clássico: A (alienante) vende para B (evicto, adquirente ou evencido) uma 
fazenda. Quando B toma posse do imóvel percebe que uma terceira pessoa (C – 
evictor, evencente) já detém a posse daquele imóvel há muitos anos. B Tenta tirar C 
do imóvel. Mas este, além de não sair, ainda ingressa com uma ação de usucapião. 
Caso C obtenha a sentença judicial de usucapião, B perderá o imóvel. Vejam: B 
pagou pelo imóvel e o perdeu em uma ação judicial. Isto é a evicção. Na hipótese 
concreta, A fica obrigado a indenizar B. 
 
Toda pessoa, ao transferir o domínio, a posse, ou o uso a terceiro, nos contratos 
onerosos, deve resguardar o adquirente contra os riscos de evicção. Trata-se de uma 
obrigação de fazer, a cargo do alienante, que nasce com o próprio contrato. 
 
Regras: 
- o alienante, nos contratos onerosos (ex.: compra e venda, troca e até nas doações 
com encargo), responde pelos riscos da evicção, ainda que se tenha adquirido o bem 
em hasta pública. Subsiste para o alienante a obrigação, ainda que a coisa alienada 
esteja deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente. 
- Não há responsabilidade para o alienante se a perda resulta de caso fortuito ou 
forca maior, ainda que estes fatos tenham ocorrido durante a lide. Se o adquirente 
sabia que a coisa era litigiosa e assim mesmo aceitou celebrar o contrato, também 
não há responsabilidade para o alienante. 
- A responsabilidade pela evicção não precisa estar expressa no contrato (independe 
de cláusula expressa), pois ela decorre da lei, operando-se de pleno direito. Caso 
tenha uma cláusula que o alienante não responde pela evicção, ela é nula. No 
entanto, neste caso, a responsabilidade do vendedor consistirá apenas na devolução 
do preço. 
A) Clausula expressa de exclusão da garantia + ciência específica do risco pelo 
adquirente + assunção integral do risco pelo adquirente = isenção total do alienante 
da responsabilidade. 
b) Clausula expressa de exclusão da garantia – ciência do risco pelo adquirente ou de 
ter assumido o risco = responsabilidade do alienante apenas pelo preço pago pela 
coisa evicta. 
c) Omissão da cláusula = responsabilidade total do alienante + perdas e danos. 
 
A evicção pode ser total ou parcial. A parcial ocorre quando a perda é inferior a 100% 
do valor da coisa. Já o art. 455, CC fala em evicção parcial considerável (a doutrina 
50% a 99% - Neste caso o adquirente (evicto) pode rescindir o contrato, com todas 
as perdas e danos ou exigir a restituição do preço da parte evicta) e não-considerável 
(entre 1% e 49% - evicto pode pleitear somente o valor do desfalque). 
 
O adquirente deve, assim que for instaurado contra si o processo judicial, chamar o 
alienante para integrar o processo (art. 456, CC). Trata-se de um instituto de Direito 
Processual Civil, chamado denunciação a lide, que é obrigatório para que o evicto 
(adquirente) possa ao menos ser reembolsado daquilo que pagou pela propriedade, 
sem receber a coisa. Se assim não proceder (não denunciar a lide) perderá os direitos 
decorrentes da evicção, não mais dispondo de ação direta para exercitá-los. A 
denunciação se justifica posto que o alienante precisa saber da pretensão do terceiro 
reivindicante, uma vez que irá suportar as consequências da decisão judicial. 
 
J) CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR 
Neste tipo de contrato uma das partes tem a faculdade de indicar outra pessoa que 
irá adquirir direitos ou assumir obrigações nele previstas (salvo se a obrigação for 
personalíssima), desde o momento em que foi celebrado. Em regra a indicação deve 
ser comunicada à outra parte no prazo de cinco dias da conclusão do contrato, mas 
as partes podem escolher outro prazo bem maior. 
 
 
EXTINÇÃO DA RELAÇÃO CONTRATUAL 
 
A) CAUSAS ANTERIORES OU CONTEMPORANEAS 
- Nulidade: é uma sanção pela qual se retira os efeitos do contrato porque não houve 
a observância de normas jurídicas atinentes a seus requisitos subjetivos, objetivos e 
formais (capacidade, objeto, consentimento, forma, etc.). Ela pode ser: 
a) absoluta (arts. 166 e 167, CC): é a nulidade de pleno direito; o contrato não 
produz efeitos desde sua formação (efeito ex tunc); não pode ser confirmado nem se 
convalesce com o decurso de prazo. Ex.: absolutamente incapazes, objeto ilícito, etc. 
b) relativa (art. 171, CC): os efeitos subsistirão até a data de sua anulação (ex nunc); 
produz efeitos durante todo esse tempo, admitindo a confirmação e purificando-se 
pelo decurso de prazo se não alegada no momento correto. Ex.: relativamente 
incapazes, erro, dolo, etc. 
 
- Condição resolutiva: a) expressa: os contratantes podem estipular no contrato a 
cláusula de forma expressa. b) tácita: está implícita em todo contrato bilateral. 
 
- Arrependimento: um contrato pode conter cláusula prevendo a possibilidade das 
partes se arrependerem; assim qualquer dos contratantes pode exercer tal direito, 
extinguindo o contrato, mediante declaração unilateral de vontade dentro do prazo 
contratualmente fixado, ou, não havendo esta previsão, antes da execução do 
contrato, pois uma vez cumprida a prestação, ocorre a renúncia ao direito de 
arrependimento. 
 
B) CAUSAS SUPERVENIENTES 
- Resolução por inexecução voluntaria: a prestação não é cumprida por culpa do 
devedor. Sujeita o inadimplente ao ressarcimento por todas as perdas e danos 
materiais (danos emergentes e lucros cessantes) e morais. 
- Resolução por inexecução involuntária: a prestação não é cumprida, sem que haja 
culpa do devedor. Afasta-se qualquer indenização por perdas e danos; 
- Resolução por onerosidade excessiva: ocorre um evento extraordinário e 
imprevisível (à data da celebração do contrato), que impossibilita ou dificulta 
extremamenteo adimplemento do contrato, tornando excessivamente onerosa a 
prestação de uma das partes (com extrema vantagem para a outra). 
- Resilição bilateral ou distrato: trata-se de um novo contrato em que ambas as 
partes, de forma consensual, acordam pôr fim ao contrato anterior que firmaram. 
- Resilição unilateral: há contratos que admitem dissolução pela simples declaração 
de vontade de uma das partes (também chamada de denúncia vazia). Só ocorre 
excepcionalmente. Os exemplos clássicos ocorrem no mandato, no comodato e no 
depósito. 
- Morte de um dos contraentes: como regra, morrendo um dos contratantes, a 
obrigação se transmite aos seus herdeiros, até o limite das forças da herança. No 
entanto, nas obrigaçõespersonalíssimas (intuitu personae) a morte é causa extintiva 
do vínculo. 
 
ATOS UNILATERAIS 
Uma vez emitida esta, torna-se exigível e irretratável, chegando ao conhecimento a 
quem é dirigida. São casos expressamente previstos: Títulos de Credito, Promessa de 
Recompensa e Gestão de Negócios (É a intervenção não autorizada de uma pessoa 
(gestor de negócios) na direção dos negócios de outra (dona do negócio), feita 
segundo a vontade presumida e por conta desta última pessoa). 
 
 
ESPÉCIES DE CONTRATOS 
 
COMPRA E VENDA 
Aquele em que um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de algo e o outro 
ao pagamento em dinheiro. Não é o contrato que transfere o domínio, ele serve como 
fato gerador da transmissão da propriedade; cria a obrigação para a transferência 
da coisa gerando o direito pessoal.Apropriedade é transferida pela tradição (entrega) 
ou registro (imóveis). 
 
NATUREZA JURÍDICA: Bilateral ou sinalagmático (cria obrigação para 
ambos); Oneroso; Típico (previsto no código); Comutativo (equivalência de 
prestações. Pode ser aleatório); Consensual; Translativo do domínio. 
 
A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as 
partes acordarem no objeto e no preço. Vejamos cada um deles: 
 
A) COISA OU OBJETO: deve ser corpórea (móveis ou imóveis) e estar disponível. 
Os incorpóreos são objetos de cessão de direitos. Não pode: coisas insuscetíveis de 
apropriação (indisponibilidade natural), legalmente inalienáveis (indisponibilidade 
legal) e gravadas com cláusula de inalienabilidade (indisponibilidade voluntária). 
Pode se referir a algo em potencial (frutos por ex.), mas individualizada no momento 
da execução do contrato. 
B) PREÇO: pagamento em dinheiro, ou coisas representativas de dinheiro 
(cheque, nota promissória, etc.). É nulo o contrato em que o preço pode ser 
fixado ao livre arbítrio de uma das partes, mas pode ser por terceiros ou ã 
taxa de mercado ou bolsa. 
C) CONSENTIMENTO: é o acordo de vontade entre os contratantes sobre a coisa. 
 
 
EFEITOS DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA 
A) Tradição: obrigação do vendedor de entregar a coisa com todos os seus 
acessórios. 
B) Garantia: o vendedor deve garantir a qualidade e o bom funcionamento da coisa 
alienada (contra vícios redibitórios e vícios do produto) e contra evicção. 
C) Riscos (perigo que a coisa está sujeita): relacionam-se com a responsabilidade, 
caso a coisa ou preço não seja pago. Risco da coisa (assume o vendedor até a 
tradição) e Risco do preço (se deteriorar – assume o comprador). 
OBS: Correm por conta do comprador os riscos das coisas que precisam ser contadas 
e estão em sua posse ou já tiverem sido colocadas à sua disposição no tempo, lugar e 
pelo modo ajustados, se o comprador estiver em mora para recebê-las. 
D) Despesas: correm por conta do vendedor as de tradição e as de escritura, por 
conta do devedor. 
E) Complemento de Área: um contrato de venda de terras pode ser feito de duas 
maneiras: ad mensuram (quando no contrato se fixa área determinada e estipula o 
preço por medida de extensão)e ad corpus (As partes não estão interessadas em 
medidas, mas no todo que compõe a gleba (compro a Fazenda Cara Feliz)). 
F) Certidões Negativas de Impostos: a lei determina que em toda escritura de 
imóveis devam ser transcritas as negativas de impostos. 
 
PROIBIÇÃO DE VENDA 
- A lei proíbe que os ascendentes vendam aos descendentes quaisquer bens, sem que 
haja o consentimento dos outros descendentes e do cônjugedo alienante, 
salvo se casado sob o regime de separação obrigatória de bens, sob pena de 
anulação doato. Isto porque essa venda poderia simular uma doação em prejuízo 
dos demais herdeiros. 
- Os consortes (marido e mulher) não poderão, em regra, fazer contrato entre si, com 
relação aos bens incluídos na comunhão (nulidade absoluta). Se não está na 
comunhão, pode vender. 
 
PROIBIÇÃO DA COMPRA (MESMO EM HASTA PÚBLICA) 
- Pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os bens confiados à sua 
guarda ou administração. 
- Pelos servidores públicos, os bens da União, dos Estados e dos Municípios, que 
estiverem sob sua administração direta ou indireta, aplicando-se a mesma disposição 
aos juízes, arbitradores, ou peritos que, de qualquer modo, possam influir no ato ou 
no preço da venda. 
- Pelos juízes, empregados da Fazenda, secretários de tribunais, escrivães e outros 
oficiais da Justiça, os bens ou direitos, sobre os quais se litigam em tribunal, juízo, ou 
conselho, no lugar onde esses funcionários servirem ou a que se estender sua 
autoridade. Pelos leiloeiros e seus prepostos quanto aos bens de cuja venda estejam 
encarregados e os corretores das Bolsas quanto aos bens a eles confiados. 
- O condômino, enquanto pender o estado de indivisão, não poderá vender a sua 
parte a estranho, se o outro condômino a quiser, devendo ser oferecida a este antes 
da venda. O condômino a quem não se der conhecimento da venda, poderá, 
depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, no prazo de seis 
meses. 
 
CLÁUSULAS ESPECIAIS À COMPRA E VENDA 
Cláusulas especiais que podem ser inseridas, com o consentimentos dos contratantes, 
chamadas de pactos adjetos. 
1) Retrovenda: é o direito que tem o vendedor de readquirir o imóvel que vendeu, 
dentro de certo prazo (máximo 3 anos - improrrogável, ininterrupto e insuscetível de 
suspensão), restituindo ao comprador o preço recebido, mais as despesas feitas pelo 
comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a 
autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias. 
 
2) Venda a contento e Venda sujeita a prova: Venda a contento consiste na 
hipótese de venda feita sob condição suspensiva, em que o negócio não se 
aperfeiçoa enquanto o comprador nãose declarar por satisfeito. Até o comprador 
manifestar a vontade, ele fica como um mero comodatário. Não havendo prazo 
estipulado para a manifestação do comprador, o vendedor terá direito de intimá-lo, 
judicial ou extrajudicialmente, para que o faça em prazo improrrogável. 
OBS: venda sujeita a prova (prova um pedaço e leva uma caixa por ex.) ->Na 
hipótese da coisa não apresentar as qualidades explicitadas pelo vendedor, ela poderá 
ser enjeitada, aplicando-se as regras do vício redibitório. 
 
3) Preempção, preferência ou prelação: contrato de compra e venda pode conter 
a cláusula segundo a qual o comprador se obriga a oferecer ao vendedor a coisa 
objeto do contrato (móvel ou imóvel), se caso o comprador for vendê-la a terceiro ou 
dá-la em pagamento. Não confundir com retrovenda, pois aqui não há obrigação de 
recompra. O preço é o mesmo que se vendesse para terceiros. Este direito de 
preferência é personalíssimo. Prazo máximo para o exercício da preempção: a) se a 
coisa for móvel, não poderá exceder 180 dias; b) se for imóvel, não poderá exceder 
02 anos. Se não houver prazo caducará, em 03 dias se for móvel, ou 60 dias se for 
imóvel. 
Se o comprador alienar a coisa sem ter dado ciência ao vendedor do preço e das 
vantagens que por ela lhe ofereceram, responderá por perdas edanos. Se o 
adquirente também estiver de má-fé, responde solidariamente.Prelação prevista em lei: 
 - o dono de bem desapropriado caso não tenha sido dado o destino para que se 
desapropriou ou não for utilizada em obras públicas, pelo preço atual. 
 - o condômino de bem indivisível. 
 - o locatário em relação ao bem locado, no prazo (decadencial) de 30 dias. Se o 
locador não respeitar o direito de preferência, há duas opções para o locatário 
preterido: reclamar perdas e danos ou depositar o preço (e demais despesas do ato 
de transferência) e haver para si o imóvel locado. Nesta última hipótese deve 
requerer no prazo de 06 (seis) meses, a contar do registro do ato no cartório de 
imóveis, desde que o contrato de locação esteja averbado pelo menos 30 dias antes 
da alienação, junto à matrícula do imóvel. 
 
4) Reserva de domínio: O vendedor transfere ao comprador a posse da coisa, mas 
conserva a propriedade até o pagamento. Ex: Vendo o carro e transfiro a posse para 
o comprador, mas a propriedade somente quando pagar todas as parcelas. O 
comprador só pode vender com autorização do vendedor. 
Se o comprador não pagar as prestações no vencimento, poderá o vendedor: 
- Pleitear a rescisão do contrato, reintegração de posse da coisa, devolvendo as 
prestações pagas (deduzidas as despesas); 
- Mover ação pleiteando a cobrança das prestações vencidas e vincendas, pois o 
atraso de uma prestação acarreta no vencimento antecipado das demais. 
 
5) Venda sobre documentos: Substitui-se a tradição da coisa, pela entrega de 
seu título representativo ou outros documentos exigidos no contrato. O vendedor, 
entregando os documentos, se libera da obrigação e tem direito ao preço; o 
comprador, na posse justificada de tais documentos, pode exigir do transportador a 
entrega da mercadoria. 
6) Pacto Comissório: a cláusula por força da qual se opera a extinção (resolução) 
dos direitos contratuais da parte contratante que não cumpre a sua prestação. Não 
está mais no CC, mas não é proibida. 
 
 
TROCA OU PERMUTA (ESCAMBO) 
O contrato de troca ou permuta é aquele pelo qual as partes se obrigam a dar uma 
coisa por outra coisa que não seja dinheiro. A permuta encerra uma dupla venda, 
onde cada um dos permutantes pagará metade das despesas da troca, além de 
pagar, cada um, o imposto sobre o valor do bem adquirido. 
 
NATUREZA JURÍDICA: Trata-se de um contrato bilateral, oneroso, comutativo e 
translativo de propriedade (há duas tradições, duas entregas). 
 
OBJETO: O objeto da permuta há de ser dois bens que puderem ser vendidos, 
mesmo sendo de espécies diversas e valores diferentes. Aplicam-se as mesmas 
disposições relativas à compra e venda (em relação às garantias, vícios 
redibitórios, evicção, etc.). Diferenças: 
 - o vendedor, uma vez entregue a coisa vendida, não poderá pedir-lhe a 
devolução no caso de não ter recebido o preço; já o permutante terá o direito de 
repetir o que deu, se a outra parte não lhe entregar o objeto permutado. (Lembrando 
que repetir é devolver). 
 - é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, 
sem o expresso consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante; 
se os valores forem iguais a troca é válida. 
 
 
CONTRATO ESTIMATÓRIO (VENDA EM CONSIGNAÇÃO) 
É o negócio jurídico em que alguém (consignatário) recebe de outrem (consignante) 
bens móveis, ficando autorizado a vendê-los, obrigando-se a pagar um preço 
estimado previamente, se não restituir as coisas consignadas, dentro do prazo 
ajustado. 
 
NATUREZA JURÍDICA: bilateral, oneroso, real (exige a entrega), comutativo, 
informal e temporário. 
 
EFEITOS: 
- o consignante não poderá dispor da coisa antes de lhe ser restituída ou de lhe ser 
comunicada a restituição. 
- a coisa consignada não poderá ser objeto de penhora pelos credores do 
consignatário, enquanto não for pago integralmente o seu preço. 
- o consignatário deverá pagar as despesas de custódia e venda. 
- consignatário pagará a restituição caso a coisa consignada se tornar impossível, 
ainda que por fato a ele não imputável. 
 
DOAÇÃO 
É o contrato pelo qual uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio 
bens ou vantagens para o de outra (donatário), que os aceita. 
 
NATUREZA JURÍDICA: Unilateral, gratuito, consensual, necessita aceitação (pode 
ser tácita, caso termine o prazo estipulado pelo doador para recusa). Se a doação for 
com encargos, exige-se a forma expressa. Forma escrita, exceto para bens móveis de 
pequeno valor. Ato inter vivos. 
 
CAPACIDADE ATIVA PARA DOAR 
- Os absoluta ou relativamente incapazes em regra não podem doar, nem mesmo 
por meio de representantes legais, visto que tais liberalidades não são feitas no 
interesse do representado. O pródigo (pessoa que dissipa seus bens; dilapida seu 
patrimônio) pode doar, desde que assistido por seu curador, que dará ou não sua 
anuência para o ato. 
- O cônjuge adúltero não pode fazer doação a seu cúmplice, sob pena de 
anulabilidade (pleiteada pelo cônjuge inocente ou seus herdeiros necessários, no 
prazo decadencial de até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal). 
- Os consortes (marido e mulher) não podem fazer doações entre si se o regime for 
da comunhão universal; se outro for o regime, não havendo disposição em contrário, 
nada obsta a doação, importando em adiantamento do que lhes couber por herança. 
 
REQUISITOS OBJETIVOS PARA A DOAÇÃO 
Esta coisa pode se referir a bem móvel ou imóvel; corpóreo ou incorpóreo; presente 
ou futuro. 
- Uma pessoa não pode doar todos os seus bens (doação universal), sem reserva de 
parte ou renda suficiente para sua subsistência (art. 548, CC). Nula será tal doação. 
Mas a proibição será eliminada se o doador se reservar o usufruto dos bens (ex: 
doa apto e continua morando). 
- Se com a doação o doador ficar insolvente, os credores podem anulá-la. 
- As pessoas que não podem contratar (os incapazes, relativa e absolutamente) 
podem aceitar doações puras (sem encargos). A doação feita ao nascituro é válida, 
desde que aceita pelos pais e somente se efetivará se houver o nascimento com vida 
do nascituro. 
 
ESPÉCIES DE DOAÇÃO 
- Pura e simples ou típica: não se impõe nenhum ônus. 
- Condicional: se subordina a ocorrência de um acontecimento futuro e incerto. 
- A termo: quando contém um termo inicial ou final. Ex: doei um sítio a João, que 
terá o direito de usá-lo durante dez anos. Depois João poderá usá-lo. 
- Contemplativa: ocorre quando a pessoa doa e declara o motivo da doação. Ex: 
Doei pelos excelentes serviços prestados. 
- Subvenção periódica: o doador estipula rendas ao donatário em periodicidade. 
Acaba com a morte do donatário. Se o doador morrer, pode continuar até o limite da 
herança, caso esteja estipulado. 
- Com encargo ou modal ou onerosa: quando o doador impõe ao donatário 
alguma incumbência em seu benefício, em proveito de terceiro ou de interesse geral. 
Ex.: doei um terreno com a obrigação de o donatárioali construir uma escola; Pode 
ser revogada por inexecução do encargo. Têm legitimidade para exigir o cumprimento 
do encargo o próprio doador, o terceiro por ele beneficiado, ou mesmo o Ministério 
Público (após a morte do doador), se o encargo for em benefício de interesse geral. 
Caso a doação não estabeleça um prazo para o cumprimento do encargo, pode o 
beneficiário conceder um “prazo razoável”, devendo constituir o donatário em mora 
por meio de uma interpelação judicial ou notificação. 
- Remuneratória: é aquela que tem por finalidade recompensar ou agradecer um 
serviço ou favor prestado pelo donatário ao doador. A parte que corresponde à 
retribuição do serviço prestado é pagamento; só será doação, propriamente dita, 
quanto à parte que exceder o valor desse serviço. 
- Com cláusula de reversão (resolutiva): o doador estipula que se o donatário 
morrer antes dele, os bens doados retornarão ao patrimônio do doador, gerando, 
assim, uma sucessão anômala. Apenas é permitida emfavor do próprio doador. Tem 
efeitos retroativos, anulando eventuais alienações feitas pelo donatário, fazendo os 
bens reverterem livres de quaisquer ônus ao doador. 
- Doação conjuntiva: é aquela feita em comum a mais de uma pessoa, sendo 
distribuída por igual entre os diversos donatários, exceto se o contrato estipulou o 
contrário (art. 551, CC). Caso os beneficiários sejam marido e mulher, falecendo um 
deles, terá o cônjuge sobrevivente o direito de acrescer à sua parte a do falecido. 
- Doação inoficiosa: ocorre quando uma pessoa doa a um filho bens que deveriam 
pertencer à legítima do outro, ou seja, é a que excede a parte do patrimônio 
quepoderia ser incluída no testamento. Assim, havendo herdeirosnecessários 
(art. 1.845, CC: descendentes, ascendentes ou cônjuge) o doador não pode 
ultrapassar metade dos bens da herança; aquilo que ultrapassar deve ser 
desconsiderado, nulo. 
- Doação a entidade futura: é aquela cujo donatário é uma pessoa jurídica que 
ainda não foi criada, mas que será constituída. Se isso não ocorrer no prazo de dois 
anos, haverá a caducidade do ato (trata-se de uma doação sob condição suspensiva: 
a criação da pessoa jurídica). 
 
DOAÇÃO A DESCENDENTES 
Adoação de ascendente a descendente, ou de um cônjuge a outro, importa 
adiantamento do que lhes cabe por herança (adiantamento da legítima). Ex: se o 
pai, que tinha três imóveis e três filhos, doar dois deles a um dos filhos? Resposta: 
neste caso a doação de um dos imóveis será válida, pois está dentro de sua parte 
disponível. Mas o outro não. Nesse caso, a doação que ultrapassou a parte disponível 
é considerada nula. Isto porque qualquer cláusula que altere normas de ordem 
pública de direito sucessório é considerada nula. 
Por ocasião da morte do doador, se faz necessário que os bens recebidos pelos filhos 
sejam arrecadados no inventário, para nova conferência, por meio da colação. 
Colação consiste na arrecadação dos bens recebidos pelos herdeiros do de cujus, 
quando este ainda vivia, trazendo-os todos para o processo de inventário, a fim de 
serem submetidos a uma conferência e divisão no juízo do inventário. Todavia, pode 
ocorrer que a doação tenha sido feita saindo os bens da parte disponível de seu 
patrimônio, dispensando-se expressamente o donatário da colação. Neste caso, a 
doação não importa em adiantamento da legítima. 
 
REVOGAÇÃO DA DOAÇÃO 
A doação pode ser revogada pela vontade das partes, vícios ou por: 
A) Ingratidão do donatário. Isto ocorrerá se o donatário: 
- atentar contra a vida do doador. 
- cometer alguma ofensa física contra o doador. 
- injuriar ou caluniar o doador. 
- recusar alimentos ao doador, desde que pudesse ministrá-los. 
 
A revogação deve ser pleiteada dentro do prazo decadencial de um ano, a partir do 
conhecimento do fato que a autorizar pelo doador, medianteação judicial. Trata-se 
deu um direito personalíssimo (art. 560, CC), ou seja,somente o próprio doador 
pode revogar uma doação. No entanto, se aingratidão consistiu em homicídio doloso 
contra o doador, a ação caberá aosseus herdeiros (art. 561, CC). Além disso, nas 
outras hipóteses, se o doadorrequereu a revogação judicialmente e depois faleceu, 
seus herdeiros podemcontinuar com a ação. O direito de revogação por ingratidão 
não pode ser renunciado antecipadamente. 
A revogação não prejudica os direitos adquiridos de terceiros. Se o donatário já 
vendeu um bem, o terceiro não fica prejudicado. Porém o preço recebido pelo 
donatário na venda deve retornar ao doador. 
Não se revogam por ingratidão as doações 
- puramente remuneratórias. 
- oneradas com encargo. 
- que se fizerem em cumprimento de obrigação natural (dívidas de jogo ou 
prescritas). 
- feitas para determinado casamento. 
 
B) Descumprimento do encargo imposto: a doação onerosa poderá ser revogada 
pela inexecução de um encargo, desde que o donatário incorra em mora. Não 
havendo prazo para o cumprimento, o doador poderá notificar judicialmente o 
donatário, assinalando-lhe prazo razoável para que cumpra a obrigação assumida. 
 
 
LOCAÇÃO 
A locação é o contrato pelo qual uma das partes, mediante remuneração paga pela 
outra, se compromete a fornecer-lhe, durante certo lapso de tempo, o uso e gozo de 
uma coisa infungível, a prestação de um serviço apreciável economicamente ou a 
execução de alguma obra determinada (os dois últimos não são mais locação pelo 
CC). 
 
LOCAÇÃO DE COISAS 
É o contrato pelo qual uma das partes (locador, senhorio) se obriga a ceder à outra 
(locatário, inquilino), por tempo determinado, ou não, o uso e gozo de coisa não 
fungível, mediante remuneração, sendo oneroso. Se houver mais de um locador ou 
locatário, entende-se que são solidários, se o contrato não estipulou o contrário. 
 
NATUREZA JURÍDICA: Bilateral; Oneroso; Típico; Comutativo; Consensual; 
Não solene (pode até ser verbal); Trato sucessivo (ou execução continuada). 
 
PARTES E ELEMENTOS: 
- Locador (senhorio ou arrendador): Não necessariamente é o proprietário, podendo 
ser o usufrutuário, o inventariante ou o sublocador. 
- Locatário: é oinquilino ou arrendatário 
- COISA (objeto): pode ser móvel ou imóvel, corpóreo ou incorpóreo, divisível ou 
indivisível. Por outro lado eledeve ser infungível (regra), inconsumível e suscetível de 
gozo. Além disso,deve ser sempre lícito e possível. É conveniente ressaltar que 
mesmo umbem inalienável pode ser locado. A locação do principal abrange os 
acessórios a menos que o contrato seja contra. 
- PREÇO: Ele deve ser certo, podendo ser em dinheiro ou qualquer outro bem. Deve 
também ser sério; se for irrisório será um empréstimo da coisa de forma 
dissimulada. Como vimos na aula sobre o Direito das Obrigações, é proibida 
qualquer forma de vinculação ao saláriomínimo, moedas estrangeiras e 
metais preciosos. 
 
FORMA E PRAZO: O prazo pode ser determinado ou indeterminado, dependendo 
do que se pactuar no contrato. Se não for estipulado um prazo exato, ele será 
indeterminado. A Lei do Inquilinato (LI) estabelece uma restrição paracontratos 
celebrados com prazo igual ou superior a 10 anos: depende de autorização ou 
vênia conjugal na hipótese de apenas um dos consortes ser o locador. 
 
LOCAÇÃO NO CÓDIGO CIVIL: As regras do Código Civil aplicam-se à locação de 
objetos (móveis e imóveis), que não se enquadram como prédios urbanos com fins 
residenciais e comerciais. 
- A qualquer tempo, vencido o prazo do contrato, pode o locador notificar o locatário 
para restituir a coisa. Se notificado, o locatário não restituir a coisa, pagará, 
enquanto a tiver em seu poder, o aluguel que o locador arbitrar, e responderá pelo 
dano que ela venha a sofrer, ainda que proveniente de caso fortuito. Mas se o aluguel 
arbitrado for manifestamente excessivo, o juiz pode reduzi-lo equitativamente, mas 
sempre tendo em conta o se caráter de penalidade. 
- Se a coisa foi alienada durante a locação, o novo proprietário não é obrigado a 
respeitar o contrato, salvo se o contrato contiver “cláusula de vigência no caso de 
alienação”, e conste do Registro de Imóveis. 
- Morrendo o locador ou locatário transfere-se a locação a seus herdeiros. 
 
LOCAÇÃO DE IMÓVEL URBANO RESIDENCIAL OU NÃO (LEI DO 
INQUILINATO): 
Não terá incidência: 
a) Na locação de: 
- imóveis de propriedade da União, dos Estados e dos Municípios, de suas autarquias 
e fundações públicas; o fundamento para esta não incidência é o interesse público, 
que não permite que tais locações se sujeitem ao regime privado; 
- vagas autônomas de garagem ou espaços para estacionamentos de veículos, desde 
que não haja vinculação com o imóvel locado; 
- espaços destinados à publicidade (neste caso aplicam-se as regras do poder de 
polícia concedidas às autoridades municipais, na regulação do interesse local); 
- apart-hotéis, hotéis-residências ou equiparados (flats); entende-se que esta 
hipótese se refere mais a um contrato de hospedagemdo que de locação, pois o 
pagamento é feito na forma de diárias e não de aluguel e não há ação de despejo. 
b) No arrendamento mercantil; 
c) Em imóveis rurais; 
 
- Não havendo prazo determinado o locatário poderá rescindir a locação, 
mediante aviso por escrito ao locador, com antecedência mínima de 30 dias. Havendo 
prazo determinado, ele não pode reaver o imóvel. O locatário pode devolver pagando 
a multa contratual (caráter compensatório – prefixação de perdas e danos). 
- O locatário pode ser exonerado da multa pela resilição antecipada da locação no 
caso de transferência do seu local de trabalho (pode ser de um bairro para outro em 
grandes centros urbanos), determinada pelo empregador, notificando o locador com 
30 dias de antecedência. 
- Aluguel adiantado só por temporada ou contrato sem garantia. 
 
GARANTIAS: O locador pode exigir uma delas: 
a) Caução: na prática esta garantia é em dinheiro, não podendo exceder a três 
meses de aluguel. Pode ser em bens (caução real) móveis ou imóveis. 
b) Garantia fidejussória: trata-se da fiança, que poderá ser pessoal ou bancária. 
c) Seguro de fiança locatícia: é o pagamento de uma taxa correspondente a um 
prêmio anual ou mensal ao locador. 
d) Cessão fiduciária de quotas de fundo de investimento: o locatário (devedor) 
cede, até que se dê a liquidação total da dívida ao locador (credor), os seus direitos 
creditórios. 
 
FIANÇA: promessa feita por uma ou mais pessoas (fiadores),de garantir ou 
satisfazer a obrigação de um devedor principal. Pode ser fiador qualquer pessoa 
maior que esteja na livre administração de seus bens.A fiança prestada sem 
autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia – Súmula 332 – 
STJ. 
Caso o contrato esteja vigendo em prazo indeterminado, o fiador pode pedir 
desoneração, estando obrigado nos 120 dias seguintes ao pedido. Depois, o locador 
pode pedir ao locatário para apresentar outro fiador. 
 
LOCAÇÃO RESIDENCIAL – Hipóteses: 
Contratos fixados por 30 meses ou mais: Findo o prazo, ocorre a resolução do 
contrato automaticamente. Se o locatário continuar na posse do imóvel alugado sem 
oposição do locador, presumir-se-á prorrogada a locação por 
prazoindeterminado. Caso haja oposição do locador, ele tem 30 dias para notificar 
o locatário, dando prazo para desocupação. Após o prazo, ele deve entrar com ação 
de despejo. 
Contratos fixados até 30 meses:Quando ajustado verbalmente ou por escrito e 
com prazo inferior a 30 meses, findo o prazo, a locação prorroga-se 
automaticamente, por tempo indeterminado. Neste caso o imóvel somente pode ser 
retomado (denúncia cheia ou motivada) somente em determinadas hipóteses. 
OBS: O contrato de locação somente é rescindido com a efetiva entrega das chaves 
do imóvel ao locador e não somente com a desocupação. 
O locatário tem direito de preferência na alienação, devendo ser notificado da venda 
pelo locador e manifestar-se no prazo de 30 dias. Caso aceite e mude de ideia, pode 
responder pelo prejuízo. 
O locatário preterido no seu direito de preferência poderá reclamar do alienante as 
perdas e danos. Poderá alternativamente, depositar o preço e demais despesas do ato 
de transferência e haver para si o imóvel locado. Mas isso se o requerer no prazo de 
seis meses a contar do registro do ato no cartório de imóveis, desde que o contrato 
de locação esteja averbado pelo menos 30 dias antes da alienação, junto à matrícula 
do imóvel. 
 
Transferência do contrato de locação 
Cessão locacional: transferência a outrem, mediante alienação, da posição 
contratual do locatário, desligando o locatário do contrato. 
Sublocação: locatário continua responsável, mas aluga para outra pessoa. 
Empréstimo: a outra pessoa, locatário continua responsável. 
OBS: Na cessão locacional, na sublocação e no empréstimo deve haver 
consentimento prévio, por escrito, do locador. 
Morte: falecendo o locador, os herdeiros receberão os direitos inerentes à locação. 
Falecendo o locatário, têm direito à continuidade da locação (sub-rogação) o Cônjuge 
sobrevivente e sucessivamente os herdeiros necessários e pessoas que viviam na 
dependência econômica do locatário, desde que residentes no imóvel para fins 
residenciais (inclui o/a companheiro/a) e o espólio do locatário falecido e a seguir o 
seu sucessor, no caso de locação não residencial. 
 
Locação de imóvel residencial ao empregado e direito de retomada: Esse tipo 
de locação exige contrato que contenha cláusula registrando que a locação somente 
vigerá enquanto o locatário trabalhar para o locador. Exige ainda que haja valor 
efetivamente pago ou descontado, a título de aluguel. 
 
 
 
EMPRÉSTIMO 
Empréstimo é o contrato pelo qual alguém entrega uma coisa para outrem, 
gratuitamente, obrigando-se este a devolver a mesma coisa ou a devolver outra da 
mesma espécie e quantidade. São contratos: benéficos, temporários,unilaterais e 
reais. São espécies o Comodato e o Mútuo: 
 
 
a) COMODATO: é o contrato unilateral, a título gratuito, pelo qual alguém 
(comodante) entrega a outra pessoa (comodatário) coisa infungível ou inconsumível, 
podendo ser móvel ou imóvel para ser usada temporariamente e depois restituída. 
Não restituída a coisa no prazo acertado, o comodatário entra em mora e ocorre o 
esbulho possessório, ou seja, a “posse” do comodatário passa a ser injusta e de 
má-fé. Ele passa a ser responsável pelos riscos, perda ou deterioração do bem. O 
comodante deverá utilizar a ação de reintegração de posse. O juiz pode arbitrar um 
aluguel-pena, não podendo ser maior do que duas vezes o valor de mercado, a fim de 
coagir o comodatário a entregar o bem. 
Ex: empresto a você minha casa na praia. 
 
NATUREZA JURÍDICA: Contrato unilateral; Gratuito (pode ser com encargo 
quando, por exemplo, convenciono que você vai pagar o condomínio); Real; 
Não solene (pode ser verbal), Temporário (pode ser por tempo 
indeterminado, o que não quer dizer perpétuo, porém suficiente para o fim a 
que se destinou); Intuitu personae (personalíssimo); 
 
- São proibidos de dar bens em comodato: os tutores, os curadores e o 
administradores, relativamente aos bens confiados à sua guarda. Cessa a proibição se 
houver autorização especial do Juiz. 
- O comodatário deve usar o bem para o fim proposto apenas, pagar as despesas 
relativas ao gozo (luz, água, etc.) e não emprestá-la ou aluga-la sem autorização. Ele 
terá direito à indenização das benfeitorias úteis e necessárias, bem como a levantar 
(levar embora) as voluptuárias, se a retirada não danificar o bem. 
- Se houver mais de um comodatário, todos responderão de forma solidária. Por 
outro lado o comodante continuará responsável pelas despesas extraordinárias e 
necessárias, feitas em caso de urgência, para a conservação da coisa. 
 
b) MÚTUO: é o contrato pelo qual alguém (mutuante) transfere a propriedade de 
bem fungível a outrem (mutuário), que se obriga a lhe restituir coisa do mesmo 
gênero,qualidade e quantidade. Não pode ser devolvido o correspondente valor 
em dinheiro. O mutuário pode dar o destino que quiser à coisa. Ex.: empréstimo de 
sacas de arroz para consumo, devolvendo-se outras da mesma qualidade e 
quantidade. 
 
NATUREZA JURÍDICA: Contrato unilateral e gratuito (contrato de mútuo pode 
ser oneroso, se se referir a empréstimo de dinheiro, onde se estipula o 
pagamento de juros); Real; Não solene (exceto no mútuo oneroso, que deverá ser 
convencionado expressamente); Temporário (por prazo curto e determinado ou 
determinável); Que supõe a transferência do domínio. 
 
MÚTUO FENERATÍCIO 
Trata-se do mútuo oneroso, permitido por nossa legislação, pois o Código Civil 
prescreve que se presumem devidos juros, (que não poderão exceder a taxa legal), 
destinando-se o mútuo a fins econômicos. 
 
 
MÚTUO FEITO A PESSOA MENOR 
Em regra, se o mútuo for feito à pessoa menor, sem prévia autorização de seu 
representante legal,o mutuante não poderá reaver a coisaemprestada uma vez 
que o contrato é inválido. Todavia, cessa essa disposição se: 
- a primeira pessoa de cuja autorização o menor precisava, ratifica o ato 
posteriormente. 
- estando ausente essa pessoa, o menor se viu obrigado a contrair o empréstimo para 
seus alimentos habituais. 
- o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho (nessa hipótese a execução do 
credor não pode ultrapassar as forças dos ganhos). 
- o empréstimo reverteu em benefício do menor. 
- o menor obteve o empréstimo maliciosamente. 
 
Alteração da situação econômica: o mutuante pode exigir garantia da restituição, 
se antes do vencimento o mutuário sofrer notória mudança em sua situação 
econômica. 
 
 
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO 
Prestação de serviço (ou locação de serviço) é o contrato em que uma das partes 
(pessoa física ou jurídica: prestador) se compromete com a outra (tomador) a realizar 
certa atividade, mediante remuneração, mas sem vínculo empregatício. O contrato de 
prestação de serviço do Código Civil tem natureza residual, pois somente será 
aplicado, quando não houver aplicação da CLT, CDC ou outras leis especiais. 
 
NATUREZA JURÍDICA: bilateral; comutativo;oneroso; consensual; não 
solene. 
 
- A remuneração é arbitrada pelas partes, podendo ser não necessariamente em 
dinheiro. Caso não estipulado, será segundo o costume do local, o tempo de serviço e 
a qualidade. 
- A locação de serviço não pode ser convencionada por mais de quatro anos. 
Decorrido este prazo, dar-se-á por findo o contrato, ainda que não concluída a obra. 
Pode ser celebrado outro contrato. Se não houver prazo, as partes podem rescindir, 
bastando aviso prévio de 8 dias se o salário for fixado mensal; 4 dias se for fixado 
quinzenal e no dia anterior se fixado por menos de 7 dias. 
- O contrato pode ser omisso quanto ao tipo de serviço, o locador se obriga a 
qualquer serviço compatível com as suas condições. 
- Se o locador rescindir o contrato sem justa causa, terá direito à retribuição vencida, 
mas responderá por perdas e danos.O locatário que, sem justa causa, despedir o 
locador, será obrigado a pagar-lhe por inteiro a retribuição vencida e por metade a 
que lhe tocaria se concluísse o contrato. 
- Caberá ao prestador executar pessoalmente o serviço contratado. 
- O contrato se encerra pela morte de qualquer uma das partes. 
OBS: Aliciamento de executores (art. 608. CC): “A” contratou “B” para prestar-lhe 
um determinado serviço durante o prazo de um ano, pela remuneração de 20 mil. 
Durante o contrato “C” aliciou “B” para desfazer o contrato com “A” e celebrar outro 
consigo mediante o valor de 30 mil. Neste caso, como “A” foi prejudicado, poderá 
exigir de “C” (aliciador) indenização referente ao valor de dois anos de prestação de 
serviço (40 mil), independentemente da quantidade de serviço que já foi prestada. 
 
 
EMPREITADA (LOCAÇÃO DE OBRAS) 
É o contrato pelo qual uma das partes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação ou 
dependência, a realizar, pessoalmente ou por meio de terceiros, certa obra para a 
outra parte (dono da obra, comitente, empreitador ou empreitante), com material 
próprio ou por este fornecido. Mesmo que demore mais que o esperado, não terá 
direito a qualquer majoração. Pode ser obra material ou intelectual. 
 
NATUREZA JURÍDICA: bilateral, comutativo, oneroso, consensual enão 
solene. 
 
CLASSIFICAÇÃO DA EMPREITADA 
A) QUANTO AO MODO DE FIXAÇÃO DO PREÇO OU REMUNERAÇÃO: 
 1. Empreitada a preço fixo(ou marché à forfait):Pode a retribuição é 
estipulada para a obra inteira, de antemão, em quantia certa e invariável. Pode ser a 
preço fixo absoluto (sem alteração na remuneração) ou relativo (permitidas 
alterações previsíveis). 
 2. Empreitada por medida(ou ad mensuram, ou marché sur dévis): O preço 
considera a fração da obra. Pagamento por parte concluída. 
 3. Empreitada de valor reajustável: possibilita que o preço varie segundo 
índices oficiais, procedendo-se à revisão periódica em datas preestabelecidas. 
 4. Empreitada por preço máximo: se estabelecer um limite de valor máximo. 
 5. Empreitada a preço de custo: responsabilidade o fornecimento dos 
materiais e o pagamento da mão-de-obra, mediante o reembolso do dependido, 
acrescido do lucro assegurado. 
 
B) QUANTO À EXECUÇÃO DO TRABALHO PELO EMPREITEIRO: 
 1. Empreitada de lavor: empreiteiro fornece apenas a mão-de-obra (sem os 
materiais). Na dúvida, há presunção relativa de que é essa modalidade adotada. 
 2. Empreitada de materiais de construção (ou mista): o empreiteiro, além 
do trabalho, fornece também os materiais; 
 3. Empreitada de projeto: o empreiteiro elabora um projeto que possibilite a 
realização tangível da obra. 
 
RESPONSABILIDADES 
- Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o 
empreiteiro de materiais e o de lavor responderão durante 05 (cinco) anos pela 
solidez e segurança do trabalho, tanto em relação aos materiais, como ao solo, 
exceto quanto a este, se prevenir a tempo o dono da obra. 
- Quando o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o 
momento da entrega da obra, não estando o comitente em mora. Estando em mora, 
os riscos correrão, por igual, contra as duas partes. 
- Quando o empreiteiro só fornece a mão-de-obra, todos os riscos correrão por conta 
do dono, exceto se o empreiteiro tiver culpa. 
- Sendo a empreitada unicamente de lavor, se a coisa perecer antes de ser entregue, 
sem mora do dono, nem culpa do empreiteiro, este perderá o salário, a não ser que 
prove que a perda resultou de defeito dos materiais, sobre cuja qualidade e 
quantidade reclamou a tempo. 
- O arquiteto ou construtor que, por empreitada, se incumbir de executar uma obra 
segundo aceito por quem a encomendou, não terá direito de exigir acréscimo de 
preço, ainda que haja aumento de salários ou encarecimento de materiais, nem ainda 
que se altere ou aumente a obra em relação à planta, exceto se alterou por 
instruções escritas do contratante. 
 
RECEBIMENTO DA OBRA: O dono não é obrigado a receber a obra se o empreiteiro 
se afastou das instruções percebidas e dos planos dados ou das regras técnicas 
previstas para o trabalho, podendo receber a obra com abatimento do preço. 
 
RESCISÃO DO CONTRATO: Sem indenização caso o empreiteiro adoeça de forma 
que não continuará a execução; por vício ou erro do empreiteiro ou não observância 
do contrato. 
 
 
DEPÓSITO 
Depósito é o contrato pelo qual uma pessoa (depositária) recebe de outra 
(depositante) um objeto móvel e corpóreo, para guardá-lo, temporária e 
gratuitamente, até que o depositante o reclame. Não há uso da coisa, apenas a 
guarda. 
 
NATUREZA JURÍDICA: Unilateral (às vezes bilateral, pois pode ser cobrado), real, 
gratuito (pode ser oneroso), temporário (caso não se estipule prazo, ele será de no 
máximo 25 anos, findo os quais ele será depositado no tesouro nacional por mais 5 
anos. Após isso incorpora ao TN). 
MODALIDADES 
1) Voluntário ou Convencional: Deve ser feito por escrito. 
2) Necessário: Não se presume gratuito. Pode ser: a) por imposição de lei 
(legal). Ex.: depósito de objeto achado. b) por ocasião de calamidade (também 
chamado de depósito miserável). c) depósito do hoteleiro ou hospedeiro (é 
considerada depositada em mãos do dono do hotel. Esta responsabilidade se estende 
mesmo em casos de furtos e roubos perpetrados pelos empregados e pessoas 
admitidas na hospedaria. A responsabilidade cessa se: celebrar convenção com o 
hóspede, o prejuízo não poderia ter sido evitado, o fato se deu por caso fortuito ou 
força maior ou culpa do hóspede.) 
3) Judicial (também chamado de sequestro): determinado por ato judicial, que 
entrega a terceiro, coisa litigiosa (móvel ou imóvel), com o intuito de preservá-la até 
que se decida a causa principal. Esse depósito é remunerado e confere poderes de 
administração, necessários à conservaçãodos bens. 
 
OBS: É ilícita a prisão civil do depositário infiel, qualquer que seja a 
modalidade de depósito. 
 
 
MANDATO 
Mandato é um contrato pelo qual alguém (mandatário, outorgado, procurador) 
recebe de outro (mandante, outorgante) poderes para, em seu nome (em nome do 
mandante), praticar atos ou administrar interesses. 
 
NATUREZA JURÍDICA: Contrato Bilateral, Gratuito ou Remunerado 
(oneroso): o mandato presume-se gratuito quando não houver sido estipulada 
retribuição, exceto se o seu objeto corresponder ao daqueles que o mandatário trata 
por ofício ou profissãolucrativa (ex.: o advogado, o despachante, etc.). 
Intuitupersonae. Representatividade,Revogabilidade: qualquer dos 
contratantes poderá por fim ao contrato, sem a anuência do outro ou qualquer 
justificativa. Forma Livre: Para os atos que exigem instrumento público ou particular 
(ex.: compra e venda de bens imóveis por escritura pública, fiança, aceite de cambial, 
etc.), o mandato não pode ser verbal, necessitando de instrumento. 
 
INSTRUMENTO DO MANDATO: O instrumento do mandato escrito é a procuração. 
A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. A 
procuração por instrumento público só é exigida em casos especiais (ex.: para os 
relativamente incapazes, o cego, o analfabeto, etc.). Deve sempre ter a assinatura do 
mandante e reconhecida a firma para ter efeito em relação a terceiros.A procuração 
deve ser por instrumento público quando dada por um cônjuge para o outro para: 
alienar, hipotecar ou gravar de ônus real os bensimóveis do casal; prestar fiança; 
fazer doação de bens ou rendimentos comuns, etc. 
 
ESPÉCIES 
1) Mandato Legal: É o que decorre da lei e dispensa qualquer instrumento. São 
seus exemplos: o mandato que os pais têm para representar os filhos menores e 
administrar-lhes seus negócios, bem como o dos tutores e curadores em relação aos 
tutelados e curatelados. Os sindicatos têm mandado legal para representar seus 
associados perante autoridades administrativas e judiciais, etc. 
 
2) Mandato Judicial: É o conferido em virtude de um processo judicial, sendo o 
mandatário nomeado pela autoridade judicial, como o Inventariante por exemplo. 
 
3) Mandato Convencional: Decorre de contratos entre as partes. 
 
NÃO SE ADMITE MANDATO: proíbe-se a realização de certos atos 
personalíssimos como fazer testamento ou revogá-lo, prestar exames, exercer 
cargos ou funções, exercício do voto, depoimento pessoal, recebimento de 
indenização por acidente trabalhista, etc. 
 
CLASSIFICAÇÃO DO MANDATO 
1) Quanto às relações entre mandante e mandatário: Oneroso ou gratuito. 
2) Quanto à pessoa do procurador: Singular ou simples e Plural (vários 
mandatários). Neste último caso, podem ser: 
a) Conjunto: se os mandatários não puderem agir separadamente. 
b) Solidário: se os mandatários puderem agir separadamente e independentemente 
da ordem de nomeação (qualquer um pode fazer qualquer coisa). 
c) Fracionário: se a ação de cada mandatário estiver delimitada, devendo cada qual 
agir em seu setor. 
d) Substitutivo: se um puder agir na falta do outro, mas observando sempre a ordem 
de nomeação. 
3) Quanto ao modo de manifestação de vontade: Expresso e Tácito. 
4) Quanto à forma de celebração: Verbal (pode ser provado por 
testemunhas) ou Escrito. 
5) Quanto ao objeto: Empresarial (se visar prática de atos de comércio) ou 
civil. 
6) Quanto ao fim: Ad Negotia (ou extrajudicial): se a ação do mandatário se der 
fora do âmbito judicial. Ad Judicia: mandatário (que deve ser sempre um advogado) 
age em juízo em nome do constituinte, sendo sempre oneroso. Deve ser por escrito 
e tem por objeto o patrocínio dos interesses de uma pessoa perante Juízos ou 
Tribunais. Não podem ser procuradores ad judicia: 
- os menores de 18 anos, a não ser que sejam emancipados. 
- os funcionários judiciais, escrivães, Juízes e membros do Ministério Público. 
- ascendentes, descendentes e irmãos do Juiz da causa. 
- ascendentes ou descendentes da parte adversa, exceto em causa própria. 
- vereadores, deputados e senadores não podem patrocinar causas contra as pessoas 
jurídicas de direito público. 
 
QUEM PODE OUTORGAR PROCURAÇÃO: Todas as pessoas capazes (maiores ou 
emancipadas). Os absolutamente incapazes não podem outorgar procuração, pois 
eles já têm um representante legal. Os relativamente incapazes só poderão outorgar 
mandato se estiverem assistidos pelo representante legal e mesmo assim deve ser 
feito por instrumento público (Há algumas hipóteses que pode praticar o ato sem ser 
assistido). 
 
SUBSTABELECIMENTO: significa transferir ou conferir a outra pessoa os poderes 
que o mandatário recebeu do mandante. Temos alguns casos: 
1) O mandato possibilita o substabelecimento: submandatário responde 
pessoalmente perante o mandante, como seu procurador. Neste caso haverá 
responsabilidade do mandatário que substabelece, só se o substabelecido for 
notoriamente incapaz ou insolvente. 
2) O mandato não confere poderes para substabelecer: o mandato é omisso; 
neste caso o substabelecimento é válido, mas o mandatário continua responsável por 
prejuízo causado a título de culpa do substabelecido. 
3) O Mandato proíbe o substabelecimento: neste caso o substabelecimento 
também é válido, sendo que o mandatário responde perante o mandante por 
qualquer prejuízo que aquele lhe causar, mesmo que seja por caso fortuito, salvo 
provando que o fato teria ocorrido ainda que não tivesse havido o substabelecimento. 
 
O substabelecimento pode ser ainda: 
a) Sem reserva de poderes: o procurador (substabelecente) transfere os poderes 
ao substabelecido definitivamente, renunciando ao mandato, devendo notificar o 
mandante, para que possa se isentar de quaisquer obrigações. 
b) Com reserva de poderes: o procurador (substabelecente) outorga poderes ao 
substabelecido (novo procurador), sem perdê-los; qualquer um dos dois pode exercer 
os poderes outorgados. 
 
PODERES ESPECIAIS: Em determinadas situações exige-se que a procuração seja 
minuciosa, dizendo exatamente os poderes que está outorgando. 
A) Exige poderes especiais, o mandado ad negotia para: alienar, levantar 
dinheiro, hipotecar, dar fiança, casar (art. 1.542, CC), emitir cheque, transigir (por 
fim a uma demanda através de um acordo), oferecer queixa-crime, etc. 
B) Exige poderes especiais o mandato ad judicia para: receber citação, receber 
e dar quitação, confessar, representar testamenteiro, transigir, etc. 
 
OBS: Quando o mandatário extrapola os poderes da procuração dizemos que ele agiu 
como gestor de negócios, que é a pessoa que, sem autorização, gera negócios 
alheios segundo a vontade presumível do dono. Ratificados tais atos pelo dono do 
negócio, tornam-se válidos e perfeitos. 
 
PROCURAÇÃO DADA A MENORES: Os menores, a partir de 16 anos, já podem 
ser mandatários ad negotia. Mas há um inconveniente: o mandante não tem ação 
de regresso contra ele, para cobrar-lhe os prejuízos eventualmente causados, exceto: 
- Se o menor foi autorizado pelo seu representante. 
- Se o menor se apresentou como maior ou ocultou a própria idade. 
 
OBS: Se houver mais de dois mandatários nomeados no mesmo instrumento, 
qualquer deles poderá exercer os poderes outorgados. 
 
EXTINÇÃO DO MANDATO: 
- Por revogação do mandante, que pode ser expressa ou tácita (mandante assume o 
negócio ou constitui novo mandatário. Deve comunicar ao mandatário anterior, caso 
não o faça o atos deste ainda valem). 
- Por renúncia do mandatário. No entanto ele deve comunicar a renúncia 
antecipadamente ao mandante, sob pena de arcar com os prejuízos daí decorrentes. 
- Por morte (até ser provada a morte o mandatário deve cumprir o mandato) ou 
interdição de qualquer das partes. 
- Pela mudança de estado civil que o inabilite para a outorga do mandato (ex: casou-
se e precisa da outorga do cônjuge para vender imóvel). 
- Término do prazo. 
- Pelaextinção da pessoa jurídica, quando o mandato for daqueles que decorrer do 
contrato social. 
 
OBS: a morte do representante do incapaz não extingue o contrato, bem como a 
morte do representante da pessoa jurídica não extingue o mandato conferido a 
terceiro. Ocorrendo a morte do mandatário, seus herdeiros têm obrigação de prestar 
contas. 
 
MANDATO IRREVOGÁVEL: Quando: 
- assim se convencionar. 
- conferido a sócio, pelo estatuto social. 
- forem condição de um contrato bilateral 
- em causa própria. 
 
MANDATO EM CAUSA PRÓPRIA: Trata-se de espécie de mandato em que o 
beneficiário é o próprio mandatário, podendo agir em seu próprio interesse, sendo 
irrevogável. Ex.: A confere mandato para B vender um terreno, sendo que B pode 
vendê-lo a si mesmo ou para terceiro. Isenta o mandatário de prestação de contas. 
Tem seus poderes ilimitados e não se extinguem pela morte do mandante, mas passa 
aos seus herdeiros. 
 
 
COMISSÃO 
Comissão é o contrato pelo qual uma pessoa (comissário) adquire ou vende bens, 
em seu próprio nome e responsabilidade, mas por ordem e por conta de outrem 
(comitente), em troca de certa remuneração, obrigando-se para com terceiros com 
quem contrata. São aplicáveis à comissão, no que couber, as regras sobre o 
mandato. A representação é indireta. O comissário deve ser empresário 
(comerciante), agindo diretamente em seu nome, de forma que o terceiro não pode 
ingressar contra o comitente. Trata-se de uma intermediação aliada à prestação de 
serviços. 
A comissão pode ser simples ou del credere (= da confiança). Esta é uma modalidade 
em que o comissário assume a responsabilidade deresponder pela solvência 
daquele com que vier a contratar no interesse e por conta do comitente. Depois, o 
comissário pode executar o devedor que não pagou. 
 
 
Natureza Jurídica: Trata-se de um contrato bilateral, oneroso, consensual e 
personalíssimo. 
 
Responsabilidade: o comissário é obrigado a agir com cuidado e diligência, não só 
para evitar qualquer prejuízo ao comitente, mas ainda para lhe proporcionar o lucro 
que razoavelmente se podia esperar do negócio. Responderá o comissário, salvo 
motivo de força maior, por qualquer prejuízo que, por ação ou omissão, ocasionar ao 
comitente. 
 
 
AGÊNCIA 
É o contrato pelo qual uma pessoa (agente ou representante comercial), sob 
remuneração, mas sem vínculo trabalhista, se obriga em caráter duradouro a 
negociar em certo lugar por conta do proponente, a sua marca. Aplicam-se 
supletivamente as regras da comissão e mandato. A diferença para a comissão é que 
o agente deve divulgar o nome do proponente e na comissão não. Não se aplica a 
cláusula del credere. Contém cláusula de exclusividade de produto e de local de 
venda (área específica), ou seja o representado não pode constituir outro 
representante naquela área exclusiva. Ex: Promotor de eventos, representante 
comercial. 
 
Natureza Jurídica: Contrato bilateral, oneroso, comutativo, consensual (pode até 
ser verbal) e personalíssimo. Contém cláusula de exclusividade de produto e de 
local de venda (área específica). 
 
 
DISTRIBUIÇÃO 
Quando o agente tem à sua disposição, a coisa do proponente, o contrato de agência 
chama-se de distribuição. O agente (nesse caso chamado de distribuidor) se obriga a 
comprar a mercadoria do proponente (fornecedor, fabricante) regularmente, para ser 
revendida em determinada região por ele determinada com exclusividade (ex: as 
distribuidoras/revendas de veículos); o fabricante fica obrigado a não vender a 
mercadoria a outro negociante na mesma região. 
OBS: o agente promove negócios; o distribuidor realiza vendas. 
 
 
CORRETAGEM 
Corretagem (ou mediação) é o contrato pelo qual uma pessoa, sem relação de 
dependência, se obriga, mediante remuneração, a obter para outrem um ou mais 
negócios, conforme as instruções recebidas, ou a fornecer-lhe as informações 
necessárias para a celebração do contrato. Ele não está vinculado aos que pretendem 
efetuar o contrato. 
 
NATUREZA JURÍDICA 
Trata-se de contrato bilateral, oneroso, aleatório ou comutativo, consensual e 
acessório. Trata-se de uma obrigação de fazer. E de resultado (e não de meio), pois 
não depende do serviço prestado propriamente, mas em razão do resultado obtido (a 
venda). 
 
 
TRANSPORTE 
O contrato de transporte é a aquele em que uma pessoa (transportador) ou 
empresa se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um local para outro, 
pessoas (transportado) ou coisas animadas ou inanimadas entregues por alguém 
(remetente ou expedidor). 
 
NATUREZA JURÍDICA: Bilateral, oneroso, comutativo, consensual. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
1) QUANTO AO OBJETO CONDUZIDO 
- Transporte de coisas ou mercadorias: O expedidor entrega a coisa ao 
transportador para ser entregue ao destinatário, mediante pagamento de frete. É 
possível que o próprio remetente seja, também destinatário (Mudança de móveis). O 
transportador recebe a mercadoria a ser entregue através de um documento 
chamado Conhecimento de Transporte ou Frete ou Mercadoria. É considerado 
um título de crédito, representativo das mercadorias nele mencionadas, sujeitando-se 
às normas de circulação desses títulos.O transportador poderá reter a mercadoria 
até receber o frete, bem como recusar despacho se a mercadoria estiver mal 
acondicionada, não respondendo neste caso, nem se a espécie de transporte faz 
naturalmente correr e nem se ocorrer caso fortuito ou força maior. Caso contrário ele 
responde por perdas, avarias e furtos. O remetente deve declarar a natureza, o 
valor e a relação das mercadorias a serem transportadas. Isto porque, quando o 
remetente entrega os objetos ao transportador, este se responsabilizará pela perda 
total ou parcial, furto ou avaria que venham a sofrer durante o transporte, sendo que 
sua culpa será sempre presumida (salvo exceções prevista na lei). O remetente corre 
os riscos oriundos de vício próprio, de caso fortuito ou força maior. A consignação 
pode ser alterada (alterar o destinatário), alterando-se o frete se for o caso. 
 
- Transporte de pessoas: otransportador se obriga a remover uma pessoa e sua 
bagagem de um local para outro, mediante remuneração. O viajante, ao contratar o 
transporte, pagando o bilhete de passagem, adquirirá o direito de transportar consigo 
sua bagagem, e o condutor assumirá a obrigação de fazer esse transporte. O 
passageiro só pagará o transporte de sua bagagem se houver excesso de peso, de 
tamanho ou de volumes. O transportador responde por danos provocados e por 
atrasos, a não ser em caso fortuito ou força maior. Pode reter a bagagem até o 
pagamento da passagem. O passageiro deve receber a restituição do valor do 
bilhete não utilizado se deixar de embarcar e provar que outro foi transportado em 
seu lugar. 
OBS: a responsabilidade do transportador não é elidida (eliminada) por culpa de 
terceiro. Se ocorrer algum acidente por culpa de terceiro, o transportador deve 
indenizar o transportado e depois acionar, de forma regressiva, o terceiro responsável 
pelo acidente. 
 
 
SEGURO 
Contrato de seguro é aquele pelo qual uma pessoa (segurador) se obriga perante 
outra (segurado), mediante o pagamento de um prêmio, a garantir-lheinteresse 
legítimo relativo a pessoa ou coisa e a indenizá-la de prejuízo decorrentes de riscos 
futuros, previsto no contrato. O segurador só pode ser pessoa autorizada pelo 
governo e o segurado deve ser capaz. 
 
NATUREZA JURÍDICA: Bilateral, oneroso, aleatório, formal, por adesão, boa-fé (Se 
o segurado mentir ou omitir: a) se estiver de má-fé: paga o prêmio vencido e perde 
o direito à garantia. b) se não estiver de má-fé: o segurador pode extinguir o 
contrato ou cobrar, mesmo após o sinistro, a diferença do prêmio). 
 
APÓLICE: Formaliza o contrato, podendo ser à ordem (transmissíveis por endosso 
em preto), nominativo ou ao portador (exceto o de pessoas). Classificam-se ainda emespecíficas quando ocupam de um risco apenas, plúrimasquando dizem respeito a 
vários riscos dentro de um mesmo contrato, abertasquando o risco se desenvolver 
ao longo da atividade, simplesquando o objeto do seguro é determinado 
precisamente sem que haja possibilidade de substituí-lo e flutuantes quando for 
possível a substituição da coisa segurada. 
A falta de apólice pode ser suprida pelo registro mediante a comprovação do 
pagamento do prêmio. 
OBS: Os contratos de seguro comerciais são regidos pelo Código Comercial e 
oscivis são disciplinados pelo Código Civil. 
 
SEGURO DE DANO: Após ocorrer o pagamento da indenização a seguradora tem o 
direito de cobrar os prejuízos do causador do dano (trata-se do direito de 
regresso). O seguro de responsabilidade civil (art. 787, CC) se caracteriza pelo 
fato da seguradora garantir o pagamento de danos que o segurado eventualmente 
causar a um terceiro. 
 
SEGURO DE PESSOA: O seguro não será pago se o segurado vier a falecer de morte 
voluntária nos dois primeiros anos de vigência inicial do contrato. O seguro de 
pessoas garante que o capital segurado seja livremente estipulado pelo 
proponente (diferentemente do seguro de dano onde o valor não pode ser maior do 
que o interesse segurado). Podetambém haver diversas contratações por seguradoras 
diferentes,independentemente do valor de cada contrato. O seguro pode ser feito por 
pessoa natural ou jurídica em proveito de grupo que a ela se vincule (art. 801, CC). A 
apólice de seguro só poderá ser modificada mediante a expressa anuência de 
segurados representados por três quartos do grupo.Pode ser feito sobre a vida dos 
outros, mas deve ser expressamente declarado o porquê. 
 
SEGURO DE VIDA: No seguro de vida ou de acidentes pessoais para o caso de 
morte, o capital estipulado não está sujeito às dívidas do segurado, nem se 
consideraherança para todos os efeitos de direito. Uma característica essencial do 
seguro de vida é a livre escolha dos beneficiários. O segurado pode, inclusive, preterir 
seus herdeiros em favor de estranhos. O segurador pode não indicar de imediato o 
nome do beneficiário. No entanto se falecer e não foi indicada a pessoa beneficiária, o 
capital segurado será pago a metade ao cônjuge não separado judicialmente, e o 
restante aos herdeiros do segurado. São direitos do segurado não ver aumentado 
o prêmio, embora agravados os riscos, em razão de fato alheio à sua vontade e 
receber reembolso de despesas feitas no interesse da seguradora para diminuir 
prejuízos. 
 
 
CONSTITUIÇÃO DE RENDA 
Contrato em que uma pessoa (instituidor ou censuísta) entrega certo capital, em 
dinheiro, bem móvel ou imóvel, a outra (rendeiro ou censuário), que se obriga a 
pagar, temporariamente, renda ou prestação periódica. O contrato de constituição de 
renda será feito a prazo certo (até uma data determinada) ou incerto (até a morte do 
beneficiário). Pode ser constituído causa mortis (o testador deixa a renda de herança) 
ou por sentença judicial (prestar alimentos ao ofendido ou a família da vítima). 
 
NATUREZA JURÍDICA: unilateral ou bilateral; gratuito ou oneroso (pode haver uma 
contraprestação); comutativo ou aleatório; real (entrega efetiva); temporário (pode 
até ser vitalícia, mas é proibida a perpetuidade e não se transmite aos herdeiros do 
beneficiário). 
JOGO 
É o contrato aleatório, em que duas ou mais pessoas convencionam entre si pagar 
certa soma àquela que conseguir um resultado favorável de um acontecimento 
incerto. Os jogos que dependem exclusivamente da sorte são proibidos ou ilícitos. 
 
APOSTA 
É a convenção em que duas ou mais pessoas de opiniões discordantes sobre qualquer 
assunto prometem, entre si, pagar certa quantia ou entregar determinado bem 
àquela cuja opinião prevalecer em virtude de um evento incerto. Diferencia-se 
primordialmente do jogo, pois nela sempre haverá um perdedor e um ganhador, e o 
seu cumprimento ou entrega dependerá de ato de terceiro. 
 
 
FIANÇA (CAUÇÃO FIDEJUSSÓRIA) 
É a promessa feita por uma ou mais pessoas, de garantir ou satisfazer a obrigação de 
um devedor, se este não a cumprir, assegurando ao credor o seu efetivo 
cumprimento. Lembrando que as garantias podem ser reais (coisas) ou fidejussórias 
(pessoais – fiança e aval). A fiança pode ser dada a qualquer tipo de obrigação, seja 
ela de dar (coisa certa ou incerta), de fazer ou de não fazer. É uma espécie dos 
contratos de caução ou garantia. É negócio entabulado entre credor e fiador; 
portanto o devedor (afiançado) não é parte na relação jurídica fidejussória. 
A Fiança pode ser de valor menor do que a obrigação principal, nunca maior! 
 
NATUREZA JURÍDICA: Acessório, unilateral e gratuito (pode ser oneroso). 
CARACTERÍSTICAS: Forma obrigatoriamente escrita. Interpretação restritiva de 
forma que se surgir alguma dúvida, interpreta-se a favor do fiador. Não se estende 
além do tempo convencionado. É obrigação subsidiária, porém pode ser pactuada a 
solidariedade, de forma que o credor possa acionar o devedor, o fiador ou os dois ao 
mesmo tempo. Pode ser estabelecida sem o consentimento do devedor ou contra a 
sua vontade. 
OBS: Súmulas STJ: o fiador na locação não responde por obrigações resultantes de 
aditamento ao qual não anuiu. A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges 
implica a ineficácia total da garantia. 
 
- O credor pode pedir a substituição se o fiador ficar insolvente ou incapaz. 
- O Fiador deve residir no mesmo município onde for prestar a fiança. Não podem ser 
fiadores os pródigos, os absolutamente incapazes, os relativamente incapazes, 
mesmo assistidos e o analfabeto, a não ser que o faça por procurador constituído por 
instrumento público, com poderes especiais. 
- Sendo nula a obrigação principal, também será a fiança. A exceção é para o caso de 
fiança dada tendo-se em vista uma obrigação contraída por menor. Embora a 
obrigação principal seja nula ou anulável, mesmo assim prevalece a fiança. Ex.: 
menor de 16 anos assina contrato de locação; o contrato é considerado nulo; mesmo 
assim, prevalece a obrigação do fiador quanto aos aluguéis não pagos pelo menor. O 
mesmo ocorre se a pessoa for menor de 18, porém maior de 16 anos (relativamente 
incapaz – anulável). No caso do contrato de mútuo feito por menor, a fiança é nula 
(exceção da exceção). 
 
BENEFÍCIO DE ORDEM: É o direito assegurado ao fiador de exigir do credor que 
acione, em primeiro lugar, o devedor principal. Não pode ser exigido se renunciou ao 
benefício, se for devedor solidário ou se o devedor for insolvente ou falido. 
OBS: O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que havendo cláusula expressa no 
contrato de locação de que a responsabilidade do fiador perdura até a efetiva entrega 
das chaves do imóvel, objeto da locação, não há que se falar em desobrigação do 
mesmo, ainda que o contrato tenha se prorrogado por prazo indeterminado. 
 
- Havendo mais de um fiador garantindo a mesma obrigação, estes são solidários 
entre si, aplicando-se lhes as regras das obrigações solidárias. Eles podem pactuar 
no contrato o benefício de divisão, onde cada um responderá pela parte que lhe 
couber exatamente. 
- O fiador que pagar integralmente a dívida ficará sub-rogado nos direitos do credor 
(executar o devedor), mas só poderá demandar a cada um dos outros fiadores pela 
respectiva cota. 
- No caso de morte do fiador, o contrato se extingue, mas as obrigações até o 
momento da morte passam para os herdeiros tendo como limite o valor da herança. 
 
EXTINÇÃO DA FIANÇA 
- Por vontade do fiador, quando tiver assinado o contrato de fiança sem limitação de 
tempo. 
- Morte do fiador. 
- Anulação judicial (falta de legitimação, vícios do ato jurídico, etc.). 
- Se, sem o consentimento do fiador, o credor conceder moratória ao devedor. 
- Se, por algum fato causado pelo credor, tornar-se impossível a sub-rogação do 
fiador nos seus direitos e preferências.Ex.: credor levantahipoteca que garante a 
dívida, sendo que por isso o fiador não pode sesub-rogar no direito de executar 
aquela hipoteca. 
- Se o credor, em quitação amigável, aceitar do devedor objeto diverso do pactuado e 
venha a perdê-lo por evicção. 
- Se o fiador indicar bens do devedor para serem executados em primeiro lugar, 
demorando-se o credor a executá-los, e caindo, posteriormente, o devedor em 
insolvência, libera-se o fiador. 
 
 
TRANSAÇÃO 
Trata-se de um negócio jurídico bilateral em que as partes fazem mútuas 
concessões, prevenindo ou extinguindo obrigações. É a composição amigável entre 
as partes, em que cada qual abre mão de suas pretensões, para evitar riscos de uma 
futura demanda (extrajudicial) ou extinguir um litígio que já foi instaurado (judicial). 
Exemplo: A alega que B lhe deve 200; B, por sua vez, admite que deve, mas afirma 
que a dívida é apenas de 100. As partes acabam entrando em acordo por 150. 
A transação somente é permitida em relação a direitos patrimoniais de caráter 
privado, ou seja, somente pode haver transação quanto a direitosdisponíveis, em 
que a parte pode dispor. Portanto, não é possível transaçãoem relação às coisas fora 
do comércio, como o estado e a capacidade daspessoas, legitimidade e dissolução do 
casamento, investigação de paternidade e alimentos (pode quanto ao valor, não 
quanto ao direito). 
 
 
COMPROMISSO 
Trata-se de um acordo de vontades (bilateral) por meio do qual as partes, preferindo 
não se submeter à decisão judicial (ou seja, a um processo judicial), confiam a 
árbitros a solução de seus conflitos de interesses. A exemplo da transação, também 
se restringe a direitos patrimoniais disponíveis. 
 
 
 
ESPÉCIES 
1. CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA: (pactum de compromittendo – tem um caráter 
preventivo): é a promessa de celebrar o compromisso futuramente; convenção 
(preliminar) através da qual as partes, em um contrato, comprometem-se a submeter 
à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato. Deve 
ser estipulada por escrito e é autônoma em relação ao contrato. 
 
2. COMPROMISSO ARBITRAL: é a regulamentação definitiva da arbitragem, feita 
após o surgimento do conflito de interesses. Pode ser judicial (quando ocorre no 
meio do processo, cessam as funções do Juiz togado e a partes passam a resolver 
suas pendências, a partir daí, por meio de nomeação de árbitros) ou extrajudicial 
(não foi ajuizada a ação. Pode ser celebrado por escritura pública ou escrito 
particular). 
OBS: A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes ou no prazo 
de seis meses, contado da instituição da arbitragem. Produz, entre as partes e seus 
sucessores os mesmos efeitos da sentença proferida pelos Juízes togados. Sendo 
condenatória, é considerada como um título executivo. A sentença proferida pelo 
árbitro não fica sujeita a recurso ou homologação do Poder Judiciário. No entanto 
pode ser impugnada se for nula (ex: o árbitro era absolutamente incapaz). 
Os árbitros são pessoas físicas capazes (exceto analfabeto) que tenha confiança das 
partes. Deve ser sempre em número ímpar. 
 
 
DIREITO DAS COISAS 
 
 
Podemos conceituar o Direito das Coisas como o conjunto de normas que regem as 
relações jurídicas concernentes aos bens corpóreos (móveis ou imóveis) ou 
incorpóreos (direitos autorais, propriedade industrial), suscetíveis de apropriação pelo 
homem, segundo uma finalidade social. Abrange: aquisição, exercício, conservação e 
perda de poder sobre os bens. 
 
POSSE 
Posse é o exercício pleno ou não de alguns dos poderes inerentes à propriedade 
(usar, gozar ou fruir, dispor e reivindicar). 
 
TEORIAS SOBRE A POSSE 
1. Subjetiva (Savigny): Poder físico sobre a coisa e intenção de tê-la para si. 
2. Objetiva (Ihering): Basta a disposição física ou possibilidade de exercer o contato 
sobre a coisa (dispensa-se a intenção de ser dono). Teoria adotada pelo CC. 
 
DETENÇÃO: ainda que uma pessoa exerça alguns poderes de fato sobre a coisa, a lei 
não o considera como possuidor, mas sim, um simples detentor da coisa (trata-se de 
um estado de fato inferior à posse). Isso decorre da situação de dependência 
econômica ou de vínculo de subordinação em relação à outra pessoa. Ex: Caseiro de 
sítio, motorista particular em relação ao carro do dono. Tem apenas a posse natural 
não podendo invocar ações possessórias nem usucapião. 
Obs.: Há entendimento no STJ no sentido de que a ocupação de área pública consiste 
mera detenção. 
 
NATUREZA JURÍDICA DA POSSE: A grande maioria de nossos civilistas entende 
que a posse é um Direito. A corrente mais seguida pela jurisprudência é a de que é 
um Direito Pessoal, pois o rol de Direitos Reais é taxativo no CC. Para a doutrina seria 
um Direito Real. 
 
ELEMENTOS DA POSSE 
Capacidade (pessoa natural ou jurídica), objeto lícito e possível (coisa corpórea ou 
incorpórea), forma livre e relação dominante entre o sujeito e o objeto (tudo que 
possa ser objeto de propriedade). 
 
FUNDAMENTO 
- Jus possessionis (posse formal): A Pessoa se instala no imóvel e se mantém de 
forma mansa e pacífica. Cria-se situação possessória que proporciona proteção à 
posse (contra terceiros e, em algumas hipóteses, contra o proprietário), 
independentemente de qualquer título. É fundado no fato da posse. 
- Jus possidendi (posse causal ou titulada): há uma causa justificando a posse. A 
pessoa possui um título ou outro direito real transcrito (enfiteuse, usufruto, etc.), ou 
contrato (locação, comodato, etc.). 
 
CLASSIFICAÇÃO DA POSSE 
1) Quanto à extensão da garantia possessória 
a) Posse Direta (ou imediata): exercida por quem detém materialmente a coisa; a 
pessoa mantém o contato direto com a coisa (poder físico imediato). Ex.: posse 
exercida pelo proprietário, locatário, comodatário, etc. 
b) Posse Indireta (ou mediata): exercida por meio de outra pessoa que não 
mantém contato direto com a coisa, pois ela cedeu o uso da coisa para outrem. Ex.: 
proprietário que tem a posse através do inquilino. 
Tanto o possuidor direto como o indireto podem defender a posse um contra o 
outroreciprocamente, bem como ambos contra terceiros. Isso porque a pretensão 
possessória decorre da posse mediata ou imediata sobre o bem. Uma posse não anula 
a outra. 
 
2) Quanto aos vícios objetivos 
a) Justa: Exercida de forma mansa e pacífica, pública e contínua. Isenta de vícios 
originais. Possuidor é o proprietário ou alguém autorizado por ele. 
b) Injusta: sua aquisição fundou-se em um dos vícios possessórios: Violência (por 
meio de força física ou moral), Clandestinidade (sem que o proprietário saiba) e 
Precariedade (abuso de confiança, era legítima no começo mas torna-se injusta na 
não devolução). A posse injusta pode ser defendida contra terceiros, mas não contra 
aquele de quem a tirou. O vício passa para os sucessores, ainda que tenham recebido 
de boa-fé. Tem-se a exceção no caso em que o adquirente a título clandestino ou 
violento prova que a sua clandestinidade ou violência cessaram há mais de ano e dia. 
O mesmo não ocorre com a precariedade, pois esta nunca cessa. 
OBS: Esbulho: é o ato pelo qual a pessoa é despojada, injustamente, daquilo que lhe 
pertence ou estava em sua posse, por violência, clandestinidade ou abuso de 
confiança. Turbação: é ato injusto ou abusivo que embaraça o livre exercício da 
posse. 
 
3) Quanto ao elemento psicológico (subjetividade) 
a) Boa-fé: o possuidor ignora os vícios ou os obstáculos que lhe impedem a aquisição 
da coisa. Há a convicção de que a coisa lhe pertence e que está agindo de acordo 
com a lei. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo prova 
em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção. Considera-
se justo título para presunção relativa da boa-fé do possuidor o justo motivo que lhe 
autoriza a aquisição derivada da posse, estejaou não materializado em instrumento 
público ou particular. Compreensão na perspectiva da função social da posse. 
b) Má-fé: o possuidor tem ciência da ilegitimidade de seu direito de posse em razão 
dos vícios impeditivos de sua aquisição: violência, clandestinidade ou precariedade. 
Toda posse de má-fé é injusta, mas nem toda posse injusta é de má-fé. 
 
4) Quanto à idade (Mais usada no Processual Civil) 
a) Nova: menos de um ano e um dia. 
b) Velha: é a que conta com um ano e um dia ou mais. 
Passado o prazo de 1 ano e 1 dia, a posse continua injusta, o que ocorre é que o 
proprietário-vítima não terá mais direito à liminar (para desocupação) na ação 
possessória. 
 
5) Quanto aos seus efeitos 
a) Ad interdicta: quando molestada pode ser defendida pelas ações possessórias, mas 
impede a aquisição da propriedade por usucapião. Ex: Locatário. 
b) Ad usucapionem: prolonga-se por determinado lapso temporal previsto em lei, 
admitindo a aquisição do domínio pela usucapião. 
 
6) Quanto à produtividade 
a) Produtiva (posse-trabalho ou pro labore): prática de atos que possibilitam o 
exercício da função social da propriedade (moradia ou investimentos econômicos). 
b) Improdutiva: o imóvel não é explorado, tornando-se inútil. 
 
AQUISIÇÃO DA POSSE 
A partir do momento em que pode exercer no seu nome os direitos de propriedade. 
 
1. Aquisição Originária: decorre unicamente da vontade do adquirente (ato 
unilateral). Não há relação de causalidade entre a posse atual e a anterior. Espécies: 
a) Apreensão: aplica-se nas coisas de ninguém (res nullius), abandonadas (res 
derelictae) e nos bens retirados de outrem sem permissão (embora injusta, 
considera-se posse). 
b) Exercício de direito: utilização econômica do direito. Ex.: linha telefônica, servidão 
de aqueduto passada por terreno alheio sem oposição, etc. 
 
2. Aquisição Derivada: há transmissão da posse do antigo possuidor ao novo (ato 
bilateral), em razão de um título jurídico, conservando o caráter anterior. Pode ser 
inter vivos (compra e venda) ou causa mortis (sucessão hereditária). 
a) Tradição: entrega da coisa. 
b) Constituto possessório (cláusula constituti): ato pelo qual alguém, que possuía um 
bem (móvel ou imóvel) em nome próprio, passa a possuí-lo em nome alheio. Ex: 
Proprietário vende a casa e o novo dono o deixa ficar como inquilino. 
c) Acessão temporal: A posse pode ser continuada somando-se o tempo do atual 
possuidor com o dos seus antecessores, facilitando a usucapião. Abrange a união 
(compra e venda, doação) e a sucessão (herdeiros continuam a posse em lugar do 
falecido). 
OBS: Para o STJ a pose de bem público sem a aquiescência do titular do domínio uma 
mera detenção precária. 
 
Quem pode adquirir a posse: a própria pessoa que a pretende (desde que capaz) ou 
seu representante: legal (pais, tutores e curadores) ou convencional com poderes 
especiais (mandatário). Terceiro, mesmo sem mandato, dependendo de ratificação 
posterior (gestor de negócios). 
 
EFEITOS DA POSSE 
1. Faculdade de propor ações possessórias (interditos): tem a finalidade de 
defender e proteger a posse. 
A) Típicas (stricto sensu): Exige-se a condição de possuidor, mesmo que não 
tenha título. O detentor não tem essa faculdade. 
 - Interdito proibitório: Proteção preventiva da posse, ante a ameaça de 
turbação ou esbulho, desde que haja justo e fundado receio de que estas possam 
ocorrer. 
 - Manutenção da posse: Quando há turbação (direta ou indireta, positiva ou 
negativa), ou seja, ato que atrapalhe, incomode, moleste o livre exercício da posse, 
causando ou não danos (não há perda da posse). 
 - Reintegração de posse: Quando há esbulho. Visa recuperar a posse. 
OBS: Em todas elas é possível cumular o pedido possessório com o de condenação 
em perdas e danos e a cominação de multa em caso de transgressão da ordem, ou 
em caso de reincidência na turbação ou no esbulho. Quando mais de uma pessoa se 
disserem possuidoras, será mantida provisoriamente aquela que tiver a coisa em suas 
mãos, se não a obteve de forma injusta. Havendo perecimento ou deterioração 
considerável da coisa, o possuidor somente terá direito à indenização. 
 
B) Atípicas (lato sensu): a posse é tutelada de forma indireta. Estão relacionadas 
com a posse, mas são mais ligadas à propriedade e ao direito de vizinhança, 
analisadas pelo Direito Processual Civil. 
 - Nunciação (ou embargo) de obra nova: impede a continuação de obras no 
terreno vizinho prejudiciais ou em desacordo com a lei ou regulamentos 
administrativos. 
 - Dano infecto: baseado no justo receio de que problemas no imóvel do 
vizinho lhe causem prejuízos. Obtém caução do vizinho contra eventuais danos. 
 - Embargos de terceiro: remédio jurídico adequado para aquele que não era 
parte do processo, mas veio a sofrer apreensão judicial de seus bens (penhora), pois 
os mesmos estavam em poder de outrem. 
 - Imissão de posse: Usada quando quem adquire um imóvel e não obtém a 
posse deseja obtê-la. Ex: Compro o imóvel e o antigo proprietário não sai. 
 
2. Autotutela da Posse: Exercer a autodefesa nas situações. Os atos não podem ir 
além do indispensável à manutenção ou restituição da posse, devendo ser 
proporcionais à agressão. 
a) Legítima defesa: possuidor molestado pode reagir contra o agressor, 
empregando meios estritamente necessários para manter-se na posse. 
b) Desforço imediato: possuidor pode recuperar a posse perdida, empregando 
meios moderados, agindo pessoalmente ou sendo ajudado por amigos ou serviçais. 
 
3. Frutos e benfeitorias: 
a) Possuidor de boa-fé: tem direito de usar e fruir a coisa e aos frutos percebidos. 
Cessando a boa-fé não tem direito aos frutos pendentes. Se colhê-los deve devolver 
deduzidas as despesas de produção e custeio. Deve ser indenizado pelas benfeitorias 
necessárias e úteis, podendo reter o bem até este valor. As voluptuárias podem ser 
levantadas. 
Obs: Súmula 335 STJ: “Nos contratos de locação, é válida a cláusula de renúncia à 
indenização das benfeitorias e ao direito de retenção”. 
b) Possuidor de má-fé: responde pela perda ou deterioração da coisa, ainda que 
acidental, salvo se provar que de igual modo se teria dado estando a coisa na posse 
do reivindicante. É responsável pelos frutos colhidos e percebidos e pelos que, por 
sua culpa, se perderam. Tem direito às despesas de produção e custeio (evitando-se 
o enriquecimento sem causa) e a indenização somente pelas benfeitorias necessárias, 
nada podendo reter ou levantar. 
 
PERDA DA POSSE: quando cessa o poder sobre o bem: Abandono, tradição, perda 
ou destruição total. 
 
COMPOSSE (ou compossessão): Duas ou mais pessoas exercem, 
simultaneamente, poderes possessórios sobre a coisa. Se duas ou mais pessoas 
possuírem coisa indivisa, poderá cada um exercer sobre ela atos possessórios, 
contanto que não excluam os dos outros compossuidores. Pode ser Pro diviso (cada 
um possui uma parte específica) e Pro indiviso (não se sabe qual parte pertence a 
cada um). 
 
 
PROPRIEDADE 
É o direito que a pessoa física ou jurídica tem de usar (jus utendi), gozar (jus 
fruendi), dispor (jus abutendi ou dispodendi) de um bem (corpóreo ou incorpóreo) ou 
reavê-lo (rei vindicato) de quem injustamente o possua ou detenha. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
1. Plena: a pessoa possui todos os elementos da propriedade em suas mãos, sem 
que terceiros tenham quaisquer direitos sobre o bem. 
2. Limitada (restrita): recai algum ônus (hipoteca, usufruto) ou é resolúvel. A 
pessoa abre mão de um ou alguns dos poderes da propriedade em favor de outrem. 
Pode ser nua propriedade (titularidade) e Domínio útil (direito de usar, gozar e 
dispor da coisa, não sendo o proprietário – enfiteuta, usufrutuário). 
 
Caracteres da Propriedade 
1. Absoluto: o titular pode utilizar o bem como quiser, sujeitando-se apenas às 
limitações legais ou à coexistência do direito de propriedade de outros titulares. 
2. Exclusivo:uma mesma coisa não pode pertencer com exclusividade (portanto 
ressalvado o condomínio, que recai sobre a parte ideal) e simultaneamente a duas ou 
mais pessoas. 
3. Perpétuo: subsiste independente de seu exercício. 
4. Elástico: pode ser distendida ou contraída no seu exercício, conforme lhe 
adicionem ou subtraiam poderes destacáveis (nua propriedade e domínio útil). 
 
Objeto: tudo que tenha valor econômico determinado e seja aproveitável pelo 
homem. 
 
Proteção – Ações 
1. Ação Reivindicatória: É a ação do proprietário (só pode ser usada por ele) contra 
o possuidor sem título ou suporte jurídico, mesmo que de boa-fé. Deve provar o 
domínio (prova da propriedade: registro), a individualização da coisa (limites) e que 
está na posse injusta do réu. Faz com que o possuidor restitua o bem com todos os 
acessórios. Se impossível essa devolução por ter perecido a coisa, o proprietário terá 
direito de receber o valor da coisa. 
2. Ação Negatória: defesa do domínio quando o proprietário sofre turbação no 
exercício de seu direito (empregada nos conflitos de vizinhança). 
3. Ação Declaratória: dissipa dúvidas a respeito do domínio. 
4. Ação de indenização proveniente de ato ilícito (ex.: destruição da casa em 
razão de danos provocados por um caminhão desgovernado). 
5. Ação de indenização proveniente de ato lícito (ex.: desapropriação). 
 
PROPRIEDADE RESOLÚVEL 
Quando o próprio título de aquisição está subordinado a ocorrência de uma condição 
resolutiva ou de um termo final. Situações: 
a) Ocorrência de fato previsto no contrato: O próprio título constitutivo 
(contrato) prevê a causa da extinção do direito de propriedade: o implemento de 
condição resolutiva, ou a expiração de prazo (termo final). Exemplo: fideicomisso. O 
testador A (fideicomitente) deixa ao legatário B (fiduciário) uma casa até abril de 
2040, quando então a propriedade será C (fideicomissário), filho de B e não 
concebido ao tempo da morte de A. Outro exemplo é a Retrovenda. Nessas hipóteses, 
a decisão que decreta a extinção do direito de propriedade produz efeitos ex tunc. 
b) Ocorrência de fato superveniente não previsto no contrato: caso de 
desfazimento da venda feita por condômino sem dar preferência aos demais 
condôminos ou na revogação de doação por ingratidão. Efeitos ex nunc. 
 
DA PROPRIEDADE IMÓVEL 
Aquisição: incorporação dos direitos de dono ao titular, podendo ser originária 
(acessão/usucapião - não há transmissão de uma pessoa a outra) ou derivada 
(contratos ou sucessão legítima/testamentária). 
 
ACESSÃO 
Direito que o proprietário tem de acrescer aos seus bens tudo o que se unir ou 
incorporar a eles, natural ou artificialmente.Espécies: 
1. Ilhas formadas por força natural: Interessam ao direito civil somente as formadas 
em rios não-navegáveis. 
2. Aluvião: Acréscimo de terras às margens do rio, mediante lentos e imperceptíveis 
depósitos naturais ou desvios das águas (aluvião própria). Não se consideram os 
realizados por ação humana. 
3. Avulsão: Repentino deslocamento de uma porção de terra avulsa por força natural 
violenta, desprendendo de um prédio e juntando-se a outro. O dono do imóvel 
desfalcado perde a parte deslocada, mas pode exigir indenização dentro do prazo 
decadencial de um ano. Se o dono do imóvel acrescido não pagar a indenização, deve 
permitir a remoção da parte acrescida. 
4. Abandono de álveo: Rio seca ou desvia seu curso de forma natural e permanente. 
Mesma solução da formação de ilhas: traça-se uma linha mediana imaginária, o álveo 
abandonado pertencerá aos proprietários ribeirinhos das duas margens até o seu 
meio, sem que os proprietários dos terrenos por onde o rio abriu novo curso tenham 
direito a indenização. 
5. Acessões Artificiais (física ou industrial) – Deriva de um comportamento ativo do 
homem (ex.: plantações, construções), possuindo caráter oneroso. Submete-se à 
regra de que tudo aquilo que se incorpora ao bem em razão de uma ação, cai sob o 
domínio de seu proprietário. Se for em terreno alheio perde em proveito do 
proprietário, tendo direito a indenização se agiu com boa-fé. 
 
USUCAPIÃO 
Situação de domínio pela posse prolongada no tempo, independente da vontade do 
titular anterior. Necessita da posse e não pode ter havido oposição desta posse. Deve 
se requerido ao juiz que lhe reconheça a propriedade e a sentença deve ser 
registrada no registro de imóveis. Após um prazo não pode mais ser questionada. 
Também chamada de prescrição aquisitiva. 
Não pode ser requerida entre cônjuges na constância da sociedade conjugal, entre 
ascendentes e ascendentes durante o poder familiar, contra absolutamente 
incapazes. Não podem ser usucapidas: coisas fora do comércio, imóveis com cláusula 
de inalienabilidade e bens públicos. 
 
Modalidades 
1. Extraordinária: Posse exercida de forma mansa e pacífica (ou seja, sem 
oposição,sem contestação de quem tenha legítimo interesse), contínua (sem 
interrupções) e com animus domini (intenção de dono). Se o proprietário ingressar 
com alguma medida judicial, quebra-se a continuidade da posse (lembrando que 
providências extrajudiciais não significam “oposição”). Prazo: 15 anos. Reduz-se para 
10 anos se o possuidor estabelecer no imóvel sua moradia habitual ou realizar obras 
ou serviços decaráter produtivo. Não é necessário provar boa-fé ou justo título. Se 
adquirida pormeio de atos violentos ou clandestinos, não induzirá posse, enquanto 
não cessar a violência ou a clandestinidade; se adquirida a título precário, jamais se 
convalescerá. 
Sentença judicial. 
 
2. Ordinária: Posse mansa, pacífica, contínua e com animus domini. Prazo: 10 anos. 
Reduz-se para 05 anos se o imóvel foi adquirido onerosamente, desde que o 
possuidor nele estabeleça sua moradia ou faça investimentos de interesse social e 
econômico (produtividade). Justo título – Ato jurídico que habilita uma pessoa a 
adquirir o domínio da coisa, mas que não produziu efeitos porque: 
a) otransmitente não era o dono da coisa, embora acreditasse sê-lo; 
b) o transmitente não tinha o direito de dispor da coisa ou a transferiu por ato nulo; 
c) houve erro no modo de aquisição (foi adquirido por instrumento particular, quando 
se exige escritura pública). Boa-fé – Ignorância de vícios que impediriam a aquisição 
dodomínio. Sentença judicial. 
 
3. Especial: Não necessitam de título ou boa-fé. Em áreas rurais para imóveis com 
menos de 50Ha, destinados a moradia, posse por 5 anos ininterruptos e sem 
oposição, não ter outro imóvel e tornar a propriedade produtiva. Para áreas urbanas 
são as mesmas regras, exceto o tamanho (250m2), mas não precisa tornar 
produtivo. 
OBS: A posse por 2 anos de imóvel urbano de até 250m2, utilizada para moradia, 
dividida com ex-cônjuge que abandonou o lar, enseja o domínio integral, caso não 
possua outro imóvel. 
 
Usucapião coletiva e desapropriação 
A Lei n° 10.257/01 (Estatuto da Cidade) a admite quando áreas urbanas com mais de 
250 m², ocupadas por população da baixa renda para sua moradia, por 05 anos, 
ininterruptamente, sem oposição e com animus domini, onde não for possível 
identificar os terrenos ocupados de cada possuidor e desde que não sejam 
proprietários de outro imóvel, urbano ou rural. Na sentença, o juiz atribui igual fração 
ideal de terreno a cada possuidor, independentemente da dimensão daquele que cada 
um ocupe. 
Um proprietário pode ser privado do imóvel que está reivindicando quando este 
consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, 
de considerável número de pessoas que nela houverem realizado, em conjunto ou 
separadamente, obras e serviços considerados de interesse pessoal e econômico 
relevante. Assim, mantém-se no bem aquele que lhe deu uma função social. Trata-se 
da desapropriação judicial por posse trabalho. 
OBS: Usucapião é forma originária de aquisição. 
 
DIREITO HEREDITÁRIO 
Forma de transmissão derivadada propriedade que se dá causa mortis, em que o 
herdeiro (legítimo ou testamentário) ocupa o lugar do de cujus em todos os seus 
direitos e obrigações. Com a abertura da sucessão (morte do proprietário), a herança 
se transmite, de imediato, aos herdeiros. Estes são considerados, num primeiro 
momento, condôminos dos bens herdados. Realizado o inventário e a partilha é 
expedido o formal de partilha, a ser transcrito no registro de imóveis. Após isso cada 
herdeiro adquire a propriedade individual dos imóveis da herança. 
 
 
DA PROPRIEDADE MÓVEL 
Aquisição: 
1. Originário 
 a) Ocupação: Pode ser por ocupação propriamente dita (seres vivos ou 
coisas inanimadas), descoberta (quando alguém acha coisa móvel perdida – tem 
direito a recompensa chamada achádego) e tesouro (depósito antigo de moedas ou 
coisas valiosas – se achado no meu terreno é meu; no do vizinho reparte-se o 
tesouro, caso a descoberta seja por acaso. Se eu já tinha intenção, o tesouro é do 
dono do terreno). 
 b) Usucapião: Como nos bens imóveis, pode ser extraordinária (sem justo 
título ou boa-fé – 5 anos) e ordinária (justo título – 3 anos). Posse mansa sem 
oposição. 
 
2. Derivada 
 a) Tradição: Real (entrega material da coisa), simbólica (atos que indicam a 
transmissão – entrega das chaves do carro) e consensual (Traditio longa manu: a 
coisa é posta à disposição do adquirente, por ser impossível a entrega manual, 
Traditio brevi manu: o adquirente já era o possuidor da coisa e se torna proprietário). 
 b) Especificação: Transformação de uma coisa móvel em espécie nova, pelo 
trabalho ou indústria do especificador, desde que não seja possível reduzi-la à sua 
forma primitiva (esculturas, lapidação de pedras preciosas). 
 c) Confusão(mistura líquida), comistão (mistura sólida) e 
adjunção(justaposição – tinta e parede): Coisas pertencentes a pessoas diversas se 
mesclam ou se misturam de forma a impossibilitar a separação. 
 
Se a mistura não foi autorizada e for possível a separação sem deterioração, cada 
coisa continua a pertencer ao seu dono. 
Se a mistura foi involuntária e for impossível a separação (ou se exigir dispêndio 
excessivo), a coisa permanece indivisa, ocorrendo um condomínio necessário. Neste 
caso cada um dos donos terá quinhão proporcional ao valor da coisa com que entrou 
para a mistura. Se uma das coisas puder ser considerada principal em relação às 
outras, o domínio da espécie nova será atribuído ao dono da principal, tendo este a 
obrigação de indenizar os demais. 
Se a mistura for promovida de má-fé a outra parte poderá optar por adquirir o todo, 
pagando o que não for seu, abatida a indenização que lhe for devida, ou então 
renunciar ao que lhe pertence, sendo indenizado. 
 d) Sucessão hereditária: herança ou legado. 
 
 
PROPRIEDADE EM CONDOMÍNIO 
É sujeição de uma coisa (divisível ou indivisível) à propriedade simultânea e 
concorrente de mais de uma pessoa (condôminos). A cada uma será atribuída uma 
parcela ou quota ideal da parte que lhe couber sobre o objeto comum. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
1. Quanto à origem: Convencional (voluntário), Incidental (eventual) e Necessário 
(forçado - deriva de imposição da lei). 
2. Quanto ao objeto: Universal (totalidade do bem) e Particular (sobre coisa 
determinada). 
 
CONDOMÍNIO CONVENCIONAL: Cada condômino exerce o direito de propriedade 
sobre a coisa toda, delimitado por igual direito dos demais condôminos, na medida de 
suas quotas, pertencendo a todos a utilidade econômica da coisa. O direito de cada 
condômino ante terceiros abrange a totalidade dos poderes da propriedade. Um 
condômino pode mover ação de despejo contra o inquilino, mesmo na omissão ou 
declarada oposição dos demais. 
Caso queira vender sua parte, o condômino deve respeitar o direito de preferência 
dos demais. A venda feita a um estranho com preterição da regra só será definitiva 
após o decurso do prazo decadencial de 180 dias (contado a partir do momento em 
que cada condômino teve conhecimento da venda). 
Cada um pode hipotecar ou dar em garantia real a sua parte e requerer a qualquer 
tempo a divisão da coisa. 
Cada um suporta os ônus da sua parte e despesas de conservação, bem como 
responde pelos frutos percebidos. 
Os condôminos podem usar a coisa comum pessoalmente e pela maioria dos votos, 
decidir se será alugada ou administrada por terceiros. Para que ocorra a venda basta 
a vontade de apenas um condômino. 
A divisão pode ser: 
a) Amigável – Escritura pública, quando todos os condôminos forem maiores e 
capazes. 
b) Judicial – Sentença do juiz, não havendo acordo ou se um deles for incapaz. Se o 
bem for indivisível, pode ocorrer a adjudicação: um condômino o compra, pagando 
preço proporcional aos demais. Não sendo possível esta, a venda se fará em hasta 
pública. Há preferência dos demais condôminos em relação a estranhos, em caso de 
igualdade de oferta. O preço obtido será repartido entre os condôminos, na proporção 
dos quinhões. 
 
CONDOMÍNIO FORÇADO: As paredes, cercas, muros e valas que dividem a 
propriedade imóvel, pertencem em condomínio aos proprietários confrontantes. 
 
Condomínio em Prédios de Apartamentos e Direitos de Vizinhança: Vários 
bizuleus. Qualquer dúvida ver Aula 10, páginas 29 a 37 
 
 
DIREITOS REAIS SOBRE COISAS ALHEIAS 
É o direito de receber, por meio de norma jurídica, permissão para usar ou tê-la como 
se fosse sua, em determinadas circunstâncias, ou sob condição, de acordo com a lei e 
com o que foi estabelecido em contrato válido. É um rol taxativo. 
 
DIREITOS REAIS DE GOZO OU FRUIÇÃO 
1)ENFITEUSE (Aforamento ou Emprazamento): Uma pessoa (nu proprietário – 
senhorio, possui o domínio direto) atribui a outra (enfiteuta – foreiro, tem o domínio 
útil), por ato inter vivos ou causa mortis o domínio útil de propriedade imóvel, de 
forma perpétua, mediante pagamento de foro anual e invariável, fixado 
proporcionalmente ao valor do domínio pleno. O CC proíbe a criação de novas 
enfiteuses ou subenfiteuses. 
- O Foreiro pode vender, doar e transmitir por herança. 
- Somente se constituía sobre bens imóveis: terras não cultivadas, terrenos 
destinados à construção e terrenos de marinha. O enfiteuta paga o foro uma vez por 
ano. 
- As partes podem alienar suas posições desde que deem preferência à outra (30 
dias). 
- O laudêmio consistia no pagamento da importância de 2,5% sobre o preço da 
alienação, salvo disposição em contrário, pago pelo alienante ao senhorio direto, por 
ocasião da venda do bem. 
- O chamado resgate era uma opção do enfiteuta para adquirir a propriedade plena, 
extinguindo-se a enfiteuse. 
OBS: Não há usucapião entre os dois, mas um terceiro pode se aproveitar da inércia 
de ambos. Caso o foreiro não pague o foro por 3 anos consecutivos, ele paga uma 
penalidade chamada comisso (exige sentença judicial). 
 
2) SUPERFÍCIE: Uma pessoa (proprietário, concedente, fundieiro) concede a 
outrem (superficiário – responsável pelos tributos) por tempo determinado ou 
indeterminado, gratuita ou onerosamente, o direito de construir e/ou plantar em seu 
terreno, mediante escritura pública, registrada no Cartório de Registro de Imóveis. 
Não autoriza obras no subsolo, exceto se for inerente ao objeto da concessão. 
Substituiu a enfiteuse, por sua maior utilidade econômica e social e não ser perpétua. 
- Pode haver transferência do direito a terceiros por ato inter vivos, de forma gratuita 
ou onerosa. Falecendo o superficiário o direito se transmite aos herdeiros. Em ambos 
os casos é proibida a estipulação de qualquer pagamento ao proprietário. Na 
alienação temos o direito de preferência que se não respeitado, a outra parte poderá 
depositar em juízo o valor pago pelo terceiro e anular a venda. 
- Se já houver construção, passa a se chamar direito real de superfície por cisão. 
- Extingue-se a superfície nas seguintes hipóteses: consolidação, inadimplemento 
contratual, advento do termo, renúnciado superficiário, distrato, perecimento ou 
desapropriação do bem, não uso do direito de construir ou plantar dentro do prazo 
convencionado. A extinção deve ser averbada no registro imobiliário. 
 
3) SERVIDÃO PREDIAL: É o dever que tem o proprietário de um prédio 
(serviente) de suportar o exercício de alguns direitos em favor do proprietário de 
outro (dominante): transmissão de energia elétrica, aqueduto, esgoto, transitar em 
terra alheia, etc. É perpétua. Deve ser transcrita no RGI. Na dúvida, interpreta-se 
restritivamente contra a servidão, por implicar em limitação ao direito de 
propriedade. Os prédios devem ser de proprietários diferentes (se iguais->extinção). 
- O exercício incontestado e contínuo de uma servidão aparente por 10 anos autoriza 
o interessado a registrá-la no registro de imóveis, valendo-lhe como título a sentença 
que julgar consumada a usucapião. Se o possuidor não tiver título, o prazo será de 20 
anos. 
- Uma vez fixada, a servidão deve ser conservada sempre no mesmo lugar. Mas o 
dono do prédio serviente pode mudá-la, mesmo contra a vontade do proprietário do 
prédio dominante, desde que faça às suas custas e não diminua as vantagens deste. 
A servidão também pode ser alterada se houver considerável incremento da utilidade 
e não prejudicar o prédio serviente. 
 
4) USUFRUTO: atribui ao seu titular o direito de usar (ex: morar) coisa alheia 
(móvel ou imóvel) e/ou retirar os frutos por ela produzidos (ex: alugar), sem alterar-
lhe a substância. O usufrutuário não é obrigado a pagar pelas deteriorações 
resultantes do exercício regular do usufruto. Em regra, os bens devem ser 
inconsumíveis e infungíveis. Se fungíveis ou consumíveis recebe o nome de quase 
usufruto ou usufruto impróprio (usufrutuário deve devolver coisa equivalente). Possui 
caráter assistencial, temporário, intransmissível, inalienável e impenhorável. 
Pode ser universal ou particular, conforme recaia sobre todos os bens ou não, 
pleno ou restrito, conforme refira-se a todos os frutos e utilidades ou não e 
temporário ou vitalício. 
- A constituição pode ser: 
 -Legal (pais, enquanto no exercício do poder familiar são usufrutuários dos 
bens dos filhos menores. 
 - Ato jurídico inter vivos: declaração de vontade unilateral ou bilateral, 
constituindo um negócio jurídico oneroso ou gratuito. Pode se dar por retenção, 
quando a pessoa conserva a propriedade e por retenção, quando transmite a nua 
propriedade, reservando para si o uso e gozo da coisa (idosa que doa aos filhos). 
 - Ato de última vontade (causa mortis): testamento ou legado. 
 - Sub-rogação real: quando o bem sobre o qual incide o usufruto é substituído 
por outro. 
 - Usucapião: quando adquirido pelo decurso do lapso prescricional. 
 - Sentença judicial: adquirido por força de decisão judicial. 
- Se recair sobre bens móveis basta a tradição. Sobre imóveis, precisa de registro, 
exceto se decorre de disposição legal. 
 
- O usufruto simultâneo, em que o instituidor o estabelece em favor de várias pessoas 
(pluralidade de usufrutuários), que a um só tempo gozam da coisa. A extinção se dá 
à parte, gradativamente, em relação a cada um dos que falecerem, salvo se, por 
estipulação expressa, o quinhão destes couber aos sobreviventes (direito de 
acrescer). 
- Não uso ou não fruição da coisa sobre a qual recai o usufruto é motivo de extinção. 
 
5) DIREITO DE USO: É um direito real que recai sobre coisa alheia, a título 
gratuito ou oneroso, instituído por ato inter vivos ou causa mortis, pelo qual alguém 
utiliza a coisa, temporariamente, na medida das suas necessidades e de sua família 
(cônjuge, filhos solteiros e pessoas de seu serviço doméstico). A pessoa não pode 
ceder a outra. É temporário, indivisível, intransmissível, personalíssimo. Incide sobre 
bens corpóreos ou incorpóreos, imóveis ou móveis. Neste último caso o bem deve ser 
infungível e inconsumível. O não uso não causa extinção. Aplica-se as regras do 
usufruto no que couber. 
 
6) DIREITO DE HABITAÇÃO: o titular ou sua família pode habitar imóvel alheio 
de forma gratuita. O objeto deve ser bem imóvel, destinado a proporcionar moradia 
gratuita. Temporário, personalíssimo, gratuito, com caráter assistencial e limitado. 
É mais restrito que o uso, pois consiste na faculdade de apenas residir pessoalmente 
e com sua família, não podendo ser cedido (alugado ou emprestado) a terceiros. Por 
esta razão não pode ser utilizado para estabelecimento de fundo de comércio ou de 
indústria. Deve ser inscrito no Registro Imobiliário. O cônjuge sobrevivente, qualquer 
que seja o regime de bens (sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança), 
tem o direito de habitação, enquanto viver, sobre o imóvel destinado à residência da 
família, desde que seja o único imóvel residencial a inventariar. A lei é omissa quanto 
aos conviventes, mas a corrente majoritária lhes entende o direito. Aplicam-se regras 
do usufruto no que couber. 
 
 
DIREITOS REAIS DE GARANTIA 
Têm por finalidade garantir ao credor recebimento de seu crédito, por vincular 
determinado bem pertencente ao devedor. Se a dívida for assegurada por uma 
garantia real e o devedor não pagá-la, o bem dado em garantia poderá ser penhorado 
e vendido judicialmente. 
 
CARACTERÍSTICAS GERAIS 
1. Direito de preferência: Do credor com garantia real. Havendo sobras, serão elas 
rateadas entre os demais credores. 
2. Capacidade: somente podem prestar garantia real aqueles que tiverem capacidade 
para alienar os bens. 
3. Objeto: apenas os bens suscetíveis de alienação podem ser dados em garantia. 
4. Especialização e Publicidade: especialização é a descrição pormenorizada do bem 
dado em garantia. A publicidade na hipoteca e na anticrese ocorre com o registro do 
título constitutivo no Registro de Imóveis; no penhor com a tradição e a inscrição no 
Registro de Títulos e Documentos. 
5. Acessoriedade: Extinta ou nula a dívida (obrigação principal), o mesmo ocorre com 
as garantias (acessórias). 
6. Bem de família: não é possível hipotecar um bem de família voluntário. Não há 
proibição no caso do bem de família legal. 
7. Cláusula comissória: Permite que devedor, após o vencimento, dê a coisa ao 
credor como pagamento de dívida (dação em pagamento). Não pode ser estabelecido 
que o credor fique com a garantia se a dívida não for paga no vencimento (pacto 
comissório). 
8. Falido: não pode onerar os bens da pessoa jurídica. Em recuperação judicial pode, 
com autorização judicial. 
9. Vencimento antecipado da dívida. Permite-se nas hipóteses do art. 1.425, CC. A 
dívida considera-se vencida: 
- se, deteriorando-se, ou depreciando-se o bem dado em segurança, desfalcar a 
garantia, e o devedor, intimado, não a reforçar ou substituir; 
- se o devedor cair em insolvência ou falir; 
- se as prestações não forem pontualmente pagas, toda vez que deste modo se achar 
estipulado o pagamento. Neste caso, o recebimento posterior da prestação atrasada 
importa renúncia do credor ao seu direito de execução imediata; 
- se perecer o bem dado em garantia, e não for substituído; 
- se se desapropriar o bem dado em garantia, hipótese na qual se depositará a parte 
do preço que for necessária para o pagamento integral do credor. 
 
1) PENHOR 
É um direito real que consiste em regra na transferência efetiva da posse (tradição – 
alguns casos não precisa – penhor de veículos) de uma coisa móvel ou 
mobilizável, fungível ou não, corpóreo ou não, suscetível de alienação, realizada 
pelo devedor (devedor pignoratício) ou por terceiro ao credor (credor pignoratício), a 
fim de garantir o pagamento do débito. É um acordo de vontades, diferente da 
penhora que é umato judicial pelo qual se apreendem os bens de um devedor para 
saldar uma dívida não paga. 
É solene, escrito, acessório, por instrumento público ou particular, e precisa ser 
registrado para valer erga omnes. O credor não deve usar a coisa e sim conservá-lacomo depositário com diligência. Ao devedor cabe pagar as despesas com a guarda e 
conservação da coisa e deverá obter autorização do credor para a venda da coisa 
empenhada. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
1. Convencional: As partes convencionam a garantia conforme interesses. 
 a) Civil e Mercantil; 
 b) Rural: O devedor continua na posse direta dos bens empenhados: 
 - Agrícola: sobre colheitas, frutos, lenha, etc. Tais bens são imóveis por 
destinação. Prazo máximo 3 anos. Caso a safra não pague, abrangerá a próxima. 
 - Pecuário: recai sobre animais que integram a atividade pastoril. Prazo 
de 4 anos. Substituição dos animais, caso morram. Para alienar: autorização do 
credor. 
 c) Industrial: recai sobre máquinas aparelhos e instrumentos utilizados em 
indústria, com ou sem seus acessórios. Não se transfere a posse ao credor; o devedor 
permanece como depositário dos bens. Alienar: Autorização do credor. 
 
2. Penhor Legal: Surge por imposição legal. Protege certas pessoas, em 
determinadassituações, em que o credor se apossa dos bens do devedor, 
estabelecendo o direito real. A coisa deve pertencer ao devedor. Somente se 
completa com a homologação judicial. Se o credor assim não proceder, cometerá 
esbulho. Em algumas hipóteses onde houver o perigo da demora, o credor pode 
vender sem autorização do devedor. 
Ex: Hospedeiro sobre bagagens e coisas dos hóspedes, locador sobre as coisas do 
inquilino (questionável face à impenhorabilidade do bem de família). 
 
Penhor de direitos e títulos de crédito: Podem ser gravados os bens incorpóreos, 
como patentes e invenções, direitos autorais e de crédito. Constituído por 
instrumento público ou particular, registrado no Cartório de Títulos e Documentos. 
 
Penhor de veículos: qualquer espécie de transporte ou condução por via terrestre, 
prazo de 2 anos, prorrogáveis por mais 2. Instrumento público ou particular, registro 
no domicílio do devedor. O bem deve estar segurado. Havendo sinistro o penhor se 
sub-rogará na indenização. 
 
EXTINÇÃO: Perecimento da coisa (a dívida ainda existe, mas é um crédito 
quirografário – sem garantias). Renúncia ou remissão (perdão) do credor, de forma 
expressa ou tácita. Nulidade ou prescrição da obrigação principal. 
OBS: a extinção do penhor só produzirá efeitos depois de averbado o cancelamento 
do registro, à vista da respectiva prova. 
 
2) HIPOTECA: É o direito real de garantia, de natureza civil, que grava coisa 
pertencente ao devedor (hipotecante) ou a terceiro, em regra imóvel, sem 
transmissão de posse, conferindo ao credor (hipotecário) o direito de vendê-la 
judicialmente, assegurando o recebimento preferencial de seu crédito. Excluem-se as 
coisas fora do comércio e as gravadas com cláusula de inalienabilidade. 
O objeto pode ser coisa de domínio direto (nua propriedade) e domínio útil (usufruto, 
uso, etc.), navios, aeronaves, estradas de ferro, etc. 
Os casados precisam da outorga para fazer. Os menores só poderão ter os bens 
hipotecados se forem representados e mediante prévia autorização judicial, provada a 
necessidade ou urgência da medida.O ascendente pode hipotecar bens a 
descendente, sem o consentimento dos demais. 
O credor não pode ficar com a coisa, mas pode excuti-la (venda judicial). O devedor 
pode alienar o bem a terceiro, sendo nula qualquer cláusula que proíba a alienação. 
Mas o bem continua gravado nas mãos do adquirente, que poderá remi-la. É 
permitida cláusula estabelecendo que se houver a venda do bem, vence-se de 
imediato o crédito hipotecário. 
 
Características: Trata-se de contrato acessório e indivisível. O devedor continua na 
posse do bem onerado, qualquer cláusula contrária é nula. Exige especialização e 
publicidade. É proibida a hipoteca com os dizeres geral ou ilimitada, ou que incida 
sobre bem futuro. A exceção é a hipoteca sobre edifício em construção. Além disso, 
deve estar registrada no Registro de Imóveis onde o bem está situado. Sem a 
inscrição a hipoteca não vale contra terceiros, mas apenas entre os próprios 
contratantes. Prazo máximo de 30 anos. 
 
Subipoteca: O mesmo bem pode ser gravado mais de uma vez, caso não haja 
cláusula proibitiva, devendo para cada uma executar um novo registro, revelando a 
existência da anterior. O 1º credor tem direito de preferência, inclusive se a hipoteca 
vencer antes. Mas se o devedor cair em insolvência, ainda que não vencida a primeira 
hipoteca, pode-se iniciar a execução coletiva contra ele. 
 
Direito de Remição: É o resgate da hipoteca, mediante quitação da dívida 
(obrigaçãoprincipal), independentemente do consentimento do credor. 
 
Perempção: Perempta a hipoteca pelo decurso do prazo, não se permite mais ao 
credor excuti-la. Para se manter a garantia é necessário um novo instrumento, 
submetido a um novo registro. 
Espécies 
1. Convencional: acordo de vontades entre credor e devedor (contrato). 
2. Legal: às pessoas de direito público interno sobre os imóveis pertencentes aos 
encarregados da cobrança, guarda ou administração dos respectivos fundos e rendas; 
aos filhos, sobre os imóveis do pai ou da mãe que se casar novamente, sem ter feito 
o inventário, pela morte do cônjuge anterior; ao coerdeiro, para garantia do seu 
quinhão ou torna da partilha, sobre o imóvel adjudicado ao herdeiro reponente 
(aquele que fica com um bem da herança e deve repor aos outros o valor em 
dinheiro). 
3. Judicial: sentença que condena o réu ao pagamento de uma prestação em 
dinheiro ou coisa, assegurando-se sua execução. 
OBS: extinta a hipoteca, será averbado o seu cancelamento no Registro de Imóveis à 
vista da respectiva prova ou a requerimento de ambas as partes. 
 
3) ANTICRESE 
É um direito real sobre coisa alheia que recai sempre sobre um imóvel, em que o 
credor (anticrético – anticresista) recebe a posse da coisa do devedor (anticrético), 
ficando autorizado a perceber-lhe os frutos e a descontá-los do pagamento da dívida, 
não podendo realizar venda judicial do bem. Só é permitida para bens imóveis 
alienáveis. 
Exige-se escritura pública, inscrição no registro imobiliário e entrega do imóvel e 
ainda a outorga conjugal, exceto no regime da separação absoluta de bens. 
Pressupõe capacidade das partes, objeto lícito e possível e forma prescrita ou não 
defesa em lei. 
Ao término do prazo legal ocorre a caducidade, transcorridos 15 anos de sua 
inscrição. Se ainda houver saldo a amortizar a dívida continua, mas o credor passa a 
ser quirografário. 
 
O Credor: Pode reter a posse do imóvel até 15 anos (se outro prazo menor nãofor 
pactuado), ou até que o crédito seja pago, conservando-o como se fosse seu. Deve 
apresentar anualmente balanço da administração da coisa. Pode arrendar a terceiros, 
porém o aluguel não é descontado do débito. Perecimento do bem: o credor não tem 
direito a sub-rogação, mesmo que o bem esteja no seguro (credor não tem 
preferência na indenização do seguro). 
 
O Devedor: Permanece como proprietário; pode alienar a terceiros. 
OBS: A anticrese possui semelhança com a hipoteca e com o penhor, mas com eles 
não se confundem. O objeto do penhor é um bem móvel e o credor que fica com a 
posse, não pode ficar com os frutos do bem; a anticrese recai sobre bens imóveis e o 
credor, que fica com a posse irá perceber os frutos da coisa e abatê-los da dívida 
principal. Diferencia-se da hipoteca, pois nessa, caso o devedor não pague a dívida, 
mesmo sem ter a posse, poderá promover a excussão (venda judicial do bem). 
Admite-se a cumulação da anticrese com a hipoteca. 
 
4) PROPRIDADE FIDUCIÁRIA 
É o negócio jurídico em que uma pessoa (PF ou PJ – Fiduciante, alienante, devedor) 
transfere a outra (fiduciário, credor) a propriedade resolúvel (posse indireta) de um 
bem móvel infungível, como garantia de seu débito, até o adimplemento da 
obrigação. Subordina-se a condição resolutiva, uma vez que a propriedade fiduciária 
cessa com o pagamento da dívida. Requer instrumentoescrito (público ou particular); 
parte ter efeito contra terceiros necessita ser, devidamente inscrito no Cartório de 
Títulos e Documentos. 
Fiduciante: Não pode dispor da coisa. Deve intentar ação de consignação, se o 
credor se recusar a aceitar o pagamento. 
Fiduciário: Pode vender a coisa, aplicando o preço no pagamento de seu crédito e 
das despesas de cobrança, no caso de inadimplência do fiduciante, 
independentemente de excussão judicial, entregando ao devedor o saldo que 
porventura houver. É nula a cláusula que autoriza o fiduciário a ficar com a coisa 
alienada em garantia, se a dívida não for paga no vencimento. 
 
Execução do contrato: O credor inicialmente protesta o título. Caracterizada a mora 
do devedor, consideram-se vencidas as obrigações contratuais (vencimento 
antecipado da dívida), ajuizando-se ação de busca e apreensão e obtendo liminar. O 
devedor é citado para apresentar contestação ou purgar a mora (caso já tenha pago 
40% do preço financiado), no prazo de três dias. Se o devedor não purgar a mora, 
nem devolver o bem, ou este não for encontrado ou não se achar em sua posse, o 
credor poderá requerer a conversão do pedido de busca e apreensão em ação de 
depósito. 
 
 
DIREITO REAL DE AQUISIÇÃO 
 
1) COMPROMISSO OU PROMESSA IRRETRATÁVEL DE VENDA: Podemos 
conceituá-lo como sendo o contrato pelo qual alguém (promitente vendedor) se 
obriga a vender determinado imóvel a outrem (promitente comprador), pelo preço, 
condições e modos pactuados, outorgando-lhe a escritura definitiva assim que houver 
o adimplemento da obrigação. Trata-se de uma espécie de contrato preliminar o pré-
contrato (pacto de contrahendo), pelo qual as partes se comprometem a levar a 
efeito um contrato definitivo de compra e venda. 
O comprador tem direito real sobre o imóvel comprado, transmissível a terceiros. 
Tem ainda direito à adjudicação compulsória (desde que adimplente e que o contrato 
esteja registrado) e deverá ser constituído em mora para que (se não pagar ou 
purgar a dívida) tenha rescindido o contrato. 
OBS: O STJ tem admitido a propositura da ação de adjudicação compulsória, mesmo 
que o compromisso irretratável de compra e venda não esteja registrado. 
OBS: Irretratabilidade do contrato pela ausência de cláusula de arrependimento: a 
simples omissão dessa cláusula torna o contrato irretratável e o vendedor não poderá 
se arrepender. No entanto, o contrato pode ser resolvido por inadimplemento ou por 
dissolução por mútuo acordo. 
O Adimplemento se dá por Escritura definitiva: as partes cumprem estritamente as 
cláusulas contratuais, sendo feita escritura e posteriormente transcrição no Registro 
de Imóveis. 
 
 
DIREITOS REAIS DE INTERESSE SOCIAL 
1) CONCESSÃO DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA: Aplica-se às áreas 
de propriedade da União, inclusive aos terrenos de marinha e acrescidos, sendo 
conferida uma única vez, aos possuidores ou ocupantes que preencham os requisitos 
legais. Faculta ao particular a utilização privativa de bem público, para que a exerça 
conforme a sua destinação. 
 
2) CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO: Também ocorre por ato administrativo 
vinculado ao Poder Público, sobre imóvel de propriedade da União. 
 
 
DIREITO DAS SUCESSÕES 
 
REGIME DE BENS ENTRE OS CÔNJUGES 
O regime de bens tem como objetivo é disciplinar o patrimônio dos cônjuges antes 
e navigência do casamento, de acordo com a sua vontade, mas dentro dos 
limiteslegais. Os contraentes podem combinar as regras do regimes entre si, criando 
um sistema misto. 
Pacto Antenupcial é umcontrato solene, realizado antes do casamento, por meio 
do qual os nubentesescolhem o regime de bens que vigorará durante o matrimônio. 
Deve ser feito por escritura pública (para não ser nulo) e seguido do casamento (para 
não ser ineficaz). 
Se os nubentes nada convencionarem ou sendo nula a convenção, vigorará o regime 
da comunhão parcial. Se optarem por qualquer outro regime, será obrigatório o 
pacto antenupcial porescritura pública. O pacto só produz efeitos a partir do 
casamento. Para que produza efeitos perante terceiros é necessário o registro no 
Cartório de Registro de Imóveis do domicílio do casal. Atualmente a lei permite a 
mutabilidade do regime adotado, desde que haja autorização judicial, atendendo a 
pedido motivado de ambos os cônjuges, após apuração de procedência das razões 
invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. 
Existem alguns atos que não podem ser realizados sem a autorização do cônjuge, 
como alienação, fiança, aval, gravar de ônus, etc. A autorização do cônjuge pode ser 
suprida judicialmente quando negada sem justo motivo por um dos cônjuges, ou 
quando for impossível sua concessão. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS REGIMES 
 
1. REGIMES LEGAIS: 
A) REGIME DA COMUNHÃO PARCIAL (LEGAL OU LIMITADA): também chamado 
de comunhão de aquestos. Aquestos são os bens adquiridos a título oneroso pelos 
cônjuges na constância do casamento. Vigora no silêncio das partes ou no caso de 
nulidade do pacto antenupcial. Após o casamento, os bens adquiridos se comunicam 
entre os cônjuges. Também se comunicam as benfeitorias realizadas em bens 
particulares de cada cônjuge. Presumem-se (presunção relativa, pois permite prova 
em contrário) que os bens móveis foram adquiridos na constância do casamento, se 
não se provar que o foram em data anterior. 
No entanto, ficam excluídos da comunhão de bens que cada cônjuge possuía antes 
de casar (e os sub-rogados em seu lugar – produto da venda do bem), bem como os 
que vierem depois, por doação ousucessão. Também não se comunicam os bens de 
uso pessoal, os instrumentos de profissão e os proventos do trabalho pessoal de cada 
cônjuge. Por outro lado cada consorte responde pelos próprios débitos anteriores ao 
casamento. 
OBS: Se um dos dois tem um imóvel adquirido antes do casamento e deseja vende-lo 
após o casamento, necessita de outorga do outro. No entanto se o cônjuge não puder 
ou não quiser fornecer sem um motivo plausível, o juiz pode suprir tal outorga. 
 
B) REGIME DA COMUNHÃO UNIVERSAL: Neste regime os nubentes podem 
estipular a comunicação de todos os seus bens, presentes ou futuros, adquiridos 
antes ou depois do casamento, ainda que adquiridos em nome de um só deles, bem 
como as dívidas posteriores ao casamento. Cada um tem direito a metade. 
Bens excluídos: os bens doados ou legados com cláusula de incomunicabilidade, 
dívidas anteriores ao casamento (exceto aquelas contraídas para os preparativos do 
casamentoe os reverteram para ambos após o casamento), os bens de uso pessoal, 
os livros e os instrumentos de trabalho, os proventos do trabalho pessoal de cada 
cônjuge, etc. 
 
C) REGIME DE PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS: durante a constância do 
casamento vigoram as regras semelhantes ao regime da separação total de bens; 
dissolvida a sociedade conjugal, em tese, vigoram as regras da comunhão parcial. 
Em se tratando de bens imóveis um não poderá sem a autorização do outro realizar 
os atos previstos no art. 1.647, CC (alienar, hipotecar, prestar fiança, etc.). No 
entanto, no pacto antenupcial pode-se convencionar a livre disposiçãotambém 
dos bens imóveis, desde que particulares. Com a dissolução da sociedade conjugal 
apura-se o montante dos aquestos (já vimos que aquestos são os bens adquiridos a 
título oneroso pelos cônjuges na constância do casamento), excluindo-se da soma o 
patrimônio próprio (Ex.: bens anteriores ao casamento e os sub-rogados emseu 
lugar, obtidos por herança, legado ou doação, etc.), efetuando-se a partilha e 
conferindo a cada consorte, metade dos bens amealhados pelo casal. 
Se os bens forem adquiridos pelo trabalho conjunto, cada um dos cônjuges terá 
direito a uma quota igual no condomínio. Acrescente-se que neste regime, se houver 
o evento “morte”, o cônjuge sobrevivente, além da meação terá direito à herança. 
 
D) REGIME DA SEPARAÇÃO DE BENS: Por esse regime

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