Prévia do material em texto
RESUMO DE DIREITO CIVIL PESSOAS NATURAIS. DOMICÍLIO Genericamente, podemos conceituar pessoa como sendo todo ente físico ou jurídico, suscetível de direitos e obrigações. INÍCIO DA PERSONALIDADE Há muita polêmica doutrinária envolvendo o início da personalidade civil. As três principais teorias são: a) Teoria Natalista: a personalidade jurídica começa com o nascimento com vida. Nascer com vida significa respirar e ter batimentos cardíacos (funcionamento do aparelho cardiorrespiratório). É nesse momento que a personalidade civil terá início em sua plenitude, com todos os efeitos subsequentes. A adoção desta teoria de forma absoluta leva à conclusão de que o nascituro não é considerado pessoa, portanto, tem apenas expectativa de vida e de direitos. b) Teoria Concepcionista: a personalidade tem início desde a concepção. A partir desse momento o nascituro já é considerado como pessoa, e, como tal, tem todos os direitos resguardados pela lei, sendo considerado sujeito de direitos. c) Teoria da Personalidade Condicional: o nascituro possui personalidade jurídica desde o momento da concepção, no entanto isso é condicionado ao nascimento com vida. Nascendo com vida a personalidade retroage ao momento de concepção do nascituro, conferindo a ele uma tutela jurídica que atinge o passado. Personalidade jurídica formal: é a aptidão para ser titular de “direitos da personalidade” (ex.: direito à vida, direito à gestação saudável, etc.); em relação a esta o nascituro tem desde a concepção. Personalidade jurídica material: é a aptidão para ser titular de “direitos patrimoniais”; quanto a essa o nascituro só a adquire a partir do nascimento com vida. O nascituro possui apenas os requisitos formais da personalidade civil. Obs: criança anencéfala: se a mulher decidir a levar a gravidez até o fim e se a criança nascer com vida, ela teve personalidade. NASCITURO O principal direito do nascituro é o de ter direito à sucessão. Se ele já foi concebido no momento da abertura da sucessão (morte do de cujus) legitima-se a suceder de forma legítima. Também se legitimam a suceder por testamento “os filhos ainda não concebidos de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão”. Nascituro é titular de um direito eventual. Exemplo: homem falece deixando a esposa grávida. Não se pode concluir o processo de inventário e partilha enquanto a criança não nascer. O nascituro, nesta hipótese, tem direito ao resguardo à herança. Os direitos assegurados ao nascituro estão em estado potencial, sob condição suspensiva: só terão eficácia se nascer com vida. Nos casos de fertilização in vitro, somente será considerado como nascituro, o óvulo fecundado que for implantado no útero materno. Assim, o embrião humano congelado não poderia ser tido como nascituro, embora tenha proteção jurídica como pessoa virtual, com uma carga genética própria. Pela nossa lei não se dá nome ao natimorto. No entanto, parte da doutrina entende que o “natimorto tem humanidade” e por isso teria direito a um nome. Sobre o tema, temos o Enunciado 01 da I Jornada de Direito Civil do STJ: “A proteção que o Códigoconfere ao nascituro alcança o natimorto, no que concerne aos direito da personalidade, tais como o nome, imagem e sepultura”. DIREITOS DE PERSONALIDADE Apesar do Código fazer referência a apenas três características a respeito do direito de personalidade (intransmissibilidade, irrenunciabilidade e impossibilidade do seu exercício sofre limitação voluntária) a doutrina lhe dá maior extensão, afirmando que eles também são: - Inatos: os direitos de personalidade já nascem com o seu titular e acompanham até sua morte; alguns direitos ultrapassam o evento morte (honra, memória, imagem, direitos autorais, etc.). - Absolutos: são oponíveis contra todos (erga omnes), impondo à coletividade o dever de respeitá-los. - Intransmissíveis: pertencem de forma indissolúvel ao próprio titular. Embora estes direitos sejam intransmissíveis em sua essência, os efeitos patrimoniais dos direitos de personalidade podem ser transmitidos. Ex.: a autoria de uma obra literária é intransmissível; porém podem ser negociados os direitos autorais sobre esta obra. Outro exemplo: cessão da imagem mediante retribuição financeira. - Vitalícios: acompanham a pessoa desde seu nascimento até a morte. - Indisponíveis: não podem ser cedidos, a título oneroso ou gratuito a terceiros. - Irrenunciáveis: não podem ser abandonados nem abdicados; nem mesmo o seu titular pode abrir mão deles. - Imprescritíveis: valem durante toda vida, não correndo os prazos prescricionais; podem ser reclamados judicialmente a qualquer tempo; não se extinguem pelo não uso ou inércia de seu titular nem pelo decurso de tempo. - Impenhoráveis: se não podem ser objeto de cessão ou venda, também não pode recair penhora sobre os mesmos. - Inexpropriáveis: ninguém pode removê-los de uma pessoa, nem ser objeto de usucapião. ATENÇÃO SE A QUESTÃO FALA DOUTRINA OU CÓDIGO CIVIL A disposição sobre o próprio corpo: a) é proibida quando importar diminuição permanente da integridade física (salvo por exigência médica), ou contrariar os bons costumes; b) é válida se não importar diminuição permanente da integridade física ou contrariar os bons costumes; c) é válida com o objetivo científico ou altruístico, para depois da morte, ou, em vida, para fins de transplante. Lembrando que o Código Civil adotou o chamado princípio do consenso afirmativo (termo usado pela doutrina e que caiu em alguns concursos), segundo o qual o titular do direito pode manifestar sua vontade em ser doador de órgãos, mas a qualquer tempo pode revogar esta intenção. O art. 15, CC trata do direito do paciente, proibindo que uma pessoaseja constrangida a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou aintervenção cirúrgica. Trata-se do princípio da autonomia do paciente. Excetuam-sealgumas hipóteses (ex.: a pessoa não consegue expressar a sua vontade) em que o direito se desloca para a família do enfermo. E em situações extremas, àpresença do estado de necessidade, em evidente risco de vida, pode o médicorealizar a intervenção necessária sem o consentimento de quem de direito. O direito à imagem se refere ao direito de ninguém ver seu rosto estampado em público ou comercializado sem seu consenso e o de não ter sua personalidade alterada, material ou intelectualmente, causando danos à sua reputação. Como normalmente ocorre, há certas limitações ao direito de imagem, com dispensa da anuência para sua divulgação. Vejamos algumas situações: a) pessoas famosas (ex.: artistas, políticos, etc.), pois elas têm sua imagem divulgada em razão de sua atividade; mas mesmo assim, não pode haver abusos, pois a sua vida íntima deve ser preservada; b) necessidade de divulgação da imagem por questões de segurança pública (ex.: publicação da fotografia de um perigoso marginal procurado pela polícia); c) quando se obtém uma imagem, mas a pessoa é tão somente parte do cenário, pois o que se pretende divulgar é o acontecimento em si (ex.: um congresso, uma exposição de objetos de arte, a inauguração de uma obra pública, um hotel ou um restaurante, reportagens sobre tumultos, enchentes, shows, etc.). O titular de um direito de personalidade, quando este for violado, poderá pleitear reparação de danos morais e patrimoniais. E se ele já for falecido o direito será exercido pelo cônjuge, ascendente ou descendente. Súmulas à esse respeito: Súmula 221 do STJ:” São civilmente responsáveis pelo ressarcimento dedanos, decorrente de publicação pela imprensa, tanto o autor do escritoquanto o proprietário do veículo de divulgação”. Súmula 403 do STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pelapublicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos oucomerciais”. INDIVIDUALIZAÇÃODA PESSOA NATURAL A) NOME:Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória.A lei de direitos autorais já consagrava o pseudônimo comoum direito moral do autor. Agora consta, de forma expressa, como um direito inerente à personalidade do autor (art. 19, CC), gozando da mesma proteção que se dá ao nome, quando usado para finalidades lícitas. Já caiu em concurso: a proteção do pseudônimo de autor de obra artística, literária ou científica necessita de registro? Resposta: Não! Transexuais: Em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça entendeu deve ser expedida uma nova certidão civil, sem que nela conste qualquer anotação sobre a decisão judicial e nem mesmo o termo “transexual”. B) ESTADO: O estado é definido como sendo o modo particular de existir, ou seja, asoma de qualificações de uma pessoa na sociedade. Apresenta três aspectos: Individual (ou físico):refere-se às características pessoais: idade, sexo, saúde mental e física, altura, peso, etc. Familiar: indica a situação que a pessoa ocupa na família: a) quanto ao matrimônio (solteiro, casado, viúvo, divorciado); b) quanto ao parentesco consanguíneo (pai, mãe, filho, avô, irmão, primo, tio, etc.); c) quanto à afinidade (sogro, sogra, genro, nora, cunhado, etc.). Político: identifica a pessoa a partir do local em que nasceu ou de sua condição política dentro de um País: nacional (nato ou naturalizado), estrangeiro, apátrida (heimatlos). C) DOMICÍLIO: O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a residência com ânimo definitivo (art. 70, CC). É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. a) Moradia ou habitação: é o local onde a pessoa se estabelece provisoriamente, sem ânimo de permanecer b) Residência: é o lugar em que o indivíduo se estabelece habitualmente, com a intenção de permanecer, mesmo que dele se ausente temporariamente; trata-se de uma situação de fato. c) Domicílio: é a sede da pessoa, tanto física como jurídica, onde se presume a sua presença para efeitos de direito e onde exerce ou pratica, habitualmente, seus atos e negócios jurídicos. O domicílio possui dois elementos a) Objetivo: é o estabelecimento físico da pessoa; a fixação da residência. b) Subjetivo: é a intenção, o ânimo de ali permanecer em definitivo - O Brasil adotou o sistema da pluralidade domiciliar: Se a pessoa tiver várias residências, onde alternadamente viva, sem que se possa considerar uma delas comosendo o seu centro principal, o domicílio pode ser qualquer delas. - Pode ocorrer que uma pessoa não tenha uma residência habitual. O exemplo clássico é o dos circenses e ciganos que a cada momento estão em uma localidade diferente (a doutrina os chama de adômidas). O domicílio destas pessoas então será o lugar onde elas forem encontradas (art. 73, CC). É o chamado domicílio aparente ou ocasional. - Para efeitos profissionais é também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem”. - Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar (art. 74, CC). Esta intenção pode ser aferida por alguma conduta da pessoa: matricular o filho e um novo colégio, abertura de conta bancária com novo endereço. ESPÉCIES DE DOMICÍLIO 1) Domicílio Voluntário: escolhido livremente pela própria vontade do indivíduo e por ele pode ser modificado (geral: art. 70, CC) ou estabelecido conforme interesses das partes em um contrato (especial: art. 78, CC). Segundo a doutrina, este último pode ser subdividido: a) domicílio contratual (art. 78, CC): local especificado no contrato para o cumprimento das obrigações dele resultantes; b) domicílio (ou foro) de eleição ou cláusula de eleição de foro (previsto no art. 111 do Código de Processo Civil): escolhido pelas partes para a propositura de ações relativas às obrigações. Em contrato de adesão, o STJ considera como abusiva cláusula de definição de foro que possa prejudicar o consumidor. 2) Domicílio Legal (ou necessário): é o que a lei determina em razão da condição ou situação de certas pessoas. Deixa de existir a liberdade de escolha do domicílio. Assim: - Incapazes (qualquer tipo de incapacidade): o de seus representantes legais (pais, tutores ou curadores). A doutrina costuma chamar de domicílio de origem aquele que o filho adquire ao nascer ou enquanto ele estiver sob o poder familiar. - Servidor Público: seu domicílio é o lugar onde exerce permanentemente sua função (não se aplica ao servidor público de função temporária). - Militar em serviço ativo: o domicílio do militar do Exército é o lugar onde está servindo; o da Marinha ou da Aeronáutica é a sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado. Aplica-se este dispositivo, por analogia, também aos Policiais Militares estaduais. O militar reformado (aposentado) não tem mais este domicílio. - Preso: é o lugar onde a pessoa cumpre a sentença (cuidado: não se aplica ao preso provisório; é necessário que haja uma decisão condenatória). - Marítimos (são os oficiais e tripulantes da marinha mercante): O domicílio legal éno lugar onde estiver matriculado o navio. OBS:Agente Diplomático do Brasil que, citado no estrangeiro, alega extraterritorialidade, sem indicar seu domicílio no país. Neste caso poderá ser demandado no Distrito Federal ou no seu último domicílio. FIM DA PERSONALIDADE DA PESSOA NATURAL a) MORTE REAL: A morte real se dá com o óbito comprovado da pessoa natural. Tradicionalmente isso ocorre com a parada total do aparelho cardiorrespiratório. No entanto, a comunidade científica mundial, assim como o Conselho Federal de Medicina, tem afirmado que o marco mais seguro para se aferir a extinção da pessoa física é a morte encefálica. b) MORTE CIVIL: Não existe mais. c) MORTE PRESUMIDA: Ocorre quando não se consegue provar que houve a morte real. - Art. 6°, CC: morte presumida com declaração de ausência: É uma situação mais complexa, pois exige a declaração de ausência (é o desaparecimento de uma pessoa do seu domicílio. A pessoa deixa de dar notícias de seu paradeiro por um longo período de tempo, sem nomear um representante (procurador) para administrar seus bens).A ausência só pode ser reconhecida por meio de um processo judicial composto de três fases: PRIMEIRA FASE: Declaração de Ausência: Qualquer interessado na sua sucessão (e até mesmo o Ministério Público) pode requerer ao Juiz a declaração de ausência e a nomeação de um curador. Seus bens são arrecadados e entregues a um curador apenas para os mesmos sejam administrados (não há efeitos pessoais). Durante um ano (no caso do ausente não deixar representante ou procurador) ou três anos (na hipótese em que ele deixou um representante) devem-se expedir editais convocando o ausente para retomar a posse de seus haveres. Com a sua volta opera-se a cessação da curatela, o mesmo ocorrendo se houver notícia de seu óbito comprovado. Não retornando ao lar nestes prazos, passamos para a fase seguinte. SEGUNDA FASE: Sucessão Provisória: a sentença do Juiz é dada logo no início do processo, para que se inicie a sucessão provisória. Concede um prazo de mais 180 dias para que o ausente reapareça e tome conhecimento da sentença que determinou a abertura da sucessão provisória de seus bens. Após este prazo, a ausência passa a ser presumida. Nesta fase cessa a curatela dos bens do ausente. É feita a partilha dos bens deixados e agora são os herdeiros (e não mais aquelecurador), de forma provisória e condicional que irão administrar os bens, prestando caução (garantia de que os bens serão restituídos ao ausente caso apareça). Descendentes, ascendentes ou cônjuge não precisam prestar caução. Herdeiros não tem ainda propriedade, apenas posse, não podendo vender os bens. Imóveis só podem ser vendidos com autorização judicial. O descendente, o ascendente e o cônjuge (herdeiros necessários) podem usufruir ganhos com o bem, não precisando devolver os ganhos caso o desaparecido retorne. Demais sucessores só terão direito à metade dos ganhos. A sucessão provisória é encerrada se o ausente retornar ou se comprovar a sua morte real. TERCEIRA FASE: Sucessão Definitiva: Art. 37, CC. Após 10 (dez) anos do trânsito em julgado da sentença de abertura da sucessão provisória, sem que o ausente apareça, será declarada a morte presumida. Nesta ocasião converte-se a sucessão provisória em definitiva. Os sucessores deixam de ser provisórios, adquirindo a propriedade plena (ou o domínio) e a disposição dos bens recebidos. Porém esta propriedade é considerada resolúvel. Isto é, se o ausente retornar em até 10 (dez) anos seguintes à abertura da sucessão definitiva terá direito aos bens, mas no estado em que se encontrarem. Ou então terá direito ao preço que os herdeiros houverem recebido com sua venda. Se regressar após esse prazo (portanto após 21 anos do início do processo), não terá direito a mais nada. Nesta fase também, considera-se rompido o vínculo matrimonial. Art. 7°, CC: morte presumida sem declaração de ausência: - For extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. - Pessoa desapareceu em campanha ou feito prisioneiro e não foi encontrado até dois anos após o término da guerra. Nestas hipóteses, não havendo corpo, recorre-se aos meios indiretos de comprovação; a declaração de morte presumida é concedida judicialmente, independentemente de declaração de ausência. Só pode ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do Falecimento. A declaração de morte presumida substitui judicialmente o atestado de óbito. Com isso não se passa por aquelas longas fases já mencionadas acerca da declaração de ausência com declaração de ausência. Com esta declaração pode-se abrir a sucessão da mesma forma que seria feito se houvesse morte real. COMORIÊNCIA: Também é chamada de morte simultânea. Trata-se de uma presunção relativa (juris tantum), ou seja, que admite prova em contrário. Aplica-se o instituto da morte simultânea sempre que houver uma relação de sucessão hereditária entre os mortos. Se não houver esta relação também não haverá qualquer interesse jurídico na questão. A consequência prática é que se os comorientes forem herdeiros uns dos outros, não haverá transferência de bens e direitos entre eles; um não sucederá o outro. Abrem-se cadeias sucessórias distintas e autônomas. Ex: vamos supor que um casal esteja viajando de carro e sofre um grave acidente. Eles não têm descendentes e nem ascendentes. Mas cada um tem um irmão. O marido teve morte imediata; morreu no local do acidente. Já a esposa, embora muito ferida, foi levada para o hospital faleceu somente no dia seguinte. Neste caso não se fala mais em comoriência, pois há prova de que ela sobreviveu ao marido. No momento da morte do primeiro cônjuge toda a herança se transmite para o outro cônjuge. E com a morte deste último, a herança toda será transmitida somente para o irmão do que morreu por último. Mas se não se conseguir demonstrar quem morreu primeiro no acidente, aplica-se a comoriência. Neste caso, a herança de ambos será dividida à razão de 50% para os irmãos (colaterais) de cada cônjuge, se o regime de bens do casamento for o da comunhão universal (ou comunhão parcial, mas todos os bens do casal foram adquiridos na constância do casamento). OBS: Alguns doutrinadores consideram que ao morrerem ao mesmo tempo, não precisam estar no mesmo local. EFEITOS DO FIM DA PERSONALIDADE São efeitos do fim da personalidade: dissolução do vínculo conjugal e do regime matrimonial; extinção do poder familiar; extinção dos contratos personalíssimos, etc. Outro efeito de suma importância é a extinção da obrigação de prestar alimentos com o falecimento do credor (quem recebe a pensão). CAPACIDADE CIVIL: A capacidade é a medida da personalidade! Toda pessoa é capaz de direitos e deveres. Mas em que medida isso ocorre? A resposta está nas espécies de capacidade: - Capacidade de direito ou de gozo (ou de aquisição de direito): Adquire-se com onascimento com vida e extingue-se somente com a morte. - Capacidade de fato ou de exercício da capacidade de direito: é a capacidade de exercitar pessoalmente (por si mesmo) todos os atos da vida civil. Resumindo: Toda pessoa natural tem capacidade de direito; é inerente à personalidade. Quem tem personalidade (está vivo) tem capacidade de direito. Mas essa pessoa pode não ter a capacidade de fato, pois pode lhe faltar a plenitude da consciência e da vontade, limitando o exercício (e não o gozo) dos direitos. - Capacidade plena = capacidade de direito + capacidade de fato. Quem só possui a de direito tem a chamada capacidade limitada. Sendo uma ressalva ao exercício dos atos da vida civil, a incapacidade deve ser encarada e interpretada restritivamente, sendo admitida apenas nas hipóteses previstas expressa e taxativamente na lei (matéria de ordem pública). A) ABSOLUTAMENTE INCAPAZES: Os absolutamente incapazes possuem direitos, mas estes não podem ser exercidos pessoalmente. Devem ser representados. São eles: 1) Os menores de 16 (dezesseis) anos(menores impúberes): Representados pelos pais ou por tutores. 2) Os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil: Para que seja declarada a incapacidade absoluta neste caso, é necessário um processo de interdição. Se o ato praticado pelo enfermo mental foi antes de sua interdição, em regra não se anula o negócio. No entanto, jurisprudência e a doutrina admitem a produção retroativa dos efeitos da interdição em hipóteses especiais. Requisitos para isso: a) prova da incapacidade no momento do ato, b) prejuízo ao incapaz, c) má-fé da outra parte.Uma vez declarada a incapacidade por sentença, o interditado não poderá praticar atos jurídicos sem o seu curador. Nosso direito não admite os chamados “intervalos lúcidos”. Ou seja, se a pessoa praticou o ato após a sua interdição, este ato é considerado nulo, não se aceitando a demonstração de que naquele momento, embora interditada, a pessoa estava lúcida. 3) Os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade: O exemplo clássico deste item é o da pessoa que sofreu um acidente e “está em coma no hospital. OBS: O Código Civil não estende a incapacidade: a) ao cego, que somente terá restrição aos atos que dependem da visão, como testemunha ocular de um fato, testemunha em testamentos, etc.; além disso, o cego somente poderá fazer testamento da forma pública; b) ao analfabeto; e c) a senilidade ou senectude (pessoa com idade avançada), por si só, não é causa de restrição da capacidade. B) RELATIVAMENTE INCAPAZES Podem praticar por si os atos da vida civil, desde que assistidos por seus representantes legais. O efeito da violação desta norma é gerar a anulabilidade (ou nulidade relativa) do ato jurídico (art. 171, I, CC), dependendo da iniciativa do lesado. São eles: 1) Maiores de 16 anos e menores de 18 anos: Também chamadosde menores púberes. Poderão praticar certos atos medianteassistência de seus representantes, sob pena de anulação. No entanto há atos que o relativamente incapaz pode praticar mesmo sem assistência. Ex.: casar (necessitando neste caso apenas de uma autorizaçãode seus pais), fazer testamento, servir comotestemunha, inclusive em atos jurídicos e testamentos; aceitar mandato,ser eleitor, etc. OBS: Em um contrato, um rapaz com 17 anos se passou por maior de 18 anos e assumiu determinada obrigação. Depois, para não cumprir esta obrigação, alegou ser menor e revelou sua idade verdadeira. Pela lei o menor não poderá fugir desta obrigação, pois conscientemente declarou-se maior (não se pode, para eximir de uma obrigação, alegar sua própria torpeza). Um menor entre 18 e 16 anos pode ser interditado? A doutrina e a jurisprudência admitem essa possibilidade, desde que a interdição tenha por interesse o reconhecimento de incapacidade absoluta. 2) Ébrios habituais (alcoólatras), os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido: Nestes casos também deve haver um processo de interdição, onde o Juiz irá estabelecer os limites da curatela. Viciados em tóxicos, dependendo do nível, podem ser considerados absolutamente incapazes. 3) Excepcionais, sem desenvolvimento mental completo: Também é necessário o processo de interdição. Ex: Síndrome de Down. 4) Pródigos: são os que dilapidam os seus bens ou seu patrimônio, fazendo gastos excessivos e anormais, podendo chegar à miséria. Como ele fica privado somente dos atos que possam comprometer seu patrimônio, ele pode: exercer atos de mera administração, exercer profissão, etc. Pode se casar desde que o curador se manifeste quanto ao regime de bens. Índios: o atual Código não enquadrou genericamente o índio como absoluta ou relativamente incapaz. O estatuto do índio os coloca como tutelados pela FUNAI. Surdo-Mudo: Se ele tiver discernimento e conseguir expressar sua vontade, será plenamente capaz. Mas se a questão afirmar que ele não tem discernimento ou não sabe exprimir sua vontade será absolutamente incapaz. E se dizer que sua capacidade é reduzida será relativamente incapaz. Tutela: A tutela é um instituto de caráter assistencial que tem por finalidade substituir o poder familiar. Protege o menor (impúbere ou púbere) não emancipado e seus bens, se seus pais falecerem ou forem suspensos ou destituídos do poder familiar, dando-lhes representação ou assistência no plano jurídico. Pode ser oriunda de provimento voluntário, de forma testamentária, ou em decorrência da lei. Curatela: Já a curatela é um encargo público (também chamado de munus)previsto em lei e que é dado para pessoas maiores, mas que não estão em condições de realizar os atos da vida civil pessoalmente, geralmente em razãode alguma enfermidade, deficiência mental ou prodigalidade. Capacidade Processual X Capacidade Civil X Legitimação A Capacidade para ser parte em um processo é inerente a toda pessoa nascida com vida. Basta ter capacidade de direito para poder ser parte em um processo. Uma pessoa pode ser parte em um processo e não ter capacidade processual, pois é absoluta ou relativamente incapaz, devendo ser representada ou assistida no processo. Ex.: pessoa com 14 anos que pleiteia o reconhecimento de paternidade. Ela tem a capacidade de ser parte, porém por ser absolutamente incapaz, não tem capacidade processual, devendo ser representada por sua mãe no processo. Já legitimação é a aptidão para a prática de determinado ato jurídico, em virtude de uma situação especial. A falta de legitimação (ou legitimidade) significa que, mesmo sendo capaz, a pessoa está impedida por lei de praticar determinado ato. Ex: Homem casado quer vender sítio que comprou como solteiro. Tem capacidade, mas não poderá fazer sem a outorga conjugal. C) CAPACIDADE PLENA Cessação da Incapacidade: a) maioridade (18 anos); b) levantamento da interdição; c) emancipação. OBS: O STJ já pacificou entendimento de que a redução da maioridade civil não implica cancelamento automático da pensão alimentícia. Para exonerar-se o pai deve ingressar com ação própria e demonstrar que o filho tem condições de se sustentar sozinho. Caso contrário tem-se decidido que a pensão continua até o término da faculdade (em regra aos 24 anos). EMANCIPAÇÃO Emancipação é a aquisição da capacidade plena antes dos 18 anos, habilitando o indivíduo para todos os atos da vida civil. Permite a antecipação da capacidade plena e não a antecipação da maioridade. O menor, embora emancipado, continua sendo menor, principalmente para fins penais. Ele pode ser preso por falta de pagamento de pensão alimentícia. Características: a) pura e simples (não se admitem condições ou termos); b) irrevogável (uma vez concedida os pais não podem mais revogar). Pode ser anulada(documentos falsos); c)definitiva (se a pessoa se divorciar ela permanece emancipada). ADQUIRE-SE A EMANCIPAÇÃO 1) Pela concessão dos pais ou apenas de um deles na falta do outro (emancipação parental ou voluntária): Deve ser concedida pelos pais por instrumento público (escritura), não sendo necessária a homologação (validação) pelo Juiz. O menor deve ter, no mínimo, 16 anos completos. É necessária a anuência de ambos os pais. Na falta de um deles (morte ou interdição) permite-se que somente o outro conceda. Desnecessária a aquiescência do menor para o ato. A emancipação voluntária não exclui a responsabilidade civil dos pais por ilícito cometido pelo menor emancipadoaté que ele complete dezoito anos. 2) Por Sentença do Juiz: ocorre em duas hipóteses: a) quando um dos pais não concordar com a emancipação, contrariando a intenção do outro (conflito de vontades entre os pais); b) quando o menor estiver sob tutela. O tutor não pode emancipar o menor. 3) Pelo casamento: a idade nupcial (ou idade núbil) do homem e da mulher é de 16 anos. O art. 1.517, CC exige a autorização de ambos os pais, enquanto não atingida a maioridade. Caso os pais não consintam com o casamento, ou em havendo divergência entre eles, a autorização poderá ser suprida pelo Juiz. Após a celebração do casamento, os cônjuges, ainda que continuem menores, serão considerados emancipados. OBS: - O divórcio, a viuvez e mesmo a anulação do casamento não implicam no retorno à incapacidade. O casamento nulo pode fazer com que se retorne à situação de incapaz. Mas ainda assim, se o casamento for contraído de boa-fé o ato produzirá efeitos de um casamento válido e a pessoa será considerada emancipada. - somente em casos excepcionais admite-se o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (16 anos). Exige-se uma sentença judicial de suprimento de idade. - União estável não é hipótese de emancipação. 4) Pelo exercício de emprego público efetivo: deve ser funcionário da administração direta (excluindo-se, assim, os funcionários de autarquias). 5) Pela colação de grau em curso de ensino superior; 6) Pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que em função deles, o menor tenha economia própria: Deve ter no mínimo 16 anos completos. PESSOAS JURÍDICAS Conceito Pode ser definida como a união de pessoas naturais ou de patrimônios, com o objetivo de atingir determinadas finalidades. A doutrina usa outras expressões para se referir às pessoas jurídicas, tais como: pessoa moral, intelectual, coletiva, abstrata, fictícia, “ente de existência ideal”, etc. As pessoas jurídicas têm direito à personalidade (identificação, liberdadepara contratar, boa reputação, etc.), aos direitos reais (pode ser proprietária, usufrutuária, etc.), aos direitos industriais (art. 5°, inciso XXIX da CF/88), aos direitos obrigacionais (podendo comprar, vender, alugar ou contratar de uma forma geral) e até mesmo aos direitos sucessórios (podem adquirir bens causa mortis, ou seja, por testamento). Os dispositivos relativos aos direitos da personalidade da pessoa natural (arts. 11 a 21, CC) também podem ser aplicados em relação à pessoa jurídica, no quecouber. STJ: pode sofrer dano moral na hipótese em que haja ferimento à sua honra objetiva, isto é, ao conceito de que goza no meio social. Natureza Jurídica Alunos16 Highlight Teoria da REALIDADE TÉCNICA: a pessoa jurídica existe de fato (e não como uma mera abstração). O próprio Estado reconhece a existência de grupos de pessoas que se unem na busca de determinados fins, entendendo ser necessária a existência de personalidade jurídica própria, distinta da dos membros que a compõe. Pressupostos de existência da pessoa jurídica A) Vontade humana criadora: Trata-se da affectio societatis, ou seja, intenção específica dos sócios em constituir uma entidade com personalidade distinta da de seus membros. B) Obediência aos requisitos impostos pela lei para sua formação: Necessita se submeter aos requisitos impostos pela própria lei. C) Licitude de sua finalidade:deve ter objeto lícito. Representação: Deve ser representada por uma pessoa física ativa. Se o representante extrapolar estes poderes, responderá pessoalmente pelo excesso (exceto se a sociedade foi beneficiada com a prática do ato, quando então passará a ter responsabilidade na proporção do benefício auferido). A doutrina chama isso de teoria ultra vires societatis (além do conteúdo da sociedade). Pessoas jurídicas de direito público interno são representadas: a) União, Estados, Distrito Federal e Territórios: por seus Procuradores. b) Municípios: por seu Prefeito ou Procurador. Demais pessoas jurídicas: em regra é a pessoa indicada em seu ato constitutivo. Na omissão, a representação será exercida por seus diretores. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva (gerência colegiada), as decisões serão tomadas pela maioria dos votos, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. Se houver vacância geral na administração o Juiz deverá nomear um administrador provisório. Pode-se outorgar mandato, que é uma espécie de contrato, transferindo parte dos poderes para que uma terceira pessoa (mandatário) pratique atos em nome da pessoa jurídica (mandante). Mandatário x Preposto: Trata-se de um empregado da empresa, que preferencialmente exerce cargo de gerente ou outro de confiança e que tenha conhecimento dos fatos constantes da reclamatória trabalhista, com capacidade para defender ou esclarecer os temas e devidamente autorizado (carta de preposição) a representá-la junto à Justiça do Trabalho. Prazos para Anulação a) Anulação das decisões dos administradores tomadas por maioria de votos em administração coletiva, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude: três anos b) Anulação da constituição da pessoa jurídica por defeito do ato respectivo: três anos. Classificação geral das pessoas jurídicas a) Nacionalidade: - Sociedade Nacional é a organizada conforme a lei brasileira e tem no País a sede de sua administração. - Sociedade Estrangeira não poderá funcionar no País sem autorização do Poder Executivo e ficará sujeita aos Tribunais brasileiros quanto aos atos aqui praticados. Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight b) Estrutura Interna: - Universitas Personarum: O objetivo é o bem-estar de seus membros. Ex.: as sociedades (de uma forma geral), associações, EIRELI. - Universitas Bonorum: nelas, o mais importante é o patrimônio personalizado destinado a um determinado fim e que lhe dá unidade. O objetivo é o bem-estar da sociedade. Ex.: fundações particulares e públicas de direito privado (doutrina). c) Quanto às Funções e Capacidade: Pessoas Jurídicas de Direito Público Externo: Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direitointernacional público, ou seja,Mercosul, ONU, FAO, etc. Pessoas Jurídicas de Direito Privado Fundações particulares: - Fundação é o complexo de bens livres colocados por uma pessoa física ou jurídica, a serviço de um fim lícito e especial, com alcance social pretendido por seu instituidor, e em atenção ao disposto em seu estatuto. Não pode visar lucro. - O próprio instituidor poderá administrar a fundação (forma direta) ou encarregar outrem para este fim (forma fiduciária). Terão sempre fins religiosos, morais, culturais ou de assistência. Nesses conceitos compreendem-se também as fundações para fins científicos, educacionais ou de promoção do meio ambiente. São criadas a partir de uma escritura pública (ato inter vivos) ou de um testamento (causa mortis). Portanto elas não podem ser criadas por instrumento particular ou privado. - Os estatutos são elaborados com base em seus objetivos. Eles devem ser submetidos à apreciação do Ministério Público estadual que os fiscalizará. O próprio MP pode elaborar os estatutos, caso o mesmo não seja feito por quem de direito. Em regra o seu objetivo é imutável. No entanto é possível a reforma dos estatutos, desde que: a) seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação b) não contrarie ou desvirtue o seu fim; Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight c) seja aprovada pelo órgão do Ministério Público caso este a denegue, poderá o Juiz supri-la, a requerimento do interessado). Se não houver unanimidade da alteração do estatuto, de haver a impugnação pela minoria vencida no prazo decadencial de 10 dias. - As fundações surgem com o registro de seus atos constitutivos no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. - Os administradores devem prestar contas ao Ministério Público. - Seus bens são inalienáveis e impenhoráveis.Para venda deve-se ingressar judicialmente e o produto revertido para a fundação. - Supervisionadas pelo MP do Estado. Se estenderem para mais de um Estado caberá controle pelos MP envolvidos. Se a fundação funcionar no DF, a competência parafiscalização é do Ministério Público do Distrito Federal e Territorial (MPDFT). - Nada impede que o próprio instituidor estabeleça um prazo para o funcionamento. Por outro lado as fundações serão extintas se tornarem-se ilícitas (o Ministério Público pode ingressar com ação visando sua extinção), impossíveis ou inúteis as suas finalidades ou se vencido oprazo de sua existência. Uma vez extinta a fundação, o destino do seu patrimônio será o previsto nos estatutos. Caso os estatutos sejam omissos, seu patrimônio será destinado, por determinação judicial, a outras fundações com finalidades semelhantes. Partidos Políticos - Embora tenham um caráter público, passaram a ser considerados como pessoas jurídicas de direito privado, tendo natureza de associação civil. Os estatutos devem ser registrados no cartório competente do Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Capital Federal e no Tribunal Superior Eleitoral. Organizações Religiosas - São pessoas jurídicas de direito privado, tendo também natureza de associação civil. É vedado ao poder público negar-lhe o reconhecimento ou registro de seus atos constitutivos necessários a seu funcionamento. Associações - As associações são caracterizadas pela união de pessoas (físicas ou jurídicas) que se organizam para fins não econômicos. O órgão máximo da associação não é o diretor- presidente, mas a Assembleia Geral. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocas diferente das sociedades, onde há este vínculo. - Salvo autorização estatutária, é vedada a transmissibilidade da qualidade de associado. É admissível a exclusão de um associado se houver justa nos termos do estatuto, após o trâmite de um procedimento administrativo que assegure o contraditório e a ampla defesa, bem como recurso. - As associações podem ser civis, religiosas, pias (de caridade), morais, educacionais, científicas ou literárias, políticas, esportivas, recreativas e até de utilidade pública. - Elas não estão impedidas de gerar renda para manter ou aumentar suas atividades. - Convocação de órgãos pode ser feita por 1/5 dos associados. - O ato constitutivo da associação é o seu estatuto. Esse estatuto deve ser registrado no Registro civil de Pessoas Jurídicas. Se não houve registro a associação existe, mas será considerada irregular (associação não personificada); será tida como mera relação contratual disciplinada pelo seu estatuto. Sociedades - A finalidade lucrativa é o que distingue uma associação de uma sociedade. Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Alunos16 Highlight Início da existência legal da pessoa jurídica Direito Público: Estados – Constituição Municípios – Constituição Estadual e Lei Orgânica Direto Privado: Atos constitutivos: Fundações: escritura pública ou testamento; Associações:(sem fim lucrativo) →Estatuto Sociedades simples ou empresárias→Contrato Social. Registro do Ato Constitutivo: - Sociedades Empresárias: Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial); - Demais pessoas jurídicas: Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Quaisquer alterações supervenientes nestas instituições devem ser averbadas no mesmo registro. Os efeitos do registro da pessoa jurídica são sempre para o futuro (efeito ex nunc); não se pode retroagir, legitimando o passado. Domicílio -União: Distrito Federal. - Estados e Territórios: suas respectivas Capitais. - Municípios: o lugar onde funciona a Administração Municipal (a sede municipal). Demais Pessoas Jurídicas: o lugar onde elegerem domicílio especial nos seus estatutos ou atos constitutivos. Na omissão é o local onde funcionam as respectivas diretorias e administrações. Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. Sede no estrangeiro: o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a queela corresponder. Responsabilidade Civil - Contratual: Na responsabilidade assumida por meio de uma obrigação contratual, as pessoas jurídicas devem responder com seus bens por esse inadimplemento (não cumprimento) contratual. - Extracontratual: Já no campo da responsabilidade extracontratual (ou aquiliana)vigora a regra geral do neminem laedere (ou seja, a ninguém se deve lesar). Reprime-se a prática dos atos ilícitos em geral, impondo a obrigação de reparação de eventuais danos. Neste caso temos diferenças entre direito público e privado: a) Direito Privado Ato próprio: Direta e Subjetiva Ato de Terceiros: Indireta, objetiva e solidária (Ex.: O motorista de caminhão de uma empresa, embriagado, atropela e mata um pedestre; a família da vítima pode ingressar com ação judicial de responsabilidade civil somente contra a empresa, somente contra o motorista, ou contra ambos, posto que tanto a empresa, como o motorista são responsáveis solidários. Se preferir ingressar com a ação somente contra a empresa, esta terá o direito de regresso contra o empregado). b) Direito Público: Vigora atualmente a Teoria do Risco Administrativo. Nela o Estado responde objetivamente, porém não em qualquer hipótese. Permite-se que a responsabilidade do Estado seja afastada em situações onde consiga provar a culpa exclusiva da vítima (no caso de culpa concorrente apenas se atenua sua responsabilidade, diminuindo o valor da indenização), o caso fortuito ou a força maior, a ausência de nexo causal, etc. OBS: A pessoa jurídica também pode ser penalmente responsável, na hipótese de crimes ambientais. Extinção da Pessoa Jurídica - Forma convencional: dissolução deliberada de seus membros (extinção convencional), por unanimidade e mediante distrato. Distrato é a rescisão de um contrato. Pode ser amigável ou judicial. É ressalvado o direito de terceiros e da minoria. Assim, se a minoria desejar a continuidade da sociedade, impossível será sua dissolução amigável (haverá então uma sentença judicial), a menos que o contrato contenha cláusula que preveja a extinção por maioria simples. No entanto, se a minoria tentar extinguir a pessoa jurídica, não conseguirá. - Morte de seus membros (extinção natural). - Quando a lei assim determinar. - Decurso do prazo, se constituída por prazo determinado. - Dissolução por decisão judicial: procedimento falimentar (em regra para as sociedades empresárias) ou liquidação (em regra para sociedade simples). - Administrativa: decorre da cassação da autorização de funcionamento, específica para algumas entidades (ex.: instituições financeiras que dependem de autorização do Banco Central). - Se houver bens em seu patrimônio e dívidas a resgatar, ela continuará em fase de liquidação. Somente após o encerramento da liquidação é que se promove o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica no respectivo registro. - Destino do Patrimônio. Nas sociedades, quinhão + divisão entre os sócios ou herdeiros e nas associações, opera-se conforme o estatuto ou destinados a estabelecimento público com finalidades semelhantes. Grupos Despersonalizados - Constituem um conjunto de direitos e obrigações, de pessoas e bens, sem personalidade jurídica, que geralmente se formam independentemente da vontade de seus membros. Possuem capacidade processual. - Sociedades em comum (de fato ou irregulares): responsabilidade solidária e ilimitadados sócios pelas obrigações da sociedade, pois não há autonomia da pessoa jurídica. - Massa falida; - Espólio: é o conjunto de direitos e obrigações ou uma simples massa patrimonial deixada pelo de cujus; é a herança, propriamente dita. O inventariante prestará compromisso legal e irá representar ativa e passivamente, em juízo ou fora dele os interesses do espólio. - Herança Jacente e Vacante: Jacente ocorre quando o falecido não deixa testamento e nem herdeiros, ou os herdeiros abrem mão. Ela fica vacante aguardando 5 anos até aparecer alguém. Se não aparecer passa ao domínio do Estado. Desconsideração da Personalidade Jurídica Significa ignorar ou não levar em conta a distinção criada pela ficção legal entre os dois patrimônios. Com isso, são alcançados os bens das pessoas físicas que se escondem dentro de uma pessoa jurídica para a prática de atos ilícitos ou abusivos. Trata-se de uma exceção. A doutrina da desconsideração pretende o afastamento temporário da personalidade jurídica da entidade, para permitir que os credores prejudicados possam satisfazer os seus direitos no patrimônio pessoal do sócio ou administrador que cometeu o ato abusivo. Art. 50, CC: “Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o Juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Segundo a corrente majoritária referente ao art. 50, CC, dispensa-se a prova do dolo específico do sócio ou administrador. Enunciado 283 da IV Jornada de Direito Civil do STJ: “É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada ‘inversa’ para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros”. - Fala-se, também em desconsideração indireta, nos casos em que uma empresa é controladora de outra, principalmente quando a primeira se utiliza da segunda para praticar fraudes e abusos diversos. Neste caso desconsidera-se a controlada para atingir a controladora. - As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não- econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica”. No entanto, neste caso, a desconsideração atinge somente os seus dirigentes (que a representam na forma dos estatutos) e não os associados em geral. - Não confundir a desconsideração com a teoria da ultra vires societatis (além do conteúdo da sociedade). A regra geral é que os atos dos administradores vinculam a pessoa jurídica pela qual são responsáveis. No entanto, de acordo com tal teoria, a sociedade poderá ficar isenta de responsabilidade quando provado que os administradores excederam os poderes que lhes são conferidos. Assim, o dever de indenizar deverá ser imputado exclusivamente ao administrador. - Como uma evolução da desconsideração da personalidade jurídica tem-se adotado a Teoria da Sucessão de Empresas, pela qual, nos casos em que ficar patente a ocorrência de fraude poderá o magistrado estender as responsabilidades de uma empresa para outra (denominadas empresa sucedida e sucessora, respectivamente). - A respeito da desconsideração, fala-se em Teoria Maior e Teoria Menor. Pela Teoria Maior (ou subjetiva) a desconsideração não pode ser aplicada com a mera demonstração de estar a pessoa insolvente para o cumprimento de suas obrigações. Exige-se maior apuro e precisão na constatação dos requisitos legais para a decretação da medida. Se o magistrado entender que houve abuso da personalidade (desvio de finalidade ou demonstração de confusão patrimonial) pode aplicar a desconsideração da personalidade jurídica, usando seu livre convencimento (daí ser subjetiva), desde que o faça de forma bem fundamentada. É a regra geral em nosso sistema jurídico, adotada pelo Código Civil. Já a Teoria Menor (ou objetiva) é aquela em que se dispensa um raciocínio mais cuidadoso para a incidência do instituto. Não se exige a demonstração do abuso, basta que haja o descumprimento da obrigação. Porém, seu âmbito de aplicação fica restrito ao Direito Ambientale ao Direito do Consumidor. Para esta teoria o risco empresarial normal às atividades econômicas não pode ser suportado pelo terceiro que contratou com a pessoa jurídica, mas sim pelos sócios e/ou administradores. DOS BENS A relação jurídica entre dois sujeitos tem por objeto os bens sobre os quais recaem direitos e obrigações. Bem seria um gênero que se divide em bens imateriais e bensmateriais, estes sim, considerados como coisa. CLASSIFICAÇÃO CLASSIFICAÇÃO SUPRALEGAL (doutrinária) 1 - Bens Corpóreos (sinônimos: materiais, tangíveis ou concretos): são aqueles que possuem existência física ou material. 2 - Incorpóreos (sinônimos: imateriais, intangíveis ou abstratos): aqueles que não existem fisicamente, pois possuem uma existência abstrata. No entanto podem ser traduzidos em dinheiro, possuindo valor econômico e sendo objeto de direito. Ex: Software. Na prática os bens corpóreos são objetos de contrato de compra e venda, enquanto os bens incorpóreos são objetos de contratos de cessão (transferência a outrem). Mas ambos podem integrar o patrimônio de uma pessoa. PATRIMÔNIO JURÍDICO Conjunto das relações jurídicas ativas e passivas (abrange bens, direitos e obrigações) de uma pessoa (natural ou jurídica), apreciável economicamente. CLASSIFICAÇÃO LEGAL DOS BENS I. BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS 1 – BENS QUANTO À MOBILIDADE A) BENS IMÓVEIS São aqueles que não podem ser removidos ou transportados de um lugar para o outro sem a sua destruição ou alteração em sua substância. Este conceito perdeu sua força pela engenharia de hoje em dia. Divide-se em: - Por Natureza (ou por essência): é o solo (terreno) e tudo quanto se lhe incorporar naturalmente (árvores, frutos pendentes, etc.), mais adjacências (espaço aéreo e subsolo). Atenção para o fato de jazidas, recursos minerais e hídricos, embora sejam considerados como bens imóveis, constituem propriedade da união! - Por Acessão (acréscimo) Física, industrial ou artificial: trata-se de tudo quanto o homem incorporar permanentemente (o que não significa eternamente) ao solo, não podendo removê-lo sem destruição, modificação ou dano. Abrange os bens móveis que, incorporados ao solo pelo trabalho do homem, passam a ser bens imóveis. Ex: Construções e plantações. - Por Acessão Intelectual (ou por destinação do proprietário): são os bens móveis que aderem a um bem imóvel pela vontade do dono, para dar maior utilidade ao imóvel (a coisa deve ser colocada a serviço do imóvel e não da pessoa). Ex: Trator usado na plantação, máquinas da fábrica. O Código Civil atual não acolhe mais essa classificação qualificando esses bens como pertenças. - Por Disposição Legal: são bens que são considerados imóveis somente porque o legislador assim resolveu enquadrá-los (ficção jurídica), possibilitando, como regra, receber maior segurança e proteção jurídica nas relações que os envolve. São eles: - Direito à sucessão aberta. Falecendo uma pessoa, mesmo que a herança seja formada apenas por bens móveis, o direito à sucessão será considerado como um bem imóvel. Ex.: uma pessoa faleceu e deixou um carro, uma joia e dez mil reais em uma conta-poupança. É aberto o processo de inventário. O conjunto dos bens deixados pelo falecido (de cujus) é chamado de espólio. E este tem a natureza de bem imóvel por força de lei. Assim, o que se considera imóvel não é o direito aos bens que compõe a herança, mas sim o direito à herança como uma unidade. Somente após a partilha é que os bens serão considerados de forma individual. - Direitos reais sobre os imóveis(ex.: direito de propriedade, de usufruto, uso, superfície, habitação, servidão predial, enfiteuse, etc.). A lei, para dar maior segurança às relações jurídicas, trata os direitos reais sobre bens imóveis com se imóveis fossem. Encaixam aqui também as ações que asseguram os bens imóveis, como uma ação reivindicatória da propriedade, hipotecária, etc. - Penhor agrícola e as ações que o asseguram; - Jazidas e as quedas d’água com aproveitamento para energia hidráulica são consideradas bens distintos do solo onde se encontram. - Regras Especiais: Não perdem o caráter de imóvel (ou seja, continuam sendo imóveis): - edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local (ex.: “casa pré-fabricada” transportada de uma localidade para outra). - materiais provisoriamente separados de um prédio para nele se reempregarem (telhas retiradas de uma casa para reforma do telhado, sendo reempregadas posteriormente). B) BENS MÓVEIS São aqueles que podem ser removidos, transportados, de um lugar para outro, por força própria ou estranha, sem alteração da substância ou da destinação econômico- social. 1) Móveis por Natureza:são os bens que podem ser transportados de um local para outro sem a sua destruição por força alheia (cadeira, mesa) ou que possuem movimento próprio (semoventes = animais). 2) Móveis por Antecipação: a vontade humana pode mobilizar bens imóveis em função da sua finalidade econômica. Ex.: uma árvore é um bem imóvel; no entanto ela pode ser plantada especialmente para corte futuro (papel); Frutos da árvore que estão no pé mas serão vendidos. 3) Móveis por Determinação Legal: a) as energias que tenham valor econômico: a energia elétrica, embora não seja um bem corpóreo, é considerada pela lei como sendo um bem móvel. Notem que a lei menciona “energias”, pois não existe apenas a energia elétrica. Ex.: o sêmen de um touro reprodutor premiado é considerado energia biológica. b) direitos reais sobre bens móveis e as ações correspondentes (ex.: direito de propriedade e de usufruto sobre bens móveis, etc.). c) direitos pessoais de caráter patrimonial e as respectivas ações. d) ainda incluem-se: direitos autorais (art. 3° da Lei n° 9.610/98), propriedade industrial (direitos oriundos do poder de criação e invenção da pessoa), quotas e ações de capital em sociedades, etc. 4) Regra Especial: Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio. OBS: Os navios e aeronaves são bens móveis ou imóveis? A doutrina os classifica como bens móveis especiais ou sui generis. Apesar de pela sua natureza e essência serem fisicamente bens móveis (pois podem ser transportados de um local para outro), são tratados pela lei como se fossem imóveis, pois necessitam de registro especial e admitem hipoteca. Distinção entre bens móveis e imóveis 1) Formas de aquisição da propriedade: A principal forma de se adquirir a propriedade dos bens móveis é com a tradição. Ou seja, em uma compra e venda de bens móveis, somente com a entrega destes é que se adquire a sua propriedade. Já os bens imóveis são adquiridos com o Registro ou transcrição do título da escritura pública no Registro de Imóveis (art. 1.245, CC). Enquanto não houver o registro do título,o vendedor continua sendo o proprietário do imóvel. 2) Outorga: Um bem será vendido. Trata-se de um bem imóvel? –Sim! Trata-se de proprietário casado em regime de bens que não seja separação total de bens? –Sim! Logo essa pessoa irá necessitar da outorga (ou vênia) conjugal (uxória – mulher concede ao homem ou marital – homem concede à mulher). 3) Usucapião: Bens móveis ou imóveis A) Bens Imóveis 1) Usucapião Extraordinária: - 15 anos: sem justo título (ato jurídico destinado a habilitar uma pessoa a adquirir o domínio de uma coisa, mas que por algum motivo acabou não produzindo efeito), sem boa-fé. - 10 anos: sem justo título, desde que resida no local ou tenha realizado obras produtivas. 2) Usucapião Ordinária: - 10 anos: com título e boa-fé. - 05 anos: com título, boa-fé, adquirido onerosamente, desde que resida no local ou tenha realizado investimento de interesse social e econômico. - 02 anos: propriedade dividida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar: Desde que não possua outro imóvel urbano ou rural. B) Bens Móveis 1) Usucapião Extraordinária: sem justo título →05 anos. 2) Usucapião Ordinária: com justo título e boa-fé →03 anos. 4) Direitos Reais sobre coisa alheia - Bens imóveis: Hipoteca (ex.: você recebe uma quantia em dinheiro emprestada e oferece um bem imóvel como garantia desse empréstimo, não havendo a entrega do bem). - Bens móveis: Penhor (ex.: você recebe uma quantia dinheiro em empréstimo e entrega um bem imóvel como garantia deste empréstimo). 5) Contratos - Comodato: imóveis. - Mútuo: móveis. - Locação: Imóveis ou móveis. 2 – BENS QUANTO À FUNGIBILIDADE A) INFUNGÍVEIS: São os bens que possuem alguma característica especial, que os tornam distintos dos demais, não podendo ser substituídos por outros, mesmo que da mesma espécie, qualidade e quantidade. Imóveis, quadro famoso, carro. B) FUNGÍVEIS: São os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. São as coisas que se contam, se medem ou se pesam e não se consideram objetivamente como individualidades. OBS: A diferença básica entre a locação, o comodato e o mútuo (que são espécies de contratos de empréstimo) está na sua fungibilidade. Enquanto o mútuo é um contrato que se refere ao empréstimo apenas de coisas fungíveis, ou seja, o devedor pode devolver outra coisa, desde que seja igual, o comodato é um contrato de empréstimo (gratuito) de coisas infungíveis. E a locação também é um empréstimo de bens infungíveis, só que oneroso. Nestes dois últimos contratos a pessoa deve devolver o mesmo bem. OBS2: Outra consequência: o credor de coisa infungível não pode ser obrigado a receber outra coisa, mesmo que esta seja mais valiosa (art. 313, CC). Isto é o credor tem o direito de receber a coisa exata que foi pactuada. OBS3: Outro efeito: a compensação legal (isto é, “A” deve para “B”, mas “B” também deve para “A”) efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis entre si. Ou seja, dinheiro se compensa com dinheiro; café se compensa com café; feijão se compensa com feijão, etc. 3 – BENS QUANTO À CONSUNTIBILIDADE A) CONSUMÍVEIS: São bens móveis, cujo uso normal importa na destruição imediata da própria coisa, sendo também considerados tais os destinados à alienação (consumíveis de direito). Admitem um uso apenas. Ex.: gêneros alimentícios, bebidas,etc. B) INCONSUMÍVEIS: São os que proporcionam reiterados usos, permitindo que se retire toda a sua utilidade, sem atingir sua integridade. Ex.: roupas de uma forma geral, automóvel, casa, etc., ainda que haja possibilidade de sua destruição em decorrência do tempo. A consuntibilidade não decorre propriamente da natureza do bem, mas sim da sua destinação econômico-jurídica. Assim, o usufruto somente pode recair sobre bens inconsumíveis. Se for instituído sobre bens fungíveis, é chamado pela doutrina de quase-usufruto ou usufruto impróprio. Não confundir fungibilidade com consuntibilidade! 4 – BENS QUANTO À SUA DIVISIBILIDADE A) DIVISÍVEIS: São os bens que podem se fracionar em porções reais e distintas, formando cada qual um todo perfeito: a) sem alteração em sua substância; b) sem diminuição considerável de valor; c) sem prejuízo do uso a que sedestinam. Ex.: uma folha de papel, uma quantidade de arroz, milho, etc. Obs: Um diamante ao ser dividido, suas partes separadamente consideradas valem menos do queele inteiro, sendo assim classificado como indivisível. B) INDIVISÍVEIS: São os bens que não podem ser fracionados em porções, pois deixariam de formar um todo perfeito. Ex.: uma joia, um anel, um par de sapatos, etc. No entanto a indivisibilidade pode ser subclassificada em: - por natureza: se o bem for dividido perde a característica do todo. Ex.: um cavalo, um relógio, um quadro, etc. - por determinação legal: alguns bens podem ser divididos fisicamente. No entanto a lei que os torna indivisíveis. O exemplo clássico é o da herança. Antes da partilha ela é indivisível por determinação legal. - por vontade das partes (convencional): um bem fisicamente é divisível, mas pode se tornar indivisível por força de um contrato. Ex.: entregar 100 sacas de café hoje. 5 – BENS QUANTO À INDIVIDUALIDADE A) BENS SINGULARES: Embora possam estar reunidos, são considerados de modo individual, independentemente dos demais. Ex.: um cavalo, uma casa, um carro, uma joia, um livro, etc. Os bens singulares podem ser classificados em a) singulares simples formam um todo homogêneo, cujas partes componentes estão unidas em virtude da própria natureza ou da ação humana, sem que seja necessária qualquer regulamentação (pedra, cavalo, árvore, folha de papel, etc.); b) singulares compostos são os que as partes heterogêneas estão ligadas artificialmente pelo engenho humano; na realidade são vários objetos independentes que se unem em um só todo, sem que desapareça a condição jurídica de cada uma das partes. Ex.: materiais de construção. Uma porta ou uma janela, embora estejam ligados à edificação de uma casa, continuarão assim a ser chamados. Outros exemplos: navio ou avião, carro, relógio, computador, etc. B) BENS COLETIVOS OU UNIVERSAIS: É a pluralidade de bens singulares autônomos que, embora ainda conservem sua identidade, são consideradas em seu conjunto, formando um todo único (universitas rerum), passando a ter individualidade própria, distinta da dos seus objetos componentes. Trata-se de um gênero e que tem como espécies: a) Universalidade de Fato: é a pluralidade de bens singulares, corpóreos e homogêneos, ligados entre si pela vontade humana, para um determinado fim. Ex: Pinacoteca, rebanho, etc. b) Universalidade de Direito: é a pluralidade de bens singulares, corpóreos (ou incorpóreos) e heterogêneos, a que a norma jurídica dá unidade, com o intuito de produzir certos efeitos; é o complexo de relações jurídicas de uma pessoa, dotadas de valor econômico. Ex.: patrimônio, herança. OBS: Estabelecimento Empresarial: Para fins de alienação, o estabelecimento é considerado um bem móvel. O estabelecimento empresarial é exemplo de universalidade de fato (e não de direito), na medida em que sua unidade não decorre da lei (como ocorre na massa falida e na herança), mas da vontade do empresário para uma finalidade específica. I. BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS Comparação entre os bens: Principais ou acessórios A) PRINCIPAIS São os que existem por si, abstrata ou concretamente, independentemente de outros; exercem função e finalidades autônomas. Ex.: o solo, um crédito, uma joia, etc. B) ACESSÓRIOS São aqueles cuja existência pressupõe a existência de outro bem; sua existência e finalidade dependem de um bem principal. Ex.: um fruto em relação à árvore, uma árvore em relação ao solo, um prédio em relação ao solo, os juros, etc. OBS: Princípio da gravitação jurídica (um bem atrai o outro para sua órbita, comunicando-lhe seu próprio regime jurídico: o principal atrai o acessório; o acessório segue o principal). Por essa razão, quem for o proprietário do principal, em regra, será também o do acessório. Outro efeito: a natureza do principal será também a do acessório. Ex.: se o solo é imóvel, a árvore nele plantada também o será. São bens acessórios: 1) Frutos: são as utilidades que a coisa principal produz periodicamente; nascem e renascem da coisa e sua percepção mantém intacta a substância do bem que as gera. Os frutos podem ser classificados em: a) Naturais: são os que se renovam periodicamente pela própria força orgânica da coisa (ex.: frutas, crias de animais, ovos, etc.). b) Industriais: são os que surgem em razão da atividade humana (ex.: produção de uma fábrica). c) Civis: são os rendimentos produzidos pela coisa, em virtude sua utilização por outrem que não o proprietário; é a cessão remunerada da coisa (ex.: juros de caderneta de poupança, aluguéis, dividendos ou bonificações de ações, etc.). Os frutos ainda podem ser classificados, quanto ao seu estado em: - pendentes (ainda estão ligados fisicamente à coisa que os produziu, mas podem ser destacados, sem nenhum risco para a inteireza da coisa); - percebidos ou colhidos (são os já destacados ou colhidos da coisa principal da qual se origina); - estantes (colhidos e armazenados em depósitos; acondicionados para a venda); - percipiendos (já deveriam ter sido colhidos ao tempo da safra, mas ainda não o foram) - consumidos (já colhidos e que não existem mais: utilizados ou alienados). 2) Produtos: são as utilidades que se retiram da coisa, alterando a sua substância, com a diminuição da quantidade até o seu esgotamento. E isto é assim porque eles não se reproduzem. Ex.: pedras de uma pedreira, minerais de uma jazida, carvão mineral, lençol petrolífero, etc. Frutos x Produtos: Os produtos se exaurem com o uso, sendo que a extração do produto determina a progressiva diminuição da coisa principal. 3) Rendimentos: na verdade eles são os próprios frutos civis ou prestações periódicas em dinheiro, decorrentes da concessão do uso e gozo de um bem (ex.: aluguel). 4) Produtos orgânicos: da superfície da terra (ex.: vegetais, animais, etc.). 5) Obras de aderência: obras que são realizadas acima ou abaixo da superfície da terra (ex.: uma casa, um prédio de apartamentos, o metrô, pontes, túneis, viadutos) 6) Pertenças: São os bens que, não constituindo partes integrantes (como os frutos, produtos e benfeitorias), se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. Exemplos que costumam cair nas provas: moldura de um quadro que ornamenta uma casa de eventos, máquinas agrícolas (trator), animais ou materiais destinados a melhor explorar o cultivo de uma propriedade agrícola, máquinas e instalações de uma fábrica, geradores de energia, escadas de emergência e outros equipamentos contra incêndio, aparelho de ar-condicionado em um escritório, órgão de uma igreja, etc. Em relação às pertenças, nem sempre pode se usar o adágio de que “o acessório segue o principal”. Por isso, quando se tratar de negócio que envolva transferência de propriedade que contenha uma pertença é conveniente que as partes se manifestem expressamente sobre os acessórios (se eles acompanham ou não o bem principal). 7) Acessões (de forma implícita): aumento do valor ou do volume da propriedade devido a forças externas (fatos fortuitos, como formação de ilhas, aluvião, avulsão, abandono de álveo, além das construções e plantações). Em regra não são indenizáveis. 8) BENFEITORIAS: são obras ou despesas que se fazem em um bem móvel ou imóvel, para conservá-lo, melhorá-lo ou embelezá-lo. As benfeitorias são bens acessórios, introduzidos no principal pelo homem. Se for realizadopela natureza não é considerado como benfeitoria. Dividem-se em: a) Necessárias: são as que têm por finalidade conservar ou evitar que o bem se deteriore, se não forem feitas a coisa podeperecer. Ex.: reforços em alicerces. b) Úteis: são as que aumentam ou facilitam o uso da coisa. Não sãoindispensáveis, mas se forem feitas darão um maior aproveitamento à coisa. Ex.: construção de uma garagem, de um lavabo dentro da casa. c) Voluptuárias: são as de mero embelezamento, recreio ou deleite. Ex.: construçãode uma piscina, uma churrasqueira, uma pintura artística. OBS: uma mesma benfeitoria pode enquadrar-se em uma ou outra espécie. Boa-fé: Caso elas não sejam indenizadas, o possuidor tem o direito de retenção pelo valor das mesmas. Isto é, ele pode reter o bem até que seja indenizado pelas benfeitorias feitas. Má-fé: não poderá levantar nenhuma das benfeitorias realizadas e também não terá direito de retenção sobre nenhuma delas. Nem mesmo sobre as necessárias. Locação: as benfeitorias necessárias introduzidas pelo locatário, ainda que não autorizadas pelo locador, bem como as úteis, desde que autorizadas, serão indenizáveis e permitem o exercício do direito de retenção. As voluptuárias não são indenizáveis e podem ser retiradas sem afetar o imóvel. Acessão artificial X Benfeitoria Acessão artificial: obra que cria uma coisa nova, como as construções e plantações (ex.: edificação de uma casa em um terreno). Já a Benfeitoria: obra ou despesa realizada em bem já existente, sem modificar a sua substância. É apenas uma reforma levada a efeito pelo homem (artificial) na coisa e que não aumenta o volume. III. BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO TITULAR DO DOMÍNIO A) BENS PARTICULARES (ou privados): São os que pertencem às pessoas naturais (físicas) ou às pessoas jurídicas de direito privado. B) RES NULLIUS: São as chamadas “coisas de ninguém”. Existem no Universo, mas não são públicas nem particulares, pois não têm dono. Ex.: animais selvagens em liberdade, coisas abandonadas. C) BENS PÚBLICOS (res publicae): São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno. Os demais bens são particulares, seja qual for apessoa a que pertencerem. No entanto é interessante ressaltar o Enunciado 287 da IV Jornada de Direito Civil do STJ: “O critério da classificação de bens indicado no art. 98, CC não exaure a enumeração dos bens públicos, podendo ainda ser classificado como tal o bem pertencente à pessoa jurídica de direito privado que esteja afetado à prestação de serviços públicos”. Classificação dos Bens Públicos Quanto à titularidade (natureza da pessoa titular) os bens públicos podem ser federais, estaduais, distritais ou municipais. Quanto à disponibilidade eles se classificam em: a) indisponíveis por natureza: são os que sequer possuem natureza patrimonial, e, por tal motivo, não podem ser alienados ou onerados pelas entidades a que pertencem (ex.:mares, rios, etc.); b) patrimoniais indisponíveis: apesar de terem natureza patrimonial não podem ser alienados, pois são utilizados pelo Estado para uma finalidade pública (ex.: escolas, hospitais, etc.); c) patrimoniaisdisponíveis: são os que possuem natureza patrimonial e como não estão afetados a determinada finalidade pública, podem ser alienados (ex.: bens dominicais). IV. BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO À NEGOCIAÇÃO Relativo à possibilidade de comercialização dos bens. Comércio (em sentido técnico) é a possibilidade de compra e venda, doação, ou seja, liberdade de circulação e transferência. 1. Bens que integram o comércio: são os negociáveis, disponíveis; podem ser adquiridos e alienados. 2. Bens que estão fora do comércio: são os que não podem ser transferidos de um acervo patrimonial a outro. Espécies: a) insuscetíveis de apropriação (inalienáveis por natureza): são bens de uso inexaurível (ex.: ar, luz solar, água do alto-mar, etc.). Se atender a determinadas finalidades, pode ser objeto de comércio (captação do ar ou da água do mar para a extração de determinados elementos). b) personalíssimos: são os preservados em respeito à dignidade humana (ex.: vida, honra, liberdade, nome, órgãos do corpo humano, cuja comercialização é expressamente proibida pela lei, etc.). c) legalmente inalienáveis: apesar de suscetíveis de apropriação, têm sua comercialidade excluída pela lei para atender a interesses econômicos-sociais, defesa social e proteção de certas pessoas. Só excepcionalmente podem ser alienados, exigindo uma lei específica ou uma decisão judicial (alvará). Alguns exemplos: - bens públicos, bens das fundações, terras ocupadas pelos índios, bens de menores, terreno onde foi construído edifício de condomínio por andares, enquanto persistir o regime condominial, bens de família e bens gravados com cláusula de inalienabilidade. BEM DE FAMÍLIA No Brasil a regra é que o devedor, para o cumprimento de suas obrigações, responde com todos os seus bens, presentes ou futuros. Há duas espécies de bem de família: voluntária (Código Civil) e legal (Lei n° 8.009/90). A) CÓDIGO CIVIL – Forma Voluntária: Nos termos do art. 1.711, CC podem os cônjuges (entidade familiar - entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, bem como a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (família monoparental) e uniões homoafetivas) ou terceiros (desde que devidamente aceito pela entidade familiar beneficiada), mediante escritura pública (registrada) ou testamento, destinar parte de seu patrimônio (desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido) para instituir o bem de família. Consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas pertenças e acessórios, destinando-se a domicílio familiar. No entanto o próprio dispositivo prevê que pode abranger valores mobiliários, cuja renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família. Lógico que só pode instituir o bem de família voluntário quem for solvente. Não pode existir ônus sobre o imóvel. Consequências: a) Impenhorabilidade limitada. Isso porque o bem se torna isento de dívidas futuras à instituição, salvo as tributárias referentes ao bem (ex.: IPTU) e despesas de condomínio (se for prédio de apartamento), nos termos do art. 1.715, CC. Portanto, impostos como o Imposto de Renda, ISS, etc., não autorizam a Fazenda Pública solicitar a penhora do bem de família. b) Inalienabilidade relativa. Isso porque uma vez instituído só poderá ser alienado com a autorização de todos os interessados, cabendo ao Ministério Público intervir quando houver a participação de incapaz (art. 1.717, CC). A duração da instituição é até que ambos os cônjuges faleçam, sendo que, se restarem filhos menores de 18 anos, mesmo falecendo os pais, a instituição perdura até que todos os filhos atinjam a maioridade. O prédio entrará em inventário para ser partilhado somente quando a cláusula for eliminada. Desta forma, a dissolução da sociedade conjugal (separação judicial ou divórcio), por si só, não extingue o bem de família. No entanto o art. 1.721, CC faz a ressalva de que dissolvida a sociedade conjugal pela morte de um dos cônjuges, o sobrevivente poderá pedir a extinção do bem de família, se for o único bem do casal. Somente haverá a alienação (venda, doação, etc.) do bem de família instituído quando houver anuência dos dois consortes e de seus filhos, quando houver. Havendo a participação de incapazes o Juiz irá designar um curador especial e irá consultar o Ministério Público. A cláusula somente poderá ser levantada por mandado judicial (também chamado de mandado de liberação), justificado o motivo relevante. Se foi solenemente instituído pela família como domicílio desta, não pode ter outro destino. Se houver menores impúberes (menores de 16 anos) a situação ainda fica mais complicada: a cláusula não poderá ser eliminada, salvo se houver sub-rogação (substituição da coisa por outra; transferência das qualidades de uma coisa para outra) em outro imóvel para a moradia da família. B) LEI Nº 8.009/90 – Bem de família Legal: Na realidade não torna a coisa propriamente em “bem de família”. Esta coisa fica apenas impenhorável, ou seja, não pode recair penhora sobre ele. Aplica-se a famílias que possuem apenas um único imóvel para sua residência (este bem, de forma automática,é considerado bem de família; decorre da lei). Acarreta somente a impenhorabilidade (e não a inalienabilidade, ou seja, o bem não pode ser penhorado por terceiros, mas se o proprietário quiser, poderá vendê-lo). A impenhorabilidade compreende, além do imóvel em si, as construções, plantações, benfeitorias de qualquer natureza, equipamentos de uso profissional, mas também os bens móveis que guarnecem a casa. Ressalvam-se os veículos de transporte, obras de arte e adornos suntuosos.Os bens de que trata a Lei n° 8.009/90 tem um número maior de exceções, ou seja, de hipóteses em que o bem será vendido para pagar a dívida. Assim esses bens (apontados na lei especial), não responderão por dívidas civis, mercantis, fiscais trabalhistas, etc., salvo se o processo de execução for movido em razão de (art. 3°): - crédito de trabalhadores da própria residência (ex.: empregada doméstica, cozinheira, “babá”, jardineiro, etc.). - execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia. - crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel. - cobrança de impostos (ex.: IPTU ou ITR) taxas e contribuições devidas em função do imóvel. - dívidas de condomínio também referente ao próprio imóvel. - credor de pensão alimentícia. - bem adquirido com produto de crime. - obrigação decorrente de fiança nos contratos de locação (se uma pessoa se dispuser a ser fiador, neste momento está abrindo mão do chamado bem de família. Mas é evidente que esta situação não se aplica àquele bem de família previsto no Código Civil, pois neste caso o bem foi registrado e se tornou, além de impenhorável, também inalienável). OBS: - O STJ tem admitido, para efeito de bem de família, que a renda proveniente de imóvel locado também seja considerada impenhorável. - O STJ considerou possível que a impenhorabilidade do bem de família atinja simultaneamente dois imóveis do devedor: aquele onde ele mora com sua esposa e outro no qual vivem suas filhas menores (e a mãe delas), nascidas de relação extraconjugal. - No caso da pessoa não ter imóvel próprio (ex.: locação, usufruto), a impenhorabilidade recai sobre os bens móveis quitados que guarneçam a residência e que sejam da propriedade do locatário (geladeira, fogão, televisão, etc.). Se o casal ou entidade familiar for possuidor de vários imóveis, a impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor (salvo se outro tiver sido registrado). Súmulas: 01. Súmula 364: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas (isso porque o STJ entende que na realidade a base da proteção do bem de família, apesar do nome, não é a família, mas a proteção constitucional da dignidade humana, que se traduz no direito à moradia). 02. Súmula 449: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora. 03. Súmula 332 (nova redação): A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia. BENS GRAVADOS COM CLÁUSULA DE INALIENABILIDADE São aqueles que se tornam inalienáveis pela vontade humana, por meio de uma cláusula temporária ou vitalícia, nos casos previstos em lei, por ato inter vivos (ex.: doação) ou causa mortis (ex.: testamento). A cláusula de inalienabilidade, imposta aos bens por ato de liberalidade, implica impenhorabilidade e incomunicabilidade”. Atualmente essa cláusula tem valor um pouco mais restrito, pois o testador deve apontar expressamente a justa causa para essa sua decisão de tornar o bem inalienável. FATOS JURÍDICOS Uma relação jurídica é formada por três elementos: a) Elemento Subjetivo: são as pessoas envolvidas; os sujeitos de direito e suas relações. b) Elemento Objetivo: é o objeto do direito; o bem jurídico pretendido pelo sujeito ativo. Divide-se em objeto imediato, que é a prestação (a obrigação de dar, fazer ou não fazer) e objeto mediato (o bem em si: móvel ou imóvel, divisível ou indivisível). c) Elemento Imaterial: é o vínculo que se estabelece entre os sujeitos e os bens. Este é o FATO JURÍDICO. É o fato propulsor idôneo à produção de consequências jurídicas. Para que um acontecimento seja considerado como fato jurídico é necessário que esse acontecimento, de alguma forma, cause algum reflexo no âmbito do direito. Seja este reflexo lícito ou ilícito. Seguinte classificação: - Fato Comum: Ação humana ou fato da natureza que não interessa ao Direito. - Fato Jurídico (em sentido amplo – lato sensu):Acontecimento natural ou humano previstos em norma de direito, em razão dos quais nascem, se modificam, subsistem e se extinguem as relações jurídicas. Ex.: um contrato de locação é um fato jurídico. Elementos: ARME (Mnemônico). a) AQUISIÇÃO DE DIREITO →É a conjunção (união) dos direitos com seu titular. Os direitos podem ser adquiridos de forma: a) Originária: o direito nasce no momento em que o titular se apossa ou se apropria de um bem de maneira direta, sem a participação de outra pessoa; não há qualquer relação com o titular anterior ou mesmo que tivesse, não há uma transmissão pelo seu titular. Ex.: pescar um peixe em alto-mar, usucapir um terreno. b) Derivada: ocorre quando há uma transferência ou transmissão do direito de propriedade (sucessão), existindo uma relação jurídica entre o titular anterior (sucedido) e o atual (sucessor). Ex.: Venda de carro, herdeiros. c) Gratuita: quando não há uma contraprestação na aquisição; só o adquirente aufere vantagem. Ex.: Doação. d) Onerosa: quando há uma contraprestação na aquisição; há benefícios recíprocos. Ex.: Compra e venda, locação. b) RESGUARDO DE DIREITOS (proteção, conservação ou defesa): São atos praticados pela pessoa que servem para proteger os seus direitos. Ou seja, o titular de um direito deve praticar atos conservatórios preventivos (garantindo seu direito contra eventual e futura violação) ou repressivos (são os que visam restaurar eventual direito violado). Ex.:arresto (que é a apreensão judicial de coisa litigiosa ou de bens para a segurança da dívida); sequestro (que é o depósito judicial da coisa litigiosa para garantia do direito); protesto, etc. A defesa pode ser: a) Extrajudicial: são hipóteses de defesa de direitos sem ser necessário ingressar em juízo. Exemplo: Garantia, fiança, multas em contrato. b) Judicial: são as ações judiciais para proteção de direitos. Recorre-se à autoridade judicial competente para restabelecer um direito já violado ou para proteger um direito ameaçado. “A todo direito corresponde uma ação que o assegura”. Ação é o meio que o titular do direito dispõe para obter a atuação do Poder Judiciário, no sentido de solucionar litígios relativos a interesses jurídicos. Para propor ou contestar uma ação é necessário ter legítimo interesse econômico ou moral. c) MODIFICAÇAO DE DIREITOS (transformação): Os direitos podem sofrer modificações relativas ao seu conteúdo (objeto) ou a seus titulares (pessoas), sem que haja alteração em sua substância. a) Objetiva: diz respeito ao conteúdo ou objeto da relação jurídica. Pode ser qualitativa (credor de saca de feijão aceita arroz) ou quantitativa. b) Subjetiva: substituição da titularidade do direito, ou seja, de uma das pessoas (sujeito ativo ou passivo) envolvidas na obrigação, podendo ser intervivos (contrato) ou causa mortis (testamento). Há direitos que não comportam modificação no sujeito por serem personalíssimos (também chamados de intuitu personae). EXTINÇÃO DE DIREITOS →quando sobrevém uma causa que elimina os seus elementos essenciais. Notem que o perecimento deve ser total. Se for parcial, o direito persiste sobre o remanescente desta parte. Ex: Perecimento do objeto (plantação invadida pelo mar), renúncia, abandono, alienação, falecimentodo titular, confusão (credor e vendedor são a mesma pessoa), prescrição e decadência. Classificação dos Fatos Jurídicos I- Natural: é o acontecimento natural do qual decorrem efeitos jurídicos, criando, modificando ou extinguindo direitos; não há manifestação da vontade humana. Divide-se: 1. Ordinários: são os que normalmente acontecem (previsíveis), produzindo efeitos jurídicos relevantes: nascimento, maioridade, morte (por causas naturais), aluvião, avulsão, decurso de tempo (como a prescrição, a decadência, a usucapião). 2. Extraordinários: são os que ocorrem de forma inesperada (imprevisíveis). Exemplos clássicos: “caso fortuito” ou “força maior”. Têm importância ao direito por excluírem, como regra, a responsabilidade: destruição de bens móveis e imóveis em virtude de uma tempestade. Prescrição É a perda da pretensão do titular de um direito subjetivo (é a faculdade que o ordenamento reconhece a alguém de exigir de outrem determinado comportamento), em virtude de sua inércia durante um prazo determinado previsto em lei, mas o direito em si (o direito ao crédito) ainda se mantém intacto (embora sem proteção jurídica). O prazo prescricional se inicia no momento em que o direito é violado e morre no último dia do prazo prescricional. Havendo violação ao direito e o titular deste permanecer inerte, a consequência será a perda da pretensão. Pretensão é a expressão utilizada para caracterizar o poder de exigir de outrem, coercitivamente, o cumprimento de um dever jurídico. A pretensão é deduzida em juízo por meio de uma ação. A prescrição tem por objeto direitos subjetivos patrimoniais e disponíveis (como exemplo as obrigações), não abrangendo os direitos de personalidade, os relacionados ao estado da pessoa e os direitos de família (que são imprescritíveis, conforme veremos adiante). Se um devedor paga uma dívida prescrita, não pode pedir o ressarcimento. OBS: ACTIO NATA: Trata-se de um princípio do Direito segundo o qual a prescrição e decadência só começam a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento de fato e da extensão de suas consequências. Exceção O prazo dado para a manifestação do contradireito (que é a exceção ou a defesa) é exatamente o mesmo que a lei estipula para que o titular da ação exerça sua pretensão. Por isso costuma-se dizer que “a exceção (defesa) nasce com o exercício da pretensão”. Renúncia Renúncia é um ato unilateral, produzindo efeitos sem necessidade da manifestação de vontade da outra parte. Uma dívida está prescrita. O credor não tem mais como cobrar a dívida judicialmente. Mesmo assim o devedor pode renunciar a esta prescriçãopagando a dívida. O devedor não pode: - renunciar à prescrição antes dela ocorrer, até porque, não se pode renunciar algo que ainda não temos ou queainda não existe. - não pode haver renúncia à prescrição quando esta for em prejuízo de terceiros. Ex.: A deve a B e C determinada quantia (duas dívidas autônomas). Em relação a B a dívida está prescrita. Resta então A pagar C. No entanto A renuncia a prescrição em relação a B e paga sua dívida em relação a ele. A seguir alega que não tem mais dinheiro para pagar C. Ora, a dívida estava prescrita. B não tinha mais como cobrar a dívida. E A ao pagar B, renunciou à prescrição, mas prejudicou os direitos de C. Portanto esta conduta não é permitida. A renúncia pode ser classificada em: a) Expressa: o prescribente (pessoa a quem a prescrição aproveitaria; o devedor) abre mão do direito de forma explícita. Ex.: devedor redige um documento por escrito abrindo mão da prescrição; como isso possibilita-se ao credor acionar o devedor exigindo o crédito que estaria prescrito. b) Tácita: o interessado pratica determinado ato incompatível com a prescrição. O exemplo clássico é o próprio pagamento da dívida prescrita. Alegação A prescrição pode ser alegada em qualquer fase do processo, mesmo em grau de recurso pela parte a que aproveita. Também no Tribunal (2º instância) a prescrição pode ser arguida. A doutrina considera que não pode na fase de liquidação em processo de execução, nem em fase de liquidação da sentença, pois a decisão já foi tomada e discutida, sendo nesta fase apenas executada. Efeitos Essenciais da Prescrição - Um contrato não pode conter cláusula declarando que um direito é imprescritível. - Os prazos prescricionais não podem ser alterados pelos particulares, ainda que haja um acordo de vontades entre eles. - Prescrevendo o principal, prescrevem todos os acessórios. - Os relativamente incapazes (art. 4°, CC) e as pessoas jurídicas têm direito a ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente. Entende a doutrina que a responsabilidade é subjetiva. - Suspensa a prescrição em favor de um credor solidário, somente se suspenderá a prescrição em favor dos demais se a obrigação for indivisível. (Caso da doação de um cavalo a João e José). Pessoas a quem aproveita A morte não interrompe e nem suspende o prazo prescricional, que continua a fluir normalmente contra os sucessores. Se o herdeiro for absolutamente incapaz o prazo suspende e volta a correr quando for relativamente incapaz. Declaração de Ofício (ex officio) Atualmente o Juiz “deve” reconhecer a prescrição de uma ação, independentemente de requerimento da outra parte, em qualquer situação (e não somente para favorecer absolutamente incapaz, como anteriormente). Requisitos para se reconhecer a prescrição - Pretensão, inércia, decurso de prazo e ausência de fato suspensivo ou interruptivo do prazo prescricional. Causas impeditivas e suspensivas - Causas impeditivas são circunstâncias que impedem que o curso prescricional se inicie, em razão do estado de uma pessoa individual oufamiliar. - Causas suspensivas são circunstâncias que paralisam temporariamente o prazo prescricional que já estava em curso, semprejuízo do tempo já decorrido. Não corre a prescrição - Entre os cônjuges (união estável também) na constância da sociedade conjugal: Credor e devedor se casam. -Se a dívida não venceu quando casaram, ocorre impedimento. Na teoria, o credor poderia cobrar se houvesse separação. - Se a dívida venceu, ocorre suspensão, voltando a correr caso se separem. - Entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar (18 anos): Após o poder pode ser cobrada a dívida. - Entre tutelados ou curatelados e seus tutores e curadores, durante a tutela ou curatela. É a mesma justificativa em relação ao menor e seuspais. - Contra os absolutamente incapazes: a) prescrição contra absolutamente incapazes →não corre. b) prescrição contra relativamente incapazes →corre normalmente. c) prescrição a favor de incapazes (absoluta ou relativamente) →corre normalmente. - Contra os ausentes do Brasil em serviço público da União, dos Estados e Municípios. - Contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra. - Pendendo condição suspensiva: Se não houve a aquisição do direito, ainda não há uma ação para proteger o direito. E se não há uma ação que se possa exercitar o prazo prescricional não se inicia. - Não estando vencido o prazo; - Pendendo ação de evicção: suspende-se também a prescrição em andamento. Evicção é a perda da propriedade para terceiro em virtude de ato jurídico anterior e de sentença judicial. - Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva. Se A for condenado criminalmente, a partir desta condenação inicia-se o prazo de prescrição para que os familiares de B ingressem com eventual ação de reparação de danos pela prática do ato ilícito no Juízo Cível. Causas interruptivas São circunstâncias que impedem o fluxo normal do prazoprescricional, inutilizando o tempo já decorrido, de modo que o prazo recomeça acorrer a partir da data do ato que o interrompeu. Na interrupção, em regra, exige-se um comportamento ativo, uma provocação do credor (ex.: a notificação). Já na suspensão exige-se apenas a ocorrência de um fato previsto na lei; ocorrido este, o prazo prescricional é suspenso de forma automática. A interrupção só pode ocorrer uma vez. - Despacho do Juiz, mesmo incompetente, que determinar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual. O código de processo civil diz que seria na citação, e não no despacho. A doutrina vem tentando harmonizar os dois dispositivos, prevalecendo a tese de que a interrupção se dá com a citação, porém, com efeitos retroativos à data da propositura da ação, desde que obedecidos os prazos fixados na lei processual. - Protesto judicial (trata-se de uma ação judicial, na verdade uma medida cautelar prevista no CPC) ou protesto cambial (ou seja, o protesto extrajudicial de um título de crédito como o protesto de um cheque, de uma nota promissória ou de uma duplicata). - A apresentação do título de crédito em juízo de inventário, ou em concurso de devedores. - Qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. Ex.: interpelação judicial, notificação judicial, ações cautelares de uma forma geral, etc. - Qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito do devedor. Ex.: pagamento de uma parcela dodébito, pedido de prorrogação de prazo para pagamento da dívida, etc. (nesta hipótese não há uma atividade do credor, mas sim do devedor). Quem pode promover a interrupção da prescrição - o próprio titular do direito em via de prescrição. - quem legalmente o represente. - terceiro que tenha legítimo interesse (ex.: credores, fiadores ou herdeiros do credor). OBS: Se for obrigação solidária (passiva ou ativa) a interrupção efetuada contra um devedor atingirá (prejudicando) os demais; e a interrupção aberta por um dos credores atingirá (beneficiando) os demais. Se um credor interrompe a prescrição contra o devedor de uma obrigação principal (ex.: locação), interrompe-se, também, eventual prazo prescricional contra o devedor da obrigação acessória (ex.: fiança). Prazos Prescricionais Temos duas espécies de prazo: - Ordinário (ou comum): 10 (dez) anos em ações pessoais (ex: credor e devedor) ou reais (ex.: posse, hipoteca, etc.), alusivas ao patrimônio do titular da pretensão. - Especial: são prazos mais exíguos (de um a cinco anos), são fixados pela lei, que é a única fonte deles em nosso sistema. Prescrevem em 01 (um) ano a) a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos; b) a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o prazo: - para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador; - quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão; c) a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela percepção de emolumentos, custas e honorários; d) a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de sociedade anônima, contado da publicação da ata da assembleia que aprovar o laudo; e) a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade. Prescreve em 02 (dois) anos - a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem. É interessante deixar claro que o direito aos alimentos é imprescritível (a fome reclama urgência!). Odireito não cessa pelo seu não exercício. A qualquer tempo, surgindo anecessidade, eles poderão ser pleiteados. O que se opera é a prescrição emrelação aos valores dos alimentos vencidos, ou seja, as prestaçõesalimentares fixadas judicialmente e não pagas e nem exigidas no prazolegal. Prescrevem em 03 (três) anos a) a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; b) a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias; c) a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em períodos não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela; d) a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa; e) a pretensão de reparação civil; f) a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição; g) a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado o prazo: - para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedadeanônima; - para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, dobalanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada, ou da reunião ou assembleia geral que dela deva tomar conhecimento; - para os liquidantes, da primeira assembleia semestral posterior àviolação; h) a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as disposições de lei especial; i) a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório. Prescreve em 04 (quatro) anos - a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas. Prescrevem em 5 (cinco) anos a) a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular; b) a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, curadores e professores pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou mandato; c) a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo. OBS: Contas de água, luz, telefone, etc.: Doutrina = 5 anos (alínea “a” acima). STJ: 10 anos -> Casos ordinários! Ações Imprescritíveis - os direitos que protegem a personalidade, como a vida, a honra, o nome, a liberdade, a intimidade, a própria imagem, as obras literárias, artísticas ou científicas, etc. - o estado da pessoa, como filiação (ex.: investigação de paternidade), condição conjugal (separação judicial, divórcio), interdição do incapazes, cidadania, etc. o direito de família no que concerne à questão inerente à pensão alimentícia, vida conjugal, regime de bens, etc. - ações referentes aos bens públicos de qualquer natureza. - ação para anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do contrato. OBS: - Início da contagem de prazos: exclusão do primeiro dia e inclusão do dia do vencimento. Se o dia final cair em um sábado, domingo ou feriado, prorroga-se para o primeiro dia útil subsequente. - Prescrição intercorrente: É aquela já dentro do processo (após a pretensão ser formulada em juízo) por demora da justiça. Não ocorre no nosso direito civil. DECADÊNCIA Decadência é a perda do direito potestativo (e não do direito subjetivo, como na prescrição), em razão de seu não exercício em um prazo pré-determinado. Direito Potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem, constituindo, modificando ou extinguindo direitos, sem que este possa fazer qualquer coisa, senão sujeitar-se a sua vontade. Ex.: aceitarou renunciar à herança. Por isso a doutrina costuma usar a seguinteexpressão: direito potestativo é um direito de sujeição. Observem quenão há um dever da minha parte. E, não havendo dever, não se pode falar emdescumprimento. Consequentemente, não hápretensão.Não há uma relação de crédito e débito (como na prescrição); não tem por conteúdo uma contraprestação. Não se exercendo este direito dentro de determinado prazo, por não haver neste direito uma prestação, ela jamais poderá fazê-lo; tem-se a extinção do próprio direito. Se alguém paga algo em que ocorreu a decadência, pode pedir o dinheiro de volta, pois pagou algo que não existe mais, sob o ponto de vista jurídico. Não há mais o direito material. Espécies de decadência A) Decadência Legal: Ocorre quando o prazo estiver previsto em lei. As hipóteses dedecadência por determinação legal são as previstas expressamente no Código Civil e em leis especiais. A decadência resultante de prazo legal não pode ser renunciada pelas partes (nem antes e nem depois de consumada), sob pena de nulidade absoluta. B) Decadência Convencional: Ocorre quando sua previsão decorrer de uma cláusula pactuada pelas partes em um contrato (autonomia privada). A contrario sensu (entendimento doutrinário) do art. 209, CC que proíbe a renúncia da decadência fixada em lei, pode-se concluir que é possível a renúncia à decadência convencional, tendo-se em vista a autonomia privada. OBS: a) Prescrição: Juiz “deve” reconhecer de ofício (art. 219, §5°, CPC). b) Decadência legal: Juiz deve reconhecer de ofício (art. 210, CC). c) Decadência convencional: Juiz não pode reconhecer de ofício; somente declara a decadência convencional, se provocado pelo interessado; d) A parte interessada pode alegar a prescrição e a decadência em qualquer grau de jurisdição (arts. 193 e 211, CC). Efeitos - extingue o direito, extinguindo, indiretamente, a ação. - o prazo decadencial corre contra todos!! (efeito erga omnes). Salvo a hipótese do absolutamente incapaz, a decadência somente pode ser obstada pelo efetivo exercício do direito, dentro do lapso de tempo prefixado. - os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas também têm direito de ação regressiva contra os seus assistentes ou representantes legais que deram causa à decadência ou não a alegaram oportunamente. Prazos Os prazos prescricionais estão expressamente discriminados nos artigos 205 e 206, CC. Logo, todos os demais prazos estabelecidos pelo Código Civil são decadenciais. BIZU: Se for em dias, meses ou ano + dia= decadencial. Ex: - 180 dias: é anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou; é de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade, o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista neste artigo. - 02 anos: para mover ação rescisória (art. 495, CPC); para anular negócio jurídico, não havendo prazo, contados da data da conclusão do ato. - 03 anos: para o direito de anular a constituição de uma pessoa jurídica de direito privado por defeito do ato respectivo (art. 45, parágrafo único,CC); direito de anular as decisões da pessoa jurídica com administração coletiva, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude. - 04 anos: para pleitear anulação de negócio jurídico contado: no caso de coação, do dia em que ela cessar; no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; no de ato de incapazes, no dia em que cessar a incapacidade. OBS: Preclusão: é a perda de uma faculdade ou de um direito processual, por não ter sido exercido no momento correto. Ex: o Juiz condenou uma das partes e a intimou para recorrer da decisão. No entanto o condenado perdeu o prazo para recorrer da decisão. Ocorreu a preclusão e ele não pode mais recorrer. Perempção: é o ato ou efeito de perimir; de extinguir algo. Ex: Processo Penal - quando o querelante – que é o autor da ação, o ofendido – deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos. Preempção:preempção, prelação e preferência são expressões sinônimas. Exemplo prático: Se eu sou locador (proprietário) de um imóvel e desejo vender este imóvel, preciso dar o direito de preferência ao locatário (inquilino) para que ele diga se quer ou não comprá-lo. O mesmo pode ocorrer em um condomínio. Três pessoas são “donas” de um barco. Um dos coproprietários deseja vendar sua parte. Ele precisa dar o direito de preferência aos demais condôminos. NEGÓCIOS JURÍDICOS O fato jurídico humano (que depende da vontade) pode ser subdividido em ato jurídico (em sentido amplo) e ato ilícito. 1. ATO ILÍCITO (também chamado de fato jurídico involuntário): praticado em desacordo com a ordem jurídica. Quando a conduta (consciente e voluntária) do ser humano transgride um dever jurídico, acarretando consequências jurídicas alheias à vontade do agente (efeitos jurídicos involuntários, impostos pela lei), como a reparação do dano. 2. ATO LÍCITO (também chamado de ato jurídico em sentido amplo ou ato jurídico voluntário). Praticado em conformidade com a ordem jurídica. Subdivide-se em sentido estrito e negócios jurídicos: Ato Jurídico em Sentido Estrito(ou meramente lícito): Há a participação humana, mas os efeitos são os impostos pela lei e não pelas partes interessadas. Tem por objetivo a mera realização da vontade do agente, não havendo regulamentação da autonomia privada. Ex: Nascimento de um filho. A doutrina ainda subdivide em: a) Atos materiais (ou reais): simples atuação humana que lhe dá existência imediata; não se destinam ao conhecimento de determinada pessoa, não há um destinatário. Ex.: fixação e transferência de domicílio, ocupação, abandono de coisas, descoberta de tesouro, acessão, etc. b) Participações: atos de mera comunicação, sem conteúdo negocial; o agente pratica o ato para dar conhecimento a outrem de que tem certo propósito ou que ocorreu determinado fato. Ex.: notificações, intimações Negócio Jurídico Há a participação humana e os efeitos desta participação são ditados pela própria manifestação de vontade; os efeitossão os desejados pelas partes (ex.: contrato, testamento, etc.). Há, portanto, autonomia privada, porém não pode haver vícios. Ex.: um contrato (de locação, de compra e venda, etc.), um testamento, a adoção, etc. Pode ser unilateral (testamento). No contrato de adesão existe autonomia privada? Alguns autores afirmam que o contrato de adesão é mais fruto da “autoridade privada” do que a autonomia privada. Ainda que limitada, existe autonomia, mesmo que apenas para assinar ou não o contrato (autonomia mínima). Classificação: A) Quanto ao número de manifestações de vontade 1. Unilaterais: o ato se aperfeiçoa com uma única manifestação de vontade (uma parte), de uma ou mais pessoas, havendo apenas um polo na relação jurídica. Ex.: testamento, renúncia,desistência, promessa de recompensa, confissão de dívida, instituição de umafundação, etc. Eles podem ser subdivididos em: a) Receptícios (endereçada): quando a declaração é dirigida a determinada pessoa, com a finalidade de se levar ao seu conhecimento a intenção do declarante para que possa produzir os efeitos desejados. b) Não-receptícios (não endereçada): quando a declaração de vontade não é dirigida a uma pessoa determinada, sendo que o conhecimento do fato por parte da outra pessoa é irrelevante. Ex.: testamento 2. Bilaterais: quando a declaração de vontade emana de duas manifestações de vontade, em sentido oposto, mas coincidentes sobre oobjeto (consentimento mútuo ou acordo de vontades). Neste caso há doispolos na relação jurídica. Ex.: perdão (“A” pode perdoar “B”; mas este perdãosomente surtirá efeitos se “B” aceitar o perdão); contratos como a compra evenda (comprador e vendedor), ou a locação (locador e locatário), etc. Podemser subdivididos em:a) simples: quando somente uma das partes aufere vantagens, enquanto a outra arca com os ônus (ex.: doação). b) sinalagmáticos: quando há uma reciprocidade de direitos e obrigações para as partes (gera obrigações para ambas), estando elas em situação de igualdade (ex.: compra e venda, locação, etc.). 3. Plurilaterais: contratos que envolvem mais de duas partes, onde se conjugam vontades paralelas. Ex.: contrato de sociedade com mais de doissócios. B) Quanto às vantagens patrimoniais (vantagem x sacrifício) 1. Gratuito: uma das partes suporta o sacrifício e a outra aufere vantagem (doação). 2. Oneroso: ambos os contratantes possuem ônus e vantagens recíprocas; há uma prestação e uma contraprestação (locação). a) comutativos: as prestações de cada um dependem de um acontecimento certo e determinado (ex.: locação). b) aleatórios: há uma incerteza em relação às vantagens e sacrifícios das prestações; depende de um acontecimento incerto, havendo, portanto, uma álea ou risco. Ex.: o contrato de seguro. OBS: negócios bifrontes: são aqueles que a rigor são gratuitos, mas podem se tornar onerosos de acordo com a vontade das partes. Ex.: o contrato de mútuo (empréstimo de coisa fungível) em regra é gratuito, mas as partes podem combinar uma remuneração. Negócios neutros: quando não houver atribuição patrimonial específica no negócio jurídico, não podendo ser caracterizado nem como oneroso, nem como gratuito (ex.: instituição de bem de família voluntário por meio de escritura pública). C) Quanto ao tempo em que devam produzir efeitos 1. Inter vivos: destinados a produzir efeitos durante a vida dos interessados. Seguro de vida é inter vivos, a morte é apenas um termo. Ex: locação. 2. Causa mortis: o evento morte é pressuposto de sua eficácia. São sempre típicos e nominados (definidos em lei). Ex: Testamento. D) Quanto a seus efeitos 1. Constitutivos: sua eficácia opera-se ex nunc. Ex.: contrato de compra e venda. 2. Declarativos (ou declaratórios): sua eficácia é ex tunc. Ex.: divisão de condomínio, partilha, reconhecimento de filho, etc. E) Quanto à subordinação 1. Principais: não dependem de qualquer outro. Ex: Compra e venda 2. Acessórios: são aqueles que têm a sua existência subordinada à deum contrato principal. Exemplo clássico: fiança, cláusula penal (multa contratual). F) Quanto às formalidades 1. Solenes (formais): a lei exige uma forma especial para se aperfeiçoarem a) atos ad solemnitatem: quando a forma é exigida como condição de validade do ato. Ex: Escr. Púb compra e venda com preço = 30x Sal min b) atos probationem tantum: a lei não determina uma forma para ser celebrado o ato, mas determina o modo que o ato deve ser provado em juízo, se isso for necessário em um processo; a solenidade é tida apenas como prova do ato. 2. Não solenes (forma livre): a lei não exige formalidades para seu aperfeiçoamento, podendo ser celebrado por qualquer forma, inclusive verbal. G) Quanto às pessoas 1. Impessoais: independe de quem sejam as partes e de eventual qualidade especial destas para a prática do ato. Ex.: contrato uma pessoa parapintar um muro 2. Intuitu personae: o ato se realiza em função das qualidades especiais de uma pessoa. Ex.: desejo ser operado por cirurgião de minha confiança; H) Quanto à causa 1. Causais: estão vinculados a uma causa. Ex.: o registro da escritura deum imóvel está sempre ligado à existência da escritura de compra e venda deste imóvel; 2. Abstratos: estão desvinculados de qualquer outro negócio. Ex.: compro uma casa pagando com um cheque; a emissão deste é desvinculada;se a compra e venda for considerada nula, o cheque continuará valendo. Elementos do Negócio Jurídico Alguns elementos do negócio jurídico são chamados de essenciais porque constituem elementos de existência e validade. Outros são acidentaispois são requisitos de eficácia. Dúvida doutrinária: O atual Código Civil adotou a tricotomia existência-validade- eficácia? Resposta: Não! Nosso Código nada trata sobre o plano da existência, que ficou embutido na da validade. Elementos Essenciais Gerais (comum a todos os negócios) São os dizem respeito à existência e validade do negócio jurídico, dando-lhe a estrutura e a substância. 1. Partes ou agentes: Capazes. Se Pessoa sabia da incapacidade relativa da outra parte →o vício não pode ser alegado em benefício próprio. Pessoa não sabia da incapacidade relativa: o vício pode ser alegado:Regra: a anulação não aproveita aos demais cointeressados. Exceção: aproveita aos demais se a obrigação for indivisível (exemplo do cavalo). Os Absolutamente incapazes (art. 3°, CC) devem ser representados →falta de representação →Negócio Jurídico Nulo. Os Relativamente incapazes (art. 4°, CC) devem ser assistidos →falta de assistência →Negócio Jurídico Anulável. Se o relativamente incapaz esconder dolosamente sua condição, não poderá alegar incapacidade para escapar da obrigação contraída. OBS: Representação: relação jurídica pela qual certa pessoa se obriga diretamente perante terceiro, através de ato praticado em seu nome por um representante. Pode ser legal (a norma confere o poder – pais, tutores), judicial (nomeado por juiz – administrador na falência) ou convencional (são aqueles que têm um mandato, expresso ou tácito, verbal ou escrito do representado. Ex.: procuração outorgada(fornecida) a um advogado para patrocinar um processo judicial. Somente nesta espécie de representação é possível o substabelecimento. Substabelecer significa transferir a outra pessoa os poderes que o mandatário recebeu do mandante). Se o representante concluir um negócio e houver um conflito de interesses com o representado, sendo que tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou, o negócio também será anulável. 2. Objeto: lícito (não atenta contra a lei, a moral e os bons costumes), possível (para tornar nulo o negócio a impossibilidade deve ser absoluta, ou seja, impraticável por quem quer que seja), determinado ou determinável (o objeto deve ser previamente conhecido e individualizado ou devem existir critérios que permitam sua futura individualização. Assim, admite-se a venda de coisa incerta, mas não indeterminada). OBS: Objeto ilícito, impossível, ou indeterminado →Negócio Jurídico Nulo. 3. Vontade (consentimento): livre e consciente, sem prejudicar terceiros (sem vícios). DEFEITOS Podem ser grave (quando vicia o ato de forma definitiva) ou leve (quando o ato pode serremediado pelo interessado). Podemos dizer que um ato é válido (quanto ao consentimento) “quando eu faço exatamente aquilo que eu queria fazer, desejando seus efeitos, sem que esta conduta prejudique terceiros”. 1) Ausência de Vontade: negócio inexistente (ou nulo para outra corrente doutrinária). 2) Vícios de Consentimento: seexiste uma vontade, porém sem a correspondência com aquela que o agente quer exteriorizar, o negócio jurídico será viciado ou deturpado, tornando-se anulável, se no prazo decadencial de 04 anos for movida ação de anulação. - Erro ou ignorância: O código não os diferencia, mas a doutrina sim. a) Essencial ou substancial: recai sobre circunstâncias e aspectos principais, relevantes do negócio de forma que se eu soubesse do defeito jamais teria praticado o ato. Ele é anulável. Existe uma corrente que considera que o erro deve ser cognoscível, que pode ser percebido pela outra parte. E uma corrente que adota que o erro deve ser escusável (desculpável – exemplo a pessoa que não conhece diamantes confundir com zircônio) e real (prejuízo efetivo ao interessado). São modalidades do erro essencial: - Sobre a natureza do negócio jurídico: o erro recai sobre a modalidade de contrato que foi celebrado. Ex: queria emprestar mas doeio bem. - Sobre o objeto principal da declaração: a manifestação de vontade recai sobre objeto diferente do que se tinha em mente. Ex: Comprei um lote achando que era em um condomínio, mas trata-se de outro com mesmo nome. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. - Sobre as qualidades essenciais do objeto principal: pessoa adquire o objeto que imaginava; porém engana-se quanto as suas qualidades. Ex: compro relógio de outro mas era só banhado. - Quanto à identidade ou qualidade da pessoa a quem se refere a declaração da vontade: Contrato um advogado cível e ele na verdade é trabalhista. No caso de um contrato em que a prestação pode ser cumprida por qualquer pessoa (ex.: pintar um muro), mesmo que o contratante tenha se enganado na designação da pessoa, tal fato não será suficiente para a anulação do negócio. Pode ser relativo ao casamento e testamento. b) Acidental: é aquele concernente às qualidades secundárias ou acessórias da pessoa ou do objeto. Ocorrendo esta espécie de erro, o negócio jurídico não será anulado. O ato continua válido, produzindo efeitos, porque o defeito não incide sobre a declaração de vontade. Ele decorre do não-emprego da diligência ordinária que deve ter um “homem médio”. Ex: Compro uma casa achando que tem 4 janelas, mas só tem 3. Existe ainda o erro de cálculo que consiste em uma inexatidão material, não causando anulação mas uma retificação. Ex: Compro 10 camisas a R$ 45,00 e pago apenas R$ 400,00. Erro de Fato X Erro de Direito O erro de fato é aquele que recai sobre uma circunstância de fato. Pode ser essencial ou acidental. Crê-se numa realidade que não é verdadeira. Tudo o que falamos acima se refere a ele. Já o erro de direito diz respeito à existência de norma jurídica. Consiste na ignorância da lei, no falso conhecimento e também na sua interpretação errônea. Como regra ele não admite escusa; não admite desculpas. Não pode ser alegado. No entanto admite-se, excepcionalmente o erro de direito (e, por consequência, o negócio jurídico pode ser anulado), se o ato não implicar em recusa à aplicação da lei e for o motivo único ou principal do negócio jurídico (art. 139, III, CC). Isto é, não pode o ato recair sobre a norma cogente (ou seja, impositiva, de ordem pública), mas tão-somente sobre normas dispositivas (ou seja, sujeitas ao livre acordo das partes). Além disso, deve ser grave a ponto de afetar e viciar a manifestação de vontade do agente. Ex.: firmar um contrato de locação com base em uma lei, pensando que ela ainda está vigorando, no entanto já foi revogada; Erro X Vício Redibitório No vício redibitório não há qualquer erro no momento da celebração do negócio; o que há é um defeito no objeto (e não na vontade do adquirente), que não foi notado, já que era oculto. Já no erro há um engano por parte do adquirente; é um vício de ordem subjetiva, pois foi a vontade que foi viciada pela falsa percepção da realidade, não havendo vício no objeto. Erro acidental in qualitate: Diz respeito às qualidades secundárias ou acessórias da pessoa (ex: se é casada ou solteira) ou do objeto (ex: comprei o lote 321, mas recebi o 213 por erro de digitação. Erro na transmissão de vontade por meios interpostos o negócio é anulável quando na transmissão da vontade do declarante verifica-se falha que a faz chegar ao seu destinatário com conteúdo diverso daquele emitido. DOLO (arts. 145 a 150, CC) Para a sua caracterização exige-se a vontade de enganar alguém (a doutrina chama isso de animus decipiendi). Pode ser: - Dolus Bonus (dolo bom): Consiste em reticências, realce e exageros nas boas qualidades damercadoria ou dissimulações de defeitos.Não tem a finalidade de prejudicar ninguém. Não é anulável, desde que não venha a enganar o consumidor, mediantepropaganda abusiva. - Dolus Malus (dolo mau): consiste em manobras astuciosas (atos, palavras ou até o próprio silêncio) para enganar alguém e lhe causar prejuízo. Vicia o consentimento e por isso é anulável (na hipótese de ser essencial) ou obriga a satisfação de perdas e danos (na hipótese de ser acidental). - Dolo Essencial →dá causa ao negócio jurídico, sem o qual ele não teria sido concluído →Ato Anulável. - Dolo Acidental →realiza o negócio jurídico em condições mais onerosas →não afeta a declaração de vontade →Ato válido, mas enseja indenização por perdas e danos. O dolo pode ainda ser: Positivo (ou comissivo): resulta de uma ação dolosa; são os artifícios positivos, por exemplo, falsas afirmações. Negativo (ou omissivo): é a manobra astuciosa que constitui uma omissão intencional, induzindo o outro contratante a realizar o negócio. Ex.: seguro de vida em que se omite uma doença grave e o segurado vem a falecer dias depois. OBS: 01) Dolo de Terceiro: “C” instiga “A” a comprar o relógio de “B” assegurando que ele é de ouro; porém o relógio é apenas dourado e “C” sabe disso, estando em conluio com “B”. Neste caso o terceiro (“C”) e o contratante (“B”) são tidos como autores do dolo. O negócio é anulável. No entanto se “B” (contratante favorecido) não tinha conhecimento da conduta dolosa por parte do terceiro, não se anula o negócio, mas “A” pode reclamar as perdas e danos de “C” (o terceiro causador da situação). Resumindo: Beneficiado pelo dolo de terceiro sabia ou deveria saber →negócio anulável. Beneficiado pelo dolo não sabia e nem tinha como saber →negócio válido, porém o terceiro responde pelas perdas e danos da parte que foi ludibriada. 02) Dolo dos Representantes: Dolo do representante legal (pais, tutores e curadores) →responsabilidade do representado limitada até a importância do proveito que teve com o dolo. Dolo do representante convencional (mandatário) →responsabilidade solidária entre o representante e o representado, inclusive nas perdas e danos. 03) Dolo recíproco: Ambas as partes agem com dolo. Não haverá a anulação do ato, pois ninguém pode se valer da própria torpeza. O ato é considerado válido para ambos. Dolo x Erro: no erro eu errei sozinho; no dolo alguém me enganou, isto é, eu errei, mas fui induzido a cometer este erro pela conduta (má-fé) da outra parte. Resumindo: o erro é espontâneo; o dolo é provocado intencionalmente. Não se pode alegar dolo para se anular um casamento. No entanto, observem que não há uma proibição expressa de se reconhecer o dolo no casamento. Isto se extrai por dedução lógica. Por tal motivo, é possível na prática que o Juiz reconheça o dolo de um dos cônjuges para a realização do casamento. COAÇÃO O que caracteriza a coação é o emprego da violência (física ou psicológica) para viciar a vontade. a) Coação Física (vis absoluta): é o constrangimento corporal que retira toda capacidade de querer de uma das partes, implicando ausênciatotal de consentimento. Assim, não havendo a vontade, o negócio não existiria, sendo considerado inexistente. Doutrinariamente a coação física não é um vício de consentimento, pois sequer houve a vontade. No entanto a questão é polêmica: há autores que sustentam a nulidade absoluta. b) Coação Moral ou Psicológica (relativa ou vis compulsiva): atua sobre a vontade da vítima, sem retirar-lhe totalmente o consentimento (é vício de consentimento), pois ela conserva uma relativa liberdade para optar pela realização. Ato anulável. São requisitos para a coação moral: - seja a causa determinante do negócio jurídico: Sem coação não haveria. - temor justificado: Deve causar fundado receio na vítima. - dano iminente: suscetível de atingir a pessoa da vítima, sua família (ou pessoa que não seja da família, cabe ao juiz decidir), seus bens, etc. - dano considerável e sério: Se a ameaça for indeterminada ou impossível não é capaz de anularo ato. Coação exercida por terceiro: Funciona igual ao dolo de terceiros descrito acima. Excluem a Coação: Ameaça do exercício normal de um direito; Temor reverencial: o simples receio de desgostar ou magoar os pais ou pessoas de quem goste. ESTADO DE PERIGO Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de suafamília, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigaçãoexcessivamente onerosa. Ex: Pai tem o filho sequestrado precisando de 100mil para pagar o resgate e um “amigo” se oferece para comprar suas joias que valem 500mil por 100mil, para que ele possa efetuar o pagamento do resgate. A doutrina (não há previsão legal) costuma afirmar que quando o prestador de serviços está de boa-fé, não pretendendo tirar proveito do perigo de dano, o negócio deve ser conservado, mas com a redução de eventual excesso contido na obrigação assumida, equilibrando-se as prestações das partes. Realizado um contrato sob estado de perigo, a sanção é a anulação deste contrato. O prazo é decadencial (poisatinge o direito propriamente dito) de 04 anos. Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. LESÃO Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade (contratual, não necessariamente financeira), ou por inexperiência (requisito subjetivo), se obriga a prestação manifestamente desproporcional (requisito objetivo) ao valor da prestação oposta. Segundo a doutrina, para a caracterização da lesão dispensa-se a verificação de dolo ou de má-fé da parte que se aproveitou, sendo que também não é relevante se a desproporção foi superveniente à formação do negócio. Ocorrendo a lesão, a sanção é a anulação do ato. O prazo é decadencial (atinge o direito em si) de 04 (quatro) anos. Não se decretará a anulação do negócio se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. OBS: Nos contratos aleatórios a lesão somente pode ser alegada de forma excepcional, quando a vantagem que uma das partes obteve é exagerada em relação ao risco normal de um contrato. Estado de Perigo X Lesão: - enquanto no estado de perigo exige-se o dolo de aproveitamento, ou seja, vicia a própria oferta, sendo necessário oconhecimento do perigo pela outra parte que se aproveita da situação parafirmar a obrigação vantajosa, na lesão esse elemento pode até existir, mas elenão é essencial para o reconhecimento do vício, ou seja, não é necessário quea necessidade ou a inexperiência seja conhecida da outra parte. - A lesão só pode ocorrer em contratos bilaterais enquanto que o estado de perigo pode ocorrer em contratos unilaterais também. 3) Vícios Sociais: há uma correspondência entre a vontade interna do agente e a sua manifestação, no entanto, a vontade manifestada não tem a intenção pura e de boa-fé que enuncia. Também são passíveis de anulabilidade no prazo decadencial de 04 (quatro) anos. Ex: Fraude contra Credores. FRAUDE CONTRA CREDORES Prática maliciosa de atos, pelo devedor insolvente (ou por eles reduzidos à insolvência), que desfalcam seu patrimônio, com o fim de colocá-lo a salvo de uma execução por dívidas emdetrimento dos direitos creditórios alheios. Elementos constitutivos - Objetivo (eventus damni): trata-se do prejuízo causado ao credor, que deve provar que com a prática do ato o devedor se tornou insolvente ou já praticou o ato em estado de insolvência. - Subjetivo (consilium fraudis): trata-se do “conluio fraudulento”, da má-fé, da intenção deliberada (animus) de prejudicar, com a consciência de que de seu ato advirão prejuízos a uma terceira pessoa. São suscetíveis de fraude os negócios realizados: - A título gratuito: doação de bens, remissão (perdão) de dívidas, renúncia de herança ou usufruto, etc. Basta a prática de um desses atos, colocando o devedor em situação de insolvência, para se presumir a fraude. O ato pode ser anulado pelos credores quirografários, credor sem garantias especiais que conta apenas com a garantia comum a todos os credores: o patrimônio do devedor. Nestes casos não énecessária a prova do consilium fraudis (o conluio fraudulento, a má-fé). - A título oneroso: se o negócio foi oneroso, saiu um bem do patrimônio do devedor (ex.: um imóvel), mas entrou outro bem (o dinheiro). Portanto, em tese, ainda não está caracterizada a fraude. No entanto, desde que insolvente ou for notória a insolvência ou há presunção (relativa) de que irá dissipar o que recebeu, será reputada uma venda fraudulenta se não houver dinheiro suficiente parapagar o credor. Assim, se houver sobra patrimonial que permita honrarseus débitos, não haverá fraude contra credores. Se o comprador não tinhacomo saber o estado de insolvência do vendedor (estava de boa-fé) não seanula o negócio. - Pagamento antecipado das dívidas: pagar uma dívida antes de seu vencimento, por si só, não configura fraude contra credores. Mas se o devedor insolvente paga uma dívida que ainda não venceu, em detrimento de outras que já se venceram, frustrando a igualdade entre os credores, há fraude contra credores, sendo que o primeiro pagamento deve ser anuladoe o beneficiário é obrigado a repor o que recebeu. - Concessão fraudulenta de garantias: anula-se a garantia, retornando aquele credor favorecido à condição de quirografário. Ação Pauliana: Os atos eivados de fraude contra credores são anuláveis através desta ação específica, proposta pelos credores quirografários ou pelo preexistentes contra o devedor insolvente e também contra a pessoa que celebrou negócio jurídico com o fraudador (litisconsórcio passivo necessário). A ação revoga o negócio realizado. O prazo decadencial para o ajuizamento da ação é de 04 anos a contar da celebração do negócio. Fraude contra Credores X Fraude à Execução Ambos possuem como elementos comuns: a fraude na alienação de bens pelo devedor, com desfalque em seu patrimônio, colocando-se em situação de insolvência e prejudicando o credor. No entanto se diferenciam: OBS: o STJ editou a Súmula 375: “O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova da má-fé do terceiro adquirente”. A jurisprudência dominante em nossos Tribunais é de que a fraude à execução somente se caracteriza quando o devedor é citado para a ação e a partir daí realiza os atos fraudatórios. Antes disso seria apenas a fraude contra credores. Fraude contra credores X Simulação/Dolo: na simulação a alienação é fictícia; na fraude contra credores a alienação é real. A fraude se consuma sem a participação do lesado no negócio (atinge um terceiro); no dolo a pessoa lesada pelas manobras desleais é uma das partes do negócio. SIMULAÇÃO Há um acordo de vontades (conluio) entre os contratantes para dar existência real a um negócio jurídico fictício ou para ocultar o negócio realmente realizado, visando iludir terceiros e infringir a lei. Exemplo clássico: um homem, casado, possui uma amante e deseja doar um apartamento para ela. No entanto a lei não permite tal prática (e nem a sua esposa permitiria). Assim ele faz um contrato de compra e venda, com escritura e registro, tudo aparentemente perfeito; mas na verdade, ele não vendeu o bem, ele fez uma doação. Ele fingiu celebrar uma compra e venda, mas na realidade realizouuma doação, posto que não houve uma contraprestação em $.O atual Código Civil não trata mais a simulação como defeito referente à vontade ou consentimento do negócio jurídico e sim como causa de nulidade deste. No entanto parte da doutrina ainda a classifica como vício social. A doutrina classifica a simulação da seguinte forma: 1. Absoluta: Não há intenção de realizar negócio jurídico algum. Ex: proprietário de uma casa alugadafinge vendê-la a terceiro; sua real intenção com isso é o de facilitar o despejo contra seu inquilino. 2. Relativa: as partes pretendem realizar um negócio; mas este é proibido pela lei ou prejudica interesses de terceiros. Assim, para encobri-lo, praticam outro negócio. Existem dois negócios, o simulado e o dissimulado (real). Ex: pessoa realiza a venda de um imóvel com preço na escritura inferior ao real para pagar menos imposto e burlar o Fisco. OBS: mesmo havendo simulação, o negócio real (dissimulado) pode subsistir (não será considerado nulo) se for válido na forma e na substância (não ofendeu a lei e nem prejudicou interesses de terceiros). A simulação ainda pode ser classificada em: a) Subjetiva (por interposta pessoa ou ad personam): ocorre quando a parte contratante não é o indivíduo que tira proveito do negócio. “A” vende um imóvel a “B”, para que este transmita o bem posteriormente a “C”, sendo que a intenção, desde o início, era transferir o bem para “C”, mas isto, por algum motivo não era permitido. b) Objetiva (ou simulação de conteúdo): relativa à natureza do negócio pretendido, ao objeto ou a um dos elementos contratuais. O ato contém uma declaração, confissão ou cláusula não verdadeira. Ex:colocar data diversa em um documento. c) Inocente: quando não há a intenção de violar a lei ou de lesar outrem. Ex: homem solteiro e sem herdeiros necessários simula uma venda de bem imóvel à sua namorada; ora, como não há impedimentos, se ele quisesse simplesmente doar o imóvel, poderia tê-lo feito. d) Maliciosa: envolve o propósito deliberado de prejudicar terceiros ou de burlar o comando legal, viciando o ato que perderá a validade, sendo considerado nulo de pleno direito. Enunciado 152 da III Jornada de Direito Civil do STJ: “Toda simulação, inclusive a inocente, é invalidante”. Conclusão: como o Código Civil não faz mais distinção entre a simulação inocente e a maliciosa, a saída é aplicar a regra: “nulidade do negócio simulado e manutenção do negócio dissimulado, se for válido na forma e na substância”. OBS: as nulidades da simulação podem ser alegadas por qualquer interessado ou pelo Ministério Público quando lhe caiba intervir. Se o Juiz conhecer do ato ou de seus efeitos e a encontrar provada, deve pronunciar a nulidade, não lhe sendo permitido supri-las, mesmo que haja requerimento das partes. A nulidade do ato simulado não pode prejudicar terceiros de boa-fé que tenham negociado com um dos contratantes simuladores. Simulação X Reserva Mental Na simulação há um consenso entre os simuladores para enganar terceiros. Já na reserva mental não há acordo entre as partes para enganar terceiros. Na reserva mental, uma das partes, unilateralmente, manifesta uma vontade quando da celebração do negócio, mas em seu íntimo a sua intenção é outra, diferente da declarada. Ex: Empresto o dinheiro a alguém que sei que não vai me pagar e está em dificuldades, mas na verdade eu quero é doar o dinheiro. Elementos Essenciais Especiais ou Solenes (aplicáveis a alguns negócios) Forma É o meio pelo qual se externa a manifestação de vontade nos negócios jurídicos, prescrita ou não defesa (proibida) em lei. Pode ser pública (feita por uma terceira pessoa) ou privada (entre as partes somente). “A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir”.Se houver desobediência quanto à forma (prescrita ou não defesa em lei) = Nulidade Absoluta do Negócio Jurídico. 1. Forma Livre (ou geral): qualquer meio de exteriorização, até gestos, fala ou silêncio. 2. Forma Especial (ou solene): Pode ser única (quando só existe a forma prescrita para fazer o negócio) ou plural (quando existe mais de uma forma prescrita). 3. Forma Contratual: é a pactuada pelas partes; às vezes um contrato pode ser realizado por meio de instrumento particular, mas as partes convencionam que ele será realizado por instrumento público. Elementos Naturais São os efeitos ou as consequências decorrentes do próprio negócio jurídico. Em um contrato de locação há a obrigação do locador de entregar o bem locado. Por outro lado o locatário deverá pagar pontualmente os aluguéis. Enfim, cada parte deverá cumprir o disposto nas cláusulas do contrato. Em outras palavras, cada contratante deve cumprir as obrigações que assumiu. Elementos Acidentais São as cláusulas que se lhe acrescentam com o objetivo de modificar uma ou algumas de suas consequências naturais, ou seja, na geração dos efeitos jurídicos que lhesejam próprios, sendo elementos facultativos. Dizem respeito, não à existência ou validade propriamente dita do negócio jurídico, mas sim à sua eficácia. No entanto, uma vez convencionados possuem o mesmo valor dos elementos estruturais e essenciais, pois passam a integrá-lo de forma indissociável. São autolimitações da vontade, admitidas nos negócios de natureza patrimonial, não podendo integrar os de caráter pessoal, como os direitos de família puros e os direitos personalíssimos (adoção, reconhecimento de filho, etc.). A) CONDIÇÃO Evento futuro do qual o negócio jurídico dependerá. Só são consideradas condições as que foram convencionadas pelas partes e não as impostas pela lei. Fato passado não caracteriza condição. A condição afeta a eficácia (produção de efeitos) do negócio e não a sua existência (uma vez que a vontade foi legítima). Antes de se realizar a condição, o ato é ineficaz. Classificação: 1. QUANTO AO MODO DE ATUAÇÃO a) Suspensiva: aquela que suspende (protela, adia) os efeitos do negócio jurídico (eficácia) até a realização do evento futuro e incerto. Enquanto não verificada, a condição é pendente. O cumprimento é chamado implemento e a não realização é chamada condição.Pendente a condição, não há direito adquirido, mas uma simples expectativa de direito ou um direito eventual. OBS: enquanto não implementada a condição suspensiva o negócio ainda não produz direito e obrigações recíprocos. Por isso, se houve algum pagamento em dinheiro e a condição não foi implementada, é possível a devolução deste dinheiro. Na pendência podem ser feitas novas disposições, que não sejam incompatíveis com a original. b) Resolutiva: é a condição que subordina à ineficácia do negócio jurídico a um evento futuro e incerto. Ou seja, a ocorrência do evento futuro e incerto resolve (extingue) o direito transferido pelo negócio jurídico. Ex: empresto-lhe uma casa para você nela residir enquanto for solteiro. Aextinção do direito, como regra, não atinge os atos já praticados. 2. QUANTO À PARTICIPAÇÃO DOS SUJEITOS a) Casual: se depender do acaso, de fato alheio à vontade das partes, ou seja, de um acontecimento fortuito. Ex.: eu lhe darei um anel de brilhantes sechover amanhã. b) Potestativa: se decorrer da vontade (ou poder) de uma das partes. Subdivide-se: - Puramente potestativa: são aquelas que sujeitam todo o efeito do negócio ao capricho ou puro arbítrio do proponente. São proibidas pelo nosso direito. - Meramente (ou simplesmente) potestativa: são aquelas que dependem da manifestação de vontade de uma das parte e de um fator externo. Assim, além da vontade, exige-se uma atuação especial do sujeito. Ex.: eu lhe darei uma joia se você cantar bem (não basta cantar... deve cantar bem...). A condição meramente potestativa pode-se tornar promíscua, quando inesperadamente ocorrer algum problema (anteriormente inexistente) que a torne inexequível. c) Mista: deriva da vontade da parte e de uma terceira pessoa. Dou-lhe o dinheiro que você necessita sob a condição de formar sociedade com meu irmão (depende da vontade da pessoa e do meu irmão). 3. QUANTO À POSSIBILIDADE a) Física e juridicamente possível: é a que pode ser realizada conforme as leis físico-naturais e as normas jurídicas. b) Física e juridicamente impossível:é a que não se pode efetivar por ser contrária à natureza ou à ordem legal. OBS: Condição suspensiva impossível (ex.: eu lhe darei um carro se você filtrar toda a água do mar) ->invalida (nulidade absoluta) o negóciojurídico, pois como o evento nunca vai ocorrer (é impossível filtrar toda a água do mar), o negócio não produzirá efeitos. Condição resolutiva impossível (ex.: dou-lhe um cavalo; mas se ele correr a uma velocidade acima dos 200 km/h a venda estará desfeita) -> considera-se inexistente a condição (e não o negócio); como a condição nunca irá se realizar (não há cavalo que galope a mais de 200 km/h), o negócio (doação) continuará produzindo efeitos. 4. QUANTO À LICITUDE a) Lícita: quando não for contrária à lei, à moral e aos bons costumes. b) Ilícita: quando for condenada pela norma jurídica, pela ordem pública, pela moral e pelos bons costumes. Nosso direito considera ilícita a condição perplexa, ou seja, a que é contraditória em seus próprios termos, deixando o intérprete confuso, perplexo e privando o ato de todo efeito (ex.: eu lhe vendo um apartamento, mas você não poderá alugá-lo, nem nele morar). Condições não aceitas pelo direito: de não se casar, exílio, religião, profissão (obrigar que se exerça), aceitação/renúncia de herança e reconhecimento de filho ou emancipação. OBS: Se um dos contratantes interferir (dolosamente, intencionalmente) na ocorrência do evento, para que ele se realize ou não se realize, a penalidade é a de que se considere realizado o fato no sentido oposto daquele pretendido pelo agente malicioso. B) TERMO Termo é a cláusula contratual acessória que subordina os efeitos do negócio jurídico a um acontecimento futuro e certo. Trata-se do dia emque começa e/ou extingue a eficácia do negócio jurídico (a data pode ser indeterminada). Fato presente ou passado não caracteriza o termo, ainda que ignorado pelas partes. Espécies: a) Termo Inicial ou Suspensivo (dies a quo): quando fixa o momento em que a eficácia do negócio deve ter início, retardando oexercício do direito (ex.: a locação terá início dentro de dois meses). No termo inicial já há o direito adquirido, ele suspende o exercício mas não a aquisição do direito. Celebrado o negócio as partes têm, desde já, direitos e obrigações recíprocos, mas que ainda não são exigíveis. Termo inicial impossível: Nulidade. b) Termo Final ou Resolutivo (dies ad quem ou ad diem): é aquele que determina a data da cessação dos efeitos do negócio jurídico, extinguindo as obrigações dele oriundas (ex.: uma cláusula que diga que a locação sefindará no prazo de 30 meses). Com a chegada do termo final não se destrói o negócio; apenas lhe retira a eficácia. Termo X condição suspensiva: A condição suspensiva trata de evento futuro e incerto!! c) Data determinada (termo certo): quando estabelece uma data determinada do calendário. d) Data indeterminada (termo incerto): se se referir a um acontecimento futuro, mas com uma data incerta. Ex: Arrendo suas terras após a primeira chuva do ano (o evento é certo, com data indeterminada). OBS: Termo é diferente de prazo (entre o termo inicial e o termo final). Para resolver algumas questões relativas ao prazo, o Código Civil apresenta as seguintes regras: - vencimento em feriado ou domingo, prorroga-se até o primeiro dia útil subsequente. - Meados do mês -> dia 15! - Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. Ex: 10 de maio – 10 de junho: Se não tiver correspondência -> primeiro dia subsequente. - Prazo fixado em hora é contado de minuto a minuto. - Nos testamentos presumem-se os prazos em favor do herdeiro. Nos contratos, presumem-se em favor do devedor (salvo pactuado diferente). - Nos negócios jurídicos entre vivos, onde não foi estabelecido um prazo, o mesmo pode ser executado desde logo. A exemplo da condição, também é possível haver uma combinação entre todas as espécies de termo. Ex.: o termo pode ser inicial e certo ao mesmo tempo; inicial e incerto; final e certo; final e incerto. Alguns atos também não admitem termo, como aceitação ou renúncia de herança, adoção, emancipação, reconhecimento de filho, etc. Finalmente. Fala-se em termo essencial quando o efeito pretendido deva ocorrer em um momento determinado, sob pena de, verificado depois, não ter mais valor. Ex.: data para a entrega de um vestido para uma cerimônia (casamento). C) ENCARGO OU MODO É um ônus que se atrela a uma liberalidade. O encargo deve ser sempre menor que o benefício concedido. Na realidade é uma limitação trazida a uma liberalidade. Trata- se, geralmente, de uma obrigação de fazer. Ex.: dou um terreno à municipalidade para que neleseja edificado um hospital; dou-lhe dois terrenos desde que em um deles sejaconstruída uma escola, etc. Uma característica do encargo é a sua obrigatoriedade. Por isso, caso o encargo não seja cumprido, posso exigir o seu cumprimento por meio de uma ação judicial específica. Assim, se uma pessoa receber o terreno para a construção de uma creche, a propriedade se transmite de imediato, pois a construção da creche não suspende a aquisição do direito (a propriedade do terreno). Se o objeto do encargo for ilícito ou impossível, é tido como não escrito, libertando o negócio jurídicode qualquer restrição e ele vale normalmente (como se fosse uma doação purae simples). Ex: eu lhe dou uma casa com o encargo de se construir uma escada até o céu. Ora, como isso é impossível, vale a doação pura e simples, como se não houvesse o encargo. Devemos analisar cada caso em concreto se o encargo é o motivo principal ou secundário do negócio. Se for principal (razão determinante da liberalidade) ocorre a invalidade de todo negócio; se for secundário, mantém a validade do negócio. A condição suspensiva impede a aquisição do direito e o encargo não impede a aquisição e nem suspende o exercício do direito. Difere da condição resolutiva, porque não conduz, por si, à revogação do ato; o instituidor do benefício poderá ou não propor a ação revocatória, cuja sentença não terá efeito retroativo. INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO A expressão invalidade (ou ineficácia) é empregada para designar o negócio que não produziu os efeitos desejados pelas partes. A) ATO INEXISTENTE Ocorre quando falta algum elemento estrutural ao negócio. Não é necessária a declaração da ineficácia por decisão judicial, porque o ato jamais chegou a existir. Ex: compra e venda sem preço ou sem designar comprador ou vendedor. B) NULIDADE De uma forma ampla nulidade é a sanção imposta pela lei que determina a privação de efeitos jurídicos do ato negocial, praticado em desobediência ao que ela prescreve. Para que se possa declarar umnegócio jurídico nulo ou anulável, é preciso que ele ao menos tenha entrado(embora com vícios) no mundo jurídico para surtir os efeitos manifestados. 1. NULIDADE ABSOLUTA (ato nulo): o ato não produz qualquer efeito, por ofender princípios de ordem pública, não precisa ser anulado, pois já nasce nulo; o Juiz somente declara o ato nulo. Podem ser alegadas por qualquer interessado ou pelo MP quando couber intervir. O juiz deve declarar de ofício assim que conhecer e tiver as provas, mesmo a requerimento das partes. Não é suscetível de confirmação e nem convalesce com o decurso do tempo. A declaração de nulidade não prescreve; o que prescrevem são os eventuais efeitos patrimoniais decorrentes dessa declaração. Possui efeitos ex-tunc e erga omnes. São nulos: - praticados por absolutamente incapaz (para o menor de 16 anos, mesmo o decurso do tempo não convalesce o contrato). - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto. Ex: venda de viagem a lua. - não se revestir da forma prescrita em lei ou solenidade (Ex: testemunhas para o testamento).- tiver por objeto fraudar lei imperativa. - lei taxativamente o declarar nulo ou lhe negar efeito (ex.: casamento de pai com filha adotiva). - o negócio jurídico for simulado. 2. NULIDADE RELATIVA (anulabilidade do ato): quando a ofensa não atinge de forma direta o interesse social, mas sim o interesse particular de pessoas. Enquanto não for declarado como tal pelo Juiz, produz efeitos normalmente. O Juiz não pode pronunciar (reconhecer) a anulação de ofício; exige-se uma provocação. Neste caso a lei oferece aos interessados as seguintes alternativas: a) de requerer a anulação do ato; b) confirmar ou sanar o vício (evitando-se o seu desfazimento); c) deixar que continue a produzir seus efeitos normalmente, pois o próprio decurso de tempo convalidará o negócio. - O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro, importando a extinção de todas as ações, ou exceções, de que contra ele dispusesse o devedor. - A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal. - Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, será validado se este a der posteriormente. - Ao ser anulado, tudo volta a ser como antes se achava. O que não puder será indenizado. - A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, ou seja, só atinge os atos após a declaração de anulação. Efeitos ex-nunc e inter partes. São anuláveis: - por incapacidade relativa do agente, sem a devida assistência de seus representantes legais. - por vício resultante de erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo ou fraude contra credores. - por falta de legitimação (ex.: venda de imóvel sem outorga do outro cônjuge na com. Univ.). - se a lei assim o declarar, tendo em vista uma situação particular. Ex: venda de ascendente para descendente sem consentimento dos outros descendentes e cônjuge do ascendente. Prazo Decadencial É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. Conta-se esse prazo: a) no caso de coação (moral), do dia em que ela cessar; b) no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; c) no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer um prazo para pleitear-se essa anulação, este prazo será de dois anos, a contar da conclusão do ato. Convalescença do Ato Anulável Entende a doutrina que os efeitos da convalescença do negócio são retroativos: - Confirmação consiste na renúncia ao direito de alegar a anulabilidade, salvo direito de terceiros pode ser tácita (devedor pagar o débito viciado) ou expressa. Implica em renúncia a todas eventuais ações judiciais. - Convalidação: consiste no advento de requisito faltante à formação do contrato anulável. - Prescrição ou decadência: houve o transcurso de tempo superior ao previsto em lei. OBS: 01) Um negócio jurídico nulo pode produzir efeitos? Segundo a professora Maria Helena Diniz a resposta é afirmativa, pois o negócio pode produzir efeitos enquanto não decretada a sua nulidade. Regras comuns à nulidade e à anulabilidade - Se a coisa não puder ser devolvida, o lesado será indenizado com o valor equivalente à coisa. - A nulidade parcial de um ato não prejudicará a parte válida do negócio, se for destacável. - A nulidade relativa do instrumento não induz à do ato se este puder ser provado por outro meio. Ex: Locação pode ser provada por recibos de pagamento. CONVERSÃO DO NEGÓCIO NULO O negócio não pode prevalecer da forma como pretendida pelas partes; é nulo. Mas como seus elementos são idôneos para caracterizar outro negócio, pode ocorrer a transformação, desde que não haja uma proibição expressa. Deve ter intenção das partes, ou seja, a convicção de que as partes teriam querido este novo contrato (em lugar do anterior) se houvessem previsto sua nulidade (elemento subjetivo); Ex: uma nota promissória considerada nula (não respeitou requisitos de validade) pode ser aproveitada como confissão de dívida; a doação de um bem inalienável pode ser considerada como um usufruto, etc. Obrigações Contraídas por Menores - As obrigações contraídas por menores entre 16 e 18 anos são anuláveis se contraídas sem assistência de seus representantes (devem atuar pessoalmente). - Os menores devem ser assistidos por curadores especiais quando intervierem em atos nos quais possa haver um conflito de interesse com seus representantes legais. Ex: pai e filho menor querem vender imóvel em condomínio. O prazo decadencial para pleitear-se a anulação do ato praticado com esta infringência é de 180 dias a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade. - Atos ilícitos: entre 16 e 18 anos são considerados maiores (civilmente, não penal). - Ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um incapaz, se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga. PROVA DO NEGÓCIO JURÍDICO - O ônus da prova incumbe a quem alega o fato e não a quem o contesta. - Também devem ser considerados verídicos os fatos incontroversos, sobre os quais não há debate entre as partes, os dois concordam. - Se, para a validade do negócio jurídico a lei exige forma especial, sua prova só poderá ser feita pela exibição do documento (ex.: a compra evenda de imóveis só se prova pela escritura pública). - Se o negócio for de forma livre (não solene), a prova pode ser feita por qualquer meio permitido pela ordem jurídica (até mesmo verbal). - Requisitos: Admissível, pertinente e concludente. Meios de prova: A) CONFISSÃO: Em regra só pode ser produzida por pessoa capaz e no gozo do direito que se discute. Se a confissão for feita pelo representante do incapaz somente terá eficácia dentro dos limites em que puder vincular o representado. A confissão não valerá se foi feita por um só dos cônjuges quando o fato versar sobre bens imóveis. Finalmente: a confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se for oriunda de erro de fato ou coação. B) DOCUMENTOS (públicos ou particulares): As obrigações convencionais de qualquer valor, constantes de instrumentos particulares, e assinados pelas partes, fazem prova se assinados por duas testemunhas. Para fazer prova perante terceiros, os documentos precisam ser registrados no registro público (Cartório de Títulos e Documentos). C) TESTEMUNHAS: A prova exclusivamente testemunhal somente será admitida em atos negociais cujo valor não ultrapasse o décuplo (dez vezes) do maior salário mínimo vigente no País no tempo da celebração e qualquer que seja o valor do contrato como complemento de prova documental (art. 227, CC). Nas demais hipóteses ela é admitida como forma subsidiária ou complementar da prova por escrito. Deve ser pessoa física, estranha ao feito, capacidade jurídica para depor. O cego, o mudo, o surdo bem como o enfermo, não são incapazes civilmente, mas o serão para testemunhar, caso tais deficiências resultem na impossibilidade de percepção sensorial adequada do fato a ser narrado. D) PRESUNÇÃO: um devedor estiver de posse do título, há a presunção de que ele pagou a dívida. Pode ser absoluta, relativa (filho havido pela mulher casada presume- se do marido) ou simples (aquelas que não estão previstas na lei, mas na essência do ser humano como ideia de coletividade e não como indivíduo). Não confundir presunção com indício. Indício (do latim indicium = rastro,sinal) é apenas um meio para se chegar à presunção. A reunião de indíciospode dar corpo à presunção. E) PERÍCIAS: Exames, vistorias e arbitramento. ATO ILÍCITO E RESPONSABILIDADE CIVIL ATO ILÍCITO Ilicitude significa contrariedade a um dever jurídico, consistindo na ofensa a direito subjetivoou na infração de preceito legal, que protege interesses alheios, ou ainda no abuso de direito. A consequência é a responsabilidade civil. O ato ilícito é considerado como um fato jurídico (em sentido amplo). São chamados de atos involuntários, pois os efeitos são involuntários. Pode ser de 3 tipos: a) Penal: violação de um dever tipificado como crime, pressupondo um prejuízo causado à sociedade. A sanção é pessoal (não se transmite a responsabilidade penal a terceiros). b) Administrativo: violação de um dever que se tem para com a Administração; a sanção também é pessoal. c) Civil: violação de um dever obrigação contratual ou legal, pressupondo um dano a terceiro; a sanção é patrimonial, ou seja, atinge o patrimônio do lesante (como regra). Em diversas circunstâncias a responsabilidade pode ser transferida aos sucessores e também aos responsáveis legais do agente. RESPONSABILIDADE CIVIL - A responsabilidade civil deriva da transgressão de uma norma pré-existente, contratual ou legal, impondo ao infrator a obrigação de indenizar, restaurando o equilíbrio econômico antes existente. - Para a professora Maria Helena Diniz a responsabilidade civil possui dupla função: a) sanção civil, de natureza compensatória, mediante a reparação do dano causado; b) garantia do lesado à segurança. - De acordo com o fato gerador temos duas espécies de responsabilidade civil: contratual e extracontratual. 1. RESPONSALIBIDADE CIVIL CONTRATUAL: Está situada no âmbito violação de norma pré-existente contratual ou negocial; da inexecução de uma obrigação decorrente de um contrato, podendo o seu descumprimento gerar perdas e danos. A culpa contratual não precisa ser provada, bastando que o devedor esteja em mora e que este não decorra de nenhuma das causas excludentes de responsabilidade. OBS:violação positiva do contrato: Seria o descumprimento de obrigações anexas, não a principal. 2. RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL (ou aquiliana): Violação de norma legal preexistente, de normas gerais de conduta. Há a infração de um dever geral imposto pela lei, como na hipótese de um “acidente de veículos”. A composição do prejuízo é feita por arbitramento, cabendo ao Juiz esta tarefa. Seu fundamento jurídico-legal encontra-se nos arts. 186, 187 e 927, CC. Nesta hipótese não é necessário constituir o devedor em mora. Ele já está em mora desde o momento da prática do ato ilícito. Consequências A consequência da infração ao dever contratual e/ou ao dever legal (extracontratual) é a mesma →obrigação de ressarcir o prejuízo causado. A diferença entre elas está no ônus da prova. Na responsabilidade contratual há uma presunção (relativa) de que a culpa é de quem nãocumpriu a obrigação. Se não houver esta prova, ele deverá indenizar. No entanto se a responsabilidade é extracontratual, como regra, não existe a presunção de culpa; o lesado (vítima) é quem deve provar a culpa do transgressor. TEORIAS A) TEORIA DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA (teoria clássica ou da culpa): haverá responsabilidade por indenização somente se houver “culpa (dolo ou culpa em sentido estrito)” do agente. Esta deverá ser provada para que haja a obrigação de indenizar. O elemento subjetivo ou anímico possui as espécies dolo e culpa (sentido estrito) Haverá indenização toda vez que o agente tenha praticado o ato danoso porque o conhecia e o quis (dolo direto) ou assumiu o risco do resultado (dolo eventual). Mas também quando o agente, embora não o conhecesse e não o quisesse, tenha agido por negligência ou imprudência ou violado norma que podia ou devia conhecer e acatar (culpa em sentido estrito). Classificação da Culpabilidade - culpa in eligendo: é a resultante de má escolha de um representante ou do preposto para a prática de um ato ou o cumprimento da obrigação. Ex.: patrão contrata empregado sem as aptidões técnicas que o trabalho exige. - culpa in vigilando: é a que resulta da falta de atenção com o procedimento de outra pessoa. Ex.: filho menor que pratica um ato ilícito pela falta devigilância dos pais. Também pode recair sobre coisa. Ex.: empresa de taxique permite que os veículos saiam com falha nos freios ou pneus “carecas”. - culpa in custodiendo: decorre da falta de cuidado em se guardar, custodiar determinada coisa ou animal, sob seus cuidados. Ex.: dono deanimais que estragaram a plantação do vizinho, pois ele deixou a porteiraaberta. - culpa in committendo (ou in faciendo): é a que resulta da prática de uma conduta positiva pelo agente (ação ou comissão); é a imprudência de uma forma geral. Ex.: dirigir em excesso de velocidade, causando umatropelamento, passar em um sinal vermelho, etc. - culpa in omittendo: decorre de uma conduta negativa pelo agente (abstenção de um ato, omissão). Ex.: empregado que não tranca a porta doestabelecimento ao final do expediente; médico que não faz a operaçãocompleta, etc. - A doutrina ainda fala em culpa in abstracto, quando se faz uma análise comparativa da conduta do agente com a do “homem médio” ou da pessoa normal, sendo esta a regra em nosso Direito, devendo-se aferir o comportamento do agente pelo padrão admitido e a culpa in concreto quando se limita ao exame da imprudência ou negligência do agente. - No Direito Civil, como regra, responde-se por qualquer espécie de culpa porque se tem em vista a extensão do dano (art. 944, CC) e não o grau da culpa. B) TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA: independe da culpa; esta não é discutida. Verifica-se somente a existência de uma conduta, do dano e a relação de causalidade entre eles, decorrendo daí a obrigação de indenizar. Os elementos são: - Conduta positiva ou negativa (ação ou omissão). - Dano patrimonial ou moral. - Nexo causal entre a conduta e o dano. A doutrina menciona as seguintes espécies de modalidades de risco: Risco proveito: relacionado ao brocardo “quem colhe os bônus deve suportar os ônus”, ou seja, aquela pessoa que tira proveito da atividade perigosa também deve suportar os danos dela decorrentes. Risco profissional: relacionado às relações de trabalho, viabilizando a responsabilidade (objetiva) do empregador pelos danos causados pelo empregado, em decorrência da atividade por este desenvolvida. Risco excepcional: refere-se às atividades que, por sua natureza, representam um elevado grau de perigo, tanto para as pessoas que as desempenham diretamente, como para os demais membros da coletividade. Risco integral: é o grau mais elevado de responsabilidade objetiva, não atingindo nenhum tipo de exclusão, mesmo na ocorrência de caso fortuito ou força maior. Tal modalidade é reservada aos danos decorrentes de atividades nucleares. Observação. Vimos acima que a responsabilidade do Estado é objetiva. Porém, segundo a doutrina e a jurisprudência, em algumas hipóteses, especialmente quando houver omissão do Estado, a sua responsabilidade será na modalidade subjetiva. Nosso Código adotou, como regra, a Teoria da Responsabilidade Subjetiva! Exceções: Quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Danos ao meio ambiente, relações de consumo, etc. ELEMENTOS INDISPENSÁVEIS I. CONDUTA HUMANA: É o comportamento positivo (ação, comissão) ou negativo (omissão) do agente que recai em um dano ou prejuízo. Para a configuração da omissão é necessário que exista o dever jurídico de praticar determinado fato para impedir o resultado (a pessoa não podia se omitir), a prova de que a conduta não foi praticada (omissão) e a demonstração de que, caso a conduta fosse praticada, o dano poderia ter sido evitado. Portanto, para configurar a omissão, na prática, é um pouco mais difícil. II. OCORRÊNCIA DE DANO: O dano (eventus damni) é a lesão a um interesse juridicamente tutelado, seja ele patrimonial ou extrapatrimonial(moral). Nem todo dano gera responsabilidade. Uma teoria que vem ganhando terreno é a da “perda de uma chance”. Isso ocorre quando a conduta retira da vítima a possibilidade futura de experimentar uma situação mais favorável. Ex: Maratonista na olimpíada que foi agarrado por um expectador, quebrando seu ritmo de corrida, ficando em 3º. A doutrina entende que em determinados casos a perda de uma chance pode ser indenizável por afastar uma expectativa ou probabilidade favorável ao lesado. No entanto, a indenização quando ocorre, é sempre mitigada em face da incerteza do evento. STJ: mostra-se aplicável a teoria da perda de uma chance aos casos em que o erro médico tenha reduzido chances concretas e reais que poderiam ter sido postas à disposição da paciente. São espécies de dano: A) DANO PATRIMONIAL (material): 1) Danos Emergentes (também chamados de danos positivos): efetiva diminuição do patrimônio da vítima; são os prejuízos efetivamente suportados; o que a vítima realmente perdeu com a conduta do agente. 2) Lucros Cessantes (também chamados de lucros frustrados ou danos negativos): aquilo que a vítima razoavelmente deixou de ganhar em razão da conduta do agente. OBS: “Dano bumerangue”: é uma expressão da doutrina referindo-se a uma inversão de posição na relação jurídica desencadeada pelo ato ilícito. Ex.: “A”, guiando seu veículo abalroa o veículo de “B”, causando-lhe dano. “B”, ato contínuo, em reação, dispara sua arma de fogo contra o veículo de “A” também produzindo danos. B) DANO MORAL (ou extrapatrimonial): Ofende, não o patrimônio da pessoa, mas sim seus direitos de personalidade. Em sentido próprio refere-se ao abalo dos sentimentos de uma pessoa. Em sentido impróprio ou amplo, abrange a lesão de todos e quaisquer bens ou interesses pessoais (exceto econômicos), como a liberdade, o nome, a família, a honra, a integridade física, etc. - Na reparação do dano moral deseja-se um meio para atenuar, ao menos em parte, as consequências do dano emocional causados a uma pessoa e de infligir ao causador uma sanção e alerta para que não volte a repetir o ato. Finalidade Punitiva e preventiva. - Segundo a doutrina e a jurisprudência, as pessoas jurídicas possuem honra objetiva (aquilo que as outras pessoas pensam sobre ela: bom nome, tradição, solidez, conceito na sociedade, etc.), por isso também podem pleitear ressarcimento pelo dano moral. Sistemas de quantificação do dano moral: Não há no Brasil. Existe o tarifado (tabelado) e o livre. Prazo prescricional da pretensão de indenização por dano moral: 03 anos. C) DANO ESTÉTICO. Além do dano patrimonial (material) e extrapatrimonial (moral) a doutrina ainda se refere ao dano estético, que compromete a aparência (imagem física) da pessoa lesada. Para alguns autores, o dano estético é somente uma espécie de dano moral. Para outros (corrente majoritária) a CF/88, em seu art. 5°, V, deixou clara a existência de três espécies de dano: o patrimonial, o moral e também o dano à imagem. OBS: Dano reflexo ou em ricochete. Trata-se do dano que inicialmente atinge diretamente uma pessoa. No entanto, por via obliqua, a mesma conduta acaba por afetar terceiros. É admissível em nosso Direito o chamado dano presumido ou objetivo (dano in re ipsa: pela força do próprio ato ofensivo). Neste caso,provada a ofensa, demonstrado estará o dano e a obrigação de indenizar; eledecorre da gravidade do ato ilícito em si, sendo desnecessária a sua efetivademonstração em juízo. Súmula 403 do STJ: “Independe de prova do prejuízoa indenização pela publicação não autorizada da imagem da pessoa com finseconômicos ou comerciais". Outros exemplos: ausência de notificação paraefeito de inscrição no sistema de proteção ao crédito. Entende o STJ que se o devedor já tinha outros registros desabonatórios não terá direito a dano moral, pois seria impossível entender que uma nova notificação lhe cause dano moral. Teoria do Corpo Neutro. Trata-se de uma situação que se aplica em especial em acidente de veículos. Digamos que o carro “A” atinge o carro “B” que estava parado e este atinge o carro “C”. Há duas teorias. A primeira afirma que o dono do carro “C” aciona o dono do carro “B” e este aciona o carro “A”. A outra sustenta que o dono carro “A”, por ser o verdadeiro culpado pelo acidente, é o único legitimado a responder em sede de responsabilidade civil (esta é a posição do STJ). III. NEXO DE CAUSALIDADE: Trata-se da relação ou vinculação de causa-efeito entre a conduta do agente (ação ou omissão) e os danos sofridos. Não há responsabilidade civil sem que haja uma relação de causalidade entre o dano e a condutailícita do agente. Observem o verbo “causar” empregado no art. 186, CC. Se houver dano, mas sua causa não está relacionada com o comportamento do agente, inexiste a relação de causalidade, não havendo a obrigação de indenizar. E também não haverá esse nexo se o evento se deu por culpaexclusiva da vítima. Também é motivo para exclusão do nexo causal se o fato ocorreu por caso fortuito ou força maior. RESPONSABILIDADE OBJETIVA NO CÓDIGO CIVIL Haverá obrigação de reparar o dano (independentemente de culpa) nos casos especificados em lei ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. OBS: Banco: A jurisprudência é pacífica no sentido de que a responsabilidade pelo pagamento dos danos morais e patrimoniais causados a cliente de um banco por assalto (roubo) que se desenrolou no interior do próprio banco é da instituição financeira. Já nos caixas eletrônicos, alguns doutrinadores acreditam ser a responsabilidade da IF e outros do Estado. STJ: tem jurisprudência pacífica no sentido de exclusão da responsabilidade civil de empresa de transporte coletivo em caso de assalto à mão armada ocorrido no interior de ônibus, uma vez que se trata de fato inteiramente estranho à atividade de transporte (fortuito externo), sendo que ela também não deixa de ser vítima da falta de segurança pública. OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR Se a ofensa tiver mais de um autor todos /responderão solidariamente pela reparação. Além disso, no caso de solidariedade, aquele que pagar a indenização terá direito de regresso contra os demais codevedores, para reaver o que desembolsou. Acrescente se que o dever de reparar o dano é transmissível aos herdeiros. ABUSO DE DIREITO Ampliou-se a noção de ato ilícito, para se considerar como objeto da responsabilidade civil também aquele ato praticado com abuso de direito, em que a pessoa, ao exercer um direito, excede determinadas limitações legais, lesando outrem. Por isso, traz como consequência, o dever de indenizar. Ou seja, o ato era originariamente lícito, mas foi exercido fora dos limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé objetiva ou pelos bons costumes.Tem natureza objetiva. Exemplos da doutrina: matar gado alheio que pasta em sua propriedade; requerer busca e apreensão sem necessidade. Cerca eletrificada: Tem se entendido, inclusive para concursos, que se a “voltagem” da cerca é pequena, o direito é legítimo; se há um aviso dizendo que a cerca é eletrificada, o direito também é legítimo. Mas se a cerca é disfarçada, sem avisos e com voltagem alta, capaz de matar alguém, a conduta é considerada como abuso de direito; é um exercício irregular do direito. Portanto é ato ilícito e cabe indenização. SPAM também é abuso de direito. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA Na responsabilidade solidária passiva pode o credor, à sua escolha, acionar todos ou apenas o devedor que possui melhores condições para honrar o compromisso. Já na responsabilidade subsidiária O credor deve inicialmente acionar o devedor para o cumprimento da obrigação. Caso este assim não proceda, acionará o terceiro, que é o responsávelsubsidiário, o mero garantidor a obrigação. A fiança é o exemplo clássico. RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIROS Há casos em que o legislador determinou que pessoa diversa daquele que praticou a conduta causadora do evento danoso responda perante o lesado. - Responsabilidade direta (ou por ato próprio): ocorre quando o autor do ato que causou o dano é a mesma pessoa que irá efetuar o pagamento de sua reparação. Responsabilidade indireta uma pessoa é civilmente responsável perante terceiros por condutas praticadas por outra. Ex: Menor de 18, os pais respondem. São exemplos: 1) Os pais são responsáveis pelos atos praticados pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. Emancipado -> É civilmente capaz. Contudo, se a decisão de emancipação partiu dos próprios pais (emancipação voluntária), estes não se isentam da responsabilidade; eles continuam responsáveis pelo menor emancipado. No entanto a responsabilidade neste caso será solidária. 2) O tutor e o curador são responsáveis pelos tutelados e curatelados que estiverem nas condições anteriores. 3) O empregador ou comitente (pessoa que encarrega outra de praticar algum ato sob suas ordens e por sua conta)são responsáveis pelos atos de seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho ou em razão dele. 4) Os donos de hotéis, hospedaria, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, são responsáveis pelos atos danosos praticados pelos seus hóspedes, moradores e educandos. OBS: transporte gratuito, (desinteressado ou de mera cortesia: carona), o transportador só serácivilmente responsável por danos causados ao transportado quando incorrerem dolo ou culpa grave (Súmula 145 do STJ). É interessante reforçar, deixando bem claro que o direito de regresso deixará de existir quando o causador do prejuízo for um descendenteincapaz (absoluta ou relativamente). EXCLUSÃO DE ILICITUDE Situações em que uma pessoa pratica uma conduta, lesando terceiros, sem que tenha havido ato ilícito, acobertado por uma exclusão de ilicitude. Casos: 1. Legítima Defesa: Trata-se do uso moderado de meios necessários para repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Faltando apenas um destes elementos, deixa de existir a legítima defesa. Se “B” atira em “A” por legítima defesa e acerta “C”, este deverá ser indenizado por “B” que terá o direito de regresso contra “A”. A legítima defesa putativa (a pessoa pensa que está em legítima defesa, mas na realidade não está) também não exclui a obrigação de indenizar. 2. Exercício Regular de um Direito Reconhecido: Se alguém, no uso normal de um direito, lesar outrem, não terá qualquer responsabilidade por eventuais danos. Exemplo: credor que protesta um título de crédito regular, vencido e não pago, prejudicando o crédito do devedor em outros negócios (o protesto é um direito do credor). 3. Estado de Necessidade: É a deterioração ou destruição de coisa alheia, ou a lesão à pessoa, a fim de remover perigo iminente, não causado pelo agente, quando as circunstâncias a tornarem absolutamente necessária e não se exceder os limites do indispensável para a remoção do perigo. Quando o prejudicado não é o ofensor pode esta pedir indenização ao autor do ato (ainda que esta tenha sido lícito), tendo posteriormente direito de regresso contra o ofensor. Excludente de ilicitude X Excludente de causalidade As excludentes da ilicitude (também chamadas de excludentes de imputabilidade) excluem a imputação ou atribuição de responsabilidade do autor da conduta praticada. Já as excludentes de causalidade são hipóteses que excluem a própria responsabilidade. São 3 tipos: - Culpa exclusiva da vítima: não haverá responsabilidade se o evento ocorreu por culpa exclusiva da vítima. Atenção!! Se a culpa da vítima foi concorrente, a indenização será reduzida proporcionalmente. Não existe presunção de culpa exclusiva da vítima; esta culpa deve ser cabalmente provada. - Caso Fortuito ou Força Maior: estas situações estão ligadas a imprevisibilidade e inevitabilidade do evento, além da ausência de culpa pelo ocorrido. Exoneração do dever de indenizar. - Ausência de nexo de causalidade: não haverá responsabilidade se não houver uma relação de causa e efeito entre o dano e a conduta (ação ou omissão) do agente. EFEITOS CIVIS DA DECISÃO PROFERIDA NO JUÍZO CRIMINAL A regra que vigora em nosso direito é o princípio da independência da responsabilidade civil em relação à penal. São duas as hipóteses que, decididas no juízo criminal, não se discute mais no cível: - Existência do fato, isto é, a ocorrência do ilícito e suas consequências (engloba-se aqui eventual excludente de criminalidade, como veremos); - Autoria da prática da conduta. - Provando-se isto no juízo criminal, tais elementos não poderão mais ser discutidos no juízo cível. Assim, uma decisão condenatória no juízo criminal torna certa a obrigação de reparar o dano. - Se negar o fato ou autoria, a decisão penal também não pode ser discutida no cível. - A decisão criminal também vincula o juízo cível no caso de sentença criminal absolutória, reconhecendo excludente de ilicitude. - Em algumas situações não há provas suficientes para uma condenação criminal. Quando a sentença não concluiu categoricamente se o fato ocorreu ou não, ou se o réu foi ou não o autor do ilícito, o Juiz o absolve por falta de provas. Neste caso a matéria pode ser discutida no juízo cível. - Durante o processo criminal o réu foi considerado doente mental. Isto pode excluir a sua responsabilidade penal. Mas não exclui a responsabilidade para a reparação de danos na esfera civil. TRANSMISSIBILIDADE Tanto o direito de exigir a reparação do dano, como o dever de prestá-la são transmissíveis aos herdeiros, até o limite das forças da herança. PRAZO PRESCRICIONAL O atual Código estabelece prazo prescricional de 03 (três) anos para a propositura da ação de reparação de danos. RESPONSABILIDADE PELO FATO DO ANIMAL O dono de um animal (doméstico ou não) ou o seu detentor será responsável pelos danos causados por ele a outras pessoas ou coisas. A responsabilidade é objetiva; em regra não se discute a sua culpa no evento. No entanto ficará isento desta responsabilidade, se ele provar que: - Guardava e vigiava o animal com o cuidado necessário. - O animal foi provocado (culpa exclusiva da vítima). - Houve imprudência do ofendido (ex.: ingressou no interior da residência, de forma indevida, onde estava o animal). - O fato resultou de caso fortuito ou força maior. Observação. O STJ assentou entendimento no sentido de que, em caso de acidente de trânsito causado por animal na pista, poderá haver responsabilidade civil subjetiva do Estado por omissão. Todavia, se há cobrança de pedágio pela rodovia, a responsabilidade civil é objetiva da concessionária, com base no CDC. RESPONSABILIDADE PELO FATO DA COISA A) Ruína de edifício ou construção: O dono do edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína (total ou parcial), se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta. A responsabilidade é objetiva, cabendo ação regressiva contra o culpado. A jurisprudência estendeu esta responsabilidade a qualquer dano advindo de edifícios pela sua falta de manutenção. B) Objetos lançados ou caídos: Aquele que habitar (proprietário, locatário, comodatário, usufrutuário, etc.) uma casa ou parte dela responde pelos danos provenientes das coisas que dela caírem ou forem lançadas (sólidas ou líquidas) em lugar indevido. Quando não se identificar de qual apartamento o objeto caiu (ou foi jogado), todo o condomínio responderá pelos prejuízos causados a terceiros. No entanto a jurisprudência exclui a responsabilidadedas unidades habitacionais de onde seria impossível o arremesso. RESPONSABILIDADE POR COBRANÇA DE DÍVIDA NÃO VENCIDA O credor que demandar o devedor antes do vencimento da dívida estará agindo de má-fé, devendo por isso esperar o tempo que faltava para o vencimento, descontar os juros correspondentes e pagar as custas em dobro (art. 939, CC). Se estiver de boa-fé pagará tão somente as custas vencidas na ação de cobrança. RESPONSABILIDADE POR COBRANÇA DE DÍVIDA JÁ PAGA: Aquele que cobrar dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que lhe for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado, e, no segundo caso, o equivalente ao que exigiu. CARTÃO DE CRÉDITO: Falta de recusa expressa de cartão de crédito enviado por administradora não caracteriza aceitação tácita do fornecimento de seus serviços Deverá indenizar quaisquer danos sofridos. RESPONSABILIDADE DOS PROFISSIONAIS LIBERAIS A responsabilidade civil do médico pressupõe a ocorrência de um dano atribuído à um profissional da medicina, segundo as regras da responsabilidade civil subjetiva. O STJ sustenta que o cirurgião plástico estético responde de forma objetiva, independentemente de culpa. A obrigação do médico é obrigação de meio (onde o profissional busca uma solução para seu cliente, porém sem poder garantir o resultado), e não de resultado (atividade de atingir um determinado objetivo), salvo na hipótese de cirurgias estéticas. O STJ sustenta que a responsabilidade do hospital, por erro médico, também é subjetiva, à despeito da exigência do CDC, em que a responsabilidade da relação de consumo é objetiva. O STJ completa dizendo que os serviços auxiliares são de responsabilidade objetiva, como por exemplo, o raio X, a cama que fecha com o paciente, etc. No que tange à infecçãohospitalar, o STJ tem entendido que a responsabilidade do hospital, neste caso, é objetiva. COMPANHIAS AÉREAS Extravio de bagagem em viagem aérea: responsabilidade é objetiva Overbooking: Segundo o STJ, trata-se de ato ilícito, passível de responsabilização civil. ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS e HOSPITAIS: A responsabilidade é objetiva. QUESTÕES ESPECIAIS ENVOLVENDO VEÍCULOS 01) Súmula 492 do Supremo Tribunal Federal: “A empresa locadora de veículos responde, civil e solidariamente com o locatário, pelos danos por este causados a terceiro, no uso do carro locado”. As empresas respondem solidariamente com os locatários, sob o fundamento de que elas exploram atividade de risco. 02) Súmula 132 do Superior Tribunal de Justiça: “A ausência de registro da transferência não implica a responsabilidade do antigo proprietário por dano resultante de acidente que envolva o veículo alienado”. 03) De quem é a responsabilidade civil do veículo emprestado? o STJ, em reiteradas decisões (à exemplo do REsp 343.649/MG) sustenta a solidariedade entre o dono do carro e o comodatário. RELAÇÕES DE CONSUMO - LEI N° 8.078/90 (CDC) O CDC se aplica a todas as relações de consumo. Vejam a diferença: Se uma pessoa adquire um bem de um particular, a reclamação rege-se pelo Código Civil. Mas se ela adquiriu de um comerciante, rege-se pelo Código de Defesa do Consumidor. Protege os interesses patrimoniais e morais dos adquirentes de produtos e de serviços, mediante a imposição de responsabilidade civil, penal e administrativa para os fornecedores, sejam fabricantes, vendedores ou prestadores de serviços. Acrescente-se a solidariedade(entre o comerciante e o fabricante – hipóteses). Impõe responsabilidade objetiva aos fornecedores. Eles somente não serão responsabilizados se provarem (art. 12, §3°): a) que não colocaram o produto no mercado; b) que, embora hajam colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; c) a culpa é exclusiva do consumidor ou de terceiro. Súmula 297 STJ: “O CDC é aplicável às instituições financeiras”. Restrições legais ao direito de contratar relações de consumo De uma forma resumida, podemos dizer que quanto aos contratos, o CDC: a) Impôs ao fornecedor o dever de prestar informações do produto, indicando suas condições de uso. b) Instituiu a boa-fé como base nas relações de consumo, proibindo a publicidade enganosa. c) Estabeleceu a execução específica da oferta; a resolução em perdas e danos é um expediente subsidiário, a critério exclusivo do consumidor. “Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo...” Esse conhecimento prévio deve ser real e efetivo. Portanto, não basta que haja uma cláusula no contrato afirmando que houve conhecimento por parte do consumidor. - Segundo o art. 34 da Lei, o fornecedor do produto ou serviço será solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos. - As cláusulas contratuais deverão ser interpretadas de modo mais favorável ao consumidor. - Pelo art. 49, o consumidor poderá desistir do contrato, no prazo de sete dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone, reembolso postal ou em domicílio. E se o consumidor exercitar tal direito de arrependimento os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados, mediante a restituição do produto. O frete fica a cargo do fornecedor. - O principal direito do consumidor (entre outros estipulados no CDC) é a reclamação pelos vícios aparentes, dentro do prazo decadencial dentro de trinta dias, se tratar de fornecimento de serviço e de produto não duráveis, ou de noventa dias, se duráveis, contado da data da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços. E, se o vício for oculto, tal prazo computar-se á no instante em que o defeito ficar evidenciado. Defeito X Vício - Defeito: compromete a segurança que se espera da utilização de um produto ou serviço e que causa dano físico ou patrimonial aos consumidores. - Vício:é a anomalia que compromete a qualidade ou quantidade de um produto ou serviço, tornando-o impróprio, inadequado ou diminuindo-lhe o valor, mas sem potencialidade danosa (não apresenta risco à saúde ou segurança do consumidor). RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR A) Fato do Produto e do Serviço Responsabilidade do comerciante nos acidentes de consumo. Ele será responsável quando: a) o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados (ex: compra de cereais de diversos produtores e na posterior embalagem em revenda do produto). b) o produto final, embalado ou recondicionado, não permitir clara identificação do seu fabricante, produtor, construtor ou importador. c) não conservar adequadamente os produtos perecíveis. - Fornecedor de serviços responderá, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre uma fruição e riscos. - O fornecedor de serviço, só não será responsabilizado (causas excludentes) se provar que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste e que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. B) Vício do Produto e do Serviço Pelo art. 18, CDC haverá responsabilidade solidária de todos os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis pelos vícios. Desta forma, o consumidor poderá reclamar seus direitos contra todos os fornecedores ou contra apenas um. O dispositivo concede o fornecer a acionar o sistema de garantia do produto e reparar o defeito no prazo de 30 (trinta) dias. Seo vício não for sanado neste prazo, poderá o consumidor exigir: a) A substituição do produto por outro da mesma espécie (modelo e marca), em perfeitas condições de uso. É a solução mais conveniente e satisfatória ao consumidor quando se tratar de fornecimento de produtos duráveis (ex: eletrodomésticos). b) A restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de também receber eventuais perdas e danos (neste caso o consumidor deve devolver o produto defeituoso para receber o dinheiro de volta); c) O abatimento proporcional do preço (o consumidor fica com o produto, mas haverá uma redução no preço). - Tendo o consumidor optado pela troca do bem e não sendo possível a sua substituição, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preços. - Os fornecedores responderão solidariamente pelos vícios de quantidade de produto sempre que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária. Neste caso, o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: a) o abatimento proporcional do preço; b) a complementação do peso ou medida; c) a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios; ou d) a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas ou danos. Se houver opção pela substituição do produto, mas for impossível a troca poderá ser entregue outro produto, complementando-se ou restituindo-se a diferença de preço se houver. - Com relação a serviços, pode o consumidor exigir: a) a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível, podendo ser confiada a terceiros capacitados, por conta e risco do fornecedor (o consumidor pode não querer o mesmo prestador); b) a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; ou c) o abatimento proporcional do preço. Ônus da Prova Teoria da Carga Dinâmica do Ônus da Prova. Por esta teoria, quem deve provar o evento não é necessariamente quem alega o fato (muitas vezes a pessoa lesada não tem essa condição), mas sim quem tem melhores condições para a realização da prova, seja porque sua situação é mais cômoda, seja porque para ela é menos onerosa. Assim, o onus probandi é partilhado entre os demandantes. E, em algumas hipóteses, há a chamada inversão do ônus da prova. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Obrigação é um vínculo jurídico entre o credor e o devedor! Ou seja, confere- se ao credor(sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de determinada prestação de caráter patrimonial, sendo que no caso dedescumprimento poderá o credor satisfazer-se no patrimônio do devedor. Características: Patrimonialidade, Transitoriedade, Pessoalidade, Prestacionalidade ELEMENTOS CONSTITUTIVOS a) Elemento pessoal ou subjetivo: Sujeitos da obrigação. Em cada pólo pode haver mais de um deles. Podem ser credores e devedores ao mesmo tempo (compra e venda). - Sujeito Ativo: Credor -> pode ser qualquer pessoa (até incapaz) - Sujeito Passivo: Devedor b) Elemento material ou objetivo: É o objeto de uma obrigação, a prestação imediata, que é sempre uma conduta humana, podendo ser positiva (fazer) ou negativa (omissão). O objeto mediato é o bem ou a coisa, propriamente dita. O objeto (prestação), para ser válido, deve ser lícito, possível (física e juridicamente), determinado ou determinável (não pode haver indeterminação no objeto imediato) e economicamente apreciável (patrimonialidade). É admissível a obrigação que tenha por objeto um bem não econômico, desde que seja digno de tutela o interesse das partes. c) Elemento imaterial (abstrato) ou vínculo jurídico: o vínculo que liga os sujeitos ao objeto da obrigação (vínculo obrigacional). O Brasil adotou a teoria dualista ou binária, segundo a qual esse vínculo tem duas relações: a)dever do sujeito passivo de satisfazer a prestação em face do devedor; b)autorização dada pela lei ao credor que tenha sofrido o inadimplemento deconstranger o patrimônio do devedor. FONTES DAS OBRIGAÇÕES Imediata: É a lei. Já as fontes mediatas seriam: - Negócio Jurídico Bilateral: duas pessoas criam obrigações entre si. Ex.: os contratos de uma forma geral (compra e venda; locação, etc.). É a principal e maior fonte de obrigação. - Negócio Jurídico Unilateral: apenas uma pessoa se obriga (declaração unilateral de vontade). Ex: promessa de recompensa (perdeu-se cachorrinho... recompensa-se bem). - Atos Ilícitos: quem comete um ato ilícito fica obrigado a reparar eventuais prejuízos dele decorrentes. CLASSIFICAÇÃO GERAL DAS OBRIGAÇÕES I. QUANTO À NATUREZA DO OBJETO a) Obrigação positiva de dar: é aquela em que o devedor se compromete a entregar alguma coisa (certa ou incerta). Pode ser propriedade ou posse. A obrigação de dar confere ao credor somente o direito pessoal e não o direito real. Pode ser: a.1) Obrigação de dar coisa certa: devedor se obriga a entregar uma coisa certa edeterminada, podendo ser móvel ou imóvel. Se a coisa a ser entregue tiver acessórios, a obrigação principal abrange também esses acessórios, ainda que não mencionados, salvo se as partes estipularam outra coisa. O credor não é obrigado a receber outra coisa, ainda que mais valiosa. O devedor deve conservar adequadamente a coisa que irá entregar ao credor, e defende-la de terceiros. A coisa pode se perder ou deteriorar: Perda: Se ocorrer sem culpa do devedor e antes da tradição (entrega) a obrigação resolve-se. Se já recebeu dinheiro, devolve com correção monetária. Caso ocorra com culpa do devedor, ele responde pela coisa e por perdas e danos. Deterioração: Sem culpa do devedor, extingue a obrigação com restituição do preço mais correção monetária ou abatimento proporcional do preço. Com culpa indenização (valor da coisa) mais perdas e danos ou aceita a coisa mais perdas e danos. OBS: Existe também a obrigação de restituir, ficando a coisa em poder do devedor, mas mantendo o credor direito de propriedade sobre ela. Ex: Locação. Se a obrigação for de restituir coisa certa e esta se perder antes da tradição, sem culpa do devedor, o credor (proprietário da coisa) sofrerácom a perda e a obrigação se extinguirá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. No entanto, pode ter havido culpa do possuidor, não sendo aplicada a regra res perit domino (a coisa perece para o dono)e o devedor é obrigado a indenizar o proprietário pela perda, acrescida das perdas e danos. OBS: Cômodos ou melhorias na coisa: são as vantagens produzidas pela coisa. Até a tradição (entrega) a coisa pertence ao devedor, com todos os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá pedir aumento no preço. a.2) Obrigação de dar coisa incerta: a coisa não é única, singular e exclusiva, o objeto não é individualizado, mas indicado apenas de forma genérica no início da obrigação devendo ser determinável pelo gênero e quantidade. A individualização se faz pela escolha e cabe, em regra, ao devedor, salvo se for estabelecido de modo diverso no contrato. Realizada a escolha acaba a incerteza. A obrigação genérica, inicialmente de dar a coisa incerta, se transforma em obrigação de dar a coisacerta (havendo a individualização da prestação), aplicando-se todas as regras da coisa certa. OBS: antes da escolha não pode o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, pois como a coisa não é individualizada, ele pode substituir a deteriorada. Após a escolha, caso haja deterioração a obrigação se extingue, voltando as partes ao estado anterior, devolvendo-se eventual preço pago, sem se exigir perdase danos. OBS: Princípio da equivalência das prestações (ou critério da qualidade média). Estabelece a lei que na falta de disposição contratual a escolha do devedor não pode recair sobre a coisa menos valiosa ou de pior qualidade. E nem será ele compelido a entregar a coisa mais valiosa ou melhor. A solução é que o objeto deve recair no gênero intermediário. OBS: Se cair alguma questão sobre a possibilidade de pagamento de dívidas em dólar ou em ouro, a resposta é que pelo Código Civil não pode, sob pena de nulidade absoluta (salvo alguns contratos especiais, como de importação/exportação, contratos estes que não estão previstos no Código Civil). Obrigação Pecuniária: espécie de obrigação de dar que abrange prestação em dinheiro, reparação de danos e pagamento de juros em moeda corrente e pelo seu valor nominal. Pode-se incluir em algumas convenções, cláusula de atualização da prestação, para evitar a desvalorização da moeda. b) Obrigação positiva de fazer: consiste na prestação de uma atividade (prestação de um serviço ou execução de uma tarefa) positiva (material ou imaterial) e lícita do devedor. Caso ocorra inadimplemento contratual, em primeiro lugar precisamos saber se o devedor agiu com culpa. Se não houver culpa (força maior ou caso fortuito) resolve-se a obrigação sem indenização. Por outro lado, se o próprio devedor criou aimpossibilidade, ele responderá por perdas e danos. A recusa voluntária induz culpa do devedor. A obrigação será cumprida dependendo se esta obrigação de fazer é fungível ou infungível. - Obrigação de fazer fungível: a prestação pode ser realizada pelo devedor ou por uma terceira pessoa, sem prejuízo para o credor; não se exige uma capacidade especial para tanto. Se houver recusa, sem prejuízo da cabível ação de indenização por perdas e danos, o credor pode mandar executar o serviço à custa do devedor. - Obrigação de fazer infungível: não há a possibilidade de substituição da pessoa que irá cumprir a obrigação, pois esta, contratualmente falando, é insubstituível. A recusa ao cumprimento da obrigação resolve-se, tradicionalmente, em perdas e danos, mas atualmente, admite-se a execução específica da obrigação. Isto é, pode ser imposta pelo Juiz (e somente peloJuiz), uma multa periódica, chamada de astreinte (penalidade imposta ao devedor, mediante ação judicial consistente em uma prestaçãoperiódica, que vai sendo acrescida enquanto a obrigação não é cumprida,ainda que não haja no contrato a cláusula penal. Atualmente há a possibilidade do Juiz fixar astreinte na obrigação de fazer, não fazer e também na obrigação de dar coisa certa. Tal regra, segundo a melhor doutrina, não vale para a obrigação de dar coisa incerta, para a obrigação de pagar quantia em dinheiro e para a obrigação de restituir dívida em dinheiro. Isso por falta de previsão legal. OBS: O inadimplemento de emitir declaração de vontade no caso de um compromisso de compra e venda dá ensejo à propositura de ação de adjudicação compulsória. A expressão adjudicação provém do vocábulo latino adjucare, que significa transferir algo do patrimônio do devedor para o do credor por meio de uma sentença. A decisão judicial supre a vontade da parte inadimplente, tendo o mesmo efeito da declaração omitida, satisfazendo-se, assim, a obrigação de fazer. c) Obrigação negativa de não fazer:aquela pela qual o devedor se compromete a não praticar certo ato que até poderia livremente praticar se não houvesse se obrigado. É sempre uma obrigação pessoal, devendo ser cumprida pelo próprio devedor (personalíssima e indivisível). Se a pessoa praticar o ato que se obrigou a não praticar, ela se tornará inadimplente e o credor poderá exigir o desfazimento do que foi realizado. Entretanto há casos em que somente resta o caminho da indenização. Resumindo: descumprimento da obrigação de não fazer c.1) Sem culpa (impossibilidade da abstenção do fato sem culpa do devedor: alteração de uma lei) →exoneração do devedor. c.2) Com culpa (inexecução culposa do devedor) c.2.1)se for impossível odesfazimento posterior do ato: reparação do prejuízo (perdas e danos); c.2.2)se for possível o desfazimento do ato: credor pode exigir o desfazimento do ato à custa do devedor, acrescentando-se eventuais perdas e danos ousimplesmente exigir as perdas e danos (não há mais interesse na obrigação de não fazer). II. QUANTO AOS SEUS ELEMENTOS a) Obrigações simples (ou singulares). São as que se apresentam com um sujeito ativo, um sujeito passivo e um único objeto, destinando-se a produzir um único efeito. b) Obrigações compostas (complexas ou plurais). São as que apresentam uma pluralidade de objetos (obrigações cumulativas ou alternativas) ou uma pluralidade de sujeitos (obrigações solidárias: ativa ou passiva). Vejamos cada uma delas. b.1) Obrigações cumulativas(ou conjuntivas): São as compostas pela multiplicidade de prestações. O devedor deve entregar dois ou mais objetos e só se desonera cumprindo todas as prestações integralmente. O credor não é obrigado a receber, nem o devedor a pagar por partes, se assim não se ajustou. b.2) Obrigações Alternativas (ou disjuntivas): compreende dois ou mais objetos e extingue-se com a prestação de apenas um. O devedor se desonera com o cumprimento de qualquer uma delas.Nas obrigações alternativas, a escolha, em regra, pertence ao devedor, se o contrário não for estipulado no contrato (pode ser do credor, deum terceiro ou até mesmo escolhido por sorteio). Comunicada a escolha, nãose pode mais modificar o objeto. O direito de opção transmite-se aosherdeiros, quer pertença ao devedor, quer ao credor. A partir daí o devedor somente se libera da obrigação prestando a coisa devida, pois o objeto, inicialmente plúrimo e indeterminado, se torna individualizado e certo, sendo que o credor não pode ser obrigado a receber coisa diversa. Não se aplica o princípio do meio termo ou da qualidade média. Resumindo a responsabilidade nas obrigações alternativas: Perecimento de uma das obrigações 1) Escolha do devedor: havendo ou não culpa do devedor, subsiste o débito quanto à outra obrigação. 2) Escolha do credor: a) não havendo culpa do devedor, subsiste o débito quanto à outra obrigação; b) havendo culpa do devedor o credor pode optar pela prestação subsistente ou o valor da que pereceu mais perdas e danos. Perecimento das duas obrigações 1) Escolha do devedor: a) não havendo culpa do devedor, extingue-sea obrigação; b) havendo culpa do devedor, há indenização pelo valor daque se impossibilitou por último, mais perdas e danos. 2) Escolha do credor: a) não havendo culpa do devedor extingue-se a obrigação; b) havendo culpa do devedor há indenização pelo valor de qualquer uma das obrigações, mais perdas e danos. b.3) Obrigações Facultativas: A obrigação inicialmente é simples (há apenas uma prestação), mas há a possibilidade do devedor se exonerar da obrigação substituindo a prestação. Exemplo: agência de viagens que oferece determinado brinde (ex.: uma camiseta), mas ela mesma se reserva no direito de substituí-lo por outro (ex.: um boné). A obrigação facultativa é: alternativa para o devedor e simples para o credor (pois este só pode exigir o objeto principal). b.4) Obrigações Solidárias: Ocorre quando, em decorrência da mesma relação jurídica, há pluralidade de credores ou devedores (ou de ambos), sendo que eles têm direitos e/ou obrigações pelo total da dívida. Havendo vários devedores cada um responde pela dívida inteira, como se fosse um único devedor. O credor pode escolher qualquer um e exigir a dívida toda. Mas se houver vários credores, qualquer um deles pode exigir a prestação integral, como se fosseúnico credor. Existe a unidade de prestação: qualquer que seja o número de devedores e/ou credores o débito/crédito é sempre único; alémdisso, o contrato é um só para todos. A doutrina diferencia a obrigação solidária da obrigação in solidum (neste caso não há solidariedade entre os devedores, pois os liames que os unem com o credor são independentes). Ex: “A” causa incêndio na fábrica de “B”. “A” pode cobrar de “B” ou da seguradora, sendo que o pagamento de um desobriga o outro. A obrigação não é comum pois uma é contratual e a outra é extracontratual. Espécies de obrigações solidárias: - Solidariedade Ativa: pluralidade de credores, qualquer um dos credores pode exigir a prestação por inteiro. Ex.: na conta bancária “e/ou” qualquer correntista é credor solidário dos valores depositados e pode exigir do banco a entrega de todo o numerário.Qualquer um dos credores poderá ingressar em juízo visando à satisfação patrimonial; mas só poderá executar a sentença o próprio credor autor, e não outro estranho à lide inicial. Se um dos credores se tornar incapaz, este fato não influenciará a solidariedade pactuada. Enquanto não for demandado por algum dos credores, o devedor pode escolher um dos credores e pagar a dívida a qualquer um deles (art. 268, CC). O pagamento total do débito a um dos credores extingueinteiramente a dívida. Ex.: “A”, deve a “B”, “C” e “D” (credores solidários). Se “D” acionar “A”, este deverá pagar tudo ao primeiro, que receberá o valor em nome de todos os credores. Caso ninguém acione “A”, ele pode escolher qualquer um dos credores e efetuar o pagamento integral ao mesmo, extinguindo a obrigação. Perdão: o credor que tiver remitido (perdoado) a dívida ou recebido o pagamento responde aos outros pela parte que lhes caiba. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais. No entanto o julgamento favorável aproveita a todos, exceto se baseado em exceção pessoal ao credor que o obteve. Se um dos credores falecer seu crédito passará a seus herdeiros sem a solidariedade (cada um recebe o seu quinhão), salvo se a prestação for indivisível. - Solidariedade Passiva: aquela em que se obrigam todos os devedores ao pagamento total da dívida a um credor. Ex.: o credor pode demandar tanto o devedor principal, como o seu avalista, pois ambos são devedores solidários. O credor pode escolher qualquer devedor para cumprir a prestação. Ele pode exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial outotalmente o valor da dívida comum; se o pagamento for parcial, mantém-se a solidariedade passiva quanto ao remanescente. Propondo a ação contra apenas um dos devedores, o credor não fica inibido de acionar também os outros. Morrendo um dos devedores solidários, a dívida se transmite aos seus herdeiros, mas cada herdeiro só responde por sua quota da dívida, salvo se indivisível a obrigação. O perdão concedido a um dos coobrigados extingue a dívida na parte a ele correspondente.Nenhuma cláusula estipulada entre um devedor e o credor pode agravar a situação dos demais devedores, sem o consentimento deles. Impossibilitando-se a prestação: a) sem culpa dos devedores: extingue a obrigação; b) por culpa de um devedor: a solidariedade continua para todos; todos os devedores continuam com a obrigação e responderão pelo equivalente em dinheiro; mas só o devedor culpado responderá pelas perdas e danos. Todos os devedores respondem pelos juros de mora, ainda que a ação tenha sido proposta contra um, mas o culpado responde aos outros pelo acréscimo. O devedor demandado pode opor as exceções (formas de defesa) pessoais e as comuns a todos. Opor exceção = Compensar crédito -> “B” deve “C” e “C” deve “B”. Se o credor renunciar à solidariedade em favor de um ou de alguns devedores, só poderá acionar os demais abatendo o valor do débito a parte ou àqueles correspondentes, entretanto, se um dos coobrigados for insolvente, o rateio da obrigação atingirá também o exonerado da solidariedade. O devedor que paga toda a dívida tem o direito de regresso, isto é, pode exigir a quota dos demais devedores, rateando-se entre todos o quinhão do insolvente, se houver; presumem-se iguais as partes de cada devedor; essa presunção admite prova em contrário. Morrendo um dos codevedores, desaparece a solidariedade em relação a seus herdeiros, embora continue a existir quanto aos demais coobrigados. Outra hipótese de extinção da solidariedade passiva é a renúncia total pelo credor. OBS: Se um devedor solidário for demandado sozinho em um processo de conhecimento, não poderá se eximir de pagar a dívida que está sendo cobrada. No entanto ele poderá trazer os demais devedores a este processo, utilizando-se do instituto conhecido como “chamamento ao processo”. - Solidariedade Mista(ou recíproca): neste caso há uma pluralidade de devedores e de credores na mesma obrigação. OBS: A solidariedade não se presume, resultando da lei ou da vontade das partes. III) OUTRAS MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES a) Obrigações quanto ao Conteúdo 1) Obrigações de Resultado: quando só se considera cumprida com a obtenção de um resultado preestabelecido, geralmente oferecido pelo próprio devedor. Responsabilidade objetiva a não ser que prove fato alheio à vontade do devedor. EX: médico cirurgião, contrato de transporte. Segundo o STJ a cirurgia plástica puramente estética se encaixa aqui. 2) Obrigações de Meio: quando o devedor só é obrigado a empenhar-se para conseguir o resultado, mesmo que este não seja alcançado. A responsabilidade é subjetiva a não ser que o credor prove a falta de diligência. Ex: advogado. Segundo o STJ a cirurgia plástica estética reparadora se encaixa aqui. 3) Obrigações de Garantia: são as que visam eliminar um risco que pesa sobre o credor ou as suas consequências. Ex: Fiança em contratos de aluguel. b) Obrigações quanto à Divisibilidade 1) Obrigações Divisíveis: são as que comportam fracionamento, quer quanto à prestação, quer quanto ao próprio objeto sem prejuízo de sua substância ou de seu valor. Ex.: devo R$ 12.000,00 a “A”, “B” e “C”. Sendo a obrigação divisível presume-se que estou devendo R$ 4.000,00 a cada um dos credores. 2) Obrigações Indivisíveis: prestação só pode ser cumprida por inteiro, ainda que o objeto seja divisível. Espécies: a) convencional (ex.: pactuado pelas partes: pagamento à vista); b) natureza da obrigação (ex.: entregar um cavalo, um touro); c) legal (ex.: dívidas de alimentos). Se o objeto vier a perecer por culpa do devedor, a obrigação passa a ser de perdas e danos. Neste caso o objeto perde a indivisibilidade e passa a ser divisível, pois o objeto primitivo (indivisível) será substituído pelo equivalente em dinheiro, mais perdas e danos (que é divisível). Se houver culpa de todos os devedores, responderão todos por partes iguais; se a culpa for só de um, somente este responderá pelas perdas e danos. OBS: As obrigações de dar e fazer podem ser divisíveis ou indivisíveis. Já as de não fazer somente podem ser indivisíveis. Solidariedade X Indivisibilidade - A primeira cai sobre pessoas e a outra sobre objetos. - Se ocorrer a conversão em dinheiro na obrigação indivisível, esta deixa de existir (a obrigação se torna divisível). Se ocorrer a conversão na solidariedade, esta continua a existir. - A solidariedade cessa com a morte, não se transmitindo aos sucessores; já a obrigação indivisível se transmite aos sucessores tal como pactuada. OUTRAS CLASSIFICAÇÕES a) Quanto aos elementos acidentais 1) Obrigações Puras e Simples: não sujeitas a elemento acidental. O credor pode exigir o cumprimento da prestação de imediato. 2) Obrigações Condicionais: são as que contêm cláusula que subordina seu efeito a evento futuro e incerto, podendo ser suspensivas ou resolutivas. 3) Obrigações a Termo (obrigações à prazo): são aquelas que contêm cláusula que subordina seu efeito a evento futuro e certo. Se o devedor cumprir aobrigação de forma antecipada não terá direito de pedir a prestação de volta. 4) Obrigações Modais: são as oneradas de um encargo, um ônus à pessoa contemplada pela relação jurídica (ex.: dou-lhe dois terrenos, mas emum deles deve ser construída uma escola). b) Quanto à autonomia de existência (independência) 1) Obrigações Principais: são as que independem de qualquer outra para ter validade. 2) Obrigações Acessórias: são as que têm sua existência subordinada a outra relação jurídica (ex.: a fiança é uma obrigação acessória em relação ao contrato de locação). A extinção, ineficácia, nulidade ou prescrição da obrigação principal reflete-se na acessória. c) Quanto à liquidez: 1) Obrigações Líquidas: são aquelas certas quanto à existência e determinadas quanto ao objeto. 2) Obrigações Ilíquidas: são aquelas incertas quanto à sua quantidade; dependem de uma apuração prévia, posto que o montante da prestação ainda é indeterminado. Para que a obrigação ilíquida seja cobrada, é necessário que antes seja tornada líquida (certa e determinada). d) Quanto ao momento para o cumprimento 1) Obrigações Instantâneas: são aquelas em que a contraprestação do devedor é simultânea à prestação do credor; elas são cumpridas de imediato. Ex: Compra e venda. 2) Obrigações Fracionadas: quando o objeto do pagamento é fracionado em prestações. 3) Obrigações Diferidas: quando a execução é realizada em um único ato, porém em momento posterior ao surgimento da obrigação (ex.: compra evenda com pagamento à vista, mas a entrega da coisa se dará em 30 dias). 4) Obrigações de Trato Sucessivo (periódicas ou de execução continuada): quando o cumprimento se dá por meio de subvenções periódicas (se protrai no tempo), resolvendo-se em intervalos de tempo (regulares ou não). Ex.: obrigação do inquilino em pagar aluguel; Obrigações para a doutrina: - Obrigações propter rem (em razão da coisa) ou ob rem (diante da coisa): O devedor não se obriga por sua vontade, mas sim por ser proprietário do bem. Os exemplos mais comuns emconcurso são os das taxas de condomínio e do pagamento doIPTU. Dessa forma, quem adquire uma casa será responsável pelo IPTU, ainda que a dívida seja anterior à compra. - Obrigações Naturais (também chamadas de imperfeitas, incompletas ou obrigações morais): são aquelas em que o credor não possui instrumento judicial para exigir a prestação do devedor. O pagamento é considerado válido e irretratável, sendo que ele não pode pedir de volta (repetir) a quantia que foi paga. Por outro lado, havendo um pagamento parcial, isso não transforma a obrigação natural em obrigação civil, e nem obriga o pagamento do saldo remanescente. CLÁUSULA PENAL: É pacto acessório expresso, que impõe uma penalidade pela inexecução parcial ou total da obrigação (infração contratual) ou pela mora (atraso oudemora) no cumprimento da obrigação. É pactuada em caso de violação docontrato, motivo pelo qual é também chamada de multa contratual ou pena convencional. O limite da cláusula penal compensatória é o valor da obrigação principal Pode ser: - Compensatória: estipulada para a hipótese de inadimplemento total da obrigação. - Moratória: estipulada para evitar o retardamento culposo no cumprimento da obrigação ou em segurança especial de outra cláusula determinada. OBS: uma obrigação pode ter até três cláusulas penais diferentes. Uma compensatória para o total inadimplemento da obrigação e mais duas moratórias: uma para o caso de atraso e outra para o caso de cumprimento de forma diversa da combinada. OBS: Cláusula Penal X Astreinte: A cláusula penal é pactuada pelas partes e o Juiz condena o inadimplenteao pagamento da multa observando o art. 412, CC, pois o valor não pode aoda obrigação principal. A astreinte (multa cominatória) é imposta pelo Juiz enão há um limite de valor fixado para a cominação. OBS: Havendo mais de um devedor e sendo a obrigação indivisível, incorrendo um devedor em falta, todos incorrerão na pena, aquele que não for culpado terá direito de ação regressiva contra o que deu causa à aplicação da pena. Havendo mais de um devedor e sendo a obrigação divisível, incorrendo apenas um devedor em falta, só ele (ou seu herdeiro) responde e incorre na pena de forma proporcional à sua obrigação. DOS EFEITOS DAS OBRIGAÇÕES: em regra, as obrigações se transferem aos herdeiros (ou seja, elas se transmitem aos sucessores em caso de morte dodevedor), que deverão cumpri-las até o limite das forças da herança, salvo quando se tratar de obrigação personalíssima, isto é, contraída ematenção às qualidades especiais do devedor (ex.: obrigação de um pintorfamoso que faleceu sem realizar a obra: por ser uma obrigaçãopersonalíssima, não se transmite aos seus herdeiros). EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES Uma de suas características essenciais é ser temporária. I. PAGAMENTO DIRETO Pagamento é o cumprimento espontâneo da prestação, sendo modo de extinção natural de uma obrigação. OBS: Adimplemento substancial: Ocorre quando o devedor quita parte substancial da obrigação. O adimplemento substancial do contrato pelo devedor não autoriza ao credor a propositura de ação para a extinção do contrato, salvo se demonstrada a perda do interesse na continuidade da execução, que não é o caso. No entanto, não se perde o direito de obter o restante do crédito, inclusive eventuais indenizações, podendo ajuizar ação de cobrança para tanto. Requisitos Essenciais para o Pagamento: existência de um vínculo obrigacional, animus solvendi (intenção de solver, de pagar), cumprimento exato do que é devido, partes. A) ELEMENTOS SUBJETIVOS DO PAGAMENTO: solvens e accipiens. 1) QUEM DEVE PAGAR (“solvens”): Geralmente o devedor, mas pode também os representantes legais, tutores, curadores, mandatários, advogado e outras pessoas abaixo: - Qualquer pessoa interessada na extinção da dívida: qualquer pessoa que eventualmente possa ser responsabilizada pelo débito. O exemplo clássico é o do fiador. Pagando, o fiador se sub-roga nos direitos do credor, sendo-lhe transferidos todos os direitos, ações e garantias docredor anterior. O credor não pode serecusar em receber o pagamento; havendo recusa, cabe ação deconsignação em pagamento. -Terceiro não interessado: Juridicamente não está obrigado. Ex: Pai paga dívida do filho. Se age em seu próprio nome, tem direito ao reembolso do que pagou mas não se sub-roga nos direitos do credor. Nem credor nem devedor podem recusar-se a esse pagamento. Se o terceiro age em nome e por conta do devedor, tem direito ao reembolso do que foi pago, exceto se for doação (deve estar expresso no documento). No entanto, não haverá reembolso ao terceiro (seja interessado ou não) se o devedor tinha meios de ilidir (evitar) a cobrança, por exemplo prescrição, compensação etc. 2) A QUEM SE DEVE PAGAR (“accipiens”): Em regra é o credor. O credor não é obrigado a aceitar pagamento parcial. O pagamento deve ser feito ao credor, seus representantes ou sucessores dele. Fora daí, o pagamento só vale se o credor ratificar (confirmar) o recebimento ou se este, comprovadamente, reverter em seu proveito (art. 308, CC). O pagamento também não valerá se: a) o devedor efetua o pagamento a credor incapaz de quitar (ex.: absolutamente incapaz); b) o credor estiver impedido legalmente de receber (ex.: crédito penhorado). Se o pagamento for feito a pessoa errada, o devedor deve pagar novamente, salvo se provar que a culpa foi do credor. OBS: No entanto, há uma exceção a esta regra: o pagamento feito de boa-fé ao credor putativo (onde há uma suposição de legitimidade) é válido, ainda que provado depois que ele não era credor verdadeiro. B) ELEMENTOS OBJETIVOS: objeto e prova do pagamento: O objeto do pagamento é a prestação. São nulas asconvenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos previstos na legislação especial (ex.: contratos referentes a importação e exportação de mercadorias). Prova do Pagamento: O devedor que paga tem direito à quitação, fornecida pelo credor. Se o credor se recusar em fornecer a quitação o devedor pode reter o pagamento até que a mesma seja fornecida e até exigi-la judicialmente. Se o credor promover a cobrança judicial da dívida, cabe ao devedor o ônus de demonstrar que o pagamento foi realizado. A quitação pode ser dada por instrumento particular tendo o documento elementos essenciais, porém ainda que eles faltem, valerá a quitação se houver prova de que o valor foi revertido para o credor. A quitação não é prova exclusiva do pagamento. Ou seja, este pode ser demonstrado por outras provas como testemunhais (contratos de até 10 salários mínimos), confissões, presunções, etc. Com a quitação da última prestação, presume-se o pagamento das demais, mas é uma presunção relativa, que admite prova em contrário. OBS: Aquele que demandar por dívida já prescrita (no todo ou em parte), sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir. C) LUGAR DO PAGAMENTO Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias. Se forem designados dois ou mais lugares para o pagamento é o credor quem escolherá em qual deles a prestação será realizada. Ocorrendo motivo grave para que não se efetue o pagamento no lugar pactuado, o devedor poderá fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir que o credor renunciou ao previsto no contrato. Sobre o local do pagamento existem duas situações: - QUÉRABLE (quesível): quando o pagamento se faz no domicílio do devedor. - PORTABLE (portável): quando se estipula expressamente no contrato que o local do cumprimento da obrigação é o domicílio do credor. D) TEMPO DO PAGAMENTO O momento em que se pode reclamar a dívida chama-se vencimento. Salvo disposição em contrário, não se ajustando uma data determinada para o pagamento, o credor pode exigir seu cumprimento imediatamente. O credor não pode exigir o pagamento antes do vencimento. No entanto, admite-se a cobrança antecipada da dívida em situações excepcionais: - Abertura de concurso creditório, ou seja, uma ação de execução contra o devedor (insolvência civil), ou quando ele falir, etc. - Se os bens dados em garantia real forem penhorados em uma ação de execução por outro credor. - Se cessarem ou tornarem-se insuficientes as garantias reais ou fidejussórias e o devedor se negue a reforçá-las. Esclarecendo: garantiareal é o penhor, a hipoteca e a anticrese; garantia fidejussória é o mesmo que garantia pessoal, ou seja, a fiança e o aval. MORA Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não o quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. - Inadimplemento absoluto →a obrigação foi descumprida e se tornou inútil ao credor. - Inadimplemento relativo (mora) →a obrigação não foi cumprida no tempo, lugar ou forma convencionados, mas ainda pode ser útil ao credor. 1) Mora do Devedor(mora solvendi ou debitoris): Ocorre quando o devedor, por sua culpa, não cumpre a prestação devida na forma, tempo e lugar estipulados. Credor pode exigir juros moratórios, a correção monetária, a cláusula penal ou multa contratual (se houver previsão expressa) e a reparação de qualquer outro dano ou prejuízo que porventura tenha sofrido. A mora do devedor pode ser dividida em: 1.1) Mora ex re: decorre de fato previsto em lei ou em contrato, implicando o devedor em mora automática, sem qualquer outra providência do credor. 1.2) Mora ex persona (ou pendente): quando não houver estipulação de uma data certa para a execução da obrigação, a mora depende de uma providência do credor (ex.: interpelação judicial ou extrajudicial notificação, etc.) 2) Mora do Credor (mora accipiendi ou creditoris): ocorre quando o credor se recusa aceitar o adimplemento (cumprimento) da obrigação no tempo, lugar e forma devidos, sem ter um motivo justo para assim proceder. A mora do credor subtrai o devedor, isento de dolo, à responsabilidade obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas na conservação da coisa, e osujeita a recebê-la pela sua mais alta estimação, se o seu valor oscilar entre otempo do contrato e o do pagamento pela conservação da coisa. OBS: Se os dois incorrerem em mora, a doutrina chama isso de “compensação dos atrasos”. É imprescindível a simultaneidade, pois se forem sucessivas, cada um responde pelas consequências da sua mora. JUROS São os frutos ou rendimentos do capital. Existem duas espécies: 1) Juros Compensatórios: Decorrem de uma utilização consentida do capital alheio; são os rendimentos do capital. 2) Juros Moratórios: constituem uma pena imposta ao devedor pelo atraso (mora) no cumprimento da obrigação,atuando como se fosse uma indenização. São devidos a partir da constituiçãoem mora, independentemente da alegação de prejuízo. Podem ser convencionais (as partes estabelecem) ou legais (não convencionados – existe divergência doutrinária quanto a esta taxa, 1%(CTN) ou SELIC). Recomendamos a leitura de duas súmulas do Superior Tribunal de Justiça: N° 379: “Nos contratos bancários não regidos por legislação específica, os juros moratórios poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês.” N° 382: “A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade”. Purgação da Mora Purgar (ou emendar) a mora é neutralizar os efeitos da mora. Ou seja, a parte que incorreu em mora, corrige, sana a sua falta, de forma voluntária, cumprindo a obrigação que fora anteriormente descumprida, reconduzindo a obrigação à normalidade. Deve ressarcir, também, os eventuais prejuízos causados à outra parte. Pode ser feita pelo devedor ou credor. PAGAMENTO INDEVIDO: O indébito pode ser de duas espécies: a) objetivo (ex.: devedor que paga dívida inexistente, ou no caso em que a dívida existe, mas de alguma forma já foi extinta); b) subjetivo (ex.: dívida paga por quem não é o devedor ou recebida por quem não é o credor). Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita (não sou obrigado a pagar uma dívida prescrita, mas se eu a pagueiespontaneamente... valeu) nem o que se deu para obter fim ilícito ou imoral (ninguém pode se beneficiar se sua própria torpeza). Também não se poderepetir se houve pagamento de dívida ainda não vencida ou se agiu porliberalidade (pois neste caso houve doação). No pagamento indevido o devedor pagou a uma pessoa que comprovadamente não era o credor. Já no pagamento feito a credor putativo a situação é diferente. Credor putativo é o que parece ser credor, mas não é. Ex: Pago dívida a minha dívida ao herdeiro do credor, porém, um tempo depois, o testamento é anulado e ele não é mais o herdeiro. Neste caso eu não preciso pagar o novo herdeiro, o antigo é quem deve pagar ao novo o que recebeu. II. FORMAS ESPECIAIS DE PAGAMENTO 1) Extinção das obrigações com pagamento: consignação, sub-rogação, imputação e dação. 2) Extinção das obrigações sem pagamento: novação, compensação, confusão remissão, transação e compromisso. A) PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO Ocorre quando o credor não quer receber a obrigação. A consignação pode recair sobre bens móveis e imóveis. A consignação pode ser feita judicialmente ou em estabelecimento bancário,nos casos autorizados pela lei. O depósito de coisas somente pode ser feito judicialmente No depósito, enquanto o credor não declarar que aceita ou não o impugnar (alegando valor incorreto), o devedor pode requerer o levantamento da quantia, recebendo devolta o valor e ficando novamente obrigado pelo débito. Julgado procedente o depósito judicial o devedor não poderá mais levantar o valor. A consignação não cabe nas obrigações de fazer e nem nas de não fazer. Exemplos de situações para o Pagamento em consignação: - Se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, estiver declarado ausente, ou residir em lugar incerto, ou de acesso perigoso ou difícil. - Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento. - Se pender litígio sobre o objeto do pagamento ou haver concurso de preferência aberto contra o credor. A ação de consignação pode ser improcedente (devedor fica em mora) ou procedente. Para este último caso o depósito judicial da coisa ou quantia devida produz os seguintes efeitos: exonera o devedor (o depósito equivale ao pagamento); constitui o credor em mora; cessa para o depositante os juros da dívida e os riscos a que estiver sujeita a coisa, transferindo-os para a outra parte (credor); libera os fiadores; impõe ao credor o ressarcimento dos danos que sua recusa causou ao devedor, além do pagamento de despesas feitas para a custódia da coisa, custas processuais, honorários advocatícios, etc. B) PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO Sub-rogação é asubstituição de uma coisa por outra, com os mesmos ônus e atributos (sub-rogação real) ou de uma pessoa por outra, com os mesmos direitos e ações (sub-rogação pessoal).Em outras palavras: é a transferência da qualidade de credor (sub-rogado) para aquele que pagou (sub-rogatário ou sub-rogado) a obrigação alheia. Não se tem a extinção da obrigação, mas sim a substituição do sujeito ativo, pois a terceira pessoa (estranha na relação negocial primitiva) passará a ser o novo credor. Exemplo clássico: o avalista que paga uma dívida pela qual se obrigou, sub-roga-se nosdireitos do credor. 1. LEGAL: Opera-se de pleno direito em favor do: - credor que paga a dívida do devedor comum ao credor. Ex: “A” deve a “B” e “C”. B paga a dívida de A com C e subroga-se nos direitos de C. - adquirente do imóvel hipotecado que paga ao credor hipotecário. - terceiro interessado que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte (é o caso do fiador). 2. CONVENCIONAL Ocorre nas seguintes situações: - Há acordo expresso de vontades. - Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos. Nesta hipótese vigoram as regras da cessão de crédito (da qual falaremos mais adiante). - Quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante (o que emprestou) sub-rogado nos direitos do credor satisfeito. OBS: Na sub-rogação o interesse é garantir a recuperação do que foi despendido pelo terceiro que assumiu a obrigação de satisfazer o credor, ou seja, garante o direito de regresso de quem pagou a dívida de outrem; já na cessão (ou transmissão) o interesse é a circulação do crédito. C) IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO Uma pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem a faculdade de escolher qual deles oferece em pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. Como a imputação do pagamento visa favorecer o devedor, inicialmente cabe a ele escolher o débito que pretende extinguir. Se o devedor não fizer qualquer declaração, transfere-se o direito ao credor. E se nenhum deles se manifestar a imputação será feita pela lei, obedecendo-se alguns critérios legais: - Havendo capital e juros, o pagamento será feito primeiro nos juros vencidos e depois o capital. - A imputação se fará nas dívidas líquidas que venceram primeiro (dívidas mais antigas). Se todas as dívidas forem líquidas e vencidas ao mesmo tempo, será feita a imputação na mais onerosa. Se, no caso acima, ainda forem iguais e não tiverem juros, a doutrina considera que o valor pago deva ser rateado entre as dívidas. III. PAGAMENTO INDIRETO A) DAÇÃO EM PAGAMENTO – datio in solutum: Trata-se de um acordo de vontades no qual o credor concorda em receber prestação diversa da que lhe é devida (qualquer outra coisa que não seja dinheiro). O acordo pode ser feito antes ou depois do vencimento, podendo ser coisa mais valiosa ou não. A coisa deve ter existência atual; se a existência for futura, trata-se da novação. O devedor responde por eventual vício redibitório (defeito oculto) da coisa entregue. B) NOVAÇÃO – novatio Trata-se da criação de obrigação nova, para extinguir a anterior; é a substituição de uma dívida por outra, extinguindo-se a primeira. Sóhaverá novação se houver um acordo, ou seja, vontade das partes (e nuncapor força de lei). Não pode ser presumida. Extingue os acessórios e também as garantias da dívida, sempre que não houver estipulação em contrário. A novação não produz a satisfação imediata do crédito. Há três espécies de novação I. Objetiva ou Real: quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir a primeira. Há a substituição do objeto da relação jurídica. Ex: Refinanciamento no banco. II. Subjetiva ou Pessoal: quando há a substituição dos sujeitos da relação jurídica. Divide-se em: a) Ativa: substituição do credor. b) Passiva: substituição do devedor. Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, ação regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve a substituição de má-fé. Subdivide-se em: 1) Por expromissão: uma terceira pessoa assume a dívida do devedor originário, substituindo-o sem o consentimento deste, mas desde que o credor concorde com a mudança. 2) Por delegação: a substituição do devedor será feita comconsentimento do devedor originário. Neste deve haver também o aceite do credor. III. Mista: quando, ao mesmo tempo, substitui-se o objeto e um dos sujeitos da relação jurídica. OBS: - Pode haver novação de uma obrigação anulável. - A nova obrigação deve ser válida. Se for nula, a novação será ineficaz e prevalecerá a antiga. Se for anulável e vier a ser anulada, também ficará restabelecida a obrigação anterior. - Importa em exoneração do fiador a novação feita sem o seu consenso com o devedor principal. No entanto, é interessante esclarecer que o fiador continua responsável pelos demais débitos referentes à locação que estão vencendo e não foram objeto da novação. Da mesma forma, quando a dívida novada for solidária, os devedores solidários que não tiverem participado da novação ficarão exonerados da dívida. Não se caracteriza novação a alteração de uma condição, termo ou encargo ou das garantias dadas nem alteração no cálculo da taxa de juros; C) COMPENSAÇÃO Ocorre quando duas ou mais pessoas são ao mesmo tempo credoras e devedoras umas das outras; as duasobrigações se extinguem, até onde se compensarem. As dívidas devem ser líquidas, vencidas e homogêneas. Pode ser total ou parcial. Espécies 1. Legal: independe de convenção entre as partes e opera-se mesmo que uma delas não queira. É obrigatório a fungibilidade dos créditos. 2. Convencional: acordo de vontade entre as partes, estabelecida por meio de um contrato. Não é necessária a fungibilidade. 3. Judicial: decisão do Juiz que percebe o fenômeno durante o trâmite de um processo. Neste caso é necessário que cada uma das partes alegue o seu direito contra a outra; o réu precisa ingressar com a reconvenção (ação do réu contra o autor, no mesmo feito em que está sendo demandado com o fim de extinguir ou diminuir o que lhe é devido). D) CONFUSÃO Juridicamente o termo confusão possui três acepções: - Mistura de diversas matérias líquidas,pertencentes a pessoas diferentes, de tal forma que seria impossível separá-las (modo derivado de aquisição da propriedade móvel). - Reunião (ou consolidação) em uma mesma pessoa de diversos direitos sobre um bem os quais se encontravam anteriormente separados. Ex: Morte do dono do bem, o seu usufrutuário herdeiro vira nu proprietário. - incidência em uma única pessoa e relativamente à mesma relação jurídica, as qualidades de credor e devedor, por ato inter vivos (casamento do credor e devedor) ou causa mortis (credor parente morre e devedor é o seu herdeiro), operando a extinção do crédito. Pode ser total ou parcial. A confusão extingue a obrigação principal e as acessórias. No entanto se a confusão ocorrer somente na obrigação acessória (confusão do fiador e do credor), não importa em extinção da obrigação principal. IV. OUTRAS FORMAS DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO SEM PAGAMENTO Prescrição, caso fortuito ou força maior para o devedor, Implemento de condição ou advento de termo extintivo, remissão de dívida. REMISSÃO DE DÍVIDA Trata-se do perdão da dívida, sendo ato bilateral. Depende da aceitação do remitido (devedor perdoado), que pode consignar em pagamento a dívida. Pode ser total ou parcial. Não confundir com renúncia, que pode incidir sobre determinados direitos pessoais e é ato unilateral. EXECUÇÃO FORÇADA (JUDICIAL) Realizada através de ações judiciais, podendo ser: - Específica: Quando se deseja o cumprimento exato da prestação prometida. - Genérica: quando o credor executa bens do devedor, para obter o valor da prestação não cumprida. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES – CESSÃO Cessão é uma forma de transmissão de obrigações a título oneroso ou gratuito, de um direito ou dever, de forma que o adquirente (cessionário) exerce posição jurídica idêntica à do antecessor (cedente). 1) CESSÃO DE CRÉDITO Trata-se de negócio jurídico bilateral, gratuito (assemelha-se a doação) ou oneroso (assemelha-se a compra e venda), pelo qual o credor de uma obrigação (cedente) transfere, no todo ou em parte, a outra pessoa (cessionário), independentemente da autorização ou consentimento do devedor (cedido), sua qualidade de credor na relação obrigacional, transferindo não só o direito de crédito, mas também todos os acessórios e garantias (salvo disposição em contrário), sem a extinção do vínculo obrigacional. O contrato pode proibir a cessão. O consentimento do cedido (devedor) é desnecessário para a validade do negócio. No entanto a lei determina que a cessão de crédito não terá eficácia em relação do devedor, senão depois de notificado.Se a obrigação for solidária, todos os codevedores devem ser notificados. Em regra não necessita de forma especial, a menos que a escritura pública seja a substância do ato (ex.: cessão que envolva bens imóveis). Pode ser total ou parcial. Espécies - Legal: A regra é que na cessão do crédito principal abrangem-se os acessórios. - Judicial: nasce através de decisão judicial após o trâmite de um processo civil regular (ex.: uma adjudicação). -Convencional: nasce da manifestação de vontade entre cedente e cessionário - Pro soluto: quitação plena e imediata do débito do cedente para com o cessionário, exonerando o cedente. - Pro solvendo: a transferência do crédito é feita com intuito de extinguir a obrigação. No entanto esta não se extingue de imediato, mas apenas quando o crédito for efetivamente cobrado. O cedente pode ser executado pela insolvência do devedor. 2) CESSÃO DE DÉBITO – ASSUNÇÃO DE DÍVIDA Trata-se de um negócio jurídico bilateral, pelo qual o devedor (polo passivo da obrigação), com a anuência do credor, transfere a um terceiro (novo devedor ou assuntor) os encargos obrigacionais. Ocorre a substituição do devedor, sem alteração na substância do vínculo obrigacional. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor. O exemplo clássico é a fiança, que será extinta. Isto porque o fiador não é obrigado a garantir um novo devedor que sequer conhece. No entanto as garantias reais (penhor ou hipoteca) ficam mantidas, pois elas dizem respeito ao objeto e não aos sujeitos. Se a substituição do devedor for anulada, restaura-se o débito com todas as suas garantias, salvo as prestadas por terceiros. A cessão de débito pode ser realizada: a) por expromissão: terceiro assume espontaneamente o débito da outra, independentemente do consentimento do devedor primitivo; o devedor originário não toma parte nessa operação. Pode ser: a) liberatória, quando o devedor primitivo se exonera completamente da obrigação (assunção de dívida perfeita) ou b) cumulativa (assunção imperfeita ou de reforço), quando o expromitente entra na relação como novo devedor, ao lado do devedor primitivo (soma-se mais um devedor). b) por delegação: o devedor (delegante) transfere o débito a terceiro (delegado), com anuência do credor (delegatário). O terceiro substitui o devedor primitivo com o consentimento deste. 3) CESSÃO DE CONTRATO (cessão de crédito e débito) A diferença deste instituto para os anteriores é que neste transfere-se a terceiro todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato, enquanto nas outras modalidades só ocorre um deles de modo isolado (ou só o crédito ou só o débito). A parte que não participa da cessão deve declarar sua anuência com o negócio, sob pena da cessão perder sua validade. Ex: Contrato de aluguel em que o locatário passa o contrato a outro, este assume a responsabilidade de continuar pagando o aluguel e por outro lado tem o direito de usar o imóvel locado. DOS CONTRATOS EM GERAL É o acordo de duas ou mais vontades que visa à aquisição, resguardo, transformação, modificação ou extinção de relações jurídicas de natureza patrimonial. É negócio jurídico bilateral ou plurilateral em que as partem perseguem interesses patrimoniais lícitos. Existe o pólo ativo e passivo, mas a doutrina considera ainda o autocontrato, em que uma pessoa ocupa os dois polos. Vigora a liberdade de forma, mas ela pode ser exigida para efeito de prova ou requisito de validade. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS 1. Existência de duas ou mais pessoas (naturais e/ou jurídicas). 2. Capacidade plena das partes para contratar. Se as partes não forem capazes o contrato poderá ser nulo (absolutamente incapaz que não foi representado) ou anulável (relativamente incapaz que não foi assistido). 3. Consentimento: vontades livres e isentas de vícios (erro, dolo, coação, etc.). Os interesses são contrapostos. 4. Objeto do contrato (prestação). Não confundir objeto com a coisa sobre a qual incide a obrigação. O objeto é a atuação das partes no contrato. Subdivisões: a) Licitude: o objeto não pode ser contrário à lei, à moral, aos princípios da ordem pública e aos bons costumes. b) Possibilidade física e jurídica: A inobservância deste preceito também gera nulidade absoluta do contrato. c) Certo, determinado, ou, pelo menos, determinável: Se o objeto for indeterminado, o contrato será considerado inválido. d) Economicamente apreciável: deverá versar sobre o interesse capaz de se converter, direta ou indiretamente, em dinheiro. 5. Forma prescrita ou não defesa em lei. A regra é que a forma é livre. Pode ser verbal, por meio de um simples gesto. Somente quando não se exigir uma forma especial é que ele pode ter forma livre. Qualquer vício referente à forma torna o contrato nulo. OBS: A corrente mais forte no Brasil considera o casamento como um contrato especial de direito de família. PRINCIPIOS FUNDAMENTAIS a) Princípio da Autonomia da Vontade: Liberdade de contratar ou não, liberdade para estipular a espécie contratual e o conteúdo das estipulações como melhor lhes convier. b) Principio da Observância(ou supremacia) das Normas de Ordem Pública: Restrições na lei, moral e bons costumes. c) Principio da Obrigatoriedade das Convenções: as partes devem cumprir fielmente o pactuado, sob pena de execução patrimonial, pois” o contrato faz lei entre as partes”.E não se pode alterar o seu conteúdo unilateralmente. Se o contrato não for cumprido, pode ocorrer a pena de execução patrimonial contra o inadimplente, exceto nos casos previstos. d) Principio da Equivalência Material das Prestações: impõe que os direitos e deveres entre os contraentes devem guardar equilíbrio entre si. e) Principio da Relatividade dos Efeitos do Contrato: O contrato tem efeito interpartes (e não erga omnes). Existem exceções como as convenções coletivas. f) Principio da Boa-fé Objetiva: Segundo ele as partes devem agir com lealdade, probidade (honestidade) e confiança reciprocas, com o dever de cuidado, cooperação, informando o conteúdo do negócio e agindo com equidade e razoabilidade (usam-se os termos transparência, veracidade, diligência e assistência).São funções dela: - Função interpretativa: orienta o Juiz na interpretação do contrato. - Função constitutiva de deveres anexos ou de proteção: deveres implícitos e invisíveis de proteção, que quando descumpridos, podem gerar responsabilidade civil. Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no Código Civil, a violação dos deveres anexos é espécie de inadimplemento, independentemente de culpa” (ou seja, responsabilidade objetiva). - Funções Reativas da Boa-fé Objetiva: Existem 4: A Nemo potest venire contra factum proprium (proibição ao comportamento contraditório) proíbe que os contratantes ajam de forma inesperada, contrário ao que já estava ocorrendo no desenrolar do contrato, acarretando assim prejuízos à outra parte. A Supressio consiste na perda (supressão) de um direito pela falta de seu exercício por razoável lapso temporal. Surrectio corresponde ao surgimento de um direito exigível pelo outro sujeito da mesma relação jurídica (Exemplo do devedor que paga em local divergente do contratado reiteradas vezes com a anuência do credor). Tu quoque (até tu) ocorre nas situações em que em que uma das partes adota comportamento oposto ao seu próprio, quando imputa ao outro, conduta contratual inadequada, valendo-se assim de dois pesos e duas medidas, colocando a outra parte em situação de injusta desvantagem (Ex.: um dos contratantes, antes de cumprir a sua parte no contrato, exige o cumprimento da prestação do outro contratante). OBS: duty to mitigate the loss (evitar o agravamento): Vem sendo aceito pelo STJ. Por este princípio o titular de um direito (credor) deve, sempre que possível, atuar para minimizar a extensão do dano, mitigando, assim, a gravidade da situação do devedor.Ex: A bate em B. Tempo depois verifica-se uma pequena chama no carro de B, que nada faz para apagá-la, afim de ganhar um carro novo do seguro. Se ficar demonstrado que o credor poderia ter atuado para minimizar o dano evitável, não fará jus a um carro novo; apenas receberá o valor correspondente à colisão inicial. Existe também a Boa-fé Subjetiva, onde a pessoa que realiza um determinado ato não tem ciência de eventual vício. O exemplo clássico da boa-fé subjetiva é o do possuidor que desconhece o vício que macula a sua posse. Nesse caso a lei ampara esse possuidor de boa-fé, não fazendo o mesmo se o possuidor está de má-fé. f) Principio da Função Social do Contrato: a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato, que na prática é uma tentativa de se reduzir as desigualdades substanciais entre os contratantes (equilíbrio contratual). Compatibiliza-se as pretensões dos particulares com os anseios da coletividade, ou seja, o contrato não pode ser mais visto somente pela ótica individualista, uma vez que possui um sentido social para toda a comunidade. Tal princípio tem como funçõesbásicas: a) abrandar a força obrigatória do contrato; b) coibir cláusulas abusivas, gerando nulidade absoluta das mesmas; c) possibilitar, sempre que possível, a conservação do contrato e o seu equilíbrio; d) possibilitar a revisão do contrato quando o mesmo contiver alguma onerosidade excessiva. Observem que não foi eliminada a autonomia contratual ou a sua obrigatoriedade, mas apenas se atenuou ou reduziu o seu alcance quando presentes interesses individuais. Considera-se violado o princípio da função social dos contratos quando os efeitos externos do pacto prejudicarem injustamente os interesses da sociedade ou de terceiros não ligados ao que foi pactuado. FORMAÇÃO DOS CONTRATOS De um lado temos o proponente ou policitante. De outro lado temos o aceitante ou oblato. Sem este mútuo consenso, não haverá contrato. a) NEGOCIAÇÕES PRELIMINARES – FASE PRE-CONTRATUAL É a chamada fase das tratativas (ou puntuação), sem que haja uma vinculação jurídica entre os participantes, não se criando ainda obrigações (há apenas uma expectativa de direito). Nesta fase é obrigatória a observância dos princípios da boa fé e probidade, podendo haver responsabilidade civil (extracontratual) caso sejam desrespeitados. Os contratos possuem basicamente duas fases: 1) PROPOSTA: Também é chamada de oferta, solicitação, policitação ou oblação. Feita a proposta, vincula-se o proponente; caso ela não seja mantida, obriga a perdas e danos. As propostas podem ser entre ausentes (ex: carta) ou entre presentes. A noção de presença e ausência nada tem a ver com distância ou espaço físico, mas sim com a possibilidade de aceitação imediata. OBS: há dúvida quanto aos contratos celebrados pela internet. Se os dois estiverem conectados ao mesmo tempo, considera-se entre presentes. A proposta deixa de obrigar, se: - o próprio contrato possui uma cláusula de não obrigatoriedade da proposta. - feita sem prazo determinado a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. - feita sem prazo a pessoa ausente, deve-se aguardar um lapso de tempo suficiente para que a oferta chegue ao destinatário e a resposta retorne ao conhecimento do proponente, calculando-se o tempo conforme o meio de comunicação. - feita a pessoa ausente, com prazo determinado, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo estipulado - antes da proposta ou juntamente com ela, chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente (válido também para o aceitante). OBS: Nas propostas ou ofertas ao público, a oferta pode ser corrigida, revogada ou cancelada pela mesma via de sua divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada. Ex: Panfletos de mercados – frases como: enquanto durar o estoque. OBS: A morte ou a superveniente incapacidade (e interdição) do proponente não retira a força vinculante da proposta; esta continua a vincular seus herdeiros ou responsáveis pelas consequências jurídicas do negócio (salvo se se tratar de um contrato personalíssimo). 2) ACEITAÇÃO: É a manifestação da vontade do destinatário (oblato). Não é necessária determinada forma, salvo nos contratos solenes, podendo ser expressa (maioria) ou tácita (exceções). Deve corresponder a uma adesão integral à oferta. Se o contrato for entre ausentes, havendo um prazo determinado, a aceitação deve chegar a tempo, isto é, dentro do prazo marcado. Se a aceitação chegar após o prazo, sem culpa do aceitante (ex.: atraso no correio), o proponente deverá avisar o aceitante, sob pena de responder por perdas e danos, sobre a não conclusão do contrato, pois é possível que o aceitante imagine que o contrato está perfeito e já comece a realizar despesas necessárias ao cumprimento. Se o ofertante (ou policitante) não estipulou qualquer prazo, a aceitação deverá ser manifestada dentro de tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente. A aceitação fora do prazo, ou com adições, restrições, modificações,corresponde a uma nova proposta. 3) CONCLUSÃO: Entre Presentes: momento da aceitação da proposta (Teoria da Recepção). Entre ausentes: regra adotada pela corrente majoritária (admiteexceções): Teoria da Agnição (declaração) na forma da Subteoria da Expedição, ou seja, no momento em que a aceitação é expedida (colocada no correio), real ou virtual (e-mail). No entanto há ferrenhos defensores da Subteoria da recepção (é necessário que a resposta chegue materialmente às mãos do policitante). O núcleo do contrato é o consentimento: Proposta + aceitação. LUGAR DA CELEBRACAO DO CONTRATO: o contrato é celebrado no lugar onde foi proposto. No entanto admite-se previsão em contrário, desde que expressa no contrato. b) CONTRATO PRELIMINAR As partes podem firmar um contrato-promessa (pactum in contrahendo), sendo que se comprometem a celebrar o contrato definitivo posteriormente. O objeto do contrato preliminar é exatamente a celebração do contrato definitivo. As partes se denominam promitentes. Se uma das partes desistir do negócio sem justa causa e não havendo cláusula que permita o arrependimento, a outra parte poderá exigir-lhe, coercitivamente, a celebração do contrato definitivo, sob pena de multa diária, fixada no contrato ou pelo Juiz. Esgotado o prazo estipulado, o Juiz, a pedido do interessado, poderá suprir a vontade da parte inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar (adjudicaçãocompulsória). No entanto se a parte lesada pelo inadimplemento preferir (trata-se de uma opção do credor), pode simplesmente considerar o contrato desfeito e requerer perdas e danos. O contrato preliminar deve conter todos os requisitos do contrato principal a ser celebrado, exceto quanto a forma. CLASSIFICACAO DOS CONTRATOS 1) CONTRATOS UNILATERAIS OU BILATERAIS: O contrato será unilateral quando apenas um dos contratantes assume obrigações em face do outro. É o que ocorre na doação pura e simples. Ex: mútuo, comodato. O contrato será bilateral quando os contratantes são simultânea e reciprocamente credores e devedores uns dos outros, produzindo direitos e obrigações para ambos. O contrato bilateral também é conhecido como sinalagmático. Existem também os plurilaterais -> Consórcio. OBS: Não confundir negócio jurídico com contrato. O contrato é espécie de negócio jurídico bilateral. Entretanto, o contrato subdivide-se ainda em unilateral (duas manifestações de vontade, deveres para apenas um lado) e bilateral (duas manifestações de vontade, deveres para ambos os lados). No negócio jurídico unilateral há apenas uma manifestação de vontade! 2) CONTRATOS ONEROSOS OU GRATUITOS: - Onerosos: ambas as partes assumem ônus e obrigações recíprocas. Os contratantes respondem por evicção e vício redibitório. - Gratuitos (ou benéficos): oneram somente uma das partes, proporcionando à outra uma vantagem, sem qualquer contraprestação (ex.: doação pura e simples, depósito, comodato, etc.). Só respondem por evicção e vício redibitório nas doações com encargos OBS: Parte da doutrina considera o comodato um contrato bilateral imperfeito. Assim, ele se subordina inicialmente ao regime dos contratos unilaterais porque não há uma contraprestação inicial (esta não nasce com o contrato). Ocorrendo um fato eventual, posterior à formação do contrato (dano ocorrido na coisa), surgiria a obrigação da outra parte em indenizar. Outra parte da doutrina considera que não existe bilateral imperfeito e o comodato um contrato unilateral. Emregra gratuito. Mas pode se transformar em oneroso. 3) CONTRATOS COMUTATIVOS OU ALEATORIOS - Comutativo (ou pré-estimado): quando as prestações de ambas as partes são conhecidas (certas e determinadas), guardando entre elas relação de equivalência (senão exata, ao menos aproximada). - Aleatório: é aquele em que a prestação de uma das partes (ou de ambas) não e conhecida com exatidão no momento da celebração do contrato. Depende de uma alea (incerteza). Dividem-se em: A) Coisas Futuras 1. Emptio spei (“venda da esperança”): um dos contratantes assume o risco da existência da própria coisa, ajustando um preço, que será devido integralmente, mesmo que nada se produza, sem que haja culpa do alienante. Ex: Colheita. 2. Emptio rei speratae (“venda de coisa esperada”): se o risco versar sobre a quantidade maior ou menor da coisa esperada (e não da existência). Ex.: contrato um pescador dizendo que compro tudo o que ele pescar e pago “X” pelo quilo de peixe. B) Coisas Existentes: trata do contrato sobre coisas já existentes, mas que estão sujeitas ao risco de se perderem, danificarem ou, ainda, sofrerem depreciação. Ex.: determinada mercadoria é vendida, mas a mesma será transportada de navio até o seu destino final. O comprador então assume o risco de ela chegar ou não ao seu destino; se o navio afundar a venda será válida e o vendedor terá direito ao preço, exceto se já sabia que o navio afundara ao fechar o contrato. 4) CONTRATOS QUANTO AO NOME - Típicos (ou nominados): são os contratos que têm denominação, previsão e regulamentação previstas em lei. - Atípicos (ou inominados): são os contratos criados pelas partes e não têm denominação ou tipificação legal (pode ter denominação informal – Factoring por ex.) 5) CONTRATOS PARITARIOS OU DE ADESAO - Paritários: interessados em pé de igualdade, podem (ao menos em tese) discutir e negociar as cláusulas contratuais. - de Adesão (ou por adesão): Uma das partes elabora o contrato e a outra parte apenas adere às cláusulas já estabelecidas, não sendo possível a discussão ou modificação dessas cláusulas. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio 6) CONTRATOS CONSENSUAIS OU FORMAIS - Consensuais ou não solenes: perfazem pelo simples acordo ou consenso das partes (proposta e aceitação) independentemente da entrega da coisa e da observância de uma forma determinada e especial. Podem ser celebrados inclusive de forma verbal. - Solenes ou formais: são aqueles em que a lei exige uma forma especial. A falta desta formalidade levará à nulidade do negócio. Ex.: a compra e venda de bens imóveis exige escritura pública e registro. 7) CONTRATOS REAIS: São os que para aperfeiçoamento exigem além do acordo de vontades, também a entrega da coisa, que constitui o seu objeto. 8) CONTRATOS DE EXECUCAO INSTANTANEA, DIFERIDA E CONTINUADA - Execuçãoinstantânea (ou imediata): se consumam em um só ato, cumprindo-se imediatamente após sua celebração, mediante uma única prestação. - Execução diferida: também cumpridos em um só ato, mas em um momento posterior à celebração do contrato. Ex: Entrega do bem em 30 dias - Contratos de trato sucessivo (de execução continuada ou periódica): Quando uma parcela é paga a obrigação está quitada. Mas neste instante inicia-se a formação de outra prestação que deverá ser paga no fim do próximo período. 9) CONTRATOS PRINCIPAIS OU ACESSORIOS - Principais: são os que existem por si, exercendo sua função e finalidade independente de outro. - Acessórios: são aqueles cuja existência supõe a do principal, pois visam assegurar sua execução. Ex.: a fiança. 10) CONTRATOS PESSOAIS OU IMPESSOAIS - Pessoais (personalíssimos ou intuitu personae): Somente o devedor pode realizar, não se aceitando o cumprimento por terceiros. Se o devedor não honrar o contrato, haverá perdas e danos; se ocorreu caso fortuito ou força maior estará desobrigado. Ex: Show da banda “X”. - Impessoais: são os que a pessoa do contratante é juridicamente indiferente para a conclusão do negócio. EFEITOS DOS CONTRATOS A) EXCECAO DE CONTRATO NAO CUMPRIDO (arts. 476/477, CC) Também chamado de exceptio non adimpleti contractus: não se aplica nos contratos unilaterais. Já noscontratos bilaterais a regra é que nenhum dos contratantes poderá, antes de cumprir a sua obrigação, exigir a do outro. A mesma regra é aplicada no caso de cumprimento incompleto, defeituoso e inexato da prestação por um dos contraentes. Excepcionalmente será permitido, a quem incumbe cumprir a prestação em primeiro lugar, recusar-se ao seu cumprimento, até que a outra parte satisfaça a prestação que lhe compete ou dê alguma garantia (garantia de Solvabilidade) de que ela será cumprida. No entanto, isso somente é admissível quando, depois de concluído o contrato, sobrevier diminuição em seu patrimônio que comprometa ou torne duvidosa a prestação a que se obrigou. Ex: Pintor descobre que o contratante perdeu patrimônio e poderá não pagar o serviço pode pedir que ele pague adiantado ou dê garantia de que vai pagar. A parte lesada pelo inadimplemento (não cumprimento) daobrigação pela outra parte pode pedir rescisão do contrato, acrescido de perdas e danos. OBS: Clausula solve et repete: Se tiver esta cláusula, a qualquer momento a outra parte pode exigir o pagamento integral, mesmo que ele ainda não tenha cumprido com a sua parte no contrato. B) DIREITO DE RETENÇÃO: É a permissão concedida pela norma ao credor de conservar em seu poder coisa alheia, já que detém legitimamente, além do momento em que deveria restituir, até o pagamento do que lhe é devido. Esse direito está assegurado a todo possuidor de boa-fé que tem direito à indenização por benfeitorias necessárias ou úteis. Exemplo da pessoa possuidora de boa-fé de um imóvel, fez benfeitorias e perde a ação de reintegração de posse. Ela deve ser indenizada e enquanto não for tem o direito de reter o imóvel. C) REVISÃO DOS CONTRATOS – RESOLUÇÃO POR ONEROSIDADE EXCESSIVA: Lastreada na chamada Teoria da Imprevisão. Segundo ela, somente permanece o vínculo obrigatório gerado pelo contrato enquanto ficar inalterado o estado de fato vigente à época da estipulação. No entanto, é possível a revisão ou até rescisão do contrato, caso ocorram, no momento da execução do contrato, fatos supervenientes e imprevisíveis, desequilibrando a base econômica do negócio, impondo a uma das partes uma onerosidade excessiva, ficando a parte liberada dos encargos originários. Esta cláusula implícita é conhecida pela expressão rebus sic stantibus (tentando fazer uma tradução literal teríamos: “o mesmo estado das coisas”; “as coisas ficam como estão”; “pelas coisas como se acham”).A disposição somente se aplica quando ocorrer um fato absolutamente imprevisível, extraordinário e extracontratual (chamado de álea extraordinária) e, além disso, ainda precisa ficar comprovado um enorme desequilíbrio contratual ou a total impossibilidade de seu cumprimento. Caso de nãoaplicação pelo STJ. Nos contratos agrícolas de venda para entrega futura, o risco é inerente ao negócio. Nele não se cogita em imprevisão. D) REGRAS APLICÁVEIS AOS CONTRATOS GRATUITOS a) O Código Civil estabelece que os contratos gratuitos devem ser interpretados restritivamente. b) Os contratos gratuitos que reduzirem o alienante à condição de insolvência (passivo maior que o ativo) são anuláveis pelos credores quirografários. E) ARRAS OU SINAL: Arras ou Sinal e um adiantamento para indicar que as partes chegaram a um acordo final e que o contrato está celebrado. Trata-se de uma quantia em dinheiro ou outra coisa móvel, fungível. a) Se o arrependimento não estiver previsto no contrato: as arras são chamadas de confirmatórias. São uma forma de antecipar parte do pagamento do preço e determinam, previamente, as perdas e danos pelo não cumprimento das obrigações a que tem direito o contraente que não deucausa ao inadimplemento. A parte inocente pode exigir uma indenização suplementar se provar que sofreu um prejuízo maior. b) Se o arrependimento estiver previsto no contrato: as arras, neste caso, são chamadas de penitenciais (se quem deu as arras se arrepende do contrato, perde-as em benefício da outra parte). Se quem se arrependeu foi a pessoa que as recebeu, ficará obrigado a devolvê-las acrescido do equivalente (em outras palavras: quem recebeu as arras deve devolvê-las em dobro). Não haverá indenização suplementar. OBS: Sumula 412 do Supremo Tribunal Federal sobre isso: “No compromisso de compra e venda com clausula de arrependimento, a devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui indenização maior a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo”. Clausula Penal X Arras Penitenciais A cláusula penal somente será exigível em caso de inadimplemento ou mora no cumprimento do contrato. Já as arras penitenciais são pagas por antecipação, sendo um adiantamento do preço, para garantia do cumprimento do contrato, mas não possui um caráter coercitivo, pois permite o arrependimento. F) ESTIPULACAO EM FAVOR DE TERCEIRO É o caso do seguro de vida. Há sempre o estipulante (eu), promitente (seguradora) e o beneficiário (terceiro - esposa). Neste caso, tanto o que estipula a cláusula (estipulante) como o terceiro (beneficiário) têm o direito de exigir do promitente o cumprimento da obrigação. Direitos e deveres surgem independentemente da aceitação do terceiro, exceto se o terceiro manifestou sua aceitação, caso em que não podem os contratantes realizar distrato ou qualquer modificação da prestação sem seu consentimento. G) PROMESSA DE FATO DE TERCEIRO Uma pessoa (promitente-devedor) se obriga com outra (promissário-credor) a obter prestação de fato de uma terceira pessoa, não participante direta do negócio. O exemplo clássico é o que ocorre com um empresário de um cantor famoso que se compromete, em nome do artista, na realização de um show e o cantor não o realiza. O empresário arca com as perdas e danos, exceto caso fortuito e força maior. A promessa pode se dar com ou sem o conhecimento ou consentimento do terceiro. No entanto a promessa não vincula o terceiro. Neste caso o devedor deverá obter o consentimento do terceiro, que irá executar a prestação final. Se o terceiro consentir, executa-se a obrigação do devedor primário, que se exonerará. Se o terceiro não cumprir, o devedor primário será inadimplente, sujeitando-se às perdas e danos. Tal responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge do promitente, dependendo da sua anuência o ato a ser praticado, e desde que, pelo regime do casamento, a indenização, de algum modo, venha a recair sobre os seus bens. H) VICIO REDIBITÓRIO São falhas ou defeitos ocultos (não aparentes) existentes na coisa alienada, objeto de contrato comutativo, que a tornam imprópria ao uso a que se destina ou lhe diminuem sensivelmente o valor, de tal modo que o ato negocial não se realizaria se esses defeitos fossem conhecidos, dando ao adquirente direito para redibir (anular, extinguir) o contrato (devolvendo-se o dinheiro e a coisa defeituosa) ou para obter abatimento no preço. O vício redibitório também se aplica às doações onerosas. Doação onerosa é aquela que possui um encargo: dou-lhe um carro, mas você tem que colocar o IPVA em dia. Não se configura em contratos gratuitos. - O alienante (o vendedor) é sempre o responsável, mesmo alegando que não conhecia o defeito. Se agiu de má-fé arcará com perdas e danos + o valor que recebeu. Se não conhecia o defeito, restituirá apenas o valor recebido, mais eventuais despesas do contrato. - Por outro lado nãohá responsabilidade do alienante se: o adquirente sabia que a coisa era defeituosa e mesmo assim quis recebê-la (renunciou à garantia); o vício se deu por causa posterior à entrega; a coisa pereceu por culpa do comprador ou em virtude de caso fortuito ou força maior. Se o perecimento do objeto foi em consequência do vício, o adquirente tem a sua disposição as seguintes açõesedilícias: a) Açãoredibitória:o adquirente rejeita (devolve) a coisa defeituosa, rescindindo o contrato e reavendo o preço pago mais o reembolso de despesas, e até as perdas e danos (no caso do alienante conhecer o vício, sendo necessária a prova da má-fé do alienante). b) Ação estimatória (também chamada de quanti minoris): o adquirente deseja conservar a coisa, reclamando o abatimento proporcional do preço em que o defeito a depreciou (art. 442, CC). A opção de escolha é de quem adquiriu a coisa. OBS: Não caberá nenhuma reclamação se as partes pactuarem que o alienante não responde por eventuais vícios ocultos. Bem adquirido em hasta pública: não se pode redibir o contrato, nem pedir abatimento do preço (não há previsão legal a respeito). No entanto, se a aquisição do bem for em um leilão de arte ou em uma exposição de animais, a responsabilidade subsiste. O defeito oculto de uma coisa vendida conjuntamente com outra não autoriza a rejeição de todas. Prazos decadenciais de reclamação e propositura das ações: - 30 (trinta) dias →bens moveis. - 01 (um) ano →bens imóveis. - Se o comprador já estava na posse da coisa quando foi realizada a venda o prazo é reduzido pela metade. - Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo será contado do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de cento e oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os imóveis. - Vendas de animais -> Prazo em lei especial ou costumes locais. OBS: Os prazos decadenciais não correm na constância de alguma outra clausula de garantia. No entanto o comprador deve denunciar o defeito ao vendedor nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência. Se uma pessoa adquire um bem de um particular, a reclamação rege-se pelo Código Civil. Mas se ela adquiriu de um comerciante, rege-se pelo Código de Defesa do Consumidor. I) EVICÇÃO Evicção ocorre quando o adquirente de coisa móvel ou imóvel, em contrato oneroso somente, perde o direito de propriedade, posse ou uso, total ou parcialmente, geralmente por sentença judicial ou ato de desapropriação, devido à fato anterior ou contemporâneo a aquisição. Exemplo clássico: A (alienante) vende para B (evicto, adquirente ou evencido) uma fazenda. Quando B toma posse do imóvel percebe que uma terceira pessoa (C – evictor, evencente) já detém a posse daquele imóvel há muitos anos. B Tenta tirar C do imóvel. Mas este, além de não sair, ainda ingressa com uma ação de usucapião. Caso C obtenha a sentença judicial de usucapião, B perderá o imóvel. Vejam: B pagou pelo imóvel e o perdeu em uma ação judicial. Isto é a evicção. Na hipótese concreta, A fica obrigado a indenizar B. Toda pessoa, ao transferir o domínio, a posse, ou o uso a terceiro, nos contratos onerosos, deve resguardar o adquirente contra os riscos de evicção. Trata-se de uma obrigação de fazer, a cargo do alienante, que nasce com o próprio contrato. Regras: - o alienante, nos contratos onerosos (ex.: compra e venda, troca e até nas doações com encargo), responde pelos riscos da evicção, ainda que se tenha adquirido o bem em hasta pública. Subsiste para o alienante a obrigação, ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente. - Não há responsabilidade para o alienante se a perda resulta de caso fortuito ou forca maior, ainda que estes fatos tenham ocorrido durante a lide. Se o adquirente sabia que a coisa era litigiosa e assim mesmo aceitou celebrar o contrato, também não há responsabilidade para o alienante. - A responsabilidade pela evicção não precisa estar expressa no contrato (independe de cláusula expressa), pois ela decorre da lei, operando-se de pleno direito. Caso tenha uma cláusula que o alienante não responde pela evicção, ela é nula. No entanto, neste caso, a responsabilidade do vendedor consistirá apenas na devolução do preço. A) Clausula expressa de exclusão da garantia + ciência específica do risco pelo adquirente + assunção integral do risco pelo adquirente = isenção total do alienante da responsabilidade. b) Clausula expressa de exclusão da garantia – ciência do risco pelo adquirente ou de ter assumido o risco = responsabilidade do alienante apenas pelo preço pago pela coisa evicta. c) Omissão da cláusula = responsabilidade total do alienante + perdas e danos. A evicção pode ser total ou parcial. A parcial ocorre quando a perda é inferior a 100% do valor da coisa. Já o art. 455, CC fala em evicção parcial considerável (a doutrina 50% a 99% - Neste caso o adquirente (evicto) pode rescindir o contrato, com todas as perdas e danos ou exigir a restituição do preço da parte evicta) e não-considerável (entre 1% e 49% - evicto pode pleitear somente o valor do desfalque). O adquirente deve, assim que for instaurado contra si o processo judicial, chamar o alienante para integrar o processo (art. 456, CC). Trata-se de um instituto de Direito Processual Civil, chamado denunciação a lide, que é obrigatório para que o evicto (adquirente) possa ao menos ser reembolsado daquilo que pagou pela propriedade, sem receber a coisa. Se assim não proceder (não denunciar a lide) perderá os direitos decorrentes da evicção, não mais dispondo de ação direta para exercitá-los. A denunciação se justifica posto que o alienante precisa saber da pretensão do terceiro reivindicante, uma vez que irá suportar as consequências da decisão judicial. J) CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR Neste tipo de contrato uma das partes tem a faculdade de indicar outra pessoa que irá adquirir direitos ou assumir obrigações nele previstas (salvo se a obrigação for personalíssima), desde o momento em que foi celebrado. Em regra a indicação deve ser comunicada à outra parte no prazo de cinco dias da conclusão do contrato, mas as partes podem escolher outro prazo bem maior. EXTINÇÃO DA RELAÇÃO CONTRATUAL A) CAUSAS ANTERIORES OU CONTEMPORANEAS - Nulidade: é uma sanção pela qual se retira os efeitos do contrato porque não houve a observância de normas jurídicas atinentes a seus requisitos subjetivos, objetivos e formais (capacidade, objeto, consentimento, forma, etc.). Ela pode ser: a) absoluta (arts. 166 e 167, CC): é a nulidade de pleno direito; o contrato não produz efeitos desde sua formação (efeito ex tunc); não pode ser confirmado nem se convalesce com o decurso de prazo. Ex.: absolutamente incapazes, objeto ilícito, etc. b) relativa (art. 171, CC): os efeitos subsistirão até a data de sua anulação (ex nunc); produz efeitos durante todo esse tempo, admitindo a confirmação e purificando-se pelo decurso de prazo se não alegada no momento correto. Ex.: relativamente incapazes, erro, dolo, etc. - Condição resolutiva: a) expressa: os contratantes podem estipular no contrato a cláusula de forma expressa. b) tácita: está implícita em todo contrato bilateral. - Arrependimento: um contrato pode conter cláusula prevendo a possibilidade das partes se arrependerem; assim qualquer dos contratantes pode exercer tal direito, extinguindo o contrato, mediante declaração unilateral de vontade dentro do prazo contratualmente fixado, ou, não havendo esta previsão, antes da execução do contrato, pois uma vez cumprida a prestação, ocorre a renúncia ao direito de arrependimento. B) CAUSAS SUPERVENIENTES - Resolução por inexecução voluntaria: a prestação não é cumprida por culpa do devedor. Sujeita o inadimplente ao ressarcimento por todas as perdas e danos materiais (danos emergentes e lucros cessantes) e morais. - Resolução por inexecução involuntária: a prestação não é cumprida, sem que haja culpa do devedor. Afasta-se qualquer indenização por perdas e danos; - Resolução por onerosidade excessiva: ocorre um evento extraordinário e imprevisível (à data da celebração do contrato), que impossibilita ou dificulta extremamenteo adimplemento do contrato, tornando excessivamente onerosa a prestação de uma das partes (com extrema vantagem para a outra). - Resilição bilateral ou distrato: trata-se de um novo contrato em que ambas as partes, de forma consensual, acordam pôr fim ao contrato anterior que firmaram. - Resilição unilateral: há contratos que admitem dissolução pela simples declaração de vontade de uma das partes (também chamada de denúncia vazia). Só ocorre excepcionalmente. Os exemplos clássicos ocorrem no mandato, no comodato e no depósito. - Morte de um dos contraentes: como regra, morrendo um dos contratantes, a obrigação se transmite aos seus herdeiros, até o limite das forças da herança. No entanto, nas obrigaçõespersonalíssimas (intuitu personae) a morte é causa extintiva do vínculo. ATOS UNILATERAIS Uma vez emitida esta, torna-se exigível e irretratável, chegando ao conhecimento a quem é dirigida. São casos expressamente previstos: Títulos de Credito, Promessa de Recompensa e Gestão de Negócios (É a intervenção não autorizada de uma pessoa (gestor de negócios) na direção dos negócios de outra (dona do negócio), feita segundo a vontade presumida e por conta desta última pessoa). ESPÉCIES DE CONTRATOS COMPRA E VENDA Aquele em que um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de algo e o outro ao pagamento em dinheiro. Não é o contrato que transfere o domínio, ele serve como fato gerador da transmissão da propriedade; cria a obrigação para a transferência da coisa gerando o direito pessoal.Apropriedade é transferida pela tradição (entrega) ou registro (imóveis). NATUREZA JURÍDICA: Bilateral ou sinalagmático (cria obrigação para ambos); Oneroso; Típico (previsto no código); Comutativo (equivalência de prestações. Pode ser aleatório); Consensual; Translativo do domínio. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Vejamos cada um deles: A) COISA OU OBJETO: deve ser corpórea (móveis ou imóveis) e estar disponível. Os incorpóreos são objetos de cessão de direitos. Não pode: coisas insuscetíveis de apropriação (indisponibilidade natural), legalmente inalienáveis (indisponibilidade legal) e gravadas com cláusula de inalienabilidade (indisponibilidade voluntária). Pode se referir a algo em potencial (frutos por ex.), mas individualizada no momento da execução do contrato. B) PREÇO: pagamento em dinheiro, ou coisas representativas de dinheiro (cheque, nota promissória, etc.). É nulo o contrato em que o preço pode ser fixado ao livre arbítrio de uma das partes, mas pode ser por terceiros ou ã taxa de mercado ou bolsa. C) CONSENTIMENTO: é o acordo de vontade entre os contratantes sobre a coisa. EFEITOS DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA A) Tradição: obrigação do vendedor de entregar a coisa com todos os seus acessórios. B) Garantia: o vendedor deve garantir a qualidade e o bom funcionamento da coisa alienada (contra vícios redibitórios e vícios do produto) e contra evicção. C) Riscos (perigo que a coisa está sujeita): relacionam-se com a responsabilidade, caso a coisa ou preço não seja pago. Risco da coisa (assume o vendedor até a tradição) e Risco do preço (se deteriorar – assume o comprador). OBS: Correm por conta do comprador os riscos das coisas que precisam ser contadas e estão em sua posse ou já tiverem sido colocadas à sua disposição no tempo, lugar e pelo modo ajustados, se o comprador estiver em mora para recebê-las. D) Despesas: correm por conta do vendedor as de tradição e as de escritura, por conta do devedor. E) Complemento de Área: um contrato de venda de terras pode ser feito de duas maneiras: ad mensuram (quando no contrato se fixa área determinada e estipula o preço por medida de extensão)e ad corpus (As partes não estão interessadas em medidas, mas no todo que compõe a gleba (compro a Fazenda Cara Feliz)). F) Certidões Negativas de Impostos: a lei determina que em toda escritura de imóveis devam ser transcritas as negativas de impostos. PROIBIÇÃO DE VENDA - A lei proíbe que os ascendentes vendam aos descendentes quaisquer bens, sem que haja o consentimento dos outros descendentes e do cônjugedo alienante, salvo se casado sob o regime de separação obrigatória de bens, sob pena de anulação doato. Isto porque essa venda poderia simular uma doação em prejuízo dos demais herdeiros. - Os consortes (marido e mulher) não poderão, em regra, fazer contrato entre si, com relação aos bens incluídos na comunhão (nulidade absoluta). Se não está na comunhão, pode vender. PROIBIÇÃO DA COMPRA (MESMO EM HASTA PÚBLICA) - Pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os bens confiados à sua guarda ou administração. - Pelos servidores públicos, os bens da União, dos Estados e dos Municípios, que estiverem sob sua administração direta ou indireta, aplicando-se a mesma disposição aos juízes, arbitradores, ou peritos que, de qualquer modo, possam influir no ato ou no preço da venda. - Pelos juízes, empregados da Fazenda, secretários de tribunais, escrivães e outros oficiais da Justiça, os bens ou direitos, sobre os quais se litigam em tribunal, juízo, ou conselho, no lugar onde esses funcionários servirem ou a que se estender sua autoridade. Pelos leiloeiros e seus prepostos quanto aos bens de cuja venda estejam encarregados e os corretores das Bolsas quanto aos bens a eles confiados. - O condômino, enquanto pender o estado de indivisão, não poderá vender a sua parte a estranho, se o outro condômino a quiser, devendo ser oferecida a este antes da venda. O condômino a quem não se der conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, no prazo de seis meses. CLÁUSULAS ESPECIAIS À COMPRA E VENDA Cláusulas especiais que podem ser inseridas, com o consentimentos dos contratantes, chamadas de pactos adjetos. 1) Retrovenda: é o direito que tem o vendedor de readquirir o imóvel que vendeu, dentro de certo prazo (máximo 3 anos - improrrogável, ininterrupto e insuscetível de suspensão), restituindo ao comprador o preço recebido, mais as despesas feitas pelo comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias. 2) Venda a contento e Venda sujeita a prova: Venda a contento consiste na hipótese de venda feita sob condição suspensiva, em que o negócio não se aperfeiçoa enquanto o comprador nãose declarar por satisfeito. Até o comprador manifestar a vontade, ele fica como um mero comodatário. Não havendo prazo estipulado para a manifestação do comprador, o vendedor terá direito de intimá-lo, judicial ou extrajudicialmente, para que o faça em prazo improrrogável. OBS: venda sujeita a prova (prova um pedaço e leva uma caixa por ex.) ->Na hipótese da coisa não apresentar as qualidades explicitadas pelo vendedor, ela poderá ser enjeitada, aplicando-se as regras do vício redibitório. 3) Preempção, preferência ou prelação: contrato de compra e venda pode conter a cláusula segundo a qual o comprador se obriga a oferecer ao vendedor a coisa objeto do contrato (móvel ou imóvel), se caso o comprador for vendê-la a terceiro ou dá-la em pagamento. Não confundir com retrovenda, pois aqui não há obrigação de recompra. O preço é o mesmo que se vendesse para terceiros. Este direito de preferência é personalíssimo. Prazo máximo para o exercício da preempção: a) se a coisa for móvel, não poderá exceder 180 dias; b) se for imóvel, não poderá exceder 02 anos. Se não houver prazo caducará, em 03 dias se for móvel, ou 60 dias se for imóvel. Se o comprador alienar a coisa sem ter dado ciência ao vendedor do preço e das vantagens que por ela lhe ofereceram, responderá por perdas edanos. Se o adquirente também estiver de má-fé, responde solidariamente.Prelação prevista em lei: - o dono de bem desapropriado caso não tenha sido dado o destino para que se desapropriou ou não for utilizada em obras públicas, pelo preço atual. - o condômino de bem indivisível. - o locatário em relação ao bem locado, no prazo (decadencial) de 30 dias. Se o locador não respeitar o direito de preferência, há duas opções para o locatário preterido: reclamar perdas e danos ou depositar o preço (e demais despesas do ato de transferência) e haver para si o imóvel locado. Nesta última hipótese deve requerer no prazo de 06 (seis) meses, a contar do registro do ato no cartório de imóveis, desde que o contrato de locação esteja averbado pelo menos 30 dias antes da alienação, junto à matrícula do imóvel. 4) Reserva de domínio: O vendedor transfere ao comprador a posse da coisa, mas conserva a propriedade até o pagamento. Ex: Vendo o carro e transfiro a posse para o comprador, mas a propriedade somente quando pagar todas as parcelas. O comprador só pode vender com autorização do vendedor. Se o comprador não pagar as prestações no vencimento, poderá o vendedor: - Pleitear a rescisão do contrato, reintegração de posse da coisa, devolvendo as prestações pagas (deduzidas as despesas); - Mover ação pleiteando a cobrança das prestações vencidas e vincendas, pois o atraso de uma prestação acarreta no vencimento antecipado das demais. 5) Venda sobre documentos: Substitui-se a tradição da coisa, pela entrega de seu título representativo ou outros documentos exigidos no contrato. O vendedor, entregando os documentos, se libera da obrigação e tem direito ao preço; o comprador, na posse justificada de tais documentos, pode exigir do transportador a entrega da mercadoria. 6) Pacto Comissório: a cláusula por força da qual se opera a extinção (resolução) dos direitos contratuais da parte contratante que não cumpre a sua prestação. Não está mais no CC, mas não é proibida. TROCA OU PERMUTA (ESCAMBO) O contrato de troca ou permuta é aquele pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra coisa que não seja dinheiro. A permuta encerra uma dupla venda, onde cada um dos permutantes pagará metade das despesas da troca, além de pagar, cada um, o imposto sobre o valor do bem adquirido. NATUREZA JURÍDICA: Trata-se de um contrato bilateral, oneroso, comutativo e translativo de propriedade (há duas tradições, duas entregas). OBJETO: O objeto da permuta há de ser dois bens que puderem ser vendidos, mesmo sendo de espécies diversas e valores diferentes. Aplicam-se as mesmas disposições relativas à compra e venda (em relação às garantias, vícios redibitórios, evicção, etc.). Diferenças: - o vendedor, uma vez entregue a coisa vendida, não poderá pedir-lhe a devolução no caso de não ter recebido o preço; já o permutante terá o direito de repetir o que deu, se a outra parte não lhe entregar o objeto permutado. (Lembrando que repetir é devolver). - é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem o expresso consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante; se os valores forem iguais a troca é válida. CONTRATO ESTIMATÓRIO (VENDA EM CONSIGNAÇÃO) É o negócio jurídico em que alguém (consignatário) recebe de outrem (consignante) bens móveis, ficando autorizado a vendê-los, obrigando-se a pagar um preço estimado previamente, se não restituir as coisas consignadas, dentro do prazo ajustado. NATUREZA JURÍDICA: bilateral, oneroso, real (exige a entrega), comutativo, informal e temporário. EFEITOS: - o consignante não poderá dispor da coisa antes de lhe ser restituída ou de lhe ser comunicada a restituição. - a coisa consignada não poderá ser objeto de penhora pelos credores do consignatário, enquanto não for pago integralmente o seu preço. - o consignatário deverá pagar as despesas de custódia e venda. - consignatário pagará a restituição caso a coisa consignada se tornar impossível, ainda que por fato a ele não imputável. DOAÇÃO É o contrato pelo qual uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra (donatário), que os aceita. NATUREZA JURÍDICA: Unilateral, gratuito, consensual, necessita aceitação (pode ser tácita, caso termine o prazo estipulado pelo doador para recusa). Se a doação for com encargos, exige-se a forma expressa. Forma escrita, exceto para bens móveis de pequeno valor. Ato inter vivos. CAPACIDADE ATIVA PARA DOAR - Os absoluta ou relativamente incapazes em regra não podem doar, nem mesmo por meio de representantes legais, visto que tais liberalidades não são feitas no interesse do representado. O pródigo (pessoa que dissipa seus bens; dilapida seu patrimônio) pode doar, desde que assistido por seu curador, que dará ou não sua anuência para o ato. - O cônjuge adúltero não pode fazer doação a seu cúmplice, sob pena de anulabilidade (pleiteada pelo cônjuge inocente ou seus herdeiros necessários, no prazo decadencial de até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal). - Os consortes (marido e mulher) não podem fazer doações entre si se o regime for da comunhão universal; se outro for o regime, não havendo disposição em contrário, nada obsta a doação, importando em adiantamento do que lhes couber por herança. REQUISITOS OBJETIVOS PARA A DOAÇÃO Esta coisa pode se referir a bem móvel ou imóvel; corpóreo ou incorpóreo; presente ou futuro. - Uma pessoa não pode doar todos os seus bens (doação universal), sem reserva de parte ou renda suficiente para sua subsistência (art. 548, CC). Nula será tal doação. Mas a proibição será eliminada se o doador se reservar o usufruto dos bens (ex: doa apto e continua morando). - Se com a doação o doador ficar insolvente, os credores podem anulá-la. - As pessoas que não podem contratar (os incapazes, relativa e absolutamente) podem aceitar doações puras (sem encargos). A doação feita ao nascituro é válida, desde que aceita pelos pais e somente se efetivará se houver o nascimento com vida do nascituro. ESPÉCIES DE DOAÇÃO - Pura e simples ou típica: não se impõe nenhum ônus. - Condicional: se subordina a ocorrência de um acontecimento futuro e incerto. - A termo: quando contém um termo inicial ou final. Ex: doei um sítio a João, que terá o direito de usá-lo durante dez anos. Depois João poderá usá-lo. - Contemplativa: ocorre quando a pessoa doa e declara o motivo da doação. Ex: Doei pelos excelentes serviços prestados. - Subvenção periódica: o doador estipula rendas ao donatário em periodicidade. Acaba com a morte do donatário. Se o doador morrer, pode continuar até o limite da herança, caso esteja estipulado. - Com encargo ou modal ou onerosa: quando o doador impõe ao donatário alguma incumbência em seu benefício, em proveito de terceiro ou de interesse geral. Ex.: doei um terreno com a obrigação de o donatárioali construir uma escola; Pode ser revogada por inexecução do encargo. Têm legitimidade para exigir o cumprimento do encargo o próprio doador, o terceiro por ele beneficiado, ou mesmo o Ministério Público (após a morte do doador), se o encargo for em benefício de interesse geral. Caso a doação não estabeleça um prazo para o cumprimento do encargo, pode o beneficiário conceder um “prazo razoável”, devendo constituir o donatário em mora por meio de uma interpelação judicial ou notificação. - Remuneratória: é aquela que tem por finalidade recompensar ou agradecer um serviço ou favor prestado pelo donatário ao doador. A parte que corresponde à retribuição do serviço prestado é pagamento; só será doação, propriamente dita, quanto à parte que exceder o valor desse serviço. - Com cláusula de reversão (resolutiva): o doador estipula que se o donatário morrer antes dele, os bens doados retornarão ao patrimônio do doador, gerando, assim, uma sucessão anômala. Apenas é permitida emfavor do próprio doador. Tem efeitos retroativos, anulando eventuais alienações feitas pelo donatário, fazendo os bens reverterem livres de quaisquer ônus ao doador. - Doação conjuntiva: é aquela feita em comum a mais de uma pessoa, sendo distribuída por igual entre os diversos donatários, exceto se o contrato estipulou o contrário (art. 551, CC). Caso os beneficiários sejam marido e mulher, falecendo um deles, terá o cônjuge sobrevivente o direito de acrescer à sua parte a do falecido. - Doação inoficiosa: ocorre quando uma pessoa doa a um filho bens que deveriam pertencer à legítima do outro, ou seja, é a que excede a parte do patrimônio quepoderia ser incluída no testamento. Assim, havendo herdeirosnecessários (art. 1.845, CC: descendentes, ascendentes ou cônjuge) o doador não pode ultrapassar metade dos bens da herança; aquilo que ultrapassar deve ser desconsiderado, nulo. - Doação a entidade futura: é aquela cujo donatário é uma pessoa jurídica que ainda não foi criada, mas que será constituída. Se isso não ocorrer no prazo de dois anos, haverá a caducidade do ato (trata-se de uma doação sob condição suspensiva: a criação da pessoa jurídica). DOAÇÃO A DESCENDENTES Adoação de ascendente a descendente, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança (adiantamento da legítima). Ex: se o pai, que tinha três imóveis e três filhos, doar dois deles a um dos filhos? Resposta: neste caso a doação de um dos imóveis será válida, pois está dentro de sua parte disponível. Mas o outro não. Nesse caso, a doação que ultrapassou a parte disponível é considerada nula. Isto porque qualquer cláusula que altere normas de ordem pública de direito sucessório é considerada nula. Por ocasião da morte do doador, se faz necessário que os bens recebidos pelos filhos sejam arrecadados no inventário, para nova conferência, por meio da colação. Colação consiste na arrecadação dos bens recebidos pelos herdeiros do de cujus, quando este ainda vivia, trazendo-os todos para o processo de inventário, a fim de serem submetidos a uma conferência e divisão no juízo do inventário. Todavia, pode ocorrer que a doação tenha sido feita saindo os bens da parte disponível de seu patrimônio, dispensando-se expressamente o donatário da colação. Neste caso, a doação não importa em adiantamento da legítima. REVOGAÇÃO DA DOAÇÃO A doação pode ser revogada pela vontade das partes, vícios ou por: A) Ingratidão do donatário. Isto ocorrerá se o donatário: - atentar contra a vida do doador. - cometer alguma ofensa física contra o doador. - injuriar ou caluniar o doador. - recusar alimentos ao doador, desde que pudesse ministrá-los. A revogação deve ser pleiteada dentro do prazo decadencial de um ano, a partir do conhecimento do fato que a autorizar pelo doador, medianteação judicial. Trata-se deu um direito personalíssimo (art. 560, CC), ou seja,somente o próprio doador pode revogar uma doação. No entanto, se aingratidão consistiu em homicídio doloso contra o doador, a ação caberá aosseus herdeiros (art. 561, CC). Além disso, nas outras hipóteses, se o doadorrequereu a revogação judicialmente e depois faleceu, seus herdeiros podemcontinuar com a ação. O direito de revogação por ingratidão não pode ser renunciado antecipadamente. A revogação não prejudica os direitos adquiridos de terceiros. Se o donatário já vendeu um bem, o terceiro não fica prejudicado. Porém o preço recebido pelo donatário na venda deve retornar ao doador. Não se revogam por ingratidão as doações - puramente remuneratórias. - oneradas com encargo. - que se fizerem em cumprimento de obrigação natural (dívidas de jogo ou prescritas). - feitas para determinado casamento. B) Descumprimento do encargo imposto: a doação onerosa poderá ser revogada pela inexecução de um encargo, desde que o donatário incorra em mora. Não havendo prazo para o cumprimento, o doador poderá notificar judicialmente o donatário, assinalando-lhe prazo razoável para que cumpra a obrigação assumida. LOCAÇÃO A locação é o contrato pelo qual uma das partes, mediante remuneração paga pela outra, se compromete a fornecer-lhe, durante certo lapso de tempo, o uso e gozo de uma coisa infungível, a prestação de um serviço apreciável economicamente ou a execução de alguma obra determinada (os dois últimos não são mais locação pelo CC). LOCAÇÃO DE COISAS É o contrato pelo qual uma das partes (locador, senhorio) se obriga a ceder à outra (locatário, inquilino), por tempo determinado, ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante remuneração, sendo oneroso. Se houver mais de um locador ou locatário, entende-se que são solidários, se o contrato não estipulou o contrário. NATUREZA JURÍDICA: Bilateral; Oneroso; Típico; Comutativo; Consensual; Não solene (pode até ser verbal); Trato sucessivo (ou execução continuada). PARTES E ELEMENTOS: - Locador (senhorio ou arrendador): Não necessariamente é o proprietário, podendo ser o usufrutuário, o inventariante ou o sublocador. - Locatário: é oinquilino ou arrendatário - COISA (objeto): pode ser móvel ou imóvel, corpóreo ou incorpóreo, divisível ou indivisível. Por outro lado eledeve ser infungível (regra), inconsumível e suscetível de gozo. Além disso,deve ser sempre lícito e possível. É conveniente ressaltar que mesmo umbem inalienável pode ser locado. A locação do principal abrange os acessórios a menos que o contrato seja contra. - PREÇO: Ele deve ser certo, podendo ser em dinheiro ou qualquer outro bem. Deve também ser sério; se for irrisório será um empréstimo da coisa de forma dissimulada. Como vimos na aula sobre o Direito das Obrigações, é proibida qualquer forma de vinculação ao saláriomínimo, moedas estrangeiras e metais preciosos. FORMA E PRAZO: O prazo pode ser determinado ou indeterminado, dependendo do que se pactuar no contrato. Se não for estipulado um prazo exato, ele será indeterminado. A Lei do Inquilinato (LI) estabelece uma restrição paracontratos celebrados com prazo igual ou superior a 10 anos: depende de autorização ou vênia conjugal na hipótese de apenas um dos consortes ser o locador. LOCAÇÃO NO CÓDIGO CIVIL: As regras do Código Civil aplicam-se à locação de objetos (móveis e imóveis), que não se enquadram como prédios urbanos com fins residenciais e comerciais. - A qualquer tempo, vencido o prazo do contrato, pode o locador notificar o locatário para restituir a coisa. Se notificado, o locatário não restituir a coisa, pagará, enquanto a tiver em seu poder, o aluguel que o locador arbitrar, e responderá pelo dano que ela venha a sofrer, ainda que proveniente de caso fortuito. Mas se o aluguel arbitrado for manifestamente excessivo, o juiz pode reduzi-lo equitativamente, mas sempre tendo em conta o se caráter de penalidade. - Se a coisa foi alienada durante a locação, o novo proprietário não é obrigado a respeitar o contrato, salvo se o contrato contiver “cláusula de vigência no caso de alienação”, e conste do Registro de Imóveis. - Morrendo o locador ou locatário transfere-se a locação a seus herdeiros. LOCAÇÃO DE IMÓVEL URBANO RESIDENCIAL OU NÃO (LEI DO INQUILINATO): Não terá incidência: a) Na locação de: - imóveis de propriedade da União, dos Estados e dos Municípios, de suas autarquias e fundações públicas; o fundamento para esta não incidência é o interesse público, que não permite que tais locações se sujeitem ao regime privado; - vagas autônomas de garagem ou espaços para estacionamentos de veículos, desde que não haja vinculação com o imóvel locado; - espaços destinados à publicidade (neste caso aplicam-se as regras do poder de polícia concedidas às autoridades municipais, na regulação do interesse local); - apart-hotéis, hotéis-residências ou equiparados (flats); entende-se que esta hipótese se refere mais a um contrato de hospedagemdo que de locação, pois o pagamento é feito na forma de diárias e não de aluguel e não há ação de despejo. b) No arrendamento mercantil; c) Em imóveis rurais; - Não havendo prazo determinado o locatário poderá rescindir a locação, mediante aviso por escrito ao locador, com antecedência mínima de 30 dias. Havendo prazo determinado, ele não pode reaver o imóvel. O locatário pode devolver pagando a multa contratual (caráter compensatório – prefixação de perdas e danos). - O locatário pode ser exonerado da multa pela resilição antecipada da locação no caso de transferência do seu local de trabalho (pode ser de um bairro para outro em grandes centros urbanos), determinada pelo empregador, notificando o locador com 30 dias de antecedência. - Aluguel adiantado só por temporada ou contrato sem garantia. GARANTIAS: O locador pode exigir uma delas: a) Caução: na prática esta garantia é em dinheiro, não podendo exceder a três meses de aluguel. Pode ser em bens (caução real) móveis ou imóveis. b) Garantia fidejussória: trata-se da fiança, que poderá ser pessoal ou bancária. c) Seguro de fiança locatícia: é o pagamento de uma taxa correspondente a um prêmio anual ou mensal ao locador. d) Cessão fiduciária de quotas de fundo de investimento: o locatário (devedor) cede, até que se dê a liquidação total da dívida ao locador (credor), os seus direitos creditórios. FIANÇA: promessa feita por uma ou mais pessoas (fiadores),de garantir ou satisfazer a obrigação de um devedor principal. Pode ser fiador qualquer pessoa maior que esteja na livre administração de seus bens.A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia – Súmula 332 – STJ. Caso o contrato esteja vigendo em prazo indeterminado, o fiador pode pedir desoneração, estando obrigado nos 120 dias seguintes ao pedido. Depois, o locador pode pedir ao locatário para apresentar outro fiador. LOCAÇÃO RESIDENCIAL – Hipóteses: Contratos fixados por 30 meses ou mais: Findo o prazo, ocorre a resolução do contrato automaticamente. Se o locatário continuar na posse do imóvel alugado sem oposição do locador, presumir-se-á prorrogada a locação por prazoindeterminado. Caso haja oposição do locador, ele tem 30 dias para notificar o locatário, dando prazo para desocupação. Após o prazo, ele deve entrar com ação de despejo. Contratos fixados até 30 meses:Quando ajustado verbalmente ou por escrito e com prazo inferior a 30 meses, findo o prazo, a locação prorroga-se automaticamente, por tempo indeterminado. Neste caso o imóvel somente pode ser retomado (denúncia cheia ou motivada) somente em determinadas hipóteses. OBS: O contrato de locação somente é rescindido com a efetiva entrega das chaves do imóvel ao locador e não somente com a desocupação. O locatário tem direito de preferência na alienação, devendo ser notificado da venda pelo locador e manifestar-se no prazo de 30 dias. Caso aceite e mude de ideia, pode responder pelo prejuízo. O locatário preterido no seu direito de preferência poderá reclamar do alienante as perdas e danos. Poderá alternativamente, depositar o preço e demais despesas do ato de transferência e haver para si o imóvel locado. Mas isso se o requerer no prazo de seis meses a contar do registro do ato no cartório de imóveis, desde que o contrato de locação esteja averbado pelo menos 30 dias antes da alienação, junto à matrícula do imóvel. Transferência do contrato de locação Cessão locacional: transferência a outrem, mediante alienação, da posição contratual do locatário, desligando o locatário do contrato. Sublocação: locatário continua responsável, mas aluga para outra pessoa. Empréstimo: a outra pessoa, locatário continua responsável. OBS: Na cessão locacional, na sublocação e no empréstimo deve haver consentimento prévio, por escrito, do locador. Morte: falecendo o locador, os herdeiros receberão os direitos inerentes à locação. Falecendo o locatário, têm direito à continuidade da locação (sub-rogação) o Cônjuge sobrevivente e sucessivamente os herdeiros necessários e pessoas que viviam na dependência econômica do locatário, desde que residentes no imóvel para fins residenciais (inclui o/a companheiro/a) e o espólio do locatário falecido e a seguir o seu sucessor, no caso de locação não residencial. Locação de imóvel residencial ao empregado e direito de retomada: Esse tipo de locação exige contrato que contenha cláusula registrando que a locação somente vigerá enquanto o locatário trabalhar para o locador. Exige ainda que haja valor efetivamente pago ou descontado, a título de aluguel. EMPRÉSTIMO Empréstimo é o contrato pelo qual alguém entrega uma coisa para outrem, gratuitamente, obrigando-se este a devolver a mesma coisa ou a devolver outra da mesma espécie e quantidade. São contratos: benéficos, temporários,unilaterais e reais. São espécies o Comodato e o Mútuo: a) COMODATO: é o contrato unilateral, a título gratuito, pelo qual alguém (comodante) entrega a outra pessoa (comodatário) coisa infungível ou inconsumível, podendo ser móvel ou imóvel para ser usada temporariamente e depois restituída. Não restituída a coisa no prazo acertado, o comodatário entra em mora e ocorre o esbulho possessório, ou seja, a “posse” do comodatário passa a ser injusta e de má-fé. Ele passa a ser responsável pelos riscos, perda ou deterioração do bem. O comodante deverá utilizar a ação de reintegração de posse. O juiz pode arbitrar um aluguel-pena, não podendo ser maior do que duas vezes o valor de mercado, a fim de coagir o comodatário a entregar o bem. Ex: empresto a você minha casa na praia. NATUREZA JURÍDICA: Contrato unilateral; Gratuito (pode ser com encargo quando, por exemplo, convenciono que você vai pagar o condomínio); Real; Não solene (pode ser verbal), Temporário (pode ser por tempo indeterminado, o que não quer dizer perpétuo, porém suficiente para o fim a que se destinou); Intuitu personae (personalíssimo); - São proibidos de dar bens em comodato: os tutores, os curadores e o administradores, relativamente aos bens confiados à sua guarda. Cessa a proibição se houver autorização especial do Juiz. - O comodatário deve usar o bem para o fim proposto apenas, pagar as despesas relativas ao gozo (luz, água, etc.) e não emprestá-la ou aluga-la sem autorização. Ele terá direito à indenização das benfeitorias úteis e necessárias, bem como a levantar (levar embora) as voluptuárias, se a retirada não danificar o bem. - Se houver mais de um comodatário, todos responderão de forma solidária. Por outro lado o comodante continuará responsável pelas despesas extraordinárias e necessárias, feitas em caso de urgência, para a conservação da coisa. b) MÚTUO: é o contrato pelo qual alguém (mutuante) transfere a propriedade de bem fungível a outrem (mutuário), que se obriga a lhe restituir coisa do mesmo gênero,qualidade e quantidade. Não pode ser devolvido o correspondente valor em dinheiro. O mutuário pode dar o destino que quiser à coisa. Ex.: empréstimo de sacas de arroz para consumo, devolvendo-se outras da mesma qualidade e quantidade. NATUREZA JURÍDICA: Contrato unilateral e gratuito (contrato de mútuo pode ser oneroso, se se referir a empréstimo de dinheiro, onde se estipula o pagamento de juros); Real; Não solene (exceto no mútuo oneroso, que deverá ser convencionado expressamente); Temporário (por prazo curto e determinado ou determinável); Que supõe a transferência do domínio. MÚTUO FENERATÍCIO Trata-se do mútuo oneroso, permitido por nossa legislação, pois o Código Civil prescreve que se presumem devidos juros, (que não poderão exceder a taxa legal), destinando-se o mútuo a fins econômicos. MÚTUO FEITO A PESSOA MENOR Em regra, se o mútuo for feito à pessoa menor, sem prévia autorização de seu representante legal,o mutuante não poderá reaver a coisaemprestada uma vez que o contrato é inválido. Todavia, cessa essa disposição se: - a primeira pessoa de cuja autorização o menor precisava, ratifica o ato posteriormente. - estando ausente essa pessoa, o menor se viu obrigado a contrair o empréstimo para seus alimentos habituais. - o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho (nessa hipótese a execução do credor não pode ultrapassar as forças dos ganhos). - o empréstimo reverteu em benefício do menor. - o menor obteve o empréstimo maliciosamente. Alteração da situação econômica: o mutuante pode exigir garantia da restituição, se antes do vencimento o mutuário sofrer notória mudança em sua situação econômica. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO Prestação de serviço (ou locação de serviço) é o contrato em que uma das partes (pessoa física ou jurídica: prestador) se compromete com a outra (tomador) a realizar certa atividade, mediante remuneração, mas sem vínculo empregatício. O contrato de prestação de serviço do Código Civil tem natureza residual, pois somente será aplicado, quando não houver aplicação da CLT, CDC ou outras leis especiais. NATUREZA JURÍDICA: bilateral; comutativo;oneroso; consensual; não solene. - A remuneração é arbitrada pelas partes, podendo ser não necessariamente em dinheiro. Caso não estipulado, será segundo o costume do local, o tempo de serviço e a qualidade. - A locação de serviço não pode ser convencionada por mais de quatro anos. Decorrido este prazo, dar-se-á por findo o contrato, ainda que não concluída a obra. Pode ser celebrado outro contrato. Se não houver prazo, as partes podem rescindir, bastando aviso prévio de 8 dias se o salário for fixado mensal; 4 dias se for fixado quinzenal e no dia anterior se fixado por menos de 7 dias. - O contrato pode ser omisso quanto ao tipo de serviço, o locador se obriga a qualquer serviço compatível com as suas condições. - Se o locador rescindir o contrato sem justa causa, terá direito à retribuição vencida, mas responderá por perdas e danos.O locatário que, sem justa causa, despedir o locador, será obrigado a pagar-lhe por inteiro a retribuição vencida e por metade a que lhe tocaria se concluísse o contrato. - Caberá ao prestador executar pessoalmente o serviço contratado. - O contrato se encerra pela morte de qualquer uma das partes. OBS: Aliciamento de executores (art. 608. CC): “A” contratou “B” para prestar-lhe um determinado serviço durante o prazo de um ano, pela remuneração de 20 mil. Durante o contrato “C” aliciou “B” para desfazer o contrato com “A” e celebrar outro consigo mediante o valor de 30 mil. Neste caso, como “A” foi prejudicado, poderá exigir de “C” (aliciador) indenização referente ao valor de dois anos de prestação de serviço (40 mil), independentemente da quantidade de serviço que já foi prestada. EMPREITADA (LOCAÇÃO DE OBRAS) É o contrato pelo qual uma das partes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar, pessoalmente ou por meio de terceiros, certa obra para a outra parte (dono da obra, comitente, empreitador ou empreitante), com material próprio ou por este fornecido. Mesmo que demore mais que o esperado, não terá direito a qualquer majoração. Pode ser obra material ou intelectual. NATUREZA JURÍDICA: bilateral, comutativo, oneroso, consensual enão solene. CLASSIFICAÇÃO DA EMPREITADA A) QUANTO AO MODO DE FIXAÇÃO DO PREÇO OU REMUNERAÇÃO: 1. Empreitada a preço fixo(ou marché à forfait):Pode a retribuição é estipulada para a obra inteira, de antemão, em quantia certa e invariável. Pode ser a preço fixo absoluto (sem alteração na remuneração) ou relativo (permitidas alterações previsíveis). 2. Empreitada por medida(ou ad mensuram, ou marché sur dévis): O preço considera a fração da obra. Pagamento por parte concluída. 3. Empreitada de valor reajustável: possibilita que o preço varie segundo índices oficiais, procedendo-se à revisão periódica em datas preestabelecidas. 4. Empreitada por preço máximo: se estabelecer um limite de valor máximo. 5. Empreitada a preço de custo: responsabilidade o fornecimento dos materiais e o pagamento da mão-de-obra, mediante o reembolso do dependido, acrescido do lucro assegurado. B) QUANTO À EXECUÇÃO DO TRABALHO PELO EMPREITEIRO: 1. Empreitada de lavor: empreiteiro fornece apenas a mão-de-obra (sem os materiais). Na dúvida, há presunção relativa de que é essa modalidade adotada. 2. Empreitada de materiais de construção (ou mista): o empreiteiro, além do trabalho, fornece também os materiais; 3. Empreitada de projeto: o empreiteiro elabora um projeto que possibilite a realização tangível da obra. RESPONSABILIDADES - Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o empreiteiro de materiais e o de lavor responderão durante 05 (cinco) anos pela solidez e segurança do trabalho, tanto em relação aos materiais, como ao solo, exceto quanto a este, se prevenir a tempo o dono da obra. - Quando o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, não estando o comitente em mora. Estando em mora, os riscos correrão, por igual, contra as duas partes. - Quando o empreiteiro só fornece a mão-de-obra, todos os riscos correrão por conta do dono, exceto se o empreiteiro tiver culpa. - Sendo a empreitada unicamente de lavor, se a coisa perecer antes de ser entregue, sem mora do dono, nem culpa do empreiteiro, este perderá o salário, a não ser que prove que a perda resultou de defeito dos materiais, sobre cuja qualidade e quantidade reclamou a tempo. - O arquiteto ou construtor que, por empreitada, se incumbir de executar uma obra segundo aceito por quem a encomendou, não terá direito de exigir acréscimo de preço, ainda que haja aumento de salários ou encarecimento de materiais, nem ainda que se altere ou aumente a obra em relação à planta, exceto se alterou por instruções escritas do contratante. RECEBIMENTO DA OBRA: O dono não é obrigado a receber a obra se o empreiteiro se afastou das instruções percebidas e dos planos dados ou das regras técnicas previstas para o trabalho, podendo receber a obra com abatimento do preço. RESCISÃO DO CONTRATO: Sem indenização caso o empreiteiro adoeça de forma que não continuará a execução; por vício ou erro do empreiteiro ou não observância do contrato. DEPÓSITO Depósito é o contrato pelo qual uma pessoa (depositária) recebe de outra (depositante) um objeto móvel e corpóreo, para guardá-lo, temporária e gratuitamente, até que o depositante o reclame. Não há uso da coisa, apenas a guarda. NATUREZA JURÍDICA: Unilateral (às vezes bilateral, pois pode ser cobrado), real, gratuito (pode ser oneroso), temporário (caso não se estipule prazo, ele será de no máximo 25 anos, findo os quais ele será depositado no tesouro nacional por mais 5 anos. Após isso incorpora ao TN). MODALIDADES 1) Voluntário ou Convencional: Deve ser feito por escrito. 2) Necessário: Não se presume gratuito. Pode ser: a) por imposição de lei (legal). Ex.: depósito de objeto achado. b) por ocasião de calamidade (também chamado de depósito miserável). c) depósito do hoteleiro ou hospedeiro (é considerada depositada em mãos do dono do hotel. Esta responsabilidade se estende mesmo em casos de furtos e roubos perpetrados pelos empregados e pessoas admitidas na hospedaria. A responsabilidade cessa se: celebrar convenção com o hóspede, o prejuízo não poderia ter sido evitado, o fato se deu por caso fortuito ou força maior ou culpa do hóspede.) 3) Judicial (também chamado de sequestro): determinado por ato judicial, que entrega a terceiro, coisa litigiosa (móvel ou imóvel), com o intuito de preservá-la até que se decida a causa principal. Esse depósito é remunerado e confere poderes de administração, necessários à conservaçãodos bens. OBS: É ilícita a prisão civil do depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito. MANDATO Mandato é um contrato pelo qual alguém (mandatário, outorgado, procurador) recebe de outro (mandante, outorgante) poderes para, em seu nome (em nome do mandante), praticar atos ou administrar interesses. NATUREZA JURÍDICA: Contrato Bilateral, Gratuito ou Remunerado (oneroso): o mandato presume-se gratuito quando não houver sido estipulada retribuição, exceto se o seu objeto corresponder ao daqueles que o mandatário trata por ofício ou profissãolucrativa (ex.: o advogado, o despachante, etc.). Intuitupersonae. Representatividade,Revogabilidade: qualquer dos contratantes poderá por fim ao contrato, sem a anuência do outro ou qualquer justificativa. Forma Livre: Para os atos que exigem instrumento público ou particular (ex.: compra e venda de bens imóveis por escritura pública, fiança, aceite de cambial, etc.), o mandato não pode ser verbal, necessitando de instrumento. INSTRUMENTO DO MANDATO: O instrumento do mandato escrito é a procuração. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. A procuração por instrumento público só é exigida em casos especiais (ex.: para os relativamente incapazes, o cego, o analfabeto, etc.). Deve sempre ter a assinatura do mandante e reconhecida a firma para ter efeito em relação a terceiros.A procuração deve ser por instrumento público quando dada por um cônjuge para o outro para: alienar, hipotecar ou gravar de ônus real os bensimóveis do casal; prestar fiança; fazer doação de bens ou rendimentos comuns, etc. ESPÉCIES 1) Mandato Legal: É o que decorre da lei e dispensa qualquer instrumento. São seus exemplos: o mandato que os pais têm para representar os filhos menores e administrar-lhes seus negócios, bem como o dos tutores e curadores em relação aos tutelados e curatelados. Os sindicatos têm mandado legal para representar seus associados perante autoridades administrativas e judiciais, etc. 2) Mandato Judicial: É o conferido em virtude de um processo judicial, sendo o mandatário nomeado pela autoridade judicial, como o Inventariante por exemplo. 3) Mandato Convencional: Decorre de contratos entre as partes. NÃO SE ADMITE MANDATO: proíbe-se a realização de certos atos personalíssimos como fazer testamento ou revogá-lo, prestar exames, exercer cargos ou funções, exercício do voto, depoimento pessoal, recebimento de indenização por acidente trabalhista, etc. CLASSIFICAÇÃO DO MANDATO 1) Quanto às relações entre mandante e mandatário: Oneroso ou gratuito. 2) Quanto à pessoa do procurador: Singular ou simples e Plural (vários mandatários). Neste último caso, podem ser: a) Conjunto: se os mandatários não puderem agir separadamente. b) Solidário: se os mandatários puderem agir separadamente e independentemente da ordem de nomeação (qualquer um pode fazer qualquer coisa). c) Fracionário: se a ação de cada mandatário estiver delimitada, devendo cada qual agir em seu setor. d) Substitutivo: se um puder agir na falta do outro, mas observando sempre a ordem de nomeação. 3) Quanto ao modo de manifestação de vontade: Expresso e Tácito. 4) Quanto à forma de celebração: Verbal (pode ser provado por testemunhas) ou Escrito. 5) Quanto ao objeto: Empresarial (se visar prática de atos de comércio) ou civil. 6) Quanto ao fim: Ad Negotia (ou extrajudicial): se a ação do mandatário se der fora do âmbito judicial. Ad Judicia: mandatário (que deve ser sempre um advogado) age em juízo em nome do constituinte, sendo sempre oneroso. Deve ser por escrito e tem por objeto o patrocínio dos interesses de uma pessoa perante Juízos ou Tribunais. Não podem ser procuradores ad judicia: - os menores de 18 anos, a não ser que sejam emancipados. - os funcionários judiciais, escrivães, Juízes e membros do Ministério Público. - ascendentes, descendentes e irmãos do Juiz da causa. - ascendentes ou descendentes da parte adversa, exceto em causa própria. - vereadores, deputados e senadores não podem patrocinar causas contra as pessoas jurídicas de direito público. QUEM PODE OUTORGAR PROCURAÇÃO: Todas as pessoas capazes (maiores ou emancipadas). Os absolutamente incapazes não podem outorgar procuração, pois eles já têm um representante legal. Os relativamente incapazes só poderão outorgar mandato se estiverem assistidos pelo representante legal e mesmo assim deve ser feito por instrumento público (Há algumas hipóteses que pode praticar o ato sem ser assistido). SUBSTABELECIMENTO: significa transferir ou conferir a outra pessoa os poderes que o mandatário recebeu do mandante. Temos alguns casos: 1) O mandato possibilita o substabelecimento: submandatário responde pessoalmente perante o mandante, como seu procurador. Neste caso haverá responsabilidade do mandatário que substabelece, só se o substabelecido for notoriamente incapaz ou insolvente. 2) O mandato não confere poderes para substabelecer: o mandato é omisso; neste caso o substabelecimento é válido, mas o mandatário continua responsável por prejuízo causado a título de culpa do substabelecido. 3) O Mandato proíbe o substabelecimento: neste caso o substabelecimento também é válido, sendo que o mandatário responde perante o mandante por qualquer prejuízo que aquele lhe causar, mesmo que seja por caso fortuito, salvo provando que o fato teria ocorrido ainda que não tivesse havido o substabelecimento. O substabelecimento pode ser ainda: a) Sem reserva de poderes: o procurador (substabelecente) transfere os poderes ao substabelecido definitivamente, renunciando ao mandato, devendo notificar o mandante, para que possa se isentar de quaisquer obrigações. b) Com reserva de poderes: o procurador (substabelecente) outorga poderes ao substabelecido (novo procurador), sem perdê-los; qualquer um dos dois pode exercer os poderes outorgados. PODERES ESPECIAIS: Em determinadas situações exige-se que a procuração seja minuciosa, dizendo exatamente os poderes que está outorgando. A) Exige poderes especiais, o mandado ad negotia para: alienar, levantar dinheiro, hipotecar, dar fiança, casar (art. 1.542, CC), emitir cheque, transigir (por fim a uma demanda através de um acordo), oferecer queixa-crime, etc. B) Exige poderes especiais o mandato ad judicia para: receber citação, receber e dar quitação, confessar, representar testamenteiro, transigir, etc. OBS: Quando o mandatário extrapola os poderes da procuração dizemos que ele agiu como gestor de negócios, que é a pessoa que, sem autorização, gera negócios alheios segundo a vontade presumível do dono. Ratificados tais atos pelo dono do negócio, tornam-se válidos e perfeitos. PROCURAÇÃO DADA A MENORES: Os menores, a partir de 16 anos, já podem ser mandatários ad negotia. Mas há um inconveniente: o mandante não tem ação de regresso contra ele, para cobrar-lhe os prejuízos eventualmente causados, exceto: - Se o menor foi autorizado pelo seu representante. - Se o menor se apresentou como maior ou ocultou a própria idade. OBS: Se houver mais de dois mandatários nomeados no mesmo instrumento, qualquer deles poderá exercer os poderes outorgados. EXTINÇÃO DO MANDATO: - Por revogação do mandante, que pode ser expressa ou tácita (mandante assume o negócio ou constitui novo mandatário. Deve comunicar ao mandatário anterior, caso não o faça o atos deste ainda valem). - Por renúncia do mandatário. No entanto ele deve comunicar a renúncia antecipadamente ao mandante, sob pena de arcar com os prejuízos daí decorrentes. - Por morte (até ser provada a morte o mandatário deve cumprir o mandato) ou interdição de qualquer das partes. - Pela mudança de estado civil que o inabilite para a outorga do mandato (ex: casou- se e precisa da outorga do cônjuge para vender imóvel). - Término do prazo. - Pelaextinção da pessoa jurídica, quando o mandato for daqueles que decorrer do contrato social. OBS: a morte do representante do incapaz não extingue o contrato, bem como a morte do representante da pessoa jurídica não extingue o mandato conferido a terceiro. Ocorrendo a morte do mandatário, seus herdeiros têm obrigação de prestar contas. MANDATO IRREVOGÁVEL: Quando: - assim se convencionar. - conferido a sócio, pelo estatuto social. - forem condição de um contrato bilateral - em causa própria. MANDATO EM CAUSA PRÓPRIA: Trata-se de espécie de mandato em que o beneficiário é o próprio mandatário, podendo agir em seu próprio interesse, sendo irrevogável. Ex.: A confere mandato para B vender um terreno, sendo que B pode vendê-lo a si mesmo ou para terceiro. Isenta o mandatário de prestação de contas. Tem seus poderes ilimitados e não se extinguem pela morte do mandante, mas passa aos seus herdeiros. COMISSÃO Comissão é o contrato pelo qual uma pessoa (comissário) adquire ou vende bens, em seu próprio nome e responsabilidade, mas por ordem e por conta de outrem (comitente), em troca de certa remuneração, obrigando-se para com terceiros com quem contrata. São aplicáveis à comissão, no que couber, as regras sobre o mandato. A representação é indireta. O comissário deve ser empresário (comerciante), agindo diretamente em seu nome, de forma que o terceiro não pode ingressar contra o comitente. Trata-se de uma intermediação aliada à prestação de serviços. A comissão pode ser simples ou del credere (= da confiança). Esta é uma modalidade em que o comissário assume a responsabilidade deresponder pela solvência daquele com que vier a contratar no interesse e por conta do comitente. Depois, o comissário pode executar o devedor que não pagou. Natureza Jurídica: Trata-se de um contrato bilateral, oneroso, consensual e personalíssimo. Responsabilidade: o comissário é obrigado a agir com cuidado e diligência, não só para evitar qualquer prejuízo ao comitente, mas ainda para lhe proporcionar o lucro que razoavelmente se podia esperar do negócio. Responderá o comissário, salvo motivo de força maior, por qualquer prejuízo que, por ação ou omissão, ocasionar ao comitente. AGÊNCIA É o contrato pelo qual uma pessoa (agente ou representante comercial), sob remuneração, mas sem vínculo trabalhista, se obriga em caráter duradouro a negociar em certo lugar por conta do proponente, a sua marca. Aplicam-se supletivamente as regras da comissão e mandato. A diferença para a comissão é que o agente deve divulgar o nome do proponente e na comissão não. Não se aplica a cláusula del credere. Contém cláusula de exclusividade de produto e de local de venda (área específica), ou seja o representado não pode constituir outro representante naquela área exclusiva. Ex: Promotor de eventos, representante comercial. Natureza Jurídica: Contrato bilateral, oneroso, comutativo, consensual (pode até ser verbal) e personalíssimo. Contém cláusula de exclusividade de produto e de local de venda (área específica). DISTRIBUIÇÃO Quando o agente tem à sua disposição, a coisa do proponente, o contrato de agência chama-se de distribuição. O agente (nesse caso chamado de distribuidor) se obriga a comprar a mercadoria do proponente (fornecedor, fabricante) regularmente, para ser revendida em determinada região por ele determinada com exclusividade (ex: as distribuidoras/revendas de veículos); o fabricante fica obrigado a não vender a mercadoria a outro negociante na mesma região. OBS: o agente promove negócios; o distribuidor realiza vendas. CORRETAGEM Corretagem (ou mediação) é o contrato pelo qual uma pessoa, sem relação de dependência, se obriga, mediante remuneração, a obter para outrem um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas, ou a fornecer-lhe as informações necessárias para a celebração do contrato. Ele não está vinculado aos que pretendem efetuar o contrato. NATUREZA JURÍDICA Trata-se de contrato bilateral, oneroso, aleatório ou comutativo, consensual e acessório. Trata-se de uma obrigação de fazer. E de resultado (e não de meio), pois não depende do serviço prestado propriamente, mas em razão do resultado obtido (a venda). TRANSPORTE O contrato de transporte é a aquele em que uma pessoa (transportador) ou empresa se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um local para outro, pessoas (transportado) ou coisas animadas ou inanimadas entregues por alguém (remetente ou expedidor). NATUREZA JURÍDICA: Bilateral, oneroso, comutativo, consensual. CLASSIFICAÇÃO 1) QUANTO AO OBJETO CONDUZIDO - Transporte de coisas ou mercadorias: O expedidor entrega a coisa ao transportador para ser entregue ao destinatário, mediante pagamento de frete. É possível que o próprio remetente seja, também destinatário (Mudança de móveis). O transportador recebe a mercadoria a ser entregue através de um documento chamado Conhecimento de Transporte ou Frete ou Mercadoria. É considerado um título de crédito, representativo das mercadorias nele mencionadas, sujeitando-se às normas de circulação desses títulos.O transportador poderá reter a mercadoria até receber o frete, bem como recusar despacho se a mercadoria estiver mal acondicionada, não respondendo neste caso, nem se a espécie de transporte faz naturalmente correr e nem se ocorrer caso fortuito ou força maior. Caso contrário ele responde por perdas, avarias e furtos. O remetente deve declarar a natureza, o valor e a relação das mercadorias a serem transportadas. Isto porque, quando o remetente entrega os objetos ao transportador, este se responsabilizará pela perda total ou parcial, furto ou avaria que venham a sofrer durante o transporte, sendo que sua culpa será sempre presumida (salvo exceções prevista na lei). O remetente corre os riscos oriundos de vício próprio, de caso fortuito ou força maior. A consignação pode ser alterada (alterar o destinatário), alterando-se o frete se for o caso. - Transporte de pessoas: otransportador se obriga a remover uma pessoa e sua bagagem de um local para outro, mediante remuneração. O viajante, ao contratar o transporte, pagando o bilhete de passagem, adquirirá o direito de transportar consigo sua bagagem, e o condutor assumirá a obrigação de fazer esse transporte. O passageiro só pagará o transporte de sua bagagem se houver excesso de peso, de tamanho ou de volumes. O transportador responde por danos provocados e por atrasos, a não ser em caso fortuito ou força maior. Pode reter a bagagem até o pagamento da passagem. O passageiro deve receber a restituição do valor do bilhete não utilizado se deixar de embarcar e provar que outro foi transportado em seu lugar. OBS: a responsabilidade do transportador não é elidida (eliminada) por culpa de terceiro. Se ocorrer algum acidente por culpa de terceiro, o transportador deve indenizar o transportado e depois acionar, de forma regressiva, o terceiro responsável pelo acidente. SEGURO Contrato de seguro é aquele pelo qual uma pessoa (segurador) se obriga perante outra (segurado), mediante o pagamento de um prêmio, a garantir-lheinteresse legítimo relativo a pessoa ou coisa e a indenizá-la de prejuízo decorrentes de riscos futuros, previsto no contrato. O segurador só pode ser pessoa autorizada pelo governo e o segurado deve ser capaz. NATUREZA JURÍDICA: Bilateral, oneroso, aleatório, formal, por adesão, boa-fé (Se o segurado mentir ou omitir: a) se estiver de má-fé: paga o prêmio vencido e perde o direito à garantia. b) se não estiver de má-fé: o segurador pode extinguir o contrato ou cobrar, mesmo após o sinistro, a diferença do prêmio). APÓLICE: Formaliza o contrato, podendo ser à ordem (transmissíveis por endosso em preto), nominativo ou ao portador (exceto o de pessoas). Classificam-se ainda emespecíficas quando ocupam de um risco apenas, plúrimasquando dizem respeito a vários riscos dentro de um mesmo contrato, abertasquando o risco se desenvolver ao longo da atividade, simplesquando o objeto do seguro é determinado precisamente sem que haja possibilidade de substituí-lo e flutuantes quando for possível a substituição da coisa segurada. A falta de apólice pode ser suprida pelo registro mediante a comprovação do pagamento do prêmio. OBS: Os contratos de seguro comerciais são regidos pelo Código Comercial e oscivis são disciplinados pelo Código Civil. SEGURO DE DANO: Após ocorrer o pagamento da indenização a seguradora tem o direito de cobrar os prejuízos do causador do dano (trata-se do direito de regresso). O seguro de responsabilidade civil (art. 787, CC) se caracteriza pelo fato da seguradora garantir o pagamento de danos que o segurado eventualmente causar a um terceiro. SEGURO DE PESSOA: O seguro não será pago se o segurado vier a falecer de morte voluntária nos dois primeiros anos de vigência inicial do contrato. O seguro de pessoas garante que o capital segurado seja livremente estipulado pelo proponente (diferentemente do seguro de dano onde o valor não pode ser maior do que o interesse segurado). Podetambém haver diversas contratações por seguradoras diferentes,independentemente do valor de cada contrato. O seguro pode ser feito por pessoa natural ou jurídica em proveito de grupo que a ela se vincule (art. 801, CC). A apólice de seguro só poderá ser modificada mediante a expressa anuência de segurados representados por três quartos do grupo.Pode ser feito sobre a vida dos outros, mas deve ser expressamente declarado o porquê. SEGURO DE VIDA: No seguro de vida ou de acidentes pessoais para o caso de morte, o capital estipulado não está sujeito às dívidas do segurado, nem se consideraherança para todos os efeitos de direito. Uma característica essencial do seguro de vida é a livre escolha dos beneficiários. O segurado pode, inclusive, preterir seus herdeiros em favor de estranhos. O segurador pode não indicar de imediato o nome do beneficiário. No entanto se falecer e não foi indicada a pessoa beneficiária, o capital segurado será pago a metade ao cônjuge não separado judicialmente, e o restante aos herdeiros do segurado. São direitos do segurado não ver aumentado o prêmio, embora agravados os riscos, em razão de fato alheio à sua vontade e receber reembolso de despesas feitas no interesse da seguradora para diminuir prejuízos. CONSTITUIÇÃO DE RENDA Contrato em que uma pessoa (instituidor ou censuísta) entrega certo capital, em dinheiro, bem móvel ou imóvel, a outra (rendeiro ou censuário), que se obriga a pagar, temporariamente, renda ou prestação periódica. O contrato de constituição de renda será feito a prazo certo (até uma data determinada) ou incerto (até a morte do beneficiário). Pode ser constituído causa mortis (o testador deixa a renda de herança) ou por sentença judicial (prestar alimentos ao ofendido ou a família da vítima). NATUREZA JURÍDICA: unilateral ou bilateral; gratuito ou oneroso (pode haver uma contraprestação); comutativo ou aleatório; real (entrega efetiva); temporário (pode até ser vitalícia, mas é proibida a perpetuidade e não se transmite aos herdeiros do beneficiário). JOGO É o contrato aleatório, em que duas ou mais pessoas convencionam entre si pagar certa soma àquela que conseguir um resultado favorável de um acontecimento incerto. Os jogos que dependem exclusivamente da sorte são proibidos ou ilícitos. APOSTA É a convenção em que duas ou mais pessoas de opiniões discordantes sobre qualquer assunto prometem, entre si, pagar certa quantia ou entregar determinado bem àquela cuja opinião prevalecer em virtude de um evento incerto. Diferencia-se primordialmente do jogo, pois nela sempre haverá um perdedor e um ganhador, e o seu cumprimento ou entrega dependerá de ato de terceiro. FIANÇA (CAUÇÃO FIDEJUSSÓRIA) É a promessa feita por uma ou mais pessoas, de garantir ou satisfazer a obrigação de um devedor, se este não a cumprir, assegurando ao credor o seu efetivo cumprimento. Lembrando que as garantias podem ser reais (coisas) ou fidejussórias (pessoais – fiança e aval). A fiança pode ser dada a qualquer tipo de obrigação, seja ela de dar (coisa certa ou incerta), de fazer ou de não fazer. É uma espécie dos contratos de caução ou garantia. É negócio entabulado entre credor e fiador; portanto o devedor (afiançado) não é parte na relação jurídica fidejussória. A Fiança pode ser de valor menor do que a obrigação principal, nunca maior! NATUREZA JURÍDICA: Acessório, unilateral e gratuito (pode ser oneroso). CARACTERÍSTICAS: Forma obrigatoriamente escrita. Interpretação restritiva de forma que se surgir alguma dúvida, interpreta-se a favor do fiador. Não se estende além do tempo convencionado. É obrigação subsidiária, porém pode ser pactuada a solidariedade, de forma que o credor possa acionar o devedor, o fiador ou os dois ao mesmo tempo. Pode ser estabelecida sem o consentimento do devedor ou contra a sua vontade. OBS: Súmulas STJ: o fiador na locação não responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu. A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia. - O credor pode pedir a substituição se o fiador ficar insolvente ou incapaz. - O Fiador deve residir no mesmo município onde for prestar a fiança. Não podem ser fiadores os pródigos, os absolutamente incapazes, os relativamente incapazes, mesmo assistidos e o analfabeto, a não ser que o faça por procurador constituído por instrumento público, com poderes especiais. - Sendo nula a obrigação principal, também será a fiança. A exceção é para o caso de fiança dada tendo-se em vista uma obrigação contraída por menor. Embora a obrigação principal seja nula ou anulável, mesmo assim prevalece a fiança. Ex.: menor de 16 anos assina contrato de locação; o contrato é considerado nulo; mesmo assim, prevalece a obrigação do fiador quanto aos aluguéis não pagos pelo menor. O mesmo ocorre se a pessoa for menor de 18, porém maior de 16 anos (relativamente incapaz – anulável). No caso do contrato de mútuo feito por menor, a fiança é nula (exceção da exceção). BENEFÍCIO DE ORDEM: É o direito assegurado ao fiador de exigir do credor que acione, em primeiro lugar, o devedor principal. Não pode ser exigido se renunciou ao benefício, se for devedor solidário ou se o devedor for insolvente ou falido. OBS: O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que havendo cláusula expressa no contrato de locação de que a responsabilidade do fiador perdura até a efetiva entrega das chaves do imóvel, objeto da locação, não há que se falar em desobrigação do mesmo, ainda que o contrato tenha se prorrogado por prazo indeterminado. - Havendo mais de um fiador garantindo a mesma obrigação, estes são solidários entre si, aplicando-se lhes as regras das obrigações solidárias. Eles podem pactuar no contrato o benefício de divisão, onde cada um responderá pela parte que lhe couber exatamente. - O fiador que pagar integralmente a dívida ficará sub-rogado nos direitos do credor (executar o devedor), mas só poderá demandar a cada um dos outros fiadores pela respectiva cota. - No caso de morte do fiador, o contrato se extingue, mas as obrigações até o momento da morte passam para os herdeiros tendo como limite o valor da herança. EXTINÇÃO DA FIANÇA - Por vontade do fiador, quando tiver assinado o contrato de fiança sem limitação de tempo. - Morte do fiador. - Anulação judicial (falta de legitimação, vícios do ato jurídico, etc.). - Se, sem o consentimento do fiador, o credor conceder moratória ao devedor. - Se, por algum fato causado pelo credor, tornar-se impossível a sub-rogação do fiador nos seus direitos e preferências.Ex.: credor levantahipoteca que garante a dívida, sendo que por isso o fiador não pode sesub-rogar no direito de executar aquela hipoteca. - Se o credor, em quitação amigável, aceitar do devedor objeto diverso do pactuado e venha a perdê-lo por evicção. - Se o fiador indicar bens do devedor para serem executados em primeiro lugar, demorando-se o credor a executá-los, e caindo, posteriormente, o devedor em insolvência, libera-se o fiador. TRANSAÇÃO Trata-se de um negócio jurídico bilateral em que as partes fazem mútuas concessões, prevenindo ou extinguindo obrigações. É a composição amigável entre as partes, em que cada qual abre mão de suas pretensões, para evitar riscos de uma futura demanda (extrajudicial) ou extinguir um litígio que já foi instaurado (judicial). Exemplo: A alega que B lhe deve 200; B, por sua vez, admite que deve, mas afirma que a dívida é apenas de 100. As partes acabam entrando em acordo por 150. A transação somente é permitida em relação a direitos patrimoniais de caráter privado, ou seja, somente pode haver transação quanto a direitosdisponíveis, em que a parte pode dispor. Portanto, não é possível transaçãoem relação às coisas fora do comércio, como o estado e a capacidade daspessoas, legitimidade e dissolução do casamento, investigação de paternidade e alimentos (pode quanto ao valor, não quanto ao direito). COMPROMISSO Trata-se de um acordo de vontades (bilateral) por meio do qual as partes, preferindo não se submeter à decisão judicial (ou seja, a um processo judicial), confiam a árbitros a solução de seus conflitos de interesses. A exemplo da transação, também se restringe a direitos patrimoniais disponíveis. ESPÉCIES 1. CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA: (pactum de compromittendo – tem um caráter preventivo): é a promessa de celebrar o compromisso futuramente; convenção (preliminar) através da qual as partes, em um contrato, comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato. Deve ser estipulada por escrito e é autônoma em relação ao contrato. 2. COMPROMISSO ARBITRAL: é a regulamentação definitiva da arbitragem, feita após o surgimento do conflito de interesses. Pode ser judicial (quando ocorre no meio do processo, cessam as funções do Juiz togado e a partes passam a resolver suas pendências, a partir daí, por meio de nomeação de árbitros) ou extrajudicial (não foi ajuizada a ação. Pode ser celebrado por escritura pública ou escrito particular). OBS: A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes ou no prazo de seis meses, contado da instituição da arbitragem. Produz, entre as partes e seus sucessores os mesmos efeitos da sentença proferida pelos Juízes togados. Sendo condenatória, é considerada como um título executivo. A sentença proferida pelo árbitro não fica sujeita a recurso ou homologação do Poder Judiciário. No entanto pode ser impugnada se for nula (ex: o árbitro era absolutamente incapaz). Os árbitros são pessoas físicas capazes (exceto analfabeto) que tenha confiança das partes. Deve ser sempre em número ímpar. DIREITO DAS COISAS Podemos conceituar o Direito das Coisas como o conjunto de normas que regem as relações jurídicas concernentes aos bens corpóreos (móveis ou imóveis) ou incorpóreos (direitos autorais, propriedade industrial), suscetíveis de apropriação pelo homem, segundo uma finalidade social. Abrange: aquisição, exercício, conservação e perda de poder sobre os bens. POSSE Posse é o exercício pleno ou não de alguns dos poderes inerentes à propriedade (usar, gozar ou fruir, dispor e reivindicar). TEORIAS SOBRE A POSSE 1. Subjetiva (Savigny): Poder físico sobre a coisa e intenção de tê-la para si. 2. Objetiva (Ihering): Basta a disposição física ou possibilidade de exercer o contato sobre a coisa (dispensa-se a intenção de ser dono). Teoria adotada pelo CC. DETENÇÃO: ainda que uma pessoa exerça alguns poderes de fato sobre a coisa, a lei não o considera como possuidor, mas sim, um simples detentor da coisa (trata-se de um estado de fato inferior à posse). Isso decorre da situação de dependência econômica ou de vínculo de subordinação em relação à outra pessoa. Ex: Caseiro de sítio, motorista particular em relação ao carro do dono. Tem apenas a posse natural não podendo invocar ações possessórias nem usucapião. Obs.: Há entendimento no STJ no sentido de que a ocupação de área pública consiste mera detenção. NATUREZA JURÍDICA DA POSSE: A grande maioria de nossos civilistas entende que a posse é um Direito. A corrente mais seguida pela jurisprudência é a de que é um Direito Pessoal, pois o rol de Direitos Reais é taxativo no CC. Para a doutrina seria um Direito Real. ELEMENTOS DA POSSE Capacidade (pessoa natural ou jurídica), objeto lícito e possível (coisa corpórea ou incorpórea), forma livre e relação dominante entre o sujeito e o objeto (tudo que possa ser objeto de propriedade). FUNDAMENTO - Jus possessionis (posse formal): A Pessoa se instala no imóvel e se mantém de forma mansa e pacífica. Cria-se situação possessória que proporciona proteção à posse (contra terceiros e, em algumas hipóteses, contra o proprietário), independentemente de qualquer título. É fundado no fato da posse. - Jus possidendi (posse causal ou titulada): há uma causa justificando a posse. A pessoa possui um título ou outro direito real transcrito (enfiteuse, usufruto, etc.), ou contrato (locação, comodato, etc.). CLASSIFICAÇÃO DA POSSE 1) Quanto à extensão da garantia possessória a) Posse Direta (ou imediata): exercida por quem detém materialmente a coisa; a pessoa mantém o contato direto com a coisa (poder físico imediato). Ex.: posse exercida pelo proprietário, locatário, comodatário, etc. b) Posse Indireta (ou mediata): exercida por meio de outra pessoa que não mantém contato direto com a coisa, pois ela cedeu o uso da coisa para outrem. Ex.: proprietário que tem a posse através do inquilino. Tanto o possuidor direto como o indireto podem defender a posse um contra o outroreciprocamente, bem como ambos contra terceiros. Isso porque a pretensão possessória decorre da posse mediata ou imediata sobre o bem. Uma posse não anula a outra. 2) Quanto aos vícios objetivos a) Justa: Exercida de forma mansa e pacífica, pública e contínua. Isenta de vícios originais. Possuidor é o proprietário ou alguém autorizado por ele. b) Injusta: sua aquisição fundou-se em um dos vícios possessórios: Violência (por meio de força física ou moral), Clandestinidade (sem que o proprietário saiba) e Precariedade (abuso de confiança, era legítima no começo mas torna-se injusta na não devolução). A posse injusta pode ser defendida contra terceiros, mas não contra aquele de quem a tirou. O vício passa para os sucessores, ainda que tenham recebido de boa-fé. Tem-se a exceção no caso em que o adquirente a título clandestino ou violento prova que a sua clandestinidade ou violência cessaram há mais de ano e dia. O mesmo não ocorre com a precariedade, pois esta nunca cessa. OBS: Esbulho: é o ato pelo qual a pessoa é despojada, injustamente, daquilo que lhe pertence ou estava em sua posse, por violência, clandestinidade ou abuso de confiança. Turbação: é ato injusto ou abusivo que embaraça o livre exercício da posse. 3) Quanto ao elemento psicológico (subjetividade) a) Boa-fé: o possuidor ignora os vícios ou os obstáculos que lhe impedem a aquisição da coisa. Há a convicção de que a coisa lhe pertence e que está agindo de acordo com a lei. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção. Considera- se justo título para presunção relativa da boa-fé do possuidor o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse, estejaou não materializado em instrumento público ou particular. Compreensão na perspectiva da função social da posse. b) Má-fé: o possuidor tem ciência da ilegitimidade de seu direito de posse em razão dos vícios impeditivos de sua aquisição: violência, clandestinidade ou precariedade. Toda posse de má-fé é injusta, mas nem toda posse injusta é de má-fé. 4) Quanto à idade (Mais usada no Processual Civil) a) Nova: menos de um ano e um dia. b) Velha: é a que conta com um ano e um dia ou mais. Passado o prazo de 1 ano e 1 dia, a posse continua injusta, o que ocorre é que o proprietário-vítima não terá mais direito à liminar (para desocupação) na ação possessória. 5) Quanto aos seus efeitos a) Ad interdicta: quando molestada pode ser defendida pelas ações possessórias, mas impede a aquisição da propriedade por usucapião. Ex: Locatário. b) Ad usucapionem: prolonga-se por determinado lapso temporal previsto em lei, admitindo a aquisição do domínio pela usucapião. 6) Quanto à produtividade a) Produtiva (posse-trabalho ou pro labore): prática de atos que possibilitam o exercício da função social da propriedade (moradia ou investimentos econômicos). b) Improdutiva: o imóvel não é explorado, tornando-se inútil. AQUISIÇÃO DA POSSE A partir do momento em que pode exercer no seu nome os direitos de propriedade. 1. Aquisição Originária: decorre unicamente da vontade do adquirente (ato unilateral). Não há relação de causalidade entre a posse atual e a anterior. Espécies: a) Apreensão: aplica-se nas coisas de ninguém (res nullius), abandonadas (res derelictae) e nos bens retirados de outrem sem permissão (embora injusta, considera-se posse). b) Exercício de direito: utilização econômica do direito. Ex.: linha telefônica, servidão de aqueduto passada por terreno alheio sem oposição, etc. 2. Aquisição Derivada: há transmissão da posse do antigo possuidor ao novo (ato bilateral), em razão de um título jurídico, conservando o caráter anterior. Pode ser inter vivos (compra e venda) ou causa mortis (sucessão hereditária). a) Tradição: entrega da coisa. b) Constituto possessório (cláusula constituti): ato pelo qual alguém, que possuía um bem (móvel ou imóvel) em nome próprio, passa a possuí-lo em nome alheio. Ex: Proprietário vende a casa e o novo dono o deixa ficar como inquilino. c) Acessão temporal: A posse pode ser continuada somando-se o tempo do atual possuidor com o dos seus antecessores, facilitando a usucapião. Abrange a união (compra e venda, doação) e a sucessão (herdeiros continuam a posse em lugar do falecido). OBS: Para o STJ a pose de bem público sem a aquiescência do titular do domínio uma mera detenção precária. Quem pode adquirir a posse: a própria pessoa que a pretende (desde que capaz) ou seu representante: legal (pais, tutores e curadores) ou convencional com poderes especiais (mandatário). Terceiro, mesmo sem mandato, dependendo de ratificação posterior (gestor de negócios). EFEITOS DA POSSE 1. Faculdade de propor ações possessórias (interditos): tem a finalidade de defender e proteger a posse. A) Típicas (stricto sensu): Exige-se a condição de possuidor, mesmo que não tenha título. O detentor não tem essa faculdade. - Interdito proibitório: Proteção preventiva da posse, ante a ameaça de turbação ou esbulho, desde que haja justo e fundado receio de que estas possam ocorrer. - Manutenção da posse: Quando há turbação (direta ou indireta, positiva ou negativa), ou seja, ato que atrapalhe, incomode, moleste o livre exercício da posse, causando ou não danos (não há perda da posse). - Reintegração de posse: Quando há esbulho. Visa recuperar a posse. OBS: Em todas elas é possível cumular o pedido possessório com o de condenação em perdas e danos e a cominação de multa em caso de transgressão da ordem, ou em caso de reincidência na turbação ou no esbulho. Quando mais de uma pessoa se disserem possuidoras, será mantida provisoriamente aquela que tiver a coisa em suas mãos, se não a obteve de forma injusta. Havendo perecimento ou deterioração considerável da coisa, o possuidor somente terá direito à indenização. B) Atípicas (lato sensu): a posse é tutelada de forma indireta. Estão relacionadas com a posse, mas são mais ligadas à propriedade e ao direito de vizinhança, analisadas pelo Direito Processual Civil. - Nunciação (ou embargo) de obra nova: impede a continuação de obras no terreno vizinho prejudiciais ou em desacordo com a lei ou regulamentos administrativos. - Dano infecto: baseado no justo receio de que problemas no imóvel do vizinho lhe causem prejuízos. Obtém caução do vizinho contra eventuais danos. - Embargos de terceiro: remédio jurídico adequado para aquele que não era parte do processo, mas veio a sofrer apreensão judicial de seus bens (penhora), pois os mesmos estavam em poder de outrem. - Imissão de posse: Usada quando quem adquire um imóvel e não obtém a posse deseja obtê-la. Ex: Compro o imóvel e o antigo proprietário não sai. 2. Autotutela da Posse: Exercer a autodefesa nas situações. Os atos não podem ir além do indispensável à manutenção ou restituição da posse, devendo ser proporcionais à agressão. a) Legítima defesa: possuidor molestado pode reagir contra o agressor, empregando meios estritamente necessários para manter-se na posse. b) Desforço imediato: possuidor pode recuperar a posse perdida, empregando meios moderados, agindo pessoalmente ou sendo ajudado por amigos ou serviçais. 3. Frutos e benfeitorias: a) Possuidor de boa-fé: tem direito de usar e fruir a coisa e aos frutos percebidos. Cessando a boa-fé não tem direito aos frutos pendentes. Se colhê-los deve devolver deduzidas as despesas de produção e custeio. Deve ser indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis, podendo reter o bem até este valor. As voluptuárias podem ser levantadas. Obs: Súmula 335 STJ: “Nos contratos de locação, é válida a cláusula de renúncia à indenização das benfeitorias e ao direito de retenção”. b) Possuidor de má-fé: responde pela perda ou deterioração da coisa, ainda que acidental, salvo se provar que de igual modo se teria dado estando a coisa na posse do reivindicante. É responsável pelos frutos colhidos e percebidos e pelos que, por sua culpa, se perderam. Tem direito às despesas de produção e custeio (evitando-se o enriquecimento sem causa) e a indenização somente pelas benfeitorias necessárias, nada podendo reter ou levantar. PERDA DA POSSE: quando cessa o poder sobre o bem: Abandono, tradição, perda ou destruição total. COMPOSSE (ou compossessão): Duas ou mais pessoas exercem, simultaneamente, poderes possessórios sobre a coisa. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada um exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores. Pode ser Pro diviso (cada um possui uma parte específica) e Pro indiviso (não se sabe qual parte pertence a cada um). PROPRIEDADE É o direito que a pessoa física ou jurídica tem de usar (jus utendi), gozar (jus fruendi), dispor (jus abutendi ou dispodendi) de um bem (corpóreo ou incorpóreo) ou reavê-lo (rei vindicato) de quem injustamente o possua ou detenha. CLASSIFICAÇÃO 1. Plena: a pessoa possui todos os elementos da propriedade em suas mãos, sem que terceiros tenham quaisquer direitos sobre o bem. 2. Limitada (restrita): recai algum ônus (hipoteca, usufruto) ou é resolúvel. A pessoa abre mão de um ou alguns dos poderes da propriedade em favor de outrem. Pode ser nua propriedade (titularidade) e Domínio útil (direito de usar, gozar e dispor da coisa, não sendo o proprietário – enfiteuta, usufrutuário). Caracteres da Propriedade 1. Absoluto: o titular pode utilizar o bem como quiser, sujeitando-se apenas às limitações legais ou à coexistência do direito de propriedade de outros titulares. 2. Exclusivo:uma mesma coisa não pode pertencer com exclusividade (portanto ressalvado o condomínio, que recai sobre a parte ideal) e simultaneamente a duas ou mais pessoas. 3. Perpétuo: subsiste independente de seu exercício. 4. Elástico: pode ser distendida ou contraída no seu exercício, conforme lhe adicionem ou subtraiam poderes destacáveis (nua propriedade e domínio útil). Objeto: tudo que tenha valor econômico determinado e seja aproveitável pelo homem. Proteção – Ações 1. Ação Reivindicatória: É a ação do proprietário (só pode ser usada por ele) contra o possuidor sem título ou suporte jurídico, mesmo que de boa-fé. Deve provar o domínio (prova da propriedade: registro), a individualização da coisa (limites) e que está na posse injusta do réu. Faz com que o possuidor restitua o bem com todos os acessórios. Se impossível essa devolução por ter perecido a coisa, o proprietário terá direito de receber o valor da coisa. 2. Ação Negatória: defesa do domínio quando o proprietário sofre turbação no exercício de seu direito (empregada nos conflitos de vizinhança). 3. Ação Declaratória: dissipa dúvidas a respeito do domínio. 4. Ação de indenização proveniente de ato ilícito (ex.: destruição da casa em razão de danos provocados por um caminhão desgovernado). 5. Ação de indenização proveniente de ato lícito (ex.: desapropriação). PROPRIEDADE RESOLÚVEL Quando o próprio título de aquisição está subordinado a ocorrência de uma condição resolutiva ou de um termo final. Situações: a) Ocorrência de fato previsto no contrato: O próprio título constitutivo (contrato) prevê a causa da extinção do direito de propriedade: o implemento de condição resolutiva, ou a expiração de prazo (termo final). Exemplo: fideicomisso. O testador A (fideicomitente) deixa ao legatário B (fiduciário) uma casa até abril de 2040, quando então a propriedade será C (fideicomissário), filho de B e não concebido ao tempo da morte de A. Outro exemplo é a Retrovenda. Nessas hipóteses, a decisão que decreta a extinção do direito de propriedade produz efeitos ex tunc. b) Ocorrência de fato superveniente não previsto no contrato: caso de desfazimento da venda feita por condômino sem dar preferência aos demais condôminos ou na revogação de doação por ingratidão. Efeitos ex nunc. DA PROPRIEDADE IMÓVEL Aquisição: incorporação dos direitos de dono ao titular, podendo ser originária (acessão/usucapião - não há transmissão de uma pessoa a outra) ou derivada (contratos ou sucessão legítima/testamentária). ACESSÃO Direito que o proprietário tem de acrescer aos seus bens tudo o que se unir ou incorporar a eles, natural ou artificialmente.Espécies: 1. Ilhas formadas por força natural: Interessam ao direito civil somente as formadas em rios não-navegáveis. 2. Aluvião: Acréscimo de terras às margens do rio, mediante lentos e imperceptíveis depósitos naturais ou desvios das águas (aluvião própria). Não se consideram os realizados por ação humana. 3. Avulsão: Repentino deslocamento de uma porção de terra avulsa por força natural violenta, desprendendo de um prédio e juntando-se a outro. O dono do imóvel desfalcado perde a parte deslocada, mas pode exigir indenização dentro do prazo decadencial de um ano. Se o dono do imóvel acrescido não pagar a indenização, deve permitir a remoção da parte acrescida. 4. Abandono de álveo: Rio seca ou desvia seu curso de forma natural e permanente. Mesma solução da formação de ilhas: traça-se uma linha mediana imaginária, o álveo abandonado pertencerá aos proprietários ribeirinhos das duas margens até o seu meio, sem que os proprietários dos terrenos por onde o rio abriu novo curso tenham direito a indenização. 5. Acessões Artificiais (física ou industrial) – Deriva de um comportamento ativo do homem (ex.: plantações, construções), possuindo caráter oneroso. Submete-se à regra de que tudo aquilo que se incorpora ao bem em razão de uma ação, cai sob o domínio de seu proprietário. Se for em terreno alheio perde em proveito do proprietário, tendo direito a indenização se agiu com boa-fé. USUCAPIÃO Situação de domínio pela posse prolongada no tempo, independente da vontade do titular anterior. Necessita da posse e não pode ter havido oposição desta posse. Deve se requerido ao juiz que lhe reconheça a propriedade e a sentença deve ser registrada no registro de imóveis. Após um prazo não pode mais ser questionada. Também chamada de prescrição aquisitiva. Não pode ser requerida entre cônjuges na constância da sociedade conjugal, entre ascendentes e ascendentes durante o poder familiar, contra absolutamente incapazes. Não podem ser usucapidas: coisas fora do comércio, imóveis com cláusula de inalienabilidade e bens públicos. Modalidades 1. Extraordinária: Posse exercida de forma mansa e pacífica (ou seja, sem oposição,sem contestação de quem tenha legítimo interesse), contínua (sem interrupções) e com animus domini (intenção de dono). Se o proprietário ingressar com alguma medida judicial, quebra-se a continuidade da posse (lembrando que providências extrajudiciais não significam “oposição”). Prazo: 15 anos. Reduz-se para 10 anos se o possuidor estabelecer no imóvel sua moradia habitual ou realizar obras ou serviços decaráter produtivo. Não é necessário provar boa-fé ou justo título. Se adquirida pormeio de atos violentos ou clandestinos, não induzirá posse, enquanto não cessar a violência ou a clandestinidade; se adquirida a título precário, jamais se convalescerá. Sentença judicial. 2. Ordinária: Posse mansa, pacífica, contínua e com animus domini. Prazo: 10 anos. Reduz-se para 05 anos se o imóvel foi adquirido onerosamente, desde que o possuidor nele estabeleça sua moradia ou faça investimentos de interesse social e econômico (produtividade). Justo título – Ato jurídico que habilita uma pessoa a adquirir o domínio da coisa, mas que não produziu efeitos porque: a) otransmitente não era o dono da coisa, embora acreditasse sê-lo; b) o transmitente não tinha o direito de dispor da coisa ou a transferiu por ato nulo; c) houve erro no modo de aquisição (foi adquirido por instrumento particular, quando se exige escritura pública). Boa-fé – Ignorância de vícios que impediriam a aquisição dodomínio. Sentença judicial. 3. Especial: Não necessitam de título ou boa-fé. Em áreas rurais para imóveis com menos de 50Ha, destinados a moradia, posse por 5 anos ininterruptos e sem oposição, não ter outro imóvel e tornar a propriedade produtiva. Para áreas urbanas são as mesmas regras, exceto o tamanho (250m2), mas não precisa tornar produtivo. OBS: A posse por 2 anos de imóvel urbano de até 250m2, utilizada para moradia, dividida com ex-cônjuge que abandonou o lar, enseja o domínio integral, caso não possua outro imóvel. Usucapião coletiva e desapropriação A Lei n° 10.257/01 (Estatuto da Cidade) a admite quando áreas urbanas com mais de 250 m², ocupadas por população da baixa renda para sua moradia, por 05 anos, ininterruptamente, sem oposição e com animus domini, onde não for possível identificar os terrenos ocupados de cada possuidor e desde que não sejam proprietários de outro imóvel, urbano ou rural. Na sentença, o juiz atribui igual fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente da dimensão daquele que cada um ocupe. Um proprietário pode ser privado do imóvel que está reivindicando quando este consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas que nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados de interesse pessoal e econômico relevante. Assim, mantém-se no bem aquele que lhe deu uma função social. Trata-se da desapropriação judicial por posse trabalho. OBS: Usucapião é forma originária de aquisição. DIREITO HEREDITÁRIO Forma de transmissão derivadada propriedade que se dá causa mortis, em que o herdeiro (legítimo ou testamentário) ocupa o lugar do de cujus em todos os seus direitos e obrigações. Com a abertura da sucessão (morte do proprietário), a herança se transmite, de imediato, aos herdeiros. Estes são considerados, num primeiro momento, condôminos dos bens herdados. Realizado o inventário e a partilha é expedido o formal de partilha, a ser transcrito no registro de imóveis. Após isso cada herdeiro adquire a propriedade individual dos imóveis da herança. DA PROPRIEDADE MÓVEL Aquisição: 1. Originário a) Ocupação: Pode ser por ocupação propriamente dita (seres vivos ou coisas inanimadas), descoberta (quando alguém acha coisa móvel perdida – tem direito a recompensa chamada achádego) e tesouro (depósito antigo de moedas ou coisas valiosas – se achado no meu terreno é meu; no do vizinho reparte-se o tesouro, caso a descoberta seja por acaso. Se eu já tinha intenção, o tesouro é do dono do terreno). b) Usucapião: Como nos bens imóveis, pode ser extraordinária (sem justo título ou boa-fé – 5 anos) e ordinária (justo título – 3 anos). Posse mansa sem oposição. 2. Derivada a) Tradição: Real (entrega material da coisa), simbólica (atos que indicam a transmissão – entrega das chaves do carro) e consensual (Traditio longa manu: a coisa é posta à disposição do adquirente, por ser impossível a entrega manual, Traditio brevi manu: o adquirente já era o possuidor da coisa e se torna proprietário). b) Especificação: Transformação de uma coisa móvel em espécie nova, pelo trabalho ou indústria do especificador, desde que não seja possível reduzi-la à sua forma primitiva (esculturas, lapidação de pedras preciosas). c) Confusão(mistura líquida), comistão (mistura sólida) e adjunção(justaposição – tinta e parede): Coisas pertencentes a pessoas diversas se mesclam ou se misturam de forma a impossibilitar a separação. Se a mistura não foi autorizada e for possível a separação sem deterioração, cada coisa continua a pertencer ao seu dono. Se a mistura foi involuntária e for impossível a separação (ou se exigir dispêndio excessivo), a coisa permanece indivisa, ocorrendo um condomínio necessário. Neste caso cada um dos donos terá quinhão proporcional ao valor da coisa com que entrou para a mistura. Se uma das coisas puder ser considerada principal em relação às outras, o domínio da espécie nova será atribuído ao dono da principal, tendo este a obrigação de indenizar os demais. Se a mistura for promovida de má-fé a outra parte poderá optar por adquirir o todo, pagando o que não for seu, abatida a indenização que lhe for devida, ou então renunciar ao que lhe pertence, sendo indenizado. d) Sucessão hereditária: herança ou legado. PROPRIEDADE EM CONDOMÍNIO É sujeição de uma coisa (divisível ou indivisível) à propriedade simultânea e concorrente de mais de uma pessoa (condôminos). A cada uma será atribuída uma parcela ou quota ideal da parte que lhe couber sobre o objeto comum. CLASSIFICAÇÃO 1. Quanto à origem: Convencional (voluntário), Incidental (eventual) e Necessário (forçado - deriva de imposição da lei). 2. Quanto ao objeto: Universal (totalidade do bem) e Particular (sobre coisa determinada). CONDOMÍNIO CONVENCIONAL: Cada condômino exerce o direito de propriedade sobre a coisa toda, delimitado por igual direito dos demais condôminos, na medida de suas quotas, pertencendo a todos a utilidade econômica da coisa. O direito de cada condômino ante terceiros abrange a totalidade dos poderes da propriedade. Um condômino pode mover ação de despejo contra o inquilino, mesmo na omissão ou declarada oposição dos demais. Caso queira vender sua parte, o condômino deve respeitar o direito de preferência dos demais. A venda feita a um estranho com preterição da regra só será definitiva após o decurso do prazo decadencial de 180 dias (contado a partir do momento em que cada condômino teve conhecimento da venda). Cada um pode hipotecar ou dar em garantia real a sua parte e requerer a qualquer tempo a divisão da coisa. Cada um suporta os ônus da sua parte e despesas de conservação, bem como responde pelos frutos percebidos. Os condôminos podem usar a coisa comum pessoalmente e pela maioria dos votos, decidir se será alugada ou administrada por terceiros. Para que ocorra a venda basta a vontade de apenas um condômino. A divisão pode ser: a) Amigável – Escritura pública, quando todos os condôminos forem maiores e capazes. b) Judicial – Sentença do juiz, não havendo acordo ou se um deles for incapaz. Se o bem for indivisível, pode ocorrer a adjudicação: um condômino o compra, pagando preço proporcional aos demais. Não sendo possível esta, a venda se fará em hasta pública. Há preferência dos demais condôminos em relação a estranhos, em caso de igualdade de oferta. O preço obtido será repartido entre os condôminos, na proporção dos quinhões. CONDOMÍNIO FORÇADO: As paredes, cercas, muros e valas que dividem a propriedade imóvel, pertencem em condomínio aos proprietários confrontantes. Condomínio em Prédios de Apartamentos e Direitos de Vizinhança: Vários bizuleus. Qualquer dúvida ver Aula 10, páginas 29 a 37 DIREITOS REAIS SOBRE COISAS ALHEIAS É o direito de receber, por meio de norma jurídica, permissão para usar ou tê-la como se fosse sua, em determinadas circunstâncias, ou sob condição, de acordo com a lei e com o que foi estabelecido em contrato válido. É um rol taxativo. DIREITOS REAIS DE GOZO OU FRUIÇÃO 1)ENFITEUSE (Aforamento ou Emprazamento): Uma pessoa (nu proprietário – senhorio, possui o domínio direto) atribui a outra (enfiteuta – foreiro, tem o domínio útil), por ato inter vivos ou causa mortis o domínio útil de propriedade imóvel, de forma perpétua, mediante pagamento de foro anual e invariável, fixado proporcionalmente ao valor do domínio pleno. O CC proíbe a criação de novas enfiteuses ou subenfiteuses. - O Foreiro pode vender, doar e transmitir por herança. - Somente se constituía sobre bens imóveis: terras não cultivadas, terrenos destinados à construção e terrenos de marinha. O enfiteuta paga o foro uma vez por ano. - As partes podem alienar suas posições desde que deem preferência à outra (30 dias). - O laudêmio consistia no pagamento da importância de 2,5% sobre o preço da alienação, salvo disposição em contrário, pago pelo alienante ao senhorio direto, por ocasião da venda do bem. - O chamado resgate era uma opção do enfiteuta para adquirir a propriedade plena, extinguindo-se a enfiteuse. OBS: Não há usucapião entre os dois, mas um terceiro pode se aproveitar da inércia de ambos. Caso o foreiro não pague o foro por 3 anos consecutivos, ele paga uma penalidade chamada comisso (exige sentença judicial). 2) SUPERFÍCIE: Uma pessoa (proprietário, concedente, fundieiro) concede a outrem (superficiário – responsável pelos tributos) por tempo determinado ou indeterminado, gratuita ou onerosamente, o direito de construir e/ou plantar em seu terreno, mediante escritura pública, registrada no Cartório de Registro de Imóveis. Não autoriza obras no subsolo, exceto se for inerente ao objeto da concessão. Substituiu a enfiteuse, por sua maior utilidade econômica e social e não ser perpétua. - Pode haver transferência do direito a terceiros por ato inter vivos, de forma gratuita ou onerosa. Falecendo o superficiário o direito se transmite aos herdeiros. Em ambos os casos é proibida a estipulação de qualquer pagamento ao proprietário. Na alienação temos o direito de preferência que se não respeitado, a outra parte poderá depositar em juízo o valor pago pelo terceiro e anular a venda. - Se já houver construção, passa a se chamar direito real de superfície por cisão. - Extingue-se a superfície nas seguintes hipóteses: consolidação, inadimplemento contratual, advento do termo, renúnciado superficiário, distrato, perecimento ou desapropriação do bem, não uso do direito de construir ou plantar dentro do prazo convencionado. A extinção deve ser averbada no registro imobiliário. 3) SERVIDÃO PREDIAL: É o dever que tem o proprietário de um prédio (serviente) de suportar o exercício de alguns direitos em favor do proprietário de outro (dominante): transmissão de energia elétrica, aqueduto, esgoto, transitar em terra alheia, etc. É perpétua. Deve ser transcrita no RGI. Na dúvida, interpreta-se restritivamente contra a servidão, por implicar em limitação ao direito de propriedade. Os prédios devem ser de proprietários diferentes (se iguais->extinção). - O exercício incontestado e contínuo de uma servidão aparente por 10 anos autoriza o interessado a registrá-la no registro de imóveis, valendo-lhe como título a sentença que julgar consumada a usucapião. Se o possuidor não tiver título, o prazo será de 20 anos. - Uma vez fixada, a servidão deve ser conservada sempre no mesmo lugar. Mas o dono do prédio serviente pode mudá-la, mesmo contra a vontade do proprietário do prédio dominante, desde que faça às suas custas e não diminua as vantagens deste. A servidão também pode ser alterada se houver considerável incremento da utilidade e não prejudicar o prédio serviente. 4) USUFRUTO: atribui ao seu titular o direito de usar (ex: morar) coisa alheia (móvel ou imóvel) e/ou retirar os frutos por ela produzidos (ex: alugar), sem alterar- lhe a substância. O usufrutuário não é obrigado a pagar pelas deteriorações resultantes do exercício regular do usufruto. Em regra, os bens devem ser inconsumíveis e infungíveis. Se fungíveis ou consumíveis recebe o nome de quase usufruto ou usufruto impróprio (usufrutuário deve devolver coisa equivalente). Possui caráter assistencial, temporário, intransmissível, inalienável e impenhorável. Pode ser universal ou particular, conforme recaia sobre todos os bens ou não, pleno ou restrito, conforme refira-se a todos os frutos e utilidades ou não e temporário ou vitalício. - A constituição pode ser: -Legal (pais, enquanto no exercício do poder familiar são usufrutuários dos bens dos filhos menores. - Ato jurídico inter vivos: declaração de vontade unilateral ou bilateral, constituindo um negócio jurídico oneroso ou gratuito. Pode se dar por retenção, quando a pessoa conserva a propriedade e por retenção, quando transmite a nua propriedade, reservando para si o uso e gozo da coisa (idosa que doa aos filhos). - Ato de última vontade (causa mortis): testamento ou legado. - Sub-rogação real: quando o bem sobre o qual incide o usufruto é substituído por outro. - Usucapião: quando adquirido pelo decurso do lapso prescricional. - Sentença judicial: adquirido por força de decisão judicial. - Se recair sobre bens móveis basta a tradição. Sobre imóveis, precisa de registro, exceto se decorre de disposição legal. - O usufruto simultâneo, em que o instituidor o estabelece em favor de várias pessoas (pluralidade de usufrutuários), que a um só tempo gozam da coisa. A extinção se dá à parte, gradativamente, em relação a cada um dos que falecerem, salvo se, por estipulação expressa, o quinhão destes couber aos sobreviventes (direito de acrescer). - Não uso ou não fruição da coisa sobre a qual recai o usufruto é motivo de extinção. 5) DIREITO DE USO: É um direito real que recai sobre coisa alheia, a título gratuito ou oneroso, instituído por ato inter vivos ou causa mortis, pelo qual alguém utiliza a coisa, temporariamente, na medida das suas necessidades e de sua família (cônjuge, filhos solteiros e pessoas de seu serviço doméstico). A pessoa não pode ceder a outra. É temporário, indivisível, intransmissível, personalíssimo. Incide sobre bens corpóreos ou incorpóreos, imóveis ou móveis. Neste último caso o bem deve ser infungível e inconsumível. O não uso não causa extinção. Aplica-se as regras do usufruto no que couber. 6) DIREITO DE HABITAÇÃO: o titular ou sua família pode habitar imóvel alheio de forma gratuita. O objeto deve ser bem imóvel, destinado a proporcionar moradia gratuita. Temporário, personalíssimo, gratuito, com caráter assistencial e limitado. É mais restrito que o uso, pois consiste na faculdade de apenas residir pessoalmente e com sua família, não podendo ser cedido (alugado ou emprestado) a terceiros. Por esta razão não pode ser utilizado para estabelecimento de fundo de comércio ou de indústria. Deve ser inscrito no Registro Imobiliário. O cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens (sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança), tem o direito de habitação, enquanto viver, sobre o imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único imóvel residencial a inventariar. A lei é omissa quanto aos conviventes, mas a corrente majoritária lhes entende o direito. Aplicam-se regras do usufruto no que couber. DIREITOS REAIS DE GARANTIA Têm por finalidade garantir ao credor recebimento de seu crédito, por vincular determinado bem pertencente ao devedor. Se a dívida for assegurada por uma garantia real e o devedor não pagá-la, o bem dado em garantia poderá ser penhorado e vendido judicialmente. CARACTERÍSTICAS GERAIS 1. Direito de preferência: Do credor com garantia real. Havendo sobras, serão elas rateadas entre os demais credores. 2. Capacidade: somente podem prestar garantia real aqueles que tiverem capacidade para alienar os bens. 3. Objeto: apenas os bens suscetíveis de alienação podem ser dados em garantia. 4. Especialização e Publicidade: especialização é a descrição pormenorizada do bem dado em garantia. A publicidade na hipoteca e na anticrese ocorre com o registro do título constitutivo no Registro de Imóveis; no penhor com a tradição e a inscrição no Registro de Títulos e Documentos. 5. Acessoriedade: Extinta ou nula a dívida (obrigação principal), o mesmo ocorre com as garantias (acessórias). 6. Bem de família: não é possível hipotecar um bem de família voluntário. Não há proibição no caso do bem de família legal. 7. Cláusula comissória: Permite que devedor, após o vencimento, dê a coisa ao credor como pagamento de dívida (dação em pagamento). Não pode ser estabelecido que o credor fique com a garantia se a dívida não for paga no vencimento (pacto comissório). 8. Falido: não pode onerar os bens da pessoa jurídica. Em recuperação judicial pode, com autorização judicial. 9. Vencimento antecipado da dívida. Permite-se nas hipóteses do art. 1.425, CC. A dívida considera-se vencida: - se, deteriorando-se, ou depreciando-se o bem dado em segurança, desfalcar a garantia, e o devedor, intimado, não a reforçar ou substituir; - se o devedor cair em insolvência ou falir; - se as prestações não forem pontualmente pagas, toda vez que deste modo se achar estipulado o pagamento. Neste caso, o recebimento posterior da prestação atrasada importa renúncia do credor ao seu direito de execução imediata; - se perecer o bem dado em garantia, e não for substituído; - se se desapropriar o bem dado em garantia, hipótese na qual se depositará a parte do preço que for necessária para o pagamento integral do credor. 1) PENHOR É um direito real que consiste em regra na transferência efetiva da posse (tradição – alguns casos não precisa – penhor de veículos) de uma coisa móvel ou mobilizável, fungível ou não, corpóreo ou não, suscetível de alienação, realizada pelo devedor (devedor pignoratício) ou por terceiro ao credor (credor pignoratício), a fim de garantir o pagamento do débito. É um acordo de vontades, diferente da penhora que é umato judicial pelo qual se apreendem os bens de um devedor para saldar uma dívida não paga. É solene, escrito, acessório, por instrumento público ou particular, e precisa ser registrado para valer erga omnes. O credor não deve usar a coisa e sim conservá-lacomo depositário com diligência. Ao devedor cabe pagar as despesas com a guarda e conservação da coisa e deverá obter autorização do credor para a venda da coisa empenhada. CLASSIFICAÇÃO 1. Convencional: As partes convencionam a garantia conforme interesses. a) Civil e Mercantil; b) Rural: O devedor continua na posse direta dos bens empenhados: - Agrícola: sobre colheitas, frutos, lenha, etc. Tais bens são imóveis por destinação. Prazo máximo 3 anos. Caso a safra não pague, abrangerá a próxima. - Pecuário: recai sobre animais que integram a atividade pastoril. Prazo de 4 anos. Substituição dos animais, caso morram. Para alienar: autorização do credor. c) Industrial: recai sobre máquinas aparelhos e instrumentos utilizados em indústria, com ou sem seus acessórios. Não se transfere a posse ao credor; o devedor permanece como depositário dos bens. Alienar: Autorização do credor. 2. Penhor Legal: Surge por imposição legal. Protege certas pessoas, em determinadassituações, em que o credor se apossa dos bens do devedor, estabelecendo o direito real. A coisa deve pertencer ao devedor. Somente se completa com a homologação judicial. Se o credor assim não proceder, cometerá esbulho. Em algumas hipóteses onde houver o perigo da demora, o credor pode vender sem autorização do devedor. Ex: Hospedeiro sobre bagagens e coisas dos hóspedes, locador sobre as coisas do inquilino (questionável face à impenhorabilidade do bem de família). Penhor de direitos e títulos de crédito: Podem ser gravados os bens incorpóreos, como patentes e invenções, direitos autorais e de crédito. Constituído por instrumento público ou particular, registrado no Cartório de Títulos e Documentos. Penhor de veículos: qualquer espécie de transporte ou condução por via terrestre, prazo de 2 anos, prorrogáveis por mais 2. Instrumento público ou particular, registro no domicílio do devedor. O bem deve estar segurado. Havendo sinistro o penhor se sub-rogará na indenização. EXTINÇÃO: Perecimento da coisa (a dívida ainda existe, mas é um crédito quirografário – sem garantias). Renúncia ou remissão (perdão) do credor, de forma expressa ou tácita. Nulidade ou prescrição da obrigação principal. OBS: a extinção do penhor só produzirá efeitos depois de averbado o cancelamento do registro, à vista da respectiva prova. 2) HIPOTECA: É o direito real de garantia, de natureza civil, que grava coisa pertencente ao devedor (hipotecante) ou a terceiro, em regra imóvel, sem transmissão de posse, conferindo ao credor (hipotecário) o direito de vendê-la judicialmente, assegurando o recebimento preferencial de seu crédito. Excluem-se as coisas fora do comércio e as gravadas com cláusula de inalienabilidade. O objeto pode ser coisa de domínio direto (nua propriedade) e domínio útil (usufruto, uso, etc.), navios, aeronaves, estradas de ferro, etc. Os casados precisam da outorga para fazer. Os menores só poderão ter os bens hipotecados se forem representados e mediante prévia autorização judicial, provada a necessidade ou urgência da medida.O ascendente pode hipotecar bens a descendente, sem o consentimento dos demais. O credor não pode ficar com a coisa, mas pode excuti-la (venda judicial). O devedor pode alienar o bem a terceiro, sendo nula qualquer cláusula que proíba a alienação. Mas o bem continua gravado nas mãos do adquirente, que poderá remi-la. É permitida cláusula estabelecendo que se houver a venda do bem, vence-se de imediato o crédito hipotecário. Características: Trata-se de contrato acessório e indivisível. O devedor continua na posse do bem onerado, qualquer cláusula contrária é nula. Exige especialização e publicidade. É proibida a hipoteca com os dizeres geral ou ilimitada, ou que incida sobre bem futuro. A exceção é a hipoteca sobre edifício em construção. Além disso, deve estar registrada no Registro de Imóveis onde o bem está situado. Sem a inscrição a hipoteca não vale contra terceiros, mas apenas entre os próprios contratantes. Prazo máximo de 30 anos. Subipoteca: O mesmo bem pode ser gravado mais de uma vez, caso não haja cláusula proibitiva, devendo para cada uma executar um novo registro, revelando a existência da anterior. O 1º credor tem direito de preferência, inclusive se a hipoteca vencer antes. Mas se o devedor cair em insolvência, ainda que não vencida a primeira hipoteca, pode-se iniciar a execução coletiva contra ele. Direito de Remição: É o resgate da hipoteca, mediante quitação da dívida (obrigaçãoprincipal), independentemente do consentimento do credor. Perempção: Perempta a hipoteca pelo decurso do prazo, não se permite mais ao credor excuti-la. Para se manter a garantia é necessário um novo instrumento, submetido a um novo registro. Espécies 1. Convencional: acordo de vontades entre credor e devedor (contrato). 2. Legal: às pessoas de direito público interno sobre os imóveis pertencentes aos encarregados da cobrança, guarda ou administração dos respectivos fundos e rendas; aos filhos, sobre os imóveis do pai ou da mãe que se casar novamente, sem ter feito o inventário, pela morte do cônjuge anterior; ao coerdeiro, para garantia do seu quinhão ou torna da partilha, sobre o imóvel adjudicado ao herdeiro reponente (aquele que fica com um bem da herança e deve repor aos outros o valor em dinheiro). 3. Judicial: sentença que condena o réu ao pagamento de uma prestação em dinheiro ou coisa, assegurando-se sua execução. OBS: extinta a hipoteca, será averbado o seu cancelamento no Registro de Imóveis à vista da respectiva prova ou a requerimento de ambas as partes. 3) ANTICRESE É um direito real sobre coisa alheia que recai sempre sobre um imóvel, em que o credor (anticrético – anticresista) recebe a posse da coisa do devedor (anticrético), ficando autorizado a perceber-lhe os frutos e a descontá-los do pagamento da dívida, não podendo realizar venda judicial do bem. Só é permitida para bens imóveis alienáveis. Exige-se escritura pública, inscrição no registro imobiliário e entrega do imóvel e ainda a outorga conjugal, exceto no regime da separação absoluta de bens. Pressupõe capacidade das partes, objeto lícito e possível e forma prescrita ou não defesa em lei. Ao término do prazo legal ocorre a caducidade, transcorridos 15 anos de sua inscrição. Se ainda houver saldo a amortizar a dívida continua, mas o credor passa a ser quirografário. O Credor: Pode reter a posse do imóvel até 15 anos (se outro prazo menor nãofor pactuado), ou até que o crédito seja pago, conservando-o como se fosse seu. Deve apresentar anualmente balanço da administração da coisa. Pode arrendar a terceiros, porém o aluguel não é descontado do débito. Perecimento do bem: o credor não tem direito a sub-rogação, mesmo que o bem esteja no seguro (credor não tem preferência na indenização do seguro). O Devedor: Permanece como proprietário; pode alienar a terceiros. OBS: A anticrese possui semelhança com a hipoteca e com o penhor, mas com eles não se confundem. O objeto do penhor é um bem móvel e o credor que fica com a posse, não pode ficar com os frutos do bem; a anticrese recai sobre bens imóveis e o credor, que fica com a posse irá perceber os frutos da coisa e abatê-los da dívida principal. Diferencia-se da hipoteca, pois nessa, caso o devedor não pague a dívida, mesmo sem ter a posse, poderá promover a excussão (venda judicial do bem). Admite-se a cumulação da anticrese com a hipoteca. 4) PROPRIDADE FIDUCIÁRIA É o negócio jurídico em que uma pessoa (PF ou PJ – Fiduciante, alienante, devedor) transfere a outra (fiduciário, credor) a propriedade resolúvel (posse indireta) de um bem móvel infungível, como garantia de seu débito, até o adimplemento da obrigação. Subordina-se a condição resolutiva, uma vez que a propriedade fiduciária cessa com o pagamento da dívida. Requer instrumentoescrito (público ou particular); parte ter efeito contra terceiros necessita ser, devidamente inscrito no Cartório de Títulos e Documentos. Fiduciante: Não pode dispor da coisa. Deve intentar ação de consignação, se o credor se recusar a aceitar o pagamento. Fiduciário: Pode vender a coisa, aplicando o preço no pagamento de seu crédito e das despesas de cobrança, no caso de inadimplência do fiduciante, independentemente de excussão judicial, entregando ao devedor o saldo que porventura houver. É nula a cláusula que autoriza o fiduciário a ficar com a coisa alienada em garantia, se a dívida não for paga no vencimento. Execução do contrato: O credor inicialmente protesta o título. Caracterizada a mora do devedor, consideram-se vencidas as obrigações contratuais (vencimento antecipado da dívida), ajuizando-se ação de busca e apreensão e obtendo liminar. O devedor é citado para apresentar contestação ou purgar a mora (caso já tenha pago 40% do preço financiado), no prazo de três dias. Se o devedor não purgar a mora, nem devolver o bem, ou este não for encontrado ou não se achar em sua posse, o credor poderá requerer a conversão do pedido de busca e apreensão em ação de depósito. DIREITO REAL DE AQUISIÇÃO 1) COMPROMISSO OU PROMESSA IRRETRATÁVEL DE VENDA: Podemos conceituá-lo como sendo o contrato pelo qual alguém (promitente vendedor) se obriga a vender determinado imóvel a outrem (promitente comprador), pelo preço, condições e modos pactuados, outorgando-lhe a escritura definitiva assim que houver o adimplemento da obrigação. Trata-se de uma espécie de contrato preliminar o pré- contrato (pacto de contrahendo), pelo qual as partes se comprometem a levar a efeito um contrato definitivo de compra e venda. O comprador tem direito real sobre o imóvel comprado, transmissível a terceiros. Tem ainda direito à adjudicação compulsória (desde que adimplente e que o contrato esteja registrado) e deverá ser constituído em mora para que (se não pagar ou purgar a dívida) tenha rescindido o contrato. OBS: O STJ tem admitido a propositura da ação de adjudicação compulsória, mesmo que o compromisso irretratável de compra e venda não esteja registrado. OBS: Irretratabilidade do contrato pela ausência de cláusula de arrependimento: a simples omissão dessa cláusula torna o contrato irretratável e o vendedor não poderá se arrepender. No entanto, o contrato pode ser resolvido por inadimplemento ou por dissolução por mútuo acordo. O Adimplemento se dá por Escritura definitiva: as partes cumprem estritamente as cláusulas contratuais, sendo feita escritura e posteriormente transcrição no Registro de Imóveis. DIREITOS REAIS DE INTERESSE SOCIAL 1) CONCESSÃO DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA: Aplica-se às áreas de propriedade da União, inclusive aos terrenos de marinha e acrescidos, sendo conferida uma única vez, aos possuidores ou ocupantes que preencham os requisitos legais. Faculta ao particular a utilização privativa de bem público, para que a exerça conforme a sua destinação. 2) CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO: Também ocorre por ato administrativo vinculado ao Poder Público, sobre imóvel de propriedade da União. DIREITO DAS SUCESSÕES REGIME DE BENS ENTRE OS CÔNJUGES O regime de bens tem como objetivo é disciplinar o patrimônio dos cônjuges antes e navigência do casamento, de acordo com a sua vontade, mas dentro dos limiteslegais. Os contraentes podem combinar as regras do regimes entre si, criando um sistema misto. Pacto Antenupcial é umcontrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual os nubentesescolhem o regime de bens que vigorará durante o matrimônio. Deve ser feito por escritura pública (para não ser nulo) e seguido do casamento (para não ser ineficaz). Se os nubentes nada convencionarem ou sendo nula a convenção, vigorará o regime da comunhão parcial. Se optarem por qualquer outro regime, será obrigatório o pacto antenupcial porescritura pública. O pacto só produz efeitos a partir do casamento. Para que produza efeitos perante terceiros é necessário o registro no Cartório de Registro de Imóveis do domicílio do casal. Atualmente a lei permite a mutabilidade do regime adotado, desde que haja autorização judicial, atendendo a pedido motivado de ambos os cônjuges, após apuração de procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. Existem alguns atos que não podem ser realizados sem a autorização do cônjuge, como alienação, fiança, aval, gravar de ônus, etc. A autorização do cônjuge pode ser suprida judicialmente quando negada sem justo motivo por um dos cônjuges, ou quando for impossível sua concessão. CLASSIFICAÇÃO DOS REGIMES 1. REGIMES LEGAIS: A) REGIME DA COMUNHÃO PARCIAL (LEGAL OU LIMITADA): também chamado de comunhão de aquestos. Aquestos são os bens adquiridos a título oneroso pelos cônjuges na constância do casamento. Vigora no silêncio das partes ou no caso de nulidade do pacto antenupcial. Após o casamento, os bens adquiridos se comunicam entre os cônjuges. Também se comunicam as benfeitorias realizadas em bens particulares de cada cônjuge. Presumem-se (presunção relativa, pois permite prova em contrário) que os bens móveis foram adquiridos na constância do casamento, se não se provar que o foram em data anterior. No entanto, ficam excluídos da comunhão de bens que cada cônjuge possuía antes de casar (e os sub-rogados em seu lugar – produto da venda do bem), bem como os que vierem depois, por doação ousucessão. Também não se comunicam os bens de uso pessoal, os instrumentos de profissão e os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. Por outro lado cada consorte responde pelos próprios débitos anteriores ao casamento. OBS: Se um dos dois tem um imóvel adquirido antes do casamento e deseja vende-lo após o casamento, necessita de outorga do outro. No entanto se o cônjuge não puder ou não quiser fornecer sem um motivo plausível, o juiz pode suprir tal outorga. B) REGIME DA COMUNHÃO UNIVERSAL: Neste regime os nubentes podem estipular a comunicação de todos os seus bens, presentes ou futuros, adquiridos antes ou depois do casamento, ainda que adquiridos em nome de um só deles, bem como as dívidas posteriores ao casamento. Cada um tem direito a metade. Bens excluídos: os bens doados ou legados com cláusula de incomunicabilidade, dívidas anteriores ao casamento (exceto aquelas contraídas para os preparativos do casamentoe os reverteram para ambos após o casamento), os bens de uso pessoal, os livros e os instrumentos de trabalho, os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge, etc. C) REGIME DE PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS: durante a constância do casamento vigoram as regras semelhantes ao regime da separação total de bens; dissolvida a sociedade conjugal, em tese, vigoram as regras da comunhão parcial. Em se tratando de bens imóveis um não poderá sem a autorização do outro realizar os atos previstos no art. 1.647, CC (alienar, hipotecar, prestar fiança, etc.). No entanto, no pacto antenupcial pode-se convencionar a livre disposiçãotambém dos bens imóveis, desde que particulares. Com a dissolução da sociedade conjugal apura-se o montante dos aquestos (já vimos que aquestos são os bens adquiridos a título oneroso pelos cônjuges na constância do casamento), excluindo-se da soma o patrimônio próprio (Ex.: bens anteriores ao casamento e os sub-rogados emseu lugar, obtidos por herança, legado ou doação, etc.), efetuando-se a partilha e conferindo a cada consorte, metade dos bens amealhados pelo casal. Se os bens forem adquiridos pelo trabalho conjunto, cada um dos cônjuges terá direito a uma quota igual no condomínio. Acrescente-se que neste regime, se houver o evento “morte”, o cônjuge sobrevivente, além da meação terá direito à herança. D) REGIME DA SEPARAÇÃO DE BENS: Por esse regime