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Micoses: Superficiais e cutâneas Prof. MSc.: Luiz Eduardo Lacerda Agosto/2017 Faculdade Maurício de Nassau Curso: Biomedicina Disciplina: Micologia e Virologia Micoses É uma doença provada por fungos (leveduras ou filamentosos) que ao encontrar condições favoráveis (umidade, calor...), se reproduzem e originando um processo infeccioso que, dependendo do fungo ou da região afetada, pode ser superficial, subcutânea ou profundo. É uma relação parasitária, podendo ou não desencadear uma resposta inflamatória no hospedeiro. Estes fungos podem agir como patógenos primários ou oportunistas. Patógenos primários - são capazes de iniciar uma infecção num hospedeiro imunocompetente. Oportunistas - são fungos que convivem pacificamente com o hospedeiro, mas ao se depararem com distúrbios imunológicos do hospedeiro se aproveitam e desenvolvem uma infecção, invadindo os tecidos. Tipos de micoses Classificadas de acordo com os níveis teciduais de colonizados: Superficiais Limitadas às camadas mais externas da pele (áreas queratizadas), a haste livre dos pelos e unhas. Pittiríase versicolor, Tinea negra, Piedra branca e Piedra preta. Cutâneas Infecções mais profundas da epiderme e doenças invasivas dos pelos e unhas. Dermatofitoses, Candidose e por outros fungos não dermatófitos Subcutâneas Envolvem a derme, tecidos subcutâneos, músculo e tecido conjuntivo. Cromoblastomicose, Esporotricose, Micetoma (eumicetoma e actinomicetoma), Zigomicose, Rinosporidiose, Doença de Jorge Lobo, Feo-hifomicose e Hialo-hifomicose. Profundas ou sistêmicas Ocorrem nos órgãos internos e vísceras, podendo atingir muitos tecidos e órgãos diferentes. Paracoccidioidomicose, Histoplasmose, Coccidioidomicose, Blastomicose e Criptococose. Sistema tegumentar - pele Estrutura ungueal - unha Epiderme Derme Osso Micoses superficiais • Limitadas às camadas córnea da pele (áreas queratizadas) e a haste livre dos pelos. • Lesões se manifestam como mancha pigmentar na pele ou nódulos nos pelos. • Forma invasiva do fungo é uma hifa, característica de cada micose. • Não induz, na maioria das vezes, qualquer resposta inflamatória no hospedeiro. • Não são destrutivas e consequentemente assintomática. • Em geral de interesse estético e fáceis de diagnosticar e tratar. • Mecanismo de infecção mais comum: contato da pele ou mucosas com animais enfermos, solo ou objetos que contém o fungo patogênico. • Principais micoses: Pittiríase versicolor, Tinea negra, Piedra branca e Piedra preta Ceratofitoses Micose superficial Pittiríase Versicolor • Sinônimo: Tinea versicolor, micose de praia ou pano branco. • Afecção frequente, superficial (camada córnea da epiderme) e benigna • Agente etiológico: ➢Fungo dimórfico lipofílico. ➢Malassezia spp. (= Microsporum = Pityrosporum) mais comum Malassezia furfur • Epidemiologia: ➢Ocorre em todo o mundo. Prevalece nas regiões tropicais e subtropicais. ➢Atinge pessoas saudáveis de ambos sexos. Adultos jovens são mais afetados alta oleosidade. ➢Não encontrado em animais, nem como saprófito na natureza. Microbiota normal da pele humana. ➢Transmissão: direta (pessoa-pessoa) ou indireta (pessoa-objeto) com material queratínico de infectado. ➢Fatores endógenos para aparecimento das lesões: má-nutrição, pele gordurosa, elevada sudorese, fatores hereditários, uso de terapia imunossupressora e infecções parasitarias. Micose superficial Pittiríase Versicolor • Manifestação clínica: ➢Máculas (mancha) de cor variável – versicolor hipo (despigmentada – interfere na produção de melanina) ou hiperpigmentada (marrom ou avermelhada) ➢Nível variado de descamação fina (furfurácea) Para facilitar a visualização da descamação: ✓ Estiramento da pele afetada – sinal de zireli ✓ Passar unha sobre lesão – sinal da unhada ou de beisner ➢Bordas irregulares e delimitadas ➢Assintomático, podendo ter prurido brando em casos mais severos ➢Raramente causa foliculite, perifoliculite e abscessos dérmicos infecção do folículo piloso. ➢Não atingem mucosas, nem regiões palmar e plantar. ➢Amarelo fluorescente em lâmpada de Wood Lesão sob lâmpada de Wood Micose superficial Pittiríase Versicolor Micose superficial Pittiríase Versicolor • Diagnostico laboratorial: ➢Exame micológico direto das escamas ✓ Obtenção das escamas: raspagem epidérmica ou método Jarbas Porto (fita durex) ✓ Tratar com KOH 10% ou 20% descoloração (facilita visualização do material) ✓ Tinta azul permanente (ou tinta Parker) ou Hematoxilina-Eosina ✓ Ao microscópio células arredondadas ou ovoides com brotamento unipolar, geralmente em cachos, podendo produzir filamentos curtos e septadas. Micose superficial Pittiríase Versicolor • Diagnostico laboratorial: ➢ Cultura - meios: ✓ Ágar-Sabouraud + óleo de oliva ✓ Ágar Dixon-kimming ✓ Incubação: 35 a 37°C ✓ Crescimento: 5 a 7 dias ✓ Colônias: lisas, ou levemente pregueadas de coloração creme- brilhante ou opaca. ✓ Microscópio: células vegetativas globosas, com broto unipolar. Ocasionalmente aparecem hifas. ✓ Dependência de suplemento lipídico para crescimento em cultura. Micose superficial Tinea Nigra • Infecção rara e crônica, atinge camada córnea da epiderme. • Agente etiológico: ➢Fungo dimórfico demáceo, halofílico e nitrato positivo. Forma patogênica filamentosa. ➢Hortaea werneckii (= Exophiala werneckii = Phaeonnellonyces werneckii = Cladosporium werneckii) • Epidemiologia: ➢Ocorre principalmente nas regiões tropicais e subtropicais da América do Sul, mas também na África, Ásia e América central. ➢Crianças e adolescentes do sexo feminino são mais comumente afetados. ➢Encontrado na natureza (planta, solo, madeira e cortina de chuveiro) como saprófito. ➢Contraída por inoculação traumática (ferimento) do fungo na camada córnea da epiderme. ➢Não contagiosa Micose superficial Tinea Nigra • Manifestação clínica: ➢Lesões papulosas (elevada) que confluem, formando placas ➢máculas de cor negra ou castanho escuro ➢bordas irregulares ➢não invasão do folículo piloso ➢Atinge principalmente nas regiões palmar das mãos e plantar dos pés ➢Pouco ou nenhum desconforto, ou reação do hospedeiro Micose superficial Tinea Nigra • Diagnostico laboratorial: ➢Exame micológico direto das escamas ✓ Obtenção das escamas das bordas das lesões ✓ Tratar com KOH 10% ou 20% descoloração ✓ Pode ser corada com lactofenol-azul-algodão ou Hematoxilina-eosina ✓ Ao microscópio hifas septadas (septo distribuído regularmente) e ramificadas, de cor parda ou ocre. Com clamidósporos, artroconídios e leveduras em brotamento unipolar. Micose superficial Tinea Nigra • Diagnostico laboratorial: ➢ Cultura - meios: ✓ Ágar-Sabouraud + clorafenicol (antibiótico) ✓ Incubação: 25 a 30°C (não cresce em 37°C) ✓ Crescimento: 5 a 7 dias ✓ Colônias: ❖ inicialmente leveduriforme, mucóide (úmida) e brilhante de cor preto acastanhado ou olivácea. ❖ Com o tempo, desenvolve micélio aéreo aveludado de cor negro-acinzentado a verde-escuro. Micose superficial Tinea Nigra • Diagnostico laboratorial: ➢ Cultura - meios: ✓ Microscópio: ❖ colônia jovem (1 semana) – 2 leveduras unidas com divisão central hialino ou marrom claro. Uma extremidade arredondada e outra cônica de onde saem esporos assexuais. ❖ colônia velha (3 semanas) – hifas escuras, tortuosas, septadas e de paredes grossas e com ramificações de onde saem os esporos fusiformes com septo (anel) que se acumulam ao lado dessas ramificações. jovem velha Micose superficial Piedra Branca • Infecção crônica, benigna, de baixo contágio. • Agente etiológico: ➢Fungo dimórfico hialino ➢Trichosporon (T. cutaneum, T. montevidense, T. ovoide, T. cerebriforme,T. asahii, T. mucoides, T. asteroides, T. inkin) • Epidemiologia: ➢Ocorre em todo o mundo. Mais comum nas regiões tropicais e subtropicais. ➢Relacionada a umidade e falta de higiene. Mais comum em adolescentes. ➢Podem ser encontradas no solo, em vegetais em decomposição, no ar, escarro e pele. ➢Também atinge animais. ➢Trichosporon podem também causar lesões cutâneas em unhas, vaginite, estomatite, esofagite e fungemia (tricosporonose em imunocomprometidos). Micose superficial Piedra Branca • Manifestação clínica: ➢Nódulos branco amarelados, moles, geralmente únicos e localizados na extremidade do pelo, mas podendo aparecer também ao longo do pelo. Visível a olho nú. Facilmente destacáveis do fio. ➢Geralmente em pelos pubianos e axilas. ➢Penetram somente a cutícula externa da haste do pelo, sem invadir seu interior. ➢Causam fratura dos fios. ➢Assintomático. Micose superficial Piedra Branca • Diagnostico laboratorial: ➢Exame micológico direto dos fios ✓ Corta-se o pelo, podendo macerar para melhor visualização ✓ Coloca-se o pelo sobre a lamina com KOH 20% e cobre com lamínula ✓ Nódulos são constituídos de uma trama de hifas septadas hialinas, artroconídios, blastoconídios envolvidos por capsula gelatinosa e dispostas em volta do fio de cabelo. Micose superficial Piedra Branca • Diagnostico laboratorial: ➢ Cultura - meios: ✓ Ágar-Sabouraud + clorafenicol (antibiótico) ✓ Incubação: 25 a 30°C ✓ Crescimento: 7 a 10 dias ✓ Colônias: leveduriforme, cremosas, lisas, pregueadas ou cerebriformes, de textura pulverulenta ou aveludadada, de cor branco amarelada a acinzentada. ✓ Inibido por cicloheximida (antifúngico) ✓ Identificação das espécies: via provas bioquímicas assimilação de açucares, nitrato e teste de uréase (uréase positivo) e morfologia em ágar batata. Micose superficial Piedra Branca • Diagnostico laboratorial: ➢ Cultura - meios: ✓ Microscópio coradas com azul de lactofenol: hifas septadas e ramificadas, artroconídios, pseudo-hifas e blastoconídios. Micose superficial Piedra Preta • Sinônimo: Piedra negra, tinha nodosa, tricomicose dos estudantes ou tirana. • Benigna, incomum, caráter crônico e frequentemente recidivante. • Agente etiológico: ➢Fungo filamentoso demáceo Piedraia hortae • Epidemiologia: ➢Ocorre principalmente nas regiões tropicais da América central e do Sul (comum na Amazônia), mas também ocorre na África e Ásia. ➢Encontrado na natureza como saprófita. ➢Também acometem macacos e chimpanzés. ➢Altamente contagioso e relacionada a umidade, calor e falta de higiene. ➢Não atinge a pele, apenas os pelos. Micose superficial Piedra Preta • Manifestação clínica: ➢Nódulos pretos ou marrons escuros, duros, aderidos a fios de cabelo e eventualmente outros pelos. Visível a olho nú. Não destacam com facilidade. ➢Parasita o pelo sem invadir seu interior ➢Causam fratura dos fios. ➢Assintomático. Ascos com ascósporos Micose superficial Piedra Preta • Diagnostico laboratorial: ➢Exame micológico direto dos fios ✓ Corta-se o pelo, podendo macerar para melhor visualização ✓ Coloca-se o pelo sobre a lamina com KOH 20% e cobre com lamínula ✓ Ao microscópio sem maceração hifas escuras, ramificadas, paredes espessas, que estão intimamente unidas (pseudoparênquima), com ascos contendo 1 a 8 ascósporos na borda (visíveis após maceração). Micose superficial Piedra Preta • Diagnostico laboratorial: ➢ Cultura - meios: ✓ Ágar-Sabouraud + clorafenicol (antibiótico) ✓ Ágar-mel ✓ Incubação: 25 a 30°C (não cresce em 37°C) ✓ Crescimento: 2 a 3 semanas ✓ Colônias: inicialmente cremosa com textura lisa, tornando-se aveludada. São elevadas, aveludadas e cerebriformes (enrugadas) no centro, com bordas irregulares, cor marrom ou negra. ✓ Microscópio: hifas demáceas, septadas, paredes grossas, com clamidoconídios. ✓ Adição de timina permite melhor desenvolvimento da colônia. Micoses cutâneas • Infecções mais profundas na epiderme e doenças invasivas dos pelos e unhas. • Fungos que invadem toda a espessura da camada côrnea da pele, a parte queratinizada intrafolicular dos pelos ou a lâmina ungueal (unha). • Na pele, as lesões se manifestam como mancha inflamatória, nos pelos como lesão de tonsura e na unha por destruição da lâmina ungueal. • Contágio: contato da pele, mucosas, pelo ou unha, direta ou indiretamente, com homens e animais infectados, solo ou objetos que contém o fungo patogênico. • Principais micoses: Dermatofitoses, Candidose e por outros fungos não dermatófitos. Micoses cutâneas Dermatofitoses • Conhecida como “epinge”, “frieira” ou “pé de atleta”, “tinhas”. • Degradam queratina e produzem lesões na pele, pelos (até o folículo) ou unhas (superfície e área subunguenal), não invadindo tecidos mais profundos. ➢Agente etiológico ✓Fungos filamentosos - Dermatófitos ❖Epidermophyton - lesões na pele e eventualmente unha ❖Microsporum – pele, pelos e eventualmente unhas ❖Trichophyton – pele, pelo e unhas ✓40 espécies patogênicas humanas, 15 ocorrendo no Brasil ✓Mais comuns Brasil - Trichophyton rubrum, T. mentagrophytes, T. tonsurans, Epidermophyton floccosum, Microsporum canis e M. gypseum Micoses cutâneas Dermatofitoses ➢Epidemiologia ✓Universais, ocorrendo em qualquer idade, sexo ou raça. Infecções do couro cabeludo predominam em crianças; já tinhas dos pés e coxas em homens adultos. ✓Relacionada ao tipo de roupa, calçados, higiene pessoal e ambiente (calor e umidade). ✓Quanto ao habitat (ou reservatório) são divididos em: ❖Geofílicos - em solos e material queratínico em decomposição, infectam animais e humanos; ❖Zoofílicos - vivem em pelo e pele de animais, podem ser transmitidos ao homem; ❖Antropofílicos - vivem no homem e raramente infectam animais. ✓Fontes de infecção: contato direto com animais, solo ou indivíduo infectado. Permanecem viáveis em escamas de pele ou pelo por longos períodos. ✓Existe um fator fungistático natural - impede a penetração para áreas mais profundas da pele e para outros órgãos. Mucosas não são atingidas. Micoses cutâneas Dermatofitoses • Manifestações clínicas ➢Aspectos das lesões são bastante variados e resultam da combinação da destruição de queratina à resposta inflamatória, mais ou menos intensa, na dependência do binômio parasito/hospedeiro. ✓ Antropofílicos - pouca ou nenhuma reação inflamatória. ✓ Zoofílicos – reação inflamatória de média intensidade. ✓ Geofílicos - exuberância da inflamação, com tendência à cura espontânea. ➢Resposta inflamatória mediada por linfócitos CD4 avaliada pelo teste intradérmico de tricofitina. ➢ Indivíduos com dermatofitoses podem ter dermatofítides - lesões secundárias longe do foco da doença, em locais não queratinizados – devido ao estado de hipersensibilidade gerado por anticorpos circulantes. ➢Existem portadores assintomáticos – sem lesão aparente. Micoses cutâneas Dermatofitoses • Manifestações clínicas ➢Sintoma mais comum – coceira (prurigem) ✓Em pelos (tinea capitis e barbae) – manchas circulares elevadas com alopecia (tonsura – cabelo perde brilho e quebra), vermelhidão e escamação; ou como pápulas (elevação), pústulas (elevação com pús) e microabscessos (quérion) mais espalhadas, as “Kerion Celsi”. ❖ Ectotrix (fungo externamente ao pelo) ou Endotrix (internamente) ✓Pele lisa, glabra (tinea corporis e cruris) – manchas inflamatórias circulares vermelhas (nas bordas) e escamosas (no centro) que se expandem em um padrão centrípeto com clareamento central. ✓Pés (tinea pedis) – vesículas e bolhas que perfuradas liberam pús, descamação e fissuras. “Pé de atleta” ou “frieira”. ✓Unhas (tinha unguium) – tornam-se grossas, descoloridas, secas, elevadas, friáveis, escamosas e deformadas. Tineacapitis Tinea unguium Tinea pedis Tinea cruris Tinea corporis As tinhas são classificadas de acordo com o local anatômico ou a estrutura afetada: Micoses cutâneas Dermatofitoses • Diagnostico laboratorial: ➢Exame micológico direto ✓ Raspados da pele (nas bordas ativas), raspagem do material subunguenal e retirada com pinça estéril dos pelos ✓ Coloca-se sobre a lamina com KOH 20% (aquecido) ou DMSO (sem aquecer) e cobre com lamínula ✓ Pode-se adicionar tinta parker ✓ Ao microscópio hifas hialinas a esverdeada septadas com artrósporos. https://www.youtube.com/watch?v=v6PJBeewwXQ Micoses cutâneas Dermatofitoses • Diagnostico laboratorial: ➢ Cultura - meios: ✓ Ágar-Sabouraud + clorafenicol (antibiótico) + cicloheximida (inibe fungos saprofíticos) meio Mycosel ou Mycobiotic ✓ Incubação: 25 a 30°C ✓ Crescimento: 7 a 28 dias ❖ Trichophyton – colônia: algodonosa branca, com reverso de cor variada e desenvolvimento rápido. Microscopia: raros macroconídios cilíndricos, multisseptados, parede lisa e fina e muitos microconídios redondos, ovais ou piriformes que nascem ao longo da hifa. ❖ Microsporum – colônia: algodonosa ou pulverulenta, com reverso de cor variada (marrom a amarelo ouro) e desenvolvimento rápido. Microscopia: numerosos macroconídios fusiformes, multisseptados, grandes, parede rugosa e espessa, e poucos microconídios. ❖ Epidermophyton – colônia: aveludada, com sulcos radiados e de cor amarelo-esverdeado, e desenvolvimento mais lento. Microscopia: tem apenas macroconídios piriformes, multisseptados, parede lisa e espessa, com 2 a 4 células, isoladas ou em pequenos cachos, microconídio ausente. Micoses cutâneas Dermatofitoses Micoses cutâneas Dermatofitoses Micoses cutâneas Dermatofitoses Micoses cutâneas Candidose mucocutâneas • Sinônimo: candidíase mucocutâneas ou monilíase (desuso). • Afeta a pele (camada córnea), mucosas, unhas (lamina ungueal) e mais raramente sistêmica (atinge pulmões, intestino, sistema nervoso, endocárdio; pode causar síndrome septicêmica). • Provocam infecções agudas ou crônicas. ➢Agente etiológico ✓Exclusivamente leveduras – Candida ❖ Principal é Candida albicans – frequente em unhas, espaços interdigitais e dobra submamária e axilar. ❖ Outros espécies: C. parapsilosis, C. tropicalis, C. krusei, C. stellatoidea, C. guilhermondii e C. pseudotropicalis. ❖ Candida é oportunista – pode ser encontrado na pele e nas mucosas de indivíduos normais, como comensal (sem causar maleficio); a interferência de vários fatores exógenos e principalmente endógenos, pode torná-lo patogênico. Micoses cutâneas Candidose mucocutâneas ➢Epidemiologia ✓Universais, podem ocorrer em qualquer idade e ambos sexos. ✓Encontradas na natureza como saprófito ✓Encontrado como parte da microbiota endógena humana normal ❖ Isolada na boca, áreas flexurais, orofaringe, tubo digestivo, intestino, vagina e escarro em pacientes saudáveis, não causando doença. ❖ Existe um fator natural anticandida, em indivíduos normais. ✓Micose oportunista: ❖ Fatores que proporcionam o aparecimento da doença (fator endógenos): prematuridade, gravidez, diabetes mellitus, elevação dos glicídios vaginais, desnutrição, obesidade, uso de antibióticos de largo espectro (particularmente as tetraciclinas), de corticosteroides e imunossupressores; além de certas deficiências imunológicas (ex: HIV) ✓Micose ocupacional – ocorre com profissionais que lidam com umidade e tem contato prolongado e frequente com água e sabão, como as lavadeiras (fator exógeno). Micose cutânea Candidose mucocutâneas • Manifestação clínica: ➢Na pele (interdigitais, dobras virilha, axila e dobra submamária) – lesões úmidas, esbranquiçadas ou avermelhadas, de bordas descamativas. Forma crônica pruriginosa. ➢Unha – sem brilho, espessada, endurecida, com coloração escurecida. Pode se estender ao leito ungueal, podendo ter pús. Comum em lavadeiras. ➢Mucosas – lesões esbranquiçadas, com base vermelha úmida após sua remoção. ➢ Candidídes – lesão alérgica secundária distante da infecção – vesículas agrupadas. VulvovaginiteBalanite Dermatite de fraldas Candidose intertriginosa Estomatite cremosa ou sapinhoParoníquia Micoses cutâneas Candidose mucocutâneas • Diagnostico laboratorial: ➢Exame micológico direto ✓ Raspado de lesões de pele, unha, exsudato e secreções com KOH 20%, corar com Gram ❖ Gram – usada para diferenciação morfotintorial entre bactéria e levedura (cora violeta) ✓ Ou fazer biopsia do tecido corados com GMS ou PAS ✓ Ao microscópio – aglomerados de leveduras com blastoconídios globosos ou ovais de parede lisa e pseudo- hifas ramificadas. Micoses cutâneas Candidose mucocutâneas • Diagnostico laboratorial: ➢ Cultura - meios: ✓ Ágar-Sabouraud + clorafenicol (antibiótico) ✓ Incubação: 25 a 37°C ✓ Crescimento: 2 a 4 dias ✓ Colônia: coloração branca a creme, de consistência cremosa. ✓ Microscopia: blastoconídio, pseudohifa e alguns clamidósporos. ✓ Não adicionar cicloheximida (inibe cresc. de fungos oportunistas) ✓ Não crescem em Mycosel, pois contem cicloheximida Micoses cutâneas Candidose mucocutâneas • Diagnostico laboratorial: ➢ Cultura - meio: ✓ CHROMagar – meio cromogênico diferencial para isolamento das espécies de Candida ❖ Não é o suficiente para a identificação completa de leveduras ❖ Evidência possível cultura mista de leveduras cultivadas anteriormente em Agar Sabourad + Clorafenicol ❖ Sugere-se posterior teste bioquímico (a) Candida albicans (b) C. dubliniensis (c) C. tropicalis (d) C. glabrata (e) C. krusei Micoses cutâneas Candidose mucocutâneas • Diagnostico laboratorial de Candida albicans: ➢ Identificação micromorfologica ✓ Teste tubo germinativo ❖ Em soro bovino ou humano à 37°C por 3h ❖ Forma tubo sem constrição ✓ Teste de produção de clamidósporos ❖ Microcultivo em lâmina com ágar fubá + tween 80 à 25°C por 1 semana ❖ Pseudo-hifa com clamidósporos globosos e terminais ➢ Identificação bioquímica ✓ Teste de fermentação de carboidratos ✓ Teste de assimilação de carboidratos ✓ Citrato e uréase negativa Micoses cutâneas Candidose mucocutâneas Microcultivo em lâmina • Consiste em um cultivo em lâmina microscópica montada sobre uma placa de petri com meio para micromorfologia. • Também usada para identificação de fungos filamentosos – visualizar estrutura reprodutivas Micoses cutâneas Por fungos não dermatófitos • Há outras micoses cutâneas que não são causadas nem por fungos dermatófitos nem por Candida. • Destacam-se: Fusarium sp., Scytalidium dimidiatum e S. hyalinum Feo-hifomicose e hialo-hifomicose. • Podem causar lesões, principalmente, em unhas e em espaços interdigitais dos pés. • São universais, atingindo pessoas saudáveis e imunocomprometidos, de qualquer idade ou sexo. • Manifestações clínicas variadas e não distinguíveis das produzidas por dermatófitos. ➢S. dimidiatum Cultivo - colônia cotonosa, branca no início tornando-se cinza a negra em 10 dias. Microscopia - hifas demáceas e hialinas, com artroconídios septados ou não. ➢S. hyalinum considerado mutante de S. dimidiatum incapaz de sintetizar melanina, assim, as hifas e os conídios são sempre hialinos. ➢Fusarium sp. Cultura - macroscopicamente variadas, dependendo da espécie que causa a lesão. Microscopia - macroconídios em forma de lua, bi ou trisseptados. • Dificuldade diagnóstico confundir com dermatófitose e usar cicloheximida no meio não crescem.