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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS-TÉCNICO EM SEGURANÇA DO TRABALHO

Aula A01 da disciplina Leitura e Produção de Textos: apresenta conceitos e objetivos da leitura, relação leitura‑escrita, leitura crítica e orientações para produzir textos técnicos/ acadêmicos (resenha, resumo, artigo, relatório), incluindo uso de citações e referências.

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01
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Questionando o que lemos
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Coordenadora da Produção dos Materias
Vera Lucia do Amaral
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky
Coordenadora de Revisão
Giovana Paiva de Oliveira
Design Gráfi co
Ivana Lima
Diagramação
Elizabeth da Silva Ferreira
Ivana Lima
José Antonio Bezerra Junior
Mariana Araújo de Brito
Arte e ilustração
Adauto Harley
Carolina Costa
Heinkel Huguenin
Leonardo dos Santos Feitoza
Revisão Tipográfi ca
Adriana Rodrigues Gomes
Margareth Pereira Dias 
Nouraide Queiroz
Design Instrucional
Janio Gustavo Barbosa
Jeremias Alves de Araújo Silva
José Correia Torres Neto
Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade
Revisão de Linguagem
Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade
Revisão das Normas da ABNT
Verônica Pinheiro da Silva
Adaptação para o Módulo Matemático
Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho
EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Projeto Gráfi co
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da Educação
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Objetivos
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Leitura e Produção de Textos A01
Alguns aspectos importantes sobre a leitura, os seus diferentes conceitos, as diferentes 
formas de ler, que variam com os diferentes objetivos que temos e a relação entre 
leitura e escrita.
Iniciamos aqui o nosso percurso em uma nova disciplina: Leitura e Produção de 
Textos. Ao estudar a disciplina Língua Portuguesa, você já percebeu que toda a nossa 
comunicação cotidiana se estabelece a partir de textos que elaboramos de acordo 
com a situação que estamos vivendo. Lembra? São os gêneros textuais. Produzimos e 
lemos os diferentes gêneros através de competências que desenvolvemos em nosso 
processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem. 
Você também deve se lembrar que utilizamos, nesse processo de comunicação, 
diferentes linguagens que, muitas vezes, se complementam: a linguagem verbal e as 
não-verbais. A linguagem verbal nós utilizamos de duas formas: oral e escrita. Muito bem. 
É na linguagem verbal que essa nossa disciplina se concentrará. Em nosso processo de 
ler e produzir textos, principalmente textos de caráter técnico, acadêmico e científi co. 
Ao longo desta disciplina nós lidaremos com alguns conhecimentos necessários à 
produção de textos de natureza técnica, acadêmica e científi ca, tais como: resenhas, 
resumos, artigos científi cos, relatórios. Portanto, estudaremos as características e as 
formas de organização de textos dessa natureza, assim como formas de utilizar citações 
ou elaborar referências. A ideia é somar todos esses conhecimentos aos já adquiridos 
na disciplina Língua Portuguesa e pô-los em prática na elaboração de seus textos. 
  Compreender os diferentes conceitos de leitura.
  Conhecer os diferentes objetivos da leitura e sua relação com 
a produção escrita.
  Avaliar os textos para fi xar melhor o conhecimento.
  Refl etir acerca da leitura e da escrita como estudante de EAD.
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Leitura e Produção de Textos A01
Para começo
de conversa...
Infância
A Abgar Renault
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe fi cava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe fi cava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fi m da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Carlos Drummond de Andrade
Disponível em: <http://www.memoriaviva.com.br/drummond/poema002.htm>. Acesso em: 28 dez. 2009.
O poema de Drummond, anterior, fala de como as memórias de um menino são 
permeadas não só por acontecimentos cotidianos, como a imagem da mãe embalando 
o irmão mais novo, ou a ida do pai ao trabalho, mas pelas viagens da leitura. A leitura, 
nesse caso, para o entretenimento. Mas essa não é a única forma de ler nem o único 
objetivo da leitura. Ao longo desta aula falaremos sobre as inúmeras possibilidades de 
leitura e de como é necessário, ao estudarmos, questionarmos o que lemos de forma 
a aprender melhor e com criticidade.
1Praticando...
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Leitura e Produção de Textos A01
Relembrando
Se você retomar a segunda aula da disciplina Língua Portuguesa, vai encontrar lá algumas considerações interessantes sobre leitura. O fato, por exemplo, de que a leitura é fruto de uma sociedade mais individualista, ou seja, antes, 
nas sociedades primitivas, quando não havia a escrita, havia não um leitor, mas um 
ouvinte, assim como não havia um escritor, mas um narrador, que, em geral, passava 
ensinamentos acerca dos modelos ideais daquela sociedade. Lembre-se de que 
estamos nos concentrando aqui na linguagem verbal, assim não vale falar dos desenhos 
rupestres que eram registros permanentes e são textos pictóricos acerca dos modos 
de vida dos homens pré-históricos.
Muito bem. Voltando à aula 2 de Língua Portuguesa, vemos nela algumas dicas 
interessantes que podemos aplicar em nossa vida de leitores, que parte do princípio de 
que, em primeiro lugar, sempre devemos folhear o texto, dar uma olhada geral, apreender 
sua estrutra básica e os seus conteúdos mais gerais. Só depois, se for de nosso interesse, 
é que vamos atentar para os detalhes. Se o texto visar apenas entretenimento, em 
geral, não nos detemos muito sobre ele, mas se for para estudo, precisamos voltar a 
ele diversas vezes e compreender bem o seu conteúdo, coisa que conseguimos melhor 
quando sintetizamos, com nossas próprias palavras aquilo que lemos. 
Diante de tudo o que vimos sobre leitura até aqui podemos afi rmar, com certo nível de 
certeza, portanto, que sabermos quais são os nossos objetivos é aspecto fundamental 
para a qualidade da nossa leitura. Ou seja, leremos com menor ou maior aprofundamento 
na medida daquilo que almejamos com aquele texto: entretenimento ou produção 
técnica, acadêmica ou científi ca.
Como o nosso objetivo, nesta disciplina, é discutirmos a leitura voltada para a produção 
de gêneros técnicos, acadêmicos ou científi cos, vamos nos concentrar em uma leitura 
mais cuidadosa. Antes de continuarmos, no entanto, é bom rever alguns aspectos 
interessantes que já foram estudados antes, por isso, vamos a uma atividade de revisão.
Volte à Aula 2 de Língua Portuguesa e:
1. Elabore um conceito de leitura.
2. Explique como as diferentes abordagens a um texto se relacionam com 
os diferentes objetivos que temos com aquela leitura.
Socráticas
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Leitura e Produção de Textos A01
Questionando
o que lemos
Algumas técnicas facilitam a nossa compreensão do que estamos lendo, como as 
questões socráticas, aquelas questões próprias dos diálogos socráticos, na antiguidade 
grega, que tanto o mestre fazia aos seus discípulos com a fi nalidade de pôr em cheque 
o conteúdo de seu discurso, quanto as que os discípulos faziam ao mestre, tentando 
apreender os múltiplos aspectos do conteúdo discutido.
Questionar o que estamos lendo nos ajuda a fi xar o conteúdo e apreendê-lo em seus 
diversos matizes. Também nos ajuda a adquirir um posicionamento crítico, essencial na 
construção de nosso conhecimento. É que temos o hábito de considerar como verdadeiro 
tudo aquilo que lemos, é mais fácil não pensar sobre o assunto, não questionar, não criticar. 
No entanto, para efeito de estudo, questionar é fundamental. Criticar é um passo 
mais aprofundado que nos ajuda a
elaborar uma síntese, produção própria a partir do 
conhecimento a que tivemos acesso. Observe a Figura 1, ela nos oferece uma idéia de 
como se processa um estudo de qualidade.
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  Sócrates: fi lósofo 
ateniense e um dos 
mais importantes 
ícones da tradição 
fi losófi ca ocidental e 
um dos fundadores 
da atual Filosofi a 
Ocidental. Os diálogos 
socráticos são, na 
verdade, seu método 
de ensino. O Método 
Socrático é uma 
abordagem para 
geração e validação 
de ideias e conceitos 
baseada em perguntas, 
respostas e mais 
perguntas.
Vontade de estudar Capacidade de usar adequadamente
os instrumentos de estudo
A TÉCNICA DE ESTUDO COMPREENDE O
DOMÍNIO DE PRÉ-REQUISITOS
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Leitura e Produção de Textos A01
Figura 1 – Ler e compreender o texto
Vamos pensar algumas perguntas que podemos fazer a nós mesmos nesse processo? 
Essas questões foram adequadas de forma que o leitor possa questionar o que está 
lendo e a si mesmo quanto à compreensão de sua leitura. É óbvio que você não precisa 
fazer todas as questões. Elas dependem do que cada leitor deseja em relação ao texto. 
Se o leitor deseja esclarecer algo, verifi car algo, compreender a linha de raciocínio do 
autor, o ponto de vista, as perspectivas ou as consequências de suas afi rmações. 
Perguntas de esclarecimento
  O que o autor quer dizer quando afi rma que ______? 
  Qual é o ponto crucial de seu texto? 
  Qual é a relação entre _____ e _____? 
  Isso pode ser explicado de uma outra maneira? 
  Vejamos se entendi o ponto de vista do autor: ele quer dizer _____ ou 
_____? 
  Qual é a relação entre isto e o foco do problema/discussão/argumento? 
  Será que eu consigo resumir com as minhas palavras o que o autor 
disse?
  Ele traz algum exemplo? 
  _____ seria um bom exemplo disso? 
Perguntas que verifi cam suposições
  Qual é a suposição do autor aqui? 
  O que eu poderia supor em vez disto? 
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Leitura e Produção de Textos A01
  Todo o discurso do autor depende da ideia de que _____. 
  Por que ele baseou a sua hipótese em _____ em vez de em _____? 
  Parece que ele supõe que _____. Posso ter isso como uma verdade?
  É sempre assim? Por que ele acha que essa suposição é pertinente? 
  Por que alguém partiria desta suposição? 
Perguntas que verifi cam evidências e linhas de raciocínio
  Qual a linha de raciocínio do autor? 
  Como isso se aplica a este caso? 
  Existe uma razão para duvidar desta evidência? 
  Quem pode saber que isto é verdade? 
  O que ele diria a alguém que afi rmasse o contrário? 
  Algum outro autor apresenta evidências a favor deste ponto de vista? 
  Como ele chegou a essa conclusão? 
  Como podemos descobrir se isso é verdade? 
Perguntas sobre pontos de vista ou perspectivas 
  Em que implica essa afi rmação? 
  Quando ele diz _____, subentende-se _____? 
  Mas se isto acontecesse, quais seriam os outros resultados? Por quê? 
  Quais seriam os efeitos disso? 
  Isso aconteceria necessariamente ou é apenas uma possibilidade? 
  Existem alternativas? 
  Se _____ e _____ são verdadeiros, o que mais poderia sê-lo? 
  Se dissermos que ____ é ético, o que podemos dizer de _____? 
Perguntas que verifi cam implicações e consequências 
  Como posso descobrir isso? 
  Qual é a suposição dessa pergunta? 
  Seria possível elaborar essa questão de outra forma? 
  Que outro autor poderia esclarecer essa questão? 
  É possível subdividir essa questão? 
  Essa pergunta é clara? Entendi isso? 
  Essa pergunta é fácil ou difícil de responder? Por quê? 
  Para responder a essa pergunta, que outras perguntas é preciso 
responder primeiro? 
  Por que essa questão é importante? 
  Essa é a pergunta mais importante ou existe uma outra questão na qual 
essa se baseia? 
  É possível relacionar isso a algum outro conteúdo ou área de estudo?
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2Praticando...
Jorge Fernandes
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Leitura e Produção de Textos A01
1. Escolha um dos textos de seu curso. 
2. Leia-o, elaborando alguns questionamentos sobre esse texto. Utilize as 
questões expostas na aula.
3. Você acha que questionar o texto ajudou você a compreendê-lo melhor?
A leitura na rede
Não, não estamos falando aqui daquele hábito que herdamos dos nossos antepassados 
indígenas, daquele balançar malemolente que já é traço de nossa identidade nacional. 
A famosa rede que o poeta potiguar Jorge Fernandes eternizou em seu poema.
 Jorge Fernandes de 
Oliveira (1887-1953) 
nasceu em Natal-RN. 
É considerado um dos 
precursores da poesia 
modernista no Rio 
Grande do Norte, pois 
seu Livro de Poemas 
(1927), com poemas 
elaborados a partir 
dos pressupostos 
modernistas é 
marco na Literatura 
do RN e se insere 
no movimento 
modernista das 
décadas iniciais do 
século XX no Brasil. 
Um de seus mais 
famosos poemas 
fala sobre a rede, 
herança indígena, 
que suspensa entre 
armadores, embala 
os brasileiros em 
momentos
de descanso.
Estamos falando mesmo dessa rede que nos consome hoje. Criada para facilitar a 
nossa vida e a nossa comunicação, para agilizar a nossa produção e a divulgação do 
conhecimento, mas que, ao mesmo tempo, nos leva a acessar um sem-número de 
informações irrelevantes ou desnecessárias ou nos torna, muitas vezes, incapazes 
de refl etir ou de criticar o que acessamos, mecanizando nosso estudo a partir de três 
teclinhas perigosas Ctrl + C (copiar) e Ctrl + V (colar).
Praticando... 3Praticando...
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Leitura e Produção de Textos A01
Fonte: <http://tbn0.google.com/images?q=tbn:c-DbPTK2GFDAM:
http://www.galizacig.com/imxact/2005/11/acceso_internet590.jpg>. Acesso em: 28 dez. 2009.
A Internet nos leva a lugares que nem imaginávamos existir, nos permite acessar textos 
a que difi cilmente teríamos acesso, a conhecer o acervo de instituições renomadas, 
a descobrir novidades em todas as áreas do conhecimento, mas uma difi culdade se 
impõe: como processar todas essas informações? Que informações são relevantes? 
Que informações são desnecessárias? O que explorar sobre cada assunto pesquisado?
Em EAD, o estudo independente é uma ferramenta básica e fundamental, pois, além de 
atender às necessidades específi cas de alguns aprendizes, tem também a vantagem 
de permitir um ensino em larga escala. Além disso, o material de autoinstrução pode 
ser parte integrante de propostas interativas para ensino em rede, uma vez que permite 
estudo complementar independente.
Em EAD, mais do que nunca, é preciso interagir com o texto em busca de sentido. A 
melhor alternativa talvez seja priorizar tarefas que nos levem a interagir com o texto e 
a buscar, de forma indutiva e refl exiva, o uso de estratégias de leitura. Como norma, é 
interessante priorizar as perguntas de compreensão. As questões de cunho linguístico 
devem voltar-se para difi culdades específi cas.
Leia o texto a seguir e responda a algumas questões que procuram pôr em prática 
alguns dos conteúdos estudados nesta aula.
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Leitura e Produção de Textos A01
Texto 1
O uso cotidiano e a mídia trabalham juntos na
manutenção (ou não) das expressões populares
Nem sempre se percebe, mas aqui e ali surgem expressões novas. Quando surgem, vêm 
assim, de mansinho, e logo estão “na boca do povo”. É difícil saber quando algum deles 
vai se tornar moda e ser usado por muitos, ou quando será esquecido. Mas existem 
alguns indicadores que ajudam, ao menos, a apostar numa das alternativas.
Há pouco tempo, numa empresa de São Bernardo do Campo, SP, durante um telefonema, 
uma secretária reclamou com o departamento de Compras. Disse que a jarra da 
cafeteira estava quase quebrando. Avisou que havia o perigo de a jarra se quebrar, etc. 
Em certo momento da conversa, em tom um tanto exaltado, disse: “Você vai esperar 
a jarra quebrar?!”
Alguns dias mais tarde, outra funcionária, que ouvira apenas parte da conversa (essa 
acima, reproduzida entre aspas), numa tentativa de pressionar o departamento com o 
qual conversava, disse: “Olha que eu vou quebrar a jarra, heim?! Aí você vai ver!”. Na 
hora, ninguém entendeu. Mais tarde, a indignada funcionária repetiu que “se não se 
quebra a jarra, não se consegue nada”. Surgiu nesse dia, naquela hora, a expressão 
“quebrar a jarra”. Provavelmente, com o tempo, o sentido mude um pouco. É comum 
que isso aconteça. Mas, até lá, quebrar a jarra vai signifi car “chutar o balde”, “exaltar-
se”, “tomar providências drásticas”. 
Fonte: <http://www.discutindolinguaportuguesa.com.br/reporte10ditado.asp>. Acesso em: 28 dez. 2009.
1. O que signifi ca “a jarra quebrar” no segundo parágrafo do texto?
2. Que novos signifi cados a expressão ganha no último parágrafo?
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Leitura e Produção de Textos A01
3. Que relação entre o exemplo da jarra e o título do texto pode ser estabelecida?
4. O que o enunciado “Mas existem alguns indicadores que ajudam, ao menos, a 
apostar numa das alternativas” no primeiro parágrafo do texto, cria, em termos de 
expectativa, no leitor? Essa expectativa é satisfeita no texto?
5. Você conhece alguma expressão popular que tenha sido criada por um veículo de 
comunicação? Qual expressão e que veículo?
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Leitura e Produção de Textos A01
Leitura e
produção de textos
Sabemos que a leitura é uma atividade que nos permite ter acesso a todo o conhecimento produzido pelo homem. Mas nem sempre lemos apenas para compreender, também lemos para produzir, produzir conhecimento. Ou seja, 
lemos para nos aprofundarmos em determinados tópicos e construirmos nossos 
próprios textos. Esse tipo de leitura não é feita para distrair, mas para informar. 
Visamos com ela uma coleta de dados ou de informações que serão utilizadas em 
trabalhos para responder a questões específi cas. Nesse caso, deve-se ter sempre 
presente o objetivo da pesquisa: caso contrário, a leitura informativa torna-se distrativa 
ou passatempo.
A leitura informativa apresenta algumas fases que precedem a leitura propriamente dita 
e que também a sucedem e cuja gradação permite a elaboração do pensamento refl exivo 
e, assim, a construção do conhecimento científi co. Vejamos que fases são essas:
Fase de pré-leitura
Se você busca conhecimento acerca de um determinado assunto que o ajude a construir 
seu texto, em primeiro lugar, você vai ler para certifi car-se de que aquele texto que tem 
Praticando... 4Praticando...
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Leitura e Produção de Textos A01
diante de si apresenta as informações específi cas que você procura, assim você obtém 
uma visão global sobre o texto. 
A fi nalidade dessa fase é selecionar os documentos bibliográfi cos que contêm dados ou 
informações susceptíveis de serem aproveitados na fundamentação de seu trabalho. 
Além disso, essa fase possibilita a formação de uma visão global do assunto focalizado, 
visão indeterminada, mas indispensável para progredir no conhecimento.
Faz-se a pré-leitura, por exemplo, examinando a folha de rosto, os sumários e índices, 
a bibliografi a, as citações ao pé da página, a introdução e a conclusão. 
Vamos avaliar o seu aprendizado sobre pré-leitura?
Escolha um livro da área de seu interesse.
Abra-o e folheie-o rapidamente. Observe a capa, o sumário, orelha e contracapa.
Agora faça anotações acerca do que você pode dizer sobre o livro a partir, apenas, 
dessa pré-leitura. 
Tente responder às seguintes perguntas:
1. Qual o tema em foco no livro?
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Leitura e Produção de Textos A01
2. Como ele está organizado?
3. Quem é o autor e qual a sua autoridade para escrever sobre o tema em foco?
4. O que você identificou de mais interessante, em termos de conteúdo e 
estrutura, no livro?
Fase de leitura seletiva
Localizados os textos e as informações nos textos, procede-se à escolha dos textos 
mais apropriados, de acordo com os propósitos do trabalho. Selecionar é eliminar o 
dispensável para fi xar-se no que realmente é de seu interesse. 
Para selecionar os dados e informações é necessário defi nir os critérios. Os critérios 
da leitura seletiva são os propósitos do trabalho: o problema formulado, as perguntas 
elaboradas quando se questionou o assunto ou, em outros termos, os objetivos 
intrínsecos do seu trabalho. 
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Leitura e Produção de Textos A01
Fase de leitura crítica ou refl exiva
Após a seleção do material útil para o trabalho, ou seja, naquele momento em que você 
tem em sua mesa de trabalho uma infi nidade de livros, documentos, xérox e em seu 
computador ou pen drive mais uma série de arquivos coletados virtualmente, é hora 
de ingressar no estudo propriamente dito dos textos, com a fi nalidade de saber o que 
cada autor afi rma sobre o assunto que você pesquisa. 
Nesta fase são necessárias certas atitudes, como o culto desinteressado da verdade 
e ausência de preconceitos. É uma fase de estudos, isto é, de refl exão deliberada e 
consciente; de percepção dos signifi cados, o que envolve um esforço refl exivo que se 
manifesta por meio das operações de análise, comparação, diferenciação, síntese e 
julgamento; da apropriação dos dados referentes ao assunto ou ao problema.
A leitura crítica supõe a capacidade de escolher as ideias principais de cada autor 
e de diferenciá-las entre si e das secundárias. Os critérios de julgamento serão os 
propósitos do seu trabalho: assim, as ideias terão valor e serão úteis se interessarem 
à sua pesquisa. 
A análise dos documentos desdobra-se, portanto, em certo número de operações 
muito precisas:
a) identifi cação e escolha da ideia central e das ideias secundárias;
b) diferenciação ou comparação das ideias entre si a fi m de determinar a 
importância relativa de cada uma no conjunto das ideias;
c) compreensão do signifi cado exato dos termos ou dos conceitos que 
expressam;
d) julgamento do material, após escolha, diferenciação e compreensão. 
Fase de leitura interpretativa
Essa é a última etapa da leitura de um texto e sua aplicação aos fi ns particulares da 
produção científi ca. Esta fase implica um tríplice julgamento:
Praticando... 5Praticando...
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Leitura e Produção de Textos A01
I – Partindo das intenções do autor e do tema do texto, o leitor procura 
saber o que o autor realmente afi rma, quais os dados que oferece e as 
informações que transmite. Qual o seu problema, suas hipóteses, suas 
teses, suas provas, suas conclusões. Esta crítica objetiva é de grande 
importância: o leitor não pode incorporar no seu trabalho conclusões alheias 
que não repousem sobre provas convincentes.
II – A seguir, o leitor relaciona o que o autor afi rma com os problemas para 
os quais está procurando uma solução. Cada dado terá valor, utilidade ou 
importância se concorrer para solucionar o problema do leitor/pesquisador.
III – Finalmente, o material coletado é julgado em função do critério de 
verdade. O leitor/pesquisador deve duvidar da realidade de toda e qualquer 
proposição (é
a chamada dúvida metódica). Uma afi rmação sem provas terá 
apenas valor provisório, servindo como ponto de referência, nunca como 
conclusão, por maior que seja a autoridade do autor no assunto. 
Feita a análise e o julgamento, procede-se, enfi m, à operação de síntese, isto é, de 
integração racional dos dados descobertos em um conjunto organizado, que é o texto 
do próprio leitor.
Leia o texto que segue a partir das etapas relacionadas abaixo:
1. Identifi que o tema do texto e a opinião do autor acerca desse tema.
2. Faça um levantamento dos termos que você não compreende e, antes de prosseguir 
nesta atividade, procure o signifi cado desses termos em um bom dicionário.
3. Indique os principais argumentos utilizados pelo autor na defesa de sua opinião.
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Leitura e Produção de Textos A01
4. Identifi que a conclusão a que chega o autor.
5. Pesquise mais acerca da globalização e elabore um texto que evidencie seu 
posicionamento a favor ou contra o tema seguinte: “A globalização exige mais 
qualifi cação do trabalhador”.
6. Estabeleça relações entre o tema sugerido para você e as ideias apresentadas pelo 
autor do texto abaixo.
Texto 1: GLOBALIZAÇÃO – sobre o mundo do trabalho*
HOLGONSI SOARES
Prof. Ass. Depto de Sociologia e Política-UFSM
* Artigo publicado no jornal “A Razão” em 09.05.97
No lugar do trabalho organizado, altos níveis de desemprego estrutural; rápida 
destruição e reconstrução de habilidades; ganhos modestos, quando há, de salários 
reais; e o retrocesso do poder sindical.
(D.Harvey)
Considerando-se o caminho histórico temporal do processo de globalização (que 
começou há cem anos atrás), estamos vivendo atualmente os impactos da quinta 
fase deste processo denonimada por R. Robertson, de “fase da incerteza”. Nesta, as 
sociedades (sejam centrais, periféricas ou semiperiféricas) enfrentam-se cada vez mais 
com novas fontes de pressão, problemas de multinacionalidade e de politecnicidade, e 
questões sociais que atingem uma dimensão também global. O chamado “capitalismo 
tardio/multinacional” reorganiza as bases do mundo do trabalho para manter a obtenção 
máxima de saldos, pois como diz I.Wallerstein, “o acúmulo de capital requer uma evolução 
contínua na organização da produção”.
Assim, temos hoje um processo de produção no qual: a padronização cede lugar a uma 
grande variedade de produtos (a atração está no diferente); o controle de qualidade está 
presente em cada ritmo e sequência do processo, pois com a ampliação da concorrência 
ganha quem conquista o ISO (certifi cado de qualidade); e, os grandes estoques deixam 
de existir (a cada dia a mídia gera novas necessidades de consumo). No mundo do 
trabalho, o multiprofi ssional ocupa o lugar daquele que domina apenas uma tarefa; o 
treinamento é supervalorizado; a criatividade do trabalhador é incentivada, e a liderança 
participativa rompe com o comando autoritário.
Para que esta reorganização seja possível, a estrutura do mercado de trabalho está 
se adaptando ao novo paradigma produtivo e tecnológico, cujas palavras de ordem 
são: produtividade, competitividade e lucratividade. Porém esta adaptação está sendo 
feita com um custo social bastante elevado e consequências imprevisíveis para as 
17
Leitura e Produção de Textos A01
próximas décadas. A ruptura do compromisso keynesiano traz consigo um mercado 
no qual o emprego regular (ou de “tempo integral”) com segurança, salários reais, 
vantagens sociais, começa a se tornar escasso para a maioria; em seu lugar surge 
o emprego temporário, parcial, casual, e outras modalidades que representam na 
verdade, o chamado “desemprego disfarçado”, cujas condições de trabalho estão muito 
abaixo dos padrões aceitáveis, e reeditam o pré-fordismo principalmente nos países 
subdesenvolvidos. Somando-se a este, o “desemprego estrutural” (ou “tecnológico”) está 
afastando um grande número de pessoas do mercado de trabalho; torna-se global, e 
tende a crescer na mesma proporção dos requisitos tecnológicos.
A reorganização do mundo do trabalho na economia globalizada, portanto, é paradoxal; 
gerando uma incerteza em todos os aspectos do trabalho (mercado, emprego, renda 
e representação), constitui-se na realidade numa desorganização, que, parafraseando 
Gramsci, está refl etindo também no modo de viver, de pensar e sentir a vida hoje. Se a 
segunda revolução industrial trouxe a conversão do trabalho em trabalho assalariado, a 
terceira está trazendo o fi m deste, e convertendo progressivamente ciência e tecnologia 
em forças produtivas, o que representa grandes desafi os para o processo formativo e 
educacional do homem.
Disponível em: <http://www.angelfi re.com/sk/holgonsi/index.gtrabalho.html>. Acesso em: 30 dez. 2009.
Leituras complementares 
KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. 
São Paulo: Contexto, 2006.
Esse livro é uma ótima fonte de conhecimento. Nele você vai encontrar boas explicações 
sobre os aspectos que implicam na leitura. 
Também há belos fi lmes que tratam sobre a importância da leitura para as pessoas, 
tais como Uma leitora bem particular e Sociedade dos poetas mortos. O primeiro é uma 
comédia de 1998, do diretor francês Michel Devillee. Trata das experiências de uma 
moça que trabalha como leitora para pessoas que apresentam alguma necessidade 
especial. O segundo é um drama americano, dirigido por Peter Weir e trata não só 
da leitura, mas da possibilidade de transformação que a literatura pode trazer para 
os indivíduos. 
Autoavaliação
18
Leitura e Produção de Textos A01
Nesta aula, você viu como lemos por diferentes motivos e cada motivo leva 
a diferentes resultados quanto à compreensão dos textos. A leitura que 
visa mais que o mero entretenimento segue algumas etapas (pré-leitura, 
leitura crítica e leitura interpretativa) que, se seguidas, facilitam não só a 
compreensão dos textos, mas a melhor seleção de informações e também 
uma possível produção textual posterior.
Leitura Para Todos 
Carlo Carrenho 
Até 1808, o Brasil não possuía nenhuma publicação, pois Portugal proibira 
a existência de imprensa na colônia. Foi só com a chegada de D. João VI 
ao Rio de Janeiro que o País iniciou suas atividades gráfi cas e editoriais. 
Portanto, por mais de três séculos, o Brasil era uma nação praticamente 
sem acesso à leitura. Quase duzentos anos depois, temos uma indústria 
editorial ativa, criativa e de qualidade; nossa imprensa, com grandes jornais 
e revistas, atingiu um excelente patamar de desenvolvimento; e a internet foi 
adotada no País como poucas nações do mundo o fi zeram. Mas e o acesso 
à leitura? Até que ponto ele se democratizou?
Infelizmente, ainda é preciso muito trabalho para alcançar a total 
democratização da leitura no Brasil. E é justamente por isso que a proclamação 
de 2005 como o Ano Ibero-americano da Leitura pelos países que compõem 
a OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência 
e Cultura) é extremamente bem-vinda. No Brasil, o Ano Ibero-americano da 
Leitura ganhou o nome de VIVALEITURA e é coordenado em conjunto pelo 
governo, setor privado e 3º setor. Um dos principais objetivos do VIVALEITURA 
tem sido a criação de um banco de dados de projetos de leitura e a divulgação 
de um calendários de eventos e ações ligados ao livro e à leitura que 
acontecem no Brasil neste ano de 2005. Estes projetos e ações podem ser 
consultados no site www.vivaleitura.com.br.
19
Leitura e Produção de Textos A01
No entanto, mais do que divulgar projetos, o VIVALEITURA tem contribuído 
com a construção de um ambiente favorável ao incentivo à leitura. 
Graças à ótima receptividade que o ano comemorativo tem encontrado 
em todas as camadas da sociedade, é possível observar uma série de 
mudanças e atitudes de valorização da leitura. Os veículos de mídia, por 
exemplo, tem dedicado
mais espaço ao livro. A MTV foi ainda mais longe e 
freqüentemente tira sua programação do ar por alguns minutos, convidando 
os telespectadores a lerem um livro. Empresas como Nestlé, DPaschoal, 
Suzano e Itaú têm investido em ações em prol da leitura. No terceiro setor, 
são vários os projetos de qualidade de incentivo ao ato de ler. A Expedição 
Vaga Lume, composta por três garotas que espalham bibliotecas pela 
Amazônia, é um ótimo exemplo. E o governo não fi ca atrás. No fi m do ano 
passado, o livro foi completamente desonerado pelo Governo Federal. O 
projeto Livro Aberto, capitaneado pela Biblioteca Nacional, irá, até o fi nal 
do governo Lula, zerar o número de municípios sem bibliotecas no País. E 
há iniciativas positivas de áreas teoricamente distantes do terreno cultural, 
mas não da construção da cidadania, como o projeto Arca das Letras, do 
Ministério do Desenvolvimento Agrário, que já instalou 630 minibibliotecas 
em assentamentos agrários e comunidades quilombolas.
É claro que todas estas ações têm vida própria, e existiriam de forma 
independente, sem a ação do VIVALEITURA. O papel do ano comemorativo, 
portanto, tem sido apenas dar visibilidade aos projetos e permitir que o 
responsável por uma ação no Amapá saiba o que os gaúchos estão fazendo 
pela leitura, e vice-versa. O VIVALEITURA, na verdade, é um adubo que ajuda 
na germinação e desenvolvimento de cada uma destas sementes que a 
sociedade brasileira está plantando. Sua atribuição é justamente criar um 
ambiente propício ao desenvolvimento do hábito da leitura.
E tudo isso justamente para que o acesso à leitura seja uma realidade 
para cada cidadão brasileiro. Nenhuma cidadania é completa sem a leitura. 
Nenhum povo pode se considerar desenvolvido sem livros e bibliotecas 
acessíveis a todos. Enfi m, não existe democracia sem democratização 
da leitura.
O dramaturgo francês Francis de Croisset (1877-1937) disse certa vez 
que “a leitura é a viagem dos que não podem tomar o trem”. Mas temos 
de aprofundar neste conceito. Na verdade, é justamente a leitura que 
permitirá que cada cidadão se desenvolva e tenha acesso a qualquer trem 
e a qualquer viagem – não só no sentido fi gurado, mas acima de tudo, no 
sentido real. Ler é existir.
Fonte: <http://www.vivaleitura.com.br/artigos_show.asp?id_noticia=8>. Acesso em: 18jsn. 2010.
20
Leitura e Produção de Textos A01
Viva(mos) a leitura! 
Jorge Werthein 
Há no Brasil, de acordo com o Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional 
(Inaf), 16 milhões de analfabetos absolutos, com 15 anos ou mais (9% da 
população). Os estudos apontam, ainda, que só um terço dos brasileiros 
domina os princípios básicos de leitura e da escrita. Os outros 66% lêem, 
mas não entendem sequer textos simples. Dados revelam a necessidade 
de se investir na melhoria da qualidade do ensino para recuperar o tempo 
perdido e colocar o País no circuito das idéias contemporâneas, entre as 
quais se destaca a luta pela universalização da cidadania. Urge a formação 
de uma sociedade leitora. A leitura é um dos meios que o indivíduo tem de 
se comunicar com o mundo, de ter contato com novas idéias, pontos de vista 
e experiências que talvez sua vida prática jamais lhe proporcionasse. Não 
ler traz prejuízos que vão desde o desenvolvimento pessoal e profi ssional 
até a ampliação das desigualdades sociais. 
O Brasil é um país que lê pouco, mas que tem grande potencial para se 
tornar uma nação de leitores. Segundo o Inaf, 67% dos brasileiros se dizem 
interessados pela leitura. Conforme o Ministério da Cultura, o Brasil tem a 
maior indústria editorial daAmérica Latina com excelente nível de produção 
editorial, parque gráfi co atualizado e grande produção de papel. Se é assim, 
por que não lê? Não lê pela difi culdade de acesso ao livro e pela falta de 
bibliotecas e de livrarias. Calcula-se que 73% dos livros no País estejam 
concentrados nas mãos de 16% da população. Em cerca de 1 mil municípios, 
nos quais vivem 14 milhões de pessoas, não existem bibliotecas públicas; 
em 89% deles, não há livrarias. Para reverter esse quadro, o Ministério da 
Cultura, com a participação do Ministério da Educação, tem impulsionado o 
Programa Fome de Livro, apoiado pela Organização das Nações Unidas para 
a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil. Uma das novidades é 
a desoneração da comercialização e importação de livros, o que resultará 
em uma redução estimada de 10% nos preços. 
O Fome de Livro enfatiza ainda a importância das bibliotecas públicas e o 
desenvolvimento de parcerias e programas voltados à promoção da leitura. 
O programa é um importante passo rumo à democratização da leitura no 
Brasil, mas tem pontos que merecem atenção: o primeiro é a necessidade 
de capacitar professores para que apresentem a leitura aos alunos 
como uma atividade prazerosa; deve-se ainda garantir que as bibliotecas 
escolares tenham livros não apenas em quantidade adequada, mas também 
diversifi cados, que permitam ao aluno escolher a leitura com a qual se 
identifi ca. E os livros eletrônicos, também chamados e-livros, e disponíveis 
21
Leitura e Produção de Textos A01
em CD-Rom ou na internet, também mereceriam ter sido contemplados pelo 
programa já que as novas tecnologias são potenciais meios de democratizar 
o acesso à informação. 
Este ano foi escolhido pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) 
como o Ano Ibero-Americano para a Leitura. Países de todo o continente 
dedicarão esforços para cumprir um amplo calendário de eventos e metas, 
com o objetivo de aumentar a média de livros lidos anualmente por habitante. 
No Brasil, o Ministério da Cultura, em parceria com a Unesco e a Caixa 
Econômica Federal, lançou o “Viva Leitura”, para coordenar a realização 
dessa agenda. Esforcemo-nos para saciar uma fome que, idealmente, deve 
ser insaciável. Que os livros migrem das estantes para as mãos de muitos 
leitores. Afi nal, uma política de educação para todos requer também livros 
para todos. 
Fonte: <http://www.vivaleitura.com.br/artigos_show.asp?id_noticia=5>. Acesso em: 18 jan. 2010.
Leia os artigos acima e responda: 
1. Qual é o tema de cada autor?
2. O que cada autor defende sobre o assunto? 
3. Quem parece apresentar os melhores argumentos?
4. Qual a sua opinião sobre o tema “ leitura”?
5. Por que você prefere pensar dessa forma?
6. Com que autores você se identifi ca mais, então?
A partir daí, elabore um breve artigo em que você deixe claro o que já 
conhece sobre o assunto, em quem você se baseia para discutir e qual a 
sua opinião sobre o assunto.
22
Leitura e Produção de Textos A01
Referências
BRAGA, Denise Bértoli. Aprendendo a ler na rede: a construção de material didático para 
aprendizagem autônoma de leitura em inglês. Disponível em: <http://www.abed.org.
br/antiga/htdocs/paper_visem/denise_bertoli_braga.htm>. Acesso em: 30 dez. 2009.
BERVIAN, Pedro A.; CERVO, Amado L. Metodologia científi ca. 5. ed. São Paulo: Prentice 
Hall, 2002.
GARCEZ, Lucília. Técnicas de redação: o que é preciso saber para bem escrever. 2. ed. 
São Paulo: Martins Fontes, 2004.
ZAHAR, Cristina. Fala Mestre! Roger Chartier. Os livros resistirão às tecnologias 
digitais. Disponível em: <http://abruzaca.blogspot.com/2007/08/os-livros-resistiro-
s-tecnologias.html>. Acesso em: 30 dez. 2009.
Anotações
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Leitura e Produção de Textos A01
Anotações
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Leitura e Produção de Textos A01
Anotações
02
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Da leitura para a escrita
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Coordenadora da Produção dos Materias
Vera Lucia do Amaral
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky
Coordenadora de Revisão
Giovana Paiva de Oliveira
Design Gráfi co
Ivana Lima
Diagramação
Elizabeth da Silva Ferreira
Ivana Lima
José Antonio Bezerra Junior
Mariana Araújo de Brito
Arte e ilustração
Adauto Harley
Carolina Costa
Heinkel Huguenin
Leonardo dos Santos Feitoza
Revisão Tipográfi ca
Adriana Rodrigues Gomes
Margareth Pereira Dias 
Nouraide Queiroz
Design Instrucional
Janio Gustavo Barbosa
Jeremias Alves de Araújo Silva
José Correia Torres Neto
Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade
Revisão de Linguagem
Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade
Revisão das Normas da ABNT
Verônica Pinheiro da Silva
Adaptação para o Módulo Matemático
Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho
EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Projeto Gráfi co
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da Educação
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Objetivos
1
Leitura e Produção de Textos A02
Considerações acerca das diferentes formas que utilizamos para nos expressar através da escrita. Para isso, refl etimos sobre alguns “mitos” que costumam ser divulgados sobre o ato de escrever e sua relação com a leitura. Além disso, 
complementamos o que estudamos na aula anterior sobre leitura. Você viu que existem 
diferentes formas de ler um texto que partem dos diferentes objetivos que temos. Nesta 
aula, você irá perceber que traçar objetivos também é muito importante ao escrevermos.
  Compreender os aspectos que diferenciam as produções 
orais e escritas.
  Conhecer diferentes formas de organização das ideias na 
produção escrita.
  Elaborar objetivos e esquemas que facilitem o processo de produção 
escrita.
João Cabral 
de Melo Neto
2
Leitura e Produção de Textos A02
Para começo 
de conversa...
1. 
Catar feijão se limita com escrever: 
jogam-se os grãos na água do alguidar 
e as palavras na da folha de papel; 
e depois joga-se fora o que boiar. 
Certo, toda palavra boiará no papel, 
água congelada, por chumbo seu verbo: 
pois para catar feijão, soprar nele, 
e jogar fora o leve e oco, palha e eco. 
2. 
Ora, nesse catar feijão, entra um risco: 
o de entre os grãos pesados entre 
um grão qualquer, pedra ou indigesto, 
um grão imastigável, de quebrar dente. 
Certo não, quanto ao catar palavras: 
a pedra dá à frase seu grão mais vivo: 
obstrui a leitura fl uviante, fl utual, 
açula a atenção, isca-a com o risco. 
(Catar Feijão – João Cabral de Melo Neto )
O poema de João Cabral de Melo Neto associa o ato de escrever ao ato cotidiano de catar 
feijões. Isso pode nos parecer, à primeira vista, um tanto inusitado, porém, se lermos 
com cuidado o poema, vamos perceber o quanto o poeta pernambucano tem razão. 
Ao catar feijão, escolhemos cuidadosamente os melhores grãos, jogando fora grãos 
ocos e fragmentos de palha. Tradicionalmente, ao catar os grãos, jogamo-los na água e 
retiramos aqueles que boiarem, são os grãos ocos, desnecessários. Da mesma forma, 
ao escrever, devemos retirar do texto tudo o que sobrar, deixando-o preciso e objetivo.
O poeta aponta uma dessemelhança, entretanto, entre o escrever e o catar: no catar, 
jogamos fora as pedras, que podem quebrar um dente se forem cozidas junto aos 
grãos. No papel, a pedra é a ideia mais dura, aquela que chama a atenção do leitor, 
evitando que ele mergulhe numa leitura automática, que não instigue o raciocínio. Vamos 
discutir, ao longo de nossa aula, sobre a necessidade de pesarmos nossas palavras e 
pensarmos o nosso discurso?
  João Cabral de Melo 
Neto (1920 – 1999) 
foi um poeta e 
diplomata brasileiro. 
Sua obra poética, 
caracterizada pelo 
rigor estético, com 
poemas avessos a 
confessionalismos e 
marcados pelo uso 
de rimas toantes, 
inaugurou uma nova 
forma de fazer poesia 
no Brasil.
Mitos
3
Leitura e Produção de Textos A02
Escrever para quê?
Parafraseando Faraco e Tezza (2003, p. 9), não é fácil enumerar todos os motivos que nos levam a escrever. Escrevemos para dar ordens (É PROIBIDO FUMAR); para avisar de alguma coisa, para reclamar, para receitar, para advertir, para pedir, 
para tirar uma boa nota, para informar, para lembrar, para expressar o que sentimos, para 
contar uma história, enfi m... para um sem-número de coisas. Mas todos esses motivos 
podem chegar a um denominador comum: escrevemos para suprir uma defi ciência de 
nossa linguagem oral, ou seja, para alcançar algo ou alguém que nossa fala não consegue.
Na linguagem oral contamos com uma série de recursos que nos permitem agregar 
informação às palavras que desfi amos em discurso. Recursos tais como expressões 
faciais, gestos, entonação, comunicam por si mesmas e compõem junto aos enunciados 
os sentidos que pretendemos alcançar. Além disso, na linguagem oral o interlocutor 
tem sempre a possibilidade de interromper a fala do enunciador e pedir para explicar 
novamente algo que não fi cou claro. 
Na linguagem escrita essa possibilidade é rara, a não ser, evidentemente, através de 
bate-papos eletrônicos, em que os interlocutores estão conversando ao mesmo tempo, a 
maioria dos textos escritos a distância, no espaço e no tempo, separam os interlocutores.
Assim, a linguagem escrita precisa contar com recursos próprios, que permitam superar 
as difi culdades da distância. Por isso, é fundamental conseguir ordenar bem as ideias 
para poder expressar o pensamento da melhor forma possível e alcançar a comunicação.
Em geral, temos difi culdade em escrever, até porque essa não é mesmo uma atividade 
fácil como é a de falar, para nós, seres humanos. Alguns preceitos arraigados em nossa 
formação básica, ou em nossa cultura, também acabam por difi cultar esse processo. 
Lucília Gacez (2004), em seu livro Técnica de Redação, comenta alguns mitos que 
cercam o ato de escrever. Vamos retomar alguns desses mitos apontados pela autora 
e ver se você já ouviu ou acredita em alguns deles?
Mito 1: Escrever é um dom
Muitas pessoas afi rmam que só consegue escrever bem quem tem uma habilidade inata, 
um dom para isso. Em geral, as pessoas sentem-se amedrontadas diante da página 
em branco e não conseguem superá-la e acabam por acreditar que o que as impede é 
essa falta de um “dom” específi co.
Bem, lembre-se que não estamos discutindo aqui, a escrita literária. Mas a escrita 
técnica, acadêmica e científi ca, que tem características próprias e divergentes da escrita 
  Vale salientar que a 
palavra mito, aqui, 
está sendo usada 
com o sentido de 
falsa crença, ou seja, 
preceito arraigado e, 
em geral, equivocado, 
que é reproduzido 
socialmente e 
considerado como 
verdadeiro pela 
maioria das pessoas.
Carlos Drummond 
de Andrade 
4
Leitura e Produção de Textos A02
mais criativa. É óbvio que algumas pessoas têm o dom da escrita, assim como outras 
têm o dom da música e outras o dom da pintura, etc. Mas, mesmo essas pessoas que 
têm o dom, o que haveria com elas se nunca aprendessem a escrever? Provavelmente, 
o seu dom não iria se desenvolver tanto, não é mesmo? 
O fato é que a escrita é uma construção social e, portanto, coletiva, que se desenvolveu 
ao longo da história da humanidade e se transformou consideravelmente ao longo do 
tempo. Se é coletiva e evoluiu, é claramente acessível a todos os seres humanos a 
partir do domínio de sua técnica.
A criança não nasce sabendo falar ou escrever. Ela aprende a falar primeiro, mas ao 
longo de seu crescimento também aprende a escrever. Como? Dominando a técnica 
de segurar o lápis, de digitar no computador, de compreender as letras e as palavras e 
de seu uso nos enunciados. Assim, podemos afi rmar, com tranquilidade, que escrever 
é dominar tecnicamente a língua. 
Assim, em grande medida, o que determina a nossa maior ou menor familiaridade com a 
escrita, é o modo como aprendemos e desenvolvemos nossa linguagem, a importância 
que o texto escrito tem para nós e para a nossa sociedade e cultura e a frequência
com 
que colocamos em prática a própria escrita.
Acerca do ato de escrever, vejamos o que diz Carlos Drummond de Andrade, um dos 
poetas mais reconhecidos da literatura brasileira:
  (1902 -1987) foi um 
poeta, contista e 
cronista brasileiro. 
Se dividirmos o 
Modernismo numa 
corrente mais lírica e 
subjetiva e outra mais 
objetiva e concreta, 
Drummond faria parte 
da segunda, ao lado 
do próprio Mário
de Andrade.
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto, lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem, sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.
[...]
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue...
Entretanto, luto.
(O lutador – Carlos Drummond de Andrade).
Eu lírico
Praticando...Praticando... 1
5
Leitura e Produção de Textos A02
O poema “O lutador” é longo, aqui estão apenas alguns fragmentos, mas também 
é longa a luta do eu lírico apresentada no texto, não é mesmo? Carlos Drummond 
de Andrade, o autor, é o que podemos considerar uma pessoa que tinha o dom para 
escrever, no entanto, a escrita também não era um processo fácil e simples para ele, 
ele também tinha que se debater com as palavras. Podemos apreender desse poema, 
portanto, que mesmo as pessoas que têm o dom da escrita precisam colocar em prática 
esse dom e desenvolver a técnica. 
A técnica, em si, portanto, é acessível a todos. Ela só exige a prática. Quanto mais 
escrevemos, mais familiaridade temos com o processo.
  Eu lírico é o sujeito 
que, em um poema, 
expressa os seus 
sentimentos ou a sua 
visão de mundo.
1. Qual seria a diferença entre escrita literária e escrita técnica?
2. Leia os textos 1 e 2, a seguir e comente o que eles expressam sobre o processo 
de escrita.
Texto 1
A noite inteira o poeta
em sua mesa, tentando
salvar da morte os monstros
germinados em seu tinteiro.
Monstros, bichos, fantasmas
de palavras, circulando
urinando sobre o papel
sujando-o com seu carvão.
Carvão de lápis, carvão
da ideia fi xa, carvão
da emoção extinta, carvão
consumido nos sonhos.
(A lição de poesia – João Cabral de Melo Neto).
Clarice Lispector
6
Leitura e Produção de Textos A02
Texto 2
Esta é uma confi ssão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. 
E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a 
de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que 
temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E 
de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafi o para quem escreve. Sobretudo 
para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superfi cialismo. 
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com 
o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada 
num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope
(A descoberta do Mundo – Clarice Lispector)
Mito 2: Algumas “dicas” resolvem
o problema de quem não consegue escrever
Dicas podem ser muito úteis na hora de fazer uma prova de concurso ou um exame 
de seleção. Mas será que elas, de fato, resolvem as difi culdades de escrita? Muitos 
cursinhos oferecem receitas prontas com fórmulas preparadas para iniciar, desenvolver 
e concluir uma redação, mas esquecem que, para rechear essas fórmulas é necessário 
conhecimento do tema a ser desenvolvido, conhecimento de mundo, conhecimento da 
língua (lembra das competências para a leitura e produção de textos que você estudou 
na disciplina Língua Portuguesa?).
Não acredite em fórmulas prontas. Sua redação só vai ser realmente boa se você 
conhecer aquilo sobre o que você fala. Escrever bem é resultado de um processo que 
envolve leitura, refl exão e ação. Só assim você se envolverá realmente com o seu 
texto e o produzirá com a coesão e a coerência necessárias. As “dicas” serão úteis se 
associadas à prática da escrita e da leitura. Isoladas, elas poderão até confundir você. 
No entanto, se você lê e escreve frequentemente, mesmo que só para exercitar-se, você 
poderá, inclusive, prescindir das dicas.
Se você é um bom leitor deve pensar que isso também resolve seu problema com a 
escrita. Não é bem assim. Ler é, com certeza, um grande auxílio no processo de escrita, 
pois facilita nosso acesso à informações, desenvolve nossa capacidade de análise e 
nossa refl exão crítica, mas não é certo que quem lê muito escreverá bem. Pois se a 
pessoa só lê e não escreve, terá também difi culdades em escrever.
Assim, ler e escrever são atividades distintas, embora interligadas. Quanto mais lemos, 
mais convivência temos com textos de naturezas diversifi cadas, o que nos auxiliará, 
  (1920 -1977) foi uma 
escritora naturalizada 
brasileira, nascida na 
Ucrânia. De família 
judaica, recebeu 
o nome de Haia 
Lispector, terceira 
fi lha de Pinkouss e 
de Mania Lispector. 
Clarice Lispector 
surpreendeu a 
crítica com seu 
romance, seja pela 
problemática de 
caráter existencial, 
completamente 
inovadora, seja pelo 
estilo solto elíptico, 
e fragmentário, que 
críticos reputaram 
reminiscente de 
James Joyce e 
Virginia Woolf, se 
bem que ainda mais 
revolucionário.
Software
Download
Upload
7
Leitura e Produção de Textos A02
evidentemente no processo de escrita, pois compreenderemos melhor como adaptar 
nosso discurso para cada situação específi ca de comunicação. Mas além de ler, 
precisamos escrever.
Mito 3: Escrever não é tão
necessário no mundo moderno
A sociedade moderna está muito automatizada. Já não escrevemos mais cartas como 
antes, já não necessitamos de formulários de papel como antes. Esse fato pode nos 
levar a pensar, e muitas pessoas de fato pensam, que podemos prescindir da escrita. 
No entanto, paradoxalmente, quanto mais automatizado o mundo, quanto mais virtual, 
mais exigente em relação à leitura e à escrita.
Já não podemos mais contar apenas com uma caneta e um papel, precisamos conhecer 
os softwares de editoração de texto, já não lidamos apenas com uma atendente de 
correio para enviar nossa correspondência, precisamos criar endereços virtuais, dominar 
uma linguagem específi ca, com arrobas e abreviações (.com.br) e palavras criadas para 
agilizar a conversa informal (blz, naum, aeow).
Os velhos formulários de papel hoje estão on line e precisamos conhecer e fazer o 
download dos programas que nos permite abri-los e preenchê-los para, posteriormente 
fazermos um upload e enviá-los às instituições de origem.
Percebeu como o processo hoje, ao invés de mais simples está mais complexo? 
O mundo contemporâneo exige que dominemos mais linguagens e novos processos de 
escrita. Pois, na informática tudo é dominado pela escrita. Tudo o que somos, o que 
temos, o que realizamos, depende desses novos instrumentos. Ainda impera, em face 
da mutabilidade do tempo, a permanência da escrita.
Tudo o que escrevemos, no entanto, está inserido em uma situação social. Cada texto 
é regido por diversos fatores que se apresentam em cada situação específi ca. Assim, 
escrevemos, como falamos, adaptando nossa linguagem aos diferentes momentos que 
vamos vivendo. Uma carta familiar exige um nível menos formal da linguagem. Uma 
receita médica e um relatório exigem conhecimento técnico. Um artigo científi co, além 
do conhecimento técnico, exige o jargão acadêmico. 
A escrita é uma forma de organização do pensamento. É uma oportunidade para que 
o indivíduo demonstre
o que sente, conheceu, descobriu, investigou e sabe sobre 
determinado assunto. Saber escrever é compartilhar práticas sociais de diversas 
naturezas. Para cada situação, objetivo, desejo, necessidade, há uma imensa variedade 
de textos de que dispomos e que precisamos nos adaptar.
  Software, 
tecnicamente, é 
o nome dado ao 
conjunto de produtos 
desenvolvidos 
durante o processo 
de software, o 
que inclui não 
só o programa 
de computador 
propriamente 
dito, mas 
também manuais, 
especifi cações, 
planos de teste, etc.
 Download signifi ca 
descarregar, em 
português; é a 
transferência 
de dados de um 
computador remoto 
para um computador 
local, o inverso de 
upload (“carregar” 
em Portugal). Por 
vezes, é também 
chamado de puxar 
(ex: puxar o arquivo) 
ou baixar (e.g.: 
baixar o arquivo), 
e em Portugal de 
descarregar.
  Upload é a 
transferência 
de dados de um 
computador local 
para um servidor.
2Praticando...
8
Leitura e Produção de Textos A02
1. Refl ita sobre suas crenças pessoais acerca do processo de escrita. 
Elabore um texto, em primeira pessoa, em tom de depoimento, relatando 
quando e como aprendeu a ler e escrever. Reveja todo o seu percurso. 
Comente suas principais difi culdades para ler e escrever.
2. Releia, pondo-se no lugar de um leitor, o texto que você produziu, ou então, 
peça a algum de seus colegas de disciplina que o leia. Questione-se 
ou peça ao colega que questione você: o texto está claro? Há alguma 
passagem difícil de compreender?
Memória e pensamento
Ao escrever lidamos com a nossa memória, ou seja, colocamos no papel, de forma lógica e ordenada, aquilo que lembramos sobre um determinado tema. Essa memória é construída a partir do que lemos, vivenciamos, conhecemos 
acerca daquele determinado tema que vamos desenvolver. Fazem parte da memória, 
por exemplo, os conhecimentos sobre a língua, os conhecimentos sobre os diversos 
gêneros textuais, os conhecimentos gerais e específi cos sobre o tema a ser tratado. 
Assim, memória vazia, produz texto fraco, sem substância. Utilizamos a memória durante 
todo o processo de elaboração do texto e, quando ela não tem estoque sufi ciente 
para o assunto que vamos desenvolver, buscamos ajuda. Como se dá essa busca? 
Buscamos mais informações através de amigos, de livros, de sítios na internet, etc.
A escrita é, portanto, um processo que não se inicia ao começarmos o texto, mas muito 
antes. Cada texto está inserido dentro de uma prática social e nela adquire sentido. Ou 
seja, o que mobiliza um indivíduo a escrever um texto é uma necessidade, uma motivação 
que nasce de uma situação social específi ca. Essa situação vai exigir do indivíduo 
que ele dê sua opinião, expresse uma emoção, relate uma experiência, apresente 
uma proposta de trabalho, regule normas, comunique algo, enfi m, as necessidades 
motivadoras são as mais diversas, assim como o são, também, os objetivos a alcançar.
9
Leitura e Produção de Textos A02
Partindo dessa necessidade, o produtor já tem algumas informações sobre o texto, 
sufi cientes para poder elaborar um primeiro plano de trabalho:
  quais os objetivos a que o texto se propõe;
  qual o assunto/tema a ser abordado;
  qual o gênero mais adequado aos objetivos;
  quem vai ler;
  que nível de linguagem deve ser utilizado;
  quanto de subjetividade pode ser inserida no texto;
  quais as condições práticas para a produção do texto: tempo, apresentação 
e formato, por exemplo.
Partindo dessa base inicial, o produtor do texto vai organizar as próprias ideias e 
monitorar-se para não fugir da rota. Esse planejamento inicial é muito importante e 
ajuda o produtor a dispor suas ideias de forma efi caz. Ou, como afi rma Boaventura 
(2002, p. 8/9)
Sem estabelecer um plano sobre o que se vai escrever, as difi culdades depressa 
começam a surgir. Sem plano, há o risco de se perder sem se aprofundar em 
nenhum aspecto e pode-se acabar por fazer um trabalho superfi cial.
Para estabelecer o plano, precisamos pensar as partes que o texto deve conter. Claro 
que, dependendo do caráter do texto a ser desenvolvido e de seus objetivos as partes 
vão ser de natureza diferente, mas imprescindivelmente o texto conterá: introdução, 
desenvolvimento e conclusão.
O que contêm cada uma dessas partes, porém? Veja o esquema a seguir:
  Introdução: apresentação do tema de estudo.
  Desenvolvimento: as partes que apresentam os aspectos a serem tratados 
sobre o tema.
  Conclusão: a retomada de tudo que foi tratado de forma a fechar o assunto.
10
Leitura e Produção de Textos A02
Cada pessoa, no entanto, tem a sua forma específi ca de escrever, precisa desenvolver 
a sua técnica. Mas, para que alcance sucesso com o seu texto é preciso dedicar-se a 
ele. É preciso, por exemplo, ler e reler o texto após a sua produção. Essas etapas ainda 
fazem parte do processo de escrita. Nesse momento fi nal é importante perceber o texto 
observando se precisam ser:
  enfatizadas as ideias principais;
  reordenadas as informações;
  substituídas as ideias inadequadas;
  eliminadas as ideias desnecessárias ou repetidas;
  acrescentados exemplos, ilustrações, citações, argumentos;
  criados vínculos entre as ideias;
  estabelecidas hierarquias entre as ideias.
Como fazer esses ajustes? Para isso, é preciso:
  acrescentar termos ou expressões;
  eliminar termos ou expressões repetidos, inadequados ou desnecessários;
  substituir termos ou expressões;
  transformar, modifi car, reorganizar períodos;
  revisar linguisticamente, corrigindo problemas de ortografi a, pontuação, 
concordância, entre outros.
Mesmo depois de sua leitura, você ainda pode recorrer a uma segunda leitura, feita por 
outra pessoa. O olhar do outro é muito importante. Pois, como estamos habituados ao 
nosso texto, muitas vezes lemos o que queremos ler e não o que está lá. Outra pessoa, 
com olhos livres, poderá perceber detalhes ou falhas que nós não percebemos. Escritores 
famosos, em geral, submetem seu trabalho à leitura prévia, antes da publicação. 
PRÁTICA SOCIAL QUE EXIGE A ESCRITA
CONTEXTO DA PRODUÇÃO DO TEXTO
PROCESSAMENTO DO TEXTO
AVALIAÇÃO CONSTANTE DO PROCESSO
REVISÕES
ORGANIZAÇÃO REESCRITA
MEMÓRIA ASSUNTO MOTIVADOR
3Praticando...
11
Leitura e Produção de Textos A02
Enfi m, se pensarmos na escrita como um processo, podemos visualizá-la a partir do 
seguinte esquema:
 Que tal praticar um pouco a escrita? Pense em algum momento marcante de 
sua vida e procure relatá-lo. Para isso, trace um plano de trabalho: o que você 
vai relatar? Quando isso aconteceu? Por que esse momento é importante 
para você? Depois de escrever a primeira vez, leia em voz alta, procure 
perceber se o texto realmente diz aquilo que você queria dizer. Procure 
observar se há problemas linguísticos, corrija-os e só depois reescreva.
Autoavaliação
12
Leitura e Produção de Textos A02
Leitura complementar
<http://www.pucrs.br/manualred/prefacio.php>. 
Nesse site, você vai acessar o manual de redação da Pontifícia Universidade Católica 
(PUC) do Rio Grande do Sul, com uma série de explicações sobre os aspectos gramaticais 
da produção de textos e ainda alguns links para textos interessantes sobre redação.
Nesta aula, estudamos um pouco acerca do processo da escrita, desfazendo 
alguns mitos que cercam o ato de escrever, ressaltando as relações entre 
leitura e escrita e, também, reforçando a importância de uma organização 
prévia necessária ao processo de elaboração de textos.
  Identifi que nos textos seguintes, o tema discutido, a intenção comunicativa 
e o tipo de situação de comunicação em que ele pode estar inserido.
Texto 1
A infl ação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) 
recuou em seis das sete capitais pesquisadas
pela Fundação Getulio Vargas 
(FGV) na passagem da terceira para a quarta semana de junho. O maior 
recuo foi verifi cado no Rio de Janeiro, onde o indicador passou de 0,88% 
para 0,65% – um recuo de 0,23 ponto percentual.
Fonte: <www.g1.globo.com>. Acesso em: 5 dez. 2009.
Adélia Prado
13
Leitura e Produção de Textos A02
Texto 2
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, 
de vez em quando os cotovelos se esbarram, 
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão. 
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fi m, os peixes na travessa, 
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Adélia Prado
Texto 3
O comércio baseia-se na troca voluntária de produtos. As trocas podem ter 
lugar entre dois parceiros (comércio bilateral) ou entre mais do que dois 
parceiros (comércio multilateral). Na sua forma original, o comércio fazia-
se por troca direta de produtos de valor reconhecido como diferente pelos 
dois parceiros, cada um valoriza mais o produto do outro. Os comerciantes 
modernos costumam negociar com o uso de um meio de troca indireta, o 
dinheiro. É raro fazer-se troca direta hoje em dia, principalmente nos países 
industrializados. Como consequência, hoje podemos separar a compra da 
venda. A invenção do dinheiro (e subsequentemente do crédito, papel-
moeda e dinheiro não-físico) contribuiu grandemente para a simplifi cação e 
promoção do desenvolvimento do comércio.
Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio>. Acesso em: 5 dez. 2009. 
  (1935) é uma 
escritora brasileira. 
Seus textos retratam 
o cotidiano com 
perplexidade e 
encanto, norteados 
pela sua 
fé cristã e permeados 
pelo aspecto lúdico, 
uma das 
características de 
seu estilo.
Anotações
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Leitura e Produção de Textos A02
Referências
BOAVENTURA, Edivaldo. Como ordenar as idéias. 8. ed. São Paulo: Ática, 2002.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Ofi cina de texto. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
Anotações
15
Leitura e Produção de Textos A02
Anotações
16
Leitura e Produção de Textos A02
03
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Tópicos de Gramática
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Coordenadora da Produção dos Materias
Vera Lucia do Amaral
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky
Coordenadora de Revisão
Giovana Paiva de Oliveira
Design Gráfi co
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Diagramação
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Ivana Lima
José Antonio Bezerra Junior
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Arte e ilustração
Adauto Harley
Carolina Costa
Heinkel Huguenin
Leonardo dos Santos Feitoza
Revisão Tipográfi ca
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Margareth Pereira Dias 
Nouraide Queiroz
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Jeremias Alves de Araújo Silva
José Correia Torres Neto
Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade
Revisão de Linguagem
Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade
Revisão das Normas da ABNT
Verônica Pinheiro da Silva
Adaptação para o Módulo Matemático
Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho
EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Projeto Gráfi co
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da Educação
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Objetivos
1
Leitura e Produção de Textos A03
Uma seleção de tópicos gramaticais que representam problemas recorrentes para a produção de textos de toda natureza, principalmente aqueles que exigem mais acuidade em sua elaboração, como os de natureza técnica, acadêmica e 
científi ca. Ao longo desta aula você poderá pôr em prática o seu conhecimento acerca 
do uso de pronomes, advérbios, verbos e expressões que causam confusão para os 
usuários da língua portuguesa.
  Compreender alguns dos problemas mais comuns na 
produção de textos mais formais.
  Utilizar corretamente, em produções textuais, pronomes, verbos, 
advérbios e expressões que causam confusão entre os usuários da 
língua portuguesa.
2
Leitura e Produção de Textos A03
Para começo 
de conversa...
Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefi nido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
(O assassino era o escriba - Paulo Leminski).
O divertido poema do poeta curitibano Paulo Leminski utiliza a 
nomenclatura da gramática normativa para narrar uma pequena 
história. A gramática tem sido um motivo de grande preocupação 
para estudantes de língua portuguesa no Brasil desde longa data. O 
problema não é ela em si, no entanto, mas a forma como percebemos 
a sua importância. A gramática de uma língua é fundamental, sem 
gramática não teríamos como elaborar enunciados com sentido. No 
entanto, tendemos a acreditar que aprender gramática é o sufi ciente 
para aprender a escrever. E não é bem assim. Conhecer bem a 
gramática normativa não garante a qualidade de sua produção textual, 
ela é apenas um instrumento a mais que, se for bem utilizado, pode 
ser muito útil, mas não é o único instrumento.
3
Leitura e Produção de Textos A03
A escrita e a gramática
F alar e escrever são coisas muito diferentes, e nós já vimos algumas dessas diferenças ao longo de nossas aulas da disciplina Língua Portuguesa. Mas uma diferença que pesa bastante é que, ao escrever textos de natureza técnica, 
científi ca ou acadêmica, somos mais cobrados na atenção às normas da língua. Ou 
seja, precisamos estar mais atentos à gramática. Por isso, ao longo desta aula, vamos 
discutir alguns dos problemas mais comuns de quem lida com textos mais formais. 
Os diferentes “quês”
Um probleminha comum para quem escreve é o 
uso ou não da vírgula antes da palavra “que”. Já 
tivemos uma aula sobre vírgulas na disciplina Língua 
Portuguesa, portanto, aqui vamos só relembrar 
algumas razões que remetem à necessidade de usar 
vírgulas ao utilizar o “que”. Veja o exemplo:
4
Leitura e Produção de Textos A03
Exemplo 1
Algum tempo atrás, antes do real, você podia dizer que, no Brasil, o dinheiro 
não durava muito e logo perdia o valor. Mas não se pode dizer isso da nota 
de dinheiro. Aquela folhinha que a gente pega, dobra, amassa, põe no bolso 
e, principalmente, tira do bolso a toda hora...
Quantos quês foram utilizados no exemplo?
1. Você pode até dizer que, no Brasil, o dinheiro não dura muito e logo 
perde o valor.
2. Aquela folhinha que a gente pega, dobra, amassa, põe no bolso e, 
principalmente, tira do bolso a toda hora.
São duas orações: 
1. João é o homem.
2. Eu amo o João.
No primeiro enunciado o “que” vem depois do verbo (dizer) e não faz referência a 
nenhuma palavra ou expressão anterior, ele apenas conecta o verbo ao seu objeto 
(verbo dizer + objeto dinheiro). No enunciado entre o verbo e o objeto há uma informação 
intercalada (no Brasil) que é uma indicação do lugar sobre o qual se fala. As vírgulas 
estão presentes para demonstrar essa interlocução adverbial na oração. Portanto, 
entre o “que” e o verbo não há vírgulas. A oração principal
é “Você pode até dizer que 
o dinheiro não dura muito no Brasil”. 
No segundo enunciado, o “que” remete à “folhinha”. Neste caso, funciona como um 
pronome relativo, ou seja, como um elemento que remete a um nome. É o mesmo caso 
de “João é o homem que eu amo”.
5
Leitura e Produção de Textos A03
Para não precisarmos repetir João ou o homem, usamos o pronome relativo e unimos as 
duas orações. Todo pronome relativo introduz uma oração que está ligada a um nome, 
seja esse nome de pessoa, objeto, animal etc. Outro exemplo:
Exemplo 2
Os compositores de que gosto são brasileiros.
Há, além do “que”, uma preposição exigida pelo verbo. Quando gostamos, gostamos de 
alguma coisa, não é mesmo? Nesses casos em que há necessidade de uma preposição, 
ela entra na oração que o que introduz (de que, com que, a que, para que).
Mas em algumas orações em que o pronome relativo “que” surge, há necessidade de 
vírgulas. Vamos ver alguns exemplos?
Exemplo 3
A árvore, que é um ser vivo, pode adoecer.
Exemplo 4
Maria, que é feliz, nunca chora.
Nos exemplos 3 e 4, as orações entre vírgulas têm um “que” funcionando como pronome 
relativo, ou seja, remetendo aos sujeitos do enunciado que são, respectivamente, 
árvore e Maria.
Muito bem, mas essas orações introduzidas pelo “que” vêm entre vírgulas, por 
quê? Lembra da aula sobre uso da pontuação, na disciplina Língua Portuguesa? Lá, 
esclarecemos que usamos a vírgula sempre que intercalamos, na oração principal, um 
aposto, ou seja, algo que explica alguma coisa sobre quem a oração fala. No caso dos 
enunciados dos exemplos 3 e 4 é isso que temos: o primeiro explica que a árvore é um 
ser vivo; o segundo, que Maria é feliz. Explicadas essas coisas, compreendemos tanto 
o porquê da árvore adoecer quanto de Maria chorar.
6
Leitura e Produção de Textos A03
Assim, só utilizamos vírgulas em orações introduzidas pelo pronome relativo “que”, 
quando essas orações tiverem a função de aposto explicativo. 
Certo é que podemos nos confundir ou não identifi car, de pronto, se uma oração é 
explicativa ou não. Veja os exemplos a seguir:
Exemplo 5
O homem que fuma morre mais cedo.
Exemplo 6
O homem, que fumava, precisou sair do restaurante.
Por que há vírgulas no enunciado do exemplo 5 e não há vírgulas no enunciado do 
exemplo 6? Vamos analisar... Em “O homem que fuma” o “que” funciona como pronome 
relativo, certo? Pois ele remete à palavra homem. No enunciado do exemplo 6 também, 
“o homem fumava”, mas há uma diferença. No enunciado do exemplo 5 sabemos que 
todos os seres humanos morrem não é mesmo? Mas o que o enunciado quer dizer é 
que uma parcela dos homens, aqueles que fumam, morrem mais cedo que os demais. 
Assim, no exemplo 5 não há uma intenção de explicar no enunciado “que fuma”, mas 
de restringir em um amplo contingente, uma parcela que morre mais cedo. Portanto, 
“que fuma” é uma oração restritiva e não explicativa.
Já no enunciado do exemplo 6, a oração “que fumava” explica por que o homem precisou 
sair do restaurante. Ele saiu do restaurante porque fumava. Entendeu?
Outro detalhe: o pronome “que” não é o único utilizado como pronome relativo em 
orações explicativas. Observe os exemplos a seguir:
Exemplo 7
Minha mãe mora em Natal, onde a água costumava ser pura.
Exemplo 8
Essa garota, cujas ofensas já suportei, é muito indelicada.
1Praticando...
7
Leitura e Produção de Textos A03
Nos exemplos 7 e 8, as orações explicativas são introduzidas, respectivamente, pelos 
pronomes “onde” e “cujas”. Mas lembre-se, o pronome “onde” só deve ser utilizado 
quando nos referimos a lugares, no caso, a palavra a que ele remete é Natal.
  Exercite um pouco do que você aprendeu nas orações a seguir. Coloque 
as vírgulas onde for necessário.
a) O show de corrupção que Natal tem mantido em cartaz não estimula a 
população a imaginar que seja possível eliminar a criminalidade.
b) A multidão que estava faminta gritava sem parar.
c) Ela que não é boba disse que estava tudo errado.
d) O homem que assaltou o banco usava calça preta.
e) Ele que estava cansado gostou da massagem.
Os diferentes porquês
Uma coisa que incomoda a quem escreve também são as diferentes formas de grafar o 
“porquê”. Quando falamos, todos eles soam igual, então, por que escrevê-los de forma 
diferente? Isso só se justifi ca quando remetemos à função que cada um deles exerce 
na oração. Vejamos cada caso:
8
Leitura e Produção de Textos A03
Exemplo 9
Por que ele não veio?
Exemplo 10
Eu não sei por que ele não veio.
Por que
Nesse caso “por que” pode ser substituído por “por que motivo”. Ele investiga a causa 
de alguma coisa. Observe o exemplo:
No caso dos exemplos 9 e 10 há uma junção entre a preposição por e o pronome 
interrogativo “que”. Juntos eles devem ser utilizados em orações que interrogam 
(exemplo 9) direta ou indiretamente (exemplo 10). 
Existem casos em que por que é formado pela junção de preposição e pronome relativo. 
Nesses casos ele equivale a pelo qual, pelos quais, pelas quais, pela qual.
Exemplo 11 
A rua por que passamos não era a que procuramos.
No caso do exemplo 11, não há um questionamento direto nem indireto. O “por que” 
pode ser substituído por pela qual.
Por quê
Caso o questionamento, a interrogação que se faça não venha no início ou no meio da 
oração, mas no fi nal, é preciso agregar ao que, um acento circunfl exo, pois no fi nal da 
oração o monossílabo “que” passa a ser tônico, essa é a função do acento. Por isso, 
só usamos o “por quê” em fi nais de oração:
9
Leitura e Produção de Textos A03
Exemplo 12
– Você gosta dele?
– Claro. Por quê?
Exemplo 13
Não terminou por quê?
Não sei por quê!
Porque
A forma “porque” é explicativa. Poderia ser substituída na maioria dos casos por pois, 
já que, uma vez que, quando remete a uma causa, ou por para que, a fi m de, quando 
remete a uma fi nalidade. Veja o exemplo:
Exemplo 14
Ela não está falando comigo porque faltei ao nosso encontro.
Porquê
Essa forma é substantivada e, portanto, vem sempre acompanhada por um artigo (o 
porquê) ou por um pronome (esse porquê). Além disso, sofre mudança de número, ou 
seja, vai para o plural (os porquês). Vamos ao exemplo:
Exemplo 15
Os verdadeiros porquês do assassinato estão sendo investigados.
Praticando...Praticando... 2
10
Leitura e Produção de Textos A03
  Novamente vamos exercitar. Insira nas lacunas das orações abaixo os seus 
respectivos por que, por quê, porque ou porquê.
a) Ninguém sabe ___________ o secretário não assinou o documento.
b) O presidente assinou a medida provisória _____________ quis.
c) Afi nal, ele não veio _____________?
d) Qual o _____________ de sua demissão?
Onde ou aonde?
“Onde”, eis uma palavrinha muito utilizada. E, em geral, de forma 
inadequada, pois oralmente usamos indefi nidamente para indicar 
tempo, lugar etc. Veja os exemplos:
Exemplo 16
Em fevereiro, onde a nova lei será implantada, serão feitas alterações na 
estrutura pública.
Exemplo 17
Estive no estádio, onde é muito bonito, mas gostei mais do museu.
Exemplo 18
Curitiba, onde haverá eleições municipais, está tranquila.
Qual desses exemplos (16, 17 ou 18) apresenta o uso correto da palavra onde? Você 
consegue identifi car? Muito bem, você acertou se disse que o único enunciado correto é 
o exemplo 18. No padrão escrito, a palavra onde só deve ser utilizada para indicar lugar. 
Praticando...Praticando... 3
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Leitura e Produção de Textos A03
No caso, ele remete à cidade de Curitiba. Por isso, o termo a que o “onde” remete deve 
estar sempre próximo a ele. 
O uso excessivo do “onde” acaba por eliminar também de nossa prática o uso do 
“aonde”. O fato é que ambos são muito parecidos. O “onde” é utilizado em situações 
estáticas, enquanto o “aonde” é a combinação da preposição “a + onde”. Indica 
movimento para
algum lugar. Dá ideia de aproximação. É usado com os verbos ir, chegar, 
retornar e outros que pedem a preposição a. Veja alguns exemplos:
Exemplo 19
– Onde você está?
– Em casa.
Exemplo 20
– Aonde você vai?
– Para casa.
Percebeu a diferença? A casa, no exemplo 19, é um lugar estático onde se está. No 
exemplo 20, a pessoa ainda não está em casa, mas está a caminho, portanto, em 
movimento de ida.
  Coloque adequadamente nas orações abaixo “onde” ou “aonde”.
a) ___________ fi ca o Sudão?
b) Sabe __________ eles estão indo?
c) Estavam à deriva sem saber ___________ ir.
d) De ___________ você está falando?
e) Não sei ___________ ele estava com a cabeça quando disse isso.
12
Leitura e Produção de Textos A03
Este ou esse?
Os pronomes demonstrativos são palavrinhas bem versáteis da nossa língua. Eles têm 
três empregos, como veremos a seguir.
Indicam situação no espaço
Quando estamos remetendo, no texto, em geral em conversas 
orais, cujos interlocutores estão no mesmo local e falam sobre 
o que está a seu redor, podemos dizer:
Exemplo 21
– Esta sala está suja.
A sala é o local onde as pessoas participando do diálogo estão localizadas, portanto, 
o pronome “esta” remete a algo que está fora do texto, indica um espaço em que os 
interlocutores se encontram. 
Exemplo 22
– Esse quarto não está bem arrumado.
O quarto é um local que o enunciador está vendo, mas em que não está. Pode estar lá 
a pessoa com quem o enunciador fala.
Nesse caso, o pronome também poderia indicar um objeto a que uma das pessoas do 
diálogo se referisse.
Exemplo 23
– Este lápis é seu? (A pessoa precisaria estar próxima ao lápis)
– Aquela caneta vermelha é a minha? (A pessoa estaria distante da caneta).
13
Leitura e Produção de Textos A03
Resumindo:
  o lugar onde estou: este;
  o lugar onde você está: esse;
  o lugar distante do falante e do ouvinte: aquele.
Indicam situação no tempo
Quando remetemos, no texto, a situações temporais que estamos vivendo fora do texto. 
Se o tempo a que nos referimos é tempo presente (em curso), pode-se usar “este”. Se 
nos referimos a um tempo passado próximo, usamos “esse”. Se o passado a que nos 
referimos já está distante, usamos “aquele”.
Exemplo 24
Esta semana viajo para a Espanha. (A semana já está em curso)
Exemplo 25
Esse ano visitei minha tia. (A visita foi feita em algum momento do ano, num 
passado próximo, pois o ano ainda está em curso).
Exemplo 26
Aquele foi um ano feliz! (O ano de que se fala já passou, é um passado 
remoto)
Mas, quando saber se o lugar ou o tempo estão próximos ou distantes? Só o 
contexto pode nos ajudar nisso. No caso do tempo, a nossa relação com ele é ditada, 
principalmente, pela nossa psique. Em uma sala de espera de um médico, o tempo dura 
uma eternidade, se estamos nos divertindo com um grupo de amigos, no entanto, como 
ele passa rápido, não é? Assim, o que precisamos é nos guiar pelo contexto.
14
Leitura e Produção de Textos A03
Resumindo:
  tempo presente: este;
  passado ou futuro próximo: esse;
  passado distante: aquele.
Indicam situação no texto
Muitas vezes os pronomes remetem a termos ou expressões utilizadas dentro do texto. 
Nesses casos é que costumamos nos confundir mais. 
Se o termo de referência ainda vai ser anunciado, usamos este.
Exemplo 27
O presidente disse esta pérola: “Nossa política não possui erros”.
No exemplo 27, o pronome “esta” remete à toda frase dita pelo presidente que foi 
explicitada logo depois.
Se o termo de referência já foi enunciado, utiliza-se “esse”.
Exemplo 28
“Nossa política é bem planejada”. Essa frase foi pronunciada pelo 
presidente.
Agora, quando temos dois termos comparativos, usa-se “este” para fazer referência ao 
mais próximo e “aquele” para fazer referência ao mais distante.
4Praticando...
15
Leitura e Produção de Textos A03
Exemplo 29
Lula e FHC são dois presidentes da história recente do Brasil. Este, 
conhecido por uma sigla, aquele, por um apelido.
Resumindo:
  o que vai ser mencionado: este;
  o que se mencionou antes: esse;
  entre dois ou três fatos citados:
  o primeiro que foi citado: aquele;
  o do meio: esse;
  o último citado: este.
  Aplique corretamente este/esse/aquele nos enunciados a seguir:
a) __________ ano [ano em curso] pouco se fez em favor dos sem-teto. 
b) Não há ocorrência de acidentes ___________ data (de hoje).
c) Bons tempos ______________! - diz vovó, nostálgica.
d) Nosso vizinho vive repetindo ____________provérbio: “Casa de ferreiro, 
espeto de pau”.
e) Quando o rei D. João V faleceu e D. José ocupou o trono,___________ 
recorreu a Sebastião José para ser Ministro da Guerra e dos Negócios 
Estrangeiros.
f) ____________ sala em que você está é muito mal arrumada.
16
Leitura e Produção de Textos A03
Concordar pra quê?
Na linguagem coloquial, diária, é comum usarmos expressões tais como: “Vamo lá!” 
ou “Tu sabe disso?”. Essas expressões, que passam despercebidas na linguagem oral 
familiar, ou entre amigos, se escritas em textos mais formais, indicam sério problema 
de uso da expressão gramatical: falta de concordância. A língua portuguesa estabelece 
regras de concordância verbal e nominal. Ou seja, precisamos concordar todas as 
palavras, situando-as no singular ou no plural, no masculino ou no feminino e adequando-
as ao modo e ao tempo verbal.
Os textos de natureza técnica, científi ca e acadêmica exigem o uso da linguagem 
padrão, por isso precisamos nos ater às regras de concordância. Assim, observe o 
exemplo a seguir:
Exemplo 30
A maioria das pessoas consideram correto o consumo de verduras.
Qual é o problema nessa oração? Você consegue identifi cá-lo? Não? Vamos a ele: 
“a maioria” é um nome que traz uma ideia de grande quantidade, não é mesmo? Por 
isso, em geral, temos a tendência de concordar o verbo com a quantidade que o nome 
indica e colocamos o verbo no plural (consideram). Mas, apesar da ideia, o termo “a 
maioria” é singular e, portanto, o verbo precisa permanecer na terceira pessoa do 
singular (considera).
Também difi culta a concordância quando o sujeito aparece depois do verbo. Veja o 
exemplo:
5Praticando...
17
Leitura e Produção de Textos A03
Exemplo 31
Foi anunciada na semana passada a inauguração da usina hidrelétrica.
Saíram os resultados da última eleição.
Apareceu dez pessoas com o mesmo traje.
Qual dos enunciados do Exemplo 31 apresenta problemas de concordância? Descobriu? 
Muito bem! “Dez pessoas apareceram com o mesmo traje.” Fica muito mais fácil fazer 
a concordância quando colocamos o sujeito antes do verbo, não é mesmo?
  Teste seu domínio de concordância reescrevendo os enunciados abaixo 
substituindo as palavras em negrito pelas palavras entre parênteses e 
fazendo as adequações necessárias.
a) Faltou troco, mas no primeiro dia de convivência com a nova moeda de 
R$2,00 não houve maiores problemas. (moedas)
b) Fechada no dia da Independência, a pesquisa apresentou resultados 
favoráveis ao candidato da oposição. (os dados)
c) Os juros, que são o grande vilão do mercado consumidor, foram temas 
de reunião ministerial. (a taxa de juros)
d) Aconteceu, ao contrário do que previa o noticiário, uma boa receptividade 
ao novo sistema de avaliação do Ensino Médio. (os comentaristas/
manifestações de apoio)
18
Leitura e Produção de Textos A03
Uso da crase
Crase é outro bicho-papão de quem usa a língua portuguesa. 
Quando usar? Quando não usar? Sempre fi camos em dúvida. 
Mas, o que é crase, afi nal?
Crase é a contração da preposição “a” mais o artigo “a”. Isso 
signifi ca que só colocaremos o acento grave (`) indicador de crase, quando houver a 
necessidade de usar ambos: “a + a”. É por isso que jamais usamos a crase antes de 
palavras masculinas, porque elas não pedem artigo feminino, não é?
É claro que há exceções: “aquele”, às vezes, pede crase, apesar de masculino, se o 
verbo antecedente pedir preposição. Ao unir-se ao pronome, que começa com a letra 
“a”, haverá crase.
Exemplo 32
O governador reclamou àquele (a+ aquele) mesmo secretário que havia 
aclamado.
Ou quando fi car subentendida a expressão “à moda de”, então, mesmo que o nome 
seguinte seja masculino, a crase é colocada.
Exemplo 33
Contou uma piada à Chico Anísio (à moda de Chico Anísio)
Também não usamos crase antes de ela, essa, esta, uma.
19
Leitura e Produção de Textos A03
Convém lembrar, ainda, que nos casos de numerais indicativos de hora de relógio, a 
crase é permitida, pois sempre usamos crase antes de numeral que indica hora de 
relógio. Portanto, se “uma” na oração, referir-se à hora de relógio, a crase é permitida.
Exemplo 34
Ele disse a verdade a ela.
Ninguém obedece a essa regra.
O deputado referiu-se a esta declaração.
Ele foi a uma sessão da câmara.
Exemplo 35
A loja abre às duas horas.
A mercearia abre à uma e meia.
Nomes de países, estados e cidades são caprichosos. Ora pedem artigo. Ora esnobam-no. 
Por isso, às vezes exigem crase. Às vezes não. Como saber? Se a frase for construída com 
o verbo ir, há um truque. Substitua o ir por voltar. Depois, siga o conselho da quadrinha:
Se, ao voltar, volto da,
crase no a
Se, ao voltar, volto de,
crase pra quê?
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Leitura e Produção de Textos A03
Vamos ver alguns usos típicos que às vezes nos confundem:
1. às vezes – Isso acontece às vezes;
2. à base de – A massa foi feita à base de amido;
3. à moda de – Bife à moda francesa;
4. às tantas horas – Ela chegou às cinco horas;
5. às escuras – O encontro foi às escuras;
6. à toa – Estava à toa na vida;
7. à exceção de – À exceção do seu amigo, todos estavam na festa;
8. à mão – Escrevi à mão, depois digitei;
9. à escuta – Os policiais fi caram à escuta, acompanhando a conversa.
Antes que você diga, no entanto, que difícil em português é o fato de toda regra ter 
exceção, vamos a duas tabelinhas que vão resumir o uso e não uso de crase e facilitar 
a sua compreensão.
Resumindo
Nunca use crase antes de Exemplo
Masculino Bife a cavalo, entrega a domicílio.
Verbo Disposto a reagir.
Pronomes (que não aceitem o artigo a(s))
Falei a cada prima. Dirigiu-se a ela.
Referia-me a esta moça. Parabéns a você.
Expressões formadas por palavras repetidas Gota a gota, face a face.
Nomes de cidades sem determinação (exceção: 
haverá crase, se o nome da cidade vier determinado)
Vou a Santos.
Vou à poluída Santos.
Palavras no plural precedidas de a (no singular) Assisti a demonstrações de carinho.
Quadro 1 - Quando não se deve usar crase.
Fonte: <http://www.geocities.com/mgh_7/gramatica.html>. Acesso em: 7 jan. 2010.
6Praticando...
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Leitura e Produção de Textos A03
Sempre use crase Exemplo
Na indicação do número de horas À uma e meia, às nove.
Quando há ou se pode subentender a palavra moda
Chapéu à gaúcha (à moda gaúcha).
sopa à calabresa (à moda calabresa).
Nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas
Às vezes choro. 
Acabou devido à falta de luz.
Saímos à medida que recebíamos.
Quadro 2 - Usos da crase.
Fonte: <http://www.geocities.com/mgh_7/gramatica.html>
1. Use a crase nos termos grifados, quando necessário:
a) Quanto as crianças abandonadas, as mesmas estão a procura da 
felicidade, mas só encontram a incompreensão e o desprezo da 
sociedade.
b) Dada a urgência da situação referente a negociação imobiliária, se eu 
resolver vender a casa, volto a telefonar-lhe.
c) Esta advertência não se destina aqueles alunos que comparecem as 
aulas.
d) As vezes as medidas governamentais contemplam somente aqueles que 
contribuem há mais tempo para a autarquia, não visando aquela parcela 
da população que ainda não quitou a dívida.
e) De segunda a quinta, das nove as dezessete horas, estaremos sempre lá, 
a postos, a disposição da população, para esclarecer as dúvidas. Favor, 
dirijam-se a Marechal Floriano para maiores esclarecimentos.
f) A partir de setembro, não haverá mais resistência as nossas ideias, 
devendo a chefi a submeter-se as reivindicações dos funcionários.
Autoavaliação
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Leitura e Produção de Textos A03
Leitura complementar
CAMPOS, Carmem Lúcia; SILVA, Nilson Joaquim (Org.). Lições de gramática para quem 
gosta de literatura. São Paulo: Panda Books, 2007.
Se você quiser divertir-se um pouco com aspectos da gramática aplicados a textos 
literários, leia o livro Lições de gramática para quem gosta de literatura, que reúne 
textos de diversos autores, cada um enfocando alguma questão problemática do uso 
da língua portuguesa.
Nesta aula, abordamos o uso de alguns tópicos gramaticais como os 
diversos porquês, este/esse, concordância verbal e nominal e crase, que às 
vezes causam confusão no processo de produção textual. Mas é importante 
lembrar que esses tipos de dúvidas gramaticais só podem ser respondidos 
na medida em que você for escrevendo e pesquisando para elaborar com 
qualidade o seu texto.
1. Observe os termos em destaque no texto 1 e corrija quando necessário, 
de acordo com as questões a e b .
Texto 1
Com fardas do Exército, homens rendem e assaltam lotérica e farmácia 
1 Um grupo com aproximadamente cinco homens, segundo populares, rendeu e 
assaltou clientes e funcionários de dois estabelecimentos comerciais próximos, 
no município de Severiano Melo, a 357 km de Natal, na manhã desta segunda-
feira, as 9h da manhã.
5 De acordo com informações da Delegacia de Polícia Civil de Severiano 
Melo, a Lotérica Rafael e a Drogaria Santa Teresinha, vizinhas, estavam em 
funcionamento normal quando os assaltantes chegaram, camufl ados, com 
fardas do Exército, dizendo serem policiais e alegando que fariam uma inspeção 
no local.
23
Leitura e Produção de Textos A03
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20
Começando pelo primeiro estabelecimento, logo renderam e mandaram que 
todos fi cassem deitados. A mesma ação aconteceu na Drogaria, logo depois. 
“Foi uma grande humilhação”, defi niu Francisco Erismar Monteiro, de 35 
anos, um dos clientes que estavam na farmácia.
Segundo ele, que testemunhou a polícia, os assaltantes levaram cerca de 
R$ 5 mil em dinheiro e cheque, celulares, inclusive novos que estavam a 
venda em um dos estabelecimentos, pertences de clientes e até cartões de 
benefícios como aposentadoria e Bolsa Família.
Populares informaram que viram o grupo fugir em um Fiat Uno branco com 
placas de Recife. A polícia acredita, já no início das investigações que se 
trata de uma quadrilha que age e é natural da própria região. O delegado 
José Célio de Oliveira Fonseca está apurando o caso.
Gabriela Olivar
Fonte: <http://www.diariodenatal.com.br/int_cotidiano_interna.php?id=35716>. Acesso em: 8 jun. 2008.
a) Observe se há a necessidade de uso de crase nas palavras em negrito 
das linhas 3, 11, 15 e 16 e corrija, quando houver.
b) Observe, nos trechos sublinhados se há necessidade de uso da vírgula 
antes do pronome que. Corrija quando houver.
2. Identifi que no texto 2 se há problemas de concordância e de uso do 
pronome relativo “onde” nos trechos sublinhados e corrija, quando 
necessário.
Texto 2
Ônibus com destino a Natal sofre atentado 
1 Um ônibus da empresa Nordeste que fazia a rota Fortaleza/Natal foi vítima 
de uma tentativa de assalto na madrugada desta terça, próxima ao posto Zé 
da Volta, localizado entre as cidades de Assu e Mossoró. O veículo chegou 
a ser alvejado e dois passageiros fi caram feridos. 
5
10
De acordo com agentes da delegacia de Assu, os passageiros e o motorista 
do ônibus relataram que era por volta das 3h40 da manhã onde um carro 
tipo Corsa Sedan Vermelho encostou no veículo e efetuou vários disparos 
na tentativa de fazê-lo parar. Ao todo, seis disparos atingiram
a parte lateral 
e a frente do ônibus. O assalto só não foi bem-sucedido porque o motorista, 
que não teve o nome revelado, acelerou até encontrar uma viatura da PM já 
próximo a cidade de Assu. 
15
Os estilhaços do pára-brisa chegou a ferir duas pessoas de forma leve. Os 
passageiros foram encaminhados, ainda de acordo com a polícia, para o 
hospital regional de Assu onde foram medicados e liberados em seguida para 
seguir viagem. Um Policial Militar de Assu, para dar assistência, veio para 
Natal dentro do ônibus. Ao chegar à capital potiguar, o motorista dirigiu-se 
até a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos para realizar um Boletim de 
Ocorrência. 
Anotações
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Leitura e Produção de Textos A03
20
O Grupo Tático de Combate de Mossoró e de Assu realizaram diligências 
pelo local da ocorrência e ainda pelas estradas carroçáveis de Serra do Mel 
e Upanema, mas não conseguiu chegar até os suspeitos. 
Carlos Eduardo Araújo
Fonte: <http://www.diariodenatal.com.br/int_cotidiano_interna.php?id=35733>. Acesso em: 8 jul. 2008.
Referências
BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa: com exercícios. Rio de 
Janeiro: Lucerna, 2004.
CAMPOS, Carmem Lúcia; SILVA, Nilson Joaquim (Org.). Lições de gramática para quem 
gosta de literatura. São Paulo: Panda Books, 2007.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Ofi cina de texto. Petrópolis: Vozes, 2003.
SQUARISI, Dad. Dicas da Dad: português com humor. 10. ed. São Paulo: Contexto, 2005.
04
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Características da linguagem técnica, 
acadêmica e científi ca
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Coordenadora da Produção dos Materias
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EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Projeto Gráfi co
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da Educação
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Objetivos
1
Leitura e Produção de Textos A04
Alguns aspectos que constituem a linguagem técnica, científi ca ou acadêmica e que são importantes de ser lembrados ao ler e produzir textos dessa natureza. Lembre-se de que nós já discutimos, nas aulas anteriores, acerca da leitura para 
fi ns de estudo e de produção técnica, científi ca ou acadêmica, assim como refl etimos 
sobre alguns mitos que cercam o ato de escrever e sobre a estrutura geral que cerca 
a situação de produção escrita.
  Compreender a natureza da linguagem técnica, científi ca ou acadêmica.
  Aplicar esses conhecimentos em produções textuais dessa natureza.
2
Leitura e Produção de Textos A04
Para começo 
de conversa...
Uma tese é uma tese
Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese 
que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma 
tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada 
pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca. 
As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, 
séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, 
que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte. 
O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. 
A gente fi ca curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fi o. Aí ele publica, te dá 
uma cópia e é sempre - sempre - uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de 
cabo a rabo. 
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Leitura e Produção de Textos A04
São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento 
da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós? 
Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são 
inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha. Mas toda tese fi ca no rodapé da história. 
Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato 
do PFL para vereador? Apud Neto. 
Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo 
para, o dinheiro entra apertado, os fi lhos são abandonados, o marido que se vire. Estou 
acabando a tese. Essa frase signifi ca que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns 
dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta. 
E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, 
depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida 
embarca noutra tese. São os profi ssionais, em tese. O pior é quando convidam a gente 
para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo. 
Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afi rmar que toda 
tese tem de ser - tem de ser! - daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser 
formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, 
desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290. Em tese (e na prática) são 700 
anos de muita tese e pouca prática. 
Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de 
fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos 
ignorantes que não votamos no Apud Neto. 
(PRATA, 1998, extraído da Internet). 
O texto de Mário Prata é uma bem humorada crítica ao jargão da academia. Ou seja, 
é uma crítica à forma muito normalizada de escrita dos textos de natureza técnica, 
científi ca e acadêmica. É justamente sobre essa linguagem que estamos nos debruçando 
nesta disciplina. Apesar de cheia de normas, ela não precisa ser complicada, ou difícil 
de ler pelos leitores que não pertencem ao mundo acadêmico. Na verdade, o que 
defendemos, ao longo desta disciplina, é justamente a simplicidade, a objetividade e a 
clareza da escrita, de forma que ela seja acessível a todos que por ela se interessem. 
Sobre essas características do texto de natureza técnica, científi ca ou acadêmica é que 
iremos discutir aqui.
4
Leitura e Produção de Textos A04
A natureza da 
linguagem técnica, 
científi ca ou acadêmica
Como você já viu na aula anterior, escrever não é fácil, 
mas também não depende apenas de um dom. Todos 
nós nos deparamos em algum momento de nossa 
existência com a difi culdade de iniciar um texto, de 
romper a brancura de uma folha (real ou virtual) e 
iniciar a tratar de um tema qualquer. 
Essa difi culdade é, talvez, mais evidente quando 
temos de tratar de um assunto de natureza técnica, 
científi ca ou acadêmica. Pois, nesse caso, não basta 
colocarmos no papel aquilo que vimos, sentimos ou sabemos, é preciso adequação a 
um estilo específi co de texto, a uma série de normas, a uma série de etapas.
Os textos de natureza técnica, científi ca e acadêmica seguem alguns princípios que podem 
ser resumidos em quatro pontos fundamentais: clareza, precisão, comunicabilidade e 
consistência. Vamos discutir cada ponto individualmente?
Clareza
Para Cervo e Bervian (2002), essa é a característica 
primordial. Tudo que for escrito deve ser 
perfeitamente compreensível pelo leitor, ou seja, 
este não deve
ter nenhuma dificuldade para 
entender o texto. Com esse fi m, o autor deve ler 
cuidadosamente o que escreveu como se fosse o 
próprio leitor. Um texto é claro quando não deixa 
margem a interpretações diferentes da que o autor 
quer comunicar. Uma linguagem muito rebuscada 
que utiliza termos desnecessários desvia a atenção 
de quem lê e pode confundir. 
Ao escrever um texto de natureza técnica, científi ca ou acadêmica precisamos dizer 
as coisas de forma compreensiva. Isso não signifi ca que precisamos ser vulgares, ou 
5
Leitura e Produção de Textos A04
devamos ser coloquiais. De forma alguma! Um texto é claro quando utiliza uma linguagem 
simples, direta e precisa, isto é, quando cada palavra empregada traduz exatamente o 
pensamento que se deseja transmitir. Isso nos leva, portanto, a outro aspecto.
Precisão
A linguagem científi ca deve ser precisa e as palavras e 
seus acompanhantes (fi guras, gráfi cos, tabelas, etc.) 
necessitam ser decodifi cadas pelo leitor à medida que 
este percorre o texto. As palavras e os acompanhantes 
que entrarão no texto deverão ser escolhidos com 
cuidado para exprimir exatamente o que se tem em 
mente. É mais fácil ser preciso na linguagem científi ca 
do que na literária, na qual a escolha de termos é bem 
mais ampla. De qualquer forma, a seleção dos termos 
e a cautela no uso de expressões coloquiais devem estar sempre presentes na redação 
acadêmica. Expressões como “nem todos”, “praticamente todos”, “vários deles” são 
interpretadas de formas diferentes e tiram força das afi rmações. Será sempre melhor 
utilizar expressões como: “cerca de 90%”, “menos da metade”, ou ainda com maior 
precisão: “93%”, “40%”. Lembrando, sempre, que, ao utilizarmos medidas, precisamos 
estar baseados em dados. Dados que devem ser retirados de estudos, de pesquisas, 
de fontes confi áveis. Convém escolher criteriosamente o material que será utilizado no 
texto de uma dissertação, tese, monografi a, relatório ou artigo. O autor deve selecionar 
a informação disponível e apresentar somente o que for relevante. Esse aspecto é ainda 
mais importante em um artigo, em que a concisão é geralmente desejada pelo leitor.
Comunicabilidade
Comunicar bem um determinado tema é essencial 
na linguagem técnica, científi ca ou acadêmica. Pois 
nesse tipo de texto os temas devem ser abordados de 
maneira direta e simples, com lógica e continuidade 
no desenvolvimento das ideias. É muito desagradável 
uma leitura em que frases substituem simples palavras 
ou quando a sequência das ideias apresentadas é 
interrompida atrapalhando o entendimento. Ou mesmo, 
quando o autor, querendo demonstrar conhecimento, utiliza vocabulário arcaico ou não 
usual. É evidente que, ao discutirmos conceitos específi cos de determinadas áreas, nem 
sempre os termos são fáceis ou usuais, mas a comunicabilidade exige, nesses casos, 
que se explique, exatamente, o sentido com que aquele termo está sendo utilizado e, 
inclusive, se utilize de exemplos ou ilustrações que facilitem a compreensão do mesmo.
6
Leitura e Produção de Textos A04
Consistência
Finalmente, o princípio da consistência é um importante elemento do estilo. A consistência 
é a capacidade que um texto tem de ser coerente e coeso e, ao mesmo tempo, bem 
fundamentado teórica e metodologicamente. Um texto consistente, enfi m, é um texto 
que apresenta uniformidade. A consistência pode ser considerada sob três dimensões: 
Expressão gramatical
Escrever indevidamente pode demonstrar ignorância ou desleixo. Se for por ignorância, 
o melhor é consultar dicionários e textos de gramática. Se for por desleixo, o leitor terá 
todo direito de pensar que o trabalho em si também foi feito com desleixo. Seja qual 
for a razão, sempre será um desrespeito ao leitor. 
É importante que um texto de natureza técnica, científi ca ou acadêmica apresente 
uniformidade gramatical, por exemplo. E isso não diz respeito apenas à correção 
de termos e expressões, mas a seu uso uniforme. Um erro comum que ocorre na 
enumeração de itens pode ser observado no Exemplo 1:
Exemplo 1
“Na redação científi ca, cumpre observar, entre outras regras: (1) terminologia 
precisa; (2) pontuação criteriosa; (3) não abusar de sinônimos; (4) evitar 
ambiguidade de referências”.
7
Leitura e Produção de Textos A04
Observe que o primeiro item da enumeração é um substantivo, o segundo uma frase 
e o terceiro um período completo. Os itens (3) e (4), para que se seja observada a 
consistência da expressão gramatical, teriam de ser enunciados da seguinte forma: 
“(3) bom senso no uso de sinônimos; (4) clareza nas referências”. Por quê? Você pode 
perguntar. Para que o leitor não se confunda ou desvie a sua atenção do que o texto 
está querendo comunicar.
Categoria
Ao elaborar um texto, como já vimos em aula anterior, é preciso pensar um plano de 
como o texto será dividido. Nesse caso, quanto maior as divisões em tópicos, mais 
cuidado é preciso ter na organização lógica entre os diferentes tópicos. As seções de 
um capítulo devem manter um equilíbrio, ou seja, conteúdos semelhantes. Por exemplo: 
um capítulo cujas três primeiras seções se referem, respectivamente, aos aspectos 
tecnológicos, econômicos e sociais dos Sistemas de Informação e uma quarta seção 
que trate de ferramentas de análise e desenvolvimento de Sistemas de Informação está 
desequilibrado. A quarta seção, sem dúvida, apresenta matéria de categoria diferente 
da abordada pelas três primeiras, devendo, portanto, pertencer a outro capítulo.
Sequência
A sequência adotada para a apresentação do conteúdo deve refl etir uma organização 
lógica, foi o que acabamos de comentar. Mas nem sempre a sequência a ser observada 
precisa ser óbvia, como uma sequência cronológica, por exemplo. Existe, em qualquer 
enumeração, uma lógica inerente ao assunto, do mais amplo para o mais particular, 
por exemplo. Uma vez detectada, essa lógica determinará a ordem em que capítulos, 
seções, subseções e quaisquer outros elementos devem aparecer.
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1Praticando...
8
Leitura e Produção de Textos A04
  Observe os fragmentos textuais a seguir e indique os problemas que 
dizem respeito a sua qualidade como textos de natureza técnica, científi ca 
ou acadêmica. Mas não esqueça que esses são apenas fragmentos e 
não textos completos.
a) Tomando como unidade o município, o objetivo é descrever a distribuição 
espacial das atividades científi cas e tecnológicas, a partir de estatísticas 
de patentes, uma proxy de capacitação tecnológica, uma proxy de 
capacitação científi ca e produção de pesquisadores, indicadores de 
recursos humanos alocados para atividades científi cas.
b) Foram analisados a coluna de mercúrio ou eletrônico); b) verificar 
acalibração do manômetro; c) dimensões da bolsa de borracha; d) boa 
posição do paciente; e) se houve descanso do paciente; f) as fases de 
Korotkoff que determinam a pressão sistólica (PAS)e diastólica (PAD) e 
g) bom número de medidas realizadas.
c) A composição deste artigo é, antes de tudo, elaborada para mostrar 
como são calculados os fatores de impacto de revistas científi cas. Pra 
isso começamos por analisar as consequências do emprego do número 
de citações de artigos científi cos na literatura internacional. Depois 
procuramos particularizar analisando um artigo na área de Física e a 
partir daí, tecemos considerações sobre a importância e as limitações do 
emprego dos indicadores de avaliação científi ca em revistas internacionais 
para então, enumerarmos quais são os indicadores nacionais.
9
Leitura e Produção de Textos A04
Um texto técnico, científi co ou acadêmico, por natureza, apresenta
as tradicionais fases: 
introdução, desenvolvimento e conclusão, devendo ser completo em si mesmo.
A redação de trabalhos acadêmicos e de artigos técnicos possui algumas características 
que devem ser obedecidas pelo autor para que a transmissão da informação e a sua 
compreensão por parte do leitor sejam efi cazes. Vamos detalhar mais ainda algumas 
informações que estivemos discutindo até agora. Vale aqui uma regra básica: ao redigir, 
coloque-se sempre na posição do leitor. 
O autor, ao redigir o trabalho fi nal para apresentar os 
resultados do seu trabalho de pesquisa, precisa ter 
em mente que estará escrevendo para dois públicos 
distintos. Um pode ser chamado de público interno, 
pertencente às comunidades técnicas, acadêmicas 
e científi cas, composto por pessoas que também 
fazem pesquisa e que também escrevem. O outro é 
o público externo, composto, não necessariamente, 
mas inclusive, por leigos, que podem ter interesse 
ou necessidade de leituras do gênero, mas que não 
dominam ou nem precisam dominar a linguagem 
técnica, acadêmica e científi ca.
Qualidades de um bom texto
Ter isso em mente pode facilitar muito a escolha dos termos apropriados e a forma de 
apresentá-los como você verá a seguir.
Impessoalidade
Em geral, trabalho técnico, científi co ou acadêmico deve ter caráter impessoal. Ele é 
redigido na terceira pessoa, evitando-se referências pessoais, como “meu trabalho”, 
“meus estudos”, “minha tese”. Utilizam-se, em tais casos, expressões como o “presente 
10
Leitura e Produção de Textos A04
trabalho”, o “presente estudo”. O uso do “nós”, pretendendo indicar impessoalidade 
é igualmente desaconselhável, embora tal construção possa aparecer quando se trata 
de marcar os resultados obtidos pessoalmente com uma pesquisa: “somos de opinião 
que...”, “julgamos que...”, “chegamos à conclusão de que...”, “deduzimos que...”, etc.
Objetividade
O caráter objetivo da linguagem que veicula conhecimentos científi cos resulta da própria 
natureza da ciência. Por isso, essa linguagem impessoal e objetiva deve afastar do campo 
científi co pontos de vista pessoais que deixem transparecer impressões subjetivas, 
não fundadas, sobre dados concretos. Expressões como “eu penso”, “parece-me”, 
“parece ser” e outras violam frequentemente o princípio da objetividade, indicando 
raciocínio subjetivo. A linguagem científi ca deve, portanto, ser objetiva, precisa, isenta de 
qualquer ambiguidade. Contrasta, nesse sentido, com a linguagem subjetiva, apreciativa, 
adequada a outros fi ns.
Modéstia e cortesia
Figura 1 – Garfi eld, a imagem da vaidade
Traduzido de: http://1.bp.blogspot.com/_H3sm1NKMagM/SFrn9L_gxLI/AAAAAAAAAZc/K7lOmf5fIrA/s1600-h/Garfi eld.jpeg.
Acesso: 18 jan. 2010.
O que pode ser muito engraçado numa tirinha como Garfi eld (Figura 1), como sua vaidade 
exagerada, não é nada interessante quando tratamos de textos de natureza técnica, 
científi ca ou acadêmica. 
Os resultados de um estudo ou pesquisa, quando cientifi camente alcançados, impõem-se 
por si mesmos. O pesquisador não deve, portanto, insinuar que os resultados de outros 
2Praticando...
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Leitura e Produção de Textos A04
estudos ou pesquisas anteriores estejam cobertos de erros e incorreções. O próprio 
trabalho, por mais perfeito que seja, nem sempre está isento de erros. A cortesia é traço 
importante de todo trabalho, sobretudo quando se trata de discordar dos resultados 
de outras pesquisas. A cortesia sucede à modéstia, quando o pesquisador se torna 
especialista em seu ramo. Ao adquirir conhecimentos profundos no setor do seu estudo 
específi co, o pesquisador não deve transmiti-los com ares de autoridade absoluta. Sua 
pesquisa impõe-se por si mesma. A linguagem que a reveste limita-se à descrição de seus 
passos e à transmissão de seus resultados, testemunhando intrinsecamente a modéstia 
e a cortesia essenciais a um bom trabalho. Sua fi nalidade é expressar, não impressionar.
  1. Identifi que, nos fragmentos textuais a seguir, os problemas referentes 
à qualidade dos textos:
a) A pergunta inicial dos autores, que sem dúvida não é nova, se insere 
numa instigante polêmica que abrange questões epistemológicas 
importantes como as relações entre pragmática e teorética, linguagem 
e funcionamento mental, cognição e memória, dentre muitas outras. Ao 
destacar e sugerir uma defi nição de memória, a indubitável questão, tal 
como formulada, indica um certo modo de tergiversar sobre o tema e 
uma certa esfera de preocupações que direcionam o pensamento para 
opções teóricas, restrições e, também, obliviamentos. 
b) Pensar e estudar sobre a “formação da mente” em um perspectiva 
histórico-cultural implica compreender e relevar esses aspectos. Elaborar 
uma cronologia das ideias sobre memória. Procuramos entender as 
condições e os modos de produção. Investigar as práticas que envolvem 
motivos e formas de lembrar e esquecer. Há maneiras de contar. 
Percebemos maneiras de fazer e registrar histórias. 
c) Muitos autores comentam sobre a intensa ginástica interna, sobre esse 
trabalho invisível que pode nos parecer tão estranho a tantas pessoas, 
mas que, ao mesmo tempo, indica a muitos as formas de organização, 
da arquitetura, de prática da memória antiga. 
(Fragmentos adaptados para fi ns didáticos)
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Leitura e Produção de Textos A04
Recomendações gerais
O uso da terceira pessoa do singular e da voz passiva 
é recomendado na linguagem científi ca, que deve 
ser o máximo possível, despersonalizada. Quanto 
ao tempo do verbo, o relatório fi nal é redigido no 
passado, admitindo-se, igualmente, o presente, 
quando apropriado. No projeto de pesquisa, tese ou 
dissertação, emprega-se o tempo futuro, pois o texto 
refere-se a intenções e não a fatos já consumados, 
como é o caso de um relatório técnico ou de estágio.
  Expressões taxativas devem ser evitadas. Por exemplo, em vez de se 
dizer que “o resultado do teste da hipótese provou…”, cabe, com mais 
propriedade, dado o caráter probabilístico inerente à estatística de 
inferência, afi rmar que “o resultado do teste da hipótese apresentou 
evidências de que…” 
  Recomenda-se, também, cuidado no uso de sinônimos. Embora seja 
louvável substituir as palavras, pois a variedade de termos evita 
repetições e embeleza o estilo, o leitor poderá ter dúvidas quanto à 
intenção do autor quando este introduz novos termos. Portanto, o ideal 
é manter o mesmo signifi cado do termo precedente ou introduzir uma 
diferença sutil.
  Períodos curtos são de compreensão mais fácil que os longos, mas o 
autor experiente saberá manter-se entre o estilo telegráfi co e outro mais 
longo, entre a pobreza de expressão e a excessiva qualifi cação, imprópria 
ao discurso científi co. O essencial, entretanto, é que cada período seja 
compreendido facilmente, sem que seja necessário ao leitor reportar-se 
a exposições anteriores. 
  Ao mesmo critério deve obedecer a extensão dos parágrafos. Embora as 
ideias devam fl uir livremente, se a matéria for longa demais merecerá 
reorganização para que, sem quebra da lógica e da clareza, possa 
distribuir-se em parágrafos cuja extensão ofereça conforto ao leitor, 
inclusive visualmente.
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Leitura e Produção de Textos A04
Estes são alguns dos princípios a que deve atender a boa redação científi ca. Não devem 
ser, entretanto, tão rigidamente observados a ponto de sufocarem o estilo pessoal. Não 
têm, também, a pretensão de assegurar a boa qualidade da redação, da mesma forma 
que o conhecimento de regras gramaticais não garante a boa qualidade da comunicação.
A impessoalização do texto
Um texto é pessoal e subjetivo quando pronomes pessoais 
e possessivos, verbos conjugados e em terceira pessoa 
contribuem para que o diálogo se estabeleça entre autor e 
leitor de forma explícita, evidente.
Nem sempre temos interesse em deixar explícitas a nossa
voz e as diversas vozes que são trazidas para compor um 
texto. Muitas vezes queremos adotar uma posição impessoal, 
aparentemente neutra, atenuando a dialogia e ocultando o 
agente das ações. Gramaticalmente há muitas maneiras de 
conseguir esse objetivo. Vejamos algumas delas.
Generalizar o sujeito, colocando-o no plural
Uma forma elegante de se distanciar relativamente da subjetividade é pluralizar o agente. 
O uso da primeira e da terceira pessoa do plural é a estratégia recomendada quando 
a intenção é atenuar a subjetividade da primeira pessoa, sem adotar a neutralidade 
absoluta. Frases como “Procuramos demonstrar...”, “Os pesquisadores reconhecem...”, 
“Nossas conclusões...”, são menos subjetivas que “Procurei demonstrar...”, 
“Reconheço...”, “Minhas conclusões...”.
Ocultar o agente
A expressão “é preciso” serve a esse propósito de neutralidade. Assim também 
expressões como: “é necessário”, “é urgente”, “é imprescindível”, são utilizadas para 
ocultar o agente. Quem precisa? Quem necessita? Para quem é urgente? Para quem 
é imprescindível? Não podemos defi nir com clareza. Torna-se uma realidade geral, 
universal, neutra, objetiva. Os textos dissertativos, informativos, expositivos, científi cos 
apresentam, muitas vezes, essa característica de ocultar o agente. Tudo é dito como 
se fosse uma realidade que se apresenta sem intermediários.
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Leitura e Produção de Textos A04
Colocar um agente inanimado
Outra maneira de impessoalizar o texto é colocar como agente um ser inanimado, 
um fenômeno, uma instituição ou uma organização. Quando escrevo frases como “O 
Ministério decidiu...”, “A diretoria ordenou...”, “O governo protelou...”, a responsabilidade 
em relação à ação está diluída e não se pode identifi car claramente de onde ou de quem 
emanou a iniciativa. É um recurso muito utilizado na administração pública e na política.
Uso gramatical do sujeito indeterminado
Como a própria nomenclatura indica, não se pode determinar com precisão quem 
realizou uma ação quando usamos a estrutura de sujeito indeterminado. Ela é muito 
útil quando queremos inserir uma informação da qual não sabemos a procedência exata.
Quem realizou? Quem está revelando? A voz passiva oculta o agente.
Como vimos, há diversas maneiras de tornar o texto impessoal e todas elas utilizam 
recursos e possibilidades presentes no sistema gramatical da língua.
Exemplo 2
Vive-se esperando o aumento de preços.
Acreditava-se em uma diminuição dos impostos.
Fala-se muito em renovação dos quadros funcionais.
O uso da voz passiva
Enquanto na voz ativa temos um agente explícito, na voz passiva esse agente pode estar 
oculto. Assim, usar a passiva sem esclarecer seu agente é um recurso gramatical para 
impessoalizar a informação. Veja o exemplo:
Exemplo 3
Novas descobertas foram realizadas em centros de estudo e laboratórios 
ao redor do mundo. Está sendo revelado ao mundo que o cérebro é um 
órgão mais fascinante, complexo e poderoso do que antes se imaginava.
Praticando... 3
15
Leitura e Produção de Textos A04
  Leia os textos a seguir e descreva:
a) situação de comunicação em que se inserem;
b) intenção comunicativa;
c) público leitor a que se dirigem;
d) características da linguagem técnica, acadêmica e científi ca que apresentam.
Texto 1
Fonte: <http://tbn0.google.com/images?q=tbn:1Ztb1XROl2hsaM:http://www.geocities.com/luisacortesao/image12.gif>. 
Acesso em: 8 set. 2008.
Texto 2
A Bio Cibernética Bucal (BCB) é o nome de uma das várias escolas odontológicas 
existentes, a partir das diferentes interpretações do conceito da Oclusão, e que foi 
criada por dois cientistas brasileiros no começo dos anos 70. [...] O principal objetivo 
deste enfoque é a procura de uma resposta somática favorável, uma vez reposturado, 
reabilitado o paciente, segundo os padrões saudáveis do seu programa biológico.
Fonte: <http://www.biociberbucal.com.br/bcb.htm>. Acesso em: 27 ago. 2008.
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Leitura e Produção de Textos A04
Texto 3
A física Clássica incluía a mecânica de partículas e a mecânica ondulatória, mas cada 
qual tinha um domínio de aplicação exclusivo. Partículas seguiam trajetórias bem 
defi nidas e não se dividiam em espelhos semi-refl etores. Ondas se espalhavam pelo 
espaço, se dividiam, interferiam consigo mesmas, eram limitadas pelo princípio de 
incerteza (por exemplo, um pulso de luz emitido em um intervalo de tempo curto não 
podia ter uma frequência bem defi nida), sofriam tunelamento, e exibiam fl utuações 
em sua intensidade. A física quântica é justamente a teoria que atribui todas essas 
propriedades ondulatórias a partículas individuais.
(PESSOA JÚNIOR, 2008, p. 185)
Leituras complementares 
<http://www.mundovestibular.com.br/articles/746/1/TECNICAS-DE REDACAO/
Paacutegina1.html>
<http://www.espirito.org.br/portal/palestras/klickeducacao/>. 
Esses endereços eletrônicos apresentam uma série de links bastante interessantes 
sobre tópicos discutidos ao longo desta nossa aula. Visite-os e aprofunde seus 
conhecimentos!
Nesta aula, discutimos algumas das características da linguagem técnica, 
acadêmica ou científi ca. Vimos que para elaborar textos dessa natureza 
é preciso seguir algumas regras básicas que dizem respeito à clareza, 
à precisão, à comunicabilidade e à expressão gramatical. Essas regras 
orientam, portanto, quanto ao uso adequado do idioma, quanto à qualidade 
das informações utilizadas, quanto às relações estabelecidas entre as 
informações apresentadas e quanto à lógica na organização dos textos. 
Fique atento a essas informações, pois elas serão úteis também no 
desenvolvimento das aulas seguintes.
Autoavaliação
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Leitura e Produção de Textos A04
  Os fragmentos abaixo foram modifi cados para fi ns didáticos. Leia-os, 
identifique neles os principais problemas de linguagem que os 
descaracterizam como textos técnicos, acadêmicos ou científi cos e, 
quando possível, reescreva-os na forma adequada.
a) Na sociedade atual, os riquíssimos senhores e o poderoso clero detinham 
a posse das terras e os pobres servos as cultivavam e guerreavam sobre 
elas. Foi nessa época que as lindas fl orestas da Europa começaram a 
desaparecer. Enquanto isso, a poderosa igreja vivia seu tempo áureo de 
recebimento de doações, honras e terras, mantendo seu enorme poder.
b) Foi a partir de então que se iniciou uma ampla discussão sobre os 
problemas ambientais, como crescimento populacional, a qualidade da 
água piorou, rejeitos tóxicos e radioativos, a biodiversidade foi afetada, 
esgotamento de recursos energéticos, mudanças climáticas e aquecimento 
global, erosão dos solos agrícolas, desastres naturais, dentre outros.
c) Vejo claramente a incapacidade da população em fazer frente a um 
capitalismo que se embasa no consumismo exagerado, gerando, com 
isso, a revolta social, com destaque para a violência urbana, vista nos 
grandes centros e copiada pelos municípios em quase todo o Brasil. Na 
realidade, acreditamos que há um uso indiscriminado do poder, exigindo 
o consumo exagerado dos recursos naturais. Conclui-se então, que, como 
o sistema econômico vigente, o sonho do desenvolvimento sustentável 
pode ser visto como uma utopia.
d) Se, por um lado, a revolução tecnológica, sustentada pelos paradigmas da 
política da Modernização Ecológica, propicia o surgimento das sociedades 
industriais modernas, caracterizadas pela riqueza, pelo consumismo e 
pela expectativa de que os bens materiais e o conforto estariam sempre 
disponíveis para todos, por outro, a vida da maioria da população vive à 
margem, lutando para não perder as suas conquistas sociais alcançadas, 
como energia, transportes, saúde, educação, previdência, dentre outros. 
Ao contrário disto, vê-se no aumento do lixo espalhado por todo o planeta, 
na poluição de mananciais, no corte indiscriminado da madeira e na 
caça, dentre outros.
e)
O Brasil ostenta uma das mais regressivas repartições de renda no mundo, 
com diferenças abismais entre a minoria dos bem de vida e a massa dos 
pés-rapados. Entre bem de vida e pé-rapado está imprensada uma classe 
média bastante numerosa, que se distanciou muito das classes populares.
18
Leitura e Produção de Textos A04
f) Segundo alguns, dentre a maioria dos estudiosos, economia globalizada 
se refere a uma lógica de guerra cujo “desenvolvimento” talvez se vincule 
a um tipo qualquer de mundialização das fi nanças. Muitos afi rmam que 
isto é uma coisa nova e recente, mas outros negam que essa seja a 
verdadeira essência do desenvolvimento.
g) Após a Segunda Guerra Mundial, ainda com o mundo disperso diante 
das atrocidades cometidas, foi criado os primeiros organismos 
internacionais de proteção do ambiente: a União internacional para a 
Proteção da Natureza, sob atenção da UNESCO, esboçando os primeiros 
contornos da consciência ambiental; e o Clube de Roma, criado a partir 
da realização da Conferência Internacional sobre o Homem e o Meio 
Ambiente em Estocolmo. 
h) Sabe-se que o processo de urbanização no Brasil acelerou-se após os 
anos 40. Desta forma, pode-se afi rmar, sem sombra de dúvidas, que 
neste período o país alcançou um grande índice de desenvolvimento, 
principalmente no que diz respeito ao crescimento das suas cidades.
Referências
BRAGA, W. D., Ciência e mídia: a legitimação de um mito perigoso. Rio de Janeiro: Pós-
Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação/UFRJ, 1999.
CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científi ca. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.
GARCEZ, Lucília H. do Carmo. Técnica de redação. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
GOUVEIA, L. M. B. A redação de documentos científi cos: dicas para a escrita de textos 
de relatórios e monografi a. Universidade Fernando Pessoa, abr. 1997. Disponível em: 
<http://www2.ufp.pt/~lmbg/textos/rddoc_id.htm>. Acesso em: 9 set. 2008.
PESSOA JÚNIOR, Oswaldo. A física quântica seria necessária para explicar a consciência? 
Disponível em: <www.ffl ch.usp.br/df/opessoa/Cons.pdf>. Acesso em: 9 set. 2008. 
PINHEIRO, J. M. S. Elaboração de uma Redação Científi ca. Disponível em: <http://www.
centralmat.com.br/Artigos/Mais/cuidadosElaboracaoRedacaoCientifi ca.pdf>. Acesso 
em: 5 jan. 2010..
PRATA, Mário. Uma tese é uma tese. O Estado de S. Paulo, quarta-feira, 7 out. 1998. 
Caderno 2. Disponível em: <http://www.puc-rio.br/sobrepuc/depto/apg/marioprata.
html>. Acesso em: 8 set. 2008.
Anotações
19
Leitura e Produção de Textos A04
Anotações
20
Leitura e Produção de Textos A04
05
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Modos de citação do discurso alheio
Leitura e Produção de textos
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rá 
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Coordenadora da Produção dos Materias 
Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco
Coordenador de edição 
Ary Sergio Braga Olinisky
Coordenadora de revisão 
Giovana Paiva de Oliveira
design Gráfico 
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diagramação 
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Jeremias Alves A. Silva 
Margareth Pereira Dias
revisão de Linguagem 
Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade
revisão das Normas da aBNt 
Verônica Pinheiro da Silva
adaptação para o Módulo Matemático 
Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho
revisão técnica 
Rosilene Alves de Paiva
equipe sedis | universidade do rio grande do norte – ufrn
Projeto Gráfico
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da educação
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�
Leitura e produção de textos a05
objetivo
Recursos utilizados para fazer citação do discurso alheio. Dentre outros discursos, 
você verá o discurso direto, o indireto, a modalização em discurso segundo e a ilha 
textual. Aprender a fazer citações é um recurso fundamental para elaboração de textos, 
principalmente os de caráter técnico, científico e acadêmico.
Conhecer cada modo de citação do discurso alheio.
Utilizar corretamente, em suas produções textuais de natureza 
acadêmica, técnica ou científica, os modos de citação do 
discurso alheio.


�
Leitura e produção de textos a05
Para começo 
de conversa...
Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? [...]
Parece meu velho pai - que já morreu! [...]
Nosso olhar duro interroga:
“O que fizeste de mim?” Eu pai? Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga... Que importa!
Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra,
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste
(Mário Quintana – Espelho)
No poema, Mário Quintana dialoga no espelho, consigo mesmo, acerca da passagem do 
tempo, do envelhecimento. De como nos surpreendemos, às vezes, quando notamos, 
ao nos olhar no espelho, as marcas do tempo em nossa face. Nesse diálogo, ele cita 
uma questão do rosto do espelho: “O que fizeste de mim?” Para fazer essa questão 
ser lida, realmente, como um enunciado dito pelo outro que surge no espelho, ele utiliza 
um verbo de dizer “interroga” e logo após a questão, destacada entre aspas. Vamos 
discutir, nesta aula, exatamente a forma de utilizar, em nosso discurso, o enunciado de 
outras pessoas.
�
Leitura e produção de textos a05
alguns modos de citar 
o discurso alheio
sempre que produzimos textos, é comum fazermos referência a falas de outras pessoas para reforçar nossas idéias, fazer nosso interlocutor aceitá-las, mudar de opinião e passar para nosso lado. Não é isso que ocorre geralmente? Nossos 
discursos não pretendem que os outros aceitem nossas idéias e ajam conforme 
nossos “conselhos e dicas”? Para tanto, utilizamos, entre outros artifícios, a citação 
do discurso alheio.
Há diversos mecanismos lingüísticos que servem para registrar o discurso alheio no 
interior de um texto, como o discurso direto, o indireto, a modalização em discurso 
segundo e a ilha textual. Vejamos cada um desses.
Para compreendermos isso, é preciso estarmos conscientes de que há, sempre, portanto, 
um discurso citante, o discurso de quem está produzindo o texto e um discurso citado, 
aquele discurso utilizado para complementar ou ilustrar o discurso citante.
�
Leitura e produção de textos a05
discurso direto
Leia a tirinha de Mafalda, a seguir:
Figura � - Tirinha 338 de Mafalda
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Na tirinha, Mafalda, a menininha inteligente e questionadora criada pelo desenhista 
argentino Quino, conversa com sua amiga. Mas a fala de ambas, nos primeiros três 
quadrinhos, tem uma grafia diferente da fala de Mafalda no último quadrinho. Por que 
será? Observe que no último quadro Mafalda afirma “O bom de ir para a escola é que a 
gente pode ter conversas literárias”. Nessa última fala da personagem reside o elemento 
cômico de toda a tirinha e indica, ao leitor, que o diálogo estabelecido com a amiga 
antes fora retirado dos textos escolares. Uma crítica, aliás, à alienação da realidade 
dos textos didáticos. A fala dos três primeiros quadrinhos, portanto, tem destaque com 
outra fonte porque é citada por Mafalda e pela amiga dos textos didáticos da escola. 
Esse tipo de citação é o que denominamos discurso direto.
O discurso direto exime o enunciador citante de qualquer responsabilidade e caracteriza-
se por dissociar as duas situações: a do discurso citante e a do citado.
exemplo �
Em um de seus primeiros discursos após o resgate, a ex-senadora franco-
colombiana fez questão de ressaltar a importância da rádio para todos os 
seqüestrados, dizendo que o programa era essencial e que os reféns ouviam a 
rádio sempre. “Muito obrigado por seu apoio. A rádio foi uma grande companhia 
por muitos anos”, disse.
5
Leitura e produção de textos a05
No exemplo 1 vemos uma notícia acerca da libertação de uma refém da guerrilha 
colombiana, a ex-senadora do país, Ingrid Betancourt. No texto, ela agradece a um 
jornalista de uma rádio que costumava escutar ao longo dos seis anos em que esteve 
sob o poder dos seqüestradores. O discurso citado, nesse caso, é do jornalista que 
redigiu o texto e se divide em duas partes: a primeira parte do início até a palavra 
“sempre”; a segunda parte somente o verbo “disse”. Esse verbo demonstra para o 
leitor que o texto entre aspas faz parte do discurso de Ingrid Betancourt e foi citado 
exatamente da forma como ela enunciou.
Na verdade, mesmo se apresentando sob a forma de citação direta, é uma encenação 
visando a criar um efeito de autenticidade. Por mais que aparente ser fiel, o discurso 
direto é sempre um fragmento do texto submetido ao enunciador do discurso citante, 
que dispõe de múltiplos meios para lhe dar um enfoque pessoal. A oração que consta 
do exemplo 1 não é o discurso completo de Ingrid, é apenas uma parte dele, acoplada 
ao discurso do jornalista que redigiu o texto, não é mesmo?
O discurso citante deve satisfazer a duas exigências em relação ao leitor: indicar que 
houve um ato de fala (emprego de verbos de dizer, como afirmar, assegurar, confirmar, 
discordar, perguntar, responder, etc.) e marcar a fronteira que o separa do discurso citado 
(no caso de textos acadêmicos, técnicos e científicos, com o auxílio de dois-pontos e 
aspas), conforme você pôde constatar no exemplo 1.
Ainda no caso de citações diretas em textos acadêmicos, técnicos e científicos, há 
necessidade de explicitação do ano da fonte consultada, acrescido da indicação das 
páginas, como no exemplo a seguir.
exemplo �
Contrapondo-se à admiração exagerada das pessoas pela tecnologia, Cury 
(2005, p. 36) enfatiza: “A maioria dos seres humanos elogia as maravilhas da 
tecnologia, mas não conseguem se encantar com o espetáculo da construção 
de pensamentos que ocorre na psique humana”.
Concluindo, podemos dizer, então, que o discurso direto se caracteriza por abrir espaço, 
no texto, para uma outra voz, cujo discurso, ou ato de fala é recortado e esse recorte 
é copiado na íntegra e integrado ao discurso citante.
�
Leitura e produção de textos a05
discurso indireto
O discurso indireto é uma condensação ou uma paráfrase do que foi proferido pelo 
enunciador citado. 
Paráfrase é um recurso textual que implica em dizer com outras palavras aquilo que já 
foi dito por alguém a quem citamos.
A citação no discurso indireto, no entanto, não é feita da mesma forma que no discurso 
direto que acabamos de ler. Lá, o discurso citado é copiado da mesma forma; aqui, o 
discurso citado é apropriado pelo enunciador do discurso citante e é apresentado sob 
a forma de uma oração subordinada substantiva objetiva, introduzida por um verbo de 
dizer. Veja o exemplo 3, a seguir:
exemplo �
Irene Knysak, diretora do laboratório de artrópodes do Instituto Butantan, 
afirmou que há cerca de 35 mil espécies de aranha.
No exemplo 3 podemos perceber que há alguém sendo citado (Irene Knysak). Essa 
pessoa citada afirmou (verbo de dizer) o quê? Que existem 35 mil espécies de aranhas. 
No entanto a oração “que há cerca de 35 mil espécies de aranha” não foi dita por ela 
exatamente dessa mesma forma, o enunciador do texto está dizendo de novo o que ela 
disse e não copiando as palavras dela. Será que deu para entender?
Vamos ver, então, como ficaria esse mesmo texto se fosse dito em discurso direto:
 ABNT: Fundada em 
1940, a associação 
Brasileira de 
Normas técnicas 
(aBNt) é o órgão 
responsável pela 
normalização técnica 
no país, fornecendo 
a base necessária 
ao desenvolvimento 
tecnológico 
brasileiro. É uma 
entidade privada, 
sem fins lucrativos, 
reconhecida como 
único Foro Nacional 
de Normalização 
através da Resolução 
n.º 07 do CONMETRO, 
de 24.08.1992. É 
membro fundador 
da ISO (International 
Organization for 
Standardization), da 
COPANT (Comissão 
Panamericana de 
Normas Técnicas) e 
da AMN (Associação 
Mercosul de 
Normalização). A 
ABNT é a única 
e exclusiva 
representante 
no Brasil das 
seguintes entidades 
internacionais: 
ISO (International 
Organization for 
Standardization), 
IEC (International 
Electrotechnical 
Comission); e 
das entidades de 
normalização regional 
COPANT (Comissão 
Panamericana de 
Normas Técnicas) e 
a AMN (Associação 
Mercosul de 
Normalização). (ABNT, 
2008, extraído da 
Internet).
aBNt
�
Leitura e produção de textos a05
exemplo �
Irene Knysak, diretora do laboratório de artrópodes do Instituto Butantan 
afirmou: “Há 35 mil espécies de aranha no mundo”.
Percebeu a diferença entre a forma de citar do exemplo 3 e a do exemplo 4? No 
último exemplo a oração foi citada da mesma forma como foi dita por Irene e usou-se 
aspas para indicar isso. No primeiro caso, a oração foi dita, com outras palavras, pelo 
enunciador do discurso citante, que nesse caso não precisa usar aspas e transforma 
a fala do discurso citado em oração subordinada ao seu próprio discurso.
Em se tratando de textos acadêmicos, técnicos e científicos, há necessidade, em todas 
as citações, de ser indicada a data da fonte consultada (e as páginas, no caso de 
discurso direto; essa indicação é obrigatória).
exemplo 5
Olérion (1890, p. 13) afirma que a demonstração científica não é tão pura 
e rigorosa quanto alguns acadêmicos acreditam ser.
exemplo �
Bagno (1999) assegura ser muito comum os pais de alunos cobrarem dos 
professores o ensino tradicional de gramática.
Nos exemplos 5 e 6, o ano que aparece entre parênteses diz respeito ao ano de 
publicação do livro, ou do texto de onde se retirou a citação. Falaremos um pouco 
mais sobre isso, quando estudarmos algumas orientações das normas ditadas pela 
associação Brasileira de Normas técnicas (ABNT) em aula subseqüente.
�
responda aqui
Praticando...
�
Leitura e produção de textos a05
Que elementos da linguagem escrita caracterizam o discurso direto e o 
indireto numa notícia ou reportagem?
e num texto acadêmico, como devem ser usados o discurso direto e o 
indireto?
Qual a razão de um enunciador citar o discurso de outra pessoa?
�
Leitura e produção de textos a05
Modalização em discurso segundo
A modalização em discurso segundo é muito parecida com o discurso indireto. Ela 
não cita o texto da mesma forma que foi dita pela pessoa citada. Mas também não 
subordina, necessariamente, essa fala ao discurso do enunciador do texto. Além disso, 
nessa forma de citação, o enunciador deixa claro que o que ele está afirmando está 
baseado em outra pessoa. Por isso é comum o uso de expressões como: “segundo 
fulano”, “de acordo com beltrano”, “baseado em tal pessoa”, etc. 
Esse é, talvez, o modo mais simples de o enunciador citante de um texto mostrar que 
não é responsável por uma determinada citação, apenas indica que está se apoiando 
em um discurso alheio.
exemplo �
A incidência de câncer de pulmão entre as mulheres, de acordo com as mais 
recentes pesquisas científicas, é maior que entre os homens.
exemplo �
Segundo fontes bem informadas, caçadores de Mianmar, sul da China, 
matam ursos para vender as patas, uma iguaria culinária.
exemplo �
Para a pesquisadora Maria Firmina dos Reis, do Instituto de Ciências da USP, 
as pichações em portas de banheiros públicos revelam um lado escondido 
da psique humana.
�0
Leitura e produção de textos a05
Observe nos exemplos 7, 8 e 9 que todas as afirmações feitas pelo enunciador
baseiam-
se em alguma outra pessoa ou instituição, explicitada ou não no texto. Como podemos 
constatar isso? Através das expressões “de acordo com as mais recentes pesquisas 
científicas”, “segundo fontes bem informadas” e “para a pesquisadora Renata Plaza 
Teixeira”. Ao utilizar tais expressões, o enunciador do texto parece querer dar mais 
credibilidade ao seu texto, pois busca o apoio de uma autoridade que o apóie nas 
afirmações.
A organização lingüística dessa forma de citar apóia-se na articulação de dois elementos: 
uma expressão como “de acordo com”, “segundo dizem”, “conforme Beltrano”, “para 
Fulano”, dentre outras, e uma condensação ou uma paráfrase do que foi proferido pelo 
enunciador citado. Essa é uma forma de citação indireta, uma vez que não apresenta 
transcrição.
A propósito, os textos dos exemplos 7, 8 e 9 têm um caráter mais jornalístico, pois não se 
preocupam em ser minuciosos na apresentação de suas fontes, ou seja, expressões como 
“as mais recentes pesquisas” e “fontes bem informadas” são muito vagas, não devem, 
por exemplo, ser utilizadas em discursos mais técnicos, científicos ou acadêmicos.
Em se tratando de texto de natureza acadêmica, técnica ou científica, há necessidade de, 
após a indicação do responsável pela citação, ser explicitado, entre parênteses, o ano 
da fonte consultada (e em se querendo surtir mais efeito de credibilidade, as páginas 
que registram o que foi proferido), conforme os modelos a seguir.
exemplo �0
Conforme Maingueneau (1998), a retórica desapareceu do ensino francês 
no final do séc. XIX.
exemplo ��
De acordo com Bellenguer (1987, p. 29-33), o discurso falsificado 
desenvolve-se com o auxílio dos seguintes meios: a fabulação, a simulação, 
a dissimulação, a polidez, a calúnia e o equívoco.
Você consegue perceber a diferença entre os exemplos 10 e 11 e os exemplos 7, 8 e 
9? Nos últimos (10 e 11) as fontes são cuidadosamente citadas, incluindo, no exemplo 
11, até as páginas em que a informação citada pode ser encontrada. Assim é como 
deve ser o discurso de natureza técnica, científica e acadêmica.
��
Leitura e produção de textos a05
ilha textual
Nesse modo de citar, o enunciador citante, recorrendo geralmente à modalização em 
discurso segundo ou ao discurso indireto (formas de citação indireta), isola, entre aspas, 
um fragmento que, ao mesmo tempo, ele utiliza e menciona, emprega e cita. Tem-se, 
então, uma forma híbrida: mesmo, por exemplo, tratando-se globalmente de discurso 
indireto, esse contém palavras atribuídas aos enunciadores citados.
exemplo ��
No vestiário, o craque disse que ganhariam a copa “de qualquer jeito, com 
ou sem dopping”.
Perceba no exemplo 12 que o enunciador inicia a citação como se fosse utilizar o discurso 
indireto, pois utiliza o verbo de dizer (disse) e a partícula integradora (que), além disso, 
as primeiras palavras do discurso citado são apropriadas pelo enunciador (ganhariam 
a copa); só no final do enunciado ele usa aspas e cita, em forma de discurso direto, um 
fragmento do discurso do craque citado da maneira como ele disse (de qualquer jeito, 
com ou sem dopping). Essa fragmentação do discurso citado, que depende do discurso 
citante, inclusive para ganhar um sentido completo, contextualizado, é que caracteriza 
a ilha textual.
exemplo ��
Segundo o porta-voz do planalto, o Brasil está mudando “de forma acelerada, 
aceleradíssima”.
�Praticando...
��
Leitura e produção de textos a05
Não esqueça, no entanto, que, no caso de textos acadêmicos, técnicos e científicos, a 
data e as páginas devem se fazer presentes.
exemplo ��
Landowsky (1989, p. 2) diz que a enunciação é o “ato pelo qual o sujeito faz 
ser o sentido” e o enunciado, o “objeto cujo sentido faz ser o sujeito”.
exemplo �5
Para Reboul (1989, p. 137), o problema não é descartar as figuras de 
linguagem, mas “conhecê-las e compreender seu perigoso poder, para não 
ser vítima dele”.
Convém ainda acrescentar que a ABNT dispõe de documentos, como a NBR 10520 e a 
NBR 6023, ambas de agosto de 2002, que tratam, especificamente, dos aspectos técni-
cos (aqui tão-somente tangenciados) a serem considerados quanto à produção de textos 
acadêmicos, técnicos e científicos, em citações diretas e indiretas e em referências 
bibliográficas, respectivamente. Vamos falar mais sobre a ABNT em aula posterior.
�. Explicite o uso da modalização em discurso segundo e o uso da ilha textual 
em textos de natureza jornalística.
�. Quanto ao texto científico, por exemplo, como devem ser utilizadas a 
modalização em discurso segundo e a ilha textual?
responda aqui
��
Leitura e produção de textos a05
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Leitura e produção de textos a05
uma reflexão
A utilização de qualquer uma dessas formas de citar o discurso alheio está associada 
ao gênero textual e às estratégias utilizadas pelo enunciador citante.
Para criar, por exemplo, efeito de autenticidade, mostrar-se supostamente neutro, não 
aderir ao que é dito ou até mesmo revelar inteira adesão, o enunciador citante recorre 
ao discurso direto e à ilha textual.
Nos gêneros jornalísticos escritos, excluindo-se os da imprensa popular e sensacionalista, 
é mais comum o discurso indireto, a modalização em discurso segundo e a ilha textual. 
Já nos gêneros acadêmicos, técnicos e científicos, as formas de citar tendem a ser 
variadas, tanto para alternar o padrão estilístico das citações quanto para permitir, ao 
enunciador citante, a consolidação das mais diversas intenções.
Lembre-se, também, de ter cuidado, nas suas produções textuais, ao utilizar citações 
de outras pessoas. Elas devem ser retiradas de forma cuidadosa. Ao recortar um texto 
para citá-lo como base ou complemento de seu discurso, observe se ele está coerente 
com o que você afirma. Pois, muitas vezes, incorremos no erro de acharmos interessante 
uma afirmação de um autor que em fragmento parece concordar com o que queremos 
afirmar, mas pode, dentro de seu contexto mais amplo, contradizer o que pregamos. 
Esse cuidado é preciso, principalmente, quando o texto que produzimos vai ser alvo 
de avaliação por uma banca ou por um professor, numa disciplina. O fato é que, como 
citamos apenas fragmentos dos discursos alheios, podemos correr o risco de estarmos 
utilizando as idéias dos outros incorretamente.
Além disso, é preciso estar atento às normas da ABNT. Ela tem muitos detalhes, mas os 
detalhes são importantes para os leitores de seus textos, pois a indicação de ano e pá-
gina permitem que os leitores pesquisem diretamente as fontes utilizadas por você.
�5
Leitura e produção de textos a05
Leituras complementares
MODOS de citação do discurso alheio. Disponível em: <http://pt.shvoong.com/
books/1749837-modos-cita%C3%A7%C3%A3o-discurso-alheio-in/>. Acesso em: 10 
set. 2008.
SILVA, Patrícia Alves do Rego. as marcas de enunciação no texto jornalístico policial. 
Disponível em: <http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno07-02.html>. Acesso 
em: 10 set. 2008.
Nos sítios anteriores você vai encontrar informações interessantes sobre as diferentes 
formas de citar o discurso de outras pessoas. O primeiro sítio apresenta algumas 
informações sobre citações baseadas no livro Lições de texto, de Platão e Fiorin, citado 
como fonte de referência desta aula. E o segundo traz um artigo sobre uso de citações 
no discurso jornalístico.
Nesta aula, estudamos algumas formas de citação do discurso alheio: 
discurso direto, discurso indireto, modalização em discurso segundo e ilha 
textual. Vimos também o que diferencia um modo de citação do outro e 
quais as marcas textuais relevantes para construir cada uma dessas formas 
de citação. Além disso, observamos que os textos de natureza técnica, 
científica e acadêmica exigem uma atenção às normas da ABNT no tocante 
à citação de vozes alheias.
auto-avaliação
�. Em cada trecho de artigo científico apresentado
a seguir e criado para esta 
avaliação, identifique o modo de citação do discurso alheio utilizado pelo 
produtor.
a) Ferreira (1986) afirma que uma das principais características das leis 
científicas é a de que elas assumem a forma lógica de uma generalização 
universal.
b) Segundo Hulot (1982), há duas razões principais que poderiam explicar 
o fato de que, apesar de a história ser um simples relato de fatos que 
realmente aconteceram, os historiadores dificilmente se põem de acordo 
sobre as causas de muitos acontecimentos importantes na história, como, 
por exemplo, a queda do Império Romano.
c) Por outro lado, Camembert (1996, p. 234) chama a atenção contra o 
perigo dos conceitos classificadores e explicita: “Dizemos apenas que todo 
conceito classificador é falso porque nenhum acontecimento se parece com 
outro [...]”.
d) Dessa forma, a necessidade que se tem de, na pesquisa histórica, fazer 
uso de hipóteses universais das quais a grande maioria vem de outros 
campos de pesquisa tradicionalmente distintos da história, conforme Haidel 
(2001), “é exatamente um dos aspectos de que se pode chamar unidade 
metodológica da ciência empírica”.
e) Câmara Ferreira (2006, p. 90) afirma: “A expressão de grau não é um processo 
flexional em português, porque não é um mecanismo obrigatório”.
f) Ferreira (1998, p. 72) assegura que, para o poeta popular, “a poesia é a roda 
do engenho, a máquina do mundo, o exercício possível para a recuperação 
da neutralidade”.
g) De acordo com Oliveira (2004), muitos estudiosos, contrariando a orientação 
saussuriana de Bally e influenciados, sobretudo, pelo pensamento estético 
idealista de Croce, transformam a fala literária em objeto de estudo.
h) Para Bezerra (2001, p. 345), a linguagem é, nesse sentido, a “possibilidade 
da subjetividade, pelo fato de conter sempre as formas lingüísticas 
apropriadas à sua expressão”.
referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Conheça a aBNt. Disponível em: 
<http://www.abnt.org.br/default.asp?resolucao=1024X768>. Acesso em: 10 set. 
2008.
______. NBr �05�0: informação e documentação: citações em documentos: 
apresentação. Rio de Janeiro, 2002.
______. NBr �0��: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de 
Janeiro, 2002.
BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. 2. ed. São Paulo: Edicões 
Loyola, 1999.
BELLENGUER, Lionel. a persuasão. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.
CURY, A. J. inteligência multifocal: análise da construção dos pensamentos e da 
formação de pensadores. 7. ed. São Paulo, Vozes, 2005.
LANDOWSKY, E. a sociedade refletida. São Paulo, PUCSP, 1989.
MAINGUENEAU, D. análise de textos de comunicação. São Paulo: Cortez, 2001. p. 
137-154.
PLATÃO, Francisco; FIORIN, José Luiz. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: 
Ática, 2003.
QUINO. toda a Mafalda: da primeira à última tira. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
RÉBOUL, Olivier. Les valeurs de l’éducation , in a. Jacob (org.), L’univers Philosophique. 
Encyclopédie philosophique universelle, Paris: Puf, 1989,
i) No parecer de Ferreira Júnior (2006) e de outros, como Santana (1998) e 
Zigby (1975), os sufixos formadores de aumentativos ou de diminutivos é 
sempre derivacional.
j) Lima e Bezerra (2000) afirmam que um texto coerente é um conjunto 
harmônico, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar, 
de modo que não haja nada destoante, nada ilógico, nada contraditório, 
nada desconexo.
anotações
��
Leitura e produção de textos a05
anotações
��
Leitura e produção de textos a05
anotações
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Leitura e produção de textos a05
06
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Seguindo a ABNT
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Coordenadora da Produção dos Materias
Vera Lucia do Amaral
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky
Coordenadora de Revisão
Giovana Paiva de Oliveira
Design Gráfi co
Ivana Lima
Diagramação
Elizabeth da Silva Ferreira
Ivana Lima
José Antonio Bezerra Junior
Mariana Araújo de Brito
Arte e ilustração
Adauto Harley
Carolina Costa
Heinkel Huguenin
Leonardo dos Santos Feitoza
Revisão Tipográfi ca
Adriana Rodrigues Gomes
Margareth Pereira Dias 
Nouraide Queiroz
Design Instrucional
Janio Gustavo Barbosa
Jeremias Alves de Araújo Silva
José Correia Torres Neto
Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade
Revisão de Linguagem
Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade
Revisão das Normas da ABNT
Verônica Pinheiro da Silva
Adaptação para o Módulo Matemático
Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho
EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Projeto Gráfi co
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da Educação
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Objetivos
1
Leitura e Produção de Textos A06
Algumas recomendações sobre a qualidade dos textos de natureza técnica, científi ca e acadêmica no que tange ao estilo e à utilização das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ao longo desta disciplina, 
você tem estudado acerca dos gêneros técnicos, científi cos e acadêmicos e vem 
observando que eles sempre são regidos pelas recomendações das normas da ABNT, 
por isso, é importante conhecer um pouco das razões que levam ao uso e à aplicação 
dessas normas.
  Conhecer alguns parâmetros de qualidade para a produção de textos 
escritos.
  Conhecer alguns problemas que devem ser evitados na produção escrita.
  Entender as razões e as aplicações das normas da ABNT.
2
Leitura e Produção de Textos A06
Para começo
de conversa...
Mas não fi ca bem para um homem de letras começar um trecho de diário sem 
lembrar uma frase ou verso ilustre, a reputação requer um constante burnir. 
Necessário achar imediatamente meus dicionários de citações, para me lembrar 
repentinamente de pérolas literárias e poder manter este diário. Quem pensa que 
a vida do homem de letras é mole está muito enganado.
(Do diário de um homem de letras – João Ubaldo Ribeiro).
O texto de João Ubaldo Ribeiro comenta, de forma bem-humorada, as difi culdades 
que um homem de letras tem para ilustrar seu texto com citações. Um homem de 
letras, no entanto, não precisa fi car preocupado em fazer a referência exata da fonte 
de uma citação que ele tenha utilizado. Esse tipo de referência só é cobrado mais 
fi rmemente daqueles que produzem textos de natureza técnica, científi ca e acadêmica, 
como veremos nesta aula.
3
Leitura e Produção de Textos A06
Considerações
sobre o ato da escrita
Já comentamos, nesta disciplina, sobre a necessidade, ao 
escrever textos de natureza técnica, científi ca e acadêmica, de 
procurarmos seguir algumas orientações básicas quanto ao estilo 
do texto, seguindo as noções de clareza, precisão, concisão, 
imparcialidade, simplicidade, expressão gramatical adequada. 
Lembra-se? Se não se lembrar, retome a aula correspondente a 
esse assunto.
Essas não são, no entanto, as únicas características do texto técnico, científi co e 
acadêmico. Lembre-se de que nós também já comentamos que, para qualquer texto 
dessa natureza que você precise escrever, é preciso fazer boas leituras prévias, que o 
ajudem a desenvolver bem os conteúdos a serem abordados. Leituras efi cientes, como 
nós também já discutimos, requerem boa compreensão do que foi lido.
A leitura diária de jornais e revistas também amplia a visão e aguça o espírito crítico, 
pois permite que o leitor entre em contato com diferentes tipos de problemas, de ideias, 
de informações dos mais variados assuntos. A leitura que visa à produção de textos 
técnicos, científi cos e acadêmicos, no entanto, requer ainda mais, requer que consigamos 
sintetizar em texto nosso, em produção textual, aquilo que compreendemos nas leituras 
e pesquisas que fazemos. Requer,
também, que consigamos nos expressar bem, com 
linguagem e conteúdo adequados ao gênero textual que nos propomos a escrever.
Bem, diante de tudo isso, é interessante ressaltar que, para escrever bem, você não precisa 
utilizar frases complexas e vocabulário difícil. Algumas considerações extras que podem ser 
úteis em sua vida de estudante é que, para escrever textos de natureza técnica, científi ca 
e acadêmica você deve procurar utilizar-se de simplicidade, concisão, imparcialidade, 
originalidade, ordem e acuidade. Vejamos cada item mais cuidadosamente.
Simplicidade 
Procure usar termos e expressões simples. É comum acreditarmos que escrever textos 
de caráter mais técnico, científi co ou acadêmico exige de nós a utilização de expressões 
difíceis e termos pomposos. Não é verdade.
Em textos dessa natureza você não precisa complicar as coisas, ou como dizem por aí, 
usar de “prosopopeia fl ácida para acalentar bovinos”, que é uma forma mais elegante 
4
Leitura e Produção de Textos A06
de “conversa pra boi dormir”. Entendeu a diferença? Você vai ser compreendido se 
utilizar palavras que todos compreendam.
Esses tipos de textos são escritos para serem lidos e compreendidos, expressando 
da melhor maneira possível suas ideias e seus argumentos. Assim, procure 
empregar construções simples, diretas e espontâneas, obviamente, sem o vulgar e o 
excessivamente coloquial, visto que esses são textos que exigem um nível mais formal 
da linguagem.
Concisão
Também é de bom tom, principalmente em gêneros mais curtos, como resumos, 
resenhas, artigos científi cos, ser conciso. Isto é, expor suas ideias de forma breve, clara 
e em poucas palavras. Ou seja, usando de objetividade, evitando repetir ou parafrasear 
muito as ideias, dar exemplos em demasia, evitar pormenores que não agreguem valor 
real ao que você quer expressar.
Imparcialidade
É característica do estudante, do pesquisador, enfim, do 
produtor de textos de caráter técnico, científi co ou acadêmico, a 
imparcialidade. Ou seja, buscar demonstrar os vários aspectos 
dos problemas levantados, fundamentar seu ponto de vista em 
um suporte teórico-metodológico, argumentar com clareza e com 
qualidade, fazer referência às fontes de dados e informações, 
não se deixando influenciar por ideias preconcebidas ou 
supervalorizando aquilo que está pesquisando.
O julgamento de quem pesquisa e escreve deve ser o mais exato e justo possível. Assim, 
tudo que for afi rmado deve estar baseado em evidências e de acordo com o que se leu 
sobre o assunto.
Originalidade
Na verdade, tudo já foi pensado, dito ou escrito, é o que se 
costuma ouvir e dizer quando se está estudando e produzindo 
textos de natureza técnica, científi ca ou acadêmica. O que é novo, 
então? O novo consiste na forma de abordar um determinado 
assunto. Ou na forma de expor ou na forma de argumentar sobre
5
Leitura e Produção de Textos A06
ele. A novidade está no olhar do pesquisador, posto que, por mais que você pesquise 
algo que já tenha sido pesquisado por outros, o seu olhar está permeado por toda a 
sua vivência e esta é única, pois só você a experimentou. Assim, o seu olhar é que tem 
caráter próprio, é individual, inédito.
Ordem
Ao expor suas ideias, procure sempre organizá-las de uma maneira lógica. Por isso é 
sempre importante uma esquematização prévia do conteúdo de seu trabalho. Elaborar 
um plano do que se vai escrever ajuda muito a não perder de vista o objeto de estudo e 
os objetivos a serem alcançados com o texto. Assim, as partes de seu texto obedecerão 
a uma sequência clara e compreensível.
Acuidade
Acuidade diz respeito à capacidade de discriminação que você 
deve ter ao selecionar as informações mais relevantes para 
dispor e desenvolver em seu texto. Assim como implicam em 
observações cuidadosas, medidas e verifi cadas, explicadas 
através de palavras precisas e exatas.
Enfi m, só para retomar com outras palavras aquilo que já vem sendo tão marcadamente 
dito nesta disciplina, Markoni e Lakatos (2001, p. 176) comentam que, entre outras 
características, os textos de natureza técnica, científi ca e acadêmica devem apresentar:
a) Equilíbrio: apresentando senso de proporções.
b) Coerência: ajustamento no emprego de termos.
c) Controle: obediência e rigor na organização.
d) Interesse: despertando a atenção e o agrado.
e) Persuasão: visando convencer sobre o assunto exposto.
f) Sinceridade: valendo-se da franqueza e da honestidade.
g) Unidade: signifi cando uniformidade na disposição do assunto.
1Praticando...
6
Leitura e Produção de Textos A06
1. Observe os fragmentos textuais a seguir, elaborados para esta atividade e 
identifi que os principais problemas quanto às características necessárias 
para os textos de natureza técnica, científi ca ou acadêmica.
a) No curso de graduação enfocado, os ótimos projetos de intervenção são 
cursos preparados para escolas de ensino fundamental que precisam 
muito da intervenção dos estagiários, por estarem muito defi citárias em 
termos de qualidade de ensino. Esses ótimos estagiários apresentam 
projetos de grande qualidade que são analisados de forma positiva aqui.
b) A análise dos textos numa perspectiva dialética permite a equiparação 
entre escola e trabalho e proporciona o despertar da consciência 
cognitiva do professor pesquisador quanto à evolução psicossocial de 
seus aprendizes, elevando-os à condição de sujeitos de seu próprio 
aprendizado.
c) Trabalhadas essas questões e levantados os elementos. Essa refl exão 
é bastante relevante, já que o fato de introduzir um instrumento que 
parece bom não nos garante que ele funcionará. Entretanto, nos últimos 
anos, têm aparecido estudos que colocam que é preciso um ponto de 
vista mais integrativo.
d) O que há de absolutamente inovador aqui, é que nunca antes ninguém 
pensou dessa forma acerca do problema do aprendizado, constituindo-se 
este estudo em um estudo totalmente inovador e original, baseado em 
uma perspectiva totalmente inédita.
Para apresentar todos esses requisitos é preciso, portanto, evitar que seu texto 
apresente alguns defeitos, que são expostos por Markoni e Lakatos (2001) e sobre os 
quais vamos nos deter ainda um pouco.
Defeitos de estilo
Antes de falar das normas da ABNT propriamente, ainda cabe tecer algumas 
considerações sobre a qualidade de estilo dos textos de natureza técnica, científi ca e 
acadêmica. Observe alguns defeitos que podem prejudicar a qualidade de seu texto e 
que você deve evitar.
7
Leitura e Produção de Textos A06
Períodos longos ou breves demais
Convém ter cuidado no tamanho dos períodos que vai produzir. Nem tão curtos que se 
tornem telegráfi cos, nem tão longos que se tornem confusos e prolixos. Os primeiros 
tornam o estilo monótono e cansativo; os segundos prejudicam a clareza. O ideal 
seria a combinação dos dois, que poderá resultar em mais harmonia, mais equilíbrio 
para a linguagem.
Repetição de palavras
É preciso ter atenção também quanto ao uso do vocabulário. Muitas 
vezes, por medo de que estejamos fugindo do conceito exato que 
queremos expressar, ou por queremos ser bastante claros, acabamos 
por repetir inúmeras vezes as mesmas palavras ou expressões. Isso não 
é muito bom, pois denota pobreza de vocabulário. A solução será sempre 
a procura de sinônimos, no entanto, é preciso, também, usar de equilíbrio 
no uso dessas substituições de termos, não fazê-las aleatoriamente, 
mas cuidadosamente.
Frases desconexas
Uma das difi culdades de quem escreve é conseguir ter uma perspectiva crítica sobre o 
próprio texto. Assim, muitas vezes acabamos por ler o que queremos ler no nosso texto 
e não o que está lá, escrito. O olhar de outra pessoa sobre o texto que você produzir é 
importante para detectar a elaboração de períodos confusos, de difícil entendimento 
ou mesmo que não apresentem a coesão necessária.
Expressões
vulgares
Na redação de natureza técnica, científi ca ou acadêmica, não se permite a gíria nem 
as expressões populares. Os assuntos devem sempre ser abordados com elegância.
Chavões ou clichês
São sentenças ou frases muito comuns, vulgarmente usadas. Formas de expressão de 
uso na linguagem corriqueira, do dia a dia, tais como “quem está na chuva é para se 
molhar” ou “escrevo estas mal traçadas linhas” já foram tão utilizadas que hoje em dia 
se considera vulgar utilizá-las em produções textuais.
8
Leitura e Produção de Textos A06
Vícios de linguagem
Muitas vezes deixamos que a linguagem oral interfi ra em nosso 
texto escrito de uma forma não muito positiva, criando fi guras de 
efeito sonoro esdrúxulo tais como:
Exemplo 4
Ela apresentava uma evidente hemorragia de sangue.
Exemplo 1
O menino contente mente repetidamente.
b) Cacófato: criação de sons desagradáveis a partir da junção de palavras.
Exemplo 2
Foram pagos dois reais por cada.
Exemplo 3
Ela tinha quatro anos.
c) Pleonasmo: repetição desnecessária de uma ideia.
a) Eco: rima na prosa.
2Praticando...
9
Leitura e Produção de Textos A06
1. Identifi que, nos fragmentos textuais a seguir, alguns dos defeitos de 
estilo discutidos nesta aula:
a) Trabalhadas as questões, partiu-se para a pesquisa. Realizada. 
Apresentados os resultados. Considerados. Discorre-se sobre eles. 
Chega-se a conclusões fi nais.
b) Dessa forma, as normas para a realização de textos seguem as normas 
da ABNT que são normas de elaboração de citações e referências. Essas 
normas não podem ser ignoradas pelos produtores de textos.
c) Então, Magalhães (apud Machado, 2008, p. 100) afi rmou que “as 
teorias que subjazem aos estudos que consideram a relação linguagem 
e trabalho são as mais consultadas”, mesmo sabendo que a galerinha, 
a rapeize da street gosta mesmo é de falar coisa maneira, da hora.
Usando as normas da ABNT
Existem várias normas que regem a produção técnica, científi ca 
e acadêmica, todas formuladas pela Associação Brasileira de 
Normas Técnicas (ABNT). As normas sobre as quais vamos nos 
debruçar aqui são a NBR 10520/2002, que trata das citações, 
e a NBR 6023/2002, que trata sobre as referências, ou seja, 
a forma correta de indicarmos a referência dos diversos textos 
de diferentes naturezas que consultarmos para a realização de 
nossas produções textuais.
Certamente, esta aula não tem a intenção de esgotar o assunto, apenas de dar algumas 
orientações gerais sobre o uso das normas, mas para os detalhes, o importante é que 
você consulte e siga as próprias normas da ABNT.
Falando sobre citações, nós já discutimos, em aula anterior, algumas formas de como 
citar o discurso alheio, agora vamos ver, para a ABNT, em que se constitui uma citação.
Exemplo 5
Exemplo 6
10
Leitura e Produção de Textos A06
Citações
Citação é a menção, em um texto, de informação extraída de outra 
fonte (material e/ou documental) com o objetivo de esclarecer, 
reforçar ou ilustrar o que se diz. Ao fazer citações, você deve 
expor as ideias alheias com clareza, exatidão e precisão, para 
que o leitor do trabalho possa localizar a obra mencionada 
com facilidade, caso deseje aprofundar-se nos estudos sobre 
o assunto. Assim, todas as fontes de onde foram extraídas as
ideias e os trechos citados em seu trabalho devem ser referidas, caso contrário, você 
estará incidindo em plágio, o que é crime previsto por lei. Portanto, muito cuidado ao 
utilizar as teclas “Ctrl + C” e “Ctrl + V” ao produzir seus textos, você pode ser facilmente 
rastreado pelo professor e estará, possivelmente, incorrendo em erro e crime.
Para a ABNT, existem dois modos de citação: direta e indireta. A primeira é uma transcrição 
literal da informação dita por outro. Aquilo que nós estudamos como discurso direto, por 
exemplo. A segunda é a paráfrase da fala ou discurso de outra pessoa, aquilo que nós 
já vimos nesta disciplina como modalização em discurso segundo ou discurso indireto.
A ABNT, portanto, estabelece normas para ambos os tipos de citação. Em linhas gerais, 
da seguinte forma:
a) Citações diretas breves – até três linhas
  Deve ser inserida no corpo do texto, entre aspas duplas, em letras normais.
  Deve trazer indicação de nome completo ou sobrenome do autor, ano do texto lido e 
a página de onde a citação foi retirada, de acordo com os exemplos abaixo:
Bagno (2004, p. 69) esclarece que: “O domínio da norma culta não é 
instrumento de ascensão social.”
Segundo Bagno (2004, p. 27): “Essa mesma idealização da norma culta como 
um padrão linguístico 100% ‘puro’ – como uma pedra preciosa sem nenhuma 
jaça [...] se verifi ca num texto publicado por Pasquale Cipro Neto [...]”
Exemplo 7
Exemplo 8
11
Leitura e Produção de Textos A06
Há anos são empregados os sistemas de unidades métricas e “[...] 
atualmente, a maior parte do mundo científi co emprega a versão chamada 
unidades SI” (RUSSEL, 1994, p. 44).
Observe que:
  O sobrenome do autor citado pode vir fora ou entre parênteses:
  se vier fora, o sobrenome do autor não precisa, necessariamente, vir em maiúsculas;
  se vier dentro dos parênteses, o sobrenome do autor deve vir, necessariamente, 
em maiúsculas.
  Caso haja um termo ou expressão destacado dentro da citação, usam-se aspas 
simples para manter o destaque, como a palavra ‘puro’ no exemplo 6.
  Quando há supressões do texto na citação, ou seja, quando o texto original foi 
recortado por você, indique essa supressão com o uso de colchetes e reticências, 
como nos exemplos 6 e 7.
  Essas observações valem tanto para citações de apenas um autor ou de dois autores.
b) Citações diretas longas
A diferença está na maneira de formatar o texto, mas todas as observações dadas para 
as citações breves acima também são úteis nesse caso.
A formatação para citações acima de três linhas deve ser feita destacando-se o texto 
citado do corpo de seu texto com um recuo de 4 cm (além da margem esquerda), com 
letra menor que a do texto utilizado (fonte 10), sem itálico e sem aspas. Observe os 
exemplos a seguir:
Segundo Perelman e Olbrechts-Tyteca, para argumentar:
[...] é preciso ter apreço pela adesão do interlocutor, pelo seu 
consentimento, pela sua participação mental [...]. Quem não se 
incomoda com um contato assim com os outros será julgado 
arrogante, pouco simpático, ao contrário daqueles que, seja qual for 
a importância de suas funções, não hesitam em assinalar por seus 
discursos ao público o valor que dão à sua apreciação (2000, p. 18).
Exemplo 10
Exemplo 9
12
Leitura e Produção de Textos A06
“Demóstenes faz alusão, em sua Primeira olintíaca, ao decreto ateniense 
que interditava, sob pena de morte, a introdução de um projeto de lei [...]” 
(PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2000, p. 64, grifo nosso).
c) Citações indiretas
Segundo Russel (1994, p. 44), o método do fator unitário é o mais 
aperfeiçoado para cálculos numéricos.
Observe que:
  No caso de citações indiretas você não é obrigado a citar o número de página da 
citação, você pode citar apenas o ano do texto lido entre parênteses.
  Não se esqueça de indicar supressões com [...], interpolações, acréscimos ou 
comentários do autor do trabalho usar [ ] e ênfase ou destaque com grifo, negrito 
ou itálico.
  Quando estiver citando dados obtidos por informação verbal (palestras, debates, 
comunicações etc.), você deve indicar, entre parênteses, a expressão (informação 
verbal), mencionando os dados disponíveis, em nota de rodapé.
  Se desejar dar ênfase a trechos da citação, a alteração realizada deve ser indicada 
com a expressão “grifo nosso” entre parênteses, após a chamada da citação. Veja 
o exemplo 10:
Nesse caso, você se apropria do discurso do autor citado, 
dizendo-o com suas palavras, mas mesmo assim você precisa 
fazer referência a esse autor, pois
é dele a ideia que você está 
utilizando. Assim, observe os exemplos a seguir:
3Praticando...
Exemplo 11
13
Leitura e Produção de Textos A06
d) Citação da citação
Às vezes lemos um autor e encontramos em seu texto uma citação de algum outro autor 
que consideramos bastante relevante para o nosso trabalho. Fazemos uma citação da 
citação, porque pegamos uma citação que alguém fez. Nesse caso, estamos usando 
uma citação de “segunda mão” e devemos indicar isso através do uso da expressão 
apud, que signifi ca “citado por”.
Esse tipo de recurso só deve ser empregado quando o acesso à obra original for 
impossível, pois esse tipo de citação compromete a credibilidade do trabalho.
Segundo Luft (apud BAGNO, 2004, p. 63): “Um ensino gramaticalista abafa 
justamente os talentos naturais, incute insegurança na linguagem, gera 
aversão ao estudo do idioma [...]”
1. Elabore um texto de 20 linhas utilizando uma citação direta e uma citação 
indireta retirada de textos de suas disciplinas. Utilize como tema para a 
elaboração de seu texto: As responsabilidades de um estudante de EaD.
Notas de rodapé
Notas de rodapé também são recursos úteis para quem está 
produzindo um texto de natureza técnica, científi ca ou acadêmica, 
mas também convém utilizá-las com parcimônia. As notas podem 
ser explicativas (observações, aditamentos e informações 
paralelas ao texto), remissivas (quando remetem o leitor para 
outra parte do texto ou para outras fontes) e de tradução. Mas 
devem trazer sempre informações que, se colocadas no corpo 
do texto, se mostrariam desnecessárias ou poderiam desviar a 
leitura de seus objetivos.
Exemplo 13
14
Leitura e Produção de Textos A06
As notas de rodapé devem ser numeradas com algarismos arábicos, devendo ter 
numeração única e consecutiva para cada capítulo ou parte. Não se inicia a numeração 
a cada página. A redação da nota de rodapé deve ter espaço entre linhas simples e 
fonte tamanho 10.
Referências
Para a NBR 6023/2002, as referências de um trabalho de natureza técnica, científi ca 
ou acadêmica é um conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de 
um documento, que permite sua identifi cação individual. Existem, na elaboração 
das referências, alguns elementos que são considerados essenciais e outros 
que são considerados complementares. Tanto os elementos essenciais quanto os 
complementares precisam ser apresentados em uma sequência padronizada, de 
forma que todos os leitores possam, a partir do padrão, identifi car esses elementos e, 
consequentemente, o tipo de documento que eles descrevem.
São utilizadas duas formas de fazer referências na construção de textos de caráter 
técnico, científi co e acadêmico: as referências dentro do texto e as referências no fi nal 
do texto. Dentro do texto deve-se procurar simplifi car o tipo de referência utilizada, por 
isso a norma aconselha utilizar o sistema autor/data. No fi nal do texto, utilizando as 
entradas dadas através do sistema autor/data ao longo do texto, coloca-se o conjunto 
de informações acerca de cada um dos documentos utilizados durante o processo de 
construção do texto. Vejamos cada forma de referência separadamente.
a) Sistema autor/data
Cada vez que citamos algum documento no texto devemos colocar, entre parênteses, o 
sobrenome do autor, o ano de publicação daquele documento que citamos e o número 
da página de onde foi retirada a citação, no caso de citações diretas. Observe o exemplo:
Como fontes confi áveis para referências acadêmicas e científi cas 
deve-se privilegiar dissertações, teses, tratados, revistas periódicas 
vinculadas às instituições de ensino ou de pesquisa e artigos 
publicados em revistas científi cas catalogadas nos respectivos órgãos 
normatizadores e fi scalizadores (CERVO, BERVIAN, 2003, p. 157).
O exemplo 13 demonstra como deve ser feita a referência aos autores citados de forma 
direta dentro do texto, depois, no fi nal do trabalho, e seguindo as mesmas entradas 
feitas no texto, ou seja, os sobrenomes dos autores na mesma ordem. Deve-se colocar 
a referência completa do documento, da forma como está exposta no exemplo a seguir:
Exemplo 14
Exemplo 15
15
Leitura e Produção de Textos A06
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia científi ca. 5. ed. São 
Paulo: Prentice Hall, 2003.
b) Referências gerais
São colocadas ao fi nal dos textos de natureza técnica, acadêmica ou científi ca e 
apresentam o rol dos documentos utilizados pelo pesquisador-autor do texto. Apresentam 
alguns elementos essenciais dispostos na seguinte ordem e formatação:
SOBRENOME DO AUTOR, Nome. Título do texto. n. ed. Cidade da publicação: 
Editora, ano da publicação.
Além desses elementos essenciais, podem-se acrescentar alguns elementos 
complementares, por exemplo, se for texto traduzido, o nome completo do tradutor 
logo após o título do trabalho. Pode-se também agregar, ao fi nal da referência, após o 
ano, a quantidade de páginas do volume. Alguns dos elementos complementares mais 
utilizados são:
  Tradutor, prefaciador, introdutor (entre o título e o número da edição, quando houver, 
ou local de publicação, em caso de primeira edição, seguido de ponto).
  Número de páginas (após o ano de publicação, seguido por um “p.” e espaço) ou de 
volumes (havendo mais de um: após o ano de publicação, seguido de “v.” e espaço).
  Título da série (coleção, cadernos etc.) e número da publicação na série (entre 
parênteses, após o item anterior, separados por vírgula e seguidos de ponto).
ECO, Umberto. Como se faz uma tese. Trad. Gilson César Cardoso de Souza. 
10. ed. São Paulo: Perspectiva, 1993. 170 p. (Coleção estudos, 85).
Exemplo 16
Exemplo 18
Exemplo 17
16
Leitura e Produção de Textos A06
OLIVEIRA, V. B.; BOSSA, N. A. (Org.). Avaliação psicopedagógica da criança de 
sete a onze anos. Petrópolis: Vozes, 1996.
Observe-se que:
  As referências bibliográficas devem ser apresentadas em ordem alfabética, 
cronológica e sistemática (por assunto).
  Indica(m)-se o(s) autor(es) pelo último sobrenome, em letras maiúsculas, seguido(s) 
do(s) prenome(s) e outro(s) sobrenome(s), abreviados ou não.
  Quando houver dois ou três autores, os nomes devem ser separados por ponto-e-
vírgula, seguidos de espaço.
  Quando existirem mais de três autores, indica-se apenas o primeiro, acrescentando-
se a expressão latina et al, que signifi ca e outros.
PEAR, L. et al. Sobre a qualidade de aprendizagem no tratamento de pessoas 
autistas. Terapia behaviorista, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 21-39, 2007.
  Quando houver indicação explícita de responsabilidade pelo conjunto da obra, em 
coletâneas de vários autores, a entrada deve ser feita pelo nome do responsável, 
seguida pela abreviatura singular do mesmo, (organizador, coordenador, editor etc.), 
entre parênteses.
  Em caso de autoria desconhecida, a entrada é feita pelo título.
CONSULTORIO del amor: edicación sexual, creatividad y promoción de salud. 
La Habana: Academia, 1994
Exemplo 20
Exemplo 19
17
Leitura e Produção de Textos A06
  As obras de responsabilidade de entidades coletivas (órgãos governamentais, empresas, 
associações, congressos, seminários etc.) têm entrada pelo seu próprio nome por 
extenso em caixa alta, considerando a subordinação hierárquica, quando houver.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação 
e documentação: referência – elaboração. Rio de Janeiro, 2000.
  Quando a entidade tem uma denominação genérica, seu nome é precedido pelo nome 
do órgão superior, ou pelo nome da jurisdição geográfi ca à qual pertence.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Manjuba (ancharella 
lepidentostole) no rio Ribeira de Iguape. São Paulo: Ibama, 1990.
Sobre as referências colocadas ao fi nal dos textos, é interessante ainda acrescentar 
que podem agregar textos de naturezas diversas,
não só publicações impressas como 
livros, revistas, jornais, mas publicações em CD-ROM, sites, arquivos de vídeo, de áudio, 
em CD e DVD, enfi m, tudo o que possa ser utilizado como fonte de pesquisa. Para cada 
espécie de documento, no entanto, há especifi cidades no que tange à sua referenciação. 
Por isso, é importante consultar as normas sempre que você não souber como fazer a 
referência de um determinado documento que esteja utilizando.
4Praticando...
18
Leitura e Produção de Textos A06
1. Coloque em formato adequado, de acordo com a ABNT, as seguintes 
referências:
a) AUTORA: Ilane Ferreira Cavalcante; TÍTULO: O Romance da Besta Fubana: 
festa, utopia e revolução no interior do Nordeste; Editora: Bagaço; 
Cidade: Recife; Ano: 2008.
b) AUTORES: Andressa Pereira e Paulo B. Cunha; TÍTULO DO ARTIGO: 
A relação pessoa-ambiente: uma avaliação do desconforto térmico. 
TÍTULO DO PERIÓDICO: Cadernos Temáticos. PÁGINAS: 58 a 64; CIDADE: 
Brasília; EDITORA: Secretaria de Educação Profi ssional e Tecnológica; 
VOLUME: 01; NÚMERO: 11; DATA: Novembro de 2006.
c) TÍTULO: Conselho relata atentado contra índios em Raposa Serra 
do Sol. DISPONÍVEL EM: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0 
ACESSO: 27 de outubro de 2007.
Leituras complementares
NORMAS da ABNT: citações e referências bibliográfi cas. Disponível em: <http://www.
leffa.pro.br/textos/abnt.htm>. Acesso em: 30 jan. 2009.
Visite o sítio anterior. Nele, você encontrará uma orientação geral sobre como elaborar 
citações e referências com base nas normas da ABNT. Além disso, há diversos 
manuais de metodologia científi ca que você pode utilizar para estudar mais sobre o 
assunto. Alguns, inclusive, trazendo modelos de organização de trabalhos de natureza 
técnica, acadêmica e científi ca, tais como projetos de pesquisa, artigos, monografi as, 
dissertações. É o caso do livro de Amado Cervo e Pedro Bervian que consta nas 
referências desta aula.
Nesta aula, estudamos algumas considerações acerca do ato da escrita 
e sobre estilo na elaboração de textos de natureza técnica, científi ca ou 
acadêmica, além de orientações de como organizar citações e referências 
dentro dos moldes propostos pela ABNT.
Autoavaliação
19
Leitura e Produção de Textos A06
1. Leia os trechos abaixo, criados para esta atividade. Identifi que os 
problemas no uso das referências e das citações do discurso alheio 
e reescreva o trecho empregando corretamente a citação do discurso 
alheio indicada entre os parênteses.
a) Jean PARIS e M. NIGRA (1953, pág. 357) acreditam “que o tema é 
proveniente da França, tendo se propagado pela Itália setentrional e 
dali passado para a Catalunha que o levaria à Castela e a Portugal”. 
(Discurso indireto)
b) O Conde Alarcos é um romance novelesco muito antigo, provavelmente 
surgido antes dos épicos nacionais na Península Ibérica. Wolf, em sua 
Primavera de Romance (1990; 3 p.), considera-o “um dos romances 
jogralescos mais completos e formosos”. (Modalização em discurso 
segundo)
c) O estudioso português Theóphilo Bezerra (2003, pp. 61-62) encontra o 
motivo histórico do romance na Antiguidade romana, na fi gura de Júlia, 
fi lha do Imperador Augusto: “se alguma realidade histórica existe desse 
romance é o das relações de Júlia, fi lha do Imperador Augusto, com 
alguns dos seus maridos, descasados para satisfazer os seus caprichos 
[...]”. (Ilha textual)
2. Utilize as informações abaixo e elabore as referências de cada um 
dos volumes.
AUTOR 
(ES)
TÍTULO CIDADE EDITORA ANO
INFORMAÇÃO
COMPLEMENTAR
Rudolf 
von
Ihering
A luta
pelo Direito
São 
Paulo
Martin 
Claret
2003
Tradução Pietro 
Nássetti
Vários 
autores
Modernidades 
tardias
Belo
Horizonte
Editora da 
UFMG
1998
Organizadora
Eneida Maria de 
Souza
Clarice 
Lispector
Perto do
Coração
Selvagem
Rio de 
Janeiro
Nova
Fronteira
1986
12ª edição
216 páginas
20
Leitura e Produção de Textos A06
Maria 
Cecília P. 
de Souza 
e Silva e 
Ingedore 
Villaça 
Koch
Linguística 
aplicada ao 
português: 
sintaxe
São 
Paulo
Editora 
Cortez
1983
3ª edição
160 páginas
3. Procure a NBR 6023/2002 em uma biblioteca pública ou em sítios na 
Internet e descubra como fazer referências de:
a) artigos de revista;
b) artigos de jornais;
c) textos retirados da internet;
d) DVDs.
Referências
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia científi ca. 5. ed. São Paulo: Prentice 
Hall, 2003.
MACHADO, Anna Rachel (Coord.); LOUSADA, Eliane; ABREU-TARDELLI, Lília Santos. 
Planejar gêneros acadêmicos. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científi co. 
5. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
07
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Fichamento
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Coordenadora da Produção dos Materias
Vera Lucia do Amaral
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky
Coordenadora de Revisão
Giovana Paiva de Oliveira
Design Gráfi co
Ivana Lima
Diagramação
Elizabeth da Silva Ferreira
Ivana Lima
José Antonio Bezerra Junior
Mariana Araújo de Brito
Arte e ilustração
Adauto Harley
Carolina Costa
Heinkel Huguenin
Leonardo dos Santos Feitoza
Revisão Tipográfi ca
Adriana Rodrigues Gomes
Margareth Pereira Dias 
Nouraide Queiroz
Design Instrucional
Janio Gustavo Barbosa
Jeremias Alves de Araújo Silva
José Correia Torres Neto
Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade
Revisão de Linguagem
Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade
Revisão das Normas da ABNT
Verônica Pinheiro da Silva
Adaptação para o Módulo Matemático
Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho
EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Projeto Gráfi co
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da Educação
Você ve
rá
por aqu
i...
Objetivos
1
Leitura e Produção de Textos A07
Algumas considerações acerca do fi chamento. Qual a fi nalidade, quais as características e a utilidade de elaborar fi chamentos em sua vida de estudante. A partir desta aula, você passará a estudar alguns gêneros importantes para as 
suas atividades estudantis, tais como o fi chamento, o resumo, a resenha, o relatório. 
Começamos pelo fi chamento, porque ele será necessário e importante para o sucesso 
na elaboração de todos os demais.
  Conhecer o gênero fi chamento, seus tipos, usos e objetivos.
  Aplicar técnicas de elaboração de diferentes tipos de fi chamento.
2
Leitura e Produção de Textos A07
Para começo 
de conversa...
Livro bom, mesmo, é aquele de que às vezes interrompemos a leitura para seguir 
— até onde? — uma entrelinha... Leitura interrompida? Não. Esta é a verdadeira 
leitura continuada.
(Da Leitura – Mário Quintana).
Às vezes, quando lemos um livro por prazer, como comenta Quintana no fragmento acima, 
queremos guardar aquela frase que consideramos incrível, ou divagamos acerca do 
assunto que nos leva a outros assuntos... Outras vezes, quando lemos por obrigação, 
em geral, temos difi culdade de nos concentrar e compreender bem o que aquele texto 
nos fala. Como fi xar, então, o conhecimento que adquirimos com nossas leituras? Vamos 
refl etir um pouco sobre isso.
Sobre o fi chamento
Já estudamos, em aulas e disciplinas anteriores, que é importante estarmos atentos ao que lemos e questionarmos os textos, de forma a não acreditar simplesmente, mas a estabelecer relações entre as produções textuais lidas. Até algum tempo 
atrás, quando não havia computadores, o que faziam os leitores que precisavam ler 
diversos livros para produzir algum conhecimento, fosse esse novo conhecimento livros, 
aulas ou trabalhos escolares? Será que eles decoravam tudo o que liam? Não. Como 
você, hoje, que lê um texto e anota
à margem, em comentários pessoais, ou elabora 
apontamentos virtuais, em seu computador, os estudantes e pesquisadores buscavam 
registrar o que tinham compreendido dos textos fazendo fi chamentos. 
Mas, você pode dizer, se isso existia na época em que não havia computador, porque eu 
ainda tenho de estudar isso hoje? Porque hoje mudaram os instrumentos, os recursos 
de pesquisa e de estudo, mas não a necessidade de registrar, de alguma forma o 
que lemos, para não esquecermos. O fi chamento, físico ou virtual, ainda é possível e 
permanece sendo uma boa maneira de fi xar o que compreendemos.
3
Leitura e Produção de Textos A07
Defi nição
Fichamento é uma forma de investigação que se caracteriza pelo ato de fi char (registrar) 
todo o material necessário à compreensão de um texto ou tema. 
Pode ser feito através de fi chas que facilitam a documentação e preparam a execução do 
trabalho, como os estudantes e pesquisadores de antes do computador pessoal faziam. 
Eles contavam com fi chas de papel apropriadas, utilizadas para anotar as principais 
informações obtidas nos textos lidos. Observe a fi gura 1, a seguir.
Figura 1 – Exemplo de fi cha de estudo
Fonte: <http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://trilux.org/img/fi cha-3x5.jpg>. Acesso em: 5 jan. 2010.
Essas fi chas poderiam ser, posteriormente, acondicionadas em fi chários em uma ordem 
preestabelecida pelo pesquisador e consultadas sempre que necessário. Evidentemente, 
o uso do computador evita o acúmulo de papel e facilita a busca. Mas, mesmo virtual, o 
fi chamento ainda é uma forma de estudar e assimilar criticamente os melhores textos/
temas de sua formação acadêmico-profi ssional.
Assim, seja em arquivos no seu computador, seja em fi chas de papel, ou mesmo em 
cadernos, fi char pode ser um excelente exercício para você e facilitar muito o seu 
trabalho quando você tiver de voltar a um texto lido há algum tempo, pois, de acordo 
com a qualidade do seu fi chamento, você pode até substituir a releitura do texto original 
pela leitura do seu fi chamento, apenas.
1Praticando...
4
Leitura e Produção de Textos A07
Existem diversos tipos de fi chamento que atendem a diversas fi nalidades:
Fichas de citações
Funcionam, basicamente, para guardar a reprodução de algumas sentenças 
relevantes de outros autores sobre o estudo que você estiver desenvolvendo. 
Há fi chas de resumo de conteúdo, cuja fi nalidade é dizer, em poucas linhas, 
o conteúdo de um determinado texto lido. 
Fichas de esboço 
Esquematiza-se não o que se leu, mas o que se pretende abordar em uma 
palestra ou comunicação que se proferirá. 
Fichas de comentário
Consistem na interpretação crítica pessoal de ideias expressas em textos 
de outros autores. 
Fichas bibliográfi cas
Sua fi nalidade maior é destacar do texto lido o campo de saber que é 
abordado no texto fi chado; os temas mais relevantes tratados no texto; as 
conclusões alcançadas; as contribuições especiais em relação ao assunto 
desenvolvido; os modos de abordagem utilizados pelo autor do texto lido; 
a utilização de recursos como tabelas, gráfi cos etc.
Sobre essas fi chas, mais completas e que dizem respeito ao estudante, é que vamos 
tratar nesta aula.
1. O que é fi chamento?
2. Identifi que os tipos de fi chamento apresentados e a fi nalidade de cada um.
3. Como o fi chamento pode ser útil em sua vida de estudante a distância?
4. Como você pode adaptar esta atividade para sua rotina de estudos?
1 2 3
4 5
5
Leitura e Produção de Textos A07
Elementos de um fi chamento
Adaptado de: <http://tbn0.google.com/images?q=tbn:u
D0mYMmXNwxhxM:http://appt21.org.pt/produtos/img/
logo_bicho_conta>. Acesso em: 5 jan. 2010.
Para padronizar o trabalho de fi char, há uma sequência de 
informações que são importantes para o fi chamento. Essa 
sequência procura abranger todos os elementos necessários 
a uma leitura de qualidade e a uma referenciação que evite 
equívocos, quando da necessidade de reutilizar os textos 
fi chados em algum trabalho de natureza técnica, científi ca ou 
acadêmica. Assim, é importante que seu fi chamento contenha:
1. Indicação bibliográfi ca – mostrando a fonte da leitura, feita de acordo com 
as normas da ABNT.
2. Resumo – sintetizando o conteúdo da obra. Trabalho que se baseia em um 
esquema prévio do texto lido.
3. Citações – apresentando as transcrições signifi cativas da obra.
4. Comentários – expressando a compreensão crítica do texto, baseando-se 
ou não em outros autores e outras obras.
5. Ideação – colocando em destaque as novas ideias que surgiram durante a 
leitura refl exiva e que podem ser desenvolvidas por você em trabalhos futuros.
Modelo de fi chamento
Indicação bibliográfi ca (conforme as normas da ABNT)
1ª parte: apresentação objetiva das ideias do autor 
1. Resumo (baseado no esquema) 
2. Pequenas citações (entre aspas e páginas)
2ª parte: elaboração pessoal sobre a leitura
1. Comentários (parecer e crítica)
2. Ideação (novas perspectivas)
2Praticando...
6
Leitura e Produção de Textos A07
1. Faça um fi chamento desta aula.
2. Como você organizou as informações do texto em seu fi chamento?
3. Escolha um texto do curso e elabore um fi chamento de acordo com o 
modelo apresentado nesta aula.
Orientações sobre fi chamento
Para fazer um bom fichamento não basta um 
modelo. É bom que você conheça alguns aspectos 
sobre os objetivos e as normas de elaboração de 
textos que podem auxiliá-lo, de forma que sua leitura 
do texto a ser fi chado seja realmente proveitosa e 
seu fi chamento possa ser utilizado ainda por um 
longo tempo em seu processo de aprendizagem. 
Vamos a essas considerações.
Objetivos do fi chamento
Os fi chamentos são elaborados para:
  recolher dados, informações que uma obra pode nos oferecer;
  organizar materialmente essas informações de modo que o trabalho a ser elaborado 
se desenvolva melhor e de maneira mais rápida;
  assegurar a retenção daquilo que se quer conservar – a memória interna é frágil – os 
apontamentos são como uma memória exterior.
ATENÇÃO!!
7
Leitura e Produção de Textos A07
Normas práticas para assegurar um fi chamento efi ciente
Para que seu fi chamento seja útil a você durante muito 
tempo, mesmo depois que você tenha esquecido de que 
leu aquele texto, é preciso ser detalhista e cuidadoso no 
registro dos dados do texto. Assim, procure ter em vista os 
objetivos do trabalho, buscando: 
  anotar somente os dados suscetíveis de fornecer 
elementos sobre o problema formulado;
  fazer uma leitura prévia de todo o texto para ter uma ideia geral do assunto tratado, 
de modo a evitar redundâncias nas anotações;
  sublinhar os pontos principais ou anotar o que mais interessa, registrando a página 
do livro em que se localiza tal afi rmação. As citações textuais devem vir entre aspas. 
As ideias pessoais que surgirem durante a leitura podem ser colocadas ao fi nal da 
página, ou anotadas de modo diferente no computador.
Além disso, é preciso não se esquecer de colocar a referência bibliográfi ca completa 
da obra no cabeçalho da fi cha ou folha.
Por fi m, lembre-se: para produzir um bom fi chamento, é necessário saber distinguir o 
essencial do acessório. Evite acumular material, fazendo os apontamentos com refl exão 
e sobriedade. São mais importantes as ideias gerais do que as particulares, os detalhes 
e os exemplos. Por isso, é interessante utilizar frases ou palavras próprias e ter o 
cuidado de reproduzir com fi delidade o signifi cado do que o autor expressa, colocando, 
inclusive, o número de página de cada citação retirada do texto.
Concluindo
No fi chamento, portanto, esteja atento aos seguintes dados:
Identifi cação da fonte
Quando é feito o registro dos dados bibliográfi cos da obra, segundo as normas da ABNT.
Detecção das ideias centrais do texto
Quando,
após a pré-leitura, busca-se na segunda leitura, mais concentrada e profunda, 
assinalar as unidades de pensamento das partes ou parágrafos do texto.
Praticando...Praticando... 3
8
Leitura e Produção de Textos A07
Coleta dos dados
Quando se documenta, no fi chamento, as partes essenciais da leitura, seja por meio 
de transcrições literais de trechos do texto (sempre entre aspas), por meio do resumo 
feito pelo leitor ou por uma síntese esquemática do texto lido. A opinião do leitor 
aborda a inteligibilidade do texto, sua estrutura, articulação interna, grau de difi culdade 
(linguagem, estilo, neologismos etc.) e atualidade do tema e bibliografi a. Nesta parte, 
o leitor demonstra o quanto conseguiu assimilar e interpretar do texto.
  Leia e faça um fi chamento do texto abaixo. Siga as orientações da aula, sem 
esquecer-se de informar:
a) a fonte
b) as ideias centrais do texto
c) o que o texto suscita a você como futuro técnico em Segurança do Trabalho.
Internet no Século XXI 
A Internet não é mais novidade. Ela já é um poderoso meio de comunicação que deve 
ser usado por todos nós como instrumento de difusão do conhecimento. 
Em 1996 e 1997, tive a oportunidade de escrever, na Revista CIPA (www.cipanet.com.br), 
uma série de artigos cujo principal objetivo era o de apresentar a Internet a uma grande 
parte dos leitores. Hoje, a Internet já faz parte do cotidiano de muitas empresas, 
instituições e profi ssionais das áreas de Segurança e Saúde do Trabalho. Se você 
observar os anúncios que estão distribuídos pelas páginas das revistas especializadas, 
irá constatar a presença de endereços eletrônicos na maioria deles. Muitos articulistas 
também oferecem um e-mail para contato. 
Ora, se essa grande rede mundial já é amplamente conhecida e utilizada pelos 
profi ssionais e instituições do setor de SST, porque voltar a escrever sobre esse tema? 
A minha resposta é que ainda há muita coisa a ser feita por nós para que a Internet 
seja mais útil e melhor aproveitada. 
Tenho acompanhado, de perto, o crescimento da presença do setor nessa incrível 
rede mundial de computadores e não há dúvida que chegou a hora da inovação. Nesta 
primeira fase, isto é, desde o surgimento da Internet comercial no Brasil (setembro de 
1995) até agora, o que se caracterizou para nós foi um período de “marcar presença”, 
9
Leitura e Produção de Textos A07
estabelecer-se na Grande Rede e utilizar os recursos básicos para trocar informações 
(correio eletrônico, listas de discussão, bate-papo) e expor produtos e serviços (páginas 
da Web). Conhecendo o potencial da Internet e suas aplicações interativas (home-
banking, livrarias virtuais, supermercados delivery, bibliotecas digitais etc.) temos que 
adaptá-los aos nossos interesses. 
Enviar a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) pela Internet é um grande avanço, 
já disponibilizado pela Previdência Social, mas ele se tornará maior ainda quando o 
processamento das informações nos permitir acesso, até mesmo em tempo real, às 
estatísticas dos acidentes. 
A edição de uma norma ou a publicação de uma portaria pode ser divulgada por meio 
de uma mensagem automática dirigida a todos aqueles que estiverem cadastrados 
para isso. Isso pode ser implementado pelo Ministério do Trabalho (www.mte.gov.br), da 
Previdência (www.mpas.gov.br) ou, até mesmo, pela Imprensa Nacional (www.in.gov.br). 
Antes de o Diário Ofi cial sair da gráfi ca, você já terá recebido o novo diploma legal em 
sua casa, escritório, enfi m, onde você estiver, até mesmo em seu telefone celular. Para 
quem está distante dos grandes centros urbanos isso é uma revolução, especialmente 
se, por esse mesmo canal, for aberto um processo de discussão pública. 
Outra área de aplicação do potencial interativo da Internet é a educação à distância. A 
Universidade Virtual já é realidade em alguns países, os cursos de extensão também. 
Além de textos e imagens estáticas, dentro de pouquíssimo tempo, poderemos transmitir, 
pela Internet, fi lmes de treinamento, seminários e palestras ao vivo, sem o aparato de 
uma sala de vídeo conferência. Estamos nos preparando para isso? 
A digitalização de publicações técnicas é um outro passo que precisará ser dado 
com mais velocidade. Já existem os meios tecnológicos para realizar essa tarefa. 
A quantidade poderá ser pequena no início, mas o importante é reconhecermos a 
importância dessa biblioteca digital e trabalharmos nessa direção. Não se trata de 
substituir livros, trata-se de ampliar a difusão do conhecimento técnico em segurança 
e saúde do trabalho, atingindo profi ssionais, estudantes e instituições que não têm 
acesso fácil a bibliotecas e cursos de atualização. 
Tenho certeza de que as empresas, as entidades, especialmente os órgãos públicos, 
compreenderão a necessidade de investimento nessas aplicações interativas da Internet. 
Em um país continental como o Brasil, a Internet deve ser explorada por cada um de nós 
para que ela seja a Rede do Conhecimento, ao contrário da televisão aberta, que tinha 
esse potencial mas que se transformou, com honrosas exceções, na Rede da Alienação. 
É o momento de migrarmos da era da informação para a era do conhecimento. A 
segurança e a saúde dos trabalhadores depende disso também. Nossos indicadores 
sociais estão muito aquém das metas de qualidade de vida de um povo e os números 
dos acidentes e doenças do trabalho nos revelam um grave problema de saúde pública. 
Todos os meios disponíveis para mudar esse quadro devem ser utilizados, à exaustão, 
pelos trabalhadores, empresários e governo. A Internet é um desses meios; mãos à obra!
Autoavaliação
10
Leitura e Produção de Textos A07
*Ricardo Pereira de Mattos (ripemattos@ig.com.br) é engenheiro eletricista, engenheiro 
de segurança e professor dos cursos de pós-graduação em Engenharia de Segurança 
do Trabalho da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal do Rio 
de Janeiro (UFRJ). Sócio Efetivo da Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança, 
ex-diretor da Sociedade de Engenharia de Segurança do Estado do Rio de Janeiro e 
ex-conselheiro do CREA-RJ. É autor da publicação eletrônica O Endereço da Prevenção: 
www.ricardomattos.com.
Aplique os conhecimentos desta aula fazendo um fi chamento sobre um dos 
artigos de comércio exterior que você encontra no seguinte site:
INTERLEGIS. Artigos sobre comércio exterior. Disponível em: <http://www.
interlegis.gov.br/processo_legislativo/copy_of_20020319150524/20040
805152317/20040804163612>. Acesso em: 11 fev. 2009.
Nesta aula, vimos o que é e qual a utilidade do fi chamento, principalmente 
para um estudante. Estudamos também quais são os elementos 
fundamentais e imprescindíveis de um fi chamento e tivemos acesso a 
algumas orientações gerais acerca de como fazer uma produção textual 
efi ciente desse gênero que seja útil para guardar informações relevantes 
sobre os textos que você tiver que estudar.
Leitura complementar
MACHADO, Anna Raquel; LOUSADA, Eliane; TARDELLI, Lília Santos Abreu. Como planejar 
gêneros acadêmicos. Rio de Janeiro: Parábola, 2007.
Nessa obra você poderá aprofundar um pouco mais seus conhecimentos sobre como 
pesquisar, planejar e elaborar gêneros de natureza investigativa e mais acadêmica.
Anotações
11
Leitura e Produção de Textos A07
Referências
FICHAMENTO: organizando a informação. Disponível em: <http://www.ucb.br/prg/
comsocial/cceh/normas_organinfo_fi chario.htm>. Acesso em: 20 maio 2007.
HUHNE, L. M. Metodologia científi ca. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2000. p. 64 - 65.
Anotações
12
Leitura e Produção de Textos A07
08
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Resumo
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Coordenadora da Produção dos Materias
Vera Lucia do Amaral
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga
Olinisky
Coordenadora de Revisão
Giovana Paiva de Oliveira
Design Gráfi co
Ivana Lima
Diagramação
Elizabeth da Silva Ferreira
Ivana Lima
José Antonio Bezerra Junior
Mariana Araújo de Brito
Arte e ilustração
Adauto Harley
Carolina Costa
Heinkel Huguenin
Leonardo dos Santos Feitoza
Revisão Tipográfi ca
Adriana Rodrigues Gomes
Margareth Pereira Dias 
Nouraide Queiroz
Design Instrucional
Janio Gustavo Barbosa
Jeremias Alves de Araújo Silva
José Correia Torres Neto
Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade
Revisão de Linguagem
Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade
Revisão das Normas da ABNT
Verônica Pinheiro da Silva
Adaptação para o Módulo Matemático
Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho
EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Projeto Gráfi co
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da Educação
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Objetivos
1
Leitura e Produção de Textos A08
A diferença entre índice e sumário e algumas estratégias para fazer uma sumarização, também válidas para a elaboração de resumos. Verá também os principais tipos de resumo formais exigidos do estudante, a saber: o indicativo, 
o informativo e o crítico, importantes para as produções de natureza técnica, científi ca 
e acadêmica.
  Compreender a diferença entre índice, sumário e resumo.
  Conhecer e aplicar técnicas de sumarização de textos.
  Conhecer os diferentes tipos de resumo.
  Conhecer e aplicar técnicas de elaboração dos principais tipos de resumo.
2
Leitura e Produção de Textos A08
Para começo
de conversa....
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfi m
não me valeu
Mas fi co com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças!
[...]
(Trocando em miúdos, Chico Buarque e Francis Hime).
A música de Chico Buarque e Francis Hime, “Trocando em miúdos”, fala sobre o fi nal 
de um relacionamento, quando não há muito a dizer e é preciso separar aquilo que se 
conquistou ao longo da história. Ao utilizar a expressão “trocando em miúdos”, o eu-lírico 
parece querer dizer algo como, “para simplifi car”. A expressão que dá título à canção, 
portanto, indica a necessidade de simplifi car a conversa mais longa, evitar a discussão 
acerca de mágoas antigas, enfi m, sumarizar a separação a algumas unidades mais 
simples que, no entanto, guardam em si toda uma história: o disco, a medida do Bonfi m 
são elementos que contam um pouco da vida em comum do casal que se separa, mas 
que simplifi cam a conversa sobre separação.
É sobre essa simplifi cação do discurso que vamos conversar um pouco nesta aula. Não 
de forma tão melancólica quanto a canção de Chico Buarque e Francis Hime, é claro. Mas 
sobre como essa necessidade de sumarização das ideias é importante em nosso dia a dia.
Trocando em miúdos
Etimologicamente, a palavra resumo origina-se do verbo latino sumere, ou seja, reduzir, 
diminuir, sintetizar. O adjetivo sumarius pode ser traduzido, então, como simples, feito 
sem formalidades ordinárias, isto é, resumidamente e, portanto, breve e sem delongas.
1Praticando...
3
Leitura e Produção de Textos A08
A sumarização é uma atividade, então, em que reduzimos ao mínimo necessário, ou 
fundamental, aquilo que lemos, soubemos, conhecemos. E é uma atividade cada dia 
mais importante devido ao grande volume de informações produzido diariamente.
A sumarização, aliás, é uma atividade bastante comum. Quando se narra um evento 
a uma pessoa, costuma-se fazer um resumo do que aconteceu e não uma narração 
completa e muito detalhada. Inconscientemente, as pessoas estão sempre sumarizando, 
quer oralmente, quer por escrito. Se você parar para pensar, vai ver que manchetes 
de jornais e seus subtítulos, denominados leads, são exemplos de sumários escritos.
Você já imaginou se alguém decidisse ler tudo o que é publicado diariamente em jornais 
e revistas? Impossível, não é mesmo? As horas do dia não seriam sufi cientes para tanto. 
Mesmo que essa pessoa decidisse ler somente o que é publicado em jornais, no Brasil, 
seria praticamente impossível ler tudo. Ou se essa pessoa escolhesse um assunto e 
resolvesse ler tudo o que já foi escrito sobre aquilo. Será que conseguiria? Difi cilmente.
Um bom exemplo dessa difi culdade se dá quando resolvemos pesquisar algo em um 
site de busca. Basta digitar uma palavra e pronto, temos uma enorme quantidade de 
links que se abrem para que escolhamos aquilo que mais nos convém.
O mais difícil hoje, aliás, não é encontrar as informações, temos informações aos 
borbotões, por todos os lados, nas bancas de jornal, na televisão, na internet. O difícil 
mesmo é selecionar as informações relevantes, é identifi car aquilo que é mais plausível, 
mais adequado, mais correto.
Bem, fazer uma seleção requer não só uma boa base de conhecimentos, mas a capacidade 
de fazer uma leitura rápida e crítica que nos permita identifi car, em breves palavras, o 
conteúdo de um determinado texto. Ou seja, fazemos uma sumarização dos assuntos e 
identifi camos se determinado texto nos é útil ou não em determinado momento.
1. O que é sumarização?
2. Leia o fragmento abaixo, retirado do texto desta aula e refl ita se você 
concorda ou discorda com ele. A seguir, elabore um texto esclarecendo 
e justifi cando a sua opinião.
1. Introdução
2. Apresentação
3. Proposta de trabalho
 3.1 Produto
 3.2 Objetivos
4. Metodologia
5. Definição
6. Apresentação física
7. Estrutura do trabalho
 7.1 Pré-textuais
 7.2 Textuais
 7.3 Pós-textuais
8. Citações
 8.1 Citação direta 
 8.2 Citação Indireta
 8.3 Citação de citação
9. Notas de rodapé
 9.1 Notas de referência
 9.2 Notas explicativas
10. Considerações finais
11. Referências
12. Índice
07
08
09
10
11
14
20
23
26
32
38
42
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
Sumário
4
Leitura e Produção de Textos A08
O mais difícil hoje não é encontrar as informações, temos informações 
aos borbotões, por todos os lados, nas bancas de jornal, na televisão, na 
internet. O difícil mesmo é selecionar as informações relevantes, é identifi car 
aquilo que é mais plausível, mais adequado, mais correto.
Bem, fazer uma seleção requer não só uma boa base de conhecimentos, 
mas a capacidade de fazer uma leitura rápida e crítica que nos permita 
identifi car, em breves palavras, o conteúdo de um determinado texto.
Sumarizar para quê?
Sumarizar é um instrumento útil na elaboração de textos de natureza técnica, científi ca 
e acadêmica, pois esse procedimento ajuda a fi xar o conhecimento adquirido através 
da leitura e auxilia na elaboração dos próprios textos. Quando se fala de sumarização, é 
necessário referir-se ao que se entende por um sumário. O que é um sumário, você sabe? 
No início de textos técnicos, científi cos e acadêmicos em geral sempre encontramos 
um sumário. Ele é mais ou menos assim:
Figura 1 – Exemplo de sumário
5
Leitura e Produção de Textos A08
Ele se parece muito com um índice, não é mesmo? Qual seria a diferença entre ambos? 
Segundo a norma NBR 14724, da ABNT:
Sumário é uma “enumeração das divisões, seções e outras partes de uma 
publicação, na mesma ordem e grafi a em que a matéria nele se sucede.”
Índice é uma “lista de palavras ou frases, ordenadas segundo um critério 
predefi nido, que localiza e remete para as informações contidas no texto.” 
Assim é possível encontrar diferentes tipos de índices – índice de assuntos, 
índice de autores, entre outros.
Os sumários, portanto, costumam vir no início dos livros e trabalhos técnicos, científi cos 
e acadêmicos, enquanto o índice sempre virá no fi nal. O sumário também costuma ser 
organizado na mesma ordem da divisão dos textos, demonstrando,
para quem vai ler 
os principais tópicos e subtópicos do texto, a página em que eles se encontram. Os 
índices, por sua vez, se organizam de diferentes formas.
A palavra “índice” signifi ca lista de identifi cadores que indicam onde as informações 
se encontram. Desta forma, pode ser o índice de obras de uma biblioteca; o índice de 
livros de uma coleção; o índice de um livro. O “index” da igreja Católica era o índice 
de obras cuja impressão ela permitia ou proibia, funcionava como uma censura e era, 
muitas vezes, instrumento no processo inquisitório contra as pessoas.
O índice normalmente fi ca no fi nal. Um bom exemplo de índice é o “remissivo”, em que 
são listados assuntos ou tópicos que apontam para capítulos ou parágrafos do texto; 
pode ser, inclusive, analítico, ou seja, bem detalhado, contendo o apontamento de onde 
se encontra cada detalhamento nas páginas, títulos, parágrafos etc. Normalmente, os 
índices são organizados em ordem alfabética e também trazem a referência das páginas 
em que são encontrados os assuntos, por isso alguns o chamam de “índice alfabético”.
Mas, embora um sumário não deixe de ser um resumo daquilo que o texto contém, 
organizado por seus tópicos, não é sobre esse tipo de sumário que vamos tratar nesta 
aula. Mas sobre o processo de sumarizar. Ou seja, sobre o processo de transformar em 
poucas palavras aquilo que é bem mais extenso.
Por sua utilidade e frequência, fala-se muito em automatizar o processo de sumarização. Mas 
não há automação ou técnica efi ciente que substitua a necessidade de ler e compreender 
aquilo que lemos. No campo da sumarização humana, por exemplo, encontramos vários 
tipos de sumários: resenhas de notícias jornalísticas, sinopses do movimento da bolsa 
Exemplo 1
Exemplo 2
6
Leitura e Produção de Textos A08
de valores, sumários de novelas, extratos de livros científi cos, resumos de previsões 
meteorológicas etc. Cada um desses tipos envolve pressuposições e características 
diversas, assim como conteúdos e correspondência com suas variadas fontes.
Observe o exemplo a seguir:
Polícia ainda não tem pistas sobre crime na Serra de Martins
Fonte: <http://tribunadonorte.com.br/>. Acesso em: 21 jul. 2008.
É muito fácil identifi carmos que o exemplo 1 apresenta o título de uma notícia, não 
é mesmo? A partir desse título é possível pressupor o conteúdo do texto? Vejamos: 
sabemos, a partir da leitura do título, que houve um crime na Serra de Martins. Se 
houve um crime, há, obviamente, um criminoso e uma investigação policial. Pelo título 
da notícia já sabemos que a polícia, que investiga o crime, ainda não tem pistas sobre 
ele, o que nos leva a supor que a polícia não deve saber ao certo, portanto, quem o 
cometeu ou como ele foi cometido.
Bem, deu para notar, pelo exemplo 1, portanto, que um título deve indicar ao leitor o 
conteúdo daquilo que ele irá ler. Mas você pode se perguntar, agora: “Se já sabemos do 
conteúdo pelo título, para que ler o texto?” Ora, uma resposta possível é: lemos para 
saber os detalhes: de que tipo de crime se trata? Foi um assalto, um assassinato, um 
arrombamento, o quê? Quando aconteceu? Faz muito tempo, pouco tempo? Em que 
circunstâncias esse crime aconteceu? Quem são os personagens envolvidos nessa 
história? Enfi m, lemos para conhecer detalhes que um título não nos pode dar.
Agora, observe o exemplo 2, a seguir:
Vidas sem Rumo
Fonte: <http://tribunadonorte.com.br/>. Acesso em: 21 jul. 2008.
O que nos indica o título acima? É um título bem abrangente, não é mesmo? Pode ser 
o título de um romance romântico, de um fi lme dramático, de uma notícia sobre os 
menores abandonados, enfi m, pode ser sobre inúmeros assuntos. Nesse caso, o título 
Exemplo 3
7
Leitura e Produção de Textos A08
funciona muito mais como um atrativo, chamando a atenção do leitor que, levado pela 
curiosidade, lerá o texto para descobrir que vidas são essas que estão sem rumo. No 
caso desse texto em particular sabe do que se trata? Veja um pouquinho:
O título do comentário que abre a coluna deste domingo é facilmente 
identifi cável: fui buscá-lo no best seller da escritora S. E. Hinton, 
transformado em filme por Francis Ford Copolla. Com algumas 
variações, retrata o drama dos nossos craques dos anos 50 a 70, a 
grande maioria alcançando o tempo de parar com a bola, mas sem 
lenço e sem documento, como no sucesso de Caetano Veloso. Nesta 
mesma edição da TN tem matéria que fi z sobre a vida de um jogador 
falecido no começo desta semana, aos 68 anos. Chamava-se José 
Ireno, craque, exageradamente simples, introvertido, sem qualquer 
plano para um futuro absolutamente previsível. Parou aos 33 anos, 
sem ter pra onde ir, sem qualquer qualifi cação profi ssional. Como 
gostava da bebida, se instalou num pequeno boteco exatamente para 
vender bebida e tira gosto.
Fonte: <http://tribunadonorte.com.br/coluna/2003/data/20-7-2008>. Acesso: 21 jul. 2008.
Você poderia imaginar, pelo título, que se tratava de um texto sobre craques do futebol? 
Eu acho que não...
É possível encontrar inúmeras variações da qualidade de títulos de textos jornalísticos 
apenas investigando os jornais de um mesmo dia. E esse tipo de variação é mesmo 
muito comum na elaboração de sumarizações de qualquer natureza. Vale notar, 
no entanto, que ambas as formas podem ser associadas. Ambos os exemplos de 
sumários, neste caso, apresentam ainda uma característica bastante peculiar: podem 
e devem sumarizar seus correspondentes textos, seja de forma direta (exemplo 1) 
ou indireta (exemplo 2).
Com esses exemplos, referimo-nos a uma característica importante na sumarização 
humana: a variação de conteúdo informativo pressupõe uma multiplicidade sentencial 
ou estrutural dos sumários e, portanto, a possibilidade de se produzir mais de um 
sumário para um mesmo texto.
O importante é notar que:
2Praticando...
8
Leitura e Produção de Textos A08
Sumários:
remetem, necessariamente, a eventos ou textos originários;
  devem ser construídos tendo em mente que não pode haver perda do 
signifi cado original, muito embora contenham menos informações e 
possam apresentar diferentes estruturas, em relação a suas fontes.
1. Qual a diferença entre sumário e índice?
2. Pesquise, em livros de várias naturezas, alguns exemplos de índice. Por 
exemplo, índices de conteúdo, índices remissivos, índices de autores... 
Observe como eles foram elaborados e identifi que a diferença entre eles.
O processo de sumarização
O mais importante para sumarizar um texto é conseguir reconhecer o que é relevante e 
o que pode ser descartado nesse texto. Mas esse também é o maior problema, pois a 
importância do conteúdo de um texto pode depender de fatores como:
a) os objetivos do autor;
b) os objetivos ou interesses de seus possíveis leitores;
c) a importância relativa (e subjetiva) que o próprio autor (ou leitor) atribui 
às informações textuais.
Assim sendo, analisar o conteúdo de um texto é uma das atividades mais importantes 
no processo de elaboração de um resumo desse texto. É possível, por exemplo, seguir a 
forma como o assunto foi abordado pelos autores do texto, estabelecendo, no resumo, 
a mesma sequência de ideias.
9
Leitura e Produção de Textos A08
Finalmente, antes da sumarização propriamente dita, faz–se necessário investigar a 
estrutura do discurso do texto original. E isso pode ser feito observando a rede de 
relações entre as sequências do texto. Para fazer isso é preciso que quem elabora o 
sumário possua:
a) um bom domínio do assunto específi co, de forma a conseguir abstrair 
ou generalizar as informações que ele lê;
b) um conhecimento prévio sobre aquele assunto.
Para isso, é fundamental que se leia o texto mais de uma vez. Na primeira leitura, 
observamos o conteúdo geral e a estrutura do texto. Na segunda leitura, somos mais 
capazes de perceber, de forma analítica:
 o plano geral da obra ou a ideia central do autor;
  o propósito que norteou o autor;
  as partes principais em que se estrutura o texto;
  a ordem em que as diferentes partes do texto se organizam.
A partir da observação desses aspectos já somos capazes de elaborar um bom resumo.
O resumo tem por objetivo apresentar com fi delidade ideias ou fatos essenciais contidos 
num texto. Sua elaboração é bastante complexa, já que envolve habilidades como leitura 
competente, análise detalhada das ideias do autor, discriminação e hierarquização 
dessas ideias e redação clara e objetiva do texto fi nal. Em contrapartida, dominar a 
técnica de fazer resumos é de grande utilidade para qualquer atividade intelectual que 
envolva seleção e apresentação de fatos, processos, ideias etc.
Resumos são, igualmente, ferramentas úteis ao estudo e à memorização de textos 
escritos. Além disso, textos falados também são passíveis de resumir. Anotações de 
ideias signifi cativas ouvidas no decorrer de uma palestra, por exemplo, podem vir a 
constituir uma versão resumida de um texto oral.
3Praticando...
10
Leitura e Produção de Textos A08
1. Quais são os fatores determinantes para a elaboração do resumo de 
um texto?
2. Precisamos de, no mínimo, quantas leituras para a elaboração de um 
bom resumo?
3. Para que podem ser úteis os resumos?
Formas de resumo
O resumo pode se apresentar de várias formas, conforme o objetivo a que se destina. No 
sentido estrito, padrão, o resumo deve reproduzir as opiniões do autor do texto original, 
a ordem como essas ideias são apresentadas e as articulações lógicas do texto, sem 
emitir comentários ou juízos de valor. Dito de outro modo, trata-se de reduzir o texto a 
uma fração da extensão original, mantendo sua estrutura e seus pontos essenciais.
Quando não há a exigência de um resumo formal, o texto pode igualmente ser sintetizado 
de forma mais livre, com variantes na estrutura. Uma maneira é iniciar com expressões 
como: “No texto..., de..., publicado em..., o autor apresenta/discute/analisa/critica/
questiona... tal tema, posicionando-se...”. Essas expressões têm a vantagem de dar ao 
leitor uma visão prévia e geral, orientando assim, a compreensão do que segue. Esse 
tipo de resumo pode, se for pertinente, vir acompanhado de comentários e julgamentos 
sobre a posição do autor do texto e até sobre o tema desenvolvido.
Em qualquer tipo de resumo, entretanto, dois cuidados são indispensáveis: buscar a 
essência do texto e manter-se fi el às ideias do autor. Copiar partes do texto e fazer uma 
“colagem”, sob a alegação de buscar fi delidade às ideias do autor não é permitido, pois 
o resumo deve ser o resultado de um processo de “fi ltragem”, uma (re)elaboração de 
quem resume. Se for conveniente utilizar excertos do original (para reforçar algum ponto 
de vista, por exemplo), esses devem ser breves e estar identifi cados (autor e página), 
ou seja, devem ser feitos em forma de citação.
Uma sequência de passos efi ciente para fazer um bom resumo é a seguinte:
Exemplo 4
11
Leitura e Produção de Textos A08
1. Ler atentamente o texto a ser resumido, assinalando nele as ideias que 
forem parecendo signifi cativas à primeira leitura.
2. Identifi car o gênero a que pertence o texto (uma narrativa, um texto opinativo, 
uma receita, um discurso político, um relato cômico, um diálogo etc.).
3. Identifi car a ideia principal.
4. Identifi car a organização – articulações e movimento – do texto (o modo 
como as ideias secundárias se ligam logicamente à principal).
5. Identifi car as ideias secundárias e agrupá-las em subconjuntos (por exemplo: 
segundo sua ligação com a principal, quando houver diferentes níveis de 
importância; segundo pontos em comum, quando se perceberem subtemas).
6. Identifi car os principais recursos utilizados pelo(s) autor(es) do texto 
(exemplos, comparações e outras vozes que ajudam a entender o texto, 
mas essas comparações e comentários não devem constar no resumo 
formal, apenas no livre, quando necessário).
7. Esquematizar, quando o texto for mais complexo, o resultado desse 
processamento.
8. Redigir o texto.
O coração da empresa
Tom Coelho
“Se fôssemos bons em tudo
não necessitaríamos de trabalhar em equipe”.
(Gisela Kassoy)
É comum qualifi carmos as empresas como “organismos vivos”. E, sob esta 
óptica, comparar o seu funcionamento ao do corpo humano.
Evidentemente, alguns resumos são mais fáceis de fazer do que outros, dependendo 
especialmente da organização e da extensão do texto original. Assim, um texto não 
muito longo e cuja estrutura seja perceptível à primeira leitura, apresentará poucas 
difi culdades a quem resume. De todo modo, quem domina a técnica – e esse domínio 
só se adquire na prática – não encontrará obstáculos na tarefa de resumir, qualquer 
que seja o tipo de texto.
12
Leitura e Produção de Textos A08
A nossa “máquina”, projectada e esculpida por Deus, apresenta uma série 
de funções intimamente relacionadas. Do sistema digestivo ao excretor, 
passando pelo respiratório e reprodutor, a saúde do corpo depende de um 
equilíbrio dinâmico orquestrado por um órgão fundamental: o coração. 
Quando ele pára, o corpo padece e desfalece.
No mundo empresarial acontece o mesmo. Os organogramas indicam-nos 
a existência de uma série de departamentos. Assim, o departamento de 
Fornecimentos adquire matéria-prima que será processada pela Produção, 
colocada no mercado pelo Marketing, tudo fi nanciado pelo departamento 
de Finanças, com apoio do departamento Jurídico e da Contabilidade. 
A Informática sistematiza tudo e em todos estes sectores há pessoas 
assistidas pelos Recursos Humanos.
Mas, qual destes equivale ao coração da empresa?
Uma empresa pode ter um excelente sistema de compras, obtendo 
suprimentos de inquestionável qualidade, junto de conceituados 
fornecedores, pelos preços mais baixos e com os melhores prazos. 
Pode apresentar um sistema de produção perfeitamente afi nado, desde 
a recepção da matéria-prima até a expedição do produto acabado, com 
certifi cação, entrega pontual e assistência técnica permanente. Pode ter 
estratégias de marketing muito bem planifi cadas, com identidade visual, 
pesquisas de prospecção de clientes e desenvolvimento de produtos, DBM, 
CRM, SAC e uma série de outras siglas. Pode contar com um economista 
criterioso na concessão de crédito, enérgico na cobrança, responsável na 
aplicação de recursos, dotado de capital próprio e com acesso a diversas 
linhas de fi nanciamento. Pode dispor de um corpo jurídico preventivo e 
contencioso, um controle efi ciente na gestão tributária e um sistema de 
informações capaz de interligar todas as áreas da empresa, possibilitando 
agilidade na tomada de decisões. Pode ter uma equipa integrada e sinérgica, 
alinhada com os valores da empresa, com políticas de remuneração variável, 
incentivo, treino e avaliação por competências, entre outras.
Todavia, mesmo todos estes recursos e infra-estruturas não são sufi cientes 
para fazer uma empresa prosperar. E isto porque o coração de uma empresa 
é representado pelo departamento de Vendas. É lamentável que tantos 
empresários não se apercebam disso!
Ao longo da minha trajectória profissional, vi empresas saudáveis 
descapitalizarem-se, empresas tradicionais sucumbirem. E, não raramente, 
porque deixaram de procurar o oxigênio para a sua durabilidade, através dos 
13
Leitura e Produção de Textos A08
seus profi ssionais de vendas. Apenas um departamento comercial forte, 
com profi ssionais qualifi cados, conhecedores dos seus clientes e produtos, 
adequadamente remunerados e incentivados, é capaz de promover o 
crescimento sustentado de uma empresa.
As vendas são o órgão vital de uma empresa. É o que a impede de morrer. 
Embora não seja o único...
(COELHO, 2008, extraído da Internet, grifos nossos).
Observe os termos
e expressões destacados no texto do exemplo 4. Eles foram 
destacados após uma primeira leitura geral, em que identifi quei tema, autoria e conteúdo 
geral do texto. Numa segunda leitura tentei identifi car os elementos mais importantes 
de cada parágrafo e os coloquei em destaque. A partir desses elementos é possível 
elaborar um esquema do texto como o exemplo que segue:
Exemplo 5
O coração da empresa
Ideia central: Empresas = organismos vivos
Argumentos:
Um corpo vivo tem vários sistemas (digestivo, respiratório etc.) mantidos 
em equilíbrio dinâmico por um órgão: o coração.
1. No mundo empresarial os organogramas demonstram que as empresas 
assemelham-se a um organismo vivo.
2. Qual seria o coração da empresa?
3. Uma empresa tem vários sistemas (de compras, de produção, de 
marketing, de economia, jurídico e de gestão) que necessitam de uma 
equipe dinâmica integrada.
4. Mas todos esses sistemas não são sufi cientes para a saúde da empresa 
se ela não apresentar um bom departamento de vendas.
5. A trajetória profi ssional do autor indica que as empresas falecem se não 
investem em um departamento comercial forte.
Conclusão: as vendas são o coração de uma empresa.
Exemplo 6
Praticando... 4Praticando...
14
Leitura e Produção de Textos A08
Muito bem, a partir do esquema acima, é possível elaborar o resumo do texto. Vamos 
a ele? Observe o exemplo a seguir:
O artigo de opinião escrito por Tom Coelho associa uma empresa a um 
organismo vivo. Para ele, da mesma forma que um organismo é dotado 
de vários sistemas que o mantêm em equilíbrio, uma empresa precisa 
de vários departamentos trabalhando coordenadamente para manter-
se saudável. Assim, como em um organismo vivo, em que os vários 
sistemas são coordenados pelo coração, uma empresa também tem um 
órgão capaz de fazê-la prosperar, se for forte, ou fazê-la perecer, se não 
obtiver bastante investimento. O coração de uma empresa, conclui o 
autor, baseado em sua ampla experiência profi ssional, é o departamento 
de vendas. Esse departamento precisa ser bem articulado dentro da 
empresa para fazê-la prosperar.
1. Vamos praticar sua capacidade de sumarização? Leia o texto a seguir e elabore um 
resumo. Siga os passos indicados na aula.
Espécies que desafi am os séculos
Vanessa Vieira e Roberta de Abreu Lima
Uma das grandes ambições do ser humano é encontrar meios de prolongar a vida. Não 
é à toa que o mito da imortalidade, em matizes diversos, permeia todas as religiões. 
A aspiração à vida longa aguça-se ainda mais diante da constatação de que várias 
espécies, da fl ora e da fauna, são capazes de viver por vários séculos. A descoberta 
de um grupo de cientistas da Universidade de Bangor, do País de Gales, divulgada na 
semana passada, pode trazer novas pistas para explicar os segredos da longevidade. 
Eles encontraram no fundo do Atlântico Norte, próximo à costa da Islândia, o animal 
mais velho de que se tem notícia: uma concha do tipo Quahog, com mais de 400 anos. 
A idade do molusco foi determinada com base na contagem dos anéis de crescimento 
15
Leitura e Produção de Textos A08
que se formam na concha periodicamente. Para se ter uma idéia de quanto o molusco 
viveu, basta pensar que, quando ele veio ao mundo, William Shakespeare escrevia suas 
obras mais famosas, como Otelo e Macbeth, e o Brasil havia sido descoberto apenas 
100 anos antes. Afi nal, por que existe uma diferença tão grande entre o tempo de vida 
das espécies? Porque cada uma envelhece a um ritmo próprio.
O envelhecimento, segundo a consagrada teoria do pesquisador Leonard Hayfl ick, 
elaborada nos anos 60, é um conjunto de processos mecânicos que acontecem dentro 
e ao redor das células. Um ser vivo permanece saudável enquanto suas células têm o 
poder de se dividir e, assim, se renovar. A quantidade de vezes que as células podem 
se dividir é programada geneticamente. Mesmo que um dia a medicina seja capaz 
de curar todos os males que acometem os seres humanos na velhice, difi cilmente 
alguém conseguiria passar dos 120 anos – esse é considerado o limite biológico de 
nossa longevidade. Além da infl uência do fator genético, a longevidade de cada espécie 
também está relacionada à intensidade com que ela se alimenta e gasta sua energia. 
Quanto mais intenso o metabolismo de um ser vivo, mais curta tende a ser sua vida. 
Para bater as asas a um ritmo de até noventa vezes por segundo, o beija-fl or precisa 
consumir mais de 6.000 calorias por dia, o equivalente a oito vezes o peso do seu corpo. 
Tanta atividade tem um preço. Algumas espécies de beija-fl or vivem, em média, dois 
anos, contra vinte de um canário e até oitenta de um papagaio. Já a gigantesca baleia fi n 
pode viver cerca de 100 anos porque, proporcionalmente, não gasta tantas calorias. “As 
reações químicas por meio das quais o organismo sintetiza energia também produzem 
radicais livres, que provocam a oxidação celular e, por conseqüência, o envelhecimento 
do corpo”, explica o biólogo Carlos Navas, da Universidade de São Paulo.
Os seres mais primitivos, unicelulares, não envelhecem. Desde que não sofram a 
interferência de fatores externos, como a falta de alimento, a desidratação ou a ação de 
predadores, podem viver indefi nidamente. Essa característica assegura a sobrevivência 
de seus genes. Com a evolução e o surgimento dos seres pluricelulares, a transmissão 
dos genes começou a ser feita por meio da reprodução sexuada. A partir daí, os seres 
vivos passaram a envelhecer. No estágio atual da evolução, o organismo dos animais só 
se preserva saudável até o período em que eles são capazes de se reproduzir. Depois 
disso, suas células começam a perder a capacidade de renovação. No reino vegetal, 
a capacidade de renovação das células pode se estender por milhares de anos. Na 
região de Sierra Nevada, na Califórnia, o pinheiro batizado de Matusalém tem quase 
5.000 anos de idade. No Brasil, o jequitibá-rosa do Parque Estadual de Vassununga, no 
estado de São Paulo, já passou dos 3.000 anos. Quando Jesus Cristo veio ao mundo, o 
jequitibá já era um velho senhor. Enquanto a ciência não descobre como o ser humano 
pode cruzar a barreira dos 120 anos, o jeito é cuidar bem da saúde.
( Veja, 7 nov. 2007).
Exemplo 7
16
Leitura e Produção de Textos A08
Tipos de resumo
Formalmente, os livros de metodologia científi ca admitem a existência de três tipos de 
resumo. Vamos organizá-los aqui em ordem de difi culdade, do mais fácil para o mais difícil.
Indicativo ou descritivo
Esse tipo de resumo faz referência às partes mais importantes do texto. Ao escrevê-lo 
você não deve entrar em detalhes como exemplos, dados qualitativos ou quantitativos. 
Para elaborá-lo, você deve utilizar frases curtas, cada uma correspondendo a um elemento 
importante do texto a ser apresentado. Esse resumo não dispensa a releitura do texto, 
pois apenas descreve a sua natureza, forma e propósito. Um bom exemplo desse tipo 
de resumo são as sinopses de fi lmes e livros que são publicadas em revistas de grande 
circulação nacional ou em sites de divulgação na internet. Observe o exemplo a seguir.
“Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick (1971)
A Clockwork Orange é um dos clássicos de Stanley Kubrick, produzido em 
1971. Foi baseado no romance distópico homônimo de Anthony Burgess, 
cuja primeira edição é de 1962. Na Londres de um futuro não muito distante, 
o jovem Alex De Large (interpretado por Malcolm McDowell) e seus amigos 
(ou drugues, na linguagem Nadsat, criada por Burguess), Pete, Georgie e Dim, 
espancam um velho mendigo, enfrentam uma gang rival, provocam acidentes 
17
Leitura e Produção de Textos A08
na estrada, assaltam e estupram casa de família. Certo dia, ao assaltar 
a mansão de uma criadora de gatos, Alex é traído pelos seus amigos e 
é capturado pela polícia. Acusado da morte de sua vítima de assalto, é 
condenado a 14 anos de prisão.
Entretanto, na penitenciária, ele se oferece 
para ser cobaia do Tratamento Ludovico, que busca regenerar criminosos 
comuns através da eliminação do refl exo criminal. A Técnica Ludovico 
manipula o cérebro utilizando drogas e vídeos. Um dos temas candentes 
de Laranja Mecânica é o problema da ressocialização penal, ou seja, o 
que fazer com a crescente população prisional nas sociedades tardias do 
capital. É um tema de atualidade premente nos países capitalistas centrais 
ou periféricos, com o crescente contingente de jovens desempregados e 
imersos em profunda crise fi scal. Naquela época, de prenúncio da crise do 
fordismo-keynesiano, o problema da juventude marginal já se tornava motivo 
de preocupação dos governos (a questão de classe social é importante: 
o jovem Alex, que adora sexo, violência e Beethoven, é fi lho único de uma 
família de trabalhadores ingleses). Ao abordar, em 1962 (e em 1971, no 
caso de Kubrick), a utilização de técnicas neurais para o controle social, 
Burgess e Kubrick demonstram sua genialidade, antecipando o que é vigente 
em nossos dias: o uso abusivo das drogas para a adaptação social. Na 
verdade, por trás da Técnica Ludovico está um dos temas marcantes da 
fi lmografi a de Kubrick: a discussão da identidade do homem em tempos de 
agudo estranhamento e de fetichismo da mercadoria. A Clockwork Orange 
pode nos indicar as formas expressivas de estranhamento vigentes no 
capitalismo manipulatório.
(2005)
Fonte: <http://www.telacritica.org/letraL.htm#laranja>. Acesso em: 4 ago. 2008.
Observe que, no caso da sinopse exposta no exemplo 7, ela apresenta um fi lme para o 
leitor. Sua função é indicar o conteúdo e alguns temas apresentados ao longo do fi lme 
e o enredo, em linhas gerais, mas a sinopse não substitui a leitura do fi lme, o que ela 
pode é gerar ou não interesse em seu leitor.
Informativo ou analítico
Quando contém todas as informações principais apresentadas no texto e permite 
dispensar a leitura desse último; portanto, é mais amplo do que o anterior. Tem a 
fi nalidade de informar o conteúdo e as principais ideias do autor, salientando:
Exemplo 8
18
Leitura e Produção de Textos A08
  os objetivos e o assunto;
  os métodos e as técnicas que ele utilizou;
  os resultados e as conclusões a que ele chegou.
Esse é, por exemplo, o tipo de resumo utilizado antes de trabalhos de natureza técnica, 
acadêmica e científi ca. Através dele o estudante ou o pesquisador que busca um tema 
específi co, pode analisar se o texto precedido por aquele resumo pode ou não ser útil 
para a elaboração de sua própria pesquisa, o que, em muitos casos, evita a leitura do 
texto completo.
Resumo
Este trabalho focaliza o modelo de letramento construído nas atividades de 
uso da leitura em aulas de Espanhol como Língua Estrangeira, baseando-se 
na compreensão de que em toda sala de aula, professores e alunos estão 
construindo modelos particulares de letramento e compreensões particulares 
do que está envolvido na aprendizagem sobre como ser letrado. Este estudo 
analisa a interação em eventos de leitura de uma sala de aula da 6ª série do 
Ensino Fundamental e discute o que conta como ações letradas neste grupo 
específi co. Os resultados revelam que nesta sala de aula a leitura não é vista 
como um evento social e os alunos estão engajados em ações letradas que 
não envolvem a negociação na construção do signifi cado.
Palavras-chave: letramento; interação; leitura; ensino-aprendizagem de E/LE.
(ROLA, 2006, p. 57).
Observe que o resumo exposto no exemplo 8 apresenta alguns elementos específi cos. 
Não possui recuo de parágrafo, por exemplo. Além disso, apresenta o tema do trabalho 
(análise da interação em eventos de leitura de uma sala de aula da 6ª série do Ensino 
Fundamental), apresenta a base teórica a partir dos conceitos utilizados (letramento, 
Espanhol como Língua Estrangeira, interação); indica os resultados que foram alcançados 
pelo pesquisador (na sala de aula estudada a leitura não é vista como um evento social 
e os alunos estão engajados em ações letradas que não envolvem a negociação na 
construção do signifi cado).
Esses elementos são imprescindíveis nesse tipo de resumo e são orientados pela ABNT.
Exemplo 9
Resenha
19
Leitura e Produção de Textos A08
Crítico
Quando se formula um julgamento sobre o trabalho. Esse resumo não costuma ter 
informações agregadas. Há autores que o comparam a uma resenha, mas ela apresenta, 
por exemplo, a possibilidade de citações não só do autor do texto resumido, mas de 
outros autores com os quais você, que está resumindo o texto, acredita que este possa 
relacionar-se.
Esse é, provavelmente, o tipo de resumo mais pedido, por exemplo, quando se está 
fazendo um curso de graduação ou pós-graduação, pois ele avalia, de forma mais 
técnica, a qualidade de um determinado texto.
Quando um resumo crítico tem o objetivo de ser publicado em uma revista de caráter 
técnico, científi co ou acadêmico, geralmente é chamado de resenha. Por conta disso, os 
professores costumam chamar de resenha o resumo crítico elaborado pelos estudantes 
como exercício didático. A rigor, você só escreverá uma resenha no dia em que seu 
resumo crítico for publicado em uma revista. Até lá, o que você faz é um resumo crítico.
São Paulo metrópole. A arquitetura e seus habitantes
Fernanda Fernandes
Inicialmente proposta como dissertação de mestrado, Arquitetura 
metropolitana, de Denise Xavier, ganha agora formato de livro, tornando-
se acessível a um número maior de leitores e não apenas aos que já se 
encontraram com seu conteúdo nos exemplares bastante manuseados de 
nossas bibliotecas, a indicar o interesse dessas páginas.
A apresentação, feita pelo professor Carlos Martins, é passagem imperdível, 
pois esclarece a dimensão acadêmica do trabalho e, ao mesmo tempo, 
sugere desdobramentos de leitura. E essa leitura tem como eixo a análise 
de quatro edifícios da São Paulo de 1950. Eles constituem o mote da 
narrativa e o texto fl uente da autora nos oferece a possibilidade de refl etir, 
por essa via, sobre o papel da arquitetura na ordenação dos centros urbanos 
e na vida coletiva, que é a forma de sociabilidade das cidades.
A autora analisa com rigor os quatro edifícios escolhidos como principal objeto 
de estudo: o edifício do jornal O Estado de S. Paulo, os edifícios Itália e Copan 
e o Conjunto Nacional são apresentados como os protagonistas da cidade 
que se faz metrópole, para tanto exigindo novos equipamentos e estimulando 
mudanças no modo de vida e nas relações sociais dos habitantes.
Você estudará resenha 
em nossa próxima aula.
20
Leitura e Produção de Textos A08
Embora analisados separadamente, os quatro projetos estabelecem vínculos 
entre si. Todos se caracterizam pelo uso misto e dialogam com a situação 
metropolitana, propondo espaços voltados para a vida coletiva. Dois deles 
nascem do traço de um mesmo arquiteto, dois são obra de um único 
empreendedor, outros dois se situam em esquinas, três são planejados 
para uso também hoteleiro – ainda que apenas um deles alcance esse 
objetivo – e, por fi m, todos aspiram a ter seu nível térreo compartilhado pela 
cidade e seus habitantes, desejo concretizado com êxito. [...]
Fonte: <http://www.vitruvius.com.br/resenhas/textos/resenha207.asp>. Acesso em: 4 ago. 2008.
Nesta aula, estudamos a diferença entre índice e sumário. Depois, vimos 
como sumarizar, que é o processo de identifi cação das principais ideias do 
texto, fundamental para a realização de resumos. Além disso, estudamos 
quais são os principais tipos de resumos formais exigidos do estudante: o 
indicativo, o informativo e o crítico.
O fragmento de texto apresentado no exemplo 9 é oriundo de uma resenha. Observe que 
é um resumo bem detalhado que não apenas indica ou informa as partes do conteúdo 
do texto a ser apresentado, mas analisa e
critica o próprio desenvolvimento do conteúdo 
explorado pelo autor do texto original. O autor desse tipo de texto precisa não só ler mais 
de uma vez o texto a ser resumido, mas conhecer bem o assunto sobre o qual ele trata.
Bem, agora você já conhece os vários tipos de resumo e pode treinar, não é mesmo? 
Que tal começar escolhendo um texto curto, de uma revista que seja de seu interesse 
e elaborando um bom resumo? Procure seguir as orientações que demos ao longo da 
aula! Mas não pare por aí, passe a aplicar esses conhecimentos adquiridos em seu dia 
a dia de estudante!
Leitura complementar
MACHADO, A. R. (Coord.). Resumo. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.
O livro de Machado é extremamente interessante para quem estuda sozinho, caso da 
maioria dos estudantes de EaD, não é mesmo? Nele você encontra vários exemplos de 
sumarização, de textos mais simples aos mais complexos e aprende a fazer resumos.
Autoavaliação
21
Leitura e Produção de Textos A08
1. Elabore um resumo informativo do texto a seguir. Utilize todos os passos 
que você aprendeu ao longo da aula.
Você está despedido!
Você é diretor de uma indústria de geladeiras. O mercado vai de vento 
em popa e a diretoria decidiu duplicar o tamanho da fábrica. No meio da 
construção, os economistas americanos prevêem uma recessão, com 
grande alarde na imprensa. A diretoria da empresa, já com um fl uxo de caixa 
apertado, decide, pelo sim, pelo não, economizar 20 milhões de dólares. 
Sua missão é determinar onde e como realizar esse corte nas despesas.
Esse é o resumo de um dos muitos estudos de caso que tive para resolver 
no mestrado de administração, que me marcou e merece ser relatado. O 
professor chamou um colega ao lado para começar a discussão. O primeiro 
tem sempre a obrigação de trazer à tona as questões mais relevantes, apontar 
as variáveis críticas, separar o joio do trigo e apresentar um início de solução.
“Antes de mais nada, eu mandaria embora 620 funcionários não essenciais, 
economizando 12 200 000 dólares. Postergaria, por seis meses, os gastos 
com propaganda, porque nossa marca é muito forte. Cancelaria nossos 
programas de treinamento por um ano, já que estaremos em compasso de 
espera. Finalmente, cortaria 95% de nossos projetos sociais, afi nal nossa 
sobrevivência vem em primeiro lugar”. É exatamente isso que as empresas 
brasileiras estão fazendo neste momento, muitas até premiadas por sua 
“responsabilidade social”.
Terminada a exposição, o professor se dirigiu ao meu colega e disse:
– Levante-se e saia da sala.
– Desculpe, professor, eu não entendi – disse John, meio afl ito.
– Eu disse para sair desta sala e nunca mais voltar. Eu disse: PARA FORA! 
Nunca mais ponha os pés aqui em Harvard.
Ficamos todos boquiabertos e com os cabelos em pé.
22
Leitura e Produção de Textos A08
Nem um suspiro. Meu colega começou a soluçar e, cabisbaixo, se preparou 
para deixar a sala. O silêncio era sepulcral.
Quando estava prestes a sair, o professor fez seu último comentário:
– Agora vocês sabem o que é ser despedido. Ser despedido sem mostrar 
nenhuma defi ciência ou incompetência, mas simplesmente porque um 
bando de prima-donas em Washington meteu medo em todo mundo. Nunca 
mais na vida despeçam funcionários como primeira opção. Despedir gente 
é sempre a última alternativa.
Aquela aula foi uma lição e tanto. É fácil despedir 620 funcionários como se 
fossem simples linhas de uma planilha eletrônica, sem ter de olhar cara a 
cara para as pessoas demitidas. É fácil sair nos jornais prevendo o fi m da 
economia ou aumentar as taxas de juros para 25% quando não é você quem 
tem de despedir milhares de funcionários nem pagar pelas conseqüências. 
Economistas, pelo jeito, nunca chegam a estudar casos como esse nos 
cursos de política monetária.
Se você decidiu reduzir seus gastos familiares “só para se garantir”, também 
estará despedindo pessoas e gerando uma recessão. Se todas as empresas 
e famílias cortarem seus gastos a cada previsão de crise, criaremos crises 
de fato, com mais desemprego e mais recessão. A solução para crises é 
reservas e poupança, poupança previamente acumulada.
O correto é poupar e fazer reservas públicas e privadas, nos anos de vacas 
gordas para não ter de despedir pessoas nem reduzir gastos nos anos de 
vacas magras, conselho milenar. Poupar e fazer caixa no meio da crise é dar 
um tiro no pé. Demitir funcionários contratados a dedo, talentos do presente 
e do futuro, é suicídio.
Se todos constituíssem reservas, inclusive o governo, ninguém precisaria 
fi car apavorado, e manteríamos o padrão de vida, sem cortar despesas. 
Se a crise for maior que as reservas, aí não terá jeito, a não ser apertar o 
cinto, sem esquecer aquela memorável lição: na hora de reduzir custos, os 
seres humanos vêm em último lugar.
Fonte: Kanitz (2001, extraído da Internet).
Anotações
23
Leitura e Produção de Textos A08
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: informação e 
documentação: trabalhos acadêmicos. Rio de Janeiro, 2006.
COELHO, Tom. O coração da empresa. 2008. Disponível em: <http://www.psicologia.
com.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0157&area=&subarea>. Acesso em: 
5 fev. 2009.
KANITZ, Stephen. Você está despedido! Revista Veja, ed. 1726, ano 34, n. 45, 14 nov. 
2001. Disponível em: <http://www.kanitz.com/veja/outplacement.asp>. Acesso em: 
4 ago. 2008.
MARTINS, Camilla Brandel et al. Introdução à sumarização automática. Disponível 
em: <http://www.icmc.usp.br/~taspardo/RTDC00201-CMartinsEtAl.pdf>. Acesso em: 
11 jul. 2008.
PASQUARELLI, Maria Luiza Rigo. Normas para a apresentação de trabalhos acadêmicos: 
ABNT/NBR-14724, agosto, 2002. 2. ed. Osasco: EDIFIEO, 2004.
RESENHA: organizando a informação: resumo crítico ou resenha. Disponível em: <http://
www.ucb.br/prg/comsocial/cceh/normas_organinfo_resumo_critico.htm>. Acesso em: 
4 ago. 2008.
RESUMOS. Disponível em: <http://www.pucrs.br/manualred/resumos.php>. Acesso: 
11 jul. 2008.
ROLA, Ana Paula Carneiro. O uso da leitura em aulas de espanhol como língua 
estrangeira. Linguagem e Ensino, v. 9,n. 2,p. 57 – 77, jul./dez. 2006.
Anotações
24
Leitura e Produção de Textos A08
09
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Resenha
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Coordenadora da Produção dos Materias
Vera Lucia do Amaral
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky
Coordenadora de Revisão
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Design Gráfi co
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Diagramação
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Arte e ilustração
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Revisão de Linguagem
Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade
Revisão das Normas da ABNT
Verônica Pinheiro da Silva
Adaptação para o Módulo Matemático
Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho
EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Projeto Gráfi co
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da Educação
Você ve
rá
por aqu
i...
Objetivos
1
Leitura e Produção de Textos A09
Considerações acerca da resenha como um dos gêneros técnicos, científi cos e acadêmicos. As aulas anteriores abordaram o fi chamento e o resumo e você vai ver que ambos serão úteis na elaboração de uma resenha, que pode ser um 
gênero um pouco mais complexo. Você conhecerá a estrutura ideal de uma resenha, 
verá que ela é um gênero que faz parte de seu dia a dia e terá acesso a orientações 
necessárias para elaborar
uma.
  Compreender a resenha como um dos gêneros técnicos, científi cos e 
acadêmicos.
  Conhecer a estrutura prototípica de uma resenha, seus diferentes tipos 
e formatos e seus elementos básicos.
Diva Cunha
Intertextualidade
2
Leitura e Produção de Textos A09
Para começo
de conversa...
Sou todos
os poetas que li
com a devida
ressalva
eles não sou eu
cadeira que ocupo
enquanto escrevo
(Diva Cunha – Canto de Página).
O poema da poetisa potiguar fala de como o que ela escreve tem uma base naqueles 
autores que ela leu ao longo de sua vida, mas ela faz a ressalva, apesar de ser 
resultado de tudo o que ela leu, seus poemas não são iguais aos dos outros autores, 
são diferentes, são dela, é o ponto de vista dela sobre o mundo. Diva Cunha aborda 
aqui a questão da intertextualidade, que está ligada ao que vamos tratar nesta aula. 
Falaremos justamente de como os textos dialogam entre si e de como há textos que 
são elaborados, justamente, para comentar, criticar, indicar, discutir outros textos.
Sobre resenhas
O termo resenha é muito utilizado em algumas regiões do país para referir-se a “fofocas”, 
“novidades”, algo assim. Mas o seu uso técnico, científi co e acadêmico diz respeito 
a um gênero textual. Como tal, a resenha é um texto que tem a função de apresentar 
outro texto, o qual pode ser um livro, um fi lme, um cd etc.
Você já deve ter lido resenhas ao folhear revistas ou jornais e, muitas vezes, ela pode 
ter sido a responsável por você ter escolhido assistir a um fi lme ou comprar um livro. 
O objetivo da resenha nesse tipo de veículo é servir de guia para o leitor na selva de 
textos que compõe a produção cultural diária e que tende a confundir até os mais 
familiarizados leitores.
  (1947) nasceu 
em Natal/RN 
e é professora 
aposentada de 
literatura da UFRN. 
Escreveu, entre 
outros livros: 
Dom Sebastião: a 
metáfora de uma 
espera (1970), 
sua dissertação de 
mestrado e os livros 
de poesia Canto 
de Página (1986), 
Coração de Lata 
(1996) e Armadilha 
de vidro (2004).
  pode ser defi nida 
como um “diálogo” 
entre textos. Esse 
diálogo pressupõe 
um universo cultural 
amplo e complexo, 
pois implica na 
identifi cação e no 
reconhecimento de 
remissões a obras 
ou a trechos mais ou 
menos conhecidos. 
Dependendo 
da situação, a 
intertextualidade tem 
funções diferentes 
que dependem dos 
textos/contextos em 
que ela é inserida. 
Mas sempre que 
um texto referir-se 
ou remeter a outro 
texto está-se diante, 
em maior ou menor 
grau, do fenômeno da 
intertextualidade.
3
Leitura e Produção de Textos A09
Nesse tipo de resenha mais livre, você encontra 
não só uma sinopse do que vai encontrar naquele 
texto que está sendo apresentado, mas algumas 
críticas que podem servir de direção geral para a 
sua compreensão do texto original. Assim, um bom 
resenhista, além de saber fazer um bom resumo, 
gênero que vimos na aula anterior, também deve 
saber expressar-se criticamente, equilibrando seu 
posicionamento crítico de forma elegante, isto quer 
dizer que não se deve elaborar uma resenha com o 
objetivo de, apenas, reclamar de um determinado 
texto que o resenhista achou ruim, é preciso ter 
bons argumentos, tanto para elogiar, quanto para 
reclamar do texto resenhado.
Como um exercício de escrita, a resenha pode ser 
bem importante. Ela é útil como instrumento para 
o levantamento bibliográfi co ou para estabelecer 
prioridades de leitura, ou ainda para estabelecer 
a necessidade de fi char ou não o texto original. 
Além disso, propicia o desenvolvimento da 
mentalidade científi ca: da capacidade de síntese, 
de interpretação e de desempenho crítico.
Elementos básicos de 
uma resenha
Já vimos, em linhas gerais, como pode ser uma 
resenha e mais adiante veremos também que 
existem alguns tipos mais padronizados. Contudo, 
há alguns elementos básicos comuns a todos os 
tipos de resenha, a saber:
1Praticando...
4
Leitura e Produção de Textos A09
1. Identificação da obra: você deve colocar os dados bibliográficos 
essenciais do texto que você vai resenhar.
2. Apresentação da obra: a ideia é passar para o leitor, em poucas palavras, 
todo o conteúdo do texto resenhado.
3. Identifi cação do autor: na resenha você apresenta o autor da obra que 
foi resenhada (não do autor da resenha que, no caso, é você). Fale 
brevemente da vida e de algumas outras obras desse autor.
4. Descrição da estrutura: comente, se o texto resenhado for um livro, 
a divisão em capítulos; no caso de outros gêneros, se há diferentes 
seções, qual o foco narrativo ou mesmo, de forma sutil, o número de 
páginas do texto completo.
5. Descrição do conteúdo: resuma de forma clara, precisa e objetiva, o 
enredo, ou seja, o conteúdo do texto original.
6. Recomendação da obra: com base na apresentação geral da obra, feita 
até agora, recomende-a. Procure não se basear em uma mera opinião, 
analise, de forma bem clara, para quem aquele texto pode ser útil. Utilize 
critérios sociais ou pedagógicos, baseie-se na idade, na escolaridade, 
na renda etc.
7. Assine e identifi que-se: só agora, após o último parágrafo, você deve 
escrever seu nome e apresentar seu currículo breve, algo como: “João 
Maria Gaspar, aluno do segundo período do curso Atividades do Comércio”.
Retome o conteúdo estudado, respondendo às questões a seguir:
1. O que é resenha?
2. Qual a intenção comunicativa desse gênero textual?
3. Quais são os elementos básicos de qualquer tipo de resenha?
5
Leitura e Produção de Textos A09
Tipos de resenha
Sobre os tipos mais padronizados de resenha, a mais conhecida delas é a resenha 
acadêmica, que apresenta moldes bastante rígidos, responsáveis pela padronização 
dos textos científi cos e também se subdivide em três diferentes formatos: resenha 
crítica, resenha descritiva e resenha temática.
Resenha crítica
A resenha crítica, como o próprio nome já diz, apresenta um elemento a mais quanto 
ao conteúdo: um posicionamento crítico. Ao longo do texto você vai mostrar sua opinião 
acerca de sua qualidade e importância. É evidente que você não deverá demonstrar 
sua opinião apenas com base no que você acha. Argumente, baseando-se em teorias 
de outros autores, fazendo comparações ou até mesmo utilizando-se de explicações 
que foram dadas em aula. Enfi m, dê asas ao seu senso crítico.
Justamente por causa desse aparato crítico, autores como Medeiros (2003, p. 158) 
advertem para o fato de que a resenha crítica é tarefa para professores e especialistas, 
pois exige:
a) envolvimento com o assunto;
b) conhecimento de obras similares para estabelecer comparação;
c) maturidade intelectual, uma vez que implica avaliação e inevitável juízo 
de valor.
A resenha crítica consiste em agregar, aos demais elementos de conteúdo apresentados 
no tópico anterior, os seguintes elementos:
a) avaliar as informações contidas na obra e a forma de apresentação;
b) justifi car a avaliação.
Observe o texto a seguir, exposto no exemplo 1. Ele é bem didático, pois foi, originalmente, 
dividido em partes que demonstram a estrutura típica de uma resenha crítica.
Exemplo 1
6
Leitura e Produção de Textos A09
Quotidiano e Poder
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
DIAS, Maria Odila da Silva. Quotidiano e poder em S. Paulo no século XIX: 
Ana Gertrudes de Jesus. São Paulo: Brasiliense, 1984.
APRESENTAÇÃO DA AUTORA
A autora Maria Odila Leite da Silva Dias possui graduação em História 
(1961), mestrado (1965) e doutorado em História Social (1972) pela 
Universidade de São Paulo. Atualmente é professora titular da Universidade 
de São Paulo e professora doutora contratada da Pontifícia Universidade 
Católica de São Paulo. Tem experiência na área de História, com ênfase em 
História do Brasil Império,
atuando principalmente nos seguintes temas: 
historiografi a, história social, história urbana, escravidão, relações de 
gênero e cultura.
RESUMO
O livro “Quotidiano e poder” é dividido em Introdução e sete capítulos; sendo 
que na introdução a autora aborda as explicações do seu objeto de estudo. 
Discorrendo de forma sucinta faz um apanhado geral da obra.
Partindo do pressuposto de que a mulher sempre esteve à margem da história, 
relegadas ao campo do mítico, os historiadores muitas vezes a vêem como 
meras coadjuvantes, e não como algo importante dentro da história.
A obra em foco busca pôr em evidência as relações femininas cotidianas 
na sociedade paulista do século XIX. Faz isso por meio da análise de fontes 
da época. Segundo a autora, para descobrir as riquezas das relações 
sociais femininas é necessário esmiuçar as informações, ler as entrelinhas 
do documento, fi ltrar aquilo que o documento não necessariamente se 
propôs a relatar.
A história do cotidiano vem se revelando um campo profícuo de estudo 
historiográfi co. Através dele podemos perceber os inúmeros elementos que 
formam a sociedade e, por conseguinte a vida da mesma.
7
Leitura e Produção de Textos A09
O comércio voltado para a exportação, que com os seus lucros ou com sua 
produção pouco favorecia à cidade, contribuía para o inchaço da mesma. 
Inchaço esse que aumentava a pobreza e a mão-de-obra.
As mulheres enquadravam-se dentro dessa realidade, assim como os demais 
elementos sociais sofriam com os problemas da época, especifi camente 
no caso do mercado de trabalho, sofriam em dobro, pois eram poucos os 
estabelecimentos em que poderiam trabalhar.
Contudo “essas mulheres pobres, sós ou chefes de famílias” precisavam 
de uma forma de trabalho para conseguir o seu próprio sustento e dos seus 
dependentes. O trabalho autônomo temporário fora a solução encontrada; 
eram elas as quitandeiras, vendedoras de tabuleiros, lavadeiras, artesãs, 
entre outras profi ssões consideradas de âmbito feminino, por isso mesmo, 
desvalorizadas, desempenhadas à margem do trabalho patronal e assalariado.
Esses trabalhos eram forjados na relação de vizinhanças; na conversa de 
porta de casa, nos velórios e nas visitas, eram espalhados e ganhavam 
maiores proporções. Essas ocupações eram um desdobramento do 
doméstico, pois tais afazeres principiavam como um trabalho interno e só 
posteriormente ganhavam espaço do público.
Essas mulheres disseminaram suas atividades nas partes mais variadas 
do espaço urbano, concentrando-se muitas vezes em lugares considerados 
inadequados, tornando-se incômodas aos moradores e aos comerciantes 
locais, pois, segundo os documentos, elas atraíam pessoas, produziam 
barulho, e por venderem a preço abaixo do estabelecido provocavam perdas 
ao comércio. O processo que as gerou foi o mesmo que as expulsou para 
fora do centro, relegando a elas o setor periférico.
No primeiro capítulo a autora discute o espaço reservado a essas mulheres 
pobres e a relação de Tolerância para com elas, buscando entender o porquê 
de algumas vezes poderem circular entre os diversos locais da cidade e 
possuírem certa autonomia para trabalhar e, em outras, serem repreendidas.
Nesta mesma parte do texto podem-se perceber as inúmeras teias de 
relações desses sujeitos sociais: o compadrio, a amizade, a vizinhança, o 
concubinato, a proteção, tais relações que formavam uma rede de proteção 
em redor dessas desprovidas.
A palavra falada era elemento essencial no cotidiano dessas mulheres, 
como já foi dito anteriormente, eram nos bate-papos que os negócios se 
8
Leitura e Produção de Textos A09
engendravam, também era por meio da fala (ou grito) que as vendedoras 
anunciavam suas vendas, entre outras atividades.
Assim como a fala, os gestos, os trejeitos próprios, são fontes com que o 
historiador não poderá contar, pois, esvaíram-se no tempo.
Contudo as fontes escritas, se bem observadas, revelam parte desse 
passado perdido, como é o caso dos processos de prisões de mulheres 
acusadas de desordem, bagunça e difamação moral. Os ouvidos atentos 
poderão ouvir esses gritos, talvez não como realmente foram, mas, com 
alguma similitude com o original.
A pouca documentação em relação ao modo de vida dessas mulheres 
deve-se ao fato da visão preconceituosa da época, suas atividades eram 
subestimadas, seus modos de vidas considerados devassos, as suas 
relações amorosas poucos duradoras aumentavam ainda mais este 
preconceito. Porém, através da escassa documentação, percebemos a 
intensidade dessas vidas e quanto elas eram ativas no seio da sociedade.
Essas mulheres não eram partes de um único grupo, existia uma grande 
diversidade entre elas: mulheres brancas empobrecidas, moças brancas 
sem dotes, mulatas agregadas, negras escravas, negras forras, brancas 
agregadas. Mulheres que “viviam de suas agências”, e travavam batalha 
diária pela sobrevivência.
Famílias matrilineares, tendo como chefe uma senhora já de idade avançada, 
mãe de homens e mulheres, sendo que estas tinham grande tendência a 
seguir os passos das mães. Dos seus relacionamentos amorosos poucos 
duradouros nasciam frutos, crianças que se tornam membros da família e 
partícipe da renda familiar.
No capítulo seguinte, a autora aborda as formas utilizadas por essas 
mulheres para ludibriar a lei, seus meios de contornar as situações. As 
padeiras possuíam escravas ou agregadas que vendiam seus produtos 
nas ruas. Para que pudessem transitar livres havia a necessidade de pagar 
anualmente uma licença e ajustar os pesos e medidas, coisa que muitas 
vezes eram desrespeitadas, principalmente nos momentos de crises, 
quando as despesas aumentavam. São muitos os casos de problemas com 
a prisão de escravas por estarem vendendo nas ruas sem a licença devida.
As resistências vinham em forma de não cumprimento do preço determinado, 
o não pagamento da licença, greves camufl adas, entre outros recursos.
9
Leitura e Produção de Textos A09
As quitandeiras e vendedoras ambulantes eram mulheres que possuíam 
meios de obter acesso aos alimentos de primeira necessidade, e revendiam 
esses alimentos na maioria das vezes abaixo do preço estabelecido, 
burlando as leis e com isso provocando a fúria dos donos de armazéns 
sobrecarregados de impostos.
No capítulo denominado “o mito da dona ausente”, Maria Odila comenta a 
crença difundida no imaginário da época onde a mulher branca de sangue 
puro devia viver para o seu lar, sempre cercada por escravas, e que pouco 
precisava sair nas ruas e quando saísse, deveria procurar se expor o mínimo 
possível. Segundo a visão da época essas senhoras, exemplo de recato, 
contrastavam com as mulatas da terra que viviam exibindo sua sensualidade. 
Entretanto, há outras explicações para o relativo enclausuramento privado 
dessas senhoras, segundo a autora “sair de casa implicava elaborado ritual 
de palanquins, liteiras e redes lavradas...”
Nos dois capítulos seguintes, há uma abordagem sobre quem eram essas 
mulheres: as brancas empobrecidas, envergonhadas do trabalho que 
precisavam realizar diariamente, vivendo em casa de aluguel sem poder 
ao menos manter a aparência de dama da sociedade, rechaçadas do ciclo 
social a que outrora pertenceram. Moças sem dotes, aceitando viver em 
concubinato. Escravas e forras vivendo do comércio clandestino, tendo como 
donas ou “patroas” senhoras brancas empobrecidas; mulatas vivendo do 
seu próprio negócio; escravas morando de aluguel, pago por sua dona; 
relação de prostituição para complementar a renda.
Nos últimos capítulos, a autora reitera alguns pontos expostos na obra, 
como a família matrifocal, os agregados, a dependência dos fi lhos em 
relação às mães. E repassa novas informações; essas mulheres eram 
olhadas inúmeras vezes como bruxas, detentoras de poderes supra-
humanos, principalmente aquelas que utilizavam a sabedoria
popular para 
curar os males do corpo.
ANÁLISE CRÍTICA
No livro “Quotidiano e poder”, Maria Odila Leite da Silva Dias busca um novo 
enfoque para entender a sociedade paulista do século XIX. Demonstrando 
assim que há muitas histórias nas entrelinhas da história ofi cial, a qual 
tende a revelar e perpetuar a versão dos vencedores.
O seu objeto de estudo “os papéis sociais das mulheres” revela minúcias 
muitas vezes despercebidas pelos historiadores do período, que aspiram 
abarcar o todo e tendem inevitavelmente para as generalizações, repetindo 
10
Leitura e Produção de Textos A09
as “verdades prescritas” sem procurar de fato entender a enorme 
diversidade dos acontecimentos.
“Quotidiano e poder” faz parte de um grupo de trabalhos que enxergam 
a história como uma construção de vários sujeitos. Ao lê-lo, percebemos 
como essas mulheres estavam presentes ativamente no cotidiano dessa 
sociedade, apreendemos suas vidas, suas artimanhas, seu labor, suas 
difi culdades diárias, seu respeito ou rechaço às convenções.
Fonte: Tetê Castilho. Disponível em: <http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdelivros/1117660>. 
Acesso em: 2 mar. 2009.
Observe que, para efeito de publicação, uma resenha crítica sempre apresenta título, 
não necessariamente o título do livro que vai ser resenhado, embora seja esse o caso da 
resenha apresentada no exemplo 1, mas um título que diga respeito ao teor da resenha.
Resenha descritiva
A resenha descritiva é bem mais simples que a resenha crítica. Ela apresenta a maioria 
dos elementos apresentados no primeiro tópico desta aula. Mas nenhum juízo de valor 
sobre a obra. Aliás, nenhum é impossível, pois ao escolhermos vocabulário e formas de 
apresentar o texto já estamos exercendo um juízo de valor. Mas não há intenção clara, 
nesse tipo de resenha, de apresentar um posicionamento crítico.
Conforme Fiorin e Savioli (1990, p. 426), “a resenha pode ser puramente descritiva, 
isto é, sem nenhum julgamento ou apreciação do resenhador”.
Esse tipo de resenha deve conter, então, uma parte descritiva com informações sobre 
o texto (autor, título, editora, local e data); e uma parte com o resumo do conteúdo da 
obra (assunto tratado, ponto de vista adotado, perspectiva teórica, gênero, método, 
entre outros). Cabe ainda uma síntese apontando os pontos essenciais do texto e seu 
plano geral.
Exemplo 2
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Leitura e Produção de Textos A09
O Milionário mora ao lado, de Thomas J. Stanley
Publicado em 18.01.2008 na categoria Finanças, Resenhas
Você sabia que a grande parte dos milionários dos Estados Unidos 
não fizeram fortuna criando empresas ou produtos inovadores e sim 
economizando centavos e levando uma vida frugal?
Essa é apenas uma das informações reveladoras feitas em O Milionário 
mora ao lado, livro que é resultado de uma pesquisa de anos do autor 
Thomas J. Stanley sobre como os milionários norte-americanos conseguiram 
juntar o tão mitifi cado patrimônio líquido de um milhão de dólares.
A obra mostra quem são os ricos, quais as suas ocupações, onde fazem 
compras, como fazem investimentos, como fi caram ricos, quais os setores 
de maior perspectiva para obter-se lucros e muito mais.
Um dos pontos interessante é quando o autor mostra como esses 
milionários compram seus carros ou como a herança que deixam para 
seus fi lhos podem colocá-los em grandes problemas em vez de ajudá-los.
Para quem gosta de ler sobre fi nanças, mas não suporta nada que passe 
perto de auto-ajuda, o livro de Stanley – sempre baseado em dados obtidos 
em sua pesquisa científi ca – é uma excelente opção de leitura.
Fonte: <http://fatorw.com/resenhas/o-milionario-mora-ao-lado-de-thomas-j-stanley/>. Acesso em: 2 mar. 2009.
12
Leitura e Produção de Textos A09
Observe que a resenha apresentada no exemplo 2 procura apenas indicar para o leitor 
dados técnicos sobre o livro resenhado (autor, editora, ano de publicação) e, em linhas 
gerais, o conteúdo do livro em questão. Mas, mesmo assim, não é puramente descritiva, 
pois há um posicionamento do resenhista sobre o livro: “Um dos pontos interessantes...” 
e “... é uma excelente opção de leitura”. É muito difícil uma resenha ser puramente 
descritiva, pois, mesmo na mera escolha do vocabulário, há um posicionamento crítico 
do resenhista na elaboração do texto.
Resenha temática
A resenha temática é a mais simples dos três formatos de resenha, sua principal 
diferença em relação às demais é que nela você fala de vários textos que tenham um 
tema em comum e não de um só texto, como nas anteriores.
Os passos para a elaboração desse tipo de resenha são mais simples, pois você não 
precisa tecer considerações críticas nem recomendar a leitura, a não ser que você queira 
recomendar algum dos textos que está apresentando. Por ser um pouco diferente das 
demais, vamos ver os passos fundamentais na elaboração desse tipo de resenha:
3. Apresentação do tema: diga ao leitor qual é o assunto principal dos 
textos que você apresentará ao longo de sua resenha e qual o motivo 
de ter escolhido esse tema em particular.
4. Resumo dos textos: procure não se alongar muito no resumo dos textos, 
também não fale mais sobre um texto do que sobre outro, a não ser 
que haja um motivo específi co para isso. O ideal é que você estabeleça 
um parâmetro de igualdade na apresentação de cada texto, pode ser 
um parágrafo para cada um, por exemplo. Procure deixar claro, logo no 
início, quem é o autor daquele texto e explicar como aquele autor aborda 
o tema em questão.
5. Conclusão: após explicar cada um dos textos, você pode opinar e tentar 
relacionar esses diferentes textos, de forma a chegar a uma conclusão 
sobre o tema tratado.
6. Identifi cação das fontes: coloque as referências bibliográfi cas de todos 
os textos que você usou e procure seguir as normas da ABNT para isso.
7. Identifi cação do resenhista: em geral, como nas demais resenhas, isso 
ocorre fora do texto propriamente dito, em rodapé. Você deve colocar 
seu nome e uma breve descrição sobre o seu currículo.
Veja um exemplo de resenha temática bem simples apresentado no exemplo 3, a seguir.
Exemplo 3
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Leitura e Produção de Textos A09
Humor à francesa – 7 comédias cult do cinema francês
Direto ou dissimulado, bobo ou irônico: o riso, próprio do homem segundo 
Rabelais, sempre teve como terreno fértil a nossa absurda e humana 
condição. Portanto, não surpreende que tenha achado no cinema, que 
decifra incessantemente o ser humano, um de seus modos de expressão 
mais naturais.
O riso é universal. Seus estopins e seus caminhos são complexos e 
multiformes, refl exos de uma cultura, uma época, uma sociedade. Uma 
boa comédia resulta de uma alquimia e de um trabalho dos quais só alguns 
visionários detêm o segredo. Ou seja, fazer rir é um negócio dos mais 
sérios e difíceis!
Nós temos o prazer de oferecer ao público algumas fatias de humor à 
francesa que alegremente descortinam nossa sociedade: sua história 
(Asterix e Obelix: Missão Cleópatra, Os Visitantes), seus costumes (Brice 
de Nice, O Barco da Liberdade), seus excluídos (Papai Noel é um Picareta), 
seus tabus (Uma Cama para Três)... E, esse conjunto, numa variedade de 
estilos: entre o trash (Bernie), o kitsch (Os Bronzeados), o politicamente 
incorreto (Papai Noel é um Picareta), o fi lme de autor (O Barco da Liberdade) 
e assim por diante.
O painel oferecido pelo ciclo permite também perceber a evolução do cinema 
cômico francês: a velha guarda – os De Funès, Bourvil, Fernandel – veio do 
music-hall. A geração seguinte veio do café-teatro, especialmente da trupe 
do Splendid (Os Bronzeados, Papai Noel é um Picareta). Desde os anos 90, 
a televisão se tornou laboratório do humor à francesa: Alain Chabat (ator no 
fi lme Uma Cama para Três e diretor de Asterix e Obelix: Missão Cleópatra), 
Jean Dujardin (Brice de Nice) ou Jamel Debbouze (Asterix e Obelix:
Missão 
Cleópatra) são os exemplos mais famosos do momento.
Mas, atrás do ecletismo, os fi lmes apresentados aqui possuem uma mesma 
característica: o enorme sucesso de público. Dentre eles, Os Visitantes 
(14 milhões de pagantes!), Asterix e Obelix: Missão Cleópatra (10 milhões) 
ou o mais recente, Brice de Nice (4,5 milhões). A maior parte é de fi lmes 
cult na França, alguns são verdadeiros fenômenos de sociedade como Os 
Bronzeados, que a cada nova exibição na TV (quase uma por ano) tem mais 
de 10 milhões de telespectadores! O terceiro episódio da série, que acaba 
de estrear na França, conquistou 11 milhões de espectadores.
Fonte: <http://www.cinefrance.com.br/cinemateca/colecoes/?colecao=7>. Acesso em: 2 mar. 2009.
14
Leitura e Produção de Textos A09
Obviamente, o texto exposto no exemplo 3 não está preocupado em divulgar ou 
apresentar um fi lme, um livro, um cd. Está, sim, apresentando uma coleção de 7 
fi lmes franceses reunidos sob um mesmo tema: o humor. Os fi lmes representam, 
cada um em sua época e em seu estilo, o tipo de humor específi co do cinema francês 
sobre o qual a resenha trata. Não há no texto uma preocupação em identifi car o 
resenhista porque o texto pertence a site ofi cial da embaixada francesa, que pretende 
divulgar a cultura daquele país. Mas há, por exemplo, a apresentação breve de cada 
um dos fi lmes comentados, a apresentação e a problematização do tema (os dois 
primeiros parágrafos), o estabelecimento de relações entre os fi lmes comentados e a 
conclusão com recomendações sobre os fi lmes (um é cult, outro alcança 10 milhões 
de espectadores etc.).
Por ser um texto muito breve, evidentemente não há aprofundamento sobre o tema 
explorado e, por ser apenas um texto de divulgação, também não há a preocupação 
com a indicação das fontes ou com a ABNT, aspectos que são mais comuns em textos 
de natureza técnica, científi ca e acadêmica.
Condições para se fazer uma resenha
Agora que você já conhece os diferentes tipos de resenha, já está preparado para 
elaborá-las, assim, vamos ver, de forma mais resumida, então, quais são os elementos 
gerais necessários para a elaboração de uma resenha. Medeiros (2003, p. 160/162) 
propõe “condições de abordagem e inteligibilidade” que servem para “qualquer texto”, 
na verdade. Vamos a elas:
1. Delimitar a extensão da leitura
Intuitivamente fazemos isto: caminhamos por etapas como quem sobe uma 
escada. Vale, por vezes, saltar degraus, valendo-se de muita segurança. 
Nesta circunstância, o efeito do tombo, se for o caso, será sentido muito 
depois. Isso quer dizer que você só deve alterar a ordem dos passos que 
temos dado ao longo desta aula, se souber muito bem como retomar o 
caminho sem se perder, se tiver segurança na elaboração de seu texto e 
no assunto sobre o qual você está tratando.
2. Análise textual
Compreende fases que não permitem o menor descuido:
a) estudo do vocabulário e conceitos;
b) verifi cação das doutrinas expostas;
2Praticando...
15
Leitura e Produção de Textos A09
c) sondagem de fatos apresentados;
d) autoridade de autores citados;
O seu texto, como qualquer outro, deve ser esquematizado e dividido em 
introdução, desenvolvimento e conclusão.
3. Análise temática
Evidencia pontos importantes:
a) assunto de que trata o texto;
b) tema, isto é, a perspectiva em que foi tratado o assunto;
c) problema evidenciado no assunto;
d) a tese, isto é, como foi solucionado o problema.
4. Análise interpretativa
Entram a posição própria do autor da resenha sobre as ideias do autor 
do texto resenhado. A argumentação daquele deve se orientar, também, 
por ideias de outros textos similares. Acrescenta Medeiros (2003, p.161): 
“Deve-se situar o autor dentro de sua obra e no contexto da cultura de sua 
área. Destacam-se as contribuições originais”.
5. Problematização
Consiste em explicitar as questões levantadas pelo texto.
6. Síntese
Deve abordar todas as fases anteriores com concisão e originalidade, de 
forma a concluir o assunto e, com ele, o texto.
1. Estabeleça a diferença entre resenha crítica, descritiva e temática.
2. Explique como se dá a presença da análise textual e da análise 
interpretativa em uma resenha.
16
Leitura e Produção de Textos A09
3. Escolha exemplos, extraídos de resenhas, que representem a delimitação 
da extensão da leitura, a problematização e a síntese.
4. Identifi que, na resenha abaixo, os seguintes elementos:
a) gênero do texto resenhado;
b) autoria do texto resenhado;
c) resumo do texto;
d) recomendação da obra;
e) traços da opinião do resenhista.
ALMAS REENCARNADAS
De Takashi Shimizu
Com Yûka, Takako Fuji, Mantarô Koichi, Marika Matsumoto, Tomoko Mochizuki, 
Kippei Shiina
Terror
Diretor começa a selecionar atores para seu próximo fi lme, baseado na 
história real de doze pessoas que foram assassinadas em um hotel. 
Enquanto as fi lmagens acontecem, atriz principal começa a suspeitar de 
uma profunda ligação dela com o episódio ocorrido anos atrás ao mesmo 
tempo em que fantasmas do passado resolvem aparecer. Mais um típico 
fi lme de terror japonês, que aposta nos mesmos sustos de sempre, ou seja, 
crianças como assombrações, espíritos querendo justiça, etc. No começo 
da trama, há elementos interessantes mas aos poucos o fi lme se perde em 
histórias paralelas, cenas monótonas e sustos óbvios. Sem falar de alguns 
efeitos especiais toscos que fazem algumas cenas beirarem o ridículo.
Fonte: <http://wcinema.blogspot.com/2006/12/resenha-de-fi lmes-13.html>. Acesso em: 2 mar. 2009.
Estrutura da resenha
Conforme Lakatos e Marconi (1985, p. 210-220) e Andrade (1987, p. 62-63), podemos 
estabelecer o esquema básico de uma resenha, ou seja, o esqueleto de uma resenha, 
tendo como suporte as condições e os elementos básicos que apresentamos ao longo 
desta aula e que, nesse esqueleto, aparecem de forma ainda mais resumida. Observe 
que os itens “f” e “g” não seriam próprios à resenha descritiva. Na resenha científi ca, 
no entanto, caberiam todos os itens:
17
Leitura e Produção de Textos A09
a) referência bibliográfi ca, conforme ABNT;
b) informações sobre o autor;
c) detalhamento das ideias principais;
d) conclusões do autor;
e) quadro de referência: modelo e método utilizados;
f) julgamento da obra: como ela se apresenta em relação a outras obras 
do gênero;
g) mérito da obra: contribuição, originalidade das ideias e nível de ampliação 
dos conhecimentos;
h) estilo e nível de linguagem;
i) forma: disposição das ideias;
j) público alvo.
Temos, pois, três possibilidades: a resenha crítica, a resenha descritiva e a resenha 
temática. A primeira, como vimos, exige erudição. Sendo assim, como trabalho 
acadêmico é mais cabível nos cursos de pós-graduação, no processo de realização 
das monografi as. Aliás, uma resenha crítica bem acabada pode converter-se num 
pequeno artigo científi co, gênero sobre o qual trataremos na próxima aula. A resenha 
descritiva seria mais adequada à graduação: por um lado, está próxima do fi chamento, 
por outro, inevitavelmente apontará o caminho do acadêmico para a resenha crítica. A 
resenha temática, por fi m, é mais livre, embora seja mais profunda de acordo com o 
conhecimento que o resenhista tenha sobre o tema tratado, mas ela é compatível com 
qualquer nível de ensino.
Fazer uma resenha, portanto, não é muito difícil, mas devemos tomar muito cuidado, 
pois, dependendo da forma como se posicione e do local de publicação, o resenhista 
pode fazer um livro ou um cd mofarem nas prateleiras ou transformar um fi lme ou uma 
peça de teatro em um verdadeiro fracasso.
As resenhas podem, também, funcionar como ótimos guias para os apreciadores da 
arte em geral e, sob o ponto de vista do processo de ensino-aprendizagem, ser uma 
ferramenta essencial para estudantes que precisam selecionar quantidades enormes
de conteúdo em um tempo relativamente pequeno.
Agora, que tal colocar a mão na massa e começar a produzir suas próprias resenhas?
Praticando... 3Praticando...
18
Leitura e Produção de Textos A09
Observe se a resenha a seguir contempla todos os elementos destacados (da letra “a” 
até a “j”) ao longo do tópico anterior desta aula. Identifi que cada um desses elementos 
no texto e indique quais os elementos que não estão presentes.
CARTAS DE IWO JIMA
Vinicius Vieira
Acabei de ler a minha crítica do fi lme “A Conquista da Honra” e lá para o fi nal do texto 
eu comento que Clint Eastwood fez um fi lme tecnicamente muito acima da média, e é 
exatamente isso que me fez esperar com tanta apreensão o fi lme “Cartas de Iwo Jima”, 
já que parecia, para mim, que ali estava um passo a mais nessa média, e por sorte é 
isso que acontece.
Para quem não sabe, “Cartas de Iwo Jima” poderia ser considerado o fi lme irmão de “A 
Conquista da Honra”, enquanto esse mostrava os Estados Unidos atacando a importante 
ilha japonesa, o outro nos joga do lado nipônico tentando se defender, em uma missão 
fadada a derrota, onde eles tinham um número absurdamente menor de homens (22 
mil contra os mais de cem mil americanos), sem apoio marítimo nem aéreo, apenas 
alguns poucos tanques, e a honra de morrer pelo solo de seu país.
E a palavra do fi lme é essa mesmo, honra, muito mais que no outro fi lme, e Eastwood 
sabe disso, com isso conseguindo fazer um fi lme contundente, emocionante e acima 
de tudo heróico, que por pouco, não faz o outro se tornar dispensável.
19
Leitura e Produção de Textos A09
A verdade é que depois de ver o lado japonês da batalha, você acaba se perguntando 
até onde os Estados Unidos mereciam tomar a ilha à custa de tantas mortes, em uma 
guerra que estava fadada a acabar, e ainda, até onde os japoneses mereciam ser 
exterminados (foram quase 21 mil mortes), já que estavam ali defendendo um princípio, 
uma vida e, como eu já disse acima, suas honras.
O diretor parece fazer um fi lme mais cuidadoso em relação a “A Conquista”, mais 
preocupado com seu andamento, criando um fi lme mais lento, que desenvolve muito 
melhor os personagens, lhes dá mais profundidade, e no fi nal das contas te faz se 
identifi car muito mais com eles.
Mesmo quando o ataque começa, você não vê qualquer correria, o que você vê é 
uma quantidade sem número de jovens acuadas, esperando pela morte certa, seus 
desesperos e suas dúvidas, e graças à habilidosa direção e o ótimo roteiro escrito por 
Paul Haggis (“Crash” e “A Conquista da Honra”) e Íris Yamashita, o fi lme não perde 
o ritmo, e você percebe que está vendo um fi lme de guerra diferenciado, muito mais 
focado no que acontece do lado de dentro dos uniformes.
E novamente, o que salta aos olhos é a parte técnica do fi lme, principalmente a fotografi a 
de Tom Stern, colaborador usual do diretor, que faz um trabalho a milhas de distância 
de qualidade do fi lme “irmão”, ele cria um tom apagado, meio lavado e velho, quase 
sépia em alguns momentos, quase preto e branco em outros, criando uma experiência 
visual única.
O outro ponto alto da fotografi a é algo que, em parceria com o diretor, sempre gostou 
de fazer (mas que foi um pouco esquecida em “A Conquista”), mostrar como as vezes 
a ausência de luz pode ser bem tratada, de uma hora para outra você dá de cara com 
cenas onde a tela é totalmente tomada pela escuridão, com a luz mostrando exatamente 
como é participar de uma guerra de dentro de uma caverna, sensacional.
Clint Eastwood só esbarra na hora de levar algumas cenas que poderiam ter menos 
cortes, americanizando um pouco demais a levada do fi lme, talvez com medo de tornar 
o fi lme menos popular ainda nos Estados Unidos (além da fotografi a diferenciada para 
os padrões, o fi lme ainda é falado em japonês), algo que com certeza vai agradar os 
espectadores mais normais, mas que fará uma minoria torcer o nariz, que como eu, 
pode se incomodar um pouco com isso, além do modo “Titanic” da narração (grupo de 
pesquisa descobre alguma coisa no começo do fi lme, ele recua ao passado, e ao fi nal 
volta ao presente para mostrar o tal achado) que imbeciliza um pouco o público.
Mas sem sombra de dúvida nenhuma, “Cartas de Iwo Jima” é muito melhor que “A 
Conquista da Honra” e mostra todo poder do diretor que, como poucos, hoje sabe contar 
uma história e vai se superando a cada vez que vai para trás das câmeras.
Título Original: Letters from Iwo Jima
Gênero: Drama
20
Leitura e Produção de Textos A09
Duração: 140 min.
Ano: EUA – 2006
Distribuidora: Warner Bros./Paramount Pictures
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Iris Yamashita
Site Ofi cial: <www.iwojimathemovie.warnerbros.com/lettersofi wojima>.
Fonte: <http://www.cranik.com/iwojima.html>. Acesso em: 2 mar. 2009.
Leituras complementares
COMO elaborar uma resenha. Disponível em: <http://www.pucrs.br/gpt/resenha.php>. 
Acesso em: 2 mar. 2009.
No site anterior, você encontra uma boa orientação sobre a elaboração de resenhas e 
alguns exemplos bastante interessantes.
MACHADO, Anna Rachel; LOUSADA, Eliane; ABREU-TARDELLI, Lília Santos. Resenha. 
São Paulo: Parábola Editorial, 2005.
Esse livro também é muito interessante, pois foi elaborado para quem estuda sozinho, 
tem vários exemplos de resenha e você elabora uma resenha passo a passo ao longo 
de sua leitura.
Nesta aula, vimos em que se constitui o gênero resenha e os seus 
diferentes tipos, observando também os passos que levam à elaboração 
de cada um desses tipos de resenha, desde indicações sobre os elementos 
básicos até um esquema que contempla não só os tópicos fundamentais 
de uma resenha mais simples até os fatores críticos de uma resenha mais 
complexa e profunda.
Autoavaliação
21
Leitura e Produção de Textos A09
1. Elabore uma resenha descritiva sobre o fi lme Tempos Modernos, de 
Charles Chaplin, disponível em qualquer boa locadora. É um fi lme bem 
antigo, mas muito interessante, que discute, de forma bem humorada, 
aspectos ligados à modernidade e ao trabalho.
Título Original: Modern Times
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 87 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1936
Estúdio: United Artists / Charles Chaplin Productions
Distribuição: United Artists
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Produção: Charles Chaplin
Música: Charles Chaplin
Fotografi a: Ira H. Morgan e Roland Totheroh
Direção de Arte: Charles D. Hall e J. Russell Spencer
2. Elabore uma resenha temática sobre “O riso no cinema”. Para isso:
a) Agrupe algumas das comédias de que você mais gosta.
b) Pesquise sobre a natureza do riso.
c) Pesquise sobre a presença do riso no cinema.
d) Construa seu texto seguindo os passos indicados para esse tipo de 
resenha.
Anotações
22
Leitura e Produção de Textos A09
Referências
ANDRADE, Maria Margarida. Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação: 
noções práticas. São Paulo: Atlas, 1997.
CUNHA, Diva. Canto de página. Natal: Clima, 1986.
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura e redação. 
São Paulo: Ática, 1990.
GAZOLA, André. Como fazer uma resenha. Disponível em: <http://www.lendo.org/como-
fazer-uma-resenha/>. Acesso em: 2 mar. 2009.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científi ca. 2. ed. São 
Paulo: Atlas, 1985.
MEDEIROS, João Bosco. Resenha. In: ______. Redação científi ca: a prática de 
fi chamentos, resumos, resenhas. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. p. 158-180.
Anotações
23
Leitura e Produção de Textos A09
Anotações
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Leitura e Produção de Textos A09
10
Ilane Ferreira Cavalcante
C U R S O T É C N I C O E M S E G U R A N Ç A D O T R A B A L H O
Artigo científi co e relatório
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
Coordenadora da Produção dos Materias
Vera Lucia do Amaral
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky
Coordenadora de Revisão
Giovana Paiva de Oliveira
Design Gráfi co
Ivana Lima
Diagramação
Elizabeth da Silva Ferreira
Ivana Lima
José Antonio Bezerra Junior
Mariana Araújo de Brito
Arte e ilustração
Adauto Harley
Carolina Costa
Heinkel Huguenin
Leonardo dos Santos Feitoza
Revisão Tipográfi ca
Adriana Rodrigues Gomes
Margareth Pereira Dias 
Nouraide Queiroz
Design Instrucional
Janio Gustavo Barbosa
Jeremias Alves de Araújo Silva
José Correia Torres Neto
Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade
Revisão de Linguagem
Maria Aparecida da S. Fernandes Trindade
Revisão das Normas da ABNT
Verônica Pinheiro da Silva
Adaptação para o Módulo Matemático
Joacy Guilherme de Almeida Ferreira Filho
EQUIPE SEDIS | UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Projeto Gráfi co
Secretaria de Educação a Distância – SEDIS
Governo Federal
Ministério da Educação
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por aqu
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Objetivos
1
Leitura e Produção de Textos A10
Algumas considerações acerca da elaboração de artigos científi cos e de relatórios, os dois últimos gêneros que estudaremos. Esta aula será dividida em duas partes, cada uma correspondendo a um desses gêneros. Na primeira parte, 
trataremos dos artigos científi cos e na segunda parte, veremos características do 
relatório, importante por ser ele o mais imediatamente útil à sua formação, pois, em 
geral, precisamos fazer relatórios ao terminar nossos cursos profi ssionalizantes, não 
é mesmo? Vamos a eles!
  Conhecer os gêneros artigo científi co e relatório.
  Compreender os principais elementos de composição destes 
gêneros textuais.
2
Leitura e Produção de Textos A10
Para começo 
de conversa...
A Lua da Língua
Existe uma língua para ser usada de dia, debaixo da luz forte do sentido. Língua suada, 
ensopada de precisão. Que nós fabricamos especialmente para levar ao escritório, e usar 
na feira ou ao telefone, e jogar fora no bar, sabendo o estoque longe de se acabar. Língua 
clara e chã, ocupada com as obrigações de expediente, onde trabalha sob a pressão 
exata e dicionária, cumprimentando pessoas, conferindo o troco, desfazendo enganos, 
sendo atenciosamente sem mais para o momento. É a língua que Cristina usou para 
explicar quem quebrou o cabo da escova na pia do banheiro, num dia de sol em Fortaleza. 
Ou a língua empregada pelas aeromoças nos avisos mecanicamente fundamentais. 
Língua comum; mútua e funcionária. Língua diária; isto é, língua à luz do dia.
Mas no entardecer da linguagem, por volta das quatro e meia em nossa alma, começa 
a surgir um veio leve de angústia. As coisas puxam uma longa sombra na memória, e a 
própria palavra tarde fi ca mais triste e morna, contrastando com o azul fresco e branco 
da palavra manhã. À tarde, a luz da língua migalha. E, por ser já meio escura, o mundo 
perde a nitidez. Calar, a tarde não se cala, mas diz menos o que veio a dizer. Por isso, 
poucas vezes se usa esta língua rouca do ciciar das cigarras, que cede à luz minguante 
da sintaxe, mas meio bêbada de escuridão.
3
Leitura e Produção de Textos A10
É a que freqüenta os cartões de namoro, as confi ssões, as brigas e os gritos, ou a 
atenção desajeitada de velórios, também os momentos relevantes em vidas sem relevo, 
ou está nas palavras sussurradas entre os lençóis (ou ao pé dos muros nos bairros mais 
distantes) sob o calor da noite. Mas noite aqui, na face da Terra; que é bem diferente 
da noite nos breus de uma língua.
Pois quando a língua em si mesma anoitece, o escuro espatifa o sentido. O sol, 
esfacelado, vira pó. E a linguagem se perde dos trilhos de por onde ir. Tateia, titubeia e, 
com alguma sorte, tropeça, esbarrando em regras, arrastando a mobília das normas, 
e deixando no carpete apenas as marcas de onde um dia estiveram outros móveis. À 
noite sonha nossa língua.
O céu da boca, onde esta noite se forma, não tem estrelas de tão preto. É onde as 
palavras guardam ainda seu cheiro de pensamento. E têm a densidade vazia das 
idéias vagas, condensando-se invisivelmente como nuvens de um céu sem luz. No calor 
tempestuoso destas noites, é possível a bailarina ser feita de borracha e pássaro. José 
Ribamar põe aves dentro dos frutos maranhenses. E Murilo solta os pianos na planície 
deserta. Tudo é dito e tudo é silêncio, distante dos ruídos do dia. Existe o verbo, existe 
o verso. Existe a canção. Rosa mineira do Lácio. Tudo é possível na escuridão, sombra 
que alumbra; penumbra. Luz negra da noite.
Quando abrimos a boca, a língua amanhece.
(LAURENTINO, 2007, p. 96 - 98).
O texto de André Laurentino nos mostra o quanto a nossa língua pode ser plástica, 
maleável, bela, passível de ser usada tanto para a produção de textos poéticos, como 
o dele, ou de textos mais técnicos, como aqueles de que iremos tratar aqui.
4
Leitura e Produção de Textos A10
Sobre os gêneros 
técnicos, científi cos 
e acadêmicos
Existem diversos gêneros produzidos com a fi nalidade de divulgar conhecimento, entre eles um dos mais breves seria o artigo científi co. Além dele, outro gênero breve seria o ensaio, que é essencialmente um texto híbrido, visto que é um 
texto opinativo, geralmente escrito na primeira pessoa e não é puramente técnico, 
acadêmico ou científi co, mas passeia pelas fronteiras da literatura. 
Gêneros mais longos seriam a dissertação e a tese. A primeira é produzida como 
trabalho fi nal de um percurso de mestrado, e a segunda, trabalho fi nal elaborado ao 
longo do percurso de um doutorado. Ambos são gêneros acadêmicos que trazem o 
resultado de uma pesquisa realizada ao longo de alguns anos (que variam de acordo 
com a instituição em que se estuda) e apresentam uma investigação de caráter inovador 
sobre um determinado tema de qualquer natureza, dependendo da área em que se 
insere o pesquisador. 
Dentre esses gêneros, o mais curto, também de caráter investigativo, seria o artigo 
científi co. Os artigos são textos curtos (entre 10 e 20 páginas, aproximadamente), 
completos, que tratam de uma questão científi ca. Apresentam o resultado de um estudo 
ou de uma pesquisa, seja documental, bibliográfi ca ou de campo. 
Pesquisas documentais são elaboradas a partir da coleta e análise de documentos de 
diversas naturezas. Um bom exemplo é a pesquisa em manuscritos antigos, que pode 
informar muito sobre a vida das pessoas em determinada época, sobre sua saúde, 
sobre o desenvolvimento de uma família, enfi m, sobre muitas coisas.
Pesquisa bibliográfi ca é a primeira etapa de qualquer tipo de pesquisa, ela envolve a 
busca por publicações sobre um determinado tema que estejamos pesquisando, a 
seleção de leituras apropriadas e relevantes sobre aquele tema, a leitura, o fi chamento 
dessas leituras e, por fi m, a elaboração da síntese acerca do que conseguimos 
compreender sobre aquele determinado tema.
A pesquisa de campo, em linhas gerais, é desenvolvida quando o pesquisador precisa 
ir a campo, ou seja, ir ao local onde o seu objeto de estudo, o assunto que ele está 
pesquisando, se encontra. Dessa natureza são, por exemplo, as pesquisas em que 
pessoas são entrevistadas, questionários são aplicados, dados são levantados sobre 
determinado tema.
1Praticando...
5
Leitura e Produção de Textos A10
Os artigos científi cos, portanto, são elaborados após uma pesquisa e para apresentação 
em eventos de natureza técnica, científi ca e acadêmica e visam uma publicação. Eles 
são mais comuns na rotina de estudantes universitários e daqueles que participam 
de pesquisas de iniciação científi ca, primeiro passo para a formação do pesquisador.
A publicação desses estudos permite não só a divulgação científi ca produzida pelo 
pesquisador/autor, mas permite, mediante a descrição da metodologia empregada 
na realização da pesquisa e da descrição dos resultados obtidos, que o leitor repita 
a experiência. Essa
publicação se dá, geralmente, em periódicos de natureza técnica, 
científi ca ou acadêmica e esses artigos são, também em geral, avaliados por um 
conselho ou por pareceristas que determinam a qualidade do artigo para a publicação 
naquele determinado periódico.
1. Cite exemplos de três gêneros técnicos, científi cos e acadêmicos.
2. Qual a diferença entre pesquisa documental, pesquisa bibliográfi ca e 
pesquisa de campo?
As partes do texto
Pensando na organização do texto, vamos discutir um pouco acerca das principais 
partes que o compõem? Não esqueça que a nossa perspectiva, aqui, são os gêneros de 
natureza técnica, acadêmica e científi ca. Portanto, vamos considerar, especifi camente, 
a clássica divisão entre introdução, desenvolvimento e conclusão, comum a todos os 
gêneros textuais de natureza técnica, científi ca e acadêmica. 
Introdução
Na introdução se encontra o resumo de todas as ideias que orientaram o pensamento 
do autor. A introdução funciona, portanto, como uma espécie de apresentação geral do 
texto para que o leitor se situe. Assim, na introdução, deve-se defi nir o tema, mostrar o 
problema, despertar o interesse e decompor os elementos gerais do texto. 
6
Leitura e Produção de Textos A10
Facilita, para quem não tem muita experiência em produção escrita, defi nir, logo de 
início, o objeto a ser discutido no texto. Nessa exposição, é preciso ser claro e preciso, 
de forma que não gere problemas de compreensão para o leitor. Ao defi nir-se o tema, 
delimita-se, também, o recorte que se vai dar a ele. Observe o exemplo a seguir:
Exemplo 1
A Gramática na Aula de Português 
Eliana Melo Machado Moraes - UFG
Este trabalho procura apresentar refl exões a partir de práticas de ensino de 
professores de Português que atuam no Ensino Fundamental, em escolas 
públicas, localizadas na cidade de Jataí, no Sudoeste do Estado de Goiás. 
Ele tem como subsídio a dissertação de mestrado: A gramática na aula de 
Português defendida em agosto de 2000 e discute: quando os professores 
trabalham “conteúdos gramaticais” – hoje, de acordo com os Parâmetros 
Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa, “práticas de análise lingüística” 
-, “o que” e “como” trabalham? De que gramática estão falando? 
O trabalho procura descrever práticas de sete professores de Português que 
possuíam na época da realização da pesquisa, cursos de Pós-graduação, em 
nível de especialização e que afi rmassem estar trabalhando dentro da proposta 
apresentada no Programa Curricular Mínimo do Estado de Goiás – Português 
5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. 
Fonte: <http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=artigos/docs/gramaticanaaula>. Acesso em: 3 mar. 2009.
A introdução exposta no exemplo 1 apresenta logo no primeiro e no segundo parágrafos 
o tema de estudo do artigo (veja destaque em negrito). Assim, o objetivo do trabalho é 
descrever e refl etir sobre a prática de sete professores de Português da rede pública 
da cidade de Jataí/GO.
Nem todos os autores são tão diretos na apresentação do tema, mas essa é uma boa 
maneira de iniciar a introdução de seu trabalho, se você está iniciando ainda o seu 
percurso de pesquisador.
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Leitura e Produção de Textos A10
Desenvolvimento
Como o próprio nome já diz, o desenvolvimento apresenta o corpo da pesquisa. Ou seja, 
após a introdução, em que você apresentou o tema de estudo, justifi cou a importância 
desse tema e descreveu como irá desenvolver a pesquisa, é no desenvolvimento que 
você vai demonstrar a sua refl exão sobre o tema. Defi nir os conceitos que irá utilizar, 
demonstrar os conhecimentos teóricos que você adquiriu (caso de uma pesquisa 
bibliográfi ca), apresentar os sujeitos e o campo de estudo (no caso de uma pesquisa 
de campo) ou os documentos utilizados (no caso de uma pesquisa documental) e 
demonstrar os resultados alcançados.
Só não incorra no erro de colocar o título “Desenvolvimento”, nessa parte de seu texto 
você deve escolher títulos que digam respeito ao conteúdo de seu trabalho. Veja o 
sumário de um livro apresentado na fi gura 1, a seguir:
Figura 1 – Sumário
Fo
nt
e:
 C
av
al
ca
nt
e 
(2
0
0
8
).
A fi gura 1, acima, apresenta o sumário de um livro. Após a introdução, você identifi ca 
a divisão em capítulos, cada um com um determinado título. Pois bem, o conjunto 
dos quatro capítulos do livro forma o desenvolvimento. Cada título de capítulo diz 
respeito a um determinado aspecto da pesquisa apresentada ao longo do livro. Após o 
desenvolvimento, ou seja, após o quarto capítulo, você identifi ca a conclusão na fi gura, 
não é mesmo? Vamos falar sobre ela agora.
8
Leitura e Produção de Textos A10
Conclusão
A conclusão é uma retomada de todos os assuntos desenvolvidos ao longo do artigo, 
de forma a interligá-los e ainda apontar para as possibilidades de desenvolvimento 
daquela pesquisa.
Exemplo 2
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo deste trabalho, buscamos responder às questões que dizem 
respeito à compreensão dos fenômenos relacionados à mobilidade urbana e 
a sua relação com a inclusão social no espaço urbano. O processo acelerado 
da urbanização no país manifesta-se na metropolização, na favelização e 
na periferização de grandes contingentes populacionais. Estes fenômenos, 
amplamente reconhecidos pela literatura geográfi ca, ainda são os principais 
desafi os para a superação da pobreza e da desigualdade no acesso a 
serviços públicos e aos equipamentos coletivos. 
[.....]
Enfi m, verifi camos que em locais onde o sistema de transporte público é 
precário, a população não usufrui das mesmas oportunidades das pessoas 
residentes em áreas mais privilegiadas, confi gurando um obstáculo ao uso 
dos espaços da cidade, ao direito de ir e vir, e ao exercício pleno à condição 
de cidadão.
Salientamos que a mobilidade urbana não determina a condição de exclusão 
social de determinado grupo de pessoas, mas se constitui em uma das 
ferramentas para superação dessa condição. De modo que esta pode ser 
considerada uma das cinco bases da inclusão social, ou seja, as políticas de 
inclusão devem agregar além da mobilidade urbana as políticas de emprego 
e renda, saúde, educação e habitação e que ambas se fortaleçam como 
política de Estado e não de governos. 
E sem pretender formalizar conclusões, salientamos a importância deste 
estudo, como mais um trabalho que poderá servir como base para outros 
que possam vir a surgir sobre a temática dos transportes, visto que ao tratar 
sobre o tema não devemos esquecer que este diz respeito a pessoas e por 
conseguinte à (re)produção do espaço. 
(ASSUNÇÃO; ARAÚJO, 2008, p. 74).
2Praticando...
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Leitura e Produção de Textos A10
No fragmento de conclusão apresentado no exemplo 2, você pode observar que, em 
primeiro lugar, o tópico não é conclusão, mas considerações fi nais. Alguns autores 
preferem este título porque leva em consideração o fato de que nunca, na verdade, 
concluímos algo. Existe sempre algo mais a dizer, o que nós fazemos é fi nalizar um trabalho 
que consiste em uma etapa, ou em um olhar sobre um determinado objeto de estudo. 
Por isso, as autoras evidenciam que não têm a pretensão de “formalizar conclusões”.
Em segundo lugar, observe como, ao longo do texto, as autoras retomam aquilo que 
foi discutido ao longo do artigo. Para isso, elas utilizam expressões como: “Ao longo 
deste trabalho, buscamos...” ou “Salientamos que...”, e apontam, ainda, para futuros 
trabalhos que outros pesquisadores possam desenvolver utilizando o mesmo tema.
1. Escolha um artigo científi co de sua preferência e identifi que as partes 
que o compõem: introdução, desenvolvimento e conclusão.
2. Elabore um esquema desse artigo, como se estivesse elaborando um 
sumário, mas sem a necessidade de informar o número das páginas de 
cada tópico.
Artigo científi co
Agora que você já viu a estrutura
geral de qualquer gênero técnico, científi co e acadêmico, 
vamos aos detalhes da estrutura de um artigo científi co.
Estrutura
O artigo científi co tem uma estrutura bastante variável, visto que ela muda de acordo 
com o veículo em que ele for publicado. Mas, em linhas gerais, ele pode apresentar 
a mesma estrutura detalhada dos demais gêneros de natureza técnica, científi ca e 
acadêmica como você pode perceber a seguir:
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Leitura e Produção de Textos A10
Elementos pré-textuais
São os elementos que compõem a apresentação geral do artigo:
  cabeçalho: título e subtítulo do trabalho;
  autor(es);
  credenciais do(s) autor(s);
  local de atividades desses autores.
Veja, no exemplo 3, o modelo de cabeçalho da revista Holos, a revista eletrônica do IFRN.
Exemplo 3
LEITE e OLIVEIRA (2008)
RECURSOS HUMANOS EM VIGILÂNCIA SANITÁRIA: UMA DISCUSSÃO SOBRE 
PERFIL PROFISSIONAL
Maria Jalila Vieira de Figueirêdo Leite
Cirurgiã-dentista, Mestre em Odontologia Social, Servidora do Centro de 
Formação de Pessoal/SESAP-RN. jalilaleite@rn.gov.br
Angelo Giuseppe Roncalli da Costa Oliveira
Cirurgião-dentista, Doutor em Odontologia Preventiva e Social, Professor da 
UFRN. roncalli@terra.com.br
Observe que a revista dá destaque aos sobrenomes dos autores e depois apresenta o 
título do artigo, os autores e suas credenciais.
Resumo ou sinopse
Você aprendeu a fazer resumos na aula 8 desta disciplina, lembra? Ele é exigido na 
maioria das publicações de caráter técnico, científi co e acadêmico, e não só em língua 
materna, mas em língua estrangeira também, acompanhado das palavras-chave nos 
dois idiomas. Observe que o exemplo 4, a seguir, é o resumo do artigo cujo cabeçalho 
foi apresentado no exemplo anterior.
11
Leitura e Produção de Textos A10
Exemplo 4
RESUMO 
Este trabalho tem como tema o fenômeno da mobilidade urbana e sua 
importância para a inclusão social na sociedade contemporânea. Tem 
como referência de análise a localidade de Cidade Praia, situada no bairro 
Lagoa Azul, Natal – RN. É um dos bairros mais populosos da cidade e 
predomina a função residencial, uma vez que o setor produtivo local não 
absorve a demanda de mão-de-obra existente, fazendo com que a população 
economicamente ativa se desloque, diariamente, para outras áreas que 
apresentam maior dinamismo econômico. Nesse sentido, foi realizada 
pesquisa de campo cuja análise aponta que a mobilidade urbana não 
determina a condição de exclusão social de determinado grupo de pessoas, 
mas se constitui em uma das ferramentas para superação dessa condição. 
Dessa forma, esta pode ser considerada uma das cinco bases da inclusão 
social, ou seja, as políticas de inclusão devem agregar além das políticas de 
emprego e renda, saúde, educação e habitação, uma política de mobilidade 
urbana para que todos possam ter direito à cidade. 
PALAVRAS-CHAVE: Mobilidade Urbana, Inclusão Social, Espaço Urbano. 
FOR THE RIGHT TO GO AND TO COME IN THE CITY: URBAN MOBILITY 
AND SOCIAL INCLUSION IN CIDADE PRAIA – NATAL/RN 
ABSTRACT
This work has as subject the phenomenon of urban mobility and its importance 
for the social inclusion in the contemporary society. Has as analysis reference 
the locality of Cidade Praia, situated in the district Lagoa Azul, Natal – RN. It is 
one of the district most populous of the city were predominates the residential 
function, a time that the local productive sector does not absorb the demand 
of existing workforce, making with that the economically active population if 
dislocates, daily, for other areas that present greater economic dynamism. 
In this direction, fi eld research was carried through whose analysis points 
that urban mobility does not determine the condition of social exclusion of 
determined group of people, but if constitutes in one of the tools for overcoming 
of this condition. In way that this can be considered one of the fi ve bases of 
the social inclusion, so the inclusion politics must add beyond the politics of 
job and income, health, education and habitation, one politics of urban mobility 
so that all can have right to the city. 
KEY WORDS: Urban Mobility, Social Inclusion, Urban Space.
12
Leitura e Produção de Textos A10
Observe que a revista apresenta os resumos em língua materna e em língua estrangeira, 
ambos acompanhados das palavras-chave, os termos ou expressões mais relevantes 
para a compreensão do artigo. Observe ainda que a partir da leitura do resumo, pode-
se identifi car não só o objeto de estudo do artigo, mas a metodologia empregada na 
pesquisa e os resultados alcançados.
Corpo do artigo
Trata-se do artigo propriamente dito, com aquela estrutura apresentada anteriormente:
  introdução;
  desenvolvimento;
  conclusão.
Elementos pós-textuais
É tudo o que vem após o corpo do texto:
  Referências: com a listagem, de acordo com a ABNT, de tudo o que foi pesquisado 
para a elaboração do artigo: livros, cd-roms, sites etc.
  Apêndices ou anexos (quando houver necessidade): documentos a que o autor faça 
referência ao longo do artigo e cuja leitura pode ser importante para o leitor.
  Agradecimentos (opcional).
  Data (local, mês e ano de elaboração do texto).
Conteúdo de um artigo científi co
O conteúdo de um artigo científi co pode abranger os mais variados assuntos, das mais 
variadas áreas. Em geral, apresenta abordagens novas, atuais, diferentes sobre o tema 
em estudo. Assim, ele pode tratar de:
  Estudo pessoal, descoberta, ou enfoque contrário ao já estabelecido para um 
determinado assunto.
  Soluções para questões controvertidas.
  Aspectos levantados em alguma pesquisa.
Da mesma forma que qualquer outro texto de caráter técnico, científi co ou acadêmico, 
um artigo científi co deve apresentar uma linguagem clara, concisa, objetiva. O autor 
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deve primar pelo uso de uma linguagem correta e simples. Adjetivos supérfl uos, rodeios, 
repetições ou explicações desnecessárias devem ser evitados, assim como um texto 
excessivamente fragmentado. 
Bem, paramos por aqui a nossa discussão sobre artigos científi cos, mas esta aula 
ainda não terminou. Você vai estudar, como último assunto, a forma e a organização 
dos relatórios.
 Visite um periódico científi co, sugerimos a revista Holos, por exemplo, que é 
acessível a partir do link http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS. Você 
também pode acessá-la entrando no sítio do IFRN: http://www.ifrn.edu.br/. 
Nesse sítio você pode digitar o nome da revista no instrumento de busca e 
ele levará você a links para os números mais recentes. Escolha um artigo 
científi co de sua preferência e identifi que nele as partes que o compõem: 
elementos pré-textuais, corpo de texto e elementos pós-textuais. O que ele 
contém? O que ele não contém?
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Leitura e Produção de Textos A10
Relatórios
Existem inúmeros tipos de relatórios, dependendo da situação, relatórios de visitas 
técnicas, por exemplo, são elaborados por um técnico após visita a um determinado 
local, para inspeção, ou análise de algum dado, por exemplo. Odacir Beltrão (1998) 
enumera, entre outros, os seguintes tipos de relatórios:
Relatório de gestão anual
Elaborados anualmente (em geral, um ano civil, fi scal, fi nanceiro) nas 
empresas, é exigido por lei ou estatuto, sendo destinado aos sócios 
acionistas ou à população (no caso das empresas estatais). 
Relatório de inquérito (policial, administrativo etc.)
Elaborado, eventualmente, para fi ns de investigação, de estudo de normas 
de procedimento, de relato, de visita. 
Relatório parcial
Elaboração para abranger uma fração de exercício ou de gestão (mensal, 
trimestral, semestral). 
Relatório de rotina
Elaborado em função da rotina de trabalho de gerência, chefi a e equivalentes. 
Relatório de pesquisa
Elaborado por profi ssional técnico ou científi co, ao fi nal da pesquisa (seja 
ela bibliográfi ca, de laboratório, campo, gabinete etc.). 
Relatório científi co
Elaborado por pesquisadores, em função de atividades acadêmicas ou para 
divulgação em revistas científi cas. 
Relatório de estágio
E há, por fi m, um que talvez diga mais respeito à sua situação de aluno: nele 
você irá demonstrar o desenvolvimento de seu estágio em uma determinada 
empresa ou instituição.
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De um modo geral, podemos dizer que todos os tipos de relatório são escritos com os 
objetivos de:
  divulgar os dados técnicos obtidos e analisados; 
  registrá-los em caráter permanente.
Fases de elaboração de um relatório
Geralmente a elaboração do relatório passa pelas seguintes fases:
a) Plano inicial: determinação da intenção do relatório, o que signifi ca a 
determinação do tipo de relatório a ser elaborado, preparação do relatório 
e do programa de seu desenvolvimento.
b) Coleta e organização do material: durante a execução do trabalho, é 
feita a coleta, a ordenação e o armazenamento do material necessário 
ao desenvolvimento do relatório.
c) Redação: um relatório é sempre escrito após uma determinada experiência, 
o que implica que ele se debruça sobre um determinado local, aspecto, 
sobre uma determinada pesquisa etc. Trata, portanto, de algo que já 
ocorreu, por isso, a redação poderá utilizar verbos no pretérito.
Recomenda-se sempre, após a redação, uma revisão crítica do relatório, considerando-
se os seguintes aspectos: redação (conteúdo e estilo), sequência das informações, 
apresentação gráfi ca e física. Só então ele estará pronto para ser entregue.
Estrutura do relatório técnico-científi co
Os relatórios técnico-científi cos constituem-se dos seguintes elementos:
Capa
  nome da organização responsável, com subordinação até o nível da autoria; 
  título; 
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  subtítulo, se houver; 
  local; 
  ano de publicação, em algarismo arábico.
Exemplo 5
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
CURSO TÉCNICO DE NÍVEL SUBSEQUENTE
DISCIPLINA: LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS
TÍTULO DO TRABALHO
AUTOR - BOLSISTA
ORIENTADOR
MODALIDADE
LOCAL
MÊS/ANO
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Falsa folha de rosto
Precede a folha de rosto. Deve conter apenas o título do relatório.
Ve rso da falsa folha de rosto
Nessa folha elabora-se padronizadamente, a “fi cha catalográfi ca”. Essa fi cha, como o 
próprio nome já diz, é a catalogação de seu trabalho a partir de normas de bibliotecas, por 
isso, é preciso solicitar o auxílio ao bibliotecário da sua área para a confecção da fi cha.
Errata
Lista de erros tipográfi cos ou de outra natureza, com as devidas correções e indicação 
das páginas e linhas em que aparecem. É geralmente impressa em papel avulso ou 
encartado, que se anexa ao relatório depois de impresso.
Folha de rosto
É a fonte principal de identifi cação do relatório, devendo conter os seguintes elementos:
a) nome da organização responsável, com subordinação até o nível de autoria;
b) título;
c) subtítulo, se houver;
d) nome do responsável pela elaboração do relatório;
e) local;
f) ano da publicação em algarismos arábicos.
Sumário
É a relação dos capítul os e seções no trabalho, na ordem em que aparecem. Não deve 
ser confundido com: 
a) índice: relação detalhada dos assuntos, nomes de pessoas, nomes geográfi cos e 
outros, geralmente em ordem alfabética;
b) resumo: apresentação concisa do texto, destacando os aspectos de maior interesse 
e importância;
c) listas: é a enumeração de apresentação de dados e informação (gráfi cos, mapas, 
tabelas) utilizados no trabalho.
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Listas de tabelas, ilustrações, abreviaturas, siglas e símbolos
Listas de tabelas e listas de ilustrações são as relações das tabelas e ilustrações na 
ordem em que aparecem no texto.
As listas têm apresentação similar à do sumário. Quando pouco extensas, as listas 
podem fi gurar sequencialmente na mesma página.
Resumo
É a apresentação concisa do texto, destacando os aspectos de maior importância e 
interesse. Como você já sabe desde a aula 8, o resumo não deve ser confundido com 
sumário, que é uma lista dos capítulos e seções. No sumário, o conteúdo é descrito por 
títulos e subtítulos, enquanto no resumo, que é uma síntese, o conteúdo é apresentado 
em forma de texto.
Texto
Parte do relatório em que o assunto é apresentado e desenvolvido. Conforme sua 
fi nalidade, o relatório é estruturado de maneira distinta. O texto dos relatórios técnico-
científi cos contém as seguintes seções fundamentais:
a) Introdução: parte em que o assunto é apresentado como um todo, sem detalhes.
b) Desenvolvimento: parte mais extensa que visa a comunicar o assunto propriamente 
dito. Nessa p1. Deve-se incluir a análise crítica do trabalho realizado durante o estágio.
2. Deve-se enfatizar:
  as tecnologias com as quais o aluno se deparou no estágio;
  se o aluno tinha uma boa base nos conhecimentos prévios que o estágio pressupunha;
  se o que foi aprendido no estágio foi positivo para a formação do aluno e se terá 
impacto tanto nas disciplinas que o aluno está cursando, bem como naquelas que 
ainda irá cursar;
  a metodologia de desenvolvimento dos projetos no estágio (colaborativa ou não, 
ferramentas de projeto utilizadas etc.);
  a ambientação profi ssional, social e humana do aluno no estágio.
c) Resultados e conclusões: consistem na recapitulação sintética dos resultados 
obtidos, ressaltando o alcance e as consequências do estudo.
d) Recomendações: contêm as ações a serem adotadas, as modifi cações a serem 
feitas, os acréscimos ou supressões de etapas nas atividades.
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Corpo do relatório
O corpo é a parte mais extensa do trabalho e relata o desenvolvimento das ideias da 
introdução. Aqui se incluem:
  assunto; 
  objeto a ser tratado;
  as preocupações que motivaram o trabalho;
  a metodologia da sequência de exposição;
  a construção de argumentos e objetivos;
  a descrição de métodos e técnicas usados;
  a análise e interpretação dos dados;
  a explicação de conceitos e noções;
  conclusões;
  anexos;
  bibliografi a. 
Anexo (ou Apêndice)
É a matéria suplementar, tal como leis, questionários, estatísticas, que se acrescenta a 
um relatório como esclarecimento ou documentação, sem dele constituir parte essencial. 
Os anexos são enumerados com algarismos arábicos, seguidos do título.
Exemplo 6
ANEXO 1 - FOTOGRAFIAS
ANEXO 2 – QUESTIONÁRIOS
Referências
É, da mesma forma que no artigo científi co, a relação das fontes bibliográfi cas utilizadas 
pelo autor. Todas as obras citadas no texto deverão obrigatoriamente fi gurar nas 
referências. A padronização das referências é seguida de acordo com a NBR-6023/
ago.1989 da ABNT. 
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A redação do relatório
Normalmente, em um relatório, são usadas várias sequências textuais, mas, 
principalmente: a descrição (de objetos, de procedimentos, de fenômenos), a narração 
(de fatos ou ocorrências) e a dissertação (explanação didática, argumentação). 
É evidente que a redação deve ser clara, coerente e pautar-se pelo uso da norma 
culta escrita. 
A linguagem usada normalmente é formal, mas há exemplos de relatórios em que a 
criatividade estilística rompe a rotina e o estereótipo, como o que foi escrito por Graciliano 
Ramos, quando era prefeito de Palmeira dos Índios (1928) e do qual transcrevemos 
um fragmento:
Exemplo 7
Exmo. Sr. Governador: 
Trago a V. Exa. um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de 
Palmeiras dos Índios em 1928. 
Não foram muitos, que os nossos recursos são exíguos. Assim minguados, 
entretanto,
quase insensíveis ao observador afastado, que desconheça as 
condições em que o Município se achava, muito me custaram. 
COMEÇOS 
O PRINCIPAL, o que sem demora iniciei, o de que dependiam todos os outros, 
segundo creio, foi estabelecer alguma ordem na administração. 
Havia em Palmeira inúmeros prefeitos: os cobradores de impostos, o 
comandante do destacamento, os soldados, outros que desejassem administrar. 
Cada pedaço do Município tinha a sua administração particular, com prefeitos, 
coronéis e prefeitos inspetores de quarteirões. Os fi scais, esses, resolviam 
questões de polícia e advogavam. 
Para que semelhante anomalia desaparecesse lutei com tenacidade e 
encontrei obstáculos dentro da Prefeitura e fora dela - dentro, uma resistência 
mole, suave, de algodão em rama; fora, uma campanha sorna, oblíqua, carregada 
de bílis. Pensavam uns que tudo ia bem nas mãos de Nosso Senhor, que administra 
melhor do que todos nós; outros me davam três meses para levar um tiro. 
Dos funcionários que encontrei em janeiro do ano passado restam poucos: 
saíram os que faziam política e os que não faziam coisa nenhuma. Os atuais não 
se metem onde não são necessários, cumprem as suas obrigações e, sobretudo, 
não se enganam em contas. Devo muito a eles. 
Não sei se a administração do Município é boa ou ruim. Talvez pudesse ser pior. 
Fonte: <http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=redacao/correspondencias/docs/relatorio>. 
Acesso em: 6 mar. 2009.
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Curiosamente, foi a leitura desses relatórios elaborados pelo então prefeito Graciliano 
Ramos que fez com que um editor e também escritor, Augusto Frederico Schmidt, 
reconhecesse neles o talento de escritor de literatura. Depois esse mesmo editor 
descobre que o prefeito possuía guardado o original do que viria a ser o seu primeiro 
romance, “Caetés” (1933).
Observe no fragmento exposto no exemplo 6, a linguagem formal (Exmo. Sr. Governador), 
além da correção linguística e do uso constante do pretérito perfeito: “não foram 
muitos...” ou “ muito me custaram...” e do pretérito imperfeito: “havia”, “resolviam”. 
Observe também algo que foge à natureza mais formal do relatório: o uso de fi guras de 
linguagem como metáforas (“uma resistência mole, suave, de algodão em rama”) que 
dão a esse relatório um caráter mais literário.
1. Enumere quatro tipos de relatórios e o que os diferencia.
2. Quais são as partes que compõem um relatório?
3. Que informações o resumo de um artigo científi co deve conter?
Leitura complementar
MACHADO, Anna Rachel (Coord.). Planejar gêneros acadêmicos. São Paulo: Parábola 
Editorial, 2005.
Esse livro é bastante útil para treinar a elaboração de gêneros de natureza técnica, 
científi ca e acadêmica, pois proporciona uma série de exercícios que partem das etapas 
mais simples às mais complexas no exercício de escrita desses gêneros textuais.
Autoavaliação
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Nesta aula, estudamos dois gêneros textuais de caráter técnico, científi co e 
acadêmico: o artigo científi co e o relatório. Vimos as partes que compõem 
cada um desses gêneros, os seus diferentes tipos e a natureza da linguagem 
que deve ser utilizada na sua elaboração, assim como identificamos 
a necessidade de sua adequação às normas da ABNT.
Elabore um relatório breve acerca de uma experiência prática que você tenha 
vivido ao longo de seu curso. Procure seguir as orientações apresentadas 
nesta aula.
Referências
ASSUNÇÃO, Juciara Conceição de Freitas; ARAÚJO, Maria Cristina Cavalcanti. Pelo direito 
de ir e vir na cidade: mobilidade urbana e inclusão social em Cidade Praia – Natal/RN. 
Holos, ano 24, v. 1, p. 48 - 74, 2008.
BELTRÃO. Odacir. Correspondências. 16. ed. São Paulo: Atlas, 1998.
CAVALCANTE, Ilane Ferreira. O romance da Besta Fubana: ou festa, utopia e revolução 
no interior do Nordeste. Recife: Bagaço, 2008.
LAURENTINO, André. A lua da Língua. In: CAMPOS, Carmen Lucia; SILVA, Nilson Joaquim (Coord.). 
Lições de gramática para quem gosta de literatura. São Paulo: Panda Books, 2007.
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científi ca. 6. ed. 
São Paulo: Atlas, 2006.
MOTTA, T. V. T; HESSELN, L. G.; SILVESTRI, G. Normas técnicas para apresentação de 
trabalhos científi cos. 3. ed. Caxias do Sul: EDUCS, 2004.
Anotações
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Anotações
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