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LEGISLAÇÃO FISCAL, TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA (86)

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elencados como a máxima para que o trabalho do homem seja valorizado.
5.1 PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO AO TRABALHADOR
Américo Plá Rodrigues, uruguaio, foi um dos autores que melhor estudou este princípio 
e o definiu, possuindo como regra compensar a superioridade econômica do empregador 
sobre o empregado, conforme atesta em sua obra, Direito do Trabalho, Sérgio Pinto Martins 
(2008a, p. 61):
● IN DUBIO PRO OPERÁRIO: em caso de dúvida do aplicador da lei (juiz), 
deve sempre proteger o hipossuficiente, que é o empregado.
● CONDIÇÃO MAIS BENÉFICA: o empregado, ao longo de sua vida laboral, 
vai creditando vantagens que não podem ser retiradas pelo empregador. Ao 
permitir que o trabalhador usufrua de uma condição mais favorável àquela 
prevista, por exemplo, no contrato de trabalho, mesmo que concedida por 
liberalidade, não pode posteriormente ser retirada. 
Exemplificando: você, acadêmico(a), contratou uma empregada doméstica, 
para trabalhar de segunda a sábado. Passados seis meses, você a dispensa 
de laborar no sábado porque iniciará uma especialização, e não permite que 
ela fique sozinha na casa realizando suas atividades. Essa situação se tornou 
MAIS BENÉFICA para a empregada. Sendo assim, é óbvio que, posteriormente, 
você não pode exigir que ela volte a exercer as atividades aos sábados. É a 
regra da aplicação do DIREITO ADQUIRIDO.
● NORMA MAIS FAVORÁVEL: havendo várias normas a serem aplicadas 
numa escala de hierarquia, sempre deve ser observada a mais favorável ao 
trabalhador. 
Exemplificando: o regulamento da empresa prevê hora extra com adicional de 
70%, a Constituição Federal prevê que deve ser de no mínimo 50%; mesmo 
que na hierarquia o regulamento enquanto norma seja inferior à Constituição, 
deve ser aplicado, pois o benefício previsto é mais favorável ao trabalhador.
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CORROBORA COM ESTE PRINCÍPIO: 
SÚMULA 51 TST: “as cláusulas regulamentares, que revoguem 
ou alterem vantagens deferidas anteriormente, SÓ ATINGIRÃO 
OS TRABALHADORES ADMITIDOS APÓS A REVOGAÇÃO OU 
ALTERAÇÃO DO REGULAMENTO”.
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5.2 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE
Este princípio decorre do princípio da proteção, aplica-se somente ao empregado, e 
tem por premissa que o valor está posto para os fatos e não para os documentos.
A realidade é privilegiada, em detrimento do formalismo (contrato). Constando do contrato 
que o empregado labora das 8 às 18 horas com intervalo de duas horas para o almoço, e se 
na realidade ele labora das 8 às 18 horas, sem intervalo, este FATO REAL é o que deve ser 
reconhecido e aplicado, em uma demanda trabalhista.
5.3 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DA RELAÇÃO 
 DO EMPREGO
Existe uma presunção de que o contrato de trabalho seja por tempo indeterminado. 
Cabe ao empregador provar que a relação de emprego terminou, porque se entende que não 
seria lógico um empregado encerrar com tal relação, pois é do trabalho que este tira o sustento 
de sua família.
O emprego deve ser duradouro e é por esse motivo que, havendo dúvida se o contrato 
de trabalho foi firmado por prazo determinado ou indeterminado, deve-se entender que foi 
fixado por prazo indeterminado, favorecendo o empregado e eternizando a relação de emprego.
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A Súmula 212 do TST urge com este princípio quando relata 
que: “o ônus de provar o término do contrato de trabalho, 
quando negados a prestação do serviço e o despedimento, é 
do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de 
emprego constitui presunção favorável ao empregado”.
Antes da Constituição de 1988 existia a possibilidade de o empregado completar dez 
anos de trabalho numa empresa e adquirir estabilidade (não podendo ser demitido sem justa 
causa). 
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5.4 PRINCÍPIO DA IRRENUNCIABILIDADE OU 
 INALTERABILIDADE CONTRATUAL IN PEJUS
Este princípio também é conhecido como o Princípio da Indisponibilidade dos Direitos. 
A regra é de que o empregado não pode renunciar aos direitos adquiridos ao longo da 
vida laboral.
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É claro o Art. 9º da CLT: Serão nulos de pleno direito os atos 
praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a 
aplicação dos preceitos trabalhistas.
Mesmo que o empregado assine um aditivo ao contrato, renunciando ao direito às férias, 
ou horas extras, exemplificando, esta é uma alteração in pejus (para pior), não possuindo 
validade no ordenamento jurídico pátrio.
Eis que encerramos a contextualização dos princípios que emergem do Direito do 
Trabalho. Passaremos, sequencialmente, a localizá-los nas divisões que este possui enquanto 
Direito do Trabalho Individual e Direito do Trabalho Coletivo.
6 DIVISÃO DO DIREITO DO TRABALHO
6.1 DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO
De forma diversa do que aconteceu na Europa, onde primeiramente nasceu o Direito 
Coletivo do Trabalho em face das lutas das categorias, no Brasil, na observância de sua história 
apresentada anteriormente, o Direito Individual foi o que surgiu em um primeiro momento, ou 
seja, o Estado, que interviu originariamente, impôs a legislação como forma de regular a relação 
entre empregado e empregador.
Segundo Sérgio Pinto Martins (2008a, p. 77): “O Direito Individual do Trabalho é o 
segmento do Direito do Trabalho que estuda o contrato individual do trabalho e as regras legais 
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ou normativas a ele aplicáveis”.
O Direito Individual do Trabalho cuida dos interesses concretos do empregado e do 
empregador.
6.2 DIREITO COLETIVO DO TRABALHO
O Direito Coletivo do Trabalho se contrapõe ao Direito Individual do Trabalho, pois 
aquele se concentra em analisar as relações coletivas de trabalho que serão transformadas em 
regras coletivas de trabalho e, por conseguinte, serão aplicáveis aos contratos de trabalho. É 
um segmento do Direito do Trabalho que tratará das regras coletivas decorrentes dos contratos 
individuais de trabalho e dos oriundos dos sindicatos.
O Direito Coletivo do Trabalho surgiu após a Revolução Industrial (século XVIII), com 
o reconhecimento do direito dos trabalhadores se associarem.
Nos ensinamentos de Martins (2008a, p. 676): “Direito Coletivo do Trabalho é o segmento 
do Direito do Trabalho encarregado de tratar da organização sindical, da negociação coletiva, 
dos contratos coletivos, da representação dos trabalhadores e da greve”.
As figuras demonstram de forma lúdica a diferença encontrada na Divisão do Trabalho 
Individual e Coletivo, com a negociação entre empregado e empregador e a negociação coletiva 
na disposição de um grupo:
FIGURA 1 – DIREITO INDIVIDUAL E COLETIVO 
FONTE: Disponível em: <http://www.uniblog.com.br/img/posts/imagem29/294147.gif>. Acesso em: 
24 fev. 2009.
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Como todos os demais aspectos do Direito do Trabalho, o Direito Coletivo do Trabalho 
tem por objetivo tornar-se organismo que busca melhorias das condições e formas de trabalho 
do empregado.
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RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você viu que:
● O Direito do Trabalho surgiu para contrabalançar o conflito entre o capital e o trabalho, como 
fonte de equilíbrio entre os que detinham o poder e os hipossuficientes.
● Em período anterior à Revolução Industrial não podíamos falar em trabalho assalariado. 
Com o surgimento da indústria houve a necessidade de