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Ética Profissional: O que é e qual a sua importância (Guia Completo) A ética profissional é um dos critérios mais valorizados no mercado de trabalho. Ter uma boa conduta no ambiente de trabalho pode ser o passaporte para uma carreira de sucesso. Mas afinal, o que define uma boa ética profissional e qual sua importância? Acompanhe! A vida em sociedade, que preza e respeita o bem-estar do outro, requer alguns comportamentos que estão associados à conduta ética de cada indivíduo. A ética profissional é composta pelos padrões e valores da sociedade e do ambiente de trabalhoque a pessoa convive. No meio corporativo, a ética profissional traz maior produtividade e integração dos colaboradores e, para o profissional, ela agrega credibilidade, confiança e respeito ao trabalho. Contudo, há ainda muitas dúvidas acerca do que é ética, por isso, antes falar sobre ética profissional, é importante entender um pouco sobre o que é ética e qual a diferença entre ética e moral. Confira: O profissional ético é, naturalmente, admirado Tudo isso é muito importante, mas existe algo fundamental para colocar em prática: Você precisa de ter hábitos certos, que vão te colocar em ação. Pensando nisso, criamos um material que vai te ajudar a ser mais feliz e realizado através de hábitos de sucesso. Clique aqui para ter acesso ao material e participar de um encontro online, onde Villela da Matta vai te dar mais conhecimento sobre este tema. O que é ética? A palavra Ética é derivada do grego e apresenta uma transliteração de duas grafias distintas, êthos que significa “hábito”, “costumes” e ethos que significa “morada”, “abrigo protetor”. Dessa raiz semântica, podemos definir ética como uma estrutura global, que representa a casa, feita de paredes, vigas e alicerces que representam os costumes. Assim, se esses costumes se perderem, a estrutura enfraquece e a casa é destruída. Em uma visão mais abrangente e contemporânea, podemos definir ética como um conjunto de valores e princípios que orientam o comportamento de um indivíduo dentro da sociedade. A ética está relacionada ao caráter, uma conduta genuinamente humana e enraizada, que vêm de dentro para fora. Qual a diferença de ética e moral? Embora ética e moral sejam usados, muitas vezes, de maneira similar, ambas possuem significados distintos. A moral é regida por leis, regras, padrões e normas que são adquiridos por meio da educação, do âmbito social, familiar e cultural, ou seja, mas algo que vem de fora para dentro. Para o filósofo alemão Hegel, a moral apresenta duas vertentes, a moral subjetiva associada ao cumprimento de dever por vontade e a moral objetiva que é a obediência de leis e normas impostas pelo meio. No entanto, ética e moral caminham juntas, uma vez que a moral se submete a um valor ético. Desta forma, uma ética individual, quando enraizada na sociedade, passa a ser um valor social que é instituído como uma lei moral. A consequência de um comportamento antiético afronta os valores, caráter e o princípio de uma pessoa, enquanto a quebra de um valor moral é punida e justificada de acordo com a lei que rege o meio. Características fundamentais de uma conduta ética Alguns conceitos são fundamentais para constituir o comportamento ético. São eles: Altruísmo: a preocupação com os interesses do outro de uma forma espontânea e positivista. Moralidade: conjunto de valores que conduzem o comportamento, as escolhas, decisões e ações. Virtude: essa característica pode ser definida como a “excelência humana” ou aquilo que nos faz plenos e autênticos. Solidariedade: princípios que se aplicados às relações sociais e que orientam a vivência e convívio em harmonia do individuo com os demais. Consciência: capacidade ou percepção em distinguir o que é certo ou errado de acordo com as virtudes ou moralidade. Responsabilidade ética: consenso entre responsabilidade (assumir consequências dos atos praticados) pessoal e coletiva. O que é Ética Profissional? A ética profissional é o conjunto de valores, normas e condutas que conduzem e conscientizam as atitudes e o comportamento de um profissional na organização. Desta forma, a ética profissional é de interesse e importância da empresa e também do profissional que busca o desenvolvimento de sua carreira. Além da experiência e autonomia em sua área de atuação, o profissional que apresenta uma conduta ética conquista mais respeito, credibilidade, confiança e reconhecimento de seus superiores e de seus colegas de trabalho. A conduta ética também contribui para o andamento dos processos internos, aumento de produtividade, realização de metas e a melhora dos relacionamentos interpessoais e do clima organizacional. Quando profissionais e empresa prezam por valores e princípios éticos como gentileza, temperança, amizade e paciência, existem bons relacionamentos, mais autonomia, satisfação, proatividade e inovação. Para isso, é conveniente que a empresa tenha um código de conduta ética, para orientar o comportamento de seus colaboradores de acordo com as normas e postura da organização. O código de ética empresarial facilita a adaptação do colaborar e serve como um manual para boa convivência no ambiente de trabalho. Ética profissional e valor estratégico Em meio ao cenário caótico nacional, problemas políticos, desigualdade social, falta de infraestrutura para educação e saúde, a ética tornou-se um dos principais assuntos abordados em escolas, universidades, trabalho e até mesmo nas ruas. Com a população mais consciente das questões morais e da responsabilidade social com que as autoridades e as empresas devem prestar à sociedade e ao meio ambiente, houve um aumento da fiscalização e cobrança pelo comprometimento ético destes órgãos. Com isso, a ética ganhou um novo valor, o valor estratégico. As empresas se viram obrigadas a modificar seus conceitos, quebrar paradigmas e apresentar uma postura mais transparente, humana e coerente para não perder público. Neste contexto, a ética profissional que deveria ser uma virtude enraizada do individuo tornou-se parte da estratégia organizacional e, consequentemente, um diferencial competitivo no mercado de trabalho. No entanto, quando a empresa adota a ética profissional como uma estratégia de mercado, ela também contribui com desenvolvimento do profissional, que precisa melhoras suas habilidades com relacionamentos interpessoais e liderança. Um profissional com habilidades de liderança e relacionamento difunde valores éticos , preza pela harmonia no ambiente de trabalho e coloca em primeiro lugar o respeito às pessoas e o comprometimento com o trabalho. Benefícios da ética no trabalho O profissional ético é, naturalmente, admirado, pois o respeito pelos colegas e pelos clientes é o que dá destaque a esse colaborador. A ética seria uma espécie de filtro que não permite a passagem da fofoca, da mentira, do desejo de prejudicar um colaborador, entre outros aspectos negativos. E é necessário ressaltar que os líderes são profissionais éticos, ou devem ser, para desenvolver as competências do cargo com êxito. Os que optam pela ética preferem oferecer feedbacks, em vez de deixar o ambiente de trabalho desarmônico, e são honestos quanto às próprias condições, ou seja: não inventam mentiras para se ausentar das falhas. Cultivar a ética profissional no ambiente de trabalho traz benefícios e vantagens a todos, uma vez que ela proporciona crescimento à empresa e a todos os envolvidos. Com uma conduta ética bem estruturada é possível contribuir para a melhora do clima organizacional, do trabalho em equipe e respeito mútuo entre todos colaboradores. E com um ambiente de trabalho mais prazeroso e amistoso é possível ter profissionais mais engajados, motivados e satisfeitos. Como está a sua relação com a ética no trabalho? Alguns eventos corriqueiros podem levar à reflexão de como lidamos com a ética profissional em nosso dia a dia no trabalho. O famoso “jeitinho brasileiro”, enraizado em nossa cultura, faz com que, muitas vezes, improvisemos soluções antiéticaspara situações difíceis ou proibidas. Por exemplo, surgiu a oportunidade de uma viagem no fim de semana, mas, infelizmente, para aproveitar os dias fora da cidade, será preciso viajar na sexta-feira. O profissional ético, que se sente responsável pelo desenvolvimento do seu trabalho, não usará o jeitinho brasileiro e inventar casos: ida ao médico, visita a alguém doente, etc. Ele tentará negociar com o chefe a reposição de horas ou a possibilidade de fazer home office durante a viagem. Porque ele reconhece o trabalho como um compromisso e sabe que deve encontrar uma alternativa honesta para os imprevistos, quando necessário. Outra situação que evidencia a falta de ética pode ocorrer na relação com o cliente. Para não perdê-lo, muitas vezes, o funcionário promete soluções que não existem e que não podem ser desenvolvidas no tempo necessário. Caso isso ocorra, a parceria estará, em breve, desgastada. O profissional ético não oferece o que não é possível entregar e procura reverter as deficiências afirmando que tentará encontrar alternativas rápidas. Por isso, é muito importante refletir sempre sobre o que faríamos em um tipo de situação como as que citamos, pois nunca se sabe quando acontecerá com a gente. Por mais simples que possa parecer essas são condutas desonestas e podem arranham a ética e a imagem de um profissional. 10 dicas para construção de uma postura ética no trabalho Os colaboradores que conseguem construir relações de qualidade entre os colegas e conquistar a confiança dos líderes, com uma postura de trabalho adequada e resultados concretos, são os que obtêm maior sucesso no desenvolvimento de suas carreiras. Você precisa entender e respeitar os limites de sua função, zelar pelos instrumentos de trabalho e o patrimônio da organização e contribuir para o bom rendimento de sua equipe. Essas são condições básicas para a construção de uma postura ética no trabalho. Conheça ainda outros fatores importantes que auxiliam neste processo: 1. Seja honesto! Fale sempre a verdade e assuma a responsabilidade sobre seus erros. É muito melhor aprender com os erros do que procurar um culpado para suas falhas. A honestidade é uma das principais características de um profissional ético ela é prova de credibilidade e confiança. Seja sempre sincero consigo mesmo, com os seus princípios, com as normas das empresas e com os outros. 2. Respeito o sigilo Algumas empresas trabalham com informações extremamente sigilosas. Geralmente, essas condições são expostas ao profissional dentro do contrato de trabalho. Por isso, manter o sigilo, além de ser uma atitude ética e profissional, pode ser importante para preservar o emprego. Respeite esta condição, mantendo o sigilo! 3. Tenha comprometimento Responsabilidade e comprometimento é o mínimo que se espera de um profissional. Se fazer o seu trabalho parece uma obrigação, reavalie sua carreira e os seus propósitos, pois algo está errado. Um profissional com ética tem engajamento com a empresa e cumpre sua função com empenho e consciência, sempre visando o melhor resultado para a organização, conseqüentemente, isso agregará valor a sua carreira. 4. Seja prudente! Aprenda a diferenciar as relações pessoais dos profissionais, não deixe inimizades e antipatia atrapalharem o seu desempenho ou que isso interfira de forma negativa no trabalho de seus colegas e nos resultados da empresa. Considere sempre como prioridade a realização do seu trabalho. Respeite a hierarquia da sua empresa, seja você um líder ou um colaborador. Seja profissional! 5. Tenha humildade Independente de hierarquia, dos conhecimentos e habilidades, entenda que ninguém é melhor que ninguém. Humildade e flexibilidade são um dos pré-requisitos para o trabalho em equipe. Tenha humildade, respeite seus colegas, seja cordial e não faça julgamentos. Contribua para um bom convívio e bons relacionamentos no ambiente de trabalho. 6. Não prometa aquilo que não possa cumprir Não prometa aquilo que não pode entregar ou um prazo que não pode cumprir, ou pior ainda, jogar a responsabilidade em cima de outras pessoas. Com comprometimento e honestidade é possível alinhar entregas e prazos justos sem comprometer a credibilidade e a ética profissional. 7. Saiba fazer e receber críticas Embora as críticas nos ajudem a crescer, muitas pessoas não sabem fazer ou interpretá-las de forma construtiva. Por isso, caso precise dar um feedback a alguém, nunca faça isso por impulso, reflita a melhor forma de dizer e como orientar a melhora. E se receber uma crítica, não leve para o lado pessoal, entenda que isso pode ser usado para o seu desenvolvimento. 8. Reconheça o mérito alheio Elogios sinceros podem e devem ser usados em um ambiente de trabalho, mas, se estiverem dentro do contexto profissional. Não precisa parecer um bajulador elogiando o chefe. Elogie as atitudes assertivas, aquilo que realmente contribui com os resultados da empresa ou da equipe. Saiba reconhecer o empenho de seus colegas, dê a eles os méritos merecidos e não espere recompensa em troca. 9. Respeite a privacidade Nunca mexa no material de trabalho, documentos ou gaveta de um colega de trabalho, exceto, se lhe for solicitado e ainda assim se for algo que vá contribuir com o bem e o trabalho de todos. Da mesma forma que você não gostaria que mexesse em suas coisas, com certeza seu colega não gostará de saber que teve a privacidade desrespeitada. 10. Evite fofoca Fique longe de fofocas, comentários ofensivos e pessoas que gostam de julgar e criticar os colegas. Algumas “brincadeirinhas” por mais que pareçam inofensivas, magoam e prejudicam as pessoas. Caso tenha algum problema com alguém, chame-a para conversar e esclareça aquilo que está o incomodando. Se cometer algum erro, reconheça e peça desculpas, essa é a melhor forma de evitar desentendimentos e conservar a atmosfera positiva no trabalho. Ética Profissional e Coaching O processo de coaching traz à tona os reais valores, princípios e a missão de uma pessoa e, por meio do autoconhecimento, é possível enxergar os pontos que confrontam os propósitos e que causam insatisfação. Assim, quando um profissional se vê desalinhado com os objetivos da empresa ou os rumos em que sua carreira está tomando, provavelmente, há um desajuste de valores. O mesmo serve para a vida pessoal, relacionamentos, etc. Por isso, os princípios que norteiam um processo de coaching são totalmente embasados pela ética, que começa desde a relação de coach (profissional) e coachee (cliente), pois se não houver credibilidade e confiança entre ambos, não há resultados. Responsabilidade, comprometimento e empatia são essenciais entre coach e coachee, que estabelecem um compromisso ético bilateral para atingir metas e objetivos. Confira as 7 regras de ouro do código de ética e conduta do coach Todo processo de coaching exige ética, profissionalismo e discrição, para atuar todo coach deve atender essas premissas: Aplicar o coaching com ética, integridade e honestidade. Zelar pela credibilidade do coaching. Sempre oferecer sigilo ao cliente e ater-se ao princípio do não julgamento. Investir no autodesenvolvimento para buscar a excelência. Manter uma conduta ética tanto na vida pessoal quanto profissional. Formar uma parceria de resultados com o cliente. Contribuir para a melhoria de indivíduos, times e empresas Conheça o código de ética profissional e conduta do coach Ciente de sua responsabilidade como instituição pioneira na formação de coaches no Brasil, a Sociedade Brasileira de Coaching® elaborou o Código de Ética e Conduta do Coach com os seguintes objetivos: Orientar a conduta e as relações profissionais do coach e contribuir para a boa prática do coaching. Informar os clientes quanto aos critérios éticos que eles devem buscar ao contratar um coach. Disseminar e reforçar a confiabilidade, a credibilidade e a aceitação do coaching junto à sociedade e ao público em geral. Estabelecer e unificar as normas referentes ao exercício responsávele digno da profissão. Quer saber mais sobre ética profissional e coaching assine nossa newsletter e receba conteúdos exclusivos toda semana. Não deixe de conferir também outros conteúdos do nosso blog para aprender cada vez mais sobre como alavancar sua carreira e conquistar todos os seus objetivos. Bibliografia : www.sbcoaching.com.br/blog/carreira/etica-profissional-importancia/ O que é Responsabilidade Social? A responsabilidade social é quando empresas, de forma voluntária, adotam posturas, comportamentos e ações que promovam o bem-estar dos seus públicos interno e externo. É uma prática voluntária pois não deve ser confundida exclusivamente por ações compulsórias impostas pelo governo ou por quaisquer incentivos externos (como fiscais, por exemplo). O conceito, nessa visão, envolve o beneficio da coletividade, seja ela relativa ao público interno (funcionários, acionistas, etc) ou atores externos (comunidade, parceiros, meio ambiente, etc.). Com o passar do tempo, tal concepção originou algumas variantes ou nuances. Assim, conceitos novos – muitas vezes complementares, distintos ou redundantes – são usados para definir responsabilidade social, entre eles Responsabilidade Social Corporativa (RSC), Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e Responsabilidade Social Ambiental (RSA). A chamada RSC é, na maioria dos casos, conceito usado na literatura especializada sobretudo para empresas, principalmente de grande porte, com preocupações sociais voltadas ao seu ambiente de negócios ou ao seu quadro de funcionários. O conceito de RSE, ainda que muitos vejam como sinônimo de RSC, tende a envolver um espectro mais amplo de beneficiários (stakeholders), envolvendo aí a qualidade de vida e bem estar do público interno da empresa, mas também a redução de impactos negativos de sua atividade na comunidade e meio ambiente. Na maioria das vezes tais ações são acompanhadas pela adoção de uma mudança comportamental e de gestão que envolve maior transparência, ética e valores na relação com seus parceiros. Fábio Eon, co-fundador da ResponsabilidadeSocial.com, explica o que é responsabilidade social. Por fim, o conceito de Responsabilidade Social Ambiental (RSA), talvez mais atual e abrangente, ilustra não apenas o compromisso de empresas com pessoas e valores humanos, mas também preocupações genuínas com o meio ambiente. Independentemente de que linha ou conceituação utilizar, fica evidente que empresas variam bastante – o que muitas vezes é natural e reflete sua vocação como negócio – na prioridade a ser dada a questões socioambientais, às vezes focando em certos públicos em detrimento de outras ações sociais igualmente relevantes. Críticas em relação ao papel das empresas na responsabilidade social É importante frisar que o conceito não deve ser confundido com filantropia ou simples assistência social. Aqui, na lógica do “é melhor ensinar a pescar, do que dar o peixe”, entende-se responsabilidade social como um processo contínuo e de melhoria da empresa na sua relação com seus funcionários, comunidades e parceiros. Não há viés assistencialista uma vez que há uma lógica embutida de desenvolvimento sustentável e crescimento responsável. A maior parte das empresas que adotam postura socialmente responsáveis auferem um crescimento mais sustentável, ganhos de imagem e visibilidade e são menos propícias a litígios ou problemas judiciais.Parte superior do formulário Parte inferior do formulário Apesar disso, não são poucos os críticos ou céticos desse movimento, que ganhou força principalmente nos anos 70 e 80 após uma série de escândalos de imagem e uma sucessão de problemas corporativos num ambiente de capitalismo predatório e desumanizado. Um dos maiores críticos a esse engajamento crescente das empresas em causas sociais foi o economista Milton Friedman o qual sempre defendeu que o propósito de qualquer empresa é a “maximização do lucro” e geração de empregos, não devendo portanto substituir atribuições do Estado. Se é bem verdade que o conceito foi excessivamente explorado em campanhas publicitárias ou em projetos de questionável impacto social, é fato que as empresas ainda necessitam aprimorar sua relação com a sociedade de maneira a promover um desenvolvimento baseado na ideia do “triple bottom line”, ou seja, calcado em um tripé que envolve o meio ambiente, a economia e o social. Fábio Eon, co-fundador da ResponsabilidadeSocial.com, explica a diferença entre filantropia e responsabilidade social. Certificações socioambientais No intuito de estimular a responsabilidade social empresarial, uma série de instrumentos de certificação foram criadas nos últimos anos. O apelo relacionado a esses selos ou certificados é de fácil compreensão. Num mundo cada vez mais competitivo, empresas vêm vantagens comparativas em adquirir certificações que atestem sua boa prática empresarial. A pressão por produtos e serviços socialmente corretos faz com que empresas adotem processos de reformulação interna para se adequarem às normas impostas pelas entidades certificadoras. Entre algumas das certificações mais cobiçadas atualmente enumeramos as seguintes: Selo Empresa Amiga da Criança: Selo criado pela Fundação Abrinq para empresas que não utilizem mão-de-obra infantil e contribuam para a melhoria das condições de vida de crianças e adolescentes. ISO 14000: O ISO 14000 é apenas mais uma das certificações criadas pela International Organization for Standardization (ISO). O ISO 14000, parente do ISO 9000, dá destaque às ações ambientais da empresa merecedora da certificação. AA1000: O AA1000 foi criada em 1996 pelo Institute of Social and Ethical Accountability. Esta certificação de cunho social enfoca principalmente a relação da empresa com seus diversos parceiros, ou “stakeholders”. Uma de suas principais características é o caráter evolutivo já que é uma avaliação regular (anual). SA8000: A “Social Accountability 8000” é uma das normas internacionais mais conhecidas. Criada em 1997 pelo Council on Economic Priorities Accreditation Agency (CEPAA), o SA8000 enfoca, primordialmente, relações trabalhistas e visa assegurar que não existam ações antissociais ao longo da cadeia produtiva, como trabalho infantil, trabalho escravo ou discriminação. ABNT-ISO 26000: No dia 1º de novembro de 2010, foi publicada a Norma Internacional ISO 26000 – Diretrizes sobre Responsabilidade Social, cujo lançamento foi em Genebra, Suíça. No Brasil, no dia 8 de dezembro de 2010, a versão em português da norma, a ABNT NBR ISO 26000, foi lançada em São Paulo. A norma é de grande utilidade a empresas interessadas em adotar programas de RSE uma vez que oferece orientações relacionadas a sete princípios norteadores de responsabilidade social: “Accountability”: Ato de responsabilizar-se pelas consequências de suas ações e decisões, respondendo pelos seus impactos na sociedade, na economia e no meio ambiente, prestando contas aos órgãos de governança e demais partes interessadas declarando os seus erros e as medidas cabíveis para remediá-los. Transparência: Fornecer às partes interessadas de forma acessível, clara, compreensível e em prazos adequados todas as informações sobre os fatos que possam afetá-las. Comportamento ético: Agir de modo aceito como correto pela sociedade – com base nos valores da honestidade, equidade e integridade, perante as pessoas e a natureza – e de forma consistente com as normas internacionais de comportamento. Respeito pelos interesses das partes interessadas (stakeholders): Ouvir, considerar e responder aos interesses das pessoas ou grupos que tenham um interesses nas atividades da organização ou por ela possam ser afetados. Respeito pelo Estado de Direito: O ponto de partida mínimo da responsabilidade social é cumprir integralmente as leis do local onde está operando. Respeito pelas Normas Internacionais de Comportamento: Adotar prescrições de tratados e acordos internacionais favoráveis à responsabilidade social, mesmo que não que não haja obrigação legal. Direito aos humanos: Reconhecera importância e a universalidade dos direitos humanos, cuidando para que as atividades da organização não os agridam direta ou indiretamente, zelando pelo ambiente econômico, social e natural que requerem. Bibliografia : http://www.responsabilidadesocial.com/o-que-e-responsabilidade-social/ O que é sustentabilidade ambiental ? O termo sustentabilidade consiste em possuir a característica de ser sustentável, que se pode conservar, ou seja, é quando existe a possibilidade de se beneficiar dos atributos de algo e mesmo assim mantê-lo. Por sua vez, o termo sustentabilidade ambiental define o modo como o homem age na utilização dos bens naturais e providencia soluções para as necessidades de si próprio e dos outros, de forma que não agrida o meio natural e garanta a utilização do mesmo em gerações futuras. A sustentabilidade ambiental está muito ligada ao termo desenvolvimento sustentável, que visa à utilização dos produtos do meio ambiente sem destruí-los ou extingui-los, garantindo, simultaneamente, o desenvolvimento financeiro, tecnológico, industrial, etc. Nós, humanos, somos dependentes do meio natural desde a nossa origem, portanto, de lá pra cá provocamos alterações imensuráveis no ambiente e, por sermos dependentes dele, essas alterações, de alguma forma, sempre nos atingem. Infelizmente, pela falta de conscientização da grande maioria da população (local ou mundial), temos alterado o ambiente em proporções cada vez maiores e, graças à conscientização de uma pequena minoria, várias discussões dentro do meio político e de fóruns ambientalistas têm sido focadas na sustentabilidade. Desse modo, muitos empresários, acionistas, políticos e civis sem nenhum atributo político têm se ajustado a essa visão, buscando a utilização de energias renováveis, poluindo menos, reciclando e mantendo o ambiente disponível a todos. * Benefícios da sustentabilidade ambiental: O objetivo da sustentabilidade é garantir benefícios às pessoas e ao meio ambiente. Entretanto, as ações sustentáveis beneficiam primeiramente o meio, sendo que o benefício obtido por nós é apenas uma consequência disso. Os resultados das atitudes sustentáveis são obtidos a médio e longo prazo, mas promovem ao ambiente a garantia do seu desenvolvimento contínuo, bem como a toda e qualquer forma de vida, incluindo a nossa. Além disso, as atitudes sustentáveis asseguram a permanência e disponibilidade dos recursos naturais existentes ao próprio meio, a nós e a nossas gerações futuras. Atitudes sustentáveis também evitam catástrofes, como extinções de espécies animais e vegetais, erosões do solo, assoreamento de rios, aquecimento global, etc. Em segundo plano, como consequência de atitudes sustentáveis, nesse caso, por organizações, temos: – A cooperação com a melhoria e execução dos princípios governamentais, já que serão adotadas boas práticas para manter o meio. – Uma melhora da reputação e da popularidade da empresa aos olhos de outras organizações e do consumidor, pois empresas que têm atitudes sustentáveis são bem vistas quando possuem responsabilidade ambiental e social, reforçando, assim, a valorização da sua imagem. – A promoção da confiança entre as partes interessadas (ou stakeholders), pois com a transparência e comunicação das suas estratégias sustentáveis, a empresa comprova um desenvolvimento sustentável para todos os envolvidos. – Um aumento nos lucros, um impacto positivo na sociedade e bons efeitos energéticos e ambientais, pois empresas que possuem atitudes sustentáveis são mais valorizadas por acionistas, bem vistas pelos seus funcionários e evolução ambiental e empresarial conjunta. – Uma gerência otimizada quanto aos riscos de atividades e negociações, pois a análise dos riscos que a empresa pode ter permite a mitigação dos mesmos. – Uma avaliação mais aprofundada quanto ao desempenho da empresa em questões ambientais, gerando assim, iniciativas que adotem melhorias tecnológicas que reduzam as agressões ao ambiente e simultaneamente, melhoras organizacionais quanto à criação de cronogramas e implementação das atividades. * Como ter uma atitude sustentável? Para ter atitudes sustentáveis é necessário que haja utilização sábia e consciente dos recursos que o ambiente proporciona, responsabilizando-se pela longevidade dos mesmos. Sendo assim, ter uma atitude sustentável é utilizar-se dos benefícios que a natureza oferece, mantendo condições viáveis para a existência de vida (humana, animal ou vegetal) com qualidade e de renovação dos recursos que ela disponibiliza. Sendo assim, atitudes sustentáveis podem ser: – A utilização consciente e controlada dos recursos florestais, conhecendo a importância de plantar na mesma dimensão que se desmata; – A preservação e conservação de áreas arbóreas, que não são designadas para o uso exploratório; – O incentivo ao cultivo de produtos orgânicos que não prejudicam a natureza e beneficiam a nossa saúde; – A utilização planejada, consciente e controlada das fontes minerais de carvão, petróleo e outros minérios; – A preferência e conscientização da importância de bioenergias, que são renováveis e não poluem o ambiente, evitando a utilização de combustíveis fósseis; – A gestão de resíduos, utilizando-se dos benefícios da reciclagem e da produção de adubos, já que diminuem a proporção de lixo e promovem a reutilização dos nutrientes do solo; – A gestão corporativa de forma sustentável, reduzindo a quantidade de lixo e agressões ao meio, optando por tecnologias que reduzam os poluentes emitidos ao ambiente e que despendem de menos energia para funcionar, e utilizando a matéria-prima de forma regrada e consciente; – O controle do consumo diário de água, que por sua vez é um recurso natural não renovável, ligado diretamente ao descarte incorreto do lixo, que polui e contamina fontes de água potável e a torna imprópria para o consumo. * A importância da Educação Ambiental na sustentabilidade: A educação ambiental visa conscientizar as pessoas sobre a necessidade de cuidar do ambiente e de utilizar seus recursos de forma regrada. Entretanto, com o avanço da industrialização e o consumismo desenfreado, a importância da educação ambiental acabou sendo esquecida e desvalorizada por muitos. É importante frisar que essa educação não deve ser promovida apenas na escola, mas dentro de casa, pois ainda que o professor diga que não é “bonito” jogar lixo na rua, se os pais de uma criança a deixam jogá-lo em qualquer lugar, de nada servirá a educação recebida dentro da sala de aula. A educação recebida na escola forma o aluno como “ser” humano e o capacita para o exercício de uma profissão, entretanto, essas coisas também são aprendidas dentro de casa pela família ou pela mídia. Dessa forma, conclui-se que é necessário que a mídia, pais e professores tenham consciência da seriedade e importância da divulgação e ensino da educação ambiental aos cidadãos, principalmente os pequenos cidadãos (crianças), pois é quando nossos princípios e valores começam a se desenvolver, assim poderão crescer compromissados com a sustentabilidade ambiental. * Sustentabilidade ambiental e a sociedade: Existe um conceito dentro da Ecologia que é chamado Ecologia da Restauração, que estuda maneiras de se obter estágios equilibrados do meio ambiente, conhecidos como clímax. Esse estudo afirma que ao interromper o um uso indesejável da terra, ela mesma se regenera após um período, seguindo o curso da sucessão natural, sem que seja necessária a intervenção de ecólogos ou gestores ambientais para o seu desenvolvimento. Visto isso, temos um trabalho enorme facilitado pela própria natureza, basta que nós digamos “basta”. A sociedade deve buscar continuamente viver em sustentabilidade, usufruindo do ambiente sem prejudicá-lo, pois já existem diversas formas de mantê-lo, através da utilização de produtos biodegradáveis (ex: copos feitos de mandioca) e da reciclagem, por exemplo. Fica sob responsabilidade somente da sociedade a utilização desses recursos e expansão da ideia de um ambiente sustentável.Existem muitas formas de ter atitudes sustentáveis, entretanto, a conscientização de todos é necessária para manter o ambiente saudável e disponível para nossos filhos e netos. Apesar da dificuldade, não espere pelo outro, faça sua parte. Bibliografia : www.casadaconsultoria.com.br/o-que-e-sustentabilidade-ambiental/ Diversidade sexual, gênero e inclusão escolar Beatriz Rodrigues Pedagoga, especialista em Gênero e Diversidade na escola pela FAFICH/UFMG Especialista em Educação Especial pela FABIBRA. Supervisora Pedagógica pela Prefeitura Municipal de Contagem Professora de Apoio (AEE) na Escola Estadual Sarah Kubitschek – Ipiranga, BH/MG. DIVERSIDADE SEXUAL, GÊNERO E INCLUSÃO ESCOLAR Diversidad sexual, género e inclusión escolar Beatriz Rodrigues Pedagoga, especialista em Gênero e Diversidade na escola pela FAFICH/UFMG Especialista em Educação Especial pela Fabibra Supervisora Pedagógica pela Prefeitura Municipal de Contagem/MG Professora de Apoio (AEE) na Escola Estadual Sarah Kubitschek , BH/MG rodriguesbeatriz2016@gmail.com Resumo: Este estudo propõe uma reflexão a respeito da inclusão na perspectiva da diversidade sexual, sexualidade e relações de gênero. A metodologia utilizada foi pesquisa bibliográfica, através de livros e publicações científicas disponíveis em bases de dados on-line. O estudo permitiu a compreensão de que tanto a sexualidade quanto as relações de gênero foram, ao longo do tempo, construídas socialmente e serviram como instrumento de poder e exclusão social. Em um contexto em que a inclusão é a palavra de ordem, torna-se oportuno também propor discussões, de modo a desmistificar as concepções a respeito de lugar de mulher e lugar de homem na sociedade. Conclui-se que, no contexto escolar, faz-se necessário um trabalho que coloque a diversidade como palavra-chave e que, dentro de uma perspectiva de educação inclusiva, a escola não (mais) estabeleça padrões de comportamento ou modos de vivenciar a sexualidade. Quando se puder compreender que a escola é composta pela diversidade, a palavra inclusão não será mais necessária. Palavras-chave: Relações de Gênero. Diversidade Sexual. Sexualidade. Inclusão. Introdução A sociedade brasileira tem um histórico de desigualdade social cujo padrão de desenvolvimento excludente é notório. Antes do século XX, as políticas de desenvolvimento social brasileiras, inclusive as referentes ao campo da educação, estavam direcionadas ao desenvolvimento das cidades, cuja matriz cultural era voltada às questões políticas e econômicas, gerando, portanto, a marginalização de grupos específicos que não se enquadravam nos padrões culturais da época. Dessa forma, as discriminações em relação à raça, à etnia, a gênero, à orientação sexual, entre outras tantas manifestações de ser e estar no mundo, tornam-se ferramentas de poder que colocam à margem e negam aos indivíduos o direito de cidadania. Sabe-se que a escola, enquanto instituição responsável pela transmissão do patrimônio cultural da humanidade, possui um papel relevante na socialização dos saberes e das práticas relacionadas à diversidade. No entanto, no contexto educacional, temas como sexualidade, diversidade e relações de gênero ainda são regulados por preceitos morais e, portanto, mantidos sob uma ótica sexista e heteronormativa, em que prevalece o caráter biológico aos aspectos sociais e culturais, que tanto influenciaram as relações de gênero. É nesse sentido que o problema da pesquisa se apresenta com a seguinte indagação: qual a importância de discutir as relações de gênero e diversidade sexual nas escolas? Para responder à pergunta norteadora, o objetivo geral deste trabalho foi investigar, na literatura, como são tratadas historicamente as questões de gênero e diversidade sexual, bem como estas questões no contexto escolar. A relevância deste trabalho se justifica por considerar que, nas escolas, são atribuídos padrões comportamentais de meninos e meninas de forma homogênea, e quando um menino ou menina não segue os padrões estabelecidos, esses indivíduos são colocados à margem por não atender a um modelo social esperado (LOURO, 2013). Para realização deste trabalho, como metodologia, foi feita uma pesquisa bibliográfica por considerá-la instrumento que possibilita a avaliação do conhecimento produzido em pesquisas prévias e permite destacar conceitos, procedimentos, resultados e discussões relevantes para o trabalho em elaboração. Enfim, segundo Gil (2002), esse tipo de pesquisa permite a cobertura de uma gama de fenômenos mais ampla do que aquela que poderia ser investigada diretamente. Com base nesse entendimento de revisão de literatura, buscou-se realizar pesquisa em livros e em publicações científicas disponíveis em bases de dados on-line, entre elas LILACS e SciELO, cujas palavras-chave “relações de gênero”, “sexualidade”, “educação” e “inclusão” permitiram a seleção de uma gama de materiais que foram lidos, analisados e categorizados de acordo com o objetivo do trabalho. Sexualidade, gênero e diversidade Conceituar sexualidade consiste em uma tarefa bastante complexa, sobretudo pelo fato de ser frequentemente reduzida à genitalidade e reprodução. Um conceito bem interessante é apresentado por Paulo Bearzoti: Sexualidade é energia vital instintiva direcionada para o prazer, passível de variações quantitativas e qualitativas, vinculada à homeostase, à afetividade, às relações sociais, às fases do desenvolvimento da libido infantil, ao erotismo, à genitalidade, à relação sexual, à procriação e à sublimação (BEARZOTI, 1994, p. 5). Bearzoti (1994), ao descrever a sexualidade como energia vital com variações qualitativas e quantitativas que se vincula também com as relações sociais, lança mão do fenômeno utilitarista comumente buscado para descrever a sexualidade. E quando diz sobre o erotismo e a sublimação, a coloca como algo instável, flexível e, portanto, passível de mudança. Pode-se dizer que sexualidade é uma condição humana, mas que também se constrói socialmente e tem, portanto, caráter histórico. A literatura aponta que ela está presente na vida do indivíduo desde o nascimento e vai sendo constituída pelos processos culturais, sofrendo, portanto, transformações de acordo com os padrões de cada época (MOIZÉS; BUENO, 2012; RIBEIRO; SOUZA, 2008). A trajetória da civilização e os modos de compreender a alternância de papéis sociais conduzem a sociedade a determinada visão a respeito das formas de enxergar e vivenciar a sexualidade. Tanto na Grécia como em Roma havia uma repressão sobre a sexualidade feminina. Aos homens eram permitidas experiências hedonistas, cujo prazer era buscado fora de seus lares entre prostitutas ou em práticas homossexuais, enquanto as mulheres/ esposas ficavam em casa, quase que como prisioneiras dos afazeres domésticos e cuidados com os filhos (NUNES, 1987). Ao recorrer a essa trajetória histórica, verifica-se que, enquanto o machismo reinava de forma impune, a condição feminina ia sendo cada vez mais estigmatizada. No início do século XIX, teorias médicas começam a ser desenvolvidas e categorizar as condutas sexuais como normais ou patológicas. Tem início uma narrativa do que é biologicamente permitido ou não. Nessa época, tanto o sexo quanto as práticas sexuais eram considerados instrumentos cujos saberes e cujas relações de poder atuavam sobre os corpos de forma a produzir normas e modos de viver a sexualidade. Dessa forma, a sexualidade foi se constituindo como dispositivo de separação entre práticas sexuais educadas (heterossexuais, monogâmicas, reprodutivas) e normatizadas e aquelas que não se encaixavam nos padrões estabelecidos, que recebiam nomenclaturas médicas e terapêuticas (histeria, homossexualismo, onanista, etc.) e eram colocadas à margem da sociedade. Foi nesse contexto que surgiu a medida de separação entre o normal e o anormal (FOUCAULT, 1994). Atualmente, gays, lésbicas, transexuais, bissexuais, enfim, indivíduos que historicamente foram colocados à margem da sociedadevem reivindicando direitos de cidadania e práticas sociais que os contemplem como cidadãos. No tocante ao gênero, estudos sobre masculinidade e feminilidade buscam desmistificar o essencialismo biológico, principalmente em relação à compreensão do processo cultural e histórico que situa o indivíduo enquanto homem ou mulher. É dessa forma que o conceito de gênero se torna um instrumento político e analítico que vem recusar as explicações para as desigualdades entre homens e mulheres ancoradas nas diferenças biológicas (MADUREIRA; BRANCO, 2012). Gênero pode ser entendido neste estudo como um princípio de relações que, apesar de abranger o sexo e a sexualidade, não são os determinantes, ou seja, a palavra gênero afasta a ideia de determinismo biológico, que designa atributos de masculino e feminino (OLIVEIRA; KNÖNER, 2005). Louro (2000, p. 21) é bem clara quando diz que: “Para que se compreenda o lugar e as relações de homens e mulheres numa sociedade, importa observar não exatamente seus sexos, mas sim tudo o que socialmente se construiu sobre os sexos”. São várias as instâncias sociais que, por meio de estratégias sutis, refinadas e naturalizadas, vão moldando os modos de viver em sociedade. As instituições escolares, estruturadas em julgamentos construídos a partir de valores pré-estabelecidos, vão desvalorizando a figura do outro, daquele que é diferente, que não foi moldado. Então, os indivíduos que não estão adequados ao padrão de normatividade e não seguem a lógica sexo/gênero/sexualidade são colocados à margem também na escola, cujo currículo não os contempla ou não tem a intenção de contemplá-los; ainda que estes sujeitos marginalizados sejam necessários para circunscrever os contornos dos considerados “normais” (LOURO, 2013). A inclusão escolar na perspectiva da sexualidade e das relações de gênero Sabe-se que, por muito tempo, os indivíduos com características diferentes do padrão estabelecido socialmente eram considerados excepcionais e, portanto, incapazes de se escolarizar. Foi a partir da década de 1960, embasados em aspectos morais, políticos e científicos, que os movimentos sociais começaram a conscientizar e sensibilizar toda a sociedade sobre a importância do combate à segregação e à marginalização dos indivíduos considerados “diferentes” (MENDES, 2006). Na década de 1990, importantes organizações e agências internacionais como a Unesco e as Nações Unidas introduzem políticas sociais favoráveis à implementação da inclusão. Em 1994, a Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: acesso e qualidade, promovida pela Unesco, dá origem à Declaração de Salamanca, documento que deixa claro que crianças com necessidades educativas especiais não são apenas as que têm deficiências, mas também as dotadas de altas habilidades, as que trabalham, as de minorias linguísticas, étnicas e culturais, enfim, as desfavorecidas ou marginalizadas socialmente. Ressalta-se que a Declaração utiliza o termo inclusão não apenas para se referir às crianças com deficiência, mas a todas as crianças e a todos os jovens e adultos que sofrem algum tipo de exclusão educacional, mesmo estando dentro da escola. Torna-se, portanto, relevante problematizar a diversidade sexual e as relações de gênero no contexto escolar. No contexto brasileiro, a busca pela eliminação das desigualdades na perspectiva do direito igualitário à educação está na Lei de Diretrizes e Bases, que, em seu artigo 3º, esclarece: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: […] IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (BRASIL, 1996). No campo da educação, cabe destacar também os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs (2001). Com a finalidade de dar norte aos currículos do ensino fundamental e médio no Brasil, eles possuem representação ímpar em relação à inclusão na perspectiva de gênero e sexualidade na educação, pois colocam a pluralidade cultural e a sexualidade como temas transversais, devendo ser trabalhados juntamente com todos os conteúdos curriculares. No contexto da atualidade, a questão da diversidade sexual e de gênero tem sido veiculada constantemente. Nesse sentido, não há como a escola não debater um tema que tem sido trazido pelos próprios alunos. Porém, ao considerar que no espaço escolar não se aprende e compartilha apenas conteúdos e saberes escolares, sendo, também, um lugar de construção de valores, crenças, hábitos e preconceitos, sua influência pode ser tanto negativa como positiva. Louro (2000), ao investigar o tratamento da instituição escolar em relação às questões de gênero e diversidade sexual, aponta que existe um ocultamento de determinados indivíduos, situação observada através do silenciamento da escola em relação aos sujeitos homossexuais. Esse silenciamento torna-se contraditório na medida em que evidencia a influência da escola no processo de construção das diferenças. A autora entende que o objetivo de tal silenciamento é suprimir esses indivíduos de forma que os(as) estudantes considerados(as) “normais” não os reconheçam e não possam aceitá-los(as). Enfim, é necessário pensar a heterossexualidade e a homossexualidade, bem como o lugar de mulher e de homem, como conceitos produzidos historicamente. Só assim será possível desconstruir as fronteiras rígidas entre as práticas sexuais e as relações de gênero. Nesse viés, entende-se que uma educação inclusiva seria aquela que busca desmistificar as desigualdades e combater a desvalorização que muitos estudantes sofrem em relação à sua forma de ser e estar no mundo. Considerações finais A partir dos autores mencionados neste trabalho, compreendeu-se que tanto a sexualidade como as relações de gênero são construídos socialmente e, portanto, merecem ser problematizados e questionados, principalmente quando alicerçados em um discurso biológico. O contexto escolar, enquanto instituição social, historicamente fez com que as identidades fossem marcadas como mais e menos importantes; e assim, os sujeitos foram sendo marcados pela diferença. Então, através de um currículo engessado na linguagem e nas formas de disciplinar os sujeitos, a escola foi perpetuando as diferenças e legitimando as desigualdades de forma que estabelecesse um nível hierárquico entre os sujeitos. No que se refere à sexualidade e às relações de gênero, a exclusão também foi marcante, na medida em que a regra era a heterossexualidade e o lugar de homem e o lugar de mulher foram delimitados. Surge então o paradigma da inclusão escolar com a perspectiva de incluir esses sujeitos até então marginalizados. Ou seja, a educação enquanto direito de todos deve privilegiar valores de convívio entre os sujeitos, independentemente das limitações ou especificidades de cada um. Sendo sua função acolher e garantir acesso e permanência de todos os indivíduos na escola. Quando se pensa na educação formal enquanto local de socialização do conhecimento e do preparo para a vida cidadã, há que se levar em consideração a influência de seu papel na vida dos educandos. Assim, a escola contemporânea deve ser um espaço que oportunize também compreender a história da sexualidade, os mecanismos de exclusão e de produção da norma sexual construídos ao longo do tempo e, assim, reconstruir o saber e as formas de ser, preservando e respeitando a individualidade e a diversidade entre os sujeitos. Urge, na escola, um trabalho que coloque a diversidade como palavra-chave. Se não houver padrão a seguir, não haverá discussões a respeito de igualdade e diferença. Todos deverão compor o guarda-chuva da diversidade. E assim, quem sabe, chegará o dia em que a palavra inclusão não será mais necessária. BRASIL. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Seção 1, p. 27833. ______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: pluralidade cultural e orientaçãosexual. 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Declaração de Salamanca sobre princípios, política e práticas na área das necessidades educativas especiais. 1998. Disponível em: <http://bit.ly/2p1ypE6>. Acesso em: 3 set. 2015. Diversidade Religiosa O divers As religiões constituem uma pedra angular da convivência social e de organização política. De entidades residuais, como foram consideradas durante a afirmação do secularismo, voltaram a ocupar o espaço público, levantando muitas questões novas. Hoje, as longas ondas da globalização vêm causando a miscigenação das culturas, impondo uma pluralidade de formas de fé. Falar da religião significa enfrentar a pluralidade de diferentes crenças, cada uma portadora de suas próprias histórias, tradições e identidades. O comentário é de Giovanni Santambrogio, publicado por Il Sole 24 Ore, 27-08-2017. A tradução é de Luisa Rabolini. A "diversidade religiosa" modela cada vez mais as relações e as dinâmicas do Ocidente. Não é coincidência que o termo "sociedade pós-secular" entra cada vez mais nas características da contemporaneidade, mas essa imagem ainda precisa ser aprofundada, descrita e ajustada. Uma confirmação de que o sagrado não é facilmente marginalizável, ou até mesmo suprimível, como o positivismo costumava acreditar. A emancipação, a racionalidade, a ciência não substituem a fé, mas se integram com ela, pois a demanda pela verdade, pelo absoluto e pelo eterno nunca morre e só se torna mais premente à medida que o homem progride. Roger Trigg, Diversità religiosa, Queriniana, Brescia, pp. 310, € 26 | Foto: Capa / Divulgação Um mundo plural por "diversidade religiosa" levanta questões teóricas sobre a natureza da fé individual e sobre a legitimidade da pretensão de verdade que cada religião avança em relação às outras; porém, insta também escolhas práticas a partir da convivência na mesma sociedade. Depois, há o grande tema de como o Estado deve tratar uma religião: que liberdades permitir, que limites impor. Dimensões filosóficas e políticas dessa complexa e multifacetada problemática são tratadas com clareza e profundidade por Roger Trigg, filósofo britânico, que leciona nos Estados Unidos na Universidade de Georgetown e está envolvido em um projeto sobre a liberdade religiosa no Berkeley Center. Se atualmente a atenção do Ocidente está focada no fanatismo religioso, com suas derivações fundamentalistas ou sobre as formas impróprias para fazer valer a própria pretensão de verdade, não podem ser negligenciadas ou tratadas sumariamente as questões colocadas pelas religiões. Trigg alerta principalmente contra um erro: classificar o fenômeno da "diversidade" como um mero "pluralismo religioso", no qual todos os credos são iguais, afirmando uma visão e uma interpretação relativista das realidades. O "relativismo religioso" impede de perceber as especificidades de cada fé e de estabelecer prioridades: aspectos cruciais quando chega o momento das escolhas concretas que afetam a convivência social e o espaço público. O relativismo ameaça banalizar as religiões e anular o uso correto do princípio da tolerância. Questões bastante significativas. Leia mais Laicidade e secularização. A fratura entre os reinos de Deus e de César. Revista IHU On-Line, Nº. 426 O papel contemporâneo da religião. Entrevista especial com Karl-Josef Kuschel. Revista IHU On-Line, Nº. 302 A religião como fato cultural passa a ser apenas objeto da filosofia. Entrevista especial com Marcelo Fernandes de Aquino. Revista IHU On-Line, Nº. 245 A modernidade fragmentou o campo religioso e fez emergir uma diversidade de religiões. Entrevista especial com Carlos Steil. Revista IHU On-Line, Nº. 220 Somos pluralistas, graças a Deus. Artigo de Peter Berger Não existem mais as religiões de antigamente. Artigo de Giancarlo Bosetti As metamorfoses da fé Laicidade, secularização e o lugar da religião na sociedade. Entrevista especial com Pablo Holmes "As religiões não são mais determinantes para a vida coletiva". Entrevista especial com Marcel Gauchet Edward Schillebeeckx: um teólogo na ágora da cidade secular e plural ''Na nossa sociedade secular, o religioso tornou-se deslocado.'' Entrevista com Olivier Roy Na era secular, a fé não morrerá. Entrevista com Charles Taylor Charles Taylor: características e interfaces da secularização nos dias de hoje Religiões e sociedade nas trilhas da secularização Como dizer "Deus" em tempos de globalização Pós-secularismo, as novas formas do sagrado. Artigo de Vincenzo Rosito Pluralismo religioso: entre a diversidade e a liberdade. Entrevista especial com Wagner Lopes Sanchez “Liberdade de culto” versus “liberdade religiosa” John Hick e o pluralismo religioso Direitos humanos e diversidade cultural “O destino das mulheres é casar e não estudar” Os recentes acontecimentos na Nigéria relacionados com o rapto, há duas semanas, de 223 raparigas cristãs e muçulmanas, por guerrilheiros islamitas, de uma escola em Chibok, no nordeste do país, e depois do grupo islamista Boko Haram ter raptado mais 11 adolescentes da mesma zona, no domingo, para além do óbvio, chamou-me a atenção o motivo anunciado num vídeo do líder dos Boko Haram, Abubakar Shekau, para tal rapto: o destino das mulheres é casar e não estudar. “Deus instruiu-me para as vender”. A questão da liberdade de acesso à educação, por parte das mulheres, tem sido um tema quente, quer seja no Afeganistão, ou no Paquistão, ou noutros países. Sabemos que se trata de fanáticos seguidores talibãs na sua maioria, aos quais, heroicamente, a paquistanesa Malala Yousafzai, a menina baleada a caminho da escola, disse: se os voltasse a encontrar, olharia para ele nos olhos e diria que a educação é um direito de todos. Depois, diria para ele fazer o que entendesse. Matá-la ou deixá-la viver. Estando no mês da mãe, com este exemplo chamo a atenção para o facto da questão da educação ser apenas mais uma das situações (como poderíamos falar da mutilação genital feminina, regras de vestuário, estilos de vida impostos, condição da mulher no casamento, etc…) em que, de alguma forma, se faz tábua rasa quer da igualdade quer da dignidade da pessoahumana em nome de inquestionáveis tradições e hábitos culturais de um povo ou religião. Num contexto pós-moderno, de entre as várias características que o definem, podemos dizer que o relativismo é um pilar de extrema importância. Aliás, parece-me que a própria liberdade às vezes se radica no princípio de que tudo é relativo por oposição a algo que possa ser absoluto ou universal. Debato-me sobre estas questões pois, apesar de diversas tentativas, a relação entre os direitos humanos e a diversidade cultural nunca me pareceu bem resolvida, ou pelo menos assumida. O conceito de direitos humanos é uma pedra angular da nossa humanidade. Tais direitos não são concedidos porque se é cidadão de um país ou está consagrado numa constituição, mas pertencem por direito a toda a humanidade. O conceito de universalidade dos direitos humanos é uma idéia unificadora, algo que podemos todos partilhar, apesar da diversidade dos sistemas jurídicos dos respectivos países ou religiões professadas. E no entanto, o tema dos direitos humanos freqüentemente degenera em "choques de civilizações" ou "batalhas entre culturas". Existirão efetivamente diferenças irredutíveis entre as tradições culturais e as crenças políticas do mundo? Será esta divisão incontornável quando se trata de direitos humanos? É verdade que em vários países não ocidentais se tem discutido a pertinência e o fundamento dos direitos humanos universais. Fazem-no freqüentemente em nome de "valores asiáticos", “árabes” ou “africanos” específicos, que diferem das prioridades ocidentais. Insistem muitas vezes em afirmar que o apelo à aceitação universal dos direitos humanos reflete a imposição dos valores ocidentais sobre as outras culturas. Reconheço que há uma certa tendência na Europa e na América que estabelece, às vezes, implicitamente que é no Ocidente — e apenas no Ocidente — que os direitos humanos têm sido valorizados desde épocas antigas. A verdade é que o conceito dos direitos humanos universais no sentido amplo do Iluminismo, de direitos de todo ser humano, é na realidade uma idéia relativamente nova, tão difícil de encontrar no Ocidente como no Oriente antigos. Em razão dos conflitos políticos contemporâneos, em particular no Médio Oriente, descreve-se muitas vezes a civilização islâmica como fundamentalmente intolerante e hostil à liberdade individual. O problema reside no fanatismo com que são extremadas certas posições religiosas quando aliadas a um poder político ou económico que pretende dominar a todo o custo. Num pequeno exercício de memória histórica, certamente seremos capazes de nos lembrar de países atualmente profundamente fechados e que outrora eram mais livres e tolerantes. Mas a questão torna-se mais complexa quando combinada com a teoria do relativismo cultural. De forma resumida, a razão de ser do problema está na dicotomia entre os direitos humanos universais e as práticas e costumes particulares de diversas sociedades. O ser humano, pelo menos desde Da Vinci, coloca-se sempre no centro e questiona: Quem está errado? Nós ou eles? Ou será que ninguém está errado? À luz do relativismo cultural ninguém está errado, pois identifica o moralmente certo com o que cada cultura aprova. Não há, por isso, valores universais. A cada cultura a sua verdade. Há diferentes maneiras de definir o que é correto ou incorreto e nenhuma cultura está mais certa ou mais errada do que outra. De acordo com o que se disse, a universalidade dos direitos humanos não pode coexistir com este relativismo, exige reconhecer que há valores que estão acima de qualquer tradição cultural, mesmo correndo o risco de ser acusado de fomentar uma atitude intolerante e negar o respeito mútuo entre as diversas culturas. A matriz dos valores cristãos está profundamente refletida no que reconhecemos como direitos humanos e a tradição bíblica sobre o multiculturalismo é clara ao afirmar a unidade da raça humana e o carácter universal do cristianismo. Para os cristãos, a prática da diversidade multicultural é motivada pelo amor a Deus e, portanto, pelo amor ao próximo (judeu ou samaritano). Uma vez que Deus é Pai e Criador, o seu amor repousa sobre tudo, e chama os cristãos a imitar o seu amor que abarca toda a humanidade. Deve ser ainda um desafio extra para os cristãos o saber avaliar as questões relativas à diversidade cultural e que requerem o cultivo consciente - tanto individual como comunitário - das virtudes cristãs da humildade, discernimento, coragem, justiça e amor, para evitar qualquer tipo de abordagem arrogante contrária a tudo quanto defende o atual Papa. A diversidade cultural não deve ser menosprezada pela comunidade cristã. Pelo contrário, os cristãos e as comunidades cristãs têm uma obrigação especial de demonstrar a realidade do amor de Cristo transformador de culturas. A necessidade de reconhecer a diversidade não se aplica apenas entre as nações, religiões e as culturas, mas igualmente no interior de cada nação, religião e de cada cultura. Bibliografia : http://www.imissio.net/v2/cronicas/direitos-humanos-e-diversidade-cultural:1955/