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AULA DE CONTENÇÃO- Elaine Soi Protocolo de Procedimentos de Contenção Mecânica Amparo legal Lei nº10.216, de 06 de abril de 2001 que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental, menciona o direito do portador de transtorno mental de ser tratado em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis. Objetivos da Contenção Proteger o paciente com alterações de comportamento contra lesões e traumas ( quedas, contaminação de cateteres, feridas, dentre outros) provocados por ele mesmo ou a outros e que gera a interrupção do tratamento a que vem sendo submetido; Visar a integridade física e psíquica dos pacientes e dos profissionais de saúde que prestam assistência a esse paciente. E que o procedimento seja realizado de forma humanizada. TIPOS DE CONTENÇÃO Contenção Física (manual) Contenção Química (medicamento) Contenção Mecânica (faixas) CONTENÇÃO FÍSICA / CONTENÇÃO MECÂNICA Alguns autores entendem que contenção física e contenção mecânica são sinônimos (COREN – SP, 2009; PAES et all, 2009). O QUE É CONTENÇÃO MECÂNICA? É uma medida terapêutica que deve ser usada de forma adequada e específica para que surta o efeito desejado, de maneira segura e eficaz, evitando danos aos pacientes e aos profissionais envolvidos na técnica. Contudo ela deve ser o último recurso a ser utilizado para controlar condutas violentas. (MARCOLAN, 2004; STUART e LARAIA, 2001; KAPLAN, SADOCK, GREBB, 1997). CONTENÇÃO MECÂNICA OBJETIVO Restringir os movimentos do paciente agressivo/ agitado, limitando sua habilidade de movimento quando esse oferece perigo para si e para terceiros, através de dispositivos mecânicos possibilitando, pelo uso das faixas, um relaxamento progressivo, uma diminuição da agressividade / agitação e uma percepção dos limites corporais. Ficar atentos aos sinais de alerta Agressividade verbal Punhos e dentes cerrados Movimentação excessiva Tendência a aproximação Inclinação em direção ao interlocutor Volume de voz demasiadamente elevado Alteração percepção TÉCNICA DE CONTENÇÃO FÍSICA MANEJO VERBAL A equipe deve se aproximar de maneira calma e silenciosa Apenas uma pessoa deve falar Ter atitude respeitosa, honesta e direta A comunicação deve transmitir um desejo consistente de auxiliar Estimular o paciente a falar de seus sentimentos Orientar o paciente, em tom não desafiador, que seus atos agressivos não serão aceitos Se a intervenção verbal não for suficiente, adota-se outras condutas INDICAÇÃO Auto e heteroagressividade; RESPONSABILIDADE ÉTICA E LEGAL Resolução 1598/2000 do Conselho Federal de Medicina ...a contenção física é procedimento médico, devendo ser acompanhado diretamente por um auxiliar do corpo de enfermagem, durante todo o tempo. Lei estadual 11.802/95 ...fica vedado o uso de celas-fortes, camisas-de-força e outros procedimentos violentos desumanos. Lei 12.684/97 ... os procedimentos de restrição física não vedados neste artigo serão utilizados, obedecendo-se às seguintes condições: I.constituírem o mais disponível meio de prevenir dano imediato ou iminente a si próprio ou a outrem; II.restringirem-se ao período estritamente necessário; III – serem registradas, no prontuário do paciente, as razões da restrição, sua natureza e extensão e IV – realizarem-se em condições técnicas adequadas, sob os cuidados e supervisão permanente dos profissionais envolvidos no atendimento” TÉCNICA DE GRUPO G8 Os componentes do G8 podem ser profissionais ou pacientes de ambos os sexos. O G8 deverá ter um líder que é responsável por se comunicar com o paciente e todo o grupo. Um profissional percebe um paciente agitado e chama o G8; O G8 se aproxima do paciente e o líder se posiciona a sua frente, tentando estabelecer diálogo com o objetivo de mostrar a realidade e limitar as atitudes agressivas do paciente; Caso o diálogo não tenha sucesso para a tranquilização do paciente, o G8 deve se aproximar, visando à limitação do espaço físico do paciente. Os componentes do G8 se posicionam ao redor do paciente; Após isso o paciente deverá ser segurado nos MMII e MMSS e apoiando nos ombros para que seja rapidamente deitado ao solo (quando o leito não esta próximo); Se o paciente for deitado ao solo, o G8 deve se ajoelhar a fim de exercer força necessária para segurá-lo; Os locais a serem segurados são: braços, quadril, pernas e ombros; Enquanto o paciente esta sendo segurado ao solo, deve ser colocada uma faixa em cada braço e fixá-la na coxa, e uma faixa nos tornozelos para mantê-los próximos. Essa imobilização é necessária para transportar o paciente até o leito. O G8 deve se posicionar de forma que tenha quatro pessoas de cada lado segurando o paciente em posição horizontal; Ao se colocar o paciente no leito, o G8 continua segurando nos locais indicados até que as faixas estejam fixadas na cama; É necessária a utilização de cinco faixas sendo quatro nos membros e uma no tórax. Eventualmente pode ser necessária a sexta faixa para ser colocada nos joelhos; Após a contenção do paciente ao leito, o G8 se desfaz e o líder permanece para fazer novamente a abordagem do paciente; A enfermagem mantém a observação contínua e atende as necessidades (fisiológicas e alimentares do paciente contido); Antes da descontenção um profissional faz um acordo com o paciente orientando que se voltar a ficar agressivo ou se descontrolar terá que ser contido novamente para evitar danos a si mesmo e a outras pessoas; Se o tempo de contenção for prolongado deve-se se soltar uma faixa de cada vez e estimular os movimentos do paciente; Durante toda a técnica os passos são determinados pelo líder. TÉCNICA – 5 pessoas 1 para cada membro da paciente; 1 para segurar a cabeça e proceder à contenção no leito. Obs.: A equipe aproxima-se simultaneamente de maneira calma e apenas 1 deve falar. FAIXAS DE CONTENÇÃO Tecido de algodão duplo; 3 metros de comprimento; 8 cm aproximadamente de largura; Lençol torcido ( tórax ). Obs.: Deve haver várias costuras ao longo do comprimento. Senha combinada sem alteração na voz Ex.: “você necessita de cuidados específicos” “precisamos tomar condutas imediatas” TÉCNICA – 5 pessoas CUIDADOS Nunca deixá-lo sozinho: O paciente contido deverá ser assistido pela enfermagem durante todo o tempo que estiver contido. Monitoramento constantemente Segurança e ao conforto da contenção Manter tronco e cabeça levemente elevados Monitorar sinais vitais e o nível de consciência Alimentação e ingestão de líquidos de maneira assistida COMPLICAÇÕES Desidratação, redução da perfusão em extremidades (necrose, trombose e amputação), fraturas, depressão respiratória, aspiração, morte súbita (NICE, 2005) Lacerações e escarificações da pele; Perda de movimento pela lesão do plexo braquial; EVITE Ameaças, provocações Contenções subaxilares Contenções como forma de punição ou castigo ao paciente; Contenções em pacientes profundamente adormecidos. REFERENCIAS CORDAS,T.A.; MORENO,A.M. Condutas em psiquiatria. São paulo: Lemos Editorial, 1993. DEL-BEN, C.M.; TENG, C.T. Emergências psiquiátricas: desafios e vicissitudes. Revista Brasileira de Psiquiatria. v.32, sup.2, p. 67-68, 2010. MANTOVANI, C.; MIGON, M.N.; ALHEIRA, V. Manejo de paciente agitado ou agressivo. Revista Brasileira de Psiquiatria. v.32, sup.2, p. 96-103, 2010 . MARCOLAN, JF. Técnica Terapêutica da Contenção Física. 1 ed. São Paulo: Roca, 2013. MIGUEL, E.C.; GENTIL, V.; GATTAZ, W.F. Clínica psiquiátrica, Barueri, SP: Manole, 2011. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CLINICAL EXCELLENCE (NICE). Violence: The short-term management of disturbed/violent behaviour in in-patient psychiatric settings and emergency departments. College of Nursing: London, 2005. STUART, G.W.; LARAIA, M.T. Enfermagem psiquiátrica: princípiose prática. Trad. Dayse Batista; 6ªed. Porto Alegre:Artmed Editora, 2001. TOWNSEND, M.C. Enfermagem Psiquiátrica: conceitos e cuidados. 3ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.