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Eletromagnetismo I Condutores, Lei de OHM e Dielétricos Prof. Dr. Hugo Vasconcelos Corrente e densidade de corrente Cargas elétricas em movimento constituem uma corrente. 𝐼 = 𝑑𝑄 𝑑𝑡 que tem unidade em 𝑎𝑚𝑝è𝑟𝑒 (𝐴) Apesar da condução em metais ocorrer pelo movimento de elétrons, a corrente é definida como o movimento de cargas positivas. Por isso, o conceito de densidade de corrente 𝐽 será mais útil. A densidade de corrente é expressa como uma quantidade vetorial 𝐽 (𝐴/𝑚2) está relacionado à corrente 𝐼 por 𝐼 = 𝑆 𝐽 ∙ 𝑑 𝑆 Corrente e densidade de corrente Existem três tipos de densidade de corrente: convecção, condução e dispersão. Dado o vetor densidade de corrente 𝐽 = 10𝑅2𝑧 𝑎𝑅 − 4𝑅𝑐𝑜𝑠 2𝜙 𝑎𝜙 𝑚𝐴/𝑚 2: Exemplo: (a) Calcule a densidade de corrente em 𝑃 𝑅 = 3, 𝜙 = 30𝑜, 𝑧 = 2 ; 𝐽 = 180 𝑎𝑅 − 9 𝑎𝜙 𝑚𝐴/𝑚 2 Dado o vetor densidade de corrente 𝐽 = 10𝑅2𝑧 𝑎𝑅 − 4𝑅𝑐𝑜𝑠 2𝜙 𝑎𝜙 𝑚𝐴/𝑚 2: Exemplo: (b) Determine a corrente total que flui para fora da faixa circular 𝑅 = 3; 0 < 𝜙 < 2𝜋; 2 < 𝑧 < 2,8. 𝐼 = 10𝑅3𝑧2 2 2 2,8 2𝜋 = 3257,2 𝐴 A densidade de corrente pode ser relacionada à velocidade da densidade volumétrica de carga em um ponto. Corrente e densidade de corrente Δ𝐼 = Δ𝑄 Δt = 𝜌𝑣Δ𝑆 Δ𝑥 Δ𝑡 Quando tomamos o limite com relação ao tempo, Corrente e densidade de corrente Δ𝐼 = 𝜌𝑣Δ𝑆𝑢𝑥 𝑢𝑥 representa o componente em 𝑥 da velocidade 𝑢. Considerando agora a densidade de corrente, 𝐽𝑥Δ𝑆 = 𝜌𝑣Δ𝑆𝑢𝑥 𝐽𝑥 = 𝜌𝑣𝑢𝑥 De um modo geral, 𝐽 = 𝜌𝑣𝑢 Essa é a corrente de convecção e 𝐽 ou 𝜌 𝑣 é a densidade de corrente de convecção. Uma densidade de corrente é dada em coordenadas cilíndricas como 𝐽 = −106𝑧1,5 𝑎𝑧 A/m 2 na região 0 ≤ 𝑅 ≤ 20 𝜇𝑚. Para 𝑅 ≥ 20 𝜇𝑚, 𝐽 = 0. Exemplo: (a) Calcule a corrente total que atravessa a superfície 𝑧 = 0,1 𝑚 na direção 𝑎𝑧. 𝐼 = −39,7 𝜇𝐴 (b) Se a velocidade da carga é 2 × 106 𝑚/𝑠 em 𝑧 = 1 𝑚, calcule 𝜌𝑣. 𝜌𝑣 = −15,81 𝑘𝐶/𝑚 2 Uma densidade de corrente é dada em coordenadas cilíndricas como 𝐽 = −106𝑧1,5 𝑎𝑧 A/m 2 na região 0 ≤ 𝑅 ≤ 20 𝜇𝑚. Para 𝑅 ≥ 20 𝜇𝑚, 𝐽 = 0. Exemplo: (c) Se a densidade volumétrica de carga em 𝑧 = 0,15 𝑚 é −2000 𝐶/𝑚3, calcule a velocidade da carga. 𝑢 = 29,047 𝑚/𝑠 Uma densidade de corrente é dada em coordenadas cilíndricas como 𝐽 = −106𝑧1,5 𝑎𝑧 A/m 2 na região 0 ≤ 𝑅 ≤ 20 𝜇𝑚. Para 𝑅 ≥ 20 𝜇𝑚, 𝐽 = 0. Exemplo: Condutores metálicos Condutores metálicos Nos condutores, um elétron sob a influência de um campo elétrico 𝐹 = −𝑒𝐸 A velocidade média atingida é chamada de velocidade de deriva ( 𝑣𝑑), e está relacionada à intensidade do campo elétrico pela mobilidade dos elétrons (𝜇𝑒). 𝑢𝑑 = −𝜇𝑒𝐸 Material 𝝁 𝑚2/𝑉 ∙ 𝑠 Alumínio 0,0012 Cobre 0,0032 Prata 0,0056 Condutores metálicos Fazendo a substituição da velocidade de deriva 𝑢𝑑 = −𝜇𝑒𝐸 em 𝐽 = 𝜌𝑣𝑢, obtemos: 𝐽 = 𝜌𝑣𝑢 =𝜌𝑒(−𝜇𝑒𝐸) = −𝜌𝑒𝜇𝑒𝐸 𝜌𝑒 é a densidade de carga de elétrons livres e 𝜇𝑒 é a mobilidade de elétrons. A relação entre 𝐽 e 𝐸 para um condutor metálico, é também especificada pela condutividade 𝜎, 𝐽 = 𝜎𝐸 𝜎 = −𝜌𝑒𝜇𝑒 𝜎 é medido em siemens por metro 𝑆/𝑚 , 1 𝑆 = 𝐴𝑚𝑝è𝑟𝑒/𝑉𝑜𝑙𝑡 Material 𝝈 𝑺/𝒎 × 𝟏𝟎𝟕 Alumínio 3,82 Cobre 5,80 Prata 6,17 Calcule a intensidade da densidade de corrente em uma amostra de prata para a qual 𝜎 = 6,17 × 107 𝑆/𝑚 e 𝜇𝑒 = 0,0056 𝑚 2/𝑉 se: Exemplo (a) A velocidade de deriva é 1,5 𝜇𝑚/𝑠; 𝐽 = 16,52 𝑘𝐴/𝑚2 (b) A intensidade do campo elétrico é 1 𝑚𝑉/𝑚. 𝐽 = 61,7 𝑘𝐴/𝑚2 Calcule a intensidade da densidade de corrente em uma amostra de prata para a qual 𝜎 = 6,17 × 107 𝑆/𝑚 e 𝜇𝑒 = 0,0056 𝑚 2/𝑉 se: Exemplo Condutores metálicos Uma diferença de potencial 𝑉𝑎𝑏 entre as duas extremidades do cilindro estabelecerá uma intensidade de campo elétrico 𝐸 = 𝑉𝑎𝑏 𝐿 𝑎𝑧 A densidade de corrente estará relacionada ao campo pela forma pontual da lei de Ohm, 𝐽 = 𝜎𝐸 Como a corrente está associada à densidade de corrente por 𝐽 = (𝐼/𝑆) 𝑎𝑧 A forma pontual da lei de Ohm se torna 𝐼 𝑆 = 𝜎 𝑉𝑎𝑏 𝐿 𝑅 = 𝑉𝑎𝑏 𝐼 = 1 𝜎 𝐿 𝑆 (c) A amostra é um cubo de 2,5 𝑚𝑚 de lado tendo uma tensão de 0,4 𝑚𝑉 entre as faces opostas. Calcule a intensidade da densidade de corrente em uma amostra de prata para a qual 𝜎 = 6,17 × 107 𝑆/𝑚 e 𝜇𝑒 = 0,0056 𝑚 2/𝑉 se: Exemplo (d) A amostra é um cubo de 2,5 𝑚𝑚 de lado conduzindo uma corrente total de 0,5 𝐴. 𝐽 = 80 𝑘𝐴/𝑚2 Calcule a intensidade da densidade de corrente em uma amostra de prata para a qual 𝜎 = 6,17 × 107 𝑆/𝑚 e 𝜇𝑒 = 0,0056 𝑚 2/𝑉 se: Exemplo Dielétricos Dizemos que o material está polarizado pelo campo elétrico, o que significa que os dipolos são alinhados. 𝑃 = 𝜒𝑒𝜖0𝐸 O vetor polarização 𝑃 se alinha com o campo elétrico e 𝜒𝑒 é a susceptibilidade elétrica do material. A polarização cria um campo elétrico oposto no interior do material, onde o efeito resultante é uma diminuição do campo. As linhas de fluxo permanecem as mesmas e podemos relacionar a densidade de fluxo com a polarização 𝐷 = 𝜖0𝐸 + 𝑃 Dielétricos Combinando as duas equações, 𝐷 = 𝜖0𝐸 + 𝜒𝑒𝜖0𝐸 = 𝜖0 1 + 𝜒𝑒 𝐸 = 𝜖0𝜖𝑟𝐸 = 𝜖𝐸 onde 𝜖 é a permissividade do material relacionada à permissividade do espaço livre pelo fator 𝜖𝑟, denominada permissividade relativa ou constante dielétrica. 𝜖𝑟 = 1 + 𝜒𝑒 Uma placa de material dielétrico tem uma constante dielétrica relativa de 3,8 e contém uma densidade de fluxo elétrico uniforme de 8 𝑛𝐶/𝑚2. Se o material for sem perdas, calcule: Exemplo (a) 𝐸; 𝐸 = 237,88 𝑉/𝑚 (b) 𝑃; Uma placa de material dielétrico tem uma constante dielétrica relativa de 3,8 e contém uma densidade de fluxo elétrico uniforme de 8 𝑛𝐶/𝑚2. Se o material for sem perdas, calcule: Exemplo Condições de Fronteira Queremos avaliar como os campos se comportam na fronteira entre um par de dielétricos ou entre um dielétrico e um condutor. 𝑎 𝑏 𝐸 ∙ 𝑑𝐿 + 𝑏 𝑐 𝐸 ∙ 𝑑𝐿 + 𝑐 𝑑 𝐸 ∙ 𝑑𝐿 + 𝑑 𝑎 𝐸 ∙ 𝑑𝐿 = 0 Calculamos uma integral de linha de 𝐸 ao redor de um caminho retangular fechado, Condições de Fronteira 𝑎 𝑏 𝐸 ∙ 𝑑𝐿 = 0 Δ𝑤 𝐸𝑇1 𝑎𝑇 ∙ 𝑑𝐿 𝑎𝑇 = 𝐸𝑇1Δ𝑤 𝑏 𝑐 𝐸 ∙ 𝑑𝐿 = Δℎ/2 0 𝐸𝑁1 𝑎𝑁 ∙ 𝑑𝐿 𝑎𝑁 + 0 −Δℎ/2 𝐸𝑁2 𝑎𝑁 ∙ 𝑑𝐿 𝑎𝑁 = − EN1 + EN2 Δh 2 𝑐 𝑑 𝐸 ∙ 𝑑𝐿 = Δ𝑤 0 𝐸𝑇2 𝑎𝑇 ∙ 𝑑𝐿 𝑎𝑇 = −𝐸𝑇2Δ𝑤 𝑑 𝑎 𝐸 ∙ 𝑑𝐿 = −Δℎ/2 0 𝐸𝑁2 𝑎𝑁 ∙ 𝑑𝐿 𝑎𝑁 + 0 Δℎ/2 𝐸𝑁2 𝑎𝑁 ∙ 𝑑𝐿 𝑎𝑁 = EN1 + EN2 Δh 2 Condições de Fronteira Somando os resultados para cada segmento, vemos que as componentes normais se cancelam e temos, 𝐸𝑇1 = 𝐸𝑇2 A componente tangencial da intensidade do campo elétrico tem que ser contínua através da fronteira. Podemos obter uma segunda condição de fronteira pela aplicação da lei de Gauss, 𝐷 ∙ 𝑑 𝑆 = 𝑄𝑒𝑛𝑣 𝐷 ∙ 𝑑 𝑆 = 𝑇𝑜𝑝𝑜 𝐷 ∙ 𝑑 𝑆 + 𝐵𝑎𝑠𝑒 𝐷 ∙ 𝑑 𝑆 + 𝐿𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 𝐷 ∙ 𝑑 𝑆 O membro esquerdo da lei de Gauss se torna, Condições de Fronteira Fazendo a caixa pequena o suficiente, um fluxo insignificante passará através da lateral, nos deixando apenas com o fluxo através do topo e da base, 𝑇𝑜𝑝𝑜 𝐷 ∙ 𝑑 𝑆 = 𝐷𝑁1 𝑎𝑁 ∙ 𝑑𝑆 𝑎𝑁 = 𝐷𝑁1Δ𝑆 𝐵𝑎𝑠𝑒 𝐷 ∙ 𝑑 𝑆 = 𝐷𝑁2 𝑎𝑁 ∙ 𝑑𝑆(− 𝑎𝑁) = −𝐷𝑁2Δ𝑆 Condições de Fronteira Somando as soluções anteriores, 𝐷𝑁1 − 𝐷𝑁2 Δ𝑆 = 𝑄𝑒𝑛𝑣𝑄𝑒𝑛𝑣 = 𝜌𝑠𝑑𝑆 = 𝜌𝑠Δ𝑆 O lado direito da lei de Gauss, a carga envolvida, é Assim chegamos a segunda condição de fronteira, 𝐷𝑁1 − 𝐷𝑁2 = 𝜌𝑠 Condições de Fronteira A expressão geral para esta condição de fronteira: 𝑎21 𝐷𝑁1 − 𝐷𝑁2 = 𝜌𝑠 onde 𝑎21 é o vetor unitário normal do meio 2 para o meio 1. Condições de Fronteira Exemplo Considere que o campo 𝐸1 seja conhecido para um dos dielétricos do par mostrado na Figura e que queiramos determinar o campo 𝐸2 no outro dielétrico e também os ângulos que os campos em cada dielétrico fazem com a normal à superfície. 𝐸1 = 3 𝑎𝑥 + 4 𝑎𝑦 + 5 𝑎𝑧 (𝑉/𝑚) Exemplo Considere que o campo 𝐸1 seja conhecido para um dos dielétricos do par mostrado na Figura e que queiramos determinar o campo 𝐸2 no outro dielétrico e também os ângulos que os campos em cada dielétrico fazem com a normal à superfície. 𝐸1 = 3 𝑎𝑥 + 4 𝑎𝑦 + 5 𝑎𝑧 (𝑉/𝑚) Bibliografia HAYT JR, William H; BUCK, John A. Eletromagnetismo. 8.ed. Porto Alegre: AMGH, 2003.