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Anti-histamínicos Anti- H1 e H2 Andressa Santa Brigida da Silva Introdução • A histamina é uma amina biogênica encontrada em numerosos tecidos. • Autacóide — isto é, uma molécula secretada localmente para aumentar ou diminuir a atividade das células adjacentes. • Um importante mediador dos processos inflamatórios: desempenha também funções significativas na regulação da secreção de ácido gástrico e na neurotransmissão. • Ações da histamina levou ao desenvolvimento de vários agentes farmacológicos importantes: anti-histamínicos H1 e anti-histamínicos H2 Síntese da Histamina • A síntese de histamina ocorre nos mastócitos e basófilos do sistema imune, nas células enterocromafimsímiles (ECL) da mucosa gástrica e em certos neurônios no sistema nervoso central (SNC) que utilizam a histamina como neurotransmissor. AÇÕES DA HISTAMINA • Ações sobre o músculo liso, o endotélio vascular, as terminações nervosas aferentes, o coração, o trato gastrintestinal e o SNC. • Brônquios: histamina causa contração do músculo liso brônquico nos seres humanos. • A sensibilidade do músculo liso brônquico à histamina também varia entre indivíduos; pacientes com asma podem ser até 1.000 vezes mais sensíveis à broncoconstrição mediada pela histamina do que indivíduos não-asmáticos. • Provoca no músculo liso dilatação ou a constrição de determinados vasos sanguíneos. • A histamina dilata todas as arteríolas terminais e vênulas pós-capilares. • As veias sofrem constrição com exposição à histamina. • O efeito dilatador sobre o leito de vênulas pós- capilares constitui o efeito mais proeminente da histamina sobre a vasculatura. • Na presença de infecção ou de lesão, a dilatação das vênulas induzida pela histamina faz com que a microvasculatura local seja ingurgitada com sangue, aumentando o acesso das células imunes que iniciam os processos de reparo na área lesada (rubor). • A histamina também provoca contração das células endoteliais vasculares. • A contração das células endoteliais vasculares induzidas pela histamina provoca a separação dessas células, permitindo o escape de proteínas plasmáticas e líquido das vênulas pós-capilares, com consequente formação de edema. • Histamina é um mediador-chave das respostas locais nas áreas de lesão. • As terminações nervosas sensitivas periféricas também respondem à histamina. • Sensações de prurido e de dor resultam de uma ação despolarizante direta da histamina sobre as terminações nervosas aferentes. • Uma picada de inseto, por exemplo. • As ações combinadas da histamina sobre o músculo liso vascular, as células endoteliais vasculares e as terminações nervosas são responsáveis pela resposta de pápula e eritema observada após a liberação de histamina na pele. • O principal papel da histamina na mucosa gástrica consiste em potencializar a secreção ácida induzida pela gastrina. • A histamina é uma das três moléculas que regulam a secreção de ácido no estômago, sendo as outras duas a gastrina e a acetilcolina. • A ativação dos receptores de histamina no estômago leva a um aumento do Ca2+ intracelular nas células parietais e resulta em secreção aumentada de ácido clorídrico pela mucosa gástrica. • A histamina também atua como neurotransmissor no SNC. • Tanto a histidina descarboxilase quanto os receptores de histamina estão expressos no hipotálamo, e os neurônios histaminérgicos do SNC possuem numerosas projeções difusas pelo cérebro e medula espinal. • funções da histamina no SNC não estejam bem estabelecidas • Acredita-se que a histamina seja importante na manutenção do estado de vigília e atue como supressor do apetite. Receptores de Histamina edema, broncoconstrição e sensibilização das terminações nervosas aferentes primárias ritmos circadianos estado de vigília liberação aumentada de prótons mediada pela bomba de prótons no líquido gástrico ANTI-HISTAMÍNICOS H1 • anti-histamínicos H1 são agonistas inversos, mais do que antagonistas dos receptores Classificação dos Anti- Histamínicos H1 de Primeira e de Segunda Gerações • Descoberta dos primeiros anti-histamínicos H1 (Bovet e Staub, 1937). • Anti-histamínicos H1:anti-histamínicos H1 de primeira geração e de segunda geração • A difenidramina, a hidroxizina, a clorfeniramina e a prometazina estão entre os anti-histamínicos H1 de primeira geração mais frequentemente utilizados. • Os anti-histamínicos H1 de primeira geração são compostos neutros em pH fisiológico que atravessam rapidamente a barreira hematoencefálica. • Os anti- H1 de segunda geração amplamente utilizados incluem a loratadina, a cetirizina e a fexofenadina. • Os anti-H1 de segunda geração são ionizados em pH fisiológico e não atravessam apreciavelmente a barreira hematoencefálica. • As diferenças na lipofilicidade entre os anti- histamínicos H1 de primeira e de segunda gerações respondem pelos seus perfis de efeitos adversos diferenciais, notavelmente a tendência a causar depressão do SNC (sonolência). • Por exemplo, os anti- H1 de segunda geração loratadina, desloratadina e fexofenadina são os únicos anti-histamínicos H1 orais permitidos para uso por pilotos de aeronaves. Efeitos Farmacológicos e Usos Clínicos • Os anti-H1 são mais úteis no tratamento de distúrbios alérgicos para aliviar os sintomas de rinite, conjuntivite, urticária e prurido. • Os anti-histamínicos H1 bloqueiam fortemente o aumento da permeabilidade capilar necessário para formação de edemas e pápulas. • As propriedades anti-inflamatórias dos anti- histamínicos H1 são atribuíveis à supressão da via do NF-κB. • Os anti- H1 de primeira e segunda gerações são igualmente eficazes no tratamento da urticária crônica. • A hidroxizina agente antipruriginoso, e a sua eficiência clínica provavelmente está relacionada com seus efeitos pronunciados sobre o SNC. • Em comparação com os anti-H1 orais, os anti-histamínicos H1 tópicos (incluindo preparações nasais e oftálmicas) apresentam início mais rápido de ação; entretanto, necessitam de múltiplas doses por dia. • As preparações cutâneas de anti-histamínicos, administradas no tratamento de dermatoses pruriginosas, podem causar paradoxalmente dermatite alérgica. • Os anti-H1 administrados como única medicação são freqentemente ineficazes para a anafilaxia sistêmica ou o angioedema grave com edema da laringe. • As contribuições de outros mediadores locais não são afetadas pelo tratamento com anti-histamínicos H1, e a epinefrina continua sendo o tratamento de escolha Asma • Os anti- H1 possuem eficácia limitada na asma brônquica e não devem ser utilizados como única terapia para a asma. • Enquanto os anti- H1 parecem inibir a constrição do músculo liso brônquico de cobaias, esse efeito terapêutico é muito menos pronunciado nos seres humanos, devido à contribuição de outros mediadores, como leucotrienos e serotonina. Êmese e insônia • Os anti- H1 também podem ser utilizados no tratamento da cinetose, náusea e vômitos associados à quimioterapia e insônia. • Ao inibir os sinais histaminérgicos do núcleo vestibular para o centro do vômito na medula oblonga, os anti- H1 como o dimenidrinato, a difenidramina, a meclizina e a prometazina mostram-se úteis como agentes antieméticos. • Em virtude de seus efeitos depressores proeminentes no SNC, os anti-histamínicos H1 de primeira geração, como a difenidramina, a doxilamina e a pirilamina, também são utilizados no tratamento da insônia. Farmacocinética ü Por V.O. são bem absorvidos pelo trato gastrintestinal (GI) ü Tmax 2 a 3 horas. ü Duração do efeito: varia, dependendo do anti-histamínico H1 específicoutilizado. ü Anti- H1 de primeira geração distribuem-se amplamente por todos os tecidos periféricos, bem como no SNC, os anti- H1 de segunda geração exigem menos penetração no SNC. ü Metabolismo: hepático (mioria)-deve-se considerar um ajuste da dose em pacientes com doença hepática grave. ü Indutores das enzimas hepáticas do citocromo P450, os anti- H1 podem facilitar o seu próprio metabolismo. ü A loratadina, um histamínico H1 de segunda geração, é metabolizada por enzimas do citocromo P450 a um metabólito ativo. ü Os fármacos que são substratos ou inibidores das enzimas do citocromo P450 podem afetar o metabolismo da loratadina, e os anti- histamínicos também podem afetar o metabolismo de outros fármacos que são substratos das mesmas enzimas P450. Efeitos Adversos • Principais: toxicidade do SNC, toxicidade cardíaca e efeitos anticolinérgicos. • SNC: alta lipofilicidade, os anti-H1 de primeira geração penetram rapidamente na barreira hematoencefálica. Esses fármacos antagonizam os efeitos neurotransmissores da histamina sobre os receptores H1 no SNC (particularmente no hipotálamo) e na periferia. • Alta penetração desses fármacos no SNC é responsável pela sua ação sedativa. • Os fatores que aumentam o risco de desenvolvimento de toxicidade do SNC incluem baixa massa corporal, disfunção hepática ou renal grave e uso concomitante de drogas, como o álcool, que comprometem a função do SNC. • Cardíacos: Os anti-histamínicos H1 que prolongam a contração cardíaca, podem causar cardiotoxicidade, particularmente em pacientes com disfunção cardíaca preexistente, arritmias ventriculares. • Os efeitos adversos anticolinérgicos, que são mais proeminentes com os anti-H1 de primeira geração do que com os de segunda geração, consistem em dilatação da pupila, ressecamento dos olhos, boca seca e retenção e hesitação urinárias. • A overdose fatal dos anti-histamínicos H1 de primeira geração deve-se, mais provavelmente, aos efeitos adversos profundos sobre o SNC do que aos efeitos cardíacos adversos. Anti-H2 • Black e colaboradores, na década de 1970, modificou consideravelmente o tratamento da doença ulcerosa péptica. • Identificaram um segundo receptor de histamina e elucidaram o seu papel na secreção gástrica de ácidos. • Os antagonistas dos receptores H2 inibem de modo reversível e competitivamente a ligação da histamina aos receptores H2, resultando em supressão da secreção gástrica de ácido. Anti-H2 • diferem dos anti- H1 quanto à sua estrutura, visto que contêm um anel imidazol intacto e uma cadeia lateral sem carga (cadeia lateral volumosa) • As indicações clínicas incluem a doença de refluxo ácido (pirose) e a doença ulcerosa péptica. • A cimetidina e a ranitidina são dois dos antagonistas dos receptores H2 mais comumente utilizados. • Quatro antagonistas dos receptores H2: a cimetidina, a ranitidina, a famotidina e a nizatidina • Os antagonistas dos receptores H2 são rapidamente absorvidos pelo intestino delgado. • As concentrações plasmáticas máximas são alcançadas dentro de 1 a 3 horas. • A eliminação dos antagonistas dos receptores H2 envolve tanto a excreção renal quanto o metabolismo hepático. • É importante diminuir a dose desses fármacos em pacientes com insuficiência hepática ou renal. • Uma exceção é a nizatidina, que é eliminada primariamente pelos rins. Efeitos adversos • diarréia, cefaléia, dor muscular, obstipação e fadiga. • Os antagonistas dos receptores H2 podem causar confusão e alucinações em alguns pacientes. • Esses efeitos adversos sobre o sistema nervoso central (SNC) são incomuns e tipicamente estão associados à administração intravenosa do antagonista do receptor H2. Efeito adverso • A cimetidina inibe o metabolismo de fármacos mediado pelo citocromo P450, podendo resultar em elevações indesejáveis dos níveis plasmáticos de certos fármacos administrados concomitantemente. • Por exemplo, a cimetidina pode diminuir o metabolismo da lidocaína, fenitoína, quinidina, teofilina e varfarina, permitindo o acúmulo de níveis tóxicos desses fármacos. • Efeitos adversos cardiovasculares e do SNC são insignificantes. • A cimetidina atravessa a placenta e é secretada no leite materno, razão pela qual não é recomendada para uso durante a gravidez ou durante o aleitamento. • A cimetidina pode exercer efeitos antiandrogênicos, em virtude de sua ação como antagonista no receptor de andrógenos, resultando em ginecomastia (aumento das mamas) nos homens e galactorréia (secreção de leite) nas mulheres. Interações • Cetoconazol, um fármaco que necessita de um meio ácido para a sua absorção gástrica, apresenta uma redução de sua captação no ambiente alcalino criado pelos antagonistas dos receptores H2. Caso • Ellen, uma estudante de 16 anos de nível secundário, sofre de rinite alérgica. No início da primavera, ela vem apresentando rinorréia, prurido dos olhos e espirros. Para aliviar esses sintomas, ela vem fazendo uso de um anti-histamínico de venda livre, a difenidramina. • Todavia, sente-se incomodada com os efeitos desagradáveis que acompanham a medicação antialérgica. Toda vez que toma esse anti-histamínico, Ellen sente-se sonolenta e com a boca seca. Decide então marcar uma consulta com o médico, que, após realizar testes para alergia, aconselha a tomar loratadina. Com essa nova medicação antialérgica, seus sintomas são aliviados, e ela não apresenta mais sonolência nem outros efeitos adversos. • Por que a difenidramina provoca sonolência? • Por que a loratadina não causa sonolência? Ela poderia tomar Ranitidina?