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Espírito Santo
Economia e Política
Cafeicultura e 
Grande Indústria
A TRANSIÇÃO NO ESPÍRITO SANTO • 1955-1985
Haroldo Corrêa Rocha e Angela Maria Morandi
Haroldo Corrêa Rocha 
Angela Maria Morandi
Cafeicultura e 
Grande Indústria
A TRANSIÇÃO NO ESPÍRITO SANTO • 1955-1985
2ª edição
Vitória 
Espírito Santo em Ação 
2012
ESPÍRITO SANTO EM AÇÃO
 Alexandre Nunes Theodoro Presidente
 José Armando de Figueiredo Campos Presidente do Conselho deliberativo
 Mario Amaro da Silveira viCe-Presidente oPeraCional
 José Teófilo de Oliveira viCe-Presidente
 Luiz Wagner Chieppe viCe-Presidente
ASSESSORIAS
 Orlando Caliman assessor de Planejamento e Gestão
 Eugênio Fonseca assessor de ComuniCação
 Pedro Amaral Oliveira assessor de seGurança
Rua José Alexandre Buaiz, 190. Ed. Master Tower – Sala 1414 – Enseada do Suá – Vitória/ES.
CEP: 29050-918 Tel: 3024-7700, Fax: 3024-7709 – www.espiritosantoemacao.org.br
 José Augusto Carvalho revisão
 Bios Projeto GráfiCo e editoração
 GSA Gráfica e Editora imPressão
1ª edição, 1991
Série
Espírito Santo : Economia e Política
Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)
(Isabel Cristina Louzada Carvalho, ES, Brasil – gestao.info@terra.com.br)
R672c Rocha, Haroldo Corrêa, 1956-
 Cafeicultura e grande indústria : a transição no Espírito Santo 1955-1985 / 
 Haroldo Corrêa Rocha; Angela Maria Morandi . – 2. ed. – Vitória : Espírito Santo
 em Ação, 2012.
 173 p. : 23 cm. – (Espírito Santo : Economia e Política ; v. 1)
 ISBN 978-85-64243-03-3 (impresso) 
 1. Espírito Santo (Estado) – Condicões econônmicas. 2. Café – Aspectos 
 econômicos – Espírito Santo (Estado). 3. Indústrias – Aspectos econômicos 
 – Espírito Santo (Estado). Café – Espírito Santo (Estado) – História. I. Morandi, 
 Angela Maria, 1953. II. Título. III. Série.
CDD: 338.1737098152
CDU: 338.45 (815.2)
Todos os direitos autorais estão reservados pelo Certificado de Registro nº 583.470, 
de 26/11/2012, emitido pelo Escritório de Direitos Autorais (EDA) da Biblioteca Nacional.
Sua reprodução, no todo ou em parte, constitui violação à Lei nº 9.610/1988.
Realização Patrocínio
© 2012 Haroldo Corrêa Rocha, Angela Maria Morandi
Agradecimentos 
constantes da 1ª edição
Este livro resultou do trabalho, apoio e incentivo de muitas pessoas 
e instituições, como sempre acontece com qualquer produção científica. 
Resultou, em primeiro lugar, do esforço que desenvolvemos juntamente 
com outros colegas da Ufes – Hildo Meirelles de Souza Filho, José Antonio 
Buffon, Sinésio Pires Ferreira e Sonia Dalcomuni dos Santos – e do Instituto 
Jones dos Santos Neves – Maria da Penha Cossetti e Ana Luzia Fregonassi 
Botecchia –, ao longo da década de 1980, no sentido de ampliar o conhe-
cimento da história econômica do Espírito Santo.
Resultou, ainda, do incentivo e da orientação metodológica do pro-
fessor Wilson Cano, da Unicamp, que muito contribuiu para a formação 
de nossa visão sobre a dinâmica regional da economia brasileira.
Resultou, também, da clareza com que Ricardo Ferreira dos Santos, 
Odilon Borges Junior e Orlando Calimam sempre encararam a necessidade 
de melhor conhecer a realidade econômica e social do Espírito Santo. Quan-
do na direção do Geres, do Bandes e do IJSN, respectivamente, apoiaram 
iniciativas de estudos sobre a realidade regional e, em particular, deposita-
ram confiança nas equipes de pesquisa do Departamento de Economia da 
Universidade Federal do Espírito Santo.
Este texto, que agora é levado ao público, foi elaborado em condições 
muito particulares. Sua primeira versão integrou um trabalho mais amplo, 
3ESPíRITO SANTO • Economia e Política
intitulado Avaliação do sistema de incentivos fiscais do DL-880, reali-
zado em 1985, pelo Geres e Bandes, com colaboração do IJSN e da Ufes. A 
coordenação geral do trabalho ficou a cargo do economista William Galvão 
Lopes, do Bandes, que nos solicitou a elaboração do segundo capítulo, in-
titulado “Antecedentes e evolução recente da economia capixaba”. Nesse 
capítulo desenvolvemos uma análise das origens do sistema de incentivos 
fiscais no Espírito Santo e abordamos o desenvolvimento econômico capi-
xaba do período de 1956 a meados dos anos 1980. Nesse texto não tivemos 
a pretensão de realizar uma análise teórica definitiva, mas, tão somente, 
a de recuperar as grandes linhas das transformações econômicas recentes 
do Espírito Santo.
Após a conclusão do trabalho, o referido capítulo dois foi reproduzido 
pelo Geres/Bandes em volume independente. A partir daí, esse volume 
teve circulação também independente e passou a ser usado e reproduzido 
por pesquisadores, por estudantes e pelos professores do Departamento de 
Economia da Ufes que lecionaram a disciplina Economia Capixaba para o 
curso de Ciências Econômicas.
Desta cada vez mais ampla utilização e circulação do texto original, 
surgiu a ideia de publicá-lo sob a forma de livro para facilitar o acesso dos 
leitores. Assim, passamos a empreender um trabalho de revisão geral do 
texto com vistas à publicação.
No verão de 1988, revisamos os três primeiros capítulos, atualizamos 
todos os dados estatísticos das tabelas e acrescentamos algumas notas ex-
plicativas; em fevereiro de1990, concluímos a revisão com a reelaboração 
do capítulo quatro, o que deu origem a um texto quase integralmente novo.
Durante todo esse período, contamos com a colaboração dos técnicos 
do IJSN, que foram incansáveis no trabalho de revisão ortográfica, dati-
lografia e normalização bibliográfica. Sob pena de não mencionar todos 
os envolvidos neste trabalho, queremos agradecer especialmente a Carlos 
Alberto Feitosa Perim, Fernando Lima Sanchotene, Djalma José Vazzoler, 
Terezinha Côgo Lodi, Clarisse Silva de Freitas, Francisca Proba Soares, Maria 
Cristina Dadalto Perez, Lastênio Scopel, Eliane Rezende, Eugênio Flores 
Herkenhoff e Maria da Conceição Lopes.
4 Cafeicultura & Grande Indústria
Também prestou importante colaboração a colega, professora do De-
partamento de Biblioteconomia da Ufes, Maria Luiza Loures Rocha Perota, 
que nos auxiliou no trabalho de normalização bibliográfica.
A etapa final do empreendimento foi cumprida após a decisão da 
FCAA de editar o livro e o apoio financeiro da Viação Águia Branca e da 
Aracruz Celulose, que compreenderam a importância da circulação mais 
ampla deste texto.
Destacamos também a colaboração dos nossos ex-estagiários e atual-
mente colegas economistas, Enilce Leite Mello e Helder Gomes, que tiveram 
uma participação muito especial na elaboração deste trabalho, pois foram 
responsáveis pelo levantamento dos dados estatísticos e pela elaboração 
da maior parte das tabelas que são apresentados no livro. Eles são, de uma 
forma ou de outra, coautores, embora não devam ser responsabilizados por 
eventuais erros ou equívocos que o texto possa apresentar.
Finalmente, queremos agradecer de forma muito especial e particular 
o permanente apoio, incentivo, e, porque não dizer, a cumplicidade dos 
nossos familiares com a nossa prática intelectual. Queremos, também, 
pedir perdão a Cristina, André, Vítor, Rodrigo e Renata pelas muitas horas 
de saudável convívio que lhes roubamos, o que é quase sempre inevitável 
nos momentos mais intensos de produção intelectual.
Vitória-ES, outubro de 1991
Haroldo Corrêa Rocha 
Angela Maria Morandi
5ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Prefácio à 2ª edição
Merece louvor a iniciativa do Espírito Santo em Ação de reeditar uma 
obra tão influente como foi e ainda é esta que o leitor tem agora em mãos. 
Pois, antes mesmo de sua primeira edição definitiva, que ocorreu em 1991, 
ela já era utilizada de forma muito intensa desde a década anterior por alu-
nos e professores de nossa Universidade Federal, e continua assim até hoje. 
Nela eles encontravam um conjunto bem-organizado de dados a respeitoda evolução econômica do Espírito Santo e uma consistente interpretação 
deles, constituindo-se assim em um sólido apoio para suas pesquisas e 
reflexões a respeito da trajetória socioeconômica recente do Estado.
Ela mostra de forma convincente e plenamente articulada que, entre 
a década de 1960 e a de 1980 a economia e a estrutura social do Espíri-
to Santo sofreram uma inflexão extraordinária: com a implantação dos 
chamados “grandes projetos”, entrou em pauta de forma definitiva a tão 
acalentada diversificação de sua estrutura econômica até então assentada 
quase exclusivamente na cafeicultura.
A mobilização social decorrente da mudança econômica gerou um 
processo de urbanização e de concentração populacional na Grande Vi-
tória que assumiu proporções inéditas, redesenhando completamente sua 
configuração urbanística.
Mas essas transformações não poderiam deixar de se refletir também 
no campo cultural e intelectual e foram elas mesmas o principal tema da-
7ESPíRITO SANTO • Economia e Política
quilo que se pode chamar a “redescoberta” do Espírito Santo, pelos próprios 
capixabas, da qual este livro é um marco significativo.
Depois do primeiro levantamento econômico realizado pela Capes em 
1959, os primeiros diagnósticos sobre o Espírito Santo foram feitos ainda 
na década de 1960: um sob a coordenação do economista cearense Jacy 
Magalhães, da Confederação Nacional da Indústria, e os outros dois pelo 
sociólogo carioca José Arthur Rios, divulgador no Brasil da metodologia de 
pesquisa do padre dominicano francês Louis-Josef Lebret. Arregimentados 
por iniciativa da Findes, então liderada por Américo Buaiz e pelo Governo 
do Estado, chefiado por Carlos Lindenberg, foram eles que orientaram as 
ações pioneiras dos governos daquela época para a promoção do desenvolvi-
mento regional, para a atração de investimentos públicos e privados para o 
Espírito Santo e para a criação de fundos de incentivo ao desenvolvimento. 
Mas esses diagnósticos ainda foram efetuados por profissionais “de fora”, 
que não possuíam vínculos mais efetivos com o Estado.
Na sequência, a federalização da Universidade, - que tinha sido criada 
ainda na década de 1950 por Jones dos Santos Neves, - e sua ampliação 
nas décadas seguintes, propiciaram a oportunidade para o surgimento no 
próprio Espírito Santo de uma jovem geração de competentes pesquisado-
res, da qual fazem parte Haroldo Rocha e Angela Morandi, cuja produção 
científica iria se manifestar de forma acentuada nas década de 1980 e 
de 1990, de forma concomitante com o amadurecimento das mudanças 
socioeconômicas mencionadas anteriormente. Orientados por eminentes 
pesquisadores de universidades de ponta do país, - como foi o caso deste 
trabalho, orientado inicialmente por Wilson Cano da Unicamp, - eles for-
maram um núcleo informal de pesquisas que deu início à autonomização 
do Espírito Santo nesse campo científico.
A produção de inúmeras teses e monografias no campo das ciências 
econômicas e sociais e da própria história, aprofundou a construção de 
um amplo e consistente diagnóstico a respeito da trajetória regional: temas 
como o desenvolvimento da cafeicultura e sua relação com a indústria, a 
urbanização e o crescimento populacional, o coronelismo, a construção e a 
evolução do estado regional, o desenvolvimento da atividade portuária e a 
integração na economia nacional e internacional, a imigração estrangeira, 
o transporte ferroviário, e muitos outros, foram explorados e pesquisados 
8 Cafeicultura & Grande Indústria
de uma forma pioneira. Criou-se, a partir desses trabalhos, um núcleo re-
gional de produção acadêmica que inseriu o Espírito Santo nas discussões 
nacionais e revelou a especificidade de nossa formação.
Esses estudos, entre os quais esta obra se destaca, acabaram se con-
vertendo em verdadeiros paradigmas e constituem até hoje referência 
obrigatória. Alguns deles foram publicados mas já se encontram hoje 
completamente esgotados, e muitos outros nem sequer chegaram a sê-lo, 
dada a precariedade e a incipiência de nossa produção editorial, influen-
ciada negativamente por uma série de fatores. E é por causa disso que se 
torna urgente hoje a publicação dos trabalhos mais significativos que foram 
produzidos naquela época.
Aproveitando o ensejo desta reedição, e tendo em vista a conjuntura 
que estamos atravessando, marcada por desafios inesperados como a ex-
tinção do Fundap - que tinha sido um dos propulsores do desenvolvimento 
estadual na etapa estudada inicialmente neste livro - e a ameaça de perda 
de parte significativa dos royalties do petróleo, Haroldo Rocha e Angela 
Morandi brindaram-nos com um excelente posfacio em que traçaram 
um amplo quadro das transformações mais recentes que afetaram nossa 
economia e sociedade, complementando assim sua análise dos últimos 50 
anos de nossa evolução.
Neste último diagnóstico, redigido quase trinta anos depois do primei-
ro, mas coerente com ele, os autores encararam de forma engajada,mais 
uma vez, a tarefa que eles mesmos se propuseram de “fornecer inspiração 
e pistas estratégicas para o enfrentamento dos novos desafios que se apre-
sentam aos capixabas”.
Eles reconheceram claramente que, a partir dos desenvolvimentos que 
se tinham dado anteriormente, o Espírito Santo deparou no começo século 
XXI com um cenário de amplas possibilidades de crescimento, apresentan-
do, entretanto, ao mesmo tempo, um quadro de graves desigualdades, com 
problemas sociais e precárias condições de vida, afetando grande parte de 
sua população, principalmente a urbana.
Mas eles reconheceram também, com grande coragem, a prevalência 
entre nós, até aquela altura, de uma condição política que pouco ajudava 
no equacionamento desses problemas: ou seja, como eles disseram, o 
9ESPíRITO SANTO • Economia e Política
“domínio das instituições públicas pelo chamado crime organizado e por 
relações corrompidas entre agentes públicos e privados, que drenavam 
os crescentes recursos públicos para alimentar os canais da corrupção, 
reduzindo a capacidade do setor público de realização de investimentos 
em infraestrutura e de provimento à população de baixa renda de serviços 
públicos essenciais de qualidade, sobretudo saneamento básico, saúde, 
educação e segurança pública”.
De lá para cá, no entanto, superada aquela condição política desabo-
nadora dos valores republicanos, que incapacitava o Estado regional para 
o cumprimento de suas obrigações sociais, baixava nossa autoestima e 
projetava uma imagem extremamente negativa do Espírito Santo, e apesar 
dos novos obstáculos, Haroldo Rocha e Angela Morandi mostram-se final-
mente esperançosos de que o Estado, “saneado financeira e eticamente, 
responderá por um lado aos desafios do novo momento de crescimento, 
garantindo a modernização da máquina pública, os investimentos em in-
fraestrutura, a oferta de serviços sociais básicos de qualidade. E, por outro 
lado, pela utilização de diversas ferramentas de regulação, o desenvolvimento 
será distribuído de forma mais equitativa regionalmente, menos agressivo 
ao meio ambiente e com melhores condições de reduzir as desigualdades 
sociais, pela promoção da melhoria da distribuição de renda”.
Por tudo isso, reafirmamos a opinião de que a reedição desta importante 
obra hoje constitui um marco significativo de nossa história intelectual.
Estilaque Ferreira dos Santos 
Historiador/Professor da Universidade Federal do Espírito Santo
10 Cafeicultura & Grande Indústria
Prefácio à 1ª edição
Este texto que tenho o prazer de prefaciar constitui importante con-
tribuição para os estudos da economia capixaba, possibilitando um acesso 
mais detalhado aos estudiosos do Estado do Espírito Santo. Essa análise, 
cobrindo o período de 1955-1985, completa exame de importante período de 
expansão da economia do Estado do Espírito Santo, que tem suas raízes porvolta de 1850, quando da primeira fase da expansão cafeeira nessa região.
Com esse trabalho não é exagero dizer que o Estado do Espírito Santo 
passa a ser um dos mais bem estudados em termos da evolução de sua 
economia.
Desde o pioneiro estudo da Capes (1959), seguido mais tarde pelo 
coordenado por José A. Rios (1966), passaram-se quase duas décadas para 
que se constituísse um produtivo grupo de pesquisadores na Ufes e no IJSN, 
em Vitória, no qual se sobressaíram Angela Maria Morandi, Haroldo Corrêa 
Rocha, Hildo Meirelles de Souza Filho, Maria da Penha Cossetti, Sinésio 
Pires Ferreira e José Antônio Buffon, que deram excelente continuidade 
e profundidade àqueles estudos. Tive inclusive a satisfação de orientar 
alguns desses trabalhos, acompanhando de perto a evolução intelectual 
desse grupo. Destaco, entre seus principais trabalhos, o de Rocha e Cossetti 
(1983), que, seguindo de perto os rumos teóricos e metodológicos que 
usei em meus estudos sobre a economia paulista e regional, produziram 
o já clássico local Dinâmica cafeeira e constituição de indústrias no 
Espírito Santo – 1850/1930.
11ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Esses estudos continuaram, entre outros, com o de Morandi e outros 
(1984), abarcando o período 1930-1970; e com o de Ferreira (1987), es-
tudando a integração do Espírito Santo no mercado nacional entre 1940-
1960, trabalho completado pelo presente texto.
Deve-se ainda acrescentar a esse conjunto bibliográfico sobre o Espírito 
Santo a importante tese de Almada (1984), que discute o escravismo no 
período 1850-1888, e também um pequeno ensaio que fiz (CANO, 1985c) 
sobre “Padrões diferenciados das principais regiões cafeeiras 1850-1930” 
onde, tomando por base alguns dos principais trabalhos acima citados, pude 
fazer algumas considerações sobre as diferenças marcantes que a economia 
cafeeira de São Paulo apresentou em relação às do Rio de Janeiro, Minas 
Gerais e Espírito Santo.
O estudo agora apresentado ao público analisa o período mais recen-
te, mostrando não só os efeitos de uma política regional de incentivos de 
várias modalidades, mas também a culminância da integração do mercado 
nacional, particularmente no período da atípica década de 1970, a do “Mi-
lagre Brasileiro”. O texto inova em relação aos demais, com um capítulo 
breve sobre as relações entre o crescimento econômico, a urbanização e o 
setor terciário, traço metodológico importante e necessário em trabalhos 
dessa natureza.
Como acontece com todo trabalho intelectual sério e relevante, es-
peramos que alguns de seus leitores e/ou seus próprios autores que deem 
continuidade a este esforço.
Wilson Cano2
2 Wilson Cano é economista pela PUC-SP, tem curso de pós-graduação pela Cepal e pelo Ilpes e doutorado pela Unicamp-SP, 
onde é também professor livre-docente, dando aulas no Curso de Pós-Graduação em Economia (Mestrado e Doutora-
do). Autor de vários trabalhos, entre os quais Raízes da Concentração Industrial em São Paulo e Desequilíbrios 
Regionais e Concentração Industrial no Brasil – 1930/1970. Conferencista, assessor, consultor e conselheiro de 
organismo e instituições nacionais e internacionais.
12 Cafeicultura & Grande Indústria
Sumário
Lista de Tabelas ....................................................................................... 15
Apêndice Estatístico ............................................................................... 17
Lista de Siglas e Acrônimos .................................................................... 18
Apresentação........................................................................................21
Introdução ...........................................................................................23
Espírito Santo nos anos 1960 e 2010 .............................27
1. Introdução .................................................................................. 27
2. A crise dos anos 1960 e as estratégias 
de enfrentamento adotadas pelos capixabas .............................. 28
3. As mudanças sociais e econômicas 
de cinco décadas – 1960/2010 ................................................... 33
4. A superação dos problemas trazidos pela urbanização 
 acelerada, o crescimento industrial e o controle do 
estado pelo crime organizado ..................................................... 41
5. As ameaças e as oportunidades nos próximos 
anos e décadas – Espírito Santo 2030 ........................................ 44
Referências ........................................................................................ 50
CAPíTULO 1 
O Espírito Santo e a política 
de desenvolvimento regional ...........................................51
1.1 O problema das desigualdades regionais 
no Brasil e o sistema de incentivos fiscais ................................. 51
1.2 Origem dos incentivos fiscais no Espírito Santo ........................ 59
CAPíTULO 2
Antecedentes: crise agrícola 
e industrialização 1955/75 ....................................................71
2.1 Auge e crise da cafeicultura ........................................................ 73
2.2 Política econômica e crescimento industrial ............................. 98
2.3 A construção de infraestrutura ................................................ 108
CAPíTULO 3
Expansão recente: desenvolvimento 
econômico e hegemonia do 
grande capital – 1975/85 .........................................................113
3.1 Crescimento e modernização da agricultura ............................116
3.2 Grande capital e diversificação da estrutura industrial ........... 133
CAPíTULO 4
Crescimento econômico, urbanização 
e dinamização do setor terciário ..............................147
Apêndice Estatístico...................................................................161
Referências ..........................................................................................167
Lista de Tabelas
TABELA 1 Distribuição regional da renda interna e da população 
residente, Brasil e Espírito Santo, 1949-1980, em % ...................54
TABELA 2 Preço médio de exportação do café (verde e solúvel), 
Brasil, 1945-1987 (US$/sacas de 60 kg) ...................................... 61
TABELA 3 Número de cafeeiros plantados, Espírito Santo, 1940-1987 ........75
TABELA 4 Produção de café beneficiado (média trienal), Espírito Santo, 
1942/44-1987 (sacas de 60 kg) ................................................... 76
TABELA 5 Resultado da execução do Programa de Erradicação 
dos Cafezais, 1962-1967 ...............................................................78
TABELA 6 Participação relativa por estado no Programa 
de Erradicação dos Cafezais ..........................................................79
TABELA 7 Percentual da população cafeeira e da área 
cultivada com café atingidas pela erradicação ..............................79
TABELA 8 Estimativa do desemprego de mão de obra ocasionado 
pelo Programa de Erradicação dos Cafezais, 
Espírito Santo, 1962/67 ...............................................................81
TABELA 9 Diversificação agrícola nas áreas liberadas pela execução 
do Programa de Erradicação dos Cafezais, Jun/62 – Ago/66 .......83
TABELA 10 Lenha e madeira em toros extraídas de florestas nativas, 
Espírito Santo, 1952/54 – 1987 (média trienal) .......................... 87
TABELA 11 índice de crescimento das exportações de madeira 
segundo destino, Espírito Santo, 1935/37 – 1965 ....................... 87
TABELA 12 Participação relativa dos principais estados importadores 
no total das exportações de madeira, Espírito Santo, 
1935/37 – 1965 ............................................................................ 87
TABELA 13 Efetivo bovino e taxa anual de crescimento do 
rebanho, Espírito Santo, 1950-1985 ............................................89TABELA 14 Área e taxa anual de crescimento das pastagens, 
Espírito Santo, 1950/1985 ...........................................................89
TABELA 15 Atividades econômicas predominantes nos 
estabelecimentos rurais, Espírito Santo, 1960/1985 ....................93
TABELA 16 Quantidade produzida das principais culturas agrícolas (média 
trienal), Espírito Santo, 1945/47 – 1987/88 (toneladas) ............94
15ESPíRITO SANTO • Economia e Política
TABELA 17 Área colhida1 das principais culturas agrícolas (média trienal), 
Espírito Santo, 1945/47 – 1987/88 (hectares) ............................94
TABELA 18 Rendimento médio das principais culturas agrícolas, 
Espírito Santo, 1945/47 – 1987/88 (toneladas) ..........................95
TABELA 19 Taxa anual de crescimento do valor da produção da indústria 
de produtos alimentares, Espírito Santo, 1959 – 1980 ..............101
TABELA 20 Aplicações dos recursos do IBC/Gerca do Programa de 
Diversificação Econômica das Regiões Cafeeiras, 
Espírito Santo, 1967/70 .............................................................104
TABELA 21 Indústria extrativa mineral por subgênero, Espírito Santo, 
1949 -1980 ................................................................................. 107
TABELA 22 Área de matas naturais e de reflorestamento, 
Espírito Santo, 1960-1985 .......................................................... 119
TABELA 23 Área reflorestada incentivada por empresa 
reflorestadora, Espírito Santo, 1989 ...........................................120
TABELA 24 Produção de leite de vaca por região, Espírito Santo, 
1975 – 1985 (mil litros) .............................................................126
TABELA 25 Preço médio da carne bovina, Espírito Santo, 1973 – 1989 .......126
TABELA 26 Evolução do número de máquinas agrícolas, 
Espírito Santo, 1970 – 1985 .......................................................129
TABELA 27 Taxa anual de crescimento do número de tratores 
e arados, Espírito Santo, 1960 – 1985 ........................................129
TABELA 28 Evolução do uso de fertilizantes e defensivos agrícolas, 
Espírito Santo, 1960-1985 ..........................................................129
TABELA 29 Estrutura fundiária – percentual de participação por 
estrato de área no total, Espírito Santo, 1950-1985 ...................132
TABELA 30 Taxa anual de crescimento do valor da produção da indústria 
de transformação, Espírito Santo, 1949 – 1980 .........................134
TABELA 31 Participação relativa dos principais gêneros na formação 
do valor bruto da produção da indústria de 
transformação, Espírito Santo, 1949 – 1980 ..............................135
TABELA 32 Indústria extrativa mineral e de transformação, 
Espírito Santo, 1949 – 1980 .......................................................145
TABELA 33 População urbana e rural – comparação 
Espírito Santo e Brasil, 1950 – 1980...........................................150
16 Cafeicultura & Grande Indústria
TABELA 34 População urbana e rural estimada, 
Espírito Santo, 1980 – 1990 ....................................................... 151
TABELA 35 População urbana e rural estimada, Grande Vitória, 
1980 – 1990 ................................................................................152
TABELA 36 População Economicamente Ativa por setores e 
ramos de atividade, Espírito Santo, 1950 – 1980 ....................... 154
TABELA 37 Novos empregos criados, segundo setor e ramo 
de atividade, Espírito Santo, 1950 – 1980 ..................................155
TABELA 38 Taxas anuais de crescimento da PEA, Espírito Santo, 
1950 – 1980 ................................................................................156
TABELA 39 PEA por setor e ramos de atividades, segundo 
Microrregiões Homogêneas, Espírito Santo, 
1970 – 1980 (Em porcentagem) ................................................159
Apêndice Estatístico
TABELA 1 Quantidade produzida de algumas culturas agrícolas 
emergentes - Espírito Santo – 1970 - 1988 (toneladas) ............. 161
TABELA 2 Área de colheita de algumas culturas agrícolas 
emergentes Espírito Santo – 1970 – 1988 (hectares) .................162
TABELA 3 Rendimento médio de algumas culturas agrícolas 
emergentes Espírito Santo – 1970 - 1988 ...................................162
TABELA 4 Relação das cinco principais indústrias mecânicas 
produtoras de máquinas e equipamentos - 
Espírito Santo – 1986 .................................................................163
TABELA 5 Relação das oito principais indústrias de confecções - 
Espírito Santo – 1986 .................................................................163
TABELA 6 Usinas de álcool hidratado/anidro implantadas no 
Espírito Santo – Dados gerais - 1986 ..........................................164
TABELA 7 Usinas de pelotização de minério de ferro 
existentes no Espírito Santo - Dados gerais ................................165
17ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Lista de Siglas e Acrônimos
Bandes – Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A
BNCC – Banco Nacional de Crédito Cooperativo S/A
Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior
CBF – Companhia Brasileira de Ferro
Cepa-ES – Comissão Estadual de Planejamento Agrícola-ES
Cepal – Comissão Econômica para a América Latina
Civit – Centro Industrial de Vitória
Cobraice – Companhia Brasileira de Indústria e Comércio
Codes – Companhia de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo
Cofavi – Companhia Ferro e Aço de Vitória
Comleste – Comissão de Desenvolvimento Econômico do Médio-Leste
Coopnorte – Cooperativa Agropecuária do Norte do Espírito Santo
CST – Companhia Siderúrgica de Tubarão
CVRD – Companhia Vale do Rio Doce
DEE – Departamento Estadual de Estatística do Espírito Santo
DER-ES – Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo
DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas
Eletrobras – Centrais Elétricas Brasileiras S/A
Emater – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Espírito Santo
Emcapa – Empresa Capixaba de Pesquisas Agropecuárias
Escelsa – Espírito Santo Centrais Elétricas S/A
Findes – Federação das Indústrias do Espírito Santo
Frinorte – Frigorífico do Norte do Espírito Santo
Frisa – Frigorífico Rio Doce S/A
Fundec – Fundo de Diversificação Econômica da Cafeicultura
Funres – Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo
Gerca – Grupo Executivo de Racionalização da Cafeicultura
Geres – Grupo Executivo para a Recuperação Econômica do Espírito Santo
18 Cafeicultura & Grande Indústria
Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
IBC – Instituto Brasileiro do Café
IBGE – Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Ideies – Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo
Logasa – Louças Gaggiato S/A
Petrobras – Petróleo Brasileiro S/A
Portobras – Portos Brasileiros S/A
Proálcool – Programa Nacional do Álcool
Probor – Programa da Borracha
Samarco – Samarco Mineração S/A
Sima-ES – Serviço de Informação do Mercado Agrícola
SNCR – Sistema Nacional de Crédito Rural
SPVEA – Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia
SPVERFSP – Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Região da 
Fronteira Sudoeste do País
Sudam – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia
Sudeco – Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste
Sudene – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
Sudhevea – Superintendência do Desenvolvimento da Borracha
Suframa – Superintendência do Desenvolvimento da Zona Franca de Manaus
Usiminas – Usina Siderúrgica Minas Gerais S/A
19ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Apresentação
Em nove anos de história, o EspíritoSanto em Ação tem oferecido à 
sociedade capixaba o resultado de todo o seu esforço, empenho e dedica-
ção. São projetos e ações que promovem o desenvolvimento do Estado, o 
fortalecimento das instituições capixabas, a formação de novas lideranças 
e, principalmente, que estimulam, em nós, o orgulho de viver no Espírito 
Santo.
Hoje, você tem em suas mãos mais um fruto do nosso trabalho. 
Trata-se do primeiro volume da coleção, um conjunto de estudos sobre um 
importante período da história desenvolvimentista do nosso Estado. São 
trabalhos profundos, produzidos e publicados por pesquisadores e acadê-
micos, sobretudo nas décadas de 1980-90, que serviram de referência para 
a construção do pensamento político e econômico acerca da modernização 
do nosso estado.
Nosso objetivo ao reeditar este primeiro volume - obra de dois im-
portantes economistas do nosso estado - é promover uma reflexão sobre o 
processo de industrialização do Espírito Santo, seus impactos e as oportu-
nidades que surgiram a partir deste processo. 
Na década de sessenta, com a erradicação dos cafezais, a economia 
capixaba sofreu um enorme abalo. Como sabemos, o Estado tinha perdido 
grande parte de sua principal atividade econômica e não havia alternativa 
imediata para sua substituição. O Espírito Santo estava em crise. Vivíamos 
21ESPíRITO SANTO • Economia e Política
um verdadeiro desastre econômico, fenômeno que ensejou uma reação em 
busca de alternativas mais sólidas e sustentáveis para o seu desenvolvimento.
Foi este preocupante cenário que levou os empreendedores e as au-
toridades políticas capixabas a perceberam que, somente com as ações 
articuladas e coordenadas, o Estado encontraria uma saída para a crise. 
Daí surgiram os novos planos para o desenvolvimento do Espírito Santo, 
sendo a atividade industrial o foco principal.
Os resultados desse novo modelo de desenvolvimento todos nós 
sabemos: nossa economia cresceu, diversificou e se integrou fortemente 
ao restante do Brasil. O Espírito Santo, hoje, é uma das economias que 
mais cresce no país e é, sem dúvida, a economia mais internacionalizada 
comparativamente aos demais estados brasileiros - se levarmos em conta 
as entradas e saídas para o mercado mundial.
Muitas vezes, quem vive neste cenário moderno e atrativo, desconhe-
ce os fatos históricos que conduziram o Espírito Santo a um futuro tão 
promissor, mas também desafiador. Esses acontecimentos, que têm suas 
bases no processo de colonização brasileira, deixaram marcas claras no 
desenvolvimento do Estado.
Ao ler este livro, você vai entender as profundas transformações vi-
vidas pela sociedade capixaba, a partir da década de 1960, e vai perceber 
que a história que o Espírito Santo escreveu é marcada por desafios. Aliás, 
esta é uma peculiaridade do nosso povo: vencer a falta de oportunidades e 
transformar as ameaças em benefícios.
Boa leitura.
Alexandre Nunes Theodoro
22 Cafeicultura & Grande Indústria
Introdução
A economia capixaba apresenta atualmente uma estrutura produtiva 
bastante diversificada e predominantemente industrial. Essa é uma nova 
realidade surgida e consolidada nas três últimas décadas, período em que 
se verificou um vigoroso processo de expansão econômica e modernização 
capitalista. As transformações econômicas decorrentes desse processo 
conformaram uma economia com um novo perfil produtivo e alteraram 
radicalmente o quadro de extrema dependência da atividade cafeeira, que 
caracterizou a economia capixaba durante mais de um século.2
Efetivamente, desde meados do século XIX, a cafeicultura, em função 
das vantagens econômicas que apresentava, tornou-se absorvedora dos re-
cursos econômicos disponíveis e assumiu a posição de principal atividade 
produtiva da economia estadual. A expansão da cafeicultura e a consequente 
inibição de outras lavouras submeteram a economia capixaba a elevado 
nível de especialização e de dependência em relação à lavoura cafeeira.
Inicialmente, a cafeicultura se desenvolveu em grandes proprieda-
des, com base no trabalho escravo, e, embora tenha havido significativa 
expansão da lavoura, as condições econômicas locais não permitiram que 
a atividade tivesse grande dinamicidade, como ocorreu em outras regiões 
cafeeiras do país.
2 O desenvolvimento da cafeicultura e a dinâmica da estrutura produtiva da agricultura no Espírito Santo no período de 
1850 a 1960 foi tema de vários trabalhos nos últimos anos. Entre eles recomendamos, por seguirem a mesma linha 
metodológica, os seguintes: de Rocha e Cossetti (1983); Morandi et al. (1984); Ferreira (1987); e de Almada (1984).
23ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Após o fim da escravidão, a estrutura produtiva local transitou para 
um sistema de pequena propriedade e de trabalho familiar. A cafeicultura 
manteve o seu papel preponderante e passou a ser desenvolvida em pequena 
escala de produção, de acordo com a disponibilidade de força de trabalho 
das famílias dos pequenos proprietários e dos parceiros. A unidade pro-
dutiva era praticamente autossuficiente e tinha no café a sua quase única 
cultura mercantil.
As condições em que operava a economia cafeeira tornavam relati-
vamente lento o ritmo de expansão da lavoura e travavam a acumulação 
de capital, uma vez que as relações mercantis eram pouco desenvolvidas, 
e a rentabilidade bastante reduzida, o que não possibilitava um nível ra-
zoável de concentração de capitais. Assim, embora a cafeicultura tenha 
se expandido e mantido sua importância na economia estadual, ela não 
provocou grandes transformações na estrutura produtiva local, dadas as 
especificidades de sua dinâmica. Nos momentos de crise de superprodu-
ção e de queda dos preços do café, a economia capixaba, ao contrário do 
que acontecia na região cafeeira de São Paulo, não apresentava mudanças 
estruturais, nem realizava movimentos significativos de substituição de 
culturas. As unidades produtoras, a despeito da brutal redução do nível de 
renda advinda da queda dos preços do café, mantinham a lavoura cafeeira 
e reforçavam a produção de subsistência de forma a compensar a redução 
da compra de determinados produtos que adquiriam no mercado. Assim, 
as unidades produtoras tornavam-se ainda mais autossuficientes, os fluxos 
de comércio se reduziam e o processo de acumulação estagnava.
Essa estrutura produtiva e essa dinâmica muito particulares fizeram 
com que, desde que se introduziu a cafeicultura no Espírito Santo (em me-
ados do século XIX), até a década de 1950, a economia capixaba não tivesse 
grande dinamismo e se apresentasse altamente dependente da cafeicultura, 
sem vislumbrar nenhuma alternativa de diversificação econômica.
O círculo vicioso e a situação de extrema dependência do café que ca-
racterizavam nossa economia só foram alterados durante a última grande 
crise de superprodução e de preços, que afetou a cafeicultura nacional. Na 
segunda metade da década de 1950, a sequência de supersafras determinou 
a queda acentuada de preço, tal como já havia ocorrido em diversas ocasiões. 
Contudo a política governamental de enfrentamento dessa crise cafeeira foi 
24 Cafeicultura & Grande Indústria
radicalmente diferente das que já haviam sido utilizadas nas crises anteriores. 
Os órgãos federais responsáveis pela política cafeeira decidiram erradicar os 
cafezais até que a capacidade produtiva e as safras colhidas se equiparassem 
às necessidades do mercado consumidor. E, para viabilizar essa política, foi 
estabelecida uma considerável indenização por cova erradicada.
Essa política, embora tenha causado uma grave crise social, resultou 
numa significativa injeção de recursos na economia estadual, que buscou 
aplicações alternativas. Associaram-se a isso outras políticas de incentivos 
e financiamentos a atividades específicas, que possibilitaram viabilizar o 
início de um processo de diversificação econômica.Assim, a partir da crise cafeeira foi dada a partida num processo de 
transformações econômicas que viria alterar profundamente a estrutura 
produtiva da economia capixaba.
As três últimas décadas que foram palco dessas mudanças devem ser 
subdivididas em dois subperíodos.
No primeiro, que cobre aproximadamente duas décadas, de meados 
dos anos 1950 a meados dos anos 1970, o processo de acumulação foi 
comandado pelos pequenos capitais locais, que, ajudados pelas políticas 
estatais, lograram um bom nível de crescimento. Embora a cafeicultura tenha 
enfrentado uma grave crise de preços e uma grande redução de capacidade 
produtiva, a pecuária e a extração vegetal, ao lado dos gêneros tradicionais 
da indústria de transformação, apresentaram grande dinamismo e elevadas 
taxas de crescimento.
A fase recente do desenvolvimento econômico capixaba, que se verificou 
a partir de 1974/75, caracterizou-se pela hegemonia do grande capital, que, 
com raríssimas exceções, não era capixaba, mas nacional ou estrangeiro. 
Nesse período, o setor agrícola estadual foi dominado por um intenso pro-
cesso de modernização capitalista decorrente do avanço da empresa rural 
e das relações de assalariamento. O setor, em conjunto, apresentou uma 
retomada do crescimento, particularmente derivada da expansão do café, 
da cana-de-açúcar e da atividade de reflorestamento. Da mesma forma, o 
setor industrial recebeu grandes investimentos, o que determinou alterações 
substantivas na sua estrutura, com o surgimento e expansão de gêneros 
mais dinâmicos e complexos.
25ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Este trabalho analisa a economia capixaba justamente nessas três úl-
timas décadas, procurando mostrar de forma detalhada as mudanças que 
conformaram a sua nova “face” e sua nova forma de inserção na economia 
brasileira. No primeiro capítulo procura-se resgatar as transformações no 
nível político-institucional, especialmente os determinantes da criação 
do sistema de incentivos fiscais do Funres. O segundo capítulo trata da 
crise da economia cafeeira e do desenvolvimento industrial no período de 
1955/75. O terceiro capítulo corresponde ao período mais recente, cujas 
características centrais estão na modernização da agricultura e diversifica-
ção da estrutura industrial comandada pelo grande capital. E, por fim, no 
capítulo quatro, abordam-se, de forma breve, as relações existentes entre 
o crescimento econômico havido no período considerado neste trabalho 
e o processo acelerado de urbanização verificado nesse mesmo período no 
Espírito Santo, e, relacionam-se ainda esses dois processos com a dinami-
zação do setor terciário.
26 Cafeicultura & Grande Indústria
Espírito Santo 
nos anos 1960 e 2010
1. INTRODUÇÃO
A reedição deste livro, Cafeicultura e Grande Indústria: a transição no 
Espírito Santo 1955-1985, foi um sonho acalentado há vários anos, desde 
que se esgotou sua primeira e única edição. À medida que os anos foram 
passando, foi sendo reforçada a necessidade de uma nova edição, pois foi 
crescente o uso do texto, especialmente em cursos universitários que mi-
nistram disciplinas sobre a realidade capixaba. Não faltaram palavras de 
estímulo de professores, pesquisadores, empresários e políticos para essa 
realização.
Isso veio a se tornar viável a partir do momento em que o Espírito 
Santo em Ação, sob a inspiração de João Gualberto de Vasconcellos e do 
ex-Governador Paulo Hartung, e sob a competente coordenação de Altier 
Moulin, Gerente de Comunicação, decidiu implementar uma nova linha 
editorial denominada Espírito Santo: economia e política.
Cafeicultura e Grande Indústria foi um dos títulos selecionados para 
compor a nova coleção e recebeu o privilégio de ser o texto inaugural, 
lançado no primeiro semestre de 2013.
27ESPíRITO SANTO • Economia e Política
O critério de escolha teve como base o conteúdo do livro, que examina 
em detalhe os impactos da política nacional de erradicação dos cafezais e as 
alternativas de desenvolvimento geradas nos anos 1960, e o momento con-
juntural que passa o Espírito Santo marcado por várias ameaças econômicas 
a partir de decisões originárias do contexto econômico e político nacional.
Há semelhanças e diferenças entre os dois momentos conjunturais. 
Um olhar sobre a história capixaba neste momento pode ser muito útil no 
sentido de fornecer inspiração e pistas estratégicas para o enfrentamento 
dos novos desafios que se apresentam aos capixabas.
Pode-se resgatar dos anos 1960, como elementos positivos do enfren-
tamento da crise econômica, social e política, quatro linhas de ação, que 
foram por demais evidenciadas: a união de esforços das elites política e 
empresarial em nível estadual; a mobilização para a implantação e a mo-
dernização da infraestrutura econômica adequada a novos investimentos; 
a criação/modernização das instituições públicas voltadas para o apoio ao 
desenvolvimento; e a criação de fundos de financiamento do setor público 
e dos investimentos privados (Funres e Fundap).
Como forma de colocar em evidência as semelhanças e as diferenças 
entre os dois momentos históricos, resolvemos elaborar este texto espe-
cificamente para a 2ª edição. Esperamos, assim, contribuir para elevar a 
autoestima dos capixabas e para identificar novos caminhos para o desen-
volvimento estadual nas próximas décadas.
2. A CRISE DOS ANOS 1960 E AS ESTRATÉGIAS 
DE ENFRENTAMENTO ADOTADAS PELOS 
CAPIXABAS
É interessante frisar, de antemão, que ao longo da história do Espírito 
Santo, os capixabas foram confrontados, em alguns momentos cruciais, 
por fatores externos e alheios à sua dinâmica interna, sem que estivesse 
preparado para recebê-los, que provocaram verdadeiras mudanças no rumo 
da economia e da sociedade.
28 Cafeicultura & Grande Indústria
Nos três séculos do período colonial, o Espírito Santo foi mantido à 
margem do desenvolvimento brasileiro, tendo, inclusive, perdido grande 
parte do seu território original e isolado, ao longo do século XVIII, dos 
possíveis impactos positivos da mineração no Estado de Minas Gerais por 
orientação da Coroa Portuguesa a seus representantes no Brasil, que impediu 
a abertura de vias de transporte ligando o Espírito Santo a Minas Gerais. 
Dessa forma, todo o fluxo de minerais destinado à Metrópole europeia foi 
direcionado para o Rio de Janeiro.
Ao longo do período imperial, no século XIX, e da primeira república, 
no século XX, a realidade de profundo atraso econômico foi sendo gra-
dativamente alterada com o povoamento realizado em grandes unidades 
produtivas escravocratas e em pequenas propriedades familiares constituídas 
a partir da colonização europeia. A cafeicultura, atividade econômica de 
maior relevância nacional, propiciou a formação de uma base econômica 
no Espírito Santo, em contínua, ainda que lenta, expansão.
A marcha do café, ao longo de um século, foi gradativamente ocu-
pando o solo capixaba, do sul para o norte, criando centros urbanos em 
seu interior, construindo uma infraestrutura adequada à atividade cafeeira, 
como as estradas de ferro e o porto de Vitória, e moldando uma estrutura 
produtiva de comércio e de serviços que serviam como apoio à dinâmica 
do café.
Assim, o estado chegou aos meados do século XX com forte dependên-
cia da atividade cafeeira. Em 1960, o PIB estadual apresentava a seguinte 
composição: 41,8% gerado pela agropecuária e pesca, 5,3% pelo setor 
industrial e 52,9% pelo setor terciário. Neste mesmo ano, a cafeicultura 
empregava 55% da população economicamente ativa capixaba e gerava 22% 
da renda estadual. Por outro lado, o beneficiamento de café representava, 
aproximadamente, 17% do valor da produção industrial e o ICMS café 
respondia por 62% da receita pública estadual. Além desta atividade, as 
pequenas propriedades rurais, que se tornaram predominantes, e os parceiros 
desenvolviam outras atividadesrurais produtoras de alimentos básicos, tais 
como milho, feijão, pecuária leiteira, criação de pequenos animais, etc. O 
comércio exterior tinha como base as exportações de café e de minério de 
ferro, esta última atividade iniciada em 1945 e com boas perspectivas de 
expansão a partir da inauguração do Porto de Tubarão, em 1966.
29ESPíRITO SANTO • Economia e Política
A infraestrutura de estradas de rodagem era muito precária e o abas-
tecimento energético insuficiente para suportar um processo de desenvol-
vimento mais complexo, com base no crescimento das cidades e do setor 
industrial. Em 1960, quase ¾ (71,6%) da população capixaba ainda vivia 
e trabalhava no campo.
De qualquer forma, a sociedade e a economia estadual se transforma-
vam de forma lenta e em condições de relativo equilíbrio.
Um problema nacional e a sua política de enfrentamento vieram al-
terar profundamente as condições de funcionamento e de reprodução da 
economia e da sociedade capixabas.
Os preços do café, principal produto gerador de divisas para o país, 
sofreram forte redução no mercado internacional, gerando grave desequi-
líbrio no balanço de pagamentos. Os preços médios do café verde e solúvel 
passaram de U$S 86,83, em 1954, para U$S 38,27, em 1963, representando 
uma redução de 56%. O governo federal, a partir de um diagnóstico de 
queda dos preços por excesso de oferta, decidiu implementar uma política 
cafeeira jamais adotada em qualquer outra época, em mais de um século 
de desenvolvimento da cafeicultura brasileira. Assim, o Instituto Brasileiro 
do Café - IBC - adotou, como um dos pilares dessa política, a erradicação 
dos cafezais antieconômicos ou de menor produtividade, e criou um órgão 
específico para implementá-la, o Grupo Executivo de Racionalização da 
Cafeicultura - Gerca.
No Brasil, entre junho de 1962 e maio de 1967, foram erradicados 
32,0% dos cafeeiros existentes e 30,5% da área ocupada com plantações 
de café. O Espírito Santo foi o estado mais atingido, pois teve 53,8% dos 
cafeeiros erradicados e 71,0% da área plantada liberada. No meio rural ca-
pixaba esta política resultou no desemprego direto de aproximadamente 60 
mil pessoas e na precarização das condições de vida de 240 mil capixabas, 
aproximadamente 25% da população rural de 1960. Nos outros setores da 
economia, como comércio, serviços de exportação, atividade industrial, 
receita pública, etc., o impacto deu-se de dupla forma, tanto pela queda dos 
preços como pela redução de volume do café produzido e comercializado.
A economia estadual foi profundamente abalada com a política federal 
de erradicação dos cafezais, pela forma radical e pela rapidez de sua imple-
30 Cafeicultura & Grande Indústria
mentação. É importante destacar que já se formava uma consciência política 
regional de que a extrema dependência da cafeicultura tornava a economia 
capixaba vulnerável e sem perspectivas de crescimento e diversificação. Em 
1952, o Governador Jones dos Santos Neves advertia que os galhos dos 
cafezais eram frágeis demais para sustentar nossos sonhos de progresso.
Pois bem, entre 1966 e 1967, realizou-se o grande movimento de 
destruição da capacidade produtiva da agricultura cafeeira. Mas até aquele 
momento não haviam sido desenvolvidas outras atividades econômicas, 
seja no meio rural ou na área industrial, capazes de compensar a regressão 
do café e abrir outras frentes de desenvolvimento.
O Espírito Santo encontrava-se numa encruzilhada. Havia perdido 
boa parte de sua principal atividade econômica e não tinha atividades 
substitutas com a mesma capacidade de geração de emprego e renda. A 
pergunta que se fazia era: como superar a grave crise?
Algumas respostas fundamentais foram dadas naquela conjuntura. 
Por um lado, tornou-se claro para as elites políticas e empresariais que a 
gravidade da crise demandava união política e ação coordenada. Assim 
foi que, o Governo do Estado, a Federação das Indústrias e a Federação do 
Comércio, somaram esforços, numa ação conjunta, para a elaboração de 
diagnósticos precisos da situação econômica e social e, ao mesmo tempo, 
para a formulação de novas estratégias de desenvolvimento. Concluiu-se, 
acompanhando a grande tendência da economia brasileira, pela priorização 
do desenvolvimento da atividade industrial no Espírito Santo. Mas havia 
obstáculos a serem inicialmente superados.
O primeiro era a precária infraestrutura que não condizia com as 
necessidades que seriam derivadas das atividades industriais, ligadas espe-
cialmente aos meios de transporte e às fontes energéticas. O segundo era 
a quase inexistência de capitais privados acumulados ao longo dos anos 
anteriores, passíveis de serem investidos nas atividades industriais, e a falta 
de uma estrutura bancária capaz de aportar recursos a custos competitivos 
para investimentos produtivos de longo prazo de maturação. Havia, por 
assim dizer, uma deficiente infraestrutura de transportes e energia e uma 
escassez de poupança para financiar os investimentos industriais a serem 
realizados.
31ESPíRITO SANTO • Economia e Política
O desafio da infraestrutura já vinha sendo enfrentado desde o período 
do Plano de Metas, principalmente a partir de investimentos públicos em 
produção e distribuição de energia elétrica e nas principais vias de trans-
porte, as BR’s 101 e 262 e o Porto de Vitória. Nos anos que se seguiram 
importantes obras foram concluídas.
O segundo desafio enfrentado foi a estruturação de fontes de financia-
mento para viabilizar os investimentos industriais. Naquela época era difícil 
pensar em fontes privadas, a não ser de origem externa, pois a economia 
brasileira não havia criado ainda as condições objetivas de viabilidade de 
financiamento de longo prazo por parte dos bancos privados. Assim, passou-
-se a estruturar fontes públicas de financiamento voltadas para o apoio aos 
investimentos privados em agroindústrias e na indústria em geral.
Inicialmente, como forma de compensação aos estados produtores 
de café, foi criado, na esfera federal e implementado pelo IBC/Gerca, no 
período 1967/1969, o Programa de Diversificação Econômica das Regiões 
Cafeeiras, com o objetivo de apoiar com financiamento subsidiado a im-
plantação e/ou ampliação de agroindústrias e a formação de infraestrutura, 
de forma a criar as condições para a diversificação econômica. Para gerir 
os recursos deste fundo, o Governo Estadual criou, em 1967, a Companhia 
de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo – Codes.
Paralelamente, as elites políticas e empresariais locais desenvolveram 
várias ações visando a estruturar fontes de financiamento duradouras a 
partir da constituição de fundos compostos com recursos oriundos de re-
núncia fiscal federal e, principalmente, estadual. Depois de muitas gestões 
e negociações políticas mal sucedidas junto ao Governo Federal, enfim, 
em 1969 foi constituído o Grupo Executivo de Recuperação Econômica do 
Espírito Santo - Geres - e o Fundo de Recuperação Econômica do Espírito 
Santo - Funres, o primeiro como órgão gestor do segundo, que era um 
fundo de incentivos fiscais, composto com deduções do Imposto de Renda 
e do Imposto de Circulação de Mercadorias. Os recursos do Funres eram 
destinados à aplicação, sob a forma de participação societária, em novos 
investimentos, sobretudo industriais. Em sequência à criação do Funres, 
foi constituído, em 1970, em nível estadual, o Fundo de Desenvolvimento 
das Atividades Portuárias – Fundap, fundo de financiamento composto por 
recursos do ICMS oriundos de atividades de importações não tradicionais. 
32 Cafeicultura & Grande Indústria
Este fundo visava a dinamizar o comércio exterior e a otimizar o uso da 
infraestrutura portuária, que até então era usada apenas para realização de 
exportações e passaria a ser utilizada também no incremento das impor-
tações, gerando, assim, movimentação de cargas,empregos e renda, além 
de novos investimentos em logística.
A implementação destes dois fundos financeiros, um destinado à 
participação societária em novos empreendimentos e outro a financiar as 
atividades de comércio exterior, exigiu que a Codes fosse transformada no 
Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A – Bandes, estrutura mais 
complexa e adequada à operacionalização dos dois fundos.
Portanto, à crise de preços do café e à política federal de erradicação 
dos cafezais, o Espírito Santo reagiu com a união de ações das elites políticas 
e empresariais, com a captação de recursos federais na área de logística e 
de energia, com a modernização da estrutura de gestão pública estadual, 
especialmente com a criação da Codes/Bandes, e com a constituição de 
dois fundos financeiros voltados para o apoio aos investimentos privados 
nas atividades agroindustriais, industriais e de comércio exterior.
Nas cinco décadas que se seguiram o Espírito Santo passou por uma 
grande transformação econômica e social. A sociedade e a economia estadual 
do início da segunda década do século XXI são completamente diferentes 
do Espírito Santo de meio século atrás. Neste mesmo período, realizou-se, 
também, o processo de globalização, suportado, sobretudo, pela evolução 
e aplicação das tecnologias da microeletrônica em todas as atividades hu-
manas, pela multiplicação das relações financeiras e pela revolução nos 
meios de transportes e nos sistemas de logística. O Espírito Santo mudou, o 
Brasil mudou e o mundo mudou. Os desafios de hoje são qualitativamente 
diferentes dos desafios de cinco décadas atrás.
3. AS MUDANÇAS SOCIAIS E ECONÔMICAS 
DE CINCO DÉCADAS – 1960/2010
Os dados populacionais fornecem uma primeira visão da magnitude 
da transformação porque passou o Espírito Santo. De 1960 para 2010, a 
33ESPíRITO SANTO • Economia e Política
população cresceu 147,8%, tendo passado de 1.418.348 para 3.514.952. A 
população rural foi reduzida em 45,5%, tendo sido de 1.014.887, em 1960, 
e 583.480, em 2010. A população urbana, por outro lado, teve um cresci-
mento explosivo de 626,6%, tendo passado de 403.461 para 2.931.472. Se 
em 1960 a população rural constituía a ampla maioria, 71,6%, em 2010 
este quadro se inverteu completamente, representando a população urbana 
83,4% da população total.
TABELA 1 - Espírito Santo: População Residente por Situação de Domicílio e 
Metropolitana - 1960-2010
1960 1970 1980 1991 2000 2010
População total 1.418.348 1.599.324 2.023.338 2.600.618 3.097.232 3.514.952
Urbana % 28,4 45,1 66,8 74,0 79,5 83,4
Rural % 71,6 54,9 33,2 26,0 20,5 16,6
Região Metropolitana da Grande Vitória
População total 216.274 418.273 753.959 1.136.842 1.438.596 1.687.704
% no ES 15,2 26,2 37,3 43,7 46,4 48,0
Municípios 
Vila Velha 55.587 123.742 203.401 265.586 345.965 414.586
Serra 9.192 17.286 82.568 222.158 321.181 409.267
Cariacica 39.608 101.422 189.099 274.532 324.285 348.738
Vitória 83.351 133.019 207.736 258.777 292.304 327.801
Guarapari 14.861 24.105 38.500 61.719 88.400 105.286
Viana 6.565 10.529 23.440 43.866 53.452 65.001
Fundão 7.110 8.170 9.215 10.204 13.009 17.025
Fonte: IBGE (1949-1980, 1951, 1967, 1973, 1991, 2000, 2010).
Esta dinâmica demográfica, como reflexo das mudanças econômicas 
ocorridas ao longo das cinco décadas, gerou um intenso processo de con-
centração populacional na Região Metropolitana da Grande Vitória, cujas 
taxas médias geométricas de crescimento anual foram sistematicamente 
superiores à média estadual e com diferenças marcantes. Segundo dados do 
IBGE e cálculos do IJSN, entre 1960 e 1970, a população da RMGV cresceu 
à taxa de 6,8% ao ano, contra 2,1% para o Espírito Santo. Entre 1970 e 
1980, esses índices foram de 6,07% e de 2,38%, respectivamente. Nas três 
décadas seguintes houve substancial redução das taxas de crescimento da 
população metropolitana, mas ainda assim se mantiveram superiores às 
taxas médias estaduais. Entre 1980 e 1991 as taxas de crescimento foram, 
respectivamente, de 3,8% e 2,31%. No período 1991/2000 se reduziram 
para 2,65% e 1,96% e na última década (2000/2010) passaram a 1,61% 
34 Cafeicultura & Grande Indústria
e 1,27%. Estes dados revelam uma situação animadora que é o menor 
ritmo de crescimento populacional do estado e principalmente da Região 
Metropolitana, havendo uma tendência de convergência de suas taxas. De 
qualquer forma o crescimento da população nas últimas cinco décadas fez 
com que a RMGV, que abrigava 15,2% da população estadual, em 1960, 
passasse, em 2010, a 48,0% da população total do estado. Estamos assim 
diante de uma metrópole de tamanho médio que apresenta problemas 
urbanos e sociais de significativa complexidade.
De fato, o projeto de desenvolvimento formulado nos anos 1960 de 
diversificação/modernização econômica sob a liderança do setor industrial 
foi muito bem sucedido. O PIB capixaba ao longo de cinco décadas cresceu 
acima do PIB brasileiro.
TABELA 2 - Taxa média de crescimento do PIB, ES e BR - 1960-2009
1960/70 1970/80 1980/90 1990/00 2000/06 2002/09
Espírito Santo 8,1 11,5 2,9 3,9 5,3 3,8
Brasil 7,7 10,3 2,0 2,4 3,7 3,4
Fonte: Elaboração de Sávio Caçador a partir de dados do Ipeadata (2009b) e IJSN.
A composição do PIB estadual evidencia o tamanho da transformação. 
O setor primário (agropecuária e pesca) respondia por 41,8% do PIB, em 
1960, e, em 2009, passou a 6,8%. O setor secundário (indústria) passou 
de 5,3 para 29,8%. O setor terciário (comércio e serviços) passou de 52,9% 
para 63,5%.
TABELA 3 - Espírito Santo: Composição Setorial do PIB - 1960-2009
Setores 1960 1970 1980 1990 2000 2002 2009
Agropecuária e pesca 41,8 20,8 14,7 6,0 8,8 8,2 6,8
Indústria 5,3 13,2 36,2 36,4 37,1 31,8 29,8
Comércio e serviços 52,9 66,1 49,1 57,6 54,1 60,1 63,5
Fonte: Elaboração de Sávio Caçador a partir de dados do Ipeadata e IJSN (2002 e 2009). 
O Espírito Santo teve, portanto, uma forte mudança estrutural. Transi-
tou de uma sociedade rural/agrícola para uma sociedade urbana/industrial.
O setor primário teve sua participação reduzida em função do forte 
crescimento industrial e dos serviços. Mas a agropecuária estadual não 
andou para trás, ao contrário, passou por dinâmico processo de diversifica-
ção de culturas e de melhoria de produtividade. O café continua sendo sua 
35ESPíRITO SANTO • Economia e Política
principal atividade, pois superada a crise dos anos 1960 houve a retomada 
do plantio, sobretudo do café conilon, e sucederam-se safras recordes, res-
pondendo, atualmente por 41% do PIB agrícola estadual. O Espírito Santo, 
no início dos anos 1960, era o quarto maior produtor nacional, tendo tido 
como safra recorde 2,3 milhões de sacas. Nos últimos anos, o Espírito Santo 
ascendeu ao posto de segundo maior produtor e em 2011 respondeu por 
27% da produção nacional, tendo tido a maior safra de sua história, 11,5 
milhões de sacas, sendo 2,7 milhões de sacas de café arábica (1 milhão de 
sacas de café de alta qualidade) e 8,8 milhões de sacas de conilon. Em 1965, 
a área ocupada com café era de aproximadamente 420 mil/ha e, em 2011, 
a área foi ampliada para 450 mil/ha, o que indica que a produtividade teve 
um aumento de 400%, tendo passado de 5,5 para 25,5 sacas por hectare. 
Esta evolução se deu principalmente em função do desenvolvimento, pelo 
Incaper, de espécies mais produtivas e da disseminação de tecnologia junto 
aos produtores rurais.
O café no Espírito Santo sempre foi uma atividade em expansão, 
com a única exceção dos anos sessenta quando houve a erradicação dos 
cafezais e a consequente queda das safras subsequentes. Desde meados 
da década de 1840, quando se iniciou o plantio de café no Espírito 
Santo, até os dias atuais, a cafeicultura sempre se expandiu, uma vez 
que se constitui em uma das melhores fontes de renda para os pequenos 
produtores rurais.Também a tradicional pecuária estadual, leiteira e de corte, passou 
um processo de modernização, embora em menor escala que a cafeicultu-
ra. Outras atividades foram introduzidas e desenvolvidas, como é o caso 
da cana de açúcar, fruticultura (abacaxi, banana, coco, goiaba, manga, 
maracujá, morango, uva, etc.), avicultura e silvicultura, principalmente o 
plantio de eucalipto.
O setor industrial foi onde ocorreu a maior mudança. Foi significati-
vo o crescimento da indústria extrativa (extração de rochas ornamentais, 
pelotização de minério de ferro e extração de petróleo e gás natural), dos 
serviços industriais de utilidade pública (energia elétrica e abastecimento 
d’água/saneamento) e da indústria da construção civil. Na indústria de 
transformação, tanto os segmentos tradicionais, processadores de matérias 
primas locais e produtores de bens de consumo, como novos segmentos 
36 Cafeicultura & Grande Indústria
produtores de commodities para exportação, apresentaram forte crescimen-
to. O Espírito Santo se especializou, no contexto nacional, na produção e 
exportação de commodities, a saber: café verde, rochas ornamentais, placas 
e chapas de aço, minério de ferro, pellets de minério de ferro, celulose de 
eucalipto e, nos últimos anos, em óleo bruto de petróleo.
O setor terciário (comércio e serviços) também ampliou sua parti-
cipação no PIB basicamente por dois motivos. O acelerado processo de 
urbanização levou ao crescimento destas atividades nos meios urbanos para 
atendimento direto à população consumidora e também se desenvolveram 
os serviços ligados ao comércio exterior, tais como os serviços portuários, 
transportes de cargas, serviços financeiros, etc.
Nos anos 1960 e 1970, o sistema de incentivos fiscais administra-
do pelo Geres teve importante papel na viabilização dos investimentos 
industriais dos segmentos industriais tradicionais. Mas, paralelamente a 
isto, foram realizados os investimentos nas grandes plantas industriais 
com capitais oriundos do Estado brasileiro e de grupos internacionais, 
cabendo destacar a implantação das unidades de pelotização da Vale, em 
associação com empresas estrangeiras; a planta de celulose da Fíbria, 
controlada por grandes grupos nacionais; das unidades de pelotização da 
Samarco, controlada pela Vale e por um grupo estrangeiro; e da unidade 
de placas e chapas de aço da ArcelorMittal Brasil, controlada pelo maior 
grupo siderúrgico do mundo.
O Sistema Fundap teve um desempenho modesto nas décadas de 1970 
e 1980, pois as importações no Brasil ainda eram submetidas a rigoroso 
controle administrativo e a elevadas tarifas, mecanismos de proteção ado-
tados com forma de garantir o mercado doméstico à produção nacional. 
Nos anos 70 a média de arrecadação anual do sistema foi de 20,7 milhões 
de dólares, valor que pouco se expandiu na década de 80 quando foi de 
23,7 milhões de dólares.
Nas duas últimas décadas o sistema Fundap apresentou um signi-
ficativo crescimento e as importações assumiram um papel grande rele-
vância no desenvolvimento estadual, com a multiplicação das atividades 
de comércio exterior e a construção de uma rede logística de suporte às 
suas operações.
37ESPíRITO SANTO • Economia e Política
TABELA 4 - Espírito Santo: Arrecadação de ICMS Fundap (Importações) - 1971/2000
(US$ mil)
Ano Valor Ano Valor Ano Valor
1971 1.336,8 1981 45.531,7 1991 50.938,0
1972 7.308,7 1982 33.063,5 1992 55.933,2
1973 13.737,2 1983 18.513,0 1993 59.616,3
1974 19.624,9 1984 16.766,5 1994 245.649,6
1975 9.344,2 1985 8.069,0 1995 535.280,9
1976 13.516,8 1986 8.923,2 1996 431.606,2
1977 13.773,6 1987 19.625,6 1997 658.912,9
1978 16.705,6 1988 19.899,8 1998 521.505,3
1979 41.890,9 1989 32.229,9 1999 301.755,0
1980 70.570,8 1990 34.419,5 2000 380.165,4
Média Anual 20.781,0 Média Anual 23.704,2 Média Anual 324.136,3
Fonte: Os valores do ICMS - FUNDAP, no período 1971-1993, foram extraídos Pereira (1998). Os demais 
dados foram calculados por Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito 
Santo [2000?].
Na década de 1990 o valor anual médio da arrecadação do Fundap 
passou a 324,1 milhões de dólares, quase treze vezes maior que na década 
anterior. O bom desempenho no período mais recente se deu em função 
de mudanças na política econômica e nas relações da economia brasileira 
com a economia global, que possibilitaram uma significativa expansão do 
comércio exterior brasileiro (exportações e importações), cabendo desta-
car: a partir de 1990, a abertura econômica e a liberalização comercial; de 
1994 a 1999 com o Plano Real e a paridade cambial de R$ 1 por US$ 1; e 
nos anos mais recentes, a valorização do Real frente ao dólar em virtude 
da boa performance da economia brasileira numa realidade global de ex-
pansão acelerada dos países emergentes e crise dos países desenvolvidos. 
Nestes três momentos conjunturais, as condições econômicas brasileiras 
foram amplamente favoráveis às importações, o que possibilitou um ex-
traordinário crescimento das operações realizadas com o apoio do sistema 
Fundap, que financiava as empresas importadoras e viabilizou o aumento 
em grande escala do volume de transações através dos portos capixabas. 
Estima-se que o complexo de comércio exterior instalado no Espírito Santo 
seja constituído por 500 empresas operadoras, que empregam de forma di-
reta aproximadamente 50 mil trabalhadores, sendo muitos especializados, 
e responda pela geração de 7% do PIB estadual.
Na primeira década do século XXI, a atividade de prospecção, extra-
ção e processamento de petróleo e gás natural, que foi iniciada no Espírito 
38 Cafeicultura & Grande Indústria
Santo em 1957 e teve a descoberta de seu primeiro campo com produção 
comercial em 1969, sofreu um grande impulso com novas descobertas na 
plataforma continental, inclusive na camada do pré-sal. Segundo a Agência 
Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP as reservas 
totais de petróleo no Brasil atingiram, em fins de 2010, um total de 28,5 
bilhões de barris, sendo que as do Espírito Santo atingiram 2,7 bilhões, o 
equivalente a 9,5% do total e a segunda maior reserva brasileira, só superada 
pelo Rio de Janeiro, que responde por 82,9% das reservas com 23,6 bilhões 
de barris. Também em gás natural, o Espírito Santo tem uma posição de 
destaque, pois detém a terceira maior reserva (13% das reservas nacionais), 
atrás do Rio de Janeiro e do Amazonas.
O Espírito Santo já se destaca também na produção de hidrocarbone-
tos, ocupando a segunda posição em petróleo e em gás natural. Segundo 
a ANP, em fevereiro de 2012 o Rio de Janeiro produziu 74,6% do total 
nacional de 2,2 milhões de barris por dia, enquanto o Espírito Santo, em 
segundo lugar, produziu 10,8% ou 343 mil barris/dia. Em gás natural, o 
estado produziu 10,8 milhões de m³, o equivalente a 16,1% da produção 
nacional de 67,1 milhões de m³.
A indústria do petróleo e gás é uma nova realidade emergente, que 
apresenta boas perspectivas de crescimento nas próximas décadas, consti-
tuindo-se no mais importante vetor de crescimento da economia estadual.
Esta mudança estrutural que passou a sociedade e a economia do 
Espírito Santo no curto espaço de tempo de cinco décadas, se por um lado 
mostrou grande dinamismo econômico, por outro foi causadora de graves 
problemas sociais.
O acelerado crescimento e a grande movimentação de população, por 
meio de fluxos migratórios do interior e dos estados vizinhos para o espaço 
urbano, formaram rapidamente um grande centro urbano marcado por sérios 
problemas sociais e urbanos. A Região Metropolitana da Grande Vitória, 
composta pelos municípios de Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, 
Vila Velha e Vitória, teve sua população aumentada em 950% entre 1960 
e 2010, pois passou de 169.647 para 1.687.704 habitantes, representando 
48% da população estadualem 2010. Do meio rural e de cidades do interior 
capixaba veio aproximadamente um terço do contingente populacional da 
39ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Grande Vitória e de outros estados brasileiros também se formaram fluxos 
migratórios de relevância, que se dirigiram ao estado, atraídos pela possi-
bilidade de emprego nos grandes empreendimentos industriais.
Assim, constituiu-se uma metrópole de porte médio num curto espaço 
de tempo, criando-se uma aglomeração de pessoas que deixaram as suas 
raízes sociais nos seus locais de origem, no interior do estado ou em outras 
localidades de estados vizinhos, especialmente, Minas Gerais, Bahia e Rio 
de Janeiro. O afastamento de suas raízes e a inserção em novas regiões de 
domicílio da Região da Grande Vitória levou à formação de uma nova so-
ciedade sem relações estruturadas e de baixa solidariedade social. Somava-se 
a isto a falta de emprego para todos e as carências sociais decorrentes da 
falta de renda mínima para suportar as necessidades básicas de cada família. 
Destas condições resultaram vários problemas sociais, tais como: habitações 
inadequadas, condições precárias de saneamento, de transporte coletivo e 
de atendimento à saúde, além da educação pública com oferta insuficiente e 
de baixa qualidade. Instalou-se, também, um ambiente propício à violência 
e ao comércio e consumo de drogas de forma descontrolada e disseminada.
Ao longo das décadas de 1960, 1970 e 1980, o conglomerado urbano 
foi se expandindo e os problemas sociais se multiplicando. Com o resta-
belecimento da democracia no país, a partir de 1982, e com as eleições de 
governadores e de prefeitos em 1984, formou-se o ambiente propício para 
que, por meio do voto popular, indivíduos e redes criminosas pudessem 
acessar o Poder Político no Executivo e principalmente no Legislativo. A 
partir da ocupação estratégica destas posições, os tentáculos do crime or-
ganizado foram expandidos para o Poder Judiciário, o Ministério Público 
e o Tribunal de Contas. Na década de 1990 até 2002 o Espírito Santo teve 
suas instituições públicas submetidas ao crime organizado e mergulhado 
nos desmandos e na corrupção. Foram anos difíceis e de muita angústia 
para a população.
As instituições públicas foram desestruturadas e perderam eficácia 
em suas ações e a qualidades dos serviços públicos essenciais, de saúde, 
educação e segurança pública, foram deterioradas penalizando a maioria 
da população de baixa renda, que deles é usuária.
40 Cafeicultura & Grande Indústria
As rápidas mudanças econômicas e sociais trouxeram também im-
pactos negativos para o meio ambiente. Os serviços de saneamento básico 
(drenagem, abastecimento de água e coleta/tratamento de esgoto) não 
acompanharam a urbanização, áreas de risco com alta declividade e de 
proteção ambiental e os mangues foram ocupados com submoradias, a 
poluição do ar por partículas em suspensão se tornou um problema coti-
diano de grandes dimensões e a coleta e disposição dos resíduos sólidos se 
tornaram desafios de crescente magnitude.
4. A SUPERAÇÃO DOS PROBLEMAS TRAZIDOS 
PELA URBANIZAÇÃO ACELERADA, O 
CRESCIMENTO INDUSTRIAL E O CONTROLE 
DO ESTADO PELO CRIME ORGANIZADO
A abertura do século XXI se deu com um cenário de amplas possi-
bilidades de crescimento das principais atividades econômicas estaduais, 
mas que, por outro lado, apresentava graves problemas sociais e precárias 
condições de vida de significativo contingente da população, sobretudo 
população localizada na periferia dos centros urbanos. Agregava-se a este 
cenário dual o domínio das instituições públicas pelo chamado crime 
organizado e por relações corrompidas entre agentes públicos e privados, 
que drenavam os crescentes recursos públicos para alimentar os canais 
da corrupção, reduzindo a capacidade do setor público de realização de 
investimentos em infraestrutura e de provimento à população de baixa 
renda de serviços públicos essenciais de qualidade, sobretudo saneamento 
básico, saúde, educação e segurança pública.
O desânimo da população era muito grande. A autoestima do capixaba 
encontrava-se em baixa. Parecia impossível superar aquele estado de coisas, 
especialmente o domínio do aparelho de Estado pelo crime organizado. 
Mas, a sociedade capixaba, mais uma vez, deu mostras de sua capacidade 
de superar dificuldades. Apenas que, nesta conjuntura, se tratava de supe-
rar problemas de natureza política e social, pois a economia desde quatro 
décadas anteriores vinha demonstrando capacidade continuada de cresci-
41ESPíRITO SANTO • Economia e Política
mento e o cenário para a primeira década do século XXI era extremamente 
animador, sobretudo tendo em vista o crescimento dos países emergentes, 
grandes importadores de commodities, e a descoberta e exploração de 
petróleo e gás natural.
A tarefa primeira a ser realizada era o resgate do aparelho de Estado 
do controle do crime organizado e a consequente adoção de critérios éticos 
na gestão pública. Assim, seria possível restabelecer o controle sobre as 
finanças públicas, resgatar a capacidade de investimento, estruturar polí-
ticas sociais em favor da população de menor nível de renda, retomar os 
investimentos em infraestrutura e estabelecer um ambiente ético e favorável 
ao investimento privado.
Esta superação dependia de amplo pacto social e político que unifi-
casse as ações das mais diversas forças sociais, ou seja, lideranças políticas 
comprometidas com a ética, lideranças empresariais, lideranças religiosas, 
lideranças dos trabalhadores e lideranças populares. Vale dizer, era preciso 
uma ampla união da população estadual.
Este pacto foi sendo construído gradativamente nos primeiros anos do 
século XXI e em 2002 foi consolidado na eleição de governador. Conquis-
tado o Governo, ao longo da década foi posta em prática uma estratégia 
gradual e continuada de resgate dos órgãos públicos para uma gestão ética 
e eficaz na prestação de serviços à população. Assim, foi possível reforçar 
as relações de confiança da população no Governo e nos diversos órgãos 
públicos. Por outro lado, num processo combinado de acelerado crescimen-
to econômico, a partir de volumosos investimentos públicos e privados, e 
de mecanismos de melhoria da distribuição de renda, como o Programa 
Bolsa Família, a recuperação do valor do salário mínimo e a expansão da 
oferta e melhoria da qualidade dos serviços públicos essenciais, foi possível 
reduzir os níveis de indigência e de pobreza de ampla parcela da população. 
Houve significativa redução das desigualdades sociais como decorrência do 
aumento da renda familiar em todos os segmentos sociais, sendo que entre 
2003e 2009 o índice de indigência no estado se reduziu de 9,1% para 3,6% 
e o índice de pobreza de 29,4% para 15,0%.
A capacidade de investimento do setor público é outra importante con-
quista dos últimos anos. Segundo dados da Secretaria Estadual da Fazenda 
42 Cafeicultura & Grande Indústria
em 2003 o estado investiu R$ 108,9 milhões, o equivalente a 2,1% do seu 
orçamento, e em 2010 houve R$ 1.593,1 bilhão de investimento, o que 
representou 13,4% da receita estadual. Da mesma forma e em proporções 
semelhantes os municípios tiveram suas receitas e capacidades de investi-
mentos ampliadas. Segundo a revista Finanças dos Municípios Capixabas 
(Aequus, 2004 e 2010), o investimento do conjunto dos municípios passou 
de R$ 274,7 milhões em 2003, equivalente a 12,9 da receita total, para R$ 
1.013,5 bilhões em 2010, correspondendo a 15% da receita total.
TABELA 5 - Evolução dos investimentos públicos estaduais - 2003/2011
(R$ milhão)
Anos Receita estadual¹ Investimentos %
2003 5.258,7 109,9 2,1
2004 6.305,4 192,3 3,0
2005 7.810,9 434,3 5,6
2006 8.556,8 727,1 8,5
2007 10.006,0 757,8 7,6
2008 11.102,6 911,3 8,2
2009 10.888,8 1.178,0 10,8
2010 11.928,8 1.593,113,4
2011 14.079,2 1.206,1 8,6
Fonte: Espírito Santo (2011).
¹ Receita estadual= receita corrente+receita de capital
Por outro lado, a recuperação da ética na gestão pública criou o am-
biente favorável à atração de investidores privados que passaram a perceber 
melhores condições de acolhimento e segurança jurídica aos seus empreen-
dimentos. O Espírito Santo tornou-se um dos estados mais atrativos para 
investimentos nos mais diversos segmentos de negócios. A previsão do IJSN 
para investimentos superiores a R$ 1 milhão para o período de 2010/2015 
é da ordem de R$ 98,8 bilhões, sendo que aproximadamente 48,5% destes 
investimentos serão concentrados na área de energia.
Ao se abrir a segunda década do século XXI, o Espírito Santo se apre-
senta com um cenário de crescimento muito promissor, orientado por um 
planejamento de longo prazo consubstanciado no Plano de Desenvolvimento 
do Espírito Santo – ES 2025. A percepção social geral é de que nos próxi-
mos anos o crescimento deve se concretizar nos mais diversos segmentos 
econômicos. O Estado, saneado financeira e eticamente, responderá aos 
desafios do novo momento de crescimento, garantindo a modernização da 
43ESPíRITO SANTO • Economia e Política
máquina pública, os investimentos em infraestrutura, a oferta de serviços 
sociais básicos de qualidade. E, por outro lado, pela utilização de diversas 
ferramentas de regulação, o desenvolvimento será distribuído de forma 
mais equitativa regionalmente, menos agressivo ao meio ambiente e com 
melhores condições de reduzir as desigualdades sociais, pela promoção da 
melhoria da distribuição renda.
5. AS AMEAÇAS E AS OPORTUNIDADES NOS 
PRÓXIMOS ANOS E DÉCADAS – ESPíRITO 
SANTO 2030
O ano de 2011 teve início com várias ameaças ao desenvolvimento 
capixaba, algumas oriundas do ambiente global e outras de decisões políticas 
e macroeconômicas brasileiras.
No ambiente global a ameaça principal foi a crise fiscal e financeira 
dos países da zona do euro, especialmente Grécia, Portugal, Itália e Espanha, 
que poderia ter evoluído para uma crise global de consequências imprevi-
síveis. Previa-se que até mesmo as economias emergentes, China, índia, 
Rússia, África do Sul e Brasil, poderiam ser arrastadas para um processo 
recessivo, o que teria impacto negativo sobre os preços das commodities 
e, portanto, sobre a economia estadual, especializada em exportações de 
produtos semi-elaborados.
No âmbito interno duas mudanças envolvendo a distribuição de 
recursos financeiros entre os entes federados se constituíram em objeto 
de grande preocupação pelo impacto econômico e fiscal que poderiam ter 
sobre o Espírito Santo: a redistribuição entre os estados e municípios dos 
royalties do petróleo, inclusive das áreas com exploração já contratadas, 
e a redução da alíquota interestadual de ICMS de produtos importados.
A crise global, que poderia advir da desintegração da zona do euro, foi 
evitada momentaneamente a partir da mobilização da União Europeia e da 
adoção de políticas ativas de financiamento dos Governos e Instituições 
Financeiras envolvidas na crise. Estas políticas foram relativamente eficazes 
ao propiciar um período de transição e ajuste financeiro e fiscal dos países 
44 Cafeicultura & Grande Indústria
mais fortemente endividados. O cenário mais severo de forte recessão global 
foi afastado, mas projeta-se um ambiente de crescimento econômico global 
mais modesto e sujeito a várias mudanças no sistema produtivo industrial, 
nas políticas macroeconômicas e nos fluxos financeiros e comerciais.
TABELA 6 - Exportações e importações do Espírito Santo - 1989-2011
(US$ milhão)
Anos Exportações Importações Saldo Comercial
1989 1.697,90 591,89 1.106,01 
1990 1.414,73 595,79 818,94 
1991 1.694,22 763,99 930,23 
1992 1.657,51 794,10 863,41 
1993 1.748,11 1.205,19 542,92 
1994 2.301,55 1.938,37 363,18 
1995 2.748,71 3.718,67 - 969,96 
1996 2.454,26 3.168,40 - 714,14 
1997 2.547,07 4.286,61 - 1.739,54 
1998 2.408,53 3.468,79 - 1.060,26 
1999 2.447,10 2.620,56 - 173,46 
2000 2.791,32 2.507,87 283,45 
2001 2.429,26 2.448,12 - 18,86 
2002 2.597,07 2.019,55 577,52 
2003 3.535,43 2.156,73 1.378,70 
2004 4.055,55 3.011,00 1.044,55 
2005 5.593,06 4.088,64 1.504,42 
2006 6.721,78 4.896,13 1.825,65 
2007 6.871,95 6.638,51 233,44 
2008 10.099,37 8.606,60 1.492,77 
2009 6.510,24 5.484,25 1.025,99 
2010 11.954,30 7.595,37 4.358,93 
2011 15.158,50 10.737,63 4.420,87 
Fonte: MDIC
A redistribuição dos royalties do petróleo encontra-se em tramitação 
no Congresso Nacional. Há forte pressão dos estados e municípios não 
produtores para que haja a redistribuição a seu favor, em prejuízo dos 
estados e municípios produtores. O mais provável é que seja mantida a 
regra atual de distribuição dos royalties para os contratos que se encon-
tram em vigor, que beneficia os estados e municípios produtores. Mas, por 
outro lado, devem ser adotadas novas regras de distribuição para os novos 
contratos de exploração da camada do pré-sal, beneficiando os estados e 
municípios não produtores em prejuízo dos produtores. Espera-se, assim, 
que no Espírito Santo, estado e municípios tenham perdas de receita apenas 
45ESPíRITO SANTO • Economia e Política
em relação aos futuros contratos a serem firmados pela Agência Nacional 
de Petróleo. É importante observar que esta mudança só afetará as receitas 
públicas futuras, não subtraindo as receitas já previstas derivadas de áreas 
de exploração já concedidas e contratadas e nem afetando os investimen-
tos das empresas exploradoras de petróleo e gás natural. Trata-se de perdas 
apenas de natureza fiscal e não de perdas econômicas de renda e emprego 
das atividades produtivas.
A redução da alíquota de ICMS sobre produtos importados, ao con-
trário da redistribuição dos royalties, afetará tanto as receitas do Estado 
e dos municípios como a atividade econômica gerada pelo complexo de 
comércio exterior que dá sustentação às operações de importação. O Sistema 
Fundap cresceu muito nos últimos anos acompanhando o crescimento 
da economia brasileira e a valorização do real, fatores determinantes do 
incremento das importações. Na tabela 6 pode-se ver que as importações 
no período 1992/2001 cresceram 200% e no período 2002/2011 foram 
ampliadas em 440%. As importações pelos portos capixabas, que em 1970, 
quando foi criado o Fundap, eram irrelevantes, passaram a 10,7 bilhões 
de dólares em 2011. A Resolução nº 13/2012, já aprovada no Senado Fe-
deral por determinação expressa do Governo Federal, estabelece alíquota 
interestadual única de 4 por cento de ICMS para produtos importados 
a partir de janeiro de 2013. Na prática esta nova alíquota, sendo a atual 
de 12%, inviabiliza o sistema Fundap, que é estruturado com base em 
financiamento das empresas importadoras em valores equivalentes a 8% 
do ICMS arrecadado. Deixando de existir o financiamento, que suporta 
os custos logísticos de deslocamento das importações até os locais de 
consumo em outros estados brasileiros, o negócio fica inviabilizado, as 
importações deixarão de ser realizadas pelos portos do Espírito Santo e 
deverão ser realizadas por outros portos, especialmente de São Paulo e Rio 
de Janeiro. Estima-se, caso seja reduzido a zero o movimento de importa-
ção pelos portos capixabas, que haja o desemprego de aproximadamente 
50 mil pessoas que trabalham no complexo importador, que a maioria 
das empresas operadoras encerre suas atividades e uma parte delas passe 
a operar em outros estados. Haverá, assim, uma perda econômica de 
significativas proporções para a economia estadual, podendo ocorrer a 
redução de 7% no PIB regional.
46 Cafeicultura & Grande Indústria
TABELA 7 - Espírito Santo: Arrecadação de IMCS Fundap (Importações) - 1994-2011
(R$ 1000 correntes)
Anos
Arrecadação e distribuiçãode ICMS Fundap 
Total Municípios Estado
1994 150.391,42 37.597,86 21.550,47
1995 495.708,52 123.927,13 56.654,08
1996 435.697,90 108.924,48 71.365,19
1997 713.162,82 178.290,71 119.046,50
1998 607.538,48 151.884,62 106.462,42
1999 681.016,51 170.254,13 115.548,62
2000 647.829,71 161.957,43 105.958,01
2001 767.981,79 191.995,45 125.974,16
2002 672.177,19 168.044,30 115.002,49
2003 780.581,90 195.145,48 121.607,66
2004 1.153.477,74 288.309,44 206.123,85
2005 1.408.245,38 352.061,35 262.185,79
2006 1.550.593,72 387.648,43 299.089,04
2007 1.864.301,09 466.075,27 340.895,38
2008 2.127.900,26 531.975,07 400.570,82
2009 1.832.662,69 458.165,67 311.523,25
2010 1.641.098,02 410.274,50 254.907,43
2011 2.389.252,17 597.313,04 342.991,42
Fonte: Espírito Santo (2011); Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espirito Santo 
[2000?].
Também as receitas públicas serão fortemente afetadas, principalmente 
as receitas municipais. Em 2011 houve o maior nível de importações des-
de que o Fundap foi criado em 1970 e, por conseguinte, o maior valor de 
arrecadação de ICMS, que atingiu R$ 2,39 bilhões. Deste valor, coube aos 
municípios o total de R$ 597 milhões e ao Estado R$ 342 milhões. Este é 
o tamanho da perda anual de receitas públicas previstas para os próximos 
anos. Também o Bandes, banco operador do sistema Fundap, deverá ter 
perda de aproximadamente 40% de sua receita, o que coloca em risco a 
própria sobrevivência da instituição e de seus programas de crédito aos 
pequenos produtores rurais e aos microempreendedores.
O Governo Federal, surpreendentemente, não admitiu a adoção de 
um período de transição na implementação da Resolução 72 e nem adotou 
medidas compensatórias das perdas econômicas e fiscais. No curto prazo 
não há compensação possível, pois o sistema Fundap se estrutura a partir 
de relações de comércio, que diante da inviabilidade econômica se deses-
trutura de forma imediata. Daí porque as perdas econômicas e fiscais se 
farão sentir em curtíssimo espaço de tempo.
47ESPíRITO SANTO • Economia e Política
É certo, portanto, que o Espírito Santo será negativamente afetado pela 
mudança de alíquota interestadual de ICMS sobre produtos importados. É 
certo também que as perdas se farão sentir em curto espaço de tempo, já 
mesmo no ano de 2012, pois para muitos produtos importados as decisões 
de importação são tomadas com até seis meses de antecedência. Contudo, 
não é possível prever com segurança e certeza absoluta o nível de redução 
das importações pelos portos do Espírito Santo.
O Espírito Santo encontra-se, mais uma vez, diante de uma ação federal 
que atrapalha o seu desenvolvimento. Efeito semelhante teve a política de 
erradicação dos cafezais adotada na década de 1960.
Nos anos que se seguiram à erradicação dos cafezais, o Espírito San-
to soube superar as dificuldades e se estruturar de forma a viabilizar um 
vigoroso e continuado progresso econômico e social. Neste período, o PIB 
capixaba cresceu sistematicamente acima do PIB brasileiro.
Quatro ações estruturadoras foram decisivas para o sucesso das 
décadas seguintes: a união das forças políticas locais, líderes políticos e 
empresariais, em torno de um projeto de desenvolvimento que tinha como 
eixo central a expansão industrial; a cobrança junto ao Governo Federal 
de ações voltadas ao desenvolvimento regional em termos de política de 
incentivos ao investimento privado e melhoria da infraestrutura logís-
tica; a reestruturação/modernização das instituições estaduais de apoio 
ao desenvolvimento econômico; e a criação de fundos de financiamento 
dos investimentos para suprir a deficiência de poupança e financiamento 
privado.
O sucesso obtido pode ser comprovado pelo significativo crescimento 
do PIB desde a década de 1960 até 2010 e pelo aumento da expressividade 
do Espírito Santo no cenário nacional. Em 2008, ocupando apenas 0,54% 
do território nacional e com 1,84% da população brasileira, o Espírito Santo 
contribuiu com 2,3% do PIB brasileiro, sendo 2,5% com o PIB agropecuá-
rio e 2,8% com o PIB industrial. O elevado grau de abertura da economia 
capixaba, que representa a soma das exportações e das importações em 
relação ao PIB, que chegou a 50%, é comprovado pela sua participação no 
comércio exterior do país, registrando 5,0% para as importações e 5,1% 
para as exportações.
48 Cafeicultura & Grande Indústria
Figura 1 – Participação do Espírito Santo no Brasil, 2008, em %
6,00
5,00
4,00
3,00
2,00
1,00
0,00
Área
0,54
População
1,84
PIB
2,30
PIB
agropecuário
2,49
PIB 
industrial
2,78
Valor das 
importações
4,98
Valor das 
exportações
5,10
Fonte: Ipeadata.
O momento atual guarda alguma semelhança com os anos 1960, 
pois estamos diante de uma nova perda econômica e fiscal imposta de 
fora. Contudo, a estrutura econômica atual do Espírito Santo é muito mais 
diversificada do que a daquele período, sendo as perdas atuais, embora ex-
pressivas, muito menos significativas proporcionalmente que as ocorridas 
com a erradicação dos cafezais.
De qualquer forma, quando há perdas é preciso que haja esforço de 
superação. As empresas, o Estado e os municípios terão de adotar medidas 
saneadoras e de reestruturação de suas atividades operacionais. Será preciso 
adequar as despesas, sobretudo de custeio, para garantir a continuidade 
dos investimentos que impulsionam o progresso.
Devemos, também, revisitar as ações bem sucedidas dos anos 1960 e 
adotar ações semelhantes, devidamente atualizadas e contextualizadas ao 
atual momento de desenvolvimento e globalização.
Nesta conjuntura de perdas e de esforço de superação, é fundamen-
tal manter a união política das mais diversas forças sociais. É preciso 
unificar as ações, não só de agentes políticos e empresariais, mas também 
de líderes religiosos, sindicais, populares, e, enfim, da opinião pública em 
geral. A partir desta unidade deve-se definir um eixo central a orientar o 
desenvolvimento do estado nos próximos anos: diversificação produtiva a 
partir de forte componente inovador.
Buscar e conseguir junto ao Governo Federal ações concretas de 
construção/reconstrução da infraestrutura logística do estado e de 
incentivo ao investimento produtivo público e privado.
49ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Reestruturação/modernização das instituições públicas voltadas 
para o apoio ao desenvolvimento econômico sustentável (SEDES, SEPE, 
SUPPIN, BANDES, ASPE, SEAMA/IEMA, IPEM e outros), de forma a apoiar 
a ampliação dos investimentos produtivos, em infraestrutura e sociais.
Criação de Fundo de Investimento a partir de recursos estaduais e 
federais (ICMS, Royalties, Tesouro Nacional, etc.) para garantir poupança 
e financiamento adequado a investimentos público e privado.
As mudanças instabilizadoras da atual conjuntura não podem de-
sorganizar o setor público estadual. Ao contrário, as mudanças devem 
encorajar a implementação de medidas saneadoras e reforçar o papel do 
planejamento de longo prazo e da gestão estratégica. Do ponto de vista 
estritamente financeiro é preciso fazer um esforço de poupar para investir 
em ações estruturadoras de forma a garantir um estado mais desenvolvido 
econômica e socialmente às futuras gerações.
O Espírito Santo vive um momento de perda. Mas também um mo-
mento promissor e de muitas oportunidades. O sucesso no futuro depende 
das ações estratégicas que serão adotadas no presente.
REFERêNCIAS
1. ESPíRITO SANTO (Estado). Secretaria da Fazenda. Balanço geral. 
[Vitória], 2011.
2. IBGE. Censo demográfico do Brasil. Rio de Janeiro, 1949-2010.
3. PEREIRA, Guilherme Henrique. Política industrial e localização de 
investimentos. Vitória: EDUFES, 1998.
4. SINDICATO DO COMÉRCIO DE EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DO 
ESTADO DO ESPIRITO SANTO. [Cadernos do Sindiex3]. [Vitória, 
2000?].
50 Cafeicultura & Grande Indústria
Capítulo 1
O Espírito Santo 
e a política de 
desenvolvimento 
regional
1.1 O PROBLEMA DAS DESIGUALDADES 
REGIONAIS NO BRASIL E O SISTEMA DE 
INCENTIVOS FISCAIS
A partir do início da década de 1950 desenvolve-se, em nível nacional, 
um processo de discussão que coloca em evidência a questão das desigual-
dades regionais no país e que resulta num elenco de políticas econômicas 
claramente discriminatórias em favor das regiões mais atrasadas. É impor-
tante resgatar, em linhas gerais, os determinantes desse processo, a fim de 
se entender a forma específica de inserção do Espírito Santo no bojo dessas 
políticas de âmbito regional.
Em nível teórico, a questão das desigualdades ganha espaço a partir 
do desenvolvimento do pensamento da Comissão Econômica para a Amé-
rica Latina – Cepal – nas décadas de 40 e 50. A concepção cepalina acerca 
51ESPíRITO SANTO • Economia e Política
do desenvolvimento econômico fundamenta-se sobretudo no progresso 
técnico incorporado aos diversos setores produtivos, ou seja, no aumento 
da dotação de capital por homem ocupado. Quanto maior a densidade de 
capital, mais desenvolvido será um país, o que, em última instância, se 
expressa no aumento do bem-estar material, normalmente refletido pela 
elevação da renda real por habitante (RODRIGUEZ, 1981).
A novidade introduzida pela Cepal está na percepção de que o desen-
volvimento econômico não se processa de maneira uniforme em todos os 
países. Pelo contrário, a divisão internacional do trabalho reserva a uns o 
papel primordial de exportadores de produtos primários e importadores 
de bens manufaturados e serviços. A outro bloco de países, cuja estrutura 
econômica é mais diversificada e cujos setores todos incorporam uma 
progressiva produtividade do trabalho, cabe a importação dos produtos 
primários e a exportação de bens manufaturados e serviços.
Assim, a noção de desenvolvimento procura elucidar as características 
que o processo de acumulação e o progresso técnico assumem ao se difundir a 
forma capitalista de produção no âmbito de um sistema econômico mundial 
composto por centro e periferia (RODRIGUEZ, 1981). A estrutura produtiva 
da periferia caracteriza-se pela especialização do setor exportador de produtos 
primários, enquanto que os demais setores apresentam uma produtividade 
muito aquém da que se encontra nas atividades similares das economias 
centrais. Estas, por sua vez, apresentam uma estrutura produtiva, ao mesmo 
tempo diversificada e homogênea, no sentido de que a produtividade do 
trabalho ou o progresso técnico se propaga para todos os setores produtivos.
O processo de crescimento da economia capitalista tende a aprofun-
dar essas desigualdades, verificando-se continuamente uma deterioração 
dos termos de intercâmbio, em prejuízo da periferia, ou seja, o poder de 
compra dos bens primários de exportação em relação aos bens industriais 
se reduz com o passar do tempo.
Do ponto de vista dinâmico, para Rodriguez (1981, p. 38),
[...] considera-se o progresso técnico mais acelerado no centro do que 
na periferia, admite-se, ainda, que os incrementos da produtividade do 
trabalho – consequência da incorporação do progresso técnico ao processo 
produtivo – são mais intensos na indústria do centro do que nos setores 
primário-exportadores da periferia, fato que, por sua vez, se reflete na 
52 Cafeicultura & Grande Indústria
disparidade dos ritmos de aumento das respectivas produtividades mé-
dias; e, finalmente, aceita-se que a renda média cresça também de forma 
díspar, a taxas mais elevadas nos países centrais do que nas economias 
menos desenvolvidas.
A partir desse diagnóstico sobre as economias periféricas, especialmente 
dos países da América Latina, e com a constatação de que a condição do sub-
desenvolvimento em relação aos países centrais tenderia a se ampliar ainda 
mais, a Cepal identificou na industrialização o único caminho viável para que 
as nações periféricas se tornassem independentes, “senhoras de seu próprio 
destino”, e capazes de realizar um desenvolvimento voltado “para dentro”. 
No entanto, a industrialização da periferia teria algumas especificidades e 
dificuldades e, nem de longe, poderia assemelhar-se à industrialização dos 
países centrais, nos quais o crescimento paulatino da produtividade, do 
mercado e da poupança foi compatível com o da população. Ao contrário, 
a industrialização periférica enfrentaria problemas específicos, que, grosso 
modo, poderiam se resumir a um único, segundo Mello (1982, p. 22):
[...] a ausência de uma indústria de bens de produção num momento 
em que o centro conformou uma estrutura industrial permeada por uma 
tecnologia extremamente avançada. Exatamente porque a industrialização 
latino-americana é problemática (e específica), a resolução das dificuldades 
não pode ser entregue ao livre jogo das forças de mercado, mas há de ser 
objeto de uma intervenção consciente na realidade, que é apreendida pela 
ideia da planificação.
Em linhas gerais, as ideias desenvolvidas pela Cepal serviram para 
ampliar o nível de conscientização política sobre as desigualdades regio-
nais no Brasil. Em primeiro lugar, devido à semelhança existente entre a 
análise do desenvolvimento do capitalismo mundial feita pela Cepal e o 
desenvolvimento interno da economia brasileira, que também apresenta-
va desigualdades regionais do tipo centro-periferia, consubstanciadas no 
desenvolvimento dos estados do Centro-Sul (especialmente São Paulo) e 
no atraso econômico das demais regiões. Em segundo lugar, essa consta-
tação serviu como alerta para as regiões periféricas, integrantes da nação 
brasileira, que, nessa condição, estariam progressivamente mais atrasadas 
em relação aos estados desenvolvidos.
53ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Duas ideias básicas, formuladas pela Cepal, foram adaptadas à questão 
regional. A primeira, a ideia de que seria imprescindível que a “periferia” 
desenvolvesse um processo de industrialização capaz de criar as condições 
necessárias para o crescimento autossustentado, ou seja, reduzir a dependência 
com a região polo, ampliar o nível de renda média e, consequentemente, 
reduzir o estado de extrema miséria de sua população. A segunda ideia era 
de que somente com a intervenção estatal, mediante políticas econômicas 
específicas, seria possível promover o desenvolvimento das regiões atrasa-
das, porque o “livre jogo do mercado” levava, na prática, à concentração 
industrial no Centro-Sul.3
A publicação das contas nacionais no início da década de 1950, com 
dados por região desde 1939, foi também um fato importante, que serviu 
para fomentar as discussões acerca das desigualdades regionais, uma vez que 
permitiu o confronto entre os níveis e os ritmos de crescimento regional 
dentro do país. Pôde-se comprovar, por exemplo, que a região Sudeste, a 
mais desenvolvida no país, detinha, em 1949, 66,5% da renda nacional e 
43,4% da população total, enquanto o nordeste, com 34,7% da popula-
ção, ficava com apenas 14,1% da renda nacional. Era evidente, portanto, 
a diferença entre as duas regiões no tocante à renda per capita (tabela 1).
Tabela 1 – Distribuição regional da renda interna e da população residente, Brasil e 
Espírito Santo, 1949-1980, em %
Regiões
1949 1959 1970 1975 1980
P
op
u
la
çã
o
R
en
da
P
op
u
la
çã
o
R
en
da
P
op
u
la
çã
o
P
IB
 a
.c
.f
.
P
op
u
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çã
o
P
IB
 a
.c
.f
.
P
op
u
la
çã
o
P
IB
 a
.c
.f
Norte 3,6 1,7 3,7 2 3,9 2,2 3,9 2,1 4,9 3,1
Nordeste 34,7 14,1 31,6 14,1 30,3 11,7 29,9 11,3 29,3 12
Sudeste 43,4 66,5 43,8 64,1 42,6 65,5 42,3 64,3 43,6 62,4
Espírito Santo 1,7 1,4 1,5 1,1 1,7 1,2 1,6 1,1 1,7 1,5
Sul 15 15,9 16,7 17,4 17,7 16,7 18 18,1 15,9 17
Centro-Oeste3,3 1,8 4,2 2,4 5,5 3,9 5,9 4,2 6,3 5,5
Brasil 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100
Fontes: IBGE (1949-1980); Instituto Brasileiro de Economia (1987).
Nota: A partir de 1970, utilizou-se o PIB ao custo de fatores, por serem as únicas informações regionais publi-
cadas pela FGV nas contas nacionais.
3 Essa teoria sobre as desigualdades regionais sofreu contundentes críticas por parte de alguns autores que se ocupam da 
questão regional no Brasil. Veja-se especialmente Cano (1985a) e Oliveira (1981).
54 Cafeicultura & Grande Indústria
O nordeste vinha recebendo tratamento específico devido ao proble-
ma das secas desde 1909, com a criação da Inspetoria Federal de Obras 
contra as Secas, que foi transformada posteriormente no Departamento 
Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. Além disso, a Constituição 
Federal de 1946 destinava 3% da receita tributária federal para o combate 
às secas nordestinas.
Em 1952 foi criado o Banco do Nordeste do Brasil e, em 1959, foi insti-
tuída a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - Sudene -, com a 
finalidade de “[...] coordenar as diversas repartições federais e estaduais que 
operam nesta região e formular um programa de desenvolvimento regional” 
(HIRSCHMAN, 1967, p. 5). Do primeiro Plano Diretor da Sudene resultou 
a concepção de um sistema de incentivos fiscais como forma de fomentar o 
desenvolvimento econômico da região, por meio da atração do capital privado 
para investimentos no nordeste. A propagação desse mecanismo para outras 
regiões e setores não tardou a acontecer.
O sistema de incentivos fiscais constitui, na verdade, um instrumento 
de política econômica do Governo Federal que possibilita estimular a ativi-
dade econômica em determinadas regiões ou promover o desenvolvimento 
de alguns setores considerados prioritários em nível nacional. O Estado 
cria, mediante a política fiscal, alguns mecanismos que exercem o papel de 
orientar capitais privados para investimentos produtivos em determinadas 
regiões, nas quais o livre jogo do mercado não é suficiente para determinar 
a localização de projetos industriais e/ou agropecuários.
O sistema pode ser composto por vários tipos de incentivos fiscais, 
tais como: isenção total ou parcial, por determinado período, do Imposto 
de Renda e/ou do ICM - Imposto sobre Circulação de Mercadorias -, para 
empresas que se instalem ou ampliem sua planta original na região bene-
ficiada; isenção do Imposto de Importação para equipamentos, etc. Mas o 
mais forte e decisivo incentivo instituído para promover o desenvolvimento 
da região nordeste ficou conhecido como o Sistema 34/18. Esse sistema 
inaugurou a era dos incentivos fiscais para o desenvolvimento regional e 
serviu de modelo para outras regiões e setores. O artigo 34 estabeleceu que 
as pessoas jurídicas de capital totalmente nacional poderiam deduzir até 
50% do Imposto de Renda devido em favor do nordeste, para serem apli-
cados em investimentos industriais ou agropecuários; o artigo 18 estendeu 
55ESPíRITO SANTO • Economia e Política
esses mesmos benefícios às empresas constituídas por capital estrangeiro 
que operavam no país.4
De um lado, o Governo abre mão de parte de sua receita oriunda do 
Imposto de Renda das pessoas jurídicas em favor das empresas privadas 
de todo o país, que obrigatoriamente destinam esses recursos, por meio 
da Sudene, para empreendimentos produtivos no nordeste, na forma de 
participação societária. Por outro lado, o investidor que decide instalar, 
ampliar ou modernizar um determinado projeto industrial ou agropecuário, 
na região, encontra um mercado de capitais “cativo”, advindo dos deposi-
tantes que receberam o incentivo fiscal para aplicação no nordeste. Assim, 
os investidores encontram, com certa facilidade, recursos financeiros que, 
em conjunto com o capital próprio, viabilizam a execução de seus projetos. 
O grau de competição para acesso ao capital de terceiros é muito menor, se 
comparado ao mercado normal de capitais. Além disso, outras vantagens 
são reservadas a esses investidores, uma vez que, juntamente com o mercado 
cativo de capital, o Governo cria outros incentivos fiscais, que aumentam a 
rentabilidade do projeto, como, por exemplo, isenção de Imposto de Renda 
por um determinado prazo depois do início de funcionamento da planta 
industrial ou agropecuária.
Não resta dúvida de que essa política tende a incrementar o investi-
mento do setor privado na região, especialmente em projetos industriais nas 
áreas urbanas, o que, certamente, contribui para criar empregos, ampliar 
a renda gerada, expandir alguns ramos da indústria até então pouco signi-
ficativos, e, ainda, dinamizar o setor terciário (área financeira, comércio 
em geral, serviços, etc.).5
Há que se ressaltar que a intervenção do Estado nesse processo foi 
bastante significativa. Primeiro, na concepção do sistema, pois decide-se 
por liberar para as empresas privadas recursos públicos, sem nenhum ônus, 
para realização de investimentos numa determinada região; segundo, no 
direcionamento da aplicação dos recursos, uma vez que os projetos devem 
4 O Sistema 34/18 refere-se ao fixado no artigo 34 da Lei nº 3.995, de 14-12-61, que aprovou o primeiro Plano Diretor da 
Sudene, e no artigo 18 da Lei nº 4.239, de 27-06-83, que sancionou o programa da Sudene para o período 1963/65.
5 A avaliação dos resultados do Sistema 34/18 para o nordeste foi realizada em vários trabalhos de vários autores, destacando-
-se os de Goodman e Albuquerque (1974), de Hirschman (1967) e de Magalhães (1978). 
56 Cafeicultura & Grande Indústria
ser aprovados pelo Governo, por meio das suas instituições responsáveis, 
dentro dos programas considerados prioritários.
Assim, no âmbito da questão regional, o nordeste passou a ser encarado 
como área prioritária para intervenção estatal. Entretanto esse privilégio 
concedido inicialmente ao nordeste fez com que surgissem reclamos de 
setores sociais de outras regiões igualmente consideradas atrasadas em 
relação ao polo paulista ou ao Centro-Sul. A Amazônia e, em menor grau, 
a região Centro-Oeste, passariam a receber também maiores atenções por 
parte do Governo Federal. Nesse jogo político em busca das benesses estatais, 
as próprias regiões, como estabelecidas na geografia de então, tiveram seus 
contornos redefinidos: o Centro-Sul (estados litorâneos do Espírito Santo 
ao Rio Grande do Sul, mais os estados de Minas Gerais, Mato Grosso e 
Goiás) foi desmembrado em sudeste (MG, SP, RJ, ES), Sul (RS, SC e PR) e 
centro-oeste (MT, GO, acrescido de Rondônia); e o nordeste antigo (CE, 
RN, PB, PE, AL, SE e BA) incorporou a região meio-norte (MA e PI). Em 
regionalização anterior, a Bahia já havia sido classificada dentro da região 
leste, ao lado dos estados da atual região sudeste, com exceção de São Paulo, 
então incluído na região sul. Nessas redefinições regionais, vale notar que 
o Espírito Santo não conseguiu, em nenhum momento, se desvencilhar 
de sua inserção na região mais dinâmica do país, ficando à margem dos 
contornos regionais periféricos.
Dessa forma, ocorreu uma verdadeira onda de criação de órgãos de 
apoio ao desenvolvimento regional, durante as décadas de 50 e 60. Segundo 
Cano (1985a, p. 25),
Em 1953 já fora criada a SPVEA – Superintendência do Plano de Valori-
zação Econômica da Amazônia – transformada em 1966 na Sudam. Em 
1956, era criada a SPVERFSP – Superintendência do Plano de Valorização 
Econômica da Região da Fronteira Sudoeste do país – transformada em 1967 
na Sudesul; em 1961, criava-se a Codeco – Comissão de Desenvolvimento 
do Centro-Oeste – em 1967 transformada na SUDECO e, finalmente, 
também em 1967, criava-se a Suframa, instituindo-se a Zona Franca de 
Manaus. O sistema de incentivos fiscais, basicamente centrado na isenção 
total ou parcial do imposto sobre a renda, para subsidiar investimento 
privado no nordeste,a partir da criação da Sudene, seria estendido, em 
1963, à região amazônica, tutelada pela Sudam.
57ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Posteriormente, também os setores de pesca, turismo e reflorestamento 
foram integrados ao sistema de incentivos fiscais, com deduções do Imposto 
de Renda devido, até 25%, 8% e 35%, respectivamente.
O Espírito Santo, como integrante da região Sudeste, ao lado de estados 
como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, permaneceu totalmente 
à margem da política regional empreendida pelo Governo Federal. Sua se-
melhança com esses estados não passava da mera proximidade geográfica, 
pois seus indicadores econômicos, tais como renda per capita, distribui-
ção setorial do produto, nível de urbanização, etc., estavam muito mais 
próximos da situação dos estados periféricos, o que lhe valeu a alcunha 
“nordeste sem Sudene”.
Os indicadores de renda interna revelavam a disparidade entre a 
economia capixaba e a economia da região Sudeste. Em 1965 registrava-se 
para o Espírito Santo uma renda per capita equivalente a 33,7% e 58% 
da renda per capita da região Sudeste e brasileira, respectivamente. Por 
outro lado, a composição setorial da renda interna estadual revelava 
uma base econômica radicalmente diferente daquela dos demais estados 
da região Sudeste, onde o setor industrial se encontrava já plenamente 
desenvolvido.
A política de desenvolvimento regional implementada pelo Governo 
Federal elegeu as regiões norte e nordeste como as mais atrasadas do país; 
por isso, essas regiões mereceram condições especiais para deslanchar 
um processo de desenvolvimento. Assim, o estado do Espírito Santo foi 
duplamente afetado: de um lado, embora pertencendo à região mais de-
senvolvida do país, contava com uma estrutura produtiva que pouco ou 
nada tinha em comum com sua economia – era um “desigual” dentro da 
região; por outro lado, comparava-se, sob muitos aspectos, aos estados do 
nordeste, porém não podia participar dos benefícios advindos da política 
de incentivos fiscais dessa região.
Assim, essa política adversa fez com que, durante um bom tempo, a 
economia capixaba ficasse de fora da política regional brasileira.
No entanto, passados quase dez anos do início da concessão de 
incentivos fiscais para o nordeste, o Espírito Santo foi “agraciado” com o 
DL 880, do Governo Federal, que concedia incentivos fiscais semelhantes 
58 Cafeicultura & Grande Indústria
ao Sistema 34/18. Isso coloca duas questões importantes a responder. 
Em primeiro lugar, se já era “desigual”, por que não participou do sis-
tema de incentivos fiscais à época de sua criação, juntamente com os 
estados nordestinos? Em segundo, se não participou antes, por que o 
conseguiu tempos depois? A resposta à primeira questão está ligada à 
rigidez da divisão regional. A resposta à segunda, no entanto, decorre 
de uma história peculiar, de uma situação conjuntural e muito parti-
cular que ocorreu no estado durante os anos 1960. É o que se pretende 
elucidar a seguir.
1.2 ORIGEM DOS INCENTIVOS FISCAIS NO 
ESPíRITO SANTO
Os anos da década de 1960 foram dramáticos para a economia do 
Espírito Santo: o aprofundamento da crise cafeeira, com a consequente 
desestruturação desse setor, devido à política de erradicação implemen-
tada pelo Governo Federal; a falta de perspectivas do setor agrícola no 
sentido de encontrar culturas substitutivas do café, que recuperassem 
o nível de renda e emprego; a debilidade do setor industrial e das de-
mais atividades tipicamente urbanas, incapazes de suplantar a queda 
da atividade econômica advinda da crise cafeeira; todos esses fatores, 
somados aos poucos recursos públicos estaduais, que minguavam cada 
vez mais, configuravam uma situação sem precedentes na história do 
Espírito Santo.
É sobejamente conhecida a importância que teve a cultura cafeeira para 
a economia capixaba. De meados do século XIX até a década de 1950, os 
ciclos econômicos estaduais estiveram umbilicalmente ligados à atividade 
cafeeira. A própria ocupação do território capixaba coincidiu, em grande 
parte, com “a marcha do café”, que, em sua expansão, ia derrubando matas, 
criando vilas, abrindo estradas, povoando o estado...
Em épocas de crise, provadas por queda dos preços do café ou por 
retração do mercado consumidor, a renda monetária dos produtores se 
reduzia, comprimindo sua capacidade de consumo. Porém essa situação 
pouco afetava a estrutura produtiva estabelecida, uma vez que algumas de 
59ESPíRITO SANTO • Economia e Política
suas especificidades favoreciam a superação da crise sem grandes trans-
formações estruturais para a economia capixaba. Uma dessas especifici-
dades era o caráter familiar da produção cafeeira, realizada em pequenas 
propriedades, cuja força de trabalho resultava de uma conjugação da mão 
de obra familiar e dos parceiros. Assim, o tamanho da lavoura de cada uni-
dade produtiva mantinha uma relação direta com o reduzido número de 
trabalhadores disponíveis, o que determinava uma expansão relativamente 
lenta da produção do café.
O café era quase sempre a única fonte de renda monetária das pequenas 
propriedades e o meio de acesso aos produtos não gerados no seu interior. 
Uma parte dos recursos disponíveis (incluindo mão de obra) destinava-se 
à produção de subsistência para as famílias, o que era reforçado em mo-
mentos de crise, possibilitando a sobrevivência das pequenas propriedades 
numa conjuntura desfavorável para os preços do café.
A década de 1950 apresentou as duas faces do ciclo econômico: 
expansão e retração da atividade cafeeira. Durante a primeira metade da 
década, verificou-se um aumento dos preços do café (tabela 2), que pro-
vocou uma vertiginosa expansão da cultura, elevando a área plantada de 
243 mil há, em 1950, para 328 mil há, em 1960, e expandindo o número 
de cafeeiros em cerca de 25%. Vale notar que 75% dos estabelecimentos 
rurais tinham no café sua principal atividade, ocupando 14,6% da área 
total desses estabelecimentos. A composição da renda interna estadual, 
em 1950, mostra o peso do produto na economia: cerca de 50,4% da 
renda total derivada do setor agrícola; dessa percentagem, 64,2% eram 
geradas diretamente pelo café, o que significava 32,4% da renda estadual. 
Sem falar que, indiretamente, o café era responsável por grande parte do 
produto industrial, por intermédio de seu beneficiamento, como também 
de algumas atividades do setor terciário, tais como: comércio, atividades 
portuárias, bancos, etc.6
6 Os dados referentes à área plantada foram retirados de IBGE (1940 – 1989) e os da renda interna extraídos de Univer-
sidade Federal do Espírito Santo (1982). 
60 Cafeicultura & Grande Indústria
Tabela 2 - Preço médio de exportação do café (verde e solúvel), Brasil, 1945-1987 
(US$/sacas de 60 kg)
Ano Preço Ano Preço Ano Preço Ano Preço
1945 16,18 1956 61,27 1967 42,29 1978 182,81
1946 22,41 1957 59,05 1968 41,88 1979 193,81
1947 28,17 1958 53,36 1969 43,11 1980 182,21
1948 28,05 1959 41,98 1970 57,46 1981 110,25
1949 32,61 1960 42,37 1971 44,68 1982 123,6
1950 58,34 1961 41,86 1972 55,01 1983 131,33
1951 62,79 1962 39,24 1973 67,83 1984 145,56
1952 66,07 1963 38,27 1974 73,81 1985 136,82
1953 70,05 1964 50,83 1975 63,96 1986 234,72
1954 86,83 1965 52,4 1976 153,7 1987 117,46
1955 61,61 1966 45,41 1977 259,19 
Fonte: Anuário estatístico do café (1977).
Na segunda metade da década de 1950 verificou-se uma queda abrupta 
dos preços do produto, provocando uma redução da renda interna, não só 
no setor agrícola, o mais diretamente atingido, mas também nos demais 
setores da economia. Em virtude dos baixos preços, a participação do café 
em 1960, na renda da agricultura e na renda total, reduziu-se para 48,8% 
e 22,1% respectivamente, iniciando-se uma fase recessiva na economia 
capixaba, talsua dependência da cultura cafeeira.
Essa crise aparentemente não se diferenciava das ocorridas anterior-
mente: queda dos preços, retração do mercado consumidor, aumento dos 
estoques, diminuição de renda monetária dos cafeicultores, etc. No entanto, 
a política implementada pelo Governo Federal, especificamente para solu-
cionar a crise cafeeira, inaugurou um novo modo de intervenção no setor. 
A partir de 1961, ficou a cargo do Grupo Executivo de Racionalização da 
Cafeicultura – Gerca – a definição da política cafeeira.
Em agosto de 1962, o Gerca apresentou o seu primeiro plano diretor, 
que previa a erradicação de 2 bilhões de pés de café antieconômicos, a 
diversificação de cultura nas áreas liberadas e a renovação racional das 
lavouras cafeeiras em proporção conveniente. Previa-se, também, como 
elemento complementar, mas indispensável ao êxito do plano, um programa 
de estímulo à industrialização e de aparelhamento da infraestrutura das 
regiões produtores (LAZZARINI, [1969?], p. 49).
O programa de erradicação, executado entre junho/62 e maio/67, 
atingiu mais da metade do cafezal capixaba, liberando 71% da área plantada 
61ESPíRITO SANTO • Economia e Política
com café e deixando praticamente 60 mil pessoas sem emprego na área 
rural. As consequências desse programa foram, de imediato, uma profunda 
crise social, devido principalmente ao problema do desemprego no setor 
agrícola, que provocou êxodo de famílias para as cidades, especialmente 
para a região da Grande Vitória, que não dispunha de infraestrutura urbana 
suficiente para abrigar o número elevado de pessoas que se deslocaram, 
nem, muito menos, oferecia empregos para essa massa de trabalhadores 
desempregados.
Para o setor agrícola colocou-se um problema da maior relevância: 
qual atividade poderia substituir, com êxito, a cultura cafeeira? Quais as 
perspectivas para os agricultores? Não se tratava de uma “simples” queda dos 
preços de seu principal produto, mas da erradicação e “desaparecimento” 
da lavoura cafeeira, tão arraigada, até então, na vida do agricultor. Devia-
-se, assim, buscar um novo rumo, fazer uma tentativa de transformar a 
estrutura produtiva.
Naquela conjuntura extremamente desfavorável, o Governo Estadual, 
juntamente com lideranças políticas e empresariais locais, iniciou um longo 
processo reivindicatório de políticas específicas para o Espírito Santo, junto 
aos órgãos federais. Pretendia-se recuperar a trajetória de crescimento da 
economia estadual e criar condições propícias para atrair capitais privados 
para os seus setores produtivos.
Aliás, havia algum tempo, aquelas lideranças já demonstravam pre-
ocupação quanto à extrema dependência da economia capixaba à cultura 
do café e se manifestavam a respeito da necessidade de diversificação da 
estrutura produtiva. Em 1952, em discurso pronunciado em Colatina, o 
governador Jones dos Santos Neves advertia que “[...] os galhos dos cafezais 
eram frágeis demais para sustentar nossos sonhos de progresso” (ESPíRITO 
SANTO, 1979, p. 2).
Evidentemente, a tão propalada diversificação da economia capixaba 
deveria fundamentar-se no desenvolvimento do setor industrial, uma vez que 
um processo de industrialização não só representa expansão do produto e 
do emprego industrial, mas também amplia as possibilidades de crescimento 
dos demais setores da economia. Isso ocorre no setor agrícola, tanto pelo 
aumento da demanda por alimentos da crescente população urbana, quanto 
62 Cafeicultura & Grande Indústria
pelo fornecimento de matérias-primas para a transformação industrial. O 
desenvolvimento do setor terciário está, também, estreitamente vinculado 
ao processo de industrialização e urbanização, que gera crescentes demandas 
por serviços especializados e comércio em geral.
Essas questões foram amplamente analisadas num minucioso diagnós-
tico, elaborado por Rios (1966) sobre a economia capixaba. Esse estudo não 
se deteve apenas na constatação da situação de retrocesso econômico que 
vinha se manifestando nos últimos anos, mas, principalmente, procurou 
sugerir possíveis soluções de curto e médio prazos. Sua principal conclusão 
foi de que a retomada do crescimento deveria necessariamente orientar-se 
pelo desenvolvimento do setor industrial, sobretudo naqueles ramos que 
ofereciam amplas possibilidades de crescimento e de que o Espírito Santo 
estava potencialmente dotado de capacidade de expansão.
Ressaltavam-se, em especial, as atividades ligadas ao minério de ferro 
e siderurgia, que eram dotadas de dinamismo suficiente para a criação de 
um polo de crescimento, o que mudaria a performance e as relações da 
economia capixaba com as áreas mais desenvolvidas do país. Assim, o Espí-
rito Santo poderia representar um novo papel na divisão inter-regional do 
trabalho, e seu crescimento teria como base um novo padrão de acumulação, 
o que significaria “[...] a abertura da Economia Espírito-Santense para os 
principais centros dinâmicos do país” (RIOS, 1966, p. 151).
Promover o crescimento industrial do Espírito Santo exigiria, antes de 
tudo, a atração do capital privado (local ou nacional) para investir no setor. 
Para tanto, o Governo Estadual teria que enfrentar, de início, dois desafios da 
maior importância. Primeiramente havia necessidade de se criar infraestrutura 
básica, cuja disponibilidade era insuficiente para atender à demanda, nos 
setores de transporte, comunicações, energia, etc., e infraestrutura urbana 
para atender ao intenso crescimento das cidades, principalmente na região 
da Grande Vitória. Em segundo lugar, era mister modernizar a administração 
pública, torná-la mais eficiente, mais ágil e mais objetiva.
Assim, a proposta básica do estudo foi a criação de um órgão de pla-
nejamento responsável pela elaboração do orçamento do Governo Estadual, 
bem como a criação de instituições capazes de captar recursos financeiros 
e destiná-los a um programa de desenvolvimento estadual.
63ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Várias tentativas foram feitas no sentido de sensibilizar o Governo 
Federal para a situação crítica que atravessava o Espírito Santo, objetivando, 
com isso, conseguir o apoio necessário e imprescindível para a recuperação 
econômica.
Primeiramente, o Governo Estadual pleiteou a inclusão do Espírito 
Santo, no todo ou em parte, na área de abrangência da Sudene, especial-
mente para receber os benefícios do Sistema 34/18, transformando-se numa 
área opcional para os investidores com acesso aos recursos financeiros dos 
incentivos fiscais. Tentou-se mostrar, por meio das estatísticas econômicas, 
que o Espírito Santo se assemelhava mais aos estados subdesenvolvidos 
do norte e nordeste do que aos seus vizinhos da região sudeste. O então 
governador Christiano Dias Lopes Filho sustentou, ainda, que o critério 
para a escolha da região subdesenvolvida do país resultou em uma injustiça 
inexplicável para o Espírito Santo, que sofria um autêntico achatamento 
econômico. De nada, porém, adiantaram esses argumentos: o Governo 
Federal negou peremptoriamente, apoiando-se no argumento de que outros 
estados poderiam reivindicar igualmente esses benefícios, o que perderia o 
caráter de exclusividade do norte e nordeste.
A partir de então, a solução passou a ser atribuir um caráter especí-
fico para o Espírito Santo. Assim, já em 1965, os empresários do estado7 
encaminharam ao então ministro extraordinário para Assuntos de Plane-
jamento, Roberto Campos, um projeto de lei destinado a criar um órgão 
de desenvolvimento regional: Comissão de Desenvolvimento Econômico 
do Médio-Leste – Comleste –, abrangendo todo o estado do Espírito Santo, 
o norte do Rio de Janeiro e o leste de Minas Gerais. Essa comissão estaria 
ligada diretamente à Presidência da República e teria dotação orçamentária da 
ordem de 1% da receita tributária da União. A Comleste teria como objetivos: 
propor umPlano de Desenvolvimento para o Médio-Leste; integrar a ação 
dos vários órgãos públicos nessa região; criar um Fundo de Investimento 
(Fidemleste) destinado a integralizar o capital de empresas com projetos 
considerados prioritários para a região; e financiar pesquisa, exploração 
e industrialização dos recursos agropecuários e minerais do Médio-Leste.
7 O empresariado local foi representado pela Associação Comercial de Vitória e pelas Federações das Indústrias, do Comércio 
e das Associações Rurais do Estado do Espírito Santo. 
64 Cafeicultura & Grande Indústria
A Comleste criaria, ainda, outros atrativos para empresas ou pessoas 
físicas: isenção de impostos e taxas para importação de equipamentos sem 
similares nacionais; redução de 25% do Imposto de Renda e adicionais não 
restituíveis para as empresas até o ano de 1973; dedução de 25% a 50% do 
Imposto de Renda devido pelas pessoas jurídicas; e abatimento na renda 
bruta das pessoas físicas para investimentos na área.
Talvez por ser uma reivindicação pouco realista, pois envolvia uma série 
de ônus para o orçamento federal, o projeto de lei não passou de projeto.
E registrou-se mais uma tentativa frustrada...
No entanto, o IBC-Gerca, órgão que promoveu a erradicação, reco-
nheceu a necessidade premente de intervenção na economia capixaba, 
porque o programa de diversificação e substituição do cafezal erradicado 
não estava surtindo os efeitos esperados. Foi, então, realizado pelo Instituto 
Brasileiro do Café um estudo específico sobre o Espírito Santo (INSTITUTO 
BRASILEIRO DO CAFÉ, 1967), do qual resultou o acordo IBC-Gerca/Go-
verno do estado do Espírito Santo, assinado em dezembro/66, segundo o 
qual aquele organismo se comprometia a alocar recursos financeiros para 
a reativação econômica do estado. Nesse estudo, o IBC admitia:
Por analogia, assim como o IBC indeniza o cafeicultor pela erradicação, 
assim também o estado, que vê reduzida a sua renda, e o Governo, que 
perde parcela apreciável de sua arrecadação, fazem igualmente jus a uma 
compensação financeira. Entretanto, da mesma forma que, no atual 
programa, a indenização ao cafeicultor está vinculada à diversificação, de 
modo a gerar atividades substitutivas, a contribuição financeira do IBC 
à economia estadual deverá compor um fundo, vinculado à promoção de 
investimentos reprodutivos, vedando sua aplicação para custeio público 
que extinguiria o recurso alegado, sem gerar novas riquezas (INSTITUTO 
BRASILEIRO DO CAFÉ, 1967, p. 3.5/1).
O acordo com o IBC-Gerca trouxe um novo alento e representou um 
direcionamento da intervenção estatal, passando o Governo Estadual a ter, a 
partir de então, uma resposta concreta aos reclamos do setor privado local: 
dispunha de recursos não só para realizar as obras de infraestrutura, mas 
também para financiar a atividade produtiva, embora ainda não fosse nos 
moldes requeridos pela iniciativa privada, que reiterava, a todo momento, 
uma solução via sistema de incentivos fiscais.
65ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Assim, o acordo com o IBC-Gerca ajudou, de um lado, a consolidar 
algumas tendências já latentes na economia capixaba e, de outro, a sair do 
“sufoco” imediato da crise, propiciando um espaço de tempo para recompor 
as forças perdidas.
Estabeleceu-se, em primeiro lugar, como questão de fundo, que seria 
importante fomentar o crescimento da indústria, em especial dos ramos 
mais diretamente ligados ao setor agrícola (as agroindústrias), uma vez que 
não havia produto, ou grupo de produtos, capaz de substituir a atividade 
cafeeira. Esse princípio orientava a política proposta pelo IBC-Gerca para 
o estado.
Em segundo lugar, tratou-se de criar o aparelhamento institucional 
necessário à implementação do acordo. O IBC-Gerca criou o Fundo de 
Diversificação Econômica da Cafeicultura – Fundec –, com recursos fi-
nanceiros específicos para infraestrutura básica e para o financiamento 
à agroindústria. Para administrar esse fundo, o Governo Estadual criou 
a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo – Codes 
–, que tinha ainda outros objetivos, pois deveria, segundo o relatório do 
Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo,
[...] dotar o Estado de um instrumento capaz de planejar e coordenar a 
mobilização e aplicação de recursos locais, nacionais e externos, visando 
à aceleração de seu processo de desenvolvimento econômico. [...]. A Codes 
surgiu como tentativa válida para cobrir uma lacuna que perdurou por 
longo tempo, agravando a situação do Espírito Santo em relação a outras 
unidades federadas que cuidaram de aparelhar-se para captar e aplicar 
recursos em programas de desenvolvimento (BANCO DE DESENVOL-
VIMENTO DO ESPÍRITO SANTO, [1970?a], p. 2/2).
Assim, no primeiro ano de operação da Codes (1967), os recursos do 
IBC-Gerca representaram a quase totalidade da sua disponibilidade financeira. 
O montante daqueles recursos foi bastante significativo, e, relativamente, o 
Espírito Santo foi o estado produtor de café mais beneficiado, assim como, 
não há dúvida, foi também o estado que sofreu mais fortemente com o 
programa de erradicação. Do total erradicado no Brasil, 22% situavam-se 
no Espírito Santo, que possuía apenas 13% da população cafeeira nacional. 
Do total de recursos para indenização direta dos produtores, 28% vieram 
para o Espírito Santo, e dos recursos para o Programa de Diversificação 
66 Cafeicultura & Grande Indústria
Econômica das Regiões Cafeeiras, 24% foram destinados ao estado, que 
também ficou com 38% dos recursos para agroindústrias.
Por último, vale ressaltar que a intervenção desse importante órgão 
federal serviu como ponto de partida para o reconhecimento oficial da 
situação crítica da economia estadual nos anos 1960 e começou a romper 
a forte resistência existente, até então, por parte do Governo Federal, à 
discussão e criação de um sistema de incentivos fiscais para o Espírito Santo.
Em que pese à contribuição financeira do IBC-Gerca, o reaparelha-
mento institucional do governo do estado e outros fatores que elevaram a 
confiança do empresariado local na recuperação econômica e superação 
da crise social, o poder político capixaba não cessou suas gestões junto à 
União com vistas a transformar o Espírito Santo numa região merecedora 
dos tão almejados incentivos fiscais.
O primeiro passo importante nessa direção foi a criação de um Grupo 
de Trabalho (Decreto nº 62.197 de 30-01-68) com atribuições para proceder 
à elaboração de um diagnóstico da situação socioeconômica do Espírito 
Santo, bem como para definir algumas propostas para a sua recuperação.
Apesar da inoperância desse Grupo de Trabalho, dada, principalmen-
te, a sua composição (envolvendo vários ministérios, órgãos federais e 
o Governo Estadual), conseguiram-se alguns resultados importantes. O 
diagnóstico socioeconômico foi concluído sem nenhuma novidade. Mais 
uma vez afirmava-se que a situação recessiva da economia advinha do 
abalo no setor cafeeiro nos anos 1960, sem que se evidenciasse nenhuma 
outra atividade de igual dinamismo, o que provocou “conjunturalmen-
te” queda do nível de renda e de emprego. Sua principal contribuição 
refere-se às propostas apresentadas para a recuperação econômica: de 
um lado, apontava o setor industrial como o único capaz de soerguer a 
economia capixaba, com destaque para siderurgia, atividades florestais, 
indústrias produtoras de insumos básicos para a construção civil, indús-
tria de café solúvel, além de frigoríficos; por outro lado, concluiu que 
o livre jogo das forças de mercado não seria suficiente para provocar a 
recuperação. A ação do Estado teria um papel primordial, principalmente 
com a criação de um mercado de capitais “cativo”, ou seja, do sistema 
de incentivos fiscais.
67ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Entretanto a formulação desse sistema deveria obedecer a algumas 
regras básicassem as quais não seria possível contar com a aquiescência 
do Governo Federal. Em primeiro lugar, não deveria representar mais ônus 
para a União, ou seja, deveria fazer parte dos recursos que o Governo Cen-
tral já dispensava às políticas de desenvolvimento regional. Em segundo 
lugar, não poderia prejudicar o fluxo de recursos carreados para as grandes 
“regiões-problemas” do país – o norte e o nordeste – oriundos, em sua quase 
totalidade, dos estados mais desenvolvidos, especialmente São Paulo e Rio 
de Janeiro, mantendo, assim, a exclusividade dos estímulos já estabelecidos 
para essas regiões.
O então governador Christiano Dias Lopes foi enfático em ressaltar 
essas premissas, e realmente foi apresentada uma solução plausível para a 
política local de incentivos fiscais. Na apresentação da proposta, dirigiu-se 
ao então ministro do Planejamento nos seguintes termos:
O Espírito Santo compreende e aceita a inviabilidade de ser, a esta altu-
ra, incluído na área da Sudene. Também compreende que é do mais alto 
interesse nacional que não se altere a legislação de incentivos destinados 
à execução da política de desenvolvimento do nordeste. Igualmente já não 
deseja nenhum tratamento que signifique drenar para seu território recursos 
de outras áreas que seriam destinados ao nordeste. Hoje, o que o Espírito 
Santo vem pedir ao Governo Federal é que, pelo menos, os recursos gerados 
no Espírito Santo sejam retidos aqui, para nos ajudar no esforço imenso 
de superação da crise. A fórmula é simples e irrespondível: o contribuinte 
do Imposto de Renda, pessoa física ou jurídica, residente ou sediado no 
Espírito Santo, poderá aplicar em projetos considerados de interesse para 
o desenvolvimento do estado (ESPÍRITO SANTO, 1979, p. 20).
Assim, finalmente foi colocado um ponto final na luta reivindicatória 
para distinguir o Espírito Santo com uma política específica de desenvolvi-
mento regional, consubstanciada no Decreto-Lei 880, de 18 de setembro de 
1969, que conferiu aos contribuintes do imposto sobre a renda, pessoas física 
e jurídica, domiciliados no Espírito Santo, o direito de aplicar as deduções 
do imposto relativas ao Decreto-Lei 221 (pesca), Decreto-Lei 55 (turismo) 
e Decreto-Lei 157 (compra de ações) em outros empreendimentos agrícolas 
e industriais localizados em território capixaba.
68 Cafeicultura & Grande Indústria
Esse mesmo Decreto-Lei criou também o Fundo de Recuperação 
Econômica do Espírito Santo – Funres –, constituído pelos recursos de-
correntes dos incentivos fiscais, além de diversas dotações orçamentárias 
federais e estaduais, com a finalidade de “[...] prestar assistência financeira, 
sob a forma de participação acionária e de operações de crédito, a empre-
endimentos industriais e agropecuários localizados no estado do Espírito 
Santo” (Decreto-Lei 880, art. 2º). Ficou instituído o Grupo Executivo para 
Recuperação Econômica do Espírito Santo – Geres – para administrar e 
disciplinar os recursos e incentivos criados pelo DL-880.
E, assim, encerra-se uma parte da história capixaba para dar início ao 
processo de industrialização, característico dos anos mais recentes.
69ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Capítulo 2
Antecedentes: 
crise agrícola e 
industrialização 
1955/75
O início da primeira fase de expansão recente da economia capixaba 
situa-se em meados dos anos 1950, devido basicamente a dois importantes 
acontecimentos.
O primeiro foi a implementação, a partir de 1956, do arrojado e 
ambicioso Plano de Metas. Esse plano, que deu prosseguimento à política 
desenvolvimentista do período anterior, objetivava aumentar o nível 
de integração vertical da estrutura industrial brasileira. Verificou-se a 
implantação, num curto espaço de tempo, de um conjunto de projetos 
ligados à indústria de base e à efetivação de pesados investimentos es-
tatais no setor de energia elétrica e no sistema de transportes.8 Embora 
os investimentos programados no Plano se tenham concentrado no 
eixo Rio-São Paulo, alguns projetos industriais prioritários foram im-
plantados no território capixaba. Esses projetos, mesmo não sendo de 
grandes dimensões, quando confrontados com a indústria e a economia 
nacional, determinaram significativa expansão da indústria capixaba, 
8 Sobre o Plano de Metas do Governo Juscelino Kubitschek ver o trabalho de Lessa (1982).
71ESPíRITO SANTO • Economia e Política
particularmente nos gêneros de metalurgia, minerais não metálicos e 
produtos alimentares.
O segundo acontecimento foi o início da crise de preços inter-
nacionais do café, em 1955. A queda contínua dos preços do produto, 
decorrente da sequência de supersafras verificadas na segunda metade 
da década de 1950, teve seu momento mais crítico em 1962/63, quando 
os preços atingiram o menor nível do período.9 Nos anos subsequentes 
verificou-se ligeira recuperação dos preços, que, contudo, se mantiveram 
em baixa até 1975. Somente a partir do segundo semestre desse ano, 
iniciou-se retomada segura do crescimento dos preços. Assim, durante 
aproximadamente vinte anos, a cafeicultura viveu uma grave crise de 
preços, seguida de uma substancial redução de capacidade produtiva, 
decorrente da erradicação dos cafezais patrocinada pela política do 
IBC-Gerca.
Essa crise afetou profundamente o desempenho da agricultura estadual, 
visto que a cafeicultura tinha grande relevância, e as demais atividades não 
se constituíam em alternativas rentáveis para sua substituição. Apenas a 
pecuária bovina apresentou boa performance e teve taxas elevadas de cres-
cimento, principalmente entre 1970 e 1975. Entretanto, a pecuária não se 
constituiu em perfeita substituta da cafeicultura, tendo-se verificado um 
desempenho sofrível da agricultura estadual no período de 1960/75, em 
termos tanto de emprego quanto de renda.
O setor industrial, ao contrário da agricultura, apresentou, nessa 
primeira fase, um grande dinamismo. Embora na década de 1950 seu 
crescimento tenha sido negativo, devido à crise de preço do café, cujo 
beneficiamento tinha significativo peso na estrutura industrial, na década 
seguinte a expansão industrial teve grande vitalidade, determinada pelos 
seguintes fatores: o início da operação dos projetos implantados pelo 
Plano de Metas; a implantação de expansão de vários projetos que foram 
viabilizados pela política de financiamento a agroindústrias instituída 
pelo IBC-Gerca; a instituição da política de incentivos fiscais, que colocou 
9 Sobre a política e a crise cafeeira nos anos 1950 e 1960 ver Guarnieri (1979).
72 Cafeicultura & Grande Indústria
à disposição dos investidores nova massa de recursos;10 e, finalmente, a 
retomada do crescimento da economia brasileira no período 1967/1973, 
que possibilitou a expansão da indústria local, principalmente dos gêneros 
madeira e produtos alimentares.
Por outro lado, as próprias transformações ocorridas na economia 
capixaba, em particular na agricultura, possibilitaram um alargamento 
considerável do mercado consumidor urbano local, o que, sem dúvida, 
assumiu papel decisivo na viabilização de vários projetos dos gêneros tra-
dicionais da indústria de transformação.
Assim, nessa primeira fase, verificou-se uma crise agrícola profun-
da e de graves consequências sociais, ao mesmo tempo em que foram 
criadas condições altamente favoráveis à industrialização, e imprimiu-se 
um ritmo acelerado ao processo de urbanização. No âmbito desse am-
plo processo de transformação, todas as políticas adotadas pelo Estado, 
principalmente a política de erradicação dos cafezais, vieram favorecer 
a acumulação privada dos grupos econômicos locais, que lideraram e 
comandaram o processo de crescimento industrial até o início da dé-
cada de 1970.
2.1 AUGE E CRISE DA CAFEICULTURA
A cafeicultura no Espírito Santo, desde sua implantação, em meadosdo século XIX, sempre teve expressiva participação na agricultura e na 
economia estadual. Sua importância, entretanto, foi acentuada a partir de 
fins da década de 1940, devido ao extraordinário crescimento dos preços 
internacionais e do plantio do produto.
Os preços médios de exportação do café passaram de US$ 16,18 por 
saca de 60 Kg, em 1945, para US$ 58,34 e US$ 86,83 em 1950 e 1954, 
respectivamente. Portanto, no período de dez anos, os preços aumentaram 
10 A política de incentivos fiscais foi instituída pelo Decreto-Lei nº 880, de 18-09-1969, e pela Lei estadual nº 2469, de 
28-11-1969. Os recursos gerados a partir desta legislação, no primeiro caso, oriundos do Imposto de Renda (IR); e, no 
segundo, do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM), constituíram o Fundo de Recuperação Econômica do Estado 
do Espírito Santo – Funres – administrado pelo Grupo Executivo pela Recuperação Econômica do Estado do Espírito 
Santo – Geres – ambos criados pelo Decreto-Lei 880.
73ESPíRITO SANTO • Economia e Política
4,3 vezes. Isso, evidentemente, fomentou a expansão do plantio de novas 
lavouras, o que elevou o número de cafeeiros, de 257,2 milhões de pés em 
1940 para 359,2 e 447,6 milhões em 1950 e 1960, respectivamente. Dessa 
forma, entre 1940 e 1960, houve um crescimento de 74% no número total 
de cafeeiros. Também a produção cafeeira teve significativa expansão, tendo 
as safras médias aumentado de 1,5 milhão de sacas no triênio 1942/44 
para 2,3 milhões no triênio 1960/62, correspondendo a um crescimento 
de 53% (tabelas de 2 a 4).
Essa expansão da cafeicultura acentuou seu peso específico na econo-
mia estadual, o que pode ser confirmado por três indicadores relevantes:
• Em 1960, verificou-se que 68,1% da População Economicamente Ativa 
(PEA) estadual estava empregada no setor agrícola, e a lavoura cafeeira 
era responsável pelo emprego de aproximadamente 80% da população 
ocupada nesse setor (ESPíRITO SANTO, 1968, p. 2/4).
• No mesmo ano, 22,1% da renda interna estadual era gerada diretamente 
pelo café. Contudo esse percentual já se apresentava bastante reduzido 
face à queda dos preços do produto ocorrida a partir de 1955. No ano 
de 1950 essa participação fora bem mais significativa, tendo atingido o 
percentual de 32,4% (UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPíRITO SANTO, 
1982).
• Também a indústria de transformação era bastante influenciada pelo 
café. Em 1949 o subgênero beneficiamento, torrefação e moagem de 
produtos alimentares, composto basicamente pelo beneficiamento de 
café, representava 60,9% do total do valor da produção da indústria 
de transformação. Na década de 1950, com a redução dos preços do 
produto, verificou-se uma queda acentuada do valor da produção desse 
subgênero, assim como do gênero de produtos alimentares e do próprio 
setor industrial como um todo, que apresentou uma taxa negativa de 
crescimento de 1,2%. Assim, a participação de beneficiamento do café 
reduziu-se para 16,6%, em 1959, o que, embora fosse bem menor que 
a participação de 1949, era ainda bastante elevado.11
11 Dados básicos dos Censos Industriais de 1950 e 1960 compatibilizados pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas – NEP – se-
gundo o Censo de 1960 e publicados em MORANDI (1984, tabelas 36 e 37).
74 Cafeicultura & Grande Indústria
Esses indicadores evidenciam a elevada dependência da economia 
capixaba em relação à atividade cafeeira, que foi acentuada no bojo 
do boom cafeeiro da primeira metade dos anos 1950. O aumento do 
peso relativo da cafeicultura na economia estadual, entretanto, não 
constituía, em si, um problema, tanto mais porque ocorrera devido à 
expansão da lavoura.
Contudo o boom cafeeiro não se circunscreveu aos limites geográficos 
do Espírito Santo, mas atingiu todas as regiões cafeeiras do país. Nos demais 
estados a cafeicultura atingiu os seus mais expressivos índices de expan-
são.12 Com isso, ampliou-se de forma significativa a capacidade produtiva, 
e verificou-se a ocorrência de extraordinárias safras anuais, cujas produções 
eram bem superiores à capacidade de absorção do mercado consumidor. 
A superprodução converteu o boom em grave crise, e os preços interna-
cionais do produto tiveram quedas espetaculares a partir de 1955. Nesse 
ano, registrou-se uma queda de 29%; e em 1959, de 51,7%, em relação ao 
preço médio de 1954.
Tabela 3 - Número de cafeeiros plantados, Espírito Santo, 1940-1987
Ano
Número de cafeeiros plantados
Total Em produção Novos
1940 257.272.755 212.997.130 44.275.625
1950 359.238.801 247.146.325 85.092.476
1960 447.645.103 360.431.122 87.213.981
1970 234.845.114 202.613.200 32.231.914
1975 247.165.671 193.756.765 53.408.906
1980 447.114.159 298.598.296 148.515.863
1985 645.214.793 485.175.737 160.039.056
1987 672.147.000 543.004.000 138.143.000
Fontes: Instituto Brasileiro do Café (1987); IBGE (1974a; 1979a; 1983a; 1987).
Essa crise de superprodução e preços, pela qual a cafeicultura capixaba 
teve pequena responsabilidade, pois representava pouco mais de 10% da 
produção nacional, afetou de forma profunda toda a economia estadual. A 
manifestação mais evidente da crise foi, sem dúvida, a redução acentuada 
da renda monetária das atividades diretamente ligadas ao café (produção, 
financiamento, comercialização interna, exportação, beneficiamento, etc.) 
12 Para verificação da expansão da cafeicultura nos outros estados brasileiros vide Anuário estatístico do Brasil (1940-1989) 
e Anuário estatístico do café (1977).
75ESPíRITO SANTO • Economia e Política
e também daquelas que dependiam indiretamente do comportamento da 
cafeicultura, principalmente o comércio de importação.
A queda dos preços do café afetou de forma particular a economia 
capixaba, uma vez que se tratava de uma estrutura produtiva fundamentada 
na pequena produção familiar. Numa economia “tipicamente capitalista”, 
como a de São Paulo, deveria ocorrer intenso processo de substituição de 
culturas, quando a lucratividade da cafeicultura atingisse um nível bastante 
baixo, capaz de tornar essa atividade antieconômica.
Tabela 4 - Produção de café beneficiado (média trienal), Espírito Santo, 1942/44-1987 
(sacas de 60 kg)
Anos Produção de café Anos Produção de café
1942/44 1.467.166 1966/68 1.373.225
1945/47 1.768.050 1969/71 1.157.617
1948/50 1.523.542 1972/74 1.126.558
1951/53 1.487.608 1975/77 1.020.392
1954/56 1.751.575 1978/80 2.339.317
1957/59 2.356.817 1981/83 3.426.492
1960/62 2.316.808 1984/86 4.233.656
1963/65 2.084.167 1987 3.708.275
Fontes: Anuário estatístico do Espírito Santo (1973); IBGE (1940-1989). Cálculos dos autores.
Notas:
1. A partir de 1947, os dados que se apresentavam em toneladas foram convertidos para sacas de 60 kg.
2. A partir de 1959, os dados referentes a café em coco foram transformados para café beneficiado com o 
seguinte critério: 2 kg de café em coco = 1 kg de café beneficiado.
Na economia capixaba, ao contrário, a tendência era que se preser-
vasse a capacidade produtiva do café, uma vez que, apesar do baixo preço, 
esse produto representava para os cafeicultores quase que a única fonte 
de renda. Por outro lado, a unidade produtora dependia muito pouco 
do café para sua subsistência, pois produzia a parte fundamental dos 
produtos básicos de alimentação e poderia alterar hábitos de consumo 
com a substituição de produtos comprados no mercado por outros de 
sua própria produção.
Assim a economia capixaba apresentava-se altamente resistente à 
crise e à desestruturação de sua base produtiva. Embora devesse ocorrer 
expansão da produção de outros produtos agrícolas tradicionais, deve-
ria preservar-se tanto a capacidade produtiva da cafeicultura quanto a 
própria unidade básica de produção, a pequena propriedade familiar. É 
76 Cafeicultura & Grande Indústria
evidente, contudo, que os setores capitalistas que dependiamdo excedente 
cafeeiro para alimentar seu processo de acumulação – particularmente 
as atividades de beneficiamento e comercialização do produto – enfren-
tariam sérios obstáculos, dada a redução substancial da renda gerada 
pela cafeicultura e o não surgimento de atividades substitutas capazes 
de compensá-las.
Portanto, dadas essas condições particulares em que operava a eco-
nomia capixaba, esperava-se que, não havendo interferências exógenas, 
ocorresse apenas redução da renda interna estadual, que redundaria em 
retardamento do processo de acumulação.
No entanto, devido à enorme repercussão da crise cafeeira sobre 
o balanço de pagamentos e a economia nacional, o Estado não poderia 
manter-se afastado do setor cafeeiro em termos de política econômica. 
Adotou-se, no início dos anos 1960, uma nova orientação para a política 
cafeeira. No âmbito dessa nova política foi criado o Grupo Executivo de 
Recuperação Econômica da Cafeicultura – Gerca – cuja tarefa fundamental 
era executar o planejamento da produção cafeeira com o objetivo principal 
de redução das supersafras.
Em 1962 foi elaborado o Plano Diretor do Gerca, com três diretrizes 
básicas: promoção da erradicação dos cafezais antieconômicos, diversificação 
das áreas erradicadas com outras culturas e renovação de parcela dos cafe-
zais. A promoção da erradicação foi a mais bem-sucedida, tendo, inclusive, 
se transformado na peça básica da nova política cafeeira (GUARNIERI, 
1979). As demais diretrizes não chegaram a ter consequências significativas, 
enquanto a primeira se tornou um instrumento de grande importância 
na intervenção do Estado no setor cafeeiro. Essa interferência, de caráter 
exógeno, veio modificar tanto os efeitos da crise quanto a própria estrutura 
produtiva da economia capixaba.
O programa de erradicação foi implementado em duas fases: a primei-
ra, no período de julho/62 a julho/66, durante o qual foram erradicados 
723,5 milhões de pés; a segunda, entre agosto/66 e maio/67, atingindo 
656 milhões de pés (tabela 5).
77ESPíRITO SANTO • Economia e Política
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78 Cafeicultura & Grande Indústria
O programa atingiu todas as áreas produtoras do país, mas algumas 
tiveram proporcionalmente um número maior de pés erradicados, como foi 
o caso do Espírito Santo. Neste estado foram erradicados 53,8% do cafezal, 
que ocupava 71,0% da área total cultivada com café. Nos demais estados 
cafeeiros – Minas Gerais, São Paulo e Paraná – essas proporções foram, 
respectivamente, de 33,0, 26,0 e 28,4% dos cafeeiros e 41,2, 26,5 e 19,8% 
das áreas cultivadas. Por isso, embora a cafeicultura capixaba possuísse, 
em 1961, apenas 13% do número total de cafeeiros existentes no Brasil, 
a erradicação realizada no Espírito Santo representou 22,0% do total de 
cafeeiros e 20,1% da área cultivada (tabelas 6 e 7).
Tabela 6 - Participação relativa por estado no Programa de Erradicação dos Cafezais
Estados
Cafeeiros erradicados 
(%)
Área liberada 
(%)
Valor pago aos 
cafeicultores Ago/1966 
(%)
1ª fase 2ª fase Total 1ª fase 2ª fase Total 1ª fase 2ª fase Total
São Paulo 33,8 8,4 21,7 37,2 9,1 24,5 41,6 10,3 15,6
Minas Gerais 31,9 20,3 26,4 29,5 16,6 23,7 27,2 17,1 18,9
Paraná 17,4 18,9 18,1 19,7 21,7 20,6 17,4 25,8 23,9
Espírito Santo 9,4 35,9 22,0 7,4 35,5 20,1 8,7 32,0 28,0
Outros 7,5 16,5 11,8 6,2 17,1 11,1 5,1 15,4 13,6
Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: Tabela 5.
Tabela 7 - Percentual da população cafeeira e da área cultivada com café atingidas pela 
erradicação
Estados Nº de cafeeiros erradicados/nº de cafeeiros existentes em 1961 (%)
Área liberada pela erradicação/área 
com cafeeiros em 1961 (%)
São Paulo 26,0 26,5
Paraná 28,4 19,8
Minas Gerais 33,0 41,2
Espírito Santo 53,8 71,0
Outros 29,4 29,9
Brasil 32,0 30,5
Fontes: Anuário estatístico do café (1977); Instituto Brasileiro do Café (1968).
Isso evidenciava claramente que a economia capixaba foi a mais 
profundamente atingida pelo programa de erradicação, o que pode ser 
explicado basicamente pelo fato de a cafeicultura estadual apresentar bai-
xo nível de produtividade e ser, em sua maior parte, antieconômica. Isso 
79ESPíRITO SANTO • Economia e Política
se verificava porque as condições gerais em que se realizava a cafeicultura 
eram extremamente precárias, devido tanto às condições naturais de clima 
e relevo, que eram pouco favoráveis, quanto à pequena capitalização e quase 
inexistente aplicação de técnicas modernas de cultivo e beneficiamento do 
produto. Dessa forma, obtinham-se baixos níveis de produtividade e tipos 
baixos de café, que não eram muito próprios à exportação (INSTITUTO 
BRASILEIRO DO CAFÉ, 1963).
Assim, pareceria natural, até certo ponto, que o Espírito Santo sofresse 
uma erradicação proporcionalmente maior, na medida em que a política 
visava exatamente a erradicar os cafeeiros antieconômicos.
Por outro lado, e este parece ser o aspecto mais relevante, a significativa 
indenização oferecida pelo Gerca por cova erradicada diante da pequena 
produtividade e lucratividade da cafeicultura deve ter assumido aos olhos 
dos cafeicultores o papel de um negócio mais atraente e rentável do que a 
manutenção da planta e a colheita do produto. Segundo o Instituto Bra-
sileiro do Café (1963) o rendimento do café no Espírito Santo era de 308 
kg/ha, enquanto em São Paulo era de 446 kg/ha e na Colômbia de 523 
kg/ha. Devido a isso,
[...] com a queda dos preços do café, (...) o produtor capixaba foi toma-
do pelo desânimo, e a nossa cafeicultura revelou-se totalmente inviável. 
Assim, quando o IBC ofereceu, no curso dos dois programas, de 400 a 
700 cruzeiros velhos (Cr$ 0,40 e Cr$ 0,70 moeda atual) por pé que se 
extirpasse, houve uma verdadeiracorrida pela erradicação, porque 
a produção da maioria das lavouras, por mil pés, aos preços vigorantes 
(em torno de 15 cruzeiros velhos por saco), representava remuneração 
sensivelmente inferior (ESPÍRITO SANTO, 1979, p. 2).
Considerando-se que no Espírito Santo se tinha em média 1.333 pés 
de café por hectare e que se produziam 5,1 sacas de 60 kg/ha, obtinha-se 
uma receita de Cr$ 769.995,00 com a colheita. Por outro lado, com a er-
radicação poder-se-ia obter uma receita que variava entre Cr$ 533.200,00 
e Cr$ 933.100,00. Isso, portanto, demonstra o quanto era atrativo aos 
cafeicultores o preço pago pelo IBC por cova erradicada. Comprova tam-
bém esse fato a declaração de José Maria Ferraz, presidente da Coopera-
tiva Central dos Lavradores de Café do Estado de São Paulo, constante 
80 Cafeicultura & Grande Indústria
no artigo “Opiniões contraditórias acerca da erradicação”, do jornal O 
Estado de São Paulo, de 06-08-1966, citada por Guarnieri (1979, p. 2).
A medida do IBC é desastrosa já que provocará a erradicação quase total 
dos cafezais em virtude dos incentivos muito grandes à erradicação. Mesmo 
os cafezais produtivos serão agora erradicados, já que o preço médio de 
Cr$ 450,00/cafeeiro arrancado oferecido pelo IBC dá um total de Cr$ 1 
milhão ou Cr$ 1,2 milhão por alqueire, o que equivale quase ao próprio 
valor do alqueire de terra.
O resultado foi que a política de erradicação implementada com o 
objetivo de controlar a crise cafeeira de superprodução afetou de forma 
profunda a economia capixaba num duplo sentido. Por um lado, criou 
uma crise social de grandes proporções, e, por outro, veio “libertar” ou 
“desimobilizar” os ativos representados pelos cafeeiros, que assumiram 
forma líquida, mediante a indenização financeira do Gerca.
A crise social gerada pela erradicação é o aspecto mais ressaltado e se 
expressou de forma dramática na substancial redução de renda e de empre-
go, o que provocou o empobrecimento econômico e um vigoroso processo 
de “expulsão” da população do campo para as áreas urbanas. Estima-se o 
desemprego de aproximadamente 60 mil pessoas, o que, considerando-se 
uma taxa média de dependência de 3 por 1, mostra ter sido afetado um 
total aproximado de 240 mil pessoas, sendo que boa parte migrou para as 
cidades (tabela 8).
Tabela 8 - Estimativa do desemprego de mão de obra ocasionado pelo Programa de 
Erradicação dos Cafezais, Espírito Santo, 1962/67
Fatores de desemprego e reocupação 1ª fase 2ª fase Total
1. Mão de obra liberada pela erradicação 14.827 58.643 73.470
2. Reocupação por atividades alternativas 2.639 10.437 13.076
 2.1 Pastagens 1.949 7.708 9.657
 2.2 Milho 475 1.878 2.353
 2.3 Arroz 8 31 39
 2.4 Algodão 28 112 140
 2.5 Feijão 109 432 541
 2.6 Mamona 40 159 199
 2.7 Café 30 117 147
Saldo de desempregados 12.188 48.206 60394
Fontes: 1ª Fase: Estimativa de Guarnieri (1979). 
2ª Fase: Estimativa dos autores com base nos Quadros III.9 a III.13 do citado trabalho de Guarnieri 
(1979).
81ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Essa crise era prevista pelos órgãos executores do programa de 
erradicação, motivo pelo qual foram desenvolvidos simultaneamente 
programas de estímulo à diversificação da produção agrícola e à reali-
zação de novos plantios nas áreas liberadas. A diversificação objetivava 
principalmente ocupar a força de trabalho desempregada e aumentar a 
produção de alimentos.
Entretanto, como foi colocado anteriormente, não se obteve sucesso 
em termos de diversificação, o que pode ser atribuído à inexistência de 
uma política mais ampla, capaz de garantir bons níveis de rentabilidade à 
produção de alimentos. Em praticamente todos os estados cafeeiros a diver-
sificação agrícola foi pouco significativa, tendo sido, ao contrário, relevante 
a ocupação das áreas liberadas por pastagens/pecuária, principalmente nas 
regiões onde predominava a pequena produção familiar.
No caso de São Paulo, cuja agricultura capitalista já apresentava 
significativa diversificação e vitalidade, foi mais acentuada a expansão de 
outras lavouras, tendo a pastagem/pecuária ocupado apenas 26,8% da área 
total liberada. Porém, no Espírito Santo, as pastagens/pecuária ocuparam 
70,1% da área, o que, sem dúvida, muito contribuiu para agravar a crise 
social, uma vez que essa atividade absorve contingente pouco expressivo 
de força de trabalho (tabela 9).
Do ponto de vista da geração de renda, a situação também se tornou 
dramática, pois, de uma safra média de 2,3 milhões de sacas de café no 
período 1957/62, verificou-se a redução para 1,1 milhão de sacas no pe-
ríodo de 1969/74.
Ao se concluir a segunda fase do programa de erradicação, em maio 
de 1967, o IBC-Gerca já tinha avaliado a nova política cafeeira instituída 
a partir de 1962 e havia verificado que, enquanto as metas de erradicação 
foram facilmente superadas, a diretriz de diversificação agrícola cafeeira 
tinha fracassado quase que totalmente. Devido a esse fato, adotou-se, no 
período 1967/69, o Programa de Diversificação Econômica das Regiões 
Cafeeiras, cujo objetivo fundamental era apoiar, com financiamento fa-
vorecido, a implantação e ampliação de agroindústrias e a formação de 
infraestrutura, de forma a criar condições de diversificação econômica 
(GUARNIERI, 1979).
82 Cafeicultura & Grande Indústria
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83ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Em 1969 foi constatado que a cafeicultura nacional havia reduzido 
sua capacidade produtiva além do necessário e que as safras eram insufi-
cientes para o atendimento do mercado externo e nacional, o que obrigou 
o IBC a utilizar seus estoques. Essa constatação levou o órgão a instituir, a 
partir de 1969, vários programas de financiamento à expansão do plantio 
de café na década de 1970.13
Entretanto, mesmo a adoção dessa política de expansão do plantio 
não chegou a alterar substancialmente a situação da cafeicultura capixaba 
até meados dos anos 1970. Tanto a capacidade produtiva quanto as safras 
do produto não sofreram grandes alterações, tendo-se mantido em níveis 
bastante reduzidos comparativamente ao período pré-erradicação. O número 
de cafeeiros, que fora de 447,6 milhões de pés em 1960, reduziu-se para 
234,8 milhões em 1970 e apresentou um pequeno crescimento de 5,2% 
até 1975, quando alcançou 247,1 milhões de pés. Por outro lado, também a 
produção média anual, que tinha sido de 2,3 milhões de sacas entre 1960 e 
1962, reduziu-se para 1,1 milhão entre 1969 e 1971 e manteve essa mesma 
média entre 1972 e 1974 (tabelas 3 e 4).
Essa situação, evidentemente, estava ligada, de um lado, à erradicação 
que reduziu a capacidade produtiva em 53% e, de outro, à insuficiência 
do estímulo ao plantio que se verificou a partir de 1970. Embora o IBC 
tenha fornecido financiamento favorecido, os preços internacionais do 
produto, que consistiam no principal fator estimulante, não apresenta-
ram comportamento favorável, tendo-se mantido de US$ 38 a US$ 70 
a saca de 60 kg (tabela 2). Assim, os novos plantios foram suficientes 
para repor a capacidade produtiva, reduzida anualmente em função 
do próprio ciclo natural do café, ou seja, observou-se basicamente o 
plantio de reposição.
Em resumo, o primeiro sentido em que a política de erradicação afetou 
a economia capixaba redundou em grave crise social, que não se resolveu 
com a retomada da expansão da cafeicultura, e foi representada pela re-
dução do emprego agrícola e significativo fluxo migratório da população 
13 Conforme Carvalho Filho (1975), foram instituídos o Programa Global de 1969 e o Plano de Emergência com meta 
de plantio de 100 milhões de pés, tendo sido realizado o plantio de 39 milhões de pés com financiamento nos anos de 
1969 e 1970. No início dos anos 70, foram adotados outros Planos de Renovação e Revigoramento de Cafezais, tendo 
sido financiadas 87 milhões de mudas e realizado o plantio de 120 milhões de pés.
84 Cafeicultura & Grande Indústria
rural para as áreas urbanas. Mas a erradicação afetou a economia estadual 
também de uma outra forma, pois, mediante a indenização por cova erra-
dicada, possibilitou a “libertação” do capital ou a “desimobilização” dos 
ativos representados pelos cafeeiros. Assim, os cafeeiros assumiram liquidez 
plena, tendo a massa de recursos da indenização atingido no Espírito Santo 
a cifra de 70 milhões de cruzeiros a preços de agosto de 1966 (tabela 5), a 
maior entre todos os estados produtores de café.
Esses recursos, inicialmente, devem ter sido distribuídos de forma 
pulverizada entre milhares de pequenos proprietários, que procederam à 
erradicação de seus cafezais. Porém, posteriormente, devem ter-se concen-
trado em poder de poucos capitalistas, que eram favorecidos pelos diversos 
mecanismos de centralização do capital (estruturas do comércio, sistema 
bancário, etc.) existentes na economia.
De qualquer forma, estando em mãos de pequenos ex-agricultores 
ou de capitalistas, os recursos certamente foram aplicados em atividades 
alternativas, tanto na agricultura quanto nos demais setores da economia, 
principalmente em pequenos negócios comerciais e industriais. Assim, 
a política de erradicação veio possibilitar a expansão de atividades alter-
nativas à cafeicultura, não só porque forneceu uma parcela de capital 
necessário mas também porque fomentou o crescimento do mercado 
consumidor urbano local.
Dentre as muitas atividades que se expandiram durante a crise da 
cafeicultura, destacaram-se, pela grande importância que assumiram, a 
extração madeireira e a pecuária bovina. Ambas tiveram como suporte um 
intenso processo de apropriação e ocupação das terras devolutas existentes 
na região norte do estado. A ocupação dessa região, que se iniciou na década 
de 1920 e continuou lentamente até meados dos anos 1950, acelerou-se na 
década de 1960, devido, certamente, ao incremento do mercado de terras 
verificado com a injeção dos recursos de indenização do IBC-Gerca.14
A existência, na década de 1960, de grande disponibilidade de terras 
ainda cobertas por florestas naturais, na região norte do estado, tornava 
14 A região norte do Espírito Santo tem uma área de 2.373.800ha, o que corresponde a 52,1% da área total do estado. Em 
1920 apenas 5,6% dessa área era apropriada, aumentando para 37,9%, em 1950, e 49,7%, em 1960. Na década de 1960 
foram ocupados 801.667ha nessa região o que representou 21,3% da área total do estado. Com isso 83,4% das terras 
apropriadas daquela região já estavam apropriadas em 1970 (MORANDI et al., 1984).
85ESPíRITO SANTO • Economia e Política
o preço da terra bastante baixo, o que facultava o acesso até a pequenos 
lavradores. A apropriação de terras, provavelmente, foi facilitada também 
pela disponibilização de capital, que passou a existir com a erradicação 
dos cafezais. Por outro lado, a exploração madeireira deveria apresentar-se 
como um negócio altamente rentável, devido ao acelerado crescimento 
urbano do país, principalmente nos estados vizinhos do Rio de Janeiro e 
Minas Gerais, que deveria exigir uma quantidade significativa de madeira, 
tanto para a indústria de mobiliário, quanto para o setor da construção 
civil. Diante do quase esgotamento das reservas florestais desses estados, 
o Espírito Santo apresentava-se como a alternativa de abastecimento mais 
viável, por sua posição estratégica em termos de proximidade do mercado 
consumidor.
A extração madeireira já tinha uma certa importância antes da cri-
se cafeeira. Porém foi após meados dos anos 1950 que ela se expandiu 
de forma significativa, principalmente entre a época da erradicação dos 
cafezais e meados da década de 1970. A produção média de madeira em 
toros, que no triênio 1952/54 foi de 79,6 mil m3, passou a 169,4 mil m3; 
em 1955/57, com um crescimento de 112,8%. Em 1967/69 atingiu 344,1 
mil m3 e em 1973/75, 317,2 mil m3, a partir de quando entrou em franco 
declínio. Da mesma forma se comportou a produção de lenha, que passou 
de 357,9 mil m3 no triênio 1952/54 para 1.068,3 mil m3 em 1952/57. No 
triênio 1967/69, atingiu 1.696,2 mil m3, tendo declinado rapidamente a 
partir de 1976/77 (tabela 10).
A aceleração do crescimento da atividade madeireira é evidenciada 
também pelos dados de exportação, pois, de um índice de 100 em 1935/37, 
passou a 128,8 em 1953/55, e a 161,0 em 1956/58. No período subsequente 
as exportações cresceram mais ainda, com índice de 236,7 no triênio de 
1959/61; 270,7 em 1962/64; e 272,6 em 1965 (tabelas 11 e 12).
A extração da madeira, portanto, constituiu-se em importante al-
ternativa de emprego da força de trabalho e do capital, “liberados” pela 
erradicação dos cafezais. Além disso, possibilitou o desenvolvimento da 
atividade de beneficiamento da madeira, que teve importante repercussão 
no setor industrial.
86 Cafeicultura & Grande Indústria
Tabela 10 - Lenha e madeira em toros extraídas deflorestas nativas, Espírito Santo, 
1952/54 – 1987 (média trienal)
Anos Madeiras em toros (m3)
Índice de 
crescimento Lenha (m
3) Índice de crescimento
1952/54 79.692,7 100,0 357.999,3 100,0
1955/57 169.409,7 212,6 1.068.391,3 298,4
1958/60 247.349,3 310,4 1.628.790,0 455,0
1961/63 282.370,3 354,3 1.866.598,3 521,4
1964/66 349.176,7 438,2 1.760.137,0 491,7
1967/69 344.120,7 431,8 1.696.232,7 437,8
1970/72 274.830,3 344,9 1.453.966,3 406,1
1973/75 317.200,0 398,0 1.416.768,7 395,7
1976/77 206.339,5 258,9 674.471,5 188,4
1978/80 120.598,0 151,3 508.239,4 142,0
1981/83 208.968,0 262,2 470.710,7 131,5
1984/86 182.303,7 228,8 394.092,0 110,1
1987 161.303,7 203,0 339.860,0 94,9
Fontes: Anuário estatístico do Espírito Santo (1955-1987); IBGE (1940-1989).
Tabela 11 - índice de crescimento das exportações de madeira segundo destino, Espírito 
Santo, 1935/37 – 1965
Anos Rio de Janeiro Minas Gerais Outros Total
1935/37 100,0 100,0 100,0 100,0
1938/40 107,0 363,6 230,8 126,3
1941/43 110,8 181,7 57,0 113,2
1944/46 85,7 165,9 109,4 91,8
1947/49 108,7 230,2 1.258,6 167,4
1950/52 93,7 129,2 447,7 112,5
1953/55 100,0 480,0 306,4 128,8
1956/58 113,8 979,3 207,1 161,0
1959/61 170,1 1.162,9 544,0 236,7
1962/64 180,0 1.324,7 926,7 270,7
1965 174,3 976,3 1.460,3 272,6
Fonte: Anuário estatístico do Espírito Santo (1955-1987).
Nota: Cálculos dos autores.
Tabela 12 - Participação relativa dos principais estados importadores no total das 
exportações de madeira, Espírito Santo, 1935/37 – 1965
Anos Rio de Janeiro Minas Gerais Outros Total
1935/37 92,0 4,7 4,4 100,0
1938/40 78,0 13,8 8,2 100,0
1942/43 90,1 7,7 2,3 100,0
1944/46 86,0 8,7 5,3 100,0
1947/49 59,8 6,6 33,7 100,0
1950/52 76,7 5,5 17,8 100,0
1953/55 71,5 17,9 10,6 100,0
1956/58 65,1 29,2 5,8 100,0
1959/61 66,2 23,6 10,3 100,0
1962/64 61,2 23,5 15,3 100,0
1965 58,9 17,2 24,0 100,0
Fonte: Anuário estatístico do Espírito Santo (1955-1987).
Nota: Cálculos dos autores.
87ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Outra atividade com grande expansão durante o período da crise 
cafeeira foi a pecuária bovina, em particular a pecuária de corte. Essa ativi-
dade, sem dúvida, tal como a exploração da madeira, teve seu crescimento 
ligado à expansão do mercado urbano, tanto dos estados vizinhos quanto 
do próprio estado do Espírito Santo.
Parece ser relevante, também, para explicar o crescimento da pecuária, 
o fato de ser uma das formas menos onerosas de ocupar extensas e/ou 
pequenas áreas de terras, uma vez que emprega relativamente pouca força 
de trabalho, e os animais se reproduzem naturalmente.15
Essa atividade, até 1950, tinha pouca importância para a economia 
capixaba, apresentando-se mais como produção de subsistência. Naquele 
ano contava apenas com um total de 464 mil cabeças – uma média de 10,5 
cabeças por estabelecimento – e uma área de pastagens correspondente a 
23,1% da área total dos estabelecimentos rurais. Entretanto, já na década 
de 1950, observou-se uma aceleração da expansão da área de pastagens 
e do rebanho bovino. Em 1960, a área de pastagens passou a representar 
29,2% da área dos estabelecimentos rurais, e o rebanho bovino aumentou 
para 653,8 mil cabeças, tendo crescido à taxa de 3,5% para o conjunto do 
estado e à taxa de 7,8% na região norte – fronteira em expansão – onde 
se processava a ocupação das terras e a exploração madeireira (tabela 13). 
Essa tendência registrada na década de 1950 foi mantida entre 1960 e 1975, 
tendo, inclusive, acelerado ainda mais o crescimento da pastagem/pecuária.
Na década de 1960, a área de pastagens aumentou de 842,6 mil ha para 
1.829,9 mil ha, o equivalente a 48,7% da área total dos estabelecimentos 
(tabela 14). É importante destacar que, nesse período, houve a incorpo-
ração de 870 mil ha de novas terras, que correspondiam, principalmente, 
aos novos estabelecimentos da região norte do estado.16 Por outro lado, a 
erradicação dos cafezais liberou, no período, uma área total de 299,4 mil 
ha, cuja maior parcela (70,1%) foi ocupada por pastagens (tabela 5 e 9). 
Assim, as pastagens, além de ocuparem a maior parte da área liberada pela 
erradicação, ocuparam também uma área equivalente a 89,3% das novas 
terras de fronteiras incorporadas.
15 Sobre o papel da pecuária na ocupação de terras esgotadas, modalidades predatórias de cultivo e de terras ainda não 
esgotadas, cujos fazendeiros têm mais como reserva de valor que como recurso produtivo, ver Szmrecsányi (1981).
16 Dados básicos do IBGE (1974a). Cálculos do NEP/Ufes.
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89ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Da mesma maneira comportou-se a pecuária, pois a taxa anual de 
crescimento do rebanho aumentou de 3,5%, na década anterior, para 7,8%, 
na década de 1960, tendo novamente a região norte apresentado um ex-
traordinário crescimento, com uma taxa de 16,6% (tabela 13).
No período entre 1970 e 1975, reduziu-se substancialmente o ritmo 
de crescimento da incorporação de novas terras, mas a expansão da área 
de pastagens prosseguiu crescendo, mesmo que a um ritmo mais lento, 
tendo representado, no final do período, 55,5% da área total dos esta-
belecimentos rurais. A pecuária, ao contrário, teve o rebanho ampliado 
a taxas mais elevadas em todas as regiões. Para o conjunto do estado, a 
taxa de crescimento foi de 8,7%; na região norte foi de 10,1% e nas do 
centro e do sul – que haviam sido, na década anterior, de 2,9% e 3,6 %– 
passaram a 8,0% e a 6,0%. Com isso, a pecuária bovina tornou-se mais 
intensiva, tendo aumentado para 34,5 a relação de cabeças de gado por 
estabelecimento (tabela 13). No conjunto, entre 1960 e 1975, a área de 
pastagens cresceu 152,8%, enquanto a área de lavouras foi reduzida em 
11,3%.
Essa extraordinária expansão da pecuária pode ser explicada por uma 
multiplicidade de fatores.
Em primeiro lugar, deve-se lembrar que a agricultura estadual 
apresentava um ciclo histórico natural: procedia-se ao desmatamento 
seguido do plantio do café, que, após o seu período de vida produtiva, 
era substituído por pastagens/pecuária. Assim, formava-se o ciclo “mata-
-café-pastagens”, determinado, por um lado, pela grande disponibili-
dade de terras que garantia à cafeicultura áreas virgens e férteis para 
sua reposição e ampliação, e, por outro lado, pelos métodos arcaicos e 
depredadores utilizados na lavoura cafeeira, que exauriam com grande 
rapidez os elementos orgânicos e a fertilidade natural do solo, tornando-
-o pouco apto a novos plantios. Isso, sem dúvida, constituiu um fator 
natural de expansão da pecuária, uma vez que a atividade, diante do 
esgotamento do solo, se apresentava praticamente como a única alter-
nativa de substituição.
90 Cafeicultura & Grande Indústria
Em segundo lugar, teve grande importância o crescimento do mercado 
consumidor urbano no Espírito Santo e nos estados vizinhos ocorrido nas 
décadas de 50 e 60.17
Por outro lado, a crise de preços do café e a própria política de erra-
dicação trouxeram em seu bojo mecanismos que estimularam a pecuária. 
A redução dos preços do café desestimulava a expansão da cafeicultura e, 
na medida em que outras lavouras não se apresentavam como alternativas 
lucrativas, devido a seus baixos preços, a pecuária aparecia como a ativi-
dade menos onerosa e certamente mais rentável. No mesmo sentido veio 
influenciar a erradicação dos cafezais com a liberação de grande área de 
café, que foi majoritariamente ocupada por pastagens. Isso, inclusive, foi 
facilitado pela política de diversificação do IBC-Gerca, que, na segunda 
fase do programa de erradicação, forneceu estímulos financeiros para a 
formação de pastagens destinadas à pecuária leiteira e de corte.
Veio, também, favorecer a expansão da pecuária, a partir de 1967, a 
prioridade que o IBC-Gerca estabeleceu para a indústria do abate de bovinos 
e de laticínios na aplicação dos seus recursos alocados para financiamento, 
o que possibilitou a ampliação da capacidade de processamento industrial.
Deve-se lembrar, ainda, o Programa de Desenvolvimento da Pecuária de 
Corte, que abrangeu áreas contíguas dos estados de Minas Gerais, Espírito 
Santo e Bahia e foi implementado no início dos anos 1970. No Espírito 
Santo, beneficiou cerca de 20 municípios, incluindo toda a região norte, e 
envolveu a aplicação de aproximadamente 23 bilhões de cruzeiros a preços 
da época, conforme Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo [1970?a].
É interessante observar que, nesse período em análise, se verificou o 
rompimento do tradicional ciclo da agricultura capixaba “mata-café-pastagens”. 
Nesse ciclo, o elemento determinante era o café, cujas necessidades de reposição 
e expansão forçavam o desmatamento de áreas virgens para o seu plantio. O 
novo ciclo instituído tornou-se mais curto, ou seja, “mata-pastagens”, sendo 
que o fator determinante nas novas condições não era mais o café, mas a 
atividade de extração de madeira. A imensa área de novas terras apropriadas, 
17 No Espírito Santo, segundo dados dos Censos Demográficos do IBGE, a população urbana na década de 1940 cresceu à taxa 
de 2,4% ao ano, enquanto nas décadas 1950 e 1960 cresceu, respectivamente, 7,4% e 5,8% ao ano. Em 1950 apenas quatro 
municípios (Vitória, Cachoeiro de Itapemirim, Vila Velha e Colatina) tinham população urbana superior a 10 mil habitantes, 
somando 111 mil habitantes, ou 55,5% da população urbana do estado. Em 1960, esse número aumentou para oito municípios 
(Vitória, Vila Velha, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim, São Mateus, Cariacica, Conceição da Barra e Alegre), que somaram 
315 mil habitantes, ou 76,9% da população urbana estadual. No ano de 1970, eram 13 os municípios com mais de 10 mil 
habitantes, somando um total de 629 mil habitantes, ou 87,3% da população urbana do Espírito Santo, conforme Celin (1982).
91ESPíRITO SANTO • Economia e Política
na região norte do estado, não teve no café o fator determinante, visto que 
o produto vivia uma grande crise de preços e não se apresentava como ativi-
dade rentável. A exploração madeireira, no entanto, aparecia como um dos 
mais rentáveis negócios, passando a ser atividade principal e determinante do 
desmatamento. E, uma vez realizado o desmatamento, a terra encontrava-se 
nua, sem que a lavoura cafeeira a ocupasse. Nessas condições, mesmo que 
não permitisse bom nível e lucratividade, a pecuária apresentava-se como a 
melhor forma de ocupação da terra, pois não exigia grande imobilização nem 
grande investimento em manutenção do rebanho e da mão de obra. Ademais, 
tradicionalmente, a pecuária extensiva constituiu-se numa forma bastante 
eficiente de ocupar e “reservar” a terra, principalmente devido à reprodução 
natural do rebanho e às grandes áreas que demanda.
A extraordinária expansão da pecuária bovina, ao mesmo tempo em 
que a cafeicultura vivia prolongada crise, foi de grande importância para 
economia capixaba, tendo a atividade passado por um processo de moder-
nização, tornando-se mais especializada e menos extensiva.
Em 1960, apenas 5,9% dos estabelecimentos rurais, que ocupavam 
11,5% da área total, tinham a pecuária como atividade predominante. No 
ano de 1975, esse quadro apresentava-se bastante modificado, com 26,5% 
dos estabelecimentos, que ocupavam 48,1% da área total (tabela 15).
De forma diversa, o café, que em 1960 era atividade predominante 
em 69,9% dos estabelecimentos rurais, que ocupavam 67,4% da área total, 
reduziu a sua participação no ano de 1975, sendo atividade predominante 
em apenas 34,7% do número de estabelecimentos que representavam 25,6% 
da área dos estabelecimentos rurais (tabela 15).
Além da pecuária, outras culturas apresentaram tendências de cresci-
mento, embora não tenham assumido grande peso relativo na agricultura 
estadual. Deve-se registrar também o surgimento de novas atividades, o 
que propiciou uma relativa diversificação.
Tomando-se, por exemplo, as sete principais lavouras da agricultura capi-
xaba, com exceção do café, verifica-se que, no período analisado, todas tiveram 
expansão da área cultivada e do volume de produção; pode-se observar, também, 
que essas lavouras não apresentaram aumento relevante de produtividade. O 
rendimento médio por hectare manteve-se praticamenteestagnado na maioria 
das lavouras, tendo, inclusive, declinado em algumas (tabela 16 a 18).
92 Cafeicultura & Grande Indústria
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.
93ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Tabela 16 - Quantidade produzida das principais culturas agrícolas (média trienal), 
Espírito Santo, 1945/47 – 1987/88 (toneladas)
Anos
Culturas
Arroz em 
Casca
Banana
(1)
Cacau 
Amêndoa
Café 
em Coco
Cana-de-
-açúcar
Feijão 
em grão
Mandio-
ca Milho
1945/47 19.970 97.585 1.596 211.166 464.875 19.964 360.855 69.287
1948/50 24.944 118.285 2.935 182.825 439.438 24.941 303.228 70.107
1951/53 26.532 139.725 3.642 178.513 462.891 21.929 298.522 76.464
1954/56 23.565 176.320 3.433 201.189 493.750 26.270 387.971 79.727
1957/59 34.168 203.540 5.366 283.818 581.113 31.784 463.846 129.891
1960/62 45.026 240.610 5.564 278.017 595.433 38.267 425.623 151.334
1963/65 62.028 328.315 4.225 250.100 714.260 35.869 520.027 155.988
1966/68 57.345 387.230 5.603 164.787 704.730 41.073 570.900 216.533
1969/71 73.333 486.090 6.043 138.914 732.337 41.742 778.943 233.091
1972/74 81.492 475.642 7.368 135.187 620.009 45.715 632.891 244.931
1975/77 64.018 393.425 7.522 122.447 807.943 38.280 768.777 203.655
1978/80 64.468 232.455 11.593 280.718 978.449 39.982 688.889 213.554
1981/83 67.873 271.675 11.310 411.179 1.444.459 46.933 476.414 199.452
1984/86 101.797 325.265 12.192 508.039 2.687.074 48.235 528.841 231.221
1987/88 112.858 338.370 8.123 444.993 2.838.568 61.337 306.856 237.009
Fontes: Anuário estatístico do Espírito Santo (1973); IBGE (1940-1989). 
Notas: (1) A produção de banana foi convertida em tonelada de acordo com a seguinte relação: um cacho é igual a 15Kg.
Tabela 17 - Área colhida1 das principais culturas agrícolas 
(média trienal), Espírito Santo, 1945/47 – 1987/88 (hectares)
Anos
Arroz 
em 
Casca
Banana Cacau Amêndoa
Café 
em Coco
Cana-
de-
açúcar
Feijão 
em grão
Man-
dioca Milho Total
1945/47 15.493 4.589 4.034 226.250 16.170 30.968 25.570 82.941 413.202
1948/50 16.796 5.243 7.255 225.069 15.667 37.043 22.262 80.086 417.917
1951/53 18.283 6.407 10.898 238.691 15.834 35.380 20.587 86.333 445.994
1954/56 19.294 7.321 11.543 269.069 17.242 39.754 24.023 96.410 495.063
1957/59 22.972 7.753 16.014 300.839 19.495 49.295 26.672 143.913 597.628
1960/62 28.616 9.735 19.108 300.301 21.686 61.672 27.141 168.163 646.704
1963/65 46.883 14.360 24.438 327.884 26.097 60.403 38.733 167.585 717.072
1966/68 46.000 17.698 22.329 244.622 23.873 74.302 43.131 219.519 701.859
1969/71 55.858 19.957 24.004 209.235 25.360 87.870 48.387 235.031 720.269
1972/74 54.744 24.273 22.101 196.871 19.859 85.139 49.868 221.840 702.383
1975/77 47.910 29.975 21.157 192.362 26.063 85.087 54.985 188.589 668.698
1978/80 38.890 28.217 21.349 274.403 30.611 81341 47.486 167.204 705.433
1981/83 29.700 23.378 20.391 337.630 28.754 92.269 28.820 130.264 699.923
1984/86 35.488 28.068 21.010 409.115 44.346 101.683 31.186 130.869 801.765
1987/88 36.886 27.741 21.587 438.5862 50.996 83.685 18.766 123.326 801.573
Fontes: Anuário estatístico do Espírito Santo (1973); IBGE (1940-1989). 
Notas: (1) Até 1965 a informação refere-se à área cultivada.
 (2) O dado é referente apenas ao ano de 1987.
94 Cafeicultura & Grande Indústria
Tabela 18 - Rendimento médio das principais culturas agrícolas, Espírito Santo, 1945/47 
– 1987/88 (toneladas)
Anos Arroz em Casca Banana
Cacau 
Amêndoa
Café 
em Coco
Cana-de-
-açúcar
Feijão 
em grão Mandioca Milho
1945/47 1,3 21,3 0,4 0,9 28,7 0,6 14,1 0,8
1948/50 1,5 22,6 0,4 0,8 28,0 0,7 13,6 0,9
1951/53 1,5 21,8 0,3 0,7 29,2 0,6 14,5 0,9
1954/56 1,2 24,1 0,3 0,8 28,6 0,7 16,2 0,8
1957/59 1,5 26,3 0,3 0,9 29,8 0,6 17,4 0,9
1960/62 1,6 24,7 0,3 0,9 27,5 0,6 15,7 0,9
1963/65 1,3 22,9 0,2 0,8 27,4 0,6 13,4 0,9
1966/68 1,2 21,9 0,3 0,7 29,5 0,6 13,2 1,0
1969/711,3 24,4 0,3 0,7 28,9 0,5 16,1 1,0
1972/74 1,5 19,6 0,3 0,7 31,2 0,5 12,7 1,1
1975/77 1,3 13,1 0,4 0,6 31,0 0,5 14,0 1,1
1978/80 1,7 8,2 0,5 1,0 32,0 0,5 14,5 1,3
1981/83 2,3 11,6 0,6 1,2 50,2 0,5 16,5 1,5
1984/86 2,9 11,6 0,6 1,2 60,6 0,5 17,0 1,8
1987/88 3,1 12,2 0,4 1,0 55,7 0,7 16,4 1,9
Fontes: Tabelas 16 e 17.
Cálculos dos autores.
O milho e a mandioca, depois da pecuária, foram os produtos que 
ocuparam maior parcela da área liberada pelo café. O milho teve sua pro-
dução média anual aumentada de 79,7 mil toneladas no triênio 1954/56 
para 244,9 mil toneladas em 1972/74, o que corresponde a 207%. A área 
cultivada com o produto nesse mesmo período, por sua vez, cresceu 130%, 
o que demonstra ter havido um aumento de produtividade de 37,5%.
A cultura de mandioca teve um desempenho menos favorável, tendo 
aumentado sua área em 107,6%; e a produção, em apenas 63,1%, com 
redução de produtividade.
O arroz teve sua área média cultivada aumentada em 183,7%; e a 
produção, em 254,8%, enquanto a produtividade sofreu variações e apre-
sentou tendência crescente.
O feijão, como a mandioca, apresentou um crescimento menos sig-
nificativo. Sua área cultivada expandiu-se em 114,2%; e a produção, 74%. 
A produtividade dessa lavoura apresentou um decréscimo de aproximada-
mente 20%.
Esses quatro produtos eram tradicionais na agricultura capixaba, pois 
são itens básicos da alimentação. Em geral, eram cultivados em pequena 
95ESPíRITO SANTO • Economia e Política
escala, principalmente para atender às necessidades das famílias dos agri-
cultores. O milho, sem dúvida, sempre foi o produto mais importante dos 
quatro, tendo chegado a ocupar, em alguns anos, área superior à ocupada 
pelo café.
Entretanto, em que pese ao crescimento havido no período, nenhum 
desses produtos se tornou isoladamente significativo, nem passou a ser 
produzido em grande escala. Mantiveram-se como atividade de subsistência, 
cujo pequeno excedente era comercializado.
A cana-de-açúcar, cuja produção era destinada à fabricação de açúcar, 
manteve-se praticamente estagnada. Sua área cultivada cresceu apenas 
15,2%; e a produção, somente 25,7%. Registrou-se um pequeno crescimento 
de produtividade, mas a atividade não apresentou dinamicidade suficiente 
nem sequer para suprir o abastecimento do mercado local.
A cultura do cacau teve um crescimento modesto e praticamente 
nenhum ganho de produtividade. A banana, ao lado do arroz e do milho, 
foi uma cultura que teve expressiva expansão da produção, equivalente a 
169,8%.
Entretanto mesmo essas culturas, que tiveram grande expansão, não 
chegaram a assumir participação expressiva na agricultura capixaba, prin-
cipalmente em termos de geração de renda. O café, apesar da queda de 
preços e da erradicação, manteve a posição de principal lavoura.
Outras atividades surgiram ao longo da década de 1960, dentre as quais 
se deve destacar a horticultura, a avicultura e a silvicultura. A horticultura, 
em 1960, era atividade predominante em apenas 37 estabelecimentos, que 
ocupavam uma área de 533 ha. Em 1975, o número de estabelecimentos 
aumentou para 489; e a área para 10.682 ha, o que correspondia a 0,3% 
da área total dos estabelecimentos existentes no Espírito Santo. Da mesma 
forma, a avicultura passou de atividade predominante em 39 estabeleci-
mentos, que ocupavam 920 ha, para 232 estabelecimentos, cuja área era 
de 8.846 ha, em 1975. Essas duas atividades, sem dúvida, tiveram seu 
crescimento ligado ao incremento da população urbana que se verificou a 
partir de 1960 (tabela 15).
A silvicultura, ao contrário, estava ligada ao processo de crescimento 
industrial, pois a produção de madeira destinava-se à fabricação de celu-
96 Cafeicultura & Grande Indústria
lose e de carvão vegetal. Em 1960, essa atividade era predominante em 
apenas nove estabelecimentos, que ocupavam 398 ha. No ano de 1975, o 
número de estabelecimentos aumentou para 74; e a área, para 142.239 ha, 
um crescimento de 35.638% (tabela 15). O reflorestamento foi iniciado 
no estado a partir de 1967, por intermédio da Aracruz Florestal S/A e da 
CVRD, que se valeram do incentivo fiscal baseado no Imposto de Renda, 
instituído em fins de 1966.18
Pode-se concluir, portanto, que, no período de aproximadamente 20 
anos (1955/1975) – quando a cafeicultura capixaba viveu a crise mais dra-
mática de sua história –, verificaram-se algumas mudanças na agricultura 
estadual. A mais relevante, sem dúvida, foi a extraordinária expansão da 
pecuária bovina e da área de pastagens, que tanto substituíram majori-
tariamente o café erradicado, quanto ocuparam a maior parte das novas 
áreas incorporadas à exploração agrícola. Aproximadamente 25% da área 
atual dos estabelecimentos rurais foi apropriada entre 1960 e 1975, sendo 
que a quase totalidade dessa área (950.175 ha) após o desmatamento foi 
ocupada por pastagens e pela pecuária bovina. Além dessa atividade, deve-
-se destacar o surgimento da horticultura, avicultura e silvicultura, que 
assumiram uma importância crescente.
Entretanto, no que diz respeito aos produtos tradicionais da lavoura, 
não se verificaram alterações substanciais, pois, embora tenha havido ex-
pansão de área cultivada e de produção de praticamente todos os produtos, 
não se registrou aumento significativo de produtividade. O café, apesar 
da prolongada crise, manteve o seu nível de elevada importância para a 
agricultura e a economia estadual, principalmente em termos de geração 
de emprego e de renda.
18 A atividade de reflorestamento desenvolveu-se no Espírito Santo a partir da Lei 5.106, de 02-09-1966, que permitiu a 
dedução de até 50% do Imposto de Renda (IR) devido para aplicação em florestamento; e da Portaria 784, de 24-01-
1969, do IBDF, que tornou obrigatório o plantio de novas essências florestais às empresas que utilizavam madeira como 
matéria-prima. Assim, instalou-se em 1967 a Aracruz Florestal S/A, empresa que em 1969 tomou um empréstimo na 
Codes correspondente a uma dotação específica do IBC-Gerca para reflorestamento. Deve-se mencionar também a 
Docemade (atual Florestas Rio Doce S/A), subsidiária da CVRD, que iniciou um grande projeto de reflorestamento em 
1969, e outras oito empresas de pequeno porte que, em 1970, já realizavam reflorestamento no Espírito Santo (BANCO 
DE DESENVOLVIMENTO DO ESPíRITO SANTO, [1970?a]).
97ESPíRITO SANTO • Economia e Política
2.2 POLíTICA ECONÔMICA E CRESCIMENTO 
INDUSTRIAL
A indústria capixaba, ao iniciar-se a crise da cafeicultura, em meados 
dos anos 1950, apresentava-se, ainda, muito dependente da atividade de 
beneficiamento de café. Por outro lado, sua participação na formação da 
renda interna estadual era muito pouco expressiva, apenas 8% em 1950 
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPíRITO SANTO, 1982).
Relativamente à indústria nacional, sua contribuição era também 
pouco relevante, pois, em 1949, o valor da produção da indústria de trans-
formação do Espírito Santo representou apenas 0,7% do valor da produção 
da indústria de transformação nacional (MORANDI et al., 1984).
Em 1949, o parque industrial capixaba tinha reduzidas proporções 
e era muito pouco diversificado. Os quatro principais gêneros – produtos 
alimentares, madeira, têxtil e minerais não metálicos – representavam 
92,2% do valor da produção da indústria de transformação. Além disso, o 
gênero de produtos alimentares, isoladamente, era responsável por 76,7% 
do valor da produção da indústria (tabela 31). O subgênero beneficiamento, 
torrefação e moagem de cereais, no qual se destacava o beneficiamento do 
café, contribuía com 60,9% para a formação do valor da produção do setor 
industrial (MORANDI et al., 1984).
A indústria de transformação caracterizava-se pela predominância de 
pequenos estabelecimentos, cujo tamanho médio (número de operários por 
estabelecimentos), em 1949, era de apenas 4,6, enquantoque para o Brasil 
atingiu 12,8, praticamente o triplo (MORANDI et al., 1984).
Essa estrutura industrial, inevitavelmente, teria de ser atingida de 
forma profunda pela crise de preços que se abateu sobre a cafeicultura. 
Assim, tal como ocorreu no setor agrícola, verificou-se uma substancial 
redução do valor da produção do gênero de produtos alimentares, refletin-
do diretamente sobre o valor da produção do próprio setor industrial. Na 
década de 1950, os produtos alimentares apresentaram taxa anual negativa 
de crescimento de 6,6%. O setor industrial como um todo também teve 
uma taxa de crescimento negativa, que, entretanto, foi bem mais reduzida 
(1,3%). Essa queda menos acentuada do setor deveu-se ao bom desempenho 
98 Cafeicultura & Grande Indústria
da quase totalidade dos demais gêneros (tabela 30). Em 1959, o subgênero 
beneficiamento, torrefação e moagem de cereais apresentou uma participa-
ção relativa na produção industrial bastante reduzida, em torno de 16,6%, 
enquanto havia sido, em 1949, de 60,9%. Isso, sem dúvida, deveu-se quase 
que exclusivamente à queda acentuada dos preços do café, que afetou o 
desempenho do setor industrial como um todo (MORANDI et al., 1984).
É interessante observar que, na década de 1950, o setor industrial, apesar 
de afetado pela crise de preços do café, passou a receber impactos positivos 
do início da implantação de importantes projetos industriais, instalados 
sob a orientação do Plano de Metas. Assim, o início da crise da cafeicultura 
coincidiu com o novo ciclo de expansão do investimento industrial em nível 
nacional, realizado entre 1956 e 1961. Essa política desenvolvimentista, que 
objetivava a consolidação da base produtiva da indústria nacional, acabou 
tendo repercussões positivas no parque industrial capixaba.
Entretanto, os dois principais projetos implantados só vieram a ter 
reflexos sobre o crescimento da produção industrial na década de 1960, pois 
a nova planta da Companhia Ferro e Aço de Vitória – Cofavi – começou 
a operar em 1963, e a da Itabira Agroindustrial S/A (fábrica de cimento) 
também só entrou em operação na primeira metade dos anos 1960. Ambos 
os projetos estavam ligados ao setor produtor de bens intermediários, uma 
das áreas prioritárias de investimentos do Plano de Metas.
A Cofavi, empresa constituída em 1942, operou, até 1962, um alto-
-forno que produzia 12 mil toneladas/ano de ferro-gusa. Em 1962/63 
foi construída uma nova usina com capacidade de laminação de 130 mil 
toneladas/ano, com controle acionário do Governo Federal através do 
BNDE.19 Essa nova unidade industrial, devido ao seu tamanho, teve grande 
repercussão na indústria capixaba, pois determinou significativa expansão 
19 A Cofavi foi fundada em 1942 por um grupo de empreendedores capixabas. A sua unidade industrial começou a operar 
em 1945 e compunha-se de um pequeno alto-forno a carvão vegetal com capacidade de produção de 40 toneladas por 
dia ou 12 mil toneladas/ano de ferro-gusa. Esse alto-forno funcionou até 1962, quando foi paralisado, no mesmo local 
onde atualmente está instalada a Cofavi, no bairro Jardim América, em Cariacica. Em 1959, no âmbito do Plano de 
Metas do Governo Kubitschek, a Cofavi elaborou e foi aprovado pelo Governo Federal, através do BNDE, o seu plano de 
expansão, que consistiu, em sua primeira etapa, na instalação de uma unidade de laminação para perfis leves e médio, 
com capacidade de produção de 130 mil t/ano. Em 31 de outubro de 1963 foi inaugurada essa unidade, que passou a 
operar utilizando lingotes de aço produzidos pela Usiminas, pois esta sua 1ª etapa foi conjugada com o projeto daquela 
empresa. A nova Cofavi contou com o apoio decisivo do BNDE, que, além de garantir os recursos de financiamento 
para sua instalação, se tornou também o seu principal acionista, detendo 95% de suas ações. Foi de grande importância 
também a participação da empresa alemã Ferrostaal A.G. que, como maior acionista privada, teve a responsabilidade 
do financiamento e fornecimento de todo o material e equipamento importado (CAPES, 1959; COMPANHIA FERRO E 
AÇO DE VITÓRIA, 1962, [19--a], [19--b]). 
99ESPíRITO SANTO • Economia e Política
do gênero metalurgia, que, em 1959, representava apenas 3,1% do valor 
da produção industrial e, em 1970, passou a 10,0%, com uma taxa de 
crescimento de 27,6% ao ano, uma das mais elevadas do período, bem su-
perior à taxa de crescimento do setor industrial em conjunto. Com isso, o 
gênero metalurgia, que ocupava o sexto lugar em valor da produção, subiu 
para a terceira posição, sendo superado apenas por produtos alimentares 
e madeira (tabela 31).
A fábrica de cimento era também de tamanho significativo, mas não 
teve o mesmo impacto que a Cofavi, pois o seu gênero era mais diversificado 
e desde 1939 já figurava entre os quatro principais da indústria capixaba. 
O gênero minerais não metálicos, além do cimento, engloba a produção 
de vários outros produtos – em geral destinados à indústria da construção 
civil –, e teve uma significativa expansão, devido à acelerada urbanização 
verificada na década de 1960. Assim, de 7,4% do valor da produção indus-
trial em 1959, sua participação aumentou para 9,8% em 1970, em função 
da taxa de crescimento de 17,8% ao ano (tabela 31).
Portanto esses dois gêneros, que ocupavam a terceira e a quarta 
posições na estrutura da indústria local em 1970 e respondiam por 
aproximadamente 20% do valor da produção industrial, apresentaram 
elevadas taxas de crescimento, devido, em parte, à operação desses 
grandes projetos.
Por outro lado, os outros dois mais importantes gêneros, que, tanto 
em 1959 quanto em 1970, apareceram em primeiro e segundo lugares em 
valor da produção, também apresentaram elevadas taxas de crescimento, 
mas tiveram sua expansão determinada mais diretamente por políticas 
específicas de apoio à industrialização implementadas a partir de 1967, 
após a erradicação dos cafezais.
O gênero madeira, que sempre esteve entre os quatro principais, 
apresentou, na década de 1960, uma taxa de crescimento de 15,1% ao 
ano, elevando sua participação relativa para 21,2% do valor da produção 
do setor industrial. Esse gênero, o segundo mais importante em valor da 
produção, detinha o primeiro lugar em geração de emprego, tendo, em 
1959, empregado ¼ do total de operários da indústria de transformação, 
o que, em 1970, se elevou para 33% (tabelas 30 e 31).
100 Cafeicultura & Grande Indústria
O outro gênero – produtos alimentares – sempre deteve o primeiro 
lugar em valor da produção, com elevada participação da atividade de bene-
ficiamento de café. Em função disso, apresentou uma taxa de crescimento 
negativa (6,6% a.a.) na década de 1950, quando se registrou acentuada 
queda do preço. A década de 1960, no entanto, contrastou, de forma pro-
funda, com a década anterior, tanto porque a taxa anual de crescimento 
do gênero foi positiva e elevada (14,0%) quanto porque se verificou uma 
grande diversificação no seu interior, com a consequente redução do peso 
relativo do beneficiamento de café.
Um exame mais detalhado desse gênero evidencia o seguinte: a) o 
subgênero beneficiamento de cereais, apesar do baixo preço do café du-
rante toda a década de 1960, expandiu-se à taxa anual de 12,4%, tendo o 
número de estabelecimentos aumentado de 267 para 908; b) o subgênero 
açúcar apresentou uma taxa de crescimento de 9,6%, que, embora eleva-
da, foi inferior à do gênero, tal como aconteceu com o beneficiamento de 
cereais; c) os dois subgêneros – abate de animais e laticínios –, processa-
dores de produtos animais, apresentaram desempenho semelhante. Suas 
taxas de crescimento foram superiores à apresentada pelo gênero produtos 
alimentares. O abate de animais teve uma taxa anual de crescimento de 
25,6%, enquanto a de laticínios foi de 16,4% (tabela 19). Com isso suas 
participações relativas no gênero aumentaram de 7,5%e 13,8% em 1959, 
para 21,7 e 17,3% em 1970, respectivamente.
Tabela 19 - Taxa anual de crescimento do valor da produção da indústria de produtos 
alimentares, Espírito Santo, 1959 – 1980
Subgêneros 1959/70 1959/75 1970/75 1975/80
Beneficiamento, torrefação e moagem de produtos 
alimentares 12,4 10,1 5,3 16,1
Abate de animais e preparo de conservas de carne e 
banha de porco 25,6 24,1 20,8 0,0
Laticínios (indústria pasteurização de leite) 16,4 18,2 22,3 3,1
Açúcar 9,6 10,1 11,0 18,6
Balas, caramelos, gomas de mascar, bombom, chocolate 
e doce de leite 6,3 8,7 14,2 20,2
Produtos de padarias, confeitarias, pastelarias e sorvetes 7,9 6,8 4,4 0,0
Outros produtos alimentares 10,4 10,6 11,1 19,9
Total 14,0 14,1 14,1 10,4
Fontes: IBGE (1966b, 1974b, 1979b, 1984b).
Notas:
1. “Outros produtos alimentares” equivale ao valor de produção total do gênero excluídos os três primeiros subgêneros. 
2. Taxas de crescimento calculadas pelos autores.
101ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Além desses quatro gêneros citados, que representavam, em 1970, 
81,4% da indústria de transformação, deve-se destacar também outros seis 
gêneros, cujas contribuições individuais para o produto industrial eram 
bem menos significativas, mas superavam 2%.
Esse conjunto, constituído pelos gêneros tradicionais – bebidas, têx-
til, mobiliário e vestuário e calçados – e por dois outros não tradicionais 
– material de transporte e química – que apenas começavam a surgir no 
Espírito Santo, somados aos quatro maiores representavam 96% do valor 
da produção do setor industrial.
Os gêneros tradicionais, com exceção do têxtil, eram constituídos 
por pequenos estabelecimentos e tiveram, no período, taxas anuais de 
crescimento superiores a 11%. O têxtil, que cresceu à taxa de 6,2%, era 
formado por grandes fábricas, e sua produção não se destinava apenas ao 
atendimento do mercado local como os demais.
Material de transporte e química, gêneros não tradicionais, que, pra-
ticamente, surgiram na década de 1960, apresentaram as elevadíssimas 
taxas anuais de crescimento de 43,4% e 51,0%, respectivamente. No pri-
meiro, destacava-se a atividade de reparo de máquinas ferroviárias, navais 
e de terraplanagem, enquanto no segundo aparecia a produção de rações 
balanceadas e fertilizantes.
Em resumo, a indústria de transformação no Espírito Santo apresen-
tou uma grande vitalidade na década de 1960, o que se refletiu na elevada 
taxa anual de crescimento de 14,9%. Foi significativo também o fato de o 
crescimento acelerado ter-se verificado em, praticamente, todos os gêneros, 
tanto nos tradicionais quanto nos que surgiram durante a década. Entre-
tanto, apesar da grande expansão, foram pouco expressivas as alterações da 
estrutura industrial, pois os pequenos estabelecimentos continuaram a ser 
predominantes. O tamanho médio dos estabelecimentos praticamente não 
se modificou, tendo passado de 4,6 para 4,8 operários por estabelecimento 
(MORANDI et al., 1984).
Por outro lado, a diversificação industrial também foi pouco relevante. 
A rigor, verificou-se a expansão dos gêneros tradicionais e o surgimento de 
novos gêneros, que não chegaram a assumir papel de destaque durante a 
102 Cafeicultura & Grande Indústria
década de 1960. Em 1959, os seis principais gêneros representavam 86,9% 
do valor da produção do setor industrial, e, em 1970, os mesmos seis gê-
neros representavam 87,3%, praticamente a mesma composição nos dois 
momentos, tendo-se apenas verificado grande perda de participação relativa 
do gênero têxtil e uma extraordinária expansão da metalurgia, decorrente 
da instalação da nova unidade de laminação da Cofavi.
Este grande dinamismo da indústria capixaba verificado na década 
de 1960 esteve associado a diversos fatores determinantes. O primeiro foi 
a implementação da política desenvolvimentista do Plano de Metas, com 
importantes repercussões no nível do investimento industrial. Em segundo 
lugar, foi relevante o fato de que a decadência da cafeicultura tornou a 
atividade pouco atrativa e abriu espaço para a expansão de atividades alter-
nativas, principalmente a exploração de madeira e a pecuária bovina, que 
tiveram desdobramentos em termos da industrialização de seus produtos. 
O terceiro fator foi a acelerada expansão dos mercados consumidores ur-
banos do Espírito Santo e dos estados vizinhos, o que possibilitou aumento 
significativo da demanda de bens industriais de consumo produzidos pela 
indústria local.
Além desses fatores, foi decisivo o apoio financeiro a agroindústrias, 
que o IBC-Gerca e o governo do estado instituíram a partir de 1967, com 
a criação da Companhia de Desenvolvimento do Espírito Santo – Codes –, 
cujos recursos se somaram aos da indenização da erradicação dos cafezais já 
injetados na economia capixaba pelo IBC-Gerca, possibilitando a formação 
de um montante de capital capaz de viabilizar importantes investimentos 
industriais.
Nos três anos de existência da Codes (1967/69), foram intermedia-
dos recursos de várias fontes, dentre as quais se destacaram o IBC-Gerca, 
com 72,0% do total; o Governo Estadual, com 13,4%; e o BNDE, com 
8,1%. A supremacia do IBC-Gerca no fornecimento dos recursos deveu-
-se à prioridade dada ao Espírito Santo por aquele órgão, que alocou no 
estado 24% do total de recursos do Programa de Diversificação Econômica 
das Regiões Cafeeiras (BANCO DE DESENVOLVIMENTO DO ESPíRITO 
SANTO, [1970?a]).
103ESPíRITO SANTO • Economia e Política
A Codes financiou um total de 37 projetos industriais, sendo que 26 
eram projetos de ampliação de fábricas já existentes e 11 eram de instala-
ção de novas plantas industriais. Dentre estes últimos destacaram-se, pelo 
elevado valor do investimento, os projetos da Realcafé Solúvel do Brasil S/A 
e do Frigorífico Rio Doce S/A – Frisa (BANCO DE DESENVOLVIMENTO 
DO ESPíRITO SANTO, [1970?a]).
Os gêneros industriais mais beneficiados com os financiamentos da 
Codes foram exatamente os tradicionais: produtos alimentares, madeira e 
mobiliário. Os recursos do IBC-Gerca foram alocados da seguinte forma: 
produtos alimentares, 59,8%, sendo 23,9% para a indústria de carne, 17,1% 
para a indústria de café e 16,2% para a de açúcar; madeira e mobiliário, 
11,1%; e a atividade de reflorestamento, que, embora não se tratasse de 
empreendimento industrial, recebeu 12,8% dos recursos (tabela 20).
Tabela 20 - Aplicações dos recursos do IBC/Gerca do Programa de Diversificação 
Econômica das Regiões Cafeeiras, Espírito Santo, 1967/70
Finalidades CR$ %
1. Projetos agroindustriais
 1.1. Indústria de Leite 0,1 0,9
 1.2. Indústria de Carne 2,8 23,9
 1.3. Indústria de Mandioca 0,2 1,7
 1.4. Indústria de Ração 0,2 1,7
 1.5. Indústria de Madeira 0,7 6,0
 1.6. Indústria de Açúcar 1,9 16,2
 1.7. Indústria de Sizal 0,2 1,7
 1.8. Indústria de Algodão 0,4 3,4
 1.9. Indústria de Móveis 0,6 5,1
 1.10. Indústria de Vestiário 0,1 0,9
 1.11. Indústria de Latas 0,6 5,1
 1.12. Indústria de Avícola 0,2 1,7
 1.13. Reflorestamento 1,5 12,8
 1.14. Indústria de Café 2,0 17,1
Total 11,7 100,0
Fonte: IBC-Gerca publicados em Guarnieri (1979).
A partir de 1970, com a operação do Bandes e do Geres/Funres, o setor 
industrial passou a contar também com o apoio do sistema de incentivos 
fiscais, criado pelo DL-880 e pela Lei 2.469, que aportava recursos sob a 
forma de participação societária e financiamento. O Geres, entre 1970 e 
1974, apoiou 40 projetos industriais (10 de ampliação e 30 de implantação), 
104 Cafeicultura & Grande Indústria
concentrados principalmente nos gêneros produtos alimentares, minerais 
não metálicos, metalurgia e têxtil – cujas participações relativas no total 
aplicado, até 1973, foram,respectivamente, de 37,8; 20,7; 7,5; e 7,4% .20
Entre 1970 e 1975, a indústria de transformação confirmou uma 
elevada taxa anual de crescimento, da ordem de 17,7%, e sua expansão 
manteve, basicamente, as mesmas tendências e características verificadas 
na década anterior.
O gênero produtos alimentares, embora tenha crescido à mesma taxa 
da década de 1960, perdeu participação relativa, uma vez que os demais 
gêneros cresceram a taxas bem mais elevadas. No seu interior persistiu a 
tendência de queda de participação relativa do subgênero beneficiamento 
e moagem de cereais e de aumento do peso relativo de abate de animais e 
laticínios, o que refletia a enorme vitalidade da pecuária bovina.
A metalurgia repetiu a elevada taxa de crescimento da década ante-
rior, tornando-se o segundo mais importante gênero, com participação 
de 17,4% no valor da produção industrial. Sua grande expansão deveu-
-se, basicamente, à instalação e operação de algumas pequenas usinas 
siderúrgicas produtoras de ferro-gusa,21 de várias serralherias e da Aciaria 
I da Cofavi.22
A indústria de madeira, refletindo o início do esgotamento das florestas 
naturais capixabas e do sul da Bahia, teve crescimento mais moderado, o 
que reduziu a sua contribuição relativa à formação do valor da produção 
industrial.
O grande crescimento urbano (que fomentava a expansão da cons-
trução civil) e a consolidação do mercado e da indústria de mármore 
20 Grupo Executivo para a Recuperação Econômica do Espírito Santo ([1974?], [1977?]).
21 Foram implantadas duas usinas de ferro-gusa: a Companhia Brasileira de Ferro – CBF -, que entrou em operação em 
01-09-74, com capacidade de produção de 45 mil t/ano de ferro-gusa localizada no município de Cariacica; e a Cimetal 
Siderúrgica S/A, no município de Ibiraçu, que iniciou suas atividades em setembro de 1972 (FEDERAÇÃO DAS INDÚS-
TRIAS DO ESTADO DO ESPíRITO SANTO, 1986). 
22 A partir de abril de 1971, com a inauguração do forno elétrico nº 1 da Aciaria I, a Cofavi começou a produzir o seu 
próprio aço, utilizando sucata de ferro. No dia 14 de junho de 1973, foi inaugurado o segundo forno elétrico da Aciaria 
I e a primeira unidade de lingotamento contínuo. Com esses dois fornos instalados, a capacidade de produção de aço da 
Cofavi situou-se um pouco acima das 100 mil t/ano. Por outro lado, a capacidade de laminação, em 1974, atingiu 200 
mil t/ano, o que exigia que a empresa complementasse suas necessidades com a aquisição de aço de terceiros. Em abril 
de 1975, foi inaugurada a segunda unidade de lingotamento contínuo, com o que o lingotamento convencional ficou 
como opção de reserva (COMPANHIA FERRO E AÇO DE VITÓRIA, [198-?a], [198-?b].
105ESPíRITO SANTO • Economia e Política
possibilitaram a manutenção de elevadas taxas de crescimento do gênero 
de minerais não metálicos.
A maioria dos demais gêneros apresentou expressiva taxa anual de 
crescimento, devendo-se destacar os de material de transporte (35,7%), 
vestuário e calçados (23,8%) e mecânica (111,1%), que ampliaram de 
forma substancial seu peso relativo no setor industrial.
Entretanto, em que pese à grande expansão de alguns gêneros não 
tradicionais e ao próprio aumento do tamanho médio dos estabelecimen-
tos industriais, não ocorreram modificações significativas em termos de 
diferenciação da estrutura industrial. Entre os seis principais gêneros, no 
período 1970/75, a única alteração verificada foi a inclusão de material de 
transporte e a expansão do mobiliário (tabela 31).
Em síntese, a indústria de transformação, que apresentou taxa ne-
gativa de crescimento na década de 1950, principalmente devido à crise 
do café, alterou completamente seu desempenho entre 1959 e 1975. Sua 
taxa anual de crescimento foi superior a 15%, tendo ocorrido grande ex-
pansão de praticamente todos os gêneros, embora não se tenha verificado 
substantiva diferenciação da estrutura industrial. É importante destacar, 
também, que essa expansão industrial foi comandada pelos pequenos 
capitais locais, que se utilizaram largamente dos benefícios da política 
oficial de apoio do setor.
Finalmente, há que se ressaltar o grande dinamismo da indústria 
extrativa mineral no período 1959/1975, que cresceu à taxa anual de 
26,3% (tabela 21), devido principalmente ao crescimento da atividade 
de extração de mármore e à implantação e operação das duas primeiras 
usinas de pelotização de minério de ferro da CRVD (CVRD I e CVRD II). 
Essas usinas, com capacidade nominal de produção de 2 e 3 milhões de 
toneladas/ano de pellets, foram inauguradas, respectivamente, em 1969 e 
1973, tendo representado investimentos globais de 70 milhões de dólares 
(DESENVOLVIMENTO..., 1979).
106 Cafeicultura & Grande Indústria
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107ESPíRITO SANTO • Economia e Política
2.3 A CONSTRUÇÃO DE INFRAESTRUTURA
Ao lado da extraordinária expansão do setor industrial, verificou-se 
também, nesse período, um enorme volume de investimentos em infra-
estrutura . Tanto o Governo Federal quanto o Estadual fizeram grandes 
investimentos, objetivando afastar os entraves ao crescimento industrial 
representados pela precariedade dos sistemas de transporte, de abasteci-
mento energético e de comunicações.
Já na década de 1950, com a execução do Plano de Metas, foram 
construídas duas importantes usinas de geração de energia elétrica. A de 
Rio Bonito, iniciada em 1952, somente teve sua construção tornada irre-
versível a partir de 1954, quando o BNDE assumiu o financiamento. Foi 
também decisiva para a agilização das suas obras a criação da Escelsa, em 
06 de setembro de 1956. A usina foi inaugurada em 1960, com capacida-
de de geração de 16.800 kw, o que representou um aumento de 240% na 
capacidade geradora do estado (BITTENCOURT, 1984).
No mesmo ano foram iniciadas as obras da Usina de Suíça, concluída 
em 1965, com capacidade de 30.000 kw, representando, na época, um 
aumento de mais de 100% na capacidade de geração estadual (BITTEN-
COURT, 1984).
Ainda na década de 1960, foi tomada outra medida de grande alcance 
na área de energia elétrica. Em meados de 1968, a Escelsa foi federalizada, 
tendo passado ao controle da Eletrobrás, que detinha 95% do seu capital. A 
nova Escelsa viabilizou a construção da mais importante unidade de geração 
de energia, a Usina Hidrelétrica de Mascarenhas, inaugurada em março de 
1974. Essa nova usinaacrescentou 115.500 kw à capacidade geradora da 
empresa, o que equivaleu a um aumento de 191% (BITTENCOURT, 1984).
Na primeira metade dos anos 1970, foi concluído o programa de 
conversão de frequência para 60 Hz e iniciada a interligação do sistema 
elétrico do Espírito Santo com o da Região Sudeste, concluído até o final 
da década (BITTENCOURT, 1984).
A construção dessas três unidades proporcionou ao Espírito Santo 
a autossuficiência até meados da década. A interligação, por outro lado, 
108 Cafeicultura & Grande Indústria
resolveu de forma definitiva o problema de abastecimento de energia 
elétrica, já que tornou possível o fornecimento de outras fontes gera-
doras do país.
No que diz respeito ao sistema de transporte, é importante observar 
que, em meados da década de 1950, o Espírito Santo se encontrava em con-
dições de quase total isolamento das demais regiões do país. Havia grande 
precariedade das rodovias, que não eram pavimentadas, e das ferrovias, 
que eram obsoletas.
Entretanto, já em 1960, encontrava-se construído e pavimentado o 
trecho da BR-101, da divisa com o estado do Rio de Janeiro até a capital 
do Espírito Santo, cobrindo uma distância de 166 Km. Em 1966, a pavi-
mentação atingiu 178 Km, estando o restante da rodovia BR-101, em solo 
capixaba (Vitória – divisa ES/BA), já construído, embora não pavimentado. 
A pavimentação foi concluída; e a rodovia, inaugurada, em 1969 (INSTI-
TUTO BRASILEIRO DO CAFÉ, 1963; RIOS, 1966).
A segunda grande rodovia, a BR-262, que corta o Espírito Santo no 
sentido leste-oeste e liga Vitória à capital do estado de Minas Gerais, tinha, 
em 1966, 45 Km de leito pavimentado e outros pequenos trechos em obras 
de terraplanagem. Suas obras também foram concluídas em fins dos anos 
1960 (RIOS, 1966).
A terceira rodovia, a BR-259, tem o mesmo sentido da BR-262 e liga a 
BR-101 (João Neiva), passando por Colatina, à BR-040, em Minas Gerais. 
Foi construída também em fins dos anos 1960 e início da década de 1970 
e é de grande importância econômica, pois atravessa uma das principais 
regiões cafeeiras do estado (RIOS, 1966).
O grande crescimento das rodovias federais pavimentadas foi acom-
panhado por significativa expansão das rodovias estaduais. O governo do 
estado investiu no desenvolvimento do sistema viário estadual entre 1967 
e 1969, aproveitando-se do financiamento do IBC-Gerca, que alocou re-
cursos financeiros para a criação de infraestrutura . Esses recursos foram 
usados para financiar a construção de estradas vicinais, por intermédio do 
DER-ES, e para a aquisição de motoniveladoras pelo próprio DER e por 14 
prefeituras municipais (BANCO DE DESENVOLVIMENTO DO ESPíRITO 
SANTO, [1970?a]).
109ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Entretanto, em que pese à relevância das estradas vicinais, o que se 
tornou decisivo para o desenvolvimento econômico capixaba foram as 
três grandes rodovias federais. Em primeiro lugar, porque o Espírito Santo 
se integrou, de forma definitiva, às demais regiões do país. Em segundo 
lugar, porque essas estradas possibilitaram a integração das mais impor-
tantes regiões econômicas do estado com a sua capital, que possui boa 
infraestrutura portuária. Assim, a BR-101 tornou mais efetiva a atração de 
Vitória sobre a região sul, que tem grande representatividade na economia 
capixaba, e sobre a região norte, possibilitando o desenvolvimento da vasta 
região litorânea, que, até aquele momento, convivia com precaríssimas 
vias de transporte. A BR-262, por seu lado, abriu amplas perspectivas de 
desenvolvimento para a região central do estado até a fronteira com Minas 
Gerais. A BR-259, embora tivesse quase o mesmo trajeto da Estrada de Ferro 
Vitória-Minas, veio reforçar a ligação da nova e dinâmica região cafeeira 
de Colatina com a capital.
Portanto, com essas ligações, todas as regiões do estado passaram a 
dispor de eficientes vias de transporte rodoviário, que possibilitavam fácil 
acesso à infraestrutura portuária existente em Vitória. Esta, por sua vez, já 
havia tido um grande impulso expansivo no período recente. Em 1960, era 
composta basicamente pelo porto de Vitória com seus três cais. Um deles, 
situado na ilha de Vitória, era destinado à carga geral, e os outros dois, 
situados no continente, eram cais especializados – Paul e Atalaia – operados 
pela CVRD e Usiminas, para exportação de minério de ferro e importação 
de carvão mineral (RIOS, 1966).
No início dos anos 1960, o cais destinado à exportação de minério 
de ferro teve sua capacidade máxima utilizada, o que levou a CVRD a dar 
início, em 1963, à construção de um novo porto especializado na exportação 
de minério e importação de carvão mineral. O porto de Tubarão entrou 
em operação em abril de 1966, e representou um grande avanço para a 
infraestrutura portuária, pois aumentou significativamente a capacidade 
de movimentação de cargas, já que foi construído em águas de grande 
profundidade.23
23 Companhia Vale do Rio Doce (1982).
110 Cafeicultura & Grande Indústria
Portanto, em meados da década de 1970, a economia capixaba havia 
atingido um nível de maturidade que a qualificava para receber grandes 
investimentos produtivos. Por um lado, dispunha de uma facilidade natural, 
que era sua posição geográfica estratégica, e encontrava-se muito bem dotada 
em termos de infraestrutura portuária, de transportes e de abastecimento 
energético. Por outro lado, as transformações econômicas recentes haviam 
constituído um mercado consumidor urbano e um parque industrial de 
significativas proporções, que, concentrados na Grande Vitória, conferiam 
a essa região um papel de destaque na economia capixaba, principalmente 
em termos de atração de novos investimentos.
Assim, estavam dadas as principais condições para um novo ciclo de 
expansão econômica, que, no entanto, iria apresentar significativas dife-
renças em relação ao ciclo expansivo realizado nos anos anteriores.
111ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Capítulo 3
Expansão recente: 
desenvolvimento 
econômico e 
hegemonia do 
grande capital – 
1975/85
Nos anos 1970, especialmente a partir de meados da década, a eco-
nomia capixaba iniciou a segunda fase do seu desenvolvimento recente, 
caracterizada por uma nova dinâmica do processo de acumulação. O grande 
capital liderou a expansão econômica, pois dominou praticamente todos 
os setores de atividade e imprimiu-lhes um ritmo acelerado de crescimen-
to.24 Dessa forma, foram se processando profundas alterações na estrutura 
produtiva da economia e foi se delineando o seu novo perfil.
Essa segunda fase contrasta com a primeira em vários aspectos. Na 
anterior, a hegemonia do processo de crescimento coube ao capital local, 
em geral de pequeno porte, que cresceu apoiado em financiamento e incen-
tivos fiscais proporcionados pelo Estado. As atividades que apresentaram 
24 Na literatura, sobretudo oficial, e no meio intelectual capixaba foi consagrada a expressão “Grandes Projetos” como 
qualificadora das grandes indústrias hoje existentes no Estado e que na década de 1970 ainda se encontravam em fase 
de projeto. Essa expressão, do nosso ponto de vista, tem um significado bastante limitado, uma vez que se refere apenas 
a um conjunto determinado de projetos industriais, que, aliás, não são mais projetos, mas empreendimentos em fun-
cionamento. Assim, a expressão não abrange os projetos e os empreendimentos dos diversos setores de atividade que, 
mesmo não sendo de grande porte, são controlados por grandes grupos econômicos. Devido a essas limitações adotamos 
neste trabalho o conceito de grande capital, que nos parece mais adequado para qualificar o novo padrão de crescimento 
econômico vigente no Espírito Santo a partir de meados dos anos 1970. Grande capital não é empregado aqui com 
referência apenas aos grandes empreendimentos industriais, mas a todos os projetos/empreendimentosdos diversos 
setores de atividade, mesmo aqueles de pequeno porte, desde que sejam controlados por grandes grupos econômicos.
113ESPíRITO SANTO • Economia e Política
grande dinamicidade foram as mais tradicionais, tendo sido quase nula a 
diversificação econômica. Na segunda fase, ao contrário, exacerbou-se o 
processo de diversificação econômica e modernização capitalista, com o 
surgimento e o desenvolvimento de várias atividades não tradicionais. Esse 
processo foi comandado pelo grande capital, que, com algumas exceções, 
não era de origem local, mas, em sua maioria, de grandes grupos estatais 
e privados, tanto nacionais como estrangeiros.
Com isso, a economia capixaba tornou-se um novo espaço de repro-
dução do grande capital, integrando-se de forma definitiva à dinâmica da 
economia brasileira e assumindo um caráter complementar, particularmente 
no setor industrial.
É interessante observar que a hegemonia do grande capital não elimina 
a participação do capital local no processo de acumulação. Na primeira 
fase de expansão, os grupos econômicos locais encontravam-se protegidos, 
por vários fatores, da concorrência do grande capital, e assim tiveram 
chance de acumular, de se diversificar e até mesmo, em alguns casos, de 
se tornarem grandes, com atuação no mercado nacional, especialmente 
na área mercantil.
Na segunda fase o processo torna-se bem mais complexo, pois o 
grande capital tanto desenvolve atividades inexistentes anteriormente, 
quanto se apropria de outras cujo capital local era hegemônico. Assim, 
nota-se um duplo movimento, pois, ao mesmo tempo em que abre 
espaço para o crescimento do capital local pela complementariedade, 
reduz o espaço desse capital que é submetido à implacável concorrência. 
O problema se resolve mediante a concentração, com o desaparecimen-
to de alguns grupos locais e a consolidação de outros, que se tornam 
“grandes e nacionais”. Dessa forma, praticamente todos os setores da 
economia estadual vão sendo dinamizados e integrados sob a égide do 
grande capital.
Nessas condições, as decisões de investimento passam a depender 
menos da dinâmica da economia estadual e mais da dinâmica da economia 
brasileira e do planejamento estratégico dos grandes grupos privados e esta-
tais. Suas decisões são baseadas em macro políticas e procuram sancionar 
os objetivos e diretrizes da política econômica federal.
114 Cafeicultura & Grande Indústria
É à luz desse novo marco fundamental – a hegemonia do grande ca-
pital – que se pode compreender as transformações econômicas ocorridas 
em, praticamente, todos os setores de atividades da economia capixaba.
No setor agrícola verificou-se intenso processo de crescimento 
econômico e de modernização, derivado da transformação capitalista do 
campo. A expansão da empresa rural e a disseminação do uso de novas 
técnicas de cultivo e de insumos industriais modernos possibilitaram à 
atividade agropecuária maiores níveis de produtividade e um caráter bem 
mais dinâmico. Ao lado disso, verificaram-se o aumento da concentra-
ção da posse de terra, a disseminação das relações de assalariamento e a 
consequente perda de importância das tradicionais relações de produção 
familiar e de parceria.
O setor industrial apresentou as alterações mais significativas, pois 
constituiu-se no “lócus” principal da expansão capitalista, e, por conse-
guinte, o lugar onde se concentraram os investimentos do grande capital. 
A estrutura da indústria de transformação passou por intenso processo 
de diversificação a partir do surgimento e expansão acelerada de gêneros 
industriais modernos, que tiveram pouca expressão na fase anterior. A 
metalurgia, a mecânica, a química e material de transporte lideraram o 
crescimento industrial e foram os gêneros mais dinâmicos e representativos 
em termos de valor da produção. Também a indústria extrativa mineral, 
com a exploração do mármore e com a pelotização de minério de ferro, e 
a indústria da construção civil apresentaram boa performance.
Da mesma forma, no setor terciário verificou-se crescimento acelerado 
liderado pelo grande capital, que ocupou o espaço criado pela expansão 
industrial e pela rápida urbanização. Particularmente o seu segmento 
moderno (supermercados, lojas de departamento, transporte coletivo e de 
cargas, intermediação financeira, serviços pessoais e industriais, hotelaria, 
etc.) tornou-se bastante atrativo ao grande capital. Nesse setor foi mais 
implacável a concorrência dos grandes grupos econômicos nacionais com 
os grupos locais, ficando os últimos na contingência de ser absorvidos pelos 
primeiros ou de realizar um brutal esforço de sobrevivência, transformando-
-se também em grandes grupos. Nesse processo, a maioria dos grupos locais 
sucumbiu, e apenas alguns conseguiram sobreviver.
115ESPíRITO SANTO • Economia e Política
3.1 CRESCIMENTO E MODERNIZAÇÃO DA 
AGRICULTURA
A agricultura capixaba, que tinha sido profundamente abalada pela 
crise de preços e pelos programas de erradicação do café, voltou-se inicial-
mente para o desenvolvimento da extração da madeira, para a pecuária 
e para lavouras tradicionais, como milho, feijão e mandioca. Entretanto, 
nenhuma dessas atividades apresentou dinamismo suficiente para substituir 
o café como fonte geradora de emprego e renda. Apenas a pecuária, devido 
à sua extraordinária expansão, chegou a assumir importância significativa, 
embora não fosse uma atividade substituta ideal, principalmente devido ao 
seu pequeno potencial de geração de emprego. A lavoura cafeeira, mesmo 
tendo sido bastante reduzida em sua dimensão, manteve seu papel prepon-
derante na agricultura e na economia capixaba.
De qualquer forma, pode-se dizer que, de meados dos anos 1960 a 
meados da década de 1970, verificaram-se algumas alterações estruturais 
na agricultura estadual, que decorreram, entre outros fatores, de um efi-
ciente sistema de financiamento previamente estabelecido: Programa de 
Diversificação Econômica das Regiões Cafeeiras e Programa de Desenvol-
vimento da Pecuária.
Esses programas constituíram uma pequena amostra de um conjunto 
maior da política agrícola que se estruturou a partir de meados da década 
de 1960 e teve como base a política de crédito rural. Em 1965, foi criado o 
Sistema Nacional de Crédito Rural – SNCR – que foi, sem dúvida, o prin-
cipal instrumento do capitalismo brasileiro na execução da “modernização 
conservadora” do campo. Basicamente, a função do sistema de crédito foi 
possibilitar à agricultura o acesso e o consumo em larga escala dos insumos 
agrícolas modernos, tais como: adubos, herbicidas, máquinas e tratores.25
No setor cafeeiro, onde mais se desenvolveram as instituições e os 
instrumentos de política agrícola, passou-se a usar de facilidades creditícias 
para incentivar a erradicação e fomentar a expansão de culturas substituti-
vas. Posteriormente, a partir de 1969/70, passou-se a usar o financiamento 
25 Sobre o Sistema Nacional de Crédito Rural, ver Paiva et al. (1976).
116 Cafeicultura & Grande Indústria
subsidiado para incentivar o plantio de café, uma vez que a erradicação 
e a geada de 1969 tinham diminuído a produção a ponto de torná-la in-
suficiente para o abastecimento do mercado consumidor e a formação de 
estoques (GUARNIERI, 1979).
Efetivamente, a partir de 1970, com o Plano de Emergência e o 
Plano de Renovação e Revigoramento dos Cafezais, a diretriz básica 
do planejamento da cafeicultura passou a ser a expansão do plantio 
em áreas ecologicamente favoráveis, seguindo uma rigorosa orienta-
ção técnica que visava a obter melhores níveis de produtividade. Essa 
diretriz, executada mediante o fornecimento de crédito, com taxas de 
juros subsidiados e prazos dilatados de amortização, visava ao plantio, 
à formação de mudas, à recepagem, à formação de infraestrutura, bem 
como à compra de fertilizantes, defensivos e equipamentosagrícolas 
(GUARNIERI, 1979). No Espírito Santo, essa nova política do IBC-
-Gerca não chegou a ter grande sucesso até 1975. Os plantios, embora 
tenham incorporado novas técnicas de cultivo e se baseado no novo 
“pacote” tecnológico, não apresentaram grande expansão, tendo sido 
suficientes apenas para repor a capacidade produtiva anteriormente 
eliminada. O número de cafeeiros passou de 234,8 milhões de pés, em 
1970, para 247,1 milhões, em 1975 (tabela 3). Esse pequeno nível de 
expansão deveu-se, basicamente, à manutenção dos preços do produto 
em patamar bastante baixo, o que, de certa forma, anulou o estímulo 
representado pelo crédito subsidiado.
A partir de 1975, contudo, com a ocorrência da grande geada que atingiu 
a totalidade dos cafezais do Paraná e parte dos cafezais de São Paulo, Mato 
Grosso e Minas Gerais, os preços internacionais do café experimentaram 
um crescimento espetacular (GUARNIERI, 1979). Em 1976, foi 2,5 vezes 
maior que a média de preços do quinquênio anterior, e, em 1977, 4,2 vezes. 
No triênio 1978/80, os preços se mantiveram elevados, embora menores 
que os de 1977. Nos anos de 1981 a 1987, sofreram uma queda acentuada, 
mas ainda assim mantiveram-se, em média, duas vezes maiores que os do 
quiquenio 1971/75 (tabela 2).
A elevação substancial dos preços foi o estímulo que faltava aos ca-
feicultores para a realização de novos plantios. Estímulo esse que, aliado 
ao apoio creditício do Gerca,26 possibilitou a ampliação da capacidade 
produtiva da cafeicultura capixaba em 80%, no período de 1975 a 1980. 
O efetivo de cafeeiros aumentou de 247 milhões para 447 milhões de pés, 
sendo que, desse total, 33,2% eram cafeeiros novos, que ainda não estavam 
em produção. Mas, mesmo assim, o ano de 1980 produziu 2,7 milhões de 
sacas, superando a até então maior safra de toda a história da cafeicultura 
capixaba que foi de 2,5 milhões de sacas em 1958 (tabelas 3 e 4).
Ao longo da década de 1980, verificou-se um menor nível de preços 
do produto, com o que se arrefeceu o ritmo da expansão do plantio, que, 
apesar de tudo, aumentou 50% em relação a 1980, o que elevou o número 
de cafeeiros para 610 e 672 milhões de pés em 1983 e 1987, respectivamente 
(AGRICULTURA..., 1986; CAFÉ..., 1983).
Assim, com o início da produção dos novos cafeeiros registrou-se, 
a partir de 1980, uma sucessão de safras recordes, que atingiram 4,6 mi-
lhões de sacas nos anos de 1983 e 1985.27 Essa extraordinária expansão da 
cafeicultura, que quase triplicou o número de cafeeiros plantados e quin-
tuplicou a produção, reconduziu a cafeicultura ao papel já desempenhado 
anteriormente no setor agrícola do Espírito Santo, tanto em geração de 
emprego quanto de renda.
É importante salientar que essa expansão se realizou, em grande 
medida, no interior das pequenas propriedades rurais onde predominava 
o trabalho familiar e/ou o sistema de parceria. Entretanto deve-se registrar 
que a cafeicultura passou a ser realizada, também, de forma crescente, por 
empresas rurais capitalistas com trabalho assalariado e grande escala de 
produção.
A principal característica da nova cafeicultura foi que tanto a pequena 
produção familiar quanto a grande produção capitalista passaram a utilizar 
os mais modernos insumos e técnicas de produção no cultivo e benefi-
ciamento do produto. A modernização resultou em maior produtividade 
e melhor qualidade do produto; a produtividade, que no triênio 1972/74 
26 Entre 1970 e 1974 o IBC-Gerca concedeu financiamento apenas para o plantio de café arábica, o tipo tradicionalmente 
plantado no Brasil e no Espírito Santo. A partir de 1975 passou a financiar também o plantio do café conillon (Robusta), 
tipo africano, cuja cultura se expandiu aceleradamente, tendo assumido um papel de destaque na cafeicultura estadual 
na década de 80 (CAFÉ..., 1983).
27 Cf. IBGE (1985 e 1986).
118 Cafeicultura & Grande Indústria
fora de 0,7 tonelada de café em coco por ha, passou a 1,2 t/ha no triênio 
1984/86, com um crescimento de 71% (tabela 18).
Portanto a cafeicultura capixaba passou por um novo ciclo expansivo 
a partir de 1975, que trouxe consigo uma nova base técnica de cultivo e 
beneficiamento do produto, e ainda possibilitou a retomada da importância 
da lavoura cafeeira para a agricultura estadual.
A silvicultura, ou reflorestamento, também apresentou expressiva 
expansão na década de 1970. Essa atividade, que era pouco significativa em 
1960, quando existiam apenas 25,3 mil ha de florestas plantadas, manteve-
-se praticamente estagnada nessa década, tendo a área reflorestada atin-
gido 25,1 mil ha em 1970 (tabela 22). Entretanto, naquela década, foram 
criadas as condições necessárias para que o reflorestamento se tornasse 
atividade rentável e em expansão. Em fins de 1966, os incentivos fiscais já 
instituídos para o desenvolvimento regional foram estendidos à atividade 
de reflorestamento.
A partir de 1967, iniciou-se no Espírito Santo o plantio de florestas 
com utilização de incentivos fiscais. A expansão, até 1970, não apresentou 
índices relevantes, mas a partir daí tornou-se bastante intensa, tendo a 
área plantada aumentado para 98,3 mil e 143,1 mil ha, respectivamente, 
em 1975 e 1980 (tabela 22).
Tabela 22 - Área de matas naturais e de reflorestamento, Espírito Santo, 1960-1985
Anos Naturais Reflorestamento
1960 858.141 25.296
1970 654.929 25.119
1975 439.628 98.388
1980 438.174 143.148
1985 399.274 156.785
Fontes: IBGE (1974a, 1979a, 1984a, 1983a, 1987).
No período subsequente, o ritmo de crescimento do plantio de flo-
restas provavelmente tenha arrefecido, pois os mais importantes projetos 
de reflorestamento foram sendo concluídos. Em 1985, a área reflorestada 
total foi de 156,7 mil ha, tendo tido, portanto, pequeno crescimento em 
relação ao ano de 1980. Não se dispõe de dados conclusivos sobre a área 
reflorestada atual, mas informações parciais do Ibama referentes às em-
presas reflorestadoras incentivadas, cujas atividades são controladas pelo 
119ESPíRITO SANTO • Economia e Política
órgão, indicam uma área de 132,1 mil ha para o ano de 1989. Esse dado 
pode ser tomado como indicativo de certa estabilidade da área plantada, 
pois, embora não se refira à totalidade da área reflorestada, corresponde à 
área reflorestada das principais empresas reflorestadoras.
Do total reflorestado em 1989, segundo os dados do Ibama, 58,1% 
são referentes a uma única empresa, e 35,6% correspondem a três outras 
empresas. Essas quatro maiores são responsáveis por 93,8% da área reflo-
restada. Esses dados evidenciam a elevada concentração da atividade de 
reflorestamento em nível de empresa.
As duas maiores empresas reflorestadoras desenvolvem a atividade 
com a finalidade de produção de celulose branqueada. A primeira, Ara-
cruz Florestal S/A, é responsável por 58,1% da área total plantada, o que 
corresponde a 76,8 mil ha; a outra, Florestas Rio Doce S/A, possui uma 
área plantada de 35,1 mil ha, o que corresponde a 26,4% do total. As 
demais empresas registradas no Ibama são, em sua maioria, siderúrgicas 
que operam com carvão vegetal, tendo, por isso, área própria de reflores-
tamento. (tabela 23).
Tabela 23 - Área reflorestada incentivada por empresa reflorestadora, Espírito Santo, 1989
Empresas Total executado (ha) % Sobre o total
Aracruz Florestal S/A 76.817,26 58,17
Florestas Rio Doce S/A 35.189,99 26,42
Acesita Energética S/A 7.470,77 5,7
Cia. Brasileira de Ferro - CBF 4.362,98 3,5
Cia. Siderúrgica Belgo Mineira 2.542,14 1,9
Inonubrás – Inoculantes e Ferro-Ligas Nipo Brasileiros S.A 1.903,55 1,65
Cia. Siderúrgica Barbará 407,17 0,32
Mucuri Agroflorestal Ltda. 380 0,03
Outras 3.119,93 2,31
Eucalipto 13.0025,84 98,36
Nativas 1.082,83 0,82
Pinos 970,12 0,73
Palmito 115 0,09
Total 13.2193,79 100
Fonte: IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos RecursosNaturais Renováveis.
É importante salientar que a extraordinária expansão do reflorestamento 
deveu-se basicamente ao apoio dos benefícios fiscais instituídos a partir 
de 1967, que abriu amplo espaço para o surgimento de empresas rurais 
120 Cafeicultura & Grande Indústria
reflorestadoras que realizam a atividade segundo modernos métodos e 
técnicas de cultivo.
Os padrões que orientaram a expansão da atividade, embora tenham 
possibilitado o rápido crescimento da área plantada, apresentaram alguns 
desdobramentos indesejáveis sobre a região norte do Estado. Deve-se mencio-
nar a efetiva contribuição da atividade para a concentração da propriedade da 
terra, cujo exemplo mais evidente é o fato de uma única empresa, a Aracruz 
Florestal S/A, ser proprietária de 100 mil ha de terras.28 Essa concentração 
foi o resultado da incorporação de vários pequenos estabelecimentos ru-
rais o que, sem dúvida nenhuma, deve ter contribuído para a redução da 
produção de alimentos da região, como deve ter também expulsado para as 
áreas urbanas vizinhas um bom contingente de população desempregada.
As lavouras tradicionais da agricultura estadual apresentaram, a par-
tir de 1975, comportamentos bastante diversos (tabela 16, 17 e 18). De 
acordo com seus respectivos desempenhos, podem-se dividir essas lavouras 
em dois grupos.
O primeiro grupo, das lavouras temporárias, engloba os quatro 
produtos alimentícios básicos (arroz, feijão, milho e mandioca), que, em 
grande parte, são lavouras de subsistência. Esses quatro produtos tiveram 
sua área colhida e seu volume de produção afetados por vários fatores. 
O principal foi, sem dúvida, a expansão da cafeicultura, da silvicultura 
e da lavoura de cana-de-açúcar, que passou a ocupar área crescente de 
terras e a atrair capitais e força de trabalho rural, que podiam ser em-
pregados na cultura daqueles produtos. Particularmente a expansão da 
cafeicultura teve papel decisivo nesse processo, uma vez que se trata de 
atividade altamente intensiva em mão de obra e que se expandiu a taxas 
elevadíssimas a partir de 1975.
O arroz, entre os triênios 1972/74 e 1987/88, teve uma redução de 
33,0% da área média colhida e um aumento de 38,5% da produção média. 
Isso evidencia um significativo aumento de produtividade, que passou, no 
mesmo período, de 1,5 t/ha para 3,1 t/ha, apresentando um crescimento de 
28 A Aracruz Florestal S/A possui 100 mil ha de terra, dos quais 80 mil reflorestados com eucaliptos. O restante é ocupado 
com áreas de estradas, reservatórios de água, área de preservação, áreas industriais e bairro residencial (ARACRUZ CE-
LULOSE, [1987?]).
121ESPíRITO SANTO • Economia e Política
106,6%, devido, basicamente, à política de recuperação dos vales úmidos, 
que envolve o uso de sistemas modernos de drenagem, irrigação e preparo 
do solo, assim como a aplicação de adubagem adequada.29
O feijão, como cultura em geral associada à do café, apresentou um 
desempenho até certo ponto atípico. Entre 1972/74 e 1978/80, tanto a área 
colhida quanto a produção foram reduzidas, embora em pequena escala. 
Essa tendência foi revertida na primeira metade dos anos 1980, tendo-se 
verificado no triênio 1984/86 em relação a 1978/80 um crescimento da área 
colhida e da produção de 25,0% e 20,6%, respectivamente. Essa inversão 
de tendência pode ser explicada pelos bons preços do produto registrados 
no início dos anos 1980 em decorrência da insuficiência de oferta interna, 
pela adoção de sementes melhoradas da Emcapa e pela plantação em terras 
irrigadas na região norte do estado. A produtividade, no entanto, não se 
alterou, mantendo-se estável e bastante baixa, em torno de 0,5 t/ha, o que 
sugere que a lavoura continuou sendo, predominantemente, de subsistência.
A lavoura do milho, a segunda mais importante em área colhida, só 
superada pela cafeicultura, apresentou um desempenho singular. Sua área 
colhida média foi reduzida em 44,4%; e o volume produzido, em 3,2%. Isso 
evidencia um crescimento de produtividade de 72,7%, com o aumento de 
rendimento de 1,1 para 1,9 t/ha, o que pode ser associado, principalmente, 
ao uso de novas espécies de sementes mais produtivas.30 Deve-se salientar 
que a redução da área colhida de milho é, também, bastante significativa em 
termos absolutos, pois representa aproximadamente 98 mil ha, liberados entre 
1972/74 e 1987/88, e provavelmente ocupados pela expansão da cafeicultura.
A lavoura de mandioca, por sua vez, apresentou uma substancial re-
dução, tanto da área colhida quanto da produção, correspondente a 62,4 
e 51,5%, respectivamente. O nível de produtividade apresentou tendência 
de crescimento, passando de 12,7 t/há, no triênio 1972/74, para 16,4 t/
há, em 1987/88.
29 De 1981, quando teve início, até 1985, o programa de recuperação dos vales úmidos, Provárzeas, recuperou 28 mil ha, 
que, em sua maior parte, se destinou ao plantio do arroz. Aproximadamente 60% do arroz do Espírito Santo é produzido 
nas áreas recuperadas através do Provárzeas. (AGRICULTURA..., 1986).
30 Esta melhoria substantiva do rendimento médio da cultura do milho deve ser creditada ao uso de sementes selecionadas 
e híbridas que possibilitaram maior produtividade. Segundo os técnicos da Secretaria de Agricultura do Estado do Espírito 
Santo, 80% dos produtores já usam sementes híbridas em suas lavouras do produto. Ainda segundo os mesmos técnicos, 
o milho, apesar da maior produtividade, continua sendo uma lavoura que é realizada em pequena escala e voltada ma-
joritariamente para atender a própria subsistência da propriedade onde é produzido, sendo que 70% da produção não 
chega a sair dos seus municípios e é consumida no mesmo local de produção (AGRICULTURA..., 1986). 
122 Cafeicultura & Grande Indústria
O segundo grupo é composto por três produtos: banana, cacau e 
cana-de-açúcar. Esses, ao contrário dos anteriores, não são destinados à 
subsistência dos produtores, mas ao mercado consumidor em geral e ao 
processamento industrial. O comportamento de cada uma dessas culturas 
apresentou características bastante particulares.
A cultura da banana enfrentou uma grave crise no período 1975/83, 
tendo-se verificado uma redução de 39% do volume produzido, o que de-
terminou uma enorme queda de rendimento. Esse desempenho pode ser 
atribuído à praga chamada mal do panamá, que afetou a bananicultura 
capixaba a partir de meados dos anos 1970. A crise apresentou maior gra-
vidade no início dos anos 1980, mas, já no triênio de 1984/86, verificou-se 
a recuperação da cultura, tendo expandido a área colhida em 20,0% e o 
volume produzido em 19,7%.31
A cana-de-açúcar e o cacau, que, diferentemente da banana, são 
cultivados em grandes propriedades e em larga escala, sob a organização 
de empresa rural, tiveram extraordinário crescimento de produtividade.
O cacau apresentou o maior aumento de produtividade entre todas as 
lavouras, tendo passado de 0,3 para 0,6 t/ha. Embora a área colhida tenha 
sido reduzida em aproximadamente 5%, o volume produzido aumentou 
em 65,5% entre 1972/74 e 1984/86.
A cana-de-açúcar, cultura mais tradicional da agricultura capixaba, 
após um longo período de decadência e estagnação reverteu essa tendência 
e logrou, no período recente, significativa expansão da área colhida, da 
produção e, principalmente, da produtividade. Entre 1972/74 e 1987/88, 
a área média colhida cresceu 156,8%; a produção, 357,8%; e a produti-
vidade aumentou em 78,5%, passando de 31,2 para 55,7 t/ha. Esse fato 
se explica, basicamente, pelo deslanchamento do Programa Nacional do 
Álcool – Proálcool – a partir de 1979, que possibilitou a implantação de 
várias usinas de álcool no Espírito Santo.32
31 O Espírito Santo em 1985 ocupava a posição de 10º estado produtor de banana. A produção foi suficiente para atender a 
demanda estadual, sendo que a totalidade da banana prata ofertada pela Ceasa-ES naquele anofoi originária do próprio 
estado. Além disso, foram exportadas aproximadamente 62 mil t do produto, sendo 50,6 mil t para o Rio de Janeiro; 8,6 
mil t para Minas Gerais; e 2,4 mil t para São Paulo. (AGRICULTURA..., 1986). 
32 Até 1979 só existia no Espírito Santo uma usina de açúcar e álcool (Usina Paineiras S/A), localizada no sul do estado, 
com aproximadamente 20 mil ha de cana-de-açúcar, que representavam cerca de 80% da área cultivada com o produto. 
Com o Proálcool, foram instaladas outras 6 destilarias autônomas na região norte do estado, o que exigiu a duplicação 
da área plantada de cana-de-açúcar, que atingiu 50 mil ha em 1988 (PROÁLCOOL..., 1985; IBGE, 1989). 
123ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Além dessas, deve-se ressaltar a expansão de outras atividades agro-
pecuárias que incrementaram o processo de diversificação da agricultura 
estadual na última década, como é o caso da avicultura e da hortifloricultura. 
A avicultura experimentou grande transformação em fins dos anos 1970 
e início dos anos 1980, quando a atividade passou a ser crescentemente 
voltada para a criação em cativeiro, desenvolvida como atividade empresa-
rial e não como produção de subsistência. Em 1960, apresentava-se como 
atividade dominante em 39 estabelecimentos, que ocupavam apenas 920 
ha. Já em 1975, era dominante em 232 estabelecimentos, que ocupavam 
8,8 mil ha; e em 1980, o número de estabelecimentos cresceu para 689, 
e a área aumentou para 20,7 mil ha (tabela 15), o que corresponde a um 
crescimento de 134% em apenas cinco anos. Já em 1985 o número de esta-
belecimentos onde a avicultura era dominante atingiu 737, o que evidencia 
um crescimento mais lento.33
A horticultura apresentou uma tendência de crescimento um pou-
co diferente, pois seu grande crescimento deu-se na primeira metade da 
década de 1970, tendo-se mantido praticamente estagnada entre 1975 e 
1980. Em 1960, a atividade era dominante em apenas 37 estabelecimentos, 
que ocupavam 533 ha. Durante a década de 1960, verificou-se expressivo 
crescimento, passando para 274 estabelecimentos e 5 mil ha. Entretanto 
foi entre 1970 e 1975 que a atividade se tornou realmente expressiva na 
agricultura estadual, com o aumento do número e da área dos estabeleci-
mentos para 489 e 10,6 mil ha respectivamente. Na segunda metade dos 
anos 1970, verificou-se, por esses dados, uma quase estagnação da ativi-
dade, e no início dos anos 1980 a atividade sofreu grande retração, tendo 
reduzido o número de estabelecimentos para 150 e a área para 1,4 mil ha. 
Podem-se considerar dois conjuntos de fatores relevantes na determinação 
do comportamento mais recente da atividade. De um lado, a estabilidade 
dos preços dos seus produtos e a concorrência imposta pela cafeicultura, 
que certamente bloquearam a expansão da hortifloricultura. De outro 
lado, como condição favorável ao seu crescimento, o acelerado processo de 
urbanização e expansão do mercado consumidor local, que possibilitou o 
33 O número de granjas chegou a ser de 306 em 1978/79, mas, a partir desse período, houve uma relativa concentração 
no setor, tendo-se reduzido a 255 granjas em 1984. Isto se deu, em grande medida, devido a dificuldades financeiras dos 
pequenos avicultores e de problemas de abastecimento de milho das granjas (AGRICULTURA..., 1986). 
124 Cafeicultura & Grande Indústria
início de desenvolvimento de algumas culturas em escala empresarial com 
sensíveis ganhos de produtividade.34
Deve-se analisar, também, o comportamento da pecuária bovina, que, 
após um longo período de grande vitalidade, entrou em franco declínio 
com a redução tanto do rebanho quanto da própria área de pastagens. 
Entre 1975 e 1980, a área de pastagens reduziu-se em 7,1%, e o rebanho 
apresentou uma taxa anual de crescimento negativa de 2,6. Na região norte 
do estado, onde se localizam aproximadamente 60% do rebanho estadual, 
verificou-se a queda mais acentuada do número de bovinos, sendo a taxa 
média anual de -3,3. No período 1980/85, a área de pastagens reduziu-se 
em 5%, e o rebanho teve uma redução menor que a do quinquênio anterior, 
pois decresceu à taxa média anual de -0,9 (tabelas 13 e 14).
Se se considerar que na região norte a pecuária de corte foi sempre 
predominante e que em todas as regiões do estado houve aumento da 
produção de leite, pelo menos até o ano de 1983,35 pode-se afirmar que 
a redução do rebanho foi concentrada sobre o gado de corte (tabela 24).
Essa crise da pecuária pode ser explicada tanto pela concorrência imposta 
pelo café quanto pelo comportamento dos preços do leite e da carne. Entre 
34 A hortifloricultura envolve vários produtos agrícolas, em geral lavouras temporárias, que, no Espírito Santo, são desenvolvidas 
em pequenas propriedades familiares. Assim, a atividade convive sempre com o impacto das flutuações dos preços dos 
seus produtos, que, ao atingirem agricultores pouco capitalizados, determinam grande irregularidade no desempenho do 
setor. Os produtos hortifrutigranjeiros podem ser divididos em dois grupos, sendo o Espírito Santo muito dependente de 
importações. Em 1985, dos produtos comercializados na Ceasa/ES, 67,7% eram oriundos do Espírito Santo. Para alguns 
produtos selecionados foram verificados os seguintes percentuais de produção local:
 GRUPO I GRUPO II
 Cebola – 0,7% Melancia – 1,2% 
 Batata inglesa – 12,1% Laranja – 28,7% 
 Abóbora – 28,2% Banana prata – 99,9% 
 Alho – 80,2% 
 Tomate – 97,5% 
 Observe no grupo I que no caso da cebola, batata inglesa e abóbora a dependência é quase total, e no caso do alho e 
tomate tem-se a autossuficiência, havendo inclusive excedentes exportáveis. A produção de alho sofreu um grande 
impulso a partir de 1980/81, com o I Plano Nacional de Produção e Abastecimento de Alho, tendo a área colhida e 
a produção aumentado de 215 ha e 1 mil t, em 1980, para 238 ha e 4,1 mil t, em 1988, respectivamente. O tomate, 
produto relativamente tradicional no Espírito Santo, não teve um bom desempenho nos primeiros anos da década de 
1980, mas recuperou-se a partir de 1983, tendo atingido, em 1988, 1,3 mil ha de área colhida e 67,1 mil t de produ-
ção. Tanto o alho quanto o tomate têm sua produção concentrada na região serrana, especialmente no município de 
Santa Leopoldina.
 No grupo das frutas o Espírito Santo é autossuficiente em banana prata e abacaxi, mas vem desenvolvendo esforços no 
sentido de expandir a produção de outras frutas através do Programa Estadual de Fruticultura de Clima Temperado, que 
foi implantado em 1984 e até julho de 1986 já tinha apoiado vários produtos: videira (25 ha), pêssego (8,3 ha), figo 
(10,8 ha), ameixa (3 ha), caqui (0,8 ha), morango e marmelo. Deve-se destacar ainda a cultura do mamão e da manga 
realizada em escala empresarial em algumas fazendas no Espírito Santo, que são inclusive bem-sucedidas em termos de 
exportação desses produtos para a Europa. Sobre esse assunto consultar Agricultura... (1986); IBGE 1940-1989). 
35 Segundo dados do IBGE, a produção de leite no Espírito Santo foi sempre crescente entre 1974 e 1983, tendo passado de 
186,6 milhões para 340,3 milhões de litros. A partir de 1984, em função do baixo nível de preços do produto, verificaram-
-se quedas de produção, certamente devido ao desestímulo dos produtores que devem ter-se voltado mais para a pecuária 
criatória e de corte do que para a pecuária leiteira. Entre 1983 e 1985 verificou-se uma redução de 21,4% na produção 
de leite.
125ESPíRITO SANTO • Economia e Política
1973 e 1977, o preço médio real da arroba de boi caiu 31%. Nos anos de 
1978 e 1979, houve recuperação, e, a partir de 1980 até 1989, houve uma 
redução de 46,4% (tabela 25). Observa-se que, durante a maior parte do 
tempo, os preços se mantiveram em queda, contribuindo para desestimular 
a atividade e reduzir o rebanho. Assim, a partir de 1975 o rebanho bovino 
entrou em franco declínio, reduzindo-sede 2,1 para 1,7 milhão de cabeças 
em 1985, uma queda de 16,4% (tabela 25).
Tabela 24 - Produção de leite de vaca por região, Espírito Santo, 1975 – 1985 (mil litros)
Anos / Regiões 1975 1980 1985
Variação Percentual
1980/75 1985/80
Sul 110.027 126.613 112.634 15,07 (11,04)
Norte 123.346 154.035 118.412 24,88 (23,13)
Centro 38.661 45.454 50.358 17,57 (10,79)
Total 272.034 326.102 281.412 19,87 (13,70)
Fontes: IBGE (1974a, 1979a, 1984a, 1983a, 1987).
Nota: Os parênteses indicam que a variação percentual foi negativa.
Tabela 25 - Preço médio da carne bovina, Espírito Santo, 1973 – 1989
Anos Boi em Pé (Cr$/Arroba)
Vaca em Pé 
(Cr$/Arroba)
1973 116,98 –
1974 105,89 –
1975 93,05 –
1976 85,23 –
1977 81,1 63,94
1978 103,76 93,51
1979 143,15 128,29
1980 128,73 114,6
1981 85,83 74,95
1982 74,38 62,63
1983 85,55 76,96
1984 94,07 85,97
1985 82,3 74,05
1986 81,7 75,07
1987 84,63 75,46
1988 46,63 41,51
1989 69,07 60,16
Fontes: Dados de 1973 a 1984 fornecidos por Cepa/ES e Emater/ES.
Dados de 1988 a 1989 fornecidos por Sima/ES.
Notas: 
1. Preço pago aos produtores pelos matadouros frigoríficos sob inspeção federal (Sima/ES). 
2. Dados deflacionados pelo IGP – disponibilidade interna da FGV.
126 Cafeicultura & Grande Indústria
Por fim, deve-se obs ervar que, nos últimos anos, surgiram no Espírito 
Santo novas culturas não tradicionais, viabilizadas através de benefícios 
fiscais e creditícios. É o caso da pimenta-do-reino, que conta com um pro-
grama de financiamento do Geres,36 da seringueira, cuja plantação passou 
a ser estimulada a partir de 1979, mediante o Programa da Borracha;37 e a 
suinocultura, financiada tanto pelo Geres quanto pelo Banco Nacional de 
Crédito Cooperativo S.A – BNCC.38
Em síntese, podemos concluir que a agricultura estadual, no período 
de 1975 a 1985, superou o estado de estagnação vigente na década de 1960 
e início dos anos 1970, tendo apresentado grande dinamismo e elevados 
índices de crescimento em várias atividades. Por outro lado, verificou-se 
uma substancial redução do rebanho bovino e das lavouras tradicionais 
de alimentos básicos (feijão, mandioca e milho). Registrou-se, ainda, uma 
extraordinária expansão das lavouras de exportação, tais como cacau, café 
e cana-de-açúcar, e de outras atividades emergentes, como reflorestamento, 
seringueira, avicultura, suinocultura e da cultura da pimenta-do-reino.
Além da expansão e do incremento do processo de diversificação de 
culturas, a agricultura estadual passou por um vigoroso processo de trans-
formações estruturais e modernização capitalista, fomentado e apoiado 
por amplo sistema de crédito e de incentivos fiscais.
Quatro aspectos caracterizadores dessas transformações merecem 
ser destacados. O primeiro aspecto relevante é que a agricultura se tem 
tornado uma atividade cada vez mais capitalizada. A estrutura empresarial 
tem-se expandido largamente, e grandes grupos econômicos, apoiados 
36 A pimenta-do-reino consolidou-se como cultura alternativa na região norte do Espírito Santo a partir de 1978/79 tendo 
a sua área colhida crescido de 153 há, em 1978, para 1,2 mil há, em 1988. No mesmo período a produção passou de 167 
para 2,7 mil t, o que indica crescimento de 101,8% na produtividade (1,09 t/ha para 2,2 t/ha). Cf. IBGE (1940-1989). 
37 A plantação de seringueira no Espírito Santo teve início em 1979, em decorrência do apoio da Superintendência do 
Desenvolvimento da Borracha (Sudhevea) que, através dos Programas da Borracha (Probor I e II) financiou o plantio 
com crédito subsidiado e de longo prazo. Assim, em 1986 já existiam no estado 10 mil ha de seringueira, sendo que as 
plantações mais antigas já estavam em idade produtiva, com 7 anos (AGRICULTURA..., 1986).
38 A criação de suínos sempre foi uma atividade de subsistência nas pequenas propriedades. Com as transformações ocorridas 
a partir de fins da década de 1970, as pequenas propriedades vêm se especializando em determinadas atividades, como 
é o caso da suinocultura, que tem se tornado uma atividade cada vez mais empresarial, onde o suíno é confinado e de 
espécie própria para a produção de carne. Assim, observou-se uma transformação qualitativa da suinocultura estadual, 
embora do ponto de vista quantitativo se tenha verificado a redução do rebanho, de 711 milhões de cabeças, em 1976, 
para 433 milhões, em 1985. A atividade criatória tornou-se ligada direta ou indiretamente à agroindústria (frigorífico, 
produção de filhotes e de ração), como é o caso do complexo da Cooperativa Agropecuária do norte do Espírito Santo – 
Coopnorte – (Nova Venécia), que envolve o Projeto de Integração da Suinocultura do Norte do Espírito Santo – Suinorte 
– com uma unidade produtora de rações e concentrados e uma de cria de filhotes com 1.200 matrizes. Também faz parte 
desse complexo o Frigorífico do Norte do Espírito Santo – Frigonorte – que tem capacidade de abate de 240 suínos e 240 
bovinos por dia. Esse complexo Suinorte/Frinorte começou a ser construído em 1980 com o apoio do sistema Geres/
Bandes, sendo um projeto integrado de cria, recria/engorda, abate e produção de rações (AGRICULTURA..., 1986).
127ESPíRITO SANTO • Economia e Política
pelo crédito subsidiado e pelo sistema de incentivos fiscais, têm-se vol-
tado para a agricultura, onde realizam volumosos investimentos. Por 
outro lado, os próprios pequenos proprietários rurais, ainda predomi-
nantes na agricultura estadual, tendem a se transformar em pequenos 
empresários, pois são cada vez mais envolvidos pelo sistema de crédito, 
pela venda de insumos por parte da indústria e pela concorrência dos 
grandes produtores. Isso os obriga à especialização da produção com 
opção por produtos mais rentáveis e de maior rendimento por unida-
de de área cultivada, embora os torne prisioneiros de um sistema que 
determina uma estrutura de custos cada vez mais elevada, inflexível e 
fora do seu controle.
O segundo aspecto modernizante da expansão recente pode ser 
verificado pelo extraordinário crescimento do número de tratores, de 
projetos de irrigação, da eletrificação rural e do consumo de fertilizantes 
e defensivos agrícolas. Os dados disponíveis não permitem uma avaliação 
muito precisa, mas demonstram uma tendência clara de crescente moder-
nização. Essa tendência tornou-se mais evidente na primeira metade da 
década de 1980, quando se verificaram os movimentos mais significativos 
de expansão de importantes produtos agrícolas, principalmente do café 
e da cana-de-açúcar.
O número de tratores, que, em 1960, era de apenas 508, passou para 
1.131 e 1.940, respectivamente, em 1970 e 1975. Verificaram-se, portanto, 
nesses subperíodos, taxas anuais de crescimento de 8,3% e 11,4%. No quin-
quênio seguinte, a taxa anual de crescimento praticamente foi duplicada, 
tendo passado a 22,4%, o que elevou o número de tratores, em 1980, para 
5.334. Esse número elevou-se para 9.079 em 1985, tendo crescido à taxa 
anual de 11,2%, (tabela 26 e 27).
O consumo de fertilizantes também aumentou significativamente, 
a partir de 1975. O adubo químico foi o fertilizante cujo uso mais se 
expandiu. O adubo orgânico somente teve expansão significativa do con-
sumo na primeira metade dos anos 1980, e o calcário teve seu uso menos 
difundido. Em 1960, apenas 275 estabelecimentos rurais usavam adubo 
químico, número que aumentou para 2.864 em 1970 e 10.394 em 1975. 
Nos cinco anos seguintes esse número foi triplicado, passando para 30.143, 
o que representava 50,8% do total de estabelecimentos rurais. Em 1985 o 
128 Cafeicultura & Grande Indústria
número de estabelecimentos que usaram adubo químico aumentou para 
39.905, o que corresponde a 57,7% do total de estabelecimentos. O uso de 
adubo orgânico, que em 1980 se limitava a 27,1% dos estabelecimentos, 
aumentou para 62,6% em 1985; e o de calcário, ao contrário, em 1985,era de apenas 11,4% nos estabelecimentos rurais (tabela 28).
Tabela 26 - Evolução do número de máquinas agrícolas, Espírito Santo, 1970 – 1985
Anos Total
Tratores Arados
Menos de 
50 cv
De 50 cv 
e mais
Tração 
animal
Tração 
mecânica
1960 508 445 63 1.905 587
1970 1.131 744 387 6.790 931
1975 1.940 869 1.071 6.886 1.475
1980 5.334 2.285 3.049 5.774 4.000
1985 9.079 5.172 3.907 4.901 6.328
Fontes: IBGE (1974a, 1979a, 1984a, 1983a, 1987).
Tabela 27 - Taxa anual de crescimento do número de tratores e arados, Espírito Santo, 
1960 – 1985
Anos Tratores
Arados
Tração animal Tração mecânica
1960/70 8,3 13,6 4,7
1970/75 11,4 0,3 9,6
1975/80 22,4 (3,5) 22,1
1980/85 11,2 (3,2) (9,6)
Fonte: Tabela 26.
Nota: Os parênteses indicam que a taxa de crescimento é negativa.
Tabela 28 - Evolução do uso de fertilizantes e defensivos agrícolas, Espírito Santo, 1960-1985
A
n
os
Estabelecimentos Informantes
Fertilizantes
Adubos
Calcário Total Animal Vegetal
Total Químicos Orgânicos
Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº %
1960 2.914 5,3 275 0,5 2.861 5,3 97 0,2 – – – – – –
1970 9.454 13,4 2.864 4,1 8.110 11,5 515 0,7 – – – – – –
1975 14.478 23,9 10.394 17,2 9.871 16,3 2.228 3,7 45.157 74,5 35.656 58,9 25.347 41,8
1980 33.919 57,1 30.143 50,8 16.116 27,1 6.754 11,4 48.539 81,7 32.107 54,1 34.001 57,3
1985 43.636 63,1 39.905 57,7 43.298 62,6 9.019 13,0 48.037 69,5 31.024 44,9 33.065 47,8
Fontes: IBGE (1974a, 1979a, 1984a, 1983a, 1987).
Por outro lado, o governo do estado vem desenvolvendo, nos últimos 
anos, uma política ativa de eletrificação rural e de irrigação, que tem cau-
129ESPíRITO SANTO • Economia e Política
sado importantes modificações nos níveis de produtividade da agricultura 
estadual.39
Os números aqui apresentados devem ser considerados modestos se 
forem confrontados com dados referentes a agriculturas mais modernas, 
como a paulista ou a paranaense. Entretanto o que parece ser significativo 
é o acelerado ritmo de crescimento do uso desses insumos, verificado nos 
últimos anos em praticamente toda a agricultura estadual, e até mesmo nas 
pequenas propriedades, que no passado eram caracterizadas como unidades 
típicas de produção de subsistência de baixa produtividade.
O terceiro aspecto caracterizador da transformação da agricultura estadual 
refere-se às mudanças ocorridas na estrutura da propriedade da terra. Houve 
inicialmente um movimento de concentração decorrente da própria expansão 
de atividades que eram realizadas em larga escala e exigiam grandes áreas de 
terra. O crescimento da concentração tornou-se preocupante, pois implica 
deslocamento de pequenos proprietários, visto que a fronteira agrícola estadual 
já se encontrava esgotada desde o início dos anos 1970, estando a área total dos 
estabelecimentos praticamente estagnada.40 A concentração fundiária tem um 
significado bastante profundo, pois modifica uma das principais características 
da agricultura estadual, qual seja, a apresentação de um dos menores índices 
de concentração da propriedade da terra entre todos os estados brasileiros.
Entre 1970 e 1975, houve um forte movimento de concentração, haja 
vista que o número de pequenos estabelecimentos (até 100 ha) foi reduzido 
em 9.978, e sua participação relativa na área total caiu de 49,8% para 43,0%. 
Ao mesmo tempo, o número de estabelecimentos com mais de 1.000 ha 
aumentou de 165 para 225, e a área do estrato passou de 8,9% para 13,3% 
da área total. No quinquênio seguinte manteve-se a mesma tendência à 
concentração, embora num ritmo mais lento. A participação relativa dos 
estratos de área de 0 a 100 ha e mais de 1.000 ha apresentaram compor-
tamento diverso, sendo que o primeiro decresceu para 40,2% e o segundo 
aumentou para 16,5% da área total. Na primeira metade dos anos 1980 
39 A eletrificação rural no Espírito Santo foi intensificada a partir de 1975, quando existiam apenas 943 estabelecimentos 
eletrificados. Até 1980 foram eletrificados 6.814 estabelecimentos. A partir de 1981, com a junção de esforços da Escelsa, 
do Governo Estadual e do Geres, o Programa de Eletrificação Rural sofreu grande impulso, graças ao qual, em fevereiro 
de 1986, o Espírito Santo passou a ter 21.326 estabelecimentos rurais eletrificados. Isso representava aproximadamente 
30% do total de estabelecimentos rurais do Espírito Santo (ELETRIFICAÇÃO..., 1986).
40 Para maiores detalhes sobre a expansão da fronteira agrícola ver Morandi e outros (1984).
130 Cafeicultura & Grande Indústria
verificou-se a reversão da tendência concentradora, visto que o estrato até 
100 ha teve sua participação na área total ampliada para 41,9%, enquanto 
o de mais de 1.000 ha manteve sua participação em 16,5% (tabela 29). 
Esse movimento de desconcentração pode ser explicado, por um lado, pelo 
represamento da força de trabalho no setor rural, devido à crise econômica 
do período 1981/83 e, por outro lado, pela expansão da lavoura cafeeira, 
que é uma atividade altamente absorvedora de mão de obra.41
A quarta modificação relevante é a alteração das relações de trabalho. 
Entre 1975 e 1980, o trabalho familiar reduziu-se, tanto em termos absolutos 
quanto relativos, o que parece ser reflexo da absorção da pequena propriedade 
pelo grande capital. Por outro lado, o regime de parceria apresentou cresci-
mento absoluto e relativo, o que certamente deve estar associado à extraor-
dinária expansão da cafeicultura, atividade na qual esse regime de trabalho 
é perfeitamente adaptável e funcional. Entretanto, a mais significativa foi 
a expansão das relações de assalariamento temporário e permanente. Essas 
duas categorias de assalariados, que em 1970 representavam 12,3% do total 
do pessoal ocupado na agricultura, tiveram sua participação elevada para 
18,2% e 28,3%, respectivamente, em 1975 e 1980.42 Na primeira metade 
dos anos 1980 essas mesmas tendências foram confirmadas, tendo havido 
significativo crescimento da parceria e redução da participação relativa da 
mão de obra familiar no total do pessoal ocupado. O trabalho assalariado 
permanente e temporário apresentou um crescimento mais moderado, o que 
levou, inclusive, à redução de sua participação relativa para 26,7% em 1985.
Finalizando, deve-se ressaltar que a expansão, diversificação e moder-
nização da agricultura estadual estão profundamente ligadas às condições 
de investimento, altamente favorecidas, de que se vem utilizando o grande 
capital, que comanda e hegemoniza todo o processo de crescimento eco-
nômico recente da economia capixaba.
41 Essas hipóteses foram levantadas por Muller (1987), que ainda mostra que, dos 10.056 estabelecimentos que surgiram no 
Espírito Santo no período de 1980/85, 55,3% (5.562) tinham área inferior a 10 ha, o que é apresentado como evidência 
de que houve represamento de mão de obra. Adicionalmente observou-se também que o crescimento do pessoal ocupado 
foi significativamente maior no estrato de estabelecimentos com menos de 10 ha, certamente devido ao crescimento do 
número de parceiros e ocupantes. 
42 Os dados dos censos agropecuários evidenciam a redução absoluta e relativa da mão de obra familiar, embora em 1980 
essa modalidade ainda representasse 50,7% do total do pessoal empregado no setor agrícola. Essa tendência, associada à 
expansão (absoluta e relativa) das relações de assalariamento e parceria, deve estar relacionada às transformações ocorridas 
na agricultura estadual, onde várias culturas se desenvolvem sob a forma de ativida de empresarial e o café se expande, 
certamente, com base no sistema de parceria. Na primeira metade da década de 1980 essas tendências se confirmaram, 
tendo havido, contudo, em função da desconcentração da propriedade da terra, um aumento absoluto da mão de obra 
familiar, o que constitui uma inversão de tendência relativamente ao ocorrido na década de 1970.131ESPíRITO SANTO • Economia e Política
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132 Cafeicultura & Grande Indústria
3.2 GRANDE CAPITAL E DIVERSIFICAÇÃO DA 
ESTRUTURA INDUSTRIAL
A indústria de transformação no Espírito Santo, no período 1959/75, 
apresentou elevadas taxas de crescimento do investimento e do produto, o 
que possibilitou um aumento significativo de sua participação na geração 
da renda e do emprego estadual. A taxa média anual de crescimento da 
produção (15,8%) evidencia a grande dinamicidade do setor e sugere a 
extensão das alterações em suas dimensões, que de 1.600 estabelecimentos 
e 7.300 operários, em 1959, passou a 2.796 estabelecimentos e 28.681 
operários em 1975.
Em que pese a essas evidências, deve-se destacar outra característica do 
crescimento industrial do período, que foi a quase inexistente diversificação 
da estrutura industrial. Em 1959, os quatro principais gêneros (produtos 
alimentares, madeira, têxtil e minerais não metálicos) representavam 80,1% 
do valor da produção industrial. Em 1975, essa participação se mantinha em 
78,4%, o que demonstra a pequena diversificação. A única exceção se deve 
à metalurgia, que teve no período grande expansão e acabou substituindo, 
desde 1970, o têxtil no grupo dos quatro principais gêneros. Os três outros, 
embora com pesos relativos alterados, mantiveram-se no grupo dos quatro 
principais gêneros (tabela 31).
Assim, a industrialização capixaba, entre 1959 e 1975, caracterizou-se 
por significativa expansão dos gêneros tradicionais, sob o comando do 
capital local, que encontrou condições altamente favoráveis, em termos 
tanto de crescimento do mercado consumidor, quanto de disponibili-
dade de incentivos fiscais e financeiros ofertados pelo setor público. A 
indústria manteve também o seu perfil quanto à estrutura de tamanho, 
embora tenha havido crescimento do tamanho médio dos estabeleci-
mentos, medido pelas relações do número de operários e do valor da 
produção nacional. Isso significa que a indústria capixaba manteve a 
sua estrutura baseada principalmente em pequenos e médios estabele-
cimentos, o que, aliás, era compatível com o nível de concentração e de 
acumulação do capital local.
133ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Tabela 30 - Taxa anual de crescimento do valor da produção da indústria de 
transformação, Espírito Santo, 1949 – 1980
Gêneros / Anos 1949/59 1959/70 1970/75 1975/80
1. Minerais Não Metálicos 7,05 17,75 19,7 11,0
2. Metalurgia 6,78 27,59 31,6 0,6
3. Mecânica 1,35 7,72 111,1 33,3
4. Mat.Elétrico e de Comunicação – 63,68 29,3 17,0
5. Material de Transporte 16,20 43,40 35,7 1,0
6. Madeira 7,89 15,10 11,1 (3,3)
7. Mobiliário 15,25 11,26 13,4 8,0
8. Papel e Papelão 19,75 (4,71) 12,1 190,0
9. Borracha – 0,31 37,0 (4,2)
10. Couros e Peles 6,10 0,15 9,8 13,6
11. Química 33,63 51,09 14,4 34,0
12. Prod.Farmacêuticos e Veterinários (0,22) 18,81 12,1 (22,2)
13. Perfumaria 6,19 (3,69) 20,0 16,7
14. Matéria Plástica – – 53,3 30,8
15. Têxtil 7,19 6,24 13,2 9,6
16. Vest. e Calçados 12,42 13,39 23,8 18,3
17. Produtos Alimentares (6,62) 14,03 14,1 10,4
18. Bebidas (3,13) 18,34 1,6 32,2
19. Fumo – – – –
20. Editorial e Gráfica 10,14 10,42 14,8 18,0
21. Diversos 14,02 22,93 134,1 8,5
Total (1,25) 14,89 17,7 11,5
Fontes: IBGE (1974a, 1979a, 1984a, 1983a, 1987).
Taxas anuais de crescimento calculados pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa do Departamento de Economia da Ufes.
Nota: Os parênteses indicam que a taxa de crescimento é negativa.
Os gêneros mais dinâmicos, produtores de bens de consumo duráveis, 
intermediários e de capital, embora também tenham apresentado altas 
taxas de crescimento, não chegaram a causar alterações significativas na 
estrutura industrial, uma vez que eram pouco desenvolvidos e tinham 
inexpressiva participação no valor da produção. Nesses gêneros, era muito 
fraca a presença do capital local, devido às insuperáveis barreiras à entrada 
e à concorrência dos maiores capitais dos estados mais industrializados.
Nessas condições, não era de se esperar que esses gêneros mais dinâ-
micos viessem a se tornar representativos no setor industrial, exceção feita 
à metalurgia, que recebeu pesados investimentos estatais nos anos 1960 
e 70, com a construção da nova planta industrial da Companhia Ferro 
e Aço de Vitória – Cofavi. Foram também instalados outros projetos de 
menor porte, em geral por capitais privados de outros estados, tais como: 
Companhia Brasileira de Ferro S/A e Cimetal Siderúrgica S/A.
134 Cafeicultura & Grande Indústria
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135ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Portanto, até 1975 foi pequena a diversificação da estrutura indus-
trial, em que pese à expansão da metalurgia realizada sob o comando do 
grande capital, o que, de certa forma, já antecipava o que viria caracterizar 
a expansão industrial pós-75. A partir de 1975, apesar da diminuição de 
ritmo, o índice de crescimento da produção industrial manteve-se elevado. 
Isso foi acompanhado pelo crescimento do investimento privado e estatal, 
cujas decisões haviam sido tomadas no período do milagre econômico e 
mesmo após iniciada a crise de 1973, quando o Estado propôs o II Plano 
Nacional de Desenvolvimento – II PND.43
O grande capital privado (nacional e estrangeiro) e o estatal, no 
auge cíclico, chamado “milagre econômico”, aproveitaram-se das condi-
ções favoráveis de localização industrial no Espírito Santo (existência de 
infraestrutura de transportes, comunicações e energia elétrica; sistema de 
incentivos fiscais e de financiamento; estrutura econômica razoavelmente 
desenvolvida, etc.) e decidiram por implantar vários projetos industriais 
no estado, o que veio a ocorrer nos anos subsequentes a 1975. Todo esse 
processo foi, sem dúvida, ajudado pela agressiva política do Governo Esta-
dual referente à divulgação de oportunidades de investimento e de atração, 
para o Espírito Santo, dos investimentos das empresas estatais e dos capitais 
privados nacionais e estrangeiros.44
Dessa forma, abriu-se a possibilidade de expansão de gêneros não 
tradicionais do setor industrial e, portanto, da maior diversificação da 
estrutura da indústria de transformação.
Entre 1975 e 1980, a indústria de transformação cresceu à taxa mé-
dia anual de 11,5%. O gênero que mais apresentou variação foi papel e 
papelão, que, em 1975, tinha o peso irrelevante de 0,1% no valor total da 
produção industrial, e, em 1980, aumentou para 11,5%, tornando-se o se-
gundo mais importante, só superado por outros produtos alimentares, com 
32,9% (tabela 31). Esse extraordinário crescimento deveu-se, basicamente, 
à implantação da fábrica de celulose branqueada, da Aracruz Celulose S/A, 
43 Para uma análise crítica do II Plano Nacional de Desenvolvimento, ver o trabalho Lessa (1978).
44 Especialmente no governo de Arthur Carlos Gerhardt Santos, de março de 1971 a março de 1975, adotou-se uma política 
de atração de investidores nacionais e estrangeiros para o Espírito Santo. Isso se efetivou através de encontros, no Brasil 
e no Exterior, do Governo do Estado com empresários e da publicação de vários folhetos publicitários onde se procurou 
divulgar as vantagens econômicas apresentadas pelo estado, especialmente em termos de infraestrutura e de incentivos 
fiscais/financeiros.
136 Cafeicultura & Grande Indústria
que entrou em operação no ano de 1979. Trata-se de uma grande indústria, 
cuja capacidade nominal de produção é de 475 mil t/ano, e que destina 
aproximadamente 80% da sua produção ao mercado externo.45
O gênero produtos alimentares continuou a ter a maior participação 
relativa no valor da produção e manteve um bom desempenho, tendo 
crescido à taxa anual de 10,4%. No entanto esse comportamento global 
esconde as alterações ocorridas nos subgêneros que o compõem. Assim, o 
subgênero beneficiamento, torrefação e moagem, que havia crescido à taxa 
anual de 5,3% entre 1970 e 1975, aumentou para 16,1%, como reflexo, de 
certa forma, da recuperação e expansão dos preços e do plantio do café. Por 
outro lado, os subgêneros abate de animais e laticínios, cujas taxas anuais de 
crescimento haviam sido superiores a 20%, reduziram-se, respectivamente, 
às taxas de zero e 3,1%. Essa mudança radical deveu-se, sem dúvida, à crise 
que afetou a pecuária bovina de corte a partir de 1975, quando houve uma 
substancial redução do rebanho. Os demais subgêneros, considerados em 
conjunto, haviam crescido à taxa média anual de 11,1% e tiveram seu cres-
cimento acelerado com uma taxa de 19,9%, em decorrência, basicamente, 
da entrada em operação de uma nova indústria de cacau, a Chocolates 
Vitória S/A, cuja produção se destina, majoritariamente, à exportação.46
Metalurgia e minerais não metálicos eram os outros dois mais impor-
tantes gêneros em valor da produção e, somados a produtos alimentares e 
papel e papelão, perfaziam 65,3% da produção industrial, o que evidencia 
a diversificação da estrutura industrial, uma vez que os quatro principais 
gêneros, em 1975, representavam 78,5% do valor da produção da indústria 
de transformação. O gênero minerais não metálicos apresentou uma taxa 
45 A fábrica da Aracruz Celulose S/A começou a operar em 1979, com uma capacidade nominal de produção de 400 mil 
t/ano de celulose branqueada (fibra curta) de eucalipto. Naquele ano foram produzidas 290,5 mil t (65% exportadas) 
e em 1980 a produção atingiu 361,2 mil t (90,3% da capacidade instalada), tendo sido exportadas 287,7 mil t, ou seja, 
79,6% do total produzido. Nos anos subsequentes foram realizados investimentos complementares na planta industrial, 
ampliando-se a capacidade produtiva para 500 mil t/ano. Em 1986 atingiu-se a plena capacidade, com uma produção 
de 491,7 mil toneladas, das quais 384,9 mil foram exportadas (ARACRUZ CELULOSE, [1981], [1987]). 
46 A unidade industrial da Chocolates Vitória S/A, instalada no Município de Viana, foi inaugurada em 13 de dezembro 
de 1974, mas entrou em operação efetiva em novembro de 1975, quando empregava 85 funcionários, produzia 7,5 mil 
t de produtos/ano e consumia 125 mil sacas de cacau. Inicialmente produzia produtos acabados (bombons, tabletes 
recheados, crocantes e ovos de páscoa) que eram destinados ao mercado nacional, e semiacabados (licor, manteiga e torta 
de cacau) para exportação. Posteriormente, em face das dificuldades de competir no mercado interno com as grandes 
indústrias de produtos acabados – Nestlé, Garoto e Lacta – foi desativada a produção de acabados, concentrando-se a 
produção nos semiacabados e nos chocolates em barra. Após sucessivas ampliações de capacidade produtiva, a fábrica 
apresentava em 1986 uma capacidade instalada de processamento de 1 milhão de sacas de cacau por ano, o equivalente 
a 8 vezes a capacidade inicial. Em 1985 foram industrializadas 560 mil sacas, tendo sido exportadas aproximadamente 
75% dessa produção, o que resultou numa receita de exportação de 75 milhões de dólares. A previsão para 1986 era de 
processamento de 720 mil sacas de cacau (INDÚSTRIA..., 1975; VITÓRIA..., 1986). 
137ESPíRITO SANTO • Economia e Políticade crescimento (11,0%) mais moderada que a verificada entre 1970 e 1975 
(19,7%). Metalurgia constitui uma grande surpresa, pois seu crescimento 
foi de apenas 0,6%, o que contrastou com a elevada taxa de crescimento 
do período anterior, da ordem de 31,6%.
O gênero madeira, que sempre esteve entre os quatro principais, 
teve seu comportamento completamente invertido, pois, de uma taxa de 
crescimento de 11,1% entre 1970 e 1975, passou a uma taxa negativa de 
3,3%. A partir de 1975, esse gênero começa a entrar em decadência, o que 
deve ser atribuído, principalmente, ao esgotamento e à total devastação 
das florestas naturais do norte do Espírito Santo e sul da Bahia. Entretanto, 
em que pese a essas evidências da derrocada da indústria madeireira, ela 
ainda manteve, em 1980, uma participação relativa bastante significativa, 
sendo o quinto gênero por ordem decrescente, com 7,8% do valor total da 
produção industrial.
O maior nível de diversificação da estrutura industrial pode ser evi-
denciado, ainda, pelas elevadas taxas de crescimento dos gêneros mecânica, 
química e bebidas.
A mecânica desenvolveu-se no estado a partir dos anos 1960 e cres-
ceu rapidamente durante a década de 1970, com taxas médias anuais de 
111,1% entre 1970 e 1975, e de 33,3% no período de 1975 a 1980. Esse 
gênero, por ser de capital mais concentrado em nível nacional e de maior 
complexidade tecnológica, apresenta-se pouco acessível ao capital local, e 
em geral predomina entre os seus empreendedores, capitais estrangeiros e de 
outros estados brasileiros. A participação do gênero no valor da produção, 
em 1980, foi de 3,6%.47
A indústria química também começou a se desenvolver no Espírito 
Santo nos anos 1960, expandindo-se bastante na década seguinte, quando 
apresentou taxas de crescimento de 14,4% entre 1970 e 1975, e de 34,0% 
entre 1975 e 1980. Com isso, passou a representar 4,9% do valor da pro-
dução industrial, em 1980, sendo o sexto mais importante gênero. Na sua 
47 A indústria mecânica no Espírito Santo desenvolveu-se principalmente a partir dos investimentos de grande porte e de 
atividades específicas como a exploração do mármore e a cafeicultura. Em 1980 era bastante relevante, dentro do gênero 
mecânica, o peso dos serviços de retífica de motores. Isso, entretanto, tinha tendência a ser modificado à medida que a 
produção de máquinas e peças fosse se desenvolvendo. Veja na tabela 4 do apêndice estatístico as principais fábricas que 
vêm despontando na mecânica estadual e que estão mais voltadas para a produção de máquinas.
138 Cafeicultura & Grande Indústria
composição, destacam-se as indústrias de rações balanceadas e de adubos e 
fertilizantes, fornecedoras para o setor agrícola, e a indústria carboquímica.48
A indústria de material de transporte, na primeira metade da década 
de 1970, teve uma grande expansão (taxa anual de crescimento de 35,7%), 
devido, basicamente, à expansão do subgênero equipamentos ferroviários, 
referente a uma unidade de reparo de máquinas ferroviárias da CVRD.49 Entre 
1975 e 1980, o gênero apresentou a pequena taxa de crescimento de 1,0%, 
reduzindo sua participação relativa de 4,4% em 1975 para 2,7% em 1980.
Além desses três gêneros emergentes, deve-se fazer referência a dois outros 
tradicionais que, ao longo do tempo, se vêm expandindo de forma bastante 
acelerada, e que, particularmente no período 1975/80, apresentaram ótimo 
desempenho: em primeiro lugar, o gênero bebidas, com uma taxa anual de 
crescimento de 32,2%, que passou a representar 2,6% do valor da produção 
industrial, devido, basicamente, à entrada em operação de uma fábrica de 
cerveja em 1978;50 em segundo lugar, o gênero vestuário, calçados e artefatos 
de tecidos, principalmente no subgênero vestuário e confecções, cuja taxa 
anual de crescimento foi de 18,3%, e a participação relativa, de 3,5%.51
Assim, parece lícito concluir que, a partir de 1975, o setor industrial 
no Espírito Santo ganhou novos contornos e características, passando sua 
expansão a ser comandada por capitais externos, que se concentraram nos 
gêneros mais dinâmicos, tendo desencadeado um processo crescente de 
diversificação da estrutura industrial.
48 A carboquímica no Espírito Santo era representada por apenas uma empresa, a Carboindustrial S/A, instalada no Centro 
Industrial de Vitória – Civit – na Serra. A empresa foi criada em 1973, e sua planta industrial começou a operar em 01-
01-1976, tendo produzido naquele ano 26 mil t de produtos, embora sua capacidade fosse de 45 mil t/ano. O principal 
produto da Carboindustrial é a pasta eletródica soderberg, que se destina às indústrias siderúrgicas e de alumínio. Além 
dessa pasta, produz-se o antracito calcinado e a pasta de revestimento. O principal insumo dessa indústria deriva do 
alcatrão de carvão mineral. Inicialmente os seus acionistas eram os seguintes: o grupo nacional Olivind Lorentzen que 
detinha 37,5% das ações; o grupo norueguês Elken Spigerverket, com igual percentual; e o Geres, com os 25% restantes 
do controle acionário (ESPíRITO SANTO..., 1977; FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO ESPíRITO SANTO, 
1986; REALIDADE..., 1983). 
49 Companhia Vale do Rio Doce (1982).
50 Trata-se da fábrica da Indústria de Bebidas Antárctica do Espírito Santo S.A, do Grupo Antárctica, que foi constituída 
em 19 de outubro de 1973. Essa fábrica surgiu a partir de um projeto elaborado pela empresa Vick Bier do Brasil S/A, 
constituída em 1971. A Companhia Antárctica Paulista associou-se inicialmente àquela empresa e, posteriormente, em 
junho de 1975, comprou a totalidade de suas ações, assumindo o controle do empreendimento. A fábrica foi inicial-
mente dimensionada para a produção de 600 mil hl/ano de cervejas, tendo sido inaugurada em 18 de maio de 1978. 
Em dezembro de 1981, foi concluído um amplo projeto de expansão que elevou consideravelmente sua capacidade de 
produção. Em 1983 a empresa empregava cerca de 700 funcionários (REALIDADE..., 1983).
51 A indústria do vestuário (confecções) no Espírito Santo teve uma grande expansão a partir dos anos 1970. Os dados do 
Ideies indicam que 91,7% das empresas existentes em 1986 surgiram após 1974. A maior concentração de indústrias 
encontra-se nos municípios de Colatina, Vila Velha e Vitória. As mais importantes empresas são apresentadas na tabela 
5 do apêndice estatístico. A indústria de calçados compõe-se de número reduzido de empresas, destacando-se dentre elas 
a Calçados Itapuã S/A, localizada em Cachoeiro de Itapemirim, que foi fundada em 17 de maio de 1956. Sua fábrica é 
de grande porte, tendo produzido aproximadamente 3 milhões de pares de calçados e empregado 1.700 trabalhadores 
em 1982 (REALIDADE..., 1983).
139ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Embora não se disponha de dados censitários, pode-se inferir, utilizando-
-se outras informações, que a tendência à diversificação e ao comando do 
grande capital persistiram ao longo dos anos 1980. O gênero metalurgia, 
que manteve praticamente estagnada sua produção entre 1975 e 1980 e 
aparecia como o terceiro mais importante em valor da produção em 1980, 
realizou grande expansão do investimento, da capacidade produtiva e da 
produção no período subsequente. Dadas as grandes dimensões dos projetos 
implantados e expandidos no início dos anos 1980, pode-se afirmar que 
a metalurgia deve ter-se tornado o mais importante gênero da indústria 
capixaba, devendo, certamente, ter superado o de produtos alimentares, 
que sempre ocupou essa posição.
Essa conclusão baseia-se nos seguintes fatos: a Companhia Siderúrgica 
de Tubarão – CST – iniciou a sua construção em junho de 1979, tendo, 
depois de certo atraso nas obras, entrado em operação em dezembro de 
1983; essa usina envolveu investimento da ordem de 3 bilhões de dólares 
e possui uma capacidade produtiva de 3 milhões t/ano. Sua importância 
pode ser mais bem avaliada quando confrontada coma Cofavi (única usina 
até então existente no Espírito Santo), cuja capacidade produtiva era de 
apenas 200 mil t/ano, sendo, portanto, a da CST 15 vezes maior. A CST, 
em 1985, já utilizava 88,8% de sua capacidade e empregava diretamente 
um total aproximado de 6,3 mil trabalhadores.52
A Cofavi, cuja capacidade das unidades de laminação é de 360 mi t/
ano, produzia, na Aciaria I, 200 mil t/ano de aço e, por isso, construiu, 
em 1985/86, a Aciaria II, com capacidade de produção de 300 mil t/ano, 
o que a tornou autossuficiente.53
É importante, ainda, dentro desse gênero, a produção independente 
de ferro-gusa (exclusive CST e Cofavi), que atravessou uma grave crise 
em 1982/83, derivada da crise do mercado internacional do aço. Voltou 
52 A Companhia Siderúrgica de Tubarão – CST – é uma usina integrada que produz placas de aço. Em 1984, seu primeiro 
ano de operação, foram produzidos 2 milhões t de placas. No ano seguinte a produção atingiu 2,6 milhões t e já no 
terceiro ano de operação a usina atingiu a plena capacidade em todas as suas unidades (coqueria, sinterização, alto-forno 
e aciaria), tendo produzido 3 milhões t de placas (COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO, [1985?], [1987?], 1986).
53 Em 1978 entrou em operação o 3º forno elétrico da Aciaria I da Cofavi, o que elevou sua capacidade de produção a 200 
mil t/ano. Por outro lado, a capacidade de laminação, após várias etapas de modernização, situava-se em torno de 300 
mil t/ano, o que levou a Cofavi a realizar a 2ª etapa de expansão com a construção da Aciaria II, que tem capacidade 
para produção de 300 mil t/ano de aço. Assim, a capacidade global das Aciarias da Cofavi passou a 500 mil t/ano. A 
Aciaria II foi inaugurada e entrou em operação em 06 de março de 1987, e estava em fase de planejamento a 3ª etapa de 
expansão que deverá elevar sua capacidade para 1 milhão de t/ano, com a ampliação da Aciaria II e instalação de outra 
linha de laminação (COMPANHIA FERRO E AÇO DE VITÓRIA, [198-?a]).
140 Cafeicultura & Grande Indústria
a se recuperar a partir de 1984, juntamente com o mercado externo, e 
encontra-se em processo de crescimento acelerado. Existiam inicialmente 
duas usinas de porte médio, cuja capacidade produtiva total era de 260 
mil t/ano: a Cimental, com três altos-fornos a carvão vegetal, produz 150 
mil t/ano, e a Companhia Brasileira de Ferro – CBF, que começou a ope-
rar seu segundo alto-forno em outubro de 1984, elevando sua capacidade 
produtiva para 110 mil t/ano.
A produção de gusa ampliou-se com a implantação de dois outros 
projetos de empresários mineiros: a Companhia Metalúrgica Vetorial, com 
capacidade de 60 mil t/ano, que entrou em operação em setembro/85, e 
a Ferroeste Industrial S/A, com capacidade de 100 mil t/ano, que entrou 
em operação em 1986.54
Na metalurgia destaca-se, ainda, o subgênero estruturas metálicas, 
que tem várias empresas importantes e se expandiu muito nos últimos 
anos, devido, em parte, à crescente demanda de galpões, advinda do setor 
cafeeiro, dada a dificuldade de aquisição de madeira.55
Portanto, devido a essa grande expansão da metalurgia, esse gênero 
deverá apresentar a maior contribuição para a formação do valor da pro-
dução industrial capixaba nos anos 1980. Produtos alimentares deverá 
perder a liderança do setor, mas certamente ainda será um dos mais im-
portantes, visto que, no primeiro quinquênio dos anos 1980, continuou 
apresentando bons níveis de crescimento, particularmente nos segmentos 
de beneficiamento do café e industrialização do cacau.
A indústria de papel e papelão deverá também ampliar a sua participação 
no setor industrial, visto que, em 1980, a sua principal fábrica, a Aracruz 
Celulose S/A, ainda não operava em plena capacidade. Nesse ano, produziu 
361,2 mil t, enquanto em 1985 a produção alcançou a utilização plena de 
capacidade e a marca de 470.100 t, 30,1% maior que no ano de 1980.56
54 O setor produtor de ferro-gusa independente apresenta uma capacidade produtiva global de 420 mil t/ano e emprega 
aproximadamente 800 trabalhadores (COMPLEXO..., 1986).
55 As mais importantes fábricas de estruturas metálicas surgiram e se desenvolveram nos anos 1970, especialmente a partir 
da segunda metade da década. Destacam-se, dentre elas, a Gaggiato Const. e Inst. Ltda., a Hitachi Zosen Metalmecânica 
Ltda., Saveli Const. Metalúrgica Ltda. e a Metalúrgica Carapina Ltda. Para maiores detalhes vide: Federação das Indústrias 
do Estado do Espírito Santo (1986); Espírito Santo..., 1985a).
56 Aracruz Celulose ([1987]).
141ESPíRITO SANTO • Economia e Política
O gênero minerais não metálicos, que desde 1939 figurava entre os 
quatro mais importantes em valor da produção, teve seu desempenho 
afetado pela crise da construção civil imobiliária dos anos 1980, em 
especial entre 1983 e 1985, quando praticamente foram paralisadas as 
construções o que, consequentemente implicou uma substancial redução 
da demanda de telhas, tijolos, artefatos de cimento, cimento, britamento, 
aparelhamento de pedras, etc. Entretanto deve ser ressalvada a possível 
expansão da indústria de cal e de cimento. A primeira, porque fornece o 
produto para as usinas de pelotização de minério de ferro e para a usina 
siderúrgica, que o usa como material complementar ao processo indus-
trial de transformação; a segunda, devido à implantação de uma nova 
unidade produtora de cimento a partir da escória do alto-forno da CST, 
pertencente ao grupo Cimento Paraíso.57
A indústria da madeira continuou sua derrocada nos anos 1980, 
devido à escassez de matéria-prima, que tem motivado a transferência de 
várias serrarias para outros estados do país (Bahia, Rondônia e Paraná), 
e, ainda, à própria crise da construção civil, pois a construção imobiliá-
ria é grande consumidora de madeira. A crise de 1981/83 afetou de tal 
forma o setor, que duas grandes fábricas foram obrigadas a entrar em 
concordata no ano de 1983: a Serraria Barbados S/A, em Colatina, e a 
Cia. Brasileira de Indústria e Comércio – Cobraice –, em Conceição da 
Barra. Essa tendência à derrocada tem sido acompanhada de relativa con-
centração no setor, com o desaparecimento de muitas pequenas serrarias 
e a consolidação de grandes fábricas, especialmente duas de laminados 
e quatro de compensados.58
A indústria química, que despontou na última década, expandiu-se 
significativamente nos anos 1980, uma vez que a produção alcooleira foi 
incrementada a partir de 1982/83, e algumas grandes indústrias possuem 
unidades de produtos químicos para uso próprio.
57 A Companhia de Cimento Portland Paraíso iniciou suas atividades no Espírito Santo em setembro de 1982, quando começou 
a ser construída sua unidade, que entrou em operação em julho de 1984. A unidade instalada não é propriamente uma 
fábrica de cimento, porque é constituída apenas pela fase de moagem, possuindo um moinho com capacidade de 32 mil 
t/mês. A empresa adquire seus insumos de outras indústrias, sendo a escória de alto-forno da CST (Vitória), o clinker de 
uma fábrica do mesmo grupo empresarial (Cantagalo-RJ), gesso mineral (Pernambuco), gesso sintético da Bayer (Rio 
de Janeiro) e gesso calcinado da Logasa S/A (Vitória). A fábrica envolveu um investimento de US$ 25 milhões, emprega 
aproximadamente 150 funcionários e desde a sua inauguração tem operado com grande capacidade ociosa, estando no 
início de 1988 usando apenas 25% de sua capacidade, ou seja, produzindo em média 8 mil t/mês. Cf. A Gazeta, 10-10-
86; e informações prestadas por funcionários da empresa. 
58 Realidade... (1983).
142 Cafeicultura & Grande Indústria
Se em 1980 era irrisória a capacidade de produção de álcool na única 
destilaria existente (anexa à Usina Paineiras S/A), em 1985 o Espírito Santo 
atingiu a capacidade nominal de produção de 1 milhão de litros/dia, em 
suas sete usinas em operação, o que representou uma produção anual, na 
safra de 1985/86,de 185 milhões de litros.59
Por outro lado, as grandes indústrias têm no seu parque industrial 
unidades de produtos químicos com seus subprodutos o que possibilita a 
instalação de unidades independentes de processamento.
O grupo Aracruz possui uma fábrica de clorato de sódio com capa-
cidade de 15,8 mil t/ano e uma fábrica de clorossoda que produz 16,7 
mil t/ano de soda cáustica e 14,9 mil t/ano de cloro, todos produtos 
químicos básicos usados no cozimento da madeira e branqueamento da 
celulose. A fábrica de clorossoda só entrou em operação em novembro 
de 1980, estando, assim, fora das estatísticas industriais daquele ano.60 A 
CST possui uma fábrica de oxigênio e gera vários subprodutos que podem 
ser industrializados, tais como: alcatrão, amônia, óleo enriquecido com 
naftaleno, etc.61
Devem, ainda, ser consideradas as indústrias de adubos e fertilizantes, 
que certamente se expandiram significativamente nos anos 1980, devido 
à expansão e modernização da cafeicultura e de outras lavouras, que au-
mentaram substancialmente a demanda desses produtos.
A indústria mecânica também deve ter-se ampliado, uma vez que tende 
a expandir em conjunto com o setor industrial, num primeiro momento, 
através de unidades de reparo e, posteriormente, através da produção de 
peças e máquinas de maior complexidade tecnológica.
O gênero produtor de material de transporte, que sempre esteve muito 
ligado à reparação de veículos ferroviários, ganhou uma nova e importante 
59 No Espírito Santo existem sete destilarias de álcool combustível, sendo seis destilarias autônomas, todas localizadas na 
região norte e uma destilaria anexa à Usina Paineiras S/A, localizada no sul do estado. Na tabela 6 do apêndice estatístico 
são apresentadas as principais características dessas destilarias. 
60 Aracruz Celulose ([1981], [1989]).
61 Foi inaugurada, em março/88, uma unidade de destilação do alcatrão (Carboderivados S/A), cujos acionistas principais 
são os grupos Carboindustrial S/A e Norquisa S/A, com investimento inicial de 20 milhões de dólares e capacidade de 
processamento de 70 mil t/ano de alcatrão, fornecido pela CST (COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO, [1981]).
143ESPíRITO SANTO • Economia e Política
unidade produtiva, em 1982, a fábrica de ônibus pertencente ao Grupo 
Itapemirim.62
Além da indústria de transformação e dos seus principais gêneros, 
deve ser destacada também a indústria extrativa mineral (tabela 32), que 
congrega as atividades de extração de mármore de Cachoeiro de Itapemirim 
e de pelotização de minério de ferro.63 Essa classe de indústria não se revestiu 
de grande importância até 1969, quando foi inaugurada a primeira usina 
de pelotização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD-I).
Em 1959, a indústria extrativa mineral era equivalente a apenas 1,9% 
do valor da produção da indústria de transformação. Entretanto, com a 
implantação de mais cinco usinas de pelotização na década de 1970, essa 
atividade passou a ter expressiva participação no setor industrial do Espí-
rito Santo. As usinas implantadas envolveram um investimento global de 
1 bilhão de dólares, tendo capacidade de produção de 22 milhões de t/ano 
de pellets de minério de ferro.
Assim, a indústria extrativa, em 1970, tornou-se equivalente a 9,4% 
da indústria de transformação, o que foi mantido em 1975, quando aquele 
percentual foi de 7,8%. Na segunda metade dos anos 1970, quando foram 
instaladas quatro das seis usinas existentes, a capacidade produtiva au-
mentou 3,6 vezes, tendo sido a indústria extrativa equivalente, em 1980, a 
40,3% do valor da produção da indústria de transformação. Nesse mesmo 
ano, a pelotização de minerais representou 98,3% do valor da produção da 
indústria extrativa, o que a colocava como a principal atividade industrial 
do estado, suplantando em valor da produção até mesmo o gênero produtos 
alimentares (tabela 32).
62 Os grupos Itapemirim e Mercedes Bens são os únicos no país autorizados a produzir carrocerias e o conjunto mecânico 
de ônibus. Com base nessa autorização, em 1982 foi inaugurado o parque industrial do Grupo Itapemirim, para recu-
peração e fabricação de ônibus. Fabrica-se a linha “Tribus”, ônibus moderno, confortável e eficiente com três eixos. Em 
1983 previa-se a produção de 40 veículos por mês ou 480 por ano, o que empregaria um total de 1.200 operários. A 
produção destina-se majoritariamente ao atendimento das necessidades da própria empresa, embora se realize também 
a comercialização de parcela dos veículos recuperados (REALIDADE..., 1983).
63 A pelotização de minério de ferro é feita por seis usinas, sendo cinco delas controladas pela CVRD e a sexta controlada 
pelo grupo Samitri. A capacidade nominal do conjunto das usinas é de 22 milhões de t/ano de pellets. Veja na tabela 7 
do apêndice estatístico as principais características dessas usinas. 
144 Cafeicultura & Grande Indústria
Tabela 32 - Indústria extrativa mineral e de transformação, Espírito Santo, 1949 – 1980
Classes/Gêneros
Valor da Produção (Cr$ Correntes)
1949 1959 1970 1975 1980
1. EXTRATIVA MINERAL (A) 4.394 59.564 60.403 385.079 30.534.603
 Pelotização de Minerais (B) – – – – 30.021.878
2. TRANSFORMAÇÃO (C) 757.059 3.099.378 643.383 4.927.693 75.733.289
A/C 0,6 1,9 9,4 7,8 40,3
A/A + C 0,5 1,8 8,5 7,2 28,7
C/A + C 99,5 98,2 91,5 92,8 71,3
Fontes: IBGE (1974a; 1979a; 1983a; 1985).
145ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Capítulo 4
Crescimento 
econômico, 
urbanização e 
dinamização do 
setor terciário
Nos capítulos anteriores deste trabalho não se dedicou a devida aten-
ção à análise da dinâmica do setor terciário. Isso, aliás, tem acontecido na 
quase totalidade dos trabalhos de economia que têm sido feitos no Brasil, e 
se deve, de um lado, à visão metodológica de que o terciário é dependente e 
caudatório dos setores produtores, e de outro lado, à precariedade das infor-
mações disponíveis sobre o setor. Assim, são poucos os trabalhos analíticos 
disponíveis sobre o terciário no Brasil, o que, por sua vez, também dificulta 
a realização de outros trabalhos e a melhoria do conhecimento sobre o setor.
Em que pese a esse fato, decidiu-se fazer breves comentários acerca da 
evolução do setor terciário no Espírito Santo durante o período abordado 
neste trabalho, tendo-se como base as análises já realizadas sobre os se-
tores primário e secundário e as informações disponíveis sobre a situação 
geográfica e os tipos de atividades da população.
Inicialmente deve-se observar que o setor terciário apresenta elevado 
nível de complexidade, pois é composto de grande variedade de atividades 
(comércios, serviços, etc.) dotadas de muitas particularidades. Em geral, 
são classificadas no setor todas as atividades que não se enquadram nos 
147ESPíRITO SANTO • Economia e Política
dois setores produtores, sendo-lhes apenas auxiliares e/ou complementares. 
Assim, o setor envolve múltiplas atividades e especificidades.
Metodologicamente adota-se a ideia de que o terciário é induzido tanto 
pelos setores da produção material da economia, o primário e o secundário, 
quanto pelo próprio processo de urbanização.64 O desenvolvimento capitalista 
tem evidenciado que é no espaço urbano que se verifica a integração e o pleno 
desenvolvimento dos diversos setores de atividade da economia. O fenômeno 
da urbanização e da aglomeração de grandes contingentes populacionais pro-
picia o surgimento e a expansão de grande variedade de atividades essenciais, 
tanto para o bom desempenho dos setores produtores quanto para o regular 
funcionamento do organismo social urbano. Dessa forma, a dinamização do 
setor terciário resulta, de um lado, da expansão dos setores primário e secun-
dário; e de outro lado, do próprio processo de urbanização. Mas o terciário 
não é um mero reflexo, pois integra-se à globalidade econômica e social de 
forma dialética,ou seja, constitui-se no suporte que propicia a continuidade 
da expansão dos setores produtores e da aglomeração da população no espaço 
urbano. Alguns segmentos específicos do terciário assumem, inclusive, im-
portante papel indutor de atividades produtoras, como foi o caso dos serviços 
portuários no Espírito Santo, que foi um dos principais fatores determinantes 
da localização de grandes indústrias exportadoras no estado.65
No Espírito Santo, só a partir da década de 1960 o setor terciário 
começou a assumir um papel mais relevante, pois a economia estadual 
até a década anterior ainda se apresentava predominantemente agrícola, 
tendo na cultura do café a sua principal atividade. Correspondentemente a 
este quadro verificava-se que a população também se concentrava no meio 
rural. Em 1950 a população rural representava 79,6% da população esta-
dual. Durante a década esta situação se alterou muito pouco, pois em 1960 
ainda vivia no campo 71,6% da população capixaba. Essa queda relativa da 
população rural deveu-se, entretanto, à extraordinária expansão da popu-
lação urbana, cuja taxa anual de crescimento foi de 7,3% naquela década.
64 Para maiores detalhes sobre a proposta metodológica de análise de uma economia urbana ver Cano (1985b).
65 Na década de 1980 o Espírito Santo dispunha de sete portos em sua costa. Dois para movimentação de carga geral controlados 
pela Portobras S/A, os portos de Vitória e de Capuaba. Os outros cinco são portos privativos de grandes empresas destina-
dos à movimentação de cargas específicas do interesse dessas empresas: o porto de Tubarão, da CVRD, para exportação de 
minério de ferro; o de Praia Mole, da CST, para exportação de placas de aço e importação de carvão siderúrgico; o de Barra 
do Riacho, da Aracruz Celulose S/A, para exportação de celulose; o de Ponta de Ubú, da Samarco S/A, para exportação de 
pellets de minério de ferro; e o Terminal de Regência, da Petrobras, para embarque de petróleo bruto.
148 Cafeicultura & Grande Indústria
A população rural, em termos absolutos, apresentou uma taxa anual de 
crescimento de 3%, o que pode ser atribuído à boa performance da cultura 
do café verificada nos anos 1950. Nesse contexto – de uma população e 
uma economia predominantemente rural – a importância do setor terciário 
era bastante reduzida (tabela 33).
Mas a década de 1950 foi a última de absoluta supremacia da atividade 
cafeeira na economia estadual. Na década seguinte, como já visto anteriormente, 
em função da crise da cafeicultura e do esforço de industrialização empreendido 
no Brasil, e em particular no Espírito Santo, a economia capixaba iniciou uma 
fase de transição de uma economia agroexportadora para uma economia de 
base predominantemente ubano-industrial. Essa fase de transição ainda não 
se completou, mas já em fins dos anos 1980 dava mostras da consolidação do 
perfil essencialmente urbano-industrial da economia estadual.
Em função das transformações econômicas desencadeadas a partir da 
década de 1960, a população rural do Espírito Santo vem se reduzindo con-
tinuamente, tanto em termos relativos quanto absolutos. Naquela década 
verificou-se uma taxa anual de crescimento negativa de -1,5%, o mesmo tendo 
ocorrido na década seguinte, quando a população rural decresceu à taxa anual 
de -2,6%. Nos anos 1980 estima-se que a população rural tenha continuado a 
decrescer à taxa anual de -1,5%. Assim, de 1.014.887, em 1960, a população 
rural deve ter-se reduzido para 576.931 pessoas em 1990 (tabela 34).
Na década de 1960 a migração rural-urbana esteve ligada a dois fa-
tores fundamentais. O primeiro decorria da própria natureza da pequena 
propriedade familiar, que, ao saturar a sua capacidade de absorção do 
crescimento da família, acabava expulsando parte dela para o meio ur-
bano. O segundo fator determinante foi a crise de preços do café, a qual 
esteve associada à política de erradicação das lavouras. A cafeicultura era 
a grande empregadora de força de trabalho e respondia pelo emprego de 
aproximadamente 67% da População Economicamente Ativa do setor pri-
mário, motivo pelo qual foi bastante expressivo o fluxo de emigrantes do 
meio rural. O significativo impacto da erradicação dos cafezais em termos 
de redução do emprego no meio rural não foi compensado por outras cul-
turas, uma vez que a atividade que mais se expandiu foi a pecuária bovina 
de criação extensiva, empregadora de reduzido número de trabalhadores, 
embora ocupasse grandes extensões territoriais.
149ESPíRITO SANTO • Economia e Política
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150 Cafeicultura & Grande Indústria
Tabela 34 - População urbana e rural estimada, Espírito Santo, 1980 – 1990
Anos
População Urbana População Rural População Total
Nos Absolutos % Nos Absolutos % Nos Absolutos
1980 1.351.646 66,8 671.694 33,2 2.023.3401985 1.664.714 72,9 619.945 27,1 2.284.659
1990 2.029.457 77,9 576.931 22,1 2.606.388
TAXA DE CRESCIMENTO – 1980-90 4,1 (1,5) 2,6
Fonte: Rodrigues (1987b).
Nas duas décadas seguintes a migração rural-urbana esteve mais asso-
ciada às transformações tecnológicas e estruturais verificadas na agricultura 
estadual e à própria atração exercida pela expansão industrial do estado, 
sobretudo daquela concentrada na região da Grande Vitória.
No meio rural expandiu-se o sistema empresarial com o que se 
disseminaram as relações de assalariamento, ao mesmo tempo em que 
aumentou de forma significativa a intensidade tecnológica da agricultu-
ra, tanto nas novas culturas introduzidas, sobretudo na região litorânea 
norte, quanto na já tradicional lavoura cafeeira. Essa transformação 
tecnológico-estrutural do campo teve, de um lado, efeitos positivos sobre 
a economia, pois aumentou a produtividade, diversificou as atividades 
e ampliou significativamente o mercado de insumos agrícolas. Mas, por 
outro lado, na medida em que foi crescentemente poupadora e liberadora 
da força de trabalho, reduziu relativamente o nível de emprego e ainda 
possibilitou o surgimento da figura do “boia-fria”, o trabalhador do campo 
que habita a periferia das cidades.
Esse processo de transformações do meio rural no Espírito Santo 
encontra-se ainda em curso, e, na medida em que a fronteira agrícola es-
tadual já está praticamente esgotada, pode-se prever que deverá continuar 
a se desenvolver o processo de “desruralização” da população. De qualquer 
forma, registre-se o efeito benéfico desse processo, que é o estreitamento 
das relações do meio rural com o meio urbano e o consequente aumento 
da complexidade das relações econômicas locais, sobretudo em termos das 
atividades do setor terciário.
A consequência mais visível desse processo de expulsão da população 
do meio rural é a explosiva taxa de urbanização do estado. A população 
urbana, segundo as estimativas de que se dispõe, aumentou em 8,4 vezes, 
151ESPíRITO SANTO • Economia e Política
tendo passado de 199.186 para 1.664.714 pessoas, entre 1950 e 1985. No 
mesmo período, a população total aumentou em apenas 2,4 vezes. Com 
isso a taxa de urbanização estadual passou de 20,8% em 1950 para 72,9% 
em 1985.
A crescente urbanização da população vem ocorrendo de forma gene-
ralizada em todas as regiões do estado, mas tem-se concentrado sobretudo 
na Grande Vitória. Essa região detinha, em 1950, apenas 11,6% da popu-
lação estadual, sendo 74,6% de população urbana. Em 1985 ela passou 
a concentrar o expressivo percentual de 39,6% da população estadual, 
sendo praticamente toda ela população urbana, pois a taxa de urbanização 
atingiu 99%. Nesse mesmo ano, de 1985, a região concentrava um total 
aproximado de 900.000 pessoas nos cinco municípios que a compõem, e 
para 1990 estima-se que o seu número de habitantes atingirá 1.150.000 
pessoas (tabela 35).
Tabela 35 - População urbana e rural estimada, Grande Vitória, 1980 – 1990
Anos
População Urbana População Rural População Total
Nos Absolutos % Nos Absolutos % Nos Absolutos
1980 694.322 98,31 11.941 1,69 706.263
1985 894.724 99,02 8.855 0,98 903.579
1990 1.148.824 99,38 7.167 0,62 1.155,991
TAXA ANUAL DE 
CRESCIMENTO – 1980-90 5,2 (5,0) 5,1
Fonte: Rodrigues (1987b).
Esse intenso processo de urbanização do Espírito Santo vem ocor-
rendo num momento histórico especial da economia nacional, e tem 
apresentado certa defasagem em relação ao processo de urbanização do 
Brasil, que se iniciou num momento anterior e foi, em grande medida, 
influenciado pelo ocorrido nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. 
Enquanto no Espírito Santo a taxa de urbanização em 1950 era de 20,8%, 
no Brasil ela já atingia a 36,2%. Em todos os períodos subsequentes 
as taxas de crescimento da população urbana do Espírito Santo foram 
superiores às taxas do Brasil, mas apenas em 1980 as suas taxas de ur-
banização foram igualadas.
Não resta dúvida de que o processo de urbanização do estado foi muito 
influenciado pelas transformações havidas no campo, que crescentemen-
te liberaram força de trabalho que migrou para as cidades, mas deve-se 
considerar também que a própria dinâmica urbana, que se desenvolveu 
a partir de fins dos anos 1960, teve grande influência e exerceu grande 
atração tanto de capitais quanto de população, oriundos de outras regi-
ões. Por um lado, as condições naturais e a posição estratégica do estado 
facilitaram a formação de boa infraestrutura portuária, de transportes, 
de serviços de comunicações e de abastecimento energético, que se cons-
tituíram em importantes fatores determinantes da localização em solo 
capixaba de grandes plantas industriais voltadas para a exportação. Por 
outro lado, a expansão dos diversos serviços e a implantação de grandes 
unidades industriais foram fatores de atração de população, não só do 
interior do estado, mas também de outras regiões do país, sobretudo dos 
estados vizinhos.
Os dados referentes à ocupação da População Economicamente Ativa 
(PEA) refletem de forma bastante evidente a dinâmica econômica estadual, 
além de mostrar a crescente urbanização da população e o papel cada vez 
mais relevante do setor terciário na geração de empregos.
A PEA do setor primário, em 1950, ainda representava 74,2% da PEA 
total do estado, e durante a década apresentou um crescimento relevante, 
tendo sido responsável por 44,5% dos novos empregos criados, o que é 
explicável pela grande expansão da cafeicultura havida durante os anos 
1950. Nas duas décadas seguintes a dinâmica da agricultura estadual so-
freu grande alteração, com o que a PEA primária se manteve praticamente 
estagnada em termos absolutos, tendo sua participação relativa se reduzido 
de 67,85 em 1960 para 34,15 em 1980 (tabela 36 e 37).
O setor secundário, na década de 1950, teve um desempenho sofrí-
vel, pois foi responsável pela criação de apenas 5,9% do total de empregos 
gerados e manteve a sua participação relativa no total da PEA em 6%. O 
setor terciário, ao contrário, já deu mostras do importante papel que viria 
a ter na economia estadual, pois, embora tenha aumentado sua participa-
ção na PEA em apenas seis pontos percentuais (19,6% em 1950 e 25,6% 
em 1960), foi o responsável por 47,6% dos novos empregos gerados na 
década, destacando-se os segmentos de prestação de serviços, transportes 
e comunicações e comércio de mercadorias.
153ESPíRITO SANTO • Economia e Política
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154 Cafeicultura & Grande Indústria
Tabela 37 - Novos empregos criados, segundo setor e ramo de atividade, Espírito Santo, 
1950 – 1980
Setores e Ramos 
de Atividade
Década de 1950 Década de 1960 Década de 1970
Nos 
Absolutos %
Nos 
Absolutos %
Nos 
Absolutos %
SETOR PRIMÁRIO 33.721 44,49 1.447 0,14 1.858 0,77
. Agricultura, Pecuária, Silvicultura 31.715 41,85 -81 -0,08 1.534 0,64
. Extração Vegetal 1.391 1,84 617 0,60 -103 -0,04
. Caça e Pesca 615 0,81 911 0,88 427 0,18
SETOR SECUNDÁRIO 4.454 5,86 41.014 39,74 89.314 37,14
. Extração Mineral 222 0,29 2.693 2,61 6.924 2,88
. Ind. de Transformação 1.325 1,75 17.977 17,42 39.858 16,58
. Ind. de Construção 2.676 3,53 18.968 18,38 37.590 15,63
. Serv. Ind. de Utilidade Pública 213 0,30 1.376 1,33 4.942 2,05
SETOR TERCIÁRIO 36.061 47,58 57.391 55,61 149.547 62,19
. Comércio de Mercadorias 6.160 8,13 11.326 10,97 32.286 13,43
. Prestação de Serviço 12.996 17,15 17.567 17,02 55.058 22,90
. Transp. Comum. e Armazenagem 7.130 9,41 5.263 5,10 12.174 5,06
. Atividades Sociais 4.658 6,15 15.281 14,81 22.457 9,34
. Administração Pública 1.408 1,86 4.784 4,64 10.115 4,21
. Defesa Nacional e Seg. Pública 1.106 1,46 425 0,41 3.903 1,62
. Inst. de Crédito, Seguros, Capital e 
Com. de Imóveis e Valores 841 1,11 1.900 1,84 8.777 3,65
. Outros 1.762 2,32 845 0,82 4.777 1,98
. Outras Atividades¹ 1.551 2,05 3.357 3,25 -258 -0,11
TOTAL 75.787 100,00 103.209 100,00 240.461 100,00
Fonte: Tabela 36.
Nota: 1 Nos anos de 1970 e 1980 foram excluídas do cálculo as pessoas da condição “procurando emprego pela 1ª vez”.
Nas duas décadas seguintes, estando o setor primário praticamente 
estagnado em termos de geração de novos empregos, coube aos setores 
secundário e terciário o papel dinâmico. O setor industrial teve um de-
sempenho excepcional, tendo a sua PEA crescido a taxas anuais de 11,3% e 
9,3%, respectivamente, nas décadas de 60 e 70, com o que sua participação 
relativa na PEA total se ampliou para 21,3% em 1980. O setor terciário, 
igualmente, teve um desempenho, embora tenha apresentado taxas anuais 
de crescimento da PEA bem menores. Na década de 1960 cresceu 5,0% 
a.a. e na de 70 cresceu 7,2% a.a., tendo ampliado sua participação relativa 
na PEA para 41,8% em 1980 (tabelas 36, 37 e 38). Assim, nesse período, 
o crescimento do emprego no estado foi concentrado nesses dois setores, 
que, juntos responderam por mais de 95% dos novos empregos gerados nas 
duas décadas. Isso, sem dúvida, reflete o intenso processo de urbanização 
da população ocorrido no período, do qual resultou a própria urbanização 
155ESPíRITO SANTO • Economia e Política
do emprego, que em 1980 já representava 63% do total da PEA, se somados 
os setores secundário e terciário.
Esses dados evidenciam o fato de que o setor secundário, embora 
tenha apresentado as maiores taxas de crescimento da PEA entre 1960 e 
1980, dado o próprio perfil da industrialização, baseada em grandes plantas 
de alta intensidade de capital, não apresentou capacidade de absorver a 
totalidade dos trabalhadores que migraram para as áreas urbanas estaduais.
O papel de maior relevona geração de novos empregos coube ao setor 
terciário, que foi responsável por 55,6% dos empregos gerados na década 
de 1960 e por 66,2% dos empregos gerados nos anos 1970. Isso tornou-se 
possível porque o próprio crescimento acelerado da população urbana, 
associado ao crescimento industrial criou as condições necessárias ao sur-
gimento e expansão de várias atividades urbanas do setor terciário, sobre-
tudo nos segmentos de comércio e prestação de serviços. O setor terciário, 
enfim, ampliou-se e diversificou-se com a expansão do mercado urbano 
e da demanda criada para o comércio, os serviços pessoais, as atividades 
financeiras, os serviços públicos, os serviços portuários, etc.
Tabela 38 - Taxas anuais de crescimento da PEA, Espírito Santo, 1950 – 1980
Setor de Atividade 1960-50 1970-60 1980-70 1980-50
POPULAÇÃO TOTAL 4,0 1,2 2,4 2,5
POPULAÇÃO URBANA 7,3 6,0 6,5 6,6
POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA 2,5 2,6 4,5 3,2
- Setor Primário 1,5 0,1 0,1 0,6
- Setor Secundário 2,4 11,3 9,3 7,6
. Indústria de Transformação 1,4 10,7 9,2 7,0
. Indústria de Construção 3,6 12,0 8,9 8,1
- Setor Terciário 5,2 5,0 7,2 5,8
. Prestação de Serviços² 5,4 4,5 7,8 5,9
. Comércio de Mercadorias 4,2 4,9 7,7 5,6
. Transp. Comum. e Armazenagem 5,5 2,7 4,4 4,2
. Atividades Sociais 6,3 9,6 6,5 7,5
Fontes: Tabelas 33 e 36.
É importante ressaltar que o crescimento do setor terciário tem apre-
sentado duplo aspecto.
Por um lado, as atividades mais dinâmicas do setor experimentaram 
um processo simultâneo de crescimento, modernização e concentração de 
156 Cafeicultura & Grande Indústria
capital. Nesses segmentos, excetuando-se aqueles serviços que são monopólio 
estatal (distribuição de energia elétrica, abastecimento de água, telefonia, etc.) 
e os serviços industriais altamente especializados, que são monopolizados 
pelo grande capital nacional, resta um elenco diversificado de atividades nas 
quais o capital local encontra condições favoráveis à sua reprodução. Os 
grupos econômicos locais têm-se voltado principalmente para as atividades 
do setor terciário (comércio, serviços, transportes, etc.), pois essas, além 
de inicialmente não exigirem mobilização de grandes volumes de capital 
e não serem muito especializadas e complexas como é o setor industrial, 
comportam manobras especulativas que, em geral, rendem bons lucros. 
Tem-se, desta forma, a combinação de menor risco com boa rentabilida-
de. Devido a isso, praticamente todos os grupos locais, que atualmente já 
diversificaram suas atividades, tiveram origem em segmentos diversos do 
setor terciário, tais como: comércio e exportação de café (Dadalto, Coser, 
Tristão, etc.); transporte de passageiros (Itapemirim, Águia Branca, etc.); 
transporte de cargas (Cheim, Colatinense, etc.); supermercados (Neffa, 
Boa Praça, etc.); hotelaria (João Dalmácio, Neffa, etc.).
Entretanto, mesmo nesses segmentos, onde o capital local encontra 
condições mais favoráveis ao seu crescimento, o grande capital, que atua 
no mercado nacional e tem origem nos maiores centros econômicos do 
país, tem se colocado numa posição frontal de concorrência e absorção 
dos grupos locais. Isso tem sido verificado sobretudo nos segmentos que, 
em âmbito nacional, já atingiram elevado nível de concentração, como 
é o caso de supermercados (Grupo Bom Preço), lojas de departamentos 
(Mesbla, Americanas, C&A e Arapuã), sistema bancário (todos os grandes 
conglomerados financeiros nacionais), hotelaria (Novotel, Senac), etc. 
Diante da concorrência desses grupos externos, têm-se apresentado aos 
grupos locais as seguintes alternativas: ou eles fazem um esforço de ex-
pansão e diversificação para adquirirem porte de competição no mercado 
local e em outras regiões do país, ou sucumbem diante da concorrência 
e acabam tendo suas atividades absorvidas pelo grande capital nacional.
O setor terciário, por outro lado, abriga um número significativo de 
trabalhadores que adotam como estratégia de sobrevivência o desenvolvi-
mento de atividades do setor, sem manter vínculos regulares com o mercado 
de trabalho tipicamente capitalista. Trata-se do chamado setor informal, no 
157ESPíRITO SANTO • Economia e Política
qual estão incluídos os trabalhadores que desenvolvem pequenos negócios 
e prestam uma grande variedade de serviços, cuja remuneração, em geral, 
é bastante baixa e insuficiente para a sua própria manutenção. Além disso, 
essas atividades não se submetem a nenhum tipo de controle por parte do 
fisco estatal.
Para finalizar, é interessante observar como a PEA se distribuiu re-
gionalmente no Espírito Santo em 1980. Nesse ano a região da Grande 
Vitória detinha apenas 2,9% da PEA do setor primário estadual, enquanto 
as demais microrregiões concentravam os restantes 97,1%. Por outro 
lado, a Grande Vitória concentrava 54,3% da PEA do setor industrial e 
52,8% da PEA do setor terciário. Portanto, a principal região urbana do 
estado, a Grande Vitória, concentrava 36,1% da PEA estadual, sendo que 
98,2% da sua PEA era representada pelos setores secundário e terciário 
(tabela 39). Esses dados evidenciam como a atividade econômica e a 
urbanização nas últimas décadas vêm se concentrando cada vez mais na 
região da Grande Vitória.
158 Cafeicultura & Grande Indústria
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159ESPíRITO SANTO • Economia e Política
Apêndice 
Estatístico
TABELA 1 - Quantidade produzida de algumas culturas agrícolas emergentes - Espírito 
Santo – 1970 - 1988 (toneladas)
 Anos 
Culturas
Abacate 
(*)
Abacaxi 
(*) Alho
Batata- 
inglesa
Laranja 
(*)
Mamão 
(*)
Pimenta-
do-reino Tomate
1970 15.549 16.196 616 5.072 212.142 – 68 11.047
1971 14.526 18.143 557 5.548 205.151 – 68 11.430
1972 15.893 16.872 589 5.623 222.950 – 67 11.906
1973 14.278 21.559 111 5.753 223.945 3.506 134 17.167
1974 14.479 21.078 298 4.822 175.000 2.487 122 20.734
1975 17.667 41.460 290 4.820 402.500 2.715 150 31.500
1976 17.230 20.550 241 7.364 424.005 3.540 149 31.840
1977 17.402 14.400 245 4.003 424.005 1.988 151 29.100
1978 13.635 14.740 687 2.770 207.000 1.955 167 43.750
1979 13.144 14.740 645 1.402 207.000 4.603 187 50.159
1980 12.935 14.300 1.034 2.628 132.750 6.275 471 35.391
1981 12.502 20.400 1.197 3.647 132.729 12.835 483 36.971
1982 12.252 18.856 2.256 4.672 120.211 33.195 1.166 37.387
1983 12.854 25.300 1.800 4.536 136.221 60.305 1.402 43.849
1984 11.722 36.679 1.190 8.646 176.591 150.942 2.072 49.003
1985 11.360 26.563 1.945 5.887 160.295 87.776 1.974 51.915
1986 10.432 21.823 4.504 7.146 161.067 93.102 2.298 53.779
1987 9.844 30.762 6.732 12.092 171.389 69.927 2.994 53.515
1988 – 34.381 4.124 17.124 176.425 – 2.758 67.134
Fontes: Anuário estatístico do Espírito Santo (1955-1987); IBGE (1940-1989).
Nota: (*) Dados em 1.000 frutos.
161ESPíRITO SANTO • Economia e Política
TABELA 2 - Área de colheita de algumas culturas agrícolas emergentes Espírito Santo – 
1970 – 1988 (hectares)
Culturas
Anos Abacate Abacaxi Alho Batata- inglesa Laranja Mamão
Pimenta-
do-reino Tomate Total
1970 470 1.417 349 546 4.253 – 70 797 7.902
1971 491 1.576 349 604 4.327 – 70 864 8.281
1972 500 1.775 385 636 4.464 – 70 877 8.707
1973 490 1.235 79 702 3.249 374 119 806 7.054
1974 487 1.195 198 747 3.500 236 68 825 7.256
1975 505 2.764 177 629 3.500 252 84 700 8.611
1976 509 1.337 35 1.026 3.687 254 82 796 7.726
1977 518 800 35 564 3.687 144 82 582 6.412
1978 444 670 131 364 1.800 159 153 875 4.596
1979 435 670 150 230 1.800 230 208 1.093 4.816
1980 433 650 215 292 1.500 252 221 753 4.316
1981 427 930 257 350 1.500 400 230 756 4.850
1982 432 569 547 419 1.584 535 488 819 5.393
1983 461 961 425 411 1.678 1.168 660 1.004 6.768
1984 409 1.221 254 757 2.116 1.632 782 976 8.147
1985 382 946 393 529 1.946 1.306 795 1.050 7.347
1986 366 819 902 649 1.971 1.220 917 1.134 7.978
1987 261 1.161 1.372 1.025 2.119 1.102 1.126 1.086 9.352
1988 – 1.425 738 1.288 2.183 – 1.221 1.330 8.205
Fontes: Anuário estatístico do Espírito Santo (1955-1987); IBGE (1940-1989).
TABELA 3 - Rendimento médio de algumas culturas agrícolas emergentes Espírito Santo – 
1970 - 1988
Anos
Abacate 
(1.000 
Frutos)
Abacaxi 
(1.000 
Frutos)
Alho 
(toneladas)
Batata- 
inglesa 
(toneladas)
Laranja 
(1.000 
Frutos)
Mamão 
(1.000 
Frutos)
Pimenta-
do-reino 
(toneladas)
Tomate 
(toneladas)
1970 33,08 11,43 1,77 9,29 49,88 – 0,97 11,72
1971 29,58 11,51 1,60 9,19 47,41 – 0,97 13,23
1972 31,79 9,51 1,53 8,84 49,94 – 0,95 13,58
1973 29,14 17,46 1,41 8,20 68,93 9,37 1,13 21,30
1974 29,73 17,64 1,51 6,46 50,00 10,54 1,79 25,13
1975 34,98 15,00 1,64 7,66 115,00 10,77 1,79 45,00
1976 33,85 15,37 6,89 7,18 115,00 13,94 1,82 40,00
1977 33,59 18,00 7,00 7,10 115,00 13,81 1,84 50,00
1978 30,71 22,00 5,24 7,61 115,00 12,30 1,09 50,00
1979 30,22 22,00 4,30 6,10 115,00 20,01 0,90 45,89
1980 29,87 22,00 4,81 9,00 88,50 24,90 2,13 47,00
1981 29,28 22,00 4,66 10,42 88,49 32,09 2,10 48,90
1982 28,36 33,14 4,12 11,15 75,89 62,05 2,39 46,65
1983 27,88 26,33 4,24 11,04 81,18 51,63 2,12 43,67
1984 28,66 30,04 4,69 11,42 83,46 92,49 2,68 50,21
1985 29,74 28,08 4,95 11,13 82,37 67,21 2,48 49,44
1986 28,50 26,65 4,99 11,01 81,72 76,31 2,51 47,42
1987 27,27 26,50 4,91 11,80 80,88 63,45 2,66 49,28
1988 – 24,13 5,59 13,20 80,82 – 2,26 49,73
Fontes: Tabelas 1 e 2.
162 Cafeicultura & Grande Indústria
TABELA 4 - Relação das cinco principais indústrias mecânicas produtoras de máquinas e 
equipamentos - Espírito Santo – 1986
Empresa Localização Produtos Início de Atividades
Cibramaq – Cia Brasileira de 
Máquinas Agrícolas Ltda. Cariacica
. Secadores de café
. Máquinas de beneficiamento de café e 
cereais.
11.10.79
Mecânica Industrial 
Servimaq Ltda. Vitória
. Bloqueteiras, usinagem e calderaria
. Peças para máquinas
18.03.77
Cimef Metalúrgica S/A Cachoeiro de Itapemirim
. Máquina para polimento e corte de 
mármore.
. Equipamento para trituração de calcário
29.08.69
Metalúrgica Carapina 
Indústria e Comércio Ltda. Vitória . Calderaria e máquinas (empilhadeira). 03.05.74
Brashol Ind. Mecânica Ltda. Vitória . Peças em geral e máquinas diversas. 05.05.65
Fonte: Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (1986).
TABELA 5 - Relação das oito principais indústrias de confecções - Espírito Santo – 1986
Empresa LocalizaçãoInício de Atividades
. Cherne Ind. do Vestuário Ltda Colatina 23.04.74
. Confecções Merpa São Paulo Ltda. Colatina 01.07.71
. Comercial e Distribuidora Paulista Ltda. Colatina 23.04.74
. Confecções Otto Ltda. Colatina 23.02.65
. Confecções Guritex – Com. Imp.E Exp.Ltda. Vitória 27.06.68
. Rizk Ind.e Com. de Confecções Ltda. Vila Velha 16.09.75
. Papilon – Ind. e Com. de Confecções Ltda. Cachoeiro de Itapemirim 09.02.77
. Incopel – Ind. E Com. de Confecções Ltda. São Gabriel da Palha 02.08.78
Fonte: Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (1986).
163ESPíRITO SANTO • Economia e Política
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164 Cafeicultura & Grande Indústria
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