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Uso do teste de compressão tibial e do deslocamento do sesamóide poplíteo
no diagnóstico radiográfico da ruptura do ligamento cruzado cranial em
cães
Radiographic diagnosis of cranial cruciate ligament rupture in dogs using
the tibial compression test and popliteal sesamoid displacement
Durval Baraúna Júnior*1, Eduardo Alberto Tudury2
1Colegiado de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Vale do São Francisco, Petrolina
Rua Coroa de Frade, 306, Bairro Areia Branca, CEP: 56328-470, Petrolina-PE, Brasil
2Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco 
Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n, Bairro Dois Irmãos, CEP: 52171-900, Recife-PE, Brasil
RPCV (2007) 102 (561-562) 71-74
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Resumo: A ruptura do ligamento cruzado cranial (RLCC)
necessita de diagnóstico e tratamento rápidos e precisos, no
intuito de minimizar a progressão da doença articular degenera-
tiva. O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência e a aplica-
bilidade do teste de compressão tibial (TCT) e da verificação do
deslocamento do sesamóide do poplíteo (DSP) no diagnóstico
radiográfico dessa afecção. O estudo foi realizado em 28 animais
com suspeita clínica de RLCC, onde foram avaliados radio-
graficamente em projeção médio-lateral o deslocamento cranial
da eminência intercondilar em relação aos côndilos femorais e
o deslocamento distal do sesamóide do poplíteo. Embora 20%
dos cães não apresentassem ossificação do sesamóide do poplíteo,
nos cães onde esse parâmetro pôde ser utilizado os resultados
demonstraram 100% de especificidade e sensibilidade, poden-
do-se concluir que a utilização conjunta destas duas verificações,
nas radiografias médio-laterais de joelhos suspeitos de RLCC,
é uma técnica simples e eficiente no diagnóstico da afecção,
estando ao alcance da maioria dos clínicos veterinários.
Palavras chave: radiologia, ortopedia, joelho, cães, ligamento
cruzado cranial.
Summary: Cranial cruciate ligament rupture (CCLR) needs a
rapid and accurate diagnosis and treatment to minimize the pro-
gression of the degenerative joint disease (DJD). The objective
of this study was to evaluate the accuracy and usefulness of the
tibial compression technique and to analyze popliteal sesamoid
displacement in radiographic diagnosis of this disease. Twenty
eight animals suspected of carrying CCLR were used, which
were submitted to the tibial compression radiographs in medio-
lateral projection. The cranial displacement of the intercondilar
eminences in relation to the condyle of the femur and the distal
popliteal sesamoid displacement were assessed. Although 20%
of the dogs showed lack of ossification of the popliteal
sesamoid, results showed 100% of specificity and sensitivity in
dogs exhibiting ossification. We conclude that the use of these
two techniques, in mediolateral radiographs of stifle joint 
suspected of having CCLR, is a usefull and efficient procedure
for the diagnosis of this disease, and it is at hand for of the most
veterinary clinicians.
Keywords: radiology, orthopedics, stifle joint, dogs, cranial
cruciate ligament.
Introdução
A ruptura do ligamento cruzado cranial (RLCC) é
uma das afecções mais comuns no membro pélvico de
cães. A instabilidade na articulação do joelho, causada
pela RLCC, resulta em claudicação e alterações articu-
lares secundárias (Johnson e Johnson, 1993; Moore e
Read, 1996), necessitando de diagnóstico e tratamento
rápidos, no intuito de minimizar a progressão da
doença articular degenerativa (Muzzi et al., 2003). 
O diagnóstico da RLCC deve realizar-se com base
em informações da história pregressa e exame físico
com testes específicos (movimento de gaveta, com-
pressão tibial) (Johnson e Johnson, 1993). Métodos
complementares de diagnóstico podem ser utilizados,
como o exame radiográfico, a ressonância magnética,
a ultra-sonografia, a análise do líquido sinovial e a
artroscopia (Muzzi et al., 2003).
A menos que exista um menisco empurrando a tíbia
cranialmente é raro encontrar a eminência intercon-
dilar deslocada frontalmente em relação aos côndilos
femorais (gaveta cranial positivo) em radiografia do
joelho sem condições de tensão (Piermattei e Flo,
1999). A avulsão de um fragmento ósseo e/ou estabili-
dade articular podem ser avaliadas através de projeções
radiográficas sob stress (Piras, 2001). Na prática esta
técnica envolve a aplicação de uma força na articu-
lação em questão, para demonstrar, em imagens ou
clinicamente, o deslocamento dos componentes
ósseos. As forças aplicadas são as mesmas a que uma
articulação estaria sujeita em atividade normal diaria-
mente, como as forças de compressão, rotação, tração,
torção e alavanca (Allan, 2002).
R E V I S T A P O R T U G U E S A
CIÊNCIAS VETERINÁRIAS
DE
*Correspondência: durvalbarauna@hotmail.com
Tel: +55 (87) 38641067, +55 (87) 88179400; 
Fax: +55 (87) 39863808
RPCV (2007) 102 (561-562) 71-74Baraúna Júnior D et al.
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-se neste instante a manobra do teste de compressão
tibial, obtida flexionando-se ao máximo a articulação
do tarso, tomando-se cuidado para não torcer a perna
durante este procedimento. Deste modo, enquanto
ambos os côndilos femorais ficam maximamente
sobrepostos um ao outro, é realizada a radiografia
(Figura 1). 
As avaliações foram realizadas sempre pelo mesmo
avaliador, verificando-se, em casos obviamente positi-
vos, que a linha vertical tangente à margem caudal dos
côndilos femorais passa atrás da projeção caudal da
meseta tibial e em casos com deslocamento discreto,
ocorre o deslocamento cranial da eminência inter-
condilar, em relação aos côndilos femorais. Foi verifi-
cado também o deslocamento distal do sesamóide do
poplíteo, não sendo avaliado para esta pesquisa o grau
de doença articular degenerativa (Figura 2).
Figura 2 - Exame radiográfico na projeção médio-lateral sob teste de
compressão tibial. (A) joelho normal, notar o sesamóide do poplíteo
sobreposto ao platô tibial caudal (seta branca) e a eminência intercondilar
(seta preta) entre os côndilos femorais, em sua posição anatómica. (B)
joelho com ruptura do ligamento cruzado cranial, notar o deslocamento
da eminência intercondilar em relação aos côndilos femorais (seta preta)
e deslocamento distal do sesamóide do poplíteo (seta branca).
A aplicação do teste de compressão tibial causa nos
joelhos com lesão do ligamento cruzado cranial uma
sub-luxação cranial da eminência intercondilar em
relação aos côndilos femorais e quando são obtidas
radiografias enquanto o teste é aplicado, essa mudança
pode ser utilizada para detectar rupturas parciais ou
totais desse ligamento (De Rooster e van Bree, 1999a;
Vasseur, 2003). A avaliação pode ser realizada de forma
subjetiva ou objetiva, comparando a medida do grau do
deslocamento tibial mencionado nas projeções médio-
-laterais do joelho afectado nas projeções neutra e de
stress (De Rooster et al., 1998; De Rooster e van Bree,
1999b; Zatloukal et al., 2000). Este teste é um impor-
tante método de diagnóstico, principalmente quando os
testes físicos geram dúvidas quanto à integridade do
ligamento cruzado cranial (Muzzi et al., 2003).
O sesamóide do poplíteo é o menor dos sesamóides
do joelho, e está localizado no tendão de origem do
músculo poplíteo adjacente à massa muscular (Evans
e Christensen, 1979). Estudos radiográficos demons-
traram que em joelhos totalmente estendidos, o osso
sesamóide aparece adjacente à parte caudo-distal da
superfície articular do côndilo tibial lateral em cães.
Em joelhos completamente flectidos o osso sesamóide
articula-se com a superfície lateral do menisco lateral
(McCarthy e Wood, 1989).
Os ossos sesamóides são identificados pelo seu
tamanho, forma e localização. O deslocamento dos
mesmos é considerado como sinal de lesão muscular
ou tendinosa dos músculos poplíteo e gastrocnémio,
em conjugação com RLCC, embora essa variação na
localização do sesamóide também possaocorrer na
ausência de situação patológica (Allan, 2002). O
deslocamento distal do sesamóide do poplíteo durante
a radiografia sob teste de compressão tibial é associa-
do a RLCC (Vasseur, 2001).
O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência do
teste de compressão tibial e da verificação do desloca-
mento do sesamóide poplíteo no diagnóstico radiográ-
fico da RLCC em cães.
Material e métodos 
O trabalho foi realizado no Hospital Veterinário da
Universidade Federal Rural de Pernambuco, com cães
que apresentavam queixa de claudicação do membro
pélvico. Após o exame clínico geral, ortopédico geral
e específico (movimento de gaveta cranial sob movi-
mentação normal, teste de compressão tibial, clic
meniscal, rotação interna da tíbia e efusão articular),
selecionaram-se 28 cães, de idade, sexo e raças varia-
das, com peso variando entre 2 a 53 kg. Estes foram
encaminhados ao setor de radiologia, onde foram
sedados com acepromazina na dose de 0,1 mg/kg
intramuscular, quando necessário. 
Os cães foram posicionados em decúbito lateral,
com os joelhos em flexão sobre o chassi, realizando-
Figura 1 - Manobra para realização do exame radiográfico sob o teste
de compressão tibial. Notar o stress exercido no tarso (seta branca) para
promover o deslocamento cranial da tíbia (seta preta) nos casos suspeitos
de ruptura do ligamento cruzado cranial.
RPCV (2007) 102 (561-562) 71-74Baraúna Júnior D et al.
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Resultados 
Nestes 28 cães o diagnóstico definitivo foi confirma-
do pela artrotomia realizada durante o procedimento
cirúrgico, para correção da RLCC. Em todos os 35
joelhos radiografados foi evidente o deslocamento
cranial da tíbia proximal em relação ao fêmur, bem
como sinal de gaveta positivo. 
O deslocamento distal do sesamóide do poplíteo foi
evidente nos 28 joelhos, onde havia presença desta
estrutura. Com base nos resultados dos sesamóides
presentes obteve-se 100% de especificidade e de sen-
sibilidade no diagnóstico da RLCC. 
Sete (20%), dos cães analisados apresentavam
ausência do sesamóide do poplíteo, com média de
peso (8,8 kg) e um dos cães que apresentou esta parti-
cularidade tinha 22 kg. 
Discussão
O exame radiográfico sob compressão tibial, segun-
do os resultados obtidos neste estudo, demonstrou ser
altamente específico (100%) e sensível (100%), para
confirmação do diagnóstico da RLCC, obtendo resul-
tados tão bons quanto os relatados na literatura (100%
de especificidade e 97% de sensibilidade) (De Rooster
et al., 1998).
O teste clínico de gaveta apresentou uma sensibili-
dade de 86% no diagnóstico da RLCC em um estudo
avaliando 72 articulações (De Rooster et al., 1998),
com o que discordam os resultados de um outro estu-
do que, avaliando 27 cães, obteve 100% de sensibili-
dade (Iamaguti et al., 2001). O nosso trabalho corro-
bora os valores alcançados, neste último estudo.
Convém ressaltar que estes resultados podem estar
relacionados com: a experiência do examinador, o
grau de lesão (total ou parcial), ou o grau de fibrose
periarticular desenvolvido, dificultando a confir-
mação do exame. Tais inconvenientes são eliminados
na radiografia, já que se trabalha com pontos de refe-
rência ósseos (De Rooster et al., 1998). 
O teste clínico de gaveta apresenta como vantagens
não envolver custos adicionais e necessidade de exames
mais complexos e deve ser recomendado como
primeira escolha no diagnóstico da RLCC. Entretanto
a literatura consultada relata o caso de um cão, sub-
metido à cirurgia com suspeita de RLCC baseado no
teste manual, e que durante artrotomia exploratória foi
encontrado com o ligamento intacto (De Rooster et
al., 1998). 
Resultados similares aos alcançados neste estudo
foram relatados por De Rooster e van Bree (1999a),
que obtiveram 99% de sensibilidade e 100% de
especificidade, no que se refere ao deslocamento 
distal do sesamóide do poplíteo. 
A literatura consultada relata que 6 a 16% dos cães
apresentam ausência do sesamóide poplíteo (McCarthy
e Wood, 1989; De Rooster e van Bree, 1999a), estando
de acordo com os resultados obtidos neste estudo. A
média de peso dos animais que apresentavam ausência
desta estrutura está bem próxima dos 9,2 kg de média
obtidos no primeiro estudo que avaliou este
parâmetro, para o diagnóstico da RLCC. Já os cães
que apresentavam ausência do sesamóide do poplíteo
tinham menos de 15 kg (De Rooster e van Bree,
1999a), enquanto neste trabalho esta peculiaridade foi
encontrada em um cão com 22 kg.
A ausência do sesamóide do poplíteo pode dificultar
o diagnóstico; porém se estiver associada ao desloca-
mento cranial da tíbia, em relação ao fémur, é uma
referência útil para o diagnóstico. Existindo a possi-
bilidade de deslocamento distal do sesamóide do
poplíteo em outras situações, patológicas ou não, que
não a RLCC, a sua associação com o deslocamento
cranial (clínico e radiográfico sob stress) da eminên-
cia intercondilar em relação aos côndilos femorais, é
essencial para o diagnóstico conclusivo. O desloca-
mento distal do sesamóide pode ser visualizado em
radiografia lateral padrão de joelhos com RLCC (De
Rooster e van Bree, 1999a).
A verificação conjunta do deslocamento da eminên-
cia intercondilar em relação aos côndilos femorais e
do deslocamento distal do sesamóide do poplíteo, em
radiografias médio-lateral de joelhos, sob o teste de
compressão tibial, é um método altamente eficiente e
simples de confirmação da suspeita clínica de RLCC.
Agradecimentos
Agradecemos à Professora PhD Carmen Sueze
Miranda Marutti, pela correcção do summary.
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