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Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 Questões Amálgama de Prata 1. Como se apresenta o amálgama de prata? Quais seus componentes? O amálgama de prata se apresenta sob a forma de pó + líquido. O pó é de liga metálica contendo Prata (Ag), Estanho (Sn), Cobre (Cu) e Zinco (Zn). Já o líquido é composto por mercúrio (Hg). 2. Qual a indicação do amálgama de prata? O amálgama de prata é indicado para restaurações em dentes posteriores pois possui estética ruim. 3. Como o amálgama é classificado? Podem ser classificados quanto ao teor de cobre e quanto ao formato das partículas. Levando em consideração o teor de cobre presente na liga, o amálgama pode ser amálgama convencional (baixo teor de cobre) ou amálgama com alto teor de cobre (>6%). O amálgama com alto teor de cobre pode ser, ainda, de fase dispersa ou de fase única. Quanto ao formato das partículas, podem apresentar partículas irregulares ou esféricas. 4. Diferencie o processo de usinagem do processo de atomização: As partículas presentes no pó do amálgama podem ser obtidas através de usinagem ou atomização. A usinagem consiste na mistura, fundição e limagem dos metais; resultando em um pó composto por partículas irregulares como é o caso do amálgama convencional. A atomização consiste na mistura e fundição dos metais de modo que, quando se obtém um estado líquido, é adicionado um spray; como resultados tem-se um pó composto por partículas regulares (esféricas), como é o caso do amálgama de composição única/ligas terciárias. Pode também haver a combinação dos dois processos, resultando em um pó que contém tanto partículas irregulares como partículas esféricas, à exemplo do amálgama de fase dispersa. 5. Complete: a) o amálgama convencional é composto por partículas: convencionais/irregulares/do tipo limalha. b) o amálgama com alto teor de cobre de fase dispersa é composto por partículas: convencionais/irregulares/do tipo limalha + partículas eutéticas/esféricas. c) o amálgama com alto teor de cobre de composição única/ligas terciárias é composto por partículas: eutéticas/esféricas. 6. Como se dá a cristalização do amálgama convencional? Quais as fases formadas durante o processo? Após o contato entre o pó e o líquido, o Hg presente no líquido age sobre as partículas de Ag e Sn do pó, solubilizando-as. Quando ocorre a saturação do mercúrio precipitam, primeiramente, cristais Hg- Ag (fase gama I). Posteriormente, cristais de Hg-Sn irão precipitar (fase gama II). Cabe salientar que algumas partículas não são atacadas; sendo assim, no final da reação teremos cristais de Hg-Ag + cristais Hg-Sn + liga não atacadas. 7. Relacione as características e as propriedades mecânicas do amálgama de prata convencional à sua composição: - O pó que compõe o amálgama de prata é obtido através do método de usinagem; sendo assim, as partículas que o compõe possuem formato irregular. Quanto maior a irregularidade das partículas, maior a área de superfície das mesmas. Dessa forma, é necessário maior quantidade de mercúrio para que seja possível solubilizá-las. Quanto maior for a quantidade de mercúrio, maior o escoamento estático (creep) do material, ou seja, maior o escoamento do material ocasionado por cargas atuantes Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 a longo prazo (como a oclusão). O creep apresenta-se como uma desvantagem pois ocasiona fendas e valamentos marginais que podem acumular biofilme e, por consequência, causar lesões de cárie. Além disso, sabe-se que o cobre diminui o escoamento estático do amálgama; dessa forma, o fato de o amálgama convencional ser composto por uma liga metálica com baixo teor de cobre justifica seu elevado escoamento estático. - Durante a reação de cristalização do amálgama convencional, quando os cristais formados por Hg- Sn precipitam, ocorre a formação da fase gama II. Tal fase confere “maciez” e alto escoamento ao material, diminuindo suas propriedades mecânicas, o que justifica a menor resistência à compressão do amálgama convencional quando comparado ao amalgama com alto teor de cobre. 8. Como se dá a reação de cristalização do amálgama de fase dispersa? Quais as fases formadas durante o processo? O amálgama de prata de fase dispersa é composto por um pó que possui partículas convencionais, partículas eutéticas e alto teor de cobre. Quando o pó é molhado pelo líquido que contém Hg, as partículas de Ag-Sn são solubilizadas pelo Hg. Primeiramente, ocorre a precipitação de cristais de Hg-Ag, caracterizando a fase gama I. Visto que esse tipo de amálgama contém altas quantidades Cu, o estanho irá reagir com o Cu, não havendo formação da fase gama II (Sn é possui 100 vezes mais afinidade com o Cu do que com o Hg). Por fim, os cristais Sn-Cu irão precipitar ao redor da liga eutética, determinando a fase ETA do material. No final da reação de cristalização temos cristais Ag- Hg + cristais Sn-Cu + partículas não atacadas. 9. Relacione as características e propriedades do amálgama de fase dispersa com seus componentes: - Embora o amálgama de fase dispersa possua em sua composição ligas eutéticas – as partículas possuem menor área de superfície e, portanto, necessitam menos líquido para serem solubilizadas -, também estão presentes as ligas convencionais – constituídas por partículas irregulares que possuem maior área de superfície e que, por esse motivo, necessitam de maior quantidade de mercúrio para serem solubilizadas. Sabe-se que quanto maior a quantidade de mercúrio necessária, maior o creep e valamento do amálgama. Além disso, sabe-se também que a fase gama II diminui as propriedades mecânicas do material, pois os cristais Hg-Sn formados conferem “maciez” ao mesmo. Sendo assim, o alto teor de cobre do amálgama de fase dispersa impede a formação da fase gama II, pois o Sn possui elevada afinidade por esse elemento. A não formação da fase gama II melhora as propriedades mecânicas do material, sendo assim temos um amálgama mais resistente à compressão e com menor escoamento estático, diminuindo a chance de formações de valamentos e lesões de cárie por consequência do acúmulo de biofilme nessas áreas. Todavia, cabe salientar que embora o amálgama de fase dispersa possua propriedades mecânicas superiores ao amálgama convencional, quando comparado ao amálgama de composição única, suas propriedades se mostram inferiores. 10. Como se dá a reação de cristalização do amálgama de composição única (ou de ligas terciárias)? Quais as fases presentes no processo? O amálgama de composição única contém elevado teor de cobre (13-31%), sendo assim podemos encontrar além de Ag, cristais Sn-Cu antes mesmo da reação com o Hg, que correspondem a fase épslon do material. Após o contato com o mercúrio, ocorre a solubilização das partículas do pó. Primeiramente precipitarão cristais Hg-Ag (fase gama I) não havendo interação entre Hg e Sn devido à presença de Cu que se liga fortemente ao Sn – dessa forma, não ocorre a formação da fase gama II. Posteriormente, os cristais Sn-Cu irão precipitar ao redor das partículas eutéticas, formando a fase ETA do material. No final da cristalização, temos cristais Hg-Ag + cristais Sn-Cu (presentes formados antes mesmo da reação com o mercúrio) + ligas não atacadas. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 11. Relacione as características e propriedades do amálgama de composição única aos seus componentes: - O pó do amálgama de composição única é obtido através do método de atomização, que produz partículas esféricas e regulares. Quanto mais regular for uma partícula,menor sua área de superfície e, por consequência, menor a quantidade de líquido para dissolvê-las. Quando menor a quantidade de líquido, menor a quantidade de Hg envolvido no processo então, sabendo que quando maior a quantidade de Hg maior o escoamento estático do material, é correto afirmar que o amalgama de composição única possui baixo escoamento estático. Tal fato é uma vantagem visto que quanto menor o escoamento estático, menor a formação de valamentos e, consequentemente, menor o risco do acúmulo de biofilme e desenvolvimento de cárie. - Além disso, o alto teor de cobre presente na liga, que forma um cristal com o estanho antes mesmo da reação com o Hg, impede a formação da fase gama II e, consequentemente, a maciez do material. Sendo assim, temos as melhores propriedades mecânicas dentre os três tipos de amálgamas (elevada resistência a compressão e baixo escoamento estático). 12. Cite as principais vantagens do amálgama de prata: O amálgama é um material de baixo custo, que necessita menor sensibilidade técnica e que possui longevidade semelhante às resinas compostas. 13. Cite as principais desvantagens do amálgama de prata: Por ser um material odontológico metálico, possui nuvem de elétrons livres que o torna ótimo condutor de eletricidade e calor, sendo assim deve haver forramento quando a cavidade for muito profunda e pode haver fenômeno de galvanismo quando em contato com outro metal capaz de criar uma diferença de pontencial elétrico. Além disso, embora esse material seja rígido, é um material muito frágil. Não possui retenção química, sendo necessário realizar retenção mecânica que requer maior desgaste de tecido dental hígido, a fim de obter-se uma camada retentiva. Não é um material estético. 14. Quais as características que um amálgama ideal deve possuir? Um amálgama ideal deve possuir escoamento estático < 3%, resistência à compressão de 80mPa e alteração dimensional máxima de 20 micrometros/cm de restauração. 15. Quais os fatores de qualidade do amálgama controlados pelo fabricante? Forma de obtenção, tamanho e formato das partículas que compõe o pó, apresentação comercial, tratamento térmico, tratamento superficial das partículas e composição da liga. 15. Quais os fatores de qualidade do amálgama controlados pelo dentista? Seleção da liga, relação pó-mercúrio, processo de trituração, técnica de condensação e integridade marginal. 16. Comente sobre a alteração dimensional que sofre o amálgama: Sofre alteração dimensional por consequência da cristalização e por consequência da expansão tardia. - quando misturamos o pó ao líquido ocorre uma contração devido ao contato com o mercúrio. Na fase gama I, a colisão dos cristais causa uma expansão, a qual é interrompida com a cristalização inicial do material. Sendo assim, a expansão que acontece na fase gama com a colisão dos cristais compensa a contração causada por consequência do contato entre Hg e liga. - quando realizamos uma restauração com amálgama o zinco presente na liga (que possui a finalidade de evitar corrosão) reage com a água da saliva, formando o óxido de zinco e hidrogênio. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 Com o passar do tempo, o gás tenta sair da restauração gerando o que chamamos de expansão tardia. 17. Quais outros fatores além da quantidade de Hg e Cu podem estar associados à resistência dessa restauração? A condensação e brunimento, que além de fazer com que saia Hg através da pressão, promove a compactação do material, evitando a formação de poros que diminuiriam a resistência do mesmo. Questões Compósitos e Resinas Compostas 1. O que é um compósito? Cite exemplos de compósitos de uso odontológico. Um compósito é composto pela mistura de dois ou mais materiais diferentes e insolúveis entre si tais como a o ionômero de vidro modificado por resina, a silicona de adição e a resina composta. 2. Quais os componentes da resina composta? Cite como cada componente influencia as características do material. A resina composta possui 4 componentes básicos: material orgânico resinoso, partículas inorgânicas, agentes de união e iniciadores da reação de polimerização. O material orgânico resinoso corresponde à porção orgânica e polimérica do material, podemos encontrar substâncias como Bis-GMA, TEGDMA, UDMA. O grupamento metacrilato presente na molécula da Bis-GMA confere maior resistência ao material; já os anéis aromáticos, conferem um aumento da rigidez. As partículas inorgânicas, como o quartzo, possuem como principal função diminuir a contração de polimerização. Além disso permitem um aumento da resistência e determinam as propriedades ópticas das resinas compostas como radiopacidade e estratificação de cor. Os agentes de união, como o silano, foram adicionados ao material para diminuir a degradação por ação da água. O silano une a porção orgânica do material à porção inorgânica, diminuindo a sorção por água. Além disso confere transferência de tensões, impede a propagação de trincas e o deslocamento de partículas. Os iniciadores, representados pelas aminas, são responsáveis pelo início da polimerização desses materiais. 3. Por quê são incorporados monômeros diluentes ao Bis-GMA? O Bis-GMA é uma substância extremamente viscosa, o que dificulta a incorporação de partículas de carga à sua matriz. Visando resolver este problema, é adicionado ao Bis-GMA monômeros diluentes capazes de aumentar a quantidade de ligações cruzadas no material, diminuindo sua viscosidade e aumentando seu escoamento. Sendo assim, consegue-se incorporar maiores quantidades de carga ao material, o que diminui sua contração de polimerização e melhora suas propriedades mecânicas. 4. Sabe-se que os monômeros diluentes aumentam a contração de polimerização quando incorporados à matriz orgânica das resinas compostas. Isso é um problema? Justifique. Os monômeros diluentes são adicionados à matriz orgânica das resinas compostas a fim de possibilitar maior incorporação de partículas de carga, visto que o Bis-GMA é um material muito viscoso. Embora a adição de monômeros diluentes aumente a contração de polimerização, isso não é um problema, visto que os monômeros diluentes também permitem maior incorporação de partículas inorgânicas ao material, cuja principal função é diminuir a contração de polimerização. Sendo assim, a contração de polimerização causada pela adição de monômeros diluentes é compensada pela incorporação de maior quantidade de agentes de carga ao material. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 6. A quantidade de carga incorporada a matriz do material é dependente de qual fator? A quantidade de carga incorporada a matriz do material depende, principalmente, da área de superfície e tamanho das partículas. Sendo assim, partículas pequenas possuem uma maior área superficial, sendo mais difícil “molhá-las”; consequentemente, menores quantidades de carga podem ser incorporadas e piores as propriedades mecânicas e ópticas do material. 7. Como se classificam as resinas compostas quanto ao escoamento? Caracterize-as. Quanto ao escoamento, as resinas compostas podem ser resinas de alto escoamento (ou resinas flow), resinas de médio escoamento e resinas de baixo escoamento. As resinas de alto escoamento, também denominadas resinas flow, apresentam-se em uma seringa com êmbolo, são pouco viscosas e possuem em sua composição baixa quantidade de partículas de carga. Sendo assim, apresentam elevada contração de polimerização e baixa resistência mecânica. Além disso, por possuírem elevado escoamento, não permitema anatomia dentária sendo utilizadas como cimentos resinosos. As resinas de médio escoamento são resinas amplamente utilizadas, que possuem escoamento médio e partículas de diferentes tamanhos. Apresentam-se em uma seringa rosqueável e, devido ao escoamento adequado, permitem a manutenção da anatomia dentária. As resinas de baixo escoamento são extremamente viscosas e possuem consistência e manipulação semelhante ao ámalgama. Caíram em desuso pois possuíam propriedades mecânicas inferiores. 8. Como se classificam as resinas compostas quanto ao tamanho das partículas? Quanto ao tamanho das partículas, as resinas se classificam em macroparticuladas, microparticuladas, híbridas, microhíbridas, nanohíbridas e nanoparticuladas. 9. Relacione a composição das resinas macroparticuladas às suas propriedades. As resinas macroparticuladas possuem 50 a 70% de partículas orgânicas de tamanho entre 10 e 50 micrometros. As partículas grandes e em elevada quantidade conferem a este material boa resistência mecânica. Todavia, as resinas macroparticuladas possuem estética ruim pois a presença de partículas inorgânicas grandes desgasta a matriz orgânica e expõe as partículas grandes, causando um aumento da rugosidade superficial e perda do brilho. Dessa forma, são indicadas para restaurações em dentes posteriores. 10. Relacione a composição das resinas microparticuladas às suas propriedades. As resinas microparticuladas possuem 30% de partículas inorgânicas em sua composição, medindo 40-50 nanometros. O pequeno tamanho das partículas confere ao material ótimas propriedades estéticas. Por outro lado as partículas pequenas e em baixa quantidade acarretam em elevada contração de polimerização e baixa resistência mecânica. São utilizadas em dentes anteriores. 11. Relacione a composição das resinas híbridas às suas propriedades. As resinas híbridas possuem 50% de partículas inorgânicas em sua composição de dois diferentes tamanhos: 10-50 micrometros e 40 nanometros. As partículas maiores conferem ao material boas propriedades mecânicas como a diminuição da contração de polimerização e o aumento da resistência mecânica. Já as partículas menores, conferem ao material boas propriedades estéticas. Todavia, quando comparada à resina microparticulada, as propriedades estéticas são inferiores. Foi a primeira resina de uso universal, porém é mais indicada para dentes posteriores. 12. Como é obtida a resina híbrida? É obtida através da pré-polimerização e trituração das resinas micropartículadas que, posteriormente, são incorporadas à resina macroparticulada. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 13. Relacione a composição das resinas microhíbridas às suas propriedades. Possuem 50% de partículas em sua composição de dois diferentes tamanhos: 1 a 10 micrometros e 40 nanometros. São semelhantes às resinas híbridas, somente diminui-se o tamanho das macropartículas. Sendo assim, são resinas de uso universal, pois possuem boas propriedades mecânicas e estéticas – indicadas para restaurações anteriores e posteriores. 14. Relacione a composição das resinas nanohíbridas às suas propriedades. As resinas nanohíbridas possuem 50% de partículas inorgânicas em sua composição com dois tamanhos diferentes: 0,1 – 0,6 micrometros e 40 nanometros. Diminui-se ainda mais as macropatículas presentes no material, a fim de obter-se um estética semelhante às resinas microparticuladas; Todavia, ainda haviam partículas maiores que 100 nanometros (0,1 micrometro = 100 nanometros). 15. Relacione a composição das resinas nanoparticuladas às suas propriedades. As resinas nanoparticuladas possuem 60% de partículas inorgânicas com tamanho de 5 a 100 nanometros. Sendo assim, o pequeno tamanho das partículas e sua presença em elevadas quantidades (60%) conferem ao material propriedades mecânicas e estéticas satisfatórias. 16. Como se classificam as resinas compostas quando ao método de ativação? Quanto ao método de ativação, as resinas compostas se classificam em resinas de ativação através de métodos químicos (ou resinas autopolimerizáveis) e resinas de ativação através de métodos físicos (ou resinas fotopolimerizáveis). 17. Métodos de ativação, iniciadores e ativadores do processo de polimerização das resinas compostas. Polimerização Química ou Autopolimerizáveis Polimerização Física ou Fotopolimerizáveis Iniciador Peróxido de benzoíla Canforoquinona Ativador Amina terciária Luz visível ou UV 18. Por que a resina composta deve ser administrada pela técnica incremental? A contração de polimerização, característica das resinas, causa uma tensão na interface entre o dente e a restauração. Quando a tensão de contração é maior que a resistência de união entre o tecido dental e o material restaurador, ocorre a formação de fendas que permitem a infiltração e degradação do material por ação da água. Além disso, podem ser formadas também cavidades retentivas de biofilme, onde pode se formar uma lesão de cárie. Para diminuir a tensão gerada na interface dente-material, devemos lançar mão da técnica incremental. Nessa técnica, colocamos a resina em incrementos pequenos e realizamos aderimos o mesmo à uma única parede (diminuindo o fator C da cavidade). Devido a menor quantidade de paredes aderidas, a tensão gerada pela contração é dissipada para as paredes livres, diminuindo os problemas causados pela contração do material. Além disso, essa técnica permite uma polimerização mais eficiente e uniforme (pois a luz atinge todos os monômeros visto que o incremento é pequeno) e permite a constituição de uma anatomia precisa. 19. Como ocorre a polimerização das resinas compostas? Quando a luz visível com comprimento de onda entre 450 e 490 nm incide sobre o material a canoforonona é excitada e reage com a amina terciária, formando radicais lirvres. Os radicais livres quebram a dupla ligação dos monômeros presentes na matriz orgânica, tornando-os ativados. Então ocorre uma reação entre diversos monômeros, formando uma cadeia polimérica. Cerca de 50 a 60% dos monômeros inicialmente livres tornam-se polimerizados. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 20. Quais são os fatores determinantes da polimerização? Tempo de exposição e potência do ativador (quanto maiores, maior a quantidade de fótons de energia e, consequentemente, maior a probabilidade de sensibilização da canforoquinona) e comprimento de onda. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 Questões Sistemas Adesivos 1. Quais propriedades um material de adesão ideal deve possuir? Para que um material de adesão seja considerado ideal deve possuir baixa solubilidade, escoamento e molhamento adequado e viscosidade baixa. A solubilidade do material está relacionada sua longevidade; sendo assim, quanto menor a solubilidade do mesmo, maior será sua durabilidade na cavidade bucal. A cavidade possui diversas irregularidades, por esse motivo o material adesivo deve possuir bom escoamento e baixa viscosidade, sendo capaz de preencher todas as irregularidades. Caso isso não aconteça, se formam pontos de concentração de tensões que, com o tempo, podem originar trincas. Por fim, o material deve possuir bom molhamento, sendo capaz de penetrar as áreas desmineralizadas pelo condicionamento ácido e, após sua polimerização, aderir-se ao tecido dentário através de um embricamento micromecânico. 2. Quais fatores influenciam a adesão adequada? A adesão é influenciada por três fatores principais: molhamento do material, rugosidade superficial ebaixa viscosidade. Quanto melhor for o molhamento do material, melhor a interação do mesmo com a superfície dentária. Quanto maior a rugosidade superficial, maior a área disponível para que se estabeleça o contato entre o substrato dentário e o material, o que possibilita uma boa adesão. Por fim, quanto menor a viscosidade do material, maior sua capacidade em atingir todas as irregularidades da cavidade evitando a formação de pontos de concentração de tensão que, ao longo do tempo, podem originar trincas. 3. Quais os tipos de adesão de materiais aos tecidos dentários? Os materiais podem unir-se aos tecidos através da adesão química ou adesão mecânica. A adesão química é feita por ligações químicas que podem ser primárias (como ligações iônicas, metálicas e covalentes) ou secundárias (como, por exemplo, pontes de hidrogênio e Van der Walls). Cabe salientar que o único material odontológico que possui ligação química aos tecidos dentários é o ionômero de vidro. A adesão mecânica é a mais utilizada na odontologia e consiste em um embricamento micromecânico entre os tecidos dentários e o material odontológico. 4. Como acontece a adesão mecânica entre o dente e o material restaurador? Primeiramente deve-se realizar o condicionamento ácido da superfície dentária, que consiste na remoção de uma pequena camada de conteúdo inorgânico do tecido. Com isso, aumenta-se a rugosidade da superfície, o que aumenta área superficial e, consequentemente, aumenta a quantidade de áreas disponíveis para que se estabeleça o contato entre material e substrato dental. Posteriormente, o espaço que antes estava ocupado pelo conteúdo inorgânico é preenchido com um monômero de escoamento e viscosidade adequados, capaz de preencher todas as irregularidades. A medida que acontece a polimerização do monômero/adesivo ocorre um embricamento mecânico desse material ao substrato dentário, promovendo a adesão. 5. Quais são as vantagens dos sistemas adesivos? Os sistemas adesivos possibilitam o desgaste de menor quantidade de tecido hígido, diminuem a infiltração marginal, reforçam a estrutura dentária remanescente, possui módulo de elasticidade semelhante a dentina evitando a formação de trincas, possibilita reparo e restauração e possui possibilidades estéticas. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 6. Quando os sistemas adesivos podem ser indicados? Os sistemas adesivos são indicados para reposição de estruturas perdidas por lesão de cárie ou fraturas, preenchimento de lesões cervicais não cariosas, correção da forma, coloração e dimensão dentária, cimentação de peças protéticas e colamento de braquetes ortodônticos. 7. Qual a importância do condicionamento ácido do esmalte utilizando ácido fosfórico a 35%? Através do condicionamento ácido do esmalte utilizando ácido fosfórico a 35% é retirada uma pequena porção de conteúdo inorgânico (hidroxiapatita) do tecido. Isso faz com que a superfície se torne mais rugosa, aumentando a quantidade de áreas disponíveis para que o adesivo penetre e, após sua polimerização, embriqueme micromecanicamente conferindo adesão entre o material e o substrato dentário. 8. Quais devem ser as características do monômero utilizado no sistema adesivo para esmalte? Além de possuir baixa viscosidade e molhamento adequado, deve ser hidrófobo para que seja capaz de conferir maior resistência mecânica à estrutura. Geralmente são utilizados adesivos contendo Bis- GMA e TEGDMA. 9. Como se forma a lama dentinária? Quais seus constituintes? A lama dentinária é formada através do preparo cavitário sendo constituída por restos de dentina, restos bacterianos, saliva e diamante. 10. Na dentina o monômero utilizado deve ser hidrófilo ou hidrófobo? Por quê? A dentina é naturalmente hidrófila, pois, além de possuir menor quantidade de material inorgânico quando comparada ao esmalte, possui alto conteúdo orgânico (principalmente fibras colágenas) e fluidos no interior dos túbulos dentinários. Sendo assim, deve-se utilizar um material contendo monômeros hidrófilos para que a adesão através do embricamento micromecânico seja possível. 11. Como se dá a adesão mecânica em dentina? É diminuída a concentração do ácido utilizado para o condicionamento ácido em dentina. Sendo assim, ocorre a remoção da porção inorgânica da dentina que servia como arcabouço para as fibras colágenas, as quais ficam expostas. Após o condicionamento, é utilizado um primer contendo monômeros hidrófilos e solventes orgânicos (como água, etanol e acetona). Sendo assim, o monômero do primer preenche os espaços antes ocupados pelo conteúdo mineral e, a medida que polimeriza, adere-se à ao substrato dentário através do embricamento micromecânico com as fibras colágenas expostas. Os solventes orgânicos, além de facilitar a penetração do monômero presente no primer, volatilizam qualquer resquício de água que tenha ficado no interior do colágeno, o poderia prejudicar a adesão do material ao substrato dentário. 12. Quais as fases que podem ser encontradas na interface dentina-adesivo-restauração? Caracterize-as. O monômero presente no prime, devido ao seu escoamento adequado, penetra nos túbulos dentinários. Todavia, o condicionamento ácido não remove o conteúdo inorgânico dos túbulos e, pore este motivo, o monômero encontra-se apenas justaposto ao conteúdo inorgânico, formando o que chamamos de prolongamentos resinosos incapazes de conferir resistência de união entre substrato e material. Por outro lado, quando condicionamos a dentina, remove-se o conteúdo inorgânico que serve como arcabouço para as fibras colágenas; sendo assim, as mesmas ficam expostas. Quando o primer contendo monômeros hidrófilos é depositado na cavidade, penetra essas fibras ( o que só é permitido devido ao adequado escoamento, baixa viscosidade e alta capacidade de molhamento) e une-se às Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 mesmas através do embricamento micromecânico. Portanto, forma-se uma camada composta por monômeros e fibras colágenas embricadas - a camada híbrida – conferindo resistência de união ao material. 13. Quais os pontos cardeais da adesão? Para que servem? Os pontos cardeais podem ser entendidos como 3 passos fundamentais para que se obtenha uma adesão eficiente entre substrato dentário e material, sendo eles condicionamento ácido, primer e adesivo. O condicionamento ácido remove uma pequena quantidade de conteúdo inorgânico do substrato. No caso do esmalte, ele aumenta a rugosidade superficial e, consequentemente, aumenta a quantidade de áreas disponíveis para que se estabeleça o contato material-substrato. No caso da dentina, o condicionamento remove o conteúdo inorgânico que serve como arcabouço para as fibras colágenas, expondo-as para que seja possível unir o material ao substrato através do embricamento micromecânico. O primer é composto por monômeros hidrófilos e solventes orgânicos como, por exemplo, água, etanol e acetona. No caso da dentina, naturalmente hidrófila, os monômeros hidrófilos presentes no primer penetram nas irregularidades ficando justapostos à hidroxiapatita dos túbulos dentinários, formando os prolongamentos resinosos. Além disso, penetram também nas fibras colágenas expostas antes sustentadas pelo material inorgânico removido. A medida que ocorre a polimerização do material ocorre o embricamento micromecânico entre as fibras e os monômeros hidrófilos do primer, formando a camada híbrida que confere resistência de união às duas estruturas (dentina e material). Os solventes orgânicos, além de facilitar a penetraçãodos monômeros hidrófilos, volatilizam resquícios de água que possam ter ficado na região e prejudicariam a resistência de união do material. Por fim, aplica-se o adesivo, composto por monômeros hidrófobos em grande quantidade, hidrófilos em baixa quantidade e fotoiniciadores. No esmalte, o monômero hidrófobo penetra as irregularidades embricando micromecanicamente ao substrato. Sabe-se, ainda, que o monômero hidrófobo contém um grupamento metacrilato responsável pela afinidade com os monômeros hidrófilos. Sendo assim, quando o adesivo é adicionado à cavidade, os monômeros hidrófobos penetram na camada híbrida conferindo a ela maior resistência e hidrofobicidade. Cabe salientar que, quanto maior a hidrofobicidade, menor a infiltração por água e, consequentemente, menor a degradação do material por ação da água ao longo do tempo. 14. Para que servem os monômeros hidrófilos? Possuem um grupamento metacrilato que copolimemeriza com os monômeros do sistema adesivo e um hidroxila, responsável pelo cárater hidrófilo que permite a penetração na malha colágena exposta em dentina. 15. Qual o papel dos solventes orgânicos no condicionamento da dentina? Os solventes orgânicos como etanol, água e acetona além de facilitarem a penetração dos monômeros hidrófilos às irregularidades da superfície evitando a formação de pontos de concentração de tensão que podem causar trincas e piorar as propriedades mecânicas do material, volatiliza quaisquer resquícios de água que poderiam interferir no embricamento micromecânico que confere resistência de união entre o material e o substrato dentário. 16. Qual a importância dos monômeros hidrófobos do adesivo em relação à camada híbrida? Devido a presença de um grupamento metacrilato, os monômeros hidrófobos possuem afinidade com os monômeros hidrófilos. Sendo assim, penetram a camada híbrida onde há colágeno e monômeros hidrófilos, aumentando a resistência de união entre o substrato dentário e o material. Além disso, também confere hidrofobicidade à camada hibrída, sendo que quanto maior a hidrofobicidade menor Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 será a infiltração no material e, consequentemente, maior sua longevidade visto que ocorre a diminuição da degradação por água. 17. Qual a principal diferença entre os sistemas adesivos convencionais e os sistemas adesivos autocondicionantes? A principal diferença entre os dois tipos de adesivo é que, nos adesivos convencionais, o condicionamento ácido necessita de um passo clínico separado. Já nos adesivos autocondicionantes, é feito por um primer condicionante, não necessitando de passo clínico separado para o condicionamento ácido da superfície. 18. Como se classificam os sistemas adesivos? Se classificam em convencionais – cujo condicionamento ácido necessita de um passo clínico separado – e autocondicionantes – cujo condicionamento ácido ocorre através de um primer condicionante que dispensa a necessidade do condicionamento ácido em um passo clínico separado. Os convencionais se dividem em sistemas adesivos convencionais de 3 passos (possuindo ácido, primer e adesivo em frascos separados) e sistemas adesivos convencionais de 3 passos (que possuem dois frascos, um contendo ácido e outro contendo primer + adesivo). 19. Qual a composição dos sistemas adesivos convencionais? São compostos por um ácido fosfórico a 35% + primer contendo monômeros hidrófilos (HEMA) e solventes orgânicos como água, acetona ou etanol + adesivo composto por monômeros hidrófobos (Bis-GMA, TEGDMA), baixa quantidade de monômeros hidrófilos e fotoiniciadores. 20. Por quê não se deve secar totalmente a água restante da lavagem do ácido? E por quê também não se deve deixar muito úmido? Se a água for totalmente removida, as fibras de colágeno colabam, dificultando a penetração do primer para o embricamento micromecânico. Além disso, ocorre o acúmulo de monômeros hidrófilos acima desse colágeno, o que atrai água dos túbulos dentinários aumentando a sensibilidade pós operatória. Por outro lado, se estiver muito úmido, ao adicionar o primer, o monômero será solubilizado, impedindo o embricamento micromecânico que confere união ao substrato dentário e material. 21. Escreva os passos clínicos para utilização do sistema adesivo convencional de 3 passos. - condicionamento ácido com ácido fosfórico em dentina durante 15 segundos e em esmalte de 15 a 30 segundos; - lavagem com água durante 15 segundos em dentina e de 15 a 30 segundos em esmalte (obs.: lavagem em excesso não faz mal); - secagem úmida; - aplicação de primer com microbrush durante 20 segundos; - volatilização do primer até que se obtenha uma superfície seca; - aplicação do adesivo; - fotopolimerização; 22. Cite uma vantagem e uma desvantagem da utilização de sistemas adesivos convencionais de dois passos. No sistema adesivo convencional de dois passos temos o primer e o adesivo unidos em único frasco. Sendo assim, nesses casos a camada híbrida é hidrófila e hidrófoba ao mesmo tempo, o que pode ser uma desvantagem visto que a degradação por água se torna maior. Todavia, uma das vantagens desse sistema é a diminuição do tempo de aplicação. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 23. Como funciona a aplicação dos sistemas adesivos convencionais de dois passos? Esse sistema contém dois fracos: um com ácido fosfórico a 35% e outro com primer e adesivo juntos. - condicionamento ácido com ácido fosfórico a 35% por 15 segundos em dentina e de 15 a 30 segundos em esmalte. - lavagem durante 15 segundos (dentina) e 15 a 30 segundos (esmalte). - secagem úmida - aplicação do primer + adesivo - volatilização do solvente através da secagem total com ar - fotopolimerização 24. Quais os passos clínicos para o sistema adesivo autocondicionante de 2 passos? Quais seus componentes e características? O sistema adesivo autocondicionante de dois passos é composto por um primer hidrofílico ácido contendo HEMA, solventes e metacrilatos fosfatados. Além disso, possui um adesivo com componente monomérico hidrófobo (Bis-GMA, TEGDMA) e fotoiniciadores, - aplicação do primer autocondicionante - volatilização do solvente - aplicação do adesivo - fotopolimerização Deve-se aplicar o primer com a lama dentinária presente e, a medida que é removido conteúdo inorgânico ocorre, ao mesmo tempo, penetração do monômero hidrófilo. Uma das principais vantagens apresentadas por esse sistema é a diminuição da sensibilidade dentinária (não necessita de secagem úmida). 25. Quais as vantagens do sistema adesivo autocondicionante de um passo? O sistema adesivo autocondicionante de um passo apresenta como principais vantagens: dispensa lavagem e sacagem úmida visto que não possui condicionamento ácido em passo clínico separado, reduz tempo clínico e sensibilidade técnica e reduz sensibilidade pós operatória (não necessita secagem úmida). 26. Quais os principais problemas do sistema autocondicionante? Muitas vezes o ácido presente no primer não possui pH suficientemente baixo para desmineralizar o substrato dentário, prejudicando o embricamento micromecânico e, consequentemente, acarretando na menor resistência mecânica da camada híbrida. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 Questões longevidade e fotopolimerização dos sistemas adesivos 1. Assinale V ou F, corrija as Falsas. ( ) Estudos demonstraram que considerando-se o esmalte, o adesivo autocondicionante de 3 passos é o que confere maior resistência de uniãoimediata ao sistema. FALSO – Considerando-se o esmalte, o adesivo convencional de 3 passos é o que confere maior resistência de união ao processo. ( ) Estudos mostraram que considerando-se a dentina, os adesivos que demonstraram maior resistência de união imediata foram, respectivamente: convencional de 3 passos, convencional de 2 passos, autocondicionante de 2 passos e autocondicionante de passo único. FALSO – considerando- se dentina, os sistemas adesivos que apresentaram maior resistência de união imediata foram, respectivamente: convencional de 3 passos, convencional e autocondicionante de 2 passos (que não apresentaram diferenças significativas entre si) e, por último, autocondicionante de passo único. ( ) No que diz respeito à resistência de união a longo prazo estudos mais antigos mostram que o melhor sistema adesivo a ser utilizado é o autocondicionante de passo único. FALSO – No que diz respeito a resistência de união a longo prazo, o melhor sistema adesivo que pode ser utilizado é o convencional de 3 passos, seguido pelo convencional de 2 passos, autocondicionantes de 2 passos e autocondicionantes de passo único. ( ) Estudos mais recentes a respeito da resistência de união a longo prazo mostram que os sistemas adesivos autocondicionantes de 2 passos têm apresentado bons resultados de resistência a longo prazo. V ( ) A boa resistência de união que vem apresentando os sistemas adesivos autocondicionantes de dois passos deve-se, principalmente, à presença do monômero MPD – o qual liga-se ao cálcio do tecido dentário formando nanocamadas. ( ) Os sistemas adesivos autocondicionantes de 1 passo são péssimos e não vêm apresentando evolução ao longo do tempo. Sendo assim, irão cair em desuso. FALSO – Os sistemas adesivos autocondicionantes de 1 passo vêm diminuindo sua taxa de falha anual, o que indica uma melhora do material. Dessa forma, possuem um alto potencial de futuramente serem amplamente utilizados. 2. Como ocorre a polimerização dos sistemas adesivos? A luz do fotopolimerizador, que contem entre 450 a 490 nanometros – correspondente a luz azul – sensibiliza a canforoquinona. Quando sensibilizada, essa substância reage com as aminas terciárias formando radicais livres que iniciarão a reação de polimerização do material. Sendo assim, os radicais livres reagem com os monômeros do material, quebrando a dupla ligação existe no mesmo e permitindo a ligação de um monômero a outro, formando a cadeia polimérica. 3. Assinale V ou F, justifique as falsas: ( ) quanto maior o tempo de exposição ao fotopolimerizador, menor a polimerização do material. FALSO – quanto maior o tempo de exposição ao fotopolimerixador, maior a liberação de energia através de fótons que sensibiliza a canforoquinona; por consequência, maior a polimerização do material. ( ) quanto maior a pontência do fotopolimerizador, maior a quantidade de fótons de energia liberados, maior a quantidade de canforoquinona sensibilizada e, consequentemente, melhor é a polimerização do material. V ( ) quanto maior o comprimento de onda da luz do fotopolimerizador, melhor a polimerização do material. FALSO – a luz que deve incidir sobre o sistema adesivo para polimerização do mesmo é a luz azul, que corresponde ao espectro de luz visível no intervalo de comprimento de onda entre 450 e 490nm. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 4. O que é o grau de conversão de um material? É a quantidade de ligações duplas que foram convertidas em ligações simples (covalentes) durante o processo de polimerização do material pela ação dos radicais livres. 5. Desenhe o gráfico mobilidade polimerização ao longo do tempo e explique-o. O gráfico polimerização ao longo do tempo nos indica o estresse de polimerização dos sistemas adesivos. Primeiramente, as há mobilidade das cadeias, pois ainda existem monômeros não polimerizados; nessa fase o estresse de contração pode ser dissipado para a resina composta. Chamamos de ponto gel, o ponto em que a polimerização é máxima, ou seja, o ponto em que a polimerização atinge sua saturação. Após o ponto gel não há mais mobilidade das cadeias, pois o material está completamente polimerizado; sendo assim, o estresse de contração causado pelo processo é dissipado para a interfase material – tecido dentário. 6. Sobre os fotopolimerizadores: ( ) fotopolimerizadores contínuos conseguem retardar o ponto gel da reação de polimerização. F – nenhum fotopolimerizador contínuo foi capaz de retardar o ponto gel da reação de polimerização. ( ) fotopolimerizadores de intensidade muito alto que agem por um grande período de tempo diminuem o ponto gel do material. V ( ) os fotopolimerizadores do tipo soft-start iniciam a com baixa intensidade e aumentam gradualmente ao longo do tempo. V ( ) os fotopolimerizadores de pulso interrompido consistem na polimerização com a intensidade baixa por um tempo, desligam e ligam-se novamente com luz em intensidade adequanda por mais um tempo. V 7. Quais os tipos de fotopolimerizadores existentes? Existem fotopolimerizadores de LED e de lâmpada ahalógena. 8. Cite vantagens e desvantagens dos fotopolimerizadores de luz halógena: Como desvantagens, apresenta: necessita ponteira de fibra ótica, a luz é gerada por incandescência (logo geram-se todas as ondas do espectro visível e o aparelho necessita de um filtro que permita a passagem apenas da luz azul), são grandes, possuem fio, a luz perde a intensidade ao longo do tempo, liberam calor, gastam mais energia e possuem vida útil de 40 a 100 horas. Como vantagens, possui custo menor e amplo espectro. 9. Cite vantagens e desvantagens dos fotopolimerizadores de LED: Como desvantagens, possuem custo mais elevado e curto espectro. As principais vantagens são: tempo de vida útil maior que 6 horas, gastam menor energia quando comparados aos fotopolimerizadores de luz halógena, baixa produção de calor e não há desgaste do aparelho. Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 Questões Cimentos resinosos 1. Qual a indicação dos cimentos resinosos? São indicados para cimentação de preparos que necessitam adesão como, por exemplo, as facetas. 2. Quais os componentes dos cimentos resinosos? Apresentam os mesmos componentes que a resina composta: partículas de carga, agentes de união, matriz orgânica resinosa composta por monômeros e substâncias iniciadoras e ativadoras do processo de polimerização do material. 3. Quais as diferenças entre a resina composta e o cimento resinoso? O cimento resinoso possui menores quantidades de partículas de carga e maiores quantidades de monômeros diluentes. Sendo assim, é um material com consistência semelhante às resinas de alto escoamento (flow), possuindo baixa viscosidade e alto escoamento. 4. Quais são os ativadores e iniciadores da reação de polimerização dos cimentos resinosos? No caso dos cimentos resinos cuja polimerização é química, o sistema ativador iniciador é composto por aminas terciárias e peróxido de benzoíla. Já nos cimentos cuja polimerização é física, o sistema ativador iniciador é composto por canforoquinona e aminas terciárias. 5. Como ocorre a cimentação adesiva? É semelhante ao processo utilizado nos adesivos: remoção de conteúdo inorgânico que possibilita o embricamento micromecânico. 6. Como se classificam os sistemas adesivos? Os sistemas adesivos podem ser convencionais (necessitando de um adesivo antes do cimento) ou autoadesivos. Os adesivos convencionais podem, ainda, ser quimicamente ativados, fotoativados ou duais. 7. Citeas características dos cimentos resinosos convencionais quimicamente ativados. Apresentam-se sob a forma de duas pastas cujos componentes são peróxido de benzoíla e aminas terciárias. A polimerização acontece sozinha após a mistura, sendo este material indicado para cimentação de estruturas que não permitem a passagem de luz tais como: cerâmicas com espessura >2,5mm, restaurações metálicas e pinos intrarradiculares. 8. Quais as vantagens e limitações dos cimentos resinosos convencionais quimicamente ativados? A polimerização se dá de forma mais homogênea pois não depende da luz, porém, é mais lenta. Além disso a tensão de contração gerada nas paredes é menor. Como limitações, não permite o controle do tempo de trabalho e possui algumas limitações estéticas ao longo do tempo visto que a amina terciaria muda de coloração (conferindo aspecto marrom). 9. Cite as características dos cimentos resinosos convencionais fotoativados. Apresentam-se sob a forma de pasta única contendo conforoquinona, sendo indicada para cimentação de estruturas que permitem a passagem de luz (como, por exemplo, cerâmicas com espessura <2mm). Questões Prova III Materiais Dentários Kymberlly Pigossi – ATO 2019/01 10. Quais as vantagens e limitações dos cimentos resinosos convencionais fotoativados? Possuem coloração mais estável, inclusive permitem o teste da cor mais adequada através de uma pasta de prova (try-in) e o tempo de trabalho pode ser controlado. Todavia, possui uma indicação limitada. 11. O que pode ser utilizado como meio alternativo à utilização de cimentos resinosos convencionais fotoativados? Podem ser utilizadas as resinas flow ou pode-se aquecer a resina de médio escoamento, para aumentar o escoamento. Sabendo que as resinas comportam uma maior quantidade de carga, apresenta melhores propriedades mecânicas como menor contração de polimerização, menor degradação por água e menor alteração da coloração. 12. Quais as características dos cimentos resinosos convencionais duas ou de dupla ativação? Apresentam-se sob a forma de 2 pastas que, ao serem misturadas, irão polimerizar na presença ou não de luz, pois possuem ativação química ou física. Como características, apresenta estabilidade de cor, permite controle do tempo de trabalho, é versátil pois polimeriza na presença ou não de luz e, preferencialmente, deve-se fotoativa-la aumentando o grau de polimerização de material. 13. Quais as características dos cimentos resinosos autoadesivos? Apresentam-se sob a forma de uma cápsula. Na sua composição é possível encontrar componentes do cimento de ionômero de vidro portanto, além de união micromecânica com o substrato dentário através de monômeros ácidos, liga-se ao cálcio presente no tecido dentário formando uma união química. Possui polimerização na presença ou ausência de luz, não necessitam o tratamento da superfície, ou seja, dispensam o uso de adesivos e por isso apresentam menor sensibilidade técnica. São indicados para a cimentação definitiva assim como o ionômero de vidro tipo I e o cimento de Fosfato de Zinco. 14. Por que os cimentos resinosos convencionais de ativação química e os duais não devem ser utilizados com sistemas adesivos simplificados? Os sistemas adesivos simplificados formam uma membrana semipermeável, composta por monômeros hidrófilos e hidrófobos. Os monômeros hidrófilos que compõe essa estrutura permitem a infiltração de água que pode chegar até o cimento. O cimento possui incompatibilidade com a água, não polimerizando na presença dela. Além disso, o cimento resinoso possui como substância ativadora a amina terciária que possui pH básico e pode reagir com o ácido do sistema adesivo. Sendo assim, não restam aminas para reação de polimerização e o material não polimeriza. Como alternativa, pode se inserir ao material um co-ativador, mas o sistema adesivo continua tendo o problema de infiltração. 15. Quais as limitações dos cimentos resinosos? Os cimentos resinosos apresentam incompatibilidade química, contração de polimerização e dificuldade de condicionar o esmalte por parte dos cimentos autocondicionantes. 16. Comente sobre a longevidade dos cimentos resinosos: Não existem estudos acompanhando cimentação utilizando cimentos resinosos autoadesivos. Porém, existem pesquisas que demonstram que após 10 anos 90% das restaurações que haviam sido feitas ainda estavam cimentadas e que aquelas cimentadas com cimento resinoso quimicamente ativado estavam 100% íntegras! Enquanto 77% das restaurações cimentadas com cimentos duas estavam intactas.