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Alessandro Braga 2017 GEOLOGIA ESTRUTURAL Tensão e Deformação O que é deformação (strain)? • O termo indica basicamente mudança na forma; • As mudanças mecânicas nas massas rochosas são decorrentes dos movimentos tectônicos, impostos por forças originadas no interior da terra (endógenas); • Considerando um corpo rochoso em qualquer lugar da crosta terrestre, neste momento, estará sofrendo influência de temperatura e pressão confinante. Além disso presença de fluidos, tempo, taxa de subducção também influenciam; • Deformação é a transformação de uma geometria inicial em uma geometria final por meio de translação, rotação, distorção e/ou dilatação. Mecanismos de deformação Nível 1 – cisalhamento (baixas condições de P e T, caracterizado pelas descontinuidades); Nível 2 – flexão (quando adquirem ductibili- dade, passam a se deformar sem se quebrar); Nível 3 – achatamento (num estágio mais evoluido, se torna mais dúctil); Nível 4 – fluxo (as rochas chegam próximas ao ponto de fusão, dobram-se por fluxo). Mattauer, 1980 Níveis estruturais Mattauer, 1980 Um nível estrutural é caracterizado por um mesmo mecanismo de deformação. Pois os materiais se comportam de forma distinta dependendo das condições de P e T: Nível Estrutural Superior - domínio das descontinuidades (falhas e fraturas) onde o mecanismo dominante é o de cisalhamento; Nível Estrutural Médio – domínio de formação das dobras isópacas, mecanismo dominante é a flexão; Nível Estrutural Inferior – domínio das dobras anisópacas onde o mecanismo predominante é o de achatamento seguido de fluxo. Deformação Rúptil fraturamento, perda de coesão Deformação Dúctil dobramentos, sem perda de coesão Deformação envolve transformações físicas na rocha, tais como: Translação Rotação Dilatação Distorção Deformação homogênea e heterogênea A deformação pode ser homogênea (uniforme) ou heterogênea (não uniforme); Deformação homogênea - elementos originalmente paralelos (planos e linhas) se mantêm paralelos durante todo o processo deformacional (característica típica de translação). Rotação e Translação Deformação homogênea e heterogênea A deformação pode ser homogênea (uniforme) ou heterogênea (não uniforme); Deformação heterogênea - o paralelismo não é mantido e a deformação varia de ponto a ponto. Na natureza quase a totalidade dos casos de deformação é heterogênea. Deformação continua x descontinua Toda estrutura está sujeita a mudanças, passando de um estado inicial para um final. Esta passagem é denominada deformação, que pode ser observada em dois momentos: Deformação progressiva - caminho que o objeto geológico percorre desde seu estado original até seu estado final. Deformação finita - estado final da rocha após a deformação, configurado por modificações, impostas por eventos sucessivos de deformação; Deformação incremental/infinitesimal – constitui incrementos (acréscimos) de distorção que afetam uma rocha durante a deformação. Ou seja, descreve a história deformacional de um corpo. A deformação progressiva é somatória de todas as deformações incrementais. Deformação progressiva Algumas possibilidades Caminho superior: encurtamento na vertical Caminho inferior: encurtamento na horizontal inicial e posterior encurtamento na vertical. A deformação é a diferença entre o estado deformado e o estado não deformado, e não dá informações sobre o que de fato aconteceu durante a história da deformação. Uma dada deformação (strain) pode ter se acumulado de inúmeras formas. Cisalhamento Cisalhamento é o ato de cisalhar, isso significa causar deformação numa superfície a partir da tensão provocada por forças que atuam em sentidos iguais ou contrários, mas seguindo uma mesma direção. Tanto a deformação homogênea quanto a heterogênea podem sofrer processos de deformação diferenciados, representados por deformações não-rotacionais (coaxiais) ou rotacionais (não- coaxiais). Ambas envolvem o conceito de cisalhamento: o primeiro é chamado de cisalhamento puro e o segundo de cisalhamento simples. Cisalhamento Puro Na deformação coaxial, as linhas ao longo dos eixos principais de deformação mantêm a mesma orientação de seu estado indeformado. A deformação provoca movimentos no mesmo eixo de incidência (coaxial), porém com sentidos opostos. 20 Cisalhamento Puro 21 Cisalhamento Puro 22 Cisalhamento Puro Cisalhamento Simples Há movimento em porções diferentes (não-coaxial) e com sentidos opostos. Este tipo de deformação envolve rotação desde a escala mineralógica até a escala de maciço rochoso. 24 Cisalhamento Simples 25 Cisalhamento Simples 26 Cisalhamento Simples Cisalhamento puro e simples Deformação em uma dimensão Em uma dimensão a deformação se refere ao estiramento ou encurtamento de linhas. Deformação em duas dimensões A elipse de deformação é um método da quantidade de tensão que uma rocha sofreu. Ele usa um marcador inicialmente circular que é deformado para uma Elipse. Deformação em três dimensões O espectro de estados possíveis de deformação aumenta significativamente se considerarmos estiramento e contração em três dimensões; Existem quatro situações clássicas: Extensão uniforme (extensão axial simétrica) Achatamento uniforme (encurtamento axial simétrico) Deformação plana Deformação triaxial Elipsoide de deformação (três dimensões) É a figura geométrica formada no corpo deformado, resultante da modificação de uma esfera imaginária contida no corpo antes da deformação; Quando um corpo sofre deformação ele pode experimentar mudanças em cada uma das partículas que o constitui; Para descrever essas mudanças pode-se localizar um determinado ponto no corpo não deformado e imaginar uma pequena esfera centrada nesse ponto. No corpo deformado essa esfera se transforma em um elipsoide; Os três eixos do elipsoide são X, Y e Z. Por convenção: X = eixo maior Y = eixo intermediário Z = eixo menor - estiramento em uma das direções; - Igual encurtamento nas outras duas; - encurtamento em uma das direções; - Igual estiramento nas outras duas; - estiramento em uma das direções; - encurtamento em outra direção; - Estiramento ou encurtamento em cada uma das três direções Diagrama de Flinn Uma forma de representação gráfica da deformação finita é através do diagrama de Flinn; A diagonal do diagrama representa onde X/Y=Y/Z, ou seja, deformação plana; A diagonal separa a geometria prolata (charuto), no campo superior, da geometria oblata (panqueca), no campo inferior; O eixo horizontal representa achatamento, enquanto o vertical, extensão; Qualquer ponto do diagrama representa um elipsoide de combinação distinta. Diagrama de Flinn Uma forma de representação gráfica da deformação finita é através do diagrama de Flinn; A diagonal do diagrama representa onde X/Y=Y/Z, ou seja, deformação plana; A diagonal separa a geometria prolata (charuto), no campo superior, da geometria oblata (panqueca), no campo inferior; O eixo horizontal representa achatamento;Qualquer ponto do diagrama representa um elipsoide de combinação distinta. O eixo vertical representa extensão; Prolato Oblato Diagrama de Flinn A deformação dos materiais é produzida pela ação de forças. As forças que atuam nas rochas são principalmente de dois tipos: Força de corpo – atuam sobre todos os pontos do corpo rochoso, interna ou externamente, a exemplo da força gravitacional; Força de superfície – origina-se quando um corpo puxa ou empurra outro que lhe é adjacente, a exemplo dos movimentos tectônicos. As forças que atuam numa rocha produzem um conjunto de esforços (stress) e quantidade de deformação é medida pelas mudanças nas dimensões dos corpos. Tensão (stress) Stress é um par de forças iguais e opostas agindo sobre uma unidade de área de um corpo. A intensidade do stress depende da intensidade da força e do tamanho da área de atuação. Ou seja, esforço é igual a força pela área. O estado de tensão (dinâmica) propicia deformação/movimentação (cinemática) e resulta na forma final (geometria) da rocha. Tensão (stress) Um vetor de esforço orientado perpendicularmente em relação a uma superfície é denominado esforço normal; Um vetor de esforço que age paralelamente a uma superfície é denominado de esforço cisalhante; A magnitude dos componentes de Tensão varia em função da orientação do plano a ela submetido. Tensão (stress) É a figura geométrica construída a partir de três eixos e dimensões diretamente proporcionais às intensidades dos 3 eixos principais de esforços (σ1, σ2 e σ3); O elipsoide apresenta todas as informações sobre o estado de esforços de um dado ponto em uma rocha, ou um volume de rocha, onde os esforços sejam homogêneos; As tensões em um ponto, representando a intersecção de vários planos, descrevem uma elipse. Em três dimensões, o envelope de tensão define um elipsoide constituído por três eixos mutuamente perpendiculares (σ1 ≥ σ2 ≥ σ3). Elipsoide de tensão (stress) Elipsoide de tensão (stress) σ1 – eixo mais longo, direção de máximo esforço σ2 – eixo intermediário, esforço intermediário σ3 – eixo mais curto, direção de menor esforço Existem basicamente três tipos de falhas: Elipsoides de tensão x deformação Eixos de deformação são representados pelas letras X, Y e Z, cuja relação é X > Y > Z, ordem decrescente de deformação; O elipsoide de tensão é inversamente proporcional ao elipsoide de deformação; σ1 - Z ≥ σ2 - Y ≥ σ3 - X σ1 - Z σ3 - X σ2 - Y Espelho de falha – estrias em falha normal. Bandamento gnáissico Exercício • Diferencie as analises dinâmica, cinemática e geometrica. • Defina estruturas primárias e secundárias (tectônicas e atectônicas) • O que é deformação? • Defina cisalhamento puro e simples • Desenhe o diagrama de Flinn, posicionando os principais tipos de deformação e associe com anisotropias (foliação e lineação)