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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA NATUREZA CURSO DE BACHARELADO EM MEDICINA VETERINÁRIA DISCIPLINA DE ANESTESIOLOGIA VETERINÁRIA PROF. DR. ACÁCIO PACHECO RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA: APLICAÇÃO E MONITORAÇÃO ANESTÉSICA DE CANINO PARA REALIZAÇÃO DE OVÁRIOSALPINGOHISTERECTOMIA KAROLAYNE NEGREIROS JUSTO JUNHO – 2019 RIO BRANCO – AC 2 SUMÁRIO SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 03 OBJETIVOS ............................................................................................................................... 05 OVÁRIOSALPINGOHISTERECTOMIA ................................................................................. 06 IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE E PARÂMETROS ............................................................ 06 MEDICAÇÃO PRÉ ANESTÉSICA ........................................................................................... 07 INDUÇÃO ANESTÉSICA ......................................................................................................... 08 BLOQUEIO LOCAL .................................................................................................................... 9 MANUTENÇÃO ANESTÉSICA ............................................................................................... 10 MONITORAÇÃO ANESTÉSICA ............................................................................................ 11 PÓS CIRÚRGICO ...................................................................................................................... 12 CONCLUSÕES .......................................................................................................................... 13 OBSERVAÇÕES ........................................................................................................................ 14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................ 15 3 INTRODUÇÃO A avaliação clínica pré operatória tem como função verificar o estado clínico do paciente, gerando recomendações sobre a avaliação, manuseio e possíveis problemas, definindo o risco cirúrgico que corre o paciente, dessa forma é possível transmitir ao anestesista e aos cirurgiões informações necessárias para que possam tomar decisões que beneficiem o animal (SILVA et al, 1990). Devem ser definidos os exames mais apropriados e estratégias de tratamento para otimizar o cuidado do paciente, evitando-se exames desnecessários e permitindo o acompanhamento a curto e longo prazo. A realização de exames pré-operatórios também tem a finalidade de identificar ou diagnosticar doenças e disfunções que possam comprometer os cuidados do período pós operatório e avaliar o comprometimento funcional causado por doenças já diagnosticadas e em tratamento e ainda, auxiliar na formulação de planos específicos ou alternativos para o cuidado anestésico. Algumas doenças, como as cardíacas e as respiratórias, por sua relevância, podem interferir na escolha da técnica anestésica e na evolução do paciente (LACERDA, SAMPAIO,NUNES, 2010). A tendência atual é a solicitação de exames pré - operatórios de acordo com os dados sugestivos encontrados no histórico clínico ou no exame físico; necessidade dos cirurgiões ou clínicos que acompanham o paciente e monitorização de exames que possam sofrer alterações durante o procedimento ou em procedimentos associados (SILVA et al, 1990). A monitoração anestésica tem como objetivo detectar alterações nos parâmetros vitais antes que estas se tornem complicações de difícil resolução e identificar a profundidade dos planos anestésicos para permitir ajustes de acordo com a necessidade e o procedimento realizado. Geralmente são priorizados os sistemas cardiovascular e respiratório devido a sua importância, logo, durante a monitoração anestésica são utilizados equipamentos como o eletrocardiograma e o doppler (que podem ter suas informações transmitidas por um monitor seja ele tradicional multiparamétrico ou portátil) e até mesmo os mais conhecidos e de rotina como estetoscópio e termômetros. A ovariosalpingohisterectomia (OSH) é o procedimento cirúrgico mais recorrente na medicina veterinária de pequenos animais, sendo utilizado principalmente para o 4 controle populacional e na prevenção e tratamento de doenças do sistema reprodutor feminino. Apesar de ser considerada uma cirurgia eletiva é necessário respeitar a cronologia de eventos que antecedem o procedimento cirúrgico, como a consulta com o clínico e os exames complementares, além da consulta pré cirúrgica onde serão avaliados parâmetros e conferidos os protocolos anestésicos e além destes, o processo pós cirúrgico que é essencial para uma boa recuperação do paciente. 5 OBJETIVOS As aulas práticas da disciplina de anestesiologia veterinária tiveram como objetivo mostrar aos discentes como se aplicam as informações transmitidas durante as aulas teóricas em sala, tais como os processos que antecedem a cirurgia e a pós cirurgia, funções essas que cabem não só aos cirurgiões mas também aos anestesiologistas para que seja possível assim montar protocolos anestésicos indicados para cada paciente, respeitando as suas singularidades e necessidades, objetivando o seu bem estar sempre. 6 A OVÁRIOSALPINGOHISTERECTOMIA Realizado no dia 11/06/2019 IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE E PARÂMETROS Paciente: Sofia Espécie: Canina Raça: SRD Idade: 4 anos Sexo: Fêmea Peso: 5,2 kg Jejum: Segundo a proprietária desde a noite do dia anterior, e o jejum hídrico desde a manhã do dia 11/06 Mucosas: Róseas TPC: 1 Desidratação: Ausente Pulso: Forte Temperatura: 38,7 ° C Consciência: Alerta FC: 100 F: Taquipneico Ritmo: Sinusal Classificação de risco anestésico: ASA 1 7 MEDICAÇÃO PRÉ ANESTÉSICA Hora de administração: 13: 55 Sedação: Ausente Acepromazina - É o derivado fenotiazínico mais comumente utilizado como medicação pré - anestésica, sedativo e tranquilizante. Os efeitos mais importantes causados pelos tranquilizantes são: Tranquilização, efeito anti- emético, redução de secreções, potencialização dos anestésicos gerais (por depressão do SNC), hipotensão e hipotermia. Dosagem utilizada: 0,03 mg/kg, concentração: 0,2% mg/ml, volume utilizado: 0,08 ml Morfina - Produz boa analgesia pelo fato de que a utilização desse opioide é ampla, podendo ser empregado na medicação pré anestésica como anestésico para dor profunda, para aumentar o limiar de dor durante o procedimento cirúrgico e ainda para analgesia em espaço epidural. Alguns de seus efeitos são a analgesia, sedação, euforia, disforia e excitação, tendo como característica promover a analgesia sem perda de consciência. apresentar afinidade pelos receptores μ. Dosagem utilizada: 0,35 mg/kg, concentração: 10 mg/ml, volume utilizado: 0,18 ml Diazepan –Da classe dos benzodiazepínicos, promove tranquilização com relaxamento muscular, tem efeito anticonvulsivante, limitando a continuação das crises e elevando o limiar convulsivo e ainda com a capacidade de deprimir o s reflexos espinhais com relaxamento muscular. Comumente não causam alterações significativas na frequência cardíaca e na frequência respiratória. Dosagem utilizada: 0,15 mg/kg, concentração: 5mg/ml, volume utilizado: 0,15 ml Este protocolo de medicação anestésica foi escolhido levando em consideração o estado de saúde da paciente, que é uma paciente hígida e sem histórico de doenças crônicas. Foram associados aqui três fármacos de classes farmacológicas distintas: 8 Os fenotiazínicos (Acepromazina), Opioides (Morfina), e Benzodiazepínicos (Diazepan). A acepromazina foi escolhida para atuar tranquilizando a paciente, em conjunto com a sedação e o relaxamento muscular promovidos pelo diazepan. Já a morfina foi escolhida para promover analgesia, já que os fármacos já mencionados não possuem essa característica que é essencial em cirurgias, devido ao aumento do limiar de dor. Além disso a utilização desses fármacos diminui a necessidade de uma dose maior de fármacos indutores. Os fármacos aqui descritos foram adicionados em uma única seringa e administrados às 13:55 hrs. Após cerca de 13 minutos, o paciente foi encaminhado para a realização da tricotomia e logo depois seguiu para a fluidoterapia, onde foi adicionado Ringer Lactato com uma taxa de infusão de 5ml/kg/h/ equipo microgotas com um cateter número 24 na veia cefálica. Após as etapas descritas o paciente foi levado ao centro cirúrgico para iniciar a indução anestésica. A fluidoterapia é importante para manter a hidratação do paciente, a infusão intravenosa (IV) ou subcutânea (SC) de fluidoterapia como a do ringer lactato, solução fisiológica ou até mesmo NaCl 0,9% é especialmente importante em anestesias longas ou cirurgias invasivas. (RN 33, CONCEA, 2016). INDUÇÃO ANESTÉSICA Hora de administração: 14:49 Indução: Boa Propofol - É um fármaco não barbitúrico muito utilizado para indução em cirurgias de pequenos animais. A depuração e a distribuição do Propofol são rápidas, facilitando seu uso na indução e manutenção da anestesia, possibilitando um período curto de recuperação anestésica. A depressão respiratória e a apnéia transitória são os efeitos adversos mais comuns associados após a sua administração. O Propofol também promove diminuição da frequência e índice cardíaco de maneira dependente da dose, além de diminuir o fluxo sanguíneo coronariano e o consumo de oxigênio pelo miocárdio. o Propofol não tem propriedades analgésicas satisfatórias, dessa forma a utilização de analgésicos como componente da anestesia balanceada é justificado. 9 Dosagem utilizada: 5 mg/kg, concentração: 10 ml/kg, volume: 1 ml, devido à administração da subdose de Cetamina, foi reduzido pela metade - 0,05ml - IV Cetamina 10% – É um fármaco utilizado em cirurgias dissociativas, podendo ser utilizado em pequenos e grandes animais e que tem como principal característica o seu efeito de catalepsia, ou seja, o animal fica alheio ao ambiente porém ainda é capaz de receber estímulos nociceptivos. A cetamina possui alguns efeitos colaterais importantes, além de ser um fármaco de recuperação lenta deve ser utilizado com cautela em alguns pacientes como cardiopatas já que pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial e para hepatopatas e nefropatas já que tem sua biotransfromação realizada no fígado e nos rins. Dosagem utilizada: 1 mg/kg – 0,05 (Volume) Este protocolo de indução foi escolhido de forma que foram associados o Propofol e a Cetamina 10%. A Cetamina foi associada em subdose para que aumentasse a potência do fármaco indutor principal que é o Propofol, porém, sem induzir efeitos adversos (Como foi explicado pela anestesista responsável), cuja utilização em infusão contínua é vantajosa em função da rapidez na indução e na recuperação, mesmo em caso de administrações prolongadas. BLOQUEIO LOCAL Bupivacaína sem vasoconstritor – Possui duração de até 4 hrs e latência de 20 a 30 minutos, possui toxicidade inferior a da Lidocaína e é mais potente que a mesma. O bloqueio escolhido foi a epidural lombossacra e para a assepsia antes da realização do bloqueio foi utilizado álcool e iodo na região onde foi feita a tricotomia. Dosagem: 0,25 ml/kg - (1,3 ml) A anestesia epidural lombossacra é considerada uma técnica simples, segura e eficaz, e no seu uso observam-se vários aspectos positivos, como as mínimas alterações 10 cardiorrespiratórias, o controle da dor pós-operatória, a possibilidade de realização de procedimentos cirúrgicos no abdômen caudal, na pelve, na cauda, nos membros pélvicos e no períneo, além de ajudar a reduzir o estresse transoperatório (MCKELVEY; HOLLINGSHEAD, 1994). A anestesia epidural lombossacra em pequenos animais é realizada entre a sétima vértebra lombar (L7) e a primeira vértebra sacral (S1), sendo que neste local deve ser localizado o espaço lombossacro, que pode ser sentido através de uma depressão anterior aos processos espinhosos do osso sacro (FANTONI; CORTOPASSI, 2002). Foi utilizado posteriormente o bloqueio dos pedículos ovarianos para melhorar a analgesia visceral local, sendo administrado 0,3 ml de lidocaína por pedículo, sem o uso de vasoconstritores. A lidocaína é o anestésico local mais utilizado na medicina veterinária, possuindo curta duração quando não associada com os vasoconstritores. Esse bloqueio local foi escolhido por ser seguro, eficaz e por possibilitar a anestesia da região pélvica, o que é necessário para a realização da ovariosalpingohisterectomia. MANUTENÇÃO ANESTÉSICA Hora de administração: 15:15 Paciente em decúbito ventral Paciente foi entubado por sonda endotraqueal N°: 4,0 Isoflurano – É um do anestésicos inalatórios mais utilizados na medicina veterinária graças a algumas vantagens, como a rápida indução e recuperação, e uma boa indução através da máscara por conta do odor quase inexistente. Apesar destes, pode-se citar algumas desvantagens tais como a depressão respiratória e do miocárdio, taquicardia e hipotensão arterial. O Isoflurano, em concentração alveolar mínima para manutenção de plano anestésico cirúrgico, produz menor efeito depressor do volume sanguíneo ejetado pelo coração durante a sístole e ao débito cardíaco (LUDDERS, 1992; GLEED, 1992). Dosagem utilizada: 0,5% taxa de concentração alveolar mínima 11 Este anestésico inalatório foi escolhido para o protocolo por ser um excelente fármaco quando levado em consideração o seu rápido tempo de recuperação e indução, além de que é o que produz menor alteração cardiovascular que, apesar de a paciente em questão ser hígida algumas alterações cardiovasculares podem acontecer durante a cirurgia por conta dos efeitos de outros fármacos utilizados, logo, o Isoflurano é uma boa escolha. MONITORAÇÃO ANESTÉSICA Gráfico 1. Monitoração descrita de acordo com ficha anestésica utilizada. 12 PÓS CIRÚRGICO A cirurgia foi realizada em 1 hora e 45 minutos, o anestésico inalatório foi desligado ás 16:57, porém, minutos antes o animal demonstrou resposta a estímulos de dor e foi administrado então Meloxicam (IM) e Tramadol (SC). Logo depois a paciente foi coberta e levada para um local calmo e com temperatura ideal para que fosse possível uma recuperação tranquila. Foi repassado aos tutores os cuidadosnecessários para a recuperação, tais como o uso do colar elisabetano ou o pijaminha e cautela para que os pontos não fossem abertos, além dos medicamentos a serem administrados: Dipirona e Meloxicam, por 3 dias. Para a limpeza da ferida, foi recomendado solução de Clorexidine durante 7 dias. 13 CONCLUSÕES De forma prática, foi possível visualizar as etapas dos processos anestésicos sendo aplicados de forma que se tornou clara a importância de conhecer as classes dos fármacos utilizados na anestesiologia, assim como suas vantagens e desvantagens, sendo viável considerar sempre as características e condições dos pacientes que serão submetidos a cirurgias. 14 OBSERVAÇÕES 1. Durante o preenchimento da ficha anestésica, o anestesiologista da equipe cirúrgica da disciplina de clínica cirúrgica não preencheu completamente a ficha, deixando algumas lacunas. Logo, durante a construção deste gráfico foi necessário completar esses espaços com o numeral 0 para que fosse possível submeter a um gráfico de linhas, já que o sistema não reconheceria os dados não respondidos. 2. Durante a aula prática não foi permitido o uso de celulares, nem nos foi permitido fotografar para a utilização das imagens no relatório. 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GASPARINI, Simone Salata et al . ANESTESIA INTRAVENOSA TOTAL UTILIZANDO PROPOFOL OU PROPOFOL/CETAMINA EM CADELAS SUBMETIDAS Á OVARIOSALPINGOHISTERECTOMIA. Cienc. Rural, Santa Maria , v. 39, n. 5, p. 1438- 1444, Aug. 2009 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 84782009000500021&lng=en&nrm=iso>. access on 25 June 2019. Epub May 22, 2009. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782009005000102. DA CRUZ ¹, BRENDLER ². ANESTESIA E ANALGESIA EPIDURAL LOMBOSSACRA EM PEQUENOS ANIMAIS. XXIII Seminário de Iniciação Científica. Unijuí.2015 AVALIAÇÃO COMPARATIVA ENTRE A ANESTESIA GERAL COM HALOTANO E ISOFLURANO SOBRE A PRESSÃO ARTERIAL EM CÃES. Ciência Rural, Santa Maria, v. 30, n. 3, p. 425-430, 2000 GERING ¹; CHUNG ²; GRAVENA ³. ANESTESIA EPIDURAL: REVISÃO DE LITERATURA. REVISTA CIENTÍFICA DE MEDICINA VETERINÁRIA - ISSN:1679-7353 Ano XIII-Número 25 – Julho de 2015 – Periódico Semestral