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Valvopatias

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Parte 1 
 
1 Cardiologia - Valvopatias 
Nicolle Moraes Nunes 
Valvopatias 
Focos de ausculta cardíaca 
São os locais em que são mais intensos os fenômenos 
provocados naquela válvula. Por exemplo, quando a 
valva aórtica estiver doente vai ser muito mais fácil de 
identificar isso no foco aórtico (2º espaço intercostal 
direito na borda esternal) do que em outros focos. 
 Foco aórtico acessório: É a irradiação do som da valva 
aórtica. 3º espaço intercostal esquerdo. 
 Foco pulmonar: 2º espaço intercostal, na borda 
esternal esquerda. 
 Foco tricúspide: 4º espaço intercostal, borda esternal 
esquerda. Alguns autores consideram toda a parte 
inferior do esterno. 
 Foco mitral: Se localiza na sede do ictus cordis. 
Geralmente, no 5º espaço intercostal esquerdo, bem 
próximo à linha hemiclavicular. 
 
Atenção: Não podemos auscultar apenas os focos 
cardíacos, temos o dever de auscultar outras regiões! 
Imaginem, por exemplo, que o paciente tenha o coração 
do lado direito do peito (dextrocardia); é raro, mas pode 
acontecer, e se ficarmos só nos focos convencionais não 
vamos ouvir direito o coração do paciente. 
 
Fluxo sanguíneo 
O sangue chega ao AD pela VCS ou VCI. Do AD o sangue é 
direcionado para o VD através da valva atrioventricular 
direita (valva tricúspide). Quando houver a contração 
ventricular direita esse sangue vai para o tronco da A 
Pulmonar, e em seguido para os pulmões. No pulmão o 
sangue é oxigenado, e então é levado ao AE pelas VV 
pulmonares. Do AE o sangue passa para o VE, e ao se 
contrair o VE o sangue vai para a raiz da A. Aorta. Esse é 
o caminho do sangue desde a VCI até a raiz da A Aorta. 
Valvas Cardíacas 
 Valvas atrioventriculares: Valva tricúspide, e 
valva mitral. 
 Valvas semilunares: Valva aórtica, e valva 
pulmonar. 
A valva aórtica é bem próxima à valva mitral. Então, 
fenômenos auscultatórios de valva aórtica vão ser 
audíveis no foco aórtico acessório e no foco mitral, em 
alguns casos. 
 
Ciclo cardíaco 
Se refere aos eventos que ocorrem entre um batimento 
e outro. 
Relaxamento isovolumétrico: Ocorre depois que o 
sangue já foi expulso para a raiz da A. Aorta. Nesse 
momento, o coração está relaxando. Quando o VE 
começa a relaxar sua pressão está diminuindo, isso deixa 
a pressão do ventrículo mais baixa do que a pressão da 
A. Aorta e a tendência é que o sangue tente voltar da A. 
Aorta direto para o VE, contudo o sangue não consegue 
porque a valva aórtica impede esse refluxo de sangue. 
Nessa fase inicial da diástole a valva aórtica e mitral 
estão fechadas e é por isso que dizemos relaxamento 
ISOVOLUMÉTRICO (relaxamento ventricular com o 
mesmo volume). A pressão no VE vai caindo 
progressivamente enquanto a pressão no AE vai 
aumentando (porque o sangue está chegando pelas VV 
pulmonares), até o ponto em que PAE>PVE e ocorre a 
ABERTURA DA VALVA MITRAL. 
O mecanismo de abertura das valvas é um mecanismo 
mecânico, a contração gera o fluxo. A abertura ou 
fechamento das valvas ocorre pela diferença de pressão 
(gradiente) entre as cavidades. 
Quando ocorre a abertura da valva mitral temos o 
momento de maior pressão porque o sangue vai passar 
rapidamente (como se fosse o portão do rock in rio- 
abriu, todo mundo quer passar), se esse sangue está 
passando rápido nós chamamos essa fase de FASE DE 
ENCHIMENTO RÁPIDO VENTRICULAR. 
Depois disso, temos a FASE DE ENCHIMENTO LENTO 
(quando já passou bastante sangue, a velocidade 
diminui). A fase de enchimento lento também pode ser 
chamada de DIÁSTASE. 
 
Se a desaceleração do sangue for muito abrupta vai gerar 
uma bulha, que é a B3. Então, a B3 (que é uma bulha 
patológica) é gerada pela rápida desaceleração do 
sangue; pela transição da fase de enchimento rápido e 
fase de enchimento lento. B3 é uma bulha patológica. 
Parte 1 
 
2 Cardiologia - Valvopatias 
Nicolle Moraes Nunes 
Bulhas cardíacas: 
B1: Ocorre no momento da sístole ou fechamento da 
valva mitral e tricúspide. 
B2: É o fechamento das valvas semilunares. Marca o 
início da diástole. 
B3: Ocorre no início da diástole, é PROTODIASTÓLICA. É 
gerada pela rápida desaceleração do sangue entre as 
fases de enchimento rápido e enchimento lento 
ventricular. Denota sobrecarga de volume. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Observação: A valva aórtica fecha um pouco antes do 
que a valva pulmonar. Contudo, a valva pulmonar abre 
antes da valva aórtica. 
 
B1 e B2 são sons de alta frequência, portanto melhores 
audíveis com o diafragma. 
B3 e B4 são sons de baixa frequência, portanto melhores 
audíveis com a campanula. 
 
B2 é melhor audível nos focos aórtico e pulmonar. 
B3 e B4 são melhores audíveis em focos de ponta. 
 
Voltando ao ciclo cardíaco... 
No final do enchimento lento estamos no finalzinho da 
diástole, então estamos bem perto da sístole. Quem gera 
o estímulo elétrico para o coração contrair é o nó sinusal, 
são células auto excitatórias, e com isso geram uma onda 
de despolarização que despolariza primeiro os átrios, e 
depois os ventrículos. O nó sinusal se localiza no AD. Os 
átrios vão se despolarizar e contrair no final da diástole, 
ou seja: no final da diástole ventricular nós temos a 
SÍSTOLE ATRIAL. SIM, A SÍSTOLE ATRIAL ACONTECE NA 
DIÁSTOLE VENTRICULAR. 
É justamente nesse momento que surge a B4 nos 
pacientes que tem redução de complacência ventricular. 
O ventrículo está com alguma doença que impeça que 
ele receba o sangue da contração atrial de maneira 
adequada. A contração atrial fornece 25-30% do Volume 
sistólico. Contudo, esse ventrículo está endurecido, 
então ele não vai comportar esse sangue como deveria e 
esse fluxo de sangue entrando vai gerar uma bulha 
patológica que é a quarta bulha cardíaca. A quarta bulha 
cardíaca fica bem próxima à primeira bulha cardíaca, 
então a chamamos de “pré sistólica”. 
Então, a sístole atrial é o final da diástole. Quando o átrio 
contrai, nós acabamos de encher o ventrículo. 
 
O estímulo elétrico que fez os átrios se contraírem, 
então, vai continuar se propagando até chegar no nó AV, 
que faz um retardo decremental* (ele segura o estímulo 
elétrico para dar tempo dos átrios se contraírem 
primeiro, e depois os ventrículos). Então, a propagação 
do estímulo elétrico vai fazer com que os ventrículos se 
despolarizem, e entrem na fase de CONTRAÇÃO 
ISOVOLUMÉTRICA. Essa fase é chamada de 
isovolumétrica porque quando começa a contração a 
pressão no ventrículo fica maior do que a pressão no 
átrio; a tendência seria o refluxo de sangue de VE para 
AE, mas o fechamento da valva mitral não permite que 
isso aconteça. Contudo, no momento da contração 
isovolumétrica a PVE ainda não é maior do que a Pressão 
na A Aorta, por isso a valva aórtica ainda está fechada e 
temos uma cavidade com o mesmo volume, enquanto 
isso a pressão vai aumentando exponencialmente, e 
ainda não temos a pressão suficiente para abrir a valva 
aórtica. É uma pressão de contração com o mesmo 
volume. A hora que a pressão no VE > Pressão na raiz da 
A Aorta a valva aórtica vai abrir, e com essa pressão toda 
o sangue vai passar rápido; então temos a fase de 
EJEÇÃO RÁPIDA. A MEDIDA QUE VAMOS ESVAZIANDO O 
VENTRÍCULO VAI SE TORNANDO UMA EJEÇÃO MAIS 
LENTA; é a diferença de pressão que comanda a 
velocidade. Quando a pressão na artéria aorta for 
aumentando, e a pressão no ventrículo for diminuindo 
vamos ter a fase de EJEÇÃO LENTA até que o sangue “ dê 
uma paradinha” e inicie a protodiástole. 
 
Depois que o VE empurrou toda a quantidade de sangue 
que ia mandar para a A. Aorta a pressão na A. Aorta vai 
ficar maior do que a pressão no VE, e o VE vai começar a 
relaxar. Ou seja, a tendência é que o sangue volte da A. 
Aorta para o VE, contudo a valva aórtica se fecha e 
impede que isso aconteça. 
As mesmas coisas que acontecem no coração esquerdo