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RESUMO DIP

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RESUMO DIP
MALÁRIA: 
Tem alguns casos na região Serrana do RJ, Rondônia, mas no país o local de maior incidência é o Amazonas. A malária é uma doença febril aguda muito parecida com a dengue, então precisamos ter muita atenção para diferenciar. 
A malária em alguns casos pode se manifestar de forma grave, e levar o paciente a óbito. É uma doença que ainda não tem vacina. Contudo, é possível preveni-la usando roupas que protejam o corpo do vetor, e usando repelentes. 
Em alguns casos, em que o paciente já teve malária muitas vezes ele cria uma certa imunidade, e aí a malária dele pode sarar sozinha, nem necessidade de tratamento. 
Existem muitas pessoas em áreas de contágio, ou seja, existem muitas pessoas expostas à doença, e que eventualmente podem contrai-la. O paciente pode contrair malária várias vezes, mas ele vai criando uma certa imunidade que vai defendendo-o nas vezes sequentes. 
GRUPOS MAIS VULNERÁVEIS PARA A MALÁRIA: CRIANÇAS, GESTANTES, E VIAJANTES. Os viajantes devido as áreas de risco, e gestantes e crianças porque não podem tomar as medicações. 
TRANSMISSÃO:
Vetorial: É a principal forma de transmissão. O vetor é a fêmea do mosquito Anopheles Darling.
Transplacentária;
Transfusão sanguínea.
AGENTE ETIOLÓGICO: É importante saber qual é o provável agente etiológico porque o tratamento é diferente. 
P. vivax – O P. vivax é o “mocinho”. Ele costuma gerar quadros mais brandos da doença. 
P. falciparum – É o vilão da história. Ele pode causar a malária não complicada, e a malária complicada. SEMPRE QUE FOR MALÁRIA COMPLICADA, QUE FOR UM QUADRO DIFERENTE DO NORMAL PENSAR NO P. falciparum. 
FISIOPATOLOGIA:
Os plasmódios acometem as células hepáticas (vão gerar hepatomegalia) e as hemácias (vão gerar anemia). Com a destruição das hemácias temos o acesso malárico; ou seja, a febre. A febre da malária pode ser terçã ou quartã (como descrita nos livros) ou pode ser diária (que é o que se vê no cotidiano). Contudo, essa febre diária da malária É APENAS UMA VEZ POR DIA. Se o paciente com malária evolui com febre mais de uma vez ao dia, ou se essa febre permanecer muito tempo, ficar ligado porque pode ser uma malária complicada, pode ser um P. falciparum. Observação: A febre tem esse intervalo porque o plasmódio não se replica tão rápido, ele tem esse intervalo para continuar se replicando.
P. falciparum - Possui formas evolutivas que podem aderir ao endotélio, reduzindo sua circulação e gerando complicações que podem evoluir para a malária severa. Nem sempre o P. falciparum vai levar à malária complicada, isso depende muito da parasitemia do paciente. Quando maior for a parasitemia, mais grave será a malária. 
Mas por que o P. vivax costuma gerar a forma mais branda, e o P. falciparum costuma gerar a forma mais grave? Porque o vivax só acomete cerca de 1 a 2% das células e hemácias, enquanto o falciparum acomete cerca de 25% delas. 
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: DE 7 A 30 DIAS (NORMALMENTE ENTRE 12-15 DIAS). É um período maior do que o da dengue. O período de incubação da dengue é de 3 a 10 dias. Isso pode ajudar a fazer o diagnóstico diferencial. 
Sempre que desconfiar de malária devemos ficar atentos quanto a história do paciente: onde ele estava e há quanto tempo? Ficar atentos também quanto a possibilidade de RECIDIVA. 
(PROVA) RECIDIVA DE MALÁRIA: Acontece em pacientes que tiveram malária por P. vivax ou P. ovale e não trataram adequadamente, ou nem trataram. O plasmódio vivax possui duas formas: uma forma sanguínea e uma forma hepática. A forma hepática, é o hipnozoito, e fica no fígado latente. Depois de alguns meses (2, 3 até 12 meses) o paciente começa com um quadro de malária semelhante ao que ele teve antes. Não é mais grave, apenas acontece de novo. A RECIDIVA ACONTECE NOS PACIENTES QUE TRATAM SÓ A FORMA SANGUÍNEA DO PLASMÓDIO, ENTÃO CERCA DE 3 MESES DEPOIS A FORMA HEPÁTICA (HIPNOZOITO) REATIVA E GERA RECIDIVA DA DOENÇA. Lembre-se que tanto o P. vivax quanto o P. falciparum podem gerar a malária não complicada! 
Atenção na história para não confundir com dengue! Se tiver febre terçã ou quartã com certeza é malária. 
MALÁRIA NÃO COMPLICADA: Possui 4 estágios. 
Estágio frio – Sensação de frio, e tremedeira
Estágio quente – Febre, dor de cabeça e vômitos
Estágio sudoreico – Sudorese e diminuição da temperatura
Febre terçã e quartã – Infrequente. 
Sintomas da malária não complicada: Febre, vômitos, calafrios, dor no corpo e cansaço. 
Sinais da malária não complicada: Altas temperaturas (FEBRE ALTA), transpiração, fraqueza, hepatoesplenomegalia, taquipneia e icterícia moderada (normalmente nem tem icterícia – o que costuma dar icterícia é malária grave). 
MALÁRIA SEVERA (GRAVE): SEMPRE É O FALCIPARUM!!!!! SEMPRE!
A malária severa quando ocorre, ocorre em seguida da malária não complicada. Ou seja, o paciente não começa já com os sintomas da malária severa, ele passa pela malária não complicada e então evolui com a forma grave. 
(Se você souber os sintomas da malária não complicada qualquer coisa que fuja disso você já sabe que é grave). 
Para dizer que o paciente tem malária severa ele precisa de dois desses sintomas abaixo, ou malária cerebral:
Malária cerebral (sozinha já vale) – Alteração de comportamento, rebaixamento do nível de consciência, coma. É uma emergência médica. 
Anemia severa (por hemólise)
Hemoglobinúria (por hemólise)
Síndrome de Angústia Respiratória
Distúrbios de coagulação
Insuficiência renal
Acidose metabólica (relacionada com hipoglicemia)
Hiperparasitemia (mais de 5% de hemácias acometidas)
DIAGNÓSTICO:
Gota espessa
PCR
Exames laboratoriais (investigar anemia, hiperbilirrubinemia, glicemia, IR – ureia e cretinina, e distúrbios ácido-base). – Esses exames servem para ver os sinais de gravidade. Na dengue quando queremos saber a gravidade pedimos o hematócrito, no caso da malária pedimos esses exames. 
TRATAMENTO
P. vivax: Cloroquina (forma sanguínea) e Primaquina (forma hepática – hipnozoíto). 
Observação: Primaquina não pode ser usada por gestantes pelo efeito teratogênico. Nesse caso, gestantes com malária devem usar apenas a cloroquina, e devemos avisa-la que ela tem risco de recidiva. Nos medicamentos de P falciparum podemos dar qualquer medicamento para a grávida. 
P. falciparum: Atovaquona + Metfloquina 
MALÁRIA GRAVE É SEMPRE INTERNAÇÃO E MEDICAÇÃO IV!!!!! MEDICAÇÃO ORAL NA MALÁRIA NUNNNNCAAAA!!!!
Usamos sempre dois medicamentos porque o plasmódio tem alto potencial de mutação. 
MEDICINA DO VIAJANTE E QUIMIOPROFILAXIA: Sempre que for viajar para uma área de risco investigar qual o plasmódio mais comum naquela área, e levar o remédio apropriado para esse plasmódio, e se tiver algum sintoma já iniciar a quimioprofilaxia. 
LEISHMANIOSE VISCERAL (CALAZAR E FEBRE NEGRA)
É uma doença febril NÃO AGUDA, caracterizada por uma febre baixa DE LONGA DURAÇÃO, hepatoesplenomegalia, emagrecimento, fraqueza, anemia e redução da força muscular. 
No país, é mais incidente na Bahia e em MG. 
Agente etiológico: Leishmania donovani, Leishmania chagasi, Leishmania infantum (Protozoários do gênero Leishmania)
Hospedeiros intermediários: Cães e roedores
Transmissão: Vetorial. O principal vetor é a fêmea do Cullex (mosquito palha)
FISIOPATOLOGIA:
O mosquito Cullex pica os animais infectados (roedores e cães) e então pica os seres humanos levando o protozoário. No homem, o protozoário tem duas formas evolutivas: promastigota e amastigota. As promastigotas são formas flageladas que ficam na corrente sanguínea, enquanto as amastigotas são formas já sem flagelo que são encontradas nas vísceras. 
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 2 A 24 MESES. (NORMALMENTE ENTRE 2 E 4 MESES). 
Observação: 
-As amastigotas acometem principalmente o sistema reticulo-endotelial. O sistema reticulo-endotelial é composto por fígado, baço, sistema linfático, linfonodos e medula óssea. Por isso, o paciente vai ter icterícia, anemia, e pancitopenia. 
- A febre na leishmaniose visceral é prolongada porque ela acontece devido ao sistema reticulo-endotelial acometido.