Pediatria - internato
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Pediatria - internato

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INTERNATO PEDIATRIA 
RESFRIADO COMUM OU NASOFARINGITE AGUDA 
Quadro benigno e autolimitado pela inflamação da mucosa do nariz, seios paranasais 
e faringe provocada por vírus. Comum nos primeiros anos de vida, de 6-8 episódios 
por ano até os 5 anos. 
Principal agente: rinovírus (50% dos casos). 
Transmissão: principal (contato direto). 
\uf0b7 Contato direto (interpessoal ou por fômites). 
\uf0b7 Pequenas partículas em aerossóis (infecção após inalação). 
\uf0b7 Grandes partículas (transmitidas à pequenas distâncias e causam infecção ao se 
depositarem em mucosa nasal e conjuntiva). 
Clínica: o início dos sintomas irá ocorrer de um a três dias após a infecção. A primeira 
manifestação costuma ser dor de garganta, seguido do aparecimento de coriza e 
obstrução nasal. A coriza e a obstrução nasal estão sempre presentes definindo o caso 
como síndrome da rinossinusite. Além dessas manifestações, o paciente pode 
apresentar tosse e espirros, sendo que a tosse pode estar relacionada ao gotejamento 
pós-nasal. A manifestação pode permanecer por 1 a 2 semanas após melhora dos outros 
sintomas. A febre pode estar presente, assim como a presença de lifadenomegalia 
cervical. As alterações encontradas em exame físico incluem edema e hiperemia dos 
cornetos, além da presença de roncos por obstrução nasal. 
Tratamento: lavagem com soro fisiológico e medicações antipiréticas. Familiares devem 
ser orientados a procurar assistência médica imediata caso a criança comece a 
apresentar dificuldades respiratórias ou respiração mais acelerada, incapacidade para 
ingerir líquidos ou deterioração do estado geral. Não usar antitussígenos, mucolíticos e 
descongestionantes. 
Complicações: otite média aguda é a principal complicação bacteriana, seguido da 
sinusite bacteriana aguda. Outra possível complicação do resfriado comum é a 
exacerbação da asma brônquica pela infecção das vias aéreas superiores. 
OTITE MÉDIA AGUDA 
Inflamação da orelha média provocada por agentes bacterianos, principalmente 
Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis. 
Incidência: maioria dos casos se concentra antes de dois anos de idade, com declínio 
após essa idade. 
\uf0b7 Idade: relativa imaturidade imunológica, anatomia da tuba auditiva que é mais 
curta e horizontalizada, prejudicando os mecanismos de antirrefluxo e drenagem 
da orelha média. 
\uf0b7 Sexo e fatores genéticos: mais comum nos meninos do que nas meninas. 
\uf0b7 Perfil socioeconômico e exposição a outras crianças: aglomerações, higiene 
inadequada, menor acesso ao sistema de saúde e pior perfil nutricional são 
 
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fatores de risco. O contato com grande número de crianças, seja em creche ou 
seja em casa, também está intimamente relacionado ao aumento dos casos. 
\uf0b7 Tabagismo passivo: é fator de risco, e é modificável. A orientação para que a 
exposição seja evitada deve fazer parte da consulta de puericultura. 
\uf0b7 Anomalias congênitas: anomalias craniofaciais, como fenda palatina, e algumas 
anomalias cromossomiais como a síndrome de Down, cursam com 
funcionamento inadequado da tuba auditiva, e consequentemente predispõem 
a OMA. 
Fatores de proteção: aleitamento materno e vacinação (vacinação antipneumocócica e 
vacinação contra influenza). 
Quadro clínico: a história típica é de uma criança com infecção de via aérea superior e 
que agudamente desenvolve febre, otalgia e hipoacusia. 
\uf0b7 Lactentes: irritabilidade, levam a mão ao ouvido (ato de coçar ou puxar o 
pavilhão auricular), choro persistente, recusa alimentar e alterações do padrão 
de sono. Podem apresentar febre. 
\uf0b7 Crianças maiores: otalgia, hipoacusia, irritabilidade e febre. 
Exame físico: se faz por meio de otoscopia, que nos mostrará uma membrana timpânica 
congesta e abaulada, com perda de luminosidade do triângulo, com hiperemia do 
conduto e vascularização radial visível. 
Tratamento: criança com OMA deve receber analgesia, geralmente com paracetamol, 
dipirona ou ibuprofeno. Essas medicações devem ser prescritas para as crianças 
candidatas ao uso de antimicrobianos tanto quanto para àquelas que irão ser 
acompanhadas clinicamente em um momento inicial. 
\uf0b7 Grande parte dos episódios de OMA se resolvem espontaneamente, sem que 
nenhum tratamento específico seja instituído. A reavaliação deve ocorrer em 
dois ou três dias e se o quadro persistir é mandatório o tratamento 
antimicrobiano. 
\uf0b7 Em casos em que não se possa observar o paciente clinicamente o uso de 
antimicrobianos é capaz de acelerar a resolução dos problemas e também 
prevenir a ocorrência de complicações supurativas. 
\uf0b7 Situações em que antimicrobianos devem ser prescritos: 
o Crianças menores de 6 meses de idade: imediatamente. 
o Entre 6 meses e 2 anos: para os casos em que se tenha certeza ou para 
os casos graves. 
o Acima de 2 anos: na certeza prescrever apenas para os casos graves. 
o OMA bilateral: imediatamente. 
\uf0b7 Primeira linha: amoxicilina. A melhora clínica é dramática, havendo melhora da 
febre, otalgia e otorreia dentro das primeiras 48-72 horas. A dose tradicional é 
50mg/kg/dia, o que não é eficaz contra o pneumococo de resistência 
intermediária. O aumento da dose é capaz de cobrir pneumococos sensíveis. 
Habitualmente a duração do tratamento é de 10 dias. O uso de amoxicilina com 
 
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clavulanato deve ser considerado na recorrência dos sintomas após uso de 
antibiótico por menos de 30 dias. Se houver relato de alergia à penicilina as 
alternativas incluem uso de cefalosporina (para alergias não muito graves) ou de 
macrolídeos (para alergias mais graves). 
\uf0b7 Falha terapêutica: quando não há melhora clínica após 48-72 horas de 
tratamento, deve-se pensar na resistência bacteriana ao antibiótico em uso, não 
sendo esse o único aspecto do insucesso terapêutico. De todo modo, o esquema 
de segunda linha deve cobrir cepas de haemófilo e moraxela produtores de beta-
lactamases e cepas de pneumococo não suscetíveis à penicilina. 
Complicações: perfuração da membrana timpânica, dermatite infecciosa, otite média 
crônica supurativa, mastoidite aguda, paralisia facial, meningite, abcesso epidural ou 
subdural, encefalite focal, abcesso cerebral e trombose de seio sigmoide. 
SINUSITE 
Inflamação e infecção da mucosa de um ou mais seios paranasais, provocados por 
vírus ou bactérias. 
\uf0b7 Sinusites virais: consequência direta dos resfriados comuns, 20x mais comum 
que as bacterianas. Tem resolução espontânea. Principais causadores são o 
rinovírus e influenzae e o tratamento inclui soro para lavagem nasal e anti-
inflamatório para melhora da dor. Resolução de 7 a 10 dias. 
\uf0b7 Sinusites bacterianas: mesmos agentes da otite média aguda Streptococcus 
pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis. Tende a piorar os 
sintomas no 5º dia de evolução. Tratamento inclui uso de antimicrobianos. 
Predisposição: os principais fatores predisponentes para sinusite bacteriana aguda na 
infância são infecções virais das vias aéreas superiores, rinite alérgica e exposição à 
fumaça de cigarro. Algumas condições crônicas também predispõem a maior ocorrência 
do evento, como anomalias estruturais, disfunção ciliar, fibrose cística, 
imunodeficiências congênitas ou adquiridas e presença de refluxo gastroesofágico. A 
presença de corpos estranhos, como tubo e sondas também podem potencializar o 
surgimento de complicação bacteriana. 
Clínica: o diagnóstico na infância é estabelecido pela anamnese. 
Sintomas: 
\uf0b7 Aguda: dor na face (dor de cabeça), rinorreia purulenta, congestão nasal, tosse, 
gotejamento pós-nasal e febre (crianças).