Gestação, Parto, Puerpério e Fisiologia fetal
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Gestação, Parto, Puerpério e Fisiologia fetal


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Gestação, Parto, Puerpério e Fisiologia fetal \u2013 Júlio Aragão
Gestação, Parto, Puerpério
Esses três eventos compõe o ciclo gravídico puerperal. A gravidez é o momento evolutivo do ciclo, o parto é o resolutivo (uma vez que se inicia, tem que resolver) e o puerpério é o retorno da mulher a sua condição pré gestacional, é um período involutivo. A gravidez se dá por um início, duração e término. Mede-se a gravidez em semanas. O início mais palpável é o primeiro dia da última menstruação, não tem como saber o dia correto da concepção e nem o da ovulação. Em semanas, a gravidez vai até 40 semanas ou 240 dias (ou 280?), podendo variar de 37 a 42 semanas (*41 semanas e 6 dias). Depois de 42 semanas, a gravidez é considerada pós termo, antes de 37 é pré termo ou prematuro. Se a interrupção da gravidez é antes de 20 a 22 semanas ou se o feto pesar em torno de 500g, tem-se um abortamento. O feto pode ser considerado viável com 26 semanas, mas nem sempre vai ser tão fechado nessa data, alguns conseguem sobreviver com 24 semanas. Os trimestres são com 13 semanas, 26 semanas e 40 semanas, sendo o primeiro, segundo e terceiro trimestre. De uma forma geral, evita-se falar em meses porque é pouco específico.
Cálculos
Idade gestacional \u2013 soma-se todos os dias desde a data da última menstruação até o dia atual, pega esse número e divide por sete, o que sobrar são os números além daquela semana. Exemplo: grávida que somou 215 dias, divide por 7, dá 30 semanas e sobram 5 dias, que é uma idade gestacional. 
Data provável do parto \u2013 é obtida através da soma da data da última menstruação, mais nove meses mais 10 ou 7 dias.
Fases da Gravidez 
Primeiro trimestre: quando a mulher descobre estar grávida, as modificações corporais são muito pequenas, ela começa a desenvolver hipoglicemia, mudanças de apetite, se perceber estar grávida está mais ligado a um resultado de gravidez positivo e não a se sentir realmente grávida. Sempre que pensar em gravidez lembrar que os sentimentos são de dualidade, o querer e o não querer (ela queria a gravidez, mas não naquele momento ou com aquele parceiro. O feto nesse momento é muito imaginário, não sente a gravidez como algo real). 
Segundo trimestre: começa a ter uma personificação do feto, é a \u201clua de mel\u201d da gravidez, a mulher começa a sentir que o feto mexe, suas modificações corporais se tornam mais evidentes, o abdome começa a aparecer por conta do útero grávido. Aí a população começa a perceber a gravidez e a grávida começa a aceitar a gravidez e o parceiro se aproxima da mãe e da gravidez (no primeiro trimestre isso não ocorre tanto). 
Terceiro trimestre: é quando a gravidez se torna mais pesada, tanto fisicamente quando psicologicamente. A mulher começa a ter dificuldade para andar, para respirar, achar posição para dormir. Ela começa a ter medo do parto, do aleitamento, de não ter uma condição de dar atenção de forma suficientemente boa para a maternidade. Tem uma diminuição do desejo sexual e nessa fase começa a ter os desejos, pesadelos e fantasias (relacionados ao recém-nascido). 
Parto: é a quando a crise vital se estabelece, ele é um rito de passagem, é um momento de medo da morte, de ressignificação de toda uma vida, mesmo que seja o segundo, terceiro parto. É um momento de morte de uma mulher sem filhos para um renascimento de uma mãe de um. É uma dor física e emocional. 
Puerpério: quando o concepto já está palpável, ocorre uma redefinição de papeis, a mulher se redefine como filha, mãe, esposa, mulher e profissional. O momento de contato com o RN, de reconhecimento, com a mudança do foco de atenção (família que só prestava atenção na mãe volta o foco para a criança), dá uma situação de esvaziamento, uma tristeza pós-parto, como uma depressão, caracterizando um quadro de preocupação materna primária, na qual a mulher se sente triste, vazia, porque sua condição mudou, podendo durar até 2 semanas. Isso não tem relação com a psicose puerperal, que é quando a paciente já tem psicose e apresenta um surto no pós-parto.
\u201cA gravidez é um processo biopsicossocial!\u201d
Fisiologia fetal
Função neuromuscular: desde 8 semanas já dá para ver reflexos rudimentares, inclusive no USG, são pequenas movimentações. O eletroencefalograma já consegue ser traçado com 13 semanas. Mesmo conceptos muito prematuros já é possível ter uma sensibilidade gustativa, olfativo, tátil e auditiva. A auditiva já pode ser comprovada com 26/28 semanas pela cardiotopografia, não só para estímulos nocivos mas para músicas. Com isso, identifica-se que o feto é mais sensível a sons mais agudos, que se transmite melhor por um meio líquido.
Nutrição e metabolismo da grávida: o feto não se comporta como um parasita materno. Ele obtém seus nutrientes da mulher, mas não consegue retirar mais do que está disponível para ele. Se a mulher não se nutrir corretamente, o feto não se nutre de forma adequada. A desnutrição materna pode causar perda do concepto, parto prematuro e crescimento intrauterino restrito. A obtenção dos carboidratos pelo feto ocorre por difusão facilitada pela placenta, indo glicose do sangue materno para o fetal. A glicemia fetal é aproximadamente 90% da materna, nos fazendo nos preocupar com a hipoglicemia materna, sendo um resultado pior para o feto. O feto tem alto consumo de glicose porque ele tem metabolismo acelerado, crescendo e fixando elementos, por isso existe a difusão placentária. No metabolismo lipídico, o feto cresce mais e se desenvolve até as 32/33 semanas. Nas últimas 6 semanas, ele engorda mais do que cresce, fazendo deposição de gordura, para estocar para o período pós-parto. Ele tem bastante gordura branca, como na maioria dos adultos, mas ele durante um período estoca gordura marrom, que é o tipo de gordura que é altamente energética quando mobilizada (serve para os ursos hibernarem), que é mobilizada nas primeiras 24 horas, quando o feto está se adaptando a amamentação. O feto perde peso nessas horas porque ele está perdendo a gordura castanha para ter energia e não morrer de fome nesse período de adaptação. No metabolismo proteico, o feto tem uma passagem de aminoácidos pela placenta, fazendo uma imensa síntese proteica por estar criando novos tecidos, fixando constantemente proteínas. Dentro do seu metabolismo, ele forma resíduos nitrogenados, que por não ter ainda o sistema renal, são excretados pela placenta (mesmo sendo eliminado pela urina e deglutido novamente).
O aparelho digestivo fetal a partir de 16 semanas já funciona com deglutição, absorção, digestão e peristalse. Ele deglute o próprio líquido amniótico, que tem todo um ciclo de formação, que inclui a absorção do líquido pelo TGI fetal e posterior eliminação de urina fetal, renovando o líquido a cada 3 horas. Elementos que descamam da pele e o vernix caseoso é deglutido, absorvido e deposita-se no intestino. Esse fluxo é importante no entendimento de má formações. O feto que não deglute, por alguma anencefalia, não tendo o reflexo, ele não vai absorver o líquido, formando sem reabsorver, vai ter um acúmulo de líquido, formando a polidramnia, com um excesso de líquido (fundo de útero acima do esperado). Se um feto tem má formação de sistema urinário, pode ter uma oligoidramnia, tendo uma diminuição do líquido amniótico. A contínua deglutição e absorção faz com que uma parte que não é digerível ou absorvível do líquido amniótico, principalmente pêlo fetal e resíduos de células epiteliais, que começam a acumular no intestino, formando o mecônio, que normalmente não é liberada. Ele pode ser liberado a partir do mecanismo de maturidade fetal, com um aumento do tônus vagal, aumenta a peristalse que pode liberar o mecônio, formando o líquido meconial. Assim, o líquido amniótico fica com uma coloração verde escura (inicialmente?), que se aspirada pelo feto pode levar a uma pneumonite química e a uma síndrome irritativa pneumônica. Além disso, o líquido meconial pode ser liberado em situação de baixa oxigenação fetal, ou seja, uma hipóxia, levando a uma acidose, que faz relaxar o esfíncter, liberando o mecônio